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10/09/2020 FISIOPATOLOGIA II Aula 13 – Profa. Dra. Denise Cazati Doenças do Intestino – Síndromes Má Absortivas É caracterizada pela absorção defeituosa de gorduras, vitaminas lipo e hidrossolúveis, proteínas, carboidratos, eletrólitos e minerais e água. Quando essa má absorção é crônica pode vir acompanhada por perda de peso, anorexia, distensão abdominal, borborigmos e perda muscular. A má absorção resulta do distúrbio em pelo menos uma das quatro fases da absorção de nutrientes: (1) digestão intraluminal, na qual as proteínas, carboidratos e gorduras são quebrados em formas adequadas para a absorção; (2) digestão terminal, que envolve a hidrólise dos carboidratos e peptídeos por dissacaridases e peptidases, respectivamente, na borda em escova da mucosa do intestino delgado; (3) transporte transepitelial, no qual os nutrientes, fluidos e eletrólitos são transportados através do epitélio do intestino delgado, e lá processados e (4) transporte linfático dos lipídeos absorvidos. Os sintomas gerais incluem diarreia (da má absorção de nutrientes e da secreção intestinal excessiva), flatos, dor abdominal e perda de peso. A absorção inadequada de vitaminas e de minerais pode resultar em anemia e mucosite em razão da deficiência de piridoxina, folato ou vitamina B12; sangramento decorrente da deficiência de vitamina K; osteopenia e tétano decorrente da deficiência de cálcio, magnésio ou vitamina D; ou neuropatia periférica devida às deficiências de vitamina A ou B12. Uma variedade de distúrbios endócrinos e de pele também pode ocorrer. Diarreia Definida como o aumento na massa, frequência ou fluidez das fezes, tipicamente para volumes maiores do que 200 mL por dia. Casos graves, o volume das fezes pode exceder 14 L por dia e, sem reposição volêmica, resulta em morte. A diarreia dolorosa, sanguinolenta, de pequeno volume, é conhecida como DISENTERIA. A diarreia pode ser classificada em quatro categorias principais: • DIARREIA SECRETORA é caracterizada por fezes isotônicas e persiste durante o jejum. Resulta da hipersecreção de água e eletrólitos pelo enterócito, mantendo uma elevada taxa de transporte de líquido das células epiteliais para o lúmen do TGI. Levando ao aumento da secreção e bloqueio da absorção de fluidos e eletrólitos. • DIARREIA OSMÓTICA, tal como aquela que ocorre com deficiência de lactase, é devida às forças osmóticas exercidas por solutos luminais não absorvidos e leva a retenção de água. É a interrupção dos sintomas com a instituição de jejum ou depois que o paciente deixa de ingerir o agente osmoticamente ativo. O conteúdo eletrolítico das fezes excretadas é normal e não é responsável pela osmolaridade fecal total. • DIARREIA DISABSORTIVA causada pela absorção inadequada de nutrientes está associada a esteatorreia e é aliviada por jejum. Visivelmente, pode-se ver a presença de gordura nas fezes, siginificando que as regiões de absorção não estão funcionando adequadamente. • DIARREIA EXSUDATIVA é causada por doença inflamatória, caracterizada por fezes purulentas, sanguinolentas, que continuam durante o jejum. A má absorção – perturbação em pelo menos um ade quatro fases de absorção de nutrientes: I. digestão intraluminal, em que proteínas, carboidratos e gorduras são 2 degradados em formas absorvíveis, II. digestão terminal, que envolve a hidrólise de carboidratos e peptídeos por dissacaridases e peptídases, respectivamente, na borda em escova da mucosa do intestino delgado; III. transporte transepitelial, em que nutrientes, líquido e eletrólitos são transportados pelo epitélio do intestino delgado e processados nele IV. transporte linfatitico de lipídios absorvidos. Doença Celíaca Marca registrada: diarréia crônica + esteatorréia Absorção defeituosa de gorduras, vitaminas lipo e hidrossolúveis, proteínas, carboidratos, eletrólitos e minerais e água. Pode haver perda de peso, anorexia, distensão abdominal e fraqueza muscular. Evacuação volumosa, espumante e de cor amarela. Criança: distúrbio do crescimento. Fisiopatologia • Enteropatia sensível ao glúten. • Enteropatia mediada pelo sistema imunológico: - Gatilho: ingestão de alimentos que contêm glúten (trigo, centeio ou cevada) - Indivíduos geneticamente predispostos. • Risco de neoplasia maligna: - Linfoma T ou Adenocarcinoma • As lesões intestinais iniciam-se pelo reconhecimento de antígenos da gliadina, que estimulam a resposta imunitária, mediante expressão de IL-15 nos enterócitos = como esta lesado, facilita a entrada da gliadina que sofrerá desamidação pela presença da enzima transglutaminase. • IL-15 promove ativação de linfócitos intraepiteliais (CD8+) citotóxicos que agridem os enterócitos e estimulam a expressão de MIC-A (molécula da classe I do MHC). • Lesão de enterócitos favorece a penetração da gliadina na lâmina própria, onde sofre desamidação pela enzima transglutaminase, o que aumenta a imunogenicidade dos peptídeos gerados. • Antígenos derivados da gliadina ligam-se a moléculas HLA DQ2 ou DQ8 e são apresentados a linfócitos T CD4+, que liberam citocinas (p. ex., IFN-γ), que induz resposta inflamatória; • Esse processo crônico leva a um maior risco de desenvolver a neoplasia. • Enteropatia imunomediada desencadeada pela ingestão de cereais que contêm glútem. Morfologia: Amostras de biópsia da segunda porção do duodeno ou do jejuno proximal, os quais estão expostos às concentrações mais altas do glúten da dieta, são geralmente diagnósticos na doença celíaca. A histopatologia é caracterizada pelo número aumentado de linfócitos T intraepiteliais CD8+ (linfocitose intraepitelial), hiperplasia da cripta e atrofia das vilosidades. Esta perda de área da superfície mucosa e da borda em escova provavelmente é responsável pela má absorção. Além disso, as taxas aumentadas de reposição epitelial, refletidas na atividade mitótica aumentada nas criptas, podem limitar a habilidade dos enterócitos absortivos de se diferenciarem completamente e contribuir para os defeitos na digestão terminal e no transporte transepitelial. Outras características da doença celíaca completamente desenvolvida incluem números aumentados de plasmócitos, mastócitos e eosinófilos, especialmente na porção superior da lâmina própria. Com a frequência aumentada do mapeamento sorológico e da detecção prévia dos anticorpos associados a doenças, estima-se agora que o aumento no número de linfócitos intraepiteliais, particularmente 3 nas vilosidades, é um marcador de doença celíaca menos avançada. No entanto, a linfocitose intraepitelial e a atrofia das vilosidades não são específicas da doença celíaca e podem estar presentes em outras doenças, incluindo a enterite viral. A combinação da histologia e da sorologia é mais específica para o diagnóstico da doença celíaca. Quadro Clínico Pode haver anomalias na mucosa intestinal durante a endoscopia da porção superior do trato gastrointestinal em pacientes que apresentavam sintomas de refluxo e dispneia. Outras características que levaram ao diagnóstico incluíram a dor abdominal, a constipação, a perda de peso, os sintomas neurológicos (neuropatia periférica, convulsões, ataxia), a dermatite herpetiforme, a macroamilasemia, a hipoproteinemia, a elevação da taxa de sedimentação, a necessidade de maiores quantidades de medicações orais e as anomalias em exames hepáticos. Outros sinas e sintomas relatados incluem síndromes do intestinos do intestino irritável, náusea, vômito, dispepsia, timpanismo, distensão abdominal, glossite, cãibras musculares, sangramento, aborto, infertilidade, retardo do crescimento, parestesia, fraqueza, lassidão, hipoesplesnimo e intussuscepção do intestino delgado. A síndrome de má absorção avançada é caracterizada por diarreia, perda de peso e fezes volumosas, endorduradas e de odor anormalmente fético. O edema pode ser resultado da hipoalbuminemia causada peladiminuição da absorção de proteínas e pela Enteropatia com perda proteica. A anemia pode ser macrocítica, devido à deficiência de ácido fólico e, às vezes, pela má absorção de vitamina B12, microcítica, pela má absorção d ferro e proteínas, ou ainda mista. Abetalipoproteinemia Doença autossômica recessiva rara caracterizada pela incapacidade de secretar lipoproteínas ricas em triglicérides. É causada por mutações na proteína de transferência de triglicérides microsomal (MTTP) gene. A mutação na proteína microssomal de transferência de triglicerídeos torna os enterócitos incapazes de exportar lipoproteínas e ácidos graxos livres → os monoglicerídeos e triglicerídeos acumulam-se dentro das células epiteliais. Os vacúolos lipídicos em células epiteliais do intestino delgado são evidentes por microscopia óptica. Enterócitos deficientes em MTP (microsomal triglyceride transfer protein) são incapazes de exportar lipoproteínas e ácidos graxos livres. Como resultado, os monoglicerídeos não podem ser agrupados em quilomícrons e os triglicerídeos se acumulam nas células epiteliais Logo, a má absorção nesse caso, é causada por uma falha do transporte transeptelial. Catalisa o transporte de ésteres de colesterol e fosfolípides. Diagnostico comum na infância: diarréia e deficiência de crescimento. Os pacientes tem uma ausência completa de todas as lipoproteínas plasmáticas contendo apolipoproteína B, embora o gene que codifica a apolipoproteina B não esteja afetado. 4 IMAGEM HISTOLOGICA: Acúmulo intracelular de lipídios por falha do transporte e processamento transepiteliais com acúmulo de triglicerídeos e vacuolização das células epiteliais do intestino delgado. Sinais e sintomas • Indivíduos afetados experimentam deterioração neurológica progressiva, fraqueza muscular, dificuldade de caminhada, e anormalidades sanguíneas, incluindo uma condição em que as células vermelhas do sangue são malformadas (acantositose), resultando em anemia. • Isso devido a má absorção de gordura e de vitaminas solúveis em gordura, como vitaminas A D, E e K . Cronicamente podendo evoluir para ataxia e disartria. Colite Microscópica • Pessoas idosas (mulheres) entre 60-80 anos de idade podem sofrer de dois tipos especiais de colite. • Idiopática / autoimune • Alguns autores defendem que os estrogénios e a progesterona possuem propriedades anti- inflamatórias e protetoras da barreira epitelial em ratos com colite induzida. • Presença de uma camada de colágeno denso, aumento do número de linfócitos intraepiteliais e infiltrado inflamatório misto dentro da lâmina própria. • Colite colagenosa com quantidade excessiva de tecido conjuntivo (colágeno) na camada mucosa do cólon. • Colite linfocítica – os linfócitos intraepiteliais podem ser encontrados na mucosa do cólon. • Sinais e sintomas diarreia crônica, não sanguinolenta, aquosa, sem perda de peso. Patogenia • Disfunção da barreira epitelial no cólon de doentes com colite microscopica, preservando a do intestino delgado. • A permeabilidade paracelular se mostra aumentada, devido a uma redução da expressão de ocludina e claudina, originando assim uma diminuição da resistência do epitélio. • Outro elemento possivelmente alterado são os fibroblastos, com formação de colágeno subepitelial e sua respetiva acumulação. • Em mulheres, os hormônios auxiliam para que esse processo ocorra. Em mulheres na menopausa observa-se uma redução da ocludina e claudina e teremos uma maior exposição do epitélio do colón e o processo inflamatório propicia a deposição de colágeno na região da mucosa desencadeado por uma resposta linfocitária tipo Th1 e Th17 e ainda liberação de citosinas. 5 Síndrome do Intestino Irritado Transtorno funcional de caráter crônico que acomete até 15% da população brasileira entre 15 e 65 anos, sendo mais prevalente em mulheres. É uma doença comum, conhecida como um diagnóstico de exclusão Tradicionalmente, é considerada uma doença do eixo cérebro-intestino. A relação da doença com histórias de traumas, abusos na infância e valores aumentados de “hormônios do estresse”, como o hormônio liberador de corticotropina (CRH), assim como sua associação com transtorno ansiosos e depressivos corroboram com essa teoria. Entretanto, mais da metade dos casos de iniciam com sintomas intestinais, posteriormente, mas não necessariamente, evoluindo com sintomas psicológicos. Sintomas • Dor abdominal, flatulência, distensão, sensação de evacuação incompleta e estufamento; • Sintomas graves (25%): mulheres e jonves; • Angustia severa e catastrofismo; • Associação com doenças psiquiatrias (chega a 77%) • Associação com ciclo menstrual e estresse. Patogenia • Alterações da motilidade gastrointes.nal – > freq. e irregularidade de contracções gastrointestinais – > t. trânsito no SII- Obstipação – > resposta CCK e pós-prandial no SII- Diarreia • Disfunção psico-social (Corticotropin Releasing Factor) – > eventos stressantes – > ansiedade, depressão, fobias, somatização • Genética – Gémeos monozigóticos = gémeos dizigóticos – > frequência em familiares • Hipersensibilidade visceral (SN entérico e/ou SNC) -< limiar doloroso à distensão de balão • Inflamação intestinal (> linfócitos, mastócitos, citoquinas). Quadro Clínico 6 A dor e o desconforto abdominal são os sintomas mais frequentemente relatados na SII. Esses sintomas costumam ser mal localizados, de natureza variável e tendem a melhorar com a defecção. A dor e o desconforto também estão associados a alterações nos hábitos intestinais, na consistência das fezes ou na frequência de evacuações. Os sintomas associados incluem timpanismo, urgência evacuatória e sensação de evacuação incompleta. Pacientes com SII mais grave também tendem a apresentar comorbidades psicossociais. A presença desses distúrbios psicossociais costuma ser associada a um aumento no relato dos sintomas, ao mau estado geral e ao prognóstico mais reservado. SNC + Sistema Imune Intestinal Liberação de hormônios que estimulam o sistema imune por resposta ao vago; alteração da motilidade gastrointestinal. Os fatores psicológicos, por meio de seus efeitos no SNC (p.ex., centros cerebrais cognitivos e afetivos) ou pelo sistema nervoso autônomo ou pelas vias neuroendócrina (p.ex.,, eixo hipotálamo- pituitária-adrenal), também influenciam a percepção dos sintomas, bem como as respostas comportamentais e emocionais. O estresse psicológico afeta a função motora do intestino e reduz o limiar de sensação do órgão, o que aumenta a percepção gastrointestinal. Diagnóstico é clínico Devendo ser evitado o uso desnecessário de exames complementares invasivos e dispendiosos. De acordo com os critérios de ROMA IV, na ausência de sinais de alarme, o diagnostico deve ser feito baseado na presença de dor ou desconforto abdominal associado a evacuação com mudanças em hábitos intestinais (mudança na forma das fezes e/ou na frequência das evacuações) por no mínimo uma vez na semana, nos últimos três meses. Subclassificação de SII • SII-C (sub*po Cons*pação): >= 25% fezes sólidas ou fragmentadas e <25% pastosas ou líquidas • SII-D (sub*po Diarreia): >= 25% pastosas ou líquidas e <25% sólidas ou fragmentadas • SII-M (sub*po Misto): sólidas e fragmentadas >=25%, pastosas ou líquidas >= 25% • SII forma indeterminada Escala de Bristol 7 Deficiência de Lactase (Dissacaridase) É a causa, pois conduz à má digestão da lactose e à consequente intolerância. Patogenia • Os dissacarídeos normalmente são quebrados em monossacarídeos pelas disscarídases (p.ex, lactase, maltase, isomaltase, sacarase [invertase]) localizadas na borda em escova dos enterócitos. • Dissacarídeos não digeridos aumentam a osmolaridade, o que atrai água e eletrólitos para o intestino, produzindo diarreia aquosa. • A fermentação bacterianados carboidratos no cólon produz gases (H2, CO2 e metano), resultado em flatulência excessiva, distensão, desconforto e dor abdominal). Devido alterações bioquímicas • Deficiência congênita de lactase é um transtorno autossômico recessivo causado por uma mutação no gene que codifica a lactase. • Deficiência adquirida de lactase é causada por infrarregulação de expressão gênica da lactase . A deficiência adquirida de lactase (hipolactasia primária do adulto) é a forma mais comum de intolerância a carboidratos. Os níveis de lactase são altos em neonatos, permitindo a digestão do leite; em muitos grupos étnicos os níveis caem no período pós-desmame fazendo com que crianças maiores e adultos não consigam digerir quantidades significativas de lactose. Deficiência secundária de lactase ocorre em condições que danificam a mucosa do intes3no delgado (p. ex., doença celíaca, infecções intestinais agudas). Diagnósticos Diferentes Fecaloma Patologia comum e potencialmente fatal. Todos os grupos etáriosa → Crianças, pacientes acamados e idosos são as populações que estão sob maior risco. A impactação geralmente ocorre na presença de constopação severa, anormalidades anorretais e nas disfunções neurogênicas e funcionais gastrointestinais 8 Caso Clínico 1 – Doença Celíaca Doente do sexo masculino, 20 anos, estudante, caucasiano, natural e residente no interior de SP. Saudável até uns 6 meses atrás, altura em que recorre ao médico assistente por diarreia aquosa, mais de 10 dejecções/dia, surgindo igualmente durante a noite, sem sangue ou muco, mas por vezes com restos alimentares, associada a dores articulares (de predomínio nos joelhos e tornozelos), edemas dos membros inferiores e emagrecimento (cerca de 10 kgs em 1 mês - de 66 Kgs para 56 Kgs - IMC: 17,28kg/m2 ). Ao exame apresentava-se emagrecido, com secura da pele e mucosas. Sem icterícia. A tiroide era palpável, com características normais. Sem alterações na auscultação pulmonar e cardíaca. O abdómen apresentava timpanismo generalizado à percussão, sem evidência de massas palpáveis. Realizou EDA. Edema bilateral dos membros inferiores com godet. Não foram identificadas adenomegalias cervicais, axilares ou inguinais de significado clínico. Não foram identificadas lesões cutâneas ou alterações das fâneras. A avaliação laboratorial revelou anemia (Hgb: 10,7g/dl) normocrómica e normocítica; Htc: 33,3%; VGM: 76,4fl; GB: 4320; Plt: 273000 e elevação da VS (40mm/1ah). 9 A Prot C reactiva encontrava-se elevada (49,4mg/L). = se eleva em inflamação ou infecção. Fígado deixa de produzir albumina e passa a liberar vários produtos como a PCR na tentativa de proteção do corpo. Apresentava hipoproteinemia (56,3g/l) com hipoalbumina (30,7 g/l). Colesterol total e triglicerídeos normais. O exame bacteriológico e parasitológico de fezes, com pesquisa de toxina de Clostridium Difficile, foram negativos. Os anticorpos anti-gliadina foram normais (2,2 mgA/L), mas os anticorpos anti- transglutaminase encontravam-se muito elevados (198,7 UA). O estudo anatomopatológico do produto de biopsia duodenal revelou "retalhos de mucosa totalmente desprovidos de vilosidades e com marcada hiperplasia das criptas. No corion observa-se infiltrado inflamatório polimórfico, de predomínio linfo-plasmocitário". Caso Clínico 2 – Síndrome do Intestino Irritado Uma mulher de 34 anos, mãe de três filhos, apresenta-se ao médico da família com história de 3 semanas de cólicas abdominais em ambos os quadrantes inferiores. Ela vinha apresentando frequentemente fezes pequenas e moles, acompanhadas por muco, mas sem sangue. Seus sintomas melhoram com as evacuações ou com a passagem de gases. Ela vinha apresentando sintomas quase todo mês desde que estava na faculdade, mas eles vêm piorando recentemente. Ela não tinha história anterior, exceto três gestações normais. A história familiar é negativa para câncer de cólon. Ela tem uma irmã com sintomas semelhantes, mas que não foi ao médico. A história pessoal/social revelou que ela é contadora, e que trabalha por muitas horas. Sua empresa está prestes a se fundir com outra, e ela teme perder o emprego. A revisão dos sistemas é negativa. Ela não perdeu peso nem teve nenhum outro sintoma cons3tucional. No exame físico, o único achado é uma leve sensibilidade no quadrante inferior direito. Não se percebe nenhuma massa. Caso Clínico 3 – Síndrome do Intestino Irritado Uma dona-de-casa de 40 anos de idade reclama de constipação constante. Ela vinha apresentando problemas desde os 20 anos de idade, mas eles estão piores agora. A constipação é acompanhada de distensão abdominal e dor abdominal, e o desconforto só melhora quando ela tem movimento intestinal. A pedido de sua ginecologista, ela vinha experimentando mais fibras em sua dieta, incluindo frutas frescas e verduras, mas isso só fez a distensão abdominal piorar. Sua história anterior incluía uma colecistectomia e uma histerectomia. O exame físico é totalmente normal. O exame retal revela fezes com consistência normal. O exame de fezes foi negativo para sangue oculto. Caso Clínico 4 – Deficiência de Lactase Uma mulher de 25 anos apresenta uma história de 10 anos de diarreia intermitente, distensão abdominal, dor abdominal e flatulência. Seus sintomas se agravaram recentemente. Ela acredita que a mudança nos sintomas pode estar relacionada ao aumento da ingestão de leite nos últimos meses. Antigamente, ela consumia quantidades moderadas de produtos lácteos perecíveis, mas pouco leite. Ela tem uma história prévia de eczema e asma (usa inaladores de salbutamol conforme necessário) e foi diagnosticada com síndrome do intestino irritável (SII) pelo médico da família há vários anos. A história familiar revela que sua única irmã foi diagnostucada com SII e intolerância à lactose. O exame abdominal revela um abdome levemente distendido. Os resultados do exame de sangue oculto nas fezes são negativos. Caso Clínico 5 – Obstrução Intestinal por Fecaloma 10 Paciente do sexo feminino, 76 anos, com história de diabetes, constipação crônica e ressecção segmentar de transverso há 10 anos por adenoma não ressecável por colonoscopia. Foi internada com quadro de distensão e dor abdominal difusa ha 2 dias e sem evacuar ha 5 dias. Nos dias anteriores ao início dos sintomas relatava evacuações a cada 2 dias, sempre em pequena quantidade. A paciente estava em bom estado geral, abdome distendido com ruídos presentes e desconforto à palpação difusamente, sem sinais de peritonite e sem massas palpáveis. No toque retal não se notavam lesões e não havia fecaloma tocável. Os exames laboratoriais mostravam eletrólitos, amilase e função renal normais. Hemograma com hemoglobina normal mas com 17000 leucócitos, sem desvio à esquerda. Realizou tomografia de abdome total com os seguintes achados: Ausência de líquido livre ou sinais de pneumoperitônio. Estômago e intestino delgado sem distensão. Volumosa coprostase no cólon direito e cólon transverso sem se identificar ponto de obstrução evidente. Referencias - D.HEIZER, William. Doença Celíaca. In: S.RUNGE, Marschall. Netter Medicina Interna. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier Editora Ltda., 2009. Cap. 65. p. 475-482. - R.TURNER, Jerrold. O trato gastrointestinla. In: KUMAR, Vinay. Robbins & Cotran - Patologia: bases patológicas das doenças. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier Editora Ltda., 2010. Cap. 17. p. 771-839. - RINGEL, Yehuda. Síndrome do Intestino Irritável. In: S.RUNGE, Marschall. Netter Medicina Interna. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier Editora Ltda., 2009. Cap. 59. p. 429-435.