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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS E AMBIENTAIS CURSO: ZOOTECNIA Discentes: Arlan Araújo Maria Helena dos Santos TECNOLOGIA DO ABATE DE BOVINOS Docente: Prof. Dra.Michelle Parente CHAPADINHA-MA 2018 1 INTRODUÇÃO O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina; Por ano são abatidas 36,90 milhões de cabeças; Em 2017 aumentou 9,5% nas exportações. (ABIEC; 2017) 2 2 INTRODUÇÃO “O abate de bovinos era constituído por um processo sem o emprego de técnicas com níveis tecnológicos adequados.” ABATE CLANDESTINO (IBGE, 2016) 3 O processo que envolve o abate de bovinos é dividido em três áreas ( a que antecede o matadouro, no próprio matadouro tem a área suja e área limpa) 3 INTRODUÇÃO Qualidade carne para o consumidor: manejo propriedade rural até o abate; Abate: deve ocorrer sem sofrimento ABATE HUMANITÁRIO “Pode ser definido como o conjunto de procedimentos técnicos e científicos que garantem o bem-estar dos animais desde o embarque na propriedade rural até a operação de sangria no matadouro-frigorífico” 4 5 5 Embarque e Transporte Dois tipos de ação: movimentação e contenção dos animais; Misturar os animais em grupos homogêneos (24 hs antes); Plataforma de embarque no nível do caminhão; Rampas de acesso: AÇÃO MAIS ESTRESSANTE Paredes laterais sólidas; Piso antiaderente com ressaltos transversais com 10 cm de altura 6 Embarque e Transporte Densidade de carga: No Brasil utilizada: 390 a 410 kg/m2 Carga média: 20 animais Alta - 600 kg/m2 Média - 400 kg/m2 Baixa - 200 kg/m2 Modo de calcular: L (m2) = 0,021.P.0,67 L: lotação em Kg/m2 P: peso do animal 7 Transporte e embarque 8 Transporte e embarque 9 Após o desembarque os veículos são higienizados inspeção da documentação sanitária do lote; Chegada e seleção: recebimento, apartação por sexo, idade e categoria RECEPÇÃO E SELEÇÃO FORMAÇÃO LOTES; INSPEÇÃO ANTE-MORTEM 10 Inspeção ante-mortem Exigir e verificar os certificados de vacinações; Animais aptos para abate Descanso e jejum (currais de matança) Inspeção 1/2h antes do abate Banho de aspersão (3 atm) Abate normal Inspeção 24h antes do abate Animais não aptos para abate Observação e exame clínico (curral de sequestro) Abate em separado 11 DESCANSO E DIETA HÍDRICA RIISPOA - Art. 110 – “É proibida a matança de qualquer animal que não tenha permanecido pelo menos 24 horas em descanso, jejum e dieta hídrica nos depósitos do estabelecimento.” Recuperar das perturbações surgidas pelo deslocamento; Restabelecer as reservas de glicogênio muscular; O jejum facilita a evisceração; A dieta hídrica facilita a esfola; Promove uma limpeza do intestino diminuindo sua carga microbiana; (GOMIDE 2006). 12 CONDUÇÃO AO ABATE Após o descanso, jejum e dieta hídrica rampa de acesso ao box de atordoamento; Corredores com pisos antiderrapantes Comportar 10% da capacidade da sala de abate; 3 metros de largura; Parede lisa e altura de 2 metros; PASSAGEM DE UM ANIMAL POR VEZ. 13 CONDUÇÃO AO ABATE AVALIAÇÃO DO ESTRESSE ANTE MORTEM: Excelente: 0,5% dos bovinos vocalizam Aceitável: 3% dos bovinos vocalizam Não aceitável: 4 a 10 % dos bovinos vocalizam Problema sério: mais de 10% vocalizam Excelente: sem deslizamentos ou quedas Aceitável: sem quedas e com deslizamentos em - 3% dos animais Não aceitável: 1% de quedas Problema sério: 5% de quedas ou mais de 15% de deslizamentos Mugidos dos animais na rampa de acesso ao boxe Deslizamentos e quedas 14 Banho de aspersão Limpeza dos animais Extremidades Cascos Região anal Água deve ter 3 atm de pressão; hipercloração a 15ppm de cloro Chuveiros dispostos de forma transversal, longitudinal e lateral 15 SERINGA È o afunilamento da rampa em forma de “V” Largura: 1,0 m Altura do piso: 50 cm Impede que o animal vire e retorne o percurso; Comprimento vai depender da velocidade do abate. 16 OPERAÇÕES DE ABATE 17 insensibilização RIISPOA: Art. 135. “Só é permitido o sacrifício de animais de açougue por métodos humanitários, utilizando-se de prévia insensibilização baseada em princípios científicos, seguidos de imediata sangria.” Deixar o animal inconsciente até o final da sangria Carne de melhor qualidade MÉTODOS: Concussão por dardo cativo; Atmosfera controlada, eletronarcose Marretada, corte da medula, uso de armas de fogo 18 Insensibilização SINAIS DE ATORDOAMENTO Ausência de respiração; Mandíbula relaxada; Expressão fixa e vidrada; Língua de fora Local do alvo 19 Insensibilização ÁREA DE VÔMITO: Chuveiro: retirada vômito, mín. 1min. Possui drenagem Box insensibilização 20 Sangria Sangria - Art. 140 – “A sangria deve ser completa e de preferência realizada com o animal suspenso pelos membros traseiros.” Animal dependurado; Corte dos grandes vasos do pescoço; Remover 60% do sangue do animal e os 40% restante ficará retido em músculos e vísceras; Duas facas: uma para incisão da barbela e outra corte dos vasos; 21 após a sangria de cada animal é necessário que estas sejam mergulhadas em caixas de esterilização 21 Sangria Aproveitamento do sangue bovino : Sistema “vampiro” de coleta higiênica 22 ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA Método pós abate para aumentar a maciez da carne; Usado para evitar o encurtamento do músculo causado pelo resfriamento das carcaças (cold-shortening) Acelera a glicólise e o início do rigor-mortis 23 ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA Melhora a coloração vermelha brilhante do músculo; Melhora o sabor e o aroma da carne; Melhora a visualização da gordura de marmoreio; Previne a formação do “Anel de Aquecimento”. 24 ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA Baixa voltagem = 10 minutos após a insensibilização do animal Entre 35 a 70 volts Aplicada durante a sangria Barra fixa na região do vazio ou externo Alta voltagem = 1 hora após a insensibilização do animal Acima de 400 volts Mais eficiente Necessita de um sistema de segurança eficaz 25 ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA 26 ESFOLA Remoção do couro do anima após o abate; Possibilidade de contaminação da carcaça = pele e pelos; Deve ser realizada com o animal suspenso; Preferencialmente usar a esfola aérea: uso de facas elétricas ou pneumáticas (esfola manual) ou uso de máquinas; Pode ser usada sobre cama elevada (armação de canos ou tubos galvanizados). 27 ESFOLA EVISCERAÇÃO 28 ESFOLA VANTAGENS DA ESFOLA AÉREA EM RELAÇÃO À CAMA ELEVADA: Elimina o contato do animal com o piso; Maior drenagem de sangue; Evita a formação de coágulos na cavidade torácica; Favorece a higiene e rapidez das operações; Reduz o gasto de água; 29 EVISCERAÇÃO A evisceração corresponde à retirada dos órgãos ou vísceras internas, abdominais ou torácicas, retirada da cauda (rabada), da cabeça, do pênis ou vergalhão e das glândulas mamárias (úbere); Todas as vísceras retiradas devem ser depositadas em compartimentos apropriados nas mesas para posterior inspeção; Cuidados nesta etapa para que não seja perfurado o tubo gastrintestinal. 30 EVISCERAÇÃO 31 EVISCERAÇÃO 32 32 INSPEÇÃO “POST-MORTEM” EXAME MACROSCÓPICO DE TODAS AS PARTES DA CARCAÇA E ÓRGÃOS DA CARCAÇA Linha A – Exame dos pés ou mocotós Linha B – Exame do conjunto cabeça e língua Linha C – Cronologia dentária Linha D – Exame do trato gastrintestinal, baço, pâncreas, bexiga e útero Linha E – Exame do fígado e vesícula biliar Linha F – Exame do coração, pulmão e traquéia Linha G – Exame dos rins Linha H – Exame das partes medial e lateral das meias carcaças em sua porção caudal Linha I – Exame das partes medial e lateral das meias carcaças em sua porção cranial Linha J – Carimbagem das meias carcaças 33 A B C D E F G H e I J 34 SERRAGEM DE CARCAÇA E TOALETE A carcaça bovina é serrada em duas meias carcaças Toalete remoção de gordura e limpeza de contusões superficiais Programa de inspeção (principalmente fígado, coração e cabeça) Suspeitas de doenças infectocontagiosas Departamento de Inspeção Final (DIP) Conserva Graxaria Incineradas35 SERRAGEM DE CARCAÇA E TOALETE 36 Pesagem, Tipificação e Lavagem As carcaças consideradas aptas ao consumo prosseguem na linha de abate, sendo pesadas e, quando realizado, tipificadas. LEGISLAÇÃO BRASILEIRA Lavagem com jatos de água potável hiperclorada; Pressão de 3 atm e temperatura de 38°C; Reduzir a contagem microbiana da carne fresca. 37 CARIMBAGEM CARIMBAGEM EM QUATRO PONTOS DISTINTOS Coxão mole, Lombo, Ponta da agulha Paleta IDENTIFICAÇÃO E COMPROVAÇÃO DE SANIDADE 38 CARIMBAGEM MODELO 1 Para carcaça ou quartos de bovinos, de búfalos em condições de consumo em natureza; MODELO 2 Para carcaças de suídeos, de ovinos e de caprinos em condições de consumo em natureza 39 CARIMBAGEM MODELO 5 Para carcaças ou partes condenadas de carcaças 40 Resfriamento, estocagem e expedição CÂMARAS DE RESFRIAMENTO Temperaturas entre 4 e 0°C PROCESSO CONVENCIONAL DE RESFRIAMENTO 12 a 24 horas em câmaras frias com T entre 4 e 0°C 41 Resfriamento, estocagem e expedição RESFRIAMENTO RÁPIDO Resfriamento por aspersão (spray chilling) Água (1 a 5°C) aspergida sobre a carcaça + velocidade do ar de 0,5 a 1,5 m/s, durante de cerca de 10 horas Após esse período a carcaça é armazenada em câmaras frias entre 0 e 1°C. RESFRIAMENTO ULTRA RÁPIDO T de -20 a -40°C + velocidade do ar entre 3,0 a 5,0 m/s, durante 3 horas. Após esse período as carcaças continuam o resfriamento em câmaras frias a 0°C e velocidade do ar de 0,5 a 1,5 m/s. 42 Resfriamento, estocagem e expedição RESFRIAMENTO RÁPIDO x MACIEZ Encolhimento pelo frio TIPO DE PENDURA Pendura pelo tendão de Aquiles Pendura pelo forâmen pélvico 43 PENDURA PELO TENDÃO DE AQUILES Beneficia os músculos abdominais e torácicos, especialmente o filé mignon PENDURA PELO FORÂMEN PÉLVICO Aumenta a maciez de cortes como alcatra, coxão mole e lombo Resfriamento, estocagem e expedição 44 Resfriamento, estocagem e expedição DESOSSA: separar os corte, serrar osso e realizar limpeza da carne (excesso de gordura) 45 CONSIDERAÇÕES FINAIS Para conseguir produtos cárneos de qualidade devem-se seguir legislações, normas e manejos adequados em todas as etapas na criação de bovinos, a etapa final que consiste no abate merece um atenção ainda maior. Pois, é onde ocorre muitos problemas com o transporte do animal, que ocasiona lesões na carcaça e estresse no animal, no processamento onde ocorrem contaminações microbianas por falta de esterilização de matérias, ou erros na evisceração que podem prejudicar a carcaça do animal e também a distribuição do produto final. 46 referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS INDÚSTRIAS EXPORTADORAS DE CARNE (ABIEC): Perfil da Pecuária no Brasil. Relatório anual. 2017, 48 pg. Gomide, L.A.M.; Ramos, E.M.; Fontes, P.R. Tecnologia de abate e tipificação de carcaças. Viçosa: UFV, 2006. 370p. SARCINELLI, F. M. Abate de bovinos, Boletim Técnico - PIE-UFES:007 - Editado: 01.08.2007. ROÇA, R. O. Abate humanitário de bovinos, I Conferência virtual Global sobre produção orgânica de bovinos de corte, Via Internet. 2002. TRECENTI, S. A. Abate Humanitário: Revisão de Literatura. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária. Ano XI, Garça, SP, 2013 47 Obrigado! 48