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JURISPRUDÊNCIA: AGRAVO DE INSTRUMENTO. MANDADO DE SEGURANÇA. LIMINAR. INDEFERIMENTO. CONCURSO DE SARGENTO DO EXÉRCITO. INSPEÇÃO DE SAÚDE. ETAPA. HORÁRIO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. ATRASO. REGRAS DO EDITAL. AUSÊNCIA DA FUMAÇA DO BOM DIREITO. IMPROVIMENTO. 1- Cuida-se de agravo de instrumento interposto em mandado de segurança cujo objetivo é a reforma da decisão que indeferiu o requerimento de liminar, na qual se buscou a suspensão dos efeitos do ato que excluiu o impetrante do certame, com a designação de nova data para entrega da documentação requerida. 2 - Falta ao impetrante a fumaça do bom direito, requisito indispensável à concessão da medida liminar em mandado de segurança, ao contrário do que afirma. 3 - Nos documentos de convocação para fins de entrega da documentação necessária à realização da etapa de inspeção de saúde, há expressa menção de que os candidatos aprovados deveriam se apresentar em determinado dia e hora, sendo certo que existe o alerta de que, caso não fizessem, estariam eliminados. 4 - O recorrente deixou observar a exigência, pois chegou dois minutos atrasado ao local indicado, motivo pelo qual não foi possível receber a sua documentação. 5 - O Edital é a lei do concurso e é certo que o Poder Judiciário não pode adentrar às suas regras sob pena de invasão na esfera discricionária da Administração Pública e a sua atuação cabe apenas quanto ao exame da legalidade do procedimento administrativo e do tratamento isonômico dado aos candidatos, além de eventual ofensa aos princípios constitucionais. 6 - Se fosse o caso de se abrir exceção para o impetrante, além de se ferir regra do concurso, estar-se-ia ferindo, no mínimo, o princípio constitucional da isonomia, eis que, por certo, existem candidatos que se enquadraram nas normas e se apresentaram pontualmente no dia e hora indicados. 7 - Agravo de instrumento conhecido e improvido. (TRF-2-AG:00026364820174020000 RJ 0002636-48.2017.4.02.0000, Relator: GUILHERME CALMON NOGUEIRA DA GAMA, Data de Julgamento:20/06/2017, 6ª TURMA ESPECIALIZADA) VOTO: GUILHERME CALMON NOGUEIRA DA GAMA Relator Agravo de Instrumento - Turma Espec. III - Administrativo e Cível Nº CNJ : 0002636-48.2017.4.02.0000 (2017.00.00.002636-3) RELATOR : Desembargador Federal GUILHERME CALMON NOGUEIRA DA GAMA AGRAVANTE : LUCAS EDUARDO BULHOES DA SILVA ADVOGADO : RAFAEL DE ABREU BODAS AGRAVADO : UNIÃO FEDERAL PROCURADOR : ADVOGADO DA UNIÃO ORIGEM : 01ª Vara Federal do Rio de Janeiro (00342015320174025101) 1. Conheço do agravo de instrumento porque presentes seus pressupostos de admissibilidade. 2. Como relatado, cuida-se de agravo de instrumento interposto por Lucas Eduardo Bulhões da Silva, relativamente a mandado de segurança cujo objetivo é a reforma da decisão exarada pelo Juiz da 1ª Vara Federal do Rio de Janeiro, que foi assim exarada: "(...) É o relatório. Decido. Inicialmente, cumpre registrar que conforme se vê de fls. 32, bem como do aviso de convocação de fls. 109, todos os candidatos deveriam se apresentar nas respectivas Organizações Militares 'às 0800h do dia 06 de março de 2017", sendo certo que do referido aviso consta que “OS CANDIDATOS QUE NÃO SE APRESENTAREM NESSE DIA E HORÁRIO SERÃO ELIMINADOS DAS PRÓXIMAS ETAPAS DO CONCURSO.' Note-se que a parte autora não fez prova de justa causa que o impedisse de comparecer no local, não tendo, ainda, infirmado o fato, devidamente documentado pela autoridade (fls. 35), de que efetivamente compareceu ao local com dois minutos de atraso. A vinculação ao edital é o que garante a isonomia dos concursos públicos, na medida em que retira do intérprete qualquer liberdade para, de acordo com suas convicções, relativizar em maior ou menor grau os deveres lá previstos. Com efeito, descabe, a pretexto de se apurar razoabilidade, a utilização de critérios pessoais e externos ao certame, como, por exemplo, o que permitiria ao juiz considerar quantos minutos de atraso são relevantes. Nesse sentido: (...) Pelo exposto, INDEFIRO O PEDIDO LIMINAR. (...)" 3. O mandado de segurança consubstancia remédio constitucional e está disciplinado pela Lei nº 12.016/2009, de rito especial, dada a necessidade da sua celeridade processual. O referido diploma legal prevê, em seu artigo 7º, § 1º, a interposição do recurso de agravo de instrumento contra decisões do juiz de primeiro grau que concederem ou denegarem liminar. 4. Por outro lado, esta Corte tem deliberado que apenas em casos de decisão teratológica, fora da razoabilidade jurídica, ou quando o ato se apresenta flagrantemente ilegal, ilegítimo e abusivo, justificaria a reforma pelo órgão ad quem, em agravo de instrumento. E, nesse contexto, a ilegalidade da decisão deve ficar clara e inequívoca, pois, do contrário, tudo deve ser resolvido ao final, no bojo da sentença e pode ser examinado pelo Tribunal competente, em grau de recurso. Sobre o tema, confira-se: 5. Feitas as considerações iniciais, verifico que não assiste razão ao agravante. A decisão combatida não pode ser caracterizada como teratológica, irrazoável, ilegal ou abusiva. Além do mais, falta a fumaça do bom direito, requisito indispensável à concessão da medida liminar em mandado de segurança, ao contrário do que afirma. 6. Como se pode ver no documento de convocação (fls. 109), bem como no cartão de convocação (fls. 32), ambos para fins de entrega da documentação necessária à realização da etapa de inspeção de saúde, há expressa menção de que os candidatos aprovados no certame deveriam se apresentar às 8 horas da manhã do dia 06/03/2017. Em ambos os documentos existe o alerta de que, caso não se apresentassem no dia e hora referidos, estariam eliminados. 7. De acordo com o que consta no presente agravo, o recorrente deixou observar a exigência, conforme certidão expedida às fls. 35. Segundo aquele documento, o candidato atrasou-se dois minutos, chegando 8 horas e 2 minutos ao local indicado, motivo pelo qual não foi possível receber a sua documentação. 8. O Edital é a lei do concurso e é certo que o Poder Judiciário não pode adentrar às suas regras sob pena de invasão na esfera discricionária da Administração Pública. A sua atuação cabe apenas quanto ao exame da legalidade do procedimento administrativo e do tratamento isonômico dado aos candidatos, além de eventual ofensa aos princípios constitucionais, o que não é o caso. 9. Registre-se que se fosse o caso de se abrir exceção para o impetrante, permitindo-lhe novo dia e hora para a entrega dos documentos, além de se ferir regra do concurso, estar-se-ia ferindo, no mínimo, o princípio constitucional da isonomia. Por certo, existem candidatos que se enquadraram nas normas e se apresentaram pontualmente às 8 horas da manhã daquela data. 10. Por fim, se o candidato sabe das dificuldades que possui pelo fato de morar longe, deveria ter tomado as providências necessárias para evitar possíveis contratempos. Tratando-se de militar, mais ainda, pois é cediço que a vida castrense não comporta, por mais rígidas que sejam, exceções às regras e flexibilizações de normas. 11. Sendo assim, o indeferimento do requerimento de tutela de urgência deve ser mantida. 12. Assim, conheço do agravo de instrumento contudo nego-lhe provimento. É o voto. GUILHERME CALMON NOGUEIRA DA GAMA Relator