Prévia do material em texto
SUMÁRIO UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO ............................ ................................................ 2 UNIDADE 2 – A GESTÃO DA QUALIDADE NO CONTEXTO DA SA ÚDE ...... 4 2.1 DEFINIÇÃO E CONCEITOS ................................................................................. 4 2.2 EVOLUÇÃO DA QUALIDADE EM SAÚDE ................................................................ 5 2.3 ELEMENTOS PARA QUALIDADE NA SAÚDE E NA ENFERMAGEM .............................. 7 2.4 INDICADORES DE QUALIDADE .......................................................................... 11 2.5 FORMAS DE AVALIAÇÃO ................................................................................. 17 2.6 CERTIFICAÇÃO E ACREDITAÇÃO ...................................................................... 18 UNIDADE 3 – AUDITORIA EM ENFERMAGEM ............... .............................. 29 3.1 DEFINIÇÃO DE AUDITORIA ............................................................................... 29 3.2 EVOLUÇÃO DA AUDITORIA EM SAÚDE ............................................................... 29 3.3 AUDITORIA EM SAÚDE .................................................................................... 32 3.4 TIPOS DE AUDITORIA EM SAÚDE ...................................................................... 35 3.5 AUDITORIA DE ENFERMAGEM NO HOSPITAL ...................................................... 38 3.6 O PRONTUÁRIO E AS ANOTAÇÕES ................................................................... 43 3.7 GLOSAS HOSPITALARES ................................................................................. 50 UNIDADE 4 – GESTÃO DA ENFERMAGEM .................. ................................ 55 4.1 DIRETRIZES .................................................................................................. 56 4.2 SATISFAÇÃO DA ENFERMAGEM ....................................................................... 57 4.3 COMPETÊNCIAS ............................................................................................ 59 REFERÊNCIAS ................................................................................................ 65 2 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO Como as demais organizações, as instituições hospitalares precisam se preocupar com os processos, rotinas, a qualidade, enfim, a gestão de todos seus recursos e mais: no caso destas instituições, nenhum tipo de investimento é mais importante do que aquele que envolve vidas humanas e os hospitais, palcos cotidianos de situações limítrofes, percebem já algum tempo que precisam empreendem um movimento de modernização, quer seja para atender a demanda, quer seja para ultrapassar as barreiras impostas por crises econômicas, instabilidades político-sociais, globalização, entre outros fatores. As premissas acima nos levam a discutir neste módulo a gestão da qualidade no contexto da saúde que envolve conceitos, evolução, elementos, para que haja qualidade na saúde e na enfermagem, os indicadores de qualidade, as formas de avaliação, certificação e acreditação. Uma noção elementar de auditoria em enfermagem é importante, afinal de contas, os setores estão sujeitos à auditoria, portanto, veremos definições, funções, evolução da auditoria de maneira geral, tipos de auditoria em saúde, em enfermagem mais precisamente, o prontuário, as anotações e glosas hospitalares. A última unidade contemplará a gestão da enfermagem passando pelas diretrizes, a satisfação da enfermagem e as competências necessárias à atuação destes profissionais. Justificamos que da internação até a alta, são muitos os fatores que podem afetar o paciente em suas necessidades, nos vários níveis. Toda a equipe deve estar apta a detectá-los e atendê-los dentro de suas áreas específicas, tomando o cuidado para não se constituir ela própria em causa de tensões adicionais para o indivíduo, daí a importância da gestão da qualidade, da auditoria e dos cuidados com a própria equipe de enfermagem. Ressaltamos em primeiro lugar que embora a escrita acadêmica tenha como premissa ser científica, baseada em normas e padrões da academia, fugiremos um pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar, deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores, incluindo aqueles que consideramos clássicos, não Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 3 se tratando, portanto, de uma redação original e tendo em vista o caráter didático da obra, não serão expressas opiniões pessoais. Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas, mas que, de todo modo, podem servir para sanar lacunas que por ventura venham a surgir ao longo dos estudos. Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 4 UNIDADE 2 – A GESTÃO DA QUALIDADE NO CONTEXTO DA SAÚDE 2.1 Definição e conceitos Quando falamos em qualidade, de imediato pensamos em um produto ou serviço, não é verdade? De maneira simplificada, pode-se inferir que “um produto ou serviço de qualidade é aquele que atende perfeitamente, de forma confiável, acessível, segura e no tempo certo, às expectativas do cliente” (LAET, 1998 apud BALSANELLI; JERICÓ, 2005, p. 398). A melhoria da qualidade tem como característica ser um processo contínuo, gradual e permanente que acontece por meio de sua avaliação, a qual só tem sentido na medida em que serve para tomar decisões concretas. “Avaliação, nesse sentido, é entendida como diagnosticar uma realidade para poder estabelecer a intervenção, sendo um poderoso instrumento de mudança social que serve de lastro para uma ação modernizadora (...)” (BONATO, 2007, p. 60). Paladini (2011) também ressalta que gerir qualidade significa garantir que produtos e serviços sejam adequados ao uso a que se destinam. Essa adequação depende de múltiplos itens e deve evoluir. Como não se sabe, em princípio, quais itens refletem de forma mais bem caracterizada, essa adequação, considera-se que todos sejam relevantes – se assim não fosse, deveriam ser eliminados por representar custos extras ou perdas para a organização. Por outro lado, como se sabe, o mercado muda; a qualidade, então, precisa ser dinâmica o suficiente para mover-se sempre no sentido de evoluir. De imediato podemos inferir que a Gestão da Qualidade envolve toda a organização e desenvolve-se ao longo do tempo, de forma contínua e progressiva. Ela é, portanto, abrangente e evolutiva. Não é um esforço temporário, mas algo que se faz sempre, ou seja: a Gestão da Qualidade é, antes de tudo, uma característica que identifica a organização e, por isso, confunde-se com ela. Tanto por isso é ampla e permanente. No entendimento de Ambrozewicz (2003), é o uso que o consumidor vai dar ao produto, ou serviço, que determinaráseus elementos e atributos, sejam eles subjetivos, mensuráveis, declarados, perfeitamente caracterizados, ou não, Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 5 portanto, a satisfação do consumidor e o desempenho da empresa em proporcioná-la são os principais itens na avaliação da Qualidade. Enfim, quando a qualidade é percebida como noção de excelência, estamos pensando no que há de mais apurado e primoroso que se possa ter ou fazer. Ou que qualidade é o que há de melhor performance em uma categoria ou ainda é o que há de melhor quando comparado a similares de mercado ou de condições de produção (MORAES; FRANCO; SILVA, 2010). 2.2 Evolução da qualidade em saúde Na década de 1980, a VII Conferência Nacional de Saúde propôs a adoção de modelos assistenciais voltados para a realidade social, econômica, cultural e ecológica, através da rede de serviços básicos de saúde. Em 1986, na VIII Conferência Nacional de Saúde, foram propostas: administração descentralizada, ações integrais que superassem o preventivo-curativo, regionalização e hierarquização das unidades prestadoras de serviço. A Lei nº 8.080, criada na década de 1990, dispõe sobre as condições de promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços, centrada no modelo de atenção básica, sendo esta a principal referência para o reordenamento da atenção à saúde na atualidade. Tal modelo de atenção constitui a porta de entrada dos serviços de saúde e apresenta-se como a melhor estratégia para aperfeiçoar a saúde da população e minimizar as desigualdades entre os grupos populacionais, de modo a alcançar equidade (PERDONCINI et al., 2009). Além de permitir a entrada no sistema, ela propicia atenção com resolutividade não direcionada exclusivamente para a doença, coordenando e integrando-se como referência para os níveis mais complexos. Os serviços públicos de saúde são, então, organizados a partir de uma base territorial e critérios epidemiológicos, priorizando os problemas mais comuns em uma dada comunidade. O acolhimento dos indivíduos na porta de entrada do sistema, a investigação do trabalho como fator determinante dos processos saúde-doença e Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 6 avaliação e manejo das situações de risco no trabalho, incorporando o saber do individuo, sob controle social, são possibilidades concretas na atenção. Entretanto, para que o trabalho se efetive em ações coerentes e concretas, é importante que as tarefas sejam redefinidas e redimensionadas, as equipes capacitadas, para que sejam garantidos os procedimentos de referência e contrarreferência dos quais o modelo se propõe. Nesse sentido, a preocupação com a qualidade nos serviços prestados à população e a melhoria dos processos de trabalho vem ocorrendo desde meados de 1970 sem que, no entanto, tenha havido impacto sobre a qualidade dos serviços prestados. A Organização Mundial da Saúde (OMS), na década de 1990, iniciou um trabalho mais efetivo voltado à temática da qualidade hospitalar, implementando ações que buscam equalizar as instituições com parâmetros organizacionais voltados à temática. De qualquer modo, as mudanças de impacto na área da saúde ocorrem desde o século XX, por meio de ações conjuntas entre governo e organizações internacionais, que passaram a instituir, de forma sistemática, políticas e sistemas de saúde que oferecem condições de mensuração da qualidade e eficácia dos serviços oferecidos à população, não somente na área hospitalar, mas também na saúde pública. A saúde, de um modo geral, a proteção social da população ativa e não ativa, torna-se uma questão cada vez mais central das discussões (GRAÇA, 2005). Para legitimar as ações instituídas acerca da mensuração da qualidade e para minimizar os efeitos impactantes, que qualquer tipo de avaliação pode causar em uma estrutura, inúmeras pesquisas foram realizadas com o apoio de instituições privadas e públicas sobre experiências brasileiras em garantia de qualidade em saúde, constatando-se a urgência em introduzir no país um sistema independente de acreditação (GRAÇA, 2005) nos hospitais. Esse movimento se constituiu, e ainda se constitui, num processo avaliativo que segue algumas normas e padrões predeterminados (ANAIS DA ACADEMIA NACIONAL DE MEDICINA, 1994). Nesse sentido, a acreditação, que veremos adiante, passou a ser vista como elemento estratégico para desencadear e apoiar iniciativas de qualidade Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 7 nos serviços de saúde. Pretendia-se contribuir para a progressiva mudança planejada de hábito por meio de estímulo aos profissionais dos diferentes serviços para avaliar aspectos e pontos fracos e fortes de suas instituições. Essa análise poderia servir como subsídio para o estabelecimento de metas e para o aprimoramento da qualidade da assistência, em que a estratégia proposta foi a da implementação total ou progressiva de uma variedade de métodos (ANAIS DA ACADEMIA NACIONAL DE MEDICINA, 1994). Em 1994, o Ministério da Saúde lançou o “Programa de Qualidade” com o objetivo de promover a cultura da qualidade. Estabeleceu ainda a Comissão Nacional de Qualidade e Produtividade de Saúde. Nessa época a melhoria da qualidade de saúde passou a ser estratégica; por isso, ações que garantiam a qualidade na prestação de serviços, avaliação de serviços, responsabilidade social, monitoramento de indicadores de resultados adversos ligados à comunidade e controle social foram consideradas temas relacionados ao reconhecimento ou construção da cidadania (BRASIL, 2008). Considera-se que o processo de institucionalização da qualidade nos serviços de saúde esteja diretamente relacionado à construção histórica e social na qual os sistemas estão imersos. Por isso, na saúde, a dinâmica da qualidade passa de uma perspectiva técnica a um movimento de afirmação do próprio serviço que é oferecido à população usuária e suas necessidades. As ações de qualidade na saúde constituem um indicador importante para a concretização de programas e normatizações, proporcionando a cada dia um novo olhar nos serviços, por meio de instrumentos, como a auditoria, que se mantêm ligados aos parâmetros instituídos pelas certificações e acreditações que conferem às instituições certos padrões de excelência reconhecidos por todos (PERDONCINI et al, 2009). 2.3 Elementos para qualidade na saúde e na enfermag em Concordamos com Stolarski et al. (2009) quando asseveram que a evolução dos serviços de saúde tem gerado a busca constante pela adequação e aperfeiçoamento dos serviços e dos profissionais, aliada à condição econômico- financeira das instituições. Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou,por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 8 Igualmente não podemos pensar que a qualidade é trabalho de um departamento isolado de controle, mas sim, é objetivo de toda a organização ou instituição de saúde, indo desde a alta gerência até os setores operacionais. A qualidade como um dos objetivos de níveis gerenciais mais elevados, a partir do início da cadeia produtiva, deve percorrer desde a concepção do projeto da organização até seus produtos. Os controles devem organizar, direcionar e gerenciar todas as ações desenvolvidas nas instituições, visto que devem constituir-se em ferramentas de apoio que garantam a manutenção da qualidade (GARIBALDI; MARCELO, 2002). O Sistema de Saúde sofre mudanças contínuas em sua estrutura organizacional estimulado pela competitividade e pelas exigências de adequação às questões legais. A condição de mudança permanente na saúde faz com que se preste um cuidado individualizado sem primeiro determinar e categorizar o estado atual de saúde do paciente, e a evolução esperada pode comprometer a qualidade da assistência prestada. Para isso, os registros realizados durante todo o processo devem ser adequados, fidedignos e capazes de sustentar a decisão clínica. Um registro exato requer recurso e tempo. Enfim, o ambiente de saúde atual aumenta a demanda do desenvolvimento profissional e de sistemas eficientes de documentação para uso simultâneo por vários profissionais de Saúde (MASSAD; MARIN; AZEVEDO, 2003). Padoveze, Campos e Lima (2008) nos lembram que o sistema de controle da qualidade em saúde, do qual a Gestão da Qualidade está baseada na filosofia de melhoria contínua criada na época do pós-guerra, gerou metodologias e ferramentas que atualmente são usadas no mundo todo, capazes de gerar mudanças e, sempre que possível, por meio de evidências estatísticas, comprovarem que essas mudanças resultam em melhorias na organização. Ao discorrer sobre o sistema de controle hospitalar, observa-se a necessidade de se compreender o funcionamento de uma instituição hospitalar, considerada como estabelecimento de assistência à saúde a qual deve ter pelo menos cinco leitos, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, que conte com equipe clínica organizada, com assistência médica permanente, além do serviço de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 9 24 horas, com a disponibilidade de serviços de apoio diagnóstico e tratamento como: laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e ou parto, bem como registros para a rápida observação e acompanhamento de casos. A assistência hospitalar é definida como o atendimento no qual o paciente permanece internado no hospital, caso haja necessidade e no SUS, toda internação gera o documento denominado AIH ou Autorização de Internação Hospitalar, que fornece dados do paciente e o motivo da internação, considerando-se este um exemplo de sistema de controle hospitalar. As ações governamentais acerca das questões de qualidade na saúde ocorrem desde a década de 1970, com a publicação de normas e portarias de regulamentação para que todas as atividades hospitalares e na saúde pública pudessem trabalhar na implantação de um sistema eficaz e capaz de controlar a assistência à saúde no Brasil. Em 1990, foi realizado um convênio com a Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), a Federação Latino-Americana de Hospitais e o Ministério da Saúde para elaborar o Manual de Padrões de Acreditação para a América Latina. Quatro grupos de trabalho formaram-se no Brasil, pois a intenção do Ministério da Saúde em associar-se a diferentes grupos foi consolidar diferentes experiências em uma metodologia única e de consenso para implementar o programa em nível nacional (mais uma vez lembramos que certificação e acreditação serão vistos adiante). Outro processo instituído na saúde relacionado à proposta de padronização é o prontuário do paciente, que vem sendo estruturado de forma unânime em todas as instituições a fim de qualificar os registros acerca da internação e de permitir que todos os profissionais envolvidos na assistência tenham subsídios para fundamentar suas ações. O registro das informações de saúde e de doença dos pacientes é tarefa diária de todos aqueles que trabalham na área assistencial. O prontuário em papel vem sendo usado há vários anos, passando por diversas transformações ao longo do tempo, principalmente no último século quando se tornou mais sistematizado (COSTA, 2001). Sistematizar é estabelecer um sistema, com previsão de “entradas” e “saídas”. É estabelecer uma linha imaginária entre o que entra e o que sai da Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 10 prática ou experiência; é selecionar informações, analisar, ver se há mecanismos de causa e efeito nos processos. A sistematização significa materializar e produzir conhecimentos, é construir saberes. Visualizar tal ação, além de atender às necessidades do paciente, tem a ver com a essência da prática do cuidado. Ou seja, não é simplesmente registrar o andamento de uma ação, pois requer análise e distância crítica dos resultados obtidos com a experiência (STOLARSKI et al., 2009). Na perspectiva da qualidade do serviço de saúde, os registros tomam dimensões amplas, tendo em vista que todo o processo de análise da qualidade da assistência relaciona-se com o prontuário, direta ou indiretamente, tendo em vista que a acreditação é uma perspectiva complexa e sua avaliação também leva em consideração o prontuário do paciente. Considerando-se assim a evolução tanto da informática quanto dos procedimentos diagnósticos e terapêuticos utilizados atualmente na saúde, o prontuário transforma-se em um problema para as instituições no que se refere à sua organização e armazenamento. O serviço de arquivamento médico estabelece novos critérios e itens a serem considerados importantes no prontuário, a fim de conseguir armazená-los, mantendo os padrões de qualidade. Nesse sentido, a informática contribui substancialmente, visto que cria um prontuário eletrônico com o objetivo de substituir o papel, facilitando assim a armazenagem e o manuseio desse documento. Além da informatização, a Enfermagem tem necessidade da elaboração da sistematização da assistência, sendo um dos meios que o enfermeiro dispõe para aplicar seus conhecimentos técnico-científicos e humanos na assistência ao paciente e caracterizar sua prática profissional, colaborando na definição do seu papel. Hoje percebemos a ênfase que se tem dado, por parte dos enfermeiros, à importância da documentação e do registro do plano de cuidados de saúde de sua clientela, inclusive exigido pela Lei do Exercício Profissional (SPERANDIO; ÉVORA, 2008). É consenso que a implantação de sistemas de controle dos processos nas instituições de saúde aumenta a produtividade e melhora a qualidade de Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenageme recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 11 atendimento, pois integra diversas necessidades complementares, ao mesmo tempo em que reduz custos. Enfim, observa-se nos últimos tempos, em vários países, uma mobilização em torno da aplicação de programas de qualidade nas organizações hospitalares com objetivo de incrementar seu gerenciamento e melhorar a eficiência desses serviços. Vale guardar... Os sistemas de controle da qualidade hospitalar perpassam pelos serviços oferecidos, pelos métodos de assistência e pela estrutura da instituição, os quais compreendem os registros, a sistematização da assistência, os processos de trabalho de cada setor, o uso de tecnologias como a informática, o prontuário eletrônico e os sistemas de dispensação de medicamentos pela farmácia hospitalar. Todos esses serviços estão conectados e integram a complexa rede de atendimento hospitalar. É importante frisar que a qualidade nos serviços de saúde e de enfermagem está relacionada aos processos de trabalho implementados nas instituições e sua estrutura tecnológica, tendo em vista que as ações desenvolvidas ocorrem de maneira integrada e abrangem toda a organização (STOLARSKI, 2009). 2.4 Indicadores de qualidade Indicadores são variáveis representativas de um processo que permitem quantificá-lo. Nesse contexto, eficácia se relaciona com a qualidade, ou seja, fazer a coisa certa e a eficiência se relaciona com a produtividade, que seria o mesmo que dizer: fazer certo as coisas. Segundo Souza et al. (1994), um indicador de desempenho pode ser definido como um resultado atingido em determinado processo ou características dos produtos finais resultantes. Refere-se ao comportamento do processo ou produto em relação a determinadas variáveis, tais como, o custo de determinado processo, lucro, retrabalho, conformidade de produtos. Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 12 Um indicador é, portanto, primordialmente, uma ferramenta de mensuração, utilizada para levantar aspectos quantitativos e/ou qualitativos de um dado fenômeno, com o objetivo de avaliar e fornecer informações essenciais para o processo de tomada de decisão. Por conseguinte, esse dado numérico, a que se atribui uma meta, é trazido, periodicamente, à atenção dos gestores de uma organização (FUNDAÇÃO NACIONAL DA QUALIDADE, 2007). Além de serem ferramentas de avaliação, os indicadores, também são instrumentos de gestão. A gestão implica capacidade de operar sobre dimensões- chave de sistemas e de processos distintos, modificando seus estados e seus rumos (ALBORNOZ; FERNÁNDEZ, 1997). Sendo assim, os indicadores devem ser desenvolvidos e baseados nas prioridades do planejamento estratégico estabelecido. Os indicadores são as bases para Melhoria de Processo, logo: • são constituídos por duas unidades de medida correlacionadas; • servem para medir os resultados (desempenho) de um determinado processo; • servem como base para uma decisão; • são referenciais de um processo; • são variáveis representativas de um processo que permitem quantificá-lo; • trazem mudanças na cultura organizacional; • precisam ser bem definidos e acompanhados sistematicamente, montando- se os Indicadores com Nome, Objetivo, Fórmula, periodicidade, fonte, etc. Segundo Durski (2003), a qualidade é uma variável de difícil quantificação. E embora exista a dificuldade para o consumidor em definir o quanto um produto é melhor ou pior a um similar, sabe-se da importância em identificar e priorizar as características do desempenho do produto e do processo para atender às necessidades e expectativas dos clientes. A literatura apresenta inúmeros indicadores que visam quantificar a qualidade sob as mais diferentes perspectivas. Segundo Takashina e Flores (1997), as características da qualidade, podem ser classificadas em: primárias, secundárias e adicionais. A característica Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 13 primária está associada à finalidade do produto ou serviço; a secundária é um diferenciador em relação a outros produtos com desempenho similar e as características adicionais compreendem a qualidade intrínseca, a entrega e o custo. A combinação coerente de tais características faz com que o cliente opte por um determinado produto ou serviço. Partindo de tal definição e numa visão geral, Durski (2003) apresenta os indicadores de qualidade, utilizados para avaliar o desempenho da cadeia produtiva e/ou de seus elos, divididos em três grupos, produto, processo e fornecedores, os quais abordam as três características abordadas por Takashina e Flores (1997): primária, secundária e adicional. 1) Qualidade do produto: pode ser a qualidade do produto final, produzido pela cadeia, ou pelos produtos intermediários, produzidos nos diversos elos: • características específicas; • preço; • disponibilidade; • gastos com garantia oferecida; • número de produtos devolvidos por unidades vendidas; • avaliação dos consumidores e de revistas especializadas. 2) Qualidade do processo produtivo: • índice de defeitos no final do processo; • retrabalho em relação ao total produzido; • produtos rejeitados em relação ao total produzido; • dias de produção perdidos por interrupções não previstas. 3) Qualidade dos fornecedores: • taxa de qualidade do fornecedor (parâmetros a serem definidos de acordo com as características de cada fornecedor, nos diversos elos da cadeia). Todos os indicadores de qualidade, em seus níveis de abrangência, precisam ter padrões de comparação. Os padrões podem ser resultados de benchmarking ou metas da organização. Dessa forma, estes podem ser utilizados pela organização para o controle e a melhoria, que pode ser tanto reativa quanto proativa. No primeiro caso, os indicadores de desempenho sinalizam em que se Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 14 deve agir para restaurar uma causa especial crônica ou atingir um desempenho nunca antes atingido. Já no segundo caso, os indicadores são utilizados como parte da informação necessária para propor ações que previnam problemas futuros ou atinjam desempenho acima daquele já alcançado pela organização (MARTINS; NETO, 1998). Segundo os mesmos autores acima, uma ação de melhoria reativa ou proativa, feita com base na informação contida nos indicadores, tem grande chance de ser realizada para contribuir com o objetivo principal da organização. Indicadores utilizados em qualquer programa de qualidade devem ser coerentes com o que se pretende mensurar. No caso de indicadores de saúde, estes devem estar relacionados com a qualidade da área administrativa e com a qualidade médico-assistencial para os quais o consumidor é o paciente que está se beneficiando de um serviço o qual, além de lhe trazer satisfação, lhe permite atingir o real objetivo que está buscando: a melhora de sua saúde física ou mental (ZANON; CHAVES; BOLDT,2006). Diferentemente de outros consumidores de bens de serviço, os pacientes colocam suas vidas à prova dos sistemas de qualidade, o que, neste caso, faz toda a diferença em trabalhar exaustivamente para que os indicadores sejam os mais fidedignos possíveis e acertar sempre. Um indicador é uma unidade de medida de uma atividade com a qual se está relacionada ou, ainda, uma medida quantitativa que pode ser usada como um guia para monitorar e avaliar a qualidade de importantes cuidados providos ao paciente e às atividades dos serviços de suporte. A padronização dos processos de avaliação evolui ao longo dos anos e identifica alguns critérios, indicadores e padrões cada vez mais significativos para os vários serviços hospitalares. Um indicador não é uma medida direta de qualidade. É uma chamada que identifica ou dirige a atenção para assuntos específicos de resultados, dentro de uma organização de saúde, que devem ser motivo de revisão. Em todos os modelos de processos gerenciais, é fundamental saber de onde se está se saindo e aonde pretende-se chegar. Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 15 Para possibilitar o acompanhamento efetivo do andamento do processo gerencial, são utilizados alguns dados, os chamados indicadores de Produtividade e de Qualidade. Os indicadores de qualidade são aqueles que medem diretamente os desempenhos relacionados às necessidades dos clientes. Dizem respeito à satisfação do cliente, medem a eficácia dos processos, têm foco nos resultados, indicam o que fazem e o que fazer, ensinam a fazer as coisas certas, seus índices expressam o grau de aceitação de uma característica. Já os indicadores de produtividade permitem a mensuração do desenvolvimento do trabalho e da produção. Os programas de qualidade na área da Saúde surgiram da necessidade de uma padronização dos diversos setores e de uma unificação dos serviços de Saúde, principalmente os públicos, que, historicamente, sempre apresentaram déficit em relação à sua administração, colocando em risco o atendimento à saúde da população. A implantação dos programas de qualidade fez com que os profissionais da Saúde pudessem participar ativamente das mudanças propostas, já que é parte estratégica desse processo, e sem o envolvimento e comprometimento deles não haveria como se realizar (SAGGIORATTO et al., 2009). Medir qualidade e quantidade em programas e serviços de saúde é imprescindível para o planejamento, organização, coordenação/direção e avaliação/controle das atividades desenvolvidas. Recentemente, a seleção de um grupo de indicadores passou a ser certeza de um melhor conhecimento do que ocorre na instituição (BITTAR, 2001). Esse grupo de indicadores, quando se pensa em qualidade hospitalar, vai muito além das instalações luxuosas, equipamentos de ponta e outros procedimentos de organização. A qualidade hospitalar é algo concreto que está diretamente ligada à capacidade de gerenciar pessoas e equipamentos para o desempenho das ações de diagnosticar, tratar, melhorar e curar doenças (ZANON; CHAVES; BOLDT, 2006). Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 16 A padronização internacional começou pela área Eletrotécnica: a Comissão Internacional de Eletrotécnica (International Electrotechnical Commission - IEC) foi criada em 1906. A pioneira em trabalhar com outras áreas foi a International Federation of the National Standardizing Associations (ISA), que foi fundada em 1926. A ISA tinha ênfase na engenharia mecânica. Suas atividades terminaram em 1942. Em 1946, representantes de 25 países se encontraram em Londres e decidiram criar uma nova organização internacional, com o objetivo de “facilitar a coordenação internacional e unificação dos padrões industriais” (SAGIORATTO et al., 2009). A nova organização, ISO, oficialmente iniciou suas operações em 23 de fevereiro de 1947. A Organização Internacional para Padronização (ISO) é uma instituição que aglomera os grêmios de padronização/normalização de 158 países. Fundada em 23 de fevereiro de 1947, em Genebra, Suíça, a ISO aprova normas internacionais em todos os campos técnicos, exceto na eletricidade e eletrônica, cuja responsabilidade é de outros órgãos específicos. Kaoru Ishikawa foi a figura mais importante no Japão na defesa do Controle de Qualidade. Foi o primeiro a utilizar o termo Controle de Qualidade Total (Total Quality Control) e desenvolveu as “Sete Ferramentas”, as quais considerou que qualquer trabalhador poderia utilizar no dia a dia, e não apenas os gerentes. Formado em Química Aplicada pela Universidade de Tóquio, em 1939, após a II Guerra Mundial se envolveu nos esforços primários da JUSE – União de Cientistas e Engenheiros Japoneses – para promover qualidade. Posteriormente, tornou-se presidente do Instituto de Tecnologia Musashi. O Diagrama de Ishikawa ou Espinha-de-Peixe, desenvolvido por ele, é uma ferramenta gráfica utilizada pela Administração para o Gerenciamento e o Controle da Qualidade (CQ) em processos diversos. Também é conhecido como: diagrama de causa e efeito, diagrama 4M, diagrama 5M e diagrama 6M. Na área da Saúde, pode-se afirmar que os primeiros modelos direcionados à gestão da qualidade da assistência médica, com os quais foi possível estabelecer uma relação com a acreditação de hospitais, tiveram o seu início durante a Guerra da Criméia, em 1855, quando a enfermeira Florence Nightingale (1820-1910) desenvolveu métodos de coleta de dados que Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 17 objetivavam a melhoria da qualidade do atendimento prestado aos feridos de guerra. A inexistência no Brasil de modelos de gestão para a área da Saúde, fez com que alguns hospitais adotassem os parâmetros de qualidade internacionalmente aceitos, dentre eles a Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre-RS, modelos estes, na maioria das vezes, utilizados na iniciativa privada do setor industrial, em que o modelo de qualidade já estava consagrado, e assim construir a sua estratégia, adequada à realidade do complexo hospitalar. A implantação do modelo japonês de qualidade total foi um sucesso e a instituição desde sua implementação vem colhendo os frutos do trabalho (LIMA; HERMANN, 2006). 2.5 Formas de avaliação Para Teboul (1999), medir a qualidade do serviço é conhecer a percepção que o cliente faz, ou do valor que ele lhe concede, no entanto, não se deve tentar adivinhar o que ele pensa. A melhor opção ainda é perguntar-lhe ou observar o seu comportamento. Deve-se sempre tornar tangível a percepção intangível. Em se tratando de serviços de saúde, não deve-se agir em função de um produto final porque ele é variável e em algumas vezes imprevisível. Por isto, a determinação do nível de qualidade dos serviços de saúde e, dos serviços médicos exigem atenção e critérios especiais e específicos (REBELO, 1996 apud PFAFFENZELLER, 2003). Nogueira (1996) afirma que, a satisfação das expectativas dospacientes e de seus familiares, mediante um atendimento digno e eficaz é o compromisso que tem de ser assumido por todos os colaboradores deste serviço. Hospitais são unidades de saúde voltadas ao diagnóstico, ao tratamento e à recuperação de enfermidades sob o regime de internação. As atividades hospitalares compreendem desde a primeira anamnese até os cuidados de enfermagem e os serviços de apoio ao tratamento, nos quais se insere a terapia nutricional, sob a responsabilidade do Serviço de Nutrição e Dietética – SND (WENDISCH, 2010). Outro aspecto relevante, é que, a própria sobrevivência do hospital depende da aprovação pelo seu usuário (WALKER, 1991). Considerar as opiniões Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 18 e o comportamento dos usuários dentro dos hospitais é, portanto, fundamental para a compreensão e melhoria da organização dos seus serviços. Por isso, o hospital deve procurar conhecer a sua clientela para melhor poder atender suas expectativas e necessidades, o que passa evidentemente pela avaliação (SILVA et al., 2012). O termo Avaliação, para a Real Academia Espanhola, significa “assinalar o valor de uma coisa”, e avaliar só tem sentido na medida em que serve para tomar decisões concretas. Embora o conceito de avaliação esteja muito ligado à ideia de medição, não se trata da mesma coisa. A medição é o ato de verificar a extensão e quantificação de algo. A avaliação, por outro lado, faz referência ao ato de verificar o valor desse algo, sendo que pode-se medir sem valorar, e valorar sem medir. Deve-se levar em conta que, em muitos casos, a medição ajuda na tarefa de avaliar (BONATO, 2007). Nesta mesma linha, encontram-se as definições de Kaufman e English (1979 apud BONATO, 2007), que consideram que “a avaliação consiste em analisar as discrepâncias entre o que é e o que deve ser”. Em geral, a avaliação da qualidade depende quase que exclusivamente das medidas de estrutura e processos da atenção. Os organismos governamentais de acreditação e os grupos profissionais têm considerado mais fácil estabelecer estândares para a atenção, pertinente à estrutura e ao processo. Avaliar é diagnosticar uma realidade para poder estabelecer a intervenção. A avaliação é um poderoso instrumento de mudança social que serve de lastro para uma ação modernizadora. Há uma crescente ênfase na avaliação direcionada à melhoria permanente da qualidade, voltada ao atendimento das necessidades, expectativas e satisfação da população que recorre aos hospitais e serviços de saúde (BONATO, 2007). 2.6 Certificação e acreditação O processo de certificação é uma indicação para os consumidores de que o produto, serviço ou processo atende aos padrões mínimos de qualidade. Auxilia na identificação de produtos que atendam às normas específicas, estabelecendo Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 19 parâmetros para a decisão de compra, complementares ao custo. A certificação por conformidade induz à busca contínua da melhoria da qualidade do produto (MUHLEN, 2001). Segundo o Instituto de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro), a certificação de produtos ou serviços, de sistemas de gestão e de pessoas é, por definição, realizada por uma terceira parte, isto é, por uma organização independente acreditada para executar essa modalidade de Avaliação da Conformidade. Os padrões podem ser mínimos (definem o piso ou base) ou mais elaborados e exigentes, definindo diferentes níveis de satisfação. Para o governo e seus representantes, a certificação é uma ferramenta que facilita o controle de produtos e serviços no mercado, pois esse processo eleva e demonstra de forma independente a qualidade dos produtos e serviços, aumentando a competitividade e possibilitando novas estratégias de marketing (MUHLEN, 2001). Para certificar algo são necessárias algumas normas, conhecidas como a família das normas ISO 9000, as quais constituem um conjunto de referenciais de boas práticas de gestão em matéria de qualidade, levados pelo organismo internacional de normalização (ISO – International Organization for Standardization). Essas normas ISO 9000 foram escritas em 1987 e, a partir daí, foram sofrendo revisões, em 1994 e em 2000. Dessa forma, a norma ISO 9001 equivale à versão 2000 (escreve-se ISO 9001:2000). A norma ISO 9001:2000 avalia os processos que permitem realizar um serviço ou um produto, enquanto que a norma ISO 9001:1994 era centrada essencialmente no produto. O quadro abaixo apresenta síntese da família ISO 9000. ISO 9000 – Sistemas de gestão da qualidade – princípios essenciais e vocabulário. A norma ISO 9000 descreve os princípios de um sistema de gestão de qualidade e define a terminologia. ISO 9001 - Sistemas de gestão da qualidade – exigências. A norma ISO 9001 descreve exigências relativas de um sistema de gestão de qualidade para uma utilização, quer interna quer a fins contratuais ou de certificação. Trata-se assim de um conjunto de obrigações que a empresa deve seguir. ISO 9004 - Sistemas de Esta norma prevista para uso interno, e não para fins Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 20 gestão da qualidade. Linhas diretoras para a melhoria dos desempenhos. contratuais, leva notadamente à melhoria contínua do desempenho. Uma vez alcançada, a certificação tem validade por 3 anos e pode ser renovada conforme a auditoria de qualidade. Conforme o Inmetro, pode-se dividir a certificação em duas categorias básicas: 1. Certificação de Sistemas de Gestão – a certificação dos Sistemas de Gestão atesta a conformidade do modelo de gestão de fabricantes e prestadores de serviço em relação a requisitos normativos. Os sistemas clássicos na certificação são de gestão de qualidade, baseados nas normas NBR ISO 9001 e os sistemas de gestão ambiental, conforme as normas NBR ISO 14001. 2. Certificação de Pessoas – a certificação de pessoas avalia as habilidades e os conhecimentos de algumas ocupações profissionais, e pode incluir, entre outras, as seguintes exigências: � formação – a exigência de certo nível de escolaridade visa a assegurar nível de capacitação; � experiência profissional – a experiência prática em setor específico permite maior compreensão dos processos envolvidos e identificação rápida das oportunidades de melhorias; � habilidades e conhecimentos teóricos e práticos – a capacidade de execução é essencial para atuar e desenvolver-se na atividade. Desde a última década do século XX, os serviços de saúde de todo o mundo encontram-se em uma fase complexa, principalmente em países emergentes. A implantação de programas de qualidade, e consequentemente a certificação, revestem-se de grande importância à medida que proporciona uma diminuição nos índices de custos e morbi-mortandade, atingindo uma maior parcela da população com maior satisfação a usuários e provedores de cuidados (BITTAR, 2000). A racionalizaçãoda oferta de cuidados visa à melhora permanente e integração harmônica das áreas médica, tecnológica, administrativa, econômica, Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 21 assistencial, ensino e pesquisa e certamente serão favoráveis ao paciente e à comunidade. A avaliação de processos é completa à medida que necessita de avaliações conjuntas da estrutura e dos resultados (BITTAR, 2000). A certificação dos serviços de saúde segue igualmente a norma prevista pelo programa ISO 9000. Sendo assim, é composta por 20 requisitos, entre eles os objetivos, as definições, a responsabilidade da administração, os projetos, a identificação de produtos, a normalização, o armazenamento, as ações de prevenção e de correção, os controles, as inspeções, os ensaios e as estatísticas. Bittar (2000) lista características dessa norma: � é feita através de documentos de normalização; � não são específicas para a área da saúde; � não estabelece prazos para implementação e avaliação final, nem quando a equipe esta pronta para acionar os auditores; � as avaliações para manutenção da certificação ocorrem entre seis meses e um ano; � não exige que a avaliação seja global; � recomenda-se que sejam definidas subáreas com funções mais simples para dar início ao processo de certificação, pois quanto maior a diversidade de processos, mais difícil é a sua implantação devido à dificuldade de definição de critérios; � não define níveis ou classificação; � não avalia resultados, porém, dá ênfase à rastreabilidade do produto. A instituição que alcança um padrão de certificação de qualidade conhece maior visibilidade no mercado. No âmbito da saúde, essa prerrogativa de qualidade assume maior impacto pelo fato de se tratar de cuidados à saúde do ser humano e toda a sua complexidade. Por isso, uma instituição de saúde com tal reconhecimento de qualidade tem melhores condições de se desenvolver nesse cenário (CHIELE et al., 2009). No quadro abaixo temos uma síntese de metodologias da qualidade, respectivamente os tipos de avaliação, o instrumento, a sua caracterização e a área de abrangência. Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 22 METODOLOGIAS DA QUALIDADE Fonte: BONATO (2003). Siglas do quadro: JC – Comissão Conjunta de Acreditação CBA – Consórcio Brasileiro de Acreditação MBAH – Manual Brasileiro de Acreditação Hospitalar ISSO – Organização Internacional para Acreditação CQH – Controle de Qualidade Hospitalar PNQ – Prêmio Nacional de Qualidade PQGF – Prêmio de Qualidade do Governo Federal Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 23 PNGS – Prêmio Nacional da Gestão em Saúde A incorporação da gestão da qualidade nas organizações prestadoras de serviços de saúde é um fator essencial para a sua sobrevivência e evidencia a necessidade dos profissionais refletirem e reverem os seus valores; com isso também surgem sistemas avaliativos como o da acreditação hospitalar, sistema de avaliação externa que determina se o serviço contempla padrões previamente estabelecidos (LABBADIA et al., 2004). O Sistema de Acreditação Hospitalar desenvolveu-se originalmente nos Estados Unidos, na década de 1920, por associações médicas, com o intuito de desenvolver instrumentos que garantissem mínimas condições para atuação profissional. Também, atualmente, a Joint Comission of Healthcare Organizations (JCAHO), criada pelo Colégio Americano de Cirurgiões e outras associações, responsabilizam-se por realizar um processo de avaliação de serviços de saúde por meio de metodologia padronizada resultando em uma classificação da instituição avaliada. Portanto, inicialmente tratava-se de uma modalidade de defesa profissional, sendo que, recentemente, passou a ser considerado instrumento para a inserção institucional no mercado e também uma forma de padronização e garantia de qualidade (NOVAES, 2000). A JCAHO é uma organização sem fins lucrativos, formada por profissionais de diversas áreas. Tem como objetivo desenvolver padrões de Qualidade em cuidados de saúde e avaliar instituições de saúde quanto a sua adequação a estes padrões tidos como o “estado da arte” em qualidade de serviços. Em 1998, havia mais de 18.000 prestadores de serviços em saúde nos Estados Unidos, certificados pela JCAHO, voluntariamente, atendendo aos seus padrões de Qualidade (JOINT COMMISSION INTERNATIONAL - JCI,1998 apud BONATO, 2007). Desde 1994, a JCI vem prestando consultaria a governos, hospitais e outras instituições de saúde em mais de 35 países, na Europa Ocidental, Central e Oriental; Oriente Médio; África; América Latina; Caribe; Ásia e áreas do Pacífico. Alia conhecimento técnico especializado de avaliação na área da saúde com o conhecimento específico de cada país e da sua cultura. Tem reconhecida a Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 24 sua liderança na implementação de programas de melhoria de desempenho e de sistemas de avaliação nesta área (JOINT COMMISSION INTERNATIONAL, 1998 apud BONATO, 2007). O Sistema de Acreditação Hospitalar é um procedimento de avaliação dos recursos institucionais, realizado de forma voluntária, periódica e reservada, que visa garantir a qualidade da assistência prestada por meio de padrões em grau de complexidade crescente, previamente aceitos que orientam esta avaliação (BRASIL, 2001). Neste enfoque da qualidade em saúde, a enfermagem utiliza-se de auditores para realizar avaliação da assistência prestada aos clientes, constituindo-se em uma direção importante do processo de auditar (SCARPARO, 2007). O processo de Acreditação está relacionado com a origem do termo “Acreditar”, dar créditos, merecer confiança e credibilidade. É um sistema de avaliação externa que acaba por determinar se o serviço segue padrões previamente estabelecidos. Refere-se à qualidade da assistência prestada, partindo da premissa de que os serviços de saúde devem ser locais seguros, tanto para o exercício profissional, quanto para a obtenção da cura ou melhoria das condições de saúde do paciente (MEZOMO, 2001). De acordo com Rooney e Ostenberg (1999), os padrões de acreditação são, via de regras, desenvolvidos por um consenso de especialistas em saúde, publicados, analisados e revistos periodicamente para ficarem atualizados com o progresso na área da qualidade de serviços de saúde, avanços tecnológicos e mudanças na política de saúde. Dependendo do escopo e da filosofia do modelo específico de acreditação escolhido, os seus padrões podem comportar-se como um sistema, organizando-se em torno de funções e processos-chave centrados, tanto no paciente quanto nainstituição como, por exemplo, avaliação do profissional e para os cuidados prestados aos pacientes. O “Manual Internacional de Padrões de Acreditação Hospitalar” (BRASIL, 2006) explica a acreditação como um processo no qual uma entidade, em geral não-governamental, separada e distinta das instituições de saúde, avalia instituições de saúde para determinar se as mesmas atendem a um conjunto de Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 25 requisitos concebidos para melhorar a qualidade do cuidado. A acreditação é geralmente voluntária. Os padrões de acreditação são em geral considerados ótimos e acessíveis. A acreditação possibilita um compromisso visível por parte da instituição em melhorar a qualidade do cuidado ao paciente, garantir um ambiente seguro e trabalhar continuamente para reduzir os riscos para pacientes e profissionais. A Organização Nacional de Acreditação (ONA), criada em maio de 1999, é o órgão regulador e credenciador do desenvolvimento da melhoria da qualidade da assistência à saúde em âmbito nacional. O modelo de manual da ONA utiliza três níveis de padrões de avaliação, nível I, nível II e nível III, que vai do mais simples ao mais complexo, incluindo a descrição de critérios, que devem se cumpridos integralmente por todos os serviços e departamentos, para que seja aceita a conformidade institucional (BRASIL, 2001). Abaixo segue a determinação de cada nível. Nível 1 – Atende aos requisitos formais, técnicos e de estrutura para a sua atividade conforme legislação correspondente; identifica riscos específicos e os gerencia com foco na segurança. O princípio é a segurança. Nível 2 – Gerencia os processos e suas interações sistemicamente; estabelece sistemática de medição e avaliação dos processos; possui programa de educação e treinamento continuado, voltado para a melhoria de processos. O princípio é a organização (Processos). Nível 3 – Utiliza perspectivas de medição organizacional, alinhadas às estratégias e correlacionadas aos indicadores de desempenho dos processos; dispõe de sistemática de comparações com referenciais externos pertinentes, bem como evidências de tendência favorável para indicadores; apresenta inovações e melhorias implementadas, decorrentes do processo de análise crítica. O princípio é a excelência na gestão (Resultados) (BRASIL, 2001). Os objetivos principais da Acreditação Hospitalar são melhorar a qualidade dos cuidados aos pacientes e acompanhantes e proporcionar um ambiente livre de riscos para todos aqueles que circulam na instituição, dentro de padrões de excelência reconhecidos internacionalmente (HORTALE et al., 2002). Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 26 Os principais objetivos da acreditação são: � melhorar a qualidade dos cuidados da saúde estabelecendo metas ótimas a serem atingidas ao se alcançar os padrões para organizações de saúde; � estimular e melhorar a integração e o gerenciamento dos serviços de saúde; � reduzir os custos dos cuidados da saúde enfocando ou aumentando a eficiência e efetividade dos serviços e fortalecer a confiança do público na qualidade dos cuidados à saúde; e, � reduzir os riscos associados a lesões e infecções em pacientes e membros do quadro de pessoal (ROONEY; OSTENBERG, 1999). Para ser acreditado, o estabelecimento de saúde passa por uma avaliação feita por uma organização independente, a instituição de saúde manifesta seu interesse em ser avaliada pela Instituição Acreditadora Credenciada (IAC) e aguarda a proposta para a Avaliação Diagnóstica, a IAC deve ser credenciada pela ONA. O processo é voluntário e pode ser desenvolvido pelo próprio hospital, depois de um diagnóstico preliminar. Ao final do processo, deve-se atender aos padrões de qualidade definidos para cada área de trabalho, agrupados em três níveis e publicados em manuais elaborados em parceria pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e a ONA (BRASIL, 2006). Segundo Chiele et al. (2009), esse processo está fundamentado em princípios éticos, pautado em uma metodologia voltada para o campo da avaliação. Os padrões internacionais e o método de avaliação de acreditação são delineados com o objetivo de prover informações e estabelecer indicadores em saúde, voltados para a qualidade do cuidado ao paciente, e com isso propiciar melhorias efetivas no desenvolvimento das atividades clínicas e gerenciais. As justificativas para a utilização de processos de acreditação, segundo Pickering (1992), são as seguintes: � o impacto dos programas de garantia de qualidade é insignificante sem programas de acreditação; Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 27 � a vantagem mais importante do programa de acreditação está no período preparatório e no período posterior à avaliação devido à melhora na comunicação, no trabalho em equipe, na autoavaliação e revisão interna; � esses programas obrigam os hospitais a decisões, principalmente, em assuntos que eles não estão dispostos a enfrentar, em especial as relativas à disciplina médica. O enfoque de que o hospital é o local que esses profissionais utilizam apenas para trabalhar passa a ser um lugar em que eles também têm responsabilidade organizacional; � os programas melhoram o ânimo e o espírito de cooperação, elevando a satisfação do pessoal, visto que estão provendo assistência médico- hospitalar de alta qualidade ao paciente; � aumentam o nível dos debates sobre saúde, políticas de saúde e hospitalar, além da difusão de conhecimentos sobre a prática clínica e sobre a sua administração. Nas acreditações encontram-se as seguintes características: � definição da conformidade dos produtos; � são específicas para a área da saúde, utilizando-se de dados epidemiológicos, clínicos, administrativos e sociológicos; � exige que as avaliações sejam globais, impossibilitando a sua implementação por subáreas; � as avaliações são fortemente baseadas nos documentos elaborados, como regulamento, regimentos, rotinas, atas, bem como nos resultados operacionais. Os procedimentos clínicos são rigidamente baseados em protocolos. Seu trabalho é baseado no que é controlável, daí a obrigatoriedade de estar tudo escrito; � suas exigências são mais abrangentes do que as encontradas na Norma ISO 9000; � são apropriadas para todas as áreas da instituição, embora em áreas de infraestrutura como farmácia, material e recursos humanos, seus requisitos sejam tanto quanto simplistas; � observa-se atentamente a postura das diferentes comissões multiprofissionais e inter setoriais; Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 28 � as reavaliaçõespara manutenção da acreditação são feitas em períodos maiores do que um ano; � classifica as instituições em níveis; � usa linguagem apropriada às entidades da área de saúde (CHIELE et al, 2009). Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 29 UNIDADE 3 – AUDITORIA EM ENFERMAGEM 3.1 Definição de auditoria A palavra auditoria tem sua origem no latim “audire” que significa ouvir. No início da história da auditoria, toda pessoa que tinha aptidão para verificar a legitimidade dos fatos econômico-financeiros, prestando contas a um superior, poderia ser considerado como auditor (RIOLINO; KLIUKAS, 2003). A origem da auditoria é proveniente das demonstrações financeiras, de onde ela se originou. As demonstrações financeiras eram informações elaboradas por escrito, destinadas a apresentar a terceiros, alheios à empresa, sócios ou interessados, a situação patrimonial e sua evolução. A auditoria, sobretudo, almejava informar aos usuários que critérios foram adotados em sua elaboração e apresentar parecer de terceiros sem relação direta com a empresa, atestando com fidedignidade que tais demonstrações refletiam a situação do patrimônio e sua evolução durante o período a que se referiam. Com base nisso, pode-se dizer que a auditoria sempre teve como função prover demonstrações financeiras, como o exame das mesmas, por um profissional independente, com a finalidade de emitir um parecer técnico sobre sua real situação. 3.2 Evolução da auditoria em saúde Foi em 1918 que a auditoria surgiu no estudo realizado pelo médico George Gray Ward, nos Estados Unidos, no qual foi verificada a qualidade da assistência médica prestada ao paciente por meio dos registros em prontuário (PEREIRA; TAKAHASHI, 1991; KURCGANT, 2000). No ano de 1952, no Brasil, foi criada a Lei Alípio Correia Neto, na qual era dever dos hospitais filantrópicos, a documentação das histórias clínicas completas de todos os pacientes. No Brasil foi fundada, em 18 de julho de 1966, a Associação Brasileira de Arquivo Médico e Estatístico (MEZZOMO, 2001). Em 1955, um dos primeiros trabalhos de auditoria em enfermagem é desenvolvido no Hospital Progress nos Estados Unidos, onde já se observava que a qualidade das ações de enfermagem vem influenciada por diversos fatores, como: formação do profissional, número de profissionais e auxiliares, mercado de Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 30 trabalho e legislação específica vigente, política, estrutura e organização das instituições (KURCGANT, 2000). Em agosto de 1960, a política de saúde do País estava a cargo das caixas de assistência e benefícios de saúde, que atendiam seus associados e dependentes agrupadas de acordo com a categoria profissional a que pertencia o trabalhador. Com a unificação dos institutos, para atender a demanda no campo da saúde, dois fatos novos surgiram: o primeiro ligado à necessidade da compra de serviços de terceiros, e o segundo, afeto à importância do atendimento à clientela, de maneira individualizada, por classe social e pelo direito de escolha do atendimento (LOUVERDOS, 2000). A terceirização dos serviços de saúde levou o Governo, como órgão comprador, a adotar medidas analisadoras, controladoras e corregedoras, prevenindo o desperdiço, a cobrança indevida e a manutenção da qualidade dos serviços oferecidos. Para garantir o programa proposto e a integridade do sistema em funcionamento, tornou-se necessário a criação de um quadro de pessoal habilitado em auditoria médica, surgindo, assim, o corpo funcional de auditores da previdência social (FALK, 2001). Segundo Louverdos (2000), a evolução da medicina e as imposições sociais levaram a profundas alterações no sistema de saúde do país para atender a crescente demanda do mercado, o que significava crescimento dos planos de medicina de grupo, e, com estas, a maior necessidade de adequação dos serviços para acompanhar a revolução Médica Social. Na década de 1970, houve o aparecimento da necessidade de um sistema de controle e avaliação da assistência médica, tanto por parte do antigo INPS, quanto por parte do Sistema Supletivo. Esta necessidade deve-se ao fato de que começaram a surgir fraudes criminosas e outros desvios graves, com a evasão de recursos financeiros, tanto no sistema público quanto no suplementar (LOUVERDOS, 2000). Segundo Albuquerque et al. (2008 apud PEREIRA, 2010), em 1976, o Ministério da Previdência sistematizou a avaliação dos serviços médicos prestados, através da auditagem médica e administrativa das contas a serem pagas. O sistema Supletivo também trilhou o mesmo caminho, e na década de Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 31 1980 tivemos a consolidação da Auditoria Médica como uma atividade necessária a todas as modalidades referência. No Brasil, apenas no ano de 1983, se reconhece o cargo de médico auditor, e a auditoria passa a ser realizada nos próprios hospitais, porém se inicia com experiências isoladas com a auditoria médica, com vista ao fornecimento de informação para decisões administrativas e para o corpo clínico, realizada no hospital de Ipanema, no Rio de Janeiro (D’INNOCENZO et al., 2006). No ano de 1990, a Lei Orgânica da Saúde nº 8080, de setembro de 1990, estabelece a necessidade de criação do Sistema Nacional de Auditoria (SNA) como um instrumento fiscalizador e atribuindo a este uma coordenação da avaliação técnica e financeira do SUS em todo território nacional (CAMELO et al., 2009). O Sistema Nacional de Auditoria foi instituído pela Lei nº 8.689, de 27 de julho de 1993, que extinguiu o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS) e atribuiu competência ao Ministério da Saúde para essa função. Esta Lei, em seu art. 6º, consolida o SNA pelo seguinte texto: fica instituído no âmbito do Ministério da Saúde, o Sistema Nacional de Auditoria de que tratam o Inciso XIX do art. 16 e o § 4º do art. 33 da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990 (SCARPARO; FERRAZ, 2008). Sendo assim, no ano de 1999, o Ministério da Saúde através da portaria nº 169, do gabinete do ministro, de 19 de agosto de 1999, estabelece uma nova organização de atividades do SNA. São elas: as de controle e avaliação ficam com a Secretaria de Assistência a Saúde (SAS), e as atividades de auditoria com o Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DENASUS), representada em todos os estados da federação e no distrito federal (SCARPARO; FERRAZ, 2008). Hoje, os planos e seguro de saúde são os responsáveis por quase toda assistência à saúde do País, sendo importante para a manutenção do equilíbrio do sistema uma equipe multiprofissional de auditoria e análise dos serviços realizados, tanto em ambulatório como em regime de internação hospitalar, seja em caráter eletivo e em caráter de urgência/emergência. Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma partedeste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 32 A auditoria na área da enfermagem surgiu no hospital Universitário de São Paulo como um processo implantando desde 1983, com padrões estabelecidos para sustentar a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), e com o mesmo objetivo posteriormente, outros hospitais universitários, implantaram na década de 1980 este método avaliativo (D’INNOCENZO et al., 2006). Em dezembro de 1999, foi criada a Sociedade Brasileira em Enfermeiros Auditores em Saúde (SOBEAS), tendo como finalidade agregar profissionais de todo país, que fossem enfermeiros envolvidos ou interessados em auditoria. Nos dias de hoje, compete à Auditoria a difícil tarefa de manter equiparada a relação custo/benefício na assistência médica, ou em outras palavras, tentar oferecer uma assistência médica de boa qualidade dentro de um custo compatível com os recursos financeiros disponíveis. Não é somente indicar as falhas e os problemas, mas também, apontar sugestões e soluções, assumindo, portanto, um caráter eminentemente educacional (CHIAVENATO, 1981). Ainda de acordo com Chiavenato (1981), para que ocorra o processo de execução da auditoria, é necessário que haja envolvimento da equipe e, principalmente, maturidade para identificar, aceitar e implantar estratégias que garantam um resultado positivo para a instituição. Os profissionais da área de saúde, agrupados em equipe, tem, portanto um papel fundamental no sistema e na política de saúde do País (PEREIRA, 2010). 3.3 Auditoria em saúde Ao apresentar o Livro “Auditoria de Enfermagem nos hospitais e Operadoras de Planos de Saúde”, Motta (2010) ressalta que a qualidade tornou- se um requisito indispensável em todos os campos empresariais, independentemente das áreas, se exatas, da saúde ou humanas, estando inclusas as empresas de prestação de serviços médico-hospitalares, nas quais é necessária a aplicação de princípios fundamentais para a legitimação da prática. Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 33 A área de saúde é caracterizada por processos contínuos que envolvem a tomada de decisão. A prática baseada em evidências para a execução de um trabalho apoiado em contextos sólidos, fundamentados, pesquisados e experimentados é o que garante um resultado sistemático e organizado. A enfermagem faz parte desse processo ativamente, assegurando a melhoria da qualidade assistencial prestada nessas instituições. Uma forma de assegurar a qualidade em todo o processo de atendimento médico-hospitalar é por meio da auditoria de enfermagem, que trata da avaliação sistemática da qualidade da assistência prestada ao cliente, trabalho que tomou grandes proporções no contexto de hospitais e operadoras de planos de saúde. Independente da categoria profissional, sejam enfermeiros, administradores, médicos, dentistas e outros, fato é que eles estão presentes nessas organizações de saúde e sua atuação vem se desenvolvendo, aperfeiçoando e ganhando destaque devido à grande preocupação dos estabelecimentos em manter-se no mercado. As operadoras e hospitais têm como objetivo principal garantir o atendimento com qualidade aos clientes, pagando e recebendo o justo pelos seus serviços. Essa prática acarreta o comprometimento e a mobilização de toda a equipe para que o processo beneficie todas as partes envolvidas. Pode-se dizer que a auditoria é uma estratégia para melhorar o cuidado através de levantamento prévio e identificação da deficiência na organização e assistência prestada (SOUZA, 2001). Segundo Falk (2001), auditoria em saúde é o conjunto de ações utilizadas na avaliação e fiscalização dos prestadores de serviços de saúde e na conferência de contas relativas aos procedimentos executados, do atendimento ao gasto, do custo à qualidade a ser alcançada. É um sistema de revisão e controle, para informar a administração sobre a eficiência e eficácia dos programas em desenvolvimento. Sua função não é somente indicar as falhas e os problemas, mas também, apontar sugestões e soluções, assumindo, portanto, um caráter eminentemente educacional (SCARPARO, 2005). Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 34 Souza (2001 apud PEREIRA, 2010) define auditoria como um conjunto de medidas através das quais, perito interno ou externo revisa as atividades operacionais de determinados setores de uma instituição, com a finalidade de mensurar a qualidade dos serviços prestados. A qualidade do registro das ações assistenciais reflete a qualidade da assistência e a produtividade do trabalho. E com base nesses registros, pode-se permanentemente construir melhores práticas assistenciais, além de implementar ações que visem melhorias nos resultados operacionais (FONSECA et al., 2005). Falk (2001) faz um apontamento importante que consiste na conferência da conta ou procedimento pelo auditor, analisando o documento no sentido de corrigirem falhas ou perdas, objetivando a elevação dos padrões técnicos e administrativos, bem como a melhoria das condições hospitalares, e um melhor atendimento à população. É uma atividade profissional da área de saúde que analisa, controla e autoriza os procedimentos para fins de diagnose e condutas terapêuticas, propostas e/ou realizadas, respeitando-se a autonomia profissional e preceitos éticos, que ditam as ações e relações humanas e sociais (FALK, 2001). Em saúde, a auditoria tem ampliado seu campo de atuação para a análise da assistência prestada, tendo em vista a qualidade e seus envolvidos, que são paciente, hospital e operadora de saúde, conferindo os procedimentos executados com os valores cobrados, para garantir um pagamento justo. Essa análise envolve aspectos quantitativos e qualitativos da assistência, ou seja, avaliação da eficácia e eficiência do processo de atenção à saúde (SCARPARO, 2005). Auditoria em Serviços de Saúde, com certeza é um tema dos mais relevantes às Instituições e operadoras de plano de Saúde, porquanto essencial à manutenção da própria saúde financeira de tais organizações (FALK, 2001). Para o mesmo autor acima, sua existência, necessidades e objetivos são plenamente reconhecidos pela Legislação e pelos Códigos de Ética da área de saúde, além de reconjugado pelas Normas Administrativas das Instituições de Saúde. Portanto, a Equipe de Auditoria deve estar atenta aos seus limites, Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 35 claramente definidos nos respectivos Códigos de Ética, e embasados em Normas Técnicas próprias e Pareceres de Sociedades Científicas. Conforme Motta (2010), auditoria de enfermagem é um trabalho desenvolvido exclusivamente pelo profissional enfermeiro (a), vindo a constituir um crescente campo de trabalho, abrindo novos espaços para essesprofissionais. Auditoria pressupõe avaliação e revisão detalhada de registros clínicos selecionados por profissionais qualificados para verificação da qualidade da assistência. O conceito mais ampliado de auditoria refere-se à análise das atividades realizadas pela equipe de enfermagem, através do prontuário em geral, principalmente das anotações, tendo em vista a qualidade da assistência prestada. Inclui ainda, a condição de diminuir custos, conciliando a qualidade do cuidado prestado com a sustentabilidade financeira da instituição de saúde (SOUZA; FONSECA, 2005). A auditoria de enfermagem avalia continuamente a qualidade da assistência de enfermagem prestada ao paciente, desde a internação até a alta por meio da análise da documentação da assistência registrada no prontuário do paciente, verificação das condições do atendimento prestado ao paciente durante o período de internação, por meio de visitas in loco, a fim de assegurar o pagamento com exatidão (MOTTA, 2010). De acordo com Kurcgant (2000): “Auditoria de enfermagem é a avaliação sistemática da qualidade da assistência de enfermagem, verificada através das anotações de enfermagem no prontuário do paciente”. A auditoria em enfermagem representa a função de controle do processo administrativo, verificando se os resultados da assistência estão de acordo com os objetivos (SETZ, 2009). 3.4 Tipos de auditoria em saúde O Manual de Normas de Auditoria do Ministério da Saúde (BRASIL, 1998), classifica auditoria em: Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 36 1. Regular ou Ordinária – realizada em caráter de rotina e periódica, sistemática e previamente programada, com vistas à análise e verificação de todas as fases específicas de uma atividade, ação ou serviço. 2. Especial ou Extraordinária – realizada para atender a apuração das denúncias, indícios de irregularidades, por determinação do Ministro de Estado da Saúde, outras autoridades ou para verificação de atividade específica. Visa a avaliação e o exame de fatos em área e períodos determinados. Aqui se incluem os exames realizados por peritos especializados em determinadas áreas de atuação profissional, designados por autoridade competente, com emissão de laudo pericial. Quanto à Execução podem ser: 1. Analítica – conjunto de procedimentos especializados, que consiste na análise de relatórios, processos e documentos, com a finalidade de avaliar se os serviços e os sistemas de saúde atendem às normas e padrões previamente definidos, delineando o perfil da assistência à saúde e seus controles. 2. Operativa – conjunto de procedimentos especializados que consiste na verificação do atendimento aos requisitos legais/normativos, que regulamentam os sistemas e atividades relativas à área da saúde, através do exame direto dos fatos (obtidos através da observação, medição, ensaio ou outras técnicas apropriadas), documentos e situações, para determinar a adequação, a conformidade e a eficácia dos processos em alcançar os objetivos. Caleman, Moreira e Sanchez (1998) colocam a auditoria operacional e a auditoria analítica como os principais tipos: � a auditoria operacional é baseada na observação direta dos fatos, procede à verificação “in loco”, quanto à propriedade das informações obtidas para análise dos documentos e situações, objetiva a avaliação do atendimento às normas e diretrizes, através de verificação técnico-científica e contábil da documentação médica, estrutura física e tecnológica, bem como, se necessário, ao exame do paciente; � a auditoria analítica é baseada na análise dos documentos, relatórios e processos, e objetiva a identificação de situações consideradas incomuns e Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 37 passíveis de avaliação, bem como conferência quantitativa e qualitativa da conta hospitalar e adequação de valores. Para Motta (2010), a auditoria analítica pode ser subdivida em: � pré-auditoria ou auditoria prospectiva – trata-se da avaliação dos procedimentos médicos antes de sua realização. Exemplo: emissão de um parecer pelo médico auditor da operadora de plano de saúde, sobre um determinado tratamento ou procedimento, e cabe a ele por meio de conhecimento dos contratos e legislação, mais perícia, recomendar ou não os procedimentos; � auditoria concorrente ou proativa ou supervisão – é a análise pericial ligada ao evento no qual o cliente está envolvido durante o atendimento; � auditoria de contas hospitalares ou retrospectiva ou revisão de contas – consiste na análise pericial dos procedimentos médicos realizados, com ou sem a análise do prontuário médico, após a alta do paciente. A auditoria de enfermagem está presente no hospital como auditoria interna do faturamento através da análise de contas, e auditoria interna de educação permanente, onde esta última pode ir além do faturamento, chegando à qualidade dos serviços prestados, orientado e participando do treinamento, objetivando melhores desempenhos quanto a tempo de atendimento, redução de infecção hospitalar, índice de satisfação do cliente. Quanto à forma da intervenção, pode ser: � auditoria interna – é realizada por profissionais da própria instituição; � auditoria externa – é realizada por profissionais que não pertencem a instituição, e que são contratados para este fim; � auditoria mista – são profissionais da própria empresa e profissionais contratados que não fazem parte da empresa. Quanto ao tempo de processamento: � contínua – é realizada em períodos predeterminados, se iniciando sempre do ponto de término da anterior; � periódica – realizada em períodos determinados, porém não tem o caráter da continuidade. Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 38 Quanto ao caráter: 1- Auditoria Preventiva: realizada a fim de que os procedimentos sejam auditados antes que aconteçam. Geralmente está ligado ao setor de liberações de procedimentos ou guias do plano de saúde, e é exercida pelos médicos e outros. 2- Auditoria Operacional: é o momento no qual são auditados os procedimentos durante e após terem acontecido. O auditor atua junto aos profissionais da assistência, a fim de monitorizar o estado clínico do paciente internado, verificando a procedência e gerenciando o internamento, auxiliando na liberação de procedimentos ou materiais e medicamentos de alto custo, e também verificando a qualidade da assistência prestada. É nesta hora que o auditor pode indicar, com a anuência do médico ou outro profissional assistente, outra opção de assistência ao usuário, como o Home Care1 ou o Gerenciamento de Casos Crônicos. 3- Auditoria Analítica: Junqueira (2001) engloba nesta classificação as atividades de análise dos dados levantados pela Auditoria Preventiva e Operacional, e da sua comparação com os indicadores gerenciais e com indicadores de outras organizações. Neste processo, os auditores devem possuir conhecimento relacionado aos indicadoresde saúde e administrativos, e no que tange a utilização de tabelas, gráficos, bancos de dados e contratos. Desta forma, são capazes de reunir informações relacionadas ao plano de saúde, bem como quanto aos problemas detectados em cada prestador de serviços de saúde. Consequentemente, tais análises contribuem substancialmente para a gestão dos recursos da organização (KOBUS, 2002). 3.5 Auditoria de enfermagem no hospital Hoje, devido à grande atuação do(a) enfermeiro(a) nesse mercado, todos os aspectos relacionados à auditoria vêm se desenvolvendo. Foi criada uma Sociedade de Enfermeiros Auditores, que luta para respaldar dia a dia legalmente, junto ao órgão competente da categoria, essa prática. Muitas são as dúvidas que surgem diante de situações algumas vezes conflitantes, que só serão 1 Home care – modalidade de Serviço de Assistência à Saúde (internamento domiciliar). Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 39 resolvidas pela prática diária, conhecimento, bom-senso, honestidade e perseverança (MOTTA, 2010). A mesma autora, com ampla experiência na área de saúde, diz ser um grande engano dizer que o(a) enfermeiro(a) auditor(a) não está ligado à prática diária do hospital, passando a ser altamente burocrática, perdendo o conhecimento técnico. O(a) enfermeiro(a) auditor(a), em qualquer área de atuação, como as demais de outras especialidades, acompanha o desenvolvimento tecnológico e o crescimento da enfermagem em um âmbito geral, para adquirir conhecimentos técnico-científicos, formando suas opiniões que vão influenciar no momento da tomada de decisão. Esse profissional, dentro da instituição hospitalar, deve desenvolver seu trabalho com senso crítico, explorando o que há de mais digno em auditoria, que é o seu aspecto educacional e de orientação, não se passando por um instrumento de correção manual de problemas burocráticos e sim atuando como orientador da equipe interdisciplinar dentro do processo que envolve a internação e cobrança hospitalar. É um importante auxiliar na administração das instituições hospitalares e operadoras de planos de saúde, pois pode identificar as possíveis irregularidades, prevenindo e corrigindo problemas, resultando em economias e qualidade no atendimento prestado. Dentro do perfil dessa profissional, encontramos: � trabalhar tendo sempre a ética como referência. Os princípios éticos devem predominar; � ter conhecimento técnico-científico, acompanhando todo o desenvolvimento tecnológico na saúde em geral e principalmente nas especialidades de enfermagem que audita; � conhecer os estudos atuais práticos baseados em evidências; � conhecer os aspectos legais que regem a profissão; � desenvolver a capacidade de persuasão pela experiência anterior, conhecimento, expressão e conhecimento; � ter disciplina, não violando os direitos de outros; Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 40 � ter humildade para reconhecer erros e aprender; � agir como educador; � ser tolerante. Um tema equivocado que cerca esse profissional está relacionado a “o que auditar”, ou seja, há profissionais que, pelo próprio perfil ou determinação da instituição em que trabalham, atuam de modo restrito, somente na verificação da quantidade usada de materiais e medicamentos e sua compatibilidade entre a cobrança hospitalar e o prontuário do paciente. Há outros profissionais que, pelo próprio perfil ou “abertura” e necessidade da empresa, não somente verificam o aspecto citado anteriormente, mas também outros, abrangendo sua área de atuação, realizando análises que podem ser úteis posteriormente na revisão de contratos, de preços e negociações. Enfim, cabe a esse especialista determinar o trabalho que pretende desenvolver e em que tipo de instituição pretende atuar. No segundo caso mencionado, é muito importante que o(a) enfermeiro(a) com maior abrangência de atuação dentro da empresa na qual trabalha não realize atividades que não são de sua competência e legalidade, como, por exemplo, conferência de honorários médicos, mas isso não significa que não possam ser detectados erros nesses itens e encaminhados ao médico auditor da equipe de trabalho, como forma de auxiliar no crescimento e consolidação de um trabalho de equipe, e o contrário também pode ocorrer sem problemas. Cabe um parêntese para falarmos um pouco sobre a questão de administrar e mediar conflitos, pois quando se trata de avaliar, conferir, examinar o trabalho de outrem, paira no ar um certo constrangimento, uma desconfiança, cria-se uma possível situação de conflito, enfim, não é uma situação muito agradável de se vivenciar, seja para o auditor seja para o auditado. Os conflitos não possuem apenas aspectos negativos, porque são as interações antagônicas que mantêm a diferença entre os elementos; estes desapareceriam se essa diferença não se mantivesse (...), porém, as interações antagônicas por si só exacerbariam o sistema e o levariam ao colapso e à Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 41 destruição. É preciso administrá-los. (SUARES, 2002 apud FIORELLI; FIORELLI; MALHADAS JUNIOR, 2008). No contexto da auditoria de enfermagem, provavelmente muitos já se depararam com situações conflitantes, mas não devem se tornar rotina nem um fator imprescindível ao trabalho de auditoria, ao contrário, deve-se buscar espaço para um trabalho harmonioso, o que requer maturidade emocional, conhecimento técnico-científico, boa comunicação, equilíbrio e apoio da instituição contratante. Motta (2010) expõe alguns pontos considerados relevantes para gerar conflitos diários em auditoria. � História: se analisarmos o aspecto histórico dos serviços de auditoria, detectamos que a auditoria carrega consigo o preconceito de ser uma atividade de fiscalização. Esse conceito, ao longo dos anos, vem mudando, e a postura do auditor “fiscal”, ou seja, o profissional que fiscaliza, aponta erros e pune, vem sendo substituída por atitudes ponderadas, na tentativa de fazer parcerias. � Conhecimento: a falta de conhecimento sobre o trabalho fundamentado e lícito da auditoria de enfermagem é outro aspecto a gerar conflitos. As pessoas já aguardam o auditor “armadas” como se fossem para uma batalha, seja o auditor da operadora, seja o do hospital, com receio das críticas, das glosas, das punições. � Características próprias: outro aspecto seria uma certa dificuldade por parte dos seres humanos em ouvir críticas, por mais construtivas que sejam. No trabalho da auditoria de enfermagem, situações equivocadas precisam ser apontadas de modo claro e adequado para serem corrigidas. Isso é um trabalho educativo, mas por mais que a colocação dessas situações seja cuidadosa, ela pode muitas vezes não ser aceita, causando alteração nos ânimos das pessoas envolvidas, pois há os interesses individuais ou da empresa em questão. Resumindo, a históriada auditoria associada aos interesses individuais, de um grupo ou instituição e o levantamento de questões falhas formam uma receita que, se mal administrada, pode dar resultados negativos. Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 42 Para evitar qualquer situação de desgaste, improdutividade, insatisfação e perda de tempo, algumas medidas simples podem ser adotadas no desempenho do trabalho desse especialista tanto na operadora de planos de saúde como na instituição hospitalar. 1. Toda atividade nova implantada em qualquer tipo de serviço ou instituição gera vários tipos de sentimentos e reações nas pessoas que participam desse processo. É necessário que o trabalho seja elaborado com uma base feita de conceitos sólidos e de práticas organizadas. 2. Conceitos antigos sobre auditoria devem ser úteis para o conhecimento histórico desse serviço e não como modelo de trabalho. 3. O auditor deve agir acima de qualquer interesse individual ou da empresa, dentro da ética e da lei do exercício profissional. 4. O bom-senso e o respeito pelo outro profissional jamais devem ser esquecidos. S. Dentro das instituições de saúde ou das operadoras de planos de saúde o(a) enfermeiro(a) auditor(a) deve agregar profissionais para obter parcerias dentro da instituição. 6. Dentro das instituições de saúde ou das operadoras de planos de saúde, esse profissional deve orientar e esclarecer todos os profissionais sobre o que é seu trabalho e a importância da participação de todos para que seja efetivo. Estas são algumas dicas que ao longo do trabalho podem mostrar a verdadeira função do(a) enfermeiro(a) auditor(a) e como essa atividade pode ser desenvolvida sem grandes conflitos. A auditoria de enfermagem hoje abrange vasta área de atuação. Estes profissionais estão presentes nos serviços de educação continuada; no serviço de faturamento; nos serviços de credenciamento para realização de vistoria técnica da rede; nos serviços de autorizações pela verificação e análise da compatibilidade dos procedimentos solicitados com a realidade contratual entre operadora, prestador de serviço e cliente; nos serviços de contas médicas na orientação e coordenação dos auxiliares de revisão de contas e no serviço de auditoria de enfermagem e médica, propriamente ditos (MOTTA, 2010). Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 43 3.6 O prontuário e as anotações Os avanços na tecnologia hospitalar deram origem a meios que tendem a facilitar a administração hospitalar, criando elementos que visam igualmente à melhoria da qualidade. Nesse sentido também se criou o prontuário, que serve de documento para aquisição de informações a respeito do paciente na instituição hospitalar (POSSARI, 2007). A palavra prontuário origina-se no latim, promtuptuariu, significando, estar com informações e/ou indicações importantes, de fácil acesso em caso de necessidade (MARIN, 2009 apud WATANABE; KUBOTA, 2009). O prontuário, na prática de enfermagem, foi introduzido por Florence Nightingale, na Guerra da Criméia. Nele, Florence relatava informações a respeito dos pacientes feridos e da assistência a eles destinada, para que outros pudessem dar continuidade ao serviço (POSSARI, 2007). Os prontuários devem conter informações sobre o paciente incluindo o estado fisiológico e geral, psicossocial, físico e procedimentos realizados e seus resultados. Compõe, também, um meio de comunicação entres os membros da equipe, sendo indispensável qualquer outra informação sobre o paciente de qualquer outro meio (D'INNOCENZO et al., 2006). O Decreto nº 50.387, de 28 de março de 1961, que regulamentava a Lei nº 2.604/55, Art. 14, decreta que todos os componentes da equipe de enfermagem (auxiliares, técnicos e enfermeiros), têm obrigação de manter as informações em perfeita ordem a respeito do paciente, nos aspectos que dizem respeito às atividades de enfermagem (POSSARI, 2007). Segundo Motta (2003), o prontuário é criado na admissão do paciente na internação, mantendo-se até a alta com seus dados, com informações diárias dos serviços para dar continuidade ao trabalho realizado. Para Erdmann e Lentz (2006), o prontuário é um documento valioso para o paciente, para a equipe de saúde (médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, entre outros profissionais) que o assistem e para as instituições de saúde, assim como para o ensino, a pesquisa e os serviços públicos de saúde, além de instrumento de defesa legal. Ainda de acordo com os autores, a anotação de enfermagem é o meio utilizado pela enfermagem para informar sobre a Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 44 assistência prestada, e como consequência, uma fonte disponível para avaliação da eficiência e eficácia dessa assistência. Assim, demandam clareza em relação a sua forma e conteúdo, a fim de garantir a compreensão e a legibilidade da informação. Resumindo: o prontuário do paciente é um documento legal que lhe pertence e está sob a responsabilidade técnica do médico. Ele deve conter todas as informações pertinentes à internação do paciente, desde sua admissão à alta, portanto é fundamental conhecer os aspectos legais que envolvem esse documento, para que saibamos a dimensão e a importância do correto registro de todas as atividades realizadas no dia a dia de trabalho. Essa tarefa é uma obrigação legal de todos os profissionais de saúde envolvidos no atendimento ao paciente, como médicos, enfermeiros, nutricionistas e outros (MOTTA, 2010, p. 57). Vigo, Pace e Santos (2003) ressaltam que os registros de enfermagem no prontuário devem incluir a declaração dos problemas frequentemente referidos pelos clientes. O autor também comenta que eles são o único meio de demonstrar o trabalho executado pela equipe de enfermagem, sendo um reflexo da eficiência e eficácia dos cuidados oferecidos ao cliente. Dentre os documentos padronizados que devem fazer parte do prontuário médico temos: 1. Ficha de anamnese. 2. Ficha de evolução. 3. Ficha de prescrição terapêutica. 4. Ficha de registro de resultados de exames laboratoriais e de outros métodos de diagnóstico auxiliares. As fichas de atendimento ambulatorial, clínico e de acidente de trabalho, exames complementares e radiológicos também são documentos do prontuário, esclarecendo que: a) O atendimento clínico ambulatorial de primeira vez deve ser registrado na ficha de anamnese e os subsequentes na ficha de evolução. O mesmo deve Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 45 ocorrer com o atendimento odontológico, para o qual devem existir fichas com modelos específicos. b) O acidente de trabalho devetambém ser registrado em prontuário médico, na ficha de anamnese e evolução e anexada a ele uma via do documento legal do acidente de trabalho. c) Os resultados de exames laboratoriais devem ser registrados nos prontuários médicos, pois constituem provas de confirmação do diagnóstico e de acompanhamento terapêutico. Quanto ao arquivamento dos prontuários médicos, conforme Resolução CFM nº 1.472/97, preconiza a guarda de documentos por, no mínimo, dez anos. Embora já tenha sido sugerido, devido à modernidade dos recursos de microfilmagem que têm a validade de um documento original, o prazo de guarda poderia ser de cinco anos após a última anotação. Já prontuários de óbitos devem ser guardados pelo prazo mínimo de cinco anos a partir da data do último atendimento. Completado esse prazo, pode ser elaborada uma seleção dos documentos padronizados, ordenados e concisos, destinados ao registro dos cuidados médicos e paramédicos prestados ao paciente pelo hospital. Cinco anos são suficientes para o arquivamento desses prontuários de óbito, uma vez que não haverá um futuro atendimento do paciente em óbito e o seu prontuário pode servir somente para pesquisa, ensino e para serviços de saúde pública, ou como provas documentais da justiça (MOTTA, 2010). Além do descrito acima, todos os dados devem ser registrados imediatamente após o fato ocorrido, evitando com isso, o déficit do cuidado por falha na comunicação. As anotações de enfermagem devem observar os seguintes critérios: • exatidão – os fatos devem ser anotados com precisão e veracidade. A omissão de dados ou o registro errado demonstram inexatidão. As observações devem ser específicas e exatas; • brevidade – todo registro deve ser conciso, objetivo e completo; • legibilidade – a anotação deve ser feita de forma nítida, legível e à tinta; Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 46 • identificação – logo após a anotação, o profissional deve assinar seu nome seguido do número do COREN. Sendo aluno, colocar seu nome e instituição de ensino (ERDMANN; LENTZ, 2006). Não podemos deixar de registrar que a qualidade do registro de enfermagem está associada a um treinamento e supervisão, pois devem ser concisos e completos. Todas as ações de enfermagem devem ser anotadas. A informação é a ferramenta principal para um trabalho de eficiência e eficácia, pois está ligada diariamente em cada etapa do cuidado (POSSARI, 2005). Segundo Smeltzer e Bare (2005), o registro de cuidados de saúde do cliente foi e ainda é executado com a intenção de promover um meio de comunicação entre os membros do grupo de saúde, de modo a facilitar a coordenação e a continuidade do planejamento. O registro de enfermagem tem outras funções, sendo as seguintes: • atuar como registro legal e comercial da organização hospitalar e dos grupos de profissionais responsáveis pelo tratamento do cliente; • servir de base para avaliação e eficiência, da qualidade das práticas em saúde; • promover um dado útil de pesquisa, educação e planejamento a curto e longo prazo. Nas instituições de saúde, o prontuário em papel ainda é o mais utilizado. Esse documento proporciona ao profissional o acompanhamento da evolução do paciente, é de fácil manuseio e transporte e ainda é amigável para a maioria da equipe, não se apresentando indisponível no sistema como o eletrônico (POSSARI, 2005 apud TASCHETTO, 2010). Falamos em momento anterior sobre a questão das tecnologias da informação. Pois bem, esse avanço também chegou às anotações de enfermagem. Durante certo tempo, a expansão do Sistema de Informação (SI) nos serviços de saúde fora em caráter administrativo, financeiro ou contábil. A preocupação, na maioria das vezes era informar. Resumia-se na emissão de Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 47 relatórios, em análises estatísticas e em outros documentos, todos em papel. Os componentes que formavam o prontuário do paciente eram simplesmente usados, armazenados e acessados, compondo um Sistema de Informação Hospitalar (SIH) sem um compromisso maior. Os dados clínicos que deveriam ser o principal motivo da existência do SIH, às vezes, eram esquecidos ou mal utilizados, dificultando o tratamento da informação, gerando gastos excessivos com papel, além de fraudes e erros. A tecnologia da informação veio para beneficiar o homem, pois é uma forma de gerar, armazenar, vincular, processar e reproduzir a informação através de recursos tecnológicos e computacionais e o componente principal que é o recurso humano. Sabemos que a revolução tecnológica iniciou-se no século XX e ocasionou modificações nas empresas e instituições, referentes ao planejamento, à gestão da tecnologia da informação e aos sistemas de informação. Em relação às unidades de saúde, essa integração está voltada para a melhoria dos serviços prestados e que promovem a saúde do paciente. A revolução tecnológica vem ocasionando profundas modificações nas empresas, principalmente no que se refere ao planejamento, à gestão da tecnologia da informação e aos sistemas de informação. Em relação às unidades de saúde, a integração rede de telecomunicação, computadores, informação on- line e dados a respeito de pacientes estão voltados para uma melhora significativa nos serviços prestados. O prontuário do paciente é constituído por informações registradas por profissionais da área, como médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, entre outros, e são a fonte alimentadora de dados para todos os sistemas e seus subsistemas. O SIH vem ocupando o seu espaço nas unidades de saúde. As organizações hospitalares têm-se preocupado com a integração de dados administrativos e dados clínicos, como forma desejável e necessária ao seu bom funcionamento. As anotações de enfermagem são extremamente importantes, mas é preocupante a forma como elas são tratadas. Sabe-se que não basta anotar, é necessário ter anotações de boa qualidade para atingir, entre outras finalidades, a criação de um documento legal que poderá, mais tarde, ser usado na justiça, para Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 48 avaliação do cuidado prestado. As anotações poderão ser os melhores amigos ou os piores inimigos dos profissionais. A compreensão do conhecimento em enfermagem é uma matéria complexa, porque os enfermeiros sabem mais do que falam e escrevem. Nas unidades hospitalares, o sistema manual de registro dos cuidados prestados ao paciente ainda predomina na prática de enfermagem. Em geral, todas essas informações são registradas como um meio para gerenciar a assistência e avaliar a qualidade do atendimento. O registro das ações de enfermagem no prontuário é um instrumento de grande significado na assistência de enfermagem e indispensável para a adequada prestação do cuidado ao paciente (SANTOS; PAULA; LIMA, 2003). Em muitos casos, as anotações de enfermagem são feitas somente por técnicose auxiliares. Tais anotações são importantes, pois registram todos os eventos ocorridos nas 24 horas referentes à dinâmica das ações. O prontuário é considerado um instrumento de sistematização dos registros. A Sistematização da Assistência de Enfermagem veio modificar as atividades do(a) enfermeiro(a) que normalmente assume variados papéis nas instituições de saúde. É preciso que ocorram mudanças nessa documentação legal e que se estabeleçam padrões de cuidados de enfermagem, aplicação do processo de enfermagem e implantação do processo de auditoria. O prontuário do paciente, a cada dia, vem se firmando legalmente como ferramenta importante na avaliação da qualidade da assistência prestada aos clientes no hospital, fornecendo informações para processos judiciais e convênios de saúde. Os registros do prontuário do cliente são também utilizados para fins de faturamento/cobrança para auditoria interna ou externa, para obtenção de dados estatísticos sobre as atividades realizadas e para análise institucional (RODRIGUES; PERROCA; JERICÓ, 2004). Através de um levantamento realizado em prontuários hospitalares, constatou-se que apenas 0,5% das anotações neles contidas eram feitas por enfermeiros. Observou-se também que as informações transcritas não revelavam qualidade, não observavam uma sequência lógica, não objetivavam a situação do Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 49 paciente, enfim não revelavam o adequado procedimento nos cuidados para atender às necessidades de cada paciente (SANTOS; PAULA; LIMA, 2003). Os(as) enfermeiros(as), ao longo da sua prática profissional, têm sido sobrecarregados com atividades envolvendo registros, anotações, relatórios e comunicações, utilizando grande parte de seu tempo em atividades burocráticas e na busca e documentação das informações. Diversos estudos estimam que eles despendam até 50% de seu tempo coletando, administrando e documentando informações. Um dos fatores que contribui para isso é o fato de o prontuário médico ser baseado em registros manuais. O enfermeiro consome grande parte de seu tempo, quando realiza, manualmente, o plano de cuidado para cada um dos pacientes sob sua responsabilidade. E torna-se se mais difícil quando nas instituições hospitalares o número desses profissionais é deficitário em relação à taxa de ocupação de leitos. Surge assim o desafio de administrar seu tempo para que todas as suas tarefas sejam realizadas integralmente e com qualidade na prestação de assistência ao paciente (SPERANDIO; ÉVORA, 2002). A enfermagem produz, diariamente, muitas informações inerentes ao cuidado dos pacientes. Estima-se que ela seja responsável por mais de 50% das informações contidas no prontuário do paciente. Mas há o fato de que as anotações são inconsistentes, ilegíveis e subjetivas, não havendo uma definição metodológica estruturada. Os registros são realizados, não só pelos enfermeiros, mas também pelos auxiliares de enfermagem, por meio de observações baseadas no estado geral do paciente e nas informações médicas. Outro problema que ocorre na maioria dos hospitais são a perda do registro de informações dos prontuários e a ocorrência de falhas nos mecanismos de armazenamento desses prontuários, gerando dificuldades quando se procura recuperar dados para fins de pesquisa e análise (SANTOS; PAULA; LIMA, 2003). O registro de enfermagem é uma importante fonte de informações e algumas vezes tem sido criticado sob a alegação de que são avaliados os registros e não os cuidados de enfermagem. Entretanto, é óbvio que há correlação positiva entre os registros e a qualidade do cuidado, pois os cuidados podem ser avaliados através dos registros. Assim, a avaliação dos registros, consequentemente, reflete a qualidade da enfermagem. Nas auditorias são Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 50 detectadas ausências de dados fundamentais para o esclarecimento das ações realizadas, bem como registros feitos de forma indevida. Grande parte do pagamento de materiais, medicamentos, procedimentos e outros serviços estão vinculados aos registros de enfermagem. É sabido que se as anotações de enfermagem forem inconsistentes, ilegíveis e subjetivas, as contas ou alguns itens podem ser glosados, causando perdas no faturamento das instituições (RODRIGUES; PERROCA; JERICÓ, 2004). Enfim, a auditoria de enfermagem é realizada através da análise das contas hospitalares com ou sem o prontuário do paciente em mãos. A auditoria com o prontuário em mãos possibilita a análise precisa das cobranças realizadas, comparando-as com o seu conteúdo médico e o prontuário eletrônico é um recurso importante para o trabalho, pois possibilita a qualquer membro da equipe acessar as informações pertinentes ao paciente (MOTTA, 2010). 3.7 Glosas hospitalares Podemos definir a glosa como o não pagamento, por parte das operadoras de planos de saúde, dos procedimentos médicos cobrados, seja por motivos técnicos e/ou administrativos (MOTTA, 2010). Glosa significa cancelamento ou recusa parcial ou total, de orçamento, conta, verba por serem considerados ilegais ou indevidos, ou seja, refere-se aos itens que o auditor da operadora (plano de saúde) não considera cabível para pagamento. As glosas podem ser classificadas em administrativas e técnicas. As glosas administrativas são decorrentes de falhas operacionais no momento da cobrança, falta de interação entre o plano de saúde e o prestador de serviço (instituição hospitalar), ou ainda, falha no momento da análise da conta do prestador. As glosas técnicas estão vinculadas à apresentação dos valores de serviços e medicamentos utilizados e não aos procedimentos médicos adotados (GOTO, 2001). Para Sá (1994), glosas são as correções que o auditor faz das inconformidades encontradas nas contas médicas hospitalares, baseados nas tabelas e contratos previamente firmados entre o Prestador e o Pagador dos Serviços de Saúde. Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 51 As glosas são aplicadas quando qualquer situação gerar dúvidas em relação às regras e práticas adotadas pela instituição de saúde. Quando as instituições têm os valores dos serviços prestados glosados pelas operadoras de planos de saúde, elas podem lançar mão de recursos, denominados recursos de glosas, a fim de recuperar suas perdas econômicas (RODRIGUES; PERROCA; JERICÓ, 2004). O Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DENASUS) utiliza o seguinte conceito para glosa: É a rejeição total ou parcial de recursos financeiros do SUS, utilizados pelos estados, pelo Distrito Federal e pelos municípios de forma irregular ou cobrados indevidamente por prestadores de serviço, causando danos aos cofres públicos. Para fundamentar as glosas, deverão ser observados os termos técnicos do Sistema Nacional de Auditoria (SNA) e deverão seguir alguns procedimentos: Toda glosa deverá ser acompanhada da sua respectiva documentação comprobatória,cópias autenticadas pelo auditor, e o prontuário médico deve ser autenticado pelo diretor da unidade auditada para uma possível contraprova ao fato glosado. Deve-se anexar o original da planilha de distorções para justificativas e identificação dos responsáveis (BRASIL, 2005). Segundo Scarparo (2007), a auditoria em enfermagem foi considerada como forma de impor glosas ou diminuí-las, por meio da análise e coleta de dados dos prontuários dos pacientes, registros e manuais de enfermagem. Com o tempo, foram associados a esses métodos a elaboração de relatórios técnicos. Hoje, a auditoria tem como finalidade a comprovação de pagamento de contas hospitalares revendo glosas por meio do relatório técnico e realizando negociações entre representantes do hospital e do convênio. No futuro, deverá apontar inadequações da assistência de enfermagem, reformulando suas práticas, indicando processos de educação em serviço e delineando ações corretivas. Para indicar a glosa de uma conta hospitalar no SUS é necessário seguir as normas do SUS e outras legislações referentes ao uso do dinheiro público. O DENASUS criou um manual de orientação técnica sobre aplicação de glosas, Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 52 para orientar as ações dos técnicos do SNA, no sentido de uniformizar procedimentos, evitando impropriedades e irregularidades gerenciais relacionadas com a utilização dos recursos. Os técnicos do SNA devem verificar os pontos de estrangulamento, detectar desperdícios e corrigir procedimentos que prejudiquem as ações e os serviços de saúde, com a finalidade de melhorar a qualidade de vida da população (BRASIL, 2005). A glosa só deve ser sugerida quando: • não ficar comprovada a realização total ou de parte do serviço (consultas, exames e outros); • não for possível comprovar a entrega e/ou o recebimento do bem, do material, do medicamento e de outras aquisições; • quando ficar comprovado que a empresa fornecedora não existe fisicamente ou que a nota fiscal é inidônea – entretanto o bem, o material ou o medicamento, etc., foi entregue –, não cabe glosa e sim uma recomendação ao nível central do Denasus, a fim de que este encaminhe o assunto ao Ministério Público e/ou aos órgãos da Receita Federal e Estadual, para a devida apuração (BRASIL, 2005). Por tratar-se de um procedimento que ocorre com frequência, principalmente no início da implantação do serviço de auditoria nas instituições, é importante que se estabeleça uma sequência de ações com regras claras e prazos. Esse tipo de operacionalização evita uma série de contratempos e facilita muito a relação entre operadoras e hospitais. Na prática podemos verificar muitos motivos administrativos e técnicos que geram glosa, como por exemplo: a) Dados cadastrais inconsistentes. b) Cobranças excessivas em decorrência de erros de digitação e falhas no sistema informatizado. c) Usuários de planos em carência para determinados procedimentos. d) Ausência de autorizações prévias de procedimentos cirúrgicos e OPMES (Órtese, Prótese, Materiais Especiais). Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 53 e) Falta de padrão quanto ao uso de materiais similares e menos onerosos sem queda da qualidade. f) Anotações incompletas, ilegíveis ou sem identificação pelos profissionais da enfermagem. g) Anotações de procedimentos realizados com soluções não prescritas nem pela enfermeira nem pelo médico. Exemplo: soluções/pomadas para curativos. h) Ausência de prescrição de enfermagem. i) Fichas anestésicas sem preenchimento. j) Formulários com indicações de uso de medicamentos sem a identificação do profissional responsável pelo débito. k) Procedimentos de enfermagem cobrados sem terem sido executados. l) Incompatibilidade entre materiais usados e procedimentos executados. m) Cobranças de sessões de fisioterapia, fonoaudiologia e outros exames diagnósticos sem anotações no prontuário e laudos. n) Volume de gás incompatível ao registrado em prontuário. o) Exame cobrado incompativelmente com o realizado. p) Ausência de confirmação de uso de materiais especiais (invólucros). q) Uso de materiais, como curativos de alto custo, sem protocolo de indicação. A seguir estão descritas as etapas sugeridas para operacionalizar o recurso de glosa de forma a organizar o processo: 1. O prestador de serviços médicos recebe a descrição dos itens glosados em formulário destinado ao recurso de glosa ou papel timbrado da operadora. Esse formulário pode ser anexado à cobrança hospitalar e encaminhado ao setor de faturamento do hospital. É importante que esteja com a data da análise pela auditoria e a identificação do profissional que o executou. 2. O hospital deve estar ciente do prazo para recursar a glosa realizada, que deve estar definido em contrato ou adendo contratual da operadora. Geralmente o prazo não excede 30 dias. 3. O recurso de glosa deve ser enviado dentro do prazo estabelecido para a operadora em formulário destinado ao recurso de glosa ou papel timbrado do Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 54 hospital, com a data da análise pela auditoria e a identificação do profissional que o executou. 4. A operadora recebe os recursos de glosa, realiza análise administrativa e técnica e envia uma resposta positiva ou negativa ao hospital também num prazo de 30 dias. Motta (2010) lembra que esses prazos citados são sugestões, pois devem ser estabelecidos contratualmente, de acordo com a rotina das operadoras. A sequência sugerida para esse processo é a seguinte: Informar os itens glosados Prazo para recurso Prazo para análise administrativa e técnica Resposta ao recurso É importante ressaltar que, embora esse processo deva ter uma sequência e os devidos registros de suas etapas, se não houver consenso sobre as glosas realizadas, é interessante realizar uma reunião entre operadora e prestador para esclarecimento de dúvidas e possível acordo, chegando ao fim do processo sem necessitar prorrogar ou novamente recursar a glosa, se esta regra for permitida contratualmente pela operadora. Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 55 UNIDADE 4 – GESTÃO DA ENFERMAGEM Segundo Camelo (2012), a temática “competência profissional” tem se constituído, ao longo dos anos, foco de atenção dos enfermeiros, bem como dos administradores dos serviços de saúde, pois o pessoal de enfermagem representa, em termos quantitativos, parcela significativa dos recursos humanos alocados nessas instituições, especialmente nos hospitais, e, portanto, interferem diretamente na eficácia, na qualidade e custo da assistência àsaúde prestada. Nesse sentido, a mobilização de competências entre esses profissionais poderá refletir significativamente nos resultados obtidos. No processo de trabalho da enfermagem em unidades hospitalares, os enfermeiros têm assumido os cuidados com os pacientes mais graves, além das atividades de organização e coordenação dos serviços, desenvolvendo, de forma compartilhada, as atividades assistenciais e gerenciais. O processo de cuidar e o processo de gerenciar podem ser considerados como as principais dimensões do trabalho do enfermeiro em seu dia a dia. O cuidar caracteriza-se pela observação, o levantamento de dados, planejamento, a implementação, evolução, a avaliação e interação entre pacientes e trabalhadores da enfermagem e entre diversos profissionais de saúde. Já o processo de administrar tem como foco organizar a assistência e proporcionar a qualificação do pessoal de enfermagem, através da educação continuada, apropriando-se, para isso, dos modelos e métodos de administração, da força de trabalho da enfermagem e dos equipamentos e materiais permanentes (WILLING; LENARDT, 2002). O enfermeiro, independente do diagnóstico ou do contexto clínico, deve estar apto a cuidar de todos os doentes e, ao cuidar de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva, unidade hospitalar destinada ao atendimento de pacientes graves e recuperáveis, o enfermeiro e sua equipe defrontam-se, constantemente, com o binômio vida/morte e, devido às características tecnológicas e científicas desse local, faz-se necessária a priorização de procedimentos técnicos de alta complexidade, fundamental para manter a vida do ser humano (MARTINS et al., 2009). Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 56 Veremos, então, as diretrizes para esses profissionais, como se constitui a equipe, a questão da sua satisfação e, claro, as competências necessárias. 4.1 Diretrizes Diretriz pode ser entendida ou definida (como no caso do dicionário Aurélio) como a linha reguladora do traçado de um caminho ou de uma estrada. Também se reporta a um conjunto de instruções ou indicações para se tratar e levar a termo um plano, uma ação ou um negócio. Nosso ponto de partida está nas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem, aprovada pelo Conselho Nacional de Educação – Câmara de Educação Superior, por meio da Resolução CNE/CES 3/2001 e publicada no Diário Oficial da União/Brasília, em 9 de Novembro de 2001. Dentre os vários pontos importantes das DCN encontra-se o Art. 3º que diz respeito ao perfil do formando, egresso/profissional: Enfermeiro, com formação generalista, humanista, crítica e reflexiva. Profissional qualificado para o exercício de Enfermagem, com base no rigor científico e intelectual e pautado em princípios éticos. Capaz de conhecer e intervir sobre os problemas/situações de saúde-doença mais prevalentes no perfil epidemiológico nacional, com ênfase na sua região de atuação, identificando as dimensões bio-psico-sociais dos seus determinantes. Capacitado a atuar, com senso de responsabilidade social e compromisso com a cidadania, como promotor da saúde integral do ser humano (BRASIL, 2001). A proposta realizada em 2012, pelo Departamento de Enfermagem da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Associação Brasileira de Enfermagem em Terapia Intensiva (ABENTI) para o “Projeto Diretrizes de Enfermagem”, resume muito bem os principais objetivos ou diretrizes voltados para Gestão, a saber: � proporcionar uma visão sistêmica e integrativa do ser humano a ser cuidado na prática diária com base nas pesquisas, na experiência profissional da área assistencial e dos educadores e dos gestores em saúde; Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 57 � instrumentalizar profissionais da enfermagem intensivista a articularem as políticas da educação e da saúde com tecnologias e inovação em saúde, atendendo aos requerimentos do sistema de saúde e à complexidade dos problemas surgidos da reconfiguração das práticas assistenciais; e, � estabelecer subsídios para desenvolvimento de ações de proteção, prevenção, e de recuperação no atendimento às necessidades de indivíduos criticamente doentes. 4.2 Satisfação da enfermagem Falamos inicialmente em qualidade, um dos fatores para que as organizações vençam os obstáculos e a competitividade imposta nos tempos atuais. Vimos também que existem vários indicadores para mensurar e buscar a satisfação de todos. Escolhemos para análise e reflexão (mesmo que já admitamos serão breves), a satisfação, tomando por base estudos de Matsuda e Évora (2003); Nunes et al. (2010); Silveira et al. (2012), justificando que a valorização do capital humano tem sido considerada condição essencial entre os trabalhadores. Afinal de contas, a perspectiva do desenvolvimento de competências que implica em conhecimentos, habilidades e atitudes, devem permear todas as atividades humanas. Vale destacar a definição dos conceitos satisfação e motivação no trabalho que muitas vezes são considerados como sendo sinônimos. Para Loke (s.d. apud DEL CURA; RODRIGUES, 1999, p. 22), satisfação no trabalho consiste em [...] um estado emocional agradável ou positivo, que resultou da avaliação de algum trabalho, ou de experiências do trabalho. Assim, podemos dizer que a satisfação se relaciona tanto com os aspectos intrínsecos do trabalho (reconhecimento, autonomia, etc.), quanto com os aspectos extrínsecos (remuneração, ambiente, promoção, etc.). A motivação, por sua vez, é de cunho interno, pessoal e [...] tem origem no interior do indivíduo, ou seja, [...] é o desejo de esforçar-se para alcançar uma meta ou recompensa de modo que diminua a tensão causada pela necessidade (MARQUIS; HUSTON, 1999, p. 303). Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 58 Para Nunes et al. (2010), a satisfação com o trabalho é um conjunto de sentimentos favoráveis que os indivíduos apresentam em relação ao mesmo, e quanto maiores forem os fatores de satisfação, maior poderá ser o empenho do profissional em prestar uma assistência qualificada, refletindo um serviço de melhor qualidade. Em contrapartida, a insatisfação no trabalho é determinada por uma série de fatores negativos que, também, poderão interferir na qualidade dos serviços, como a ausência de perspectiva de crescimento profissional e salários inferiores à função exercida, que conduzem além da insatisfação no trabalho ao aumento do absenteísmo, da rotatividade de profissionais e ao desgaste físico e profissional da equipe. Evidentemente que a remuneração adequada para a função exercida, a autonomia para tomar decisões, a possibilidades de crescimento profissional e reconhecimento pessoal e o próprio orgulho do indivíduo em atuar em determinadas instituições são fatores que compõem a “cesta básica” para levar ou não à satisfação profissional. Devemos pensar que o trabalho de enfermagemrealizado, principalmente, dentro do hospital é desgastante, exaustivo e desenvolvido a partir de uma relação interpessoal muito próxima com o paciente sob seus cuidados, o que pode proporcionar sentimentos como alegria, satisfação e prazer aos trabalhadores, sem os quais seria praticamente impossível exercer a profissão. A literatura e a prática mostram que o trabalho tanto pode ser fonte de satisfação quanto de insatisfação e que vale aos gestores, não somente dessas unidades, mas de todas as áreas de saúde, valorizar o profissional e buscar atender aos seus anseios, a condições que lhe proporcionem qualidade de vida, além, é claro, de disponibilizar os recursos materiais necessários ao bom desempenho do trabalho, salário digno, um quadro completo de pessoal e, por fim, buscar a estabelecimento de relações saudáveis no ambiente de trabalho. Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 59 4.3 Competências A noção de competência é fortemente polissêmica, tanto no mundo do trabalho quanto na esfera da educação. Fleury e Fleury (2001) propõem um conceito, ao mesmo tempo abrangente e preciso, em que competência é definida como um saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar conhecimentos, recursos, habilidades, que agreguem, ao mesmo tempo, valor econômico à organização, e valor social ao indivíduo. Os trabalhadores de enfermagem têm graus de formação diferenciados e a organização do labor ocorre pela divisão por tarefas, garantindo ao enfermeiro o papel de detentor do saber e de controlador do processo de trabalho. Assim, o enfermeiro realiza o trabalho intelectual e gerenciador da assistência que é prestada (CAMELO, 2012). De acordo com estudos selecionados, o enfermeiro tem a função de organizar e planejar o labor a ser desenvolvido, durante o seu turno e, muitas vezes, do turno do colega (MARTINS et al., 2009; BARBOSA et al., 2010). Dessa forma, compete ao enfermeiro, dentre outras atividades, avaliar o paciente, planejar a assistência, supervisionar os cuidados, bem como ser o responsável por tarefas burocráticas e administrativas (PADILHA, 1994). A Lei do Exercício Profissional nº 7498/86, art.11, alínea c, dispõe que o enfermeiro exerce todas as atividades de enfermagem, cabendo-lhe: 1) privativamente – o planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços da assistência de enfermagem (COFEN, 2007). Assim, desde 1986, o planejamento da assistência é imposição legal e, reforçando a importância e necessidade de se planejar a assistência de enfermagem, a Resolução COFEN nº 272/2002 dispõe que a implantação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) deve ocorrer em toda instituição de saúde, pública e privada (COFEN, 2002), e que as ações privativas do enfermeiro são a implantação, planejamento, organização, execução e avaliação do processo de enfermagem. O papel do enfermeiro em uma unidade crítica consiste em obter a história do paciente, fazer exame físico, executar tratamento, aconselhamento e ensinando a manutenção da saúde e orientando os enfermos para uma Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 60 continuidade do tratamento. Além disso, estes profissionais devem aliar à fundamentação teórica (imprescindível) a capacidade de liderança, o trabalho, o discernimento, a iniciativa, a habilidade de ensino, a maturidade e a estabilidade emocional (MORTON et al., 2007). Camelo (2012) ressalta que ao prestar o cuidado de enfermagem a pacientes de alta complexidade, o enfermeiro se envolve, se realiza, aprende a exercitar seu compromisso, favorecendo estreita relação com o paciente e, consequentemente, contribuindo para assistência de qualidade. Portanto, nesse ambiente, o trabalho do enfermeiro não se resume a articular os diversos meios de trabalho da equipe de saúde e de enfermagem, mas, também, na prestação direta de cuidados de maior complexidade ao paciente. Nesse contexto, devemos falar de algumas competências: tomada de decisão, liderança, comunicação, educação continuada, gerenciamento de recursos humanos e materiais enquanto competências essenciais que deve desenvolver e aplicar. Adiantamos que tais competências fornecem subsídios para traçar as diretrizes para a construção do perfil do enfermeiro e para impulsionar as práticas de cuidado desse profissional. a) Tomada de decisão A natureza do trabalho/cuidado dos enfermeiros, e suas responsabilidades para a coordenação e o gerenciamento da assistência de enfermagem devem estar fundamentadas na capacidade para tomar decisões, visando o uso apropriado da força de trabalho, de recursos materiais e de procedimentos e práticas (CAMELO, 2012). Para alcançar a competência de tomar decisões, algumas etapas precisam ser cumpridas: conhecer a instituição e sua missão, avaliar as reais necessidades dos usuários e realizar o trabalho pautado em planejamento que contemple o detalhamento de informações, tais como: ideias e formas de operacionalizá-las, recursos viáveis, definição dos envolvidos e dos passos a serem seguidos, criação de cronogramas de trabalho e envolvimento dos diversos níveis hierárquicos (MARX; MORITA, 2000). Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 61 As habilidades para a tomada de decisão compõem-se do pensamento crítico sobre as situações com base em análise e julgamento das perspectivas de cada proposta de ação e de seus desdobramentos. O raciocínio lógico e intuitivo e a avaliação permeiam esse processo. Dentre os conhecimentos da área de administração a serem adquiridos, nessa temática, estão: o conhecimento da cultura e das estruturas de poder das organizações, o processo gerencial da tomada de decisão, composto pelo estabelecimento de objetivos, procura de alternativas, escolha, implementação e avaliação (PERES; CIAMPONE, 2006). b) Liderança Na enfermagem, apesar dos diferentes níveis de complexidade de cuidados prestados aos pacientes, cada componente da equipe de enfermagem apresenta distinto perfil profissional. Alguns podem ser recém-formados com pouca experiência na área assistencial, outros já possuem habilidades práticas, mas ainda não estão preparados para executar ações de enfermagem complexas, ao passo que outros profissionais já se encontram capacitados para realizar as intervenções prescritas. Diante dessas diferenças e com vistas a garantir assistência que atenda os objetivos da enfermagem, o enfermeiro deve adaptar seu estilo de liderança. Nesse contexto, a liderança situacional apresenta-se como possibilidade para o enfermeiro conduzir o trabalho de sua equipe (BALSANELLI; CUNHA; WHITAKER, 2009). A liderança situacional centra-se na premissa de que não existe um único estilo de liderança apropriado para toda e qualquer situação. Nessa abordagem, a ênfase está no comportamento do líder em relação aos liderados frente a uma tarefa específica (WEHBE; GALVÃO, 2005), ou seja, fundamenta-se nainter- relação entre o comportamento de tarefa do líder, o comportamento de relacionamento do líder e a maturidade dos subordinados (HERSEY; BLANCHARD, 1988). Para promover gerenciamento de seus recursos humanos, o líder necessita conhecer a capacidade e a disposição de seus colaboradores e aliá-las ao nível de complexidade exigidos pela clientela. Assim, os profissionais membros da equipe terão possibilidade de crescer e aprimorar seus conhecimentos, habilidades e atitudes no desenvolvimento da assistência de enfermagem. Isso é Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 62 um processo contínuo que exige profunda dedicação para que tal resultado possa reverter em melhoria da qualidade da assistência e do trabalho em equipe (BALSANELLI; CUNHA; WHITAKER, 2009). c) Comunicação A competência em comunicação pode ser conceituada como processo interpessoal que deve atingir o objetivo dos comunicadores, pressupor conhecimentos básicos de comunicação, possuir consciência do verbal e do não verbal nas interações, atuar com clareza e objetividade, promover o autoconhecimento na busca de vida mais autêntica (BRASIL, 2001). Uma das ferramentas necessárias ao trabalho da equipe de saúde é a comunicação. Assim, considerando o processo de trabalho gerencial do enfermeiro, a competência comunicativa é fundamental para que haja interações adequadas e produtivas. Na gerência, a competência comunicacional é essencial se se considerar que, para organizar, é indispensável comunicar-se, a fim de estabelecer metas, identificar e solucionar problemas; aprender a comunicar-se com eficácia é crucial para incrementar a eficiência de cada unidade de trabalho e da organização como um todo (QUINN et al., 2003). Os enfermeiros precisam criar estratégias de comunicação para atender as necessidades dos familiares e pacientes. Pesquisadores destacam a importância de combinar a sensibilidade ao conhecimento teórico, com a finalidade de oferecer assistência de enfermagem planejada e estruturada, visando a orientação aos familiares a respeito do que ocorre ao paciente e o estímulo da expressão de seus sentimentos (MARQUES; SILVA; MAIA, 2009). A comunicação pode ser visualizada como ferramenta de mudança e melhoria do cuidado. Nesse sentido, avaliar, planejar e comunicar são processos presentes no cotidiano de trabalho na enfermagem, necessários para qualquer ação ou decisão (CAMELO, 2012). d) Educação continuada Espera-se que os profissionais tenham competência para identificar e intervir nas alterações fisiológicas dos pacientes, amenizar a ansiedade desses e de seus familiares, utilizar os recursos tecnológicos que compõem esse ambiente Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 63 e facilitar a interdisciplinaridade. Ao enfermeiro, cabe zelar pela manutenção e organização do ambiente, junto aos demais membros de sua equipe (BALSANELLI; CUNHA; WHITAKER, 2008). Entretanto, cuidar do desenvolvimento de competências dos seus pares constitui-se em atividade que exige empenho e dedicação desse profissional, tanto por isso, acredita-se que as atividades de educação continuada/permanente podem se constituir em uma das formas de assegurar a manutenção da competência da equipe de enfermagem em relação à assistência (CAMELO, 2012). e) Gerenciamento de recursos humanos No processo de trabalho da enfermagem, o enfermeiro deve estar apto a tomar iniciativas, fazer o gerenciamento tanto da força de trabalho de enfermagem quanto dos recursos físicos e materiais. Em relação ao gerenciamento de recursos humanos em enfermagem, alguns estudos dimensionam o pessoal de enfermagem, sendo considerado como maneira de suprir a demanda de cuidados requerida pelos pacientes, contribuindo para que sejam mantidas condições favoráveis de trabalho e, consequentemente, a saúde dos trabalhadores de enfermagem que lidam diariamente com situações estressantes – o sofrimento e a morte (INOUE; MATSUDA, 2010). O provimento do pessoal de enfermagem, sob o enfoque quantitativo e qualitativo, capaz de atender as necessidades de assistência dos pacientes, deve ser estimado pelo enfermeiro (CAMPOS; MELO, 2007), com base nas normas técnicas mínimas estabelecidas pela Resolução COFEN nº 293/2004. Essa Resolução preconiza que o dimensionamento e a adequação quanti-qualitativa do quadro de profissionais de enfermagem devem se basear em características relativas à instituição/empresa, ao serviço de enfermagem e à clientela (COFEN, 2006). Com base no exposto, é importante considerar que, geralmente, estão alocados pacientes debilitados e com maior dependência de cuidados do que em outras unidades hospitalares e, por essa razão, o dimensionamento do pessoal de enfermagem deve ser estimado mediante o uso de instrumentos, considerando as diversas atividades desenvolvidas nesse setor e auxiliando na real quantificação Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 64 da carga de trabalho da enfermagem e na determinação do número de trabalhadores para compor a equipe. Quanto à proporção de enfermeiros sobre o total de trabalhadores de enfermagem, tem-se que em cuidados intensivos, do total de trabalhadores de enfermagem, de 52 a 56% devem ser enfermeiros e os demais devem ser técnicos de enfermagem (TE) (26). O enfermeiro, para promover gerenciamento dos recursos humanos da área da Enfermagem, necessita conhecer a capacidade e a disposição de seus colaboradores e aliá-las no nível de complexidade exigida pela clientela. Assim, os profissionais membros da equipe terão possibilidade de crescer e aprimorar seus conhecimentos, habilidades e atitudes no desenvolvimento da assistência de enfermagem (CAMELO, 2012). f) Gerenciamento de materiais O gerenciamento de recursos materiais é definido como o fluxo de atividades de programação (classificação, padronização, especificação e previsão de materiais), compra (controle de qualidade e licitação), recepção, armazenamento, distribuição e controle, com o objetivo de garantir que a assistência aos usuários não sofra interrupções por insuficiência na quantidade de recursos materiais (CASTILHO; GONÇALVES, 2005). Uma das vertentes do processo de gerenciamento desempenhado pelo enfermeiro é o de gerir unidades e serviços de saúde, que compreende administração dos recursos humanos e materiais, prevendo e provendo recursos necessários de assistência às necessidades dos pacientes (OLIVEIRA; CHAVES, 2009). Particularmente em serviços de maior densidade tecnológica, como é o caso de UTIs, o enfermeiro tem papel relevante no gerenciamento de recursos materiais, pois atendem, nesse setor, pacientes de maior complexidade onde se torna necessário harmonizar o serviço entre alta tecnologia e assistência (CAMELO, 2012). Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizadaseja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 65 REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS BÁSICAS NISHIO, Elizabeth Akemi; FRANCO, Maria Teresa Gomes (orgs.). Modelo de gestão em enfermagem: qualidade assistencial e segurança do paciente. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. Série Gestão de Enfermagem. REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES ALBORNOZ, M.; FERNÁNDEZ, E. Indicadores en C e T: reencuentro de la política com la gestión, 1997. AMANTE, Lúcia Nazareth; ROSSETO, Annelise Paula; SCHNEIDER, Dulcinéia Ghizoni. Sistematização da Assistência de Enfermagem em Unidade de Terapia Intensiva sustentada pela Teoria de Wanda Horta. Rev Esc Enferm USP 2009; 43(1):54-64. Disponível em: www.ee.usp.br/reeusp/ AMBROZEWICZ, Paulo Henrique Laporte. Qualidade na prática: Conceitos e Ferramentas. Curitiba: Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Regional do Paraná, 2003. ANAIS DA ACADEMIA NACIONAL DE MEDICINA. Academia Nacional de Medicina. Simpósio. Acreditação de hospitais e melhoria de qualidade em saúde; 1994; 154 (4): 185-213. ATTIE, W. Auditoria, conceitos e aplicações. 3 ed. São Paulo: Atlas; 1998. BALSANELLI, A.P; CUNHA I.C.K.O; WHITAKER, I.Y. Estilos de liderança e perfil profissional de enfermeiros em Unidade de Terapia Intensiva. Acta Paul Enferm. 2008;21(2):300-4. BALSANELLI, Alexandre Pazetto; CUNHA, Isabel Cristina Kowal Olm; WHITAKER, Iveth Yamaguchi. Estilos de liderança de enfermeiros em unidade de terapia intensiva: associação com perfil pessoal, profissional e carga de trabalho. Rev Latino-am Enfermagem 2009 janeiro-fevereiro; 17(1). Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rlae/v17n1/pt_05.pdf BALSANELLI, Alexandre Pazetto; JERICÓ, Marli de Carvalho. Os reflexos da gestão pela qualidade total em instituições hospitalares brasileiras. Acta Paul Enferm. 2005;18(4):397-402. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ape/v18n4/a08v18n4.pdf BARBOSA, P.M.K, et al. Análise da prática do enfermeiro ao realizar a sistematização da assistência de enfermagem na unidade de terapia intensiva. Nursing. (São Paulo) 2010;12(144):251-8. BITTAR, O.J.N.V. Indicadores de qualidade e quantidade em saúde. Rev. Ass. Méd. Bras. 2001 jul/set,3(12): 21-28 BONATO, Vera Lúcia. Gestão em saúde: programa de qualidade em hospitais. São Paulo: Ícone, 2007. BRASIL, Ministério da Saúde. Manual de Acreditação. Brasília (DF): Ministério da Saúde, 2001. BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Resolução N. 3, de 07 de novembro de 2001. Diretrizes curriculares nacionais do curso de Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 66 graduação em Enfermagem. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, 09 Nov 2001. Seção 1. p. 37. BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento Nacional de Auditoria do SUS. Orientações técnicas sobre auditoria na assistência ambulatorial e hospitalar no SUS: caderno 3 / Ministério da Saúde, Departamento Nacional de Auditoria do SUS. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2005. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/auditoria_assistencia_ambulatorial_ho spitalar_v3.pdf BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Manual Brasileiro de Acreditação Hospitalar. 7 ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria Executiva. Mais saúde: direito de todos: 2008 - 2011 / Ministério da Saúde. Secretaria Executiva. 2 ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2008. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria Executiva. Manual de Normas de Auditoria. Brasília, 1998. CALEMAN, Gilson; SANCHEZ, Maria Cecília; MOREIRA, Marizélia Leão. Auditoria, Controle e Programação de Serviços de Saúde, volume 5. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, 1998 (Série Saúde & Cidadania). CAMELO, Silvia Helena Henriques et al. Auditoria de enfermagem e a qualidade da assistência à saúde: uma revisão da literatura. Revista Eletrônica de Enfermagem [Internet], Ribeirão Preto – São Paulo. 2009; 11(4):1018-25. Disponível em: http://www.fen.ufg.br/revista/v11/n4/v11n4a28.htm CAMELO, Silvia Helena Henriques. Competência profissional do enfermeiro para atuar em Unidades de Terapia Intensiva: uma revisão integrativa. Rev. Latino-Am. Enfermagem [online]. 2012, vol.20, n.1, pp. 192-200. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rlae/v20n1/pt_25.pdf CAMELO, Silvia Helena Henriques; et al. Perfil profissional de enfermeiros atuantes em unidades de terapia intensiva de um hospital de ensino. Cienc. enferm. [online]. 2013, vol.19, n.3, pp. 51-62. Disponível em: http://www.scielo.cl/pdf/cienf/v19n3/art_06.pdf CAMPOS, L.F; MELO, M.R.A.C. Visão de coordenadores de enfermagem sobre dimensionamento de pessoal de enfermagem: conceito, finalidade e utilização. Rev. Latino-Am. Enfermagem. 2007;15(6):1099-104. CASTILHO, V; GONÇALVES, V.L.M. Gerenciamento de recursos materiais. In: Kurcgant, P. Organizador. Gerenciamento em Enfermagem. São Paulo: Guanabara Koogan, 2005. CHIAVENATO I. Administração de recursos humanos. 2 ed. São Paulo: Atlas; 1981. CHIELE, Franciele et al. Processo de certificação e acreditação. In: MARTINI, Jussara et al. Auditoria em enfermagem. São Caetano do Sul (SP): Difusão Enfermagem, 2009. COFEN. Conselho Federal de Enfermagem (BR). Resolução COFEN nº 272/2002. Disponível em: htttp://www.portalcofen.com.br/_novo portal. COFEN. Conselho Federal de Enfermagem (BR). Resolução COFEN nº 293/2004. Fixa e Estabelece Parâmetros para o Dimensionamento do Quadro de Profissionais de Enfermagem nas Unidades Assistenciais das Instituições de Saúde e Assemelhados. Disponível em: http://www.saude.mg.gov.br/ Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 67 atos_normativos/legislacao-sanitaria/estabelecimentos-desaude/exercicio- profissional/res_293.pdf COFEN. Conselho Federal de Enfermagem. Lei COFEN nº 7.498/86. Regulamentação do exercício de enfermagem. Disponível em: http://www.portalcofen.gov.br/ Site/2007/materias.asp?ArticleID=22§ionID=35. COSTA, C. G. A; Desenvolvimento e Avaliação Tecnológica de um Sistema de Prontuário Eletrônico do Paciente, Baseado nos Paradigmas da World Wide Web e da Engenharia de Software. Campinas: Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação, Universidade Estadual de Campinas, 2001. D`INNOCENZO, M. D. et al. Indicadores, Auditorias, Certificações: Ferramentas de Qualidade para Gestão em Saúde. São Paulo (SP): Martinar, 2006. DEL CURA, Maria Leonor Araújo; RODRIGUES, Antonia Regina Furegato. Satisfação profissional do enfermeiro. Rev Latino-am Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 7, n. 4, p. 21-28, out. 1999. DURSKI, G. R. Avaliação do desempenho em cadeias de suprimentos. Revista FAE, Curitiba, v.6, n.1 jan./abr., 2003, p.27-38. ERDMANN, A.L.; LENTZ R.A. Gerência do trabalho da enfermagem (2006). Disponível em <www.saude.mt.gov.br/escola/apostilas/apostilasCEPROTEC/aposila%200PTE% 202%20%20%20conteudo.doc> FALK, James Anthony. Gestão de Custos para Hospitais. São Paulo: Atlas, 2001. FIORELLI, José Osmir; FIORELLI, Maria Rosa; MALHADAS JUNIOR, Marcos Júlio Olivé. Mediação e solução de conflitos: teoria e prática. São Paulo: Atlas, 2008. FLEURY, A, FLEURY M.T.L. Estratégias empresariais e formação de competências. São Paulo:Atlas, 2001. FONSECA, Ariadne da Silva, et al. Auditoria e o uso de indicadores assistenciais: uma relação mais que necessárias para a gestão assistencial na atividade hospitalar. Revista O Mundo da Saúde São Paulo, v.29 n.2 , p.9, abril/junho 2005. FUNDAÇÃO NACIONAL DA QUALIDADE - Caderno de Excelência. São Paulo: FNQ, 2007. GARIBALDI, D. G. J; MARCELO, M.F.V Qualidade total e administração hospitalar: explorando disjunções conceituais. Ciênc. saúde coletiva. 2002, 7(2): 325-34. GARVIN, D.A. Gestão estratégica da qualidade. In: QUEIROZ, E.K.R de. Gerenciando a qualidade: a visão estratégica e competitiva. São Paulo: Qualitymark, 1992. GOTO, D.Y.N. Instrumento de auditoria técnica de conta hospitalar mensurando perdas e avaliando a qualidade da assistência. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 2001. GRAÇA, L. Evolução do Sistema Hospitalar: uma perspectiva Sociológica. O sistema técnico, 2005. Lisboa Universidade Nova de Lisboa. Disponível em: http:// www.ensp.unl.pt HERSEY, P; BLANCHARD, K.H. Psicologia para administradores: a teoria e as técnicas da liderança situacional. São Paulo (SP): EPU, 1988. HORTALE, V. A.; et al. A acreditação e sua implementação na área de ensino pós-graduado em Saúde Pública. Cad Saúde Pública. Rio de Janeiro, v.18, n.6, p.1789-1794, 2002. Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 68 INOUE, K.C; MATSUDA, L.M. Dimensionamento de pessoal de enfermagem em Unidade de Terapia Intensiva para adultos. Acta Paul Enferm. 2010;23(3):379-84. JUNQUEIRA, W.N.G. Auditoria médica em perspectiva: presente e futuro de uma nova especialidade. Criciúma: Edição do Autor, 2001. KOBUS, Luciana Schleder Gonçalves. Dados Essenciais para Auditoria de Contas Médicas Hospitalares: experiência em Curitiba-PR.(2002) Disponível em: www.sbis.org.br/cbis9/arquivos/638.doc KURCGANT, P. Auditoria em enfermagem. Rev Bras Enfer. v. 29, 2000; n.106, p.24. LABBADIA, L. L. et al. O processo de Acreditação Hospitalar e a participação da enfermeira. Revista de Enfermagem da UERJ, Rio de Janeiro, v. 12, n. 1, p. 83- 87, abr. 2004. LIMA, S. B.; HERMANN, A.L. A enfermagem no processo da acreditação hospitalar em um serviço de urgência e emergência. Acta Paul. Enferm. 2006 jul/set, 19(3): 271-278. LOUVERDOS, A. Auditoria e análise de contas médico-hospitalares. São Paulo: STS, 2000. MARQUES, R.C; SILVA, M.J.P; MAIA, F.O.M. Comunicação entre profissionais de saúde e familiares de pacientes em terapia intensiva. Rev Enferm UERJ. 2009;17(1):91-5. MARQUIS, Bessie L.; HUSTON, Carol. J. Administração e liderança em enfermagem: teoria e aplicação. Trad. Regina Machado Garcez, Eduardo Schaan. 2 ed. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999. MARTINI, Jussara Gue et al (org.) Auditoria em Enfermagem. São Caetano do Sul (SP): Difusão Editora, 2009. MARTINS, J.T, et al. Significados do gerenciamento de unidade de terapia intensiva para o enfermeiro. Rev Gaúcha Enferm. 2009;30(1):113-9. MARTINS, R.; NETO, P. Indicadores de desempenho para a gestão da Qualidade Total: uma proposta de sistematização. Gestão e Produção, v.5, n.3, 1998, pp. 298-311. MARX L.C; MORITA L.C. Competências gerenciais na enfermagem: a prática do Sistema Primary Nursing como parâmetro qualitativo na assistência. São Paulo (SP): BH Comunicação, 2000. MASSAD, E.; MARIN, H. F; AZEVEDO, N.R.S. O prontuário eletrônico do paciente na assistência, informação e conhecimento médico. São Paulo; 2003. Disponível em: http://www.sbis.org.br/site/arquivos/prontuario.pdf MATSUDA, Laura Misue; ÉVORA, Yolanda Dora Martinez. Gestão da equipe de enfermagem de uma UTI: a satisfação profissional em foco. Ciência, Cuidado e Saúde Maringá, v. 2, n. 1, p. 11-18, jan./jun. 2003. MEZOMO, J. C. Gestão da qualidade na saúde: princípios básicos. São Paulo: Loyola, 2001. MEZZONO, A. A. Serviço do prontuário do paciente. São Paulo: União Social Camiliana; 2001. MORAES, Paulo Eduardo Sobreira; FRANCO, Maura Regina; SILVA, Guilherme R.S. Souza e. Ensaio sobre a insustentável leveza do conceito de Qualidade. Revista Qualidade Emergente, 2010, v.1 n.1: 3-12. Disponível em: http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/qualidade/article/viewFile/21847/14240 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 69 MORTON, P.G, et al. Cuidados críticos de enfermagem: uma abordagem holística. 8 ed. Rio de Janeiro (RJ): Guanabara Koogan; 2007. MOTTA, Ana Letícia Carnevalli. Auditoria de Enfermagem no processo de Credenciamento. São Paulo: Iátria, 2003. MOTTA, Ana Letícia Carnevalli. Auditoria de Enfermagem nos Hospitais e Operadoras de Planos de Saúde. 5 ed. São Paulo: Iátria, 2010. MUHLEN, S.S. Certificação de qualidade em equipamentos médico-hospitalares no Brasil. 11º Congresso Latino Americano de Engenharia Biomédica; 2001; Havana, Cuba. NOGUEIRA, L. C. Gerenciando pela qualidade total na saúde. Belo Horizonte, MG: Fundação Christiano Ottoni, Escola de Engenharia da UFMG, 1996. NOVAES, M. D. H. Avaliação de programas, serviços e tecnologias em saúde. Rev. Saúde Pública, v.34, n.5, p.547-49, out. 2000. NUNES, Carina Maria et al. Satisfação e insatisfação no trabalho na percepção de enfermeiros de um hospital universitário. Rev. Eletr. Enf. [Internet] 2010;12(2):252-7. Disponível em: http://www.fen.ufg.br/fen_revista/v12/n2/v12n2a04.htm OLIVEIRA, N.C; CHAVES, L.D.P. Gerenciamento de recursos materiais: o papel da enfermeira de unidade de terapia intensiva. Rev Rene. 2009;10(4):19-27. PADILHA, Katia Grillo. Des-cuidar: as representações sociais do enfermeiro de UTI sobre ocorrências iatrogênicas de enfermagem [tese de doutorado]. São Paulo: Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo; 1994. PADILHA, Katia Grillo et al. Therapeutic intervention scoring system-28 (TISS-28): diretrizes para aplicação. Rev. esc. enferm. USP [online]. 2005, vol.39, n.2, pp. 229-233. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v39n2/14.pdf PADOVEZE, M.C, CAMPOS, E.R, LIMA, M.B.B.P. A gestão de qualidade na saúde e o controle de infecção hospitalar. Disponível em: http://www.praticahospitalar.com.br/pratica%2041/pgs/materia%2002-41.html PALADINI, Edson Pacheco. Gestão da Qualidade: teoria e prática. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2011. PERDONCINI, Kellyn Christine et al. Os serviços de saúde e o processo de qualidade. In: MARTINI, Jussara G. et al (orgs.) Auditoria em Enfermagem. São Caetano do Sul (SP): Difusão Editora, 2009. PEREIRA, Adriana Aparecida. O papel do enfermeiro auditor na instituição hospitalar e no sistema de saúde suplementar. Curitiba: Universidade Tuiuti do Paraná, 2010. PEREIRA, L.L.; TAKAHASHI, R.T. Auditoria em Enfermagem. In: KURCGANT, P.(Coord.). Administração em Enfermagem. São Paulo: EPU, 1991. Cap. 17, p. 215-22. PERES, A.M; CIAMPONE, M.H.T. Gerência e competências gerais do enfermeiro. Texto Contexto Enferm. 2006;15(3):492-9. PFAFFENZELLER, A. A. Assistência Nutricional Hospitalar: Um estudo da satisfação dos clientes da Santa Casa de Porto Alegre. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2003. Dissertação de Mestrado. PICKERING, E. Novos métodos na acreditação de hospitais. In: NOVAES HM, PAGANINI JM. Garantia de qualidade: acreditação de hospitais para a América Latina e Caribe. Washington: Federação Brasileira de Hospitais; 1992. Série Silos, 13. Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convençãointernacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 70 POSSARI, J. F. Prontuário do Paciente e os Registros de Enfermagem. 2 ed. São Paulo: látria, 2007. QUINN, R.E, et al. Competências gerenciais: princípios e aplicações. 3 ed. Rio de Janeiro (RJ): Elsevier; 2003. RIOLINO, A.N; KLIUKAS, G.B.V. Relato de experiência de Enfermeiras no campo de auditoria de prontuário: uma ação inovadora. Revista Nursing 65(6): 35-8; out. 2003. RODRIGUES, V. A.; PERROCA, M. G.; JERICÓ, M. C. Glosas hospitalares: importância das anotações de enfermagem. Arq. Ciênc. Saúde 2004 out-dez; 11(4):210-4. ROONEY, A. L.; OSTENBER, P. R. Licenciamento, Acreditação e certificação: abordagens à qualidade de serviços de saúde. Projeto de garantia da qualidade, Centro dos serviços Humanos – CHS. USA: USAID, 1999 SÁ, A. L Auditoria Básica. Rio de Janeiro: Tecnoprint Ltda, 1994. SAGGIORATTO, Cinara et al. Dinâmica da qualidade na saúde. In: MARTINI, Jussara Gue et al (orgs.) Auditoria em Enfermagem. São Caetano do Sul (SP): Difusão Editora, 2009. SANTOS, Sérgio Ribeiro dos; PAULA, Adenylza Flávia Alves de; LIMA, Josilene Pereira. O enfermeiro e sua percepção sobre o sistema manual de registro no prontuário. Rev Latino-am Enfermagem 2003 janeiro-fevereiro; 11(1):80-7. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rlae/v11n1/16563.pdf SANTOS, Silvana Sidney Costa. Perfil de egresso de Curso de Enfermagem nas Diretrizes Curriculares Nacionais: uma aproximação. Rev Bras Enferm 2006 mar- abr; 59(2): 217-21 Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reben/v59n2/a18.pdf SCARPARO, Ariane Fazzolo. Auditoria em enfermagem: revisão de literatura. Revista Nursing, São Paulo, v. 8, n. 80, p. 46-50, Jan. 2005. SCARPARO, Ariane Fazzolo; FERRAZ, Clarice Aparecida. Auditoria em Enfermagem: identificando sua concepção e métodos. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 61, n. 3, Jun. 2008. SETZ, Vanessa Grespan; D'INNOCENZO, Maria. Avaliação da qualidade dos registros de enfermagem no prontuário por meio da auditoria. Acta Paulista de Enfermagem, São Paulo, v. 22, n. 3, Jun. 2009. SILVA, Ariete Cavalcante et al. Modelo para avaliar a qualidade do serviço de alimentação no hospital universitário Getúlio Vargas. Disponível em: http://www.convibra.com.br/upload/paper/2012/38/2012_38_4848.pdf SILVEIRA, Rosemary Silva da et al. Percepção dos trabalhadores de enfermagem acerca da satisfação no contexto do trabalho na UTI. Enfermagem em Foco 2012; 3(2):93-96. Disponível em: http://revista.portalcofen.gov.br/index.php/enfermagem/article/view/262/150 SMELTZER, S.C.; BARE, B.G. Brunner e Sudarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgico. 9 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,2005. SOUZA, Diva Aparecida; FONSECA, Ariadne Silva. Auditoria em Enfermagem: visão das enfermeiras do município de São Paulo. Revista Nursing Rio de Janeiro, v.84 n.8, p.5, maio 2005. SPERANDIO, D.J, ÉVORA, Y.D.M. Planejamento da sistematização da assistência de enfermagem em unidade de terapia semi-Intensiva (2008). Disponível em: www.sbis.org.br/cbis9/arquivos/297.doc Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 71 STOLARSKI, Cristiane et al. Qualidade nos serviços de saúde e enfermagem. In: MARTINI, Jussara Gue et al (orgs.) Auditoria em Enfermagem. São Caetano do Sul (SP): Difusão Editora, 2009. TAKASHINA, N. T.; FLORES, M. C. X. Indicadores da qualidade e do desempenho. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1997. TASCHETTO, Beatris da Rocha. Glosas hospitalares: A Influência dos Registros de Enfermagem. Novo Hamburgo: Universidade Feevale, 2010. Disponível em: http://ged.feevale.br/bibvirtual/Monografia/MonografiaBeatrisRocha.pdf TEBOUL, J. A era dos serviços: uma nova abordagem. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1999. TRUPPELL, Thiago Christel et al. Sistematização da Assistência de Enfermagem em Unidade de Terapia Intensiva. Rev Bras Enferm, Brasília 2009 mar-abril; 62(2): 221-7. Disponível em: VIGO, K. O; PACE, A. E; SANTOS, C. B. Análise retrospectiva dos registros de Enfermagem em uma unidade especializada. Revista Latino-Americana de Enfermagem. Ribeirão Preto v.11 n.2, mar/abr, 2003. WALKER, D. O cliente em primeiro lugar: o atendimento e a satisfação do cliente como uma arma poderosa de fidelidade e vendas. São Paulo: Makron, 1991. WATANABE, Carolina Yae Castro; KUBOTA, Debora Yumi. Auditoria em enfermagem: importância no processo sistemático do atendimento. Lins, 2009. Disponível em: www.unisalesiano.edu.br/encontro2009/.../PO35347995858.pdf WEHBE, G; GALVÃO M.C. Aplicação da liderança situacional em enfermagem de emergência. Rev Bras Enferm 2005 janeiro-fevereiro; 58(1):33-8. WENDISCH, C. Avaliação da qualidade de unidades de alimentação e nutrição (UAN) hospitalares: Construção de um instrumento. Rio de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ, 2010. Dissertação de mestrado em Saúde Pública. WILLING, M.H, LENARDT, M.H. A prática gerencial do enfermeiro no processo de cuidar. Cogitare Enferm. 2002;7(1):23-9. ZANON, U; CHAVES L.L.; BOLDT, L.V. Evolução dos indicadores de qualidade da assistência médico-hospitalar do Hospital Dona Helena. Joinvile. RAS. 2006 out/dez, 8(33): 131-138.