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NÚCLEO DE PESQUISA EM FISIOTERAPIA 
PSICOSSOMÁTICA 
 
Av. Edson da Mota Correia, 701 Sala 02 – 
 Caucaia - Centro. 
(85) 3342.2121 - Ramal 206 | 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Abordagem 
 Neurocognitiva 
 NAS DORES Do 
 Ombro 
 
 
TRANSTORNOS 
NEUROPSÍQUICOS 
 
 
 
Dr. Liberato Neto 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Abordagem Neurocognitiva na 
dor do Ombro 
 
 
TRANSTORNOS NEUROPSÍQUICOS 
 
 
 
Dr. Liberato Neto 
 
 
 
 
2017 
 
 
 Abordagem Neurocognitiva na dor do Ombro-.Transtornos Neuropsíquicos 
CARVALHO, José Liberato Neto. Abordagem Neurocognitiva na dor do 
Ombro.Transtornos Neuropsíquicos NUPEFIPS, Fortaleza, 2017 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Copyright by José Liberato de Carvalho Neto. 
Todos os direitos desta edição reservados ao autor. 
Esta obra ou parte dela pode ser reproduzida por qualquer meio mediante autorização escrita do 
autor. 
 
Abordagem Neurocognitiva na dor do Ombro. 
Transtornos Neuropsíquicos 
 
 
 
 
 
Autor 
José Liberato de Carvalho Neto 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
PARTE I 
1.Introdução 
 
2.Cintura escapular - considerações anatômicas. 
2.1 - componentes ósseos 
2.2 - músculos, ligamentos, tendões, reforçando a cápsula articular. 
2.3-Articulações 
2.4-Espaços 
2.5-Classificação de Bigliani da morfologia acromial 
 
3. A etiologia das patologias do ombro 
 
4-Exames complementares 
4.1- RX / incidências 
4.2-Imagens para Lesões de cartilagens e tecidos moles 
4.3-A Artrografia 
4.4-A Artro-ressonância magnética 
 
5-Exame físico 
5.1-Teste de Apley 
5.2. Teste muscular e neurológico 
5.3. Testes Especiais 
5.3.1 - Teste de Yergason / Teste de Lipmann 
5.3.2 - Teste de Ludington 
5.3.3 - Teste de Abbot-Saunders 
5.3.4 - Teste da queda do braço 
5.3.5 - Teste de apreensão para o deslocamento do ombro 
5.4. Teste para diagnóstico de Tendinite 
5.4.1 - Palm-up test 
5.4.2 - Teste de Yergason 
5.4.3 - Teste de Hawkins 
5.4.4 - Teste de Neer 
5.4.5 - Teste de Yocum 
5.5. Teste para avaliação de ruptura tendinosa 
5.5.1-Teste de Jobe 
5.5.2-Teste de Patte 
5.5.3 - Ruptura da porção longa do bíceps braquial 
5.5.4 - Teste de Gerber (Lift off Test) 
5.6. Síndrome do Desfiladeiro Torácico 
5.6.1 - Teste de Roos 
5.6.2 - Teste de Wright 
5.6.3 - Teste de Adson 
5.6.4 - Teste de Adson modificado 
5.7. Teste para instabilidade Gleno-umeral – 
5.7.1 - Decoaptação úmero-acromial 
5.7.2 - Teste da Gaveta anteroposterior 
5.7.3 - Teste da apreensão 
5.7.4 - Teste de recentragem 
5.7.5 - Jerk Test 
 
6-Principais afecções no complexo do ombro 
6.1-Síndrome do Impacto do Ombro –SIO. 
6.1.1-Fases (estágios) da SIO 
6.2- Lesão de Bankart 
6.3-Lesão de Hill-Sachs 
6.4-Capsulite Adesiva 
6.5-Lesão de Hill-Sachs • Bursites e Tendinites 
 
PARTE 2-Afecções Neuropsíquicas 
 
1.1-Introdução- Estudando um pouco a mente. 
1.1.1-Correlações posturais Psicossomáticas 
1. 2-Problemas dos ombros 
1.2.1-O braço luxado 
1.2.2-A síndrome ombro-braço 
1.2.3-Tensão nos ombros 
 
2-Artigo para análise: 
2.1-A dimensão psicopatológica da LER /DORT: somatização ou 
conversão? 
2.2-Análise do Artigo segundo Fisioterapia Psicossomática nas dores 
 do ombro 
2.3-A Fisioterapia Psicossomática nas dores do ombro 
2.3.1-Etiologia Psicossomática das afecções do ombro- Alterações 
 Neuropsíquicas 
2.3.1.1- Traumática - (de qualquer natureza). 
2.3.1.2- Traumática cumulativa - (movimentos repetitivos nas diversas 
 ocasiões, nã só no trabalho como também em lazer / esporte, 
 atividades domésticas, outras). 
2.3.1.3- Infecciosa / inflamatória - (tuberculose). 
2.3.1.4- Ocupacional - (referindo-se ao trabalho em acidentes típicos de 
 trabalho, ou de trajeto, e que se enquadra também entre as 
 traumáticas). 
2.3.1.5- Síndrome do Desfiladeiro Torácico – S.D.T. 
2.3.1.6- Degenerativa - (relacionada aos processos de artrite / artrose, 
 que acometem principalmente pessoas com idade mais 
 elevada). 
2.3.1.7- Neoplásica - (tumores de qualquer natureza). 
2.3.1.8-Paralisia Braquial Obstétrica (PBO) - que podemos considerar 
 como traumática / neurológica, durante o momento do parto. 
2.3.1.9-Neurológica - (exemplificamos com o AVC, onde não é tão rara 
 a presença da “Síndrome ombro-mão” ou da “sub-luxação da 
 articulação”, nos casos de plegia do membro superior). 
2.3.1.10- Malformação de Sprenguel - (uma escápula pequena, alada e 
 com inserção mais elevada que a contra- lateral, causando 
 assimetria entre as cinturas escapulares, e escoliose). 
2.3.1.11-Outras alterações congênitas (comprometendo a 
 funcionalidade normal da cintura escapular). 
2.3.2-Classificação de Bigliani da morfologia acromial 
2.3.3-Artigo Original-Revista Brasileira de Ortopedia. 2014 
 ;49(6):636–641-Análise da curvatura acromial e sua relação 
 com o espaço subacromial e os tipos de acrômio 
2.3.4-Considerações da Fisioterapia Psicossomática- 
2.3.4.1-Alterações Neuropsíquicas nas características morfofuncionais 
2.3.4.2-Significado de alterações no acrômio. 
2.3.4.2.1-Acrômio tipo I de Bigliani 
2.3.4.2.2-Acrômio tipo II de Bigliani 
2.3.4.2.3-Acrômio tipo III de Bigliani 
 
PARTE 3-Abordagem Neurocognitiva nas dores do ombro 
 
1.1.-COMO PREPARAR O PACIENTE PARA O ATENDIMENTO 
1.2-COMO AVALIAR O PACIENTE SOB A ÓTICA DA FISIOTERAPIA 
PSICOSSOMÁTICA E TRAÇAR O DIAGNÓSTICO PSÍQUICO FUNCIONAL 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
 Como introdução da parte 1 deste trabalho, temos 
como proposta uma revisão bibliográfica acerca da 
propedêutica ortopédica do complexo do ombro,abordando 
desde a anatomia,osteologia,miologia até os testes 
ortopédico,principais patologias e imaginologia. 
 Nosso objetivo é trazer para acadêmicos e 
profissionais, com uma linguagem bem acessível, 
informações relevantes sobre a Abordagem Neurocognitiva 
na dor do Ombro e correlacionar os Transtornos 
Neuropsíquicos que originam as afecções no referido local. 
 
 Então, dando início aos nossos estudos deste 
artigo sobre ombro, temos que o mesmo, na realidade, é um 
complexo articular. É a articulação do corpo humano com 
maior amplitude de movimento, o que explica o grau de 
“instabilidade natural” existente, ao ponto de corresponder a 
mais de 50% das luxações articulares do corpo. 
 A grande ADM (Amplitude de movimento) da 
articulação permite amplos movimentos de flexão, extensão, 
abdução, adução, rotação externa e rotação interna. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 FONTE: A.I. KAPANDJI. FISIOLOGIA ARTICULAR- 
 MEMBROS SUPERIORES, 5ª edição. 
 
 Apesar da “instabilidade natural”, o complexo ombro / 
cintura escapular possui estruturas estabilizadoras estáticas e 
dinâmicas. 
 Comparando com o quadril que é articulação 
estável com um receptáculo profundo, o acetábulo, o ombro 
tem um receptáculo raso, a fossa glenóide. 
 - Estabilizadores estáticos: cápsula articular, fossa glenóide, 
lábio glenoidal, ligamentos glenoumerais e intervalo dos 
rotadores (espaço entre a margem anterior do músculo 
supraespinhoso e a margem superior do subescapular, 
contendo no seu interior o tendão da cabeça longa do bíceps, 
ligamento coracoumeral e o ligamento glenoumeral superior). 
 
- Estabilizadores dinâmicos: os quatro músculos do Manguito 
Rotador e escápulo-umerais. O equilíbrio, a biomecânica e a 
localização destes músculos proporciona estabilidade e 
mobilidade da articulação do ombro.A primeira descrição de uma ruptura do 
Manguito Rotador do ombro é atribuída a Monro em 1788 
(Toutes lês bourses séreuses du corps humain). 
 
 
 
 
 
 
• 2-Cintura escapular - considerações anatômicas: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FONTE: Internet 
 
 2.1 - componentes ósseos 
Porção do úmero proximal + escápula + clavícula, que 
formam as articulações glenoumeral e acromioclavicular. 
 2.2 - músculos, ligamentos, tendões, reforçando a cápsula 
articular. 
 A Escápula divide-se em corpo, acrômio e 
glenóide, e através destas regiões anatômicas se formam as 
3 articulações e os 2 espaços de deslizamento do ombro: 
2.3-Articulações – 
“Glenoumeral”, 
“Acrômio-clavicular” e 
“Esterno-clavicular”; 
 
FONTE: Internet 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2.4-Espaços – 
“Espaço de deslizamento Escápulo-torácico”, 
e Espaço de deslizamento Acrômio-troquiteriano. 
 
 O nível superior da escápula correspondendo à 
segunda costela, e o inferior à sétima costela, mantendo-se 
lateralmente afastada da coluna vertebral a cinco cm (do 
processo espinhoso da vértebra T3, na altura da espinha 
escapular). 
 A denominação “Manguito Rotador” 
compreende o grupo de quatro músculos que envolvem a 
articulação glenoumeral, posicionando e segurando 
firmemente a cabeça do úmero na cavidade (fossa) glenóide: 
 
1. Subescapular anteriormente 
2. Infraespinhoso póstero-superior 
3. Supraespinhoso superiormente 
4. Redondo menor posteriormente 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 FONTE: Internet 
 
 O tendão do músculo supraespinhoso cobre a 
face superior da cabeça do úmero, inserindo-se na faceta 
superior da tuberosidade maior. 
 O tendão do músculo infraespinhoso cobre a 
face superior e posterior da cabeça do úmero. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FONTE: Internet 
 
 
 Em 1934 Codman associou roturas do tendão 
do supraespinhoso à “zona crítica”, localizada 
aproximadamente um centímetro (um cm) medialmente à 
inserção desse tendão. 
 Neer em 1972 denomina “Impingement 
Syndrome” e apresenta fisiopatologia, estágios e quadro 
clínico, com didática sustentada até os dias atuais. * - 
 Charles Sumner Neer - nasceu em Vinita / 
Oklahoma em 10/11/1917. 
 Segundo Hoppenfeld, a cintura escapular é 
composta por três junturas e 1 articulação: 
a. juntura esterno-clavicular 
b. juntura acrômio-clavicular 
c. juntura glenoumeral 
d. articulação escápulo-torácica 
 
 
 2.5-Classificação de Bigliani da morfologia acromial: 
 
 Bigliani e colaboradores identificaram 3 tipos 
de acrômio (I, II, III). 
 O Acrômio tipo III é associado a lacerações do 
Manguito Rotador proximais ao local de inserção do tendão 
do músculo supraespinhoso, na tuberosidade maior do úmero. 
 
Acrômio tipo I de Bigliani - com superfície inferior plana. 
Acrômio tipo II de Bigliani - com superfície inferior curva. 
Acrômio tipo III de Bigliani - com superfície inferior em 
gancho 
 
 
 
 
 
 
 
 
FONTE: Internet 
 
• 3.A etiologia das patologias do ombro 
 
 A cintura escapular tem suas variedades, muitas 
delas bem semelhantes, e que aqui denominamos seguindo a 
síntese do conteúdo da Literatura Recomendada (13), que 
serviu de base para parte da descrição deste artigo, 
ressaltando que, segundo o Dr. Glaydson G. Godinho autor 
do Cap. 7 do livro “Noções Práticas de Reumatologia” (Dr. 
Caio Moreira e Dr. Marco Antônio P. Carvalho), a etiologia 
traumática é constatada em 50% dos casos, enquanto as 
degenerativas em 42%, e as demais causas são responsáveis 
por 8%: 
a) Traumática - (de qualquer natureza). 
b) Traumática cumulativa - (movimentos repetitivos nas 
diversas ocasiões, não só no trabalho como também em lazer 
/ esporte, atividades domésticas, outras). 
c) Infecciosa / inflamatória - (tuberculose). 
d) Ocupacional - (referindo-se ao trabalho em acidentes 
típicos de trabalho, ou de trajeto, e que se enquadra também 
entre as traumáticas). 
e) Síndrome do Desfiladeiro Torácico – S.D.T. 
f) Degenerativa - (relacionada aos processos de artrite / 
artrose, que acometem principalmente pessoas com idade 
mais elevada). 
g) Neoplásica - (tumores de qualquer natureza). 
 h) Paralisia Braquial Obstétrica (PBO) - que na podemos 
considerar como traumática / neurológica, durante o 
momento do parto. 
 i) Neurológica - (exemplificamos com o AVC, onde não é 
tão rara a presença da “Síndrome ombro-mão” ou da “sub-
luxação da articulação”, nos casos de plegia do membro 
superior). 
j) Malformação de Sprenguel - (uma escápula pequena, alada 
e com inserção mais elevada que a contra- lateral, causando 
assimetria entre as cinturas escapulares, e escoliose). 
k) Outras alterações congênitas (comprometendo a 
funcionalidade normal da cintura escapular). 
 
• 4-Exames complementares: 
 
4.1-RX / incidências: 
 No aspecto radiológico, a maioria dos 
traumatismos sobre a região do ombro, pode ser avaliada em 
RX na incidência AP, com o braço na posição neutra, ou com 
o braço em rotação interna ou externa, para visualizar 
aspectos diferentes da cabeça do úmero. 
 Estas 3 incidências apresentam uma limitação, 
porque a cabeça do úmero é observada superpondo-se à 
glenóide, encobrindo o espaço da articulação glenoumeral. 
 A superposição é eliminada com a rotação do 
paciente em aproximadamente 40° em direção ao lado 
afetado; esta incidência oblíqua posterior especial, é 
denominada de incidência de Grashey, que possibilita que a 
glenóide seja vista em perfil. 
 A incidência axilar é útil para determinar a 
relação exata da cabeça do úmero e da fossa glenóide, assim 
como luxação anterior e posterior ,mas quando o paciente não 
consegue abduzir o MS para posicionar-se para o exame, é 
usada uma das variantes da incidência axilar, conhecida como 
incidência de West Point. 
 Outra variante da axilar é a incidência de 
Lawrence, que não exige grande abdução do ombro, de vez 
que pode ser compensada pela angulação do tubo de raios X. 
 Traumatismo da porção proximal do úmero 
pode ser vista nas incidências AP ou transescapular, e pode 
necessitar da lateral transtorácica para uma plena 
visualização. Suspeita de traumatismo do sulco bicipital 
solicita-se a incidência tangencial desta estrutura. Em lesão 
acromioclavicular é avaliada em incidência AP com 
inclinação cefálica em 15° do tubo de raios X. 
 Em fratura da escápula, incidência 
transescapular (ou em Y); em fratura do acrômio e para 
demonstração do tipo morfológico do acrômio, incidência 
“da saída” (Outlet view) do ombro. 
 O RX em perfil da escápula permite também 
visualização da cabeça do úmero. A incidência Perfil Axilar 
Simples avalia a estrutura do acrômio e a articulação 
acrômio-clavicular. A Incidência de Perfil Específico da 
Glenóide, de Bernageau, permite ver todo o contorno 
glenoideano, sempre indicada em avaliações radiológicas em 
atletas. 
 Segundo citação da literatura, o índice de 
diagnóstico das lesões ósseas da reborda anteroinferior da 
glenóide (Lesão de Bankart), com o emprego desta 
incidência, é de 95%. 
FONTE: Internet 
 
 
 
 
 
 
4.2-Imagens para Lesões de cartilagens e tecidos moles: 
 Ultrassonografia, Artrografia, Tomografia 
Computadorizada, Ressonância Magnética. 
 A ultrassonografia do ombro é método eficaz, 
rápido e indolor, para avaliar o Manguito Rotador,bursas, 
músculos e tendões, processos inflamatórios, sinais de 
artrose, porém há necessidade de valorizar a experiência do 
examinador. É um exame sensível e possibilita bem a 
constatação das roturas no Manguito Rotador, e do tendão 
bicipital. 
FONTE: Internet 
 
 
 
 
 
 
 
 
4.3-A Artrografia 
 É um bom método propedêutico, pode ser 
realizada com técnicas de contraste simples ou duplo. 
 Em laceração do Manguito Rotador, uma 
Artrografia de contraste simples pode revelar comunicação 
anormal entre a cavidade glenoumeral e o complexo de 
bursas subacromial-subdeltóidea; 
 Em anormalidades da cartilagem e da cápsula 
articular, é mais adequado o contraste duplo, porém quando 
este é indicado, a Artrografia será combinada com a 
Tomografia Computadorizada (Artrotomografia 
Computadorizada), para avaliar suspeita de anormalidade do 
labrum glenóide fibrocartilaginosa. 
 A distensão da cápsula articular permite avaliar 
sua morfologia, a do lábio glenoidal, ligamentos 
glenoumerais, do intervalo dos rotadores, da face articular do 
Manguito Rotador, e de acompanhamento pós-operatório da 
articulação glenoumeral e do manguito rotador. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 FONTE: Internet 
 
4.4-A Artro-ressonância magnética 
 Constitui-se em excelente método, por permitir a 
análise mais precisa das estruturas mencionadas, assim como 
dos demais componentes da articulação e também das 
estruturas relacionadas a essa articulação, como os 
musculares do Manguito Rotador e do tendão da cabeça 
longa do bíceps braquial. 
 Dependendo da história clínica do caso, e 
suspeita médica no decorrer da avaliação, outros exames 
complementares poderão ser solicitados, como por exemplo, 
biópsias, cintilografia. 
 
 FONTE: Internet 
 
. 
 
 
 
 
 
 
 Artroressonancia magnética do ombro direito, 
 mostrando luxação anterior com lesão de Bankart (seta) 
 
• 5-Exame físico: 
 
 O mais importante dos exames, que deve ser 
complementado pelos descritos acima, quando necessários. 
 O exame físico bem realizado permite com 
exatidão, muitos diagnósticos do complexo ombro / cintura 
escapular. 
 Citamos abaixo, algumas manobras / testes 
propedêuticos TESTE DE MOBILIDADE DO OMBRO: 
 Pode ser ativo (movimentos realizados apenas 
pelo paciente) ou passivo (movimentos realizados pelo 
examinador). 
5.1. Teste de Apley - teste ativo, também denominado de 
“teste da coçadura”. É um teste rápido para avaliar a 
amplitude dos movimentos. Para abdução e rotação externa - 
para o paciente alcançar o ângulo médio superior da escápula 
contralateral, passando a mão por trás da cabeça. Para adução 
e rotação interna - tocar com a mão no acrômio contralateral, 
passando o antebraço pela frente do tórax. Também, pedir 
para o paciente tentar tocar com a mão, o nível mais alto da 
escápula contralateral, passando o membro superior por trás 
do tórax. Sempre executar a manobra, primeiramente com o 
membro superior sadio para depois com o sintomático; medir 
a diferença para avaliação futura comparativa. 
 
5.2. Teste muscular e neurológico - (pesquisa dos reflexos 
tendíneos, sensibilidade e força muscular) são exemplos de 
testes passivos, que vamos citar alguns que possuem 
denominação própria. 
 O exame muscular propriamente dito, abrange 
basicamente os movimentos (descritos por Hoppenfeld): 
flexão - extensão - adução - abdução - rotação interna - 
rotação externa - elevação da escápula - prolongamento do 
ombro. 
 
5.3. Testes Especiais - são os característicos à anatomia e às 
condições patológicas da articulação: 
 5.3.1 - Teste de Yergason / Teste de Lipmann - teste 
passivo que constata a estabilidade do tendão da porção longa 
do bíceps braquial no sulco bicipital do úmero. Paciente em 
ortostatismo ou sentado, cotovelo junto à lateral do tronco, 
fletido em 90° e antebraço pronado sobre o abdômen; 
Examinador posiciona-se ao lado do paciente e do membro 
superior examinado (exemplo, o MSD), mão E firmemente 
na base do cotovelo, mão D firme sobre o punho D do 
paciente, traciona o braço externamente até encontrar 
resistência, e ao mesmo tempo traciona o cotovelo para 
baixo. O tendão do bíceps quando instável no sulco se 
deslocará e o paciente refere forte dor. Palpar a goteira 
bicipital, pedir para o paciente fazer supinação e o 
Examinador resiste. 
 
 5.3.2 - Teste de Ludington - teste ativo que constata a 
estabilidade da cabeça longa do bíceps na goteira bicipital. 
Entrelaçar os dedos das mãos atrás da cabeça e contrair o 
bíceps. Teste positivo quando o paciente sente que o tendão 
deslocou ou “sente que vai deslocar”. 
 
 5.3.3 - Teste de Abbot-Saunders - constata a estabilidade 
da cabeça longa do bíceps na goteira bicipital. Iniciar o 
movimento com o MS em abdução e rotação externa, baixá-
lo lentamente com o bíceps contraído. Teste positivo quando 
manifesta dor e percebe um “click” (palpável e audível). 
 
 5.3.4 - Teste da queda do braço - teste ativo que constata 
ruptura na bainha rotatória; abduzir completamente o MSD, 
em seguida pedir que baixe vagarosamente ao lado do tronco. 
Havendo ruptura na bainha rotatória, principalmente se for do 
supraespinhoso, na altura de aproximadamente 90° ao baixá-
lo, o membro tende a “cair” bruscamente, ele não conseguirá 
segurá-lo para manter em descida vagarosa. 
5.3.5 - Teste de apreensão para o deslocamento do ombro 
- teste passivo para constatar deslocamento crônico do 
ombro. Aduzir o MSD com o cotovelo em 90° de flexão e 
ombro D em 90° de abdução; Examinador com mão E 
apoiando posteriormente sobre o ombro, mão D sobre o 
punho, abduzir e rodar externamente o braço para a posição 
de fácil deslocamento. Será positivo com a demonstração de 
medo e pavor do paciente, temendo mais um deslocamento 
da articulação, que será um desprazer a ele, motivo pelo qual 
resistirá à manobra. 
 5.4. Teste para diagnóstico de Tendinite - positivo na 
presença de dor (com ou sem ruptura em tendões) 
representada com sinais de + a ++++ (uma a quatro cruzes): 
 
5.4.1 - Palm-up test - para o tendão da porção longa do 
bíceps; teste passivo, onde o Examinador eleva o MS 
comprometido em extensão e supinação a 90°, e empurra o 
membro para baixo contra a resistência. Manifesta dor no 
local sobre o sulco bicipital. 
 
5.4.2 - Teste de Yergason - resumidamente também é para a 
manifestação de dor sobre a goteira bicipital, quando o 
paciente realiza flexão do cotovelo e supina o antebraço 
contra a resistência do examinador. 
 
5.4.3 - Teste de Hawkins - teste passivo, posicionar ombro e 
cotovelo a 90°, descansá-los sobre a mão contralateral do 
examinador, que está com a outra mão apoiando o ombro, e 
fazer rapidamente a rotação interna. Haverá manifestação de 
dor, quando positivo, porque a manobra provoca o atrito do 
tendão do supraespinhoso com a borda anteroinferior do 
acrômio e ligamento córaco-acromial. 
5.4.4 - Teste de Neer - teste passivo, elevando rapidamente o 
MS com o cotovelo em extensão e pronação do antebraço, 
provocando o choque de inserção sobre o supraespinhoso 
contra a borda anteroinferior do acrômio. Dor na elevação 
súbita do MS. 
 
5.4.5 - Teste de Yocum - paciente apoiar o ombro oposto 
com a mão pela frente; passivamente o Examinador vai 
elevando o cotovelo (atrito entre escápula e arco córaco-
acromial). 
 
5.5. Teste para avaliação de ruptura tendinosa – 
 
5.5.1 - Teste de Jobe - teste passivo, apenas para avaliação 
do supraespinhoso; dá o diagnóstico de ruptura com grande 
margem de segurança; paciente em pé, MMSS em extensão e 
abdução em 30°,Examinador força os MMSS para baixo, 
contra a resistência do paciente, que manifestará dor. Poderá 
haver uma resposta falso-positiva, que um dos testes de Neer 
soluciona (injetar 8 – 10 ml de Lidocaína no espaço 
subacromial e repetir a manobra). Se mantiver a dor e 
fraqueza para sustentar o MS, o teste de Jobe será positivo. 
5.5.2 - Teste de Patte - para avaliação de ruptura do tendão 
do músculo infraespinhoso; ombro abduzido em 90°, 
cotovelo fletido em 90°, paciente resiste à rotação interna do 
ombro. Resistência diminuída no membro superior 
comprometido sinaliza para ruptura do tendão do músculo 
infraespinhoso. 
5.5.3 - Ruptura da porção longa do bíceps braquial - às 
vezes, a retração distal do músculo bíceps braquial não é 
perceptível. Solicitar ao paciente que faça força flexora, e o 
examinador realiza a palpação com o seu polegar, no sulco 
bicipital. Às vezes pode ser percebida a ruptura. 
5.5.4 - Teste de Gerber (Lift off Test) - para ruptura do 
tendão do subescapular, ou luxação do tendão longo do 
bíceps; manobra idêntica ao teste de Apley, sem encostar o 
dorso da mão na região lombar. É positivo quando não 
consegue afastar o dorso da mão do contato com a região 
lombar. 
 
5.6. Síndrome do Desfiladeiro Torácico - Observamos 
algumas demonstrações do posicionamento dos MMSS, com 
os cotovelos em 90° de flexão, e outras com os cotovelos em 
extensão. 
5.6.1 - Teste de Roos - MMSS em abdução e rotação 
externa, e por 2 a 3 minutos fazer movimentos simétricos de 
abrir e fechar as mãos. Havendo compressão do feixe 
neurovascular entre os músculos escaleno anterior e peitoral 
menor / clavícula e primeira costela, haverá a queixa de dor, 
dormência / formigamento, cansaço / fadiga no braço 
comprometido, e conseguintemente fraqueza. 
5.6.2 - Teste de Wright - palpar o pulso radial do MS 
examinado + manter abdução do ombro em 90° no plano 
frontal + cotovelo em flexão de 90° + rotação do pescoço 
para o lado oposto ao membro examinado. Se desaparecer o 
pulso radial, há evidências de compressão da artéria. A 
literatura chama atenção para o fato de que aproximadamente 
25 - 30 % da população assintomática, pode mostrar 
positividade nesta manobra. 
5.6.3 - Teste de Adson - verifica se há compressão da artéria 
subclávia pelo músculo escaleno ou costela cervical. Palpar o 
pulso radial + seguindo com abdução + extensão e rotação 
externa do braço + inspiração profunda + rodar o pescoço 
para o lado do MS examinado. Se houver compressão, da 
artéria haverá diminuição do pulso. 
 
 5.6.4 - Teste de Adson modificado - palpar pulso radial do 
MS examinado + rotação da cabeça para o lado oposto do MS 
examinado + abdução + extensão e rotação externa do MS. 
Se tiver diminuição da intensidade do pulso radial, poderá 
estar havendo compressão do feixe vásculo-nervoso, quando 
associamos à história clínica (queixas). 
 
 
 5.7. Teste para instabilidade Gleno-umeral – 
 
5.7.1 - Decoaptação úmero-acromial - paciente em 
ortostatismo na posição anatômica, examinador traciona seus 
MMSS para baixo. O ombro que tem elasticidade cápsulo-
ligamentar aumentada demonstra um sulco entre a cabeça do 
úmero e o acrômio, podendo estar associado a uma 
instabilidade 
5.7.2 - Teste da Gaveta anteroposterior - paciente sentado 
na mesa de exame e “de costas” para o examinador também 
sentado ao seu lado, firma seu ombro por cima com a mão 
Esquerda e a porção proximal do úmero Direito com sua mão 
D, e executa o movimento anteroposterior do ombro, na 
busca do sinal da gaveta, quando há hiper-elasticidade ou 
instabilidade (anterior ou posterior, ou ambas). 
5.7.3 - Teste da apreensão - paciente sentado, examinador 
posicionado atrás, realiza abdução + rotação externa do MS 
examinado, manobra que o paciente já sabe e já conhece, por 
ter causado luxações anteriores, o que lhe causa grande 
apreensão e dor. Muitas vezes basta o ato do paciente 
demonstrar que vai executar esta manobra, já e motivo de 
pânico pro parte do paciente. 
 
5.7.4 - Teste de recentragem - paciente em decúbito dorsal, 
MS abduzido e rodado externamente, examinador força 
impulsão da cabeça do úmero no sentido anterior, e na 
presença de instabilidade, há manifestação de dor, que 
desaparece com o movimento contrário. 
 
5.7.5 - Jerk Test - para constatar instabilidade posterior; 
braço do paciente em abdução de 90°, examinador realiza 
movimento horizontal de adução e impulsão axial posterior, 
enquanto a escápula é estabilizada com a outra mão. Se 
houver instabilidade posterior, provoca-se a subluxação 
posterior da cabeça do úmero, e sua redução. 
 
6. Principais afecções no complexo do ombro 
6.1-Síndrome do Impacto do Ombro-SIO 
 A SIO, também conhecida como “Impingement” é 
alteração comum e frequente da cintura escapular, com maior 
prevalência em pessoas entre 40 e 50 anos, mas por estar 
ligada a várias atividades do esporte e trabalho, é cada vez 
mais frequente em faixa etária mais baixa. 
 Halkins, em 1987, relaciona os estágios (fases) 
anatomopatológicos descritos por Neer, com o quadro clínico 
encontrado, porém ressalta que nem sempre há uma relação 
direta entre manifestação clínica e os estágios 
anatomopatológicos descritos por Neer. 
6.1.1Fases (estágios) da SIO 
(descrição anatomopatológica por Neer - 1983): 
I - Em jovens abaixo de 25 anos 
 Dor aguda relacionada com esforço progressivo / 
prolongado / exagerado, edema e hemorragia em bolsas e 
tendões sem uma verdadeira lesão anatômica; melhora 
progressiva com o repouso no membro e tratamento 
conservador, quadro clínico reversível. 
 Os tendões mais comprometidos nesta fase são os do 
músculo supraespinhoso e da cabeça longa do bíceps 
braquial. 
 
II - Entre 25 a 40 anos 
 Acomete frequentemente atletas de esportes com 
MMSS; importante fazer diagnóstico diferencial com 
Capsulite Adesiva; 
 Processo inflamatório crônico, dor constante quando 
eleva o MS e faz rotação interna do ombro; 
 Não há ruptura completa, mas poderá haver parcial; 
tendinite, fibrose, espessamento da bursa subacromial, 
diminuição da força no membro, devido à dor. 
 
III - Mais frequente acima de 40 anos 
 Ruptura completa de um ou mais tendões do ombro. 
Importante redução da força no MS, devido à dor constante; 
grande dificuldade para elevar o MS contra a simples ação da 
gravidade. 
FONTE: Internet 
 
 
 
 
 
 
Imagens de RMN mostrando rupturas do tendão do 
Supraespinhoso. 
 A creptação subacromial é sinal clínico significativo 
para confirmar o diagnóstico, associado aos demais (Jobe 
positivo em 90 %, e Patte em 25 %). 
 Nesta fase, o RX pode ser útil, mostrando cistos 
subcromiais, esclerose óssea, esporões na borda do acrômio, 
pinçamento do espaço subacromial. 
 O pinçamento do espaço subacromial, com redução 
da distância normal (7 mm) entre o acrômio e a cabeça do 
úmero sinaliza para lesão grave e antiga do Manguito 
Rotador. A artrografia colabora para um diagnóstico preciso, 
assim como a ecografia, porém esta pode apresentar maior 
margem de dúvida / erro. 
 Neer em 1972, descreveu o impacto mecânico do 
tendão do supraespinhoso pelo terço anteroinferior do 
acrômio, do ligamento córaco-acromial e, em alguns casos, 
pela artrose da articulação acrômio-clavicular. 
 A causa mecânica foi reforçada pelos estudos de 
Morrison & Bigliani em 1987, sobre o formato do acrômio 
anterior e suas repercussões sobre o tendão do supraespinal. 
 Entretanto; sabemos hoje, que outros fatores são 
também responsáveis pela Síndrome do Impacto no Ombro 
(SIO), que é uma patologia inflamatória e degenerativa 
caracterizada por impactação mecânica de estruturas 
localizadas no espaço úmero-córaco-acromialda articulação. 
 
 •6.2-Lesão de Bankart (Dr. Arthur Sidney Blundell Bankart 
– cirurgião inglês / publicação em 1923): 
 Compreende a desinserção do lábio glenóide, com 
os ligamentos gleno-umerais, deixando a glenóide rasa e 
insuficiente para estabilizar a articulação do ombro. 
 Na presença de repetitivas luxações anteriores do 
ombro, pode ocorrer lesão deste ligamento glenoumeral 
anteroinferior, correspondendo à denominada “lesão de 
Bankart”. 
 A luxação anterior do ombro é muito mais 
frequente que a posterior; e a maioria das primeiras luxações 
do ombro é de natureza traumática quase sempre violenta, 
fragilizando a estabilidade e facilitando para a repetitividade 
do episódio, mesmo sem que haja um grande traumatismo. 
 Com cirurgia vídeo-artroscópica o lábio glenóide 
pode ser reinserido na borda anterior da glenóide com pontos 
de sutura, normalizando a anatomia que fora comprometida, 
ou seja, a reinserção do lábio glenóide. (Arthur Sidney 
Blundell Bankart / 1879 – 1951). 
• 6.3-Lesão de Hill-Sachs: 
 Trata-se de fratura compressiva causada pelo 
impacto das trabéculas da cabeça umeral durante a luxação 
anterior da articulação glenoumeral – publicação pelos 
radiologistas norte-americanos Hill e Sachs que 
documentaram radiograficamente a alteração osteocondral da 
região póstero-lateral da cabeça do úmero, assunto já 
publicado por Malgaigne em 1855 na França, após estudos de 
peças anatômicas. 
FONTE: Internet 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 As lesões de Bankart e de Hill-Sachs não são tão 
frequentes, mesmo em atletas de grandes esforços com 
MMSS ou submetidos a micro traumas de repetição, 
causando luxações. 
 A ultrassonografia é um dos recursos propedêuticos 
capaz de ser útil para o diagnóstico da patologia. 
 As alterações mais frequentes ao nível do ombro são: 
Tenossinovite ao nível do bíceps e tendinite no músculo 
supraespinhoso. 
 
• 6.4-Capsulite Adesiva (“ombro congelado”): 
 Patologia que acomete a cintura escapular, 
caracterizada basicamente por dor e limitação significativa da 
amplitude do movimento articular (ADM). 
 A dor que inicialmente pode ser de grande 
intensidade, pode apresentar diminuição da sua intensidade 
em poucas semanas de tratamento, porém a limitação da 
amplitude do movimento é mais resistente e tende a se 
prolongar por vários meses, tanto com o esforço ativo, como 
em manobras passivas realizadas por terceiros. 
 Cada caso e cada pessoa têm sua própria forma de 
evolução frente à patologia e seu tratamento, mas 
considerando margem de erro, podemos afirmar que 
usualmente a patologia pode ter uma duração aproximada de 
seis (6) a vinte e quatro (24) meses. 
 Identificamos 3 (três) fases bem distintas quando 
atentamos para o início da ocorrência e sua evolução, através 
da história relatada pelo paciente, e do exame físico realizado 
pelo profissional: 
1ª fase - dor intensa que piora com o movimento do membro 
superior comprometido (flexão, abdução, rotações). 
 2ª fase - mais restrição da amplitude do movimento e 
redução na intensidade da dor (começa “o congelamento”). 
 3ª fase - dor praticamente desaparece, e aos poucos vai 
melhorando a amplitude do movimento da articulação, o que 
podemos interpretar como a fase do “descongelamento”. 
 
6.5-Lesão de Hill-Sachs • Bursites e Tendinites: 
 São patologias frequentes e tão incapacitantes 
quanto à acima descritas; 
 As tendinites podem ser calcificantes ou não e as 
bursites, principalmente a Bursite subacromial, uma pequena 
bolsa localizada no espaço subacromial, entre o acrômio e os 
tendões do Manguito Rotador. 
 São patologias dolorosas e incapacitantes 
temporariamente para determinadas atividades, e respondem 
satisfatoriamente ao tratamento conservador, em muito 
menos tempo que, por exemplo, a Capsulite Adesiva. 
 A bursite do ombro, muito raramente é primária, 
motivo pelo qual o tratamento deve priorizar o combate à 
causa. 
 
 
REFERÊNCIAS 
 1. “MANUAL DE ORTOPEDIA” - Título Original: “Orthopaedics for the 
undergraduate” (William Heinemann Medical Books LTD-Londres) - W. A. 
Crabbe - Editorial Cientifico-Medica - 1970. 
 2. “BIOMECÂNICA ORTOPÉDICA - Mecânica Aplicada al Sistema 
Locomotor” - Victor H. Frankel, Albert H. Burstein - Editorial Jims - 1973. 
3. “ATLANTE DI ANATOMIA UMANA DESCRITTIVA” - Angelo Farina - 
Recordati - 1980. 
4. “A COLOUR ATLAS OF CLINICAL ORTHOPAEDICS” - Lipmann 
Kessel - Wolfe Medical Publications LTD - 1980. 
5. “PROPEDÊUTICA ORTOPÉDICA - Coluna e Extremidades” - Stanley 
Hoppenfeld - Livraria Atheneu - 1980. 
6. “MÚSCULOS - PROVAS E FUNÇÕES” - Henry Otis Kendall, Florence 
Peterson Kendall, Gladys Wadsworth - 2ª Edição - Editora Manole LTDA. - 
1980. 
 7. “TERAPÊUTICA POR EXERCÍCIOS” - John V. Basmajian - Terceira 
Edição - Editora Manole LTDA. – 1980 
 8. “MERCER‟S ORTHOPAEDIC SURGERY” - Robert B. Duthie, George 
Bentley - Eighth Edition - Edwward Arnold (Pulishers) Limited - 1983. 
Tendinite calcária 9. “KRUSEN: TRATADO DE MEDICINA FÍSICA E 
REABILITAÇÃO” - Frederic J. Kottke, G. Keith Still Well, Justus F. 
Lehmann - Terceira Edição - Editora Manole LTDA - 1984. 
10. “GUIA PRÁTICO - TENOSSINOVITES - e outras lesões por traumas 
cumulativos nos membros superiores de origem ocupacional ” - Hudson de 
Araújo Couto - Ergo Editora B&C LTDA. - 1991. 
 11. “SÍNDROME DO IMPACTO – RELAÇÕES ANÁTOMO-CLÍNICAS, 
DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO” (Artigo de Revisão) - Júlia Maria 
D‟Andrea Greve, Arnaldo Amado Ferreira Filho, Américo Zoppi Filho, Raul 
Bolliger Neto - Revista: Medicina de Reabilitação, nº 41, Agosto de 1995. 
12. “PROTOCOLO DE INVESTIGAÇÃO DAS LESÕES POR ESFORÇOS 
REPETITIVOS (LER)” - Dr. Osvandré Lech, Dra. Maria da Graça Hoefel - 
Rhodia Farma Ltda. - 1995. 
13. “NOÇÕES PRÁTICAS DE REUMATOLOGIA - Volume I” - Caio 
Moreira, Marco Antônio P. Carvalho - Livraria e Editora Heath - 1996. 
14. “ANATOMY - PALPATION & SURFACE MARKINGS” - Derek Field - 
Second Edition - Butterworth-Heinemann - 1997. 
15. “FISIOLOGIA ARTICULAR - MEMBRO SUPERIOR - Volume I” - A. 
I. Kapandji (Ibrahim Adalbert) - 5ª Edição - Editorial Médica Panamericana - 
Maloine - 2000. 
16. “RADIOLOGIA ORTOPÉDICA” - Adam Greenspan / introdução por 
Michael W. Chapman - Terceira Edição - Guanabara Koogan - 2001. 
 17. “MEDICINA DE REABILITAÇÃO - Associação Brasileira de Medicina 
Física e Reabilitação; Academia Brasileira de Medicina Física e Reabilitação - 
Sérgio Lianza - Quarta Edição - Editora Guanabara Koogan - 2007. Belo 
Horizonte, 06 de Dezembro de 2010 Demétrio Praxedes Araújo Médico 
Fisiatra titular da AMB, CFM, e ABMFR Curso de Especialização de 
Reabilitação de Amputados e Próteses Membro do Comitê de Ajudas Técnicas 
- CAT / SNPD / SDH / PR Consultor do Centro Brasileiro de Segurança e 
Saúde Industrial - CBSSI, sobre “Reabilitação” 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Fisioterapia Psicossomática nas dores do ombro 
PARTE 2 
1.Afecções Neuropsíquicas 
 
1.1-Introdução- Estudando um pouco a mente. 
 
 Já que neste trabalho estamos abordando 
instâncias da mente, vamos pincelar um pouco sobre elas, 
com base em Freud. 
 A Mente é o estado da consciência 
ou subconsciência que possibilita a expressão da 
natureza humana. (Historia da filosofia, Wilhelm Dilthey. 
Hemus, 2004. Página 27-28). 
 
 É um conceito bastante utilizado para descrever 
as funções superiores do cérebro humano relacionadas 
à cognição e comportamento. (Humanos antes da 
humanidade, Robert Foley. UNESP, pág. 210) 
 
 Em 1923, no livro "O Ego e o Id", Freud expôs 
uma divisão da mente humanaem três partes. Para Freud, a 
mente tem três instâncias: o Id, o Superego e o Ego. 
 O Id corresponde aos nossos instintos, os nossos 
desejos mais íntimos e obscuros. É uma parte inconsciente do 
eu, que necessita tornar-se consciente, cabendo ao superego 
essa função potencial de permitir ou negar. (AMORIM, 
Henoque - Psicanálise para leigos, 2011.p.50). 
 O Superego, que seria a nossa consciência 
moral. Ou seja, os princípios sociais e as proibições que nos 
são inculcadas nos primeiros anos de vida e que nos 
acompanham de forma inconsciente a vida inteira; 
(Da Página 3 Pedagogia & Comunicação 23/01/2012) 
 O Ego que se identifica à nossa consciência. 
(Da Página 3 Pedagogia & Comunicação 23/01/2012). Está 
acima do Superego e do Id.Para Freud,”esse Ego objeto é 
tanto ativo quanto passivo;é aquilo que deve ser protegido 
e,ao mesmo tempo, agente desta 
proteção”.(AMORIM,Henoque -Psicanálise para leigos,2011-
apud Garcia-Roza, Luiz Alfredo, 1936- Freud e o 
Inconsciente,p.56) 
 A função própria dos ombros é dar liberdade de 
ação aos braços. Mas de maneira similar a eles, com o tempo, 
pode mover-se para cima e proporcionar um esconderijo para 
a cabeça, eles podem mover-se também para frente para 
abrigar entre si o peito e o coração. Esta é uma típica postura 
de autoproteção, com a qual os afetados mostram como se 
sentem vulneráveis e carentes de proteção. (DAHLKE, 
1992). 
 
REFERÊNCIAS 
 
AMORIM, Henoque-Psicanálise para leigos 
DILTHEY,Wilhelm-Historia da filosofia. Hemus, 2004 
FOLEY,Robert-Humanos antes da humanidade. UNESP. 
Site: WWW.Pedagogia & Comunicação 
 
 
 
 
 
1.1.1-Correlações posturais Psicossomáticas 
 
 A postura dos ombros deixa entrever algo da 
postura em relação à vida (Rüdger Dahlke - A Doença como 
Linguagem da Alma ,Cultrix,1992). 
 As clavículas e as escápulas mantêm a área 
superior do corpo unida. 
 Na parte anterior do corpo, os ombros, passando 
pelas clavículas, chegam até o esterno, enquanto atrás suas 
escápulas cobrem a parte superior das costas. Os ombros 
ligam a expressividade dos braços e das mãos ao peito, local 
do meio e da integração. (DAHLKE, 1992) 
FONTE: Internet 
 
 
 
 
 
 Juntamente com a coluna vertebral, eles são a área 
do corpo onde se pode ler qual carga uma pessoa carrega, e 
como a leva. (DAHLKE, 1992) 
 Más posturas internas crônicas podem manifestar-
se nos ombros sob a forma de músculos endurecidos e tensos 
ou até mesmo como más formações do esqueleto ósseo. 
(DAHLKE, 1992) 
 Os mais nítidos são os ombros erguidos, entre os 
quais parece querer esconder-se uma cabeça medrosa. Como 
em um caracol ou uma tartaruga, ela se mete para dentro ao 
confrontar os perigos do mundo lá fora. Quando algo nos 
assusta, nós automaticamente encolhemos a cabeça. 
(DAHLKE, 1992) 
FONTE: Internet 
 
 
 
 
 
 Então, quando o susto passa, os ombros retornam 
á postura não assustada e a cabeça se atreve novamente para 
diante. (DAHLKE, 1992) 
 Consequentemente, ombros cronicamente 
erguidos mostram que seu proprietário permanece 
constantemente nesse estado abaixado e chocado e não 
consegue mais livrar-se do medo. (DAHLKE, 1992) 
 Talvez, também, ele já tenha levado tanto na 
cabeça que inconscientemente prefere abaixar-se e passar de 
maneira furtiva pela vida com a cabeça metida entre os 
ombros. (DAHLKE, 1992) 
 O medo crônico congelado na área dos ombros 
mostra-se também na estreiteza da postura. Não é raro que a 
esses ombros faltem a largura e a energia para suportar o 
fardo da vida e a responsabilidade correspondente. 
(DAHLKE, 1992) 
 O ombro esquerdo erguido unilateralmente serve 
tanto para proteger o coração como para bloqueá-lo. 
 O pólo oposto anatômico é constituído por 
pessoas com os ombros caídos, que expressam resignação. 
 Eles lembram pássaros com as asas caídas e, de 
fato, as escápulas têm certa semelhança com asas recolhidas. 
 Ombros caídos necessariamente suportam mais 
carga (responsabilidade) do que são capazes, seus 
possuidores estão sobrecarregados. 
 Os ombros tentam deixar escorregar aquilo que é 
demasiado para eles, e tentam subtrair-se. Há algo nisso que 
desperta compaixão, sobretudo quando os ombros são além 
do mais estreitos. 
 Os afetados dão a impressão de que tomam para si 
todo o peso do mundo. Dá vontade de abraçá-los sob os 
braços (igualmente caídos) e aliviá-los um pouco. 
 Ombros acentuadamente estreitos evidenciam 
uma capacidade reduzida de assumir a carga da 
responsabilidade pela própria vida. Seus possuidores se 
recolhem para poder ater-se com a vida. (DAHLKE, 1992) 
 Eles dão a impressão de que teriam de fazer um 
esforço imenso para suportar os encargos que têm pela frente. 
 Como base para o âmbito em questão, tais 
ombros são um pressuposto bastante fraco, o controle da vida 
somente pode ser assumido com grandes fadigas. 
 É natural que os possuidores de ombros que 
servem mais para ornamento que outra coisa tenham uma 
grande necessidade de apoio, preferindo ombros 
especialmente largos onde possam apoiar a cabeça e, 
juntamente com ela, a responsabilidade. Entre os ombros 
erguidos e os ombros caídos localizam-se os ombros em 
ângulo reto, que denotam um estado normal. (DAHLKE, 
1992) 
 Entretanto, mesmo neste caso há sinais de exagero 
que não deixam de ser significativos. 
 Os ombros tipicamente masculinos, com os 
másculos estirados, sinalizam para todo o mundo que aqui 
alguém está disposto a assumir a responsabilidade por si 
mesmo e mais. 
 Acentuando especialmente essa expressão, talvez 
através de massa muscular obtida à custa de treinamento ou 
dos enchimentos correspondentes, alguém mostra o quanto 
pensa no efeito que exerce sobre os outros. 
 Neste ponto, ele levanta também a suspeita de 
simular coisas que gostaria de ter. Os soldados, que não 
somente usam galões em suas jaquetas, mas também tiras em 
todas as camisas se traem como coletividade em relação a 
isso. 
 A voz popular fala de ombros inchados. Indica-
se para o exterior quanto poder e quanta responsabilidade se 
está disposto a assumir, sendo que na verdade a maioria teve 
a espinha quebrada para exercer, sob ordens, a falta de 
responsabilidade. 
 Ombros superdimensionados indicam egos 
similares, enquanto ombros estreitos indicam o contrário. 
 Quando, além disso, eles são caídos, isso indica que 
neste caso alguém desistiu de se afirmar e de mostrá-lo ao 
mundo. 
 Os ombros, portanto, dizem algo sobre o tipo de 
conflito que se tem com o mundo, sendo que os ombros em 
ângulo reto estão realmente na altura certa. 
 Quando caídos, mostram o desânimo de seu 
proprietário; erguidos, que querem iludir a responsabilidade 
para cima. 
 Pois ombros erguidos também se tornam estreitos, 
dando proteção adicional á cabeça em sua tentativa de 
eclipsar-se. 
 Além disso, a altura relativa dos ombros mostra, 
com o lado mais baixo, qual metade da polaridade é 
acentuada na vida. 
 Assim, nos homens é geralmente o ombro direito 
que está mais baixo, indicando com isso que estão mais 
distendidos nesse âmbito e tendendo a ir de encontro ao 
mundo de maneira masculinamente controlada e agressiva. 
 O ombroesquerdo mais baixo, que ocorre em 
mulheres na maioria das vezes, indica que se encara seu 
ambiente de maneira femininamente passiva. 
 Com o ombro mais baixo mostra-se ao mundo o 
lado do qual se está mais seguro. 
 A função própria dos ombros é dar liberdade de 
ação aos braços. Mas de maneira similar a como eles, com o 
tempo, podem mover-se para cima e proporcionar um 
esconderijo para a cabeça, eles podem mover-se também para 
frente para abrigar entre si o peito e o coração. 
 Esta é uma típica postura de autoproteção, com a 
qual os afetados mostram como se sentem vulneráveis e 
carentes de proteção. 
 Muitas vezes, nas mulheres, há por trás disso a 
sensação de ter de proteger ou ainda ocultar seu peito do 
mundo. Essas más posturas remetem-se frequentemente à 
puberdade. 
 Quando a menina na verdade deveria ter sido um 
menino, os seios que começam a crescer não são saudados 
com alegria e sim escondidos com vergonha. 
 Seios grandes, em uma situação de insegurança de 
si mesmo, podem levar a que se prefira ocultar uma 
feminilidade tão demonstrativa. 
 Sentimentos de inferioridade e inseguranças em 
relação ao próprio papel feminino que não são confrontados 
conscientemente encarnam-se e, nas regiões correspondentes, 
tornam-se visíveis e palpáveis como couraças. 
 Quando a postura protetora tem por objetivo o 
coração e seus sentimentos, é especialmente o ombro 
esquerdo que está especialmente curvado para frente. 
 Com essa postura os afetados se fazem estreitos, 
é como se eles se escondessem em si mesmos. Dessa 
maneira, seu interior torna-se estreito e seus pulmões já não 
podem expandir-se da maneira correspondente. 
 A respiração curta que dai resulta explícita a 
pobre disposição para a comunicação. A imagem de isolar-se 
e de fechar-se para fora combina com a tendência de 
conservar as emoções para si mesmo e de praticamente não 
se defender de golpes eventuais 
. Em vez disso, as vitimas dessa postura tendem a 
retirar-se ainda mais para seu espaço protegido, que consiste 
de ombros adiantados, e braços e costas curvadas. 
 Mas, juntamente com a proteção desejada, todo 
bunker eficaz traz também consigo estreiteza, rigidez e 
opressão que podem levar até a falta de ar. 
 
 
REFERÊNCIAS 
DAHLKE,Rüdger- A Doença como Linguagem da Alma- 
 Cultrix,1992. 
 
 
 
1.2- Problemas dos ombros 
 
1.2.1-O braço luxado 
 
 Nesta lesão da articulação do ombro, espetacular e 
frequente, a cabeça do osso do braço salta de seu encaixe, ao 
mesmo tempo que os afetados perdem a pose. 
 Em última instância, eles já estavam fora de si 
antes, já que a lesão decorre de movimentos exagerados dos 
braços. 
 Neste caso, tentou-se algo com mãos e pés, de 
maneira forçada, desconhecendo e superestimando as 
próprias possibilidades. 
 O braço mostra a exigência exagerada ao não mais 
participar do jogo, abandonando sua posição tradicional e 
indicando dolorosamente que não somente ele, mas seu 
proprietário inteiro tomou o caminho errado. 
É necessário um imenso desgaste, heróico, consciente e 
repetido das próprias possibilidades de articulação para que 
as coisas sejam levadas de volta ao caminho correto. 
 
 O terapeuta apoia o pé na axila da vítima e o 
coloca de volta no lugar com um puxão; na maioria das 
vezes, após ele ter dado um puxão anímico em si mesmo para 
atrever-se a uma tal intervenção ao mesmo tempo heróica e 
brutal. Esse procedimento, excepcionalmente reconhecido de 
forma unânime por todas as correntes da medicina, mostra 
justamente tendências homeopáticas. 
 
 Aquele ato excessivo em que o incidente ocorreu 
é nova e conscientemente consumado e exagerado. 
Fisicamente, pelo menos, o braço que se perdeu é novamente 
levado ao caminho correto. 
Seu proprietário encontrar esse caminho depende 
substancialmente de quão consciente ele torna o 
acontecimento. 
 
 Em caso contrário, chega-se à chamada fraqueza 
da cápsula do ombro, ou seja, ele continua deslocando o 
braço em situações determinadas e, finalmente, em qualquer 
ocasião. 
 Assim como transforma seu corpo em vítima 
crônica de tentativas de movimento exagerado, ele mesmo 
torna-se vitima de tentativas heroicas de tratamento. Quase 
todos os médicos precisam fazer um grande esforço antes de 
forçar sua vítima dessa maneira. 
 
 Naturalmente, teria mais sentido se os afetados 
deslocassem suas tentativas de movimentos extremados para 
o âmbito anímico-espiritual. No que a isso se refere, a alma 
suporta mais e, além disso, abre oportunidades para que o 
objetivo propriamente dito da ousada mobilidade possa ser 
alcançada. 
 
 O braço sai do lugar, em geral, devido a 
movimentos de arremesso semelhantes ao de uma catapulta. 
 Neste caso, salta aos olhos que o grande arremesso tem mais 
chances de ser bem-sucedido em sentido figurado. 
 A terapia usual da situação crônica tem por 
objetivo fortalecer a cápsula do ombro através do treinamento 
de movimentos e exercícios moderados de força que, dentro 
dos limites de fronteiras seguras, fortaleçam os músculos e 
ligamentos circundantes. 
 
 Dessa maneira, evita-se continuar desgastando a 
cápsula da articulação tal como acontece a cada 
deslocamento e a respectiva reinstalação que se segue. Esse 
conceito pode ser transposto para o plano dos problemas 
anímicos. 
 
 Os afetados deveriam praticar movimentar-se 
estritamente dentro das circunstâncias externas determinadas 
pelas fronteiras preestabelecidas. O pressuposto para isso é 
aprender a conhecer as fronteiras. 
 
 Portanto, não se exige cuidado, mas coragem. 
Quem conhece seus limites pode ousar até mesmo crescer 
para além de si mesmo. Essa seria, entretanto, a tarefa 
redimida tal como a reproduz o braço que ultrapassou seus 
limites. 
 
 É preciso ousar mais e alcançar objetivos 
distantes, ainda que seja à custa de grandes esforços e até 
mesmo dores. 
 
Perguntas 
1. Aonde vou longe demais? Em que medida ultrapasso 
minhas possibilidades e competências? 
 
 2. Exijo demais de mim mesmo? Tento alcançar o 
inalcançável e me machuco de maneira absurda? 
 
 3. Onde, em sentido figurado, recuo diante de fronteiras e 
me faço mais estreito do que corresponde a mim e a meu 
objetivo de vida? 
 
4. O que quero alcançar? Para onde quero ir? Qual o 
objetivo do meu projeto de vida? Qual a "grande jogada" 
pela qual me esforço (secretamente)? 
 
1.2.2-A síndrome ombro-braço 
 
 Trata-se de uma sintomática de dor na área do 
ombro e do braço que frequentemente está ligada a uma 
síndrome das vértebras cervicais. 
 
 A ciência enumera mais de vinte causas 
diferentes, de hérnia de disco a tumores. 
 
 Trata-se na maioria dos casos de uma 
sintomática de sobrecarga com irritação do plexo cérvico-
braquial, a rede nervosa responsável pelo braço. 
 Com isso os movimentos dos braços tornam-se 
dolorosos e, finalmente, o braço mal pode ser levantado, de 
qualquer forma não acima da horizontal. 
 
 Muitas vezes tem-se a sensação de que ele é 
excessivamente pesado, o que mostra como é difícil sair da 
posição de repouso representada pela posição pendurada. 
Quando o paciente não consegue mais erguer o braço, a 
interpretação torna-se quase dispensável. 
 
 Ele não está mais em condições de assumir o 
controle de sua vida,agarrá-la e mostrar quem manda (no 
corpo). 
 
 Para a interpretação, é decisivo saber se é o 
braço direito, masculino, que está bloqueado, o braço com o 
qual se leva a espada do poder, ou o esquerdo, feminino, com 
o qual se pede algo dando à mão a forma de uma concha. 
 
 O sintoma deixa claro o que deve retroceder na 
vida, já que impede os afetados de atingir o objetivo. É 
evidente que se tentou por tempo mais que suficiente alcançar 
tudo com esse lado. Ele obtém um descanso forçado, e o 
outro, sua chance. Os pacientes podem estar impedidos em 
sua tentativa de tornar o mundo dócil quando o braço que 
golpeia (o direito) é desligado. Eles não podem mais pôr e 
dispor como gostam. Com o esquerdo, retira-se a 
possibilidade de agarrar e segurar e, simbolicamente, a de 
pedir e mendigar. 
 
 A lição a ser aprendida consiste em dar um 
descanso no que se refere ao aspecto impedido. 
 
 Caso o pólo masculino esteja bloqueado, isso 
leva automaticamente a um relacionamento mais intenso com 
o âmbito feminino. 
 
 Resta apenas o esquerdo, e dessa forma os 
afetados são forçados a usá-lo mais, empregando aquela 
postura mais solta e descontraída do pólo feminino, ao qual 
falta a tenacidade do lado contrário. 
 
 Caso o lado feminino esteja bloqueado, é 
preciso ocupar-se mais do pólo masculino. É preciso tomar as 
rédeas na própria mão, usando o braço direito. 
 
 Olhar para a direita, diz a lição, e ela exige que 
se controle a nave da vida com o próprio punho e que a 
própria pessoa determine o futuro. 
 
 
 
Perguntas 
 
1. Qual o lado que não controlo mais? 
 
 2. Até que ponto me excedi na temática do lado bloqueado? 
E através do quê? 
 
3. Para que ergui o braço bloqueado? Para jurar, para 
golpear, para acenar, para pedir a palavra... ? O que estava 
errado? 
 
 4. Com qual parte de meu ser, negligenciada até agora, sou 
forçado a me ocupar? 
 
1.2.3-Tensão nos ombros 
 
 Tensões que podem chegar ao total 
endurecimento do músculo nos ombros e na região superior 
das costas têm estreita relação com problemas de sobrecarga 
na região das vértebras lombares inferiores. 
 
 Pois tudo o que colocamos (ou que nos 
colocam) sobre os ombros termina finalmente por pressionar 
a pélvis. Assim como acontece com as dores nas costas, não 
são as cargas que ombreamos conscientemente e com gosto 
que nos causem moléstias, e sim aquelas obrigações que 
arrastamos conosco de maneira inconsciente e não admitida. 
Quando estamos á altura de uma responsabilidade, nós a 
agüentamos. 
 
 Aquilo que carregamos conscientemente, seja 
concreto ou simbólico, é suportável, ainda que seja 
objetivamente pesado. 
 
 Mas aquilo pelo qual não nos responsabilizamos 
e não admitimos torna-se rapidamente insuportável. 
 
 Quem, consciente e voluntariamente, suportou o 
peso e a dura responsabilidade de sua vida, exibe ombros 
fortes com os correspondentes músculos treinados. 
 
 Quem, ao contrário, suporta menos, mas contra 
a vontade ou de forma inconsciente, sente a carga mais 
pesada e seus músculos se tornam rígidos e seus ombros, 
devido ao desgaste, doem. 
 
 A lição diz que é preciso ter clara para si a 
sobrecarga, para confrontar aquilo que se tomou sobre si de 
maneira consciente e inconsciente e o que, disso, oprime e 
tenciona. 
 Pode-se então optar conscientemente entre 
continuar suportando-o voluntariamente ou se é preciso 
descarregá-lo, porque se tornou insuportável e torna a vida 
arrastada. Somente se pode livrar daquilo que realmente se 
conhece. 
 
Perguntas 
 
 1. O que pesa sobre mim e me sobrecarrega? O que me 
oprime? 
 
2. O que assumi sem queixar-me, mas com secreta má 
vontade? O que assumi sob protesto? 
 
3. Que deveres, que responsabilidades pesam sobre mim? 
 
4. O que quero carregar? O que preciso suportar? O que 
gostaria de não ter mais de aguentar? 
 
REFERENCIAS 
 
DAHLKE, Rüdger A Doença como Linguagem da 
 Alma-OS SINTOMAS COMO 
 OPORTUNIDADES DE 
 DESENVOLVIMENTO Tradução DANTE 
 PIGNATARI, CULTRIX São Paulo 1992 
 
 
 
 
 
 
2.Artigo para análise: 
2.1-A dimensão psicopatológica da LER /DORT 
(Lesões por esforços repetitivos/ Distúrbios osteomusculares 
relacionados ao trabalho) 
 
Revista Latinoamericana de Psicopatologia 
Fundamental, São Paulo, v. 10, n. 4, p. 577-590 
 
 Ana Luiza Pires Batista Echeverria 
Psicóloga e psicanalista; mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP; 
pesquisadora do Laboratório de Psicopatologia Fundamental da 
Unicamp (Campinas, SP, Brasil) 
 
Mário Eduardo Costa Pereira 
Psiquiatra, psicanalista e professor do Depto. de Psicologia Médica e 
Psiquiatria – Unicamp (Campinas, SP, Brasil); doutor em 
Psicopatologia Fundamental e Psicanálise pela Universidade Paris 7; 
diretor do Laboratório de Psicopatologia Fundamental da Unicamp; 
professor do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes 
Sapientiae (São Paulo, SP, Brasil); membro da Associação 
Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental (São Paulo, 
SP, Brasil); autor dos livros Pânico e desamparo (São Paulo: Escuta, 
1999) e Psicopatologia dos ataques de pânico (São Paulo: Escuta, 
2003). 
 
DORT/LER: somatização ou conversão? 
Rev. Latinoam. Psicopat. Fund., São Paulo, v. 10, n. 4, p. 577-590, 
dez.2007 
 Existe certa polêmica sobre a DORT, pois alguns 
autores, como Almeida (Codo e Almeida, 1995), acreditam 
que sua dimensão psicopatológica seja composta de uma 
estrutura neurótica histérica com conversões, cujas 
características descritas por ela são: 
 
 ... necessidade de ultrapassar limites; 
necessidade de reconhecimento e 
necessidade de encobrir algum erro do 
passado; insatisfação pessoal; 
preocupação constante com a produção 
buscando sempre a maior quantidade com 
a melhor qualidade; inadmissão do 
sentimento de impotência (qualquer 
dificuldade encontrada é sempre um golpe 
na imagem que ele faz de si mesmo). (p. 33) 
 
 
 Segundo Freud (1893), na histeria os sintomas 
têm um valor simbólico e seguem uma anatomia puramente 
imaginária. 
 Em suas palavras, 
 “... nas suas paralisias e em outras 
manifestações, a histeria se comporta como 
se a anatomia não existisse, ou como se não 
tivesse conhecimento desta” (p. 212). 
 Um recorte do corpo é afetado por uma paralisia 
ou por um sintoma somático qualquer que não coincide em 
nada com os trajetos da anatomia nervosa ou da anatomia em 
geral. 
 “Por exemplo, afeta um braço, exclusivamente, 
sem que possamos encontrar vestígio seu na perna ou na 
face” (p. 208). 
 De acordo com McDougall (1996), “... o sintoma 
histérico clássico se manifesta por uma disfunção corporal, 
quando uma das partes do corpo torna-se o suporte de uma 
significação simbólica inconsciente” (p. 18). 
 A somatização psicossomática, por sua vez, 
acontece como um “„salto‟ da mente no corpo” (p. 18), 
resultante de elementos recalcados no inconsciente que, 
estando num nível pré-verbal, não chegaram a ser codificados 
pela linguagem. 
 “Nas afecções psicossomáticas, o dano físico é 
bem real, e sua descrição, durante uma análise, não revela à 
primeira vista qualquer conflito neurótico ou psicótico” (p. 
22). 
 As somatizações envolvem aparelhos 
fisiológicos que constituem uma unidade funcional e não 
elegem este ou aquele pequeno ponto por seu valor 
simbólico. Os sintomas são fixos e enumeráveis, 
relativamenteestereotipados. 
 Na conversão histérica os sintomas podem 
migrar de uma região a outra e assumem um valor 
inteiramente individual. 
 O que observamos nos pacientes portadores de 
DORT é que há um conjunto orgânico funcional envolvido na 
doença: são tendões, nervos, músculos e outras estruturas dos 
membros superiores, pescoço e dorso. 
 As doenças não migram de um ponto a outro, é 
sempre o mesmo grupo de órgãos envolvidos. 
 
REFERÊNCIAS 
 BERLINCK, M. T. Psicopatologia fundamental. São Paulo: Escuta, 2000. 
CODO, W. e ALMEIDA, M. C. C. G. (orgs.). 
 LER: diagnóstico, tratamento e prevenção: uma abordagem interdisciplinar. 
Rio de Janeiro: Vozes, 1995. 
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São Paulo: Cortez /Oboré, 1992. 
FÉDIDA, P. Depressão. São Paulo: Escuta, 1999. FREUD, S. (1893). 
Algumas considerações para um estudo comparativo das paralisias motoras 
orgânicas e histéricas. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas 
Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996. v. I. 
 ____ (1894). Sobre os fundamentos para destacar da neurastenia uma 
síndrome específica denominada “neurose de angústia”. In: Edição Standard 
Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de 
Janeiro: Imago, 1996. v. II. 
 ____ (1914). Sobre o narcisismo: uma introdução. In: Edição Standard 
Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de 
Janeiro: Imago, 1996. v. XIV. 
 ____ (1916). Os arruinados pelo êxito. In: Edição Standard Brasileira das 
Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 
1996. 
____ (1917). Luto e melancolia. In: Edição Standard Brasileira das Obras 
Psicoló- gicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996. v. 
XIV. 
 ____ (1923). O ego e o id. In: Edição Standard Brasileira das Obras 
Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996. v. 
XIX. 
 ____ (1924). O problema econômico do masoquismo. In: Edição Standard 
Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de 
Janeiro: Imago, 1996. v. XIX. GEREZ-AMBERTÍN, M. As vozes do supereu. 
Tradução Stella Maris Chesil. São Paulo/Caxias do Sul: Cultura Editores 
Associados/EDUCS, 2003. 
 ____ Imperativos do supereu: testemunhos clínicos. Tradução Monica 
Seincman. São Paulo: Escuta, 2006. LANCMAN, S. Saúde mental e trabalho: 
repensando a ação em Terapia Ocupacional. 2004. 189p. Tese (livre-
docência). Faculdade de Medicina da USP, São Paulo. 
 LANCMAN, S. e SZNELWAR, L. I. (orgs.). Christophe Déjours: da 
psicopatologia à psicodinâmica do trabalho. Tradução Franck Soudant. Rio de 
Janeiro/Brasília: Fiocruz/Paralelo 15, 2004. LAPLANCHE, J. A angústia. São 
Paulo: Martins Fontes, 1987. 
LAPLANCHE, J. e PONTALIS, J.-B. Vocabulário da psicanálise. São Paulo: 
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Human Ergol, n. 11, p. 17-29, 1982. 
 MARTY, P. A psicossomática do adulto. Tradução Patrícia Chittoni Ramos. 
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 MASI, D. Perspectivas para o trabalho e o tempo livre. In: Lazer numa 
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 MASSON, J. A correspondência completa de Sigmund Freud para Wilhelm 
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MCDOUGALL, J. Teatros do corpo: o psicossoma em psicanálise. 2. ed. 
Tradução Pedro Henrique Bernardes Rondon. São Paulo: Martins Fontes, 
1996. 
 MENEZES, L. C. Fundamentos de uma clínica freudiana. São Paulo: Casa do 
Psicólogo, 2001. 
O‟NEILL, M. J. O desafio de vencer. São Paulo: Visão Gráfica, 2001. 
 PEREIRA, M. E. C. Pânico e desamparo: um estudo psicanalítico. São Paulo: 
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 PERES, U. T. (org.). Melancolia. São Paulo: Escuta, 1996. 
RIBEIRO, H. P. A violência do trabalho no capitalismo: o caso das lesões dos 
membros superiores por esforços repetitivos (L. E. R.) em trabalhadores 
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São Paulo, São Paulo. 
 ____ (org.). LER: conhecimento, práticas e movimentos sociais. São Paulo: 
FSP-USP, SSE-SP, 1997. 
 ____ A violência oculta do trabalho: as lesões por esforços repetitivos. Rio de 
Janeiro: Fiocruz, 1999. 
VOLICH, R. M.; FERRAZ, C. F.; ARANTES, M. A. A. C. (orgs.). 
Psicossoma II: psicossomática psicanalítica. São Paulo: Casa do Psicólogo, 
1998. 
 ____ Entrevista com Christophe Déjours. Tradução Adriana Campos de 
Cerqueira Leite. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, São 
Paulo, v. IV, n. 3, p. 158-163, set. 2001. 
 ____ Psicossomática: de Hipócrates à psicanálise. São Paulo: Casa do 
Psicólogo, 2000. 
 
 
2.2-Análise do Artigo segundo Fisioterapia 
Psicossomática nas dores do ombro 
 
 
 
 Após a leitura deste artigo, podemos perceber o 
quanto a abordagem dos procedimentos Fisioterapêuticos 
depende de um entendimento mais aprofundado das questões 
psíquicas para que sua eficácia possa ser alcançada em maior 
grau. 
 Ao recebermos um paciente com dores atrozes 
no ombro, antes de traçarmos um diagnóstico Cinético 
funcional e desenvolvermos um protocolo de atendimento 
usando todo o nosso aparato material, por meio de 
equipamentos com as correntes mais modernas, com 
procedimentos e manobras já consagradas da terapia 
manipulativa, poderemos encontrar, nas características da 
dor, a real situação geratriz do desequilíbrio biomecânico. 
Desde que possamos ouvir o paciente de uma forma a 
perceber os seus principais bloqueios, fazendo perguntas 
reflexivas, levando o mesmo a um momento de meditação 
para refletir sobre sua real situação, entendendo os motivos 
por meio de uma abordagem Neurocognitiva da dor. 
 Quando o paciente percebe que ele mesmo é o 
maior causador de suas dores, que é a sua mente que controla 
o corpo, modelando a seu bel prazer, sabotando por meio da 
liberação de neurotransmissores como o N-MetilD-Aspartato 
(NMDA), conhecida como substancia da memória da dor, 
deixa de criar uma falsa expectativa de cura vinda de fora, 
seja por meio de medicações, de procedimentos infiltrativos, 
de técnicas outras. 
 Quando o próprio paciente se insere no seu 
contexto de cura, compreendendo a tríade Enfermidade, 
Patologia e Doença, poderá compreender que o início está na 
sua falta de firmeza psíquica. 
 Pois foi exatamente seu perfil de personalidade 
que fez com que desenvolvesse, com a continuação da 
atividade em desequilíbrio psíquico, a liberação de 
catecolaminas, tais como a adrenalina e nora – adrenalina. 
 Fazendo com que a ação da mente, por meio de 
seus pensamentos desequilibrados, rompesse a barreira 
psicossomática e, a seu turno, infiltrasse-se no Local de 
Menor Resistência, segundo Dr.Alfred Adler (1912), pois 
será exatamente o ponto fraco da junção mente-corpo. 
 Após determinado tempo de interferência da 
mente por sobre os tecidos orgânicos, cansando-lhes 
desequilíbrios fisiológicos, mesmo não provocando dor ao 
organismo, fase conhecida como Patologia, silenciosa e com 
o ritmo característico do perfil de personalidade do paciente, 
haverá a evolução a um estado de sofrimento posterior, 
caracterizado pela dor, a Doença. 
 Por seu comportamento doloroso e limitante, é 
esta fase que mais chama a atenção dos pacientes e, apenas 
por estar inserido nela, é que eles procuram algum serviço, 
alguma saída,alguma opção para que suas dores sumam, 
deixando-os livres novamente. 
 Mas, agora, perguntamos: Como será possível 
debelar a dor no corpo, no soma, se a mesma é proveniente 
da psique,e o pacientenão é consciente disto e, 
deliberadamente, continua com as mesmas faixas de 
pensamento ,intoxicando o organismo com 
catecolaminas,enfraquecendo-se cada vez mais suas 
estruturas anatômicas e com o NMDA, fixando mais ainda a 
memória da dor em seu sistema nervoso ? 
2.3-A Fisioterapia Psicossomática nas dores do ombro 
2.3.1-Etiologia Psicossomática das afecções do ombro-
Alterações Neuropsíquicas 
 
 Uma importante contribuição para o avanço 
dos estudos sobre a interação mente-corpo foi dada por Hans 
Selye, com o desenvolvimento de suas ideias sobre a 
Síndrome Geral de Adaptação ou Síndrome do Stress. 
(Ramos, 1994). 
 
 Segundo Selye (1956), “em toda doença há 
um elemento de adaptação, e a enfermidade é esse esforço 
defensivo e adaptativo do corpo que varia entre uma 
excessiva defesa ou excessiva submissão e que envolve tanto 
o biológico quanto o psíquico.” 
 
 A idéia principal dessa teoria, que contribuiu 
para a abordagem psicossomática, é de como o corpo se 
transforma sob o efeito do stress (Ramos, 1994). 
 
 Como consequência da teoria do stress, 
pesquisas na área da Psiconeuroendócrinoimunologia vêm 
ampliando os conhecimentos sobre a interação dos efeitos do 
stress sobre o corpo. (Vasconcellos, 1998). 
 
 Tal ciência, desenvolvida nos EUA por 
Robert Adler, busca estudar, dentro do paradigma de 
integração, a relação existente entre os sistemas psíquico, 
neurológico, imunológico e, mais recentemente, endócrino. 
(Vasconcellos, 1998). 
 
 Primordialmente, essa área de 
conhecimento desenvolveu-se seguindo os caminhos 
clássicos da medicina comportamental; porém, atualmente no 
Brasil, está sendo ampliada com pesquisas que buscam o 
desenvolvimento conceitual da psiconeuroimunologia sob o 
paradigma da integração (Vasconcellos, 1998). 
 
 Agora, já que sabemos bem mais sobre as 
interferências da mente por sobre o corpo, vamos reler, de 
forma diferenciada, a respeito das causas de dores nos ombro. 
 
 “A etiologia traumática é constatada 
em 50% dos casos, enquanto as 
degenerativas em 42%, e as demais 
causas são responsáveis por 8%”. 
 
2.3.1.1- Traumática - (de qualquer natureza). 
 A desatenção, a falta de foco na atividade 
realizada, provocada por ansiedade, depressão ou 
preocupação demasiada, causa o desequilíbrio da relação 
mente-corpo no processo cinesiológico, pois a mente está 
direcionada para outros pensamentos que não a pratica do 
movimento, resultando no impacto traumático, modificando a 
biomecânica funcional articular, podendo provocar desde 
uma entorse a uma fratura. 
 
2.3.1.2- Traumática cumulativa - (movimentos repetitivos 
nas diversas ocasiões, não só no trabalho como também 
em lazer / esporte, atividades domésticas, outras). 
 Na tentativa de compensação por haver uma 
limitação em outra instância que não a atividade física, tal 
como no âmbito emocional, familiar, por exemplo, faz com 
que a potência, a pressa e o alto nível de estresse articular 
possam desenvolver a lesão e esta causar a dor. Em outros 
termos, ele compensa com o exagero na atividade, por não 
poder atingir as metas pessoais, segundo os seus desejos. 
 
2.3.1.3- Infecciosa / inflamatória - (tuberculose). 
 O sentimento de fragilidade, de falta de firmeza 
e força, pode deprimir o Sistema Imunológico, pela ação das 
catecolaminas. E, de acordo com o local de menor 
resistência, afetará a um osso, um ligamento, uma cartilagem 
determinado. 
 
2.3.1.4- Ocupacional - (referindo-se ao trabalho em 
acidentes típicos de trabalho, ou de trajeto, e que se 
enquadra também entre as traumáticas). 
 A desatenção, a falta de foco na atividade 
realizada, causa o desequilíbrio e o impacto, provocando 
desde uma entorse a uma fratura. A tentativa de compensação 
por uma limitação em outra instância faz com que a potencia, 
a pressa e o alto nível de estresse articular desenvolvam a 
lesão e esta causa a dor 
 
2.3.1.5- Síndrome do Desfiladeiro Torácico – S.D.T. 
 O desgaste de estruturas mantenedoras de 
posturas acima da amplitude usual, com intensidade além da 
aceitável, na tentativa de compensação por uma limitação em 
outra instância, faz com que a potência, a pressa e o alto nível 
de estresse articular desenvolvam a lesão e esta causa a dor 
 
2.3.1.6- Degenerativa - (relacionada aos processos de 
artrite / artrose, que acometem principalmente pessoas 
com idade mais elevada). 
 O sentimento de fragilidade, de delicadeza, de 
falta de firmeza e força, deprime o Sistema Imunológico, pela 
ação das catecolaminas. Atingindo as articulações que são os 
locais de menor resistência em pessoas com perfil de 
personalidade em que a pressão psicologia e a rapidez para 
desenvolver alguma tarefa não as campraz. 
 
2.3.1.7- Neoplásica - (tumores de qualquer natureza). 
 O sentimento de fragilidade, de delicadeza, de 
falta de firmeza e força, deprime o Sistema Imunológico, pela 
ação das catecolaminas. O que interfere na atividade do 
DNA, provocando alterações celulares, principalmente em 
indivíduos cujo perfil de personalidade psicossomática 
refere-se a elevado nível de rancor, raiva contida e grande 
dificuldade para o perdão. 
 
 2.3.1.8-Paralisia Braquial Obstétrica (PBO) - que 
podemos considerar como traumática / neurológica, 
durante o momento do parto. 
 A relação da gestante com o feto é intensa ao 
ponto de transmitir os sentimentos e emoções da mãe para o 
bebê, alterando seu estado emocional, interferindo em seu 
equilíbrio psíquico, influenciando o desenvolvimento do local 
de menor resistência no ombro, desde que o a criança, ainda 
no ambiente intra-uterino, sinta-se como um peso, como uma 
obrigação, como uma responsabilidade para a mãe. Onde, 
realmente, estas possam ser as sensações da mãe para com a 
família e sociedade, pelo fato de estar grávida e não se sentir 
segura nem amparada para exercer a tarefa da maternidade. 
 
2.3. 1.9-Neurológica - (exemplificamos com o AVC, onde 
não é tão rara a presença da “Síndrome ombro-mão” ou 
da “sub-luxação da articulação”, nos casos de plegia do 
membro superior). 
 A tentativa de compensação por uma limitação 
em outra instância faz com que a potência, a pressa e o alto 
nível de estresse vascular desenvolvam a lesão do AVC. 
Cujas seqüelas serão mais determinantes de acordo com o 
perfil de personalidade psicossomática, onde o ritmo 
acelerado, o elevado padrão de competitividade, 
agressividade em suas atitudes, porém, sem representar 
violência, vão interferir de forma decisiva para a instalação 
da lesão. Em se fragilizando e se sentido um peso emocional 
ou material, dependendo do hemicorpo a sofrer a plegia, o 
paciente sofrerá maior ou menor grau de subluxação 
glenoumeral. 
 
2.3.1.10- Malformação de Sprenguel - (uma escápula 
pequena, alada e com inserção mais elevada que a contra- 
lateral, causando assimetria entre as cinturas escapulares, 
e escoliose). 
A relação da gestante com o feto é intensa ao ponto de 
transmitir os sentimentos e emoções da mãe para o bebê, 
alterando seu estado emocional, interferindo em seu 
equilíbrio psíquico, influenciando o desenvolvimento do local 
de menor resistência no ombro, desde que o a criança, ainda 
no ambiente intra-uterino, sinta-se desprotegida, com menor 
segurança, seja emocional ou material, o que poderá 
influenciar no lado da escápula com má formação. 
 
2.3.1.11-Outras alterações congênitas (comprometendo a 
funcionalidade normal da cintura escapular). 
A depender de padrões depressivos ou ansiosos que a criança 
possa a vir desenvolver,mediante as interferências advindas 
da gestante, por transmitir as catecolaminas pela circulação 
sanguínea compartilhada pela placenta, frutos de 
pensamentos maternos desequilibrados, refletindo 
diretamente no estado emocional da criança. 
 
 
2.3.2-Classificação de Bigliani da morfologia acromial: 
 Estudando a etimologia da palavra acrômio, 
encontraremos que vem do grego Akromion, extremidade do 
ombro. Onde Akrós significa extremo e Omos significa 
ombro. O termo acromial parece ter sido introduzido por 
François Chaussier (1800). https://pt.wikipedia.org/wiki/Acrômio 
 Estudamos, na parte 1 deste trabalho, que 
Bigliani e colaboradores identificaram três tipos de acrômio 
(I, II, III). 
 O Acrômio tipo III é associado a lacerações do 
Manguito Rotador proximais ao local de inserção do tendão 
do músculo supraespinhoso, na tuberosidade maior do úmero. 
 
Acrômio tipo I de Bigliani - com superfície inferior plana. 
Acrômio tipo II de Bigliani - com superfície inferior curva. 
Acrômio tipo III de Bigliani - com superfície inferior em 
gancho 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 FONTE: Internet 
 Para melhor entendermos a importância das 
alterações morfofisiológicas no processo de lesão de 
estruturas do ombro, trazemos uma revisão por meio de 
partes um artigo científico que aborda a correlação de 
ângulos anatômicos da escápula e sua incidência por idade, 
sexo e relevância no desenvolvimento de lesões no ombro. 
O artigo pode ser lido na íntegra em: www.rbo.org.br 
 
 
 
 
 
http://www.rbo.org.br/
2.3.3-Artigo Original 
Revista Brasileira de Ortopedia. 2 0 1 4; 
49(6):636–641 
 
Análise da curvatura acromial e sua relação com o 
espaço subacromial e os tipos de acrômio 
José Aderval Aragão a,b,∗, Leonardo Passos Silva c , Francisco Prado 
Reis b e Camilla Sá dos Santos Menezes a 
 
a Departamento de Morfologia, Universidade Federal de Sergipe (UFS), 
Aracaju, SE, Brasil 
b Escola de Medicina, Universidade Tiradentes (Unit), Aracaju, SE, Brasil 
c Serviço de Ortopedia e Traumatologia, Hospital Santa Casa de Belo 
Horizonte, Belo Horizonte, MG, Brasil 
 
Histórico do artigo: Recebido em 13 de setembro de 2013 Aceito em 24 de 
outubro de 2013 On-line em 12 de agosto de 2014 
 
 
 A síndrome do impacto subacromial está 
diretamente relacionada com o grau de inclinação do 
acrômio. Assim sendo variações na sua curvatura alteram a 
dimensão do espaço abaixo do arco coracoacromial e podem 
provocar lesões das estruturas anatômicas contidas nessa 
região, especialmente os tendões do manguito rotador. 3 
 O tipo ganchoso guarda uma íntima relação 
com a SI e as LMR.5 Estudos posteriores confirmaram essa 
correlação.4,8,12–16. 
 Outros autores reconheceram a importância 
dessa classificação e usaram-na para estabelecer a frequência 
de cada tipo de acrômio em diversas populações. Na 
descrição original, Bigliani et al.5 encontraram as seguintes 
proporções para cada tipo de acrômio: reto, 17%; curvo, 
43%; e ganchoso, 39%. 
 O sistema de classificação de Bigliani et al.5 é 
bastante útil e amplamente usado, porém a classificação 
puramente visual (a interpretação é guiada apenas pelo 
significado das palavras plano, curvo e ganchoso) apresenta 
grande variabilidade interobservador. Dessa forma, vários 
autores, de forma independente, têm formulado diferentes 
modificações do esquema original e proposto uma análise 
mais acurada da curvatura acromial. 4,11,13 
 Outros parâmetros têm sido propostos por outros 
autores para analisar a influência da morfologia do acrômio 
como fator etiológico das LMR. Dentre eles cita-se a 
influência da espessura do terço anterior do acrômio como 
fator etiológico das patologias subacromiais. 18 
 Outro parâmetro morfométrico é o índice 
acromial (IA) (obtido pela razão entre as distâncias cavidade 
glenoidal e borda lateral do acrômio e cavidade glenoidal e 
borda lateral do úmero).19–21 
 Miyazaki et al.,21 em estudo na população 
brasileira, concluíram que as LMR podem estar associadas a 
um IA maior, ou seja, a uma maior projeção lateral do 
acrômio. Em estudo posterior, Miyazaki et al.22 compararam 
o IA em duas populações diferentes (brasileira e japonesa) e 
concluíram que esse índice é fator preditivo para LMR na 
população brasileira, mas não na japonesa. 
 Edelson e Taitz11 propuseram um ângulo de 
inclinação para o acrômio e afirmaram que se associa com 
alterações degenerativas e que quanto mais horizontal for o 
acrômio, maior a degeneração. 
 Os próprios Edelson e Taitz11 analisaram 
também a altura do arco coracoacromial e perceberam que 
está associada também com alterações degenerativas no 
acrômio. No trabalho desses autores não houve degeneração 
em arcos com mais de 15 mm acima do tubérculo 
supraglenoidal, enquanto que 75% da amostra com alterações 
degenerativas tinham um arco com altura menor do que 12 
mm. 
 
REFERÊNCIAS 
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syndrome in the shoulder: a preliminary report. J Bone Joint Surg Am. 
1972;54(1):41–50. 
 
2. Balke M, Schmidt C, Dedy N, Banerjee M, Bouillon B, Liem D. 
Correlation of acromial morphology with impingement syndrome and 
rotator cuff tears. Acta Orthop. 2013;84(2):178–83. 
3. Musil D, Sadovsky´ P, Rost M, Stehlík J, Filip L. Relationship of 
acromial morphology and rotator cuff tears. Acta Chir Orthop 
Traumatol Cech. 2012;79(3):238–42. 
 
4. Toivonen DA, Tuite MJ, Orwin JF. Acromial structure and tears of the 
rotator cuff. J Shoulder Elbow Surg. 1995;4(5):376–83. 
 
5. Bigliani LU, Morrison DS, April EW. The morphology of the acromion 
and its relationship to rotator cuff tears. Orthop Trans. 1986;10:228. 
 
6. Ikemoto RY, Bezerra AD, Monte FA, Telles RB, Fujiki EN, Porto LCK. 
Acrômio em forma de gancho: uma variac¸ão anatômica ou um 
processo degenerativo? Rev Bras Ortop. 1995;40(8):454–63. 
 
7. Vähäkari M, Leppilahti J, Hyvönen P, Ristiniemi J, Päivänsalo M, 
Jalovaara P. Acromial shape in asymptomatic subjects: a study of 305 
shoulders in different age groups. Acta Radiol. 2010;51(2):202–6. 
 
8. Spencer EE Jr, Dunn WR, Wright RW, Wolf BR, Spindler KP, McCarty 
E, et al. Interobserver agreement in the classification of rotator cuff 
tears using magnetic resonance imaging. Am J Sports Med. 
2008;36(1):99–103. 
 
9. Karas V, Cole BJ, Wang VM. Role of biomechanics in rotator cuff 
pathology: North- American perspective. Med Sport Sci. 2012;57:18–
26. 
 
10. Natsis K, Tsikaras P, Totlis T, Gigis I, Skandalakis P, Appell HJ, et al. 
Correlation between the four types of acromion and the existence of 
enthesophytes: a study on 423 dried scapulas and review of the 
literature. Clin Anat. 2007;20(3): 267–72. 
 
11. Edelson JG, Taitz C. Anatomy of the coraco-acromial arch: relation to 
degeneration of the acromion. J Bone Joint Surg Br. 1992;74(4):589–
94. 
 
12. Oh JH, Kim JY, Lee HK, Choi JA. Classification and clinical significance 
of acromial spur in rotator cuff tear: heel-type spur and rotator cuff 
tear. Clin Orthop Relat Res. 2010;468(6):1542–50. 
 
13. Epstein RE, Schweitzer ME, Fnieman BG, Fenlin JN, Mitchell DG. 
Hooked acromion: prevalence on MR images of painful shoulders. 
Radiology. 1993;187(2): 479–81. 
 
14. Joseph CMG, Sundeep A, Sandip B. Rotator cuff tears: association 
with acromion angulation on MRI. Clin Imaging. 2012;36(6):791–6. 
 
15. Di Mario M, Fraracci L. MR study of the intrinsic acromial angle in 74 
symptomatic patients. Radiol Med. 2005;110(3):273–9. 
 
16. Nikolaos TR, Soheil M, Suketu V, Edward E, Theofilos SK, JohnMI. The 
influence of the acromioclavicular joint degeneration on 
supraspinatus outlet impingement and the acromion shape. J Orthop 
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17. Paraskevas G, Tzaveas A, Papaziogas B, Kitsoulis P, Natsis K, Spanidou 
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2008;67(4):255–60. 
 
18. Snyder SJ, Karzel RP, Del Pizzo W, Ferkel RD, Friedman MJ. SLAP 
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19. Nyffeler RW, Werner CM, Sukthankar A, Schmid MR, Gerber C. 
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cuff tears. J Bone Joint Surg Am. 2006;88(4):800–5. 
 
20. Torrens C, López JM, Puente I, Cáceres E. The influence of the 
acromial coverageindex in rotator cuff tears. J Shoulder Elbow Surg. 
2007;16(3):347–51. 
 
21. Miyazaki AN, Fregoneze M, Santos PD, Silva LA, Martel EM, Debom 
LG, et al. Estudo radiográfico do índice acromial e sua relac¸ão com as 
lesões do manguito rotador. Rev Bras Ortop. 2010;45(2):151–4. 
 
22. Miyazaki AN, Itoi E, Sano H, Fregoneze M, Santos PD, Silva LA, et al. 
Comparison between the acromion index and rotator cuff tears in 
the Brazilian and Japanese populations. J Shoulder Elbow Surg. 
2011;20(7):1082–6. 
 
23. Hyvönen P, Päivänsalo M, Lehtiniemi H, Leppilahti J, Jalovaara P. 
Supraspinatus outlet view in the diagnosis of stages II and III 
impingement syndrome. Acta Radiol. 2001;42(5):441–6. 
 
24. Mayerhoefer ME, Breitenseher MJ, Roposch A, Treit C, Wurnig C. 
Comparison of MRI and conventional radiography for assessment of 
acromial shape. Am J Roentgenol. 2005;184(2):671–5. 
 
 
 
2.3.4-Considerações da Fisioterapia Psicossomática- 
2.3.4.1-Alterações Neuropsíquicas nas 
características morfofuncionais 
 
 Vamos agora estudar alguns trechos do artigo e 
correlacionas com os conhecimentos da Fisioterapia 
Psicossomática. 
No trecho: 
 “A síndrome do impacto 
subacromial está diretamente relacionada com o 
grau de inclinação do acrômio. Assim sendo 
variações na sua curvatura alteram a dimensão 
do espaço abaixo do arco coracoacromial e 
podem provocar lesões das estruturas anatômicas 
contidas nessa região, especialmente os tendões 
do manguito rotador”. (Musil D, Sadovsky´ P, 
Rost M, Stehlík J, Filip L. Relationship of acromial 
morphology and rotator cuff tears. Acta Chir 
Orthop Traumatol Cech. 2012; 79(3): 238–42) 
 
 O que poderia estar causando estas alterações 
morfofuncionais? 
 A postura dos ombros deixa entrever algo da 
postura em relação à vida (Rüdger Dahlke - A Doença como 
Linguagem da Alma, Cultrix, 1992). 
 Más posturas internas crônicas podem 
manifestar-se nos ombros sob a forma de músculos 
endurecidos e tensos ou até mesmo como más formações do 
esqueleto ósseo. (DAHLKE, 1992) 
 Ombros acentuadamente estreitos evidenciam 
uma capacidade reduzida de assumir a carga da 
responsabilidade pela própria vida. Seus possuidores se 
recolhem para poder ater-se com a vida. (DAHLKE, 1992) 
 Ombros superdimensionados indicam egos 
similares, enquanto ombros estreitos indicam o contrário. 
(DAHLKE, 1992) 
 
 Em outro trecho do artigo, temos: 
 
 ”Outros parâmetros têm sido 
propostos por outros autores para analisar a 
influência da morfologia do acrômio como 
fator etiológico das LMR. Dentre eles cita-se 
a influência da espessura do terço anterior 
do acrômio como fator etiológico das 
patologias subacromiais. 18” 
 
 
 
 
 
 
 Por que o acrômio se transforma, ficando mais 
espesso em seu terço anterior? 
 Agora sabemos que a mente pode modelar o 
corpo, segundo Adler. Então, estados psíquicos de 
sobrecargas emocionais, seja no âmbito profissional ou no 
emocional, onde o sujeito se sinta com a responsabilidade de 
suportar o peso das obrigações, depositando, 
inconscientemente, por sobre seus ombros a necessidade de 
criar uma armadura, uma proteção, um reforço na estrutura 
óssea, mais especificamente no local de menor resistência, 
neste caso, o terço anterior do acrômio. Há, assim, uma 
estrutura mais forte. Porem, a porção de partes moles ficará 
mais sujeita às entesiopatias, devido ao perfil de 
personalidade que condiz com pessoas inflexíveis, rígidas e 
doutrinadoras. 
 
 E,em uma terceira passagem do artigo,temos: 
 Outro parâmetro morfométrico 
é o índice acromial (IA) (obtido pela razão 
entre as distâncias cavidade glenoidal e 
borda lateral do acrômio e cavidade 
glenoidal e borda lateral do úmero).19–21 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Podemos entender que, quanto maior a 
cavidade glenoumeral, maior proteção o lábio da glenóide 
poderá exercer. 
 Quanto mais rasa a cavidade, maior estresse será 
conferido no lábio da glenoíde. Por conseguinte, outras 
estruturas, tais como os músculos e ligamentos, deverão 
exercer papel somatório na manutenção da integridade do 
contato da cabeça do úmero com a glenóide. 
 Neste sentido, uma cavidade glenoidal mais 
profunda representará uma distância maior entre ela e o bordo 
lateral do úmero, enquanto que uma cavidade menor 
representará uma distância menor entre estes dois elementos. 
 No primeiro caso, havendo maior trabalho para 
o lábio da glenóide no que diz respeito à estabilidade da 
articulação glenoumeral. 
 No segundo, devido à cavidade mais rasa da 
glenóide, havendo maior atuação de estruturas musculares e 
ligamentares, ocorrendo maior estresse articular, pois a 
distância entre o bordo lateral do úmero e a glenóide é menor, 
diminuindo a estabilidade, trazendo maior possibilidade de 
leões do MR. 
 Mas o que causa estas alterações da 
profundidade do lábio da glenóide? 
 Mais uma vez, citando Dahlke (1992), más 
posturas internas crônicas podem manifestar-se nos ombros 
sob a forma de músculos endurecidos e tensos ou até mesmo 
como más formações do esqueleto ósseo. 
 Segundo o mesmo autor, no Livro A Doença 
como Símbolo- Pequena Enciclopédia de Psicossomática 
(Cultrix, 1996), na página 248, faz uma referência à luxação 
do braço com o plano sintomático onde o paciente despreza 
fronteiras razoáveis, apresentando superestimação de si 
mesmo e arrogância. 
 Ombros superdimensionados indicam egos 
similares. (DAHLKE, 1992) 
 No plano prático, apresenta-se como uma pessoa 
que tem excesso de manuseio, gasta além da conta, ficando 
sem recursos. Neste contexto, apresentará o local de menor 
resistência no ombro direito. No plano emocional, é uma 
pessoa que se desgasta além da necessidade. 
 Como, em ambos os casos, há a necessidade de 
mostrar para o plano exterior suas amplitudes de ação, 
alcance e possibilidades, normalmente estes pacientes podem 
apresentar a cavidade glenóide mais rasa, diminuindo o 
Índice Acromial (IA), tendo, com isso, maior incidência de 
Lesão do Manguito Rotador. 
 
2.3.4.2-Significado de alterações no acrômio. 
 
 
 
 
 
 
 A depender de padrões depressivos ou ansiosos 
que a criança possa a vir desenvolver, mediante as 
interferências advindas da gestante, por transmitir as 
catecolaminas pela circulação sanguínea compartilhada pela 
placenta, frutos de pensamentos maternos desequilibrados, 
refletindo diretamente no estado emocional da criança. 
 
2.3.4.2.1-Acrômio tipo I de Bigliani - com superfície 
inferior plana. 
Apresentam uma capacidade de iniciativa e autoconfiança 
elevadas. Pessoas mais positivas e expansivas. Tem grande 
capacidade de perdão, nãose fixando em dramas do passado. 
 
2.3.4.2.2-Acrômio tipo II de Bigliani - com superfície 
inferior curva. 
Apresentam uma capacidade de iniciativa e autoconfiança 
moderadas. Pessoas positivas, porém mais reflexivas 
cautelosas. Com moderada capacidade para perdoar. Guarda, 
ainda, certo rancor. 
 
2.3.4.2.3-Acrômio tipo III de Bigliani - com superfície 
inferior em gancho 
 Apresentam uma capacidade de iniciativa e 
autoconfiança baixos. Pessoas desconfiadas, introvertidas e 
rancorosas ao extremo. Reverberam o drama por muito 
tempo. 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
DAHLKE, Rüdger A Doença como Linguagem da 
 Alma-OS SINTOMAS COMO 
 OPORTUNIDADES DE 
 DESENVOLVIMENTO Tradução DANTE 
 PIGNATARI, CULTRIX São Paulo 1992 
 
 
NASIO, Juan-David.A dor física:uma teoria psicanalítica da 
 dor corporal/J-D. Nasio[tradução André Telles e Lucy 
 Magalhães]-Rio de Janeiro:Zahar,2008. 
 
Parte 3 
 
1. ABORDAGEM NEUROCOGNITIVA NAS 
DORES DO OMBRO. 
 
-PASSO A PASSO PARA A REALIZAÇÃO 
DO ATENDIMENTO. 
1.1.-COMO PREPARAR O PACIENTE PARA O 
ATENDIMENTO 
 
“Para isso, o profissional deverá fazer perguntas com as 
quais possa ter a reflexão do próprio doente sobre a sua 
situação e, a partir disso, ele mesmo consiga trilhar seus 
caminhos no sentido da resolução dos seus problemas 
íntimos. Deve-se perguntar fazendo o paciente entender 
que ele mesmo já sabe o que fazer, porém, ainda se 
sentindo um tanto quanto bloqueado para dar início a 
essa caminhada em busca do seu objetivo.” 
 
(CARVALHO NETO, José Liberato-Fisioterapia Psicossomática-
Como a psicossomática aplicada à fisioterapia pode Auxiliar 
efetivamente no controle da dor. Fortaleza, 2015) 
 Fazer o paciente entender que ele é o agente 
causador de todos os seus males é uma grande missão. Mas é, 
verdadeiramente, o primeiro passo para a aceitação do 
problema. 
 Como já foi expresso aqui, deve-se encarar a 
situação problema de frente. Reconhecer-se como o criador 
da dor, do desequilíbrio, muito facilita no processo de 
desconstrução da memória da dor e abre precedente para a 
elaboração de uma nova grandeza que é considerada a 
memória da saúde. 
 Muito do condicionamento psíquico que 
desencadeia a situação de injúria celular parte da não 
aceitação de elementos externos ao nosso verdadeiro Eu. 
Contudo, a mais fácil aceitação nos levaria a uma situação de 
resolutividade ímpar de qualquer situação vexatória, pelo 
simples fato de entendermos o mecanismo causador da 
modelação patológica do soma por meio da vontade impressa 
no psíquico. (CARVALHO NETO,2015) 
 Em o paciente compreendendo e aceitando a 
sua responsabilidade maior no processo, desenvolver-se-á 
neste ínterim, a potencialidade de auto resolutividade da 
questão, por mais intrínseca que possa ser. (CARVALHO 
NETO,2015) 
 
1.2-COMO AVALIAR O PACIENTE SOB A ÓTICA DA 
FISIOTERAPIA PSICOSSOMÁTICA E TRAÇAR O 
DIAGNÓSTICO PSÍQUICO FUNCIONAL. 
 
“Quando o terapeuta consegue desenvolver a empatia, 
desenvolve também a capacidade de ouvir e conseguir ler 
o que se passa no íntimo de cada paciente”. 
“Consegue desvendar as batalhas psicológicas que se 
movem em sua alma e pousam em seu corpo, imprimindo, 
em áreas específicas, as reações simbólicas das agruras 
causadas pela angústia, medo, ansiedade, tristeza, raiva, 
enfim, por fatores de ordem 
psicossomática.”(CARVALHO NETO, José Liberato-
Fisioterapia Psicossomática-Como a psicossomática 
aplicada à fisioterapia pode Auxiliar efetivamente no 
controle da dor. Fortaleza, 2015) 
 
 Ao receber um paciente em seu serviço, o 
fisioterapeuta psicossomático precisa desde já, enxergar o 
indivíduo como um ser integral. 
 Ao desenvolver o seu diagnóstico 
(Cinesiológico funcional, Pneumofuncional, Neurofuncional 
etc.) deve incluir, imediatamente, a relação psicossomática 
que levou à enfermidade e, a partir daí, à doença física 
(Diagnóstico Psíquico Funcional). (CARVALHO NETO,2015) 
 Deve compreender, também, que a falta de 
firmeza emocional nos tentames da vida hodierna tem relação 
íntima e automática com a ausência de firmeza fisiológica, ou 
enfermidade que, em se prolongando, provocará uma 
alteração de ordem tissular que, tendo sua atuação mantida, 
causará a incapacidade funcional e, consequentemente, a 
alteração morfológica, agravando, ainda mais, o estado do 
organismo. 
 Todos os achados demonstrados pela leitura 
da personalidade e atitudes psíquicas devem ser muito bem 
trabalhados no sentido de serem utilizados de forma positiva 
e construtiva, favorecendo ao processo de aceitação da 
doença, ajudando no destravamento psicológico causado pela 
depressão, iniciando uma atitude geratriz da nova realidade e 
,consequentemente, proporcionando a situação necessária 
para a libertação do estado patológico. (CARVALHO 
NETO,2015) 
 Cabe ao terapeuta alimentar o seu 
arcabouço mental com informações pertinentes acerca das 
patologias psicossomáticas, não nos cabendo, neste trabalho, 
a apresentação das inumeráveis doenças físicas e suas leituras 
psíquicas. 
 É bastante necessário que o profissional 
tenha disponibilidade de tempo para cada paciente, espaço 
físico adequado para deixar o assistido o mais confortável 
possível e possa, com isso, relatar todos os fatos importantes 
os quais serão basilares para o diagnóstico Psíquico 
funcional. (CARVALHO NETO,2015) 
 Percebe-se, assim, que a pressa ao atender, 
a superlotação dos setores de fisioterapia e a falta de 
empenho dos profissionais em desenvolverem a excelência 
durante o procedimento são elementos contraproducentes ao 
atendimento bem sucedido. 
 Valendo salientar que este será, a priori, um 
procedimento coadjuvante aos elementos terapêuticos 
utilizados e consagrados pela Fisioterapia moderna. 
(CARVALHO NETO,2015) 
 
 
1.4-COMO ESCOLHER A MELHOR TÉCNICA PARA CADA 
PACIENTE DE ACORDO COM SUA LEITURA CORPORAL. 
 
 
“Conseguir desbloquear estas áreas facilita, em 
muito, o tratamento de dores de todo jaez, sendo 
grande auxiliar no processo de analgesia por meio de 
recursos fisioterápicos.” (CARVALHO NETO,2015) 
 
 
 Lembrando que o corpo humano é 
formado, em sua maior proporção, por estruturas relacionadas 
com fluidos, sejam sólidos, líquidos ou gasosos, e que está 
intimamente ligado ao equilíbrio entre os movimentos 
fisiológicos desses fluidos, interferindo no estado de 
homeostasia, poderemos afirmar que a sobrecarga funcional 
de algum sistema, movida pelo excesso de estímulos em uma 
dada região, inicialmente aumentará o consumo de energia e 
diminuirá a nutrição celular pela inexistência do período de 
repouso ou período refratário. O que ocorre, claramente, em 
estados de obsessão por alguma atividade, por uso de 
substâncias ou por manutenção de monoideias. 
 Queremos, com isso, atentar para o fato de 
que, ao permanecer o organismo por um longo período em 
uma mesma atividade, o mesmo terá seu equilíbrio abalado 
em pouco tempo, pois, quando o sistema hiperexcitado 
começar a não mais ter combustível para usar em sua 
atividade, o mesmo recrutará os sistemas vizinhos, 
imediatamente próximos, para fornecerem energia para que 
continue exercendo suas funções, mediante a aceitação e 
obediência aos estímulos hiperexcitatórios. (CARVALHO 
NETO,2015) 
 Como exemplos práticos, poderemos citar as 
lesões conjugadas de ligamentos articulares causadas por 
exercícios extenuantes; Esteatose hepática causada pela 
glutoneria; Tosse seca causadapor estados ansiosos da 
mente; lombalgias provocadas por repetidos episódios de 
indecisão; Constipação intestinal oriundas de personalidade 
intransigente; Osteoartroses geradas por atitudes inflexíveis; 
Gastroenterites advindas do uso abusivo de bebidas com 
elevado teor ácido, etc. 
 Enfim, a exacerbada atividade de uma área 
tem interferência no equilíbrio de todas as outras regiões do 
corpo. 
 Em se estabelecendo a causa psíquica do 
transtorno somático, tem-se facilitado, assim, o alcance da 
escolha do melhor método a ser utilizado. 
 Uma área bloqueada por hiperexcitação tem 
necessidade primeira de ter deslocada a sensação de mal estar 
ou desequilíbrio. No caso de uma lombalgia, por exemplo, 
pede-se para que o paciente se concentre em uma parte do 
corpo imediatamente distante da coluna lombar e mais 
próxima do Sistema Nervoso Central, por exemplo, a mão. 
No caso de uma lombalgia unilateral, pede-se que o assistido 
se concentre na mão contralateral à dor lombar. Isso cria um 
caminho exatamente oposto aos estímulos álgicos capitados 
pela região lombar. Desconectando as sensações dolorosas, 
minimiza a percepção álgica, facilitando, deste modo a 
desconstrução da memória da dor. 
 Os artifícios para atrair a atenção do 
paciente podem ser desde a estimulação tátil, térmica ou 
mesmo cinestésica. 
 Durante a avaliação inicial, o terapeuta poderá perceber se o 
paciente em sua frente tem personalidade Visual, Auditiva ou 
Somestésica. Ou a junção de um deste três padrões com certa 
prevalência de algum. 
 O paciente terá prevalência visual se o 
mesmo acompanhar cada movimento, com os olhos, que o 
terapeuta fizer enquanto conversam. Mostrará os exames 
complementares ao terapeuta apenas após ler cada um, 
acompanhando curioso tudo o que o profissional escrever. 
 O assistido terá personalidade 
preferencialmente auditiva quando ouvir as orientações do 
terapeuta sem fazer contato visual com o mesmo, geralmente 
observando o ambiente ao derredor ou cabisbaixo. Prestará 
muito mais atenção ao que o profissional disser do que ele 
possa lhe mostrar nos exames. 
 Já o paciente somestésico procurará o 
conforto assim que chegar ao consultório, não suportando 
esperar para ser atendido, nem conseguindo permanecer em 
uma fila. Sentirá mais frio ou mais calor que os outros tipos 
de pacientes. Terá a necessidade de tocar o terapeuta 
enquanto fala com ele, até mesmo tomando de sua mão para 
por no local da dor, para que o profissional também possa 
sentir com ela aquela dor e, com isso, poder ajudá-la. 
 Nos casos de personalidades mistas, haverá 
certa prevalência entre um e outro tipo.Mas a leitura e 
percepção, mesmo assim, são factíveis. 
 Tudo isso proporcionará uma escolha mais 
eficaz no momento da estimulação da área não afetada para o 
desvio da atenção do paciente. Uma pessoa visual olhará para 
a área que o terapeuta escolher. 
 Um auditivo escutará os comandos verbais 
dados pelo profissional. Um somestésico será mais bem 
estimulado através do tato. Então, para que não se transcorra 
no erro, faz-se mais seguro unir estes três tipos estimulatórios 
na mesma abordagem: 
 
“Olhe fixamente para a sua mão direita e sinta 
o bem estar enquanto movimenta a mesma” 
 
 Levando-se em consideração também o 
estado de ansiedade de cada paciente, onde encontramos 
pessoas mais pacientes que outras, a sequência das técnicas 
escolhidas também terá reflexo na efetividade e eficiência do 
protocolo como um todo. 
 O B.M.D., Bloqueio da memória da Dor, 
referindo-se a um processo que depende de um número maior 
de estímulos inibitórios não é referendado como primeira 
opção em casos de dores agudas, principalmente em 
pacientes com o nível de ansiedade mais elevado. 
 O C.C.V., Controle Consciente da Vontade, 
como necessita de uma concentração convergente e intensa 
energia, em casos de pacientes depressivos, cuja negatividade 
esteja latente, não será a primeira escolha nos achados de 
dores agudas ou subagudas. 
 A T.S.D., Transmigração da Sensação 
Dolorosa, diferentemente das técnicas anteriores, tem sua 
atuação pautada na indução, onde a atenção exacerbada ao 
local doloroso será minorada por meio do estímulo 
audiovisual e tátil em intensidade igual ou superior ao 
estímulo álgico. 
 Como o comando verbal será preponderante 
neste processo, a T.S.D. terá sua dependência muito maior na 
atitude do terapeuta que na situação emocional do paciente. 
 Sendo, por isso, o primeiro protocolo a ser escolhido na 
abordagem do controle efetivo da dor. 
 
 
 
1.5-AVALIAÇÃO DO PROGRESSO DO PACIENTE 
 
 Durante o atendimento fisioterápico, o uso de 
escalas avaliativas representa uma ferramenta 
importantíssima para o feedback que o terapeuta deve 
receber, dando-lhe a orientação fidedigna durante a 
elaboração do prognóstico do paciente. 
 Escalas como a Visual Analógica (E.V.A.) 
para dor, variando de zero a dez, escala TAMPA para 
cinesiofobia,ou, ou as escalas de incapacidade como o 
Disability Arm Shoulder Hand do Brasil (DASH Brasil),para 
incapacidade dos membros superiores onde ,segundo Hudak; 
Amadio; Bombardier (1996), a pontuação é considerada 
como: excelente (< 20 pontos), bom (20 a 39 pontos), regular 
(40 a 60 pontos) e mau (> 60 pontos). 
 Porém, a melhor maneira avaliativa sempre 
será o conforto do paciente e sua satisfação durante o 
procedimento, pois estes termos perfazem sua presença no 
contexto mais amplo da saúde funcional. 
 A melhora visual do comportamento do 
paciente, a alteração positiva de suas atitudes diante dos 
desafios propostos pelo fisioterapeuta durante a 
cinesioterapia convencional, proporcionam muitas 
informações acerca da eficácia dos atendimentos. 
 Assim como a assiduidade e pontualidade 
do paciente nos dias de tratamento, revelando o seu íntimo 
interesse e grande envolvimento e responsabilidade no 
próprio processo de melhoria e reestruturação de sua saúde 
funcional. 
 
 
 
 
 
 
2-CASOS CLÍNICOS. 
 ABORDAGEM DA FISIOTERAPIA 
PSICOSSOMÁTICADURANTE A ASSISTÊNCIA 
FISIOTERÁPICA CONVENCIONAL EM DESORDENS 
MUSCULOESQUELÉTICA 
 
2.1-Paciente com ombro congelado/Capsulite adesiva 
 
 Recebi no consultório no dia 23 de outubro 
de 2014, o paciente L.N. 26 anos, sexo masculino, faixa preta 
de Jiu-jitsu, Muay thay e lutador de Artes Marciais Mistas-
MMA-com a queixa de dor ao tentar mover os ombros. 
Apresentou exame de imagem RMN, apontando inflamação 
do revestimento sinovial e da cápsula articular, características 
para a condição de Capsulite adesiva ou ombro congelado de 
causa idiopática. 
 Após a goniometria, foi constatado um 
bloqueio em 50° para flexão do ombro e 60° para abdução, 
bilateralmente e total impossibilidade para hipextensão dos 
ombros com rotação externa. A dor predominante na região 
do deltóide médio bilateral causava-lhe perda de força 
muscular e grande angústia, pois teria uma importante 
competição em duas semanas. 
 Dando prosseguimento a consulta, no 
intuito de traçar o diagnóstico Psíquico Funcional, 
percebemos que o mesmo me seguia atentamente fitando nos 
olhos. Tinha uma concentração convergente muito 
aguçada.Portava-se com uma atitude de disciplina e respeito 
pelo que falávamos para ele sobre a enfermidade em questãoe,acima de tudo, possuía um desejo inabalável e uma certeza 
concreta de que iria lutar e vencer todos os desafios a partir 
dali,pois sentiu confiança na nossa abordagem e no nosso 
discurso terapêutico. 
 Foram realizados apenas dois atendimentos 
para alcançarmos a sua recuperação total e liberá-lo para a 
rotina de treinamentos. 
 Associamos as técnicas miotensivas, como 
a de contrair-relaxar, à T.S.D. durante cinco minutos 
inicialmente. Continuando o protocolo de dez minutos e, por 
fim, de quinze minutos. 
Devido à sua disciplina e empenho no atendimento, o 
paciente apresentou, após o primeiro dia, aumento de sua 
ADM de 50° de flexão de ombros para 120° e de 60° de 
abdução de ombros para 150° e a hiperextensão dos ombros 
de zero para 30°. 
 O paciente relatou ter certa fobia por 
agulhamento. Por isso, antes da aplicação do agulhamento 
seco, foi aplicado o BMD, para reduzir a tensão e a TSD para 
que ele não sentisse o agulhamento, não provocando nele a 
ânsia de dor ou algum desconforto psicossomático. 
 Conversamos muito sobre as 
responsabilidades dele enquanto filho ,marido, pai, professor 
de artes marciais em três turnos e sobre a defesa de seu 
cinturão durante o evento vindouro. 
 Fizemos o paciente refletir sobre a 
sobrecarga de responsabilidades e auto cobrança excessiva 
em sua carreira, o que depositaria por sobre seus ombros um 
fardo muito mais pesado do que ele pudesse sustentar 
sozinho. 
 Este destravamento da sensação de culpa 
foi muito importante para o desbloqueio das tensões 
psicossomáticas na região dos ombros. Facilitando, 
sobremaneira, a atuação das técnicas fisioterápicas para o 
controle das sequelas funcionais da Capsulite adesiva 
bilateral.

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