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DOENÇA DE LEEG-CALVÉ-PETHERS

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VICTORIA CHAGAS 
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DOENÇA DE 
LEGG-CALVÉ-PETHERS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 VICTORIA CHAGAS 
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DOENÇA DE LEGG-CALVÉ-PETHERS 
 Definida como uma necrose isquêmica ou avascular do núcleo secundário de ossificação 
da epífise proximal do fêmur, podendo ocorrer dos 2 aos 16 anos. 
 Mais comum em meninos (4x maior), baixa estatura, distúrbio de atenção, histórico de 
baixo peso/altura no nascimento, atraso na idade óssea e anormalidades congênitas. 
 É uma doença degenerativa da articulação do quadril geralmente unilateral 
 Na doença, os vasos epifisários laterais e anteriores e os cervicais ascendentes laterais 
(ramos da artéria circunflexa femoral medial) estão afetados e constituem uma área de 
avascularidade em determinado local da cabeça femoral, produzindo necrose óssea. 
 70% dos pacientes portadores apresentam anomalias trombolíticas → eventos trombolíticos 
comprometem a circulação da cabeça do fêmur 
 Sua causa ainda é incerta. 
 A causa mais aceita é um distúrbio do suprimento 
sanguíneo da epífise do osso. Possíveis causas 
podem ser: isquemia da epífise femoral, drenagem 
venosa anormal da epífise femoral, crescimento e 
desenvolvimento anormais, trauma, 
hiperatividade, fatores nutricionais e hereditários, 
anomalias na coagulação. 
 
❖ FISIOPATOLOGIA 
 
 A patogenia é caracterizada pela existência de segmento ósseo privado de sua circulação 
em articulação de carga, e, por isso, está necrosado e morto. Ele passará por um período 
de amolecimento, tornando-se vulnerável e deformável durante o processo de reparação. 
 Trata-se de uma doença autolimitada → após o surto de isquemia, ocorre reparação 
 
1. Instalação da necrose óssea 
2. Proliferação e diferenciação do tecido neoformado 
3. O tecido neoformado, que avança de lateral para medial e de anterior para posterior, 
invade o fragmento avascularizado e absorve osso morto e repõe osso novo e imaturo. 
4. Por esse processo de reparação ser inflamatório, há presença de edema articular com 
distensão capsular, o que provoca dor. 
5. Devido à substituição reparadora, ocorre um amolecimento tecidual em várias áreas → 
fase de fragmentação → período de vulnerabilidade mecânica da cabeça femoral, 
que pode ser deformada pela pressão excêntrica do acetábulo 
6. Ao mesmo tempo, várias áreas estão sendo reparadas e completam a substituição do 
osso necrótico → fase de reossificação (é desorganizada e assimétrica, o que causa 
deformidade da epífise femoral e alargamento do colo). Esse tecido ainda jovem e não-
mineralizado vai adquirindo consistência óssea (vista na radiografia) 
7. O processo é concluído com a conformação esférica ou não → fase residual. 
 
❖ SINAIS CLÍNICOS 
 
 Claudicação (dor ao caminhar – mancar) que aumenta com atividade física 
 Dor → em geral na região inguinal ou anterior do quadril ou no jorlho 
 Limitação em abdução e rotação interna 
 No início, os sintomas costumam ser pouco intensos, mas, obrigam a criança à restrição das 
atividades, o que produz melhora da irritabilidade da articulação. 
 Mais raras são as eventualidades de dor aguda e intensa, ocasionando imobilidade 
articulação, com bloqueio doloroso dos movimentos do quadril. 
 
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❖ DIAGNÓSTICO 
 
o RADIOGRAFIA 
 
 Fase de necrose (inicial) → dura em torno de 6 meses e caracteriza por discreta diminuição 
do núcleo epifisário e aumento do espaço articular quando comparado ao lado oposto; a 
cabeça torna-se mais densa ao raio X 
 Fase de fragmentação → Áreas radioluzentes (escuras) entremeando e, por vezes, 
envolvendo zonas de densidade aumentada na cabeça femoral demarcam o início da 
fase de fragmentação, que tem duração média de oito meses e é o período plasticamente 
deformável da cabeça 
 Fase de reossificação → áreas radioluzentes são, de forma gradual, substituídas por osso 
novo, porém, a princípio, ainda não mineralizado, e tem a duração média de quatro anos. 
 Fase residual → não existem alterações na densidade da cabeça femoral, e sua 
remodelação pode ocorrer até a maturidade esquelética. 
 
o CINTILOGRAFIA → identificação mais precoce da necrose e reossificação do pilar lateral 
da epífise; mais invasivo (contraste na veia) 
 
o RESSONÂNCIA MAGNÉTIGA → diagnóstico precoce, necrose aparece antes do que no 
RX e na cintilografia. Utilização não é rotineira porque não apresenta vantagens visuais 
significativas sobre a radiografia. 
 
❖ CLASSIFICAÇÃO 
 
 CALTERALL → De acordo com grau de envolvimento da epífise femoral 
Grau I: comprometimento pequeno e parcial do segmento anterior da epífise. 
Grupo II: maior comprometimento do segmento anterolateral da epífise, com sequestro central (50%). 
Grupo III: maior parte da epífise está afetada (75%), com presença de cistos metafisário. 
Grupo IV: comprometimento total da epífise. 
 
 SALTER E THOMPSON → De acordo com extensão da fratura subcondral na epífise femoral 
Grupo A: extensão de comprometimento menos de 50%. 
Grupo B: extensão de comprometimento maior de 50%. 
 
 HERRING → De acordo com porcentagem de envolvimento da altura do pilar lateral 
Grupo A: não há perda de altura do pilar lateral. Prognóstico bom. 
Grupo B: colapso parcial; menos de 50% de altura do pilar lateral. Prognóstico moderado. 
Grupo C: mais de 50% de perda da altura do pilar lateral. Prognóstico ruim. 
 
❖ PROGNÓSTICO 
 
 Definido pela forma residual da epífise femoral após a doença 
 A DLCP geralmente tem um bom prognóstico, com sequelas que não comprometem a 
função do quadril e não obrigam intervenções cirúrgicas. 
 Crianças com acometimento bilateral sequencial apresentam pior prognóstico, assim como 
o início da doença nas crianças com idade mais avançada. 
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 Na evolução, deve-se observar, que quanto maior o comprometimento da epífise na fase 
ativa da doença, mais difíceis são as condições de se obter articulação esférica e 
congruente na fase residual. 
 Quando a pressão da borda do acetábulo sobre a cabeça femoral é muito grande, pode 
gerar deformidades mais limitantes, como o quadril em dobradiça (bloqueio da rotação) 
ou seu aplanamento. O crescimento fisário também pode ser comprometido (quando 
ocorre na região central, resulta em colo curto e epífise arredondada; quando ocorre na 
região lateral, a cabeça femoral fica rodada externamente e a epífise fica ovalada 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
❖ TRATAMENTO 
 
 Repouso e imobilização → inclui repouso prolongado no leito, tração móvel, abdução com 
aparelho ortopédico gessado e talas para conter a cabeça do fêmur. Alguns especialistas 
preconizam a osteotomia subtrocanteriana com fixação interna e ambulação precoce. 
 Algumas vezes, cirurgia 
 
 Sem tratamento, o processo é prolongado, porém autolimitante (geralmente 2 a 3 anos). 
Quando a doença eventualmente torna-se quiescente, as distorções residuais da cabeça 
do fêmur e do acetábulo predispõem a osteoartrite degenerativa secundária. Com o 
tratamento, as sequelas são menos graves. Crianças pequenas e crianças com menos 
destruição da cabeça femoral quando diagnosticadas têm o melhor desfecho. 
 
Figura 1 - sinais de quadril em risco