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16 FACULDADE DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS COLEGIADO DE NUTRIÇÃO BEATRIZ DA SILVA ALMEIDA DANIELA SILVA ESCOBAR EMANUELA MONTEIRO COELHO ESTER SOARES ALVES ARRAES EUDELBA MEDRADO DA SILVA FREITAS FRANCISCO SANTOS DE MELLO RAFAELA BRAGA CARDOSO THIFANY ISABEL CARVALHO MARQUES IGOR GUTHEMBERG SANTANA FELIX LITÍASE BILIAR JUAZEIRO 2020 BEATRIZ DA SILVA ALMEIDA DANIELA SILVA ESCOBAR EMANUELA MONTEIRO COELHO ESTER SOARES ALVES ARRAES EUDELBA MEDRADO DA SILVA FREITAS FRANCISCO SANTOS DE MELLO RAFAELA BRAGA CARDOSO THIFANY ISABEL CARVALHO MARQUES IGOR GUTHEMBERG SANTANA FELIX LITÍASE BILIAR Trabalho de Litíase Biliar elaborado como requisito de aprovação na OT da disciplina de Atenção Dietoterápica I do curso Bacharelado em Nutrição da UniFTC, Campus Juazeiro/BA. Professor: Emerson Iago Garcia e Silva JUAZEIRO 2020 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO............................................................................... 6 2. CONCEITOS.................................................................................. 6 3. EPIDEMIOLOGIA E FATORES DE RISCO......................................... 7 3.1 Epidemiologia................................................................................ 7 3.2 Fatores de Risco........................................................................... 7 4. FISIOPATOLOGIA......................................................................... 8 5. TRATAMENTO CLINICO-MÉDICO................................................... 9 6. QUADRO CLÍNICO E/OU MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS.....................11 7. DIETOTERAPIA............................................................................ 12 7.1 Recomendações dietéticas e nutricionais.................................... 13 7.2 Plantas medicinais, produtos botânicos e suplementos............... 13 7.3 Orientação, aconselhamento e terapia nutricionais...................... 13 8. REFERÊNCIAS............................................................................. 15 1. INTRODUÇÃO A litíase biliar ou colelitíase é a doença comum do trato biliar, e é caracterizada pela formação de cálculos biliares ou no interior da vesícula biliar ou nos ductos biliares. Existe dois tipos principais de cálculos biliares, os cálculos de colesterol e os cálculos de pigmentos derivados da calcificação da bilirrubina (FREITAS et al., 2012). As principais predisposições para a formação de cálculos biliares é a obesidade, uso de imunossupressores, diabetes mellitus e hiperlipidemia. Em relação a prevalência de casos de litíase biliar é maior em pacientes submetidos a transplante de órgãos (COELHO et al., 2009). Diante disso, o presente trabalho tem por objetivo descrever conceitos relacionados com litíase biliar, a sua epidemiologia e os fatores de risco, a fisiopatologia, os tratamentos clínicos, o quadro clínico e suas manifestações clínicas, bem como relatar a dietoterapia ideal para tal patologia. 2. CONCEITOS Chama-se litíase da vesícula à presença de um ou mais cálculos (vulgarmente conhecidos por "pedras") no seu interior. Litíase biliar é um depósito de cristais no interior da vesícula biliar (Figura 1) ou nas vias biliares. Quando os cálculos biliares se localizam na vesícula biliar é chamado de colelitíase e, por outro lado, quando se localizam nas vias biliares é chamado de coledocolitíase (Figura 2) (BURGUER et al 2008). Figura 1. Cálculos biliares localizados na vesícula biliar. Fonte: Infomedica Wiki, 2012. Figura 2. Cálculos biliares localizados nas vias biliares. Fonte: Fonte: Pro Gastro, 2020. 3. EPIDEMIOLOGIA E FATORES DE RISCO 3.1 Epidemiologia Segundo Davide (2009), aproximadamente 30 milhões de pessoas nos Estados Unidos da América têm litíase biliar. Na Europa, a frequência de litíase biliar, entre os 30 e os 65 anos, é de 18,8% nas mulheres e de 9,5% nos homens. A incidência de litíase da via biliar principal é de aproximadamente 12%. Mais rara é a litíase intra-hepática. Dos cerca de 20% dos pacientes que apresentam litíase biliar, apenas 20 a 30% desenvolverão sintomas em um período de 20 anos e apenas 1% apresentará complicações. Em decorrência disso, justifica-se o fato de muitos estudiosos contraindicarem a realização de colecistectomia profilática em pacientes assintomáticos. No entanto, existe um grupo de pacientes em que a colecistectomia profilática, mesmo em um paciente assintomático, deve ser considerada (BRITO, 2018). 3.2 Fatores de Risco O desenvolvimento de colelitíase ou litíase biliar é multifatorial. Os fatores de risco não modificáveis são idade, sexo, etnia e fatores genéticos. Os modificáveis incluem dieta, obesidade, perda rápida de peso, sedentarismo e uso de certos medicamentos (SHAFFER, 2006). Além destes, temos ainda a dismotilidade vesicular que aumenta a estase e formação de cristais, a predisposição genética, dieta pobre em fibras, hiperlipidemias, anemia hemolítica e outras mais (BRITO, 2018). 4. FISIOPATOLOGIA Os principais fatores que participam na formação da litíase biliar são a alteração na composição da bile (Figura 3), a redução na motilidade da vesícula biliar (estase biliar) e a presença de muco e de cálcio na vesícula. A formação de cristais devido à bile litogênica e o aprisionamento deles no muco vesicular, associado à estase na vesícula biliar (hipomotilidade), levam à formação de cálculos (COELHO, 2005). Figura 3. Principais componentes da bile. Fonte: Gog Escola, 2016. Os cálculos biliares são classificados em cálculos de colesterol e cálculos pigmentares. Os de colesterol são subdivididos em puros e mistos, sendo os mistos os mais prevalentes. O colesterol, principal constituinte dos cálculos, é relativamente insolúvel em água e mantém-se em solução na forma de micelas mistas com os sais biliares. Quando a capacidade de solubilização do colesterol por parte da bile ocorre um desequilíbrio na saturação das substâncias constituintes dos cálculos (sais biliares, colesterol e sais de cálcio), predispondo a supersaturação da bile, a precipitação de cristais e consequentemente a formação dos cálculos (Figura 4) (BRITO,2018). Figura 4. Como os cálculos são formados. Fonte: Pro Gastro, 2020. 5. TRATAMENTO CLÍNICO-MÉDICO O tratamento médico da litíase biliar, cujos agentes mais usados são os ácidos queno e ursodesoxicólico, é muito falível pela não adesão terapêutica, face aos efeitos laterais, e pela elevada taxa de recidiva. A litíase vesicular sintomática é uma indicação para colecistectomia por via laparoscópica (preferida) ou clássica (quando não é possível a laparoscópica) (Figura 5). Nas formas assintomáticas, alguns autores advogam-na na presença de cálculo único com dimensões superiores a 2 cm, em diabéticos e na microlitíase múltipla. Figura 5. Na laparoscópica é feita através de pequenos cortes na barriga. Fonte: Pro Gastro, 2020. A abordagem da litíase da via biliar principal (por via laparoscópica ou clássica) pode incluir colecistectomia com exploração da via biliar (Figura 6) principal seguida de encerramento da mesma sobre dreno de Kehr ou confecção de anastomose bileo-digestiva, dependendo das características da árvore biliar encontradas e da idade do doente. As principais indicações da CPRE são a litíase da via biliar após colecistectomia ou em doentes de elevado risco cirúrgico e a colangite aguda supurada. A litotripsia, que pode ser extracorporal ou de contacto, é dificultada pelo fluxo biliar e pela presença de múltiplos cálculos, com uma eficácia a rondar apenas os 55%, pelo que raramente é utilizada (DAVIDE,2009). Figura 6. Exploração cirúrgica da via biliar (A) e Derivação bileo-digestiva (B). Fonte: Pro Gastro, 2020. Nos indivíduos assintomáticos, a retirada cirúrgica da vesícula (colecistectomia) não é indicada, exceto em casos que o cálculo é maior que 3 cm, está associado a pólipos, microesferocitose, anomaliacongênita da vesícula. Nos indivíduos com dores intermitentes pode indicar a redução da ingestão de alimentos gordurosos. Em algumas condições em que o cálculo é constituído apenas por colesterol, pode ser feito o uso de medicamentos que o diluem. Entretanto, o cálculo pode voltar já que a vesícula continua presente. O tratamento mais comum em indivíduos que apresentam cólica biliar é a colecistectomia. Esta pode ser feita por via clássica ou via laparoscópica, senda que esta última a mais recomendada já que tem uma recuperação mais fácil e é menos dolorosa (KUMAR et al, 2010). A ecografia é o exame de eleição na detecção da litíase vesicular e na visualização de critérios de colecistite aguda, permitindo ainda detectar a litíase da via biliar principal. A tomografia axial computorizada (TAC) é um exame mais sensível para a litíase da via biliar principal e para as complicações da litíase biliar (dilatação das vias biliares, espessamento vesicular, rotura vesicular, abcessos, pancreatite, íleo biliar). (DAVIDE, 2009). 6. QUADRO CLÍNICO / MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS A principal queixa relacionada à colelitíase é a dor aguda contínua caracteristicamente localizada em hipocôndrio direito/epigástrio que, por vezes, pode irradiar para a região escapular. Alguns pacientes referem que a dor surge cerca de 1 hora após refeições ricas em gorduras. Outros pacientes podem ainda referir sintomas dispépticos (eructações, plenitude, náuseas), após ingesta gordurosa, ou mesmo um “mal estar” vago e impreciso. A presença de febre ou outros sinais inflamatórios falam a favor de colecistite aguda, já a presença de bilirrubinas e fosfatase alcalina elevados nos levam a pensar na presença de cálculo no colédoco (coledocolitíase) ou outras causas de icterícia obstrutiva (BRITO, 2018). Outra manifestação clínica é a colangite aguda, caracterizada por uma infecção dos canais biliares, acompanhada por febre, icterícia e dor abdominal. Também é chamada de colangite ascendente, pois muitas vezes as bactérias que causam a infecção vêm do intestino e pode ser grave. Estas bactérias sobem pelo duodeno, local aonde o canal biliar (colédoco) desemboca. A infecção vindo de forma hematogênica (pelo sangue), não é comum e o principal fator de risco para desenvolver colangite aguda é a obstrução e a estase da bile. Além disso, a litíase biliar quando não tratada também pode progredir para uma pancreatite aguda. Isso acontece devido a uma obstrução do canal pancreático, deixando o quadro clínico ainda mais grave. Figura 7. Possíveis complicações. Fonte: Pro Gastro, 2020 e Infomedica Wiki, 2012. 7. DIETOTERAPIA As medidas preventivas envolvem velocidade controlada da perda de peso, redução na duração do jejum noturno e manutenção de pequena quantidade de gordura na dieta (Erlinger,2000). O alto consumo de açucares refinados e ácidos graxos saturados pode levar à formação dos cálculos. O consumo de frutas oleaginosas, proteínas vegetais grãos de soja pode ter um efeito protetor. Então, é menos provável que as pessoas mais ativas desenvolvam cálculos biliares. 7.1 Recomendações dietéticas e nutricionais · Providenciar uma dieta balanceada e com controle de calorias. Utilizar NPO durante um ataque agudo. · No paciente com colecistite aguda, usar uma dieta com baixos teores de gordura. Avançar para uma dieta com menos condimentos e vegetais formadores de gases, que causam distensão, aumento do peristaltismo e irritação. · Naqueles com colecistite crônica, usar uma dieta com controle de gorduras/calorias para promover a drenagem da vesícula biliar sem dor excessiva. O paciente deve consumir quantidades adequadas de CHO, especialmente em forma de fibra (p. ex., pectina, que se liga aos ácidos biliares em excesso). · Em caso de colelitíase, incentivar a adoção de uma dieta que seja rica em fibra e, quando necessário, pobre em calorias. · Talvez haja necessidade da reposição de vitaminas lipossolúveis em formulações solúveis em água. · Aumentar a ingestão de fontes de vitamina C, como frutas cítricas e sucos dessas frutas. Utilizar suplementos se houver necessidade. · Para evitar o aparecimento de câncer da vesícula biliar, pode ser útil o consumo de uma dieta que inclua quantidades suficientes de selênio, zinco e vitamina E (Shukla et al., 2003). 7.2 Plantas medicinais, produtos botânicos e suplementos · Plantas medicinais e suplementos botânicos não devem ser utilizados sem antes se consultar o médico. Plantas medicinais, como cúrcuma, uva de Oregon, bupleuro e orelha-de-rato podem reduzir a inflação da vesícula biliar e aliviar a congestão hepática (Moga, 2003). Celidônia, hortelã, trigo selvagem e arnica foram recomendados em casos de distúrbio biliar, mas não há ensaios clínicos que comprovem a eficácia desses produtos. 7.3 Orientação, aconselhamento e terapia nutricional · Depois de uma colecistectomia, a ingestão de gordura deve ficar durante vários meses para fazer o fígado compensar a falta da vesícula biliar. As gorduras devem ser introduzidas gradualmente; portanto, deve-se tentar utilizar medicamentos antidiarreicos, como loperamida ( Imodium) e uma dieta rica em fibras para aumentar o volume fecal. · Evitar esquemas de jejum e de perda de peso rápida. · Os pacientes submetidos à remoção da vesícula biliar devem passar por mensuração periódica dos níveis de colesterol, assim como se deve fazer com todo adulto. · Para evitar a formação de novos cálculos biliares, deve-se manter um peso saudável. As modificações da dieta que reduzem os níveis plasmáticos de insulina, como alteração nas gorduras da dieta e substituição de carboidratos não refinados pelos refinados, podem ser úteis (Morgan, 2003). · A prática regular de exercícios aeróbios exerce um efeito benéfico sobre hiperinsulinemia, frequentemente asso, ciada com doença da vesícula biliar (Moga, 2003). 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