Prévia do material em texto
EA D Artrologia 2 1. OBJETIVOS • Conhecer e identificar os tipos de articulações. • Conhecer e definir as formas de trabalho muscular. • Compreender as articulações, os músculos e as funções do tronco e dos membros. • Analisar cada possibilidade de movimento em cada arti- culação. 2. CONTEÚDOS • Articulações fibrosas, cartilaginosas e sinoviais. • Contração muscular isotônica. • Contração muscular isométrica. • Articulações, músculos e movimentos das articulações do membro superior. © Cinesiologia86 • Articulações, músculos e movimentos das articulações do membro inferior. • Articulações, músculos e movimentos das articulações do tronco. • Principais alterações nos movimentos. 3. SUGESTÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE Antes de iniciar o estudo desta unidade, é importante que você leia as orientações a seguir: 1) Ao longo desta unidade, você estudará as ações muscu- lares. Desse modo, sempre que as for analisar, você deve lembrar-se dos conceitos de músculo agonista, músculo antagonista e músculo sinergista, explicados no texto. 2) Leia os livros da bibliografia indicada para que você am- plie e aprofunde seus horizontes teóricos. Esteja sempre com o material didático em mãos e discuta a unidade com seus colegas e com o tutor. 3) Estude este material didático conferindo as referências com as explicações dadas. 4. INTRODUÇÃO À UNIDADE Na primeira unidade, estudamos os conceitos cinesiológicos, ou seja, os conceitos mecânicos que regem os movimentos. Tive- mos a oportunidade de rever os planos anatômicos e os eixos de movimentos estudando cada movimento que ocorre nesses pla- nos e eixos. Agora que já conhecemos alguns conceitos da Cinesiologia, segmentarmente estudaremos, nesta unidade, o corpo humano, abordando as estruturas importantes para a função. Inicialmente, veremos os conceitos de Artrologia já estudados em Anatomia; fare- mos uma explanação suficiente para entendermos este estudo. Não temos, aqui, o objetivo de fazer um estudo anatômico como o reali- Claretiano - Centro Universitário 87© U2 - Artrologia zado no caderno específico deste tema, mas analisaremos o que for de maior relevância para entendermos os movimentos. Você pode notar alguma diferença entre os conceitos anatô- micos e os funcionais, mas é importante explicar que a Anatomia realiza uma análise morfológica enquanto a Cinesiologia realiza uma análise funcional, o que pode trazer entendimentos diferentes. Inicialmente, vamos rever alguns conceitos da artrologia fun- cional relembrando os componentes importantes das diferentes ar- ticulações. Depois, estudaremos as articulações de cada segmento – isto é, do tronco e dos membros superiores e inferiores – e cada possibilidade de movimento osteocinemático e artrocinemático, bem como a aplicação desses conceitos na sua prática profissional. Desejamos, a você, êxito nos estudos e nas atividades! 5. SISTEMA ARTICULAR A Artrologia (do grego artron, que significa "juntura") ou Sindesmologia é a parte da Anatomia que estuda as articulações (MIRANDA, 2008). Os ossos, em conjunto, formam o esqueleto, mantido em conexão pelos elementos estruturais que, por sua vez, compõem as articulações. O sistema articular integra, junto aos sistemas esquelético e muscular, o aparelho locomotor. As articulações são classificadas pelos tipos, baseados nos tecidos que as compõem e na liberdade de movimento, e sua mobilidade depende do tipo de elemento que está interposto entre os ossos, que pode ser tecido fibroso, cartilagem ou líquido sinovial. Recordando a Anatomia, temos as articulações fibrosas, cartilaginosas e sinoviais (Quadro 1). As articulações fibrosas, conhecidas no ponto de vista fun- cional como sinartroses, têm como característica a mobilidade reduzida, e sua conexão é realizada por um tecido conjuntivo fi- broso. Existem dois tipos de sinartroses, que são as sindesmoses, como a articulação tibiofibular, e as suturas, como as dos ossos do crânio, ilustrada na Figura 1. © Cinesiologia88 Figura 1 Suturas do crânio. Figura 2 Sínfise pubiana. As articulações cartilaginosas têm a cartilagem como ele- mento entre os ossos, e são chamadas, no ponto de vista funcional, de anfiartrose pela sua pouca mobilidade, sendo classificadas em: sincondroses, nas quais os ossos são unidos por cartilagem hiali- na, como a sincondrose esfeno-occiptal, e as sínfises, nas quais os ossos unem-se por uma cartilagem fibrosa, como a sínfise pubiana e os discos intervertebrais. As articulações sinoviais, ilustrada na Figura 3, são as mais complexas e móveis, sendo responsáveis pelos movimentos corpo- rais. Mas para que essa mobilidade exista, é necessário que os ossos que se articulam estejam livres para deslizarem entre si ao longo dos movimentos. Assim, a maior característica dessas articulações é a presença do líquido sinovial, como veremos no Quadro 1. Os ossos são unidos pela cápsula articular, na qual há uma cavidade em que está o líquido sinovial; as superfícies desses os- sos são revestidas por cartilagem, o que favorece o deslizamento. Assim, todas as articulações sinoviais possuem, como característi- cas, a presença de cápsula articular, cartilagem articular, cavidade articular e líquido sinovial, e, além disso, algumas possuem liga- mentos, discos e meniscos. Claretiano - Centro Universitário 89© U2 - Artrologia Fonte: STEWART (2004, p. 70). Figura 3 Articulação sinovial (Joint cavity = cavidade articular; Joint capsule = cápsula articular; Hyaline cartilage = cartilagem hialina). A cápsula sinovial pode, em algumas articulações, ser reforçada em sua camada externa (membrana fibrosa) por ligamentos chama- dos "ligamentos capsulares". Há, também, ligamentos separados da cápsula, chamados "ligamentos extracapsulares". Quando esses liga- mentos estão dentro da articulação, são chamados "intra-articulares", como os ligamentos cruzado anterior do joelho e cruzado posterior do joelho. A função dos ligamentos é impedir movimentos excessivos. Ligamentos Cruzados e Meniscos Ligamento cruzado posterior Ligamento cruzado anterior Meniscos Medial Lateral Figura 4 Articulação do joelho, com ligamentos cruzados anterior, posterior e meniscos medial e lateral. © Cinesiologia90 A função dos discos presentes nas articulações temporo- mandibular e esternoclavicular e a dos meniscos encontrados no joelho, como vimos na Figura 4, é melhorar a congruência entre as superfícies articulares, melhorar o deslizamento entre as superfí- cies articulares e absorver impacto. Quadro 1 Classificação morfológica e funcional das articulações. CLASSIFICAÇÃO MORFOLÓGICA CLASSIFICAÇÃO FUNCIONAL MOBILIDADE SUBDIVISÃO EXEMPLO Fibrosa Sinartrose Diminuída Sindesmose Sutura Tibiofibular Suturas cranianas Cartilaginosa Anfiartrose Pouca Sincondroses Sínfises Esfeno- occiptal Sínfise pubiana Sinoviais Diartrose ou Diartrodial Ampla Anaxial Monoaxial Trocoide Biaxial Triaxial Sacroilíaca Cotovelo Rádio-ulnar proximal Rádiocárpica Ombro e Quadril Fonte: arquivo pessoal do autor. Como vimos na Unidade 1, as articulações também são clas- sificadas no ponto de vista funcional, considerando o grau de liber- dade de movimentos. Assim, temos as articulações anaxiais, que não possuem eixo de movimentos; as monoaxiais, que se movi- mentam em torno de um eixo; as biaxiais, que se movimentam em torno de dois eixos; e as triaxiais, que realizam o movimento em torno de três eixos. Essa classificação está relacionada à morfologia da articulação, ou seja, ao formato de sua superfície articular. As articulações anaxiais são planares, isto é, as superfícies ósseas que se articulam são planas, ocorrendo, apenas, o movimento de des- lizamento, e possuem mobilidade reduzida, como, por exemplo, a sacroilíaca e as articulações intercárpicas, ilustradas na Figura 5. Claretiano - Centro Universitário 91© U2 - Artrologia Figura5 Exemplo de articulação plana. As articulações monoaxiais podem ser do tipo gínglimo, como podemos observar na Figura 6 (também chamado de "do- bradiça" por apresentarem semelhança com esse sistema) quando permitirem flexão e extensão, como, por exemplo, o cotovelo e as interfalangeanas da mão. Podem ser, também, do tipo trocoide, como vemos na Figura 7 (ou pivô), em que uma superfície articular em forma de um pivô gira sobre outra – a articulação radio-ulnar proximal. Figura 6 Exemplo de articulação gínglimo. Figura 7 Exemplo de articulação trocoide. As articulações biaxiais podem ser do tipo selar, como po- demos observar na Figura Tal nome é dado por causa da sua for- © Cinesiologia92 ma, que tem o mesmo formato de uma sela de montaria, pois as superfícies são côncavas em um plano e convexas em outro, além de se articularem sob uma superfície que possui as mes- mas características, apesar de a superfície côncava se encaixar na convexa e vice-versa. Um bom exemplo é a articulação carpome- tacarpiana do polegar; os movimentos que ocorrem nesse tipo articular são de flexão e extensão, de abdução e adução, como também de rotação, que ocorre pela combinação de movimen- tos. As articulações biaxiais também podem ser do tipo condilar ou elipsoide, em que uma superfície de forma condilar ou ovoide se articula com outra de forma elíptica, permitindo o movimento em dois planos: flexão – extensão e abdução – adução, como, por exemplo, a articulação radiocárpica do punho vista, exemplificada, na Figura 9. Figura 8 Exemplo de articulação selar. Figura 9 Exemplo de articulação condilar. As articulações triaxiais são do tipo esferoide, ou seja, per- mitem maior mobilidade devido a forma de suas superfícies arti- culares, em que uma, em forma de esfera, se articula com outra, em forma côncava (receptáculo), sendo exemplos as articulações do ombro e do quadril; os movimentos que ocorrem nessas articu- lações são de flexão e extensão, de abdução e adução, de rotação medial e lateral, de abdução e adução horizontal e de circundução. Observe a Figura 10. Claretiano - Centro Universitário 93© U2 - Artrologia Figura 10 Exemplo de articulação esferoide. 6. ARTICULAÇÕES E SEUS MOVIMENTOS Agora que já recordamos as características funcionais das ar- ticulações e já as classificamos sob os pontos de vista morfológico e funcional, estudaremos as articulações e, sobre estas, realizare- mos uma análise cinesiológica, o que é, na verdade, a essência da nosso Caderno de Referência de Conteúdo, uma vez que você irá trabalhar numa área em que o movimento é fundamental. As articulações e os ossos formam um sistema de alavanca, cujo movimento (artrocinemática e osteocinemática) é produzido por uma força que, por sua vez, é gerada pelo músculo esquelético, como vimos na unidade anterior. Toda ação neurofisiológica envol- vida no trabalho muscular será estudada em detalhes na Unidade 3, porém, é importante vermos as formas de contração muscular e seus efeitos nos segmentos ósseos. Os músculos esqueléticos são os executores primários do sistema nervoso (motores primários), compostos por proteínas contráteis e por uma rede de tecido conjuntivo que se unem a um tendão e formam um importante conjunto que transfere a tensão (força) gerada para o osso. Existem interações celulares significati- vas que determinam a resposta fisiológica do músculo. © Cinesiologia94 A estrutura básica do músculo esquelético é composta por fi- bras musculares individuais (células musculares), subdivididas em miofibrilas, sarcômeros e, finalmente, actina e miosina. O tecido con- juntivo que circunda o músculo inteiro é denominado epimísio, os fei- xes de fibras musculares (fascículos) são circundados pelo perimísio, e cada fibra muscular individual é circundada pelo endomísio. Para Whiting e Zernicke (2001), as fibras musculares pos- suem capacidade contrátil e podem encurtar-se até a metade do seu comprimento em repouso. A maior e mais frequente fonte de força gerada dentro do corpo se dá pela contração muscular, com forças passivas adicio- nais ocorrendo pela tensão de fáscias, que são ligamentos e estru- turas não contráteis do músculo. As forças musculares podem ser representadas, para a simplificação, como atuando em um ponto do corpo, mas é sempre importante lembrar que muitas forças complexas ocorrem na função. Normalmente, os músculos contra- em-se em grupo, pois a contração de um único músculo poderia gerar movimentos estereotipados, como, por exemplo: se na fle- xão do cotovelo houvesse, apenas, a contração do bíceps braquial, haveria a supinação do antebraço e a flexão do ombro. Por isso, ocorre um trabalho simultâneo de vários músculos e tecidos (WHI- TING; ZERNICKE, 2001). Podemos, então, classificar os músculos como agonistas, an- tagonistas, sinergistas e fixadores: 1) Agonistas (do grego agon – "competição"): motor princi- pal do movimento. 2) Antagonistas (do grego anti – "contra"): possui ação ana- tômica oposta ao agonista para controlar o movimento. 3) Sinergista (do grego syn – "junto"; ergon – "trabalho"): são músculos auxiliares atuando como o motor secundário de um movimento; contraem-se ao mesmo tempo que o ago- nista e evitam que movimentos indesejáveis ocorram. 4) Fixadores: estabilizam as diversas partes do corpo para que a ação principal ocorra. Claretiano - Centro Universitário 95© U2 - Artrologia Segundo Smith, Weiss e Lehmkuhl (1997), alguns autores descrevem, apenas, os músculos agonistas, antagonistas e siner- gistas, incluindo, nesse último grupo, os fixadores. Como vimos, os músculos exercem força nos segmentos ós- seos por meio da contração muscular, podendo, talvez, gerar mo- vimento, o que, eventualmente, pode não ocorrer, embora seja importante entender que, na verdade, sempre que um músculo se contrai, haverá uma força aplicada em sua origem e sua inserção, sendo essa a força de tração. Um músculo pode se contrair sem que haja movimento ar- ticular; a isto chamamos de contração isométrica (do grego isos – "igual"; metro – "medida"). Isto pode ser obtido aplicando re- sistência e força iguais, e é muito utilizado no fortalecimento de músculos que atuam em articulações que, por algum motivo, não podem ser movidas, como, por exemplo, o caso de presença de dor ou de alguma alteração degenerativa, como a osteoartrose (desgaste da cartilagem hialina). A contração isométrica também ocorre em ações cotidianas, como, por exemplo, para alcançar a frente com a mão. A escápula necessita ser estabilizada indo de encontro ao tórax (músculos fixadores). Quando ocorre o movimento articular pela contração mus- cular, diz-se que houve uma contração isotônica (do grego isos – "igual"; tônus – "tensão"), e que esta pode ser concêntrica, quan- do o músculo se encurta e ocorre a aproximação da origem e da inserção muscular, ou excêntrica, quando o músculo se alonga e ocorre o afastamento da origem e da inserção muscular. "Força muscular" é um termo difícil de ser definido, porém, há definições, como a capacidade do músculo gerar força, a ca- pacidade do músculo gerar tensão ativa, entre outras. Além dos fatores neurológicos, metabólicos, endócrinos e psicológicos, que afetam a força muscular, muitos outros fatores determinam a for- ça muscular ou uma contração, como idade, sexo, tamanho dos músculos, comprimento no momento da contração, alavancagem do músculo e velocidade de contração; muitos desses fatores você verá com mais detalhes na Unidade 3. © Cinesiologia96 Agora que já sabemos que os músculos, os ossos e as articu- lações formam um sistema de alavancas e geram os movimentos corporais, vamos estudar, segmentarmente, os movimentos. Relembrando a Anatomia, o corpo humano é dividido em ca- beça, tronco e membros. Para melhor compreensão e facilidade, iniciaremos nossos estudos pelas articulações do membro supe- rior; posteriormente,estudaremos os membros inferiores e finali- zaremos com o estudo do tronco. Articulações do membro superior – ombro O membro superior é composto pelo úmero, o rádio, a ulna, os ossos do carpo, os metacarpos e as falanges, e está preso ao tronco por meio da cintura escapular, formada pela escápula e pela clavícula, como podemos observar na Figura 11. clavícula escápula úmero ulna rádio carpo metacarpos falanges Mão Antebraço Braço Ombro = cintura escapular (raiz)} } } Fonte: PUTZ, PABST, SOBOTTA (2006, p. 158). Figura 11 Ossos do membro superior. A união entre o úmero e a escápula forma a articulação gle- noumeral ou ombro, que é do tipo sinovial, triaxial e esferoide, portanto, ela possui movimentos em todos os planos e eixos, tor- Claretiano - Centro Universitário 97© U2 - Artrologia nando-se a articulação com maior mobilidade no corpo, o que faz dela uma articulação instável e susceptível às lesões. Sempre que falamos em ombro, devemos falar em cintu- ra escapular, pois o ombro possui toda mobilidade devido a esse complexo formado pelo úmero, pela clavícula e pela escápula, que se articula com o grádio-costal; logo, a mobilidade do ombro inclui a caixa torácica e a coluna. Considerando a cintura escapular, temos, então, cinco articu- lações que devemos considerar para estudo, como podemos ver na Figura 12: articulação glenoumeral (sinovial-esferoide-triaxial) (1); ar- ticulação subacromial, conhecida como uma falsa articulação (2), arti- culação escápulo-torácica (plana-anaxial) (3); articulação acromiocla- vicular (plana-anaxial) (4) e articulação esternoclavicular (selar) (5). 1 2 3 4 5 Fonte: KAPANDJI (1990, p. 29). Figura 12 Cintura escapular. © Cinesiologia98 Figura 13 Articulações do ombro (1 – acromioclavicular; 2 – subacromial; 3 – glenoumeral). Essa anatomia permite toda movimentação do ombro (como vi- mos na Unidade 1), ilustrado na Figura 13 e possui movimento nos três planos e eixos. Esses movimentos serão vistos nas Figuras 14 à 18: 1) Flexão e extensão no plano mediano em torno do eixo lateral. 2) Abdução e adução no plano frontal em torno do eixo an- teroposterior. 3) Rotação medial e lateral no plano horizontal em torno do eixo longitudinal. 4) Adução e abdução horizontal no plano horizontal em torno do eixo longitudinal. 5) Cincundução. Claretiano - Centro Universitário 99© U2 - Artrologia 180º 50º 30º a a b b 90º Fonte: KAPANDJI (1990, p. 13). Figura 14 Movimentos de extensão, flexão e adução do ombro. 180º 120º a c b d 60º Fonte: KAPANDJI (1990, p. 15). Figura 15 Movimento de abdução do ombro. © Cinesiologia100 30º 80º 95º RI 0 a b c Fonte: KAPANDJI (1990, p. 17). Figura 16 Movimentos de rotação lateral e medial do ombro. 140º 30º 0º a b c Fonte: KAPANDJI (1990, p. 19). Figura 17 Movimentos de adução e abdução horizontal do ombro. Claretiano - Centro Universitário 101© U2 - Artrologia Fonte: KAPANDJI (1990, p. 21). Figura 18 Movimentos de circundução do ombro. A escápula possui importantes movimentos que compõem a mobilidade total do ombro. São eles: elevação, depressão, ab- dução (protração), adução (retração), rotação lateral e medial, inclinação anterior e posterior – todos vistos na Figura Esses mo- vimentos ocorrem devido ao deslizamento da escápula sobre o grádio-costal. A mobilidade do ombro, então, é obtida pelos movimentos em conjunto da escápula, da articulação glenoumeral e, também, © Cinesiologia102 por movimentos pequenos, mas não menos importantes, que ocorrem nas articulações esternoclavicular e acromioclavicular. 40 39 38 37 60 40 - 45 70 15 1210 10 12 60º Fonte: KAPANDJI (1990, p. 21). Figura 19 Movimentos da escápula. Como a articulação do ombro é formada por meio da cone- xão com o tronco, a mobilidade da coluna vertebral é muito im- portante para os movimentos se completarem. Assim, para que haja a flexão total e a abdução total do ombro, deve ocorrer a in- clinação da coluna para o lado oposto, como vimos, anteriormen- te, na Figura Quando a flexão ocorre bilateralmente, a coluna to- rácica deve realizar extensão permitindo a mobilidade total. Esse dado é muito importante, pois, sempre que você cuidar de alguém com alguma alteração no ombro, deve ficar atento à mobilidade da coluna e, também, aos menores movimentos que ocorrem nas Claretiano - Centro Universitário 103© U2 - Artrologia articulações esternoclavicular e acromioclavicular. Se houver dimi- nuição ou perda desses movimentos, provavelmente a articulação glenoumeral será sobrecarregada, gerando alterações como dor ou até instabilidade articular. Importantes ligamentos realizam a estabilização do comple- xo articular do ombro. A articulação esternoclavicular é sinovial e do tipo plana, com movimentos de anteriorização, posteriorização, elevação, de- pressão e discretas rotações que ocorrem na clavícula. É estabi- lizada pela cápsula e pelos ligamentos esternoclavicular anterior e posterior, interclavicular, costoclavicular e disco articular, como podemos observar nas Figuras 20 e 21. A articulação acromioclavicular é do tipo plana e anaxial e é estabilizada por uma cápsula articular, pelos ligamentos acromiocla- vicular e coracoclaviculares (ligamento trapezoide e ligamento co- noide) e pelo disco, que pode estar ausente em algumas pessoas. AC EC Fonte: arquivo pessoal do autor. Figura 20 Articulações esternoclavicular (EC) e acromioclavicular (AC) – visão anatômica superficial. © Cinesiologia104 Ligamento esternoclavicular anterior Ligamento interclavicular Disco articular Cavidade articular Sincondrose esternocostal Manúbrio Articulação sinovial esternocostal Sincondrose esternal 2ª costela Ligamento costoclavicular Clavícula Ligamento esternocostal radiado 1ª costela Cartilagens costais Músculo subclávio Fonte: NETTER (1996) Figura 21 Articulação esternoclavicular. Quedas sobre o ombro podem levar a diferentes graus de lesões nesses ligamentos, como mostra a Figura Imagine a dificul- dade de alguém que queira praticar ou que já pratica natação com a limitação desses movimentos! Figura 22 Ligamentos acromioclavicular e coracoclaviculares podem se romper. Claretiano - Centro Universitário 105© U2 - Artrologia O acrômio possui, ainda, um ligamento que o une ao proces- so coracoide da escápula chamado "ligamento coracoacromial". Esse ligamento tem a função de evitar a luxação superior da cabeça umeral, e forma, junto com o acrômio, o espaço subacromial. Du- rante o movimento de abdução, pode ocorrer o impacto do úmero (tuberosidade maior) nessas estruturas, originando sintomas de dor ao movimento e uma importante patologia denominada "Sín- drome do Impacto", que leva à ruptura dos tendões do manguito rotador, ilustrados nas Figuras 23 e 24. Acrômio Tendões Rotadores Coracóide Ombro E Figura 23 Anatomia do espaço subacromial. ponto de compressão Figura 24 Síndrome do Impacto. © Cinesiologia106 Miranda (2008) menciona que a articulação escapulotoráci- ca é uma articulação funcional e plana, estabilizada no gradiocostal pelos músculos serrátil anterior e romboide, que desempenham papel de verdadeiros ligamentos, estabilizando essa articulação. A articulação do ombro ou glenoumeral é sinovial e dos tipos esferoide e triaxial. É formada pela cabeça esférica do úmero, na qual se articula com a cavidade glenoide da escápula. Não há uma proporção entre o tamanho da cabeça do úmero e da cavidade glenoide, pois esta é muito rasa, o que determina facilidade de movimento, apesar de determinar, também, instabilidade, exem- plificada na Figura 25. Fonte: KAPANDJI (19p. 31). Figura 25 Cabeça umeral (a) é maior que cavidade glenoide (b) com estabilidade aumentada pelo lábio glenoidal (c). Podemos ver, ainda na Figura 25, que a característica funcio- nal do ombro é compensada pela existência de importantesesta- bilizadores, ou seja, estruturas que aumentam a estabilidade da articulação glenoumeral. São eles: a cápsula fibrosa, os ligamen- tos, o lábio glenoidal e a presença de uma pressão negativa dentro da articulação que, junto com a viscosidade do líquido sinovial, aumenta a estabilidade. Claretiano - Centro Universitário 107© U2 - Artrologia Já os ligamentos da articulação glenoumeral são capsulares, como os ligamentos glenoumeral superior, médio e inferior e os ligamentos coracoumeral e transverso do úmero, que podem ser vistos na Figura 26. Figura 26 Ligamentos do ombro. Os ligamentos do ombro possuem um importante papel na estabilização da articulação glenoumeral e realizam essa função tanto de maneira estática, ou seja, mantêm a articulação em mo- mentos de repouso, quanto dinâmica, quando agem mantendo a articulação estável durante a movimentação. Na Figura 27, observamos que, durante a abdução, os liga- mentos glenoumeral médio e inferior ficam tensos e estabilizam a articulação, mantendo, por meio de sua tensão, a cabeça umeral encaixada na glenoide e limitando o deslizamento inferior do úmero (artrocinemática). Já na rotação lateral, os três ligamentos glenou- merais tensionam-se, estabilizando a cabeça do úmero na glenoide e impedindo que haja o deslizamento excessivo do úmero para a região anterior (artrocinemática), como mostrado na Figura 28. © Cinesiologia108 Já na Figura 29, notamos que o ligamento coracoumeral se tensiona tanto na flexão como na extensão, estabilizando o ombro nos dois movimentos. Esses conceitos sobre a ação dos ligamentos do ombro são importantes para todo profissional que trabalha na área da saúde, pois movimentos extremos em atividades laborais ou desportivas podem gerar o alongamento dessas estruturas fa- vorecendo a instabilidade, uma vez que o conjunto de ligamentos e músculos fornecem estabilidade ao ombro e que a falha de um desses elementos anatômicos pode causar lesões. Fonte: KAPANDJI (1990, p. 39). Figura 27 Ligamentos glenoumeral médio e inferior relaxados (a) e tensos na abdução (b). Fonte: KAPANDJI (1990, p. 39). Figura 28 Ligamentos glenoumerais tensos na rotação lateral (a) e relaxados em repouso (b). Claretiano - Centro Universitário 109© U2 - Artrologia Fonte: KAPANDJI (1990, p. 41). Figura 29 Ligamento coracoumeral relaxado (a), tenso na exensão (b) e tenso na flexão (c). Os movimentos da articulação do ombro são realizados por três grupos musculares distintos. São eles: • Grupo A: músculos que se originam na escápula e se inse- rem no úmero. • Grupo B: músculos que se originam no tronco e se inse- rem na escápula. • Grupo C: músculos que se originam no tronco e se inse- rem no úmero. Para facilitar o entendimento, descreveremos os músculos, suas funções e ações para a articulação e, posteriormente, suas origens e inserções. Músculos do grupo A 1) Supraespinhoso: abduz a articulação do ombro e estabiliza a cabeça do úmero na cavidade glenoide. Esse músculo tem sua ação principal controlando a força resultante do deltoide médio, que tende a tracionar o úmero para cima no início da © Cinesiologia110 abdução; assim, a ação conjunta dos dois músculos permite uma abdução glenoumeral dentro dos padrões fisiológicos. 2) Músculo redondo maior: realiza adução do úmero e ro- da-o lateralmente. 3) Músculos infraespinhal e redondo menor: realizam adução e rodam lateralmente o úmero. 4) Músculo subescapular: realiza adução e rotação medial do úmero. Esses músculos, exceto o redondo maior, formam o chamado "manguito rotador", que é muito importante para a estabilidade do úmero na glenoide, ou seja, em conjunto, eles trabalham encaixan- do a cabeça do úmero na glenoide, atuando, principalmente, nos movimentos de abdução e flexão. São esses músculos que devem ser trabalhados em casos de patologias como a Síndrome do Impac- to já citada, e, também, nas instabilidades do ombro (subluxação e luxação). A porção longa do bíceps também possui papel importan- te na estabilidade glenoumeral. Observe as Figuras 30 à 32. • Músculo tríceps braquial: estende o úmero (sinergista). • Músculo bíceps braquial: flexiona o úmero. • Músculo coracobraquial: flexiona e roda, medialmente, o úmero. Fonte: KAPANDJI (1990, p. 43). Figura 30 Ação dos músculos supraespinhos (1), infraespinhal (3) e redondo menor (4) – vista posterior do ombro. Claretiano - Centro Universitário 111© U2 - Artrologia Fonte: KAPANDJI (1990, p. 43). Figura 31 Ação dos músculos supraespinhos (1), subescapular (2) e cabo longo do bíceps (5) – vista anterior do ombro. Fonte: KAPANDJI (1990, p. 43). Figura 32 Ação dos músculos supraespinhos (1), subescapular (2), infraespinhoso (3), redondo menor (4) e cabo longo do bíceps – vista superior do ombro. Músculos do grupo B Para que haja uma movimentação correta na articulação glenoumeral, é importante que a escápula esteja bem estabiliza- da para realizar os movimentos necessários à complementação da mobilidade da cintura escapular. Assim, quando necessário, a escápula se move, e, também quando necessário, ela será estabi- lizada pelas ações agonista e antagonista dos músculos que agem © Cinesiologia112 sobre ela. Para facilitar o entendimento dos músculos citados a seguir, exceto o número 6, retorne à Figura 20. 1) Músculo levantador da escápula: eleva e roda, medial- mente, a escápula. 2) Músculos romboides maior e menor: aduz e roda, me- dialmente, a escápula. 3) Músculo trapézio superior: eleva e roda, lateralmente, a escápula, e inclina-a anteriormente. 4) Músculo trapézio médio: aduz a escápula. 5) Músculo trapézio inferior: deprime e roda, lateralmen- te, a escápula, e inclina-a posteriormente. 6) Músculo peitoral menor: inclina a escápula anteriormente. O levantador da escápula, atuando em conjunto com o tra- pézio superior, realiza a elevação da escápula sem rotação. Sempre que alguma fibra do trapézio atua, as outras fibras agem para estabilizar a escápula, como, por exemplo, na rotação lateral da escápula, em que temos a ação do trapézio superior e inferior, bem como a estabilização pelo trapézio médio; quando o trapézio médio aduz a escápula, as fibras superiores e inferiores estabilizam-se. Imagine os romboides agindo em conjunto com o trapézio médio: a ação estabilizadora das fibras superiores e infe- riores do trapézio impedirão a rotação medial da escápula. O mús- culo trapézio inferior é um antagonista do peitoral menor e vice- versa nas ações de rotação anterior e posterior da escápula. Músculos do grupo C 1) Peitoral maior: quando suas fibras superiores e inferio- res atuam em conjunto, são capazes de realizar a adu- ção medial e horizontal do úmero e a rotação medial do úmero; as fibras superiores isoladas rodam medialmente e flexionam o úmero, e as inferiores deprimem a cintura escapular e aduzem, obliquamente, o úmero na direção do ilíaco oposto. 2) Músculo deltoide: abduz (fibras médias), estende (fibras posteriores) e flexiona (fibras anteriores) a articulação gle- Claretiano - Centro Universitário 113© U2 - Artrologia noumeral; as fibras anteriores ainda rodam, medialmen- te, a articulação, e as posteriores rodam lateralmente. 3) Músculo grande dorsal: roda medialmente, aduz e es- tende a articulação do ombro. 4) Músculo serrátil anterior: abduz e roda, lateralmente, a escápula; responsável pela manutenção da escápula contra o gradiocostal. É importante analisar que, sempre que ocorre um movimen- to na articulação glenoumeral, a escápula será solicitada ou como ponto de apoio (estabilizada pelas ações agonistas e antagonistas dos músculos escapulares) ou se movendo para completar a am- plitude de movimento. Os movimentos ocorrem sempre em conjunto, cuja sequ- ência se inicia com o movimento na glenoumeral, na escápula e nas articulações acrômio e esternoclaviculares, posteriormente, e, finalmente, no tronco (coluna).Assim, temos que, durante a abdu- ção, ocorre o que denominamos "ritmo escapulo umeral", ou seja, o ritmo em que os movimentos se alternam entre glenoumeral e escapulo torácica. Vejamos, a seguir, os três estágios de abdução que os músculos do grupo C realizam: • Primeiro estágio: de 0º a 30º de abdução – ocorre o mo- vimento glenoumeral. • Segundo estágio: de 30º a 90º de abdução – ocorre mais de 40º de movimento na glenoumeral e 20º na escapulo torácica, com movimentos de inferiorização na articula- ção esternoclavicular. • Terceiro estágio: de 90º a 180º de abdução – ocorre 45º de movimento glenoumeral e 45º na escapulo torácica e na coluna torácica associada aos deslizamentos acromio- claviculares. Podemos, então, concluir que as ativações musculares tam- bém ocorrem de maneira diferente, em momentos que temos © Cinesiologia114 maior ou menor ação de cada músculo, com a sincronização das ações musculares. Vamos descrever como se comportam os mús- culos nos dois movimentos de maior amplitude: a flexão e a ab- dução do ombro. É importante salientar que os momentos des- critos se referem aos momentos de maior ativação dos motores principais e que os músculos estarão sempre ativos, inclusive os sinergistas. Quadro 2 Sequência das ações musculares no decorrer da flexão e da sequência das ações musculares durante a abdução. SEQUENCIA DAS AÇÕES MUSCULARES DURANTE A FLEXÃO 0 – 50 graus Feixe clavicular do Deltóide Coracobraquial Feixe superior clavicular do peitoral maior 60 -120 graus Trapézio superior e inferior Serrátil 120 – 180 graus Ação importante dos extensores da Coluna SEQUENCIA DAS AÇÕES MUSCULARES DURANTE A ABDUÇÃO 0 – 90 graus Supra Espinhoso 90 – 150 graus Trapézio Serrátil Anterior 150 – 180 graus Coluna Fonte: arquivo pessoal do autor. Veja as Figuras 33 e 34 e atente-se ao conhecimento des- sas ações, pois elas são importantes para que você possa enfati- zar o trabalho dos músculos ou dos grupos musculares quando necessário. Claretiano - Centro Universitário 115© U2 - Artrologia Fonte: KAPANDJI (1990, p. 75). Figura 33 Sequência da ação muscular durante a flexão – observe a sequência de movimentação da escápula. Fonte: KAPANDJI (1990, p. 73). Figura 34 Sequência da ação muscular durante a abdução – observe a sequência dos movimentos escapulares. © Cinesiologia116 Para melhorar o estudo, segue uma tabela, com os músculos que agem na cintura escapular e suas ações, suas origens e suas inserções, bem como as Figuras 35 a 51, que também facilitarão seu conhecimento. Quadro 3 Músculos do grupo A. MÚSCULOS DO GRUPO A Supraespinhoso: abduz a articulação do ombro e estabiliza a cabeça do úmero na cavidade glenoide. Esse músculo tem sua ação principal controlando a força resultante do deltoide médio, que tende a tracionar o úmero para cima no início da abdução; assim a ação conjunta dos dois músculos permite uma abdução gleno - umeral dentro dos padrões fisiológicos. Origem: dois terços mediais da fossa supra espinhosa da escápula. Inserção: porção superior do tubérculo maior do úmero. Músculo redondo maior: realiza adução do úmero e o roda lateralmente. Origem: face posterior da escápula, na margem lateral e no ângulo inferior. Inserção: tubérculo menor do úmero. Músculos infra espinhal e redondo menor: realiza adução e roda lateralmente o úmero. Origem: fossa infra espinhal da escápula. Inserção: faceta medial do tubérculo maior do úmero. Redondo menor: realiza adução e roda lateralmente o úmero. Origem: dois terços superiores e superfície dorsal da borda lateral da escápula. Inserção: a faceta mais inferior do tubérculo maior do úmero e a cápsula da articulação do ombro. Músculo subescapular: realiza adução e rotação medial do úmero. Origem: fossa subescapular da escápula. Inserção: tubérculo menor do úmero e cápsula da articulação do ombro. Obs.: Esses músculos, exceto o redondo maior, formam o chamado “manguito rotador”, muito importante para a estabilidade do úmero na glenoide, ou seja, em conjunto eles atuam encaixando a cabeça do úmero na glenóide, atuando principalmente nos movimentos de abdução e flexão. São esses músculos que devem ser trabalhados em patologias como a Síndrome do Impacto, já citada, e, também, nas instabilidades do ombro (sub-luxação e luxação). Músculo tríceps braquial cabeça longa: estende o úmero (sinergista) Origem: tubérculo infraglenoideo da escápula. Inserção: superfície posterior do processo do olecrano, da ulna, e da fascia antebraquial. Claretiano - Centro Universitário 117© U2 - Artrologia MÚSCULOS DO GRUPO A Músculo bíceps braquial: flexiona o úmero. Origem da cabeça curta: ápice do processo coracoide da escápula. Origem da cabeça longa: tubérculo supraglenoideo da escápula. Inserção: tuberosidade do rádio, e aponeurose do bíceps braquial. Músculo coracobraquial: flexiona e roda medialmente o úmero. Origem: ápice do processo coracóide da escápula. Inserção: superfície medial do meio da diáfise do úmero em oposição à tuberosidade do deltoide. Fonte: arquivo pessoal do autor. Quadro 4 Músculos do grupo B. MÚSCULOS DO GRUPO B Para que haja a movimentação correta da articulação gleno-umeral, é importante que a escápula esteja bem estabilizada para realizar os movimentos necessários à complementação da mobilidade do ombro ou da cintura escapular. Assim, quando necessário, a escápula se move, e também quando necessário ela será estabilizada pelas ações agonista e antagonista dos músculos que agem sobre ela. Músculo levantador da escápula: eleva e roda, medialmente, a escápula. Origem: processos transversos das primeiras quatro vértebras cervicais. Inserção: borda medial da escápula entre o ângulo superior e a raiz da espinha. Músculos romboides maior e menor: aduz e roda, medialmente, a escápula. Origem do maior: processos espinhosos da segunda até a quinta vértebra torácica. Origem do menor: ligamento nucal, processos espinhosos da sétima vértebra cervical e da primeira torácica. Inserção do maior: borda medial da escápula entre a espinha e o ângulo inferior. Inserção do menor: borda medial na raiz da espinha da escápula. Músculo trapézio superior: eleva e roda, lateralmente, a escápula, e inclina-a anteriormente. Origem: protuberância occipital externa, terço médio da linha nucal superior, ligamento nucal e processo espinhoso da sétima vértebra cervical. Inserção: terço lateral da clavícula e processo do acrômio da escápula. Músculo Trapézio Médio: aduz a escápula. Origem: processo espinhoso da primeira até a quinta vértebra torácica. Inserção: margem medial do acrômio e lábio superior da espinha da escápula. Músculo trapézio inferior: deprime e roda, lateralmente, a escápula, e inclina-a posteriormente. © Cinesiologia118 MÚSCULOS DO GRUPO B Origem: processo espinhoso da sexta até a 12ª vértebra torácica. Inserção: tubérculo no ápice da espinha da escápula. Músculo peitoral menor: inclina a escápula anteriormente. Origem: margens superiores, superfícies externas da terceira, da quarta e da quinta costela próximo às cartilagens e a partir da fáscia sobre os músculos intercostais correspondentes. Inserção: borda medial, superfície superior do processo coracoide da escápula. O levantador da escápula, atuando em conjunto com o trapézio superior, realiza a elevação da escápula sem rotação. Sempre que alguma fibra do trapézio atua, as outras fibras agem para estabilizar a escápula, como, por exemplo, na rotação lateral da escápula, temos a ação do trapézio superior e inferior, e estabilização pelo trapézio médio; quando o trapézio médio aduz a escápula, as fibras superiores e inferiores estabilizam-se. Imagine os romboides agindo em conjunto com o trapézio médio: a ação estabilizadora das fibras superiores e inferiores do trapézio impedirão a rotação medial da escápula. O músculo trapézio inferior é um antagonista do peitoral menor e vice - versa, nas ações de rotação anterior e posteriorda escápula. Fonte: arquivo pessoal do autor. Quadro 5 Músculos do grupo C. MÚSCULOS DO GRUPO C Peitoral maior: atuando em conjunto suas fibras superiores e inferiores realizam adução e adução horizontal do úmero e rotação medial do úmero. As fibras superiores isoladamente rodam, medialmente, e flexionam o úmero, e as inferiores deprimem a cintura escapular e aduzem, obliquamente, o úmero na direção do ilíaco oposto. Origem das fibras superiores (porção clavicular): superfície anterior da metade esternal da clavícula. Origem das fibras inferiores (porção esternocostal): superfície anterior do esterno, cartilagens das primeiras seis ou sete costelas e aponeurose do obliquo externo. Inserção das fibras superiores e inferiores: crista do tubérculo maior do úmero. As fibras superiores são mais anteriores e caudais na crista do que as fibras inferiores que se torcem sobre si próprias e são mais posteriores e craniais. Músculo deltoide: abduz (fibras médias), estende (fibras posteriores) e flexiona (fibras anteriores) a articulação gleno - umeral; as fibras anteriores ainda rodam medialmente e as posteriores, lateralmente, na articulação. Origem das fibras anteriores: borda anterior, superfície superior e terço lateral da clavícula. Origem das fibras médias: margem lateral e superfície superior do acrômio. Origem das fibras posteriores: lábio inferior da borda posterior da espinha da escápula. Claretiano - Centro Universitário 119© U2 - Artrologia MÚSCULOS DO GRUPO C Inserção: tuberosidade deltoidea do úmero. Músculo grande dorsal: roda medialmente, aduz e estende a articulação do ombro. Origem: processo espinhoso das últimas seis vértebras torácicas, das ultimas três ou quatro costelas, através da fáscia toracolombar, a partir das vértebras lombares e sacras; terço posterior do lábio externo da crista ilíaca e uma tira a partir do ângulo inferior da escápula. Inserção: sulco intertubecular do úmero. Músculo serrátil anterior: abduz e roda, lateralmente, a escápula; responsável pela manutenção da escápula contra o gradio - costal. Origem: superfícies externas e bordas superiores das oito ou nove costelas superiores. Inserção: superfície costal da borda medial da escápula. Fonte: Arquivo pessoal do autor. Fonte: KENDALL (1987, p. 111). Figura 35 Músculo supraespinhal. Fonte: KENDALL (1987, p. 125). Figura 36 Músculos infraespinhoso e redondo menor. Fonte: KENDALL (1987, p. 123). Figura 37 Músculo subescapular. © Cinesiologia120 Fonte: KENDALL (1987, p. 109). Figura 38 Tríceps braquial. Fonte: KENDALL (1987, p. 107). Figura 39 Músculo bíceps braquial. Claretiano - Centro Universitário 121© U2 - Artrologia Fonte: NETTER (2000, p. 395). Figura 40 Músculo da cintura escapular – vista posterior. Fonte: KENDALL (1987, p. 127). Figura 41 Músculos elevador da escápula, rombóides maior e menor. © Cinesiologia122 Fonte: KENDALL (1987, p. 133). Figura 42 Músculo trapézio superior e sua ação de elevação e rotação lateral da escápula. Fonte: KENDALL (1987, p. 130). Figura 43 Músculo trapézio médio. Claretiano - Centro Universitário 123© U2 - Artrologia Fonte: KENDALL (1987, p. 132). Figura 44 Músculo trapézio inferior. Peito Maior Fonte: KENDALL (1987, p. 132). Figura 45 Músculo peitoral maior. © Cinesiologia124 Fonte: KAPANDJI (1990, p. 69). Figura 46 Músculo deltóide – feixes anteriores (I e II) e médio (III). Fonte: KAPANDJI (1990, p. 69). Figura 47 Músculo deltóide – feixes médio (III) e posteriores (IV, V, VI e VII). Grande dorsal Redondo Maior Grande dorsal Elevador da escápula Rombóide menor Rombóide maior Fonte: KAPANDJI (1990, p. 115). Figura 48 Músculo grande dorsal. Claretiano - Centro Universitário 125© U2 - Artrologia Vista ântero-lateral Fonte: KAPANDJI (1990, p. 134). Figura 49 Músculo serrátil anterior. TS TS TM TI GD RM DTP DTM DTA Fonte: COHEN (2003/2005, p. 746). Figura 50 Músculos do ombro – visão anatômica de superfície (trapézio superior – TS; trapézio médio – TM; trapézio inferior – TI; grande dorsal – GD; deltoide anterior – DTA; deltóide médio – DTM; deltóide posterior – DTP; redondo maior – RM; tríceps – TR). © Cinesiologia126 TS PTMDTM DTA Fonte: COHEN (2003/2005, p. 746). Figura 51 Músculos do ombro – visão anatômica de superfície (trapézio superior – TS; deltóide anterior – DTA; deltóide médio – DTM; peitoral maior – PTM; serrátil anterior – ST). Articulações do membro superior – cotovelo O cotovelo é uma articulação fundamental para complementar a mobilidade do membro superior, constituindo, junto ao ombro, uma unidade funcional que possibilita atividades simples, como pentear-se ou alimentar-se, conforme mostradas nas Figuras 52 e 53. Fonte: KAPANDJI (1990, p. 27). Figura 52 Funções conseguidas com a mobilidade do ombro e cotovelo. Fonte: KAPANDJI (1990, p. 83). Figura 53 Mobilidade do cotovelo. Claretiano - Centro Universitário 127© U2 - Artrologia A articulação do cotovelo é sinovial, monoaxial, do tipo gín- glimo, e possui três articulações contidas em uma cápsula articular comum formando uma unidade, como podemos observar, a se- guir, nas Figuras 54 e São elas: • Articulação umeroulnar: encontra-se entre a tróclea do úmero e a incisura troclear da ulna; é uma articulação do tipo pivô, monoaxial, em que ocorre flexão e extensão. • Articulação umerorradial: encontra-se entre o capítulo do úmero e a fóvea da cabeça do rádio, é do tipo condilar, biaxial, nas quais ocorrem flexão, extensão, pronação e supinação do antebraço. • Articulação radioulnar proximal: nesta, a cabeça do rádio articula-se na incisura radial da ulna, é do tipo pivô, mono- axial, em que ocorre pronação e supinação do antebraço. Úmero Ulna Rádio Antebraço Escápula Clavícula Cotovelo Articulação umerorradial Articulação radioulnar proximal Articulação umeroulnar Fonte: STEWART (2004, p. 70). Figura 54 Membro superior e articulações do ombro e cotovelo. © Cinesiologia128 Como a tróclea se estende mais distalmente que o capítulo, o eixo para flexão e extensão (lateral) não é totalmente vertical, ou seja, não é perpendicular à diáfise do úmero. Por essa razão, quan- do o cotovelo é estendido e o antebraço supinado, este se desvia lateralmente em relação ao úmero, formando um ângulo entre o braço e o antebraço chamado "ângulo de carregar". Esse ângulo varia entre os indivíduos, sendo maior na mulher (em torno de 14º) do que no homem (em torno de 11º); em crianças, esse ângu- lo alcança cerca de 6º, como mostram as Figuras 56 e O aumento desse ângulo é conhecido como "cúbito valgo" e a diminuição, "cú- bito varo", e pode estar relacionado aos traumas precoces, como fraturas na infância. Fonte: NETTER (2004, p. 419). Figura 55 Articulação do cotovelo. Claretiano - Centro Universitário 129© U2 - Artrologia Fonte: LEHMKUHL (1987, p. 185). Figura 56 Ângulo de carregar. A articulação é reforçada e estabilizada pela cápsula, comum às três articulações, e por ligamentos, sendo os principais: o cola- teral ulnar, que estabiliza, medialmente, a articulação, o colateral radial, que estabiliza, lateralmente, a articulação, e o ligamento anular da cabeça do rádio, que mantém esta articulada e fixada à ulna. Observe as Figuras 58 e 59. Figura 57 Ligamentos do cotovelo. © Cinesiologia130 Figura 58 Cápsula e ligamentos do cotovelo – vista anterior. Fonte: NETTER (2004, p.421). Figura 59 Cápsula do cotovelo e cavidade articular do cotovelo – vista anterior e posterior. Claretiano - Centro Universitário 131© U2 - Artrologia Na Figura 60, percebemos que três articulações mantêm o rádio alinhado à ulna, permitindo movimentos de pronação e supinação do antebraço. São eles: radioulnar proximal, média e distal. A radioulnar proximal, como já citado, é mantida pelo ligamento anular; já na mé- dia, o rádio e a ulna estão unidos por uma membrana interóssea. É uma clássica sin- desmose. Finalmente, a distal ocorre entre a cabeçada ulna e a incisura do rádio na ex- tremidade distal. Os movimentos das articulações do cotovelo são de flexão, extensão, pronação e supinação, sendo que, as duas últimas, ocorrem no antebraço, nas articulações ra- dioulnar proximal, média e distal. A flexão possui uma amplitude que varia de 120º à 160º, dependendo da massa muscular anterior, que pode limitar o mo- vimento. Os fatores que limitam fisiologica- mente o movimento de flexão são: o conta- to dos tecidos moles anteriores, o contato ósseo e a tensão da cápsula e dos músculos extensores, ilustrados nas Figuras 61 e A extensão possui uma amplitude de 0º ou de 180º, poden- do haver alguns graus de hiperextensão em casos de frouxidão li- gamentar. Os fatores que limitam fisiologicamente o movimento de extensão são o contato do olecrano com a fossa olecraneana e a tensão da cápsula anterior e dos músculos flexores, mostrados nas Figuras 62 e 67. Fonte: NETTER (2000, p. 409). Figura 60 Articulações radioulnar proximal (RP), média (RM) e distal (RD). © Cinesiologia132 Fonte: KAPANDJI (1990, p. 95). Figura 61 Fatores limitantes da flexão do cotovelo (1 – contato dos tecidos moles; 2 – contato ósseo da cabeça do rádio com úmero; 3 – tensão da cápsula; 4 – tensão dos extensores-tríceps braquial). Fonte: KAPANDJI (1990, p. 95). Figura 62 Fatores limitantes da extensão do cotovelo (1 – contato do olecrano com fossa olecraneana; 2 – tensão da cápsula anterior; 3 – tensão dos flexores). Quadro 6 Músculos flexores do cotovelo. MÚSCULOS FLEXORES DO COTOVELO A flexão do cotovelo é realizada por três músculos que tem sua ação diferenciada dependendo da posição do antebraço; a amplitude mais eficaz para força a dos músculos é em 90º. (Figura 62). Inserção: superfície posterior do processo do olecrano da ulna e fáscia antebraquial. Músculo bíceps braquial: flexiona o cotovelo e supina o antebraço. Origem da cabeça curta: ápice do processo coracoide da escápula. Origem da cabeça longa: tubérculo supraglenoideo da escápula. Inserção: tuberosidade do rádio e aponeurose do bíceps braquial. Músculos braquial: flexiona o cotovelo e possui ação com mesma eficiência independente da posição do antebraço. Origem: face anterior da metade inferior do úmero, logo abaixo da tuberosidade deltoidea. Inserção: tuberosidade da ulna. Claretiano - Centro Universitário 133© U2 - Artrologia MÚSCULOS FLEXORES DO COTOVELO Músculo braquiorradial: flexiona o cotovelo com maior ação quando o antebraço está neutro. Origem: crista supra-epicondilar lateral do úmero. Inserção: base do processo estiloide do rádio. Músculo pronador redondo (sinergista): flexiona articulação do cotovelo e prona o antebraço. Origem: epicôndilo medial e processo coronóide da ulna. Inserção: lateral no rádio no seu ponto médio. Algumas diferenças ocorrem nas ações dos flexores do cotovelo: o braquial tem eficácia tanto em posição supina quanto em posição prona do antebraço; o braquiorradial é mais eficaz em posição neutra do antebraço e o bíceps braquial tem pouca ação na flexão lenta em pronação. Ele age com eficácia na flexão lenta em supinação e na contração rápida em pronação (SMITH, WEISS, LEHMKUHL, 1987). Fonte: arquivo pessoal do autor. Quadro 7 Músculos extensores do cotovelo. MÚSCULOS EXTENSORES DO COTOVELO Tríceps braquial: estender o cotovelo. Origem da cabeça longa: tubérculo infraglenoideo da escápula. Origem da cabeça curta: parte inferior do tubérculo maior na parte posterior do úmero. Origem da cabeça medial: superfície posterior do úmero, abaixo do sulco do nervo radial. Inserção: superfície posterior do processo do olecrano da ulna e fáscia antebraquial. Ancôneo: estender o cotovelo – sinergista. Origem: epicôndilo lateral do úmero. Inserção: face superior da parte posterior da ulna. O tríceps é o extensor mais potente, com secção tranversal cinco vezes maior e duas vezes a distância de encurtamento do ancôneo. Fonte: Arquivo pessoal do autor. Nas Figuras 63 a 66, bem como a 72, temos os músculos motores da articulação do cotovelo: © Cinesiologia134 BBC BBL Fonte: NETTER (2000, p.402) Figura 63 Bíceps braquial cabeça curta (BBC), cabeça longa (BBL). Fonte: NETTER (2000, p.402) Figura 64 Músculo braquial (MB). Claretiano - Centro Universitário 135© U2 - Artrologia BR PR Fonte: NETTER (2000, p.416) Figura 65 Músculos do antebraço braquiorral (BR) pronador redondo (PR). Fonte: NETTER (2000, p.403) Figura 66 Extensores do cotovelo. © Cinesiologia136 Como é possível ver na Figura 67, os músculos que realizam a supinação do antebraço são o bíceps braquial e o supinador; os que realizam a pronação são os pronadores redondo e quadrado, sendo o pronador redondo mais forte do que o quadrado. Na ação de supinação, o bíceps tem atuação mais eficaz em 90º de flexão e, à medida que o cotovelo se estende, sua eficácia como su- pinador diminui. Em 90º, a eficácia do bíceps é quatro vezes maior que a do supinador e, quando o cotovelo é estendido, a eficácia do bíceps para a supinação é a metade em relação ao supinador. A amplitude do movi- mento de supinação é de cerca de 90º, e a de pronação é de 85º, como podemos observar na Figura 68. Fonte: NETTER (2000, p.410) Figura 67 Músculos pronadores e supinador. Claretiano - Centro Universitário 137© U2 - Artrologia Fonte: KAPANDJI (1990, p. 109). Figura 68 Movimentos de supinação e pronação do antebraço. Quadro 8 Músculo supinador, músculo pronador redondo e mús- culo pronador quadrado. MÚSCULO SUPINADOR Origem: epicôndilo lateral, ligamento colateral radial, ligamento anular e crista supinadora da ulna. Inserção: superfícies volar e lateral da parte proximal do rádio. MÚSCULO PRONADOR REDONDO Origem: epicôndilo medial e processo coronoide da ulna. Inserção: lateral do rádio no seu ponto médio. MÚSCULO PRONADOR QUADRADO Origem: terço distal da ulna (volar). Inserção: terço distal do rádio (volar). Fonte: arquivo pessoal do autor. A articulação do cotovelo é um local em que ocorrem muitas lesões por esforço repetido (LER) ou doenças osteomusculares re- lacionadas ao trabalho (DORT). Isto acontece devido ao fato de os músculos que se inserem e se originam nessa região serem muito utilizados em trabalhos e atividades desportivas, como a digitação, o manusear de uma chave de fendas, jogar tênis ou vôlei, entre outros que se dão, inclusive, pela origem de músculos que movi- mentam o punho e os dedos da mão originados no cotovelo, os quais veremos nas Figuras 69 a 73: © Cinesiologia138 arco de movimento do cotovelo Figura 69 Arco de movimento do cotovelo – flexão e extensão. Figura 70 Ângulo mais eficaz para flexores é em 90º. Figura 71 Posturas e atividades repetidas por períodos prolongados podem provocar LER ou DORT. Claretiano - Centro Universitário 139© U2 - Artrologia BB bíceps braquial (BB) TB bíceps braquial (BB) Fonte: COHEN (2003/2005, p. 74). Figuras 72 e 73 Músculos do cotovelo – bíceps braquial (BB), bíceps braquial (BB). Articulações do membro superior – punho São compostas pela articulação das extremidades distais do rádio e do disco articular, com três ossos laterais da fileira proximal do carpo, sendo estes o escafoide, o semilunar e o piramidal, mostrados na Figura 74, em que apenas o escafoide e o semilunar se articulam com o rádio, uma vez que a ulna está separada do carpo por um disco articular. Fonte: NETTER (2004, p.422). Figura 74 Articulação do punho. © Cinesiologia140 O punho é uma articulação sinovial, biaxial, do tipo condilar ou elipsoide, em que ocorrem os movimentos de flexão com ampli- tude de 90º, extensão com amplitude de 45º, desvio radial com am- plitude de 15º, desvio ulnar com amplitude de 45º e cincundução. Fonte: MARTINI, TIMMONS, TALLITSCH (2009, p. 210). Figura 75 Movimentos de flexão e extensão do punho. Fonte: MARTINI, TIMMONS, TALLITSCH (2009, p. 210). Figura 76 Movimentos de desvio radial e ulnar do punho. Claretiano- Centro Universitário 141© U2 - Artrologia A articulação do punho é reforçada pela cápsula articular e pelos ligamentos radiocarpal palmar, que limita a extensão, pelo radiocarpal dorsal, que limita a flexão, pelo colateral ulnar do car- po, que limita o desvio radial, pelo colateral radial do carpo, que limita o desvio ulnar, e pelo ulnocarpal palmar, que limita a exten- são, e o dorsal, que limita a flexão, como pode-se observar nas Figuras 77 e Fonte: NETTER (2000, p.425). Figura 77 Ligamentos do punho – vista dorsal. © Cinesiologia142 Fonte: NETTER (2000, p. 424). Figura 78 Ligamentos do punho – vista palmar. Quadro 9 Músculos flexores do punho e músculos extensores do punho. MÚSCULOS FLEXORES DO PUNHO Músculo flexor radial do carpo: flexão do punho e desvio radial. Origem: epicôndilo medial do úmero. Inserção: base do segundo metacarpo. Músculo flexor ulnar do carpo: Flexão do punho e desvio ulnar. Origem: epicôndilo medial do úmero e margem interna do olecrano. Inserção: osso pisiforme e base do quinto metacarpo. Músculo palmar longo: tensiona a fáscia palmar e auxilia a flexão do punho. Origem: epicôndilo medial do úmero. Inserção: fáscia palmar. MÚSCULOS EXTENSORES DO PUNHO Músculo extensor radial longo do carpo Origem: crista supraepicondilar lateral do úmero. Inserção: base do segundo metacarpo. Claretiano - Centro Universitário 143© U2 - Artrologia MÚSCULOS EXTENSORES DO PUNHO Músculo extensor radial curto do carpo: Origem: epicôndilo lateral do úmero. Inserção: base do terceiro metacarpo. Músculo extensor ulnar do carpo: Origem: epicôndilo lateral do úmero. Inserção: base do quinto metacarpo. Fonte: arquivo pessoal do autor. Vamos destacar seis músculos motores do punho (do carpo) que atuam na articulação, sendo três responsáveis pela flexão e três responsáveis pela extensão, ilustradas nas Figuras 79 a 88. A Fonte: LIPPERT (19p. 301). Figura 79 Músculo flexor radial do carpo. B Fonte: KAPANDJI (1990, p. 96). Figura 80 Músculo flexor radial do carpo realizando flexão com desvio radial contra resistência manual. © Cinesiologia144 A Fonte: LIPPERT (19p. 301). Figura 81 Músculo flexor ulnar do carpo. B Fonte: KAPANDJI (1990, p. 97). Figura 82 Músculo flexor ulnar do carpo realizando flexão com desvio ulnar contra resistência manual. Claretiano - Centro Universitário 145© U2 - Artrologia Palmar curto Palmar longo Fonte: KAPANDJI (1990, p. 89). Figura 83 Músculo palmar longo flexiona o punho e tensiona a fáscia palmar. Longo Curto Fonte: KAPANDJI (1990, p. 98). Figura 84 Músculos extensor radial longo e curto do carpo. © Cinesiologia146 Fonte: KAPANDJI (1990, p. 99). Figura 85 Músculos extensor radial longo e curto do carpo realizam extensão com desvio radial. Fonte: KAPANDJI (1990, p. 99). Figura 86 Músculos extensor ulnar do carpo. Fonte: KAPANDJI (1990, p. 100). Figura 87 Músculos extensor ulnar do carpo realiza extensão com desvio ulnar; ilustração do movimento realizado contra resistência manual. Claretiano - Centro Universitário 147© U2 - Artrologia Fonte: NETTER (2004, p.427). Figura 88 Músculos extensores do punho. Fonte: NETTER (2004, p.429). Figura 89 Músculos flexores do punho. © Cinesiologia148 Como nos mostraram as Figuras 75 e 76, os movimentos de desvio radial e desvio ulnar são realizados pelos flexores e exten- sores em conjunto, ou seja, os extensores radiais longo e curto do carpo, somando suas respectivas ações com o flexor radial do carpo, realizam o desvio radial, e o extensor ulnar do carpo, em conjunto com o flexor ulnar do carpo, realizam o desvio ulnar. Como fora citado anteriormente no estudo sobre o cotovelo, vimos que essa articulação pode ser prejudicada por LER ou DORT. É fácil entender, se observarmos que os músculos que movimen- tam o punho têm sua origem no cotovelo. Dessa maneira, todos os movimentos do punho podem provocar tensões excessivas e patologias comuns nessas origens, como, por exemplo, a epicon- diloalgia lateral do cotovelo (cotovelo do tenista) – uma afecção no epicôndilo lateral na qual se originam todos os extensores do punho. Essa afecção pode acometer trabalhadores, estudantes ou atletas que realizam repetição da extensão do punho ou preensão palmar, como podemos observar nas Figuras 90 e 91A. Figura 90 O epicôndilo lateral origem dos extensores é um local de alteração Claretiano - Centro Universitário 149© U2 - Artrologia Figura 91 Esforço no trabalho ou esporte. Articulações do membro superior – mão e dedos Na Figura 92, podemos ver que a mão é constituída pelos ossos do carpo e pelos metacarpos, e as falanges formam os dedos. A face ante- rior da mão é denominada "face palmar" e a face posterior, denominada "face dorsal"; a região próxima ao polegar é conhecida como "região tê- nar" e a próxima ao dedo mínimo é conhecida como "região hipotênar". Fonte: REIDER (20p. 106). Figura 92 Face palmar da mão (A – prega IF distal; B – prega IF proximal; C – prega digito palmar; D – prega palmar distal; E – prega palmar proximal; F – nível da MCF; G – eminência tênar; H – eminência hipotênar). © Cinesiologia150 Os ossos que compõem a mão são os do carpo, divididos em fileiras e metacarpianos. A primeira fileira do carpo é formada pelos ossos escafoide, semilunar e piramidal, e a segunda fileira é formada pelo trapézio, trapezoide, capitato e hamato, ilustrada nas Figuras 93 e 94. Os ossos do carpo possuem pequenos movimentos de des- lizamento entre si (articulações intercarpicas), caracterizando arti- culações anaxiais planares; os elementos de estabilização dessas articulações são os ligamentos intercarpais dorsais e palmares, os intercarpais interósseos piso-hamato e pisometacarpal e o radiado do carpo. Os ossos metacarpianos são cinco, e, da mesma maneira que os dedos, são contados a partir do lado radial, ou seja, o polegar é o primeiro dedo e o mínimo é o quinto dedo. As articulações carpometacarpianas (CM) são sinoviais, estabilizadas pelos ligamentos carpometarcapais dorsais e pal- mares, e possuem características distintas: a primeira articu- lação carpometacarpiana é biaxial do tipo selar, permitindo flexão-extensão e abdução-adução; as demais são planas e monoaxiais, permitindo flexão e extensão. É essa característica da primeira CM que possibilita a grande amplitude do polegar. Os ossos metacarpianos articulam-se em meio a articulações intermetacarpianas e são estabilizadas pelos ligamentos me- tacarpianos, dorsais palmares e interósseos, como vimos nas Figuras 77 e 78. Claretiano - Centro Universitário 151© U2 - Artrologia Fonte: NETTER (2000, p.426). Figura 93 Ossos da mão e dedos – vista anterior. Fonte: NETTER (2000, p. 426). Figura 94 Ossos da mão e dedos – vista posterior. © Cinesiologia152 A amplitude de movimento das articulações CM aumenta da região radial para a ulnar, favorecendo a formação da concavidade da mão, o que beneficia a melhor conformação para segurar objetos. Os ossos metacarpianos articulam-se com as falanges proximais (articulações metacarpofalangeanas – MF); as articulações são sino- viais, do tipo condilar e biaxial, permitindo flexão de 90º/extensão de 45º, abdução de 30º/adução de 30º, cincundução e rotação limitada. Essas articulações são estabilizadas pela cápsula, pelos ligamentos palmares, pelos colaterais externos (radial) e internos (ulnar). São três as falanges que vão do segundo ao quinto dedos (falange proximal, média e distal) e duas no primeiro dedo (falange proximal e distal). A articulação entre as falanges é denominada "articulação interfalangeana" (IF); são sinoviais, do tipo gínglimo ou troclear, monoaxial, permitindo flexão e extensão, estabilizadas pelos ligamentos colaterais externos e internos. A amplitude de movimento das interfalangeanas é de 100º para as interfalangea- nas proximais (IFP) e de 90º para as distais (IFD), a extensãoé de 100º para as IFP e de 100º para as IFD, podendo haver hiperex- tensão de 20º. Essa amplitude pode variar, sendo aumentada do segundo para o quinto dedo. Os músculos motores da mão são divididos em extrínsecos (ori- gem fora da mão) e intrínsecos (origem e inserção na mão), e suas ações estão demonstradas no Quadro 10 e nas Figuras 88 e 89, 95 a 101. Quadro 10 Flexores extrínsecos, extensores extrínsecos, músculos intrínsecos e músculos para o polegar. FLEXORES EXTRÍNSECOS (Figura 89) Flexor superficial dos dedos: flete as MF e IFP do II ao V dedos. Flexor profundo dos dedos: flete as MF, IFP e IFD do II ao V dedos. EXTENSORES EXTRÍNSECOS (Figura 88) Extensor comum dos dedos: estende as MF do II ao V dedos. Extensor próprio do indicador: estende o indicador. Extensor do dedo mínimo: estende o mínimo. Claretiano - Centro Universitário 153© U2 - Artrologia MÚSCULOS INTRÍNSECOS (Figura 101) Interósseos dorsais: abduz as MF do II ao IV dedos. Interósseos palmares: aduz as MF dos dedos. Lumbricais: flexão da MF e extensão da IF do II ao V dedos. Oponente do dedo mínimo: oponência do dedo mínimo. MÚSCULOS PARA O POLEGAR Flexor curto do polegar (intrínseco): flexiona as MF. Flexor longo do polegar: flexiona as IF. Extensor curto do polegar: estende a MF. Extensor longo do polegar: estende a IF. Abdutor Longo do polegar: abduz e estende a CM. Abdutor curto do polegar (intrínseco): abduz articulação CM e MF do polegar. Adutor do polegar (intrínseco): aduz o polegar. Oponente do polegar (intrínseco): flexiona e aduz CM do polegar. Fonte: arquivo pessoal do autor. Fonte: DRAKE, VOGL, MITCHELL (2005, p. 613). Figura 95 Movimentos da mão abdução, adução e extensão/flexão MF. A ação conjunta dos músculos do punho e da mão permite ações como, por exemplo, segurar firmemente um objeto. Quando seguramos um objeto (flexão dos dedos), os músculos extensores do punho estabilizam a articulação para favorecer a força de pre- ensão. A força de preensão também é obtida pela ação dos intrín- © Cinesiologia154 secos, que estabilizam os ossos metacarpianos e a articulação MF. Essa força também é útil em ações comuns, como segurar uma caneta ou um jornal, como nos mostra a Figura Os músculos extensores e flexores dos dedos comumente são acometidos devido às LER e às DORT, que ocorrem, principal- mente, em digitadores. Fonte: KAPANDJI (1990, p. 91). Figura 96 Ação do extensor comum dos dedos, extensor do indicador e do dedo mínimo contra uma resistência manual. Fonte: KAPANDJI (1990, p. 78). Figura 97 Ação dos extensores do polegar. Claretiano - Centro Universitário 155© U2 - Artrologia Fonte: KAPANDJI (1990, p. 93). Figura 98 Ação do flexor superficial dos dedos contra uma resistência manual. Fonte: KAPANDJI (1990, p. 95). Figura 99 Ação do flexor profundo dos dedos contra uma resistência manual. Fonte: KAPANDJI (1990, p. 86-87). Figuras 100 Ação conjunta dos intrínsecos. © Cinesiologia156 Fonte: KAPANDJI (1990, p. 86-87). Figuras 101 Ação conjunta dos intrínsecos. 7. ARTICULAÇÕES DO MEMBRO INFERIOR Quadril Rasch (1991) menciona que a articulação do quadril, tam- bém denominada "articulação coxofemoral", é sinovial esferoide e que, diferente da articulação glenoumeral, possui estabilidade de- vido à sua estrutura arquitetônica. É formada pelo encaixe da ca- beça do fêmur na fossa do acetábulo do osso quadril. O acetábulo é formado pela união dos três ossos da pelve – o ilíaco, o ísquio e o púbis – os quais constituem, cada um deles, cerca de um terço do acetábulo. A fossa do acetábulo é posicionada de tal modo que se direciona, lateralmente, para baixo e para frente, quando recebe a cabeça do fêmur, como podemos observar na Figura 1 Vale lembrar que os ossos da pelve não estão completamen- te ossificados até meados da segunda década de vida. Claretiano - Centro Universitário 157© U2 - Artrologia Figura 102 Articulação do quadril. Como elementos de reforço e de estabilização da articula- ção do quadril, encontramos a cápsula articular e os ligamentos da articulação do quadril. A cápsula articular está inserida acima da margem do acetábulo, antes da linha intertrocantérica e depois da crista intertrocantérica. Na parte da frente, em que é necessário maior resistência, a cápsula é bem mais espessa que na parte de trás, como nos mostram as Figuras 103 e 104 (MIRANDA, 2000). Os ligamentos que reforçam as faces lateral e anterior da cápsula são: • Iliofemoral: freia a extensão do quadril e limita a rotação do fêmur em torno do seu eixo longitudinal, o que im- pede que o tronco gire para trás durante a manutenção da posição bípede, reduzindo a necessidade de contração muscular para manter a postura. • Pubofemoral: restringe a abdução do quadril, bem como a extensão e a rotação lateral. • Isquiofemoral: limita a rotação medial do quadril. © Cinesiologia158 Há, ainda, o ligamento da cabeça do fêmur ou ligamento re- dondo, como vimos na Figura 102, que estabiliza a cabeça do fê- mur no interior da fossa do acetábulo. M. reto da coxa, Tendão Lig. pubofemoral Canal obturatório Membrana obturatória Trocante menor Lig. iliofemoral Parte descendente Parte transversal Trocante maior Fonte: Sobotta (1995, p. 279). Figuras 103 Cápsula articular e ligamentos da articulação do quadril em vista anterior. Lig. sacrotuberal Trocante menor Trocante maior Colo do fêmur Lig. iliofemoral Cabeça reflexa M. reto da coxa, TendãoCabeça reta Tuberosidade glútea Lig. isquio- femoral Lig. sacroespinhal Fonte: Sobotta (1995, p. 279). Figuras 104 Cápsula articular e ligamentos da articulação do quadril em vista posterior. Claretiano - Centro Universitário 159© U2 - Artrologia Movimentos da articulação do quadril Contrariando a estabilidade que é inerente à articulação do quadril, esta articulação demonstra alto grau de mobilidade. A ar- ticulação do quadril é triaxial, ou seja, permite três graus de liber- dade de movimento: flexão e extensão no plano sagital, adução e abdução no plano frontal e rotações interna ou medial, externa ou lateral, no plano transversal (RASCH, 1991). Em uma primeira análise, iremos considerar os movimentos em que o ilíaco se mantém fixo e o fêmur se desloca em direção ao ilíaco. O movimento que aproxima as faces anteriores da coxa e do tronco se chama "flexão". Em função da tensão dos múscu- los isquiotibiais, quanto mais fletido estiver o joelho, maior será a amplitude de flexão, e quanto mais estendido estiver o joelho, mais limitada será a amplitude de flexão, como veremos nas Fi- guras 105 e 1A flexão passiva é um pouco mais ampla do que a flexão ativa, uma vez que os músculos flexores relaxam. A flexão do quadril ocasiona, frequentemente, uma retroversão da pelve. Fonte: KAPANDJI (2000, p. 15). Figuras 105 e 106 Movimento de flexão do quadril. Em contrapartida, segundo Calais-Germain (1992), o movi- mento que aproxima as faces posteriores da coxa e do tronco se © Cinesiologia160 chama "extensão". Em geral, a extensão é muito limitada; muitas vezes é confundida e/ou aumentada por uma lordose lombar. Em função da ação do músculo retofemoral, a amplitude da extensão será maior quanto mais estendido estiver o joelho e mais limitada quanto mais fletido estiver o joelho, ilustrado na Figura 107. Fonte: KAPANDJI (2000, p.17). Figura 107 Movimento de extensão do quadril. O movimento no qual a coxa se desloca medialmente se chama "adução", observado na Figura 1Para ocorrer a adução, é necessário o deslocamento prévio do outro membro inferior, o que tornará sua realização possível em um plano puramente frontal. O movimento que aproxima as faces laterais da coxa e do tronco se chama "abdu- ção". A abdução que mantém o fêmur em posição neutra é limitada, uma vez que a parte superior do colo se encontra com o teto do acetábulo. Na Figura 109, podemos observar que, com uma rotação externa do fêmur, a abdução pode ser mais ampla.Claretiano - Centro Universitário 161© U2 - Artrologia Fonte: KAPANDJI (2000, p.21). Figura 108 Movimento de adução do quadril. Fonte: KAPANDJI (2000, p.19). Figura 109 Movimento de abdução do quadril. © Cinesiologia162 Na articulação do quadril, é possível observar movimentos de rotação que fazem o fêmur girar sobre o seu eixo. Nas Figu- ras 110 e 111, vemos que a rotação interna ou medial do pé se orienta medialmente; já nas Figuras 112 e 113, percebemos que, na rotação externa ou lateral, o pé se orienta lateralmente. A rotação externa que mantém o quadril fletido é mais ampla, pois o ligamento iliofemoral se encontra relaxado (CALAIS-GERMAIN, 1992). Fonte: KAPANDJI (2000, p.23). Figuras 110 e 111 Movimento de rotação interna do quadril. Claretiano - Centro Universitário 163© U2 - Artrologia Fonte: KAPANDJI (2000, p.23). Figura 112 E 113 Movimento de rotação externa do quadril. Rasch (1991) menciona que a posição do fêmur, por meio do colo femoral, a certa distância da pelve, ajuda a prevenir as limita- ções de movimento do quadril que poderiam resultar em um cho- que mecânico. O ângulo colo-femoral-corpo permite que o corpo do fêmur se posicione mais lateralmente em relação à pelve. No plano frontal, o ângulo colo-corpo-femoral normal é de, aproxima- damente, 125º, como veremos na Figura 1A deformidade em que o ângulo é maior (coxa vara) e a deformidade em que o ângulo é menor (coxa valga) causam alterações na transmissão de forças para o fêmur e para os outros ossos a partir dele, observado na Figura 115. © Cinesiologia164 Fonte: KAPANDJI (2000). Figura 114 Plano frontal – ângulo colo-corpo-femoral normal de 125o. Figura 115 Coxa vara e coxa valga. Claretiano - Centro Universitário 165© U2 - Artrologia Na próxima análise, iremos considerar o fêmur como o pon- to fixo em que se desloca o ilíaco. Nesse caso, observam-se os se- guintes deslocamentos da espinha ilíaca ântero-superior: 1) Para frente ou anteversão: prolonga-se na coluna lom- bar por uma tendência à lordose. 2) Para trás ou retroversão: prolonga-se na região lombar por uma tendência à retificação da lordose. 3) Lateralmente ou inclinação lateral externa. 4) Medialmente ou inclinação lateral interna. O ângulo de anteversão é o ângulo no qual o colo se projeta do fêmur na direção ântero- -posterior. Embora ocorra variações entre os indivíduos, o valor normal é de cerca de 12o a 14o (RASCH, 1991). Valores acima destes evidenciam uma condição conhecida como "hiperlordose". Figura 116 Hiperlordose lombar. © Cinesiologia166 Rasch (1991) ainda cita que a articulação do quadril apresenta sua maior amplitude de movimento no plano sagital, no qual se ob- serva que a flexão pode chegar a 140o e, a extensão, a 15o. A abdução pode atingir 30o e, a adução, um pouco menos, 25o. Com o quadril estendido, os efeitos dos ligamentos estão ativos e as amplitudes de rotação medial e lateral atingem 70o e 90o, respectivamente. Músculos da articulação do quadril Vinte e dois músculos atuam sobre a articulação do quadril. A seguir, será apresentada, no Quadro 11, a classificação baseada nas ações desempenhadas pelos músculos da articulação do quadril. Segundo Rasch (1991), Calais-Germain (1992) e Miranda (2000), os músculos do grupo flexor incluem o psoas e o ilíaco, ambos mostra- dos na Figura 117, os agonistas primários e o reto da coxa, estes na Fi- gura 1O psoas exerce os importantes papeis de flexor e de estabilizador da articulação do quadril. O músculo ilíaco desempenha papel predo- minante na flexão do quadril. O reto da coxa, membro do grupo quadrí- ceps da coxa, é o único músculo do grupo que atua sobre o quadril como importante flexor, auxiliando na rotação lateral e na abdução. Quadro 11 Músculos flexores do quadril. MÚSCULOS FLEXORES DO QUADRIL Reto femoral: flexão do quadril, anteroversão da pelve (cadeia cinética fechada) e extensão do joelho. Origem: a partir da espinha ilíaca ântero-inferior e no sulco acima do rebordo do acetábulo. Inserção: na borda proximal da patela e por meio do ligamento patelar na tuberosidade anterior da tíbia. Ilíaco: flexão do quadril, rotação lateral do quadril, adução do quadril, anteroversão da pelve aumentando a lordose lombar. Origem: localizado na fossa ilíaca e nas espinhas ilíacas anteriores. Inserção: trocânter menor do fêmur. Psoas: flexão do quadril. Origem: localizado na parede posterior da cavidade abdominal, no nível dos corpos vertebrais, dos discos intervertebrais e dos processos transversos de T12 a L5. Fonte: arquivo pessoal do autor. Claretiano - Centro Universitário 167© U2 - Artrologia Figura 117 Músculos flexores do quadril – psoas e ilíaco. Figura 118 Músculo reto femoral. © Cinesiologia168 Observe, no Quadro 12, que o grupo extensor do quadril inclui os músculos do jarrete: o semimembranáceo, o semitendí- neo e a cabeça longa do bíceps da coxa – que é ativa na extensão habitual do quadril, enquanto que o semimembranáceo e semi- tendíneo são ativos na extensão contra resistência. O músculo glúteo máximo também é um potente extensor além de ser ro- tador lateral e, dependendo da face do músculo em considera- ção, age como abdutor do quadril fletido ou adutor contra uma resistência de abdução (RASCH, 1991; CALAIS-GERMAIN, 1992; MIRANDA, 2000). Quadro 12 Músculos extensores do quadril. MÚSCULOS EXTENSORES DO QUADRIL Semimembranáceo: extensão do quadril; auxilia na rotação medial do quadril e é retroversor da pelve quando o membro inferior está fixo. Origem: tuberosidade isquiática. Inserção: parte posterior do côndilo medial da tíbia. Semitendíneo: realiza extensão do quadril e auxilia na rotação medial e na adução. Com os membros inferiores fixos, promove a retroversão da pelve. Origem: tuberosidade isquiática. Inserção: superfície medial da parte superior da tíbia; o mais posterior da pata de ganso. Bíceps femoral: a cabeça longa atua na articulação do quadril fazendo a extensão e a rotação lateral; com o membro inferior fixo, promove a retroversão da pelve (cadeia fechada). Origem: cabeça longa – tuberosidade isquiática; cabeça curta – linha áspera do fêmur. Inserção: as duas porções fundem-se distalmente e vão até a face lateral da cabeça da fíbula. Glúteo máximo: extensor e rotador lateral do quadril; feixes superiores são abdutores e feixes inferiores são adutores; realiza retroversão da pelve. Origem: linha glútea posterior, parte posterior da crista ilíaca e face posterior do sacro e do cóccix. Inserção: tuberosidade glútea no fêmur e tracto iliotibial. Fonte: arquivo pessoal do autor. Claretiano - Centro Universitário 169© U2 - Artrologia Figura 119 Vista posterior do membro inferior. Músculos extensores do quadril. No Quadro 13, veremos que o grupo adutor do quadril é formado pelo grácil, pelo pectíneo e pelos adutores longo, cur- to e magno, vistos nas Figuras 118 e 1Situados na face medial da coxa, os adutores formam a maior parte da massa muscular dessa região, sendo os responsáveis pela rotação medial, pela flexão do quadril e pela adução. A abertura excessiva dos mem- bros inferiores pode causar a laceração do adutor longo próximo à sua fixação tendínea no púbis (RASCH, 1991; CALAIS-GERMAIN, 1992; MIRANDA, 2000). © Cinesiologia170 Quadro 13 Músculos adutores do quadril. MÚSCULOS ADUTORES DO QUADRIL Pectíneo: flexão e adução da coxa; auxilia na rotação lateral e na anteroversão da pelve em cadeia cinética fechada. Origem: linha pectínea do púbis. Inserção: linha pectínea do fêmur. Adutor curto: atua na adução do quadril; auxilia na flexão e na rotação lateral do quadril. Participa, na anteroversão da pelve, em cadeia cinética fechada. Origem: corpo e ramo inferior do púbis. Inserção: linha pectínea do púbis e proximal da linha áspera do fêmur. Adutor longo: atua na adução do quadril; auxilia na flexão e na rotação lateral do quadril. Participa, na anteroversão da pelve, em cadeia cinéticafechada. Origem: corpo do púbis. Inserção: linha áspera do fêmur, na parte média. Adutor magno: potente adutor do quadril; realiza a extensão do quadril e a anteroversão da pelve em cadeia cinética fechada. Origem: ramo inferior do púbis e tuberosidade isquiática. Inserção: inicia na linha áspera e vai até o côndilo medial do fêmur, no tubérculo adutor. Grácil: realiza a adução do quadril e auxilia na flexão e na rotação medial do joelho. Origem: corpo e ramo inferior do púbis. Insersão: parte superior da face medial da tíbia; encontra-se em um ponto médio da pata de ganso. Fonte: arquivo pessoal do autor. Claretiano - Centro Universitário 171© U2 - Artrologia Figura 120 Músculos adutores do quadril. Rasch (1991), Calais-Germain (1992) e Miranda (2000) mencionam, ainda, que os músculos abdutores atuam, predomi- nantemente, em outras ações articulares, uma vez que poucas ações exigem uma abdução vigorosa do quadril. O músculo glú- teo médio é o principal agonista da abdução, e exerce um papel importante na estabilização da pelve durante a marcha. Outros músculos que auxiliam na abdução do quadril quando o movi- mento encontra resistência ou quando o quadril está numa de- terminada posição incluem o glúteo mínimo, o glúteo máximo, o reto da coxa, o sartório e o tensor da fáscia lata, cujos papeis dependem da rotação do quadril. Observe o Quadro © Cinesiologia172 Quadro 14 Músculos abdutores do quadril. MÚSCULOS ABDUTORES DO QUADRIL Glúteo médio: abdutor do quadril; auxilia na rotação medial (feixes anteriores) e na rotação lateral (feixes posteriores); inclina a pelve para o lado oposto e equilibra-a no plano frontal; auxilia na flexão do quadril (fibras anteriores) e na extensão do quadril (fibras posteriores); participa na anteroversão da pelve (fibras anteriores) e na retroversão da pelve (fibras posteriores) atuando bilateralmente, tomando como ponto fixo o fêmur e o glúteo médio. Origem: face externa do ílio, entre as linhas glúteas anteriores e posteriores. Inserção: trocânter maior do fêmur. Glúteo mínimo: abdutor e rotador medial do quadril; auxilia na flexão da coxa e na inclinação da pelve para o lado oposto; as fibras posteriores auxiliam na rotação lateral e na extensão da coxa. Origem: face externa do ílio, entre as linhas glúteas anteriores e posteriores. Inserção: face anterior do trocânter. Sartório: é um músculo biarticular que atua como flexor, abdutor e rotador lateral do quadril; Realiza a anteroversão da pelve e auxilia na flexão e na rotação medial do joelho. Origem: espinha ilíaca ântero-superior. Inserção: parte alta da face medial da tíbia; o mais anterior da “pata de ganso” – termo que ainda explicaremos nesta unidade. Tensor da fáscia lata: realiza flexão, abdução e rotação medial do quadril; ajuda a manter o joelho estendido; estabiliza o tronco sobre a coxa; equilibra a pelve no plano frontal. Origem: espinha ilíaca ântero-superior. Inserção: trato iliotibial que se fixa ao côndilo lateral da tíbia. Fonte: arquivo pessoal do autor. Claretiano - Centro Universitário 173© U2 - Artrologia Figura 121 Vista posterior do membro inferior com destaque para os músculos abdutores do quadril, glúteos médio e mínimo. Figura 122 Vista anterior do membro inferior com destaque para os músculos abdutores do quadril, sartório e tensor da fáscia lata. © Cinesiologia174 Muitos dos músculos anteriormente apresentados contri- buem para a rotação interna (medial) ou externa (lateral) do fêmur em torno de seu eixo longitudinal. Como vimos nas Figuras 120, 121 e 122, os glúteos médio e mínimo, o tensor da fáscia lata, o grácil e os adutores longo e magno podem participar da rotação medial do fêmur; já os músculos que participam da rotação lateral são parte do glúteo máximo, do reto femoral e de um grupo de seis músculos agrupados como rotadores laterais: piriforme, ob- turador interno, obturador externo, quadríceps femoral e gêmeos superior e inferior, mostrados nas Figuras 119 e 1Esses músculos realizam, basicamente, a rotação lateral, porém, o piriforme, o ob- turador interno e os gêmeos podem contribuir na abdução do qua- dril quando este está fletido (RASCH, 1991). Joelho O joelho engloba três articulações, sendo duas femorotibiais e uma femoropatelar. Os côndilos femorais medial e lateral fazem contato por meio dos meniscos interpostos à face articular superior da tíbia, consti- tuindo, portanto, uma articulação sinovial e bicondilar enquanto que a articulação femoropatelar ocorre entre a face articular da patela e a tróclea femoral, sendo sinovial plana. O joelho é estabilizado pela cápsula articular fibrosa e pelos ligamentos patelar, colateral tibial (LCM), colateral fibular (LCL), cru- zado anterior (LCA), cruzado posterior (LCP), transverso do joelho, menisco femoral anterior e menisco femoral posterior, poplíteo obli- quo e poplíteo arqueado. Observe os ligamentos na Figura 123. Os meniscos são estruturas fibrocartilaginosas que repou- sam sobre as superfícies articulares da tíbia. Cada joelho possui dois meniscos, sendo um medial e o outro lateral, cujas finalidades são: aumentar a estabilidade do joelho, favorecer o deslizamento articular e diminuir o impacto e o cisalhamento articular. Os me- Claretiano - Centro Universitário 175© U2 - Artrologia niscos possuem mobilidade, podendo se movimentar no sentido ântero-posterior. O menisco lateral tem a maior mobilidade, pois se desloca de 9 a 12 mm. O medial tem a menor mobilidade, pois se desloca cerca de 2 a 6 mm, sendo o mais lesado quando ocor- rem entorses – mesmo porque tem sua fixação na camada profun- da da cápsula medial do joelho. Durante a marcha, os meniscos suportam o peso corporal cerca de duas a quatro vezes, e durante a flexão do joelho em ca- deia fechada, a carga se desloca posteriormente, pressionando a região (corno) posterior dos meniscos. Durante a extensão e a flexão dos joelhos, os meniscos são tracionados anteriormente (na extensão) e posteriormente (na fle- xão), pois há ligações com os grupos musculares responsáveis por essa movimentação, fato importante para o reforço muscular após uma lesão. Fonte: NETTER (2004, p. 491). Figura 123 Vista anterior do joelho e principais estruturas estabilizadoras. © Cinesiologia176 Fonte: NETTER (2004, p. 491). Figura 124 Vista posterior do joelho e principais estruturas estabilizadoras. Fonte: NETTER (2004, p. 490). Figura 125 Vista superior do joelho demonstrando meniscos e ligamentos. Claretiano - Centro Universitário 177© U2 - Artrologia Os ligamentos possuem um importante papel na estabiliza- ção dessa articulação, sendo os principais estabilizados: o ligamen- to cruzado anterior, que limita o deslizamento anterior da tíbia, o ligamento cruzado posterior, que limita o deslizamento posterior da tíbia, o ligamento colateral medial ou tibial, que limita a aber- tura medial do joelho (valgo), e o ligamento colateral lateral ou fibular, que limita a abertura lateral do joelho (varo). Essas são as principais ações desses ligamentos que atuam em conjunto para manter a estabilidade do joelho que, por sua vez, também depende da integridade dos meniscos. A lesão de alguma dessas estruturas pode sobrecarregar os outros estabilizadores. Lesões nos ligamentos e nos meniscos são comuns em ativi- dades desportivas e estão relacionadas ao movimento que ocorre no momento da lesão, ou seja, um esforço em valgo pode lesar o LCM e, um esforço em varo, o LCA, assim como as forças de hipe- rextensão podem causar danos ao LCA e ao LCP. No joelho, temos os movimentos de flexão e de extensão no plano mediano em torno do eixo lateral, e estes são acompanha- dos de rotações, ou seja, na extensão, temos uma rotação lateral da tíbia, e, na flexão, uma rotação medial desta; esses movimen- tos ocorrem no plano horizontal em torno do eixo longitudinal, porém, com o joelho fletido, as rotações podem ser obtidas livre-mente, conforme ilustra as Figuras 126, 127 e 1 A amplitude de flexão do joelho varia de 120º a 140º e tem influência da posição do quadril, ou seja, com o quadril flexionado, a amplitude aumenta pelo relaxamento do músculo reto femoral, que é biarticular. Já a extensão tem amplitude de 0º ou 180º e também é influenciada pela posição do quadril que, quando fleti- do, interfere na flexão do joelho pelo aumento da tensão dos mús- culos isquiotibiais, que são biarticulares. As rotações têm amplitu- de de 45º a 50º para a externa e de 30 a 35º para a interna, como podemos ver nas Figuras 127 e 1 © Cinesiologia178 Fonte: KAPANDJI (1990, p. 77). Figura 126 Eixos de movimentos do joelho. Claretiano - Centro Universitário 179© U2 - Artrologia Fonte: KAPANDJI (1990, p. 81). Figura 127 Movimentos de rotação medial e lateral associados à extensão podem ser realizados livremente com o joelho fletido. © Cinesiologia180 Fonte: KAPANDJI (1990, p. 81). Figura 128 Amplitude de flexão e extensão do joelho influenciada pela posição do quadril. A patela tem um importante papel, pois, além de proteger a arti- culação anterior, aumenta o torque gerado pelo quadríceps e, por isso, possui movimentação distinta durante a flexão e a extensão do joelho. No movimento de flexão, a patela desce, posterioriza e medializa, e no movimento de extensão, a patela sobe, anterioriza e lateraliza. Esses movimentos geram, em alguns casos, alterações como a hiperpressão patelar, que, em algumas pessoas, piora com a flexão, originando uma síndrome conhecida como "femoropatelar"; também Claretiano - Centro Universitário 181© U2 - Artrologia pode ocorrer uma instabilidade lateral na qual, em alguns indivíduos, a patela tende a se lateralizar mais do que o normal, podendo sublu- xar ou luxar. Essas duas alterações são muito comuns em adolescen- tes. Para sua melhor compreensão, observe as Figuras 129, 130 e 1 Fonte: KAPANDJI (1990, p. 113). Figura 129 Movimentos patelares – posteriorização (a e b), anteriorização (c) e lateralização (d). Fonte: KAPANDJI (1990, p. 111). Figura 130 Movimentos patelares de superiorização na extensão e inferiorização na flexão. © Cinesiologia182 Fonte: HAMIL, KNUTZEN (1999, p. 232). Figura 131 Desvio angular do joelho – geno varo e geno valgo. Os músculos motores do joelho podem ser divididos em: grupo muscular anterior da coxa (extensores) e grupo muscular posterior da coxa (flexores), além dos músculos da perna, que são biarticulares. Para melhor entendimento, observe o Quadro 15 e as Figuras 132 a 135. Quadro 15 Músculos extensores do joelho – quadríceps. MÚSCULOS EXTENSORES DO JOELHO – QUADRÍCEPS Reto femoral Origem: a partir da espinha ilíaca ântero-inferior e no sulco acima do rebordo do acetábulo. Inserção: na borda proximal da patela e através do ligamento patelar na tuberosidade anterior da tíbia (TAT). Vasto intermédio Origem: nas superfícies anterior e lateral dos dois terços proximais do corpo do fêmur. Inserção: na borda proximal da patela e através do ligamento patelar na TAT. Vasto lateral Origem: parte proximal da linha intertrocantérica, bordas anterior e inferior do trocânter maior, lábio lateral da tuberosidade glútea. Claretiano - Centro Universitário 183© U2 - Artrologia MÚSCULOS EXTENSORES DO JOELHO – QUADRÍCEPS Inserção: patela e TAT. Vasto medial Origem: na metade distal da linha intertrocantérica, lábio medial da linha áspera do fêmur, parte proximal da linha supracondiliar medial, junto ao tendão do adutor magno. Inserção: na borda proximal da patela, através do ligamento patelar na TAT. Em cadeia fechada, o quadríceps é o desacelerador do joelho, controlando as articulações em ações como descer escadas ou aterrissar após salto. Fonte: arquivo pessoal do autor. Reto femoral Tendão cortadodo reto femoral Tendão cortadodo reto femoral Vastointermédio Vasto lateral Vasto medial Fonte: KENDALL (1987, p. 178). Figura 132 Quadríceps da coxa. © Cinesiologia184 Fonte: KENDALL (1987) Figura 133 Extensão do joelho contra resistência manual. Fonte: NETTER (2000, p. 458). Figura 134 Músculos da coxa vista anterior – camada superficial. Claretiano - Centro Universitário 185© U2 - Artrologia Fonte: NETTER (2000, p. 459). Figura 135 Músculos da coxa vista anterior – camada profunda. O músculo tensor da fáscia lata, que tem origem na parte an- terior do lábio externo da crista ilíaca e inserção no trato ílio tibial, possui ação no joelho pela inserção do trato ílio tibial no tubérculo lateral da tíbia (Tubérculo de Gerdy). Como podemos observar na Figura 136, a ação do tensor da fáscia lata sobre o joelho é mista, ou seja, a partir de 30º, partindo da flexão para a extensão, esse tensor auxilia a extensão, e a partir de 30º, partindo da extensão para a flexão, auxilia a flexão. Além disso, o tensor possui fixação na face lateral da patela e, em caso de instabilidade lateral da patela, ele deve ser alongado, como está descrito no Quadro 16 e ilustrado nas Figuras 137, 138 e 139. © Cinesiologia186 Fonte: NETTER (2000, p. 460). Figura 136 Músculo tensor da fáscia lata tem função mista no joelho. Quadro 16 Músculos flexores do joelho – ísquios tibiais. MÚSCULOS FLEXORES DO JOELHO – ÍSQUIOs TIBIAIS (Figuras 137, 138 e 139) Semitendinoso: flexiona e roda, medialmente, a tíbia. Origem: tuberosidade isquiática. Inserção: na superfície medial da tíbia. Semimembranoso: flexiona e roda, medialmente, a tíbia. Origem: na tuberosidade isquiática. Inserção: na face póstero-lateral do côndilo medial da tíbia. Bíceps femoral: flexiona e roda, lateralmente, a tíbia. Origem da cabeça longa: na parte distal do ligamento sacrotuberoso e na parte posterior da tuberosidade isquiática. Origem da cabeça curta: lábio lateral da linha áspera e 2/3 proximais da linha supracondilar. Inserção: na cabeça da fíbula e no côndilo lateral de tíbia. Claretiano - Centro Universitário 187© U2 - Artrologia MÚSCULOS FLEXORES DO JOELHO – ÍSQUIOs TIBIAIS (Figuras 137, 138 e 139) Músculo poplíteo: flexiona e roda medialmente quando o joelho está flexionado. Origem: parte anterior do sulco condilar lateral. Inserção: área triangular solear posterior da tíbia. Músculo gastrocnêmio: flexiona o joelho em cadeia aberta. Origem: côndilo medial e lateral do fêmur. Inserção: calcâneo posterior. Fonte: arquivo pessoal do autor. Túber isquiático Músculo semitendíneo Músculo bíceps da coxa Cabeça da fíbula Pélvis e fêmur vistos de trás Côdilo medial semimembranáceo Músculo Fonte: WIRHED (1986, p. 51). Figura 137 Músculos flexores do joelho. © Cinesiologia188 Vista lateral Vista posterior Fonte: KENDALL (1987, p. 177). Figura 138 Músculo poplíteo é um rotador medial da tíbia em flexão. Fonte: NETTER (2000, p. 461). Figura 139 Músculos flexores do joelho. Claretiano - Centro Universitário 189© U2 - Artrologia Atuando em cadeia fechada, os músculos flexores do joelho auxiliam em sua extensão, ou seja, após a flexão, esse grupo mus- cular atua em conjunto com o quadríceps realizando a extensão da tíbia (ísquios tibiais) e do fêmur (gastrocnêmio), como nos mostra a Figura 140. Fonte: DUFOUR et al. (1989, p. 136). Figura 140 Ação dos ísquios tibiais e gastrocnêmio em cadeia fechada. Tornozelo e pé Adaptado à posição bípede, o pé humano desempenha fun- ções importantes, como receber o peso do corpo e permitir o de- senvolvimento progressivo dinâmico do passo durante a marcha. No entanto, por ser uma estrutura tridimensional variável, o pé se encontra deformado, uma vez que está sujeito às solicitações mecâ- © Cinesiologia190 nicas do peso do corpo e às do calçado, que, frequentemente, estão longe de ser as ideais (CALAIS-GERMAIN, 1992; MIRANDA, 2000). O pé contém cerca de 15% de todos os ossos do corpo hu- mano, com 33 articulações sinoviais, mais de 100 ligamentos e 30 músculos agindo sobre o segmento. É composto, também, por 26 ossos, agrupados aossete ossos do metatarso (cuneiformes medial, intermédio e lateral; tálus, calcâneo, navicular e cuboide), aos cinco ossos do tarso e às 14 falanges, conforme nos mostra a Figura 1Visto de cima, apresenta três regiões (CALAIS-GERMAIN, 1992): • Anteriormente: ossos delgados alinhados formando raios horizontalmente justapostos e numerados a partir do lado medial de um a cinco. Cada raio consta de um me- tatarso prolongado por falanges, região essa conhecida como "antepé". • Posteriormente: dois ossos volumosos superpostos, sen- do eles o tálus e o calcâneo, que constituem o retropé ou tarso posterior. • Entre essas duas regiões: encontra-se em uma zona inter- mediária formada por cinco ossos pequenos (cuneiformes medial, intermédio e lateral; navicular e cuboide), os quais formam o mediopé ou tarso anterior. Essa é uma zona de junção e de torção entre as duas precedentes que permite a adaptação ao solo, também chamada mediopé. Os ossos do pé articulam-se para formar três arcos estruturais que, em conjunto com um sistema complexo de ligamentos e num menor grau de músculos, fornecem sustentação interna. Esses arcos (medial, lateral e transverso) contribuem para a força, a estabilida- de, a mobilidade e a elasticidade do pé. Durante a sustentação do peso e outros tipos de carga, os arcos têm a função de absorção do impacto, dissipando energia e impedindo que ela seja transferida do tornozelo para a perna. Nota-se, na Figura 142, que as articulações Claretiano - Centro Universitário 191© U2 - Artrologia do pé incluem a articulação do tornozelo (talocrural), as articulações intertarsais, as tarsometatarsais, as metatarsofalângicas e as inter- falângicas do pé (RASCH, 1991; MIRANDA, 2000). Fonte: SOBOTTA (1995, p. 295). Figura 141 Esqueleto do pé – ossos do tarso, metatarso e falanges. © Cinesiologia192 Figura 142 Articulações do pé e tornozelo. Articulação talocrural Essa articulação compreende as extremidades inferiores da tíbia e da fíbula com a porção superior do tálus. A articulação do tornozelo é formada por três faces articuladas ao tálus, sendo elas: a face superior, que se articula com a face inferior da tíbia; a face lateral, que se articula com a face articular do maléolo fibular; e a face medial, que se articula com a face articular do maléolo tibial. A articulação talocrural é do tipo gínglimo, estabilizada pela cápsula articular e pelos ligamentos colateral medial (deltoide) e colateral lateral. Realiza os movimentos de dorsiflexão e de flexão plantar (MIRANDA, 2000). Articulações intertarsais Miranda (2000) acrescenta que essas articulações envolvem os sete ossos do tarso, representados pelas articulações talocalcâ- nea, talocalcânea-navicular, calcaneocuboide, cuneonavicular, inter- cuneiformes, cuneocuboide e cuboidenavicular. Os movimentos das articulações intertársicas são, basicamente, de deslizamento e de rotação, auxiliando e complementando os movimentos de inversão Claretiano - Centro Universitário 193© U2 - Artrologia e de eversão do pé. Já os elementos de reforço e estabilização das articulações intertársicas são representados pelos ligamentos talo- calcâneo lateral, medial e interósseo, talonavicular, plantar longo, calcâneo cuboide plantar, dorsais e plantares das articulações inter- cuneiformes e das articulações cuboide naviculares. Articulações tarsometatarsais São a união entre os três ossos cuneiformes, o cuboide e a base dos cinco metatarsianos. Esse conjunto de articulações é também denominado "articulação de Lisfranc”. São articulações sinoviais planas, estabilizadas pelos ligamentos tarsometatarsais dorsais e plantares e pelos cuneometatarsais interósseos. Essas articulações realizam discretos movimentos de deslizamento, ex- ceto entre o primeiro cuneiforme e o primeiro osso metatarsal, nos quais pode ocorrer, também, uma ligeira flexão e extensão (MIRANDA, 2000). Articulações metatarsofalângicas Miranda (2000) ainda cita que essas articulações resultam da união entre as cabeças dos metatársicos e as bases das falanges proximais dos dedos. São articulações estabilizadas pelas cápsulas fibrosas, pelos ligamentos plantares, colaterais e metatarsal trans- verso profundo. Apresentam 2º de liberdade de movimento, reali- zando flexão, extensão, abdução e adução. Articulações interfalângicas do pé Miranda (2000) conclui que essas articulações são em dobra- diça, resultantes da união das cabeças das falanges com as bases das falanges adjacentes. Possuem, como elementos de estabiliza- ção, a cápsula articular, os ligamentos plantares e os colaterais ex- terno e interno. Realizam, em alto grau, os movimentos de flexão e de extensão, embora limitados pela ação dos músculos flexores dos dedos. Observe as Figuras 144, 145 e 146. © Cinesiologia194 Figura 143 Ligamentos do pé e tornozelo – vista medial. Figura 144 Ligamentos do pé e tornozelo – vista lateral. Claretiano - Centro Universitário 195© U2 - Artrologia Figuras 145 Mecanismo de trauma mais comum do tornozelo. Figura 146 Movimento de inversão com comprometimento dos feixes do ligamento colateral lateral. Movimentos do tornozelo O tornozelo normal realiza 40º de flexão plantar e 30º de fle- xão dorsal. Os movimentos da articulação talocrural e do pé ainda necessitam ser definidos, porque há diferença de valores entre os autores. “Flexão plantar” é o movimento em direção à face plan- tar do pé, cuja amplitude é, em média, de 50°, sendo efetivado, sobretudo pelos músculos gastrocnêmios e sóleo. A dorsiflexão é o movimento em direção à face dorsal do pé, cuja amplitude é em torno de 20°, nas quais os músculos atuantes são: o tibial anterior, o extensor longo dos dedos e o fibular terceiro. Podemos observar esses movimentos na figura a seguir. Esses movimentos ocorrem no plano sagital. Os termos "fle- xão" e "extensão", aqui, devem ser evitados devido aos conflitos de definição. Funcionalmente, flexão plantar é o mesmo que ex- tensão, partindo do movimento de extensão geral do quadril, do joelho e do tornozelo. Contudo, anatomicamente falando, dorsi- flexão é o mesmo que extensão, significando movimento em dire- ção ao lado extensor do pé, como ilustra a Figura 1 © Cinesiologia196 Dorsiflexão Posição Neutra Plantiflexão Figura 147 Movimentos de dorsiflexão e extensão. Na Figura 148, vemos os movimentos do plano frontal, cha- mados de "inversão" e "eversão". Inversão é a elevação da margem medial do pé ou a rotação nas articulações tarsais. Girando o pé de anterior para medial, a amplitude máxima desse movimento é de 20°. Tal movimento é realizado, principalmente, pelo músculo tibial pos- terior e auxiliado pelos músculos gastrocnêmios, sóleo e flexor longo dos dedos. Já a eversão é o movimento oposto, ou seja, a elevação da margem lateral do pé ou a rotação das articulações tarsais. Girando o antepé para lateral, a amplitude máxima é de 5°. Tal movimento é realizado, principalmente, pelos músculos fibular curto e longo e auxi- liado pelos músculos extensor longo dos dedos e fibular terceiro. Os movimentos no plano transverso são chamados "adução" e "abdução", os quais ocorrem no pé anterior e acompanham a in- versão e a eversão. Já a supinação descreve uma combinação de fle- xão plantar, inversão e adução, e, finalmente, a pronação traduz-se por uma combinação entre a dorsiflexão, a eversão e a abdução. Eversão Inversão Posição Neutra Figura 148 Movimentos de eversão e inversão. Claretiano - Centro Universitário 197© U2 - Artrologia Músculos Segundo Miranda (2000), os movimentos do tornozelo e do pé são realizados pelos músculos extrínsecos e intrínsecos. Os mús- culos extrínsecos inserem-se abaixo do joelho até o pé e realizam movimentos como a plantiflexão, a dorsiflexão, a eversão e a inver- são, além de atuarem na movimentação dos dedos. Os músculos in- trínsecos são os que se originam abaixo da articulação do tornozelo,podendo posicionar-se na planta ou no dorso do pé. Esses músculos desempenham a movimentação dos dedos e são subdivididos em três compartimentos: anterior, posterior e lateral. Os músculos do compartimento anterior, que veremos no Qua- dro 17, também podem ser denominados “músculos pré-tibiais”; são eles: tibial anterior, demonstrado nas Figuras 149 e 150, extensor lon- go do hálux, extensor longo dos dedos e fibular terceiro, os quais são inervados pelo nervo fibular profundo e pela artéria tibial anterior, sendo esta responsável pelo suprimento sanguíneo dessa região. A ação primária desses músculos é realizar a extensão do tornozelo e controlar a redução da flexão plantar do tornozelo excentricamente. Para maior compreensão, observe ainda as Figuras 151, 152 e 153. Quadro 17 Músculos do compartimento anterior que atuam sobre as articulações do pé e do tornozelo. MÚSCULOS DO COMPARTIMENTO ANTERIOR Tibial anterior: dorsiflexão da talocrural e inversão da talocalcânea. Origem: côndilo lateral e face lateral da tíbia. Inserção: osso cuneiforme medial e base do primeiro osso metatarsal. Extensor longo do hálux: estende o hálux e auxilia na dorsiflexão da talocrural e na inversão da talocalcânea. Origem: face anterior da fíbula e membrana interóssea. Inserção: base da falange distal do hálux. Extensor longo dos dedos: dorsiflexão da talocrural e eversão da talocalcânea; estende as metatarsofalângicas e as interfalângicas. Origem: côndilo lateral da tíbia, parte superior da fíbula e membrana interóssea. Inserção: falanges média e distal dos quatro últimos dedos. Fibular terceiro: dorsiflexão da talocrural e eversão da talocalcânea; levanta a margem lateral do pé. Origem: terço inferior da face anterior da fíbula e membrana interóssea. Inserção: base do quinto osso metatarsal. Fonte: arquivo pessoal do autor © Cinesiologia198 Metatársico I Cuneiforme medial Fonte: KENDALL (1987, p. 158). Figuras 149 e 150 Músculo tibial anterior. Fonte: KENDALL (1987, p. 157). Figura 151 e 152 Músculo extensor longo do hálux. Claretiano - Centro Universitário 199© U2 - Artrologia dedos Extensor longo dos Fibular terceiro Galcâneo Ext. curto dos dedos Ext. curto do hálux Ext. curto dedos Ext. longo dedos Ext. longo dos dedos Fibular terceiro Fonte: KENDALL (1987, p. 155). Figura 153 Músculo extensor longo dos dedos. © Cinesiologia200 Os músculos do compartimento posterior estão divididos em dois grupos. O grupo superficial inclui o sóleo e os gastrocnêmios medial e lateral – designados em um conjunto como o tríceps su- ral – além do plantar longo, que poderão ser vistos na Figura 1Os gastrocnêmios e o sóleo são flexores plantares poderosos, enquanto o plantar longo contribui pouco para a função por ser um músculo muito longo e fino, semelhante a um tendão em toda sua extensão. Os músculos do compartimento posterior superficial recebem iner- vação do nervo tibial e suprimento sanguíneo da artéria tibial poste- rior. Observe o Quadro 18, para maior entendimento. Quadro 18 Músculos do compartimento posterior (grupo superfi- cial), que atuam sobre as articulações do pé e tornozelo. MÚSCULOS DO COMPARTIMENTO POSTERIOR (GRUPO SUPERFICIAL) Gastrocnêmio: atua na flexão plantar da talocrural e na inversão talocalcânea; eleva o calcanhar durante a marcha e contribui na flexão do joelho. Origem: face posterior dos côndilos femorais. Inserção: face posterior do calcâneo, através do tendão calcâneo. Sóleo: atua na flexão plantar talocrural e na inversão talocalcânea; estabiliza a perna sobre o pé. Origem: para o músculo solear da tíbia. Inserção: superfície posterior do calcâneo, no tendão do calcâneo. Fonte: arquivo pessoal do autor. O sóleo e o gastrocnêmio formam, juntos, uma unidade funcio- nal, às vezes denominada de tríceps sural. Os estudos realizados coincidem bastante no sentido de afirmar que a força máxima do gastrocnêmio e sóleo pode exercer um esforço voluntário de, apro- ximadamente, 450 kg (RASCH; BURKE, 1977, p. 375). Claretiano - Centro Universitário 201© U2 - Artrologia Figura 154 Músculos gastrocnêmio e sóleo. Os músculos do compartimento posterior profundo são o flexor longo do hálux, o flexor longo dos dedos, o tibial posterior e o plopíteo, que atua na articulação do joelho, descritos no Quadro 19 e ilustrados nas Figuras 155, 156 e 1Cada músculo está cruzado com cada articulação do tornozelo. Esses músculos também são inervados pelo nervo tibial e recebem suprimento sanguíneo da artéria tibial posterior, contribuem para a flexão plantar e estão lo- calizados posteriormente. Todavia, a principal ação do flexor longo do hálux e do flexor longo dos dedos é realizar a flexão do hálux e dos quatro dedos laterais, respectivamente. © Cinesiologia202 Quadro 19 Músculos do compartimento posterior (grupo profundo) que atuam sobre as articulações do pé e do tornozelo. MÚSCULOS DO COMPARTIMENTO POSTERIOR (GRUPO PROFUNDO) Flexor longo do hálux: promove a flexão do hálux; auxilia na flexão plantar da talocrural e na adução da talocalcânea; auxilia na inversão do pé e sustenta o arco longitudinal do pé. Origem: parte inferior da face posterior da fíbula e parte inferior da membrana interóssea. Inserção: base da falange distal do hálux. Flexor longo dos dedos: flete as quatro últimas metatarsofalângicas e inerfalângicas; atua na flexão plantar; auxilia na inversão talocalcânea; sustenta o arco longitudinal do pé e participa na adução talocalcânea. Origem: face posterior da tíbia, abaixo da linha do músculo solear. Inserção: nas falanges distais dos quatro últimos dedos. Tibial posterior: potente inversor da talocalcânea; auxilia na flexão plantar talocrural e eleva a margem medial do pé. Origem: face posterior da tíbia e fíbula, e membrana interóssea. Inserção: na tuberosidade do osso navicular nos ossos cuneiformes e na base dos ossos metatarsais. Fonte: arquivo pessoal do autor. Figura 155 Músculo flexor longo do hálux. Figura 156 Músculo flexor longo dos dedos. Claretiano - Centro Universitário 203© U2 - Artrologia Figura 157 Músculo tibial posterior. O compartimento lateral contém os músculos responsáveis pela realização da eversão do tornozelo. Esses músculos consis- tem nos fibulares longo e curto, como nos mostra as Figuras 158 e 1Como num grupo, o nervo fibular superficial fornece o supri- mento primário, bem como a artéria fibular. Uma lesão no nervo fíbular comum, antes da sua decisão nos componentes fibulares superficial e profundo, logo abaixo da cabeça da fíbula, resultará na incapacidade dos flexores dorsais e dos eversores do tornozelo de realizarem suas funções. Essa condição é denominada “pé em gota” ou “pé caído”. © Cinesiologia204 Quadro 20 Músculos do compartimento lateral que atuam sobre as articulações do pé e do tornozelo. MÚSCULOS DO COMPARTIMENTO LATERAL Fibular longo: eversão da talocalcânea; auxilia na flexão plantar, eleva a margem lateral do pé, abaixa a margem medial e participa na abdução. Origem: cabeça da fíbula. Inserção: base do primeiro osso metatarsal e primeiro cuneiforme. Fibular curto: eversão da talocalcânea; auxilia na flexão plantar e eleva a margem lateral do pé. Origem: parte inferior da face lateral da fíbula. Inserção: base do quinto metatarsal. Fonte: arquivo pessoal do autor. Figura 158 Músculo fibular longo. Figura 159 Músculo fibular curto. Claretiano - Centro Universitário 205© U2 - Artrologia Segundo Miranda (2000), os músculos do pé são distribuídos em quatro regiões: dorsal do pé (Figura 160), plantar medial, plan- tar lateral e plantar central. Os músculos intrínsecos localizados no dorso do pé são os extensores curtos dos dedos e do hálux, sendo responsáveis pela extensão do primeiro ao quinto dedos. Os mús- culos intrínsecos da região plantar medial são: o abdutor do hálux, o flexor curto do hálux e o adutor do hálux. A região plantar lateral é formada pelos músculos abdutor do dedo mínimo,flexor curto do dedo mínimo e oponente do dedo mínimo; já a região plantar central é formada pelos músculos flexor curto dos dedos, quadra- do plantar, quatro lumbricais, três interósseos plantares e quatro interósseos dorsais. Rasch (1991) afirma que, apesar do agrupamento anatômi- co, os músculos dos três grupos da região plantar são mais fre- quentemente classificados por suas camadas, que são evidentes durante uma dissecção desde a primeira até a quarta camada. A camada mais superficial (primeira, ilustrada na Figura 161) é formada pelos músculos abdutor do hálux, flexor curto dos de- dos e abdutor do dedo mínimo, os quais se originam, todos, do calcâneo. A segunda camada (Figura 162) compõe-se do quadrado plantar e dos lumbricais. O quadrado plantar insere-se no tendão do flexor longo dos dedos, auxiliando esse músculo no movimento de flexão e alterando sua linha de tração para aproximá-lo do eixo longitudinal do pé. A terceira camada (Figura 163) é constituída pelo flexor curto do hálux, pelo flexor curto do dedo mínimo e pelo adutor do hálux. A quarta camada (Figura 164)consiste nos músculos interósseos dorsais e nos plantares. Os interósseos dorsais abduzem os dedos e ajudam a fletir a falange proximal e a estender as falanges dis- tais. Os interósseos plantares aduzem do terceiro ao quinto dedos, fletem a falange proximal e estendem as distais. © Cinesiologia206 Figura 160 Músculos da região dorsal do pé. Figura 161 Músculos da região plantar do pé (camada I). Claretiano - Centro Universitário 207© U2 - Artrologia Figura 162 Músculos da região plantar do pé (camada II). Figura 163 Músculos da região plantar do pé (camada III). © Cinesiologia208 Figura 164 Músculos da região plantar do pé (camada IV). 8. COLUNA VERTEBRAL O movimento dos membros superiores e dos membros in- feriores, em qualquer atividade, provoca a transmissão de forças à coluna vertebral que, por sua vez, fornece sustentação para a postura ereta, protege a medula espinhal e é local para a fixação de músculos, além de transferir e atenuar cargas da cabeça e do tronco para os membros inferiores e vice-versa. Na Figura 165, veremos que a coluna vertebral é composta por 33 vértebras, das quais 24 se unem para formar uma coluna flexível. Possui três curvaturas fisiológicas: torácica ou curvatura primária (presente já ao nascimento), lombar ou curvatura secun- dária, que se desenvolve em resposta às forças exercidas sobre os corpos dos lactentes quando estes começam a sustentar a cabeça e a se sentar, e a cervical, ilustradas também na Figura 1 Claretiano - Centro Universitário 209© U2 - Artrologia Figura 165 Coluna vertebral. Figura 166 Curvaturas fisiológicas da coluna vertebral. © Cinesiologia210 Segundo Miranda (2000), a sustentação e a proteção da co- luna vertebral são realizadas, em parte, pelas estruturas articu- lares, as quais apresentam dois tipos de articulações. As sínfeses cartilagíneas, encontradas ao longo da coluna vertebral do áxis ao sacro, são formadas por discos fibrocartilaginosos que se in- terpõem entre os corpos de vértebras adjacentes (Figura 167). As principais funções do disco são amortecer choques, igualar ten- sões, promover o deslocamento de uma vértebra sobre a outra e unir dois corpos vertebrais adjacentes. Vale ressaltar que esses discos fibrocartilaginosos degeneram-se com a idade. Figura 167 O disco fibrocartilaginoso intervertebral. Miranda (2000) e Rasch (1991) mencionam que a forma do disco está relacionada com os corpos vertebrais que por ele são se- parados e que a sua espessura varia com sua localização na coluna e entre as diferentes seções do mesmo disco. Na região torácica, os discos têm uma espessura quase uniforme, enquanto nas áre- as cervical e lombar são mais espessos na frente, o que contribui para as curvaturas fisiológicas da coluna vertebral. As espessuras dos discos variam de acordo com a sua região, sendo que a lombar possui 9 mm, a torácica 5 mm e a cervical 3 mm. Atribui-se, aos discos, 25% do comprimento da coluna vertebral. Miranda (2000) ainda afirma que o disco é composto por duas partes funcionais. Observe a Figura 168: Claretiano - Centro Universitário 211© U2 - Artrologia • Parte periférica ou anel fibroso: é a parede do disco for- mada por uma malha fibroelástica que envolve o núcleo pulposo. • Parte central ou núcleo pulposo: material gelatinoso, transparente, composto por até 90% de água e colágeno. Figura 168 As divisões funcionais do disco intervertebral (1 – anel fibroso; 2 – núcleo pulposo). Durante o movimento de flexão da coluna vertebral, o nú- cleo pulposo projeta-se anteriormente e o anel fibroso sofre com- pressão anterior e tração posterior. Já no movimento de extensão, o núcleo pulposo projeta-se anteriormente e o anel fibroso sofre compressão posterior e tração anterior. Nas inclinações laterais ou na flexão lateral, o núcleo pulpo- so projeta-se para o lado oposto da inclinação e o anel fibroso é comprimido no lado côncavo da curvatura e tracionado no lado convexo da curvatura. Durante as rotações, o núcleo pulposo so- fre uma forte compressão e o aumento da pressão intranuclear proporcional ao grau de rotação. Já no anel fibroso, há tensão nas fibras orientadas na direção da rotação e menos tensão nas fibras orientadas na direção oposta (MIRANDA, 2000). © Cinesiologia212 INFORMAÇÃO: As rotações promovem aumento na pressão intradiscal, estreitam o espaço articular e criam uma força de atrito no plano horizontal de ro- tação. Isto faz com que o disco seja mais susceptível à lesão quando ocorre a transição da rotação de um sentido para o sentido oposto. A hérnia de disco, demonstrada na Figura 169, ocorre quando o anel fibroso não mais possui resistência suficiente para manter a forma do disco. Pode ocorrer o extravasamento posterior, com a com- pressão da medula espinhal, ou o extravasamento lateral, com a com- pressão das raízes nervosas que emergem do forame de conjugação. Figura 169 Hérnia de disco. Rasch (1991) apresenta-nos o segundo tipo de articulação da coluna vertebral: a articulação sinovial encontrada entre os proces- sos articulares de vértebras adjacentes. A flexibilidade da coluna está diretamente relacionada à orientação dessas articulações umas com as outras, sendo que a orientação muda de região para região. Claretiano - Centro Universitário 213© U2 - Artrologia A sustentação ligamentosa da coluna vertebral provém de seis estruturas, demonstradas na Figura 1Três desses ligamentos são como bandas contínuas, que vão do occipital ao sacro. O liga- mento longitudinal anterior, à frente dos corpos vertebrais, é um freio para a extensão da coluna; já o ligamento longitudinal poste- rior, situado exatamente atrás dos corpos vertebrais, e o ligamento supraespinhal, situado atrás das espinhas, são freios para a flexão da coluna vertebral. Durante a flexão, o ligamento longitudinal posterior recebe uma pressão do núcleo distal (CALAIS-GERMAIN, 1992). Figura 170 Ligamentos da coluna vertebral. Os demais ligamentos são descontínuos. Entre duas lâminas, por exemplo, está o ligamento elástico flavo ou amarelo, cujas ex- tensibilidade e elasticidade permitem a separação das lâminas du- rante a flexão da coluna vertebral; entre duas espinhas se encontra o ligamento interespinhal, que conecta os processos espinhosos © Cinesiologia214 adjacentes; e, finalmente, entre dois processos transversos super- postos, se encontram os ligamentos intertransversários, cujas in- clinações laterais da coluna vertebral os colocam sob tensão do lado convexo (RASCH, 1991; CALAIS-GERMAIN, 1992). Articulações da coluna vertebral Segundo Miranda (2000), as articulações da coluna vertebral dividem-se em: 1) Intervertebrais: articulações dos corpos vertebrais (Fi- gura 172), articulações dos arcos vertebrais, articulaçõesatlantoaxiais (Figura 171), articulações lombosacrais e articulações sacrococcígeas. 2) Costovertebrais: articulações das cabeças das costelas, articulações costotransversárias (Figura 173). 3) Craniovertebral ou atlantoccipital. 4) Articulação sacroilíaca. Figura 171 Articulação atlantoaxial. Claretiano - Centro Universitário 215© U2 - Artrologia Figura 172 Articulações entre os corpos vertebrais. Figura 173 Articulações costovertebrais. © Cinesiologia216 Movimentos da coluna vertebral Graças à mobilidade da coluna vertebral, o tronco pode efetuar movimentos nos três planos: flexão (cervical 45o, lombar 75o-95o) e extensão (cervical 60o, lombar 35o), inclinação lateral (cervical 45o, lombar 40o) e rotação (cervical 80o). Dependendo de alguns fatores que variam segundo a região, esses movimentos não têm a mesma amplitude em todos os níveis vertebrais, como, por exemplo, a forma das vértebras, a altura dos discos em relação à altura dos corpos e a presença de costelas. Calais-Germain (1992) menciona que esses movimentos, como a flexão do quadril sem a flexão do tronco, devem ser dife- renciados daqueles que movimentam o tronco em bloco sobre os quadris e podem ser alcançados pelos movimentos dos membros, como, por exemplo, a abdução do braço, que leva o tronco a uma inclinação lateral. O tronco também pode ser o local em que se inicia os movimentos de translação. Apesar da frequência mínima de incidência, nos movimentos para frente, para trás e para os la- dos ocorre o deslizamento das vértebras, mas a somatória de cada articulação existente entre essas vértebras permite uma certa am- plitude. Na flexão da coluna, os processos articulares superiores des- lizam sobre os inferiores para cima e para frente. O disco é pinçado anteriormente, e o núcleo pulposo desloca-se um pouco para trás. As lâminas e as espinhas separam-se e os ligamentos posteriores são colocados sob tensão. Na extensão, ocorre o contrário, pois os processos articula- res estão fortemente contatados, chegando a comprimirem-se. O disco é pinçado posteriormente, e o núcleo desloca-se um pouco para frente. Já as espinhas e as lâminas aproximam-se e todos os ligamentos posteriores se afrouxam, colocando o ligamento longi- tudinal anterior sob tensão. Nas inclinações laterais, o disco é pinçado do lado côncavo e o núcleo desloca-se para o lado convexo. No lado convexo, há a Claretiano - Centro Universitário 217© U2 - Artrologia separação entre os processos articulares, que deslizam de maneira divergente. Os ligamentos estão tensionados no lado convexo, sen- do que, nas rotações, as fibras do disco se torcem e, devido a essa torção, dois efeitos são produzidos simultaneamente: a tensão das fibras colágenas e a diminuição da altura do disco, ocorrendo a compressão do núcleo pulposo. Nesse caso, todos os ligamentos estão tensionados (CALAIS-GERMAIN, 1992). Músculos da coluna vertebral Rasch (1991) afirma que os músculos atuantes na coluna ver- tebral podem ser divididos em dois grupos: anterior e posterior. Os músculos anteriores e posteriores existem em pares, porém, tra- balham de modo independente. Os anteriores realizam a flexão da coluna vertebral, enquanto que os extensores realizam sua exten- são. Podemos, ainda, subdividir cada grupo, considerando a região que os músculos atuam. Segundo Miranda (2000), os músculos da região anterior e cervical são: reto anterior da cabeça, reto lateral da cabeça, longo da cabeça, longo do pescoço, hioides, esternocleidomastoideo e escalenos; já na região toracolombar, encontram-se os músculos retos abdominais oblíquos externo, interno e transverso do abdo- me, o iliopsoas e o quadrado lombar. Para se contextualizar, obser- ve os Quadros 21, 22, 23 e 24 e as Figuras 174 e 175 que abordam os músculos da coluna vertebral. Quadro 21 Músculos da coluna vertebral – região anterior cervical (Figura 175). MÚSCULOS DA COLUNA VERTEBRAL Reto anterior da cabeça: flexiona a cabeça. Origem: no processo transverso do atlas. Inserção: superfície inferior do occipital anterior ao forame magno. Reto lateral da cabeça: flexiona a cabeça lateralmente. Origem: no processo transverso do atlas. © Cinesiologia218 MÚSCULOS DA COLUNA VERTEBRAL Inserção: processo jugular do occipital. Longo da cabeça: flexiona a cabeça sobre a coluna vertebral e a coluna cervical. Origem: nos processos transversos das vértebras cervicais (de III a VI). Inserção: parte basilar do osso occipital. Longo do pescoço: flexiona, bilateralmente, a coluna cervical; promove, unilateralmente, uma flexão lateral para o mesmo lado; desempenha papel importante na retificação da lordose cervical e equilibra a coluna cervical em condições posturais. Origem: corpo das vértebras torácicas superiores, corpo das vértebras cervicais inferiores e processos transversos das vértebras cervicais superiores. Inserção: corpo das vértebras cervicais superiores, processos transversos das vértebras cervicais e arco anterior do atlas. Esternocleidomastoideo: bilateralmente, é flexor da cabeça e da coluna cervical contra resistência; unilateralmente, faz flexão lateral da cabeça e da coluna para o mesmo lado e determina a rotação da cabeça e da coluna para o lado oposto da contração; estando o ponto fixo na cabeça, promove a elevação do esterno e da parte esternal da clavícula. Origem: no processo mastoide do temporal e na linha nucal. Inserção: a cabeça esternal prende-se na parte alta da face anterior do manúbrio do esterno e a cabeça clavicular nas faces superior e posterior da extremidade medial da clavícula. Escalenos anterior, médio e posterior: sustentam e elevam as duas primeiras costelas, produzem uma rotação na coluna cervical para o lado oposto da contração; estando o ponto fixo nas costelas, fazem a flexão da coluna cervical sobre a coluna torácica; unilateralmente, flexionam a coluna cervical para o mesmo lado. Na coluna cervical, não estando rígida pela contração dos músculos longos do pescoço, podem promover um aumento de lordose cervical. Hioides: dois grupos de músculos relacionam-se ao osso hioide: os supra-hioides e os infra-hioides. A localização desses músculos apresenta uma importante função na flexão da cabeça. Fonte: arquivo pessoal do autor. Quadro 22 Músculos da coluna vertebral – região toracolombar (Figura 175). MÚSCULOS DA COLUNA VERTEBRAL – REGIÃO ANTERIOR TORACOLOMBAR Reto abdominal: estando fixo o ponto de apoio no púbis, atua como um potente flexor da coluna vertebral torácica; estando fixo o ponto nas costelas e no processo xifoide, promove uma retroversão na pelve e a flexão lateral para o mesmo lado. Origem: face lateral das cartilagens costais da quinta a sétima e processo xifoide. Inserção: crista do púbis. Claretiano - Centro Universitário 219© U2 - Artrologia MÚSCULOS DA COLUNA VERTEBRAL – REGIÃO ANTERIOR TORACOLOMBAR Oblíquo externo do abdome: bilateralmente, flexiona a coluna aplicando força na inserção proximal; estando a pelve fixa, promove a rotação do tronco para o lado oposto da contração; com o tronco fixo, executa a rotação da pelve para o mesmo lado; unilateralmente, flexiona lateralmente a coluna para o mesmo lado e, estando o ponto fixo nas costelas, promove a retroversão da pelve. Origem: na face lateral das sete últimas costelas. Inserção: linha alba, crista ilíaca, ligamento inguinal e púbis. Oblíquo interno do abdome: bilateralmente, resulta na flexão da coluna vertebral; unilateralmente, promove uma flexão lateral da coluna para o mesmo lado; a pelve estando fixa, executa a rotação do tronco para o mesmo lado e, estando o tronco fixo, executa a rotação da pelve para o lado oposto. Origem: fáscia toracolombar e margem superior da crista ilíaca. Inserção: margem inferior das três últimas costelas. Transverso do abdome: não contribui para a mecânica da coluna vertebral; sua principal ação é comprimir e suportar as vísceras abdominais.Iliopsoas: executa a inclinação lateral da coluna para o mesmo lado; faz a rotação da coluna para o lado oposto da contração, a flexão da coluna toracolombar sobre a pelve e a flexão e a adução do quadril. Origem: face anterior do processo transverso e de todas as vértebras lombares, face lateral do corpo vertebral, disco intervertebral da décima segunda vértebra torácica e de todas as vértebras lombares; dois terços superiores da fossa ilíaca, lábio interno da crista ilíaca, ligamentos sacroilíaco anterior e iliolombar. Inserção: trocânter menor do fêmur; face lateral do tendão do músculo psoas maior alcançando algumas fibras do trocânter menor. Quadrado lombar: flexão lateral do tronco para o mesmo lado; elevação da pelve para o mesmo lado da contração; báscula anterior da pelve; a contração bilateral produz a extensão do tronco. Origem: ligamento iliolombar e face posterior do lábio interno da crista ilíaca adjacente. Inserção: margem inferior da 12ª costela e face anterolateral do processo transverso de todas as vértebras lombares. Fonte: arquivo pessoal do autor. Para Miranda (2000), no grupo posterior da região cervical, apresentam-se os músculos trapézio, esplênio da cabeça, esplênio do pescoço e eretores da espinha. Na região toracolombar, encon- tram-se os músculos do complexo transverso-espinhal (semiespi- nhal, multifidos e rotadores), interespinhais e intertransversários. © Cinesiologia220 Quadro 23 Músculos da coluna vertebral – região posterior cervi- cal (Figura 174). MÚSCULOS DA COLUNA VERTEBRAL – REGIÃO POSTERIOR CERVICAL Trapézio: elevação e adução da escápula. Origem: processos espinhosos da C4 a C7 e de T1 a T12. Inserção: terço externo da borda posterior da clavícula, borda interna da espinha da escápula e acrômio. Esplênio da cabeça: unilateralmente, produz a flexão lateral da cabeça e do pescoço para o mesmo lado, extensão da cabeça sobre a coluna cervical; extensão da coluna cervical; rotação da cabeça e do pescoço para o mesmo lado da contração. Origem: processo mastoideo. Inserção: sobe, lateralmente, como grossa lâmina, e divide-se em partes para a cabeça e o pescoço; ligamento nucal e processos espinhosos de C7 a T6. Esplênio do pescoço: unilateralmente, produz a flexão lateral da cabeça e do pescoço para o mesmo lado, extensão da cabeça sobre a coluna cervical; extensão da coluna cervical; rotação da cabeça e do pescoço para o mesmo lado da contração. Origem: nos processos transversos das três primeiras vértebras cervicais. Inserção: sobe, lateralmente, como grossa lâmina, e se divide em partes para a cabeça e o pescoço; ligamento nucal e processos espinhosos de C7 a T6. Suboccipitais: são os motores da cabeça sobre a coluna cervical, ou seja, os discretos movimentos de pequenas amplitudes, quase automáticos, que seguem os movimentos do globo ocular. Deles fazem parte os músculos reto posterior maior da cabeça, reto posterior menor da cabeça, oblíquo superior da cabeça e oblíquo inferior da cabeça Eretores da espinha: músculos iliocostal, longuíssimo e espinal; suas principais funções são as de extensão e hiperextensão da coluna vertebral; unilateralmente, fazem a flexão lateral da coluna vertebral e a contração unilateral executa a rotação para o mesmo lado. Fonte: arquivo pessoal do autor. Quadro 24 Músculos da coluna vertebral – região posterior tora- colombar (Figura 174). MÚSCULOS DA COLUNA VERTEBRAL – REGIÃO POSTERIOR TORACOLOMBAR Semiespinhal: compreende três grupos musculares: o semiespinal do tórax, o semiespinal do pescoço e o semiespinal da cabeça, que realizam a extensão e a hiperextensão da coluna vertebral, a flexão lateral da coluna e a rotação para o lado oposto. Multifido: faz a extensão da coluna cervical, a flexão lateral para o mesmo lado e a rotação do tronco para o lado oposto. Tem função estabilizadora e postural. Origem: sacro, crista ilíaca, processos transversos das vértebras lombares e torácicas e processos transversos e articulares da quarta a sétima vértebra cervical. Claretiano - Centro Universitário 221© U2 - Artrologia MÚSCULOS DA COLUNA VERTEBRAL – REGIÃO POSTERIOR TORACOLOMBAR Inserção: nos processos espinhais de todas as vértebras da coluna, exceto o atlas. Rotadores: extensão e hiperextensão da coluna vertebral, flexão lateral para o mesmo lado e rotação da coluna para o lado oposto. Origem: processos transversos das vértebras. Inserção: processo espinhoso da vértebra, situada acima. Interespinhais: extensão e hiperextensão da coluna vertebral. Origem: processo espinhoso da vértebra supra-adjacente. Inserção: processo espinhoso da vértebra infra-adjacente. Intertransversário: bilateralmente, faz a extensão da coluna vertebral; unilateralmente, faz a flexão lateral da coluna vertebral. Origem: processo transverso. Inserção: na margem inferior do processo transverso da vértebra acima e na margem superior do processo transverso da vértebra que está abaixo. Fonte: arquivo pessoal do autor. Fonte: NETTER (2004, p. 167). Figura 174 Músculos dorsais do tronco. © Cinesiologia222 Fonte: NETTER (2004, p. 182). Figura 175 Músculos ventrais do tronco. 9. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS Vamos verificar como você aproveitou esta unidade. Tente responder as seguintes questões para si mesmo. 1) Considerando os graus de movimentos, qual é a classi- ficação funcional das articulações? Dê um exemplo de cada. 2) Considerando o grau de mobilidade, como podem ser classificadas as articulações do ombro, do cotovelo, do punho, do quadril, do joelho e do tornozelo? Qual são os tipos de cada uma dessas articulações? 3) Quais são as articulações que compõem o complexo ar- ticular da cintura escapular? 4) Quais são os motores principais dos movimentos do om- bro considerando as articulações da cintura escapular? Claretiano - Centro Universitário 223© U2 - Artrologia 5) Quais são as articulações que compõem o complexo ar- ticular do cotovelo? 6) Quais são os motores principais dos movimentos do co- tovelo? 7) Quais são as articulações que compõem o complexo ar- ticular do punho? 8) Quais são os motores principais dos movimentos do punho? 9) Quais são as articulações que compõem a mão? 10) Quais são os motores principais dos movimentos dos dedos? 11) Quais são as articulações que compõem o complexo ar- ticular da cintura pélvica? 12) Quais são os motores principais dos movimentos do quadril? 13) Quais são as articulações que compõem o complexo ar- ticular do joelho? 14) Quais são os motores principais dos movimentos do joelho? 15) Quais são os principais ligamentos dos joelhos e qual são as funções de cada um? 16) Quais são as articulações que compõem o complexo ar- ticular do tornozelo? 17) Quais são os motores principais dos movimentos do tor- nozelo? 18) Quais são as articulações que compõem o pé? 19) Quais são os motores principais dos movimentos dos de- dos dos pés extrínsecos? 20) Quais são as articulações que compõem a coluna vertebral? 21) Quais são os motores principais dos movimentos da co- luna vertebral? 10. CONSIDERAÇÕES Nesta unidade, estudamos, segmentarmente, o corpo hu- mano, abordando as estruturas importantes para a função mo- tora. Abordamos os conceitos de Artrologia com uma explanação suficiente para o entendimento da Cinesiologia. © Cinesiologia224 Inicialmente, revemos alguns conceitos da artrologia fun- cional relembrando os componentes importantes das diferentes articulações. Em seguida, estudamos as articulações de cada seg- mento do corpo humano, ou seja, membros superiores, membros inferiores e tronco. Abordamos cada possibilidade de movimento osteocinemático e artrocinemático e, também, a aplicação desses conceitos em sua prática profissional. Por fim, estudamos os músculos que atuam sobre as arti- culações do tronco e dos membros inferiores e superiores. Ana- lisamos como os músculos estão posicionados em relação a cada articulação, conhecendo suasorigens e inserções, como também qual a influência que esses músculos podem oferecer às articula- ções por meio dos movimentos corporais. O entendimento da Cinesiologia é fundamental para a atua- ção do profissional da Educação Física, pois este trabalha os movi- mentos corporais para a prática física durante o lazer, os jogos, as brincadeiras e, até mesmo, para a prática de esportes. Aproveite esta oportunidade para aprimorar seus conheci- mentos e lembre-se de fazer a leitura das bibliografias sugeridas e tirar suas dúvidas com o tutor. 11. E-REFERÊNCIAS Lista de figuras Figura 1 – Suturas do crânio: disponível em: <http://www.auladeanatomia.com/arrologia/ craniosutura.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 2 – Sínfise pubiana: disponível em: <http://www.auladeanatomia.com/artrologia/ cartilaginosas.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 4 – Articulação do joelho, com ligamentos cruzados anterior, posterior e meniscos medial e lateral: disponível em: <http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/ fisioterapia/traumato/lca/lca3.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 5 – Exemplo de articulação plana: disponível em: <http://www.my-personaltrainer. it/fisiologia/articolazioni.html>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 6 – Exemplo de articulação gínglimo: disponível em: <http://www.my- personaltrainer.it/fisiologia/articolazioni.html>. Acesso em: 24 maio 2010. Claretiano - Centro Universitário 225© U2 - Artrologia Figura 7 – Exemplo de articulação trocoide: disponível em: <http://www.my- personaltrainer.it/fisiologia/articolazioni.html>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 8 – Exemplo de articulação selar: disponível em: <http://www.my-personaltrainer. it/fisiologia/articolazioni.html>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 9 – Exemplo de articulação condilar: disponível em: <http://www.my- personaltrainer.it/fisiologia/articolazioni.html>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 10 – Exemplo de articulação esferoide: disponível em: <http://www.my- personaltrainer.it/fisiologia/articolazioni.html>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 13 – Articulações do ombro (1 – acromioclavicular; 2 – subacromial; 3 – glenoumeral): disponível em: <http://www.clinicadeckers.com.br/imagens/ orientacoes/096_articulacao_ombro.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 22 – Ligamentos acromioclavicular e coracoclaviculares podem se romper: disponível em <http://www.milton.com.br/esporte/casos/images/46/ac_dislocation. jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 23 – Anatomia do espaço subacromial: disponível em: <http://www.frrb.com.br/ fotos/man3.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 24 – Síndrome do Impacto: disponível em: <http://www.eduardoclemente.com. br/impacto.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 26 – Ligamentos do ombro: disponível em: <http://www.auladeanatomia.com/ artrologia/ombro1.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 57 – Ligamentos do cotovelo: disponível em: <http://www.auladeanatomia.com/ artrologia/cotovelo2.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 58 – Cápsula e ligamentos do cotovelo – vista anterior: disponível em: <http:// www.auladeanatomia.com/artrologia/cotovelo2.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 69 – Arco de movimento do cotovelo – flexão e extensão: disponível em: <http:// www.clinicadeckers.com.br/html/orientacoes/ortopedia/035_epicondilite_lateral. html>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 70 – Ângulo mais eficaz para flexores é em 90º: disponível em: <http://www. efdeportes.com/efd85/exerc.htm>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 71 – Posturas e atividades repetidas por períodos prolongados podem provocar LER ou DORT: disponível em: <http://rodolfoparreira.files.wordpress.com/2009/04/ tendinites2.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 90 – O epicôndilo lateral origem dos extensores é um local de alteração (B) por esforço no trabalho ou esporte: disponível em: <http://www.clinicadeckers.com.br/ imagens/orientacoes/35_epicondilite_lateral.jpg>. Acesso em 24 maio 2010 Figura 91 – O epicôndilo lateral origem dos extensores é um local de alteração (B) por esforço no trabalho ou esporte: disponível em: <http://www.wgate.com.br/conteudo/ medicinaesaude/fisioterapia/reumato/images/cotov_tenista.jpg>. Acesso em: 24 maio 20 Figura 102 – Articulação do quadril: disponível em: <http://www.sogab.com.br/ anatomia/quadril3.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 115 – Coxa vara e coxa valga: disponível em: <http://www.healthhype.com/wp- content/uploads/FemurAngles.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. © Cinesiologia226 Figura 116 – Hiperlordose lombar: disponível em: <http://www.oreeducador.com.br/ Images/Posturas.gif>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 117 – Músculos flexores do quadril – Psoas e ilíaco: disponível em: <http://www. sogab.com.br/anatomia/iliopsoas.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 118 – Músculo reto femoral: disponível em: <http://sentirbem.uol.com.br/ images/quadri1.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 119 – Vista posterior do membro inferior. Músculos extensores do quadril: disponível em: <http://www.anatomiaonline.com/miologia/inferior4.jpg>. Acesso em: 24 maio. 2010. Figura 120 – Músculos adutores do quadril: disponível em: <http://www.anatomiaonline. com/miologia/inferior5.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 121 – Vista posterior do membro inferior com destaque para os músculos abdutores do quadril, glúteos médio e mínimo: disponível em: <http://www. anatomiaonline.com/miologia/inferior3.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 122 – Vista anterior do membro inferior com destaque para os músculos abdutores do quadril, sartório e tensor da fáscia lata: disponível em: <http://www. anatomiaonline.com/miologia/inferior7.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 142 - Articulações do pé e tornozelo: disponível em: modificada de <http://2. bp.blogspot.com/_XbT5CFVQAXs/SrPvQoXqNvI/AAAAAAAABNE/CRZdMW9RIUY/s320/ ossos+do+p%C3%A9.jpg>. Acesso em: 24 maio 20 Figura 143 – Ligamentos do pé e tornozelo – vista medial: disponível em: <http://www. auladeanatomia.com/artrologia/pe1.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 144 – Ligamentos do pé e tornozelo – vista lateral: disponível em: <http://www. auladeanatomia.com/artrologia/pe2.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 145 – Mecanismo de trauma mais comum do tornozelo.: disponível em: <http:// afarias.blog.br/wp/images/Porquetorcemosop_DC84/torcendoop_thumb.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 146 – Movimento de inversão com comprometimento dos feixes do ligamento colateral lateral: disponível em: <http://www.bailavc.com.br/wp-content/uploads/2009/03/ estiramento_01.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 147 – Movimentos de dorsiflexão e extensão: disponível em: <http://www. efdeportes.com/efd120/tenorrafia01.gif>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 148 – Movimentos de eversão e inversão: disponível em: <http://www.efdeportes. com/efd120/tenorrafia01.gif>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 154 - Músculos gastrocnêmio e sóleo: disponível em: <http://www.anatomiaonline. com/miologia/inferior4.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 155 – Músculo flexor longo do hálux: disponível em: Modificado de <http://www. fisionet.com.br/upload/galerias/74.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 156 – Músculo flexor longo dos dedos: disponível em: modificado de <http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.anatomiahumana.ucv.cl/ kine1/fotos1/228.jpg&imgrefurl=http://www.anatomiahumana.ucv.cl/efi/modulo17. html&usg=__JKHD0_UKzEFsrI3iyDhg85UO7HI=&h=467&w=202&sz=28&hl=pt- BR&start=12&um=1&tbnid=Xd_StkWMKgLh5M:&tbnh=128&tbnw=55&prev=/images% Claretiano - Centro Universitário 227© U2 - Artrologia 3Fq%3Dflexor%2Blongo%2Bdos%2Bdedos%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG%26um%3D1>. Acesso em: 24 maio. 2010. Figura 157 – Músculo tibial posterior: disponível em: <http://3.bp.blogspot.com/__ VfCJNgsxK4/Sd0k5TdtI/AAAAAAAAAAU/WHD7Gwtd71s/s320/tibial+posterior.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 158 – Músculo fibular longo: disponível em: <http://www.auladeanatomia.com/ sistemamuscular/fibularlongo.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 159– Músculo fibular curto: disponível em: <http://www.auladeanatomia.com/ sistemamuscular/fibularcurto.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 160 – Músculos da região dorsal do pé: disponível em: <http://www. anatomiaonline.com/miologia/inferior11.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 161 – Músculos da região plantar do pé (camada I): disponível em: <http://www. anatomiaonline.com/miologia/inferior12.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 162 – Músculos da região plantar do pé (camada II): disponível em: <http://www. anatomiaonline.com/miologia/inferior13.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 163 – Músculos da região plantar do pé (camada III): disponível em: <http:// www.anatomiaonline.com/miologia/inferior14.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 164 – Músculos da região plantar do pé (camada IV): disponível em: <http:// www.anatomiaonline.com/miologia/inferior15.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 165 – Coluna vertebral: disponível em: <http://adoratual.files.wordpress. com/2009/06/coluna-vertebral.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 166 – Curvaturas fisiológicas da coluna vertebral: disponível em: <http://www. drgilberto.com/coluna.gif>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 167 – O disco fibrocartilaginoso intervertebral: disponível em: <http://www. colunars.com.br/images/coluna_2_01.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 168 – As divisões funcionais do disco intervertebral (1 – anel fibroso; 2 – Núcleo pulposo): disponível em: <http://www.brazzini.com.pe/images/discointervert1.gif>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 169 – Hérnia de disco: disponível em: <http://www.monografias.com/trabajos16/ hernia-cervical/Image6690.gif>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 170 – Ligamentos da coluna vertebral: disponível em: <http://www. auladeanatomia.com/artrologia/coluna6.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 171 – Articulação atlantoaxial: disponível em: <http://www.auladeanatomia. com/artrologia/coluna1.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 172 – Articulações entre os corpos vertebrais: disponível em: <http://www. auladeanatomia.com/artrologia/coluna9.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. Figura 173 – Articulações costovertebrais: disponível em: <http://www.auladeanatomia. com/artrologia/coluna12.jpg>. Acesso em: 24 maio 2010. 12. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CALAIS-GERMAIN, B. Anatomia para o movimento. São Paulo: Manole, 1992. COHEN, M. Lesões nos esportes: diagnóstico, prevenção, tratamento. Rio de Janeiro: Revinter, 2003/20 © Cinesiologia228 DRAKE, R. L.; VOGL, W.; MITCHELL, A. W. M. Gray’s anatomia para os estudantes. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. DUFOUR, M. et al. Cinesioterapia: avaliações técnicas passivas e ativas do aparelho locomotor –princípios. Tradução de Joel João da Silva. São Paulo: Panamericana, 1989. HAMIL, J.; KNUTZEN, K. M. Bases biomecânicas do movimento humano. São Paulo: Manole, 1999. KAPANDJI, I. A. Fisiologia articular: esquemas comentados da mecânica humana – membro superior. Tradução de Márcia Colliri Camargo e Ângela Gonçalves Marx. ed. São Paulo: Manole, 1990. KENDALL, F. P. Músculos, provas e funções. ed. São Paulo: Manole, 1987. LIPPERT, L. Cinesiologia clinica para fisioterapeutas: incluindo teste para auto-avaliação. Tradução de Fátima Palmieri. ed. Rio de Janeiro: Revinter, 19 MARTINI, F. H.; TIMMONS, M. J.; TALLITSCH, R. B. Anatomia humana. ed. Porto Alegre: Artemd, 2009. MIRANDA, E. Bases de anatomia e cinesiologia. ed. Rio de Janeiro: Sprint, 2008. NETTET, F. H. Atlas de anatomia humana. Tradução de Jacques Vissoky. Porto Alegre: Artes Médicas, 19 NETTER, F. H. Atlas de anatomia humana. Tradução de Jacques Vissoky. ed. Porto Alegre: Artmed, 2000. ______. ______ ed. Porto Alegre: Artmed, 2004. PUTZ, R.; PABST, R.; SOBOTTA, J. Atlas de anatomia humana. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. RASCH, P. J. Cinesiologia e anatomia aplicada. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1991. REIDER, B. O exame físico em ortopedia. Tradução de Patrícia Lydie Voeux. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 20 SMITH, L. K.; WEISS, E. L.; LEHMKUHL, L. Cinesiologia clínica de Brunnstrom. Tradução de Flora Maria Gomide Vezza. ed. São Paulo: Manole, 1987. ______. ______. ed. São Paulo: Manole, 1997. SOBOTTA, J. Atlas de anatomia humana. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 19 STEWART, G. The skeletal and muscular systems. Chelsea House Publishers, 2004. WIRHED, R. Atlas de anatomia do movimento. Tradução de Anita Viviani. São Paulo: Manole, 1986. WHITING, W. C.; ZERNICKE, R. F. Biomecânica da lesão musculoesquelética. Tradução de Giuseppe Taranto. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 20