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FORMAÇÃO CONTINUADA PARA IMPLEMENTAÇÃO DA BNCC MACRO - MÓDULO III METODOLOGIAS ATIVAS Produção: Equipe de professores formadores do PROBNCC - PI CURRÍCULO DO PIAUÍ 1 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Formação Continuada para Implementação da BNCC e Currículo do Piauí. / Equipe de redatores/formadores PROBNCC do Piauí. Teresina – PI: Editoração do autor, 2019. 64 p. Macromódulo III (Metodologias Ativas – Equipe de professores formadores do PROBNCC – PI)) 1. BNCC 2. Metodologias ativas 3. Ensino. 4. Educação. 5. Escola I. Título Índice para Catálogo Sistemático: 1.BNCC 2. Metodologias ativas 3. Ensino. 4. Educação. 5. Escola I. Título 2 APRESENTAÇÃO............................................................................................................... 03 UNIDADE 1 METODOLOGIAS ATIVAS ............................................................................................... 05 1 Aspectos conceituais .......................................................................................................... 06 1.1 Porque metodologias ativas na educação ........................................................................ 09 1.2 Metodologias ativas, educação integral e formação de professores .............................. 14 Atividade 01.......................................................................................................................... 17 UNIDADE 2 CONHECENDO AS METODOLOGIAS ATIVAS ............................................................ 21 2.1 PRESENÇA PEDAGÓGICA ................................................................................................... 23 2.2 APRENDIZAGEM COLABORATIVA ...................................................................................... 27 2.3 PROBLEMATIZAÇÃO .......................................................................................................... 31 2.4 EDUCAÇÃO POR PROJETOS...................................................................................... 35 2.5 FORMAÇÃO DE LEITORES E PRODUTORES DE TEXTOS NA PERSPECTIVA DOS MULTILETRAMENTOS ...................................................................................... 38 2.6 ENSINO HÍBRIDO.......................................................................................................... 41 ATIVIDADE 02 ........................................................................................................................ 45 UNIDADE 3 3 OUTRAS PERSPECTIVAS COM AS METODOLOGIAS ATIVAS................................ 48 3.1 Escola: espaço para construção de conhecimento............................................................. 49 3.2 A autonomia do estudante nas metodologias ativas ......................................................... 53 3.3 A avaliação no contexto das metodologias ativas ............................................................. 55 ATIVIDADE 03 ...................................................................................................................... 57 4 CONCLUSÃO..................................................................................................................... 61 5 REFERÊNCIAS.................................................................................................................... 63 S UMÁRIO 3 Implementar a Base Nacional Comum Curricular e o Currículo piauiense requer falar nas formações dos professores acerca das metodologias ativas de maneira que os professores possam refletir sobre aquilo que fazem na sala de aula e percebam que podem melhora r o processo de ensino aprendizagem. Porém, mudar a prática do professor não é uma tarefa simples e exige uma formação continuada que o sensibilize para esta mudança de forma a construir nele uma concepção de ensinar/aprender demarcado por metodologias ativas. Este módulo EAD tem a perspectiva de apresentar os conceitos fundamentais acerca destas metodologias a partir de uma leitura leve e de propostas que sejam de alcance do professor realizar na sala de aula. Vamos lá? É importante esclarecer que as metodologias ativas fundamentam-se em estratégias de ensino baseadas nas concepções pedagógicas reflexivas e críticas, onde se pode interpretar e intervir sobre a realidade, promover a interação entre as pessoas e valorizar a construção do conhecimento, os saberes e as situações de aprendizagem. O princípio associado ao uso das metodologias ativas consiste em deslocar o eixo principal da responsabilidade pelo processo de aprendizagem do professor para o aluno. A sua proposta procura apresentar situações de ensino que despertem o senso crítico do estudante com a realidade, que o faça refletir sobre problemas desafiadores, a identificar e organizar determinadas hipóteses de soluções que mais se enquadrem a situação, e a aplicação destas. O objetivo é fazer com que o aluno seja o personagem principal da relação de ensino aprendizagem, cujo professor contribua no processo participando de outras formas. Para Berbel (2011), a metodologia ativa tem como intuito buscar favorecimento na motivação autônoma do aluno, extraindo o potencial do mesmo, despertando curiosidade para descobrir novos conceitos, inserindo o conhecimento teórico e possibilitando uma perspectiva própria e diferente do professor. A PRESENTAÇÃO 4 O módulo está organizado em 3 unidades: na unidade 1 discutiremos aspectos conceituais sobre metodologias ativas, bem apresentamos justificativas do porquê utilizar metodologias ativas na educação e como elas se relacionam com a perspectiva da educação integral proposta pela base nacional Comum Curricular o currículo piauiense. A unidade 2 traz a apresentação de algumas metodologias ativas como: Presença pedagógica, Aprendizagem colaborativa, Problematização, Educação por projetos, Formação de leitores e Produtores de textos na perspectiva dos multiletramentos e o ensino híbrido. A unidade 3 dispõe sobre outras perspectivas com as metodologias ativas na escola como espaço de construção de conhecimentos, a autonomia do estudante e avaliação no contextos das metodologias ativas. Teresina, novembro de 2019 Prof. Me. Francisco Marcos Pereira Soares Redator/Formador de Educação Infantil/Equipe ProBNCC EI/EF 5 OLÁ, CAROS CURSISTAS! SEJAM BEM VINDOS À UNIDADE I. TRATAREMOS NESTA UNIDADE SOBRE METODOLOGIAS ATIVAS UNIDADE 1 METODOLOGIAS ATIVAS 1 – Conhecer os aspectos conceituais das metodologias ativas 2 - Discutir sobre o uso das metodologias ativas na educação 3 - Refletir sobre a relação entre uso de metodologias na escola e a perspectiva de educação integral OBJETIVOS 6 1 Aspectos conceituais Não é nenhuma novidade dizer que, nos dias atuais, mais do que nunca, a tecnologia está presente no dia a dia dos alunos, certo? Bem por isso, os docentes que planejam aulas puramente expositivas não parecem estar aproveitando da maneira mais eficiente todo o potencial oferecido pelos “novos tempos”. A metodologia ativa entra, justamente, nesse sentido. Um dos principais objetivos dessa modalidade de ensino é incentivar cada aluno a aprender de forma autônoma e participativa — contando com o auxílio do meio digital e da tecnologia para fazer suas próprias pesquisas e descobertas. Mas, claro, sempre contando com o auxílio e direcionamento dos professores. Na metodologia ativa, os estudantes são incentivados a vencer desafios, debater ideias, desenvolver argumentação; a serem protagonistas no processo de construção do conhecimento; a estender a salade aula para outros ambientes, como a própria casa, por exemplo, onde poderão ler e estudar tanto os materiais previamente disponibilizados pelos educadores, quanto os que são frutos das suas próprias investigações. Desta forma, poderão chegar às aulas mais preparados e otimizar esse tempo lá — com perguntas e, até, com respostas. A intenção da metodologia ativa é criar interação, realizar projetos diferentes, trabalhar a reflexão, a criatividade, o pensamento crítico, dentre outros aspectos. Ou seja: focar em aulas mais dinâmicas e participativas, onde o professor atua como mediador da aprendizagem, provocando os alunos a irem em busca das respostas. Nesta metodologia, é papel dos docentes, por exemplo, oferecer retorno às reflexões dos estudantes, bem como sobre os caminhos tomados para a construção do conhecimento. O Quadro 01, apresenta o que você deve considerar ao trabalhar com metodologias ativas: Quadro 01: O QUE CONSIDERAR AO USAR METODOLOGIAS ATIVAS. Ter consciência sobre a não extinção da parte expositiva A metodologia ativa rompe o conceito tradicional de como ensinar. A modalidade propõe aos educadores que eles deem menos aulas expositivas e, aos alunos, que busquem mais conteúdos por conta própria — para depois debaterem em grupo, por exemplo. Isso não significa, porém, que https://superaparaescolas.com.br/como-estimular-a-criatividade/ 7 as aulas expositivas devem ser extintas. A proposta é que sejam apenas reduzidas e mescladas com as metodologias que exigem mais movimento por parte dos estudantes. Então, não esqueça: na metodologia ativa, é fundamental fazer com que seus alunos tenham consciência de que a parte expositiva apresentada pelo professor também é de extrema importância no processo de aprendizado. Definir objetivos Na metodologia ativa também é necessária a definição dos objetivos pretendidos na hora de organizar as atividades em sala de aula ou fora dela. Se a ideia é fazer com que os alunos sejam proativos e desenvolvam pensamento crítico, por exemplo, é preciso apostar em atividades que exijam deles a tomada de decisões, bem como a avaliação de resultados,o posicionamento, etc.. Todos os exercícios e metodologias devem ser planejados com um fim em mente. Sem esquecer, claro, que tudo precisa ser acompanhado de perto pelos professores e ter apoio de materiais relevantes. Não achar que qualquer atividade é metodologia ativa Tenha em mente que nem toda a atividade prática faz parte de uma metodologia ativa. Pense o seguinte: a metodologia ativa não é a atividade em si — ela refere- se à construção didática feita pelo professor, que vai colocar o aluno como protagonista no processo de construção do conhecimento. Fonte: Disponível em https://superaparaescolas.com.br/o-que-e-metodologia-ativa/ acesso em 01/11/2019 Metodologias Ativas de Aprendizagem, para Coll (2000), são aquelas que levam à autonomia do aluno e ao autogerenciamento. O estudante é corresponsável por seu próprio https://superaparaescolas.com.br/incentivar-a-crianca-ajuda-no-desenvolvimento-do-cerebro/ https://superaparaescolas.com.br/incentivar-a-crianca-ajuda-no-desenvolvimento-do-cerebro/ https://superaparaescolas.com.br/o-que-e-metodologia-ativa/ 8 processo de formação, o autor da sua própria aprendizagem. Participa de atividades, como leitura, escrita, discussão ou resolução de problemas, promovendo síntese, análise e avaliação do conteúdo. As metodologias ativas promovem aprendizagem ativa, citando Valente (2014), ao contrário do que acontece na aprendizagem passiva, bancária, baseada somente na transmissão de informação, o aluno assume uma postura mais ativa, ele resolve problemas, desenvolve projetos e cria oportunidades para a construção de conhecimento. O professor, nesse cenário, será o orientador, motivador e facilitador da ação educativa. Como uma forma benéfica de tornar o aluno participante de sua própria aprendizagem e não um mero espectador, Villarini (1998) apresenta algumas características das Metodologias Ativas. São elas: motivam os estudantes por serem significativas para eles; fazem com que os mesmos estejam ativos e reflexivos; permitem a colaboração (porque são desenhadas para que um aluno auxilie o outro, construindo o conhecimento coletivamente); facilitam o desenvolvimento de competências e habilidades cognitivas superiores; estão ligadas ao conhecimento do mundo real; fazem os estudantes tomarem para si a responsabilidade de aprender; colocam o professor no papel de mentor; buscam aproximar as discussões da escola com o mundo real. Assista um pouco sobre metodologias ativas no link https://www.youtube.com/watch?v=O4icT4Z8m6Q https://www.youtube.com/watch?v=O4icT4Z8m6Q 9 2 Por que metodologias ativas na educação? As metodologias ativas estão cada vez mais na pauta de discussão de eventos, encontros e materiais publicados na área de educação. Nunca se falou tanto em inovar processos educacionais, rever práticas, formar professores para uma educação transformadora e considerar os estudantes como protagonistas, desenvolvendo sua autonomia no decorrer da escolaridade. Tendemos a considerar como mais um modismo, ou como mais uma novidade, que logo vai passar. Nesse caso, especificamente, não há nada de novo. Os estudos de John Dewey (1959), pautados pelo aprender fazendo (learning by doing) em experiências com potencial educacional, convergem com as ideias de Paulo Freire (1996), em que as experiências de aprendizagem devem despertar a curiosidade do aluno, permitindo que, ao pensar o concreto, conscientize-se da realidade, possa questioná- la e, assim, a construção de conhecimentos possa ser realmente transformadora. Em tempos de tecnologias digitais essas premissas tornam-se ainda mais urgentes, pois o concreto envolve uma ampla gama de informações, disponíveis na palma da mão, e que podem ser bem ou mal utilizadas, dependendo do contexto em que estão inseridas. Para Dewey, então, não podemos dizer que ensinamos algo se ninguém aprendeu, assim como não podemos dizer que vendemos se ninguém comprou. Nesse aspecto, podemos diferenciar duas formas de análise para “ensinar”. Se ensinar está centrado em apresentar algo, explicar, transmitir e, por outro lado, se ensinar está centrado em levar o outro a aprender. No primeiro caso, se tudo o que os alunos devem aprender em um curso está contemplado nas palestras, leituras, conteúdos que deveriam ser transmitidos e se o professor transmitiu tudo, então, o professor ensinou. Agora, se tivermos como base o pensamento de Dewey, mesmo que o professor tenha apresentado tudo, se os alunos não aprenderam, o professor não ensinou… John Dewey defendia algo que pode ser chamado de “ensino centrado no aluno”, que considera o estudante no centro do processo. Mesmo sabendo que isso significa sua relação com outros estudantes, com o docente e com diferentes fontes de informação ou conteúdo, considerar o estudante no centro do processo significa entender que os estudantes não são receptores passivos, mas que assumem responsabilidade pela construção de conhecimentos e, para isso, precisam ser estimulados, por meio de experiências de aprendizagem significativas, a terem um papel 10 ativo. Aprender e ensinar, em tempos de tecnologias digitais, envolvem a reflexão sobre a utilização de estratégias que inovam ao associar o interesse dos estudantes pela descoberta com a possibilidade de colocá- los no centro do processo. Considera-se que esses são desafios constantes na educação. Refletir sobre a implementação de propostas que envolvam os estudantes como protagonistas e que possam, de alguma forma, vivenciar experiências em que as ações de ensino e aprendizagem são personalizadastorna-se um caminho possível para a utilização, em sala de aula, de abordagens que valorizam a autonomia dos estudantes e que, consequentemente, estão inseridas no bojo das Metodologias Ativas. Inserir as tecnologias digitais e as metodologias ativas de forma integrada ao currículo requer uma reflexão sobre alguns componentes fundamentais desse processo: o papel do professor e dos estudantes em uma proposta de condução da atividade didática que privilegia as metodologias ativas; o papel formativo da avaliação e a contribuição das tecnologias digitais na personalização do ensino; a organização do espaço, que requer uma nova configuração para estimular ações colaborativas; a avaliação como um recurso essencial no processo de personalização e o quanto o uso das tecnologias digitais pode potencializar sua eficiência educacional. Professores ouvem com frequência que devem “sair da zona de co nforto” e migrar das aulas expositivas para aulas em que os alunos sejam ativos e construam, colaborativamente e criticamente, conhecimentos. Considero que devemos nos questionar sobre qual seria essa zona de conforto... Professores não se sentem confortáveis quando percebem que seus estudantes não estão participando das aulas como deveriam. Professores não se sentem confortáveis quando têm que repetir a mesma aula planejada para as turmas de anos anteriores e percebem que os estudantes mudaram e que, portanto, os resultados não são os mesmos. O que ocorre é que, em salas de aula cada vez mais numerosas, manter estudantes disciplinados, enfileirados, ouvindo uma palestra é algo que não podemos mais considerar como sendo o único meio de aprender. Ao pensar em formação continuada de professores, facilitadores precisam, empaticamente, colocar-se no lugar de professores que sentem necessidade de rever suas práticas, mas que têm conhecimentos sobre práticas possíveis que não precisam ser abandonadas, mas, sim, aprimoradas. Rever o espaço da sala de aula pode ser um disparador para que essa mudança comece a ocorrer. Em nossas experiências no grupo de experimentações em Ensino Híbrido 11 (BACICH, TANZI NETO, TREVISANI, 2015), identificamos que a modificação do espaço acarreta um repensar sobre papéis, de professores e alunos e, aos poucos, potencializa o desenho de experiências de aprendizagem cada vez mais significativas. Desenhar experiências de aprendizagem, porém, vai muito além de inserir práticas em que os alunos estejam em ação. Há uma linha tênue que separa as práticas das metodologias ativas. Existem práticas que envolvem o uso de tecnologias digitais, outras que priorizam a resolução de problemas, práticas que envolvem a programação e a robótica, que consideram o trabalho em grupos, entre outras. Essas estratégias passam a fazer sentido e constituem-se parte de uma abordagem que considera as metodologias ativas quando outras questões são consideradas e, entre elas, o papel do estudante nesse processo. Repetir uma prática que foi idealizada pelo professor e que considera o trabalho em grupo e as tecnologias digitais, por exemplo, sem considerar a vez e a voz do estudante, sem que, de alguma forma, a ação do estudante constitua-se como parte do processo de construção de conhecimento, não pode ser considerada uma metodologia ativa, mas apenas uma prática interessante, talvez engajante, mas não necessariamente, transformadora. Inflar o planejamento do professor com práticas e mais práticas, sem que haja um desenho c laro de uma trilha de aprendizagem e onde se pretende chegar, pode acarretar uma sensação de que “não deu certo”, que é uma “perda de tempo” e que aulas em que um conteúdo é palestrado pelo docente, de forma dialogada, é muito mais eficiente. Desenhar experiências de aprendizagem transforma o papel do professor, que deixa de ser alguém que transmite conteúdos e verifica se eles foram apreendidos, para um designer de percursos educacionais. Para desenhar esses percursos, é importante que o educador tenha dados em mãos, dados que são obtidos por meio de uma avaliação formativa, digital ou não, e que podem incluir as plataformas adaptativas, questionários online, além da observação, discussão, interação “olho no olho”. Diversas pesquisas (BACICH, TANZI NETO, TREVISANI, 2015; BACICH, MORAN, 2017) têm enfatizado esse olhar para a personalização em que os estudantes podem ser estimulados a entrar em contato com diferentes experiências de aprendizagem, aquelas de que necessitam, porque têm dificuldade, e aquelas que podem oferecer oportunidade de irem além, pois não estão relacionadas às suas dificuldades, mas às suas facilidades. Essas experiências podem envolver diferentes elementos, digitais ou não, que favoreçam a comunicação, a colaboração, a resolução de problemas, pensamento crítico. 12 Considerar a personalização é uma das formas de aproximação do conceito de equidade, defendido pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e, pensar que não é possível oferecer a mesma aula a todos, porque as pessoas são diferentes em diferentes aspectos, aprendem em ritmos, tempos e formas diferentes, aumenta ainda mais a necessidade de aprofundar o olhar para as metodologias ativas como possibilidades de que nossos estudantes aprendam mais e melhor durante o tempo que passam na escola. Para trabalhar com metodologias ativas, é fundamental estar disposto a romper estruturas arcaicas e engessadas de ensino. É preciso virar a chave. E algumas reflexões feitas pelos educadores envolvidos têm total sinergia com as reflexões apresentadas pela educadora Jackie Gerstein. Ela enumera sete pontos de atenção para quem quer se aventurar a trabalhar com metodologias ativas e implementar estratégias de ensino que façam mais sentido para os alunos, conforme QUADRO 02: Quadro 02: PONTOS DE ATENÇÃO AO TRABALHAR COM METODOLOGIAS ATIVAS 1. Não devemos nos considerar experts em conteúdo. Essa é uma barreira que impede de aprender algo novo com os alunos. 2. Não devemos acreditar que as aulas expositivas são a melhor forma de transmitir conteúdos para os alunos. Isso é necessário, mas muitas vezes torna- se apenas uma transferência das anotações do professor para o caderno do aluno sem que tenham a oportunidade de reflexão. 3. Não devemos nos preocupar em ter todas as respostas, pois saber tudo elimina a chance de aprender junto com os alunos. 4. Não devemos acreditar que sempre deve haver conclusões previsíveis ao realizar uma tarefa, mas que muitas vezes não é possível planejar para aprender. 5. Não devemos acreditar que uma classe silenciosa é a mais adequada para promover aprendizagem, pois momentos em que os alunos são autorizados a explorar e a criar seus próprios conteúdos e objetos são também extremamente ricos. 6. Não devemos ter medo de errar na frente dos nossos alunos, pois um erro pode, eventualmente, ser uma grande oportunidade para que todos possam aprender, incluindo o próprio professor. 7. Não podemos ser os únicos avaliadores do trabalho dos alunos, pois a autoavaliação e a avaliação entre pares têm um papel importante no processo de aprendizado. Fonte: Revista Crescer em rede: metodologias ativas. Disponível em file:///D:/módulo%20ead%20bncc/guia_metodologias_ativas.pdf acesso em 02/11/2019. John Dewey, por volta de 1900, já nos dizia “Se ensinarmos os estudantes de hoje, como ensinávamos os de ontem, nós roubaremos deles o amanhã”. Pense nisso antes de planejar sua próxima aula! file:///D:/módulo%20ead%20bncc/guia_metodologias_ativas.pdf%20%20acesso%20em%2002/11/2019 13 Leia um pouco mais sobre metodologias ativas! Vamos pensar: Como essas publicações podem ajudar você professor a refletir sobre o uso de metodologias ativas na sala de aula? Metodologias ativas valorizam a participação efetiva dos alunos na construção do conhecimento e no desenvolvimento de competências,possibilitando que aprendam em seu próprio ritmo, tempo e estilo, por meio de diferentes formas de experimentação e compartilhamento, dentro e fora da sala de aula, com mediação de docentes inspiradores e incorporação de todas as possibilidades do mundo digital. Este livro apresenta práticas pedagógicas, na educação básica e superior, que valorizam o protagonismo dos estudantes e que estão relacionadas com as teorias que lhes servem como suporte. Lilian Bacich e José Moran reúnem nesta obra capítulos de autores brasileiros que analisam por que e para que usar metodologias ativas na educação de forma inovadora. 14 1.2 Metodologias ativas, educação integral e formação de professores A Base Nacional Comum Curricular, que expressa os direitos de aprendizagem dos alunos em todas as etapas básicas de ensino, reflete essas mudanças, propondo competências gerais relativas à valorização dos conhecimentos, ao pensamento crítico, científico e criativo, à consolidação e ampliação do repertório cultural do estudante, ao uso de diferentes e multilinguagens, à cultura digital, ao trabalho e projeto de vida, à argumentação, ao autoconhecimento e autocuidado, à empatia e cooperação e à responsabilidade e cidadania. E este é o papel da escola do século XXI defendido por Guará (2006) no que concerne à educação integral: [...] A educação integral deve ter objetivos que construam relações na direção do aperfeiçoamento humano. Ao colocar o desenvolvimento humano como horizonte, aponta para a necessidade de realização das potencialidades de cada indivíduo, para que ele possa evoluir plenamente com a conjugação de suas capacidades, conectando as diversas dimensões do sujeito (cognitiva, afetiva, ética, social, lúdica, estética, física, biológica) (GUARÁ, 2006, p.16). Atualmente, então, essas mudanças ocorrem cada vez mais rápido e impactam significantemente nossos modos de agir e, não obstante, a maneira de ensinar e aprender. Os alunos que chegam às salas de aula do século XXI são nativos digitais e têm, a seu alcance, recursos e tecnologias que permitem acesso e exploração de informações e, ainda, que mudam o paradigma de indivíduos consumidores de conhecimento para indivíduos que podem produzir, divulgar e disseminar informações. É sabido por todos o quanto isso impacta o processo de ensino-aprendizagem! As escolas não podem mais assistir passivamente essas transformações. É preciso posicionar-se, rever suas propostas pedagógicas e trazer novos olhares para a sala de aula, formando e apoiando o corpo docente para o trabalho com esses estudantes. Nesse ínterim, a escola demanda hoje uma perspectiva de educação integral que contribua para a formação integral dos estudantes na escola em seus aspectos cognitivos, sociais, emocionais, afetivos, entre outros, o que requer um repensar nas metodologias de ensino desenvolvidas na sala de aula. As metodologias ativas podem ser grandes aliadas na oferta da educação integral uma vez que as mesmas colocam os estudantes em situações ativas de aprendizagem. Nesse sentido, é preciso na formação dos professores de forma que os mesmo sintam- 15 se sensibilizados a pensar e a aprender a fazer diferente na sala de aula, mudando suas concepções de ensino e buscando a metodologias que respeitem o protagonismo dos estudantes na escola. Assim, metodologias ativas casa-se com educação integral e com formação dos professores que tem a oportunidade formar-se ao tempo em que busca melhorar a formação dos seus educandos. Um dos grandes desafios brasileiros está em garantir uma educação de qualidade para todos. Para isso, é necessária a construção de um plano de ação ousado e bem estruturado, que contemple metas de curto, médio e longo prazo. Nesse processo, algumas perguntas chaves podem direcionar nossa reflexão e nos fazer demarcar pontos de atenção para esta questão dentro dessa questão tendo em vista o cenário formativo em que os professores piauienses se encontram nesse momento de implementação da base e do currículo nos municípios. Podemos então pensar: Qual deve ser o perfil do professor contemporâneo? Quem são nossos alunos e professores? Quais estratégias de ensino precisamos promover para envolver os alunos em processos de aprendizagem significativa? Como conciliar as necessidades dos meus alunos, da sociedade e do mercado de trabalho com os saberes tradicionais, colocados em xeque todos os dias? Quais são as competências exigidas dos professores neste novo contexto educacional? Quais as práticas que eles já vêm promovendo que fazem sentido e que podem ser disseminadas para os demais professores. O que eles ainda não sabem e o que pode ser feito para ajudá-los a se desenvolverem? Quais recursos a escola tem que podem apoiar práticas educacionais inovadoras? Quais outros recursos são necessários e como podem ser viabilizados? Como resposta, insistimos na ideia de que um momento que deve fazer parte de toda e qualquer oportunidade de formação continuada é o de explorar recursos tecnológicos digitais interessantes e avaliar as oportunidades de incorporá- los às estratégias de ensino. Também não podemos esquecer que na sociedade contemporânea o professor tem um novo papel a desempenhar, que vai exigir modelos de formação continuada: • que colaborem na organização de práticas de ensino mais instigantes e que foquem no desenvolvimento de competências e habilidades básicas; • que os preparem para mediar processos de aprendizagem junto aos alunos, não como 16 notórios saberes, mas como especialistas que estimulam a reflexão e direcionam o processo de aprendizagem, inclusive sendo capazes de aprender junto com os alunos; • que os levem a fazer uso pedagógico do computador, da internet e de outros dispositivos móveis. • que propiciem oportunidades de reflexão sobre a prática relacionada à implantação das ações de ensino e aprendizagem e de seu papel de agente transformador deles mesmos e de seus alunos. As habilidades e competências essenciais para atuar neste século estão focadas em três domínios: domínio cognitivo (pensamento), domínio intrapessoal (para dirigir sua vida e ter responsabilidade) e domínio interpessoal (para trabalhar em equipe e desenvolver outras competências relacionadas). Nesse sentido, o professor precisa desenvolver em si mesmo competências para uma aprendizagem profunda, como apresentamos no Quadro 03: QUADRO 03: Competências para uma aprendizagem profunda • Caráter – honestidade, autorregulação e responsabilidade, perseverança, empatia para contribuir com outros, autoestima, saúde pessoal e bem-estar, carreira e habilidades para a vida; • Cidadania – conhecimento global, sensibilidade para respeitar outras culturas, sujeito ativo em questões relacionadas à sustentabilidade. • Comunicação – comunicação eficaz por meio da oralidade, escrita e com suporte de diferentes ferramentas tecnológicas, habilidades de escuta; • Pensamento crítico e resolução de problemas – pensar criticamente para desenhar e gerenciar projetos, resolver problemas, tomar decisões efetivas usando uma variedade de ferramentas tecnológicas e recursos; • Colaboração – trabalhar em equipe, aprender e contribuir com o aprendizado de outros, habilidades para interagir em redes sociais e empatia para trabalhar com diferentes pessoas; • Criatividade e imaginação – empreendedorismos econômico e social, considerando e persuadindo novas ideias e sendo líder para ações. Fonte: Revista Crescer em rede: metodologias ativas. Disponível em file:///D:/módulo%20ead%20bncc/guia_metodologias_ativas.pdf acesso em 02/11/2019. file:///D:/módulo%20ead%20bncc/guia_metodologias_ativas.pdf%20%20acesso%20em%2002/11/2019 17 Atividade 1 01- Tendo em vista as metodologias ativas de ensino,assinale a opção incorreta. a) Nessas metodologias, o aprendizado está centrado na transmissão de conteúdos e na figura do professor. b) Referidas metodologias incentivam a busca ativa e constante de informações e o trabalho em equipe. c) As metodologias ativas de ensino favorecem o desenvolvimento da autoavaliação e da avaliação grupal. d) As metodologias em questão contribuem para o desenvolvimento da capacidade de resolver problemas. 02- O que o professor deve considerar ao utilizar metodologia ativa: a) Ter consciência sobre a não extinção da parte expositiva b) Definir objetivos claros da aula e da metodologia c) Não achar que qualquer atividade é metodologia ativa d) Todas as alternatias estão corretas 03- Qual o papel dos docentes nas metodologias ativas? a) Nesta metodologia, é papel dos docentes, por exemplo, oferecer retorno às reflexões dos estudantes, bem como sobre os caminhos tomados para a construção do conhecimento. b) É o centro do processo de ensino e de aprendizagem uma vez que o professor é adulto e sabe o que é melhor para os estudantes. c) É transmissor de conhecimentos importantes para a vida em sociedade. d) É o facilitador do processo de tranbsmisão de saberes locais em que a escola está inserida. 04- Se em determinada aula, a ideia é fazer com que os alunos sejam proativos e desenvolvam pensamento crítico, por exemplo, é preciso: a) apostar em atividades que exijam deles a tomada de decisões b) Realizar avaliação de resultados c) Compreender o posicionamento dos estudantes e tudo precisa ser acompanhado de perto pelos professores. d) Todas as alternativas estão corretas. 05- Sobre metodologias ativas, marque a alternativa correta: a) Toda atividade prática é metodologia ativa b) Metodologia ativa refere-se à uma construção didática docente, que vai colocar o aluno como protagonista no processo de construção do conhecimento. c) Toda metodologia em que o professor se coloca ativamente como transmissor de saberes cotidianos é considerada ativa. d) Nenhuma das alternativas 06- “Não podemos dizer que ensinamos algo se ninguém aprendeu, assim como não podemos dizer que vendemos se ninguém comprou” Essa afirmação é creditada a: https://superaparaescolas.com.br/incentivar-a-crianca-ajuda-no-desenvolvimento-do-cerebro/ 18 a) Paulo Freire b) Dewey c) Magda Soares d) Guará 07- São pontos de atenção ao trabalhar com metodologias ativas: I - Não devemos acreditar que as aulas expositivas são a melhor forma de transmitir conteúdos para os alunos. Isso é necessário, mas muitas vezes torna- se apenas uma transferência das anotações do professor para o caderno do aluno sem que tenham a oportunidade de reflexão. II - Não devemos nos preocupar em ter todas as respostas, pois saber tudo elimina a chance de aprender junto com os alunos. III - Não devemos acreditar que sempre deve haver conclusões previsíveis ao realizar uma tarefa, mas que muitas vezes não é possível planejar para aprender. Marque a alternativa em que aparece apenas as setenças verdadeiras: a) I e II b) I e III c) II e III d) I, II e III 08- Inserir as tecnologias digitais e as metodologias ativas de forma integrada ao currículo requer uma reflexão sobre alguns componentes fundamentais desse processo. Marque a alternativas que melhor expressam esses componentes: I - O papel do professor e dos estudantes em uma proposta de condução da atividade didática que privilegia as metodologias transmissoras dos conhecimentos essenciais propostos pela BNCC; II – O papel formativo da avaliação e a contribuição das tecnologias digitais na personalização do ensino; III - A organização do espaço, que requer uma nova configuração para estimular ações colaborativas; IV - A avaliação como um recurso essencial no processo de personalização e o quanto o uso das tecnologias digitais que podem potencializar sua eficiência educacional. Marque a alternativa correta: a) I e III b) I, II, III c) II, III, IV d) I, III e IV 19 09- A Base Nacional Comum Curricular expressa os direitos de aprendizagem dos alunos em todas as etapas da educação básica compreendendo uma concepção de educação integral e que pode ser desenvolvida com o uso de metodologias ativas. Marque a alternativa correta sobre o conceito de educação integral: a) A educação integral deve ter objetivos que construam relações na direção do aperfeiçoamento humano a partir de conteúdos trabalhados na sala de aula. b) Ao colocar o desenvolvimento humano como horizonte, aponta para a necessidade de realização das potencialidades de cada indivíduo, para que ele possa evoluir plenamente com a conjugação de suas capacidades, conectando as diversas dimensões do sujeito (cognitiva, afetiva, ética, social, lúdica, estética, física, biológica). c) Está envolvida com o desenvolvimento de competência fundamentais para a concivência no espaço da escolaa sem comprometer-se com competências da vida social. d) Expressa o desejo de todas as pessoas da comunidade escolar a partir de aulas expositivas, uma vez que compreende a importância de todos estudantes aprenderem os conteúdos propostos pela BNCC. 10- As habilidades e competências essenciais para atuar neste século estão focadas em três domínios: a) Moral, ético, estético b) Político, humano, estético c) Cognitivo, intrapessoal e interpessoal d) Cognitivo, transversal, ético 20 OLÁ, CAROS CURSITAS! DISCUTIREMOS NESTA UNIDADE AS PRINCIPAIS METODOLOGIAS ATIVAS. UNIDADE 2 CONHECENDO AS METODOLOGIAS ATIVAS 1 – Refletir sobre a importância da presença pedagógica no desenvolvimento de conhecimentos na escola 2 – Compreender a aprendizagem colaborativa como possibilidade de construção e socialização de conhecimento na escola. 3 – Refletir sobre o uso da problematização como metodologia de ensino e aprendizagem na sala de aula. 4 – Caracterizar a educação por projetos 5 – Compreender o ensino híbrido e suas possibilidades de uso por professores OBJETIVOS 21 3 CONHECENDO AS METODOLOGIAS ATIVAS Numa proposta de Educação Integral as aulas, orientações de projetos, estudos orientados, atividades culturais ou esportivas etc., cuidadosamente planejados pelos professores, em diferentes componentes curriculares, tornam-se o espaço de concretização para o desenvolvimento integral. Para isso, tão importante quanto os professores compartilharem dos princípios de Educação Integral, é fundamental que compartilhem de metodologias de ensino que favoreça o desenvolvimento das competências cognitivas e socioemocionais pelos estudantes enquanto aprendem os conteúdos específicos. Algumas metodologias que apoiam a integração do currículo e o fomento da comunidade de sentido e de prática na escola na proposta de Educação Integral dizem respeito às abordagens que consideram a qualidade da interação professor/estudante, a colaboração entre pares para promover a aprendizagem, a problematização como estratégia para a construção do conhecimento, a projetificação de conteúdos para garantir o aprendizado “mão na massa”, o multiletramentos para fundamentar as diversas práticas sociais do uso da língua e a personalização do ensino e da aprendizagem com o apoio da tecnologia. A seguir, apresentaremos algumas das possíveis metodologias ativas que podem ser aliadas do professor na sala de aula contribuindo para um ensino mais ativo e que considera o estudante um protagonista das ações didáticas no cotidiano da escola e no contexto da prática docente. Vejamos: • Presença Pedagógica • Aprendizagem Colaborativa • Problematização • Educação por Projetos • Formação de Leitores e Produtores de Texto na perspectivados Multiletramentos • Ensino Híbrido A prática integrada dessas metodologias contribui para o fortalecimento de uma comunidade de sentido e de prática na escola, dá unidade ao ensino e permite que os professores tenham caminhos intencionais e estruturados para nortear as aprendizagens explicitadas no currículo local a partir do desenvolvimento das 22 competências propostas na Matriz de Competências para o Século 21. Acompanhe um resumo das metodologias ativas na figura 01: Figura 01: Metodologias ativas Fonte: Caderno Metodologias integradoras (2019) Quando praticadas para desenvolver competências, as metodologias integradoras requerem condições indissociáveis: Exigem dos estudantes um papel ativo. Exigem que os professores estabeleçam com os estudantes uma relação de confiança e de abertura para o erro. São aplicadas em situações colaborativas envolvendo o trabalho em equipe. São trabalhadas em situações de aprendizagem complexas – como os 23 projetos, por exemplo –, envolvendo a necessidade de problematização Exigem como base sequências de atividades estruturadas, intencionais e com a duração adequada para o desenvolvimento de competências cognitivas e socioemocionais. 2.1 – Presença pedagógica É uma metodologia ativa devendo está presente na prática e vivência de cada professor. Presença Pedagógica, representa um passo na direção de um grande esforço,que se faz necessário, para melhoria da relação estabelecida entre educador e educando, tendo como base a influência construtiva, criativa e solidária favorável ao desenvolvimento pessoal e social das crianças, adolescentes e jovens. Diz respeito a um relacionamento mútuo de respeito, valorização, reciprocidade pequenas atitudes que fazem a diferença, embutida num: bom dia, em um elogio, um conselho, um sorriso. São atitudes que transmitem a mensagem: me importo com você, desejo que esteja bem, quero ajudar, me sinto bem ao lado de vocês. É possivel construir uma unidade educativa com os melhores computadores, quadras, oficinas, bibliotecas, salas de música ,etc., mas se ali não houver Presença aquele local começa a se tornar insuportável para se viver. Por outro lado, podemos ter um lugar sem sotisficação, bastante simples, mas tendo Presença, ele pode se tornar um lugar onde é possível desfrutar de muitos momentos felizes. As relações bem construídas constutui-se passo decisivo para o educando superar suas dificuldades pessoais, sentir-se compreendido e aceito. Aquele que não se sentir compreendido e aceito, pelo menos por uma pessoa nesse mundo, se torna um perigo para si mesmo e os outros. A capacidade de fazer-se presente, de forma construtiva, na realidade do educando não é, como muitos preferem pensar, um dom, uma característica pessoal intransfível de certos indivíduos, algo de profundo e incomunicável. Ao contrário, esta é uma aptidão possivel de ser aprendida, desde que haja, da parte de quem se propõe a aprender, a disposição interior (abertura, sensibilidade, compromisso), para tanto. Uma das grandes tarefas de nosso tempo é possibilitar ao educardor com o qual trabalhamos a sensação certa de que ele tem valor para alguém, desenvolvendo, a partir disso, o seu autoconceito, a sua autoconfiança e a sua auto-estima. Essa é a nossa grande missão. É deste compromisso que nascem as vivências generosas e o calor humano, bases do dinamismo, capaz de enriquecer e de transformar vidas. 24 Antes de apresentar e debruçarmos no módulo metodologias ativas é necessário refletirmos sobre algo que perpassa por todos os tipos e meios de metodologis que visam o avanço no ensino e aprendizagem. A interação professor-aluno é construída cotidianamente nas mais variadas situações escolares, sobretudo durante os momentos de aula. É importante refletir sobre como os docentes podem se fazer presentes na vida dos estudantes, instituindo um clima que favoreça a aprendizagem. A presença pedagógica trata justamente da qualidade das interações e da mediação do professor. Ela envolve: • O exercício do acolhimento e da abertura para construir uma relação de confiança com os estudantes. • A mediação do professor nas situações de conflitos relacionais, buscando envolver os estudantes na reflexão sobre os diferentes aspectos e na resolução do problema, ao invés de agir como o único resolvedor. • O compromisso do professor com relação à aprendizagem dos alunos, traduzido na confiança no potencial de cada um, nas expectativas elevadas sobre suas capacidades de aprender e na persistência e investimento em ensinar. A Figura 02 apresenta um esboço de como se desenvolve presença pedagógica na sala de aula: Figura 02: como se desenvolve presença pedagógica na sala de aula Fonte: Cadernos metodologias integradoras (2019) A presença pedagógica é uma condição essencial para favorecer uma boa mediação da aprendizagem. Por meio do seu exercício, o professor abre uma via de diálogo efetivo com os 25 estudantes, acolhendo-os em suas singularidades ao mesmo tempo em que exige responsabilidade e compromisso, ajudando-os a gerirem suas aprendizagens e desafiando-os a crescerem. A figura 03, apresenta 7 pontos de atenção que devem ser considerados no uso da presença pedagógica: Figura 03: Pontos de atenção na presença pedagógica Fonte: Caderno Metodologias integradoras (2019) Uma das contribuições das teorias da aprendizagem e do desenvolvimento humano que mais influenciaram as práticas pedagógicas foi a compreensão de que aprendemos necessariamente na interação com o outro. Desde então, ganhou força a discussão da qualidade dessa interação entre os principais atores nos processos de ensino-aprendizagem: 26 professores e estudantes. A interação professor-aluno é construída cotidianamente nas mais variadas situações escolares, sobretudo durante os momentos de aula. É importante refletir sobre como os docentes podem se fazer presentes na vida dos estudantes, instituindo um clima que favoreça a aprendizagem. Nesse sentido, a presença pedagógica é de suma importância no processo de desenvolvimento do estudante na escola. Vamos assistir um vídeo sobre o assunto e aprender um pouco mais? Leia também o artigo A presença pedagógica num ambiente online criado na rede social Facebook no link file:///C:/Users/SEMEC_I7_NOVO/Downloads/Documents/310-1652-1-PB.pdf Assista uma estudo de caso sobre presença pedagógica no link https://www.youtube.com/watch?v=IDZgj8a8LzI file:///C:/Users/SEMEC_I7_NOVO/Downloads/Documents/310-1652-1-PB.pdf https://www.youtube.com/watch?v=IDZgj8a8LzI 27 2.2 Aprendizagem colaborativa A aprendizagem colaborativa é uma metodologia de ensino pautada na interação, colaboração e participação ativa dos alunos. Trata-se de um método que pode ser aplicado em diversos contextos — workshops, palestras, treinamentos, cursos, entre outros —, sempre prezando a troca de experiências e promovendo o engajamento, envolvimento e a motivação dos participantes. Assim, podemos entender que a aprendizagem colaborativa não se restringe apenas ao ambiente educacional, sendo essencialmente aplicada e utilizada para o desenvolvimento social, intelectual, psicológico, cultural ou emocional do indivíduo. Seu processo tem como finalidade o compartilhamento de recursos, que promova um aumento de conhecimentos e saberes, bem como o sentimento de pertencimento e identidade nas pessoas que a experienciam. Neste sentido conseguimos observar que a aprendizagem colaborativa tem inúmeros benefícios, uma vez que coloca todos os membros de uma comunidade como agentes que contribuem para a construção de conhecimento mútuo. Um ambiente em que todos tenham a oportunidade de crescerjuntos, aprendendo e contribuindo com o aprendizado do próximo, é um ambiente em que ocorrem ganhos múltiplos e que precisa ser incentivado em todos os contextos e locais. Este é um dos principais aspectos da aprendizagem colaborativa. Além desta existem muitas outras características deste tipo de aprendizagem, as quais compartilho com você agora. Confira no Quadro 06 algumas características: Quadro 06: Caracteristica da aprendizagem colaborativa Ambiente centrado no todo Nos locais onde a aprendizagem colaborativa é aplicada é possível observar que o aprendizado é compartilhado de todos para todos. Isso quer dizer que não é somente o professor ou treinador que detém o conhecimento e pode transmiti- lo. Os alunos também podem e são sempre estimulados a fazê-lo. 28 Professor visto como um orientador Tanto pode ser um professor, em uma sala de aula regular, como também um profissional responsável por ministrar treinamentos em empresas, ou um líder de uma equipe, no contexto da aprendizagem colaborativa, estas figuras devem ser vistas não como uma autoridade, mas sim como um orientadoras, que assumem o papel de guias, trocando conhecimentos e experiências com seus alunos/treinandos/liderados e, a partir disso, junto a eles, definem o melhor caminho a ser seguido para que todos tenham a oportunidade de crescer de maneira igualitária. Aprendizagem proativa e investigativa Dentro do processo de aprendizagem colaborativa, todos são incentivados a ampliarem seus conhecimentos, de maneira proativa e investigativa. Isso quer dizer que neste método o indivíduo não fica apenas esperando que o professor ou a pessoa que assumiu o papel de orientadora lhe traga novas informações ou apenas lhe ensine algo que ele ainda não sabe. Pelo contrário, ele é constantemente estimulado a aguçar a sua curiosidade, para que assim seja o responsável pela construção de seu próprio conhecimento, crescimento e desenvolvimento pessoal e profissional. Ênfase na aplicabilidade Muitas vezes, temos a tendência a deixar o conhecimento que adquirimos, seja em qualquer contexto, engavetado. Na aprendizagem colaborativa o processo vai na contramão desta tendência, uma vez que faz com que o indivíduo obtenha novos conhecimentos, reflita sobre eles e os coloque em prática em seu dia a dia. O objetivo disso é fazer com que ele utilize tudo o que aprendeu a favor de seu próprio crescimento e também para contribuir com o crescimento da sociedade de uma forma geral. Aprendizagem em grupo Outra característica desta poderosa metodologia de aprendizado é incentivar as pessoas a buscarem novos conhecimentos e compartilhá- los com todos a seu redor. O intuito disso é estimular cada vez mais a aprendizagem em grupo, que pode ser muito mais efetiva, para muitas pessoas, do que a aprendizagem individual e não compartilhada. https://www.ibccoaching.com.br/portal/comportamento/voce-sabe-o-que-e-conhecimento/ 29 Transformação Como trata-se de um método que foca no todo, ao invés de focar no individual, conforme tivemos oportunidade de acompanhar ao longo de todo este conteúdo, a aprendizagem colaborativa traz a todos nós a chance de sermos transformados e de transformar a nossa própria realidade, bem como a das pessoas que nos rodeiam e da sociedade como um todo. Assim, quando buscamos compartilhar aprendizados, experiências e conhecimentos em conjunto, a probabilidade de que ocorram transformações positivas em nossa vida e na vida das pessoas com quem fazemos tudo isso, aumentam de forma significativa. Fonte: Disponível em https://www.ibccoaching.com.br/portal/rh-gestao-pessoas/o-que-e-aprendizagem- colaborativa/ acesso 02/11/2019 A aplicabilidade da aprendizagem colaborativa, seja em sala de aula, em salas de treinamentos, em empresas ou em quaisquer contextos em que seja possível utilizá- la, traz os seguintes benefícios para seus participantes: – Desenvolvimento do senso de trabalho em equipe; – Desenvolvimento de novas competências comportamentais e intelectuais; – Melhoria substancial na autoestima; – Aprimoramento da comunicação; – Desenvolvimento do senso crítico, lógico e analítico; – Melhoria nos relacionamentos interpessoais; – Aprendizagem prática, em vez de memorização teórica; – Desenvolvimento das habilidades de compreensão e de saber lidar com pontos de vista diferentes; – Amadurecimento e evolução pessoal e profissional. Como pudemos perceber tratam-se de benefícios verdadeiramente extraordinários. Entretanto, isso não quer dizer que os outros modelos de aprendizagem sejam inválidos. Neste sentido, antes de aplicar a metodologia colaborativa, a minha dica é que você analise bem o ambiente no qual você e as pessoas com quem deseja trocar informações e conhecimentos estão inseridos, para que assim você seja realmente assertivo em sua escolha e colha resultados positivos em todo este processo. https://www.ibccoaching.com.br/portal/rh-gestao-pessoas/o-que-e-aprendizagem-colaborativa/ https://www.ibccoaching.com.br/portal/rh-gestao-pessoas/o-que-e-aprendizagem-colaborativa/ https://www.ibccoaching.com.br/portal/lideranca-e-motivacao/trabalho-equipe-habilidade-essencial-mercado-trabalho/ 30 Alguns pontos de atenção pode ser refletidos sobre o processo de uso de aprendizagem colaborativa como metodologia ativa na escola por professores e alunos, como podemos verificar no quadro 07: Quadro 07: Pontos de atenção nas aprendizagem colaborativa 01 Planejar atividades complexas, que necessitem do trabalho colaborativo para serem resolvidas. Exercitar a mediação e o acompanhamento durante as atividades dos grupos, pois as aprendizagens acontecem no processo. Não deixar os estudantes “à deriva”! 02 Apresentar as regras de trabalho e estabelecer combinados com os jovens, tendo em vista que eles estão aprendendo a trabalhar colaborativamente em times. 03 Propiciar a organização do espaço físico para que os times e a roda de conversa coletiva possam ser formados adequadamente. 04 Estimular todos os estudantes a assumirem a liderança dos times, em rodízio, para que possam experimentar serem líderes e serem liderados, aprendendo com essa experiência. Assim, todos os integrantes de um time se tornam coautores do conhecimento construído e corresponsáveis pela realização das atividades e por seus resultados. 05 Mediar e estimular a participação dos alunos para resolverem por si mesmos os problemas de convívio ou aprendizagem, além das questões que os desafiam, evitando responder ou solucionar tais questões por eles 06 Promover o respeito à diversidade, a troca de saberes e a circulação da palavra nos momentos de roda de discussão coletiva, para que todos os jovens possam participar ativamente. 07 Garantir a autoavaliação dos estudantes ao longo do trabalho dos times. É fundamental também promover com a turma a reflexão e a discussão sobre os resultados de aprendizagem alcançados. Fonte: Caderno Metodologias integradoras (2019) 31 Saiba mais 2.3 – Problematização Toda prática docente evoca questões de ordem reflexiva. Sendo esta prescindida de um planejamento estrategicamente referendada por aspectos didáticos, tais como o objeto a ser conhecido, os caminhos para se aproximar do conhecimento e os fundamentos que nortearão esse percurso, no contexto hodierno, uma proposta de trabalho que emerge numa direção assertiva quando o assunto é promover um ensino via mediação. Desse modo é imprescindível conceber a metodologia da problematização, trata-se de uma linha capaz de fomentar no discente, o interesse em se aproximar dos objetivos de aprendizagem, considerando-se as etapasde construção da aprendizagem significativa. A metodologia além de evidenciar a existência de uma atmosfera, cujo processo deixa de adquirir apenas uma estrutura linear, permite ao professor lançar mão de uma seleção de conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais, a partir das demandas que (re) dimensionam o ritmo de cada aluno, priorizando-se, acima de tudo, o protagonismo, do ponto de vista da aquisição de habilidades e competências vislumbrados pelo currículo escolar. Para ampliar sua leitura e conhecimento acerca da aprendizagem colaborativa acesse o link https://novaescola.org.br/conteudo/16167/como-envolver-os- alunos-na-aprendizagem-colaborativa . Para ampliar ainda mais seu conhecimento acerca da aprendizagem colaborativa acesse o link https://www.youtube.com/watch?v=-JBsYiI9rIc&t=28s e assista a palestra da professora pedagoga Helena do Carmo do Instituto Federal de Minas Gerais. https://novaescola.org.br/conteudo/16167/como-envolver-os-alunos-na-aprendizagem-colaborativa https://novaescola.org.br/conteudo/16167/como-envolver-os-alunos-na-aprendizagem-colaborativa https://www.youtube.com/watch?v=-JBsYiI9rIc&t=28s 32 Professores comprometidos com a educação desejam que seus estudantes sejam interessados, participativos e críticos. Afinal, nenhum professor gosta de dar aula para uma turma apática, que não traz questionamentos e não demonstra entusiasmo para aprender. Se dentre os objetivos a serem alcançados pela educação escolar está propiciar acesso ao saber acumulado socialmente e o aprimoramento humano nos aspectos ético, do desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico, como mobilizar os alunos e tornar o conhecimento objeto de desejo? É fundamental que os professores tenham altas expectativas com relação às aprendizagens de seus estudantes (tendo em vista que uma das características da presença pedagógica é a crença no potencial dos alunos) e sejam incansáveis provocadores de curiosidade. A problematização imprime às práticas pedagógicas a importância de considerar o aprendizado como um processo incessante, inquieto, curioso e, sobretudo, permanente por saber. A sala de aula, como microcosmo social, é formada pela diversidade que se revela em diferentes modos de ser, conviver, pensar e aprender. A participação pela problematização incentiva a curiosidade, estimula o pensamento crítico e a capacidade de resolução de problemas, permitindo que todos os estudantes possam se posicionar, dialogar, construir e reconstruir conhecimentos. Uma aula que incentiva a participação permite que cada um possa se construir, como pessoa e estudante, em constante desenvolvimento e autodescoberta, e possibilita que a mediação conceba o erro como parte da construção do conhecimento. A mediação problematizadora dos professores considera: • A educação não como um ato explicativo, mas que privilegia a construção do conhecimento e desenvolvimento integral por meio de perguntas que fazem pensar, exigem articulação de saberes, pesquisa e investigação. • A articulação entre os conhecimentos prévios dos estudantes e os saberes escolares. • A prática de atividades desafiadoras que colocam os estudantes em situação de resolução de problemas. Alguns pontos de atenção pode ser refletidos sobre o processo de uso de aprendizagem colaborativa como metodologia ativa na escola por professores e alunos, como podemos verificar no quadro 08: 33 Quadro 08: Pontos de atenção no uso da problematização 01 Problematizar é mais que uma metodologia, é uma postura frente ao conhecimento. Cabe ao professor problematizar, para que se instale nos alunos o processo ativo de construção, busca e apropriação de saberes. 02 Problematizar a partir de perguntas consistentes e bem formuladas é um convite realmente instigante para a ampliação de horizontes de sentidos. 03 A problematização acontece em um ambiente protegido para o erro, no qual opiniões conflitantes e equivocadas têm espaço e valor no processo de aprender. 04 Resolver problemas de forma colaborativa: eis uma estratégia-chave para lidar com situações-problema mais complexas. A participação articulada dos esforços colaborativos dos jovens não só possibilita responder à situação proposta, como amplia o repertório de conhecimentos e estratégias de cada um 05 Considerar os saberes e as experiências dos estudantes é importante para que professor e aluno naveguem juntos no processo de aprendizagem. Cada um traz consigo conhecimentos prévios e pode (re)construí- los a partir de problematizações que levem essas bagagens em conta. 06 Orientar os alunos com informações, dicas de fontes de pesquisa, sugestões de métodos, mas de maneira a incentivar a autonomia dos estudantes no processo 07 Promover deslocamentos, sair da zona de conforto, incentivar os jovens a não se restringirem a dar a resposta que o professor quer ouvir. Nada de acomodação, problematizar é sair da “mesmice”! Fonte: Cadernos Metodologias integradoras (2019) A problematização faz contraponto à ideia de que estudantes silenciosos e cadernos cheios de anotações são sinônimos de aprendizagem. Assim como a aprendizagem colaborativa, a problematização é uma metodologia que se desenvolve pela participação em torno de situações-problema e que exige o exercício da presença pedagógica do professor durante a mediação. Ela assume um papel de destaque na construção do conhecimento escolar, uma vez que é um meio de provocar a participação, a criticidade, a curiosidade e a superação do conhecimento simplesmente transferido. 34 Saiba mais Assista!!!! https://www.youtube.com/watch?v=zFQaC46Wrj s Metodologia da problematização e o arco de Maguerez com a professora Neusi Berbel. Na videoaula produzida em dezembro de 2017, a professora- doutora Neusi Berbel, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), apresenta a Metodologia da Problematização com o Arco de Maguerez – método construído em cinco etapas que serve para o ensino, para a pesquisa e para a realização de projetos. Berbel lembra que o processo se insere na metodologia ativa que tem como característica o aluno como protagonista da sua aprendizagem e o professor com mediador. A professora indica que o método tem como objetivo preparar o aluno para atuar em seu meio social de maneira autônoma e responsável. Leia !!!! http://www.uel.br/pos/mestredu/images/stories/download s/docentes/conheca_neusi_arq1.pdf ARTIGO O PROBLEMA DE ESTUDO NA METODOLOGIA DA PROBLEMATIZAÇÃO DA PROFA. NEUSI BERBEL Leia !!!! O livro trabalha o Arco de Maguerez, que é utilizado em Metodologia da Problematização, associado, em suas origens, com uma visão de educação libertadora, voltada para a transformação social, cuja crença é de que os sujeitos precisam instruir-se e conscientizar-se de seu papel, de seus deveres e de seus direitos na sociedade. Trata-se de uma concepção que acredita na educação como uma prática social e não individual ou individualizante. https://www.youtube.com/watch?v=zFQaC46Wrjs https://www.youtube.com/watch?v=zFQaC46Wrjs http://www.uel.br/pos/mestredu/images/stories/downloads/docentes/conheca_neusi_arq1.pdf http://www.uel.br/pos/mestredu/images/stories/downloads/docentes/conheca_neusi_arq1.pdf 35 2.4 – Educação por projetos Os atuais paradigmas da Educação corroboram a eficácia de um processo, cujos interlocutores (professor, aluno), se relacionam multilateralmente, considerando-se o currículo em permanente (re)construção de ideias que giram em torno de aspectos sociemocionais, epistemológicos e culturais. Neste contexto, a Educação por projetos, passa a conferir uma visão mais ampla do processo, uma vez que o pano de fundo crucial aponta para a efetiva inserção do aluno ao longo dositinerários formativos. Evidenciam-se, pois, variáveis que a propiciam operacionalização dos conteúdos, confortando-os com saberes trazidos pelos alunos, enquanto pressuposto básico no envolvimento destes ao longo do processo. A Educação por projetos perpassa o aspecto da cognição, afinal, é no próprio itinerário pedagógico que a interação flui significativamente, a ponto, de se registrar um trabalho colaborativo pautado pela pesquisa, diálogo, troca de informação, elenco de hipóteses, comparações e validações. A educação por projetos abre oportunidades para que os estudantes coloquem seus conhecimentos em ação e sejam provocados por essa mesma ação a pesquisar outros conhecimentos, de modo a resolver problemas por meio da interação entre pares, da pesquisa e da interação com os diferentes campos do saber. Os projetos podem ter objetivos diversos, tais como: ser uma ação de intervenção para a melhoria de algum problema na escola ou comunidade; ser um itinerário para a problematização e construção do projeto de vida dos estudantes; apoiar a autogestão dos alunos com relação aos estudos; promover pesquisas que articulem os interesses estudantis com os interesses curriculares etc. No entanto, uma metodologia de educação por projeto que promova a Educação Integral que considere o desenvolvimento integral deve observar se as ações propostas: Concretizam-se no contexto curricular, ou seja, é parte essencial do percurso formativo dos alunos, promovendo o desenvolvimento pleno, por meio da participação protagonista dos alunos. Estão assentadas na crença de que os estudantes têm potencial para participar da construção de todo o processo de resolução de problemas, de modo a construir gradativamente maior autonomia, passando da relação de dependência do professor para uma relação de colaboração. 36 São introduzidas de modo estruturado em etapas com intencionalidade pedagógica bem definidas para (1) mobilizar interesses, conhecimentos e engajar os estudantes; (2) discutir e tomar as decisões sobre a iniciativa a ser realizada; (3), planejar e organizar as ações a serem realizadas, os prazos e as atribuições na equipe; (4) executar e avaliar constantemente as ações planejadas; (5) promover a apropriação de resultados alcançados de modo a possibilitar a generalização dos aprendizados. Alguns pntos de atenção pode ser refletidos sobre o processo de uso Educação Por pojetos como metodologia ativa na escola por professores e alunos, como podemos verificar no quadro 09: Quadro 09: Pontos de atenção no uso da Educação Por Projetos 01 Os projetos permitem que os estudantes compreendam os conhecimentos em sua complexidade e de modo contextualizado, relacionando teoria e prática. Desenvolver projetos é uma vivência de construção do conhecimento em sua dimensão cognitiva e socioemocional, pois mobiliza os interesses e o envolvimento dos estudantes com as ações, exigindo competências como o trabalho em equipe (na perspectiva do comprometimento individual e da capacidade de lidar com questões relacionais, frustrações e problemas inesperados; bem como de exercitar e compartilhar a liderança), a abertura para aprender novos conhecimentos (tendo a curiosidade como força motriz), a responsabilidade (na faceta da autogestão dos processos), entre outras. 37 02 Os projetos ajudam a relacionar a vivência escolar com a vida mais ampla dos alunos. Por meio deles, os jovens conectam seus interesses e necessidades com os conhecimentos que estão aprendendo nas aulas. 03 Os projetos possibilitam que os jovens estabeleçam uma relação ativa diante do conhecimento, ganhando progressiva autonomia para aprender 04 O acolhimento dos interesses e conhecimentos juvenis, o aporte de novos conhecimentos, a orientação em relação ao percurso a ser vivido, a problematização dos pontos de vista e escolhas dos alunos e o estímulo à aprendizagem são marcas importantes da atuação do professor na orientação de projetos. .A mediação do professor é um aspecto-chave dos projetos. 05 Desenvolvem habilidades de pesquisa e competências cognitivas e socioemocionais, como conhecer os próprios interesses, realizar ações em colaboração com colegas, configurar um problema, acessar, analisar, relacionar, produzir e compartilhar conhecimentos, transformar planos em ação, analisar o processo vivido de modo crítico etc. 06 6 Ao realizar um projeto, os estudantes aprendem modos de estruturar seu percurso de investigação ou intervenção. Nas seis etapas do projeto, eles concretizam ideias e planos, bem como conquistam aprendizagens significativas. 07 Os projetos possibilitam a integração entre os conhecimentos aprendidos nas disciplinas, nas Áreas e no Núcleo, potencializando a aprendizagem dos alunos. Além disso, promovem a personalização do currículo, ao possibilitarem que os jovens participem ativamente da definição dos temas, dos conteúdos e do percurso das ações. Fonte: Cadernos Metodologias integradoras (2019) Saiba mais Para ampliar sua leitura e conhecimento acerca da Educação Baseada em Projetos acesse o link https://www.youtube.com/watch?v=EgLZ0iFxmAU para assistir ao vídeo. Para ampliar sua leitura e conhecimento acerca da Educação Baseada em Projetos acesse o link https://blog.lyceum.com.br/aprendizagem-baseada-em-projetos/ para ler um artigo sobre a temática. https://www.youtube.com/watch?v=EgLZ0iFxmAU https://blog.lyceum.com.br/aprendizagem-baseada-em-projetos/ 38 2.5 Formação de leitores e produtores de textos na perspectiva dos multiletramentos Dar aos estudantes condições de significar criticamente os textos que circulam, nas diferentes linguagens (a verbal e as não verbais, como as que envolvem os sons, as imagens, o movimento, o corpo), mídias e esferas, e de produzir seus próprios textos, de modo que participem do constante diálogo entre ideias e valores que é a vida em sociedade, constitui compromisso básico da escola. Em outras palavras, se Língua Portuguesa é a disciplina que prioritariamente forma o leitor e o produtor textual, visando à maior inserção dos alunos nas práticas letradas, os demais componentes curriculares também são corresponsáveis por isso e devem, dentro de suas especificidades, trabalhar com abordagens afins. É nesse sentido que tomamos a formação de leitores e produtores de textos na perspectiva dos multiletramentos como uma das metodologias integradoras numa proposta de educação integral para o século 21. Investir no aprimoramento das capacidades de leitura e de produção textual dos estudantes, trabalhando textos de diferentes esferas e gêneros, diversos em linguagens, mídias usadas e valores culturais representados, é investir na formação de leitores e produtores de textos na perspectiva dos multiletramentos. Esse é um compromisso de todas os componentes curriculares, de todas as áreas. Mas o que são o que são multiletramentos? Para os pesquisadores estadunidenses Cope e Kalantzis, os multiletramentos implicam práticas que envolvem diferentes mídias e linguagens, das variadas culturas. Podendo ser considerado uma “evolução” do conceito de letramentos, o termo multiletramentos veio evidenciar o quanto nossa vida tem mudado em todos os âmbitos, com o avanço das novas tecnologias da informação e da comunicação: com o mundo conectado, temos mais acesso às diferentes culturas – o que nos impõe uma posição de ter que negociar essas diferenças cotidianamente. Além disso, com as novas possibilidades de agregar recursos de diferentes linguagens e diferentes mídias na produção de um texto, novos gêneros surgiram. Na esteira das teorias de perspectiva pragmática, o currículo contemporâneo assume a linguagem como interação, como podemos analisar na figura 04: 39Figura 04: A linguagem como interação Fonte: Caderno Metodologias integradoras (2019) Assim, no contexto de uma formação de leitores e produtores de textos na perspectiva dos multiletramentos, a figura 05 apresenta um entendimento sobre sujeito: Figura 05: entendimento de sujeito na perspectiva dos multiletramentos Fonte: Caderno Metodologias integradoras (2019) 40 Alguns pontos de atenção pode ser refletidos sobre o processo de uso da metodologia ativa Formação de leitores e produtores de textos na perspectiva dos multiletramentos, como podemos verificar no quadro 10: Quadro 10: Pontos de atenção em Formação de leitores e produtores de textos na perspectiva dos multiletramentos 01 O compromisso com os multiletramentos apoia-se na compreensão de que a linguagem é interação. Isto é: os sujeitos agem sobre si e sobre a realidade po r meio dos textos que produzem, que trazem a marca de seus posicionamentos em relação às coisas do mundo (produção discursiva). 02 As novas condições de produção discursiva convocam a escola a repensar o trabalho a ser feito com as linguagens, contemplando textos de diferentes esferas, gêneros, linguagens e valores culturais. 03 Quanto maior a diversidade de práticas escolares envolvendo uma ampla gama de textos, em situações significativas de aprendizagem, maiores as possibilidades de inserção crítica dos jovens nas situações sociais de usos das diferentes linguagens. 04 Trabalhar com textos multissemióticos (com várias linguagens) e híbridos requer investimento nas capacidades críticas de leitura: recuperação do contexto de produção do texto, definição de finalidades e metas da atividade de leitura, percepção de diálogos entre diferentes textos e das relações entre os discursos produzidos (percepção dos valores que sustentam as ideias dos textos), percepção de outras linguagens, elaboração de apreciações estéticas e/ou afetivas, elaboração de apreciações relativas a valores éticos e/ou políticos. 05 Também importam os processos de autoria, em que os estudantes possam ter vivências significativas de produção textual, para leitores/ouvintes/espectadores reais. 06 Não é o uso das novas tecnologias por si só que favorecerá os multiletramentos, mas o uso crítico delas, interessado em ensinar/aprender os novos códigos, o funcionamento das novas mídias, as novas práticas de autoria e circulação de textos, em favor da democratização das novas formas de produção discursiva. 07 Além da diversidade de linguagens, um ponto fundamental dos multiletramentos é garantir uma visão plural de mundo, com textos e produções que remetam a diferentes grupos sociais e seus valores culturais. Fonte : Caderno Metodologias Integradoras (2019) 41 Saiba mais 2.7 Ensino híbrido Ensino híbrido é a metodologia que combina aprendizado online com o offline, em modelos que mesclam (por isso o termo blended, do inglês “misturar”) momentos em que o aluno estuda sozinho, de maneira virtual, com outros em que a aprendizagem ocorre de forma presencial, valorizando a interação entre pares e entre aluno e professor. Normalmente, a parte presencial prescinde de tecnologia. Nessa etapa, o professor ou tutor se torna responsável por propor atividades que valorizem a interações interpessoais. Aqui, o professor pode propor trabalhos que envolvam toda a turma ou pode dividi- la em grupos menores para a realização de projetos. Já a parte do ensino realizada com o auxílio de recursos digitais permite que o aluno tenha controle sobre onde, como, o que e com quem vai estudar. Nesse sentido, os dispositivos móveis, como tablets e celulares, e a facilidade de utilizá-los em diferentes ambientes abriu o leque de possibilidades sobre onde esse componente pode ser desenvolvido: dentro da própria sala de aula, na biblioteca, no laboratório de informática e até em casa. Apesar de serem momentos diferentes, o online e o presencial, o objetivo do aprendizado híbrido é que esses dois momentos sejam complementares e promovam uma educação mais eficiente, interessante e personalizada. Já há um esforço da academia e das instituições que Para ampliar sua leitura e conhecimento acerca da metodologia Formação de leitores e produtotores de textos na perspectiva dos multiletramentos assista a entrevista com o escritor Caio Riter no link https://www.youtube.com/watch?v=JboF0Gj-D6Q para assistir ao vídeo. Assista também uma entrevista com a pesquisadora Roxane Rojo sobre Multiletramentos no link https://www.youtube.com/watch?v=iDu6TvO4svU. Para ampliar sua leitura e conhecimento acerca da Formação de leitores e produtotores de textos na perspectiva dos multiletramentos acesse o link http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/producoes_pde/artigo_maria_jes us_ornelas_valle.pdf para ler um artigo sobre a temática e algumas estratégias para a sala de aula. https://www.youtube.com/watch?v=JboF0Gj-D6Q https://www.youtube.com/watch?v=iDu6TvO4svU http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/producoes_pde/artigo_maria_jesus_ornelas_valle.pdf http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/producoes_pde/artigo_maria_jesus_ornelas_valle.pdf 42 estudam o ensino híbrido de categorizar as formas como ele vem se manifestando nas diferentes instituições de ensino que optam por adotá-lo. O uso de tecnologias deve ocorrer no ensino de todas as áreas e componentes curriculares, com abordagem metodológica transversal. O foco é a criação de uma ampla diversidade de situações de ensino e de aprendizagem, permitindo atingir os estudantes em suas variadas formas de aprender. As tecnologias, em uma proposta de Educação Integral com foco no desenvolvimento pleno, é um agente integrador do currículo, podendo aprimorar, enriquecer, diversificar e tornar mais motivadoras as práticas de ensino e de aprendizagem. Por terem um apelo emocional que desperta a curiosidade dos estudantes, as tecnologias podem representar um ponto de interesse e motivação que une professores e alunos em práticas envolventes, divertidas, flexíveis, criativas e efetivas do ponto de vista da aprendizagem e do desenvolvimento de competências. Uma das grandes contribuições que as tecnologias digitais trazem para o campo da Educação é o chamado ensino híbrido. Por meio de recursos digitais diverso s, o ensino híbrido permite que parte do aprendizado aconteça “online” e parte presencial. Essas tecnologias proporcionam aprendizagem colaborativa e oferecem conteúdo, abrindo a possibilidade de mediação fora da sala de aula. O trabalho em casa, por exemp lo, pode se transformar em uma sala de aula. Esse tipo de abordagem recebe o nome de flipped classroom (sala de aula invertida). Este modelo de organização retira o professor do centro da atenção no processo educativo. São formados pequenos grupos e o professor medeia a produção desses grupos, atuando como facilitador. Quando professores lançam mão de ferramentas digitais para ampliar o tempo de aula, promovem maior controle dos estudantes sobre o local, tempo, ritmo e como estudará, o que favorece o engajamento para o aprendizado, o melhor aproveitamento do tempo em sala de aula, o planejamento personalizado e acompanhamento de cada aluno, considerando as diferentes formas de aprender etc. É possível citar algumas possibilidades de ensino híbrido, como podemos analisar no quadro 11: Quadro 11: Modalidades de ensino híbrido MODELO DE ROTAÇÃO Qualquer curso ou matéria em que os estudantes alternam – em uma sequência fixa ou a critério do professor – entre modalidades de aprendizagem em 43 que pelo menos uma seja online. • Rotação individual – Os estudantes alternam em um esquema individualmente personalizado entre modalidadesde aprendizagem. Um professor estabelece o cronograma de cada aluno. Learning analytics, normalmente, é usado um software que analisa os resultados para combinar estudantes com lições e recursos que melhor atenderão suas necessidades individuais. • Rotação por estações - Rotacionar entre estações já era uma prática usada pelos professores, a novidade é que o ensino online entrou como uma estação. As estações podem ser dentro de uma sala de aula ou em várias salas. • Laboratório rotacional – Semelhante à rotação por estações, a diferença é que o laboratório de informática é uma das estações. • Sala de aula invertida – O tempo de lição de casa e de aula expositiva são trocados. O tempo de sala de aula não é gasto assimilando conteúdo de modo passivo, enquanto estão em aula, os estudantes praticam resolução de problemas, discutem questões, trabalham em projetos. Um dos grandes benefícios é que o estudante possa aprender no seu tempo, afinal ele pode pausar, retroceder ou avançar, de acordo com sua velocidade de compreensão, podem decidir quando assistir a vídeos online, tendo mais autonomia em seu processo de aprendizagem. MODELO FLEX Cursos ou matérias em que o ensino online é a espinha dorsal, mesmo que às vezes direcione os estudantes para atividades presenciais. MODELO “À LA CARTE” Qualquer curso ou disciplina inteiramente online cursada por um estudante que também frequenta a escola tradicional. Os cursos online desta modalidade 44 não têm componente presencial, a parte presencial fica por conta da escola tradicional. MODELO VIRTUAL ENRIQUECIDO O estudante aprende online, mas tem a opção de recorrer a sessões presenciais de aprendizagem. O critério para contar com sessões presenciais varia de cada curso, podendo ser por exemplo o progresso do estudante, se há dificuldades, ele pode recorrer a aulas presenciais. Fonte: Caderno Metodologias integradoras (2019) Saiba mais Para ampliar sua leitura e conhecimento acerca do ensino híbrido assista um vídeo no link https://www.youtube.com/watch?v=zPzamoIjjss. Leia um pouco mais sobre ensino híbrido no link http://www2.eca.usp.br/moran/wp-content/uploads/2018/03/Metodologias_Ativas.pdf https://www.youtube.com/watch?v=zPzamoIjjss http://www2.eca.usp.br/moran/wp-content/uploads/2018/03/Metodologias_Ativas.pdf 45 Atividade 2 1) As metodologias integradoras, quando praticadas para desenvolver competências requerem condições indissociáveis, como: a) São aplicadas de forma individual para avaliar a capacidade do aluno; b) São trabalhadas de forma simples e rápidas; c) Exigem dos estudantes um papel ativo; d) As atividades ocorrem com base apenas na organização do conteúdo em sala; 2) Presença pedagógica, representa um passo na direção de um grande esforço que se faz necessário para melhoria da relação estabelecida entre educador e educando tendo como base: a) a utilização de diferentes recursos tecnológicos; b) a capacidade cognitiva do estudante para promover o desenvolvimento; c) o exercício da produção cientifica e elaboração de projetos; d) a influência construtiva, criativa e solidaria favorável ao desenvolvimento pessoal e social do estudante; 3) Incentivar os estudantes a buscarem novos conhecimentos e compartilhá- los com todos ao seu redor é uma característica da aprendizagem colaborativa, denominada: a) ênfase na aplicabilidade. b) aprendizagem em grupo; c) transformação; d) ambiente centrado no todo; 4) A aplicabilidade da aprendizagem colaborativa, seja em sala de aula, ou em empresas, traz muitos benefícios para seus participantes, como: a) melhoria no trabalho individual; b) capacidade de memorização teórica; c) desenvolvimento das habilidades de compreensão e de saber lidar com pontos de vistas diferentes; d) aprimoramento da leitura e escrita; 5) Alguns pontos de atenção podem ser refletidos sobre o processo do uso de aprendizagem colaborativa na sala de aula, como: I- Problematizar é mais que uma metodologia é uma postura frente ao conhecimento. Cabe ao professor problematizar, para que se instale nos alunos o processo ativo de construção, busca e apropriação de saberes; 46 II – A problematização acontece em um ambiente protegido para o erro, no qual opiniões conflitantes e equivocadas não tem espaço e valor no processo de aprender; III- Orientar os estudantes com informações, dicas de fontes de pesquisa sugestões de métodos, mas de maneira a incentivar a autonomia dos estudantes no processo; III- A participação articulada dos esforços colaborativos dos estudantes não só possibilita responder a situação proposta, como também ampliar o repertório de conhecimentos e estratégias de cada um. Estão corretas: a) I, II e IV b) III e IV c) I, II e III d) I, III e IV 6) Em uma metodologia de educação por projeto que promova uma educação integral, deve ser observado: a) a concretização no contexto curricular, promovendo o desenvolvimento pleno, por meio da participação protagonista do estudante; b) Uma gradativa relação de dependência ente aluno e professor de forma colaborativa; c) A intencionalidade pedagógica de modo estruturado, tendo objetivos a aprendizagem do estudante dentro do prazo estabelecido no plano de aula; d) A aprendizagem através de atividades práticas sobrepondo os conceitos teóricos; 7) São considerados como pontos de atenção no uso da metodologia ativa, formação de leitores e produtores de texto na perspectiva dos multiletramentos: I- O compromisso com o multiletramento apoia-se na compreensão de que a linguagem é uma comunicação descritiva padronizada; II – Quanto maior a diversidade de práticas escolares envolvendo uma ampla gama de textos em situações significativas de aprendizagem, maiores serão as possibilidades de inserção crítica dos jovens nas situações sociais de uso de diferentes linguagens; III – Além da diversidade de linguagens, um ponto fundamental dos multiletramentos é garantir uma visão plural do mundo; IV – Não é o uso das novas tecnologias por si só que favorecerá os multiletramentos, mas o uso crítico delas, interessados em ensinar/aprender os novos códigos, o funcionamento de novas mídias, as novas práticas de autoria e circulação de textos, em favor da democratização das novas formas de produção discursiva. Estão corretas: 47 a) I, II e IV b) II, IV c) I, II, III d) II, III e IV 8) A Modalidade de Ensino Híbrido , em que o tempo de estudo em casa e de aula expositiva são trocados, dando mais autonomia no processo de aprendizagem para os estudantes, é denominada: a) laboratório rotacional b) sala de aula invertida c) rotação individual d) rotação por estações 9) O Ensino Híbrido é a metodologia que combina aprendizado on line e off line, em momentos que mesclam o estudo sozinho de forma virtual e o presencial. O Objetivo principal do Ensino Híbrido é: a) melhorar o domínio no uso das tecnologias entre os estudantes; b) favorecer a aprendizagem presencial com acompanhamento de professores para dirimir as principais dúvidas. c) relacionar os dois momentos (on line e off line) de maneira que um complemente o outro e promovam uma educação mais eficiente, interessante e personalizada; d) incentivar o uso de tecnologias apenas para os componentes curriculares de linguagens e códigos; 10) Quando se compreende a linguagem como interação, os textos são parte de produções discursivas. Por isso, significá- los implicar considerar: a) Os interlocutores / Quem fala/ Escreve/ Produz/ Para quem? b) O sujeito receptor; c) A análise crítica; d) O usuário funcional; 48 OLÁ, CAROS CURSISTAS! DANDO CONTINUIDADEAOS NOSSOS ESTUDOS, TRATAREMOS NESTA UNIDADE SOBRE A ESCOLA COMO ESPAÇO DE CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTO, AUTONOMIA DOS ESTUDANTES E AVALIAÇÃO NO CONTEXTO DAS METODOLOGIAS ATIVAS. UNIDADE 3 OUTRAS PERSPECTIVAS COM AS METODOLOGIAS ATIVAS 1 – Compreender como a escola pode articular-se como espaço de construção de conhecimento 2 – Discutir sobre a autonomia de estudantes no uso das metodologias ativas 3 – Refletir sobre processos avaliativos no contexto das metodologias ativas. OBJETIVOS 49 3.1 Escola: Espaço Para Construção De Conhecimento Escola é um importante espaço social utilizado pela sociedade para educar, despertar e socializar o cidadão de forma que esse esteja apto a enfrentar algumas circunstâncias na vida, onde sua formação será de suma importância. Fazendo com que leve o cidadão aprender a desenvolver suas capacidades, competências e habilidades para resolver problemas complexos da vida cotidiana a medida que é ensinado a questionar, avaliar e opinar. A escola, em seus mais diversos aspectos, é fundamental para o desenvolvimento intelectual, afetivo e emocional do sujeito. Nesse sentido, tomamos a escola como um espaço fundamental para desenvolver conhecimentos e formar pessoas em uma perspectiva integral. Segundo Libâneo a escola consiste na preparação intelectual e moral dos alunos para assumir sua posição na sociedade. É um ambiente de orientação aos indivíduos produzindo- os para o mercado de trabalho de forma eficiente apresentando informações precisas, rápidas e objetivas. Tem como função, designar educar e cuidar, que precisa prover de subsídios que promova o crescimento do indivíduo, tanto pessoal quanto profissional. A escola é um espaço importante não apenas para a construção de conhecimento como também para uma real compreensão e dimensão da democracia. Como Dewey (2002) afirma, a escola pode propiciar o entendimento de democracia participativa; isso significa uma escola com equidade e igualdade tanto na forma de organização quanto no acesso ao conhecimento. Não há dúvidas de que a gestão da escola corrobora com o processo democrático. Diante disso, de que maneira o professor pode contribuir para que as suas aulas tenham sentido? A maneira como organiza a aula e a metodologia que utiliza possibilitam ao aluno aplicar o que está sendo estudado em situações cotidianas, dando sentido ao que é ensinado? Entender a escola como o lugar em que o aluno organiza seu conhecimento, compreende os conceitos cintificos e entende que esse conhecimento é o produto social tem sido um dos enfoques nos estudos de quem trabalha ná área de metodologia de ensino. Estudos relacionados as metodologias de ensino mostram a necessidade de se pensar em soluções eficazes para que ocorra uma aprendizagem significativa, voltada à compreensão de conceitos científicos. Esses estudos procuram mostrar maneiras de integração entre as diferenrtes áreas. Outros estudos propõem uma aprendizagem em que o professor seja intermediário na 50 construção de conhecimento e considere que os alunos levam para a sala de aula hipóteses que a própria vida cotidiana lhes oferece. Para que esta escola seja de fato um espaço de construção de conhecimentos para todos os sujeitos envolvidos no processo educacional, é necessário que haja uma articulação de práticas metodológicas em que os alunos sejam protagonistas em todos os momentos do processo. Podemos citar algumas ações como fundamentais para que esse processo ocorra de maneira satisfatória como podemos ver no Quadro 12: Quadro 12: Ações para uma escola construtora de conhecimentos Ação 1 Ensinar ciência aproximando-a dos alunos por meio de atividades que estimulem estudos da natureza (trabalho de campo, leitura de histórias, entre outras). Ação 2 Estimular trocas de informações entre os alunos. Ação 3 Trabalhar com diferentes fontes documentais. Ação 4 Explorar diferentes formas de linguagens (meios visuais, audiovisuais, computador, diálogo, entre outras) Ação 5 Aproximar, por meio de práticas de laboratório, ciência e tecnologia). Fonte: Caderno Metodologias ativas (2019) Quanto mais o professor agir no sentido de fazer que os alunos exerçam de fato um papel ativo no processo de aprendizagem, mais o ensino será significativo e os alunos protagonistas , dando sentido para aquilo que estão aprendendo. O que fazer então, para que o aluno não perca o interesse em uma aula? Como fazer para que os alunos possam estabelecer correlações com a sua vida e ampliar, assim, o interesse, conhecendo uma realidade mais ampla? Uma das respostas realmente é prover situações em que o aluno se coloque em uma situação ativa de aprendizagem, o que implica a prática de ações que estimulam o pensamento. Tratar de um processo de construção de conhecimento com base em metodologias ativas é assumir que o propósito fundamental da educação é capacitar os alunos para que tenham consciência de sua própria construção de significados. E construir significados implica pensar, senti e atuar, porque será dessa maneira que o aluno terá condições de criar um novo conhecimento. Alguns autores que trabalham na linha de ensino e aprendizagem 51 entendem que a aprendizagem ativa é a que se utiliza de metodologias não passivas. Colocando a escola como espaço de construção de conhecimentos, colocamos-a a serviço de uma aprendizagem ativa na vida dos alunos em todos os processos que forem desenvolvidos. Cabe nos, portanto, dizer o que entendemos por aprendizagem ativa. Aprendizagem ativa engloba experiência concreta (um evento) e experimentação ativa (planejamento de uma experiência). Ao mesmo tempo exige reflexão, observação (pensar sobre o que ocorreu) e abstração de um conceito (pensar sobre o que aprendeu e estabelecer relação com o que já foi aprendido). A aprendizagem, em uma perspectiva da metodologia ativa, é vista como um gradual, mas cumulativo desenvolvimento de saberes por meio da participação em atividades nas quais o conhecimento é progressivamente construido e revisto. É importante considerar, quando se trabalha com a aprendizagem ativa, que há uma série de aquisições a serem feitas por alunos e profesores que vão além de conceitos a serem adquiridos. Nesse sentido, interessa a aquisição, por parte dos alunos, de estratégias, habilidades, valores, capacidades de analisar, sintetizar, além de outras. Há ainda, a resistência por parte de alguns professores em relação à aprendizagem ativa, por considerarem difícil aplicá-la quando os alunos não possuem um conhecimento mínimo necessário para que sejam trablhados alguns conteúdos. Essa resistência muitas vezes revela que sejam trabalhados alguns conteúdos. Essa resistência muitas vezes revela uma falta de conhecimento das estratégias que podem ser utilizadas, até por desconhecimento da existência dessa teoria. Entretanto, é importante lembrar que nenhum modelo de ensino pode ser visto como uma salvação para o ensino. Ao trabalhar na perspectiva de construção de conhecimentos, é importante tomar cuidado com dois mitos: MITO 1: O FAZER NÃO GARANTE APRENDIZAGEM ATIVA É necessário haver atividades, mas é necessário que elas sejam relevantes. Nesse sentido, precisa haver relação entre as atividades e objetivos de aprendizagem, e ambos (atividades e objetivos) devem levar á reflexão. MITO 2: AO OUVIR, O ALUNO VAI FORMULANDO SUAS HIPÓTESES, INTERIORIZANDO CONHECIMENTOS E TEORIAS Ouvir e trabalhar com hipóteses, quando feito apenas pelo aluno ou de uma forma que o professor não acompanhe o processo de raciocínio do aluno, não garante uma 52 aprendizagem ativa. Neste sentido, participar como ouvinte de uma palestra não faz parte de uma aprendizagem ativa. Ao contrário, para a prática se qualificarcomo aprendizagem ativa, é essencial que o professor e aluno participem de outras dinâmicas, que ouçam e se envolvam em atividades em grupo. As estratégias de trabalho em grupo são importantes na dinâmica de trabalho em sala de aula, pois todos os alunos aprendem a ouvir, a respeitar a fala do outro, o posicionamento do colega; essas posturas estimulam o processo de aprendizagem. O QUE CARACTERIZA A APRENDIZAGEM ATIVA Aprendizagem colaborativa, em que há envolvimento de mais alunos no processo de construção de conhecimentos e trocas entre eles para que o aprendizado ocorra. Deve haver envolvimento dos alunos para fazerem coisas e estimulá- los a pensarem sobre elas; Um contínuo de tarefas simples para complexas que vai exigindo, aos poucos, um nível de maior uso das funções cognitivas; Instrução direta dos professores e trabalho dos alunos a partir dessa instrução; Aprendizagem individual, levada pelo próprio aluno, em que este sistematiza o que foi trabalhado e aprendido no grupo e formará para si um conhecimento. Ou seja, a aprendizagem, mesmo que ocorra em grupo, é individual. Esta aprendizagem individual pode ser operacionalizada, por exemplo, a partir de estratégias que envolvam a escrita. Assim, é possível superar os mitos apresentados anteriormente, tornando as atividades mais significativas, estimulando os alunos a ouvir os outros, pensar sobre o que está sendo discutido e, por fim, elaborar um registro coletivo e individual. Na prática, significa superar a ideia de que os alunos, ouvintes passivos, aprendem mais porque estão prestando atenção. As atividades devem ser estruturadas para que os alunos leiam, reflitam, discutam, produzam textos, participando do processo de aprendizagem; com base nesta concepção, a ênfase menor deve ser na informação a ser adquirida e a maior, no desenvolvimento de estratégias de aprendizagem que instiguem o aluno a pesquisar, a fazer analogias, a comparar. Além disso, as atividades devem estimular atitudes e valores; a motivação dos alunos deve aumentar; os alunos devem receber feedback do professor e devem ser capazes de realizar uma análise, síntese, avaliação etc. 53 3.2 A autonomia do estudante nas metodologias ativas Como temos acompanhado ao longo de nossas discussões sobre metodologias ativas, é possível concluir que elas propiciam aos alunos adquirir mais autonomia em relação à aprendizagem, uma vez que contribuem para a construção de saberes que permitam o desenvolvimento de competências que favoreçam a aprendizagem com autonomia. E essa autonomia pode evoluir, caso os professores apoiem as atitudes favoráveis e as capacidades cognitivas dos alunos. Ao assumir essas perspectiva, Rué (2001, p. 170) apresenta como fonte de evidência, a qual fundamentaria o que está sendo afirmado , um estudo realizado po Kik, Bélisle e McAlpine na Universidade de McGill, no Canadá. Nesse estudo, segundo Rué, mostra-se a importância de algumas situações e práticas de aprendizagem que ajudam no desenvolvimento de autonomia. Entre as situações citadas pelos pesquisadores do estudo, na avaliação dos alunos para qualificar a aprendizagem, estão os trabalhos com projetos e em equipes e a leitura antes das aulas. Isso significa para os alunos: Forte comprometimento pessoal; Trabalho e reflexão pessoal: ler, informar-se, elaborar resumos escritos etc; Interação e socialização do conhecimento e das avaliações internas e externas de suas criações: apresentações, troca entre os colegas, entre outros. Quando se trata de mudanças nas práticas pedagógicas, um aspecto importante diz respeito aos conteúdos, pois estes precisam estar presentes no cotidiano do alunado, quer dizer, precisam ser explicativos de fenômenos fatos e objetos relacionados à realidade dele. Essas referências contribuirão para a formação de conceitos científicos a serem explorados a partir de estratégias didáticas diversificadas. Um aluno que observa, descreve, analisa e compara fenômenos e fatos estabelece correlações, tem condição de mudar seu perfil conceitual e de argumentar, desenvolvendo-se intelectualmente com habilidades mais complexas. Aqui você pode ver um pouco mais sobre a temática Escola como espaço de produção de conhecimento https://www.youtube.com/watch?v=bsJ5Vo-9ysM https://www.youtube.com/watch?v=bsJ5Vo-9ysM 54 O quadro 13, a seguir, possibilita a comparação entre um processo de aprendizagem que é superficial, com suas possíveis implicações, e o outro, que ocorre com maior profundidade, contribuindo para que a aprendizagem seja mais significativa ao alunos.Vejamos: Quadro 13: Diferenças de enfoques de aprendizagem Enfoque supercifial na aprendizagem Enfoque profundo As atividades ligadas ao ato de aprender orientam fundamentalmente à... Reprodução da informação, de acordo com as demandas externas (modo de avaliação) Compreensão e à atribuição de sentido àquilo que se aprende. Aquisição dos requisitos e à aprovação nos exames de avaliação, em vez de ir além do que é ensinado. Criação de significados e elaboração de ideias próprias. Em suas estratégias de aprendizagem, os alunos... Concentram-se em módulos ou fragmentos de informação, em vez de relacioná-los ou de tentar compreender a estrutura do conteúdo que estão aprendendo. Centram-se no significado do que aprendem e no desenvolvimento de suas próprias concepções sobre o conteúdo. Limitam o estudo àquilo que se considera essencial. Relacionam as ideias e estabelecem concexões com suas experiências anteriores. Aprendem memorizando a informação com o propósito de reproduzi-la. Questionam o que é ensinado, debatem com os demais e enriquecem a discussão, analisando diferentes pontos de vista; provavelmente vão além do que é pedido. Podem desenvolver emoções ou atitudes negativas sobre aquilo que se está aprendendo. Provavelmente desenvolvem atitudes e emoções positivas em relação à aprendizagem. Fonte: Elaborado com base em: Rué (2009, p.173) Os enfoques de aprendizagem apresentados no quadro nos fazem pensar sobre uma proposta adequada de planejamento de aula centrada na construção de conhecimento e na autonomia do aluno. Na aprendizagem superficial, o enfoque é na informação, uma aula estática, sem discussão, leva o aluno à memorização. No enfoque profundo, espera-se que o aluno tenha aulas mais desafiadoras, que contribuam para ampliar seu repertório cultural e científico. Este último enfoque é a abordagem das metodologias ativas. Nas situações de aprendizagem promovidas nas metodologias ativas os alunos são estimulados a articular os conceitos científicos com o que já sabem (conhecimento prévio), 55 organizando-os em redes de significados, ou seja se consideram as ideias já incorporadas a outros pontos de vista, relacionando o conhecimento cientifico ao cotidiano. O conhecimento cotidiano é importante na compreensão e ação das pessoas em contextos de atividades específicas, não fazendo sentido anulá-lo no contexto de aprendizagem. VAMOS FAZER UMA ATIVIDADE? 3.3 A avaliação no contexto das metodologias ativas . Avaliação sempre foi um tabu na escola. Tabu porque, ao avaliar o aluno, também são avaliadas as aulas, a maneira de trabalhar em sala de aula, as estratégias de ensino, as concepções sobre os fundamentos das disciplinas ministradas e, ainda, se o caminho adotado está adequado. Outro ponto também incomoda quando se trata da avaliação e se o rendimento do aluno será classificado ou analisado. A avaliação proposta das metodologias ativas é compreendida também como parte essencial do processo de ensino-aprendizagem. A avaliação não está dissociada da proposta didática e curricular do professor, e, portanto, deverá ser levadaem consideração para diagnósticar o que ocorre pedagogicamente com os alunos. Nessa perspectiva, também é importante considerar as cinco questões básicas para uma avaliação com base diagnóstica: O quê? Como? Por quê? Quem? Sobre o uso de metodologias ativas e a construção da autonomia de estudantes na escola leia o artigo no link a seguir, marque os pontos principais que podem contribuir para ampliar seu conhecimento e melhorar sua prática docente http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/seminasoc/article/view/10326/10999 Além disso, para compreender o que significa AUTONOMIA DE ESTUDANTES assista ao vídeo a seguir no link https://www.youtube.com/watch?v=r8rpFLPiuVw http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/seminasoc/article/view/10326/10999 https://www.youtube.com/watch?v=r8rpFLPiuVw 56 Para quê? A discussão caminha para duas vias: uma relacionada ao sistema educativo e a outra relacionada à metodologia do ensino. Nesse contexto, a pergunta será: como avaliar na perspectiva das metodologias ativas? Como dito anteriormente, o objetivo principal do professor é auxiliar o aluno a organizar o pensamento e a construir o pensamento cientifico. A organização do pensamento é estruturada por meio das operações mentais que as estratégias de ensino podem estimular nos alunos. Operar mentalmente é agir sobre o pensamento; para que aconteça essa ação as finalidades, os objetivos e as competências que foram definidas nos planos de ensino das disciplinas devem estar presentes nas estratégias. A avaliação também pode ser baseada nos projetos propostos por áreas do conhecimento ou mesmo nos institucionais, aprofundando um conteúdo. Qualquer que seja a proposta de projeto, vale investigar se houve ou não apropriação dos conceitos que auxiliam na compreensão dos temas trabalhados em classe. Uma pergunta provocativa para se fazer ao aluno é: o que ganha apredendo esse conteúdo? A argumentação da resposta deverá considerar a aplicação conceitual em situações do cotidiano, acabando com os questionamentos feitos pelos alunos sobre porque precisamos aprender determinado conteúdo. Ao elaborar a avaliação, perguntas como estas a seguir são uma maneira de valorizar o processo de apreensão do conhecimento: Quais são as operações mentais como estas que estou mobilizando no aluno para que ele responda a essa pergunta ou resolva esse problema? O instrumento que construí para a avaliação me dá informações para analisar a apropriação dos conceitos? Consigo realizar uma análise cuidadosa para verificar a eficácia do ensino para a aprendizagem? São perguntas que auxiliam de maneira qualitativa, propiciando ao professor verificar se atingiu os seus objetivos de mobilizar, por exemplo, o pensamento científico do aluno. Por fim, a avaliação não deve se limitar a apenas um instrumento, como a prova escrita. Esse tipo de procedimento pode manter a mesma lógica de avaliação, por fixação de informação, e dessa forma não suprir deficiências em relação ao processo de aprendizagem. Para que o processo de avaliação seja coerente e justo, alguns cuidados devem ser tomados. Krasilchik (2001) chama a atenção para que, no processo de avaliação, o docente tenha cuidado ao observar o aluno: precisa superar os preconceitos para não gerar injustiças entre os 57 alunos considerados “bons” e os “maus” . VAMOS ASSISTIR UM VÍDEO PARA APRENDERMOS MAIS? Atividade 3 01. A escola é um espaço importante não apenas para a construção de conhecimentos como também para uma real compreensão e dimensão da democracia. Segundo Dewey ele afirma que: a) Uma escola onde o espaço e a construção do conhecimento se dar pela dimensão da democracia. b) A escola pode propiciar o entendimento de democracia participativo; uma escola com equidade e igualdade tanto na forma de organização quanto no acesso ao conhecimento. c) A escola consiste na preparação intelectual e moral dos alunos em assumir uma posição na sociedade. d) Nesse sentido, tomamos a escola como um espaço fundamental para desenvolver conhecimento e formar pessoas em uma perspectiva integral. 02- Entender a escola como o lugar em que o aluno organiza seu conhecimento compreende que: a) Situações cotidianas dando sentido ao que e ensinado. b) Na duvida a gestão da escola colabora com o processo democrático. c) Os conceitos científicos, e entende que esse conhecimento e o produto social tem sido um dos enfoques de quem trabalha a área de metodologia de ensino. d) Estudos procuram mostrar maneiras de integração entre as diferentes áreas. 03. Para que a escola seja de fato um espaço de construção e conhecimento para todos os https://www.youtube.com/watch?v=pGEQIQCcE4s https://www.youtube.com/watch?v=pGEQIQCcE4s 58 envolvidos no processo educacional, é necessário que haja uma articulação de práticas metodológicas em que os alunos sejam protagonista em todos os momentos do processo. Você pode associar algumas ações como fundamentais para que esse processo ocorra de maneira satisfatória. (A) Ação 1 ( ) estimular trocas de informações entre os alunos. (B) Ação 2 ( ) ensinar ciências aproximando-a dos estudantes por meio de atividades que estimulam estudos da natureza, trabalho de campo, leitura de histórias, entre outras. (C) Ação 3 ( ) explorar diferentes formas de linguagens (meio visuais, audiovisuais, computador, diálogo entre outras) (D) Ação 4 ( ) Trabalhar com diferentes formas documentais A sequência correta é: a)1,2,3,4 b)2,3,1,4 c)2,1,4,3 d)3,2,4,1 04. Como fazer para que os estudantes possam estabelecer correlações com a sua vida e ampliar, assim, o interesse, conhecendo uma realidade mais ampla? a) É promover situações em que o estudante se coloque em uma situação ativa de aprendizagem, o que implica a prática de ações que estimulam o pensamento. b) Tratar de um processo de construção com base em metodologias ativas e assumir que o proposito fundamental da educação e não capacitar os estudantes de forma construtiva e significativa. c) Alguns autores que trabalham na linha de ensino aprendizagem ativa e que se utiliza de metodologias não passivas. d) Aproximar o estudante, por meio de praticas de laboratório, ciências e tecnologias. 05. Colocando a escola como espaço de construção de conhecimento, colocamos a serviço de uma aprendizagem ativa na vida dos estudantes em todos os processos que forem desenvolvidos. Cabe a nos, portanto, dizer o que entendemos por aprendizagem ativa. a) Modelo de ensino que pode ser visto como salvação para o ensino. b) Engloba experiências concretas e experimentação ativa. Ao mesmo tempo exige reflexão, observação, e abstração de um conceito (pensar sobre o que aprendeu e estabelecer relação com o que foi aprendido). c) É importante lembrar que nenhum modelo de ensino pode ser visto com uma salvação para o ensino. d) A aprendizagem trabalha uma perspectiva de construção do conhecimento. 06. Alternativa que melhor engloba o conceito de aprendizagem ativa: a) Engloba experiências concretas, com exigência na observação. 59 b) Engloba experiências concretas, experimentação ativas aliadas a reflexão e observação. c) Um processo gradual de observação e reflexão dos estudantes. d) Nenhuma das anteriores 7-Assinale os itens que caracteriza uma aprendizagem ativa: I- Envolvimento dos alunos no processo de construção de conhecimentos e trocas de saberes. II-Tarefas pontuais e diretas. III- Sistematização do que foi aprendido no grupo formando seu próprio conhecimento. Estão corretas: a) I,II E III b) I E II c) I E III d) II E III 8- Todos os itens abaixo se referem às características de enfoque superficial da aprendizagem, exceto: a) Aquisição de aprovação exames de avaliação em vez de ir além. b) Limitação daquilo que se considera essencial. c) Questionam o que é ensinado, debatem e analisam diversos pontos de vista. d) Aprendem memorizando as informações. 09- Sobre processos avaliativos que envolvem metodologias ativas no ensino, é incorreto afirmar que: a) A avaliação proposta das metodologias ativas é compreendida também como parte essencial do processo de ensino-aprendizagem. b) A avaliação não está dissociada da proposta didática e curricular do professor, e, portanto, deverá ser levada em consideração para diagnósticar o que ocorre pedagogicamente com os alunos. c) Na avaliação, é importante considerar as cinco questões básicas para uma avaliação com base diagnóstica: O quê? Como? Por quê? Quem? Para quê? d) Um processo avaliativo deve considerar a aquisição de conteúdos pelos estudantes. Nessa perspectiva, é importante que a metodologia baseie-se em boas explicações expositivas e muita atenção dos estudantes. 60 10- Sobre os enfoques de aprendizagem, marque a alternativa em que apresenta características do enfoque profundo de aprendizagem: a) Aquisição dos requisitos e à aprovação nos exames de avaliação, em vez de ir além do que é ensinado. b) Reprodução da informação, de acordo com as demandas externas (modo de avaliação) c) Questionam o que é ensinado, debatem com os demais e enriquecem a discussão, analisando diferentes pontos de vista; provavelmente vão além do que é pedido. d) Limitam o estudo àquilo que se considera essencial. 61 CONCLUSÃO A escola, na concepção apresentada acerca dos desafios enfrentados no processo de ensino aprendizagem – é o lugar privilegiado para pensar novas estratégias que incentivem os alunos a refletir sobre sua vida, sobre o que desejam da escola e sobre o papel dos jovens na sociedade. No entanto, a atuação na perspectiva de alterar a postura dos professores quanto à organização das aulas e ao trato com os alunos era algo que precisava de tempo para amadurecer e ser incorporado. A escola é também o lugar em que os alunos aprendem a viver e fixam experiências que podem ajuda-los a elevar sua autoestima. Ter clareza disso é importante para todos aqueles que atuam na educação, já que a escola é o lugar onde se aprende a conviver, respeitar, querer e constituir a identidade individual e coletiva, além, é claro, de ser o lugar onde se tem acesso ao conhecimento escolar. Nesse sentido, é preciso pensar nos espaços de vivências dos estudantes, conhecer a realidade cultural dele e a comunidade escolar em geral. É preciso, por exemplo, saber como os alunos percebem e concebem os espaços de vivências, as músicas que ouvem, o que gostam de ler, o que fazem em seus momentos de lazer etc. O desconhecimento da realidade cultural da comunidade escolar fragiliza a escola e reforça as marcas autoritárias provocadas por ele. Tudo isso implica condutas que não estão voltadas para o êxito escolar, mas reforçam o fracasso social do estudante. Ao adotar metodologias exclusivamente de transmissão verbal dos conteúdos disciplinares, sem considerar o que o aluno sabe, suas crenças e visão de mundo – prática bastante recorrente na escola -, o professor acredita que está ocorrendo aprendizagem e que, se o aluno não aprende, é por falta de estudo ou em função de seu grau de inteligência. No cenário proposto pela perspectiva das metodologias ativas, criam-se oportunidades para que o professor passe a ser valorizado por mérito, pela maneira como constrói o percurso educativo, em uma escola estruturada e com condições de trabalho adequardas, com uma gestão do currículo, nada justificando o fato de o aluno não aprender. Desta forma, este módulo pretendeu provocar reflexões sobre a importância da escola como espaço de construção de conhecimento, o papel do currículo escolar e do processo de 62 ensino aprendizagem a partir de metodologias ativas. Aos professores e gestores fica a responsabilidade de pensar e abordar na escola questões como: qual é o modelo pedagógico adequado para a escola em que atuamos? Nesse contexto, de superação de desigualdades, acrescenta-se a estes questionamentos: qual a função social obrigatória da escola? Qual é o papel dos componentes curriculares na formação básica dos jovens? Que jovens são esses que constituem essa comunidade? Que situações podem promover a aprendizagem? Discutir metodologias ativas implica alterar a concepção que se tem acerca do currículo, entende-lo como influenciado por necessidades, histórias, investimento político e certa inércia institucional. Implica também analisar as habilidades e estratégias que se quer desenvolver com os alunos, dentro da construção do conhecimento científico. Que bom chegar ao fim desse módulo e termos refletido bastante sobre as metodologias ativas e junto a elas tratarmos sobre o leque de mudanças na escola, na educação, nas metodologias de ensino e aprendizagem, falar de educação integral, formação de professores e avaliação. Espero que vocês possam ter vivenciado com êxito esse processo formativo, lido bastante, assistido a muitos vídeos e despertado uma vontade de aprender cada vez mais. Muito sucesso e que venha o próximo módulo! Um grande abraço, equipe PROBNCC do estado do Piauí! 63 REFERÊNCIAS BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Consulta Pública. Brasília, MEC/CONSED/UNDIME, 2015. Disponível em: http://historiadabncc.mec.gov.br/documentos/BNCC-APRESENTACAO.pdf . Acesso em: 07 out 2019. BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Educação é a Base. Brasília, MEC/CONSED/UNDIME, 2017. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_publicacao.pdf. Acesso em: 07 out. 2019. BRASIL, Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018. 600 p. BRASIL. Ministério Da Educação. Guia de Implementação da BNCC. - Brasília: 2018. https://implementacaobncc.com.br/wp- content/uploads/2018/06/guia_de_implementacao_da_bncc_2018.pdf BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm. Acesso em: 07 out. 2019. BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências . Diário Oficial da União, Brasília, 16 de julho de 1990. Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 13 out 2019. BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, 23 de dezembro de 1996. BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Resolução no 4, de 13 de julho de 2010. Define Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica. Diário Oficial da União, DF, 14 jul. 2010a. BRASIL, Ministério da Educação. Secretaria de Ensino Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília, MEC/SEF, 1997. FERREIRA, A. B. de H. Dicionário Aurélio de língua portuguesa. - 5ª Ed – Curitiba: Positivo, 2010. http://www.planalto.gov.br/ 64 BACICH, L; TANZI NETO, A. e TREVISANI, F. Ensino Híbrido: personalização e tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso, 2015. BACICH,L.; MORAN, J. M. Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2017. DEWEY, J. How we think. Lexington, MA: D. C. Heath, 1910. DEWEY, J. Democracia e educação. 3. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1959. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro/São Paulo: Paz e Terra, 1996. RUÉ, J. O que ensinar e porquê: elaboração e desenvolvimento de projetos de formação. São Paulo: Moderna, 2004. FICHA TÉCNICA Este material é uma realização do grupo de professores formadores do PROBNCC Piauí (EI/EF) e foi elaborado após os estudos do temas propostos com a colaboração do grupo. Organizadores e revisores: Francisco Marcos pereira Soares Marleneda Silva Guimarães Mércia Araújo Silva Josefa Lustosa Lobato e Silva Telma Rauana da Silva Cardoso Colaboradores: Adriana de Sousa Lima Adrianna Oliveira Felisberto Aucina Maria Medeiros Lagos Sotero Ana Maria Nogueira Ana Patrícia Rodrigues de Barros Antonio de Sousa Silva Clayton Ferreira das Neves Damião de Cosme de Carvalho Rocha Eloane Coimbra Lima Evaneuda Araújo Rodrigues Francisco Marcos Pereira Soares Francisco Soares Cavalcante Neto Gabriela Santos Oliveira Rodrigues Hérica Regina Vieira Santos José Nilton da Silva Josefa Lustosa Lobato e Silva Josefina Ferreira Gomes de Lima Marcelli Gomes Cardoso Maríllia Daniela Aragão dos Anjos Marlene da Silva Guimarães Maura Célia Cunha e Silva Mércia Araújo Silva 65 Raimundo Araújo Costa Sobrinho Telma Rauana da Silva Cardoso Valdênia do Socorro Carvalho Carlos Alberto Pereira da Silva