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1 2° BIMESTRE – Patologia Valentina G. Bortoluzzi – ATM 23 UCPel As lesões viscerais do diabetes são basicamente por: ALTERAÇÕES VASCULARES • Microangiopatias (microcirculação) → retinopatia diabética, nefropatia e neuropatia. • Macroangipatias (grandes vasos) → IAM, AVC, obstrução de artérias de membros inferiores. • Pé diabético → alterações sensitivas, vasculares e mecânicas. FISIOPATOLOGIA Hiperglicemia crônica Oferta maior de glicose Reações em excesso Produtos finais em excesso Esses produtos ligam-se a receptores nos vasos e promovem lesões. • Exemplos de reações → glicosilação avançada e ciclo do sorbitol. • Fatores potencializadores → HAS, dislipidemia, tabagismo. NEFROPATIA DIABÉTICA → Os rins constituem importantes alvos do diabetes e a insuficiência renal ocupa o segundo lugar, após o IAM, como causa de morte nessa doença. → Está associada com doença cardiovascular, especialmente no DM2 pois o perfil desse paciente é ser mais idoso e com outras comorbidades. FASES EVOLUTIVAS 1. Nefropatia incipiente (microalbuminúria) 2. Nefropatia clínica (macroalbuminúria) 3. Insuficiência renal terminal (uremia com necessidade de transplante ou diálise) RASTREAMENTO → Em casos de DM1, 5 anos após o diagnóstico. Se for na puberdade ou persistentemente descompensado, iniciar imediatamente. → Em casos de DM2, o rastreamento deve ser feito na ocasião do diagnóstico. → O rastreamento deve ser repetido anualmente. TIPOS DE LESÕES 1. Lesões glomerulares → Espessamento da membrana basal dos capilares glomerulares: perda de função dos glomérulos. → Glomerulosclerose intercapilar difusa. → Glomerulosclerose intercapilar nodular (lesão de Kimmelstiel-Wilson) *: é a lesão mais característica, praticamente patognomônica, da nefropatia diabética; 2. Lesões vasculares renais (principalmente arteriolosclerose hialina). → A aterosclerose renal e a arteriolosclerose constituem parte do comprometimento sistêmico dos vasos sanguíneos em diabéticos. → Lesão inespecífica → A Arteriolosclerose hialina afeta não apenas a arteríola aferente, mas também a eferente. 3. Pielonefrite, incluindo papilite necrosante. → Padrão particular de pielonefrite aguda, a papilite necrosante (ou necrose papilar) é muito mais prevalente em diabéticos do que em não diabéticos. → Há necrose isquêmica coagulativa da camada medular, especialmente da porção distal das pirâmides renais, chamadas papilas. → Estas regiões são normalmente menos vascularizadas que a camada cortical. No diabético, a irrigação da camada medular torna-se pior devido à microangiopatia. 2 2° BIMESTRE – Patologia Valentina G. Bortoluzzi – ATM 23 UCPel RETINOPATIA DIABÉTICA → Após 20 anos de diagnóstico de DM, está presente em praticamente 100% dos pacientes com DM1 e 60% dos com DM2. → Fatores de risco: ✓ Duração e intensidade da hiperglicemia ✓ HAS ✓ Dislipidemia → Há dois grupos de alterações na retinopatia diabética: 1. Retinopatia de fundo (ou não proliferativa): • A parede vascular torna-se frágil, formando-se microaneurismas. • Ocorre extravasamento de material proteináceo e lipídico em alguns pontos, formando exsudatos duros. • Rotura de casos pode levar a hemorragias intrarretinianas em chama de vela. • Podem surgir pontos de isquemia retiniana (manchas ou exsudatos algodonosos). 2. Retinopatia proliferativa: • Caracteriza-se por neovascularização e fibroplasia (tecido fibroso). • A neovascularização ocorre em resposta à isquemia e hipóxia intensas da retina. • Após um período variável, a neovascularização é seguida pelo desenvolvimento de fibrose. • O componente fibroso aumenta a tração sobre a retina subjacente, muitas vezes culminando em descolamento da retina. NEUROPATIA DIABÉTICA → Aproximadamente 10% dos pacientes diabéticos apresentam neuropatia no momento do diagnóstico. → Após 20 anos de doença, cerca de 50% dos pacientes apresentam sinais de neuropatia, especialmente a polineuropatia sensitiva. → DM é a causa mais comum de neuropatia periférica em indivíduos não etilistas diários. → A patogênese é desconhecida. Postula-se uma combinação de um efeito metabólico, dependente do acumulo de sorbitol nos axônios associado ao comprometimento isquêmico endoneural, devido à microlesão vascular. → O estudo DCCT demonstrou que o controle glicêmico rígido reduziu sobremaneira (60%) a incidência de neuropatia diabética, bem como a progressão da neuropatia instalada. FORMAS DE APRESENTAÇÃO 1. Polineuropatia simétrica sensitiva (mais comum) → dor em queimadura, mais intensa à noite, “rasgante”, dor “em bota”, “em luva”. 2. Neuropatia autonômica → cardiovascular, periférica, gênito-urinária, gastrointestinal. 3. Radiculopatia (forma rara) 4. Mononeuropatia → nervo mediano e oculomotor são os dois mais acometidos. 5. Mononeuropatia múltipla MACROANGIOPATIAS CARDIOPATIA ISQUÊMICA → Interação de vários fatores como hiperglicemia, HAS, dislipidemia, neuropatia, disfunção endotelial. → Entre 10-20% podem apresentar isquemia silenciosa ou assintomática (sem dor/desconforto precordial). → Cardiopatia isquêmica: principal causa de mortalidade em pacientes diabéticos. Mais de 50% dos diabéticos morrem por DAC. Seu prognostico após infarto é pior, com maior incidência de ICC e edema agudo de pulmão. → Maior número de vasos acometidos nos diabéticos, consequentemente a zona de infarto será maior. DOENÇA CEREBROVASCULAR → O risco de AVC isquêmico é 2x maior nos pacientes diabéticos, especialmente tipo 2. → A associação entre DM, HAS e tabagismo é alto risco para eventos vasculares encefálicos. → A doença carotídea aterosclerótica, bem como a doença aterosclerótica das artérias cerebrais de médio e pequeno calibre são mais comuns nos diabéticos. PÉ DIABÉTICO → O DM é a principal causa de amputação de membro não traumática em nosso país. → O pé diabético é multifatorial: ✓ Vasculopatia (isquemia) ✓ Neuropatia: alterações sensitivas e “secura” (anidrose podal), predispondo lesões. ✓ Infecções por microrganismos.