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Exame neurológico 1- Anamnese e Exame Fisicio

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(HDA), quando ela iniciou. De forma 
particular, no AVC é muito importante colher essas 
informações, visto que o tempo de evolução da 
doença é fundamental. Para a trombolise endovenosa, 
precisa-se ter 4 horas e meia de evolução no máximo 
para que haja aplicação da alteplase – trombolítico. 
É importante verificar a história médica 
pregressa, qual é a história medicamentos, quais 
medicamentos esse paciente utiliza. Deve-se colher a 
história familiar, visto que algumas doenças possuem 
caráter genético. História social, bem como é 
importante fazer um bom exame físico geral, como 
auscultar o coração, visto de 1/3 dos casos, o AVC está 
relacionado a alguma alteração cardiológica, 
principalmente a fibrilação atrial. Além disso, deve-se 
ausculta pulmonar, palpar o abdômen, fazer 
percussões. Ou seja, fazer um exame físico geral 
adequado. 
 
EXAME NEUROLÓGICO PRÓPRIAMENTE DITO 
Quando fazemos esse exame, precisamos de 
uma sequência, porém esta não é regra absoluta. 
Aqui, será sugerida uma sequência, mas pode-se 
ocasionalmente inverter a ordem. O ponto é que 
todas as áreas discriminadas no exame neurológico 
devem ser abordadas. 
 
AVALIAÇÃO DA MARCHA 
Sempre ao chamar o paciente até a sala de 
atendimento, deve-se indicar o exame neurológico. 
Muitas doenças aparecem antes do paciente entrar na 
sala, suspeita-se de algumas doenças apenas com a 
observação da marcha. Muitas vezes, no levantar do 
paciente já podemos pensar em algumas doenças, 
mesmo com distâncias curtas podemos ter uma boa 
ideia a respeito da marcha daquele paciente ao 
analisar como ele desloca-se. 
 
 
É importante observar: 
Simetria: o movimento é simétrico? Os passos são 
simétricos? 
 
Tamanho dos passos: é importante notar o tamanho 
dos passos... tem passos longos? Ou passos curtos? 
São passos normais? Tudo isso nos indica algumas 
alterações. 
 
Postura de balanço dos braços: é importante avaliar a 
postura, ele está caminhando de forma ereta? Esta 
encurvado? Tem postura de dor? Como tem sido o 
balanço dos braços? Simétricos? Com boa amplitude 
do movimento? 
 
Distância entre os pés: a base que o paciente usa para 
se locomover. Ele usa a base correta e a distância 
adequada? Ou a sua base é alargada? 
 
Joelhos, rotação da pelve, pés: como estão os 
joelhos? Como é a rotação da pelve? Como é a posição 
dos pés? Eles estão bem formatados? Ou existe uma 
tendência de os pés ter um movimento para o meio da 
linha média ou para fora da linha média? 
 
No entanto, o ponto chave é não perder de 
vista o movimento como um todo. Deve-se analisar 
todas as particularidades citadas, porém sem perder o 
movimento como um todo, de forma global. 
 
Quais alterações podemos ver com relação a 
marcha? 
 
Marcha parkinsoniana: os pontos principais a serem 
observados nesta marcha são que o paciente, 
geralmente, caminha em pequenos passos, não existe 
um bom balanço dos braços – movimento em 
bloco/rígido. Geralmente enquanto o paciente 
caminha, ao passar por um obstáculo/degrau/tapete, 
ele para subitamente a marcha, e isso é chamado de 
congelamento - 
Freeze. E ao tentar a partir dai desenvolver a marcha, 
faz passos um pouco rápidos até conseguir se 
estabilizar, isso é chamado de festinação. A marcha 
parkinsoniana é clássica e não vem sozinha, trata-se, 
portanto, de uma marcha em pequenos passos, e 
geralmente, a depender do quadro/tempo de duração 
da doença, tem-se acompanhados a festinação, freeze 
e outros sinais cardinais da doença de Parkinson, 
como a instabilidade postural com centro de 
gravidade jogado mais para frente, postura mais 
inclinada, bradicinesia – lentidão dos movimentos e 
tremor de repouso – tremor em contar dinheiro. 
 
 
HELEN MARCONDES – T5 
4 FUNDAMENTOS DA PRÁTICA MÉDICA III – PROFº. ELISSON 
Marcha hemiplégica: marcha típica do paciente com 
AVC, existe uma postura de postura de Wernicke 
mann, onde o paciente fica com o membro superior 
fletido e a perna estendida, com uma marcha em meia 
lua, marcha que denota perda de força de um lado do 
corpo e uma alteração de neurônio motor superior. 
Neste caso, hemiplegia não significa perda completa 
de força, mas sim uma perda parcial de força – neste 
caso a marcha podemos utilizar o termo marcha 
hemiplégica, mas considerando que o paciente tenha 
alguma força para se manter em pé. Nestas condições 
há uma espasticidade muscular, flexão do membro 
superior, extensão do membro inferior e marcha em 
meia lua – movimento em ceifa do membro inferior, 
não conseguindo dobrar o joelho. 
 
Marcha miopática: típica das doenças musculares – 
miopatias, distrofias musculares. Geralmente existe 
um alargamento da base, e um movimento em 
báscula – joga o quadril exatamente para compensar 
a perda de força na região muscular proximal. É o 
paciente que não consegue subir escadas, por 
exemplo, ou apresenta dificuldade em subir degraus. 
Também chamada de marcha rebolante, anserina, 
marcha da grávida, onde também faz uma 
hiperlordose compensatória. 
Se colocarmos esse paciente com miopatia importante 
deitado, ele precisará de ajuda para se levantar, e 
mesmo sentado irá levantar escalando-se, isso é 
chamado levantar miopático de Gowers – levantar em 
que o indivíduo se escala. 
 
Marcha atáxica: a principal ideia são as lesões de 
fascículo posterior da medula, como fascículo grácil e 
cuneiforme. A doença clássica é a sífilis terciária. O 
paciente apresenta uma base alargada, pés bem 
separados, levanta bastante os pés e bate os 
calcanhares, não possui a ideia de posição segmentar 
do corpo – precisa bater o calcanhar para com o som 
e aumento de sensibilidade de batida entender que 
ele pode dar o próximo passo. Também conhecida 
como marcha talonante, porque levanta os pés, bate 
o calcanhar com força e a base é alargada. Esses 
pacientes olham para o seu caminhar, olham para o 
chão para que não errem, exatamente porque o 
fascículo posterior, responsável pela propriocepção, 
noção de como está o corpo, encontra-se disfuncional, 
com isso ele utiliza a batida forte e olhar para se 
localizar. 
 
Marcha cerebelar: também é um tipo de marcha 
atáxica. O indivíduo tende a aumentar a sua base, 
porém serão movimentos mais erráticos, como um 
bêbado andando. Também conhecida como marcha 
ebriosa, a marcha do bêbado. Ocorre nos AVC’s 
cerebelares, nas ataxias espinocerebelares – uma 
série de doenças genéticas que acometem o cerebelo, 
e também na intoxicação/libação alcoólica – quando a 
pessoa exagera na bebida alcoólica. 
 
Marcha em tesoura: quando existe acometimento do 
neurônio motor superior bilateralmente – tanto no 
hemisfério esquerdo, quanto no direito. O paciente 
cruza a linha média com as duas pernas. Isso 
geralmente ocorre na marcha em tesoura clássica. Na 
marcha em tesoura ‘’parcial’’ existe um cruzamento 
da linha média de ambos os membros, porém não 
existe o cruzamento de membros inferiores clássico. 
Por exemplo na espasticidade dos adutores, onde 
ocorre uma espasticidade e por isso os membros 
inferiores tendem a aduzir no caminhar. Ocorre de 
forma frequente na encefalopatia crônica não 
progressiva – antigamente chamada de paralisia 
cerebral. Também ocorre nas paraparesias espásticas 
hereditárias, doença genérica, onde há muito 
comumente a marcha em tesoura de forma parcial. 
Ocorre também em uma doença de neurônio motor 
superior, rara, chamada esclerose lateral primária, 
típica marcha em tesoura. 
 
Marcha apráxica: paciente perde a capacidade e 
destreza em andar, vista na doença demencial grave, 
como na doença de Alzheimer de longa evolução. É 
necessário ajudar o paciente, pois ele tende a vacilar 
quanto ao próximo passo, os passos são curtos, e ele 
acaba ficando sem saber o que fazer para dar o 
próximo passo. Portanto, é necessário segurá-lo e 
andar junto a ele para que consiga se deslocar. 
 
Marcha antálgica