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Lista Exclusiva PD 
 
 
FILOSOFIA 
 
1. “O vício não é o mesmo que o pecado, nem o pecado o mesmo que a ação má. Por exemplo, ser iracundo 
[enfurecido], isto é, ter propensão ou facilidade para perturbar-se de ira, é vício e inclina a mente, impetuosa e 
irracionalmente, àquilo que de modo algum convém. [...] O vício é o que nos torna propensos a pecar, isto é, o que nos 
inclina a consentir no que não convém, seja fazendo, seja deixando de fazer. Na verdade é a esse consentimento que 
chamamos propriamente de pecado, isto é, a culpa da alma pela qual ela merece a condenação ou pela qual se torna 
culpada perante Deus.” 
 
(ABELARDO, Conhece-te a ti mesmo, I, 1-3. In: ESTEVÃO, J. C. Abelardo e Heloísa. São Paulo: Paulus, 2015, p. 67). 
 
 
Com base no texto acima e em conhecimentos sobre ética medieval, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 
 
01) Ao afirmar que vício e pecado são ações distintas, Abelardo separa-se da tradição agostiniana. 
02) O vício para Abelardo é uma inclinação a consentir com aquilo que não convém, e pecado é o consentimento ao 
que não convém. 
04) A ética de Abelardo é uma ética da consciência, uma fonte para a ideia de sujeito moderno. 
08) Todo pecado é mais do que uma ação, é uma substância, no sentido de que possui um ser que identifica o pecador. 
16) A maldade dos atos humanos está nas coisas que deveríamos evitar, e não na intenção do próprio ser humano. 
 
2. “Examinando o homem espiritual e interior, veremos, então, o que é preciso para ser um cristão justo e livre e assim 
ser chamado. Desse modo evidencia-se que nenhuma coisa exterior, seja qual for o seu nome, pode torná-lo justo ou 
livre, pois sua justiça e liberdade, e inversamente sua maldade e sua prisão, não são corporais nem externas.” 
 
(LUTERO, M. Da liberdade do cristão. (trad. Erlon José Paschoal). São Paulo: Editora Unesp, 1998, p. 25). 
 
 
A respeito do texto acima e da Reforma Protestante, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 
01) Assumir a interpretação individual da Bíblia, como norma de vida e de ação, significava, em matéria religiosa, o 
domínio da interioridade e da subjetividade. 
02) A liberdade cristã ocorre pelo fato de que o fiel se encontra livre das coisas exteriores, as quais somente possuem 
sentido quando consideradas sob a fé. 
04) A Reforma Protestante, em sua universalidade e pluralidade, atingiu as regiões de confissão ortodoxa, copta, síria 
e maronita. 
08) Segundo Max Weber, a Reforma teve uma influência que não se limitou às questões eclesiásticas ou teológicas; 
mas atingiu, também, questões econômicas, construindo uma das bases do capitalismo moderno. 
16) No episódio da Guerra dos Camponeses, Lutero apoiou a rebelião contra a autoridade constituída e foi um severo 
crítico dos príncipes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Lista Exclusiva PD 
 
GABARITO: 
 
Resposta da questão 1: 
 01 + 02 + 04 = 07. 
 
Segundo o texto, existiria uma distinção entre vício e pecado, ideia presente no item [01], sendo o vício uma 
propensão à ação não-virtuosa, que gera no indivíduo a inclinação para o pecado. Já o pecado seria a efetivação da 
ação propriamente dita, fruto do consentimento com o vício, como indicado corretamente pelo item [02]. Essa 
acepção representa uma ruptura com a tradição agostiniana, como também afirmado pelo item [1]. Ademais, a 
perspectiva ética apresentada associa o pecado à ação contra a consciência, postura que considera a dimensão 
psicológica do indivíduo ao praticar a ação e se contrapõe à perspectiva tradicional que considera apenas a 
exterioridade da ação, aproximando-se de uma concepção de sujeito moderna, o que está de acordo com o item [4]. 
 
Resposta da questão 2: 
 01 + 02 + 08 = 11. 
 
A partir do texto, evidencia-se a valorização da espiritualidade e dos valores subjetivos, assentados na fé cristã, como 
primordiais para alcançar a justiça e a liberdade, em detrimento de elementos exteriores, ligados ao mundo físico, 
acepções fundamentais no pensamento de Lutero. Ademais, para Max Weber, as mudanças geradas pela Reforma 
Protestante transcenderam o âmbito religioso, estabelecendo novas mentalidades sociais e novas maneiras dos 
indivíduos interpretarem o mundo, o que se refletiu na valorização do trabalho, aspecto que contribuiu para o 
desenvolvimento do Capitalismo. Já nas guerras camponesas, Lutero assumiu uma postura de defesa da 
manutenção da ordem social e política, usando sua influência religiosa para reunir nobres contra camponeses, 
incitando a repressão violenta contra as insurreições.

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