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www.facuminas.com.br LIBRAS Língua Brasileira de Sinais MATERIAL DIDÁTICO CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA PORTARIA N° 3.445 DO DIA 19/11/2003 1 Sumário O QUE É LIBRAS? ............................................................................... 4 Culturas e Identidades em Questão .............................................. 6 BREVE HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO DOS SURDOS ........................ 8 LEI DE LIBRAS .................................................................................... 9 PARÂMETROS .................................................................................. 10 ALFABETO DE LIBRAS ..................................................................... 11 PRONOMES PESSOAIS ................................................................... 12 PRONOMES POSSESSIVOS ............................................................ 13 PRONOMES INTERROGATIVOS ....................................................... 0 PRONOMES DEMONSTRATIVOS ...................................................... 1 VOCABULARIOS COTIDIA ................................................................. 3 NUMERAIS .......................................................................................... 5 DIAS DA SEMANA ............................................................................... 5 ADIVERBIOS DE TEMPO .................................................................... 7 ADJETIVOS ......................................................................................... 9 VERBOS ............................................................................................ 12 REFERENCIAS ..................................................................................... 25 2 FACUMINAS A história do Instituto Facuminas, inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a Facuminas, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A Facuminas tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 4 O QUE É LIBRAS? Língua Brasileira de Sinais A Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos – FENEIS define a Língua Brasileira de Sinais – Libras como a língua materna 2 dos surdos brasileiros e, como tal, poderá ser aprendida por qualquer pessoa interessada pela comunicação com esta comunidade. Como língua, está composta de todos os componentes pertinentes às línguas orais, como gramática, semântica, pragmática, sintaxe e outros elementos preenchendo, assim, os requisitos científicos para ser considerado instrumento linguístico de poder e força. Possui todos elementos classificatórios identificáveis numa língua e demanda prática para seu aprendizado, como qualquer outra língua. (...) é uma língua viva e autônoma, reconhecida pela linguística. Segundo Sánchez (1990:17) a comunicação humana “é essencialmente diferente e superior a toda outra forma de comunicação conhecida. Todos os seres humanos nascem com os mecanismos da linguagem específicos da espécie, e todos os desenvolvem normalmente, independentes de qualquer fator racial, social ou cultural”. Uma demonstração desta afirmação se evidencia nas línguas oral-auditiva (usadas pelos ouvintes) e nas línguas viso- espacial (usadas pelos surdos). As duas modalidades de línguas são sistemas abstratos com regras gramaticais. Entretanto, da mesma forma que as línguas orais-auditivas não são iguais, variando de lugar para lugar, de comunidade para comunidade a língua de sinais também varia. Dito de outra forma: existe a língua de sinais americana inglesa, francesa e várias outras línguas de sinais em vários países, bem como a brasileira. A estrutura da Língua Brasileira de Sinais é constituída de parâmetros primários e secundários que se combinam de forma sequencial ou simultânea. Segundo Brito (1995, p. 36 – 41) os parâmetros primários são: a) Configurações das mãos, em que as mãos tomam as diversas formas na realização de sinais. De acordo com a autora, são 46 configurações de mãos na Língua Brasileira de Sinais; 5 b) Ponto de articulação, que é o “espaço em frente ao corpo ou uma região do próprio corpo, onde os sinais são articulados. Esses sinais articulados no espaço são de dois tipos, os que articulam no espaço neutro diante do corpo e os que se aproximam de uma determinada região do corpo, como a cabeça, a cintura e os ombros”; (BRITO, 1995). c) Movimento, que é um “parâmetro complexo que pode envolver uma vasta rede de formas e direções, desde os movimentos internos da mão, os movimentos do pulso, os movimentos direcionais no espaço até conjuntos de movimentos no mesmo sinal. O movimento que as mãos descrevem no espaço ou sobre o corpo pode ser em linhas retas, curvas, sinuosas ou circulares em várias direções e posições”. (BRITO, 1995) Quanto aos parâmetros secundários tem-se: a) Disposição das mãos, em que as “articulações dos sinais podem ser feitas apenas pela mão dominante ou pelas duas mãos. Neste último caso, as duas mãos podem se movimentar para formar o sinal, ou então, apenas a mão dominante se movimenta e a outra funciona como um ponto de articulação”; (BRITO, 1995) b) Orientação da palma das mãos, “é a direção da palma da mão durante o sinal: voltada para cima, para baixo, para o corpo, para frente, para a esquerda ou para a direita. Pode haver mudança na orientação durante a execução do movimento”; (BRITO, 1995) c) Região de contato, “refere-se à parte da mão que entra em contato com o corpo. Esse contato pode-se dar de maneiras diferentes: através de um toque, de um risco, de um deslizamento etc.” (BRITO, 1995) d) Expressões faciais “muitos sinais, além dos parâmetros mencionados acima, têm como elemento diferenciador também a expressão facial e/ou corporal, traduzindo sentimentos e dando mais sentido ao enunciado e em muitos casos determina o significado do sinal” (SILVA, p. 55, 2002). Ou seja, podem expressar as diferenças entre sentenças afirmativas, interrogativas, exclamativas e negativas. 6 Quem são os Surdos e Quem são os Ouvintes? Antes de começarmos nossa caminhada para o aprendizado da Língua Brasileira de Sinais é importantíssimo que você compreenda que está língua não é a língua de um país, mas, é a língua de um povo que se autodenomina de Povo Surdo 3. Os surdos deste povo são pessoas que se reconhecem pela ótica cultural e não medicalizada possuem uma organização política de vida em função de suas habilidades, neste caso a principal é a habilidade visual, o que gera hábitos também visuais e uma língua também visual. No entanto, a palavra – surdo – possui vários sentidos. O mais usado é aquele ligado à ideia de doença, de falta, de incapacidade, de deficiência. Nem todos os surdos se identificam como surdos, há aqueles que ouvem pouco e/ou usama oralidade identificando-se como deficientes auditivos, outros com o mesmo histórico preferem identificar-se como surdo, logo não se tem uma definição exata do termo. Neste curso quando nos referimos aos surdos, estamos nos referindo àqueles que utilizam a Libras assim como você utiliza a Língua Portuguesa. O surdos para identificar aqueles que não são surdos costumam perguntar: _ Você é ouvinte? assim o termo ouvinte é uma forma de reconhecer o não- surdo. Talvez não tenha ficado claro o suficiente quem são os surdos e quem são os ouvintes, mas com certeza gradativamente com o decorrer do curso você compreenderá o significado tais termos. Culturas e Identidades em Questão Quando falamos sobre cultura muitas coisas podem vir a nossa mente, há diferentes culturas e diferentes modos de conceituar cultura, depende do espaço onde ela é discutida. Aqui, neste espaço linguístico, usamos o termo cultura para expressar “jeitos de ser e estar no mundo”, e ressaltaremos a todo momento os jeitos de ser e estar no mundo do povo surdo, ou seja, a Cultura Surda. 7 Sobre Cultura Surda podemos dizer com as palavras de Sá (p.01, 2006) que ““Cultura”, neste texto, é definida como um campo de forças subjetivas que dá sentido(s) ao grupo”. No século XXI, mais do que nunca, tem-se dado extremo valor à estética do corpo e da linguagem, mesmo que ocultamente tem se mantido o paradigma da alta e da baixa cultura. O discurso que ecoa é que surdos são pessoas deficientes, que precisam entrar na linha da normalização, precisam urgentemente ser iguais a maioria, precisam falar, ver, ouvir, andar fazer parte de uma cultura dita padrão para então serem considerados incluídos na sociedade. O embate acontece exatamente porque existe um campo de forças subjetivas que dá sentido(s) ao grupo, ou seja, existe a Cultura Surda e é a língua de sinais a marca subjetiva que dá sentido(s) a esta cultura. Os surdos são organizados social e politicamente, possuem um estilo de viver que é próprio de quem usa a visão como meio principal de obter conhecimento. A cultura surda é também híbrida e mestiça, pois não se encontra isolada no mundo, está sempre em contato direto com outras culturas e evolui da mesma forma que o pensamento humano. Há narrativas normalizastes que põem os surdos como pessoas subculturas relatando que: Acho que os surdos não têm uma cultura própria, têm apenas algumas adequações. (...) Os surdos interagem com outros surdos, porque eles se entendem na sua linguagem, e se afastam dos ouvintes pela falta de compreensão, dando a ilusão de ter uma cultura própria. A contradição acontece nas narrativas surdas, elas revelam que pessoas surdas não vivem de adaptação ou reabilitação, vivem em evolução, criam meios de ser e de estar no mundo, como qualquer ser humano faz. Possuem a necessidade de estar em permanente contato com outros surdos, não porque os ouvintes não os compreendem, mas pela força da identificação cultural, pela força da subjetividade que os atrai como um imã da mesma forma que acontece com outros grupos sociais. Para compreender por que existe uma cultura surda é fundamental entrar em contato com esta cultura deixando de 8 lado pré-conceitos que se costuma fazer antes de conhecer, seja aberto ao novo e torne-se um ser plural. BREVE HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO DOS SURDOS A história da educação dos surdos é cheia de controvérsias e descontinuidades. A primeira notícia que temos é do século XII, quando os surdos não eram considerados humanos, não tenham direito à herança, não frequentavam nenhum meio social e eram proibidos de se casarem. Na Idade Média, com o feudalismo, os surdos começaram a ter atenção diferenciada pelo clero (Igreja), que estava muito preocupado com o que tais pessoas faziam e por que não vinham se confessar. As pessoas não iam se confessar porque não apresentavam uma língua estruturante para seu pensamento. Mas a igreja também estava muito preocupada, pois nasciam muitos surdos nos castelos dos nobres, devido à frequência dos casamentos consanguíneos, comuns na época, visto que a nobreza não queria dividir sua herança com outras famílias e acabavam casando-se entre primos, sobrinhas, tios e até irmãos. Como nos mosteiros da Igreja havia padres, monges e frades que utilizavam de uma língua gestual rudimentar, porque nesses ambientes existia o voto do silêncio, esses religiosos foram deslocados para esses castelos com a missão de educar os filhos surdos dos nobres em troca de grandes fortunas. Quanto ao método utilizado na época não temos registros, mas sabe-se que alguns acreditavam que deveriam priorizar a língua falada, outros, a língua de sinais e outros, ainda, o método combinado. Em 1880, aconteceu o Congresso Mundial de Professores de Surdos em Milão, na Itália, onde foi discutido qual seria o melhor método para a educação dos surdos. Nesse congresso ficou resolvido que o melhor método era o oral puro, sendo proibida a utilização da língua de sinais a partir desta data. A partir daí as crianças surdas, muitas vezes, tinha suas mãos amarradas para trás e eram obrigadas a sentarem em cima das mãos ao irem para a escola, para que não usassem a língua de sinais. 9 Tal opressão perdurou por mais de um século, trazendo uma série de consequências sociais e educacionais negativas. No Brasil, a primeira lei que viabiliza o uso da Língua Brasileira de Sinais como a primeira língua dos surdos foi assinada em novembro de 2002 pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso. LEI DE LIBRAS Lei n° 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a LÍNGUA BRASILERA DE SINAIS - LIBRAS e dá outras providências. Eu o presidente da república faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei. Art. 1 - É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS - LIBRAS e outros recursos de expressão a ela associados. Parágrafo Único. entende-se como LINGUA BRASILEIRA DE SINAIS - LIBRAS a forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de natureza visual-motora. Com estrutura gramatical própria, constituem um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil. Art. 2 - Deve ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas concessionárias de serviços públicos, formas institucionalizadas de apoiar o uso e difusão da LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS - LIBRAS como meio de comunicação objetiva e de utilização corrente das comunidades surdas do Brasil. Art. 3 - As instituições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos de assistência à saúde devem garantir atendimento e tratamento adequado aos portadores de deficiência auditiva, de acordo com as normas legais em vigor. 10 0 Art. 4 - O sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais, municipais e do Distrito Federal devem garantir a inclusão nos cursos de formação de educação especial, de fonoaudióloga e de magistério, em seus níveis médio e superior, do ensino da língua brasileira de sinais - libras, como parte integrante dos parâmetros curriculares nacionais - PCNS. Conforme legislação vigente. Parágrafo Único. A LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS - LIBRAS não poderá substituir a modalidade escrita da Língua Portuguesa. Art. 5 - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 24 de abril de 2002; 1810 da Independência e 1140 da República. Fernando Henrique Cardoso Paulo Renato Souza Texto Publicado no D.O.U. de 25.4.2002. PARÂMETROS Os sinais são formados a partir da combinação do movimento das mãos com um determinado formato em um determinado lugar, podendo este lugar ser uma parte do corpo ou um espaço em frente ao corpo. Nas línguas de sinais podem ser encontradosos seguintes parâmetros: - Configuração de mãos: são formas das mãos, que podem ser da datilologia (alfabeto manual) ou outras formas feitas pela mão predominante (mão direita para os destros) ou pelas duas mãos do emassou ou pelo sinalizador. Os sinais APRENDER, LARANJA, OUVIR E AMOR têm a mesma configuração de mãos que são realizadas na testa, na boca, na orelha e no lado esquerdo do peito respectivamente; - Ponto de articulação: é o lugar onde incide a mão predominante configurada, podendo está tocar alguma parte do corpo ou estar em um espaço neutro vertical ( do meio do corpo até a cabeça) e horizontal (à frente do emissor). Os sinais TRABALHAR, BRICAR, BESTEIRA, CONSERTAR são feitos no espaço neutro e os sinais ESQUECER, MENTE, APRENDER E PENSAR são realizados na testa; 11 1 - Movimento: os sinais podem ter movimento ou não. Os sinais citados acima têm movimento, com exceção de PENSAR que, como os sinais AJOELHAR E EM-PÉ m não têm movimento; - Orientação / direcionalidade: os sinais têm uma direção com relação aos parâmetros acima. Assim os verbos IR e VIR se opõem em relação à direcionalidade, como os verbos SUBIR e DESCER, ACENDER E APAGAR, ABRIR-PORTA e FECHAR-PORTA; - Expressão facial e / ou corporal: muitos sinais, além dos quatro parâmetros mencionados acima, em sua configuração têm como traço diferenciador também a expressão facial e/ou corporal, como os sinais ALEGRE e TRISTE. Há sinais feitos somente com a bochecha como LADRÃO, ATO-SEXUAL; sinais feitos com a mão e expressão facial, como o sinal BALA, e há ainda sinais em sons e expressões faciais complementam os traços manuais, como os sinais HELICOPTERO e MOTOR. Na combinação destes cinco parâmetros, tem-se o sinal. Falar com as mãos é, portanto, combinar estes elementos para formarem as palavras e estas formarem as frases em um contexto. ALFABETO DE LIBRAS O alfabeto de Libras (Língua Brasileira de Sinais) teve sua origem ainda no Império. Em 1856, o conde francês Ernest Huet desembarcou no Rio de Janeiro com o alfabeto manual francês e alguns sinais. O material trazido pelo conde, que era surdo, foi adaptado e deu origem à Libras. Este sistema foi amplamente difundido e assimilado no Brasil. No entanto, a oficialização em lei da Libras só ocorreu um século e meio depois, em abril de 2002 – nesse período, o Brasil trocou a monarquia pela república, teve seis Constituições e viveu a ditadura militar. 12 2 O longo intervalo deve-se a uma decisão tomada no Congresso Mundial de Surdos, na cidade italiana de Milão em 1880. No evento, ficou decidido que a língua de sinais deveria ser abolida, ação que o Brasil implementou em 1881. A Libras quase mudou o nome e só voltou a vigorar em 1991, no Estado de Minas Gerais, com uma lei estadual. Só em agosto de 2001, com o Programa Nacional de Apoio à Educação do Surdo, os primeiros 80 professores foram preparados para lecionar a língua brasileira de sinais. A regulamentação da Libras em âmbito federal só se deu em 24 de abril de 2002, com a lei nº 10.436. PRONOMES PESSOAIS A LIBRAS possui um sistema pronominal para representar as pessoas do discurso: primeira pessoa (singular, dual, trial, quatrial e plural): EU; NÓS-2, NÓS-3, NÓS-4, NÓS-GRUPO, NÓS/NÓS-TODOS; 13 3 • Primeira Pessoa do Singular: EU • Primeira Pessoa do Plural: NÓS-2, NÓS-3, NÓS-4, NÓS-NÓS-TOD@ • Segunda Pessoa (singular, dual, trial, quatrial e plural): VOCÊ, VOCÊ-2, VOCÊ-3, VOCÊ-4, VOCÊ-GRUPO, VOCÊ/VOCÊS-TOD@S; • Terceira Pessoa (singular, dual, trial, quatrial e plural): EL@, EL@-2, EL@-3, EL@-4, EL@S-GRUPO, EL@S/EL@-TOD@S PRONOMES POSSESSIVOS Os pronomes possessivos, como os pessoais e demonstrativos, também não possuem marca para gênero e estão relacionados às pessoas do discurso e não à coisa possuída, como acontece em português. • EU ME@ SOBRINH@; • VOCÊ TE@ ESPOS@; • EL@ SE@. FILH@ Para a primeira pessoa: ME@, pode haver duas configurações de mão: uma é a mão aberta com os dedos juntos, que bate levemente no peito do emissor; a outra é a configuração da mão em P com o dedo médio batendo no peito - MEUPRÓPRIO. Para as segundas e terceiras pessoas, a mão tem esta segunda configuração em P, mas o movimento é em direção à pessoa com que se fala (segunda pessoa) ou está sendo mencionada (terceira pessoa). Não há sinal específico para os pronomes possessivo no dual, trial, quadrial e plural (grupo), nestas situações são usados os pronomes pessoais correspondentes. Exemplo: NÓS FILH@ „nosso(a) filho(a)” PRONOMES INTERROGATIVOS O pronome interrogativo QUAL é mais utilizado no início da frase, mas pode ser também utilizado no final. Os pronomes interrogativos QUE é QUEM geralmente são usados no início da frase, mas o pronome interrogativo ONDE e o pronome QUEM, 1 quando usado com o sentido de "quem é" ou " de quem é" são mais usados no final da frase. PRONOMES DEMONSTRATIVOS Os pronomes demonstrativos e os advérbios de lugar, na Libras assim como no Português, estão relacionados às pessoas do discurso. Sempre na perspectiva do emissor eles podem representar, o que está bem próximo, perto ou distante. Eles têm a mesma 2 configuração de mão dos pronomes pessoais, porém os pontos de articulação e as orientações de olhar são diferentes. Tal qual os pronomes pessoais, os pronomes demonstrativos não possuem marcas para gênero: masculino e feminino. O plural dos pronomes demonstrativos, pode ser feito na forma dual, trial, quatrial e plural, dependendo do contexto, assim como os pronomes pessoais. Segue abaixo as representações do pronomes demonstrativos e advérbios de lugar, comparando-os com os pronomes pessoais: 3 ADVERBIOS DE AFIRMAÇÃO E NEGAÇÃO VOCABULARIOS COTIDIA 4 5 NUMERAIS As línguas podem ter formas diferentes para apresentar os numerais quando utilizados como cardinais, ordinais, quantidade, medida, idade, dias da semana ou mês, horas e valores monetários. Isso também acontece na LIBRAS. Nesta unidade e nas seguintes, serão apresentados os numerais em relação às situações mencionadas acima. É erro o uso de uma determinada configuração de mão para o numeral cardinal sendo utizada em um contexto onde o numeral é ordinal ou quantidade, por exemplo: o numeral cardinal é diferente da quantidade 1, que é diferente do ordinal PRIMEIRO que é diferente de que é diferente de PRIMEIRO-GRAU, que é diferente de MÊS-1. DIAS DA SEMANA 6 7 ADIVERBIOS DE TEMPO Na Libras não há marca de tempo nas formas verbais, é como se, nas frases, muitos verbos ficassem no infinitivo. O tempo é marcado sintaticamente através de advérbios de tempo que indicam se a ação ocorre no presente, passado ou futuro. Eles vêm no começo da frase, mas podem também ser utilizados no final. Frases no presente quase sempre não são marcadas. Frases no passado e no futuro devem ser marcadas. 8 9 ADJETIVOS Os adjetivos são sinais que formam uma classe específica na LIBRAS e sempre estão na forma neutra, não havendo, portanto, nem marca para gênero (masculino e feminino), nem para número (singular e plural). Mas podem ter um intensificador incorporado ao seu movimento. Muitos adjetivos, por serem descritivos, apresentam ironicamente uma qualidade do objeto, desenhando-a no ar ou mostrando-a a partir do objeto ou do corpo do emissor. Em Português, quando uma pessoa se refere a um objeto como sendo arredondado, quadrado,listrado, entre outros, está também descrevendo, mas, na LIBRAS, esse processo é mais “transparente” porque o formato ou textura são traçados no espaço ou no corpo do emissor, em uma tridimensionalidade permitida pela modalidade da língua. Em relação à colocação dos adjetivos na frase, eles geralmente vêm após o substantivo que qualificam. São exemplos de adjetivos na Libras: 10 0 11 1 12 2 VERBOS Tipos de verbos na Libras Os verbos em língua de sinais estão divididos em dois grupos: Verbos sem concordância (não-direcionais) e Verbos com concordância (direcionais). Verbos sem concordância (não-direcionais): Não se flexionam em pessoa e número. Não incorporam afixos locativos. Exigem argumentos explícitos uma vez que, não há marca alguma no verbo com os argumentos da frase. Exemplos: conhecer, aprender, amar, saber, gostar, ter, etc. Estes verbos estão divididos em duas subclasses: 1.1 Ancorados no corpo: São realizados com contato muito próximo ao corpo verbos de estado cognitivo, emotivo ou experienciais. Ex.: pensar, entender, gostar, falar... Verbos de ação Ex.: conversar, pagar, falar 1.2 Verbos que incorporam o objeto: 2. Verbos com concordância (direcionais): 13 3 Flexionam-se em pessoa e número. Incorporam afixos locativos. Marcas não manuais - movimento direcional. Marca no ponto inicial o sujeito e no final o objeto. Verbos que possuem concordância número-pessoal. A orientação marca as pessoas do discurso. O ponto inicial marca o sujeito e o final marca o objeto. Exemplo: (1ª pessoa) PERGUNTAR (2ª pessoa) - Eu pergunto à você. (2ª pessoa) PERGUNTAR (1ª pessoa) - Você me pergunta. 14 4 15 5 16 6 17 7 18 8 19 9 20 0 21 1 22 2 23 3 24 4 25 5 REFERENCIAS BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil, Brasília, 1998. BRASIL, Secretaria de Educação Especial. Língua Brasileira de Sinais/ Organizado por Lucinda F. Brito et. al.- Brasília: SEESP, 1997. Vol. III (Série Atualidades Pedagógicas). BRASIL, Secretaria de Educação Especial. Deficiência Auditiva/ Organizado por Lucinda F. Brito et. al.- Brasília: SEESP, 1997. Vol. I (Série Atualidades Pedagógicas). LUCHESI, Maria Regina Chirichella. Educação de Pessoas Surdas: Experiências vividas, histórias narradas. Papirus. Campinas, SP, 2003. QUADROS, Ronice Muller de. Língua de Sinais Brasileira: Estudos Linguísticos. Porto Alegre: Artmed, 2004. VYGOTSKY, L.S. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1991. 26 6 FELIPE, TANYA A. Libras em Contexto: curso básico, livro do estudante cursista. Brasília. MEC, 2001. BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil, Brasília, 1998. BRASIL, Secretaria de Educação Especial. Língua Brasileira de Sinais/ Organizado por Lucinda F. BRITO. et. al.- Brasília: SEESP, 1997. Vol. III (Série Atualidades Pedagógicas). BRASIL, Secretaria de Educação Especial. Deficiência Auditiva/ Organizado por Lucinda F. F. BRITO. et. al.- Brasília: SEESP, 1997. Vol. I (Série Atualidades Pedagógicas). LUCHESI, Maria Regina Chirichella. Educação de Pessoas Surdas: Experiências vividas, histórias narradas. Papirus. Campinas, SP, 2003. QUADROS, Ronice Muller de. Língua de Sinais Brasileira: Estudos Linguísticos. Portalegre: Artmed, 2004. VYGOTSKY, L.S. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1991. FELIPE, TANYA. A Libras em Contexto: curso básico, livro do estudante cursista. Brasília. MEC, 2001. http://www.ines.org.br/ines_livros/FASC7_INTRO.HTM http://www.feneis.org.br/ http://www.ines.org.br/ines_livros/FASC7_INTRO.HTM