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Exercício do Conhecimento Alfabetização e Letramento

Conjunto de questões sobre alfabetização e letramento: descreve atividades com conto cumulativo, perguntas sobre sílaba/fonema/grafema e produção de texto, e inclui item sobre crítica às cartilhas; apresenta enunciados, alternativas, gabaritos e justificativas.

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Questão 1
Correto
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Texto da questão
Uma professora de 1º ano propôs à turma a leitura do conto cumulativo “A casa que Pedro fez”. Após a leitura, a professora fez alguns questionamentos relacionados ao texto, para que as crianças identificassem pontos principais da história e questionou sobre os significados de algumas palavras. Em outra atividade, a professora e as crianças isolaram algumas frases e partiram para a escrita de algumas palavras que apareciam no texto, como casa, gato, rato, baú, moça etc. Para a escrita, a professora sugeriu às crianças a contagem das sílabas com os dedos, sendo que, cada dedo representava uma sílaba da palavra. Depois dessa atividade, as crianças escreveram frases próprias para cada uma das palavras escritas. Para essa atividade a professora orientou que deveriam pensar o que queriam escrever para cada substantivo e contar quantas palavras deveriam ser escritas, lembrando que, entre elas deveria ter um espaço. 
Disponível em: (adaptado). Acesso em 09 de dez. 2019. 
Com base nos conceitos de alfabetização e letramento e na prática relatada acima, avalie as afirmativas a seguir: 
I. Partir do texto para o trabalho de escrita da palavra e para a produção textual é uma prática que une alfabetização e letramento. 
II. Quando a professora isola as palavras e trabalha sua escrita, a partir da contagem das sílabas, com seus fonemas e grafemas, ela está realizando uma prática de alfabetização. 
III. Ao propor questionamentos sobre o conto cumulativo e sobre o vocabulário, a professora realiza uma prática de letramento. 
É correto apenas o que se afirma em
Escolha uma:
a. I 
b. II e III 
c. I, II e III 
Gabarito: é correto o que se afirma nas frases I, II e III. Partir do texto para o trabalho de escrita da palavra e para a produção textual é uma prática que une alfabetização e letramento. A prática de leitura de diferentes gêneros textuais é oportuna para o trabalho com alfabetização e letramento, pois auxilia, tanto na identificação do uso social da língua, quanto no processo de codificação e decodificação (compreensão da relação entre fonemas e grafemas). Quando a professora isola as palavras e trabalha sua escrita, a partir da contagem das sílabas, com seus fonemas e grafemas, ela está realizando uma prática de alfabetização. A alfabetização constitui-se no processo de aprendizagem da representação dos sons da fala em escrita, ou seja, de como a fonema pode ser representado graficamente (letras). E é esse o processo realizado pela professora, quando propõe a escrita das palavras com a contagem das sílabas e a atenção para o som destas. Ao propor questionamentos sobre o conto cumulativo e sobre o vocabulário, a professora realiza uma prática de letramento. A aprendizagem da função da escrita é uma prática de letramento e isso é realizado quando a professora conta a história e fomenta a discussão, com questionamentos de seus pontos principais e de seu vocabulário.
d. III 
e. II 
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A resposta correta é: I, II e III.
Questão 2
Correto
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Texto da questão
Texto 1 
Quando era a minha vez de ler a cartilha, era como se eu tivesse sido hipnotizada pela magia das frases, e eu lia em voz alta, com o corpo empertigado e o nariz para cima: Ivo viu a uva/ A uva é da vovó/ Vovô viu o ovo. Lembro-me também de ficar com água na boca. No Nordeste de antigamente, uva era como perna de cobra: quem via uma morria, e se alguém visse um cacho de uva e ainda por cima o comesse só poderia ser um deus muito rico.
COSTA, M. Ivo viu a uva, e o céu. 
Crônicas da KBR. Ano 2, 2016. Disponível em: . Acesso em 11 de dez. 2019. 
Texto 2 
A precariedade da produção de textos: talvez a decorrência mais grave da utilização das cartilhas seja a questão da produção de textos. Os tipos de textos ali apresentados muitas vezes não constituem textos. Não têm unidade semântica, não apresentam textualidade e, não raramente, perdem até mesmo a coerência. O aluno vem para a escola com a habilidade de produzir textos orais. Se ele depara com textos artificiais, montados para finalidades específicas, que não correspondem à sua linguagem, poderá concluir que sua oralidade está errada e acreditar que o modelo apresentado pela escola é o correto, o padrão ideal de texto a ser seguido. 
MENDONÇA, O. S. Percurso Histórico dos Métodos de Alfabetização. p. 23-35, [s.d.]. Disponível em:. Acesso em 11 de dez. 2019. 
Nesse contexto, avalie as asserções a seguir e as relações propostas entre elas. 
I. A cartilha não considera a realidade social e linguística da criança e sua capacidade de produção textual. 
PORQUE 
II. A cartilha aborda apenas a codificação e a decodificação, buscando a memorização da criança, que aprende a decifrar sinais na leitura e a representar a fala com a escrita, sem atenção para a oralidade e para as variações geográficas e sociais, que modificam o vocabulário. 
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.
Escolha uma:
a. As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. 
Gabarito: as asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. A cartilha deixa de considerar a realidade social, linguística e de produção textual da criança ao propor textos desconexos com suas vivências e desprovidos de significado, porque a cartilha aborda apenas a codificação e a decodificação, buscando a memorização da criança, que aprende a decifrar sinais na leitura e a representar a fala com a escrita, sem atenção para a oralidade e para as variações geográficas e sociais, que modificam o vocabulário. As cartilhas são produzidas em larga escala, o que significa que um mesmo material é distribuído de norte a sul, sem uma atenção para as características de cada região. Além disso, a cartilha dá ênfase a textos superficiais e desconexos, que têm o intuito, apenas, de servir para o propósito da leitura, sem um fundamento maior, ou seja, da produção textual e de significado (MENDONÇA, s.d.).
b. As asserções I e II são proposições falsas. 
c. A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. 
d. A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. 
e. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é justificativa correta da I. 
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A resposta correta é: As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I..
Questão 3
Correto
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Texto da questão
A partir do conceito de alfabetizado, que vigorou até o Censo de 1940, como aquele que declarasse saber ler e escrever, o que era interpretado como capacidade de escrever o próprio nome; passando pelo conceito de alfabetizado como aquele capaz de ler e escrever um bilhete simples, ou seja, capaz de não só saber ler e escrever, mas de já exercer uma prática de leitura e escrita, ainda que bastante trivial, adotado a partir do Censo de 1950; até o momento atual, em que os resultados do Censo têm sido frequentemente apresentados, sobretudo nos casos das Pesquisas Nacionais por Amostragem de Domicílios (PNAD), pelo critério de anos de escolarização, em função dos quais se caracteriza o nível de alfabetização funcional da população, ficando implícito nesse critério que, após alguns anos de aprendizagem escolar, o indivíduo terá não só aprendido a ler e escrever, mas também a fazer uso da leitura e da escrita, verifica-se uma progressiva, embora cautelosa, extensão do conceito de alfabetização em direção ao conceito de letramento: do saber ler e escrever em direção ao ser capaz de fazer uso da leitura e da escrita. 
SOARES, M. Letramento e alfabetização: as muitas facetas. Revista Brasileira de Educação, n. 25, p. 5–17, abr. 2004. 
Com base no texto acima, é correto afirmar que
Escolha uma:
a. o conceito de alfabetização não se modificou ao longo dos tempos, sendo que, desde os anos de 1940, admite-se que uma pessoa alfabetizada é aquela que sabe ler e escrever seu nome. 
b. a evolução do conceito de alfabetização possui estrita relação com os levantamentos sobre a população.c. saber ler e escrever o próprio nome é a condição que define um sujeito alfabetizado na atualidade. 
d. na atualidade, as pesquisas censitárias brasileiras utilizam um conceito de alfabetização que se aproxima do letramento. 
Gabarito: com base no texto apresentado na questão, é correto afirmar que na atualidade, as pesquisas censitárias brasileiras utilizam um conceito de alfabetização que se aproxima do letramento. Como o próprio texto afirma, embora isso precisa ser visto com cautela, as pesquisas censitárias brasileiras já adotam um conceito mais voltado para o letramento, diferente do que acontecia em levantamentos em décadas atrás. A afirmativa “saber ler e escrever o próprio nome é a condição que define um sujeito alfabetizado na atualidade” é incorreta, pois como afirmado anteriormente, isso acontecia nos levantamentos até a década de 1940. A afirmativa “a evolução do conceito de alfabetização possui estrita relação com os levantamentos sobre a população” não pode ser considerada correta, porque a evolução do conceito é uma questão que vai além do que se entende por alfabetizado nos censos sobre a população. O conceito de alfabetização evolui com “as transformações na sociedade e exigências impostas por ela, desde a década de 80 do século passado, concepções psicológicas, linguísticas e psicolinguísticas de leitura e escrita vêm mostrando que se o aprendizado das relações entre as letras e os sons da língua é uma condição do uso da língua escrita esse uso também é uma condição de alfabetização ou do aprendizado das relações entre as letras e os sons da língua” (ALMEIDA, 2010, p. 11 – livro da disciplina). A afirmativa “o conceito de alfabetização não se modificou ao longo dos tempos, sendo que, desde os anos de 1940, admite-se que uma pessoa alfabetizada é aquela que sabe ler e escrever seu nome” é incorreta, pois fica claro no texto que houve uma evolução do conceito. Por fim, a afirmativa “no conceito de alfabetização, adotado pelas pesquisas censitárias na atualidade, os anos de escolarização de uma pessoa, não definem seu nível de alfabetização” é incorreta, porque o que ocorre é, justamente, o contrário do que se propõe na frase, já que os critérios para o nível de alfabetização de uma pessoa se dá pelos anos de escolarização que essa menciona possuir.
e. no conceito de alfabetização, adotado pelas pesquisas censitárias na atualidade, os anos de escolarização de uma pessoa, não definem seu nível de alfabetização. 
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A resposta correta é: na atualidade, as pesquisas censitárias brasileiras utilizam um conceito de alfabetização que se aproxima do letramento..
Questão 4
Correto
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Texto da questão
A professora do 1º ano de uma escola pública brasileira tem sua prática alfabetizadora fundamentada na teoria da psicogênese da língua escrita. Nesse contexto, ao planejar e executar suas ações pedagógicas a professora
Escolha uma:
a. corrige os erros, com a aferição de nota de acordo com o nível de escrita em que se encontra cada criança. Assim, as crianças que demonstrarem uma escrita no nível da hipótese silábico-alfabética, por exemplo, são contempladas com a nota 10 e aquelas no nível de escrita pré-silábica, têm a nota 2. 
b. propõe a escrita de palavras e frases com atenção para o nível anterior em que a criança se encontra, ou seja, para as crianças no nível da hipótese silábico-alfabética, a professora propõe atividades de acordo com o nível da hipótese pré-silábica. 
c. procura por atividades que facilitem a passagem de toda turma de um nível de desenvolvimento para o outro, entendendo que as crianças passam por esse processo de forma natural e ao mesmo tempo. 
d. analisa os erros de forma a compreender o conhecimento da criança e seu nível de conceituação do processo de escrita, buscando adequar as atividades e a correção com o nível de desenvolvimento em que a criança se encontra. 
Gabarito: a resposta correta está na afirmativa “analisa os erros de forma a compreender o conhecimento da criança e seu nível de conceituação do processo de escrita, buscando adequar as atividades e a correção com o nível de desenvolvimento que a criança se encontra”. De acordo com a teoria da psicogênese da língua escrita, os erros das crianças precisam ser entendidos como um passo para chegar ao acerto, sendo que o processo de desenvolvimento passa por diferentes níveis que precisam ser respeitados e entendidos pelo professor. Isso pode ser confirmado no Capítulo 8, do livro da disciplina, no qual Almeida (2010) discute sobre a teoria em questão, proposta por Emilia Ferreiro. As demais afirmativas estão incorretas, porque trazem ideias contrárias ao que se define na teoria da psicogênese da língua escrita. A aferição de notas de acordo com o nível de desenvolvimento, da maneira como está descrita em uma das afirmativas, não é adequada, pois prejudica a criança que ainda está desenvolvimento de escrita. Trabalhar de acordo com o nível anterior de desenvolvimento, também, não é uma prática coerente, pois não auxilia a criança em seu processo de passagem de um nível para outro de apropriação da língua escrita. A concepção de que toda turma avança da mesma forma, também é equivocada, pois cada criança é particular em seu desenvolvimento. Por fim, pensar que a criança não precisa da interferência do professor na apropriação da língua escrita é um erro, como pode ser observado nos capítulos 5 e 8 do livro da disciplina.
e. dá ênfase a atividades de letramento, com a apresentação de rótulos, embalagens e diferentes portadores textuais, sem forçar a escrita, deixando que as crianças se apropriem da língua escrita de forma natural, ou seja, que compreendam as relações entre sons e letras sem sua interferência. 
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A resposta correta é: analisa os erros de forma a compreender o conhecimento da criança e seu nível de conceituação do processo de escrita, buscando adequar as atividades e a correção com o nível de desenvolvimento em que a criança se encontra..
Questão 5
Correto
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Texto da questão
Texto 1 
Pois é. U purtuguêis é muito fáciu di aprender, purqui é uma língua qui a genti iscrevi ixatamenti cumu si fala. Num é cumu inglêis qui dá até vontadi di ri quandu a genti discobri cumu é qui si iscrevi algumas palavras. Im portuguêis, é só prestátenção. U alemão pur exemplu. Qué coisa mais doida? Num bate nada cum nada. Até nu espanhol qui é parecidu, si iscrevi muito diferenti. Qui bom qui a minha lingua é u purtuguêis. Quem soubé falá, sabi iscrevê. 
Jô Soares. Revista Veja, 28 de novembro de 1990. Disponível em ) 
Texto 2 
Depois que os dois livro eu li, 
Fiquei me sintindo bem, 
E ôtras coisinha aprendi 
Sem tê lição de ninguém. 
Na minha pobre linguage, 
A minha lira servage 
Canto o que minha arma sente 
E o meu coração incerra, 
As coisa de minha terra 
E a vida de minha gente 
Patativa do Assaré. Aos poetas clássicos. In.: DAL`PONTE, W.; FREITAS, E. C. DE. Uso, mudança e variação linguística: a poesia enquanto retrato do Nordeste e do Sul brasileiro. Trama, v. 9, n. 18, p. 209–228, 6 jun. 2013. 
Considerando os textos acima e as questões próprias da língua falada e escrita, avalie as afirmativas a seguir: 
I. Os autores dos textos mostram que fala e escrita são homogêneas e cada som, na língua portuguesa, é representado por uma letra. 
II. A escrita constitui-se na representação gráfica da língua falada, mas há diferenças inerentes entre escrita e fala. 
III. O texto 2 representa uma diferença importante entre fala e escrita, mostrando um tipo de variação linguística, que não é expressa pela escrita na norma culta da língua. 
IV. Há superioridade na escrita, pois esta carrega conceitos regidos pela gramática normativa. 
V. Fala e escrita exigem conhecimentos distintos, sendo que a escrita requer um processo de ensino formal. 
É correto apenas o que se afirma em
Escolha uma:
a. II, III e IV 
b. I, III e V 
c. II, III e V 
Gabarito: é correto apenas o que se afirma nas frases II, III e V. Como pode ser observado no Capítulo 9, do livro da disciplina, a escrita constitui-sena representação gráfica da língua falada, mas há diferenças inerentes entre escrita e fala, ou seja, não se escreve como se fala (II). Fala e escrita exigem conhecimentos distintos, sendo que a escrita requer um processo de ensino formal, pois é preciso que a pessoa participe do processo escolarizado para a aprendizagem da escrita (V). O texto 2 representa uma diferença importante entre fala e escrita, mostrando um tipo de variação linguística, que não é expressa pela escrita na norma culta da língua, isso porque a escrita é regida pela norma culta da língua, que exige padrões de acordo com as normas gramaticais e ortográficas da língua (III). Todavia, isso não significa que existe superioridade na escrita (IV). Fala e escrita possuem especificidades, mas cada uma possui funções e variações que as tornam únicas. Assim, não se pode afirmar que fala e escrita são homogêneas e cada som, na língua portuguesa, é representado por uma letra. O correto é, justamente, o contrário, como afirma Almeida (2010, p. 65) a língua portuguesa não é fonética e não há “uma correspondência unívoca entre a linguagem falada e escrita”.
d. I, II, III e IV 
e. I, II, III, IV e V 
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A resposta correta é: II, III e V.

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