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CURSO: 
DISCIPLINA: 
CARGA HORÁRIA 
PROFESSOR: 
PERÍODO DA DISCIPLINA: 
 
A FUNÇÃO DO CURRÍCULO NO CONTEXTO ESCOLAR - 2012 
Michelle Fernandes Lima 
Claudia Maria Petchak Zanlorenzi 
Luciana Ribeiro Pinheiro 
O CURRÍCULO E O CONHECIMENTO NA ESCOLA 
Currículo vem do Latim Curriculum, que significa “ato de correr, atalho, corte” 
(Cunha, 1986, P.235). Fazendo uma analogia, podemos comparar o currículo com um 
caminho a ser feito por barcos em um rio. Passando por curvas, corredeiras, troncos, cada 
barco vai fazendo seu percurso conforme as condições dos envolvidos, sejam essas 
condições físicas, emocionais, cognitivas ou outras. Alguns barcos podem percorrer o 
caminho sem dificuldade, porém outros podem considerá-lo de difícil acesso impossível. 
 Analisando com mais afinco essa analogia podemos observar as questões que 
permeiam esse processo. O barco o que o faz ser confiável e seguro? Deve ser bem feito, 
sem rachaduras, o que envolve conhecimentos de engenharia, matemática, física, entre 
outros, além de um planejamento sobre a quantidade de combustível necessário para 
seguir o caminho. 
 Seguindo a nossa analogia o que necessário para o barqueiro também ser confiável 
e ter segurança? O condutor do barco não precisa necessariamente ter conhecimentos 
sobre a produção de um barco; entretanto, os conhecimentos com os quais ele deve contar 
se referem á navegação, á direção, á experiência, à sua história as suas crenças à trajetória, 
ao curso do rio ao caminho e entre outros. 
 Agora precisamente, analisemos o caminho. Assim ao olhamos para trás veremos 
o trajeto que já foi percorrido, percebendo o que já alcançamos, o que conquistamos, os 
percalços pelos quais passamos, os conhecimentos que foram utilizados e como foram 
utilizado. Olhando para frente veremos um caminho ainda não efetivado um processo e, 
com ele, as incertezas, as dúvidas desse movimento, que, embora conte om um 
planejamento bem elaborado, não termos certeza de que chegaremos ao fim, o que nos 
leva a crer que o percurso deve ser sempre questionado e reavaliado, eu seja, currículo é 
transformação não apenas no que se refere a mudar o sentindo de ir por outro caminho, 
mas de buscar novas alternativas, novas soluções novas conquistas. O currículo consiste 
em transformar o impreciso em conhecido e tal fato envolve um ensino e uma 
aprendizagem. 
 O currículo representa a caminhada que o sujeito irá fazer ao longo de sua vida 
escolar tanto em relação aos conteúdos apropriados quanto ás atividades realizadas sob a 
sistematização da escola. Nesse sentido Sacristán e Gomes (1998, p. 125) , afirma que “ 
a escolaridade é um percurso para alunos/as e o currículo é seu recheio, seu conteúdo o 
guia de seu progresso pela escolaridade”. 
 Assim o aluno seria o barqueiro descobrindo o caminho; o barco seria a escola 
segurança dos envolvidos nesse processo; o rio por sua vez corresponderia aos 
conhecimentos a serem apropriados ao longo do percurso, ou seja, a vida escolar do aluno. 
 Nesse sentido, o currículo escolar deve ser composto pelo saber objetivo. Mas o 
que é o saber objetivo? É o saber que foi produzido historicamente (científico, cultural, 
artístico, entre outros). O saber objetivo, é transformado em saber escolar à medida que 
organizamos, sequenciamos e o tornamos mais assimilável pelos estudantes (Saviani, 
2011). E o currículo Integrado como se dá isso? Em um currículo integrado, os conteúdos, 
não são só da formação geral ou da formação profissional, devem ser elaborados de forma 
articulada (Ramos, 2012), o currículo precisa sair do papel de apenas fornecer o percurso 
para formação dos estudantes. Para isso, deve pressupor a formação dos indivíduos para 
a superação e transformação social, dando condições para que o processo de ensino e 
aprendizagem ocorra. O processo de ensino e aprendizagem deve ser planejado a partir 
da: problematização, contextualização e sistematização dos conhecimentos, bem como na 
iniciação à cultura do trabalho, da extensão e da pesquisa científica, através de atividades 
interdisciplinares e da integração entre o trabalho, a ciência, a cultura e a tecnologia. 
Nessa perspectiva, busca-se romper com a histórica dualidade estrutural que separa a 
formação para o trabalho da formação voltada para o prosseguimento dos estudos. Assim, 
a formação integrada implica a incorporação dos conhecimentos historicamente 
construídos que caracterizam a vida humana. 
Figura 1 – Representação das teorias pedagógicas brasileiras 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Teorias Curriculares: São conjuntos de representações ideias imagens que reproduzem e 
descrevem o que se pretende fazer em termos educacionais, com os conhecimentos 
produzidos ao longo da história humana. Pode ser entendida também como uma área de 
estudo que se define pelos conceitos e representações que utiliza para descrever a 
realidade. 
 A tendência pedagógica TRADICIONAL ESCOLANOVISTA e TECNISCISTA 
se enquadra na classificação de teorias não críticas, devido á postura de neutralidade 
diante das questões sociais e políticas envolvidas. Essas tendências, também denominadas 
de tendências liberais, não exercem compromisso com as transformações sociais, 
legitimando a ordem econômica capitalista. Nesse contexto, a função da escola é preparar 
o indivíduo para desempenhar papeis sociais. 
Baseadas em teorias 
não criticas 
Baseadas em teorias 
pós – criticas 
Baseadas em teorias 
críticas 
 
Pedagogia crítico - 
reprodutivista 
Tradicional 
Escola nova 
Escola tecnicista 
Pedagogia histórico 
– critica 
ESCOLAS NO 
BRASIL 
 
 Em contrapartida as teorias críticas e pós-críticas, também denominadas de 
tendências progressistas partem de uma analise crítica do sistema capitalista, dando 
ênfase á finalidade sociopolítica da educação vislumbrando minimizar as desigualdades. 
Apontam principalmente as teorias pós – críticas à importância do currículo na construção 
da identidade e da subjetividade dos educandos. 
 A seguir, veremos as principais características das teorias de currículo e das 
tendências pedagógicas atentando para a organização curricular que cada uma delas 
apresenta: 
As teorias não críticas decorrem de uma época em que a escola foi direcionada a seguir 
os princípios da administração fabril racionalidade técnica d do modelo taylorista/ 
fordista. Os teóricos visavam á padronização dos processos pedagógicos com objetivo de 
atender à escolarização em massa, preparando os indivíduos para o sistema mecânico de 
produção. Assim a escola se preparava em ensinar o educandos o controle do tempo d do 
espaço e as repetições necessárias ás práticas profissionais. 
1 - Escola tradicional – Apresenta uma estrutura curricular com conteúdos 
Isolados e disciplinas específicas. Visa preparar o educando para atuar na sociedade, com 
base em ensino enciclopédico desconexo. A organização curricular enfatizar a quantidade 
dos conteúdos, que são apresentados de forma fragmentada estanque, descontextualizada 
e sem articulação com a realidade prática. Nesse contexto, o professor é o detentor do 
saber e o educando é um ser passivo. Que apenas retém as informações transmitidas na 
sala de aula, memorizando o conteúdo por meio de repetidas atividades de fixação. 
 2 - Escola nova – Ensaia uma aproximação da realidade dos educandos com base 
em uma proposta de elaboração de projetos focada nos interesses apresentados na sala de 
aula. Professor se torna um facilitador da aprendizagem. O educando é considerado ativo 
participativo, construtor do seu conhecimento. A ênfase curricular não está nos 
conteúdos, mas, sim, nos processos de aprendizagem na descoberta e no respeito aos 
diferentes ritmos. 
 3 – Escola tecnicista – Exalta a importâncias do desenvolvimento das 
competências e das habilidades específicas excluindo aqueles alunos que não se tornam 
aptos para as funções produtivas. Centra – se nos melhoresrecursos de ensino a. O 
currículo enfatizar o desenvolvimento do pensamento e da ação instrumentais, de modo 
que o comportamento deve ser “moldado” de acordo com técnicas específicas. É 
implantado no Brasil o modelo americano, principalmente fundamentado em Tyler 
(1974). O professor é um técnico do ensino e o educando é apenas o indivíduo para quem 
se transmite as informações, desconsiderando-se o seu potencial de criar, de recriar, de 
pensar, de analisar, de refletir. Portanto, descarta-se a possibilidade de autoria dos 
pensamentos dos educandos, e estes devem apenas expressar, verbalizar o que o material 
didático lhe fornece como verdade. Os conteúdos são baseados em princípios científicos 
e enfatizados nos módulos e nos livros didáticos. 
As teorias críticas 
 As teorias críticas surgem denunciando o poder da hegemonia dominante, cujos 
processos de convencimento, de adaptação e de perpetuação das desigualdades são 
reforçados pelas práticas escolares. Os principais fundamentos dessas teorias emergem 
de duas escolas: a escola de Frankfurt, cujas críticas à racionalidade técnica sugerem a 
transformação escolar em uma “pedagogia da resistência”. Essa escola defende que o 
currículo deve ser elaborado visando à emancipação e à libertação; e a escola francesa, 
cujas críticas se referem à reprodução das desigualdades sociais realizadas no contexto 
escolar por meio da elaboração curricular que privilegia a cultura e a língua da elite 
dominante. 
 4 – Pedagogia crítico – reprodutiva – Considera a escola como uma instituição 
articulada na sociedade, que funciona como um aparelho ideológico do Estado (Althusser, 
1985), e o ensino produz violências simbólicas na medida em que privilegia a cultura da 
elite dominante (Bourdieu, 2004). Destacam que o currículo escolar tradicional elimina 
os componentes crítico-reflexivos para formar mão-de-obra especializada, gerando 
educandos que não apresentam resistência, aceitando passivamente as diferentes formas 
de submissão e opressão. Apesar das muitas críticas às teorias anteriores, as teorias crítico 
– reprodutivistas não apresentam uma proposta político-pedagógica bem delineada que 
forneça aos educadores subsídios suficiente para a construção de sua práxis. 
Teorias pós-críticas 
 Fundamentadas no pós-estruturalismo, destacam o multiculturalismo como um 
movimento de adaptação e resistência. O currículo deve ser elaborado a partir da 
preocupação com a formação da identidade dos indivíduos e de acordo com os 
significados sobre a realidade expressa nos discursos desses indivíduos. A realidade, 
portanto, não pode ser concebida sem consideramos a significação que esta tem para os 
indivíduos aos qual o currículo se destina. 
Pedagogia histórico-crítica – Defende uma organização curricular com base em áreas de 
conhecimentos nas quais as múltiplas dimensões de conteúdos sejam integradas e inter-
relacionadas entre si, despertando uma análise crítica e reflexiva nos educandos. Enfatiza 
que os conteúdos universais e culturais devem ser trabalhados com base na relação direta 
de experiências trazidas da realidade social e confrontadas com o conhecimento 
sistematizado. O professor é o mediador da aprendizagem e deve valorizar a subjetividade 
do educando. 
 Apesar dos avanços concernentes aos debates, aos discursos, às tendências e às 
teorias, a prática pedagógica, como reflexo da organização curricular, denota que o 
sistema educacional brasileiro ainda possui muitos delineamentos do modelo tradicional 
e/ ou tecnicista de ensino. 
 A estrutura curricular e a prática correspondente ainda apresentam o 
reprodutivismo como uma característica marcante das escolas brasileiras. Podemos inferir 
que essa situação decorra de uma imposição socioeducacional, cujo objetivo primordial 
das escolas seja centra-se na aprovação dos educandos em testes avaliativos quantitativos 
usados como instrumento de seleção para ingresso nas universidades, na progressão 
educacional e na avaliação do próprio sistema educacional. Com os objetivos 
multifacetados e obscurecidos, a escola se descentra da função que deveria ser prioritária: 
munir o educando com conhecimentos que subsidiem a sua compreensão sobre as 
intrincadas relações da vida cotidiana. 
 A sociedade que visa a uma educação favorecedora de um mundo social mais justo 
deve orientar uma prática pedagógica baseada em uma visão de futuro, considerando uma 
projeção desafiadora dos limites então estabelecidos, e que seja capaz de afrontar o real 
e de esboçar um novo panorama de possibilidades. Essa perspectiva reafirma o caráter 
político da educação, revalorizando o papel da escola e do currículo no desenvolvimento 
de uma proposta que abarque a transformação de ordem social (Moreira, 1997). 
 O currículo, portanto, não pode ser entendido e trabalhado como um simples 
conglomerado de disciplinas isoladas. 
 É preciso transcender esse modelo reprodutivista de organização curricular para 
se adequar às necessidades da atual sociedade. 
O pensar educativo e a organização escolar 
 Na perspectiva que aqui defendemos, são muitas as razões que apontam a 
necessidade de superar a estrutura curricular unicamente conteudista que a maioria das 
escolas brasileiras ainda apresenta. A sociedade evoluiu consideravelmente nas últimas 
décadas e os avanços tecnológicos permitiram saltos qualitativos em todos os campos 
científicos. As ideias descartianas de homem fragmentado caíram por terra, emergindo as 
emoções como um fator considerável nas ações cognitivas, cujas condições motivadoras 
ou desmotivadoras se impõem à razão. É o que aponta Damásio (1996), em seu livro O 
erro de Descartes. Por isso, não há mais espaço para uma estrutura curricular tradicional 
ou meramente tecnicista. 
 Consideramos que um dos motivos do enraizamento do sistema educacional 
brasileiro à estrutura curricular tradicional e/ ou tecnicista pode estar relacionado com a 
dificuldade de entendermos qual o papel da escola nos dias atuais. Dessa forma, tendemos 
a nos apegar ao que nos é familiar, ao que nos é mais conhecido; portanto, permanecemos 
delineando organizações curriculares no modelo educacional que temos como referência 
há mais tempo. 
 É facilmente observável a maneira como se elabora um currículo na maioria das 
escolas brasileiras. Percebe-se que a organização curricular ainda mantém seu eixo central 
no ensino por transmissão. E, nesse paradigma centrado na transmissão de conteúdos, 
privilegia-se apenas o desenvolvimento da racionalidade. 
 Ao comparar a elaboração curricular presente em muitas escolas com a proposta 
tecnicista de Tyler (1974), publicada em 1949 no livro Princípios básicos de currículo e 
ensino, encontramos similitudes consideráveis. Para Tyler, o mais importante na 
elaboração curricular é o processo de seleção e organização do conhecimento escolar, e 
esse conhecimento não é apresentado se inter-relacionando com os interesses da 
sociedade e dos indivíduos. O conhecimento é tratado como um conjunto de conteúdos 
objetivos, distantes da realidade do educando, não devendo ser questionado, analisado, 
discutido, apenas aprendido ou memorizado. O modelo de Tyler foi usado como 
referência na organização curricular durante muitos anos. Ainda encontramos resquícios 
desse modelo na estrutura curricular, mesmo diante das críticas a essa abordagem e do 
surgimento de novas perspectivas apresentando as relações entre a organização curricular 
e as diferentes formas de dominação, de poder e de controle social, com base no que é 
trabalhado e na forma como se trabalha. 
 No entanto, o sistema educacional na atualidade deve ser entendido como uma 
instância social de mediação entre os diferentes elementos de aprendizados com as 
diferentes formas de aprender e as múltiplas maneiras de usar esses aprendizados nas 
situações do cotidiano. O conhecimento é uma composição social que surge com base emuma construção simbólica, fruto das relações e das interações sociais. O ensino formal, 
institucionalizado, requer novas dimensões que devem ser pensadas quanto à 
organização, ao planejamento e à estrutura pedagógica curricular para que os objetivos 
de uma educação crítica e reflexiva sejam, de fato, alcançados. 
 Na elaboração do currículo, os educadores precisam considerar a realidade do 
educando. A construção do conhecimento ocorre em um contexto sócio histórico, 
dependendo da cultura, dos costumes, das especificidades históricas, das políticas 
educacionais e sociais, das diferentes formas de ver e viver no mundo. Nesse aspecto, 
entra em jogo o subjetivismo, cuja construção simbólica, consequência do aprendizado 
de diferentes conhecimentos, atrela-se a relações entre o significante e o significado. 
 É preciso pensar sobre a sociedade da qual fazemos parte e como desejamos que 
ela seja organizada e estruturada. Devemos pensar no papel e na importância da escola 
para essa sociedade e como a escola deve ser planejada para que contribua 
expressivamente com a sociedade que queremos. É preciso pensar nos educandos, na sua 
vida, nos seus interesses, na sua realidade, nas características da comunidade que eles 
fazem parte. Devemos considerar também quem são os professores e os funcionários que 
fazem parte desse processo de ensino-aprendizagem. 
 No ambiente escolar, todos se tornam educadores e educandos. No entanto, o 
papel de cada um é bem delineado. Ao educador cabe a função de mediar as 
aprendizagens, de viabilizar condições de aprendizagens, tornando-se também aprendente 
como consequência do processo. O mesmo vale para o educando. A sua função é 
delimitada à condição de aprendente, ensinado por consequências do processo. Nesse 
contexto, é preciso conhecer a todos. Quais são os projetos de vida e de profissão de cada 
indivíduo, as concepções de mundo que eles trazem, os posicionamentos diante do ato de 
educar (-se)?. É preciso entender quais são as concepções sobre a participação de cada 
um nos processos de aprendizagem. 
 A educação deve ser concebida como um processo dialético, crítico e reflexivo, 
que promova o contínuo desenvolvimento de todos que fazem parte do contexto escolar. 
Portanto, pensar na elaboração de um currículo não é simplesmente selecionar conteúdos 
a serem trabalhados como se fossem peças de diferentes quebra-cabeças e acreditar que 
se pode montar algo coerente no final da brincadeira. Os conteúdos isolados, trabalhados 
como conhecimentos distantes da realidade do nosso educando, não possibilitam 
aprendizagem significativa. 
 Elaborar um currículo é muito mais que isso. É compreender a organização escolar 
como um instrumento que deve auxiliar na estruturação social e cultural. É perceber que 
a escola é parte integrante da sociedade e não uma instância dissociada da vida real e 
possuidora de propósitos insignificantes aos interesses coletivos. É disponibilizar aos 
educandos conhecimentos para que possam atuar como cidadãos conscientes de seu 
papel, cujos direitos e deveres são iguais a todos. Por isso, entender o significado, a 
importância e o poder politico na constituição de um currículo se torna fundamental para 
o educador. 
 Para entendermos melhor a elaboração de um currículo, é importante pensar na 
institucionalização do ensino, que ocorre sob a organização de aspectos inter-
relacionados e indissociáveis, que estruturam, a nosso ver, as instituições de ensino. 
Vejamos a Figura 2, a seguir: 
Figura 2 – Representação da estrutura escolar como uma instituição de ensino. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 O processo de construção de um currículo é baseado na demanda cultural, 
econômica e politica de uma sociedade, sendo legitimado por necessidades ou 
determinações das organizações politico-administrativas. Para sua elaboração, é 
necessário entender a maneira como uma escola se organiza e tudo que nela está presente, 
fazendo parte do contexto escolar. Consideramos que, de acordo com um eixo central 
(aspecto estrutural), surgem três outros eixos: dimensão funcional, dimensão 
organizacional e campo curricular. 
 Os aspectos estruturais revelam como e de que forma a instituição se organiza 
ou pode se organizar para viabilizar as condições de atuação pedagógica no contexto da 
ASPECTO 
ESTRUTURAL: O modo 
como os fatores e os 
elementos que compõem a 
escola são organizados e se 
inter-relacionam, formando 
um conjunto que determina 
as características e o 
funcionamento escolar. 
CAMPO CURRICULAR: 
Conjunto de conhecimentos 
e de experiências que os 
alunos devem aprender e 
vivenciar. Reflete todos os 
objetivos sociopolíticos da 
educação formal. 
DIMENSÃO 
ORGANIZACIONAL: 
A forma como a escola é 
organizada, planejada, 
preparada para atender às 
expectativas, aos interesses, 
e/ ou às imposições 
sociopolíticas. 
DIMENSÃO FUNCIONAL: 
 Relaciona-se com o 
desempenho e a 
funcionalidade escolar para 
que sejam alcançados nas 
finalidades práticas, os 
objetivos e a utilidade social 
enquanto instituição. 
escola. Esse aspecto demanda quatro subestruturas que regem todo o funcionamento 
escolar: 
 Estrutura física – Representa todos os espaços e todas as condições físicas da 
escola que devem ser entendidos como espaços de aprendizagem. A sala de aula 
não é mais suficiente para que o educando aprenda. Os espaços da escola e da 
comunidade em que ela se localiza precisam ser conhecidos, aproveitados, 
melhorados, modificados quando necessário; enfim, usados adequadamente com 
finalidades pedagógicas. 
 Estrutura material – Representa os recursos materiais e tecnológicos que 
fornecem diferentes possibilidades didático-pedagógicas de estimulação a 
múltiplas aprendizagens. 
 Estrutura ideológica – Representa o conjunto de ideias que devem direcionar o 
que a escola pretende no ato de educar. É preciso que os educadores e educandos 
analisem criticamente o que querem com a escolha dos conteúdos a serem 
trabalhados. 
 Estrutura pedagógica – Representa os pressupostos teóricos, as bases didático-
metodológicas e direcionam a atuação dos educandos e dos educadores, definindo 
e delineando os aprendizados no contexto escolar. 
 Com base nos aspectos estruturais, consideramos o surgimento de três 
dimensões também inter-relacionadas que compõem, ou devem compor, a instituição 
escolar: 
 Dimensão funcional – Aqui entendemos a finalidade da escola, os objetos 
propostos, a função social e politica que representa. Pensar nessa dimensão é 
compreender a importância de construir o Projeto Político-Pedagógico 
coletivamente, com toda a comunidade escolar, cujo objetivo deve estar calcado 
no desenvolvimento dos indivíduos, do grupo escolar e da sociedade. Para 
organizar uma escola, deve-se entender qual é a sua função social e cultural, e isso 
reflete diretamente na forma como o currículo é elaborado. 
 Dimensão organizacional – É a maneira como a escola é, ou deve ser, 
organizada, preparada e planejada para atender às necessidades reais de um grupo 
social a que atende. Quando pensamos na aprendizagem como construção do 
conhecimento, é necessário que a escola seja muito bem organizada para atender 
a esse propósito em todos os seus setores, em todos os seus segmentos. Como 
deve ser organizada a secretaria, a diretoria, o intervalo (recreio), as salas de aula, 
a portaria (entrada e saída dos educandos), a produção e distribuição da merenda 
escolar, o material didático etc. 
 Campo curricular – Deve ser pensado, elaborado e trabalhado atentando para a 
realidade sócia histórica dos educandos. O currículo precisa estar adequado e 
contextualizado. Os conteúdos devem estar coerentes com as implicações sociais, 
com o desenvolvimento individual e coletivo, promovendo relações inter e 
intrapessoais nas quais o sujeito deve se constituir como um ser ativona sociedade 
da qual é membro. 
 Os aspectos estruturais que compõem a escola deverão ser constantemente (re) 
pensados com base nas necessidades de todos que estão envolvidos no processo 
educacional, para que haja uma plena inclusão socioeducacional. Devem ser levadas em 
consideração, nessa contínua avaliação, a subjetividade humana no contexto educacional 
e a superação da fragmentação dos contextos.

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