Artigo sobre 4ª Revolução Insdustrial, Gig Economy e o Futuro do Trabalho
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Artigo sobre 4ª Revolução Insdustrial, Gig Economy e o Futuro do Trabalho


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FACULDADE DE DIRETO DE SÃO BERNARDO DO CAMPO 
 
 
 
CAROLINE RODRIGUES PEREIRA \u2013 18659 
 
 
 
 
 
 
 
 
AVALIAÇÃO 2 
TÓPICOS AVANÇADOS DE DIREITO DO TRABALHO 
Prof. Gilberto Carlos Maistro Junior 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SÃO BERNARDO DO CAMPO \u2013 SP 
2020
 
 
Sumário 
 
1. Quarta Revolução Industrial ............................................................................................................ 1 
2. Gig Economy ................................................................................................................................... 6 
2.1 Uberização ..................................................................................................................................... 8 
3. Flexisegurança ............................................................................................................................... 12 
4. COVID-19 ...................................................................................................................................... 15 
5. Considerações Finais...................................................................................................................... 18 
REFERÊNCIAS ................................................................................................................................. 20 
 
 
 
1 
 
1. Quarta Revolução Industrial 
 
O homem, como ser pensante e inquieto, sempre esteve em transformação. Através de sua 
racionalidade foi capaz de controlar e moldar, a seu favor, todo o ambiente que o circundava. Ao 
longo da evolução de sua compreensão da natureza e da forma como se relacionava com a mesma, 
foi se adequando e desenvolvendo conforme às necessidades se apresentavam. 
Não é o escopo do presente excerto discorrer sobre o desenvolvimento histórico do homem e sua 
relação com o trabalho ao longo dos séculos. Entretanto, é preciso ressaltar que este sempre esteve 
em busca de evoluir e aperfeiçoar suas técnicas para benefício próprio (seja no aspecto individual 
ou coletivo, isto é, de sua espécie). 
Fruto desta inquietação, muitas vezes advinda, inclusive, da necessidade de sobrevivência em um 
meio hostil, o homem construiu e aprimorou ferramentas de trabalho para facilitar e otimizar seus 
esforços. Entretanto, nem sempre o avanço foi sinônimo de vantagens e benefícios, principalmente 
quanto à sua influência no labor. 
Desde a primeira Revolução Industrial, o trabalho humano vem sofrendo constantes modificações e 
perdendo lugar para a força mecânica e a automação latente dos processos. Isso aumentou os 
índices de desemprego estrutural1 e, consequentemente, gerou contingentes de mão de obra 
desqualificada e ociosa, que dificilmente será reinserida no mercado de trabalho. 
Se observamos o Brasil, a despeito da enorme massa de desempregados, encontramos as mais 
diversas formas de trabalho: aquele em condições análogas às de escravo, o trabalho proibido, 
infantil, autônomo, intelectual e, além disso, encontramos as novas formas de prestação de serviços, 
através de plataformas digitais, como Uber, iFood e Loggi. 
Fato é que o Brasil se depara com uma economia informal que dá margem para a existência e 
aceitação de contratos de trabalho que suprimem direitos assegurados pela Constituição Federal e 
pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Isso, além de precarizar o mercado de trabalho, 
gera intensificação da desigualdade e polarização social e econômica já acentuadas no país. 
Diante de um cenário de constantes inovações tecnológicas que reivindicam mudanças de atuação 
profissional e de estruturação do labor, uma vez que a prestação de serviços pautada em um 
contrato de trabalho ao qual tipicamente se atrelam os requisitos do vínculo empregatício2 vem 
 
1[desemprego estrutural] decorre da própria estrutura econômica, verificando-se permanentemente e de forma 
generalizada nos países industrializados [13]. 
2 Art. 3º - Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a 
dependência deste e mediante salário \u2013 CLT. 
2 
 
sofrendo profundas modificações, é preciso que o Direito (e o mundo) do Trabalho se reinvente em 
prol de atingir as novas configurações sociais e, efetivamente, regulamentá-las. 
A Quarta Revolução Industrial trouxe, como grande inovação, a fusão do mundo físico e digital; a 
exemplo da internet das coisas (IOT), robótica, blockchain, a impressão em 3 dimensões (3D) e a 
inteligência artificial. Como consequência do investimento nestas tecnologias há uma grande 
diminuição nos custos de produção, entre os quais a mão de obra humana, facilmente substituível. 
A Comissão Global do Futuro do Trabalho3 traz em seu relatório de 2019 a necessidade de que 
aqueles que vierem a perder seus empregos devem, ao menos, receber o preparo adequado para 
serem alocados em novos postos de trabalho. Isto é, novas habilidades serão necessárias para o 
trabalhador que deseja permanecer no mercado, as quais precisam ser devidamente lecionadas. 
Por conta do grande mercado informal existente no Brasil, para que seja possível a valorização dos 
trabalhadores e a sua reinserção no mercado, ainda de acordo com a referida Comissão, é preciso 
que o governo estabeleça fundos de educação e treinamento nacionais e setoriais com foco em 
habilidades vocacionais.4 
O Fórum Econômico Mundial de 2018 defende o surgimento de novas ocupações decorrentes do 
desenvolvimento tecnológico, as quais seriam suficientes para abrigar os futuros desempregados. 
Logo após, trata da grande dificuldade a ser enfrentada na transição de milhões de trabalhadores e 
da necessidade de se investir em um grande aporte de ágeis aprendizes e profissionais qualificados a 
nível global5. 
Nos parece demasiada utopista a ideia de que todos os trabalhadores poderiam desenvolver novas 
competências e que haveriam vagas disponíveis para todos os futuros desempregados se realocarem 
no mercado. Ainda, a despeito do elevado nível de desemprego, haveria uma intensificação da 
desigualdade e da polarização do mercado de trabalho, o que aumentaria o número de subempregos. 
As demandas do mercado por novas competências farão com que algumas profissões desapareçam 
nos próximos anos, principalmente aquelas que lidam com tarefas de rotina e que exigem menor 
preparo profissional, uma vez que estas atividades são facilmente substituídas por sistemas 
inteligentes. Atualmente, estas vagas são preenchidas por classes sociais menos favorecidas e que 
 
3 Work for a brighter future \u2013 Global Commission on the Future of Work, 2019 \u2013 P. 18 
4 _______ \u201cIn countries where most workers work informally, we recommend establishing national or sectoral 
education and training funds. Managed by tripartite boards, these institutions would provide workers access to 
education and training, with a special focus on vocational skills\u201d. P. 31 
5 Our analysis finds that increased demand for new roles will offset the decreasing demand for others. However, these 
net gains are not a foregone conclusion. They entail difficult transitions for millions of workers and the need for 
proactive investment in developing a new surge of agile learners and skilled talent globally\u201d - The Future of Jobs - P. v 
3 
 
não terão as mesmas oportunidades de se reestruturar e alcançar educação e especialização da forma 
como as classes privilegiadas o farão. 
\u201cAo passo que a performance dos trabalhadores se tornará mais 
variada, independente, criativa e, no caso da maior parte das 
experiências positivas, permitirá a conjugação da vida privada e de 
seus trabalhos, há um risco representado pelo aumento da já existente 
polarização do mercado de trabalho. Como consequência, a parte 
menos organizada e treinada da força de trabalho parece destinada 
ao confinamento nas áreas de trabalhos repetitivos e mal 
remunerados, convivendo com a ameaça de serem substituídos por 
robôs capazes de realizar