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O PRINCÍPIO DA VULNERABILIDADE DO CONSUMIDOR COMO REMÉDIO PARA AS CLÁUSULAS ABUSIVAS NOS CONTRATOS DE ADESÃO

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UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP 
INSTITUTO DE CIÊNCIAS JURIDICAS - ICJ 
CURSO DE DIREITO 
 
 
 
 
FERNANDA UCHOA BIZERRA 
 
 
 
 
 
 O PRINCÍPIO DA VULNERABILIDADE DO CONSUMIDOR COMO REMÉDIO 
PARA AS CLÁUSULAS ABUSIVAS NOS CONTRATOS DE ADESÃO 
 
 
 
 
 
 
 
MANAUS 
2019 
 
 
FERNANDA UCHOA BIZERRA 
 
 
 
 
 
 
 
O PRINCÍPIO DA VULNERABILIDADE DO CONSUMIDOR COMO REMÉDIO 
PARA AS CLÁUSULAS ABUSIVAS NOS CONTRATOS DE ADESÃO 
 
 
 
Trabalho de conclusão de curso para obtenção 
do título de graduação em Bacharel em Direito, 
apresentando à UNIP. 
Orientador (a) Professor Mestre Douglas 
Abreu. 
 
 
 
 
 
 
 
Manaus 
2019 
 
 
FERNANDA UCHOA BIZERRA 
 
 
 
 
 
 
O PRINCÍPIO DA VULNERABILIDADE DO CONSUMIDOR COMO REMÉDIO 
PARA AS CLÁUSULAS ABUSIVAS NOS CONTRATOS DE ADESÃO 
 
 
Trabalho de conclusão de curso para obtenção 
do título de graduação em Bacharel em Direito, 
apresentando à UNIP. 
 
Aprovado em ____/____/____ 
 
____________________________________________________ 
Professor Mestre Douglas Abreu – Orientador (a) 
Universidade Paulista 
 
____________________________________________________ 
1º Membro da Banca UNIP 
Universidade Paulista 
 
____________________________________________________ 
2º Membro da Banca UNIP 
Universidade Paulista 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Agradeço primeiramente a Deus pai, todo poderoso, por ter me concedido a 
vida, saúde e a possibilidade de cursar o tão sonhado Curso de Direito. 
À minha querida Mãe, Tatyana Rodrigues Uchoa, por ser uma mulher 
guerreira, perseverante e sensível, que sempre deu sua vida em prol da criação de 
seus filhos; 
Ao meu querido Pai, Francisco Neilson Bizerra, por se meu maior exemplo de 
vida e ter me ensinado a ser batalhadora, a ter coragem e a ser uma Mulher 
honesta, ao qual tenho gratidão eterna que não cabem em palavras. 
Ao meu irmão, Neilson Edgar Uchoa Bizerra, que sempre foi meu 
companheiro, camarada. 
 E por fim, ao meu Ilustre Professor e Orientador, Douglas Abreu, por ter me 
repassado conhecimento ao longo da jornada acadêmica e, principalmente, por me 
direcionar na confecção deste trabalho. 
 
 
 
 
 
RESUMO 
 
O Direito acompanha a evolução da sociedade, e neste contexto surge o contrato de 
adesão, que visa suprir as necessidades de contratação em massa de produtos e/ou 
serviços. Devido à forma de como se dá essa contratação, surge um problema que 
prejudica os consumidores, uma vez que o fornecedor, que é quem elabora o 
contrato de adesão, tem a prerrogativa de estabelecer as normas de como será 
disposta tal relação, e com isso tem a oportunidade de inserir termos que o 
beneficie, mas que prejudique a parte vulnerável. Nessa linha de pensamento, a Lei 
nº 8.078 de 1990 busca regular as relações contratuais por adesão, além de 
proteger a parte vulnerável da relação, sempre procurando impor a boa-fé como 
fonte de tais relações. 
Palavras-chave: Contrato de Adesão. Cláusula Abusiva. Boa-fé. Código de Defesa 
do Consumidor. Vulnerabilidade. 
 
 
 
ABSTRACT 
The Law accompanies the evolution of society, and in this context the contract of 
adhesion arises, which aims to meet the needs of mass contracting of products and / 
or services. Due to the way this hiring takes place, a problem arises that harms 
consumers, since the supplier, who is the one who draws up the contract of 
adhesion, has the prerogative to establish the norms of how such a relationship will 
be arranged, and with that you have the opportunity to insert terms that benefit you, 
but that will harm the vulnerable party. In this line of thought, Law No. 8,078 of 1990 
seeks to regulate contractual relations by adhesion, in addition to protecting the 
vulnerable part of the relationship, always seeking to impose good faith as the source 
of such relations. 
KeyWords: Adhesion contract. Abusive Clause. Good faith. Code of Consumer 
Protection. Vulnerability. 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1. INTRODUÇÃO ...............................................................................................................................8 
2. BREVE RELADO ACERCA DOS CONTRATOS CONSUMERISTAS EM GERAL ....... 10 
3. CONTRATOS DE ADESÃO.........................................................................................................16 
3.1 Contratos de Adesão sob a ótica do Código de Defesa do Consumidor ......... 18 
3.1.1 Princípio da Transparência ....................................................................................... 21 
4. CLÁUSULAS ABUSIVAS INCOMPATÍVEIS COM A BOA-FÉ NOS CONTRATOS DE 
ADESÃO .............................................................................................................................................25 
4.1. Da Cláusula abusiva incompatível com a boa-fé na Lei 8.078 de 1990 .................. 25 
4.2. Cláusulas Abusivas que ferem a boa-fé no contrato de Adesão ............................ 29 
4.3. Contrato de Adesão e o princípio da Vulnerabilidade do Consumidor ................. 32 
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................................... 37 
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................. 38 
 
 
 
 
8 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
Este trabalho tem como objetivo demonstrar a aplicação dos institutos 
estabelecidos no Código de Defesa do Consumidor nas relações contratuais por 
adesão, explorando os princípios e normas estabelecidas por tal Códex. 
A importância dessas relações se dá pela incessante contratação por adesão, 
e pela cultura brasileira em manter-se inerte quando se trata de conhecer seus 
direitos, além do monopólio do poder de produção e escolha do fornecedor, o que 
torna vulnerável os consumidores e necessário a uma proteção legislativa e ampla 
para eles. 
Será explorado neste trabalho a supremacia do instituto da boa-fé nas 
relações contratuais pelo contrato de adesão, e como sua aplicação é indiscutível 
quando se fala de promover a equidade entre as partes pactuantes, pois o alicerce 
das relações contratuais nasce do Princípio da boa-fé, e nesse contexto, será 
abordado a boa-fé objetiva. 
Também será apontado como fator necessário ao negócio jurídico perfeito o 
princípio da função social do contrato e como sua aplicação é necessária, não 
somente ao interesse particular, mas de forma coletiva. 
Abordar-se-á o fundamento dos contratos de adesão, e a preocupação do 
legislador consumerista em evitar que tal espécie contratual ocorra de forma abusiva 
ao consumidor, fazendo referência ao Princípio da Transparência, uma vez que ele é 
a parte frágil da relação contratual consumerista. 
As cláusulas abusivas que ferirem a boa-fé serão abordadas para sob a ótica 
do Código de Defesa do Consumidor, sempre em parâmetro com o Contrato de 
Adesão. 
O princípio da Vulnerabilidade do Consumidor será apontado como remédio 
contra a imposição das Cláusulas Abusivas, sob análise de sua importância e 
amparo legal. 
A análise desse tema possui importante relevância no âmbito jurídico-social, 
pois a prática desse instituto pelos consumidores brasileiros é numerosa e rotineira, 
devido a sua busca por adquirir produtos, e somente o podem fazê-lo através do 
contrato de adesão. 
9 
 
Ademais, serão apontados referência doutrinárias, julgados e normas 
jurídicas sobre o tema discutido, buscando firmar a tese de que o consumidor é a 
parte vulnerável e precisa ser protegida dos absurdos maldosos do fornecedor 
ambicioso e ganancioso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
 
2. BREVE RELADO ACERCA DOS CONTRATOS CONSUMERISTAS EM 
GERAL 
 
As relações de consumo são cristalinas no cotidiano das pessoas em geral, 
uma vez que o ser humano está constantemente consumindo produtos e/ou 
serviços. 
Devido a esse ritmo de consumo,o Direito busca regular tais relações em prol 
de manter o equilíbrio nos vínculos consumeristas, sempre procurando frear os 
abusos que surgem junto à evolução social. Os contratos que norteiam as relações 
de consumo servem para estabelecer os termos que regerão a forma como será 
conduzida. 
É pacífico entre os doutrinadores que a Lei nº. 8.078 de 1990 é uma norma 
principiológica, devido à proteção constitucional aos consumidores, sendo taxado no 
rol dos Direitos Fundamentais estabelecidos na Carta Magna, como pode ser visto 
no Artigo 5º, XXXII, da Constituição Federal de 1988, qual seja, “o Estado 
promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor”. (Constituição da República 
Federativa do Brasil.). 
O Código de Defesa do Consumidor é, portanto, um microssistema 
implantado pelo Estado na ânsia ne promover a mais límpida justiça nas relações de 
consumo, isso é evidente em seu Artigo 4º, caput e inciso III, o qual versa: 
Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por 
objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o 
respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus 
interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem 
como a transparência e harmonia das relações de consumo, 
atendidos os seguintes princípios: 
III – harmonização dos interesses dos participantes das relações de 
consumo e compatibilização da proteção do consumidor com a 
necessidade de desenvolvimento econômico e tecnológico, de modo 
a viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem econômica (art. 
170 da Constituição Federal), sempre com base na boa-fé e 
equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores. 
(Código de Defesa do Consumidor). 
11 
 
É notório, no texto normativo citado acima, que o legislador preocupou-se em 
estabelecer que as relações de consumo devem manter o equilíbrio necessário para 
que não ocorra injustiças entre consumidor e fornecedor, sendo o primeiro mais 
nitidamente protegido, por ser, teoricamente, o elo mais fraco em tal relação. 
Neste sentido, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, TJ-RS, julgou: 
APELAÇÕES CÍVEIS. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO 
REVISIONAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. DECISÃO PARADIGMA 
DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. AFASTAMENTO NO 
CASO. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO 
CONTRATUAL EXPRESSA. 
1. A jurisprudência nacional reconhece a possibilidade de 
capitalização de juros, desde que expressamente pactuada. 
Necessária a contratação expressa. Recurso Especial nº. 
1.388.972/SC. Inexistência de pactuação, no caso. Ausente hipótese 
de retratação. 
2. Não obstante à possibilidade de capitalização de juros destacada 
no Recurso Especial paradigma, que enseja o retorno dos autos a 
este Colegiado para juízo de retratação, o mesmo Colendo Superior 
Tribunal de Justiça determina a contratação expressa da rubrica para 
a sua incidência. Recurso Especial nº 1.388.972/SC representativo 
da controvérsia. 
3. As relações de consumo impõem a submissão das partes à 
equidade contratual. Observância dos direitos e deveres do contrato, 
a fim de se alcançar e preservar uma relação equilibrada. Artigo 51, 
inciso IV, do Código de Defesa do Consumidor. Regras contratuais 
excessivamente desvantajosas serão consideradas nulas de pleno 
direito. A autonomia da vontade deve ser permeada pelo dever de 
boa-fé objetiva, sob pena de o contrato conduzir o contratante 
vulnerável a... situação de abuso. 
4. Cabe ao Estado, na coordenação da ordem econômica, 
exercer a repressão do abuso do poder econômico, com o 
objetivo de compatibilizar os objetivos das empresas com a 
necessidade coletiva. Quando evidenciada a desvantagem do 
consumidor, ocasionada pelo desequilíbrio contratual gerado 
pelo abuso do poder econômico, restando, assim, ferido o 
princípio da equidade contratual, deve ele receber uma proteção 
compensatória. Inteligência dos artigos 4º, inciso III e 47, ambos 
do Código de Defesa do Consumidor. Precedente do Superior 
Tribunal de Justiça. 
5. Caso em que a análise do conteúdo fático-probatório autoriza o 
afastamento do paradigma invocado do Colendo Superior Tribunal de 
Justiça EM JUÍZO DE RETRATAÇÃO, MANTIDO O ACÓRDÃO. 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10601113/artigo-51-da-lei-n-8078-de-11-de-setembro-de-1990
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10600942/inciso-iv-do-artigo-51-da-lei-n-8078-de-11-de-setembro-de-1990
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91585/código-de-defesa-do-consumidor-lei-8078-90
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10608486/artigo-4-da-lei-n-8078-de-11-de-setembro-de-1990
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10608217/inciso-iii-do-artigo-4-da-lei-n-8078-de-11-de-setembro-de-1990
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10601431/artigo-47-da-lei-n-8078-de-11-de-setembro-de-1990
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91585/código-de-defesa-do-consumidor-lei-8078-90
12 
 
(Apelação Cível Nº 70079613667, Primeira Câmara Especial Cível, 
Tribunal de Justiça do RS, Relator: Alberto Delgado Neto, Julgado 
em 28/05/2019).” 
(Processo n. AC 70079613667 RS ) 
(https://tj-rs.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/719058830/apelacao-
civel-ac-70079613667-rs?ref=juris-tabs) 
As relações consumeristas dão-se através da pactuação contratual, uma vez 
que o contrato é um acordo de vontades, em conformidade com a lei, e com a 
finalidade de adquirir, resguardar, transferir, conservar, modificar ou extinguir 
direitos. 
Nessa linha de pensamentos, o Código Civil, no Art. 421, orienta que os 
contratos em geral devem atender a função social, in verbis:“Art. 421. A liberdade de 
contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato.” (Brasil. 
Código Civil. 25º edição. São Paulo: Saraiva Educação, 2018.). 
A função social do contrato refere-se ao limite da autonomia da vontade que o 
legislador trouxe aos contratantes com a finalidade de promover o equilíbrio nas 
relações contratuais, pois assim evita-se que a liberdade contratual seja exercida de 
forma abusiva, autoritária ou em desconformidade com os interesses da 
coletividade. 
A respeito da função social do contrato, o brilhante Doutrinador Caio Mário da 
Silva Pereira se posiciona: 
A função social do contrato, portanto, na acepção mais moderna, 
desafia a concepção clássica de que os contratantes tudo podem 
fazer, porque estão no exercício da autonomia da vontade. O 
reconhecimento da inserção do contrato no meio social e da sua 
função como instrumento de enorme influência na vida das pessoas 
possibilita um maior controle da atividade das partes. Em nome do 
princípio da função social do contrato se pode, v.g., evitar a inserção 
de cláusulas que venham injustificadamente a prejudicar terceiros ou 
mesmo proibir a contratação tendo por objeto determinado bem, em 
razão do interesse maior da coletividade. (PEREIRA, pg. 13) 
Além, Miguel Reale também relata: 
Não há razão alguma para se sustentar que o contrato deva atender 
tão somente aos interesses das partes que o estipulam, porque ele, 
por sua própria finalidade, exerce uma função social inerente ao 
poder negocial que é uma das fontes do direito, ao lado da legal, da 
13 
 
jurisprudencial e da consuetudinária. 
(www.miguelreale.com.br/artigos/funsoccont.htm) 
Outra ilustre doutrinadora, Maria Helena Diniz, também se posiciona sobre o 
tema: 
“É preciso não olvidar que a liberdade contratual não é ilimitada ou 
absoluta, pois está limitada pela supremacia da ordem pública, que 
veda convenções que lhe sejam contrárias aos bons costumes, de 
forma que a vontade dos contratantes está subordinada ao interesse 
coletivo. Pelo Código Civil, no art. 421, “A liberdade de contratar será 
exercida em razão e nos limites da função social do contrato” (CF, 
Arts. IV, 5º, XXIII, e 170, III). O contrato deverá ter, portanto, por 
finalidade e por limite a sua função social. O Projeto de Lei n. 
276/2007, por sua vez, visa substituir a locução “liberdade de 
contratar” que toda pessoa tem desde que tenhacapacidade 
negocial, por “liberdade contratual”, por ser mais técnica, indicando o 
poder de discutir livremente as cláusulas do contrato, e também 
suprimir a expressão “em razão”, já que a liberdade contratual está 
limitada pela função social do contrato, mas não é sua razão de ser. 
O Parecer Vicente Arruda rejeitou essa proposta do PL n. 6.960/2002 
(atual PL n. 276/2007), argumentando que: “ A mudança proposta 
não passa de um jogo de palavras, que, ainda por cima, piora o 
texto, pois contrato não tem liberdade, quem tem liberdade é a 
pessoa, cuja liberdade de contratar está vinculada à função social do 
contrato, imposta pelo ordenamento jurídico”. 
(DINIZ, 2008. PG 24) 
Ainda sobre a Função Social do Contrato, o Tribunal de Justiça do Amapá julgou: 
DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL - AÇÃO DE BUSCA E 
APREESSÃO - APLICAÇÃO DA TEORIA DO ADIMPLEMENTO 
SUBSTANCIAL DO CONTRATO - PRINCÍPIOS DA FUNÇÃO 
SOCIAL DOS CONTRATOS, DA PROBIDADE E BOA-FÉ. 1) A teoria 
do adimplemento substancial dos contratos visa a impedir o uso 
desequilibrado do direito de resolução por parte do credor, preterindo 
desfazimentos desnecessários em prol da preservação da avença da 
sociedade, com assistências à realização dos princípios da função 
social do contrato e da boa-fé. 2) No caso em apreço, é de se aplicar 
a teoria do adimplemento substancial dos contratos, em razão do 
réu/apelante ter pago mais de 90% (noventa por cento) da obrigação 
total fiduciária. 3) Recurso conhecido e provido. 
(TJ-AP - APL: 00046686520148030001 AP, Relator: Juiz Convocado 
MÁRIO MAZUREK, Data de Julgamento: 28/04/2015, CÂMARA 
ÚNICA) 
Pode-se observar que o Princípio da Função Social Contratual é necessária 
no momento em que deixa-se de observar a execução da justiça nas relações de 
consumo, uma vez que o fornecedor sempre vida o lucro, e a mão do Direito busca a 
Justiça, que sempre visa evitar ou punir os abusos impostos pelas pessoas. 
http://www.miguelreale.com.br/artigos/funsoccont.htm
14 
 
Nota-se a importância do princípio acima citado, vez que demonstra-se de 
forma vital à imposição da mais límpida Justiça, pois busca manter, e por vezes 
reaver, o equilíbrio nas relações contratuais, pois o homem, em sua natureza é mal, 
portanto, necessita-se que haja o Direito para que se tenha o equilíbrio necessário 
entre as partes que buscam pactuar um negócio jurídico. 
O filósofo inglês Thomas Hobbes tinha uma visão de que o homem é egoísta 
em sua essência, pois ele é movido pelo medo da morte e pela esperança de 
ganhos pessoais. Uma de suas frases que marcaram seu ponto ideológico, em sua 
Obra Leviatã, 1961, foi: “O homem é mau; o homem é o lobo do homem.” (HOBBES, 
Thomas. Leviatã. 1991.). 
Nota-se, portanto, a necessidade do Direito em clamar ao princípio da Função 
Social, pois nele assegura-se a Justiça nos contratos estabelecidos entre 
consumidor e fornecedor, que não deverão ultrapassar os interesses da coletividade. 
Ademais, há a necessidade em se falar da boa-fé objetiva, pois o Fornecedor 
e o Consumidor deverão obrigar-se sob o eixo de tal princípio, pois o Código de 
Defesa do Consumidor baseia-se em tal. 
O princípio da boa-fé é moldado na ideia do agir com justiça, com boa 
intenção, de forma honesta e equilibrada. Neste sentido, assevera o entendimento 
do Ilustre Doutrinador Silvio Rodrigues: 
Numa acepção genérica, derivada de sua própria etimologia, bona 
fides, a fides seria a honestidade, a confiança, a lealdade, a 
sinceridade que deve ser usada pelos homens em suas relações 
internegociais. 
(RODRIGUES, Silvio. Direito Civil: dos Contratos e das Declarações 
Unilaterais. Ano. 2000. 30 ed. Pg. 61). 
Não são poucos os estudiosos que apontam duas maneiras como as 
várias legislações encaram a boa-fé. Uma maneira objetiva, que se 
poderia chamar de boa-fé lealdade, e outra subjetiva, que se poderia 
chamar boa-fé crença. No primeiro caso se cogita daquele dever 
genericamente imposto aos homens; no segundo, na boa-fé crença, 
na persuasão, ou seja, do convencimento que está agindo de 
maneira correta. 
 (RODRIGUES, Silvio, Direito Civil: dos Contratos e das Declarações 
Unilaterais. Ano. 2000. 30 ed. Pg. 62). 
15 
 
Além disso, é claro no Art. 422 do Código Civil a preocupação do legislador 
em implantar o princípio da boa-fé objetiva nas relações contratuais, vejamos: ‘’Os 
contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua 
execução, os princípios de probidade e boa-fé’’. 
Sobre tal artigo, o Doutrinador Caio Mário da Silva Pereira se posiciona: 
A boa-fé referida no art. 422 do Código é a boa-fé objetiva, que é 
característica das relações obrigacionais. Ela não se qualifica por um 
estado de consciência do agende de estar se comportando de 
acordo com o Direito, como ocorre com a boa-fé subjetiva. A boa-fé 
objetiva não diz respeito ao estado mental subjetivo do agente, mas 
sim ao seu comportamento em determinada relação jurídica de 
cooperação. O seu conteúdo consiste em um padrão de conduta, 
variando as suas exigências de acordo com o tipo de relação 
existente entre as partes. 
(PEREIRA, Caio Mário da Silva Pereira. Instituições de Direito Civil: 
Contratos. 22 ed. 2018. Rio de Janeiro: Forense. Pg. 604) 
É de suma importância que as partes estejam agindo em conformidade com o 
princípio da boa-fé objetiva, uma vez que em caso contrário, o contrato tornar-se-á 
nulo, uma vez que a falta de tal afeta sua essência. 
Sobre isso, aduz Judith Martins Costa: 
Na sua configuração no domínio das obrigações a expressão “boa-
fé” indica, primeiramente, um modelo de comportamento, um 
standard valorativo de concretos comportamentos humanos. Esse 
standard considera modelar justamente um agir pautado por certos 
valores socialmente significativos, tais como a solidariedade, a 
lealdade, a probidade, a cooperação e a consideração aos legítimos 
interesses alheios, incluindo condutas omissivas sempre que o não-
fazer, ou a abstenção, for o meio indicado para concretizar tais 
valores sociais que, mediante o princípio da boa-fé, adquirem 
entidade jurídica. 
(MARTINS, Judith Costa. A boa-fé objetiva e o adimplemento das 
obrigações. Revista Brasileira de Direito Comparado. Rio de Janeiro: 
Instituto de Direito Comparado Luso-Brasileiro. 2003, p.233) 
O princípio da boa-fé objetiva torna-se tão necessário nas relações 
contratuais, que o legislador do Código de Defesa do Consumidor elaborou tal 
Códex em torno dele, pois assim, forçam os contratantes a agirem com boa intenção 
um com o outro ao estabelecerem suas relações consumerista. 
 
16 
 
3. CONTRATOS DE ADESÃO 
 
Em tese, os contratos são estabelecidos pelas partes, e de acordo com a 
vontade das partes. No entanto, com o advento da evolução da sociedade, e a 
massificação do consumo, principalmente após a Revolução Industrial, necessita-se 
que seja facilitada a forma de contratação. 
Nesse cenário, nascem dois modelos de contratos, os paritários e o por 
adesão. 
Os contratos paritários são aqueles onde contratante e contratado discutem 
os termos e inserem mutuamente suas vontades. São, portanto, elaborados da 
forma tradicional de que se conhece o contrato, ou seja, com base no princípio da 
autonomia da vontade. 
Sobre os contratos paritários, o Nobre Doutrinador define: “A situação oposta 
ao contrato de adesão se dá no chamado contrato paritário, em que há plena 
negociação do conteúdo pelas partes.” (TARTUCE, Flávio. Manual de Direito do 
Consumidor: Direito Material e Processual. 6 ed. Rio de Janeiro: Forense. São 
Paulo: Método. 2017. PG 201) 
Portanto, o contrato paritário ocorre de forma tradicional, conforme explana o 
Ilustre Doutrinador Clóvis Beviláqua: “o acordo de vontade de duas ou mais pessoas 
com a finalidade de adquirir, resguardar, modificar ou extinguir direito” (BEVILÁQUA, 
Clóvis. Código Civil Anotado, vol. 4. Rio de Janeiro: Francisco Alves.1916. PG 245). 
Ainda sobre o contrato paritário, dispõe o Ilustre DoutrinadorDaniel Amorim 
Assumpção Neves: 
“Como fica, destarte, evidente, estes contratos se opõe aos contratos 
paritários, que são aqueles que são contratos onde há, 
verdadeiramente, discussões com o escopo de se chegar a uma 
transigência. Como se bem depreende, neste tipo de contrato 
(paritário) as partes são colocadas em pé de igualdade, 
manifestando, deste modo, a autonomia de suas vontades que 
deveria ser peculiar a todos contratos. Ainda importante se dizer que, 
neste contrato as partes possuem uma ampla liberdade, pois cada 
parte poderá fazer suas considerações e objeções (fase da 
pontuação) para enfim se chegar a um acordo.” 
(MOREIRA ,Luiz Fernando. Teoria geral dos contratos de adesão. 
Disponível em 
<http://www.viajus.com.br/viajus.php?pagina=artigos&id=202>.) 
 
17 
 
Distinto é o contrato de adesão, pois ocorre de forma diversa da tradicional, 
no entanto, por necessidade da massa, torna-se necessário e indispensável. Essa 
necessidade coletiva para contratar por adesão, insere tal instituto no Princípio da 
Função Social do Contrato, uma vez que sua utilização atende a necessidade da 
população consumidora. 
O contrato de adesão, portanto, é um reflexo da sociedade atual, como tudo 
no Direito, uma vez que ele adequa-se às necessidades sociais. Além disso, é 
indispensável ao cenário consumerista atual, tendo em vista a praticidade de tal 
modalidade contratual. 
Este instituto define-se por ser um negócio jurídico bilateral, ou plurilateral, 
onde somente a parte contratada estabelece, previamente, as cláusulas que serão 
inseridas no contrato, e a parte contratante somente aceita ou não, sendo impedida 
de modificar substancialmente as condições do contrato. 
O Código Civil de 2002, define: 
Art. 423. Contrato de adesão é aquele cujas cláusulas tenham sido 
aprovadas pela autoridade competente ou estabelecidas 
unilateralmente por um dos contratantes, sem que o aderente possa 
discutir ou modificar substancialmente seu conteúdo. 
 
§ 1º Os contratos de adesão escritos serão redigidos em termos 
claros e com caracteres ostensivos e legíveis, de modo a facilitar a 
sua compreensão pelo aderente. 
 
§ 2º As cláusulas contratuais, nos contratos de adesão, serão 
interpretadas de maneira mais favorável ao aderente. 
(Brasil. Código Civil. 154. 25º edição. São Paulo: Saraiva Educação, 
2018.). 
 
O ilustríssimo doutrinador Carlos Roberto Gonçalves, em sua obra Direito 
Civil Brasileiro – Contratos e Atos Unilaterais, traz a definição para o tema: 
“Contratos de adesão são os que não permitem essa liberdade, 
devido à preponderância da vontade de um dos contratantes, que 
elabora todas as cláusulas. O outro adere ao modelo de contrato 
previamente confeccionado, não podendo modifica-las: aceita-as ou 
rejeita-as, de forma pura e simples, e em bloco, afastada qualquer 
alternativa de discussão. São exemplos dessa espécie, dentre 
outros, os contratos de seguro, de consórcio, de transporte e os 
celebrados com a concessionária de serviços públicos (fornecedoras 
de água, energia elétrica etc).” 
(Gonçalves, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro: Contratos e Atos 
Unilaterais. 16º ed. São Paulo: Saraiva. 2019. PG 98) 
 
18 
 
Outra emérita doutrinadora, Maria Helena Diniz, relata: 
“Os contratos de adesão constituem uma oposição à ideia de 
contrato paritário, por inexistir a liberdade de convenção, visto que 
excluem a possibilidade de qualquer debate e transigência entre as 
partes, uma vez que um dos contratantes se limita a aceitar as 
cláusulas e condições previamente redigidas e impressas pelo outro, 
aderindo a uma situação contratual já definida em todos os seus 
termos.” 
 (DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro: Teoria das 
Obrigações Contratuais e Extracontratuais. 24º ed. São Paulo: 
Saraiva. 2008. PG 89) 
Outra definição interessante sobre o contrato de adesão é a disposta pelos 
Ilustres Doutrinadores Flávio Tartuce e Daniel Amorim Assumpção Neves: 
“Como se pode perceber, o contrato de adesão é aquele imposto 
pelo estipulante, seja ele um órgão público ou privado, geralmente o 
detentor do domínio ou poderio contratual. Resta ao aderente duas 
opções, quais sejam aceitar ou não o conteúdo do negócio (take-it-
or-leave-it). A situação oposta ao contrato de adesão se dá no 
chamado contrato paritário, em que há plena negociação do 
conteúdo pelas partes.” 
(NEVES, Daniel Amorim Assumpção; TARTUCE, Flávio. Manual de 
Direito do Consumidor. 3. ed. – Rio de Janeiro: Forense: São Paulo: 
MÉTODO, 2014. PG 252) 
Essa espécie de contratos, é, portanto, um espelho da necessidade social, 
devido à massificação das relações de consumo, o que torna o contrato de adesão 
indispensável. 
3.1 Contratos de Adesão sob a ótica do Código de Defesa do Consumidor 
 
Por ser um contrato estritamente relativo à relação de consumo, o Código de 
Defesa do Consumidor trouxe uma sessão sob título DOS CONTRATOS DE 
ADESÃO para tratar do tema. 
O artigo 54, do acima citado Códex dispõe: 
Art. 54. Contrato de adesão é aquele cujas cláusulas tenham sido 
aprovadas pela autoridade competente ou estabelecidas 
unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou serviços, sem que o 
consumidor possa discutir ou modificar substancialmente seu 
conteúdo. 
 
§ 1° A inserção de cláusula no formulário não desfigura a natureza 
de adesão do contrato. 
 
§ 2° Nos contratos de adesão admite-se cláusula resolutória, desde 
que a alternativa, cabendo a escolha ao consumidor, ressalvando-se 
o disposto no § 2° do artigo anterior. 
19 
 
 
§ 3º Os contratos de adesão escritos serão redigidos em termos 
claros e com caracteres ostensivos e legíveis, cujo tamanho da fonte 
não será inferior ao corpo doze, de modo a facilitar sua compreensão 
pelo consumidor. 
 
§ 4° As cláusulas que implicarem limitação de direito do consumidor 
deverão ser redigidas com destaque, permitindo sua imediata e fácil 
compreensão. 
 
§ 5° (Vetado). 
(Brasil. Código de Defesa do Consumidor. 749. 25º edição. São 
Paulo: Saraiva Educação, 2018.). 
 
 
O Código de Defesa do Consumidor é a ferramenta pela qual o Estado dispõe 
as normas a serem seguidas pelos fornecedores e consumidores, e visa, 
principalmente, proteger o consumidor, uma vez que, em tese, este é a parte 
vulnerável da relação consumerista. 
Nota-se, portanto, a importância de proteger a relação contratual que se dá 
por meio do contrato de adesão, uma vez que o consumidor, já vulnerável, não pode 
opinar sobre as cláusulas previamente estabelecidas, no entanto, seu conteúdo 
deve ser apresentado a ele previamente. 
Nesse sentido, o Ilustre doutrinador José de Oliveira Ascensão dispõe: 
“Daqui resulta que estas Cláusulas, sejam genéricas sejam 
individuais abusivas, devem ser apresentadas ao destinatário 
previamente à celebração do negócio, em condições de poder ser 
dele conhecidas. Se o não forem a consequência é radical: não se 
entrega o conteúdo do contrato. Não são sequer inválidas, porque 
não chegam a ser conteúdo contratual.” 
(ASCENSÃO, José de Oliveira. Cláusulas Contratuais Gerais, 
Cláusulas Abusivas e o Novo Código Civil. Revista da Faculdade de 
Direito UFPR. Pg 07 Paraná. Disponível em 
˂revistas.ufpr.br/direito/article/view/1744˃. Acessado em 
27/06/2019.) 
 
Além disso, é necessário explanar a intenção do fornecedor e a do 
consumidor, pois assim, pode-se verificar a importância de tal tutela. O fornecedor 
visa o lucro, seu objetivo é vender seu produto e obter lucros; ao passo que o 
consumidor adquire o produto em prol de suprir alguma necessidade. 
Citando como exemplo, pode ser apontado a relação contratual entre um 
fornecedor de serviço de telefonia, e o consumidor de tal produto. O fornecedor visa 
20 
 
o lucro que vai ser oriundo de tal relação, sem importar-se se o fornecimento de tal 
produto irá ser adequado, enquanto o consumidor visa os benefícios que o serviço 
irá lhe propor, para suprir sua necessidade de comunicação. E, para que o 
fornecedor disponha aoconsumidor um serviço de telefonia adequado o Estado, 
através do Código de Defesa do Consumidor regula tal relação. 
Nessa linha de raciocínio, o Superior Tribunal de Justiça julgou: 
AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO 
AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL 
CIVIL (CPC/73). PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TELEFONIA. 
CONTRATO DE ADESÃO AO PLANO DE EXPANSÃO DE 
TELEFONIA. PRETENSÃO DE RECEBIMENTO DE DIFERENÇA 
DE AÇÕES. 1. Controvérsia acerca da aplicação do critério do 
balancete mensal a um contrato de planta comunitária de telefonia - 
PCT com previsão de retribuição de ações condicionada à 
integralização do capital mediante dação da planta comunitária à 
companhia telefônica, nos termos da Portaria 117/1991 do Ministério 
das Comunicações. 2. Nos termos do Enunciado n.º 371/STJ: "nos 
contratos de participação financeira para a aquisição de linha 
telefônica, o Valor Patrimonial da Ação (VPA) é apurado com base 
no balancete do mês da integralização". 3. Na linha da jurisprudência 
desta Corte Superior, a data da integralização, mencionada no 
Enunciado n.º 371/STJ, é a data do pagamento do preço 
estabelecido no contrato, ou a do pagamento da primeira parcela, no 
caso de parcelamento. 4. Particularidade dos contratos da 
modalidade PCT, em que a integralização do capital não se dá em 
dinheiro, no momento do pagamento do preço, mas mediante a 
entrega de bens, em momento posterior ao pagamento do preço, 
com a incorporação da planta comunitária ao acervo patrimonial da 
companhia telefônica. 5. Necessidade de prévia avaliação e de 
aprovação da assembléia geral da companhia, para a integralização 
do capital em bens ('ex vi' do art. 8º da Lei 6.404/1976). 6. 
Inviabilidade de aplicação do Enunciado n.º 371/STJ aos contratos 
de participação financeira celebrados na modalidade PCT. 7. 
Precedente específico da QUARTA TURMA desta Corte Superior no 
mesmo sentido. 8. Não apresentação pela parte agravante de 
argumentos novos capazes de infirmar os fundamentos que 
alicerçaram a decisão agravada. 9. AGRAVO INTERNO 
CONHECIDO E DESPROVIDO. 
 
(STJ - AgInt nos EDcl no AgInt nos EDcl no REsp: 1602441 SP 
2016/0135777-4, Relator: Ministro PAULO DE TARSO 
SANSEVERINO, Data de Julgamento: 13/05/2019, T3 - TERCEIRA 
TURMA, Data de Publicação: DJe 17/05/2019). 
Tudo isso mostra que a preocupação do legislador em proteger o consumidor 
nos Contratos de Adesão demonstra-se fundada, uma vez que é rotina do 
21 
 
fornecedor impor sua vontade, esquecendo-se de fazer prosperar o equilíbrio 
contratual. 
3.1.1 Princípio da Transparência 
 
É notória a preocupação do legislador em manter o consumidor informado dos 
termos contratuais, uma vez que os parágrafos 3º e 4º do artigo 54 do CDC 
padroniza uma forma a ser seguida no contrato de adesão. 
Em relação ao instituto do Princípio da Transferência, o Ilustre Doutrinador 
Flávio Tartuce expõe: 
“No contexto de valorização da transparência e da confiança nas 
relações negociais privadas, o Código de Defesa do Consumidor 
estabelece um regime próprio em relação aos meios de se propagar 
a informação, tendente a assegurar que a comunicação do 
fornecedor e a do produto ou serviço se façam de acordo com regras 
preestabelecidas, adequadas a ditames éticos e jurídicos que 
regulam a matéria.” 
(TARTUCE, Flávio. Manual de Direito do Consumidor: Direito 
Material e Processual. 6 ed. Rio de Janeiro: Forense. São Paulo: 
Método. 2017. PG 38) 
 
O corpo do contrato de adesão, conforme as normas acima citadas, deverá 
ser redigido de forma clara e simples, sendo vetado letras com formato inferior ao 
corpo doze, além de que, as cláusulas que limitam o direito do consumidor deverão 
ter destaque, com a finalidade de que o consumidor fique ciente do que está 
contratando, com base no Princípio da Transparência. 
Através desse princípio que rege o texto normativo do Consumidor, o 
fornecedor deve manter o consumidor informado de todos os seus direitos. Nesse 
sentido, o art. 4º versa: 
“Art. 4º. A Política Nacional das Relações de Consumo tem por 
objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o 
respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus 
interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem 
como a transparência e harmonia das relações de consumo, 
atendidos os seguintes princípios: 
 
(...) 
IV - educação e informação de fornecedores e consumidores, quanto 
aos seus direitos e deveres, com vistas à melhoria do mercado de 
consumo; 
 
(...)” 
22 
 
(Brasil. Código de Defesa do Consumidor. 745. 25º edição. São 
Paulo: Saraiva Educação, 2018.). 
 
Reiteradas vezes demonstra-se a preocupação do legislador com a ciência do 
consumidor do que está adquirindo, o que torna inconfundível qualquer ação em 
desacordo. 
Ainda nesse sentido, o Código de Defesa do Consumidor dispõe: 
Art. 46. Os contratos que regulam as relações de consumo não 
obrigarão os consumidores, se não lhes for dada a oportunidade de 
tomar conhecimento prévio de seu conteúdo, ou se os respectivos 
instrumentos forem redigidos de modo a dificultar a compreensão de 
seu sentido e alcance.” 
“Art. 6º. São direitos básicos do consumidor: 
(...) 
III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e 
serviços, com especificação correta de quantidade, características, 
composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem como sobre 
os riscos que apresentem; 
(...). 
(Brasil. Código de Defesa do Consumidor. PG 748. 25º edição. São 
Paulo: Saraiva Educação, 2018.). 
 
No contrato de adesão não poderia ser diferente, principalmente por se tratar 
de um contrato pré-estabelecido, onde deve ficar evidente e inconfundível os termos 
estabelecidos. 
O princípio da transparência possui duas vertentes, quais sejam, de informar 
e de ser informado. No tocante a de informar, refere-se ao fornecedor, que deve 
manter o contratante informado de todos os seus direitos; ao passo que o de ser 
informado é relativo ao consumidor vulnerável, que tem o direito de ser informado de 
todos os seus direitos e de todos os termos a ele estabelecidos pelo que está 
contratando. 
Em atenção a este instituto, o Superior Tribunal de Justiça se posiciona: “‘O 
acesso dos consumidores a uma informação adequada que lhes permita fazer 
escolhas bem seguras conforme os desejos e necessidades de cada um”. 
(Exposição de Motivos do Código de Defesa do Consumidor. Diário do Congresso 
Nacional, Seção II. 3 de maio de 1989. p. 1.663). 
Ainda sobre o princípio da Transferência, o Superior Tribunal de Justiça 
julgou: 
“Contrato de seguro. Cláusula abusiva. Não observância do dever de 
informar. A Turma decidiu que, uma vez reconhecida a falha no 
23 
 
dever geral de informação, direito básico do consumidor previsto no 
art. 6º, III, do CDC, é inválida cláusula securitária que exclui da 
cobertura de indenização o furto simples ocorrido no estabelecimento 
comercial contratante. A circunstância de o risco segurado ser 
limitado aos casos de furto qualificado (por arrombamento ou 
rompimento de obstáculo) exige, de plano, o conhecimento do 
aderente quanto às diferenças entre uma e outra espécie – 
qualificado e simples – conhecimento que, em razão da 
vulnerabilidade do consumidor, presumidamente ele não possui, 
ensejando, por isso, o vício no dever de informar. A condição exigida 
para cobertura do sinistro – ocorrência de furto qualificado –, por si 
só, apresenta conceituação específica da legislação penal, para cuja 
conceituação o próprio meio técnico-jurídico encontra dificuldades, o 
que denota sua abusividade” 
(STJ, REsp 1.293.006/SP – Rel. Min. Massami Uyeda – j. 
21.06.2012). 
 
No que desrespeita a tal tutela, a princípio, destaque-se a previsão de 
proteção contra publicidade enganosa e abusiva, conforme art. 6º, inc. IV, da Lei 
8.078/1990, inclusive pelo legado constitucional, por tratar o Texto Maior da 
regulamentação das informações que são levadas ao público e ao meio social. 
O conceito de publicidadedefinido no dicionário, dispõe: “Qualidade do que é 
público; vulgarização; anúncio por qualquer meio de propaganda.” (BUENO, Silveira. 
Minidicionário de Língua Portuguesa. 2º ed. São Paulo: FTD. 2007. PG. 635 
Portanto, a publicidade é o ato pelo qual torna-se público uma ideia, com a 
finalidade de torná-la realidade. No entanto, quando se trata de publicidade no ramo 
do Direito do Consumidor, esta não pode ocorrer de forma a ludibriar o consumidor a 
consumir algo distinto daquilo que se espera, ou seja, as informações da 
propaganda não podem ser falsas, seja de forma total ou parcial. 
Sobre o tema publicidade enganosa, o Superior Tribunal de Justiça julgou: 
“RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. CONSUMIDOR. 
"REESTILIZAÇÃO" DE PRODUTO. VEÍCULO 2006 
COMERCIALIZADO COMO MODELO 2007. LANÇAMENTO NO 
MESMO ANO DE 2006 DE NOVO MODELO 2007. CASO "PÁLIO 
FIRE MODELO 2007". PRÁTICA COMERCIAL ABUSIVA. 
PROPAGANDA ENGANOSA. PRINCÍPIO DA BOA-FÉ OBJETIVA. 
ALEGAÇÃO DE REESTILIZAÇÃO LÍCITA AFASTADA. 
LEGITIMIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO. DIREITO INDIVIDUAL 
HOMOGÊNEO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO. 
AÇÃO CIVIL PÚBLICA PROCEDENTE. 1.- Embargos de Declaração 
destinam-se a corrigir eventual omissão, obscuridade ou contradição 
intrínsecos ao julgado (CPC, art. 535), não constituindo via própria ao 
rejulgamento da causa 2.- O Ministério Público tem legitimidade 
24 
 
processual para a propositura de ação Civil Pública objetivando a 
defesa de direitos individuais homogêneos, de origem comum (CDC, 
art. 81, III), o que se configura, no caso, de modo que legitimado, a 
propor, contra a fabricante, Ação Civil Pública em prol de 
consumidores lesados por prática comercial abusiva e propaganda 
enganosa. 3.- Embora lícito ao fabricante de veículos antecipar o 
lançamento de um modelo meses antes da virada do ano, prática 
usual no país, constitui prática comercial abusiva e propaganda 
enganosa e não de "reestilização" lícita, lançar e comercializar 
veículo no ano como sendo modelo do ano seguinte e, depois, 
adquiridos esses modelos pelos consumidores, paralisar a fabricação 
desse modelo e lançar outro, com novos detalhes, no mesmo ano, 
como modelo do ano seguinte, nem mesmo comercializando mais o 
anterior em aludido ano seguinte. Caso em que o fabricante, após 
divulgar e passar a comercializar o automóvel "Pálio Fire Ano 2006 
Modelo 2007", vendido apenas em 2006, simplesmente lançou outro 
automóvel "Pálio Fire Modelo 2007", com alteração de vários itens, o 
que leva a concluir haver ela oferecido em 2006 um modelo 2007 
que não viria a ser produzido em 2007, ferindo a fundada expectativa 
de consumo de seus adquirentes em terem, no ano de 2007, um 
veículo do ano. 4.- Ao adquirir um automóvel, o consumidor, em 
regra, opta pela compra do modelo do ano, isto é, aquele cujo 
modelo deverá permanecer por mais tempo no mercado, 
circunstância que minimiza o efeito da desvalorização decorrente da 
depreciação natural. 5.- Daí a necessidade de que as informações 
sobre o produto sejam prestadas ao consumidor, antes e durante a 
contratação, de forma clara, ostensiva, precisa e correta, visando a 
sanar quaisquer dúvidas e assegurar o equilíbrio da relação entre os 
contratantes, sendo de se salientar que um dos principais aspectos 
da boa-fé objetiva é seu efeito vinculante em relação à oferta e à 
publicidade que se veicula, de modo a proteger a legítima 
expectativa criada pela informação, quanto ao fornecimento de 
produtos ou serviços. 6.- Adequada a condenação, realizada pelo 
Acórdão ora Recorrido, deve-se, a fim de viabilizar a mais eficaz 
liquidação determinada (Ementa do Acórdão de origem, item 5), e 
considerando o princípio da demora razoável do processo, que 
obriga prevenir a delonga na satisfação do direito, observa-se que, 
resta desde já arbitrado o valor do dano moral individual (item 5 
aludido) em 1% do preço de venda do veículo, devidamente 
corrigido, a ser pago ao primeiro adquirente de cada veículo, com 
juros de mora a partir da data do evento danoso, que se confunde 
com o da aquisição à fábrica (Súmula 54/STJ). 7.- Pelo exposto, 
nega-se provimento ao Recurso Especial.” 
(STJ - REsp: 1342899 RS 2011/0155718-5, Relator: Ministro SIDNEI 
BENETI, Data de Julgamento: 20/08/2013, T3 - TERCEIRA TURMA, 
Data de Publicação: DJe 09/09/2013) 
 
Nessa linha de raciocínio, o art. 220, § 3º, inc. II, da CF/1988 utiliza a 
expressão propaganda; o art. 22, inc. XXIX, e o § 4º do art. 220 tratam da 
25 
 
propaganda comercial; o art. 5º, LX, disciplina a publicidade dos atos processuais. 
Por fim, o seu art. 5º, XIV, dispõe sobre o direito à informação como direito 
fundamental. 
Diante do exposto, nota-se a ampla proteção ao direito da informação 
presente no códex que rege as relações de consumo, além da prevista na Carta 
Magna, tudo isso em prol de manter incólume o equilíbrio entre as partes. 
4. CLÁUSULAS ABUSIVAS INCOMPATÍVEIS COM A BOA-FÉ NOS CONTRATOS 
DE ADESÃO 
4.1. Da Cláusula abusiva incompatível com a boa-fé na Lei 8.078 de 1990 
 
O Código de Defesa do Consumidor taxa as condutas consideradas 
incompatíveis com negócio jurídico perfeito nas relações consumeristas em seu 
artigo 51, sob título de DAS CLÁUSULAS ABUSIVAS, às tornando nulas. 
Dentre o rol taxativo acima citado, encontram-se aquelas condutas que estão 
em desacordo com a boa-fé objetiva, in verbi: 
Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas 
contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: 
(...) 
IV - estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que 
coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam 
incompatíveis com a boa-fé ou a equidade; 
(...). 
(Brasil. Código de Defesa do Consumidor. PG 748. 25º edição. São 
Paulo: Saraiva Educação, 2018.). 
Em prol de erradicar qualquer atentado à justiça, o legislador, logo no caput 
da norma, considera nula as condutas ali dispostas como abusivas, uma vez que tais 
comportamentos são incompatíveis com o Direito. 
Pode-se concluir, então, que o consumidor está escuso, ab initio, de qualquer 
cláusula abusiva a ele imposta, independente de decisão judicial, uma vez que, tal 
conduta já nasce nula, o que a torna inválida e prescindível de declaração de 
nulidade. 
26 
 
Neste sentido, o julgado do Tribunal de Justiça do Distrito Federal dispõe 
sobre o tema: 
CIVIL. DIREITO DO CONSUMIDOR. CONTRATO DE 
FINANCIAMENTO. COBRANÇA DE TARIFA DE LIQUIDAÇÃO 
ANTECIDPADA. CLAUSULA ABUSIVA. NULIDADE. ARTIGO 51, IV, 
DO CDC. DEVOLUÇÃO. SENTENÇA CONFIRMADA POR SEUS 
PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. 1) HÁ NOS AUTOS 
DEMONSTRAÇÃO DO PAGAMENTO DA TARIFA, CONFORME 
PONDEROU A JUIZA SENTENCIANTE, QUANDO COTEJOU A 
DOCUMENTAÇÃO CONSTANTE DOS AUTOS. A PRÓPRIA 
RECORRENTE CONFIRMA A COBRANÇA, RESSALTANDO QUE A 
MESMA É LÍCITA, POIS CONSTA DO CONTRATO. OCORRE QUE 
TAL COBRANÇA É ABUSIVA. 2) O CONSUMIDOR TEM DIREITO 
DE ANTECIPAR A LIQUIDAÇÃO DE SEU FINANCIAMENTO E A 
IMPOSIÇÃO DA TARIFA REPRESENTA UM ÓBICE A ESSE 
DIREITO. POR ISSO A APLICAÇÃO DO CDC NO QUE SE 
RELACIONA A ABUSIVIDADE DA COBRANÇA QUE REPRESENTA 
FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO E AUTORIZA A 
DEVOLUÇÃO. 3) A CONSIDERAÇÃO DE LICITUDE DA TARIFA 
ENSEJARIA ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA E A REPARAÇÃO 
DESSE ATO É JUSTAMENTE A SUA DEVOLUÇÃO. 4) RECURSO 
CONHECIDO E NÃO PROVIDO. SENTENÇA MANTIDA POR SEUS 
PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. 5) CUSTAS E HONORÁRIOS PELO 
RECORRENTE VENCIDO, À BASE DE 10% (DEZ POR CENTO) DO 
VALOR DA CONDENAÇÃO, DEVIDAMENTE CORRIGIDA, ARTIGO 
55 DA LEI 9099/95. 
(TJ-DF - ACJ: 250315420088070007 DF 0025031-54.2008.807.0007, 
Relator: WILDE MARIA SILVA JUSTINIANO RIBEIRO, Data de 
Julgamento: 01/12/2009, Primeira Turma Recursal dos Juizados 
Especiais Cíveis e Criminais do D.F., Data de Publicação: 
14/01/2010, DJ-e Pág. 112) 
A interpretação do termo cláusula deve ser de forma ampla, pois deve-se 
considerar como cláusula abusiva qualquer ato disposto do rol taxativo do art. 51 do 
CDC, seja realizado de forma escritaou verbal. 
A segunda parte do inciso IV, do artigo 51 do CDC dispõe que as condutas 
incompatíveis com a boa-fé ou equidade serão consideradas nulas. Torna-se 
redundante, e talvez tenha sido essa a intenção do legislador, em pôr os termos 
boa-fé e equidade lado a lado, pois, na essência da boa-fé objetiva, como já 
abordado, deve-se agir em prol de manter o equilíbrio entre as partes. 
Nessa linha de raciocínio, Paulo Luiz Netto Lôbo relata: 
A boa-fé sempre se entroncou historicamente com a equidade. O 
juízo de equidade conduz o juiz às proximidades do legislador, porém 
27 
 
limitado à decidibilidade do conflito determinado na busca do 
equilíbrio dos poderes contratuais, tendo de um lado o predisponente 
e de outro o aderente típico. Não atua no plano da política legislativa. 
Apesar de trabalhar com critérios objetivos, com standards 
valorativos e com o efeito erga omnes da decisão, a equidade é 
entendida no sentido aristotélico de justiça do caso concreto. No 
caso, a equidade surge como corretivo ou impedimento das 
condições gerais iníquas ou que provocam vantagem injusta ao 
predisponente em relação a qualquer aderente. A ideia da lei é que 
existam critérios definidos referenciáveis em abstrato e que o juiz-
intérprete não os substitua por mera apreciação discricionária. 
(LOBÔ, Paulo Luiz Netto. Condições Gerais Dos Contratos E 
Cláusulas Abusivas. São Paulo: Saraiva. 1991. PG 147) 
Ainda sobre o tema, Flávio Tartuce explana: 
Eis o mais festejado inciso do art. 51 do CDC, por trazer um sistema 
totalmente aberto, que pode englobar uma série de situações, em 
especial pelas menções à boa-fé e à equidade. Da última, aliás, 
extrai-se a ideia de justiça contratual, inerente à eficácia interna da 
função social do contrato. 
(TARTUCE, Flávio. Manual de Direito do Consumidor: Direito 
Material e Processual. 6 ed. Rio de Janeiro: Forense. São Paulo: 
Método. 2017. PG 182) 
É importante frisar que a cláusula abusiva não invalida o contrato, somente 
anula a conduta prevista no rol taxativo acima mencionado artigo, aproveitando-se 
tudo aquilo que esteja em acordo com as normas estabelecidas pelo Código de 
Defesa do Consumidor. Vejamos: 
Art. 51. (...) 
§ 2° A nulidade de uma cláusula contratual abusiva não invalida o 
contrato, exceto quando de sua ausência, apesar dos esforços de 
integração, decorrer ônus excessivo a qualquer das partes. 
(...). 
(Brasil. Código de Defesa do Consumidor. PG 748. 25º edição. São 
Paulo: Saraiva Educação, 2018.). 
Qualquer conduta que esteja incompatível com a boa-fé, portanto, deve ter a 
mão impiedosa da Justiça sobre si. Com base nisso, o Tribunal de Justiça do Ceará 
decidiu: 
DIREITO CIVIL E DO CONSUMIDOR. RECURSOS DE APELAÇÃO 
CÍVEL EM AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL COM PEDIDO DE 
DEVOLUÇÃO DE QUANTIAS PAGAS E INDENIZAÇÃO POR DANO 
MORAL. SENTENÇA DE 1º GRAU QUE JULGOU PARCIALMENTE 
PROCEDENTE O PEDIDO. CONTRATO DE PROMESSA DE 
28 
 
COMPRA E VENDA, INCORPORAÇÃO E CONSTRUÇÃO POR 
ADMINISTRAÇÃO. CONDOMÍNIO CRUZEIRO DO SUL. 
PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA DA 
INCORPORADORA/CONSTRUTORA AFASTADA. INCIDÊNCIA DO 
CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. RESOLUÇÃO 
CONTRATUAL PELO ATRASO NA ENTREGA DO IMÓVEL. 
DEVOLUÇÃO DOS VALORES PAGOS COM RETENÇÃO DE 10%. 
DEVIDA. DANO MORAL. CONFIGURAÇÃO. SITUAÇÃO FÁTICA 
QUE ULTRAPASSA O MERO ABORRECIMENTO. QUANTUM 
INDENIZATÓRIO. CARÁTER PEDAGÓGICO DA CONDENAÇÃO. 
CORREÇÃO MONETÁRIA A PARTIR DE CADA DESEMBOLSO. 
RECURSOS CONHECIDOS, DESPROVIDO O APELO DA 
CONSTRUTORA/RÉ E PROVIDO O RECURSO DO AUTOR. 1. 
Preliminar de Ilegitimidade passiva. Possui a ré legitimidade para 
figurar no polo passivo, uma vez que o contrato foi firmado 
diretamente com a construtora/incorporadora, também responsável 
pela edificação do empreendimento e, inclusive, consta do contrato 
que responde pela Administração financeira da obra. Preliminar 
afastada. 2. O cerne da controvérsia consiste em analisar se é ou 
não devida a restituição das parcelas pagas por adquirente de imóvel 
desenvolvido em regime de construção por administração, em virtude 
de rescisão contratual decorrente do alegado atraso na entrega da 
obra, bem como se o fato ocasiona dano moral indenizável. 3. O 
Código de Defesa do Consumidor, em seu art. 51, incisos II e IV, 
expressamente delimita que são nulas de pleno direito as cláusulas 
contratuais que subtraiam do consumidor a opção de reembolso da 
quantia já paga, assim como as que estabeleçam obrigações 
consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em 
desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou 
equidade. 4. Conforme ficha financeira de fls. 82/83, o promissário 
comprador quitou todas as parcelas pactuadas até 30/08/2007, e 
nessa data a promitente vendedora sequer havia iniciado a 
construção de seu apartamento. 5. Obrigou-se a requerida a entregar 
o imóvel 48 (quarenta e oito) meses após a conclusão das 
fundações, passível de um atraso de até 180 (cento e oitenta) dias, 
contudo, mesmo diante da obrigação contratual a qual estava 
vinculada, não cumpriu com o prazo estabelecido na avença e o 
bloco D (apartamento do autor), após decorridos seis anos do 
contrato, sequer havia sido iniciado. 6. Frise-se que o fato é 
apontado na exordial e confirmado pela recorrente em sua 
contestação uma vez que, em momento algum na peça de defesa 
apresentada às fls. 106/130, a apelante refutou o argumento autoral. 
Na realidade a explanação da recorrente convergiu para defender 
que o atraso se deu por ausência de recursos que gerou, por 
conseguinte, a necessária revisão orçamentária. 7. Não restaram 
comprovadas as alegações da incorporadora de que a obra não foi 
concluída no prazo estipulado em razão da ausência de aporte 
financeiro por parte dos condôminos, que, por conseguinte, gerou a 
necessidade de uma revisão orçamentária. 8. Por outro lado, a meu 
entender, é fato incontroverso nos autos o atraso demasiadamente 
extenso para a entrega o imóvel o que, por si só, é apto a ensejar a 
rescisão contratual ante a infringência aos ditames da avença 
pactuada. 9. A jurisprudência pátria, inclusive do Superior Tribunal de 
29 
 
Justiça, consolidou o entendimento de que, nos casos de rescisão de 
contrato de promessa de compra e venda de imóveis, o adquirente, 
mesmo que inadimplente, tem o direito à devolução das parcelas já 
pagas, após realizada a retenção, pelo credor, de parte do valor a 
título de ressarcimento pelos custos operacionais de contratação. 10. 
Em relação ao pedido de danos morais, de fato, o descumprimento 
ou a abusividade permeada em cláusulas de contrato não tem o 
condão de, por si só, ensejar tal indenização. Não obstante, a meu 
ver, o caso em apreço possui caráter excepcional, em que se verifica 
a ocorrência de dano moral indenizável. Isso porque, a conduta da 
ré, no sentido de procrastinar, sem motivo justificado, a entrega da 
obra, causou prejuízo moral ao autor, que teve frustrado o sonho de 
ter a casa própria. Reformada a sentença nesse ponto. 11. Atento ao 
princípio da prudência e às peculiaridades do caso sub judice, 
ausente o critério objetivo de fixação da verba indenizatória por 
danos morais, hei por bem fixar o valor de R$ 10.000,00 (dez mil 
reais), haja vista ser quantia que não configura uma premiação, nem 
mesmo uma importância insuficiente para concretizar a pretendida 
reparação civil, além de estar em consonância com as mais recentes 
decisões dos Tribunais Pátrios. 12. A correção monetária deve incidir 
a cada desembolso e não a partir do ajuizamento da ação, como 
constou do decisum singular, conforme entendimento firmado pelo 
Superior Tribunal de Justiça que "em caso de rescisão de contrato de 
compra e venda de imóvel, a correção monetária das parcelas 
pagas, para efeitos de restituição, incide a partir de cada 
desembolso" (STJ - AgRg no REsp 1222042/RJ). Sentença 
reformada neste tópico. 13. RECURSO DA RÉ CONHECIDO E 
DESPROVIDO. APELO DO AUTOR CONHECIDO E PROVIDO. 
SENTENÇA REFORMADA PARCIALMENTE.ACÓRDÃO Vistos, 
relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os MEMBROS 
DA PRIMEIRA CÂMARA DE DIREITO PRIVADO do Tribunal de 
Justiça do Estado do Ceará, à unanimidade de votos, em 
CONHECER DOS RECURSOS DE APELAÇÃO, rejeitando a 
preliminar suscitada, e, no mérito, dar provimento ao apelo do 
promovente e desprover o recurso da promovida, nos termos do voto 
do Relator. Fortaleza, 12 de junho de 2019. Presidente da Câmara 
DESEMBARGADOR FRANCISCO MAURO FERREIRA LIBERATO 
Relator 
(TJ-CE - APL: 01838661520138060001 CE 0183866-
15.2013.8.06.0001, Relator: FRANCISCO MAURO FERREIRA 
LIBERATO, Data de Julgamento: 12/06/2019, 1ª Câmara Direito 
Privado, Data de Publicação: 12/06/2019) 
Tal norma reforça a imposição do instituto da boa-fé objetiva nas relações de 
consumo, pois os contratos devem atender a função social, ou seja, deve atentar à 
realidade social em que está inserida, e de forma equilibrada e transparente. 
 
4.2. Cláusulas Abusivas que ferem a boa-fé no contrato de Adesão 
 
30 
 
A forma de contratação do Contrato de Adesão proporciona ao fornecedor em 
exigir uma vantagem indevida do consumidor, uma vez que é ele quem elabora as 
cláusulas contratuais. 
Geralmente, esse tipo de contratação se dá através de um telefonema, ou 
através do acesso à internet. As empresas, possuem os dados cadastrais dos 
consumidores, e ligam oferecendo um serviço, ou enquanto o consumidor está 
navegando em algum site virtual, aparece uma propaganda bastante sedutora para 
ele, e basta um click, ou um sim, no caso do telefone, para aderir ao contrato. 
Ao oferecer serviços através do contrato de adesão, os fornecedores 
fornecem parte das informações que virão vinculadas ao contrato, somente aquelas 
que fazem com que o consumidor adquira o produto. Não é rotina um fornecedor 
demonstrar todos os termos do contrato ao consumidor, somente após a contratação 
é que o consumidor recebe uma cópia do contrato, se o solicitar. 
Esse tipo de contratação dá azo ao surgimento das cláusulas abusivas, pois o 
consumidor, por vezes, não tem plena ciência do está contratando, e o fornecedor, 
como já apontado, sempre visa o lucro, e para isto, ele deve prender o consumidor 
de todas as formas possíveis, para que não pare de adquirir seus produtos. 
A respeito do abuso do Direito nas relações contratuais, os Doutrinadores 
Farias e Rosenvald dispõem: 
Com mais minúcias: não se pode deixar de reconhecer uma 
íntima ligação entre a teoria do abuso de direito e a boa-fé objetiva 
– princípio vetor dos negócios jurídicos no Brasil (CC, arts.113 e 
422) – porque uma das funções da boa-fé objetiva é, exatamente, 
limitar o exercício de direitos subjetivos (e de quaisquer 
manifestações jurídicas) contratualmente estabelecidos em favor 
das partes, obstando um desequilíbrio negocial. Por isso, o 
eventual exercício de um direito contemplado em contrato, 
excedendo os limites éticos do negócio, poderá configurar abuso 
de direito. 
(FARIAS, Cristiano Chaves de Farias. Rosenvald, Nelson. Direito 
civil: teoria geral. Rio de Janeiro: Lumen Juris. Ed. 1. 2011. 
FARIAS E ROSENVALD, 2011. p.745) 
Sobre a Cláusula Abusiva no contrato de Adesão, o Tribunal de Justiça de 
São Paulo julgou: 
31 
 
COMPRA E VENDA RESCISÃO DE CONTRATO COM PEDIDO DE 
REPARAÇÃO MATERIAL CLÁUSULA ABUSIVA DESRESPEITO AO 
PRINCIPIO DA BOA FÉ OBJETIVA IMPOSIÇÃO, PELA RÉ, DE 
CONDICIONANTES NÃO PREVISTAS NO CONTRATO 
IMPOSSIBILIDADE DE FRUIÇÃO DO CONTRATO PELA AUTORA 
FAVORECIMENTO ILEGAL DA RÉ SENTENÇA MANTIDA. 
Apelação não provida. 
(TJ-SP - APL: 02017272620088260100 SP 0201727-
26.2008.8.26.0100, Relator: Cristina Zucchi, Data de Julgamento: 
30/06/2014, 34ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 
01/07/2014) 
Outro julgado sobre o tema, é a decisão do Tribunal de Justiça do Amazonas: 
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE. 
CLÁUSULA CONTRATUAL ABUSIVA. PAGAMENTO DE 20% 
SOBRE PARCELAS VINCENDAS EM CASO DE DESISTÊNCIA. 
ALUNO QUE CURSOU 2 MESES DE UM TOTAL DE 20 MESES 
DE DURAÇÃO. VANTAGEM EXCESSIVA. VIOLAÇÃO AO ART. 
51, IV CDC. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO IMPROVIDO. - O 
CDC, em seu art. 51, IV, estabelece que são nulas de pleno direito 
as cláusulas contratuais que coloquem o consumidor em 
desvantagem exagerada; - No caso concreto, o apelado participou 
do curso por somente 2 meses, sendo o valor total do mesmo de 
R$ 18.528,00 para o período de duração de 05/04/2013 a 
13/12/2014; - Logo, a exigência da multa rescisória de 20% sobre 
o valor total das parcelas vincendas se mostra deveras abusiva, 
ferindo a legislação do consumidor diante da flagrante ofensa ao 
art. 51, IV do CDC; - Tal vantagem excessiva trazida pela cláusula 
em questão não se mostra viável e atenta aos preceitos da boa-fé 
e equidade contratuais; - RECURSO CONHECIDO E 
IMPROVIDO. 
(TJ-AM 06048868020158040001 AM 0604886-80.2015.8.04.0001, 
Relator: Ari Jorge Moutinho da Costa, Data de Julgamento: 
28/06/2018, Segunda Câmara Cível) 
Tendo em vista tudo isso, nota-se a importância da proteção ao consumidor, 
uma vez que é o elo mais fraco da relação contratual, pois a cultura do brasileiro não 
é de ler o conteúdo antes de aderir, é de escutar o que seus ouvidos querem e 
aderir, sem se importar se o que está sendo contratado está em pleno acordo com 
os seus direitos. 
Portanto, a preocupação do legislador em proteger o consumidor, desde o 
princípio da relação contratual, ao solicitar que sejam atendidos os princípios da boa-
fé objetiva, da função social do contrato, da transparência, entre outros; até o 
momento da elaboração do contrato de adesão, onde ele dispõe com deve ser feito, 
32 
 
e a vedação ab initio das cláusulas abusivas é válido e necessário ao cenário atual 
consumerista brasileiro. 
O contrato de adesão que tiver em desacordo com o princípio basilar do 
Código de Defesa do Consumidor, que é o Princípio da boa-fé objetiva, estará 
fadado ao fracasso, pois uma relação que viola tal instituto fere o princípio de todo o 
negócio jurídico pretendido. 
4.3. Contrato de Adesão e o princípio da Vulnerabilidade do Consumidor 
 
Ao analisar o texto do Código de Defesa do Consumidor, evidencia-se a 
preocupação do legislador em proteger o consumidor, uma vez que ele é a parte 
vulnerável da relação. 
De acordo com a realidade da sociedade atual, essa situação desfavorável 
está difícil de mudar, uma vez que o cenário e as revoluções sociais em que a 
sociedade se encontra colaboram para que este quadro não mude. O mundo é 
capitalista, ou seja, visa o lucro incessante, o que dificulta o humanitarismo nas 
relações sociais, e principalmente, nas relações de consumo. 
Sobre a relação fornecedor versus consumidor, e a vulnerabilidade, o 
doutrinador Rizzatto Nunes comenta: 
E quando se fala em meios de produção não se está apenas 
referindo aos aspectos técnicos e administrativos para a fabricação e 
distribuição de produtos e prestação de serviços que o fornecedor 
detém, mas também ao elemento fundamental da decisão: é o 
fornecedor que escolhe o que, quando e de que maneira produzir, de 
sorte que o consumidor está à mercê daquilo que é produzido. 
(NUNES, Rizzatto. Curso de Direito do Consumidor. 12 ed. São 
Paulo: Saraiva. 2018. PG 122) 
Ainda neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça proferiu o seguinte acórdão: 
RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE CONHECIMENTO. SAÚDE 
SUPLEMENTAR. DIREITO DO CONSUMIDOR. PLANO DE SAÚDE 
COLETIVO. VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL OU 
DE SÚMULA. DESCABIMENTO. FUNDAMENTAÇÃO. AUSENTE. 
DEFICIENTE. SÚMULA 284/STF. PREQUESTIONAMENTO. 
AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. INCIDÊNCIA DO CDC. RESCISÃO 
UNILATERAL E IMOTIVADA. EMPRESA COM MENOS DE TRINTA 
BENEFICIÁRIOS. FATO JURÍDICO RELEVANTE. 
ABUSIVIDADE CONFIGURADA. MOTIVAÇÃO. NECESSIDADE. 
VULNERABILIDADE. 
33 
 
RECONHECIDA. BOA-FÉ E MANUTENÇÃO DOS CONTRATOS. 
1.Ação ajuizada em 27/10/15. Recurso especial interposto em 
24/05/17 e concluso ao gabinete em 24/11/17. Julgamento: CPC/15. 
2. O propósitorecursal consiste em definir se a operadora está 
autorizada a rescindir unilateral e imotivadamente contrato de plano 
de saúde coletivo empresarial firmado em favor de pessoa jurídica 
com 13 beneficiários. 3. A interposição de recurso especial não é 
cabível quando ocorre violação de dispositivo constitucional ou de 
qualquer ato normativo que não se enquadre no conceito de lei 
federal, conforme disposto no art. 105, III, "a" da CF/88. 4. A 
ausência de fundamentação ou a sua deficiência importa no não 
conhecimento do recurso quanto ao tema. 5. A ausência de decisão 
acerca dos dispositivos legais indicados como violados, não obstante 
a oposição de embargos de declaração, impede o conhecimento do 
recurso especial. 6. A Lei dos Planos de Saúde (Lei 9.656/98) prevê 
que se aplicam subsidiariamente as disposições do Código de 
Defesa do Consumidor aos contratos de plano de saúde coletivo e 
individual/familiar (art. 35-G). 7. Apenas em relação aos contratos 
individuais/familiares é vedada a suspensão ou a rescisão unilateral 
do contrato, salvo por fraude ou não-pagamento da mensalidade por 
período superior a sessenta dias, nos termos do art. 13, II, LPS. 8. 
Há expressa autorização concedida pela Agência Nacional de Saúde 
Suplementar (ANS) para a operadora do plano de saúde rescindir 
unilateral e imotivadamente o contrato coletivo (empresarial ou por 
adesão), desde que observado o seguinte: i) cláusula contratual 
expressa sobre a rescisão unilateral; ii) contrato em vigência por 
período de pelo menos doze meses; iii) prévia notificação da rescisão 
com antecedência mínima de 60 dias. 9. Contudo, a rescisão do 
contrato por conduta unilateral da operadora em face de pessoa 
jurídica com até trinta beneficiários deve apresentar justificativa 
idônea para ser considerada válida, dada a vulnerabilidade desse 
grupo de usuários, em respeito aos princípios da boa-fé e da 
conservação dos contratos. 10. Recurso especial parcialmente 
conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. 
 
(REsp 1708317/RS, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA 
TURMA, julgado em 17/04/2018, DJe 20/04/2018) 
O princípio da Vulnerabilidade do Consumidor tutela a parte frágil da relação 
consumerista, uma vez que quem adquire o produto já tem seu poder de escolha 
limitado pelo fornecedor, pois este é quem decide a quantidade, qualidade, tipo e o 
valor do produto que será lançado no mercado. 
Ademais, analisando a aplicação desse instituto ao tema dos contratos de 
adesão, é de suma importância sua aplicação, pois, como dispõe o eixo desse 
princípio, a relação contratual já nasce fadada ao consumidor ser a parte frágil da 
relação, uma vez que é o fornecedor quem estabelece as cláusulas que serão 
seguidas por ambos. 
34 
 
Em prol de promover o equilíbrio, o legislador da lei deixou claro que deveria 
ser respeitado o Princípio da Vulnerabilidade do Consumidor, como pode ser visto 
em seu texto: 
Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por 
objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o 
respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus 
interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem 
como a transparência e harmonia das relações de consumo, 
atendidos os seguintes princípios: 
I - reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de 
consumo; 
(...). 
(Brasil. Código de Defesa do Consumidor. 745. 25º edição. São 
Paulo: Saraiva Educação, 2018.). 
Nesse sentido, o Doutrinador Luiz Antonio Rizzatto Nunes dispõe: 
“(…) o consumidor é a parte fraca da relação jurídica de consumo. 
Essa fraqueza, essa fragilidade, é real, concreta, e decorre de dois 
aspectos: um de ordem técnica e outro de cunho econômico. O 
primeiro está ligado aos meios de produção, cujo conhecimento é 
monopólio do fornecedor. E quando se fala em meios de produção 
não se está apenas referindo aos aspectos técnicos e administrativos 
para a fabricação de produtos e prestação de serviços que o 
fornecedor detém, mas também ao elemento fundamental da 
decisão: é o fornecedor que escolhe o que, quando e de que maneira 
produzir, de sorte que o consumidor está à mercê daquilo que é 
produzido.” 
(NUNES, Luiz Antonio Rizzatto. Comentários ao Código de Defesa 
do Consumidor: direito material (arts. 1º a 54). São Paulo: Saraiva, 
2000. PG. 106.) 
A aplicação desse instituto nos contratos de adesão mantém o equilíbrio em 
tal relação, e serve, inclusive, como remédio legal quando surgirem as cláusulas 
abusivas neste contrato. 
A respeito da Vulnerabilidade o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul 
julgou em um acórdão: 
“APELAÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE 
INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. COSMÉTICO. REAÇÃO 
QUÍMICA LESIVA À SAÚDE. FALHA NA PRESTAÇÃO DO 
SERVIÇO. PRINCÍPIO DA VULNERABILIDADE DO CONSUMIDOR. 
DANOS MORAIS. QUANTUM INDENIZATÓRIO. Da legitimidade 
passiva 1. No caso em exame, em se tratando de contrato 
decorrente das relações de consumo, aplica-se a teoria da 
35 
 
aparência, de sorte que perante o consumidor é a parte ré a 
responsável pelo curso em questão, pois foi quem realizou a referida 
inscrição, razão pela qual é parte legítima para figurar no polo 
passivo da presente demanda, a teor do que estabelece o art. 3º, 
caput, do CDC. Do mérito dos recursos em exame. 2. Restou 
demonstrada a aplicação do produto em estabelecimento 
especializado e com atuação profissional na área em análise, bem 
como a reação adversa e prejudicial à saúde experimentada pela 
autora após o uso daquela substância química no cabelo mediante 
as fotografias insertas nos autos. 3. Oportuno destacar que não é 
possível exigir do consumidor prova mais robusta quanto ao nexo de 
causalidade, pois não há dúvidas quanto ao fato da autora ter 
utilizado o produto para alisamento e este apresentar forte reação 
química em seu cabelo, causando evidente dano à saúde e estético. 
4. Assim, a exigência do grau de certeza probatória pretendida 
constituiria extremada limitação aos direitos do consumidor, diante da 
dificuldade ou, até mesmo, da impossibilidade de sua realização, o 
que atenta ao garantismo à parte... hipossuficiente na relação de 
consumo. 5. De qualquer modo, devem ser informados ao 
consumidor, antes da aplicação do produto, todos os eventuais 
efeitos colaterais e danos que por ventura possam ocorrer com a 
utilização do cosmético. 6. No que tange à prova do dano moral, por 
se tratar de lesão imaterial, desnecessária a demonstração do 
prejuízo, na medida em que possui natureza compensatória, 
minimizando de forma indireta as consequências da conduta da ré, 
decorrendo aquele do próprio fato. Conduta ilícita da demandada que 
faz presumir os prejuízos alegados pela parte autora, é o 
denominado dano moral puro. 7. O valor a ser arbitrado a título de 
indenização por dano imaterial deve levar em conta o princípio da 
proporcionalidade, bem como as condições da ofendida, a 
capacidade econômica do ofensor, além da reprovabilidade da 
conduta ilícita praticada. Por fim, há que se ter presente que o 
ressarcimento do dano não se transforme em ganho desmesurado, 
importando em enriquecimento ilícito. Afastada a preliminar 
suscitada, negado provimento ao recurso da demanda e dado parcial 
provimento ao apelo da autora. (Apelação Cível Nº 70062896790, 
Quinta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Jorge Luiz 
Lopes do Canto, Julgado em 25/03/2015).” 
(TJ-RS - AC: 70062896790 RS, Relator: Jorge Luiz Lopes do Canto, 
Data de Julgamento: 25/03/2015, Quinta Câmara Cível, Data de 
Publicação: Diário da Justiça do dia 27/03/2015) 
O princípio da Vulnerabilidade do Consumidor é o remédio fundamental 
contra as cláusulas abusivas que surgirem no Contrato de Adesão. Através de tal 
instituto, nota-se a fragilidade do consumidor, desde o princípio limitado à vontade 
do fornecedor. 
36 
 
Apesar de que a disposição social brasileira exija a modalidade do contrato de 
adesão, e ainda, as normas brasileiras amplamente buscarema proteção do 
consumidor, é necessário uma vigilância minuciosa nas relações estabelecidas 
através dessa modalidade de contrato, uma vez que o consumidor nasce fragilizado, 
portanto, é imprescindível todo o cuidado a ele, afim de evitar que ocorra abusos na 
relação. 
Quando o fornecedor, vestido de sua ânsia em auferir lucro, inserir termos no 
contrato de Adesão, que prejudiquem o núcleo de tal instituto, ou seja, que estiver 
em desacordo com a Boa-fé, deve-se prosperar o Princípio da Vulnerabilidade do 
Consumidor, uma vez que sua voz é fraca em tal relação, o que torna necessário um 
amparo legal para que seja promovido o equilíbrio contratual. 
 
 
37 
 
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Ao longo deste estudo, é possível afirmar que o consumidor é amplamente 
protegido legalmente, em virtude de sua vulnerabilidade na relação contratual. O 
Código de Defesa do Consumidor busca promover o equilíbrio nas relações de 
consumo, em prol de atender as necessidades do fornecedor, e principalmente, do 
consumidor. 
Verifica-se que a cultura brasileira não induz o consumidor a manter-se atento 
aos seus direitos, e devido a isto, é necessário que seja tutelado, de forma 
redundante e obstinada os direitos de tais pessoas, pois a parte fornecedora já tem 
ciência de seus direitos, ao passo que o outro lado não dispõe do mesmo 
conhecimento. 
Desta forma, se estiverem presentes os princípios da boa-fé objetiva, da 
função social do contrato, da vulnerabilidade do consumidor e da transparência, as 
relações contratuais por adesão poderão ocorrer de forma justa e certa, 
Considerando todo o exposto, resta-se nítida e comprovada a importância dos 
institutos abordados, uma vez que resta comprovado sua necessidade a promoção 
da justiça nas relações contratuais por meio de adesão. 
 
38 
 
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STJ - REsp: 1342899 RS 2011/0155718-5, Relator: Ministro SIDNEI BENETI, Data 
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STJ - REsp 1708317/RS, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 
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TJ-AP - APL: 00046686520148030001 AP, Relator: Juiz Convocado MÁRIO 
MAZUREK, Data de Julgamento: 28/04/2015, CÂMARA ÚNICA. 
 
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WILDE MARIA SILVA JUSTINIANO RIBEIRO, Data de Julgamento: 01/12/2009, 
Primeira Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais do D.F., Data de 
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TJ-CE - APL: 01838661520138060001 CE 0183866-15.2013.8.06.0001, Relator: 
FRANCISCO MAURO FERREIRA LIBERATO, Data de Julgamento: 12/06/2019, 1ª 
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TJ-SP - APL: 02017272620088260100 SP 0201727-26.2008.8.26.0100, Relator: 
Cristina Zucchi, Data de Julgamento: 30/06/2014, 34ª Câmara de Direito Privado, 
Data de Publicação: 01/07/2014. 
 
TJ-AM 06048868020158040001 AM 0604886-80.2015.8.04.0001, Relator: Ari Jorge 
Moutinho da Costa, Data de Julgamento: 28/06/2018, Segunda Câmara Cível. 
 
TJ-RS - AC: 70062896790 RS, Relator: Jorge Luiz Lopes do Canto, Data de 
Julgamento: 25/03/2015, Quinta Câmara Cível, Data de Publicação: Diário da Justiça 
do dia 27/03/2015 
 
www.miguelreale.com.br/artigos/funsoccont.htm. 
 
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