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Bruna de Alencar Peres – Odontologia Unesp São José dos Campos (T64) 
 
Conceitos 
Neoplasia benigna não-odontogênica é uma pro-
liferação celular autônoma com características 
morfológicas e, por vezes, funcionais semelhantes 
às do tecido de origem. 
classificação 
Quanto ao tecido de origem: 
1. Do epitélio de revestimento bucal: 
• Papiloma e Ceratoacantoma 
2. Do tecido conjuntivo: 
• Fibroma e Lipoma 
3. De origem vascular: 
• Hemangioma e Linfangioma 
4. Do tecido nervoso: 
• Neurofibroma, Neurilemoma e Tumor 
de células granulares 
5. Do tecido ósseo: 
• Osteoma, osteoma osteoide e osteoblas-
toma 
6. Do tecido muscular: 
• Leiomioma, rabdomioma e epúlide con-
gênita do recém-nascido 
Papiloma 
O papiloma, também chamado de papiloma 
escamoso, é uma proliferação benigna do epitélio 
estratificado, resultando em aumento de volume 
de forma papilar ou verruciforme. Acredita-se 
que essa patologia esteja ligada ao Papiloma Vírus-
Humano (HPV), especialmente ao HPV 6 ou 11, 
por meio de transmissão sexual. 
Apresenta frequência igual em homens e mulhe-
res, e os sítios mais acometidos são língua, lábios 
e palato mole. 
O papiloma escamoso é um nódulo macio, indo-
lor, exofítico, normalmente pediculado, com nu-
merosas projeções que dão a aparência de “couve-
flor”, ou verrucosa, à lesão, a qual pode ser pon-
tuda ou embotada, branca, levemente avermelha-
da ou com a coloração semelhante à da mucosa 
adjacente. 
 
 
Normalmente é unitário, e cresce rapidamente 
até um tamanho máximo de cerca de 0,5cm, mas 
algumas lesões podem ser maiores. O tratamento 
consiste em remoção cirúrgica, a partir de biópsia 
excisional. 
Ceratoacantoma 
O ceratoacantoma é uma proliferação epitelial 
autolimitada com características clínicas e histo-
patológicas muito semelhantes às do carcinoma de 
células escamosas (deve-se fazer o diagnóstico di-
ferencial, baseado em outras características clíni-
cas). 
Sua etiologia ainda é desconhecida, porém acredi-
ta-se que o dano causado pela exposição solar e o 
Papiloma Vírus-Humano (HPV), especialmente 
os subtipos 26 ou 37, são causas prováveis ao 
desenvolvimento dessa lesão. Parece que também 
há uma relação de hereditariedade, e sua frequên-
cia é aumentada em pacientes portadores da sín-
drome de Muir-Torre (neoplasmas sebáceos, ce-
ratoacantomas e carcinomas gastrintestinais). 
Essa patologia é mais prevalente em pacientes do 
sexo masculino e com mais de 45 anos, e as lesões 
são encontradas 95% em regiões de pele expostas 
ao sol, sendo 8% desses casos encontrados na 
borda externa do vermelhão dos lábios superior e 
inferior (com igual incidência). 
Se apresenta clinicamente como um nódulo em 
forma de cúpula, séssil, bem demarcado e firme, 
com tampão central de queratina, e apresenta 3 
fases de crescimento: 
1. Fase de crescimento: aumento rápido, o 
qual pode alcançar diâmetro de 1-2cm 
em 6 semanas – esse crescimento acele-
rado o diferencia do CEC. 
2. Fase estacionária: a lesão não apresenta 
crescimento, e essa fase tem duração 
semelhante à de crescimento. 
3. Fase de involução: a lesão regride em 
cerca de 6-12 meses após o início, e dei-
xa como sequela uma cicatriz com área 
em depressão na região afetada. 
 
Neoplasias benignas não-
odontogênicas 
Propedêutica Estomatológica 
 
 
Legenda: 1) Lesão inicial; 2) Fase de crescimento 
(1 semana); 3) Fase de crescimento (3 semanas) 
 
Bruna de Alencar Peres – Odontologia Unesp São José dos Campos (T64) 
Fibroma 
Também chamado de fibroma de irritação, é o 
tumor (aumento de volume) mais comum da 
cavidade bucal. Alguns estudos questionam se 
essa patologia pode representar uma neoplasia 
verdadeira. 
Caracteriza-se como um nódulo de superfície lisa 
e coloração rosada semelhante à da mucosa 
adjacente, e está relacionado à traumas, por isso 
apresenta maior prevalência em mucosa jugal (à 
linha da oclusão), mucosa labial, língua e gengiva. 
 
Lipoma 
O lipoma é a neoplasia mesenquimal mais comum 
do corpo, constituída por tecido gorduroso. 
Sua patogênese é incerta, mas essa patologia 
parece ser mais comum em indivíduos obesos. 
Entretanto, o metabolismo dos lipomas é 
independente do metabolismo corporal (caso o 
paciente reduza a ingestão de calorias, o lipoma 
não reduz de tamanho). 
Mais frequente em indivíduos acima de 40 anos, 
sendo incomum em crianças, sem predileção por 
sexo (estudos recentes apontam que talvez haja 
maior predileção pelo sexo masculino), e é mais 
prevalente em mucosa jugal e vestíbulo. Não é 
frequente em cavidade oral e maxilofacial, mas 
pode acontecer. 
Se caracteriza clinicamente como um nódulo sés-
sil ou pediculado mole, de superfície lisa e colora-
ção amarelada. É assintomático, e normalmente 
não ultrapassam 3cm de diâmetro. 
 
Hemangioma 
Atualmente, os hemangiomas são considerados 
como tumores benignos da infância que exibem 
fase de crescimento rápido com proliferação de 
muitas células endoteliais, que involuem gradual-
mente. 
HEMANGIOMA DA INFÂNCIA 
São os tumores da infância mais comuns, e ocor-
rem em cerca de 5-10% das crianças com até 1 
ano de idade. São mais comuns em indivíduos do 
sexo feminino da raça branca, e a região mais 
acometida é a de cabeça e pescoço (60% de todos 
os casos). 
Esses tumores podem aparecer como uma mácula 
pálida, a qual se desenvolve rapidamente. Tumo-
res superficiais se apresentam como aumentos de 
volume de coloração vermelho-clara (“heman-
gioma em morango”), com consistência firme e 
borrachoso à palpação, e o sangue não é evacuado 
somente com a pressão. Hemangiomas profundos 
podem apresentar coloração azulada. 
 
A fase proliferativa se estende por 6 a 10 meses, 
após o qual o tumor reduz seu crescimento e 
involui. Durante a involução, o hemangioma 
apresenta mudança na coloração (passando de 
vermelho ou azul a um roxo-escuro), e na consis-
tência, tornando-se menos firme à palpação. 
Após a involução, a pele pode ser reestabelecida, 
ou apresentar sequelas, como atrofia, cicatrizes, 
rugas ou telangiectasias. 
Linfangioma 
Os linfangiomas são tumores benignos dos vasos 
linfáticos. Ainda não se sabe se essa patologia é 
uma neoplasia verdadeira, mas que pode corres-
ponder a uma má-formação congênita originária 
de sequestro de tecido linfático não comunicante 
com o resto do sistema linfático. Podem apresen-
tar 3 tipos: 
1. Linfangioma simples: acomete pequenos 
vasos (do tamanho de capilares). 
2. Linfangioma cavernoso: composto por 
grandes vasos dilatados. 
3. Linfangioma cístico (ou higroma císti-
co): grandes espaços císticos macroscó-
picos. 
Bruna de Alencar Peres – Odontologia Unesp São José dos Campos (T64) 
Em sua maioria são congênitos, não involuem e 
apresentam predileção pela região de cabeça e 
pescoço (50-75% de todos os casos), e são mais 
frequentes nos 2/3 anteriores da língua, ocasio-
nando em macroglossia, e em lábio, causando 
macroqueilia. Normalmente se apresentam como 
massas amolecidas flutuantes, e pode apresentar 
superfície pedregosa, se assemelhando a um 
grupo de vesículas (“ovos de rã ou pudim de 
tapioca”). Hemorragias secundárias dentro dos 
espaços linfáticos podem tornar essas vesículas 
arroxeadas. 
 
 
Na região de pescoço, ocorre formação do higro-
ma cístico. 
O tratamento consiste em excisão cirúrgica, mas 
nem sempre de toda a lesão devido ao seu extenso 
tamanho. Apresenta altas taxas de recidiva. 
Neurofibroma 
É o tipo mais comum de neoplasias de nervo peri-
férico, originários de uma mistura de tipos celu-
lares, incluindo células de Schwann e fibroblastos 
perineurais. Acometem mais adultos jovens. 
Os tumores podem ser solitários ou múltiplos, no 
caso da Neurofibromatose tipo I. São assintomá-
ticos, mais prevalentes em língua e mucosa jugal, 
e radiograficamente, quando central, se apresenta 
como uma lesão radiolúcidasuni ou multilocular 
bem delimitada ou não. 
O tratamento para os neurofibromas solitários é a 
excisão cirúrgica (pode ocorrer malignização 
desses tumores), e recidivas são raras. 
 
NEUROFIBROMATOSE TIPO I 
A neurofibromatose é uma condição hereditária 
relativamente comum, a qual ocorre em 1 a cada 
3.000 nascimentos. Existem pelo menos 8 
formas, porém, a mais comum é a do tipo I. 
A Neurofibromatose tipo I representa cerca de 85 
a 97% dos casos, herdada a partir de um gene 
autossômico dominante. Essa condição é causada 
por mutações no gene FN1, na região cromossô-
mica 17q11.2, responsável por uma proteína 
supressora tumoral denominada neurofibromina. 
Critérios para diagnóstico 
 
Características clínicas 
Os pacientes apresentam inúmeros neurofibro-
mas que podem ocorrer em qualquer lugar do 
corpo, mas que são mais comuns em pele. Os 
neurofibromas podem variar de pequenas pápu-
las, grandes nódulos amolecidos, grandes bolsas e 
aumentos de volume pediculados (representati-
vos de elefantíase neuromatosa) na pele. 
 
Outro achado radiográfico são as pigmentações 
café com leite na pele, as quais apresentam bordas 
regulares, coloração amarelo-parda a castanho-
escura, variando de 1-2mm a vários centímetros, 
e podem aparecer no nascimento ou se 
desenvolver até o 1º ano de vida. 
As sardas axilares são um sinal bem sugestivo, pois 
representam o sinal de Crowe. 
Bruna de Alencar Peres – Odontologia Unesp São José dos Campos (T64) 
Outro sinal bem característico dessa patologia são 
os nódulos de Lisch, manchas translúcidas acasta-
nhadas presentes na íris dos portadores de Neuro-
fibromatose. 
 
O problema médico mais comum apresentado 
por esses pacientes é a hipertensão arterial, e 
podem apresentar outras manifestações, tais 
como feocromocitoma, presença de tumores do 
SNC, macrocefalia, deficiência mental, tonturas, 
baixa estatura e escoliose. 
As manifestações bucais de Neurofibromatose 
tipo I podem incluir clinicamente o aumento das 
papilas fungiformes, e radiograficamente o au-
mento do forame mandibular, da ramificação do 
canal mandibular, da densidade óssea, da con-
cavidade na superfície medial do ramo e da di-
mensão do processo coronoide. 
Não há tratamento específico para a Neurofibro-
matose. No entanto, há tratamentos direcionados 
à prevenção ou manejo de complicações. Os 
neurofibromas faciais podem ser removidos por 
meio de dermoabrasão e uso de laser de dióxido 
de carbono. 
Uma complicação temida da Neurofibromatose é 
desenvolvimento de neoplasia maligna, mais 
especificamente do tumor maligno da bainha do 
nervo periférico (neurofibrossarcoma ou schwa-
noma maligno). Esses tumores são mais comuns 
em tronco e extremidades, porém podem aco-
meter regiões de cabeça e pescoço. O prognóstico 
é bem ruim, com taxa de sorevida em 5 anos de 
apenas 15%. 
 
Neurilemoma 
Também conhecido como Schwanoma, é uma 
neoplasia benigna neural originada das células de 
Schwann. É relativamente incomum, porém 
cerca de 25-48% ocorrem em região de cabeça e 
pescoço. 
É um tumor de crescimento lento e encapsulado, 
surge tipicamente em associação ao tronco nervo-
so. Esse crescimento desloca o nervo. Geralmen-
te é assintomático, mas em casos sintomáticos 
pode causar sensibilidade e até dor. 
 
Acomete mais adultos jovens a indivíduos de 
meia-idade, e o tamanho da lesão pode variar de 
milímetros a centímetros. 
A região mais acometida por essa patologia é a 
língua, mas essa lesão pode ser intraóssea, mais 
frequente em mandíbula posterior, e apresentam-
se radiograficamente lesões radiolúcidas uni ou 
multiloculares. 
O tratamento consiste em excisão cirúrgica, sem 
necessidade de margem de segurança (não é co-
mum recidivar). 
Tumor de células 
granulares 
O tumor de células granulares é uma neoplasia 
benigna de tecido mole incomum com predileção 
pela cavidade bucal. Apresenta origem a partir de 
células de Schwann ou de células neuroendócri-
nas. 
São mais comuns em cavidade bucal do que em 
pele, sendo o dorso de língua a região mais aco-
metida, seguida de mucosa jugal. Mais frequente 
entre a 4ª e 6ª década de vida, sendo raro em 
crianças, e apresenta predileção pelo sexo femini-
no (proporção 2:1). 
Se apresenta como nódulo séssil assintomático, 
medindo usualmente 2cm ou menos, apresentan-
do coloração rosada ou amarelada. Podem ser 
únicos ou múltiplos separados (mais observados 
em indivíduos negros). 
O tratamento consiste em excisão cirúrgica, e é 
raro ocorrer malignização. 
 
Bruna de Alencar Peres – Odontologia Unesp São José dos Campos (T64) 
Osteoma 
São tumores benignos compostos de osso maduro 
compacto ou esponjoso. São restritos ao esquele-
to craniofacial, e sua etiologia é desconhecida. 
Possui predileção pelo sexo masculino. 
Essas lesões podem surgir do osso como um 
aumento de volume séssil ou polipoide (perios-
teal, periférico ou osteoma exofítico), ou podem 
estar localizados no osso medular (endosteal ou 
osteoma central). 
Osteomas periosteais aparecem como aumentos 
de volume que crescem lentamente na superfície 
da mandíbula e maxila, podendo alcançar grande 
tamanho (causando deformidade facial e assime-
trias), ou não (nesses casos, são assintomáticos). 
Os osteomas podem ocorrer em região de côndilo 
mandibular (osteoma condilar), causando desvios 
na oclusão dos pacientes, com desvio da linha 
média do queixo em direção ao lado não-afetado, 
além de causarem aumento de voluma, dor e 
abertura bucal limitada. Podem ocorrer também 
nos seios paranasais (são mais comuns que nos 
ossos gnáticos), sendo o seio frontal o mais 
acometido, seguido pelos seios etmoidal e 
maxilar. 
São normalmente assintomáticos, porém em 
alguns casos os pacientes podem relatar dor, apre-
sentar aumento de volume, sinusite e rinorreia 
(secreção excessiva de fluido pelo nariz, com 
ausência de fenômeno inflamatório). 
Radiograficamente, é observado como lesão ra-
diopaca esclerótica bem-delimitada. O tratamen-
to consiste em excisão cirúrgica. 
 
Síndrome de Gardner 
A Síndrome de Gardner é uma desordem rara 
herdada como traço autossômico dominante, 
onde 1/3 dos casos ocorre espontaneamente e 
parecem representar mutações genéticas. 
Essa síndrome leva o indivíduo a desenvolver uma 
série de complicações, tais como polipose intesti-
nal (colo e reto), osteomas múltiplos, os quais são 
vistos radiograficamente como áreas de radio-
densidade aumentada, e cistos epidermoides. 
 
 
Legenda: Na foto 1), tem-se a formação de pólipo 
intestinal; em 2), uma radiografia panorâmica exibindo 
múltiplos osteomas e em 3), paciente com diversos 
cistos epidermoides. 
O tratamento dessa patologia consiste principal-
mente na remoção dos pólipos (possibilidade de 
malignização em adenocarcinoma invasivo), e 
remoção dos osteomas e cistos epidermoides por 
razões cosméticas. 
Osteoblastoma 
Tanto o osteoblastoma quanto o osteoma osteoide 
são tumores ósseos benignos, os quais estão inti-
mamente relacionados. Classicamente, a distin-
ção depende do tamanho da lesão, com o osteoma 
osteoide sendo menor que 2 cm e o osteoblastoma 
sendo maior que 2 cm. 
Os osteoblastomas são encontrados raramente e 
representam menos de 1% de todos os tumores 
ósseos. Acometem mais a coluna vertebral, sacro, 
calvária, os ossos longos e os pequenos ossos das 
mãos e pés. Quando se desenvolvem nos ossos 
gnáticos, apresentam predileção pela mandíbula. 
Normalmente, possuem de 2-4 cm, mas podem, 
em casos mais raros e extremos, ultrapassar 10 
cm, e pode provocar dor, sensibilidade e aumento 
de volume. 
Lesões adjacentes aos dentes podem levar a 
mobilidade dentária, reabsorção radicular ou 
deslocamento dentário. Radiograficamente, o 
osteoblastoma pode aparecer como uma lesão 
radiolúcida bem definida ou mal definida, fre-
Bruna de Alencar Peres – OdontologiaUnesp São José dos Campos (T64) 
quentemente com áreas irregulares de mineraliza-
ção. Muitos osteoblastomas surgem no osso me-
dular; entretanto, em alguns casos, um osteoblas-
toma pode se apresentar como um crescimento 
ósseo externo projetando-se do periósteo, sem 
evidência de um processo destrutivo mais central. 
Tais lesões são denominadas osteoblastomas 
periosteais. 
Um pequeno grupo de osteoblastomas (osteo-
blastomas agressivos) é caracterizado por aspectos 
histopatológicos mais atípicos e comportamento 
localmente agressivo. Esses tumores geralmente 
ocorrem em pacientes mais velhos, muitos deles 
com mais de 30 anos de idade, e essas alterações 
tendem a ser maiores que os osteoblastomas 
convencionais e tipicamente medem mais de 4 cm 
de diâmetro. A dor é um sintoma comum e pode 
ser severa. Radiograficamente, essas lesões 
mostram as características de osteoblastomas 
convencionais, mas tendem a ser maiores. 
 
Osteoma osteoide 
Os osteomas osteoides ocorrem mais frequente-
mente na tíbia, fêmur e falanges. Eles são muito 
raros nos ossos gnáticos. A dor é o sintoma 
apresentado mais comum, geralmente é noturna 
e aliviada por aspirina. 
Radiograficamente, o osteoma osteoide aparece 
como um defeito radiolúcido bem circunscrito, 
geralmente menor que 1 cm de diâmetro, com 
uma zona circundante de esclerose reativa de 
espessura variável. Pode estar presente um 
pequeno foco central radiopaco resultando em 
aparência radiográfica semelhante à de um alvo. 
 
Muitos casos de osteoma osteoide e osteoblas-
toma são tratados por excisão local ou curetagem. 
O prognóstico é bom e algumas lesões irão 
regredir mesmo após excisão incompleta. Um 
pequeno número de lesões irá recidivar. 
Leiomioma 
Os leiomiomas são tumores benignos da muscu-
latura lisa. Os da cavidade oral são raros. Existem 
3 tipos de leiomiomas: 
1. Leiomiomas sólidos 
2. Leiomiomas vasculares 
3. Leiomiomas epitelioides 
Os tipos mais frequentes na cavidade bucal são os 
do tipo sólido ou vascular (cerca de 75% dos 
casos). 
Pode ocorrer em qualquer idade, e usualmente se 
apresenta como um nódulo mucoso firme de 
crescimento lento. Normalmente apresentam a 
coloração da mucosa, porém alguns casos podem 
apresentar coloração azulada. 
 
Essas lesões são mais prevalentes em lábios, 
língua, palato e mucosa jugal (juntos representam 
80% dos casos). Lesões intraósseas são raras, 
porém apresentam-se nesses casos como lesões 
radiolúcidas uniloculares. 
O tratamento consiste em excisão cirúrgica, e 
essa lesão não costuma recidivar. 
Rabdomioma 
Os rabdomiomas são neoplasias benignas do teci-
do muscular estriado, os quais são extremamente 
raros. Essa nomenclatura também é utilizada para 
descrever lesões hamartomatosas do coração. 
Os rabdomiomas extracardíacos apresentam forte 
predileção pela região de cabeça e pescoço, e 
podem ser divididos entre rabdomiomas do adul-
to e rabdomiomas fetais. 
RABDOMIOMAS DO ADULTO 
Ocorrem primariamente em indivíduos de meia-
idade, e acometem mais indivíduos do sexo 
masculino (70% dos casos). Os rabdomioma orais 
Bruna de Alencar Peres – Odontologia Unesp São José dos Campos (T64) 
são localizados principalmente em soalho bucal, 
no palato mole e na base da língua. 
Se apresenta como um nódulo ou massa que pode 
alcançar muitos centímetros, antes de ser desco-
berto. Pode ser uni ou multinodular. 
 
RABDOMIOMAS FETAIS 
Ocorrem em crianças, mais prevalente no sexo 
masculino e acomete mais a região de face e 
periauricular. 
Epúlide congênita do recém-
nascido 
A epúlide congênita do recém-nascido é um tu-
mor incomum de tecidos moles, que ocorre quase 
exclusivamente no rebordo alveolar de recém-
nascidos. A histogênese dessa patologia ainda é 
desconhecida. 
Se apresenta como um aumento de volume poli-
poide de superfície lisa, com coloração que varia 
do rosa ao vermelho, normalmente apresentando 
2cm ou menos. 
 
Esse tumor é mais comum em maxila do que 
mandíbula, e ocorre frequentemente lateral à 
linha média, em região de incisivos e caninos, e 
apresenta predileção pelo sexo feminino. 
O tratamento consiste em excisão cirúrgica, 
porém há relatos na literatura de involução espon-
tânea. 
referências 
Neville et al: Patologia Oral e Maxilofacial, 3ª 
edição, Capítulos 10, 12 e 13.