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O texto “Colagem: uma prática no psicodiagnóstico” fala sobre o uso da atividade de colagem como recurso para avaliação psicológica da criança. Segundo o texto, o uso de testes e avaliações em crianças fornecem autonomia para o exercício na prática do psicólogo, consolidando seu campo de conhecimento e a prática, colocando-os em ação e fornecendo um desenvolvimento da prática da Psicologia. A partir disto, ao analisar a riqueza de informações que podem ser obtidas através da colagem, para o psicodiagnóstico da criança, psicólogos decidem utilizá-la como recurso de avaliação, dado seu caráter projetivo e expressivo. A colagem é definida no texto como “[...] qualquer desenho ou quadro feito grudando-se ou prendendo-se materiais de qualquer espécie a um fundo plano [...]”. O psicólogo vai oferecer à criança ou adolescente (a avaliação pode ser feita até em adultos), materiais para realizar a atividade, recortes de jornais ou revistas, tesoura, cola, caneta, lápis e um fundo, pode ser um pano ou papel branco. As figuras devem ser ricas referentes aos temas, quanto mais opções, maior a liberdade criativa e projetiva da criança. O aplicador pode oferecer recortes de família, eventos, objetos, ambientes, sensações, etc. Quando aplicar a atividade com a criança, o psicólogo irá propor um tema para inspirar a colagem. Se o tema for autoimagem, o psicólogo pode pedir que a criança faça uma colagem representando aquilo que ela gosta em si própria, se o tema for família, o psicólogo pode pedir que a criança escolha as figuras que possam representar sua família. Até mesmo as colagens de livre tema podem fornecer informações importantes sobre características da criança. O texto traz alguns relatos de trabalhos de colagens realizados por crianças entre 9 e 13 anos e as representações e significados da realidade da criança que foram observados pela autora na interpretação dos resultados. O excesso de figuras, de carros e de prédios na colagem de uma criança, pode ter indicado a representação de desejos de consumo de um menino de 12 anos. Já um menino, de 13 anos, que apresentou escassez nas figuras coladas e dificuldades em escolher figuras que o representassem, levou a autora a sugerir a hipótese de autoimagem empobrecida. Na análise da atividade, deve-se dar importante atenção para os seguintes elementos: tempo de reação da criança; postura e modo; figuras escolhidas, coladas ou abandonadas; tema preferido; tamanho das figuras; uso do espaço da cartolina, uso do verso da cartolina; localização das figuras; sentimentos expressos; figura central; recorte nas figuras já recortadas; associações, explicações e falas durante a atividade; uso de lápis ou canetinhas e modo de utilização da cola. Nota-se que as crianças, ao final da colagem, gostam de exibir seus trabalhos aos seus pais e serem reconhecidas. A colagem compartilhada com os pais favorece a aproximação entre os pais e os filhos, podendo fortalecendo os vínculos afetivos. Quando o pai reconhece ou compreende o trabalho de colagem do filho, isso demonstra que ele tem reconhecimento dos sentimentos do filho, e dos problemas que a criança enfrenta. Entretanto, o não reconhecimento ou críticas ao seu trabalho, pode gerar uma decepção na criança. Colagens em conjunto com os pais também podem ser propostas para a avaliação psicológica, pois pode oferecer informações importantes sobre a relação entre os pais e os filhos e a relação de dependência entre eles. A autora traz um relato no texto de uma colagem feita em conjunto, uma mãe, e sua filha, uma menina de 8 anos, com queixas de dificuldade de aprendizagem e dependência da mãe. Durante a atividade, a mãe controlava as figuras que deveriam ser escolhidas pela filha para colagem, julgando as escolhas da criança como “feias” e “tristes”. Conclui-se que essas atitudes da mãe colaboravam para o comportamento dependente da filha. Comportamentos como o uso do espaço, a escolha e posição das figuras, ou abandono da atividade também podem fornecer informações importantes sobre a realidade e características da criança. A colagem, utilizada como uma ferramenta de avalição, possui uma função diagnóstica. Através da colagem, a criança fica livre para expressar sentimentos e conflitos da sua realidade, aspectos do seu mundo interno e relação com os pais. A atividade tem caráter projetivo, na medida em que a criança identifica elementos similares aos da sua realidade, nas figuras dadas para escolha. Essa atividade pode fornecer contribuições significativas para a avaliação da queixa da criança e desenvolver intervenções adequadas.