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A IMPORTANCIA DA FÍSICA EXPERIMENTAL NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM Autor: Dábila Paula Vicente de Chaves, Fábio Darlan Pezzi e Kelly Cristiny Karcle Orientador: Marcos Roberto Schein Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Curso (FSA0011) – 12/05/2020 RESUMO O presente artigo se concentra em abordar o conceito de aulas de Física experimental utilizando recursos simples e acessíveis, a fim de inserir no contexto da sala de aula o uso de experiências de fácil entendimento, que poderão ser úteis para o aprendizado. Fazendo abordagens, metodologias, conceitos, os resultados obtidos quando bem, explicando separadamente cada um deles, suas aplicações, diferenças, seus métodos e seus objetivos. Palavras-chave: Experimentação, Dificuldades, Educação. 1 INTRODUÇÃO Atualmente, poucas escolas possuem laboratórios ou métodos que relacionem a disciplina com o dia-a-dia dos estudantes, que acabam desmotivados e apenas “decoram” a matéria para garantir a aprovação. Tudo isso prejudica não só o aprendizado como também a abordagem do professor, que não consegue avançar no conteúdo como esperado. Neste cenário, a necessidade de transformar o estudo da física em algo mais estimulante e criativo é fundamental. Uma solução para isso é utilizar o “Física experimental, que envolve uma abordagem muito mais próxima da realidade dos alunos. A física assim como as matérias que trabalham as exatas e cálculos são recebidas no cenário escolar como uma matéria chata, pouco desejada e difícil, no geral esse sentimento não é recente e é frequentemente encontrado nas salas de aula e escolas. Uma maneira de mudar o olhar dos alunos perante essa matéria, é o professor trabalhar diferentes metodologias de ensino para assim obter realmente o êxito no conteúdo trabalhado, onde, a partir desse trabalho diferenciado os alunos comecem a se interessar pela física e não mais olharem a física com desconfiança. Hoje, existem duas divisões para a Física: a Física Teórica e a Física Experimental. Nessa divisão, a Física Experimental fica encarregada de manter contato com as situações do dia-a-dia, as resultantes de experiências, o planejamento e execução de análises de resultados de pesquisa e a aplicação da física no desenvolvimento de tecnologias. A física experimental, como o nome diz, é baseada na experimentação. Ela é extremamente importante, pois se caracteriza como parte essencial do método científico por colocar em prática as teorias. Pois esse tipo de abordagem vem sendo apontado por professores e alunos como uma das maneiras mais produtivas e frutíferas em relação ao ensino aprendizado da física, pois minimizam grandemente as dificuldades e as barreiras encontradas quando se ensina a disciplina, e o aprendizado se torna significativo e consciente. Este trabalho tem como objetivo elucidar as inquietações e questões associadas ao uso de atividades experimentais nas aulas de física, sua repercussão em relação ao interesse dos alunos, as maneiras de utiliza-la e sua eficácia em relação ao êxito do ensino aprendizagem. 2 FUNDAMENTAÇÃO TÉORICA As atividades experimentais relacionadas à Física são cada vez mais necessárias para os processos de ensino e aprendizagem do aluno. Todavia, não são práticas adotadas na maioria das escolas do Brasil, ou por falta de um laboratório didático ou por vontade da escola ou do professor. O ensino das ciências está relacionado com questões políticas. No Brasil, não existe política educacional para o desenvolvimento das ciências, o que já acontece em países considerados desenvolvidos. De acordo com Rosa et al (2005, p.4), “olhando o aspecto histórico, identifica-se que o ensino de Física no Brasil é algo recente, passando a ser objeto de estudo nas escolas de maneira mais efetiva a partir de 1837, com a fundação do Colégio Pedro II no Rio de Janeiro.”. A Física, como ramo da Ciência, tem seu desenvolvimento histórico alicerçado sobre três aspectos: a experimentação, a teorização e a mate matização. Já o seu ensino nos níveis fundamental e médio se pauta basicamente sobre os dois últimos aspectos, e entre eles, o caráter matemático é bastante acentuado. Nessa direção, o entendimento da natureza da Ciência de um modo geral e da Física em especial constitui um elemento fundamental à formação da cidadania (ARAÚJO e ABIB, 2003). Segundo Axt e Moreira (1991): Embora grande parte dos professores reconheça a importância das atividades experimentais para o ensino da Física, o número de professores que as pratica ainda é, proporcionalmente, muito pequeno em relação aos que se limitam ao giz e quadro negro. A teoria e a prática devem estar intimamente ligadas nos ensinos das ciências, e em particular na Física, para os alunos, a principal dificuldade em aprender física está em relacioná-la com o seu cotidiano e suas tecnologias. O principal benefício do ensino experimental é justamente permitir que eles vejam como as teorias funcionam na prática. Ao perceber a física no dia-a-dia, aprendê-la acaba se tornando uma tarefa muito mais fácil. Como consequência para alunos mais interessados, teremos professores mais motivados com a possibilidade de avançar nos conhecimentos da disciplina e aprofundar determinados conceitos. No final, a aula de física deixa de ser mais uma obrigação e passa a ser um momento de real aprendizado. Durante a vida escolar os alunos recebem uma formação geral que tem início na educação infantil, passando pelo ensino fundamental e terminando no ensino médio, como alvo principal a aquisição do conhecimento, garantindo fundamentação para sua formação e cidadania. Art. 35. O ensino médio, etapa final da educação básica, com duração mínima de três anos, terá como finalidades: I - a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos; II - a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores; III - o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico; IV - a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina (BRASIL, 1996). O ensino de Física é predominantemente teórico, com aulas expositivas, pouco atrativas aos alunos. Grande parte deles não se interessa pela disciplina, pois não vêem sentido algum na teoria, ficando preocupados e presos a fórmulas, equações físicas, sem entendê-las. O sentido físico do problema fica em segundo plano; o professor trabalha dando extrema importância às fórmulas e aos resultados. Considera-se que: A imagem que as pessoas têm da Física é geralmente criada na escola, resultado do ensino ali praticado. O que prevalece, na prática pedagógica da maioria dos professores, é o formalismo, enquanto o contato com a fenomenologia, esse lado da Física que as pessoas consideram mais atrativo, é pouco valorizado, e por vezes até mesmo esquecido por completo. Enfatiza-se demasiadamente uma Física matemática em detrimento de uma Física mais conceitual, mais experimental e com mais significado para a vida das pessoas. (BONADIMAN et al, 2004, p.1) Após cálculos e mais cálculos, chega-se a um número, como se esse resultado fosse uma verdade absoluta e, geralmente, despreza-se o questionamento físico que foi utilizado para se chegar àquele resultado. Da década de 50 até hoje, ocorreram poucas mudanças na estrutura do Ensino Fundamental e Médio. Talvez seja hora de mudanças mais radicais no ensino de Física. Estas deveriam ocorrer desde a revisão dos conteúdos, que são, geralmente, extensos demais, até a metodologia de ensino, que ainda é, predominantemente, baseada na resolução de exercícios que valorizam a repetição de cálculos. Para Rosa et al (2005, p.6), Hoje, no início do século XXI, mais de cem anos de história se passaram desdea introdução da Física nas escolas no Brasil, mas sua abordagem continua fortemente identificada com aquela praticada há cem anos atrás: ensino voltado para a transmissão de informações através de aulas expositivas utilizando metodologia voltadas para a resolução de exercícios algébricos. (ROSA et al 2005) Os experimentos realizados em sala de aula apresentam inúmeras vantagens, e várias dessas experiências podem ser realizadas em sala, não somente em laboratórios. Vários educadores fazem uma releitura das experiências onde eles utilizam materiais, muitas vezes usando poucos um nenhum equipamento de laboratório. Essa praticas servem como saída à questão do tempo de aula para a experiências, acesso a materiais que muitas vezes as escolas não dão acesso ao professor. 3 MATERIAIS E MÉTODOS As atividades experimentais sempre estiveram presentes no contexto didático metodológico, contribuindo para o ensino das ciências, em geral. Em particular, os professores de Física revelam uma preocupação maior com o uso dessa metodologia porque os alunos, em geral, não gostam da disciplina, mas gostam de realizar experimentos no laboratório. E a motivação é um dos pilares de sustentação da eficiência do processo ensino aprendizagem e as atividades experimentais desempenham essa função muito bem. A metodologia aqui estudada se classifica, de acordo com Gil (1999 apud TAFNER; SILVA, 2012), como sendo uma pesquisa de natureza básica, cujo objetivo é gerar novos conhecimentos, úteis para o avanço da ciência; com abordagem qualitativa, que não apresenta dados mensurados, coleta e análises ou testes estatísticos; objetivos exploratórios, destinado a acadêmicos que buscam conhecimento acerca do assunto abordado; e procedimentos bibliográficos, que utiliza material já publicado, constituído basicamente de livros, artigos de periódicos e, atualmente, de informações disponibilizadas na internet. Por se tratar de um trabalho de revisão bibliográfica, não se fez necessário a inclusão de imagens ou intervenções que necessitassem inserir figuras, imagens ou outras formas de informação que não fosse a de linguagem verbal. 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO A aprendizagem mecânica, na visão de Ausubel, é um processo em que se armazenam de forma aleatória os conhecimentos, sem fazer ligações com um subsunção. Logo, o conhecimento aprendido fica solto na estrutura cognitiva dos individuo, sem se relacionar com os subsunções específicos. Ausubel argumenta que a aprendizagem mecânica vem a ser necessária e inevitável em determinados momentos do processo de ensino, e o que foi decorado (memorizado) pelo indivíduo pode ser desenvolvido em outros momentos do processo de ensino. A aprendizagem significativa, na visão de Ausubel, trata-se de um mecanismo humano em assimilar (compreender) e armazenar de uma grande quantidade de ideias e informações que podem representar qualquer campo de conhecimento. Assim, refere-se ao fato da aprendizagem se relacionar de forma não arbitrária e substantivo à estrutura cognitiva do indivíduo. Ausubel teve um grande destaque nas áreas de psicologia do desenvolvimento, psicologia educacional, psicopatologia e desenvolvimento do ego. Sempre preocupado com o processo de aprendizagem humana, desenvolveu uma teoria, denominada de Teoria da Aprendizagem Significativa, que auxilia os professores no seu desempenho em sala. A teoria apresenta um enfoque cognitivista porque se embasa nos princípios organizacionais da cognição, buscando valorizar o conhecimento e o entendimento das informações, para que as mesmas não sejam apenas memorizadas. Sua teoria valoriza os conhecimentos prévios que os indivíduos trazem em sua estrutura cognitiva. Nesse sentido é um processo de interação entre a nova informação com os conhecimentos prévios do indivíduo, num processo de construção individual. Logo, as informações contidas na estrutura cognitiva dos indivíduos funcionam como âncoras para a formulação e estruturação do novo conhecimento. Essa consideração vai de encontro com os resultados de pesquisas sobre o processo de aprendizagem do Ensino de Física. As experiências de alguma forma estão ligadas ao ser humano, visto que as mesmas se apresentam nas interações dos homens com o meio em que vivem, além de estar presente em suas experiências sociais, procurando formar uma fonte de dados que possa construir para as suas informações e assim poder formalizar o seu senso comum. Na questão do conhecimento científico, sabe-se que o mesmo pode ser acessado de diversas formas, mas somente na escola é que se deve trabalhar de tal maneira em que se possa construir o conhecimento em relação a esses conceitos científicos. De acordo com Mortimer (1992, p. 31), “a aprendizagem em sala de aula, a partir dessa perspectiva, é vista como algo que requer atividades práticas bem elaboradas que desafiem as concepções prévias do aprendiz, encorajando-o a reorganizar suas teorias pessoais”. As atividades experimentais desenvolvidas juntamente com outras práticas metodológicas vão desempenhar um papel muito importante para o aperfeiçoamento dos conceitos científicos, proporcionando assim uma melhora na compreensão e no entendimento dessa ciência. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Na contextualização realizada neste trabalho, podemos observar a importância das atividades experimentais no processo de ensino e aprendizagem da Física. O desenvolvimento destas atividades vai muito longe da questão de somente ser realizada para a comprovação de conceitos e teorias abordadas em sala ou de serem desenvolvidas com a intenção de motivar os indivíduos, procurando entusiasmá-los com a disciplina. Assim, em um primeiro estudo foi possível observar a experimentação pode ser contextualizada como uma atividade problematizadora, que permitirá os alunos pensar e refletir sobre os conceitos que estão sendo ou serão desenvolvidos sistematicamente na sala 32225 de aula. As atividades experimentais quando contextualizadas com uma prática pedagógica pode proporcionar um esclarecimento e um entendimento aos indivíduos sobre os conceitos científicos, fazendo com que os mesmos possam se deslocar do mundo abstrato no qual são colocados para uma interação com o mundo científico, pois são atividades enriquecedoras e que podem proporcionar um sentido para a aquisição de conhecimento desta ciência. A aula prática constitui um importante recurso metodológico facilitador do processo de ensino-aprendizagem nas disciplinas da área das Ciências da Natureza. Através da experimentação, alia teoria à prática e possibilita o desenvolvimento da pesquisa e da problematização em sala de aula, despertando a curiosidade e o interesse do aluno. Transforma o estudante em sujeito da aprendizagem, possibilitando que o mesmo desenvolva habilidades e competências específicas. Ao diversificar as atividades e as abordagens, dando-lhes uma conotação mais de acordo com as atividades científicas, cria-se no aluno uma nova motivação e um novo interesse para as atividades experimentais. Portanto, trabalhar em sala (ou em um laboratório) deve-se ter em consciência os conhecimentos que os sujeitos possuem em relação ao contexto que será desenvolvido com essa atividade, e que os indivíduos possam desenvolver seu raciocínio sem o compromisso de memorizar inúmeras fórmulas e conceitos que não lhe apresentarão significado algum. REFERÊNCIAS ARAÚJO, M. S. T.; ABIB, M. L. V. S. Atividades Experimentais no Ensino de Física: Diferentes Enfoques, Diferentes Finalidades. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 25, n. 2, 2003, p. 176-194. AUSUBEL, D.; NOVAK, J. & HANESIAN, H. Psicologia educacional. Rio de Janeiro: Interamericana, 1980. AXT, R.; MOREIRA, M.A. O ensino experimental e a questão do equipamento de baixo custo. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 13, n. 4, 1991, p. 97-103. BRASIL. Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996: Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. [S.l.], 1996. BONADIMAN, Helio; AXT, Rolando; BLUMKE, Roseli Adriana; VINCENSI, Giseli. Difusão e popularização daciência. Uma experiência em Física que deu certo. XVI Simpósio Nacional de Ensino de Física. 2004. p.4 GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1999. MORTIMER, E. F. Conceptual change or conceptual profile change? Science & Education, v.4, n.3, p.31, 1992. ROSA, Cleci Werner da; ROSA, Álvaro Becker da. Ensino de Física: objetivos e imposições no Ensino Médio. Revista Electronica de Ensenanza de las Ciências vol. 4, nº 1.2005, p. 05, p.06