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entre os iguais, que devem ser tratados igualmente"5. 
 
capacidade contributiva: 
o tributo deve ser cobrado de acordo com as possibilidades de cada um, 
tratar os desiguais de modo desigual; 
 
Art. 145. ... 
... 
§ 1º - Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão 
graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado 
à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a 
esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos 
 
5 COELHO. Sacha Calmon Navarro. Comentários à Constituição de 1988 - Sistema Tributário. 5a. Edição. 
Forense. Pág. 328 
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termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas 
do contribuinte 
 
Existe duas correntes doutrinárias a respeito do princípio: 
 
• Cap. contributiva subjetiva - aptidão individual de determinado 
contribuinte para concorrer com os gastos públicos. O Fisco verifica 
no cálculo geral qual a riqueza da pessoa, pessoa física ou jurídica e 
cobra pelo que possui. 
 
• Cap. contributiva objetiva - revela-se com o próprio bem. O 
sistema para o qual interessa o fato a ser tributado, individualizado. 
Ex.: quem tem Ferrari presume-se que supostamente deve pagar 
imposto (IPVA). Para o Estado não interessa se a pessoa tem 
condição financeira de pagar imposto. Para Roque Carrazza no 
Brasil a Capacidade contributiva é absoluta. Predomina a objetiva 
(absoluta) porque mesmo no Imposto de Renda não há uma 
consideração individual, mas as manifestações de riqueza como 
objetos. As manifestações de riquezas são fatos individuais. 
 
Meios de exteriorização do princípio da capacidade contributiva: 
• Seletividade: IPI: Art. 153...§ 3º - O imposto previsto no inciso IV: I - 
será seletivo, em função da essencialidade do produto; ICMS: Art. 155...§ 
2.º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: III - poderá 
ser seletivo, em função da essencialidade das mercadorias e dos 
serviços; 
• Proporcionalidade 
 
• Progressividade: IR: Art. 153...§ 2º - O imposto previsto no inciso III: I - 
será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da 
progressividade, na forma da lei; ITR: Art. 153...§ 4º O imposto previsto 
no inciso VI do caput: I - será progressivo e terá suas alíquotas fixadas 
de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas; 
IPVA: Art. 155...§ 6º O imposto previsto no inciso III: II - poderá ter 
alíquotas diferenciadas em função do tipo e utilização. IPTU: § 1º Sem 
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prejuízo da progressividade no tempo a que se refere o art. 182, § 4º, 
inciso II6, o imposto previsto no inciso I poderá: I - ser progressivo em 
razão do valor do imóvel; e II - ter alíquotas diferentes de acordo com a 
localização e o uso do imóvel 
 
vedação do confisco: 
o tributo deve ser razoável, não podendo ser tão oneroso que chegue a 
representar um verdadeiro confisco; O problema reside na definição do 
conceito, na delimitação da ideia, como limite a partir da qual incide essa 
vedação. Neste ponto, somente o exercício doutrinário e jurisprudencial, 
atento aos casos concretos e a evolução legislativa, poderá firmar 
parâmetros mais precisos para o disposto no art. 150, inciso IV da Lei Maior. 
A Constituição Federal não prevê a aplicação deste princípio às multas, só ao 
fenômeno jurídico da incidência. Contudo, o artigo 5º da Constituição traz a 
intangibilidade do direito de propriedade, o que gera o não confisco por 
multas 
 
Esta última premissa foi consagrada pelo Supremo Tribunal Federal no 
reconhecimento da inconstitucionalidade da contribuição previdenciária 
dos servidores públicos federais no absurdo patamar de 25% (vinte e cinco 
por cento) (ADInMC 2.010). 
 
Por outro lado, o Supremo Tribunal Federal já decidiu pela aplicação do 
princípio às multas ou penalidades tributárias no percentual de 300% 
(trezentos por cento) sobre o valor da mercadoria no caso de não emissão 
de nota fiscal no ato de venda (ADInMC 1.075). Hugo de Brito Machado 
abordando o princípio constitucional do não confisco, sustenta que em 
relação aos impostos incidentes sobre o patrimônio, o melhor critério para 
indicar o caráter confiscatório é a renda provável que o bem tributado pode 
 
6 Art. 182...§ 4º - É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no plano 
diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, 
que promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de: I - parcelamento ou edificação 
compulsórios; II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo; III - desapropriação 
com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo 
de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros 
legais. 
 
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gerar. então: "Se o imposto tiver alíquota superior à renda que se pode 
razoavelmente esperar seja produzida pelo patrimônio, sobre o qual incide, 
será confiscatório. Por outro lado, um imposto com alíquota inferior àquele 
limite, mesmo que o contribuinte, por inabilidade como administrador, ou 
por qualquer outro motivo, não aufira renda para o respectivo pagamento, e 
tenha por isto de privar-se de parte de seu patrimônio, não será considerado 
confiscatório." 
Andrei Veloso, citando Klaus Tipke, identifica que um tributo será 
confiscatório quando: 
a) inviabiliza o desenvolvimento das atividades empresariais; 
b) absorve todos os rendimentos do patrimônio e do trabalho; 
c) sacrifício da própria substância do patrimônio; 
d) priva cidadão dos meios necessários de sua substância; 
e) imposto de sucessão esvazia o direito sobre a herança7 
 
Uniformidade geográfica: 
O tributo da União deve ser igual em todo território nacional, sem distinção 
entre os Estados. 
 
CF/88: Art. 151. É vedado à União: 
I - instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou 
que implique distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito 
Federal ou a Município, em detrimento de outro, admitida a concessão de 
incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento 
sócio-econômico entre as diferentes regiões do País; 
 
 
 
 
7VELLOSO, Andrei Pitten. Constituição Tributária interpretada. São Paulo: Atlas, 2008, p. 163. 
 
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Liberdade de tráfego: 
O princípio tratado no art. 150, inciso V da Constituição veda a fixação pelo 
legislador de limitações ao tráfego de pessoas ou mercadorias por meio de 
tributos interestaduais ou intermunicipais. Segundo Hugo de Brito 
Machado, "isto não significa devam ser as operações interestaduais imunes 
a qualquer tributação. O que não pode haver é agravamento do ônus 
tributário pelo fato de ser interestadual, ou intermunicipal, a operação." 
(Curso de Direito Tributário. 21a. Edição. Malheiros. Pág. 245). 
A Constituição de 1988, ainda no art. 150, inciso V, ressalvou 
expressamente a possibilidade de cobrança de pedágio pela utilização de 
vias conservadas pelo Poder Público: “150... V - estabelecer limitações ao 
tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou 
intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias 
conservadas pelo Poder Público;” 
 
Resumo das exceções aos princípios 
LEGALIDA
DE 
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NONAGESIMA
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II II II 
IE IE IE 
IPI IPI IR 
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Emp. Comp. 
(Guerra e 
calamidade) 
Emp. Comp. 
(Guerra e 
calamidade)