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A IMPORTÂNCIA DO ATO DE LER DE PAULO FREIRE LEITURA AUTÊNTICA, RELEITURA DE MUNDO E CONSTRUÇÃO DE SIGNIFICADOS

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(s) central (is) pelo autor do texto; suas considerações finais 
do texto e à apreciação pessoal dos alunos sobre o texto lido. Nessa etapa, os alunos 
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realizaram as várias fases da leitura, sugeridas pelo texto da HÜHNE (1992), estudadas 
em sala de aula. O segundo momento foi caracterizado pelo trabalho continuado da 
dupla fora da sala de aula, pesquisando sobre quem foi e quem é Paulo Freire e o último 
momento, novamente em sala de aula, para iniciar, desenvolver e concluir suas 
produções textuais. 
No processo, tivemos o cuidado de consultar os/as estudantes sobre suas 
disponibilidades em conceder a produção textual para fins de análise e possível 
publicação, com o respectivo compromisso de não revelar os nomes dos autores. Para 
garantirmos o sigilo, pressuposto básico da ética na pesquisa acadêmica, utilizamos a 
letra Letra D, para designar dupla, seguida e de um número correspondente à ordem 
aleatória, a partir do qual nos apropriamos da (re)significação do texto de Freire, pelos 
sujeitos da pesquisa. 
A pesquisa sobre Paulo Freire gerou a compreensão de que conhecimento é algo 
que se cria, se reinventa, se apreende e não como algo que pode ser apenas informado, 
transmitido, memorizado; que o conhecimento contribui com a humanização do sujeito, 
em seu movimento de busca por Ser Mais. 
A partir das contribuições de Freire (2007), estudantes e professoras vivenciaram 
o movimento e dinâmica da análise, de modo que uma situação relatada num 
determinado trecho de um texto, por vezes, os levava a estabelecer uma relação com as 
situações precedentes e com as que a ela se seguiam, para que não viessem a perder a 
compreensão do todo. 
A etapa seguinte realizada pelas professoras que elaboraram esse artigo, constou 
da leitura e agrupamento das falas contidas na unidade de escrita “Apreciação Pessoal” 
produzidas por cada dupla. Esse agrupamento resultou na identificação de categorias de 
análise, trabalhadas, posteriormente, à luz do referencial teórico-metodológico trazido 
por Bardin (2008), no tocante à análise de conteúdo. 
Para efetivarmos a organização e tratamento dos dados, retomamos nossos 
objetivos, com vistas à realização de uma primeira leitura geral das produções dos 
estudantes, denominada por Bardin (2008) de leitura flutuante, cujo objetivo foi o de 
captar elementos essenciais do nosso objeto de pesquisa. 
A leitura global consistiu numa leitura fluida, sem nos preocuparmos, ainda, em 
fazer quaisquer delimitações. Afinal, como diria Paulo Freire “Um texto será tão mais 
bem estudado quanto, na medida em que dele se tenha uma visão global, a ele volte, 
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delimitando suas dimensões parciais. O retorno ao livro para esta delimitação aclara a 
significação de sua globalidade” (2007, p.11). 
O segundo procedimento consistiu na codificação dos parágrafos em que os 
estudantes apresentavam argumentos em relação às contribuições do texto de Paulo 
Freire para a unidade de escrita, denominada apreciação pessoal. Fizemos destaques 
nos textos, utilizando marcações e palavras-chave ou expressões, visando encontrar os 
feixes de sentidos. 
Seguindo as recomendações de Bardin (2008), quanto à homogeneidade, 
exaustividade e adequação, chegamos ao mapeamento final, que constou da organização 
de blocos por temáticas: leitura autêntica, releitura de mundo e sincronicidade. 
 
Leitura autêntica: busca de coerência entre o escrito e o compreendido 
 Toda e qualquer escrita, seja um texto acadêmico, carta ou um bilhete eletrônico, 
são escritos para dizer algo. O autor de qualquer tipo de escrita se expressa para 
anunciar pelo menos uma ideia, o que Hühne (1992) denomina de ideia(s) central(is). 
No diálogo com o texto de Paulo Freire “A importância do ato de ler”, uma 
primeira questão colocada pelos estudantes diz respeito ao fato de que somos 
recorrentemente levados a pensar que: “a nossa única missão é memorizar, o que é 
muito errado, pois a verdadeira leitura é aquela em que você ler e entende o que o autor 
quis dizer” (D9). Essa compreensão, defendida pelo educador pernambucano, se tornou 
aprendizagem consolidada pelos estudantes, a partir da leitura do texto, conforme dito 
por uma dupla: 
Esse texto foi importante para melhor aprendizado sobre a 
importância da leitura e de compreendê-la para ter um conhecimento 
de tudo o que estamos inseridos termos uma posição crítica (D2). 
 
 Ao debruçar-se sobre essa temática, Freire expressou sua repulsa ao trabalho 
alienador de memorização e, ao mesmo tempo, denunciou o perigo da eminente morte 
do humano, quando destituído de sua capacidade de criar. Acreditamos que Paulo Freire 
expressa essa ideia de modo veemente quando nos diz: 
... O intelectual memorizador, que lê horas a fio, domesticando-se ao 
texto, temeroso de arriscar-se, fala de suas leituras quase como se 
estivesse recitando-as de memória-não percebe, quando realmente 
existe, nenhuma relação entre o que leu e o que vem ocorrendo no seu 
país, na sua cidade, no seu bairro, Freire (1999, p.30) 
 
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 Freire (1999, p. 29) destaca a incoerência entre não se realizar uma leitura do 
mundo, uma leitura contextualizada, e a capacidade de desenvolver um professor 
crítico, pois segundo ele: “... tornar-se um professor crítico se (...) é muito mais um 
repetidor cadenciado de frases e ideias inertes do que um desafiador...”. Para o autor, 
não há como produzir conhecimento e desenvolver uma visão crítica, sem que possamos 
fazer a leitura do vivido, percebido como algo que nos move a ver, sentir, indagar, 
fazendo dessa inquietação uma produção de sentidos. 
 Embora possa nos parecer óbvio, é fundamental a compreensão autêntica do 
texto, pois não há como desprezar a necessidade do autor que se dispôs a dizer algo, a se 
expor, enfim se desvelar por meio de sua escrita. Seriamos realmente leitores se de nos 
deparar com um texto, não assumirmos a tarefa de investigar a mensagem desse autor? 
Afinal, que mensagem ele concebeu como significativa para revelá-la ao mundo? 
 Com Freire, compreendemos que realmente há a possibilidade de alguém 
mergulhar e se banhar nas águas profundas do texto, alcançar o propósito do lido sem 
fazer buscar atingir a autêntica compreensão do texto, conforme afirmam os estudantes 
acerca do texto lido: 
Concordamos com o autor, em sua conclusão, pois se não tivermos 
um entendimento certo do que o texto nos transmitiu, teremos uma 
falsa ideia do assunto que foi passado e ter um entendimento certo nos 
fará transmitir a compreensão correta ao grupo ao qual nos 
disponibilizamos a transmitir o conhecimento adquirido com o texto 
(D23). 
 
 A leitura foi também compreendida por outros estudantes como algo que 
desvela, desanuvia e revela o mundo. Mas é necessário, que essa leitura seja trabalhada 
com ênfase na curiosidade, pois haveria como ler o mundo (nossa realidade concreta) 
sem que nossa curiosidade participasse dessa leitura? 
Para a dupla D13, a leitura da palavra, a leitura contextualizada, a leitura do 
mundo será alcançada pela curiosidade, esteio do interesse dos alunos, que assim 
literalmente escreveram: 
A leitura da palavra revela um mundo que até então estava escondido, mas 
que a partir da leitura do mundo conseguimos ter uma compreensão 
verdadeira da palavra. A educação é um ato político e que devemos como 
futuros educadores desenvolver junto aos nossos alunos uma leitura crítica, 
sempre enfatizando a curiosidade e o interesse deles, ou seja, uma leitura 
contextualizada (D13). 
 
 O exceto da fala revela a compreensão de que educação é ato político, decorrente 
da busca curiosamente crítica e do interesse de que lê, numa perspectiva