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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS GABRIEL LAFETÁ NASCIMENTO – 2017074920 PROJETO CAME-SEGUIDOR DE FACE PLANA ELEMENTOS DE MÁQUINAS I – PROFESSOR ALEXANDRE SCARI BELO HORIZONTE – 13/10/2020 1. INTRODUÇÃO O advento do sistema came-seguidor foi um enorme facilitador para o projetista mecânico. Empregados, por exemplo, nas válvulas de motores de automóveis, os cames se apresentam como alternativas mais versáteis que os mecanismos de barras para corresponder a uma função de saída específica. No entanto, como tudo na engenharia, essa simplicidade vem às custas de um maior custo de projeto e maior dificuldade na confecção de seu conceito. O sistema came-seguidor é considerado um mecanismo de 4 barras em que os elos possuem seus comprimentos variáveis, logo, para qualquer posição do came-seguidor podemos substituir por um mecanismo de 4 barras em um instante específico. Sendo assim, essa versatilidade encontra grande utilidade na indústria, permitindo se projetar a superfície curva dos Cames a partir do movimento desejado para aquela determinada função. 2. OBJETIVO O trabalho possui como objetivo capacitar o aluno a determinar as melhores condições de dimensionamento e uso dos cames através de um movimento de saída já especificado. Será feito um estudo comparativo com o intuito de escolher com a melhor função se adequa ao movimento escolhendo- se entre movimento cicloidal, movimento harmônico simples e polinômio de oitavo grau. 3. Revisão bibliográfica A revisão em questão retira sua base teórica do livro Robert L. Norton - Cinemática e Dinâmica dos Mecanismos-Mc Graw Hill (2010) apesar de priorizar as tabelas e equações do autor Mabie. Além disso, teve-se auxílio das aulas gravadas dos professores Claysson e Alexandre Scari da Escola de Engenharia da UFMG. 3.1. Came-seguidor de face plana Figura 1:Retirada de Cinemática e dinâmica dos mecanismos Como especificado pelo enunciado, o came-seguidor a ser projetado é o chamado de face plana, como indica a imagem acima. Esse tipo de came- seguidor ocupa um volume menor que os modelos de rolete o que, aliado ao menor preço, o faz ser de grande interesse para a indústria automotiva que precisa acomodar componentes com movimentos complexos em pequenos espaços, como cabeçotes automotivos. 3.2. Projeto de Cames Um projeto de cames pode ser feito de duas formas: • Partindo de um movimento de entrada, para assim determinar o formato e dimensões do projeto. • Partindo de um contorno de came já definido, para assim determinar o melhor tipo de movimento. O projeto em questão optou pela primeira via. Esse modo de confecção de projeto é vantajoso dado que atende perfeitamente um movimento especificado. No entanto, vale ressaltar que existe a possibilidade de que a complexidade do movimento desejado torno a fabricação do came mais onerosa e podendo apresentar alguma restrição de ferramentaria. 3.3. Dimensões do projeto e formato do came Existem algumas grandezas que podem ser determinadas de forma analítica, sendo elas: o raio mínimo, comprimento da face do seguidor e o contorno final do came a ser obtido por método gráfico. Tendo como base a figura abaixo: Figura 2:MABIE, H. H; OCVIRK, F.W Mecanismos Considerando o eixo na origem do sistema de coordenadas, chamamos de C o raio mínimo do came, seu ponto de contorno R para um ângulo 𝑅 = 𝐶 + 𝑓(𝜃) (1) Onde 𝑓(𝜃) é o valor do deslocamento para determinado Cada trecho da rotação do came apresentará uma função de deslocamento diferente contida nas Tabela 2,3 ou 4 da secção metodologia. Pela literatura, sabe-se que o comprimento da face do seguidor independe do raio mínimo do came, sendo definido por: 𝑙 = 𝑓′(𝜃) (2) Ou seja, em função da velocidade. Outra preocupação é determinar um valor máximo para o raio mínimo para todos os valores de 𝜃 que seja suficientemente grande para evitar pontas em qualquer ponto do giro do came. Para isso parte-se do princípio de que as derivadas de X e Y em relação a 𝜃 sejam nulas. As coordenadas X e Y: x = Rcosθ − 𝑙 senθ (3) y = Rsenθ + 𝑙 cosθ (4) Essas, podem ainda ser escritas de forma a facilitar a plotagem do contorno do came no Excel. 𝑋 = [𝐶 + 𝑓(𝜃)] cos(𝜃) − 𝑓′(𝜃)𝑠𝑒𝑛(𝜃) (3.1) 𝑌 = [𝐶 + 𝑓(𝜃)] sen(𝜃) + 𝑓′(𝜃)𝑐𝑜𝑠(𝜃) (4.1) Substituindo R de (1) nas equações acima, derivando e igualando a zero chegamos a seguinte relação: 𝐶 + 𝑓(𝜃) + 𝑓′′(𝜃) > 0 (5) 4. METODOLOGIA PRIMEIRA PARTE: ESCOLHA DAS CURVAS Inicialmente, partiremos da análise do movimento a partir do gráfico Posição do Seguidor x Ângulo do Came providenciado pela Figura 1. Figura 3 Conforme explicitado no enunciado, as medidas dos deslocamentos e dos ângulos são: L1 = 29,34 mm; L2 = 31 mm; L3 = 14,66 mm; L total (L4) = 75 mm. = 85,184 deg = 45 deg = 32,058 deg = 107,758 deg. Além disso, são especificadas condições iniciais de rotação constante do came de 150 rpm e repouso de 10 segundos entre os ciclos. A partir dos dados acima é possível traçar uma Tabela cinemática para os pontos explicitados no gráfico da Figura 1. TABELA CINEMÁTICA A B C D E Posição (mm) 0 29,34 60,34 75 0 Velocidade (mm/s) 0 620 620 0 0 Aceleração (mm/s^2) 0 0 0 Ad 0 Tabela 1: Tabela cinemática De forma a deixar claro, explicita-se os motivos por detrás de alguns dos valores da tabela: A aceleração nos pontos A e E são zero justamente por conta do repouso de 10 segundos especificado. Nos pontos B e C suas velocidades são dadas pelo enunciado como sendo 620 mm/s e por se tratar de uma reta ela se mantém constante por todo esse trajeto, incluindo nesses dois pontos. Por último, sabe-se que existe uma aceleração no ponto D que estamos referenciando com Ad. As tabelas abaixo representam os modelos matemáticos que alguns movimentos comumente utilizados nos gráficos de Cames. Elas foram retiradas do livro Mecanismos e Dinâmicas das Máquinas de Hamilton H. Mabie e Fred W. Ocvirk. Tabela 2: Movimento cicloidal Tabela 3: Movimento Harmônico Simples (MHS) Tabela 4: Polinômio de oitava ordem Em cada tabela, apresentam-se equações para posições, velocidades e acelerações e utilizando-as foi possível fazer análises para cada um dos trechos. • Trecho AB: Observando o trecho AB, pode-se traçar Algumas observações: Primeiramente, Vindo do repouso a velocidade e aceleração No ponto A são nulas. A partir desse ponto O seguidor acelera obedecendo uma parábola de concavidade pra cima até o valor de 620 mm/s especificado no enunciado. Nas tabelas, as curvas que apresentam comportamento parecido são a C-1 e H-1. No entanto, a curva de aceleração em H-1 não parte de uma aceleração nula, portanto não pode ser usada. Logo, a mais cotada é C-1. • Trecho BC: O trecho BC é uma reta, portanto não é Necessário atribuir outra função. Figura 5:Trecho BC • Trecho CD: Para este trecho temos no ponto C temo aceleração nula e velocidade não nula, já no ponto D tem-se velocidade Nula e aceleração não nula. Pelas tabelas as curvas C-2 e H-2 se iniciam com velocidades diferentes de zero e terminam nulas, no entanto, a curva C-2 termina com aceleração nula, o que não é o nosso caso estudado. Figura 4: Trecho AB Figura 6:Trecho BC • Trecho DE: No trecho final da curva temos o ponto D dotado de aceleração não nula e velocidade nula e o ponto E onde ambas são nulas. Sabendo que o ponto E é um repouso pode-se descartar qualquer equação de Movimento Harmônico Simples. Já na curva C-6 do movimento cicloidal sua aceleração se inicia nula, logo não corresponde ao procurado. Outra curva com comportamento parecido de posição é a H-6, porémestá também não possui o comportamento desejado para aceleração e velocidade. Por último, a curva polinomial P-2 apresenta as duas características procuradas. Figura 7:Trecho DE Finalmente, chegamos a seguinte relação: Trecho Curva AB C-1 BC Reta CD H-2 DE P-2 Tabela 1 OBS: A reta BC, pelo enunciado, é definida por: S-BC=39,16346* 𝜽 -28,65509 () O processo consistiu em traçar uma reta analisando o último ponto de C- 1 e o primeiro de H-2. SEGUNDA PARTE: GRÁFICOS DE POSIÇÃO Na segunda parte da metodologia, plotou-se os gráficos das curvas escolhidas para cada trecho de forma a investigar a veracidade do que foi observado. Na seção resultados e análises serão plotadas as demais curvas para efeito comparativo. O software utilizado foi o Excel. Lembrando que o eixo das abcissas está em Graus e o das ordenadas em milímetros. • Trecho AB: Como descrito na primeira parte da metodologia os candidatos foram as curvas C-1 e H-1 0 5 10 15 20 25 30 35 1 4 7 10 13 16 19 22 25 28 31 34 37 40 43 46 49 52 55 58 61 64 67 70 73 76 79 82 85 C-1 • Trecho BC: A partir de pontos do gráfico foi plotado com base na reta descrita por (6). • Trecho CD: Chegamos à conclusão prévia de que por conta das curvas de acelerações e velocidades a escolha corretas seria a curva H-2. No entanto, também foi traçado o gráfico de C-2 para efeito comparativo. 0 5 10 15 20 25 30 35 1 4 7 10 13 16 19 22 25 28 31 34 37 40 43 46 49 52 55 58 61 64 67 70 73 76 79 82 85 H-1 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 Trecho BC • Trecho DE: Finalmente para o retorno do movimento, foi escolhido a curva P-2. Foi traçado também os gráficos de C-6 e H-6 para efeitos comparativos. 0 10 20 30 40 50 60 70 80 120 125 130 135 140 145 150 155 160 165 H-2 0 10 20 30 40 50 60 70 80 120 125 130 135 140 145 150 155 160 165 C-2 0 10 20 30 40 50 60 70 80 150 170 190 210 230 250 270 290 P-2 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO Finalmente, pode-se juntar todos os pontos num único gráfico para obter uma curva semelhante a do enunciado. Do ângulo de 270 a 360 a posição foi considerada 0 devido ao repouso. -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 150 170 190 210 230 250 270 290 C-6 0 10 20 30 40 50 60 70 80 150 170 190 210 230 250 270 290 H-6 GRÁFICOS DE VELOCIDADE, ACELERAÇÃO E JERK Com o gráfico de posição do Came devidamente plotado com base nas equações de MABIE, é possível traçar as curvas para velocidades, acelerações e jerk (ou impacto). Estas devem obedecer a duas condições: • Estar de acordo com o funcionamento do movimento pré-determinado do Came, o que já foi conferido na etapa passada. • Garantia de que as derivadas são contínuas em todos os pontos da curva para a velocidade e aceleração. Velocidade 0 10 20 30 40 50 60 70 80 1 1 4 2 7 4 0 5 3 6 6 7 9 9 2 1 0 5 1 1 8 1 3 1 1 4 4 1 5 7 1 7 0 1 8 3 1 9 6 2 0 9 2 2 2 2 3 5 2 4 8 2 6 1 2 7 4 2 8 7 3 0 0 3 1 3 3 2 6 3 3 9 3 5 2 Deslocamento do Came -80 -60 -40 -20 0 20 40 60 0 50 100 150 200 250 300 350 400 Gráfico de velocidade(mm/s x Teta) Aceleração Tendo em vista os gráficos acima, podemos afirmar que, apesar de terem sido implementados gráficos de funções, as derivadas primeira e segunda da posição são de fato contínua. Jerk Analisando o gráfico de Jerk, pode-se notar dois trechos onde o jerk varia de maneira instantânea para um valor diferente de zero, ocorrendo duas vezes por ciclo. Além disso, a metodologia empregada -150 -100 -50 0 50 100 150 0 50 100 150 200 250 300 350 400 Aceleração (mm/s^2 ) x Ângulo -500 -400 -300 -200 -100 0 100 200 300 400 1 1 3 2 5 3 7 4 9 6 1 7 3 8 5 9 7 1 0 9 1 2 1 1 3 3 1 4 5 1 5 7 1 6 9 1 8 1 1 9 3 2 0 5 2 1 7 2 2 9 2 4 1 2 5 3 2 6 5 2 7 7 2 8 9 3 0 1 3 1 3 3 2 5 3 3 7 3 4 9 3 6 1 Jerk(mm/s^3) x Ângulo de giro (Graus) no projeto de Came em questão evitou com êxito valores de Jerk tendendo ao infinito. CÁLCULO DO RAIO MÍNIMO, COMPRIMENTO DO SEGUIDOR E CONTORNO DO CAME Pela planilha de cálculos vimos que o raio mínimo foi de 41,35721618mm. A partir desse valor foi possível utilizar as equações (3.1) e (4.1) para traçar o contorno do came com auxílio do Excel. Como também foi visto na revisão bibliográfica, o valor encontrado para o comprimento da face do seguidor foi de 39,468812mm. Sendo assim, para evitar que o ponto de contato ocorra na borda do seguidor esse valor é dobrado, tendo assim, uma boa margem de segurança. Logo, o comprimento mínimo da face plana do seguidor é 78,937624mm. Por fim, o desenho técnico do came foi obtido transcrevendo os pontos que formaram o Came para outra tabela e salvando a planilha como arquivo de texto. Os pontos foram utilizados na função Inserir Curva do software SolidWorks. -60 -40 -20 0 20 40 60 80 100 -120 -100 -80 -60 -40 -20 0 20 40 60 Contorno do Came Figura 8:Contorno do Came feito no SolidWorks 6. CONCLUSÃO Após a finalização de todas as etapas, pode-se concluir que foi possível utilizar as equações de MABIE e OVCRIK para descrever toda a cinemática do came estudado. Além disso: • As curvas escolhidas foram C-1, reta, H-2 e P-2, pois foi possível prever o comportamento destas através das tabelas 2,3 e 4. • O comprimento mínimo da face plana do came seguidor obedeceu aos critérios de segurança e foi definido como 78,937624mm. • O raio mínimo obedeceu às relações necessária para evitar pontas e foi definido como 41,35721616mm. • Apesar de boa precisão nos resultados, foram necessários alguns ajustes e deslocamentos de gráfico para que a curva apareça de forma contínua. 7. REFERÊNCIAS [1] MABIE, H. H.; OCVIRK, F. W. Mecanismos. [S.l.]: Livros Técnicos e Científicos, 1980. [2] NORTON, R. L. Cinemática e dinâmica dos mecanismos. [S.l.]: AMGH Editora, 2010. 32 ,06 ° 45° 85,18° 90 ° 107,76° 41,36 1 Gabriel Lafetá Nascimento Contorno do Came1 Página: Escala: Data: Revisor: Projetista: Tratamento/Acabamento: Material: RC:Nome:Quantidade:Código: 1:1 Massa aprox:Projeção:Unidades: mm Européia A4Formato: Tolerâncias conforme norma NBR ISO 2768-mH