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Exame neurológico 2- Pares Cranianos

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do músculo obliquo superior, fazendo com 
que o olho seja jogado para baixo e para o meio. Todos 
os outros músculos que compõem a motricidade 
extrínseca ocular, são inervados pelo oculomotor, sendo 
eles reto superior, reto inferior, reto medial e obliqu0o 
inferior. 
 
HELEN MARCONDES –T5 
4 FPM III – PROFº. ELISSON 
Esses pares cranianos são testados por meio da 
mobilidade ocular extrínseca. É importante se fazer de 
forma separada, pedindo para que o paciente siga o seu 
dedo com os dois olhos, porém é importante que ele 
feche um dos olhos e o teste de motricidade ocorra de 
forma separada/ um olho por vez. 
Ao avaliar um paciente, por exemplo, este possui 
um estrabismo convergente – acometimento do olho 
direito. Onde estaria a lesão se pensássemos par 
craniano? 
A lesão está no nervo abducente, pois este joga 
o olho para a lateral. Porém, como esta disfuncional, o III 
par – oculomotor está o jogando para o meio. 
Se ao contrário, onde o paciente tem o olho 
esquerdo jogado para fora/lateral, provavelmente a 
lesão encontra-se no III par – oculomotor. Como este não 
esta puxando o olho para o meio, consequentemente, o 
VI par – abducente puxa para a lateral. 
Quando há uma paralisia completa do III par 
craniano, ocorrem outras condições, como ptose 
palpebral – visto que ele é responsável por manter a 
pálpebra elevada, bem como uma midríase – dilatação 
pupilar com um reflexo fotomotor ausente no lado 
afetado. Vale lembrar que na região mais externa do 
nervo oculomotor há fibras parassimpáticas, 
responsáveis pela miose. Neste sentido, quando há uma 
compressão do nervo oculomotor, pode haver como 
primeiro sinal/sintoma uma dilatação pupilar – sendo 
uma condição grave, visto que existe uma relação 
próxima entre a artéria comunicante posterior e o III par 
craniano, podendo haver um aneurisma de artéria 
comunicante posterior causando dilatação pupilar, ou 
até mesmo um tumor. 
Quando há preservação do reflexo fotomotor, 
porém existe uma ptose palpebral e um estrabismo 
divergente – pois estamos falando de uma falha do III 
par, mas há ausência de dilatação pupilar, isso aponta 
para lesões mais internas no nervo, poupando fibras 
parassimpáticas. O diabetes mellitus é classicamente 
envolvido com esse tipo de alteração. 
Portanto, as alterações específicas encontradas 
no exame irão apontar para qual par craniano encontra-
se a alteração no exame neurológico. 
 
 
 V par: trigêmeo: a imagem a baixo nos mostra as 
ramificações do nervo trigêmeo, sendo chamadas de V1, 
V2 e V3. Trata-se de um nervo sensitivo e motor, é 
responsável pela sensibilidade da face, bem como pela 
motricidade do músculo masseter. 
Este par craniano é testado por meio da 
sensibilidade da face, onde pega-se uma mecha de 
algodão e compara-se um lado do paciente com o outro, 
podendo haver uma hipoestesia ou anestesia de uma 
hemi face ou de um ramo do nervo trigêmeo. Existe uma 
doença em que não há perda de sensibilidade, mas sim 
uma hipersensibilidade, é chamada de neuralgia do 
trigêmeo, podendo-se ter em cada um dos ramos – V1, 
V2 e V3, sendo geralmente em V2 e V3. Trata-se de uma 
dor lancinante, havendo por vezes uma compressão 
vascular deste nervo. Na esclerose múltipla também 
pode haver alterações na função deste. 
Outro teste é o reflexo corneopalpebral, que 
pode ser feito com um cotonete ou um pedaço de 
algodão bem fino. Neste teste, apenas toca-se na córnea. 
Pede-se para o paciente olhar para o lado, direita ou 
esquerda, e toca-se no olho dele com o algodão ou 
cotonete, e o que se é esperado é que o paciente pisque 
bilateralmente. Devendo um olho ser feito por vez. A via 
aferente é o V par craniano – trigêmeo, e a eferente o 
nervo facial, o que causa o piscamento bilateral. 
Também há o teste da musculatura da 
mastigação, a qual se pede para que o paciente morda 
um abaixado de língua, por exemplo, ou pede-se para 
que ele serre os dentes. Com isso, verifica-se a 
musculatura do masseter, se há atrofias ou alguma 
assimetria ao contrair a musculatura. Sendo essa mais 
uma funcionalidade do trigêmeo. 
 
 
HELEN MARCONDES –T5 
5 FPM III – PROFº. ELISSON 
 
 
 VII par: facial: também um nervo motor, responsável 
pela motricidade da face, mas também um nervo 
sensitivo responsável pela gustação dos 2/3 anteriores 
da língua. 
Este nervo é testado primeiramente por uma 
inspeção, olha-se para o rosto do paciente, e verifica-se 
se tudo está ok, se existe alguma assimetria, desvio da 
rima labial para um dos lados, se seu olho fecha 
corretamente, ou um dos olhos não fecha. 
Outro teste é o teste da mimica facial, pede-se 
para que o paciente sorria, e você quem está analisando 
deve sorrir junto. Na neurologia muitas vezes precisa-se 
‘’tirar’’ o exame do paciente, pois muitas vezes ele não o 
irá entregá-lo de forma livremente. Portanto, pede-se 
que o paciente sorria, que ele mostre os dentes, feche os 
dois olhos – bem forte, levantar a sobrancelha, franzir a 
testa, encher a boca com ar. 
E com isso, percebe-se se há alguma assimetria, 
se o ar escapa da boca do paciente. De fato, na maioria 
das vezes algumas coisas podem ser identificadas na 
própria inspeção, como a paralisia facial, trazendo uma 
assimetria considerável. No entanto, em algumas 
situações, as alterações são discretas, e são esses 
exames que ajudarão a diferenciar de fato o bom e o 
‘’não tão bom’’ exame, visto que um exame correto 
fornece dados que podem apontar para o diagnóstico. 
Quanto ao teste de sensibilidade gustativa, na 
prática não se faz geralmente, a não ser que o paciente 
relate perda de gosto na língua. Muitas vezes o problema 
de gustação está ligado ao olfatório – não sente muito 
bem o cheiro, e com isso o gosto torna-se prejudicado. 
Porém, caso haja uma alteração específica da gustação, 
essa deve ser testada. Para isso, limpa-se e seca-se a 
parte anterior da língua, e se oferece ao paciente 
sabores salgados e doce. 
Na imagem que segue, temos a ilustração de 
uma das principais alterações da motricidade do nervo 
facial. Em ‘’A’’ percebe-se uma assimetria facial 
principalmente da hemi ace inferior do lado direito, e em 
‘’B’’ uma alteração de toda a hemi face a direita. 
 
 
Neste sentido, qual das paralisias é central e 
qual é periférica? 
Em ‘’A’’ existe uma assimetria facial, mas parece 
que o andar superior é preservado, conseguindo a 
paciente franzir a testa, e caso peça para que ela feche 
os olhos, ela conseguirá. Já em ‘’B’’ toda a hemi face 
direita está acometida, não conseguindo o paciente 
franzir a testa, tampouco fechar o olho direito sendo, 
portanto, uma forma clássica de paralisia periférica com 
acometimento de toda a hemi face. Em ‘’A’’ temos uma 
clássica paralisia facial central, muito presente nos AVC’s 
por lesão acima do núcleo do nervo fácil. 
Essa diferença ocorre porque quando existe uma 
lesão no núcleo facial, ou seja, na ponte – onde há a 
emergência aparente do nervo facial, há fibras que 
inervam toda uma hemi face. E ao se analisar uma lesão 
do nervo facial a direita, toda a hemi face direita é 
acometida, já o núcleo do nervo facial a esquerda não 
lança fibras para o outro lado – para a direita, e como 
ocorre uma lesão na ponte, ao se falar de nervos 
cranianos, devemos ter em mente que anatomicamente 
já houve a mudança de lado – cruzamento das fibras. 
Portanto, em uma lesão da ponte para frente, teremos 
uma sintomatologia/sinais ipsilaterais a lesão. 
Com isso, podemos dizer com certeza que em 
‘’B’’ se houve lesão na ponte, a lesão foi do lado direito, 
ipsilateral a lesão/ sintoma apresentado pelo paciente. 
Já em ‘’A’’ a lesão foi acima da ponte, e sabemos que 
antes de chegar ao núcleo do nevo facial existe o 
cruzamento de fibras para os dois lados, onde a região 
do nervo facial a esquerda lança fibras para a direita e 
para a esquerda, e da mesma forma