Prévia do material em texto
Mecanismo de Reparo – SOS – propenso à erros Para sair de situações como essas, as bactérias utilizam sistemas não expressos em células não danificadas, não sendo, portanto, constitutivo e, sim, indutível. Um deles é o sistema de reparo SOS (esquema abaixo), que, por gerar muitos erros no DNA, enquanto procura reparar as lesões, é denominado propenso ao erro. Ele faz com que as DNAs polimerases, paradas em um bloqueio, prossigam incorporando um ou mais nucleotídeo até ultrapassarem a região danificada, atuando, dessa forma, como um mecanismo reparador de emergência. O fato de os erros induzidos pelo sistema SOS ocorrerem no local das lesões sugere que esse mecanismo insere nucleotídeos aleatórios no lugar dos nucleotídeos danificados. Em função disso, esse sistema indutível, que perpetua as mutações, só é utilizado quando todos os mecanismos “isentos” de erros de reparo (reparação constitutiva) não conseguem solucionar o problema, sendo, portanto, usado como último recurso. As células animais também são dotadas de sistema de reparo indutíveis. Trabalhos diversos têm demonstrado que a mutagênese, na sua grande maioria, decorre de uma relativa imprecisão dos processos de reparação. Essas imprecisões representam um dos principais meios pelos quais danos no DNA, causados por diferentes agentes mutagênicos, induzem a formação de tumores. Com base nisso, conclui-se que os processos de reparo do DNA estão relacionados, direta ou indiretamente, à proteção contra o desenvolvimento de cânceres e outras lesões degenerativas. PRINCIPAIS MECANISMOS DE REPARO São conhecidos vários tipos de mecanismos de reparo, que, provalmente, se tornaram mais complexos com a progressiva diferenciação das estruturas biológicas. Embora eles tenham como finalidade precípua manter o patrimônio genético, preservando os caracteres, sua eficiência absoluta teria se constituído, sem dúvida, um obstáculo intransponível à evolução, que tem a mutação gênica como fonte primária de variabilidade genética. Entre os mecanismos de reparo, destacamos a fotorreativação, a reparação por excisão e a reparação pós-replicativa, que apresentam natureza poligênica (controlados por diversos genes). I. FOTORREATIVAÇÃO Este mecanismo, considerado o mais importante reparo direto utilizado pelas bactérias, foi descoberto em 1949 e consiste na eliminação de lesões provocadas pelos raios ultravioleta (UV) germicida no DNA, mais especificamente dos dímeros de timina que eles induzem. Esses dímeros, resultantes de ligações covalentes anormais entre pirimidinas adjacentes, levam à formação de uma saliência no DNA, que inibe a ação da DNA polimerase, impedindo a replicação semiconservativa e, da RNA polimerase-DNA dependente, interferindo na transcrição. Esses processos moleculares, a princípio, permanecem bloqueados até que lesão seja reparada. Nesse mecanismo, a remoção da lesão está condicionada à exposição do DNA irradiado com UV, à luz visível, sendo o processo mediado por uma enzima fotopendente chamada fotoliase ou enzima de fotorreativação, que rompe as ligações covalentes entre as timinas no interior do dímero, convertendo-o em monômeros. Essa enzima, encontrada em bactérias, eucariotos inferiores, insetos e plantas, tem a propriedade de se associar à lesão, mesmo na ausência da luz. A dissociação do complexo enzima-substrato, com a consequente reparação do DNA, só ocorre, todavia, quando o sistema é iluminado. Do ponto de vista molecular, constata-se que na fotorreativação os dímeros de timina são clivados (desfeitos), levando ao restabelecimento das ligações A-T, como mostra a figura abaixo. https://djalmasantos.wordpress.com/2011/05/13/reparo-do-dna/