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Seminário VII - Teoria na prática - estratégias processuais

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a fraude e o conluio tipificados na Lei 4.502/64.
A multa agravada será aplicada quando presente circunstância agravante tipificada em lei, seja diante de infração objetiva ou subjetiva, a exemplo tem-se o desatendimento da ordem de apresentar documentos em prazo determinado na intimação.
A multa isolada também pode ser considerada multa de ofício, já que é igualmente constituída por procedimento administrativo tendente à sua constituição. Trata-se de multa aplicada quando o contribuinte realiza a prestação porém o faz em atraso, sem incidir a norma da denúncia espontânea. 
b)	O não pagamento de tributo é hipótese suficiente para a imposição de sanção ou somente para a cobrança da mora? Os juros de mora e a multa de mora podem ser exigidos simultaneamente? 
Sim, juros de mora e multa de mora podem sim ser exigidos simultaneamente, porquanto não possuem o mesmo objetivo de sua aplicação. Conforme já exposto, os juros de mora intentam indenizar o poder público por terem recebido o seu crédito a destempo, enquanto a multa de mora é sanção pelo não cumprimento da prestação de pagar tributo. 
c)	É possível aplicação concomitante da multa de ofício, pelo não pagamento de tributo apurado no final do ano-calendário com a multa isolada, cobrada pelo não recolhimento da estimativa do IRPJ? Caso a resposta seja negativa, qual das multas deveria ser aplicada? Analise a jurisprudência do CARF e do STJ (anexos I e II), levando em consideração o artigo 112 do CTN . 
Não é possível a exigência cumulativa das multas isolada e de ofício. Isso porque a multa isolada também é espécie de multa de ofício e também possui natureza punitiva e nesse intuito equivalente de resguardar e assegurar a arrecadação do tributo, aplicá-las cumulativamente seria incorrer em dupla penalização ao contribuinte. É nessa linha de raciocínio que o CARF consignou no acórdão CDRF/01-05.511 que é “incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. (...)”. 
Também em entendimento consolidado desse conselho administrativo, a multa isolada deve ter sua aplicação afastada. Como robora o professor Paulo de Barros Carvalho, não poderia ser outra a conclusão, já que tanto a multa de lançamento de ofício quanto a multa isolada decorrem da mesma situação fática.
d)	Quais os critérios para aplicação da multa qualificada? Defina os conceitos de sonegação, fraude e conluio (vide anexo III). O Fisco pode requalificar uma operação realizada pelo contribuinte como ilícita, aplicando multa qualificada, sobre a justificativa de ausência de “propósito negocial”?
Como já exposto, a multa qualificada será aplicada quando ocorrer uma infração subjetiva, assim, em caso da infração necessitar da verificação do elemento dolo para configuração do ilícito, tem-se a aplicação da multa qualificada. 
Tanto o conceito de sonegação, quanto o de fraude e conluio estão atrelados à ideia de ato enganoso, ação ardilosa, ilícita, realizada de má-fé, com o intuito de enganar outrem. Esses conceitos estão encontrados na Lei 4.502/64 , em seus artigos 71, 72 e 73. Na sonegação, definida no art. 71, o sujeito passivo se utiliza de meios ilícitos com vistas a retardar ou impedir o conhecimento pelo fisco do fato jurídico tributário. Na fraude, dada no art. 72, o sujeito passivo, visando reduzir sua carga tributária, se utiliza de mecanismos para impedir a ocorrência do fato jurídico tributário ou modifica os seus aspectos. O conluio, definido no art. 73, aponta que duas ou mais pessoas implementam alguma espécie de acordo, também visando reduzir ilicitamente a carga tributária. 
Sim, é possível que o Fisco faça a requalificação, caso da análise das provas e dos enunciados prescritivos que regulamentam a produção de linguagem se verifique alguma ilicitude nos negócios praticados. 
5.	Em que constitui a denúncia espontânea? Identifique se as multas tributárias são excluídas pela denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN nos seguintes casos: (i) tributo declarado integralmente e pago de forma parcial ou atrasada, antes do início de um procedimento fiscalizador; (ii) tributo declarado parcialmente e pago, depois declarado integralmente, mediante retificação, e pago; (iii) cumprimento de obrigação acessória a destempo (vide anexos IV e V). 
A denúncia espontânea vem transcrita no art. 138 do CTN, identificando os requisitos necessários para sua configuração, quais sejam: a comunicação espontânea ao Fisco da infração praticada; o recolhimento do tributo devido acompanhado de juros de mora (em se tratando de infração consistente na ausência ou insuficiência de pagamento) e a inexistência de procedimento administrativo ou medida de fiscalização instalados para apurar aquela ilicitude.
No exemplo I é possível a exclusão da multa e aplicação da denúncia espontânea se o tributo (integral ou complementar) é pago antes de qualquer procedimento fiscal e desde que recolhidos os juros de mora. 
Na hipótese do exemplo II é possível a exclusão da multa moratória se houve retificação anterior a ação fiscal, isso porque a proatividade do contribuinte em corrigir o equívoco elide a necessidade do Fisco de constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada, aplicando-se o benefício da denúncia espontânea. 
No caso detalhado no exemplo III não se exlclui a aplicação de multa tributária porque o descrito no art. 138 do CTN não se estende às obrigações acessórias autônomas. 
6.	Com relação aos crimes contra a ordem tributária, pergunta-se: 
a)	Qual o momento consumativo dos crimes contra a ordem tributária previstos no art. 1º da Lei 8.137/90? Há necessidade de esgotamento da esfera administrativa para a propositura da ação penal? (Vide Súmula Vinculante n. 24 do STF e anexo VI e VII). 
A consumação do crime se verifica quando pode-se identificar a ocorrência de todos os critérios da hipótese penal. Não obstante, em algumas hipóteses dos crimes contra a ordem tributária, o legislador não foi feliz em determinar como núcleo central da hipótese expressões que contém impropriedades. É o caso do art. 1º da Lei 8.137/90 que cuja hipótese penal é a supressão ou redução de tributo. Veja-se que nesse caso o momento consumativo não se dá do simples ato de suprimir ou reduzir tributo pois essa ação se trata de mera não-formalização do crédito tributário. Segundo a corrente que adotamos, o momento consumativo se daria com a fiscalização pelo agente fiscal que verifica que a formalização foi feita a menor, ou sequer fora feita. 
Quanto a necessidade de esgotamento da esfera administrativa para a propositura da ação penal, longe estamos de obter consenso jurisprudencial, o próprio Supremo Tribunal Federal tem várias posições divergentes em julgados em que adota o posicionamento de que o crédito tributário é condição para a punibilidade penal, o que não implicaria em supressão da autonomia institucional dada ao Ministério Pública que tem a função de propor ação penal pública incondicionada e outros que mitigam o enunciado da Súmula 24 do STF de acordo com as peculiaridades do caso concreto, aduzindo que é possível dar início à persecução penal antes de encerrado o procedimento administrativo, vide ARE 936.653.
Meu posicionamento circunda pela necessidade de se lançar em definitivo o crédito tributário para então se dar início à persecução penal, tanto por uma questão de economia processual – dado que se não houver justa causa para a denúncia por crime tributário, previne-se a propositura de uma nova ação -, bem como porque a hipótese penal precisa se verificar consumada, o que se dá com a finalização do procedimento administrativo.
b)	A decadência e prescrição tributária são causas de extinção da punibilidade penal dos crimes contra a ordem tributária? Fundamentar. (Vide anexo VIII). 
No direito tributário, os institutos da prescrição e da decadência são causas de extinção do crédito tributário, conforme art. 156, inciso V do CTN. O Superior Tribunal