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NÚCLEO DE PESQUISA EM FISIOTERAPIA PSICOSSOMÁTICA Av. Edson da Mota Correia, 701 Sala 02 – Caucaia - Centro. (85) 3342.2121 - Ramal 206 | Abordagem Neurocognitiva NAS DORES Do Ombro TRANSTORNOS NEUROPSÍQUICOS Dr. Liberato Neto Abordagem Neurocognitiva na dor do Ombro TRANSTORNOS NEUROPSÍQUICOS Dr. Liberato Neto 2017 Abordagem Neurocognitiva na dor do Ombro-.Transtornos Neuropsíquicos CARVALHO, José Liberato Neto. Abordagem Neurocognitiva na dor do Ombro.Transtornos Neuropsíquicos NUPEFIPS, Fortaleza, 2017 Copyright by José Liberato de Carvalho Neto. Todos os direitos desta edição reservados ao autor. Esta obra ou parte dela pode ser reproduzida por qualquer meio mediante autorização escrita do autor. Abordagem Neurocognitiva na dor do Ombro. Transtornos Neuropsíquicos Autor José Liberato de Carvalho Neto SUMÁRIO PARTE I 1.Introdução 2.Cintura escapular - considerações anatômicas. 2.1 - componentes ósseos 2.2 - músculos, ligamentos, tendões, reforçando a cápsula articular. 2.3-Articulações 2.4-Espaços 2.5-Classificação de Bigliani da morfologia acromial 3. A etiologia das patologias do ombro 4-Exames complementares 4.1- RX / incidências 4.2-Imagens para Lesões de cartilagens e tecidos moles 4.3-A Artrografia 4.4-A Artro-ressonância magnética 5-Exame físico 5.1-Teste de Apley 5.2. Teste muscular e neurológico 5.3. Testes Especiais 5.3.1 - Teste de Yergason / Teste de Lipmann 5.3.2 - Teste de Ludington 5.3.3 - Teste de Abbot-Saunders 5.3.4 - Teste da queda do braço 5.3.5 - Teste de apreensão para o deslocamento do ombro 5.4. Teste para diagnóstico de Tendinite 5.4.1 - Palm-up test 5.4.2 - Teste de Yergason 5.4.3 - Teste de Hawkins 5.4.4 - Teste de Neer 5.4.5 - Teste de Yocum 5.5. Teste para avaliação de ruptura tendinosa 5.5.1-Teste de Jobe 5.5.2-Teste de Patte 5.5.3 - Ruptura da porção longa do bíceps braquial 5.5.4 - Teste de Gerber (Lift off Test) 5.6. Síndrome do Desfiladeiro Torácico 5.6.1 - Teste de Roos 5.6.2 - Teste de Wright 5.6.3 - Teste de Adson 5.6.4 - Teste de Adson modificado 5.7. Teste para instabilidade Gleno-umeral – 5.7.1 - Decoaptação úmero-acromial 5.7.2 - Teste da Gaveta anteroposterior 5.7.3 - Teste da apreensão 5.7.4 - Teste de recentragem 5.7.5 - Jerk Test 6-Principais afecções no complexo do ombro 6.1-Síndrome do Impacto do Ombro –SIO. 6.1.1-Fases (estágios) da SIO 6.2- Lesão de Bankart 6.3-Lesão de Hill-Sachs 6.4-Capsulite Adesiva 6.5-Lesão de Hill-Sachs • Bursites e Tendinites PARTE 2-Afecções Neuropsíquicas 1.1-Introdução- Estudando um pouco a mente. 1.1.1-Correlações posturais Psicossomáticas 1. 2-Problemas dos ombros 1.2.1-O braço luxado 1.2.2-A síndrome ombro-braço 1.2.3-Tensão nos ombros 2-Artigo para análise: 2.1-A dimensão psicopatológica da LER /DORT: somatização ou conversão? 2.2-Análise do Artigo segundo Fisioterapia Psicossomática nas dores do ombro 2.3-A Fisioterapia Psicossomática nas dores do ombro 2.3.1-Etiologia Psicossomática das afecções do ombro- Alterações Neuropsíquicas 2.3.1.1- Traumática - (de qualquer natureza). 2.3.1.2- Traumática cumulativa - (movimentos repetitivos nas diversas ocasiões, nã só no trabalho como também em lazer / esporte, atividades domésticas, outras). 2.3.1.3- Infecciosa / inflamatória - (tuberculose). 2.3.1.4- Ocupacional - (referindo-se ao trabalho em acidentes típicos de trabalho, ou de trajeto, e que se enquadra também entre as traumáticas). 2.3.1.5- Síndrome do Desfiladeiro Torácico – S.D.T. 2.3.1.6- Degenerativa - (relacionada aos processos de artrite / artrose, que acometem principalmente pessoas com idade mais elevada). 2.3.1.7- Neoplásica - (tumores de qualquer natureza). 2.3.1.8-Paralisia Braquial Obstétrica (PBO) - que podemos considerar como traumática / neurológica, durante o momento do parto. 2.3.1.9-Neurológica - (exemplificamos com o AVC, onde não é tão rara a presença da “Síndrome ombro-mão” ou da “sub-luxação da articulação”, nos casos de plegia do membro superior). 2.3.1.10- Malformação de Sprenguel - (uma escápula pequena, alada e com inserção mais elevada que a contra- lateral, causando assimetria entre as cinturas escapulares, e escoliose). 2.3.1.11-Outras alterações congênitas (comprometendo a funcionalidade normal da cintura escapular). 2.3.2-Classificação de Bigliani da morfologia acromial 2.3.3-Artigo Original-Revista Brasileira de Ortopedia. 2014 ;49(6):636–641-Análise da curvatura acromial e sua relação com o espaço subacromial e os tipos de acrômio 2.3.4-Considerações da Fisioterapia Psicossomática- 2.3.4.1-Alterações Neuropsíquicas nas características morfofuncionais 2.3.4.2-Significado de alterações no acrômio. 2.3.4.2.1-Acrômio tipo I de Bigliani 2.3.4.2.2-Acrômio tipo II de Bigliani 2.3.4.2.3-Acrômio tipo III de Bigliani PARTE 3-Abordagem Neurocognitiva nas dores do ombro 1.1.-COMO PREPARAR O PACIENTE PARA O ATENDIMENTO 1.2-COMO AVALIAR O PACIENTE SOB A ÓTICA DA FISIOTERAPIA PSICOSSOMÁTICA E TRAÇAR O DIAGNÓSTICO PSÍQUICO FUNCIONAL INTRODUÇÃO Como introdução da parte 1 deste trabalho, temos como proposta uma revisão bibliográfica acerca da propedêutica ortopédica do complexo do ombro,abordando desde a anatomia,osteologia,miologia até os testes ortopédico,principais patologias e imaginologia. Nosso objetivo é trazer para acadêmicos e profissionais, com uma linguagem bem acessível, informações relevantes sobre a Abordagem Neurocognitiva na dor do Ombro e correlacionar os Transtornos Neuropsíquicos que originam as afecções no referido local. Então, dando início aos nossos estudos deste artigo sobre ombro, temos que o mesmo, na realidade, é um complexo articular. É a articulação do corpo humano com maior amplitude de movimento, o que explica o grau de “instabilidade natural” existente, ao ponto de corresponder a mais de 50% das luxações articulares do corpo. A grande ADM (Amplitude de movimento) da articulação permite amplos movimentos de flexão, extensão, abdução, adução, rotação externa e rotação interna. FONTE: A.I. KAPANDJI. FISIOLOGIA ARTICULAR- MEMBROS SUPERIORES, 5ª edição. Apesar da “instabilidade natural”, o complexo ombro / cintura escapular possui estruturas estabilizadoras estáticas e dinâmicas. Comparando com o quadril que é articulação estável com um receptáculo profundo, o acetábulo, o ombro tem um receptáculo raso, a fossa glenóide. - Estabilizadores estáticos: cápsula articular, fossa glenóide, lábio glenoidal, ligamentos glenoumerais e intervalo dos rotadores (espaço entre a margem anterior do músculo supraespinhoso e a margem superior do subescapular, contendo no seu interior o tendão da cabeça longa do bíceps, ligamento coracoumeral e o ligamento glenoumeral superior). - Estabilizadores dinâmicos: os quatro músculos do Manguito Rotador e escápulo-umerais. O equilíbrio, a biomecânica e a localização destes músculos proporciona estabilidade e mobilidade da articulação do ombro.A primeira descrição de uma ruptura do Manguito Rotador do ombro é atribuída a Monro em 1788 (Toutes lês bourses séreuses du corps humain). • 2-Cintura escapular - considerações anatômicas: FONTE: Internet 2.1 - componentes ósseos Porção do úmero proximal + escápula + clavícula, que formam as articulações glenoumeral e acromioclavicular. 2.2 - músculos, ligamentos, tendões, reforçando a cápsula articular. A Escápula divide-se em corpo, acrômio e glenóide, e através destas regiões anatômicas se formam as 3 articulações e os 2 espaços de deslizamento do ombro: 2.3-Articulações – “Glenoumeral”, “Acrômio-clavicular” e “Esterno-clavicular”; FONTE: Internet 2.4-Espaços – “Espaço de deslizamento Escápulo-torácico”, e Espaço de deslizamento Acrômio-troquiteriano. O nível superior da escápula correspondendo à segunda costela, e o inferior à sétima costela, mantendo-se lateralmente afastada da coluna vertebral a cinco cm (do processo espinhoso da vértebra T3, na altura da espinha escapular). A denominação “Manguito Rotador” compreende o grupo de quatro músculos que envolvem a articulação glenoumeral, posicionando e segurando firmemente a cabeça do úmero na cavidade (fossa) glenóide: 1. Subescapular anteriormente 2. Infraespinhoso póstero-superior 3. Supraespinhoso superiormente 4. Redondo menor posteriormente FONTE: Internet O tendão do músculo supraespinhoso cobre a face superior da cabeça do úmero, inserindo-se na faceta superior da tuberosidade maior. O tendão do músculo infraespinhoso cobre a face superior e posterior da cabeça do úmero. FONTE: Internet Em 1934 Codman associou roturas do tendão do supraespinhoso à “zona crítica”, localizada aproximadamente um centímetro (um cm) medialmente à inserção desse tendão. Neer em 1972 denomina “Impingement Syndrome” e apresenta fisiopatologia, estágios e quadro clínico, com didática sustentada até os dias atuais. * - Charles Sumner Neer - nasceu em Vinita / Oklahoma em 10/11/1917. Segundo Hoppenfeld, a cintura escapular é composta por três junturas e 1 articulação: a. juntura esterno-clavicular b. juntura acrômio-clavicular c. juntura glenoumeral d. articulação escápulo-torácica 2.5-Classificação de Bigliani da morfologia acromial: Bigliani e colaboradores identificaram 3 tipos de acrômio (I, II, III). O Acrômio tipo III é associado a lacerações do Manguito Rotador proximais ao local de inserção do tendão do músculo supraespinhoso, na tuberosidade maior do úmero. Acrômio tipo I de Bigliani - com superfície inferior plana. Acrômio tipo II de Bigliani - com superfície inferior curva. Acrômio tipo III de Bigliani - com superfície inferior em gancho FONTE: Internet • 3.A etiologia das patologias do ombro A cintura escapular tem suas variedades, muitas delas bem semelhantes, e que aqui denominamos seguindo a síntese do conteúdo da Literatura Recomendada (13), que serviu de base para parte da descrição deste artigo, ressaltando que, segundo o Dr. Glaydson G. Godinho autor do Cap. 7 do livro “Noções Práticas de Reumatologia” (Dr. Caio Moreira e Dr. Marco Antônio P. Carvalho), a etiologia traumática é constatada em 50% dos casos, enquanto as degenerativas em 42%, e as demais causas são responsáveis por 8%: a) Traumática - (de qualquer natureza). b) Traumática cumulativa - (movimentos repetitivos nas diversas ocasiões, não só no trabalho como também em lazer / esporte, atividades domésticas, outras). c) Infecciosa / inflamatória - (tuberculose). d) Ocupacional - (referindo-se ao trabalho em acidentes típicos de trabalho, ou de trajeto, e que se enquadra também entre as traumáticas). e) Síndrome do Desfiladeiro Torácico – S.D.T. f) Degenerativa - (relacionada aos processos de artrite / artrose, que acometem principalmente pessoas com idade mais elevada). g) Neoplásica - (tumores de qualquer natureza). h) Paralisia Braquial Obstétrica (PBO) - que na podemos considerar como traumática / neurológica, durante o momento do parto. i) Neurológica - (exemplificamos com o AVC, onde não é tão rara a presença da “Síndrome ombro-mão” ou da “sub- luxação da articulação”, nos casos de plegia do membro superior). j) Malformação de Sprenguel - (uma escápula pequena, alada e com inserção mais elevada que a contra- lateral, causando assimetria entre as cinturas escapulares, e escoliose). k) Outras alterações congênitas (comprometendo a funcionalidade normal da cintura escapular). • 4-Exames complementares: 4.1-RX / incidências: No aspecto radiológico, a maioria dos traumatismos sobre a região do ombro, pode ser avaliada em RX na incidência AP, com o braço na posição neutra, ou com o braço em rotação interna ou externa, para visualizar aspectos diferentes da cabeça do úmero. Estas 3 incidências apresentam uma limitação, porque a cabeça do úmero é observada superpondo-se à glenóide, encobrindo o espaço da articulação glenoumeral. A superposição é eliminada com a rotação do paciente em aproximadamente 40° em direção ao lado afetado; esta incidência oblíqua posterior especial, é denominada de incidência de Grashey, que possibilita que a glenóide seja vista em perfil. A incidência axilar é útil para determinar a relação exata da cabeça do úmero e da fossa glenóide, assim como luxação anterior e posterior ,mas quando o paciente não consegue abduzir o MS para posicionar-se para o exame, é usada uma das variantes da incidência axilar, conhecida como incidência de West Point. Outra variante da axilar é a incidência de Lawrence, que não exige grande abdução do ombro, de vez que pode ser compensada pela angulação do tubo de raios X. Traumatismo da porção proximal do úmero pode ser vista nas incidências AP ou transescapular, e pode necessitar da lateral transtorácica para uma plena visualização. Suspeita de traumatismo do sulco bicipital solicita-se a incidência tangencial desta estrutura. Em lesão acromioclavicular é avaliada em incidência AP com inclinação cefálica em 15° do tubo de raios X. Em fratura da escápula, incidência transescapular (ou em Y); em fratura do acrômio e para demonstração do tipo morfológico do acrômio, incidência “da saída” (Outlet view) do ombro. O RX em perfil da escápula permite também visualização da cabeça do úmero. A incidência Perfil Axilar Simples avalia a estrutura do acrômio e a articulação acrômio-clavicular. A Incidência de Perfil Específico da Glenóide, de Bernageau, permite ver todo o contorno glenoideano, sempre indicada em avaliações radiológicas em atletas. Segundo citação da literatura, o índice de diagnóstico das lesões ósseas da reborda anteroinferior da glenóide (Lesão de Bankart), com o emprego desta incidência, é de 95%. FONTE: Internet 4.2-Imagens para Lesões de cartilagens e tecidos moles: Ultrassonografia, Artrografia, Tomografia Computadorizada, Ressonância Magnética. A ultrassonografia do ombro é método eficaz, rápido e indolor, para avaliar o Manguito Rotador,bursas, músculos e tendões, processos inflamatórios, sinais de artrose, porém há necessidade de valorizar a experiência do examinador. É um exame sensível e possibilita bem a constatação das roturas no Manguito Rotador, e do tendão bicipital. FONTE: Internet 4.3-A Artrografia É um bom método propedêutico, pode ser realizada com técnicas de contraste simples ou duplo. Em laceração do Manguito Rotador, uma Artrografia de contraste simples pode revelar comunicação anormal entre a cavidade glenoumeral e o complexo de bursas subacromial-subdeltóidea; Em anormalidades da cartilagem e da cápsula articular, é mais adequado o contraste duplo, porém quando este é indicado, a Artrografia será combinada com a Tomografia Computadorizada (Artrotomografia Computadorizada), para avaliar suspeita de anormalidade do labrum glenóide fibrocartilaginosa. A distensão da cápsula articular permite avaliar sua morfologia, a do lábio glenoidal, ligamentos glenoumerais, do intervalo dos rotadores, da face articular do Manguito Rotador, e de acompanhamento pós-operatório da articulação glenoumeral e do manguito rotador. FONTE: Internet 4.4-A Artro-ressonância magnética Constitui-se em excelente método, por permitir a análise mais precisa das estruturas mencionadas, assim como dos demais componentes da articulação e também das estruturas relacionadas a essa articulação, como os musculares do Manguito Rotador e do tendão da cabeça longa do bíceps braquial. Dependendo da história clínica do caso, e suspeita médica no decorrer da avaliação, outros exames complementares poderão ser solicitados, como por exemplo, biópsias, cintilografia. FONTE: Internet . Artroressonancia magnética do ombro direito, mostrando luxação anterior com lesão de Bankart (seta) • 5-Exame físico: O mais importante dos exames, que deve ser complementado pelos descritos acima, quando necessários. O exame físico bem realizado permite com exatidão, muitos diagnósticos do complexo ombro / cintura escapular. Citamos abaixo, algumas manobras / testes propedêuticos TESTE DE MOBILIDADE DO OMBRO: Pode ser ativo (movimentos realizados apenas pelo paciente) ou passivo (movimentos realizados pelo examinador). 5.1. Teste de Apley - teste ativo, também denominado de “teste da coçadura”. É um teste rápido para avaliar a amplitude dos movimentos. Para abdução e rotação externa - para o paciente alcançar o ângulo médio superior da escápula contralateral, passando a mão por trás da cabeça. Para adução e rotação interna - tocar com a mão no acrômio contralateral, passando o antebraço pela frente do tórax. Também, pedir para o paciente tentar tocar com a mão, o nível mais alto da escápula contralateral, passando o membro superior por trás do tórax. Sempre executar a manobra, primeiramente com o membro superior sadio para depois com o sintomático; medir a diferença para avaliação futura comparativa. 5.2. Teste muscular e neurológico - (pesquisa dos reflexos tendíneos, sensibilidade e força muscular) são exemplos de testes passivos, que vamos citar alguns que possuem denominação própria. O exame muscular propriamente dito, abrange basicamente os movimentos (descritos por Hoppenfeld): flexão - extensão - adução - abdução - rotação interna - rotação externa - elevação da escápula - prolongamento do ombro. 5.3. Testes Especiais - são os característicos à anatomia e às condições patológicas da articulação: 5.3.1 - Teste de Yergason / Teste de Lipmann - teste passivo que constata a estabilidade do tendão da porção longa do bíceps braquial no sulco bicipital do úmero. Paciente em ortostatismo ou sentado, cotovelo junto à lateral do tronco, fletido em 90° e antebraço pronado sobre o abdômen; Examinador posiciona-se ao lado do paciente e do membro superior examinado (exemplo, o MSD), mão E firmemente na base do cotovelo, mão D firme sobre o punho D do paciente, traciona o braço externamente até encontrar resistência, e ao mesmo tempo traciona o cotovelo para baixo. O tendão do bíceps quando instável no sulco se deslocará e o paciente refere forte dor. Palpar a goteira bicipital, pedir para o paciente fazer supinação e o Examinador resiste. 5.3.2 - Teste de Ludington - teste ativo que constata a estabilidade da cabeça longa do bíceps na goteira bicipital. Entrelaçar os dedos das mãos atrás da cabeça e contrair o bíceps. Teste positivo quando o paciente sente que o tendão deslocou ou “sente que vai deslocar”. 5.3.3 - Teste de Abbot-Saunders - constata a estabilidade da cabeça longa do bíceps na goteira bicipital. Iniciar o movimento com o MS em abdução e rotação externa, baixá- lo lentamente com o bíceps contraído. Teste positivo quando manifesta dor e percebe um “click” (palpável e audível). 5.3.4 - Teste da queda do braço - teste ativo que constata ruptura na bainha rotatória; abduzir completamente o MSD, em seguida pedir que baixe vagarosamente ao lado do tronco. Havendo ruptura na bainha rotatória, principalmente se for do supraespinhoso, na altura de aproximadamente 90° ao baixá- lo, o membro tende a “cair” bruscamente, ele não conseguirá segurá-lo para manter em descida vagarosa. 5.3.5 - Teste de apreensão para o deslocamento do ombro - teste passivo para constatar deslocamento crônico do ombro. Aduzir o MSD com o cotovelo em 90° de flexão e ombro D em 90° de abdução; Examinador com mão E apoiando posteriormente sobre o ombro, mão D sobre o punho, abduzir e rodar externamente o braço para a posição de fácil deslocamento. Será positivo com a demonstração de medo e pavor do paciente, temendo mais um deslocamento da articulação, que será um desprazer a ele, motivo pelo qual resistirá à manobra. 5.4. Teste para diagnóstico de Tendinite - positivo na presença de dor (com ou sem ruptura em tendões) representada com sinais de + a ++++ (uma a quatro cruzes): 5.4.1 - Palm-up test - para o tendão da porção longa do bíceps; teste passivo, onde o Examinador eleva o MS comprometido em extensão e supinação a 90°, e empurra o membro para baixo contra a resistência. Manifesta dor no local sobre o sulco bicipital. 5.4.2 - Teste de Yergason - resumidamente também é para a manifestação de dor sobre a goteira bicipital, quando o paciente realiza flexão do cotovelo e supina o antebraço contra a resistência do examinador. 5.4.3 - Teste de Hawkins - teste passivo, posicionar ombro e cotovelo a 90°, descansá-los sobre a mão contralateral do examinador, que está com a outra mão apoiando o ombro, e fazer rapidamente a rotação interna. Haverá manifestação de dor, quando positivo, porque a manobra provoca o atrito do tendão do supraespinhoso com a borda anteroinferior do acrômio e ligamento córaco-acromial. 5.4.4 - Teste de Neer - teste passivo, elevando rapidamente o MS com o cotovelo em extensão e pronação do antebraço, provocando o choque de inserção sobre o supraespinhoso contra a borda anteroinferior do acrômio. Dor na elevação súbita do MS. 5.4.5 - Teste de Yocum - paciente apoiar o ombro oposto com a mão pela frente; passivamente o Examinador vai elevando o cotovelo (atrito entre escápula e arco córaco- acromial). 5.5. Teste para avaliação de ruptura tendinosa – 5.5.1 - Teste de Jobe - teste passivo, apenas para avaliação do supraespinhoso; dá o diagnóstico de ruptura com grande margem de segurança; paciente em pé, MMSS em extensão e abdução em 30°,Examinador força os MMSS para baixo, contra a resistência do paciente, que manifestará dor. Poderá haver uma resposta falso-positiva, que um dos testes de Neer soluciona (injetar 8 – 10 ml de Lidocaína no espaço subacromial e repetir a manobra). Se mantiver a dor e fraqueza para sustentar o MS, o teste de Jobe será positivo. 5.5.2 - Teste de Patte - para avaliação de ruptura do tendão do músculo infraespinhoso; ombro abduzido em 90°, cotovelo fletido em 90°, paciente resiste à rotação interna do ombro. Resistência diminuída no membro superior comprometido sinaliza para ruptura do tendão do músculo infraespinhoso. 5.5.3 - Ruptura da porção longa do bíceps braquial - às vezes, a retração distal do músculo bíceps braquial não é perceptível. Solicitar ao paciente que faça força flexora, e o examinador realiza a palpação com o seu polegar, no sulco bicipital. Às vezes pode ser percebida a ruptura. 5.5.4 - Teste de Gerber (Lift off Test) - para ruptura do tendão do subescapular, ou luxação do tendão longo do bíceps; manobra idêntica ao teste de Apley, sem encostar o dorso da mão na região lombar. É positivo quando não consegue afastar o dorso da mão do contato com a região lombar. 5.6. Síndrome do Desfiladeiro Torácico - Observamos algumas demonstrações do posicionamento dos MMSS, com os cotovelos em 90° de flexão, e outras com os cotovelos em extensão. 5.6.1 - Teste de Roos - MMSS em abdução e rotação externa, e por 2 a 3 minutos fazer movimentos simétricos de abrir e fechar as mãos. Havendo compressão do feixe neurovascular entre os músculos escaleno anterior e peitoral menor / clavícula e primeira costela, haverá a queixa de dor, dormência / formigamento, cansaço / fadiga no braço comprometido, e conseguintemente fraqueza. 5.6.2 - Teste de Wright - palpar o pulso radial do MS examinado + manter abdução do ombro em 90° no plano frontal + cotovelo em flexão de 90° + rotação do pescoço para o lado oposto ao membro examinado. Se desaparecer o pulso radial, há evidências de compressão da artéria. A literatura chama atenção para o fato de que aproximadamente 25 - 30 % da população assintomática, pode mostrar positividade nesta manobra. 5.6.3 - Teste de Adson - verifica se há compressão da artéria subclávia pelo músculo escaleno ou costela cervical. Palpar o pulso radial + seguindo com abdução + extensão e rotação externa do braço + inspiração profunda + rodar o pescoço para o lado do MS examinado. Se houver compressão, da artéria haverá diminuição do pulso. 5.6.4 - Teste de Adson modificado - palpar pulso radial do MS examinado + rotação da cabeça para o lado oposto do MS examinado + abdução + extensão e rotação externa do MS. Se tiver diminuição da intensidade do pulso radial, poderá estar havendo compressão do feixe vásculo-nervoso, quando associamos à história clínica (queixas). 5.7. Teste para instabilidade Gleno-umeral – 5.7.1 - Decoaptação úmero-acromial - paciente em ortostatismo na posição anatômica, examinador traciona seus MMSS para baixo. O ombro que tem elasticidade cápsulo- ligamentar aumentada demonstra um sulco entre a cabeça do úmero e o acrômio, podendo estar associado a uma instabilidade 5.7.2 - Teste da Gaveta anteroposterior - paciente sentado na mesa de exame e “de costas” para o examinador também sentado ao seu lado, firma seu ombro por cima com a mão Esquerda e a porção proximal do úmero Direito com sua mão D, e executa o movimento anteroposterior do ombro, na busca do sinal da gaveta, quando há hiper-elasticidade ou instabilidade (anterior ou posterior, ou ambas). 5.7.3 - Teste da apreensão - paciente sentado, examinador posicionado atrás, realiza abdução + rotação externa do MS examinado, manobra que o paciente já sabe e já conhece, por ter causado luxações anteriores, o que lhe causa grande apreensão e dor. Muitas vezes basta o ato do paciente demonstrar que vai executar esta manobra, já e motivo de pânico pro parte do paciente. 5.7.4 - Teste de recentragem - paciente em decúbito dorsal, MS abduzido e rodado externamente, examinador força impulsão da cabeça do úmero no sentido anterior, e na presença de instabilidade, há manifestação de dor, que desaparece com o movimento contrário. 5.7.5 - Jerk Test - para constatar instabilidade posterior; braço do paciente em abdução de 90°, examinador realiza movimento horizontal de adução e impulsão axial posterior, enquanto a escápula é estabilizada com a outra mão. Se houver instabilidade posterior, provoca-se a subluxação posterior da cabeça do úmero, e sua redução. 6. Principais afecções no complexo do ombro 6.1-Síndrome do Impacto do Ombro-SIO A SIO, também conhecida como “Impingement” é alteração comum e frequente da cintura escapular, com maior prevalência em pessoas entre 40 e 50 anos, mas por estar ligada a várias atividades do esporte e trabalho, é cada vez mais frequente em faixa etária mais baixa. Halkins, em 1987, relaciona os estágios (fases) anatomopatológicos descritos por Neer, com o quadro clínico encontrado, porém ressalta que nem sempre há uma relação direta entre manifestação clínica e os estágios anatomopatológicos descritos por Neer. 6.1.1Fases (estágios) da SIO (descrição anatomopatológica por Neer - 1983): I - Em jovens abaixo de 25 anos Dor aguda relacionada com esforço progressivo / prolongado / exagerado, edema e hemorragia em bolsas e tendões sem uma verdadeira lesão anatômica; melhora progressiva com o repouso no membro e tratamento conservador, quadro clínico reversível. Os tendões mais comprometidos nesta fase são os do músculo supraespinhoso e da cabeça longa do bíceps braquial. II - Entre 25 a 40 anos Acomete frequentemente atletas de esportes com MMSS; importante fazer diagnóstico diferencial com Capsulite Adesiva; Processo inflamatório crônico, dor constante quando eleva o MS e faz rotação interna do ombro; Não há ruptura completa, mas poderá haver parcial; tendinite, fibrose, espessamento da bursa subacromial, diminuição da força no membro, devido à dor. III - Mais frequente acima de 40 anos Ruptura completa de um ou mais tendões do ombro. Importante redução da força no MS, devido à dor constante; grande dificuldade para elevar o MS contra a simples ação da gravidade. FONTE: Internet Imagens de RMN mostrando rupturas do tendão do Supraespinhoso. A creptação subacromial é sinal clínico significativo para confirmar o diagnóstico, associado aos demais (Jobe positivo em 90 %, e Patte em 25 %). Nesta fase, o RX pode ser útil, mostrando cistos subcromiais, esclerose óssea, esporões na borda do acrômio, pinçamento do espaço subacromial. O pinçamento do espaço subacromial, com redução da distância normal (7 mm) entre o acrômio e a cabeça do úmero sinaliza para lesão grave e antiga do Manguito Rotador. A artrografia colabora para um diagnóstico preciso, assim como a ecografia, porém esta pode apresentar maior margem de dúvida / erro. Neer em 1972, descreveu o impacto mecânico do tendão do supraespinhoso pelo terço anteroinferior do acrômio, do ligamento córaco-acromial e, em alguns casos, pela artrose da articulação acrômio-clavicular. A causa mecânica foi reforçada pelos estudos de Morrison & Bigliani em 1987, sobre o formato do acrômio anterior e suas repercussões sobre o tendão do supraespinal. Entretanto; sabemos hoje, que outros fatores são também responsáveis pela Síndrome do Impacto no Ombro (SIO), que é uma patologia inflamatória e degenerativa caracterizada por impactação mecânica de estruturas localizadas no espaço úmero-córaco-acromialda articulação. •6.2-Lesão de Bankart (Dr. Arthur Sidney Blundell Bankart – cirurgião inglês / publicação em 1923): Compreende a desinserção do lábio glenóide, com os ligamentos gleno-umerais, deixando a glenóide rasa e insuficiente para estabilizar a articulação do ombro. Na presença de repetitivas luxações anteriores do ombro, pode ocorrer lesão deste ligamento glenoumeral anteroinferior, correspondendo à denominada “lesão de Bankart”. A luxação anterior do ombro é muito mais frequente que a posterior; e a maioria das primeiras luxações do ombro é de natureza traumática quase sempre violenta, fragilizando a estabilidade e facilitando para a repetitividade do episódio, mesmo sem que haja um grande traumatismo. Com cirurgia vídeo-artroscópica o lábio glenóide pode ser reinserido na borda anterior da glenóide com pontos de sutura, normalizando a anatomia que fora comprometida, ou seja, a reinserção do lábio glenóide. (Arthur Sidney Blundell Bankart / 1879 – 1951). • 6.3-Lesão de Hill-Sachs: Trata-se de fratura compressiva causada pelo impacto das trabéculas da cabeça umeral durante a luxação anterior da articulação glenoumeral – publicação pelos radiologistas norte-americanos Hill e Sachs que documentaram radiograficamente a alteração osteocondral da região póstero-lateral da cabeça do úmero, assunto já publicado por Malgaigne em 1855 na França, após estudos de peças anatômicas. FONTE: Internet As lesões de Bankart e de Hill-Sachs não são tão frequentes, mesmo em atletas de grandes esforços com MMSS ou submetidos a micro traumas de repetição, causando luxações. A ultrassonografia é um dos recursos propedêuticos capaz de ser útil para o diagnóstico da patologia. As alterações mais frequentes ao nível do ombro são: Tenossinovite ao nível do bíceps e tendinite no músculo supraespinhoso. • 6.4-Capsulite Adesiva (“ombro congelado”): Patologia que acomete a cintura escapular, caracterizada basicamente por dor e limitação significativa da amplitude do movimento articular (ADM). A dor que inicialmente pode ser de grande intensidade, pode apresentar diminuição da sua intensidade em poucas semanas de tratamento, porém a limitação da amplitude do movimento é mais resistente e tende a se prolongar por vários meses, tanto com o esforço ativo, como em manobras passivas realizadas por terceiros. Cada caso e cada pessoa têm sua própria forma de evolução frente à patologia e seu tratamento, mas considerando margem de erro, podemos afirmar que usualmente a patologia pode ter uma duração aproximada de seis (6) a vinte e quatro (24) meses. Identificamos 3 (três) fases bem distintas quando atentamos para o início da ocorrência e sua evolução, através da história relatada pelo paciente, e do exame físico realizado pelo profissional: 1ª fase - dor intensa que piora com o movimento do membro superior comprometido (flexão, abdução, rotações). 2ª fase - mais restrição da amplitude do movimento e redução na intensidade da dor (começa “o congelamento”). 3ª fase - dor praticamente desaparece, e aos poucos vai melhorando a amplitude do movimento da articulação, o que podemos interpretar como a fase do “descongelamento”. 6.5-Lesão de Hill-Sachs • Bursites e Tendinites: São patologias frequentes e tão incapacitantes quanto à acima descritas; As tendinites podem ser calcificantes ou não e as bursites, principalmente a Bursite subacromial, uma pequena bolsa localizada no espaço subacromial, entre o acrômio e os tendões do Manguito Rotador. São patologias dolorosas e incapacitantes temporariamente para determinadas atividades, e respondem satisfatoriamente ao tratamento conservador, em muito menos tempo que, por exemplo, a Capsulite Adesiva. A bursite do ombro, muito raramente é primária, motivo pelo qual o tratamento deve priorizar o combate à causa. REFERÊNCIAS 1. “MANUAL DE ORTOPEDIA” - Título Original: “Orthopaedics for the undergraduate” (William Heinemann Medical Books LTD-Londres) - W. A. Crabbe - Editorial Cientifico-Medica - 1970. 2. “BIOMECÂNICA ORTOPÉDICA - Mecânica Aplicada al Sistema Locomotor” - Victor H. Frankel, Albert H. Burstein - Editorial Jims - 1973. 3. “ATLANTE DI ANATOMIA UMANA DESCRITTIVA” - Angelo Farina - Recordati - 1980. 4. “A COLOUR ATLAS OF CLINICAL ORTHOPAEDICS” - Lipmann Kessel - Wolfe Medical Publications LTD - 1980. 5. “PROPEDÊUTICA ORTOPÉDICA - Coluna e Extremidades” - Stanley Hoppenfeld - Livraria Atheneu - 1980. 6. “MÚSCULOS - PROVAS E FUNÇÕES” - Henry Otis Kendall, Florence Peterson Kendall, Gladys Wadsworth - 2ª Edição - Editora Manole LTDA. - 1980. 7. “TERAPÊUTICA POR EXERCÍCIOS” - John V. Basmajian - Terceira Edição - Editora Manole LTDA. – 1980 8. “MERCER‟S ORTHOPAEDIC SURGERY” - Robert B. Duthie, George Bentley - Eighth Edition - Edwward Arnold (Pulishers) Limited - 1983. Tendinite calcária 9. “KRUSEN: TRATADO DE MEDICINA FÍSICA E REABILITAÇÃO” - Frederic J. Kottke, G. Keith Still Well, Justus F. Lehmann - Terceira Edição - Editora Manole LTDA - 1984. 10. “GUIA PRÁTICO - TENOSSINOVITES - e outras lesões por traumas cumulativos nos membros superiores de origem ocupacional ” - Hudson de Araújo Couto - Ergo Editora B&C LTDA. - 1991. 11. “SÍNDROME DO IMPACTO – RELAÇÕES ANÁTOMO-CLÍNICAS, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO” (Artigo de Revisão) - Júlia Maria D‟Andrea Greve, Arnaldo Amado Ferreira Filho, Américo Zoppi Filho, Raul Bolliger Neto - Revista: Medicina de Reabilitação, nº 41, Agosto de 1995. 12. “PROTOCOLO DE INVESTIGAÇÃO DAS LESÕES POR ESFORÇOS REPETITIVOS (LER)” - Dr. Osvandré Lech, Dra. Maria da Graça Hoefel - Rhodia Farma Ltda. - 1995. 13. “NOÇÕES PRÁTICAS DE REUMATOLOGIA - Volume I” - Caio Moreira, Marco Antônio P. Carvalho - Livraria e Editora Heath - 1996. 14. “ANATOMY - PALPATION & SURFACE MARKINGS” - Derek Field - Second Edition - Butterworth-Heinemann - 1997. 15. “FISIOLOGIA ARTICULAR - MEMBRO SUPERIOR - Volume I” - A. I. Kapandji (Ibrahim Adalbert) - 5ª Edição - Editorial Médica Panamericana - Maloine - 2000. 16. “RADIOLOGIA ORTOPÉDICA” - Adam Greenspan / introdução por Michael W. Chapman - Terceira Edição - Guanabara Koogan - 2001. 17. “MEDICINA DE REABILITAÇÃO - Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação; Academia Brasileira de Medicina Física e Reabilitação - Sérgio Lianza - Quarta Edição - Editora Guanabara Koogan - 2007. Belo Horizonte, 06 de Dezembro de 2010 Demétrio Praxedes Araújo Médico Fisiatra titular da AMB, CFM, e ABMFR Curso de Especialização de Reabilitação de Amputados e Próteses Membro do Comitê de Ajudas Técnicas - CAT / SNPD / SDH / PR Consultor do Centro Brasileiro de Segurança e Saúde Industrial - CBSSI, sobre “Reabilitação” A Fisioterapia Psicossomática nas dores do ombro PARTE 2 1.Afecções Neuropsíquicas 1.1-Introdução- Estudando um pouco a mente. Já que neste trabalho estamos abordando instâncias da mente, vamos pincelar um pouco sobre elas, com base em Freud. A Mente é o estado da consciência ou subconsciência que possibilita a expressão da natureza humana. (Historia da filosofia, Wilhelm Dilthey. Hemus, 2004. Página 27-28). É um conceito bastante utilizado para descrever as funções superiores do cérebro humano relacionadas à cognição e comportamento. (Humanos antes da humanidade, Robert Foley. UNESP, pág. 210) Em 1923, no livro "O Ego e o Id", Freud expôs uma divisão da mente humanaem três partes. Para Freud, a mente tem três instâncias: o Id, o Superego e o Ego. O Id corresponde aos nossos instintos, os nossos desejos mais íntimos e obscuros. É uma parte inconsciente do eu, que necessita tornar-se consciente, cabendo ao superego essa função potencial de permitir ou negar. (AMORIM, Henoque - Psicanálise para leigos, 2011.p.50). O Superego, que seria a nossa consciência moral. Ou seja, os princípios sociais e as proibições que nos são inculcadas nos primeiros anos de vida e que nos acompanham de forma inconsciente a vida inteira; (Da Página 3 Pedagogia & Comunicação 23/01/2012) O Ego que se identifica à nossa consciência. (Da Página 3 Pedagogia & Comunicação 23/01/2012). Está acima do Superego e do Id.Para Freud,”esse Ego objeto é tanto ativo quanto passivo;é aquilo que deve ser protegido e,ao mesmo tempo, agente desta proteção”.(AMORIM,Henoque -Psicanálise para leigos,2011- apud Garcia-Roza, Luiz Alfredo, 1936- Freud e o Inconsciente,p.56) A função própria dos ombros é dar liberdade de ação aos braços. Mas de maneira similar a eles, com o tempo, pode mover-se para cima e proporcionar um esconderijo para a cabeça, eles podem mover-se também para frente para abrigar entre si o peito e o coração. Esta é uma típica postura de autoproteção, com a qual os afetados mostram como se sentem vulneráveis e carentes de proteção. (DAHLKE, 1992). REFERÊNCIAS AMORIM, Henoque-Psicanálise para leigos DILTHEY,Wilhelm-Historia da filosofia. Hemus, 2004 FOLEY,Robert-Humanos antes da humanidade. UNESP. Site: WWW.Pedagogia & Comunicação 1.1.1-Correlações posturais Psicossomáticas A postura dos ombros deixa entrever algo da postura em relação à vida (Rüdger Dahlke - A Doença como Linguagem da Alma ,Cultrix,1992). As clavículas e as escápulas mantêm a área superior do corpo unida. Na parte anterior do corpo, os ombros, passando pelas clavículas, chegam até o esterno, enquanto atrás suas escápulas cobrem a parte superior das costas. Os ombros ligam a expressividade dos braços e das mãos ao peito, local do meio e da integração. (DAHLKE, 1992) FONTE: Internet Juntamente com a coluna vertebral, eles são a área do corpo onde se pode ler qual carga uma pessoa carrega, e como a leva. (DAHLKE, 1992) Más posturas internas crônicas podem manifestar- se nos ombros sob a forma de músculos endurecidos e tensos ou até mesmo como más formações do esqueleto ósseo. (DAHLKE, 1992) Os mais nítidos são os ombros erguidos, entre os quais parece querer esconder-se uma cabeça medrosa. Como em um caracol ou uma tartaruga, ela se mete para dentro ao confrontar os perigos do mundo lá fora. Quando algo nos assusta, nós automaticamente encolhemos a cabeça. (DAHLKE, 1992) FONTE: Internet Então, quando o susto passa, os ombros retornam á postura não assustada e a cabeça se atreve novamente para diante. (DAHLKE, 1992) Consequentemente, ombros cronicamente erguidos mostram que seu proprietário permanece constantemente nesse estado abaixado e chocado e não consegue mais livrar-se do medo. (DAHLKE, 1992) Talvez, também, ele já tenha levado tanto na cabeça que inconscientemente prefere abaixar-se e passar de maneira furtiva pela vida com a cabeça metida entre os ombros. (DAHLKE, 1992) O medo crônico congelado na área dos ombros mostra-se também na estreiteza da postura. Não é raro que a esses ombros faltem a largura e a energia para suportar o fardo da vida e a responsabilidade correspondente. (DAHLKE, 1992) O ombro esquerdo erguido unilateralmente serve tanto para proteger o coração como para bloqueá-lo. O pólo oposto anatômico é constituído por pessoas com os ombros caídos, que expressam resignação. Eles lembram pássaros com as asas caídas e, de fato, as escápulas têm certa semelhança com asas recolhidas. Ombros caídos necessariamente suportam mais carga (responsabilidade) do que são capazes, seus possuidores estão sobrecarregados. Os ombros tentam deixar escorregar aquilo que é demasiado para eles, e tentam subtrair-se. Há algo nisso que desperta compaixão, sobretudo quando os ombros são além do mais estreitos. Os afetados dão a impressão de que tomam para si todo o peso do mundo. Dá vontade de abraçá-los sob os braços (igualmente caídos) e aliviá-los um pouco. Ombros acentuadamente estreitos evidenciam uma capacidade reduzida de assumir a carga da responsabilidade pela própria vida. Seus possuidores se recolhem para poder ater-se com a vida. (DAHLKE, 1992) Eles dão a impressão de que teriam de fazer um esforço imenso para suportar os encargos que têm pela frente. Como base para o âmbito em questão, tais ombros são um pressuposto bastante fraco, o controle da vida somente pode ser assumido com grandes fadigas. É natural que os possuidores de ombros que servem mais para ornamento que outra coisa tenham uma grande necessidade de apoio, preferindo ombros especialmente largos onde possam apoiar a cabeça e, juntamente com ela, a responsabilidade. Entre os ombros erguidos e os ombros caídos localizam-se os ombros em ângulo reto, que denotam um estado normal. (DAHLKE, 1992) Entretanto, mesmo neste caso há sinais de exagero que não deixam de ser significativos. Os ombros tipicamente masculinos, com os másculos estirados, sinalizam para todo o mundo que aqui alguém está disposto a assumir a responsabilidade por si mesmo e mais. Acentuando especialmente essa expressão, talvez através de massa muscular obtida à custa de treinamento ou dos enchimentos correspondentes, alguém mostra o quanto pensa no efeito que exerce sobre os outros. Neste ponto, ele levanta também a suspeita de simular coisas que gostaria de ter. Os soldados, que não somente usam galões em suas jaquetas, mas também tiras em todas as camisas se traem como coletividade em relação a isso. A voz popular fala de ombros inchados. Indica- se para o exterior quanto poder e quanta responsabilidade se está disposto a assumir, sendo que na verdade a maioria teve a espinha quebrada para exercer, sob ordens, a falta de responsabilidade. Ombros superdimensionados indicam egos similares, enquanto ombros estreitos indicam o contrário. Quando, além disso, eles são caídos, isso indica que neste caso alguém desistiu de se afirmar e de mostrá-lo ao mundo. Os ombros, portanto, dizem algo sobre o tipo de conflito que se tem com o mundo, sendo que os ombros em ângulo reto estão realmente na altura certa. Quando caídos, mostram o desânimo de seu proprietário; erguidos, que querem iludir a responsabilidade para cima. Pois ombros erguidos também se tornam estreitos, dando proteção adicional á cabeça em sua tentativa de eclipsar-se. Além disso, a altura relativa dos ombros mostra, com o lado mais baixo, qual metade da polaridade é acentuada na vida. Assim, nos homens é geralmente o ombro direito que está mais baixo, indicando com isso que estão mais distendidos nesse âmbito e tendendo a ir de encontro ao mundo de maneira masculinamente controlada e agressiva. O ombroesquerdo mais baixo, que ocorre em mulheres na maioria das vezes, indica que se encara seu ambiente de maneira femininamente passiva. Com o ombro mais baixo mostra-se ao mundo o lado do qual se está mais seguro. A função própria dos ombros é dar liberdade de ação aos braços. Mas de maneira similar a como eles, com o tempo, podem mover-se para cima e proporcionar um esconderijo para a cabeça, eles podem mover-se também para frente para abrigar entre si o peito e o coração. Esta é uma típica postura de autoproteção, com a qual os afetados mostram como se sentem vulneráveis e carentes de proteção. Muitas vezes, nas mulheres, há por trás disso a sensação de ter de proteger ou ainda ocultar seu peito do mundo. Essas más posturas remetem-se frequentemente à puberdade. Quando a menina na verdade deveria ter sido um menino, os seios que começam a crescer não são saudados com alegria e sim escondidos com vergonha. Seios grandes, em uma situação de insegurança de si mesmo, podem levar a que se prefira ocultar uma feminilidade tão demonstrativa. Sentimentos de inferioridade e inseguranças em relação ao próprio papel feminino que não são confrontados conscientemente encarnam-se e, nas regiões correspondentes, tornam-se visíveis e palpáveis como couraças. Quando a postura protetora tem por objetivo o coração e seus sentimentos, é especialmente o ombro esquerdo que está especialmente curvado para frente. Com essa postura os afetados se fazem estreitos, é como se eles se escondessem em si mesmos. Dessa maneira, seu interior torna-se estreito e seus pulmões já não podem expandir-se da maneira correspondente. A respiração curta que dai resulta explícita a pobre disposição para a comunicação. A imagem de isolar-se e de fechar-se para fora combina com a tendência de conservar as emoções para si mesmo e de praticamente não se defender de golpes eventuais . Em vez disso, as vitimas dessa postura tendem a retirar-se ainda mais para seu espaço protegido, que consiste de ombros adiantados, e braços e costas curvadas. Mas, juntamente com a proteção desejada, todo bunker eficaz traz também consigo estreiteza, rigidez e opressão que podem levar até a falta de ar. REFERÊNCIAS DAHLKE,Rüdger- A Doença como Linguagem da Alma- Cultrix,1992. 1.2- Problemas dos ombros 1.2.1-O braço luxado Nesta lesão da articulação do ombro, espetacular e frequente, a cabeça do osso do braço salta de seu encaixe, ao mesmo tempo que os afetados perdem a pose. Em última instância, eles já estavam fora de si antes, já que a lesão decorre de movimentos exagerados dos braços. Neste caso, tentou-se algo com mãos e pés, de maneira forçada, desconhecendo e superestimando as próprias possibilidades. O braço mostra a exigência exagerada ao não mais participar do jogo, abandonando sua posição tradicional e indicando dolorosamente que não somente ele, mas seu proprietário inteiro tomou o caminho errado. É necessário um imenso desgaste, heróico, consciente e repetido das próprias possibilidades de articulação para que as coisas sejam levadas de volta ao caminho correto. O terapeuta apoia o pé na axila da vítima e o coloca de volta no lugar com um puxão; na maioria das vezes, após ele ter dado um puxão anímico em si mesmo para atrever-se a uma tal intervenção ao mesmo tempo heróica e brutal. Esse procedimento, excepcionalmente reconhecido de forma unânime por todas as correntes da medicina, mostra justamente tendências homeopáticas. Aquele ato excessivo em que o incidente ocorreu é nova e conscientemente consumado e exagerado. Fisicamente, pelo menos, o braço que se perdeu é novamente levado ao caminho correto. Seu proprietário encontrar esse caminho depende substancialmente de quão consciente ele torna o acontecimento. Em caso contrário, chega-se à chamada fraqueza da cápsula do ombro, ou seja, ele continua deslocando o braço em situações determinadas e, finalmente, em qualquer ocasião. Assim como transforma seu corpo em vítima crônica de tentativas de movimento exagerado, ele mesmo torna-se vitima de tentativas heroicas de tratamento. Quase todos os médicos precisam fazer um grande esforço antes de forçar sua vítima dessa maneira. Naturalmente, teria mais sentido se os afetados deslocassem suas tentativas de movimentos extremados para o âmbito anímico-espiritual. No que a isso se refere, a alma suporta mais e, além disso, abre oportunidades para que o objetivo propriamente dito da ousada mobilidade possa ser alcançada. O braço sai do lugar, em geral, devido a movimentos de arremesso semelhantes ao de uma catapulta. Neste caso, salta aos olhos que o grande arremesso tem mais chances de ser bem-sucedido em sentido figurado. A terapia usual da situação crônica tem por objetivo fortalecer a cápsula do ombro através do treinamento de movimentos e exercícios moderados de força que, dentro dos limites de fronteiras seguras, fortaleçam os músculos e ligamentos circundantes. Dessa maneira, evita-se continuar desgastando a cápsula da articulação tal como acontece a cada deslocamento e a respectiva reinstalação que se segue. Esse conceito pode ser transposto para o plano dos problemas anímicos. Os afetados deveriam praticar movimentar-se estritamente dentro das circunstâncias externas determinadas pelas fronteiras preestabelecidas. O pressuposto para isso é aprender a conhecer as fronteiras. Portanto, não se exige cuidado, mas coragem. Quem conhece seus limites pode ousar até mesmo crescer para além de si mesmo. Essa seria, entretanto, a tarefa redimida tal como a reproduz o braço que ultrapassou seus limites. É preciso ousar mais e alcançar objetivos distantes, ainda que seja à custa de grandes esforços e até mesmo dores. Perguntas 1. Aonde vou longe demais? Em que medida ultrapasso minhas possibilidades e competências? 2. Exijo demais de mim mesmo? Tento alcançar o inalcançável e me machuco de maneira absurda? 3. Onde, em sentido figurado, recuo diante de fronteiras e me faço mais estreito do que corresponde a mim e a meu objetivo de vida? 4. O que quero alcançar? Para onde quero ir? Qual o objetivo do meu projeto de vida? Qual a "grande jogada" pela qual me esforço (secretamente)? 1.2.2-A síndrome ombro-braço Trata-se de uma sintomática de dor na área do ombro e do braço que frequentemente está ligada a uma síndrome das vértebras cervicais. A ciência enumera mais de vinte causas diferentes, de hérnia de disco a tumores. Trata-se na maioria dos casos de uma sintomática de sobrecarga com irritação do plexo cérvico- braquial, a rede nervosa responsável pelo braço. Com isso os movimentos dos braços tornam-se dolorosos e, finalmente, o braço mal pode ser levantado, de qualquer forma não acima da horizontal. Muitas vezes tem-se a sensação de que ele é excessivamente pesado, o que mostra como é difícil sair da posição de repouso representada pela posição pendurada. Quando o paciente não consegue mais erguer o braço, a interpretação torna-se quase dispensável. Ele não está mais em condições de assumir o controle de sua vida,agarrá-la e mostrar quem manda (no corpo). Para a interpretação, é decisivo saber se é o braço direito, masculino, que está bloqueado, o braço com o qual se leva a espada do poder, ou o esquerdo, feminino, com o qual se pede algo dando à mão a forma de uma concha. O sintoma deixa claro o que deve retroceder na vida, já que impede os afetados de atingir o objetivo. É evidente que se tentou por tempo mais que suficiente alcançar tudo com esse lado. Ele obtém um descanso forçado, e o outro, sua chance. Os pacientes podem estar impedidos em sua tentativa de tornar o mundo dócil quando o braço que golpeia (o direito) é desligado. Eles não podem mais pôr e dispor como gostam. Com o esquerdo, retira-se a possibilidade de agarrar e segurar e, simbolicamente, a de pedir e mendigar. A lição a ser aprendida consiste em dar um descanso no que se refere ao aspecto impedido. Caso o pólo masculino esteja bloqueado, isso leva automaticamente a um relacionamento mais intenso com o âmbito feminino. Resta apenas o esquerdo, e dessa forma os afetados são forçados a usá-lo mais, empregando aquela postura mais solta e descontraída do pólo feminino, ao qual falta a tenacidade do lado contrário. Caso o lado feminino esteja bloqueado, é preciso ocupar-se mais do pólo masculino. É preciso tomar as rédeas na própria mão, usando o braço direito. Olhar para a direita, diz a lição, e ela exige que se controle a nave da vida com o próprio punho e que a própria pessoa determine o futuro. Perguntas 1. Qual o lado que não controlo mais? 2. Até que ponto me excedi na temática do lado bloqueado? E através do quê? 3. Para que ergui o braço bloqueado? Para jurar, para golpear, para acenar, para pedir a palavra... ? O que estava errado? 4. Com qual parte de meu ser, negligenciada até agora, sou forçado a me ocupar? 1.2.3-Tensão nos ombros Tensões que podem chegar ao total endurecimento do músculo nos ombros e na região superior das costas têm estreita relação com problemas de sobrecarga na região das vértebras lombares inferiores. Pois tudo o que colocamos (ou que nos colocam) sobre os ombros termina finalmente por pressionar a pélvis. Assim como acontece com as dores nas costas, não são as cargas que ombreamos conscientemente e com gosto que nos causem moléstias, e sim aquelas obrigações que arrastamos conosco de maneira inconsciente e não admitida. Quando estamos á altura de uma responsabilidade, nós a agüentamos. Aquilo que carregamos conscientemente, seja concreto ou simbólico, é suportável, ainda que seja objetivamente pesado. Mas aquilo pelo qual não nos responsabilizamos e não admitimos torna-se rapidamente insuportável. Quem, consciente e voluntariamente, suportou o peso e a dura responsabilidade de sua vida, exibe ombros fortes com os correspondentes músculos treinados. Quem, ao contrário, suporta menos, mas contra a vontade ou de forma inconsciente, sente a carga mais pesada e seus músculos se tornam rígidos e seus ombros, devido ao desgaste, doem. A lição diz que é preciso ter clara para si a sobrecarga, para confrontar aquilo que se tomou sobre si de maneira consciente e inconsciente e o que, disso, oprime e tenciona. Pode-se então optar conscientemente entre continuar suportando-o voluntariamente ou se é preciso descarregá-lo, porque se tornou insuportável e torna a vida arrastada. Somente se pode livrar daquilo que realmente se conhece. Perguntas 1. O que pesa sobre mim e me sobrecarrega? O que me oprime? 2. O que assumi sem queixar-me, mas com secreta má vontade? O que assumi sob protesto? 3. Que deveres, que responsabilidades pesam sobre mim? 4. O que quero carregar? O que preciso suportar? O que gostaria de não ter mais de aguentar? REFERENCIAS DAHLKE, Rüdger A Doença como Linguagem da Alma-OS SINTOMAS COMO OPORTUNIDADES DE DESENVOLVIMENTO Tradução DANTE PIGNATARI, CULTRIX São Paulo 1992 2.Artigo para análise: 2.1-A dimensão psicopatológica da LER /DORT (Lesões por esforços repetitivos/ Distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho) Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, São Paulo, v. 10, n. 4, p. 577-590 Ana Luiza Pires Batista Echeverria Psicóloga e psicanalista; mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP; pesquisadora do Laboratório de Psicopatologia Fundamental da Unicamp (Campinas, SP, Brasil) Mário Eduardo Costa Pereira Psiquiatra, psicanalista e professor do Depto. de Psicologia Médica e Psiquiatria – Unicamp (Campinas, SP, Brasil); doutor em Psicopatologia Fundamental e Psicanálise pela Universidade Paris 7; diretor do Laboratório de Psicopatologia Fundamental da Unicamp; professor do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae (São Paulo, SP, Brasil); membro da Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental (São Paulo, SP, Brasil); autor dos livros Pânico e desamparo (São Paulo: Escuta, 1999) e Psicopatologia dos ataques de pânico (São Paulo: Escuta, 2003). DORT/LER: somatização ou conversão? Rev. Latinoam. Psicopat. Fund., São Paulo, v. 10, n. 4, p. 577-590, dez.2007 Existe certa polêmica sobre a DORT, pois alguns autores, como Almeida (Codo e Almeida, 1995), acreditam que sua dimensão psicopatológica seja composta de uma estrutura neurótica histérica com conversões, cujas características descritas por ela são: ... necessidade de ultrapassar limites; necessidade de reconhecimento e necessidade de encobrir algum erro do passado; insatisfação pessoal; preocupação constante com a produção buscando sempre a maior quantidade com a melhor qualidade; inadmissão do sentimento de impotência (qualquer dificuldade encontrada é sempre um golpe na imagem que ele faz de si mesmo). (p. 33) Segundo Freud (1893), na histeria os sintomas têm um valor simbólico e seguem uma anatomia puramente imaginária. Em suas palavras, “... nas suas paralisias e em outras manifestações, a histeria se comporta como se a anatomia não existisse, ou como se não tivesse conhecimento desta” (p. 212). Um recorte do corpo é afetado por uma paralisia ou por um sintoma somático qualquer que não coincide em nada com os trajetos da anatomia nervosa ou da anatomia em geral. “Por exemplo, afeta um braço, exclusivamente, sem que possamos encontrar vestígio seu na perna ou na face” (p. 208). De acordo com McDougall (1996), “... o sintoma histérico clássico se manifesta por uma disfunção corporal, quando uma das partes do corpo torna-se o suporte de uma significação simbólica inconsciente” (p. 18). A somatização psicossomática, por sua vez, acontece como um “„salto‟ da mente no corpo” (p. 18), resultante de elementos recalcados no inconsciente que, estando num nível pré-verbal, não chegaram a ser codificados pela linguagem. “Nas afecções psicossomáticas, o dano físico é bem real, e sua descrição, durante uma análise, não revela à primeira vista qualquer conflito neurótico ou psicótico” (p. 22). As somatizações envolvem aparelhos fisiológicos que constituem uma unidade funcional e não elegem este ou aquele pequeno ponto por seu valor simbólico. Os sintomas são fixos e enumeráveis, relativamenteestereotipados. Na conversão histérica os sintomas podem migrar de uma região a outra e assumem um valor inteiramente individual. O que observamos nos pacientes portadores de DORT é que há um conjunto orgânico funcional envolvido na doença: são tendões, nervos, músculos e outras estruturas dos membros superiores, pescoço e dorso. As doenças não migram de um ponto a outro, é sempre o mesmo grupo de órgãos envolvidos. REFERÊNCIAS BERLINCK, M. T. Psicopatologia fundamental. São Paulo: Escuta, 2000. CODO, W. e ALMEIDA, M. C. C. G. (orgs.). LER: diagnóstico, tratamento e prevenção: uma abordagem interdisciplinar. Rio de Janeiro: Vozes, 1995. DÉJOURS, C. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. São Paulo: Cortez /Oboré, 1992. FÉDIDA, P. Depressão. São Paulo: Escuta, 1999. FREUD, S. (1893). Algumas considerações para um estudo comparativo das paralisias motoras orgânicas e histéricas. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996. v. I. ____ (1894). Sobre os fundamentos para destacar da neurastenia uma síndrome específica denominada “neurose de angústia”. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996. v. II. ____ (1914). Sobre o narcisismo: uma introdução. 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Ao recebermos um paciente com dores atrozes no ombro, antes de traçarmos um diagnóstico Cinético funcional e desenvolvermos um protocolo de atendimento usando todo o nosso aparato material, por meio de equipamentos com as correntes mais modernas, com procedimentos e manobras já consagradas da terapia manipulativa, poderemos encontrar, nas características da dor, a real situação geratriz do desequilíbrio biomecânico. Desde que possamos ouvir o paciente de uma forma a perceber os seus principais bloqueios, fazendo perguntas reflexivas, levando o mesmo a um momento de meditação para refletir sobre sua real situação, entendendo os motivos por meio de uma abordagem Neurocognitiva da dor. Quando o paciente percebe que ele mesmo é o maior causador de suas dores, que é a sua mente que controla o corpo, modelando a seu bel prazer, sabotando por meio da liberação de neurotransmissores como o N-MetilD-Aspartato (NMDA), conhecida como substancia da memória da dor, deixa de criar uma falsa expectativa de cura vinda de fora, seja por meio de medicações, de procedimentos infiltrativos, de técnicas outras. Quando o próprio paciente se insere no seu contexto de cura, compreendendo a tríade Enfermidade, Patologia e Doença, poderá compreender que o início está na sua falta de firmeza psíquica. Pois foi exatamente seu perfil de personalidade que fez com que desenvolvesse, com a continuação da atividade em desequilíbrio psíquico, a liberação de catecolaminas, tais como a adrenalina e nora – adrenalina. Fazendo com que a ação da mente, por meio de seus pensamentos desequilibrados, rompesse a barreira psicossomática e, a seu turno, infiltrasse-se no Local de Menor Resistência, segundo Dr.Alfred Adler (1912), pois será exatamente o ponto fraco da junção mente-corpo. Após determinado tempo de interferência da mente por sobre os tecidos orgânicos, cansando-lhes desequilíbrios fisiológicos, mesmo não provocando dor ao organismo, fase conhecida como Patologia, silenciosa e com o ritmo característico do perfil de personalidade do paciente, haverá a evolução a um estado de sofrimento posterior, caracterizado pela dor, a Doença. Por seu comportamento doloroso e limitante, é esta fase que mais chama a atenção dos pacientes e, apenas por estar inserido nela, é que eles procuram algum serviço, alguma saída,alguma opção para que suas dores sumam, deixando-os livres novamente. Mas, agora, perguntamos: Como será possível debelar a dor no corpo, no soma, se a mesma é proveniente da psique,e o pacientenão é consciente disto e, deliberadamente, continua com as mesmas faixas de pensamento ,intoxicando o organismo com catecolaminas,enfraquecendo-se cada vez mais suas estruturas anatômicas e com o NMDA, fixando mais ainda a memória da dor em seu sistema nervoso ? 2.3-A Fisioterapia Psicossomática nas dores do ombro 2.3.1-Etiologia Psicossomática das afecções do ombro- Alterações Neuropsíquicas Uma importante contribuição para o avanço dos estudos sobre a interação mente-corpo foi dada por Hans Selye, com o desenvolvimento de suas ideias sobre a Síndrome Geral de Adaptação ou Síndrome do Stress. (Ramos, 1994). Segundo Selye (1956), “em toda doença há um elemento de adaptação, e a enfermidade é esse esforço defensivo e adaptativo do corpo que varia entre uma excessiva defesa ou excessiva submissão e que envolve tanto o biológico quanto o psíquico.” A idéia principal dessa teoria, que contribuiu para a abordagem psicossomática, é de como o corpo se transforma sob o efeito do stress (Ramos, 1994). Como consequência da teoria do stress, pesquisas na área da Psiconeuroendócrinoimunologia vêm ampliando os conhecimentos sobre a interação dos efeitos do stress sobre o corpo. (Vasconcellos, 1998). Tal ciência, desenvolvida nos EUA por Robert Adler, busca estudar, dentro do paradigma de integração, a relação existente entre os sistemas psíquico, neurológico, imunológico e, mais recentemente, endócrino. (Vasconcellos, 1998). Primordialmente, essa área de conhecimento desenvolveu-se seguindo os caminhos clássicos da medicina comportamental; porém, atualmente no Brasil, está sendo ampliada com pesquisas que buscam o desenvolvimento conceitual da psiconeuroimunologia sob o paradigma da integração (Vasconcellos, 1998). Agora, já que sabemos bem mais sobre as interferências da mente por sobre o corpo, vamos reler, de forma diferenciada, a respeito das causas de dores nos ombro. “A etiologia traumática é constatada em 50% dos casos, enquanto as degenerativas em 42%, e as demais causas são responsáveis por 8%”. 2.3.1.1- Traumática - (de qualquer natureza). A desatenção, a falta de foco na atividade realizada, provocada por ansiedade, depressão ou preocupação demasiada, causa o desequilíbrio da relação mente-corpo no processo cinesiológico, pois a mente está direcionada para outros pensamentos que não a pratica do movimento, resultando no impacto traumático, modificando a biomecânica funcional articular, podendo provocar desde uma entorse a uma fratura. 2.3.1.2- Traumática cumulativa - (movimentos repetitivos nas diversas ocasiões, não só no trabalho como também em lazer / esporte, atividades domésticas, outras). Na tentativa de compensação por haver uma limitação em outra instância que não a atividade física, tal como no âmbito emocional, familiar, por exemplo, faz com que a potência, a pressa e o alto nível de estresse articular possam desenvolver a lesão e esta causar a dor. Em outros termos, ele compensa com o exagero na atividade, por não poder atingir as metas pessoais, segundo os seus desejos. 2.3.1.3- Infecciosa / inflamatória - (tuberculose). O sentimento de fragilidade, de falta de firmeza e força, pode deprimir o Sistema Imunológico, pela ação das catecolaminas. E, de acordo com o local de menor resistência, afetará a um osso, um ligamento, uma cartilagem determinado. 2.3.1.4- Ocupacional - (referindo-se ao trabalho em acidentes típicos de trabalho, ou de trajeto, e que se enquadra também entre as traumáticas). A desatenção, a falta de foco na atividade realizada, causa o desequilíbrio e o impacto, provocando desde uma entorse a uma fratura. A tentativa de compensação por uma limitação em outra instância faz com que a potencia, a pressa e o alto nível de estresse articular desenvolvam a lesão e esta causa a dor 2.3.1.5- Síndrome do Desfiladeiro Torácico – S.D.T. O desgaste de estruturas mantenedoras de posturas acima da amplitude usual, com intensidade além da aceitável, na tentativa de compensação por uma limitação em outra instância, faz com que a potência, a pressa e o alto nível de estresse articular desenvolvam a lesão e esta causa a dor 2.3.1.6- Degenerativa - (relacionada aos processos de artrite / artrose, que acometem principalmente pessoas com idade mais elevada). O sentimento de fragilidade, de delicadeza, de falta de firmeza e força, deprime o Sistema Imunológico, pela ação das catecolaminas. Atingindo as articulações que são os locais de menor resistência em pessoas com perfil de personalidade em que a pressão psicologia e a rapidez para desenvolver alguma tarefa não as campraz. 2.3.1.7- Neoplásica - (tumores de qualquer natureza). O sentimento de fragilidade, de delicadeza, de falta de firmeza e força, deprime o Sistema Imunológico, pela ação das catecolaminas. O que interfere na atividade do DNA, provocando alterações celulares, principalmente em indivíduos cujo perfil de personalidade psicossomática refere-se a elevado nível de rancor, raiva contida e grande dificuldade para o perdão. 2.3.1.8-Paralisia Braquial Obstétrica (PBO) - que podemos considerar como traumática / neurológica, durante o momento do parto. A relação da gestante com o feto é intensa ao ponto de transmitir os sentimentos e emoções da mãe para o bebê, alterando seu estado emocional, interferindo em seu equilíbrio psíquico, influenciando o desenvolvimento do local de menor resistência no ombro, desde que o a criança, ainda no ambiente intra-uterino, sinta-se como um peso, como uma obrigação, como uma responsabilidade para a mãe. Onde, realmente, estas possam ser as sensações da mãe para com a família e sociedade, pelo fato de estar grávida e não se sentir segura nem amparada para exercer a tarefa da maternidade. 2.3. 1.9-Neurológica - (exemplificamos com o AVC, onde não é tão rara a presença da “Síndrome ombro-mão” ou da “sub-luxação da articulação”, nos casos de plegia do membro superior). A tentativa de compensação por uma limitação em outra instância faz com que a potência, a pressa e o alto nível de estresse vascular desenvolvam a lesão do AVC. Cujas seqüelas serão mais determinantes de acordo com o perfil de personalidade psicossomática, onde o ritmo acelerado, o elevado padrão de competitividade, agressividade em suas atitudes, porém, sem representar violência, vão interferir de forma decisiva para a instalação da lesão. Em se fragilizando e se sentido um peso emocional ou material, dependendo do hemicorpo a sofrer a plegia, o paciente sofrerá maior ou menor grau de subluxação glenoumeral. 2.3.1.10- Malformação de Sprenguel - (uma escápula pequena, alada e com inserção mais elevada que a contra- lateral, causando assimetria entre as cinturas escapulares, e escoliose). A relação da gestante com o feto é intensa ao ponto de transmitir os sentimentos e emoções da mãe para o bebê, alterando seu estado emocional, interferindo em seu equilíbrio psíquico, influenciando o desenvolvimento do local de menor resistência no ombro, desde que o a criança, ainda no ambiente intra-uterino, sinta-se desprotegida, com menor segurança, seja emocional ou material, o que poderá influenciar no lado da escápula com má formação. 2.3.1.11-Outras alterações congênitas (comprometendo a funcionalidade normal da cintura escapular). A depender de padrões depressivos ou ansiosos que a criança possa a vir desenvolver,mediante as interferências advindas da gestante, por transmitir as catecolaminas pela circulação sanguínea compartilhada pela placenta, frutos de pensamentos maternos desequilibrados, refletindo diretamente no estado emocional da criança. 2.3.2-Classificação de Bigliani da morfologia acromial: Estudando a etimologia da palavra acrômio, encontraremos que vem do grego Akromion, extremidade do ombro. Onde Akrós significa extremo e Omos significa ombro. O termo acromial parece ter sido introduzido por François Chaussier (1800). https://pt.wikipedia.org/wiki/Acrômio Estudamos, na parte 1 deste trabalho, que Bigliani e colaboradores identificaram três tipos de acrômio (I, II, III). O Acrômio tipo III é associado a lacerações do Manguito Rotador proximais ao local de inserção do tendão do músculo supraespinhoso, na tuberosidade maior do úmero. Acrômio tipo I de Bigliani - com superfície inferior plana. Acrômio tipo II de Bigliani - com superfície inferior curva. Acrômio tipo III de Bigliani - com superfície inferior em gancho FONTE: Internet Para melhor entendermos a importância das alterações morfofisiológicas no processo de lesão de estruturas do ombro, trazemos uma revisão por meio de partes um artigo científico que aborda a correlação de ângulos anatômicos da escápula e sua incidência por idade, sexo e relevância no desenvolvimento de lesões no ombro. O artigo pode ser lido na íntegra em: www.rbo.org.br http://www.rbo.org.br/ 2.3.3-Artigo Original Revista Brasileira de Ortopedia. 2 0 1 4; 49(6):636–641 Análise da curvatura acromial e sua relação com o espaço subacromial e os tipos de acrômio José Aderval Aragão a,b,∗, Leonardo Passos Silva c , Francisco Prado Reis b e Camilla Sá dos Santos Menezes a a Departamento de Morfologia, Universidade Federal de Sergipe (UFS), Aracaju, SE, Brasil b Escola de Medicina, Universidade Tiradentes (Unit), Aracaju, SE, Brasil c Serviço de Ortopedia e Traumatologia, Hospital Santa Casa de Belo Horizonte, Belo Horizonte, MG, Brasil Histórico do artigo: Recebido em 13 de setembro de 2013 Aceito em 24 de outubro de 2013 On-line em 12 de agosto de 2014 A síndrome do impacto subacromial está diretamente relacionada com o grau de inclinação do acrômio. Assim sendo variações na sua curvatura alteram a dimensão do espaço abaixo do arco coracoacromial e podem provocar lesões das estruturas anatômicas contidas nessa região, especialmente os tendões do manguito rotador. 3 O tipo ganchoso guarda uma íntima relação com a SI e as LMR.5 Estudos posteriores confirmaram essa correlação.4,8,12–16. Outros autores reconheceram a importância dessa classificação e usaram-na para estabelecer a frequência de cada tipo de acrômio em diversas populações. Na descrição original, Bigliani et al.5 encontraram as seguintes proporções para cada tipo de acrômio: reto, 17%; curvo, 43%; e ganchoso, 39%. O sistema de classificação de Bigliani et al.5 é bastante útil e amplamente usado, porém a classificação puramente visual (a interpretação é guiada apenas pelo significado das palavras plano, curvo e ganchoso) apresenta grande variabilidade interobservador. Dessa forma, vários autores, de forma independente, têm formulado diferentes modificações do esquema original e proposto uma análise mais acurada da curvatura acromial. 4,11,13 Outros parâmetros têm sido propostos por outros autores para analisar a influência da morfologia do acrômio como fator etiológico das LMR. Dentre eles cita-se a influência da espessura do terço anterior do acrômio como fator etiológico das patologias subacromiais. 18 Outro parâmetro morfométrico é o índice acromial (IA) (obtido pela razão entre as distâncias cavidade glenoidal e borda lateral do acrômio e cavidade glenoidal e borda lateral do úmero).19–21 Miyazaki et al.,21 em estudo na população brasileira, concluíram que as LMR podem estar associadas a um IA maior, ou seja, a uma maior projeção lateral do acrômio. Em estudo posterior, Miyazaki et al.22 compararam o IA em duas populações diferentes (brasileira e japonesa) e concluíram que esse índice é fator preditivo para LMR na população brasileira, mas não na japonesa. Edelson e Taitz11 propuseram um ângulo de inclinação para o acrômio e afirmaram que se associa com alterações degenerativas e que quanto mais horizontal for o acrômio, maior a degeneração. Os próprios Edelson e Taitz11 analisaram também a altura do arco coracoacromial e perceberam que está associada também com alterações degenerativas no acrômio. No trabalho desses autores não houve degeneração em arcos com mais de 15 mm acima do tubérculo supraglenoidal, enquanto que 75% da amostra com alterações degenerativas tinham um arco com altura menor do que 12 mm. REFERÊNCIAS 1. Neer CS. Anterior acromioplasty for the chronic impingement syndrome in the shoulder: a preliminary report. J Bone Joint Surg Am. 1972;54(1):41–50. 2. Balke M, Schmidt C, Dedy N, Banerjee M, Bouillon B, Liem D. 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A postura dos ombros deixa entrever algo da postura em relação à vida (Rüdger Dahlke - A Doença como Linguagem da Alma, Cultrix, 1992). Más posturas internas crônicas podem manifestar-se nos ombros sob a forma de músculos endurecidos e tensos ou até mesmo como más formações do esqueleto ósseo. (DAHLKE, 1992) Ombros acentuadamente estreitos evidenciam uma capacidade reduzida de assumir a carga da responsabilidade pela própria vida. Seus possuidores se recolhem para poder ater-se com a vida. (DAHLKE, 1992) Ombros superdimensionados indicam egos similares, enquanto ombros estreitos indicam o contrário. (DAHLKE, 1992) Em outro trecho do artigo, temos: ”Outros parâmetros têm sido propostos por outros autores para analisar a influência da morfologia do acrômio como fator etiológico das LMR. Dentre eles cita-se a influência da espessura do terço anterior do acrômio como fator etiológico das patologias subacromiais. 18” Por que o acrômio se transforma, ficando mais espesso em seu terço anterior? Agora sabemos que a mente pode modelar o corpo, segundo Adler. Então, estados psíquicos de sobrecargas emocionais, seja no âmbito profissional ou no emocional, onde o sujeito se sinta com a responsabilidade de suportar o peso das obrigações, depositando, inconscientemente, por sobre seus ombros a necessidade de criar uma armadura, uma proteção, um reforço na estrutura óssea, mais especificamente no local de menor resistência, neste caso, o terço anterior do acrômio. Há, assim, uma estrutura mais forte. Porem, a porção de partes moles ficará mais sujeita às entesiopatias, devido ao perfil de personalidade que condiz com pessoas inflexíveis, rígidas e doutrinadoras. E,em uma terceira passagem do artigo,temos: Outro parâmetro morfométrico é o índice acromial (IA) (obtido pela razão entre as distâncias cavidade glenoidal e borda lateral do acrômio e cavidade glenoidal e borda lateral do úmero).19–21 Podemos entender que, quanto maior a cavidade glenoumeral, maior proteção o lábio da glenóide poderá exercer. Quanto mais rasa a cavidade, maior estresse será conferido no lábio da glenoíde. Por conseguinte, outras estruturas, tais como os músculos e ligamentos, deverão exercer papel somatório na manutenção da integridade do contato da cabeça do úmero com a glenóide. Neste sentido, uma cavidade glenoidal mais profunda representará uma distância maior entre ela e o bordo lateral do úmero, enquanto que uma cavidade menor representará uma distância menor entre estes dois elementos. No primeiro caso, havendo maior trabalho para o lábio da glenóide no que diz respeito à estabilidade da articulação glenoumeral. No segundo, devido à cavidade mais rasa da glenóide, havendo maior atuação de estruturas musculares e ligamentares, ocorrendo maior estresse articular, pois a distância entre o bordo lateral do úmero e a glenóide é menor, diminuindo a estabilidade, trazendo maior possibilidade de leões do MR. Mas o que causa estas alterações da profundidade do lábio da glenóide? Mais uma vez, citando Dahlke (1992), más posturas internas crônicas podem manifestar-se nos ombros sob a forma de músculos endurecidos e tensos ou até mesmo como más formações do esqueleto ósseo. Segundo o mesmo autor, no Livro A Doença como Símbolo- Pequena Enciclopédia de Psicossomática (Cultrix, 1996), na página 248, faz uma referência à luxação do braço com o plano sintomático onde o paciente despreza fronteiras razoáveis, apresentando superestimação de si mesmo e arrogância. Ombros superdimensionados indicam egos similares. (DAHLKE, 1992) No plano prático, apresenta-se como uma pessoa que tem excesso de manuseio, gasta além da conta, ficando sem recursos. Neste contexto, apresentará o local de menor resistência no ombro direito. No plano emocional, é uma pessoa que se desgasta além da necessidade. Como, em ambos os casos, há a necessidade de mostrar para o plano exterior suas amplitudes de ação, alcance e possibilidades, normalmente estes pacientes podem apresentar a cavidade glenóide mais rasa, diminuindo o Índice Acromial (IA), tendo, com isso, maior incidência de Lesão do Manguito Rotador. 2.3.4.2-Significado de alterações no acrômio. A depender de padrões depressivos ou ansiosos que a criança possa a vir desenvolver, mediante as interferências advindas da gestante, por transmitir as catecolaminas pela circulação sanguínea compartilhada pela placenta, frutos de pensamentos maternos desequilibrados, refletindo diretamente no estado emocional da criança. 2.3.4.2.1-Acrômio tipo I de Bigliani - com superfície inferior plana. Apresentam uma capacidade de iniciativa e autoconfiança elevadas. Pessoas mais positivas e expansivas. Tem grande capacidade de perdão, nãose fixando em dramas do passado. 2.3.4.2.2-Acrômio tipo II de Bigliani - com superfície inferior curva. Apresentam uma capacidade de iniciativa e autoconfiança moderadas. Pessoas positivas, porém mais reflexivas cautelosas. Com moderada capacidade para perdoar. Guarda, ainda, certo rancor. 2.3.4.2.3-Acrômio tipo III de Bigliani - com superfície inferior em gancho Apresentam uma capacidade de iniciativa e autoconfiança baixos. Pessoas desconfiadas, introvertidas e rancorosas ao extremo. Reverberam o drama por muito tempo. REFERÊNCIAS DAHLKE, Rüdger A Doença como Linguagem da Alma-OS SINTOMAS COMO OPORTUNIDADES DE DESENVOLVIMENTO Tradução DANTE PIGNATARI, CULTRIX São Paulo 1992 NASIO, Juan-David.A dor física:uma teoria psicanalítica da dor corporal/J-D. Nasio[tradução André Telles e Lucy Magalhães]-Rio de Janeiro:Zahar,2008. Parte 3 1. ABORDAGEM NEUROCOGNITIVA NAS DORES DO OMBRO. -PASSO A PASSO PARA A REALIZAÇÃO DO ATENDIMENTO. 1.1.-COMO PREPARAR O PACIENTE PARA O ATENDIMENTO “Para isso, o profissional deverá fazer perguntas com as quais possa ter a reflexão do próprio doente sobre a sua situação e, a partir disso, ele mesmo consiga trilhar seus caminhos no sentido da resolução dos seus problemas íntimos. Deve-se perguntar fazendo o paciente entender que ele mesmo já sabe o que fazer, porém, ainda se sentindo um tanto quanto bloqueado para dar início a essa caminhada em busca do seu objetivo.” (CARVALHO NETO, José Liberato-Fisioterapia Psicossomática- Como a psicossomática aplicada à fisioterapia pode Auxiliar efetivamente no controle da dor. Fortaleza, 2015) Fazer o paciente entender que ele é o agente causador de todos os seus males é uma grande missão. Mas é, verdadeiramente, o primeiro passo para a aceitação do problema. Como já foi expresso aqui, deve-se encarar a situação problema de frente. Reconhecer-se como o criador da dor, do desequilíbrio, muito facilita no processo de desconstrução da memória da dor e abre precedente para a elaboração de uma nova grandeza que é considerada a memória da saúde. Muito do condicionamento psíquico que desencadeia a situação de injúria celular parte da não aceitação de elementos externos ao nosso verdadeiro Eu. Contudo, a mais fácil aceitação nos levaria a uma situação de resolutividade ímpar de qualquer situação vexatória, pelo simples fato de entendermos o mecanismo causador da modelação patológica do soma por meio da vontade impressa no psíquico. (CARVALHO NETO,2015) Em o paciente compreendendo e aceitando a sua responsabilidade maior no processo, desenvolver-se-á neste ínterim, a potencialidade de auto resolutividade da questão, por mais intrínseca que possa ser. (CARVALHO NETO,2015) 1.2-COMO AVALIAR O PACIENTE SOB A ÓTICA DA FISIOTERAPIA PSICOSSOMÁTICA E TRAÇAR O DIAGNÓSTICO PSÍQUICO FUNCIONAL. “Quando o terapeuta consegue desenvolver a empatia, desenvolve também a capacidade de ouvir e conseguir ler o que se passa no íntimo de cada paciente”. “Consegue desvendar as batalhas psicológicas que se movem em sua alma e pousam em seu corpo, imprimindo, em áreas específicas, as reações simbólicas das agruras causadas pela angústia, medo, ansiedade, tristeza, raiva, enfim, por fatores de ordem psicossomática.”(CARVALHO NETO, José Liberato- Fisioterapia Psicossomática-Como a psicossomática aplicada à fisioterapia pode Auxiliar efetivamente no controle da dor. Fortaleza, 2015) Ao receber um paciente em seu serviço, o fisioterapeuta psicossomático precisa desde já, enxergar o indivíduo como um ser integral. Ao desenvolver o seu diagnóstico (Cinesiológico funcional, Pneumofuncional, Neurofuncional etc.) deve incluir, imediatamente, a relação psicossomática que levou à enfermidade e, a partir daí, à doença física (Diagnóstico Psíquico Funcional). (CARVALHO NETO,2015) Deve compreender, também, que a falta de firmeza emocional nos tentames da vida hodierna tem relação íntima e automática com a ausência de firmeza fisiológica, ou enfermidade que, em se prolongando, provocará uma alteração de ordem tissular que, tendo sua atuação mantida, causará a incapacidade funcional e, consequentemente, a alteração morfológica, agravando, ainda mais, o estado do organismo. Todos os achados demonstrados pela leitura da personalidade e atitudes psíquicas devem ser muito bem trabalhados no sentido de serem utilizados de forma positiva e construtiva, favorecendo ao processo de aceitação da doença, ajudando no destravamento psicológico causado pela depressão, iniciando uma atitude geratriz da nova realidade e ,consequentemente, proporcionando a situação necessária para a libertação do estado patológico. (CARVALHO NETO,2015) Cabe ao terapeuta alimentar o seu arcabouço mental com informações pertinentes acerca das patologias psicossomáticas, não nos cabendo, neste trabalho, a apresentação das inumeráveis doenças físicas e suas leituras psíquicas. É bastante necessário que o profissional tenha disponibilidade de tempo para cada paciente, espaço físico adequado para deixar o assistido o mais confortável possível e possa, com isso, relatar todos os fatos importantes os quais serão basilares para o diagnóstico Psíquico funcional. (CARVALHO NETO,2015) Percebe-se, assim, que a pressa ao atender, a superlotação dos setores de fisioterapia e a falta de empenho dos profissionais em desenvolverem a excelência durante o procedimento são elementos contraproducentes ao atendimento bem sucedido. Valendo salientar que este será, a priori, um procedimento coadjuvante aos elementos terapêuticos utilizados e consagrados pela Fisioterapia moderna. (CARVALHO NETO,2015) 1.4-COMO ESCOLHER A MELHOR TÉCNICA PARA CADA PACIENTE DE ACORDO COM SUA LEITURA CORPORAL. “Conseguir desbloquear estas áreas facilita, em muito, o tratamento de dores de todo jaez, sendo grande auxiliar no processo de analgesia por meio de recursos fisioterápicos.” (CARVALHO NETO,2015) Lembrando que o corpo humano é formado, em sua maior proporção, por estruturas relacionadas com fluidos, sejam sólidos, líquidos ou gasosos, e que está intimamente ligado ao equilíbrio entre os movimentos fisiológicos desses fluidos, interferindo no estado de homeostasia, poderemos afirmar que a sobrecarga funcional de algum sistema, movida pelo excesso de estímulos em uma dada região, inicialmente aumentará o consumo de energia e diminuirá a nutrição celular pela inexistência do período de repouso ou período refratário. O que ocorre, claramente, em estados de obsessão por alguma atividade, por uso de substâncias ou por manutenção de monoideias. Queremos, com isso, atentar para o fato de que, ao permanecer o organismo por um longo período em uma mesma atividade, o mesmo terá seu equilíbrio abalado em pouco tempo, pois, quando o sistema hiperexcitado começar a não mais ter combustível para usar em sua atividade, o mesmo recrutará os sistemas vizinhos, imediatamente próximos, para fornecerem energia para que continue exercendo suas funções, mediante a aceitação e obediência aos estímulos hiperexcitatórios. (CARVALHO NETO,2015) Como exemplos práticos, poderemos citar as lesões conjugadas de ligamentos articulares causadas por exercícios extenuantes; Esteatose hepática causada pela glutoneria; Tosse seca causadapor estados ansiosos da mente; lombalgias provocadas por repetidos episódios de indecisão; Constipação intestinal oriundas de personalidade intransigente; Osteoartroses geradas por atitudes inflexíveis; Gastroenterites advindas do uso abusivo de bebidas com elevado teor ácido, etc. Enfim, a exacerbada atividade de uma área tem interferência no equilíbrio de todas as outras regiões do corpo. Em se estabelecendo a causa psíquica do transtorno somático, tem-se facilitado, assim, o alcance da escolha do melhor método a ser utilizado. Uma área bloqueada por hiperexcitação tem necessidade primeira de ter deslocada a sensação de mal estar ou desequilíbrio. No caso de uma lombalgia, por exemplo, pede-se para que o paciente se concentre em uma parte do corpo imediatamente distante da coluna lombar e mais próxima do Sistema Nervoso Central, por exemplo, a mão. No caso de uma lombalgia unilateral, pede-se que o assistido se concentre na mão contralateral à dor lombar. Isso cria um caminho exatamente oposto aos estímulos álgicos capitados pela região lombar. Desconectando as sensações dolorosas, minimiza a percepção álgica, facilitando, deste modo a desconstrução da memória da dor. Os artifícios para atrair a atenção do paciente podem ser desde a estimulação tátil, térmica ou mesmo cinestésica. Durante a avaliação inicial, o terapeuta poderá perceber se o paciente em sua frente tem personalidade Visual, Auditiva ou Somestésica. Ou a junção de um deste três padrões com certa prevalência de algum. O paciente terá prevalência visual se o mesmo acompanhar cada movimento, com os olhos, que o terapeuta fizer enquanto conversam. Mostrará os exames complementares ao terapeuta apenas após ler cada um, acompanhando curioso tudo o que o profissional escrever. O assistido terá personalidade preferencialmente auditiva quando ouvir as orientações do terapeuta sem fazer contato visual com o mesmo, geralmente observando o ambiente ao derredor ou cabisbaixo. Prestará muito mais atenção ao que o profissional disser do que ele possa lhe mostrar nos exames. Já o paciente somestésico procurará o conforto assim que chegar ao consultório, não suportando esperar para ser atendido, nem conseguindo permanecer em uma fila. Sentirá mais frio ou mais calor que os outros tipos de pacientes. Terá a necessidade de tocar o terapeuta enquanto fala com ele, até mesmo tomando de sua mão para por no local da dor, para que o profissional também possa sentir com ela aquela dor e, com isso, poder ajudá-la. Nos casos de personalidades mistas, haverá certa prevalência entre um e outro tipo.Mas a leitura e percepção, mesmo assim, são factíveis. Tudo isso proporcionará uma escolha mais eficaz no momento da estimulação da área não afetada para o desvio da atenção do paciente. Uma pessoa visual olhará para a área que o terapeuta escolher. Um auditivo escutará os comandos verbais dados pelo profissional. Um somestésico será mais bem estimulado através do tato. Então, para que não se transcorra no erro, faz-se mais seguro unir estes três tipos estimulatórios na mesma abordagem: “Olhe fixamente para a sua mão direita e sinta o bem estar enquanto movimenta a mesma” Levando-se em consideração também o estado de ansiedade de cada paciente, onde encontramos pessoas mais pacientes que outras, a sequência das técnicas escolhidas também terá reflexo na efetividade e eficiência do protocolo como um todo. O B.M.D., Bloqueio da memória da Dor, referindo-se a um processo que depende de um número maior de estímulos inibitórios não é referendado como primeira opção em casos de dores agudas, principalmente em pacientes com o nível de ansiedade mais elevado. O C.C.V., Controle Consciente da Vontade, como necessita de uma concentração convergente e intensa energia, em casos de pacientes depressivos, cuja negatividade esteja latente, não será a primeira escolha nos achados de dores agudas ou subagudas. A T.S.D., Transmigração da Sensação Dolorosa, diferentemente das técnicas anteriores, tem sua atuação pautada na indução, onde a atenção exacerbada ao local doloroso será minorada por meio do estímulo audiovisual e tátil em intensidade igual ou superior ao estímulo álgico. Como o comando verbal será preponderante neste processo, a T.S.D. terá sua dependência muito maior na atitude do terapeuta que na situação emocional do paciente. Sendo, por isso, o primeiro protocolo a ser escolhido na abordagem do controle efetivo da dor. 1.5-AVALIAÇÃO DO PROGRESSO DO PACIENTE Durante o atendimento fisioterápico, o uso de escalas avaliativas representa uma ferramenta importantíssima para o feedback que o terapeuta deve receber, dando-lhe a orientação fidedigna durante a elaboração do prognóstico do paciente. Escalas como a Visual Analógica (E.V.A.) para dor, variando de zero a dez, escala TAMPA para cinesiofobia,ou, ou as escalas de incapacidade como o Disability Arm Shoulder Hand do Brasil (DASH Brasil),para incapacidade dos membros superiores onde ,segundo Hudak; Amadio; Bombardier (1996), a pontuação é considerada como: excelente (< 20 pontos), bom (20 a 39 pontos), regular (40 a 60 pontos) e mau (> 60 pontos). Porém, a melhor maneira avaliativa sempre será o conforto do paciente e sua satisfação durante o procedimento, pois estes termos perfazem sua presença no contexto mais amplo da saúde funcional. A melhora visual do comportamento do paciente, a alteração positiva de suas atitudes diante dos desafios propostos pelo fisioterapeuta durante a cinesioterapia convencional, proporcionam muitas informações acerca da eficácia dos atendimentos. Assim como a assiduidade e pontualidade do paciente nos dias de tratamento, revelando o seu íntimo interesse e grande envolvimento e responsabilidade no próprio processo de melhoria e reestruturação de sua saúde funcional. 2-CASOS CLÍNICOS. ABORDAGEM DA FISIOTERAPIA PSICOSSOMÁTICADURANTE A ASSISTÊNCIA FISIOTERÁPICA CONVENCIONAL EM DESORDENS MUSCULOESQUELÉTICA 2.1-Paciente com ombro congelado/Capsulite adesiva Recebi no consultório no dia 23 de outubro de 2014, o paciente L.N. 26 anos, sexo masculino, faixa preta de Jiu-jitsu, Muay thay e lutador de Artes Marciais Mistas- MMA-com a queixa de dor ao tentar mover os ombros. Apresentou exame de imagem RMN, apontando inflamação do revestimento sinovial e da cápsula articular, características para a condição de Capsulite adesiva ou ombro congelado de causa idiopática. Após a goniometria, foi constatado um bloqueio em 50° para flexão do ombro e 60° para abdução, bilateralmente e total impossibilidade para hipextensão dos ombros com rotação externa. A dor predominante na região do deltóide médio bilateral causava-lhe perda de força muscular e grande angústia, pois teria uma importante competição em duas semanas. Dando prosseguimento a consulta, no intuito de traçar o diagnóstico Psíquico Funcional, percebemos que o mesmo me seguia atentamente fitando nos olhos. Tinha uma concentração convergente muito aguçada.Portava-se com uma atitude de disciplina e respeito pelo que falávamos para ele sobre a enfermidade em questãoe,acima de tudo, possuía um desejo inabalável e uma certeza concreta de que iria lutar e vencer todos os desafios a partir dali,pois sentiu confiança na nossa abordagem e no nosso discurso terapêutico. Foram realizados apenas dois atendimentos para alcançarmos a sua recuperação total e liberá-lo para a rotina de treinamentos. Associamos as técnicas miotensivas, como a de contrair-relaxar, à T.S.D. durante cinco minutos inicialmente. Continuando o protocolo de dez minutos e, por fim, de quinze minutos. Devido à sua disciplina e empenho no atendimento, o paciente apresentou, após o primeiro dia, aumento de sua ADM de 50° de flexão de ombros para 120° e de 60° de abdução de ombros para 150° e a hiperextensão dos ombros de zero para 30°. O paciente relatou ter certa fobia por agulhamento. Por isso, antes da aplicação do agulhamento seco, foi aplicado o BMD, para reduzir a tensão e a TSD para que ele não sentisse o agulhamento, não provocando nele a ânsia de dor ou algum desconforto psicossomático. Conversamos muito sobre as responsabilidades dele enquanto filho ,marido, pai, professor de artes marciais em três turnos e sobre a defesa de seu cinturão durante o evento vindouro. Fizemos o paciente refletir sobre a sobrecarga de responsabilidades e auto cobrança excessiva em sua carreira, o que depositaria por sobre seus ombros um fardo muito mais pesado do que ele pudesse sustentar sozinho. Este destravamento da sensação de culpa foi muito importante para o desbloqueio das tensões psicossomáticas na região dos ombros. Facilitando, sobremaneira, a atuação das técnicas fisioterápicas para o controle das sequelas funcionais da Capsulite adesiva bilateral.