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GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA GESTÃO DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA ÍNDICE APRESENTAÇÃO 7 EMENTAS 7 AULA 1: MARKETING 3.0 7 AULA 2: RESPONSABILIDADE SOCIAL 8 AULA 3: GESTÃO DA SUSTENTABILIDADE 8 AULA 4: DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS 8 AULA 5: GESTÃO DE PRODUTOS 8 AULA 6: ECODESIGN – PRODUTOS SUSTENTÁVEIS 9 AULA 7: BRANDING DE SUSTENTABILIDADE 9 AULA 8: POSICIONAMENTO, EMBALAGEM E ROTULAGEM 9 AULA 1: MARKETING 3.0 10 INTRODUÇÃO 10 CONTEÚDO 10 INTRODUÇÃO 10 MARKETING 1.0: A VISÃO CLÁSSICA 11 MARKETING 2.0: O CLIENTE NO CENTRO 13 MARKETING 3.0: HUMANIZAÇÃO E SUSTENTABILIDADE 15 OS 3 CS DO MARKETING 3.0 18 FINALIZANDO 20 ATIVIDADE PROPOSTA 20 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 21 APRENDA MAIS 22 REFERÊNCIAS 23 AULA 2: RESPONSABILIDADE SOCIAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 24 INTRODUÇÃO 24 CONTEÚDO 25 INTRODUÇÃO 25 AS ORIGENS DA RESPONSABILIDADE SOCIAL 26 CONCEITO DE RESPONSABILIDADE SOCIAL 29 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 30 AS DIMENSÕES DA SUSTENTABILIDADE: O MODELO DE SACHS 32 GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA A EMPRESA SUSTENTÁVEL NO MARKETING 3.0 32 ATIVIDADE PROPOSTA 34 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 35 SAIBA MAIS 36 REFERÊNCIAS 36 AULA 3: GESTÃO DA SUSTENTABILIDADE, COCRIAÇÃO E CONSUMO COLABORATIVO 37 APRESENTAÇÃO 37 CONTEÚDO 38 INTRODUÇÃO 38 GESTÃO DA SUSTENTABILIDADE E POSTURA COLABORATIVA 39 COCRIAÇÃO DE VALOR E DE PRODUTOS 41 CONSUMO COLABORATIVO 44 ATIVIDADE PROPOSTA 48 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 49 APRENDA MAIS 49 REFERÊNCIAS 50 AULA 4: DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS: A PERSPECTIVA SUSTENTÁVEL 52 INTRODUÇÃO 52 CONTEÚDO 53 INTRODUÇÃO 53 O QUE É UM PRODUTO? 54 O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS (PDP) 55 CLASSIFICAÇÃO DOS PROJETOS DE DESENVOLVIMENTO DE PRODUTO 58 DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS SUSTENTÁVEIS (DPS) 59 O MODELO TRIPLE BOTTOM LINE 61 ATIVIDADE PROPOSTA 64 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 64 APRENDA MAIS 65 REFERÊNCIAS 65 AULA 5: GESTÃO DE PRODUTOS: A PERSPECTIVA SUSTENTÁVEL 67 INTRODUÇÃO 67 GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA CONTEÚDO 68 INTRODUÇÃO 68 GESTÃO DE PRODUTOS: CONCEITOS PRELIMINARES 69 AS INTERFACES DA GESTÃO DE PRODUTOS COM OUTRAS ÁREAS DA EMPRESA 71 GESTÃO DE PRODUTOS SUSTENTÁVEIS 73 DIRETRIZES DA GESTÃO DE PRODUTOS SUSTENTÁVEIS 74 AVALIAÇÃO DO CICLO DE VIDA (ACV) 74 PRODUÇÃO MAIS LIMPA 75 LOGÍSTICA REVERSA 76 3 R – REDUZIR, REUSAR, RECICLAR 77 ATIVIDADE PROPOSTA 78 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 79 APRENDA MAIS 80 REFERÊNCIAS 80 AULA 6: ECODESIGN - O DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS SUSTENTÁVEIS 82 INTRODUÇÃO 82 CONTEÚDO 83 INTRODUÇÃO 83 ECOLOGIA INDUSTRIAL 84 O CONCEITO DE ECODESIGN 87 ETAPAS DE UM PROJETO DE ECODESIGN 89 ATIVIDADE PROPOSTA 95 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 95 APRENDA MAIS 96 REFERÊNCIAS 96 AULA 7: BRANDING DE SUSTENTABILIDADE 98 INTRODUÇÃO 98 CONTEÚDO 98 INTRODUÇÃO 98 MARCA 100 BRAND EQUITY 103 BRANDING 105 BRANDING DE SUSTENTABILIDADE 106 GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA ATIVIDADE PROPOSTA 109 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 110 REFERÊNCIAS 111 AULA 8: POSICIONAMENTO, EMBALAGEM E ROTULAGEM DE PRODUTOS SUSTENTÁVEIS 112 INTRODUÇÃO 112 CONTEÚDO 112 INTRODUÇÃO 112 POSICIONAMENTO COMPETITIVO 113 POSICIONAMENTO COMPETITIVO SUSTENTÁVEL 115 EMBALAGEM 116 EMBALAGEM SUSTENTÁVEL 118 ROTULAGEM 121 ROTULAGEM AMBIENTAL 122 ATIVIDADES 126 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 126 APRENDA MAIS 127 REFERÊNCIAS 127 BIBLIOGRAFIA 129 CHAVES DE RESPOSTA 130 ATIVIDADE PROPOSTA 130 AULA 2 130 ATIVIDADE PROPOSTA 130 AULA 3 131 ATIVIDADE PROPOSTA 131 AULA 4 131 ATIVIDADE PROPOSTA 131 AULA 5 132 ATIVIDADE PROPOSTA 132 AULA 6 132 ATIVIDADE PROPOSTA 132 AULA 7 132 ATIVIDADE PROPOSTA 132 GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA AULA 8 133 ATIVIDADE PROPOSTA 133 APRESENTAÇÃO DO CONTEUDISTA 134 GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA APRESENTAÇÃO Gestão de produtos e marcas sustentáveis No decorrer da evolução social, cultural, política e econômica da sociedade, pouco destaque foi dado às responsabilidades coletiva e individual quanto à preservação da qualidade de vida do homem e dos recursos naturais. Durante a segunda metade do século XX, impulsionados por notícias alarmantes sobre fenômenos como o aquecimento global, a intensificação de ocorrências climáticas extremas e a escassez da água, esses temas emergiram definitivamente na agenda global. Diante desse cenário, a pressão social por mudanças cresceu absurdamente. Aos poucos, os consumidores passaram a demandar produtos – tanto bens quanto serviços – que estivessem em conformidade com a lógica do termo SUSTENTABILIDADE. A atividade de marketing foi uma das principais ações afetadas por esse novo padrão de pensamento. Para atender a esses desafios tão presentes em nosso cotidiano, esta disciplina ressalta a necessidade de estimular as organizações bem como os consumidores a agirem com mais responsabilidade socioambiental, assumindo esse novo posicionamento em favor do desenvolvimento sustentável. Sendo assim, esta disciplina tem como objetivos: Definir desenvolvimento, produto e marca sustentáveis; Reconhecer o novo papel do gestor de produtos no paradigma do desenvolvimento sustentável; Criar um plano de gestão e de desenvolvimento de produto sustentável. Ementas Aula 1: Marketing 3.0 Nesta aula, estudaremos os fundamentos da evolução do marketing, desde seu surgimento, na década de 1950, até os dias atuais. Nesse sentido, abordaremos as GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA orientações do marketing clássico, dentre as quais podemos ressaltar aquelas voltadas para o produto e para as vendas. Por fim, explicaremos a recente teoria do Marketing 3.0 bem como suas implicações no contexto da gestão de produtos e marcas sustentáveis. Aula 2: Responsabilidade social Nesta aula, definiremos os conceitos de responsabilidade social e de desenvolvimento sustentável. Em seguida, explicaremos os diversos fenômenos que contribuíram para o surgimento e a ascensão desses termos, apontando os vários domínios que os constituem – tais como o ético, o econômico e o legal. Por fim, analisaremos a noção de empresa sustentável e suas implicações no contexto do Marketing 3.0. Aula 3: Gestão da sustentabilidade Nesta aula, definiremos os conceitos de gestão da sustentabilidade, cocriação e de consumo colaborativo. Tais noções são fundamentais para compreender como e por que as empresas têm-se empenhado em mudar a lógica da relação com seus stakeholders. Além disso, aprenderemos que, na era do desenvolvimento sustentável, tanto a produção quanto o consumo precisam ser mais eficientes e gerar menos impactos socioambientais. Aula 4: Desenvolvimento de produtos Nesta aula, abordaremos o processo de desenvolvimento de produtos. Ao estudarmos sua evolução, observaremos que, antes, esse processo se concentrava nas empresas e dava prioridade a variáveis como o custo e o retorno sobre investimento. Mas, atualmente, o desenvolvimento de produtos tende a seguir o pensamento sustentável, no qual tais variáveis clássicas convivem com novas abordagens, tais como o impacto socioambiental, a reusabilidade e o consumo responsável. Aula 5: Gestão de produtos Nesta aula, definiremos o conceito de gestão de produtos e identificaremos seu papel na era do desenvolvimento sustentável. Em seguida, abordaremos questões como a nova perspectiva do ciclo de vida para produtos sustentáveis, a importância da implementação de uma políticade produção mais limpa, a necessidade do investimento em logística reversa e, por fim, o monitoramento do desempenho ambiental das empresas. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Aula 6: Ecodesign – produtos sustentáveis Nesta aula, definiremos o conceito de ecodesign – fruto da filosofia do desenvolvimento de produtos sustentáveis. Primeiro, trataremos das etapas do projeto baseado nessa noção, que correspondem ao planejamento, à análise e à definição de estratégias, ao desenvolvimento, ao detalhamento, à produção, à comercialização e à avaliação de resultados. Em seguida, identificaremos os benefícios do ecodesign, tais como os ganhos ambientais e de imagem. Aula 7: Branding de sustentabilidade Nesta aula, definiremos o conceito de branding e identificaremos a importância dessa atividade para a construção das marcas de empresas. Para dar conta desse estudo, explicaremos a nova abordagem dessa noção no contexto do desenvolvimento sustentável – aquela que envolve desafios como o ganho de competitividade, o foco na interação com o cliente, a credibilidade, a cocriação de valores e o alinhamento entre discurso e prática de sustentabilidade. Aula 8: Posicionamento, embalagem e rotulagem Nesta aula, definiremos o conceito de posicionamento e apontaremos sua relação com o branding, discutindo sobre como essa noção tem sido abordada na era da sustentabilidade. Além disso, explicaremos os processos de desenvolvimento da embalagem e da rotulagem de produtos sustentáveis, incluindo temas como o uso de material sustentável e os aspectos da rotulagem ambiental. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Aula 1: Marketing 3.0 Introdução “Se negligenciarmos a sustentabilidade, voltaremos à era de escassez. Se não fizermos o que é certo, entraremos na era do desmarketing” – (PHILIP KOTLER). Observe como esta citação de Kotler vai ao encontro de uma das mais prementes preocupações do homem contemporâneo: o iminente risco de um colapso das condições de vida no planeta. Você certamente já leu, assistiu ou escutou temas como a escassez de água, a excessiva emissão de gás carbônico na atmosfera ou a degradação das condições de vida em países pobres. O meio corporativo tem sido pressionado para assumir uma posição mais ativa e mais responsável nestas questões. E é neste contexto que emerge uma nova filosofia de marketing capaz de abarcar estas demandas: é o Marketing 3.0, que será focalizado nesta primeira aula da disciplina Gestão de Desenvolvimento de Produtos e Marcas Sustentáveis. Objetivos: Definir Marketing 3.0. Explicar a evolução do marketing, desde seu início até os dias atuais. Organizar as premissas que circundam o conceito de Marketing 3.0. Conteúdo Introdução Em algum momento, você já refletiu sobre seu comportamento como consumidor há uma década? Para quem está na casa dos 40 anos de idade ou mais, proponho a mesma reflexão considerando um passado mais distante, de 20 anos atrás ou mais. Será que sua GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA forma de se relacionar com produtos, marcas e empresas mudou? Será que as empresas mantêm o mesmo tratamento com seus clientes? Desde seu início, nos idos da década de 1950, quando foram publicados os primeiros estudos acadêmicos sobre o tema, o marketing tem sofrido transformações que acompanharam a dinâmica célere da economia em escala internacional. Mesmo em um cenário no qual coexistiam as ideologias socialista e capitalista, que dividiam o mundo em dois grandes blocos oponentes entre si, o marketing avançou em largos passos. Estas transformações acompanharam não apenas os movimentos dos diversos setores produtivos mundo afora. O principal motor destas transformações tem sido o stakeholder primário de qualquer organização: o cliente. Hoje, qualquer profissional ou autor de marketing professará com segurança que o cliente é o centro de qualquer negócio. Provavelmente, você pensará (com razão) que este tipo de frase se tornou um lugar comum não apenas no marketing, mas no vocabulário de gestão empresarial. Porém, por incrível que pareça, a história nem sempre foi assim. Nos próximos slides, vamos entender resumidamente como ocorreu a evolução do conceito de marketing. Esta compreensão é fundamental para contextualizar a relação entre marketing e produtos sustentáveis, conforme estudaremos no decorrer desta disciplina. Marketing 1.0: a visão clássica Na lógica atual da competitividade, seria impensável considerar uma empresa que sobrevivesse e lucrasse com foco exclusivo na produção em detrimento do esforço em compreender os clientes que comprarão este produto. Tente imaginar, por exemplo, uma GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA montadora que fabrique e venda apenas um modelo de carro e em uma única cor. Como cliente, será que você aceitaria este tipo de imposição? De forma resumida, podemos destacar três orientações que compõem o cenário da chamada visão clássica do marketing: a orientação para produção, a orientação para o produto e a orientação para vendas. Essas orientações não devem ser entendidas como “extintas” ou “ultrapassadas”, pois há empresas que ainda fazem uso delas. A seguir, vamos compreender o contexto de cada uma dessas orientações. A orientação para produção se apoia na tríade alta eficiência de produção, baixos custos e distribuição massificada (KOTLER; KELLER, 2012). Hoje, a China pode ser apontada como um exemplo de mercado no qual esta orientação é visível, pois os custos de produção e de distribuição são drasticamente reduzidos com a enorme disponibilidade de mão de obra barata. A orientação para o produto conduz a empresa a concentrar seus esforços no desenvolvimento de produtos com superioridade nos diferenciais. Ofertar um produto de alto desempenho é uma opção estratégica promissora. Por outro lado, a empresa deve ficar atenta para não focar excessivamente no produto em detrimento da sua relação com o cliente, assim como em detrimento das variáveis que cercam este produto (tais como precificação, comunicação e distribuição). Finalmente, a orientação para vendas se fundamenta em ações agressivas e altamente persuasivas para transacionar produtos. É comum que o cliente seja abordado de forma invasiva e que o vendedor aja com impetuosidade. Este tipo de ação é de alto risco, pois o cliente pode se sentir coagido e constrangido. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Esta visão clássica do marketing, por meio das três orientações aqui explicadas, está focalizada em gerar demanda para os produtos de uma empresa. Observe que tanto no aspecto teórico quanto na aplicação prática, esta visão clássica está fortemente sustentada no histórico modelo dos quatro Ps criado por Jerome McCarthy na década de 1960: desenvolva um produto, determine um preço, faça a promoção e coloque-o no ponto de venda (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2010). Mas a economia mudou, a sociedade mudou, o mercado mudou, as empresas mudaram. E a teoria do marketing, certamente, também precisou mudar, conforme veremos agora. Marketing 2.0: o cliente no centro Se a visão clássica do marketing estava centrada nos processos e nos produtos da empresa, a década de 1970 subverteu esta lógica. Desse momento em diante, as empresas precisaram olhar para fora dos seus muros, o que propiciou uma nova filosofia de relacionamento com seus mercados consumidores. Mas, você provavelmente poderá fazer o seguinte questionamento: o que fez as empresas mudarem sua perspectiva, ou seja, deslocar seu foco do produto para o cliente? Para Kotler, Kartajaya e Setiawan (2010), os seguintes fatos históricos propiciaram esta migraçãodo Marketing 1.0 para o Marketing 2.0: o abalo econômico deflagrado pela crise do petróleo, atingindo especialmente a economia ocidental; a emergência de uma nova economia pujante nos países asiáticos, com especial destaque ao Japão, na década de 1980, obrigando as empresas a compreender estes novos mercados; GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA a retração da demanda na economia ocidental, obrigando as empresas a se tornarem mais eficientes e mais competitivas para conquistar consumidores mais seletivos em suas escolhas; a commoditização dos produtos, ou seja, a diminuição na percepção de diferenciais entre os produtos concorrentes; a mudança do comportamento do consumidor, cada vez mais atento, mais ativo e mais consciente de seus direitos. Este quadro fomentou a criação de um novo paradigma que cunhou a era do Marketing 2.0: o foco nas necessidades do cliente. Isso representou uma mudança na lógica dos negócios: em vez de encontrar os clientes certos para um produto, a ordem agora é criar os produtos certos para o cliente. Na esteira destas mudanças, as empresas também precisaram aprender a customizar produtos para seus clientes. Esta foi outra virada dramática na relação entre empresas e clientes. Antes, no Marketing 1.0, a produção era padronizada, massificada e, em muitos casos, inflexível. No Marketing 2.0, a produção precisou se equilibrar entre a padronização e a personalização, tanto para os bens quanto para os serviços. Na matéria intitulada “A customização da indústria: um item de cada vez”, a publicação da revista on-line Exame (Editora Abril) analisou casos recentes deste fenômeno. Você poderá observar na prática como a lógica da customização está fortemente presente nas empresas atualmente. Leia o seguinte trecho para compreender melhor: Um número cada vez maior de empresas oferece a seus clientes a possibilidade de criar itens exclusivos. É uma mudança histórica. Desde que a Ford lançou seu primeiro automóvel, no início do século 20, as empresas privilegiam a produção em série. Quanto maior for a escala e menor a variedade, melhor. A lógica de produção continua a mesma desde então: é a fábrica que define o que as pessoas vão comprar. A Dell foi uma das primeiras a inverter o jogo ao permitir, nos anos 90, que seus clientes configurassem os computadores. Mas apenas agora o avanço da tecnologia possibilita a produção de itens exclusivos a custos razoáveis em diversos mercados. Com máquinas inteligentes e sistemas de produção digitais, a mesma fábrica consegue fazer milhares de produtos diferentes. A mudança cultural também joga GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA a favor da customização. As novas gerações cresceram acostumadas a poder fazer escolhas. Os smartphones são o maior exemplo: seus aplicativos permitem que cada pessoa crie o próprio celular. É improvável que existam dois aparelhos iguais em todo o mundo. “Os novos consumidores querem ter a mesma liberdade de escolha em todas as suas compras. E as empresas precisam se adaptar”, diz Miguel Duarte, sócio da consultoria de inovação Strategos. A customização tem uma vantagem óbvia: os consumidores aceitam pagar mais por produtos sob medida. A Coca-Cola instalou 1 700 máquinas de refrigerante em restaurantes e cinemas dos Estados Unidos que oferecem 100 combinações de sabores. Com elas, os refrigerantes custam 30% mais do que nas máquinas tradicionais. (EXAME.COM. Disponível em <http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1021/noticias/um-item- de-cada-vez>.) Observe que as premissas apontadas anteriormente (necessidades dos clientes, produtos certos para o cliente e customização, entre outras) são adotadas tanto por empresas que fabricam bens quanto por aquelas que produzem serviços. Vamos analisar o trecho desta outra matéria intitulada “Google lança serviço de busca com resultados personalizados”, da publicação da revista on-line Exame (Editora Abril): A função "Search plus Your World" (busque mais seu mundo, em uma tradução literal) foi apresentada como uma mudança importante pelo site líder no serviço de buscas na internet. ‘Há uma enorme quantidade de conteúdo na web hoje em dia mas, em certo momento, este conteúdo não tem nome, nem rosto’, disse à AFP Ben Gomes, do Google. ‘O conteúdo mais relevante é das pessoas que a gente conhece, razão pela qual estamos introduzindo as buscas em seu mundo pessoal’, acrescentou. As pessoas com contas no Google poderão fazer com que o motor de busca inclua nos resultados conteúdo aprovado por elas para ser compartilhado com amigos no Google+ ou no Picasa. (EXAME.COM. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/google-lanca-servico-de-busca- com-resultados-personalizados?page=1>). Com as relações de consumo cada vez mais personalizadas, o marketing novamente vivenciou uma transformação. Atender às necessidades do cliente e customizar a oferta para se mostraram insuficientes em uma sociedade cada vez mais crítica e mais cética. E como o marketing hoje tenta acompanhar esta nova revolução? É isto que estudaremos a seguir. Marketing 3.0: humanização e sustentabilidade Antes de explorar o conceito de Marketing 3.0, é preciso compreender os acontecimentos que suscitaram sua construção. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA A década de 1990 e o início da década de 2000 foram marcados pela consolidação do pensamento one to one (um a um), segundo o qual as empresas devem se relacionar com seus clientes de forma personalizada. Conforme estudamos no Marketing 2.0, a customização é um dos pontos altos deste fenômeno. Entretanto, mais uma vez o comportamento do consumidor se transformou. O problema não está na lógica da personalização e da customização (que se mantiveram), e sim na sequência de fatos que compuseram o quadro macroambiental e que geraram impactos globais. Vamos nos empenhar para conhecer e compreender alguns destes fatos. Crise norte-americana – o estouro da bolha imobiliária e a falência de grandes corporações como o Lehman Brothers marcaram duramente a década de 2000, deflagrando crises econômicas, política e de confiança não apenas em território norte- americano, mas em todo o globo. Crise nos países da União Europeia – o alto grau de endividamento público e as dificuldades de gestão na condução desta crise também abalaram os países da chamada zona do euro. Aumento da pressão por políticas empresariais mais responsáveis – o consumidor do século XXI, cada vez mais crítico e mais enérgico, reivindica das empresas uma postura mais ativa e mais responsável com relação às questões sociais e ambientais. Consumidores conectados e com voz ativa – o boom das soluções de conectividade, com especial destaque aos dispositivos móveis (tablets e smartphones) e aos aplicativos da web (redes sociais, games interativos, mensagens instantâneas), propiciaram a geração e o compartilhamento de informações em uma escala jamais vista na história da humanidade. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Crescente protagonismo dos países em desenvolvimento – as crises norte- americana e europeia convivem com a emergência e a pujança dos países em desenvolvimento, principalmente aqueles que pertencem ao bloco (BRIC) (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o que tem deslocado investimentos para estes mercados, assim como a necessidade de estudar em profundidade seus consumidores. Vamos observar na prática como estes fatos têm desenhado o novo consumidor do século XXI. O seguinte trecho da matéria intitulada “Novo consumidor prestigia ética e exige reinvenção do varejo, diz estudo”, da publicação da revista on-line Exame (Editora Abril), mostra uma boa noção deste novo contexto: Aspesquisas apontam que as decisões de compra são arraigadas em princípios éticos, ambientais e da comunidade; o novo consumidor quer não apenas que a sua marca favorita compartilhe esses valores, mas ajude-o a expressá-los mais plenamente. No aspecto econômico, o consumidor europeu contemporâneo está mais cauteloso. A pesquisa revela que na Alemanha, 72% dos consumidores afirmaram que gastarão menos do que em 2010 – quadro semelhante ao da Espanha e França onde 82% e 74% dos consumidores, respectivamente, declararam a mesma intenção de reduzir gastos. Em contraste, as economias do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) revelam otimismo. Na Índia, até 2013 o varejo deve faturar US$ 833 bilhões, subindo para US$ 1,3 trilhão até 2018 [...]. (EXAME.COM. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/marketing/noticias/novo-consumidor-prestigia-etica-e- exige-reinvencao-do-varejo>). Será que você se reconhece neste cenário? Pense, por exemplo, se você já exigiu de alguma empresa uma resposta rápida e transparente a alguma solicitação. Por mais corriqueiro que isto pareça ser, ao reivindicar seu direito de ser bem atendido você assume um papel mais político como consumidor. Nesta nova lógica de relacionamento, o consumidor não atuará apenas para garantir a obtenção dos benefícios prometidos pelo produto. Gradualmente, o consumidor tem questionado as empresas e o Governo com relação às boas práticas que sejam socialmente e ambientalmente responsáveis. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA É curioso observar que este novo marketing, alcunhado por Kotler, Kartajaya e Setiawan (2010) de Marketing 3.0, desloca a visão da necessidade individual para a visão da necessidade coletiva. A lucratividade e a sobrevivência do negócio serão obtidos na medida em que os consumidores reconhecerem e valorizarem a contribuição das empresas para o bem-estar humano, “respeitando as características de cada um e dos elementos culturais, emocionais, espirituais e ambientais que têm configurado a dinâmica de mercado atual, além de determinar as atitudes e os comportamentos do consumidor contemporâneo” (SILVA; AGUIAR; FALCÃO; COSTA, 2012). Os 3 Cs do Marketing 3.0 Imagine-se no lugar de um profissional de marketing que foi desafiado a aplicar o conceito de Marketing 3.0 em seu negócio. É possível que seu primeiro questionamento seja este: “por onde devo começar?” O conhecimento dos 3 Cs do Marketing 3.0 será um bom ponto de partida. Kotler, Kartajaya e Setiawan (2010) desenvolveram este modelo para fundamentar, de forma resumida, os princípios básicos do Marketing 3.0. Vamos estudá-los na sequência. Cocriação – a criação de produtos não deve ser uma atividade isolada dentro da empresa. Pelo contrário, um novo produto ou o aperfeiçoamento de um produto existente deve ser resultado da colaboração de vários stakeholders: a empresa, o cliente, os fornecedores e os parceiros de canal. Outros stakeholders podem se integrar, tais como imprensa e órgãos governamentais. É importante que a cocriação seja uma atividade efetivamente disponibilizada e monitorada pela empresa. Ela não deve ser uma ação pontual, e sim uma diretriz cultural e estratégica do negócio. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA A internet tem sido um importante celeiro de iniciativas de cocriação de produtos. Como exemplo, analise a plataforma de cocriação do projeto Coletivo Verde - isponível em: <http://www.coletivoverde.com.br/cocriacao>. Criação de comunidades – este princípio se apoia na necessidade que as pessoas têm de pertencer e de se filiar a algum grupo. Este comportamento tem se acentuado por meio das redes sociais, nas quais os consumidores se agrupam e interagem uns com os outros. O que une os membros de um grupo (ou comunidade) é a similaridade de valores e aspirações. Para uma empresa mergulhada no Marketing 3.0, estas comunidades são fundamentais para o negócio. Quanto mais a empresa se aproximar e apoiar estas comunidades, maior será o sentimento de vínculo que os membros destas comunidades construirão com a marca e o produto. Construção de personalidade – Kotler; Kartajaya e Setiawan (2010) ressaltam que no Marketing 3.0 a empresa deve definir o DNA de sua marca por meio de uma identidade única e diferenciada. Este DNA deve estar apoiado no princípio de que a empresa vende experiências, e não apenas produtos (sejam bens ou serviços). Considere alguns dos valores que apresentamos até agora: bem-estar, colaboração, comunidades e responsabilidade, entre outros. Ao definir a personalidade da sua marca, pense em construir uma relação destes valores com os diferenciais da experiência que seu produto e/ou sua empresa pode fornecer ao consumidor. Procure focalizar além da promessa funcional básica do seu produto. Estabeleça uma forte relação entre um valor do Marketing 3.0 e um valor do seu produto e/ou da sua empresa e/ou da sua marca. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Finalizando Convidamos você a refletir sobre as oito características levantadas por Kotler entre as empresas mais admiradas do mundo. Esta lista foi publicada na HSM On-line. 1. Os interesses de todos os stakeholders são alinhados. 2. Os salários de seus executivos são relativamente modestos. 3. A alta administração adota uma política de “portas abertas”. 4. A remuneração e os benefícios de seus funcionários são elevados para a categoria. O treinamento de seus funcionários é mais longo e a rotatividade da mão de obra é menor. 5. Os funcionários são contratados quando mostram entusiasmo pelos clientes. 6. Os fornecedores são considerados parceiros legítimos, que colaboram para melhorar a produtividade, melhorar a qualidade e reduzir os custos. 7. A cultura corporativa é seu maior ativo e sua principal fonte é a vantagem competitiva. 8. Os custos de marketing são muito menores que os de outras empresas do setor e, ao mesmo tempo, a satisfação e a retenção de clientes são muito maiores. Pare saber mais: "Kotler: uma visão humanizada do marketing e dos negócios". HSM On- line. Disponível em: <http://www.hsm.com.br/artigos/kotler-uma-visao-humanizada-do- marketing-e-dos-negocios>. Estas oito características estão em conformidade com o conceito de Marketing 3.0? O que você pensa? Invista tempo para refletir sobre isso. Atividade proposta “Vivemos a era da participação e da sociedade criativa. Para as empresas, isso significa estar mais próximas de seus clientes, trabalhando de maneira unida com eles, pois os consumidores ajudarão as corporações a criarem seus novos produtos e iniciativas de marketing. É o conceito da cocriação” (PHILIP KOTLER). GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Fonte: Philip Kotler propõe às empresas o conceito do marketing 3.0. Exame. São Paulo: Abril, 2010. Disponível em <http://exame.abril.com.br/marketing/noticias/philip-kotler- propoe-as-empresas-o-conceito-do-marketing-3-0>. Acesso em: 10 jun. 2013. Conforme estudamos nesta Aula 1: o Marketing 3.0 aprofunda a importância do vínculo entre empresas e clientes, conferindo-lhe importância ímpar. O conceito de cocriação, defendido por Kotler na citação acima, é um claro sinal desta postura. Coloque-se no lugar de um profissional de marketing. Quais ações você executaria para propiciar a atuação de seus clientes como cocriadores? Exercícios de fixação Questão 1: A clássica visão dos 4 Ps de Jerome McCarthy está fundamentada na seguinte filosofia: a) ( ) Identifique um produto, reduza o preço, espalhe a promoção e virtualize o ponto de venda. b) ( ) Diferencie o produto, aumente o preço, faça a promoção e pulverize o ponto de venda. c) ( ) Agregue valor ao produto, flexibilize o preço, reduza a promoção e coloque-o no ponto de venda.d) ( ) Desenvolva um produto, determine um preço, faça a promoção e coloque-o no ponto de venda. e) ( ) Elimine um produto, reduza o preço, faça a promoção e terceirize o ponto de venda. Questão 2: O Marketing 2.0 foi deflagrado pelos seguintes fatores, EXCETO: a) ( ) O abalo econômico deflagrado pela crise do petróleo, atingindo especialmente a economia ocidental. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA b) ( ) A emergência de uma nova economia pujante nos países asiáticos, com especial destaque ao Japão, na década de 1980, obrigando as empresas a compreender estes novos mercados. c) ( ) A retração da demanda na economia ocidental, obrigando as empresas a se tornarem mais eficientes e mais competitivas para conquistar consumidores mais seletivos em suas escolhas. d) ( ) A commoditização dos produtos, ou seja, a diminuição na percepção de diferenciais entre os produtos concorrentes. e) ( ) O repentino aumento da demanda de consumo, com especial destaque aos Estados Unidos e aos países europeus da zona do euro. Questão 3: A filosofia do Marketing 3.0 está fundamentada nas seguintes premissas: a) ( ) Foco na lucratividade e foco na retenção de clientes. b) ( ) Humanização nas relações e responsabilidade socioambiental. c) ( ) Distribuição personalizada dos produtos e hipervirtualização. d) ( ) Gestão colaborativa e redução dos custos de marketing. e) ( ) Cultura de resultados e foco nos recursos humanos. Questão 4: Os três princípios básicos do Marketing 3.0 são: a) ( ) Retenção de clientes, nichos de mercado e branding. b) ( ) Diferenciação, qualidade e custos reduzidos. c) ( ) Experiência diferenciada, responsabilidade socioambiental e resultados. d) ( ) Cocriação, criação de comunidades e construção de personalidade. e) ( ) Bem-estar coletivo, reciclagem e redes sociais. Aprenda mais Assista ao vídeo com a matéria jornalística sobre o conceito de pegada ecológica, do programa Cidades e Soluções, da emissora Globo News, disponível em nossa galeria de vídeos. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Referências HSM ON-LINE. Kotler: Uma visão humanizada do marketing e dos negócios. HSM Management. São Paulo: HSM, 2010. Disponível em: <http://www.hsm.com.br/artigos/kotler-uma-visao-humanizada-do-marketing-e-dos- negocios>. Acesso em: 10 jun. 2013. KOTLER, P.; KARTAJAYA, H.; SETIAWAN, I. Marketing 3.0: From Products to Customers to the Human Spirit. New Jersey: Wiley, 2010. KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de Marketing. São Paulo: Pearson, 2012. SILVA, M. E et al. A perspectiva responsável do Marketing e o consumo consciente: uma interação necessária entre a empresa e o consumidor. Organizações em contexto, São Bernardo, ano 8, n. 16, 2012. Disponível em: <https://www.metodista.br/revistas/revistas-metodista/index.php/OC/article/view/2989>. Acesso em 10 jun. 2013. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Aula 2: Responsabilidade social e desenvolvimento sustentável Introdução “Em um futuro próximo, apenas as empresas que determinarem a sustentabilidade como um objetivo conquistarão vantagem competitiva. Isto implica em repensar os modelos de negócios, assim como os produtos, as tecnologias e os processos” (NIDUMOLU, PRAHALAD e RANGASWAMI). O crescimento econômico tem sido, historicamente, a mais importante pauta das nações. A lógica do enriquecimento atinge tanto a esfera coletiva quanto a individual. Porém, hoje a sociedade tem questionado com mais intensidade os efeitos do enriquecimento “sob qualquer custo”. Crescer e enriquecer trazem efeitos colaterais, tais como a exploração descontrolada dos recursos naturais, a geração excessiva de lixo e a criação de uma cultura que prioriza o ter em detrimento do ser. Quando se trata dos países em desenvolvimento, o quadro pode ser mais dramático. Ali, podemos carregar nas tintas da desigualdade social, da exploração da mão de obra barata e dos conflitos sociais. Este cenário tem estimulado a sociedade a cobrar uma postura dos governos e das empresas no sentido de tratar estes assuntos com maior senso de urgência. Aos poucos, uma nova lógica tem conquistado força e voz: a lógica da responsabilidade social e do desenvolvimento sustentável. Mas, o que significa ser responsável socialmente? E se desenvolver sustentavelmente? Como a atividade do marketing se relaciona com estas questões? Estes são os assuntos desta aula. Objetivos: GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Definir responsabilidade social. Definir desenvolvimento sustentável. Analisar o Marketing 3.0, responsabilidade social e desenvolvimento sustentável. Conteúdo Introdução Em alguma ocasião você já se perguntou sobre as consequências das ações que você executa em seu cotidiano? Podemos pensar em uma ação banal e corriqueira, como manter a torneira aberta enquanto você escova os dentes. Também podemos pensar em uma ação mais complexa, como decidir entre demitir ou não demitir um funcionário que está sob sua gestão. Em ambos os casos, independente do grau de complexidade, sua decisão vai criar impacto sobre outras pessoas. Se você mantiver sua torneira aberta todos os dias enquanto escova os dentes, quantos litros de água você desperdiçará ao final de um mês? Esta água, se não fosse desperdiçada, resultaria em uma conta de água mais barata e no uso mais racional desse recurso que, segundo os analistas, ficará cada vez mais escasso. Sobre demitir ou não um funcionário, imagine o impacto que esta demissão causará na vida deste funcionário. Por outro lado, se o motivo da demissão for bem justificado, quais serão as consequências para a empresa ao manter um funcionário que não é adequado ao perfil daquela vaga? Como estes exemplos se relacionam com o tema desta aula? Assim como suas decisões geram impacto na sua vida e na vida de outras pessoas, falar sobre responsabilidade social e sustentabilidade é também questionar o quanto sua empresa está consciente dos impactos que as atividades do seu negócio causam sobre as pessoas. Considere também GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA os impactos que uma empresa causa sobre o ambiente natural no qual ela está inserida e do qual ela extrai diversos recursos. Se o Marketing 3.0 focaliza na humanização das relações entre empresas e clientes, a responsabilidade social e sustentabilidade são conceitos por meio dos quais as empresas poderão cumprir sua parte neste processo da conquista do bem-estar coletivo. Logo, convidamos você a explorar estes conceitos tão prementes no mundo contemporâneo. As origens da responsabilidade social É muito comum que a responsabilidade social seja fortemente associada à noção de filantropia. Esta associação ocorre, muitas vezes, por causa das aplicações equivocadas que as próprias empresas fazem do conceito de responsabilidade social. Ações de voluntariado e de doações são bem-vindas se realizadas com seriedade e com planejamento. Por outro lado, o perigo está em reduzir o conceito de responsabilidade social a estas iniciativas assistencialistas. A própria evolução da teoria da responsabilidade social contribuiu para esta visão equivocada. Um dos grandes expoentes da teoria da responsabilidade social é o autor Archie Carroll que, em 1979, escreveu um famoso artigo no qual apresentou a conhecida pirâmide da responsabilidade social. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Figura 2.1 Fonte: adaptado de BARBIERI; CAJAZEIRA (2012), sobre original de CARROLL (1991) Observe como esta pirâmide ressalta, no topo, a presença da filantropia. Anos mais tarde, o próprio Carroll reviu este modelo teórico e realizou a seguinteautocrítica: da forma como se apresentava, aquela pirâmide sugeria uma relação hierárquica entre as quatro responsabilidades, como se a base fosse menos importante do que o topo. Além disso, Carroll também observou que aquela pirâmide sugeria a filantropia como a “mais importante” dimensão da responsabilidade social. Em 2003, Carroll apresentou uma nova proposta de modelo teórico da responsabilidade social. Dentre as mudanças, destacam-se a retirada da dimensão filantrópica e o estabelecimento de três domínios: o domínio econômico, o domínio ético e o domínio legal. Figura 2.2 Fonte: adaptado de Barbieri; Cajazeira (2012), sobre original de Schwartz; Carroll (2003) Segundo Barbieri e Cajazeira (2012), estes três domínios podem ser entendidos da seguinte forma: GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Domínio econômico – envolve atividades que geram impacto econômico favorável para a empresa. Estes impactos podem ser diretos (incremento de vendas e prevenção de ações de litígio) e indiretos (melhoria na imagem da empresa e elevação da motivação dos funcionários). Domínio legal – São as “respostas dadas pela empresa com relação às normas e princípios legais” (BARBIERI; CAJAZEIRA, 2012, p. 57). Neste domínio, a empresa deve zelar constantemente pelo cumprimento das leis. Como exemplos, podemos citar a descontinuação de produtos perigosos ou nocivos ao meio ambiente e a aplicação correta da legislação trabalhista com seus funcionários. Domínio ético – compreende as obrigações da empresa para que mantenham a relação transparente e a conduta ética com seus diversos stakeholders. Em palavras mais simples, é agir corretamente em prol do bem-estar de todos. Este novo modelo proposto por Carroll propicia que uma empresa dê mais ênfase a um dos três domínios da responsabilidade social, conforme a figura a seguir. Figura 2.3 GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Fonte: adaptado de BARBIERI; CAJAZEIRA (2012), sobre original de SCHWARTZ; CARROLL (2003) Por outro lado, o ideal é que a empresa adote o seguinte perfil de responsabilidade social, no qual os três domínios atuam de forma equilibrada. Figura 2.4 Fonte: adaptado de BARBIERI; CAJAZEIRA (2012), sobre original de SCHWARTZ; CARROLL (2003) Conceito de responsabilidade social Existem várias definições para o conceito de responsabilidade social. Para fins didáticos, vamos nos concentrar nas duas seguintes contribuições, citadas por Barbieri e Cajazeira (2012): Instituto Ethos – “[...] é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos socioambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais”. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA International Organization for Standardization (ISO) – “[...] responsabilidade de uma organização pelos impactos de suas decisões e atividades na sociedade e no meio ambiente, por meio de um comportamento ético e transparente que: contribua para o desenvolvimento sustentável [...]; leve em consideração as expectativas das partes interessadas; esteja em conformidade com a legislação aplicável e seja consistente com as normas internacionais de comportamento; esteja integrada em toda a organização e seja praticada em suas relações”. Por meio destas definições, você já deve ter observado a forte presença do termo desenvolvimento sustentável, o que nos leva a inferir que estes dois termos – responsabilidade social e sustenbalidade – são íntimos e complementares. Portanto, vamos nos dedicar agora à compreensão do termo desenvolvimento sustentável. Desenvolvimento sustentável Você sabia que o termo desenvolvimento sustentável tem suas origens no século XIX? Apesar de muitos pensarem que este termo é muito recente, as raízes de sua filosofia já haviam sido expostas no acelerado processo de industrialização dos países desenvolvidos naquela época. Cientistas e artistas foram os pioneiros na criação de movimentos em prol da preservação das áreas protegidas da ação humana, propiciando as origens da lógica preservacionista. Nos Estados Unidos, por exemplo, “o Parque Nacional de Yellowstone [...] é considerado a primeira dessas áreas e marco importante do movimento ambientalista” (BARBIERI; CAJAZEIRA; 2012, p. 63). Mais à frente, já na década de 1970 em diante, a Organização das Nações Unidas (ONU) promoveu diversos eventos nos quais o tema principal foi a crise socioambiental deflagrada e aumentada pelo acelerado processo de industrialização, em escala global. Em nome do crescimento econômico e da manutenção do conforto propiciado por diversas GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA novas tecnologias, os recursos naturais foram explorados de forma desordenada e descontrolada. Três eventos da ONU fomentaram o surgimento oficial do termo desenvolvimento sustentável: a Assembleia da ONU (1986), a divulgação do Relatório Brundtland (1987) e a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente de Desenvolvimento (1992), sendo esta última sediada na cidade do Rio de Janeiro e mais conhecida como Eco 92. Para a ONU, desenvolvimento sustentável é “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades” (BARBIERI; CAJAZEIRA, 2012, p. 64) Em outras palavras, o desenvolvimento sustentável é promover o avanço das conquistas humanas, em suas diversas dimensões, por meio da utilização racional, responsável e repositora dos recursos naturais e humanos. Existem duas dimensões de pacto: o intrageracional, que é o pacto realizado pelos membros da geração atual com foco nas necessidades atuais, e o intergeracional, que é o pacto realizado pelos membros da geração atual com foco na manutenção dos recursos para as gerações futuras. Além dos pactos geracionais, existe também a necessidade do pacto internacional, no qual todos os países precisam estar alinhados e devem assumir o compromisso de seguir os princípios do desenvolvimento sustentável, utilizando inclusive os recursos legais cabíveis para se garantir o cumprimento deste pacto. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA As dimensões da sustentabilidade: o modelo de Sachs Se você precisasse ordenar os pressupostos do desenvolvimento sustentável para aplica- los em sua empresa, é provável que uma certa sensação de insegurança viesse à sua mente. Afinal, são vários os aspectos que devem ser considerados. Para facilitar esta tarefa, Barbieri e Cajazeira (2012) citam o modelo proposto pelo autor Ignacy Sachs, segundo o qual o desenvolvimento sustentável contém as seguintes cinco dimensões: 1. Dimensão social: promover a equidade na distribuição dos bens e da renda e reduzir a desigualdade nos padrões de vida das pessoas. 2. Dimensão econômica: gerir de forma eficiente os recursos da empresa. 3. Dimensão ecológica: aumentar a capacidade de carga do planeta, evitar danos ao meio ambiente e investir em recursos renováveis e/ou recicláveis. 4. Dimensão espacial: equilibrar o assentamento urbano com o assentamento rural; 5. Dimensão cultural: respeitar a diversidade humana e as especificidades de cada ecossistema humano, em prol do bem-estar coletivo. A empresa sustentável no Marketing 3.0 Vamos à reta final desta aula. Agora, nosso desafio é integrar os conceitos de responsabilidade social e desenvolvimento sustentável e de Marketing 3.0. Você estudou que uma empresa socialmente responsável deve terclareza dos impactos que seu negócio causa à sociedade e ao meio ambiente. Esta mesma empresa, para seguir o conceito de desenvolvimento sustentável, deve produzir bens e/ou serviços por meio da utilização racional e cuidadosa dos recursos naturais e humanos, de forma que não comprometa estes recursos para as gerações futuras. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Nesta perspectiva, “da confluência destes dois movimentos, o da responsabilidade social e do desenvolvimento sustentável, surge o conceito de empresa sustentável” (BARBIERI; CAJAZEIRA, 2012, p. 69). Logo, uma empresa sustentável é aquela que observa e segue as boas práticas de responsabilidade social e de desenvolvimento sustentável. Em termos práticos, pense em uma empresa que: respeita seus funcionários; interage com as comunidades do entorno; respeita os direitos do seu cliente; respeita as leis, os regulamentos e os contratos; respeita os limites ambientais e dos recursos naturais; em última instância, está focalizada na manutenção das condições de vida no planeta e no bem-estar coletivo da geração atual e das gerações futuras. Em outras palavras, a empresa sustentável “preza pela necessidade do crescimento ocorrer de forma sensata, assegurando que os benefícios do desenvolvimento sejam duradouros e não comprometam as necessidades das gerações futuras. Ele prioriza a qualidade e não a quantidade, com a redução da utilização de matérias-primas e produtos e o aumento da reutilização e reciclagem” (LIMA et al., 2009). E quanto ao Marketing 3.0? A conclusão é relativamente simples. Empresas socialmente responsáveis e engajadas com o desenvolvimento sustentável são aquelas que atuam sob a perspectiva do Marketing 3.0. Você se lembra dos princípios gerais do Marketing 3.0 que estudamos na aula anterior? Valores como humanização, sustentabilidade, comunidades, criação colaborativa e bem- GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA estar coletivo estão ali, fortemente presentes. O Marketing 3.0 representa mais uma etapa evolutiva do percurso histórico da teoria do marketing. O Marketing 3.0 é, afinal, um reflexo dos movimentos da responsabilidade social e do desenvolvimento sustentável. Estes movimentos propiciaram (e até mesmo “forçaram”) esta mudança paradigmática do marketing. Uma empresa sustentável não deve estar focalizada na produção, nem no produto, nem na venda, nem na satisfação individual do cliente. Uma empresa sustentável deve estar focalizada no bem-estar coletivo, nas boas práticas (em suas diversas dimensões) e na salvaguarda dos recursos naturais e humanos. Para finalizar esta aula, convido você a ler o seguinte trecho da matéria “Façam o que faço em sustentabilidade”, da publicação Exame (Editora Abril): É cada vez mais comum que empresas criem padrões inflexíveis de conduta social e ambiental para banir fornecedores que não as cumprem. [...] Empresas como a fabricante de artigos esportivos Nike e as três maiores redes de supermercados do Brasil - Walmart, Pão de Açúcar e Carrefour - se uniram no início deste ano para deixar de comprar couro e carne de fornecedores de gado criado em áreas desmatadas da floresta Amazônica. Para muitas empresas, as boas práticas socioambientais não devem ser guardadas como um segredo interno - e sim disseminadas. [...] Desde 2006, o Bradesco organiza encontros semestrais com alguns de seus principais fornecedores para debater assuntos relacionados à sustentabilidade. Além de palestras com especialistas de diversos temas, os representantes de fornecedores bem-sucedidos sobem ao palco para dividir suas experiências. Atividade proposta No site da empresa Ypê, visite o link “Sustentabilidade” no endereço <http://www.ype.ind.br/sustentabilidade/>. Escolha um dos três compromissos (ambiental, social ou econômico) ali citados e explicados. Em seguida, explique como este compromisso que você escolheu se relaciona com os princípios do Marketing 3.0. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Exercícios de fixação Questão 1: A pirâmide da responsabilidade de Carroll (1979) possui as seguintes características: a) ( ) É dividida em quatro partes, que são a filantropia, a legislação, a ética e a economia. b) ( ) É dividida em três partes, que são a ética, a economia e a legislação. c) ( ) É dividida em quatro partes, que são a ética, a preservação ambiental, a política e a economia. d) ( ) É dividida em duas partes, que são a filantropia e a ética. e) ( ) É dividida em três partes, que são a filantropia, a preservação ambiental e a ética. Questão 2: O desenvolvimento sustentável compreende dois importantes pactos geracionais, que são: a) ( ) O pacto não geracional e o pacto multigeracional. b) ( ) O pacto intergeracional e o pacto internacional. c) ( ) O pacto atual e o pacto futuro. d) ( ) O pacto transgeracional e o pacto retrogeracional. e) ( ) O pacto intrageracional e o pacto intergeracional. Questão 3: O modelo de desenvolvimento sustentável de Sachs é composto das seguintes dimensões, EXCETO: a) ( ) A dimensão social. b) ( ) A dimensão econômica. c) ( ) A dimensão ecológica. d) ( ) A dimensão regulatória. e) ( ) A dimensão espacial. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Saiba mais Assista à matéria jornalística sobre as ações de responsabilidade social da Unimed/Nordeste, disponível em nossa galeria de vídeos. Referências BARBIERI, J. C.; CAJAZEIRA, J. E. R. Responsabilidade social empresarial e empresa sustentável – da teoria à prática. São Paulo: Saraiva, 2012. KOTLER, P.; KARTAJAYA, H.; SETIAWAN, I. Marketing 3.0: From Products to Customers to the Human Spirit. New Jersey: Wiley, 2010. LIMA, A. P.; ROCHA, F. M.; TREINTA, F. T.; LIMA, G. S. A. Implementação do conceito de triple bottom line em empresa de pequeno porte. In: V CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO - GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A SUSTENTABILIDADE. Niterói: UFF, 2009. Disponível em: <http://www.excelenciaemgestao.org/Portals/2/documents/cneg5/anais/T8_0164_0780.p df>. Acesso em: 10 jun. 2013. NIDUMOLU, R.; PRAHALAD, C.K.; RANGASWAMI, M. R. Why sustainability is now the key driver of innovation. Harvard Business Review. [S.I.] Harvard Business Review, 2009. Disponível em: <http://hbr.org/2009/09/why-sustainability-is-now-the-key-driver-of- innovation/>. Acesso em: 10 jun. 2013 GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Aula 3: Gestão da sustentabilidade, cocriação e consumo colaborativo Apresentação “As inovações são orientadas mais pelas mudanças de comportamento do que pelas mudanças tecnológicas ou mercadológicas, além de emergirem, tipicamente, de baixo para cima do que de cima para baixo” (FRANÇOIS JEGOU; EZIO MANZINI). Diante da crescente pressão por apresentar resultados vinculados a indicadores de sustentabilidade, as empresas têm estudado e investido em ações que propiciem uma nova lógica de produção e de consumo. Questões como controle ambiental, redução de impactos socioambientais e consumo responsável estão na pauta das empresas que desejarem sobreviver no longo prazo. A responsabilidade pela implementação de uma nova lógica de produção e de consumo não está mais restrita às empresas e ao Governo. O papel dos consumidores tem sido gradativamente enfatizado, pois são estes os atores que, na ponta da cadeia de valor, regulam a demanda e exercem pressão social por mudanças. Neste sentido, há dois conceitos fundamentais para se compreender este novo contexto: a cocriação de produtos e o consumo colaborativo. Se antes os papéis eram definidos e executados de forma isolada, agora empresas e stakeholders precisam se reeducar e se realinhar paraatuar de forma conjunta e compartilhada, conforme estudaremos nesta aula. Objetivos: Definir gestão da sustentabilidade. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Definir cocriação de produtos. Definir consumo colaborativo. Explicar o papel das empresas e seus stakeholders no cenário colaborativo. Conteúdo Introdução Você certamente já leu sobre os impactos socioambientais causados pelo crescimento econômico, com especial destaque aos países emergentes. Em 23 de fevereiro de 2010, foi publicada uma matéria no O Globo On-line que fazia o seguinte alerta: Países em desenvolvimento, como o Brasil, vão se defrontar com montanhas de lixo eletrônico perigoso (originários de velhos e dilapidados computadores, celulares, impressoras, TV, brinquedos etc.) e enfrentar graves problemas ambientais e de saúde, se não melhorarem a coleta e a reciclagem desse material. (Fonte: <http://oglobo.globo.com/economia/onu-alerta-para-aumento-do- lixo-eletronico-em-emergentes-3049634#ixzz2WQOroava>). Com o aumento da renda média do brasileiro e seu consequente aumento do poder de consumo, vivemos hoje uma encruzilhada: como crescer e ser sustentável ao mesmo tempo? Em uma era na qual predomina a cultura do descarte (inclusive para bens de maior valor agregado, tais como eletrônicos), as empresas precisam se confrontar com o desafio de minimizar drasticamente os impactos sociais, econômicos e ambientais causados pelo ciclo produção-consumo-descarte. Não são apenas as empresas que precisam ficar mais responsáveis e mais conscientes de seu papel na agenda do desenvolvimento sustentável. Se por um lado a produção precisa estar alinhada com este novo paradigma da sustentabilidade, por outro lado os consumidores também precisam ser reeducados e precisam mudar seu comportamento de consumo. Trata-se de um compromisso em mão dupla. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Se todos precisam estar integrados a esta filosofia de produção e consumo consciente, não faz mais sentido que os atores envolvidos neste processo ajam de forma isolada. É preciso qualificar e intensificar o elo entre empresas e stakeholders, criando uma postura colaborativa nas relações, conforme estudaremos nesta aula. Gestão da sustentabilidade e postura colaborativa Nosso ponto de partida será compreender como os conceitos de responsabilidade social e de desenvolvimento sustentável podem ser traduzidos e adaptados para a lógica das organizações. Para facilitar seu entendimento, vamos destacar a seguinte contribuição de Alencastro (2012), que propõe o uso do termo gestão da sustentabilidade. Vamos analisar sua definição: [...] podemos chamar de gestão da sustentabilidade as ações e as estratégias formuladas para alcançar um determinado objetivo organizacional [...] sempre considerando as demandas socioambientais dos stakeholders. Dessa forma, a responsabilidade socioambiental passa a fazer parte das estratégias de negócios e permite a integração da empresa com a sociedade. (ALENCASTRO, 2012, p. 103) Observe que o termo gestão da sustentabilidade, conforme sugerido pelo autor, consegue propor uma aplicação integrada dos conceitos de responsabilidade social e de desenvolvimento sustentável. Agora, preste atenção à última sentença desta definição que destaca “a integração da empresa com a sociedade”. Esta é uma questão fundamental para tudo que será discutido nesta aula, pois esta integração empresa/sociedade sinaliza que tanto as empresas quanto seus stakeholders não podem mais agir de forma isolada. O seguinte gráfico pode nos ajudar a visualizar de forma mais clara este pensamento: GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Figura 3.1 Fonte: adaptado de ALENCASTRO (2012), sobre original de PORTER; KRAMER (2002) Você percebeu como os benefícios econômicos das empresas devem se integrar com os benefícios sociais? Por outro lado, se este pensamento for objeto de uma reflexão mais profunda, podemos inferir que empresas e stakeholders fazem parte, em última instância, de um único e amplo grupo que denominamos sociedade. Portanto, a gestão da sustentabilidade, tal como propõe Alencastro, é uma responsabilidade de todos. Esta noção de responsabilidade coletiva e compartilhada é o que sustenta a importância da postura colaborativa, tanto na produção quanto no consumo. Diante destes desafios, vamos nos aprofundar em dois novos paradigmas que são fundamentais para dar sustentação à filosofia da gestão da sustentabilidade e da postura colaborativa: a cocriação e o consumo colaborativo. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Cocriação de valor e de produtos O conceito de cocriação foi globalmente disseminado por meio dos autores C. K. Prahalad e Venkat Ramaswamy como uma proposta de inovação no processo de criação de valores. Vamos compreender o que motivou estes autores a proporem esta mudança de perspectiva. A criação de valores tem sido tradicionalmente centrada na perspectiva da empresa. Nesta concepção, é a empresa quem analisa e define os valores que devem ser entregues ao cliente. Se por um lado o cliente é pesquisado e escutado, por outro lado ele raramente participa ativamente do desenvolvimento dos produtos. Conforme observam Prahalad e Ramaswamy (2004), as funções primárias do marketing estavam na troca e na extração mútuas de valores entre empresas e clientes. Entretanto, esta relação que dá mais voz ativa às empresas foi duramente impactada pela transformação dos consumidores na última década. Dentre estas mudanças, podemos destacar: o maior acesso à informação; o poder que os consumidores têm para gerar, disseminar e compartilhar informações; a postura mais ativa e mais consciente dos consumidores quanto aos seus direitos; a crescente preocupação dos consumidores quanto às questões de sustentabilidade. Logo, podemos compreender a cocriação como o processo colaborativo de desenvolvimento de produtos envolvendo empresas e stakeholders que devem dialogar e atuar conjuntamente, a fim de definir o produto e seus respectivos valores, de forma que haja entrega de benefícios para a empresa e para os stakeholders. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Considerando a filosofia da gestão da sustentabilidade, podemos complementar a esta definição o papel relevante de produtos que serão cocriados à luz da responsabilidade socioambiental das empresas que os produzem e dos consumidores que os comprarão. Em termos práticos, como o conceito de cocriação pode ser aplicado nas empresas? Prahalad e Ramaswamy (2004) sugerem o uso de um modelo teórico chamado DART, composto por quatro elementos de interação: diálogo, acesso, risco-benefício e transparência. Figura 3.2 Fonte: traduzido do original de PRAHALAD; RAMASWAMY (2004) O diálogo é o elemento que enfatiza a abertura não apenas do canal de comunicação, mas principalmente de uma relação efetivamente interativa entre empresa e cliente. Isso significa ir além de ouvir o cliente, pois será preciso criar uma relação na qual aprendizado e experiência sejam compartilhados na prática. Esta interação poder ser física (por meio de encontros) e virtual (por meio de plataformas especialmente dedicadas para a esta interação). GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA O acesso propõe um novo olhar sobre a lógica criação de produtos e transferência de propriedade. O que está em jogo não é mais a posse de um produto (seja bem ou serviço), mas sim o acesso às experiências que este produto propiciará ao cliente. Por exemplo, para utilizar um carro não será mais necessário comprá-lo. Alugar ou usar de forma compartilhada serão asalternativas para que o cliente tenha acesso ao produto e, principalmente, à experiência que o produto propiciará. O risco-benefício é um fator que será avaliado com mais cuidado pelo cliente. Se o produto será um resultado de cocriação entre empresa e cliente, logo ambos deverão calcular e assumir os riscos advindos deste produto. O cliente também assumirá maior grau de responsabilidade com relação a estes possíveis riscos. Por outro lado, a cocriação estimulará que os ganhos sejam mais equilibrados para as partes envolvidas. Por fim, a transparência irá favorecer a construção de uma relação de maior confiança e de maior compromisso entre empresa e cliente. A relação tende a ser mais aberta e mais colaborativa. A filosofia da cocriação também sugere outra mudança importante: o mercado consumidor passa a ser compreendido como um grande fórum de cocriação, e não mais apenas como target a ser atingido. Dentre as várias implicações deste novo cenário, podemos destacar: a convergência entre empresas e clientes, com menor distinção de papéis rigidamente definidos; a cocriação do produto e de seus valores em múltiplos pontos de interação, à luz da experiência que será propiciada ao cliente; a intensificação do diálogo entre os consumidores e as comunidades de consumidores. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Consumo colaborativo Na discussão sobre a gestão da sustentabilidade, tradicionalmente a maior carga de responsabilidade é atribuída às empresas. Porém, já estudamos que os consumidores também devem assumir uma postura mais ativa e devem assumir responsabilidades nesta cadeia de relações. Até agora, focalizamos nas etapas do desenvolvimento e da produção. Agora o foco será à ponta deste processo: o consumo. Será nesta etapa que o papel do consumidor ficará mais visível. O ponto de partida será compreender o conceito de consumo consciente. Vamos considerar que “os indivíduos, enquanto consumidores, também devem reestruturar suas formas de pensamento para uma melhor atuação na sociedade, ou seja, deve-se assumir um comportamento de consumo consciente para que a dinâmica de mercado possa direcionar totalmente para essa nova maneira de atuação.” (SILVA et al., 2012). O crescente destaque que os veículos de comunicação têm reservado ao tema da sustentabilidade é um fator fundamental para contextualizar a importância da mudança de atitude do consumidor. Os fenômenos climáticos extremos, a escassez progressiva de recursos naturais (dentre os quais se destaca a água potável), a poluição derivada das energias não limpas, a degradação das condições de vida em países pobres, a ocupação urbana desordenada e a perspectiva de colapso no abastecimento de alimentos são alguns dos fatos que abriram olhos, ouvidos e corações dos consumidores. Por sua vez, as empresas também têm se sensibilizado com estas questões, seja por iniciativa própria ou por pressão externa. Torna-se cada vez mais urgente a revisão do nosso comportamento de consumo. Para se ter uma ideia do impacto das nossas decisões de consumo para a sustentabilidade, reflita sobre os seguintes números retirados do Instituto Akatu: GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Segundo a Universidade das Nações Unidas (UNU), um computador comum (24 quilos, em média) emprega ao menos dez vezes o seu peso em combustíveis fósseis (contribuindo para o aquecimento global) e 1.500 litros de água em seu processo de fabricação (INSTITUTO AKATU). Atualmente, a humanidade já consome 50% mais recursos renováveis do que a Terra consegue regenerar, mesmo em uma situação de enorme concentração do consumo, em que apenas 16% da população mundial é responsável por 78% do total do consumo no planeta (INSTITUTO AKATU). Diante dessas estatísticas inquietantes, o termo consumo colaborativo tem conquistado mais espaço globalmente. Mas, quais são os fundamentos deste conceito? De acordo com Maurer et al. (2012): O conceito de consumo colaborativo, descrito pela primeira vez por Algar (2007), e posteriormente ampliado por Bostman e Rogers (2011), parece ser uma ideia inovadora, mas, na verdade, descreve um comportamento de uma prática tradicional já empregada pela humanidade desde as primeiras formas comerciais e que esteve em utilização até a emergência do modelo capitalista de produção, centrado na acumulação de riqueza e posse de mercadorias (MAURER et al, 2012). O consumo colaborativo está fundamentado nos seguintes parâmetros: compartilhar bens e serviços; ter acesso a bens e serviços em vez de ter propriedade sobre estes; consumir de forma racional e sustentável. Atualmente, o modelo teórico de consumo colaborativo mais reconhecido é o de Rachel Bostman e Roo Rogers. Segundo eles há três sistemas de consumo colaborativo: Sistemas de serviços de produtos – Para se consumir um determinado produto, o consumidor paga pela utilização deste por um tempo predeterminado, sem a necessidade adquiri-lo. Os serviços de aluguel fazem parte deste sistema. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Mercados de redistribuição – É fundamentado no princípio da troca e de doação de produtos usados, no qual pode haver transferência de propriedade. Móveis, roupas e livros são exemplos de produtos que são redistribuídos com frequência. Estilos de vida colaborativo – Trata-se de uma mudança de atitude perante a comunidade que o consumidor vive. O princípio é de dividir ou trocar “ativos intangíveis como tempo, espaço, habilidades e dinheiro” (MAUREN et al, 2012). Dentre as ações mais conhecidas estão o crowdsourcing (cocriação de produtos em plataformas on-line), crowdfunding (financiamento coletivo), crowdlearning (aprendizado colaborativo em plataformas on-line) e coworking (compartilhamento de escritórios coletivos). Apesar de ser um conceito ousado e inovador, o consumo colaborativo ainda pode ser visto com ressalvas por boa parte dos consumidores. Como barreiras a serem superadas pelo consumo colaborativo, podemos citar: o sentimento de apego que os consumidores têm com seus bens, inclusive por questões afetivas; o sentimento de materialismo, que é dar excessiva importância ao ter em detrimento do ser; a relação que se estabelece entre acúmulo de bens e status socioeconômico. No livro “Collaborative services – social innovation and design for sustainability”, os autores e colaboradores desta obra citam diversas experiências de consumo colaborativo. Por ora, vamos destacar os três seguintes exemplos: 1) The Home Laundry – Em vez de utilizar uma lavanderia comercial, o usuário se cadastra neste serviço no qual as roupas são lavadas e passadas por famílias que GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA prestam o serviço em sua própria casa e com seu próprio equipamento doméstico. O público-alvo é de clientes solteiros, estudantes e idosos. Fonte: JEGOU, F.; MANZINI, E. (Coord.) Collaborative services: social innovation and design for sustainability. Milão: Edizioni POLI Design, 2008, p.55. 2) Family Take-Away – Famílias se cadastram como prestadoras de serviço, a fim de preparar entre 3 ou 4 porções extras além do que será servido à família. Estas porções extras são vendidas para clientes cadastrados, geralmente solteiros, estudantes e idosos. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Fonte: JEGOU, F.; MANZINI, E. (Coord.) Collaborative services: social innovation and design for sustainability. Milão: Edizioni POLI Design, 2008, p.59. 3) Kids Clothing Chain – É um serviço de compartilhamento de roupas infantis. Após realizar o cadastro, a mãe entrega as roupas de seu filho e, em troca, leva uma caixa com roupas já usadas por outras criançasda mesma idade. As roupas muito gastas são substituídas, reiniciando o ciclo de uso e de reuso. Fonte: JEGOU, F.; MANZINI, E. (Coord.) Collaborative services: social innovation and design for sustainability. Milão: Edizioni POLI Design, 2008, p. 85. Atividade proposta Leia a matéria jornalística Empresas não têm outra opção a não ser cocriar, afirma especialista, da publicação Pequenas Empresas Grandes Negócios (Editora Globo). Disponível em nosso material complementar. Nesta matéria, foi entrevistado o especialista e professor de marketing Venkat Ramaswamy, que explica sua perspectiva sobre a necessidade de as empresas investirem intensivamente em ações de cocriação com consumidores. Após ler a matéria, reflita sobre a seguinte questão: você está preparado para assumir uma postura colaborativa com seus clientes, inclusive no processo de desenvolvimento do produto? Faça associações com as ideias apresentadas por Ramaswamy. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Exercícios de fixação Questão 1: Sobre a gestão da sustentabilidade, está CORRETO afirmar que: a) ( ) A responsabilidade é prioritariamente das empresas. b) ( ) A responsabilidade é prioritariamente dos consumidores. c) ( ) A responsabilidade é prioritariamente do governo. d) ( ) A responsabilidade é da sociedade e de todos que a compõem. e) ( ) A responsabilidade é das empresas e dos consumidores sustentáveis. Questão 2: O modelo DART, criado por Prahalad e Ramaswamy (2004), se refere-se: a) ( ) Aos quatro elementos de interatividade que sustentam o conceito de cocriação. b) ( ) À sigla do evento da ONU no qual este modelo foi apresentado em 1992. c) ( ) Às quatro etapas do processo de cocriação de valores sustentáveis. d) ( ) Às quatro dimensões da sustentabilidade empresarial. e) ( ) À sigla ISO que normatiza a certificação de empresas sustentáveis. Questão 3: De acordo com o modelo teórico de Bostman e Rogers, o sistema no qual há troca e doação de produtos usados, com possibilidade de transferência de propriedade, é denominado: a) ( ) Sistema de serviços de produtos. b) ( ) Estilo de vida colaborativo. c) ( ) Mercados de redistribuição. d) ( ) Guarda compartilhada. e) ( ) Crowdsourcing. Aprenda mais Assista ao seguinte vídeo sobre consumo colaborativo, produzido por O Globo, disponível em nossa galeria de vídeos. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Referências ALENCASTRO, M. S. C. Empresas, ambiente e sociedade: introdução à gestão socioambiental corporativa. Curitiba: Intersaberes, 2012. JEGOU, F.; MANZINI, E. (Coord.) Collaborative services: social innovation and design for sustainability. Milão: Edizioni POLI Design, 2008. Disponível em: <http://81.246.16.10/videos/publications/collaborative_services.pdf>. Acesso em: 02 jun. 2013 MAURER, A. M.; FIGUEIRO, P. S.; CAMPOS, S. AL. P.; SILVA, V. S.; BARCELLOS, M. D. Yes, we also can. O desenvolvimento de iniciativas de consumo colaborativo no Brasil. In: XXXVI Encontro da Anpad. Rio de Janeiro: ANPAD, 2012. Disponível em: <http://www.anpad.org.br/diversos/trabalhos/EnANPAD/enanpad_2012/ESO/Tema%2007 /2012_ESO968.pdf >. Acesso em: 16 jun. 2013. MORAES, M. B.; COSTA, B. K. Cocriação de valor e perspectiva da lógica dominante: um estudo em uma empresa do setor aeronáutico. In: The 4th International Congress on University-Industry Cooperation. Taubate: Unitau, 2012. Disponível em: <http://www.unitau.br/unindu/artigos/pdf581.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2013 PRAHALAD, C. K.; RAMASWAMY, V. Co-creation experiences: the next practice in value creation. Journal of Interactive Maketing. [S.I]: v. 18, n. 3, 2004. Disponível em: <http://deepblue.lib.umich.edu/bitstream/handle/2027.42/35225/20015_ftp.pdf&embedde d=true?sequence=1>. Acesso em: 16 jun. 2013. SILVA, M. E.; AGUIAR, E. C.; FALCÃO, M. C.; COSTA, A. C. A perspectiva responsável do Marketing e o consumo consciente: uma interação necessária entre a empresa e o GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA consumidor. In: Organizações em Contexto. São Bernardo do Campo: Umesp, 2012. Disponível em: <https://www.metodista.br/revistas/revistas- ims/index.php/OC/article/view/2989>. Acesso em: 10 jun. 2013 GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Aula 4: Desenvolvimento de produtos: a perspectiva sustentável Introdução “[...] a sustentabilidade não é irreconciliável com o crescimento econômico, [...] ao contrário, pode ser importante fonte de vantagem competitiva e de geração de valor para acionistas e comunidade em geral” (MILSTEIN, 2004). Em meio à crescente pressão social por ações empresariais mais responsáveis, o desenvolvimento de produtos tem se destacado como um importante foco de investimento em pesquisas voltadas à minimização dos impactos que são gerados para a sociedade e para o meio ambiente. Seja na adaptação, na melhoria ou na criação de produtos, as empresas precisam ficar gradativamente mais conscientes e mais preparadas para gerenciar os rastros que estes produtos deixam para trás. Isto pode ocorrer na forma da geração de resíduos, da exploração desordenada dos recursos naturais, da emissão de dejetos e da ocorrência de impactos sociais. O desenvolvimento de produtos, antes focalizada em questões essencialmente empresariais, agora precisa se alinhar à filosofia da sustentabilidade. Em termos práticos, isto representa a obrigação de as empresas repensarem seu modo de produção, buscando metodologias e processos que vão ao encontro da utilização racional e responsável dos recursos dos quais dispomos. Este será o fio condutor que nos guiará nesta aula. Objetivos: Definir desenvolvimento de produtos. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Definir produto sustentável. Descrever as diretrizes do desenvolvimento de produtos sustentáveis. Conteúdo Introdução O desenvolvimento de produtos é considerado um processo de negócio cada vez mais crítico para a competitividade das empresas, principalmente com a crescente internacionalização dos mercados, aumento da diversidade e variedade de produtos e redução do ciclo de vida dos produtos no mercado. (AMARAL et al, 2006, p. 4) Tradicionalmente, as empresas investem boa parte de seus esforços na criação e no aperfeiçoamento de seus produtos. Nas fases da orientação para a produção e da orientação para o produto, conforme já estudamos, este foco era especialmente exacerbado. O processo de produção e o produto propriamente dito centralizavam as atenções do negócio. Com o advento da orientação para o marketing, as empresas redirecionaram seu foco para o cliente. Na medida em que os produtos se tornam mais vulneráveis à substituição e que os setores se tornam mais competitivos, o papel do cliente se torna mais ativo e seu poder de barganha cresce gradativamente. Se antes o cliente precisava se adaptar ao produto, agora é o produto que precisa se adaptar ao cliente. Nesta evolução do relacionamento entre empresas e clientes, certamente o desenvolvimento de produtos também precisou ser repensado. A consolidação do pensamento do marketing propiciou que uma nova filosofia emergisse: a de que o desenvolvimento de produtos representa a interface entre a empresa e o mercado. Em outras palavras, o produto é concebido, planejado, manufaturado e distribuído para o cliente e com o cliente. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Outro importante elemento a ser acrescentado foi a filosofia da sustentabilidade. Hoje, a eficiência produtiva deve ser combinada com indicadores de sustentabilidade. Logo, não basta desenvolver um produto que prometa redução de custosou que apresente diferenciais funcionais. É preciso ir além e considerar os impactos sociais e ambientais que podem ser gerados por este mesmo produto. São estas as questões a serem estudadas nesta aula. O que é um produto? Um dos grandes desafios de qualquer empresa é criar soluções que atendam tanto às demandas sinalizadas pelo cliente quanto às demandas culturais, financeiras e estratégicas da própria empresa. Estas soluções se materializam na forma de um produto a ser produzido pela empresa e a ser ofertado para o mercado. Em primeiro lugar, será necessário compreender o conceito de produto. Vamos recorrer à seguinte definição de Kotler e Keller (2012): Muitas pessoas acham que um produto é uma oferta tangível, mas ele é tudo o que pode ser oferecido a um mercado para satisfazer uma necessidade ou desejo, incluindo bens físicos, serviços, experiências, eventos, pessoas, lugares, propriedades, organizações, informações e ideias. (KOTLER; KELLER, 2012, p. 348) Logo, você deve ter observado que devemos quebrar um mito ainda presente no vocabulário tanto de leigos quanto de profissionais de marketing e das demais áreas da gestão: o mito de que produto se refere apenas aos bens, ou seja, aos produtos tangíveis. O conceito de produto abarca também os produtos intangíveis, mais conhecidos como serviços. Observe que Kotler e Keller (2012) também citam pessoas, lugares e ideias como exemplos de produto. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Vamos considerar um produto intangível (ou serviço) como o transporte de cargas. Transportar cargas é um serviço que deve ser rigorosamente planejado antes de ser ofertado ao mercado. Ele não é criado espontaneamente nem aleatoriamente. Ao contrário, este serviço deve passar por um processo que compreende etapas como análise concorrencial, análise de mercado, disponibilização de espaços físicos, disponibilização de equipamentos, disponibilização de recursos humanos, elaboração de fluxos de trabalho, planilha de custos e implementação de sistemas, entre vários outros aspectos. Um serviço de transporte de cargas também deve ser concebido e gerenciado de forma sustentável. Imagine, por exemplo, os impactos que a frota de veículos causará na qualidade do ar, pois estes veículos emitirão poluentes na atmosfera. Outro exemplo é avaliar as condições físicas e psicológicas dos condutores destes veículos, que muitas vezes estarão expostos a situações de estresse. Estas condições devem ser previstas e gerenciadas no negócio. Entretanto, por um questão didática, nesta disciplina vamos nos concentrar nos produtos tangíveis ou bens de consumo. A literatura disponível sobre desenvolvimento de produtos tem tradicionalmente se concentrado nos produtos tangíveis, inclusive à luz da sustentabilidade. O processo de desenvolvimento de produtos (PDP) Já compreendemos o conceito de produto. Também ressaltamos que nesta disciplina, por uma questão didática, vamos nos concentrar nos produtos tangíveis ou bens de consumo. Agora, partiremos à análise do conceito de desenvolvimento de produtos. Vamos comparar as seguintes duas definições: GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA [...] pode ser definido como a transformação de um ideia (oportunidade de negócios) em um produto acabado, pronto para ser vendido. Este processo é desdobrado em uma série de atividades e visa combinar as informações obtidas no mercado, a respeito dos concorrentes e do perfil do consumidor, com as capacidades e possibilidades tecnológicas da empresa. (SILVA E ZAWISLAK, 2007) [...] desenvolver produtos consiste em um conjunto de atividades por meio das quais busca- se, a partir das necessidades do mercado e das possibilidades e restrições tecnológicas, e considerando as estratégias competitivas e de produto da empresa, chegar às especificações de projeto de um produto e de seu processo de produção, para que a manufatura seja capaz de produzi-lo” (AMARAL et al., 2006) Observe a ocorrência de algumas ideias em ambas as definições. A primeira que podemos destacar é a importância de ouvir o mercado, cuja concepção é própria da orientação de marketing. A segunda ideia é a de estabelecer uma análise comparativa com os demais players do setor, a fim de contrastar as características do seu produto com as características dos produtos dos seus concorrentes. A terceira ideia é obedecer à capacidade produtiva da empresa, pois o produto em desenvolvimento não pode estar nem além nem aquém do potencial de infraestrutura (em seus vários aspectos) da empresa. Figura 4.1 Fonte: adaptado do original de AMARAL et al. (2006) GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Na Figura 4.1, observe a diferença entre o processo tradicional e o processo atualizado. No processo tradicional, cada etapa era executada de forma estanque, com baixo grau de integração. O que persistia era a imagem da “passagem de bastão” em detrimento de um processo mais agregador. Veja como o desenvolvimento do produto era uma ação direcionada para uma única equipe (como, por exemplo, a equipe de engenheiros). Já no processo atualizado (“novo escopo”), o processo permite maior diálogo entre as várias equipes envolvidas. Além disto, o desenvolvimento do produto agrega diversas áreas, propiciando uma metodologia multidisciplinar e integradora. A atividade do desenvolvimento de produtos compreende múltiplos atores, etapas e ações que devem se comunicar e se integrar em uma rede complexa e multidisciplinar. O seguinte diagrama criado por Amaral et al. (2006) ilustra bem esta concepção: Figura 4.2 Fonte: adaptado do original de AMARAL et al. (2006) GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Note que os autores integram estes processos em um processo único e de maior amplitude, denominado Processo de Desenvolvimento de Produto, também conhecida pela sigla PDP. Dentre os vários stakeholders envolvidos no PDP, podemos destacar o cliente e o fornecedor. Para Silva e Zawislak (2007), o PDP deve sempre monitorar os movimentos sinalizados pelos clientes, com especial atenção aos aspectos comportamentais de consumo e aos aspectos psicográficos. Este monitoramento, em última instância, deve mostrar para a empresa a real noção do valor esperado pelo cliente. Se o valor esperado pelo cliente for corretamente identificado, analisado e contextualizado no projeto do produto, a empresa maximizará o potencial de retorno deste produto, inclusive sob a forma de lucro. Com relação aos fornecedores, os autores destacam a fundamental participação destes no PDP já no início do processo, contrariando a antiga percepção de que os fornecedores devem ser envolvidos ao final do planejamento. Os fornecedores devem contribuir com a empresa por meio de suas expertises específicas, pois este conhecimento especializado poderá agregar ideias que propiciarão benefícios como redução de tempo, redução do risco de retrabalho, criação de soluções alternativas e, principalmente, o estabelecimento de uma relação mais alinhada com a empresa já ao início do processo. Classificação dos projetos de desenvolvimento de produto A classificação de um projeto de desenvolvimento de produto varia de acordo com os critérios que serão considerados pela empresa. Diante da diversificação das propostas presentes na literatura e dentre as empresas, vamos nos concentrar na seguinte classificação sugerida por Amaral et al. (2006): GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Projetos radicais (breakthrough) – compreendem modificações profundas sobre o projeto original; incorporam novas tecnologias e novos materiais; requerem mudanças profundas também na produção. Projetos plataforma ou próxima geração– o projeto do produto é modificado significativamente, mas a tecnologia e os materiais são mantidos; foco na criação de uma nova geração do produto ou da família do produto. Projetos incrementais ou derivados – consiste na criação de produtos derivados, híbridos ou modificados a partir do produto existente; podem focalizar em novos produtos de custos reduzidos ou com novas aplicações. Projetos follow-source – como o nome já sugere, trata-se de adaptar o produto originário da matriz da empresa de acordo com as características do mercado que irá recebê-lo; as alterações são superficiais, pois as diretrizes do projeto original da matriz devem ser obedecidas. Desenvolvimento de produtos sustentáveis (DPS) Após termos estudado os princípios do desenvolvimento de produtos e do processo de desenvolvimento de produtos (PDP), agora estamos aptos para contextualizar esta atividade à luz da filosofia do desenvolvimento sustentável. Em um cenário global gradualmente dominado por demandas socioambientais e por questões de sustentabilidade, o conceito de desenvolvimento de produtos precisou ser adaptado para esta nova realidade. Hoje, as empresas precisam projetar suas ações para além da geração de valor para o cliente e da geração de valor para o negócio. Conforme estudamos nas aulas anteriores, a sociedade tem se organizado fortemente para cobrar ações que propiciem sustentabilidade social, econômica e ambiental. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Além da pressão social, houve também um movimento interno das empresas para se adaptarem a este novo cenário. Sobre este assunto, veja como Barbieri e Cajazeira (2012) analisam esta questão: Muitas empresas e entidades empresariais se engajaram espontânea e ativamente na formulação de propostas de gestão ambiental coerentes com os objetivos do desenvolvimento sustentável, criando para isso modelos de gestão que procuram reduzir a quantidade de materiais e energia por bem ou serviço produzido, substituir insumos obtidos de recursos naturais não renováveis por insumos provenientes de recursos renováveis, eliminar substâncias tóxicas, entre outras providências. (BARBIERI E CAJAZEIRA, 2012, p. 71) Após estas leituras, a seguinte pergunta possivelmente já se formou em sua mente: como podemos diferenciar o desenvolvimento de produtos tradicional do desenvolvimento de produtos sustentáveis (DPS)? A diferença fundamental está na presença fortalecida do termo sustentabilidade, conforme já estudamos nas aulas anteriores. Isto quer dizer que as empresas devem desenvolver produtos que preservem as condições de vida das gerações atuais e, principalmente, das gerações futuras. As empresas, portanto, devem estar focalizadas no desenvolvimento de produtos e de processos que estejam alinhados com as questões socioambientais, tão prementes nos dias atuais. (JABBOUR; SANTOS, 2007). Logo, o desenvolvimento de produtos sustentáveis (DPS) pode ser compreendido como um projeto que se dedica à criação de um produto e de seu respectivo processo de produção de acordo com os pressupostos da sustentabilidade, tais como o uso racional e responsável dos recursos naturais, a preservação das condições de vida das gerações atuais e futuras e o descarte responsável após o consumo. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Também podemos citar a seguinte definição de Rounds e Cooper (2002), segundo a qual o DPS deve considerar, de forma sistematizada, os critérios socioambientais durante todo o processo de desenvolvimento de um produto, inclusive na fase do pós-desenvolvimento e de pós-consumo (ROUNDS; COOPER apud JABBOUR; SANTOS, 2007). O modelo triple bottom line Nos esforços de se criar um modelo teórico para apoiar a prática do DPS, existe uma contribuição que tem sido amplamente aceita e aplicada tanto no meio acadêmico quanto no empresarial. Este modelo é conhecido como triple bottom line, criado pela empresa britânica SustainAbility, especializada em consultoria para projetos de sustentabilidade (BARBIERI; CAJAZEIRAS, 2012). A proposta central deste modelo é partir da premissa de que a sustentabilidade deve gerar resultados mensuráveis em três dimensões: a econômica, a social e a ambiental. Figura 4.3 Fonte: adaptado do original disponível em: <http://www.brasilplan.com.br/sustentabilidade.html>. Acesso em: 23 jun. 2013 GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA A integração destas três dimensões afeta tanto a perspectiva da empresa quanto a perspectiva da sociedade e dos grupos de pressão. Na perspectiva da empresa, o triple bottom line alerta que os resultados financeiros devem estar equilibrados com a avaliação dos impactos socioambientais do produto e, mais amplamente, do negócio. Já na perspectiva da sociedade e dos grupos de pressão, o triple bottom line lembra que as empresas têm obrigações socioambientais a serem cumpridas, mas também precisam lucrar. Quanto às três dimensões do triple bottom line, vamos analisá-las em maior profundidade. Na dimensão social, a empresa deve zelar pelo bom relacionamento com as comunidades que são afetadas pelo negócio. Além disto, a empresa também pode considerar a realização de ações ligadas ao bem-estar e ao progresso destas comunidades, tais como educação, lazer e cultura. Também deve ser ressaltada a importância do capital humano da empresa, que envolve os funcionários e seus familiares. Na dimensão ambiental, o foco está na gestão do capital natural, que compreende os recursos naturais utilizados pela empresa e os impactos ambientais causados pelo negócio. Devem ser considerados os bens ambientais (matérias-primas) e os serviços ambientais (redução da pegada de carbono, redução da emissão de poluentes, utilização de energia limpa). GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Na dimensão econômica, deve ser reconhecida a necessidade de uma empresa em obter lucro. Por outro lado, este lucro deve ser conquistado de forma sustentável, ou seja, devem ser considerados e avaliados os impactos socioambientais causados pelo produto e pelo negócio. Conforme observam Barbieri e Cajazeira (2012): A empresa que instalou equipamentos para captar e tratar poluentes [...] está reduzindo os custos sociais produzidos pelas externalidades negativas. [...] É necessário que a empresa avalie os passivos ocultos decorrentes das suas responsabilidades perante suas partes interessadas [...] para considerá-los a fim de obter o resultado líquido referente à dimensão econômica da sustentabilidade. (BARBIERI E CAJAZEIRA, 2012, p. 73) Foram criadas variações do triple bottom line, apoiadas na ideia central das três dimensões. Uma variação amplamente conhecida é o modelo dos 3 Ps, que compreende os elementos profit (lucro), planet (planeta) e people (pessoas). Estes elementos se correlacionam com as dimensões do triple bottom line da seguinte forma: profit – econômico; planet – ambiental; people – social. Figura 4.4 Fonte: adaptado de BARBIERI; CAJAZEIRA (2012), sobre original de MARREWIJK (2003) GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Atividade proposta Consulte a página sobre fornecimento sustentável de matérias-primas da empresa Unilever, no endereço: <http://www.unilever.com.br/sustentabilidade/fornecimentosustentavel/>. Nesta página, você poderá analisar diversos compromissos assumidos pela Unilever com relação ao fornecimento sustentável de várias matérias-primas, tais como óleo de palma, açúcar, papel, óleo de colza, frutas e vegetais, entre outros citados. Após analisar esta página, escolha uma matéria-prima. Comente como o compromisso assumido pela Unilever com esta matéria-prima escolhida pode ser analisado àluz do modelo triple bottom line. Exercícios de fixação Questão 1: Sobre o desenvolvimento de produtos, está correto afirmar que: a) ( ) Este processo pressupõe a alteração das características originais do produto. b) ( ) Apenas a alta gestão executiva deve participar deste processo. c) ( ) A linha de produção não pode ser modificada, mas o produto sim. d) ( ) A compra de matéria-prima é uma questão analisada fora deste processo. e) ( ) Uma ideia deve ser transformada em um produto viável e acabado. Questão 2: Na classificação dos projetos de desenvolvimento de produtos, o projeto follow-source: a) ( ) Consiste na criação de produtos derivados, híbridos ou modificados a partir do produto existente. b) ( ) Exige modificações profundas sobre o projeto original e incorpora novas tecnologias e novos materiais. c)( ) É a adaptação do produto originário da matriz da empresa de acordo com as características do mercado que irá recebê-lo. d) ( ) Tem foco na criação de uma nova geração do produto ou da família do produto. http://www.unilever.com.br/sustentabilidade/fornecimentosustentavel/ GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA e) ( ) Está focalizado na eliminação radical das linhas de produto menos rentáveis para a empresa. Questão 3: No modelo triple bottom line, a dimensão econômica diz respeito: a) ( ) À realização de ações ligadas ao bem-estar e ao progresso destas comunidades. b) ( ) À conquista do lucro de forma sustentável, considerando os impactos socioambientais causados pelo produto. c) ( ) Ao bom relacionamento entre a empresa e as comunidades que são afetadas pelo negócio. d) ( ) À busca do ponto de equilíbrio do negócio, com foco na redução de custos de matéria-prima e de produção. e) ( ) Aos compromissos firmados entre a empresa e seus acionistas, garantindo uma distribuição justa dos lucros. Aprenda mais Assista ao vídeo sobre o mercado de carros elétricos, do programa Cidades e Soluções, da emissora Globo News, disponível em nossa galeria de vídeos. Referências AMARAL, D. C. et al. Gestão de Desenvolvimento de Produtos: uma referência para a melhoria do processo. São Paulo: Saraiva, 2006. BARBIERI, J. C.; CAJAZEIRA, J. E. R. Responsabilidade social empresarial e empresa sustentável – da teoria à prática. São Paulo: Saraiva, 2012. DEMAJOROVIC, J.; MATURANA, L. Desenvolvimento de produtos sustentáveis. Estudo de casos: purificadores de água Brastemp e carpetes Interface. Rev. de Gestão Social e GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Ambiental. RGSA. São Paulo: v. 3, n. 3, 2009. Disponível em: <http://www.revistargsa.org/rgsa/article/view/179/80>. Acesso em: 10 jun. 2013. HART, S. L.; MILSTEIN, M. B. Criando valor sustentável. GV Executivo. São Paulo: FGV, v. 3, n. 2, 2004. Disponível em: <http://rae.fgv.br/sites/rae.fgv.br/files/artigos/3363.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2013. JABBOUR, C. J. C.; SANTOS, F. C. A. Desenvolvimento de produtos sustentáveis: o papel da gestão de pessoas. Rev. Adm. Pública. Rio de Janeiro: v. 41, n. 2, 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034- 76122007000200007&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 1º jun. 2013. KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de Marketing. São Paulo: Pearson, 2012. LIMA, A et al. Implementação do conceito de triple bottom line em empresa de pequeno porte. In: V Congresso Nacional de Excelência em Gestão – Gestão do Conhecimento para a Sustentabilidade. Niterói: 2009. SILVA, K. M.; ZAWISLAK, P. A. O processo de desenvolvimento de produtos: um estudo de casos de três empresas fornecedoras da cadeia automotiva do Rio Grande do Sul. In: Revista de Administração Contemporânea – RAC Eletrônica. Rio de Janeiro: v. 1, n. 2, art. 4, 2007. Disponível em: <http://www.anpad.org.br/periodicos/arq_pdf/a_635.pdf>. Acesso em: 23 jun. 2013. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Aula 5: Gestão de produtos: a perspectiva sustentável Introdução [...] torna-se essencial o interesse pelos processos produtivos industriais e a realização de projetos e estudos que visem à redução e à erradicação de poluentes gerados, a fim de garantir a preservação do meio e os benefícios econômicos para a própria indústria. (Mario Sergio C. Alencastro) A atividade da gestão de produtos tem passado por transformações importantes, tanto na definição do seu conceito quanto na aplicação deste na prática empresarial. Basta lembrarmos que o foco empresarial – outrora concentrado na produção, no produto e nas vendas – hoje está focalizado nas diversas relações estabelecidas entre a empresa e os stakeholders. Não foi apenas o papel da gestão de produtos que mudou. Devemos também salientar a profunda transformação macroambiental que fez emergir gradualmente os temas da responsabilidade socioambiental e do desenvolvimento sustentável. Como o produto deve ser gerenciado de acordo com estas novas perspectivas? Este é o tema que vai guiar nossos estudos nesta aula. Objetivos: Definir gestão de produtos. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Definir gestão de produtos sustentáveis. Descrever as diretrizes da gestão de produtos sustentáveis. Conteúdo Introdução A importância da função de gerenciamento de produtos tem crescido no meio empresarial devido à aceleração no ritmo de lançamento de novos produtos [...]. As grandes empresas, detentoras de amplos compostos de produtos, atribuem a estes gerentes a desafiadora tarefa de tornar cada item atraente para o mercado- alvo a que se destina. (MOREIRA et al., 2004, p. 17) Para qualquer negócio, o produto materializa a solução que aquela empresa propõe a fim de suprir uma necessidade ou um desejo demandado pelo cliente. Por outro lado, conforme já estudamos, a lógica atual não está centrada no produto, mas sim no cliente e na experiência que será gerada neste cliente. Hoje, a gestão do produto enfrenta esta inquietação: como tornar meu produto mais atraente e mais competitivo aos olhos do meu cliente? Afinal, é o produto que deve estar ajustado ao cliente, e não o contrário. Além destas questões, a gestão de produtos também precisou se adaptar à crescente pressão que os stakeholders da empresa têm exercido quanto ao desenvolvimento sustentável. Isto representa um novo compromisso (e também um novo desafio) para a empresa, pois ela deve monitorar o destino do produto após o consumo. Logo, não basta desenvolver, produzir, distribuir e comercializar. A gestão do produto deve sistematizar ações que propiciem um destino adequado ao produto após seu uso, a fim de evitar o agravamento dos impactos socioambientais que o descarte inadequado pode causar ao homem e ao meio ambiente. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Em face a estas questões, vamos analisar e compreender como a pauta do desenvolvimento sustentável influi na atividade da gestão de produtos, assim como na relação do cliente com o produto. Gestão de produtos: conceitos preliminares Gestão de produtos, gerência de produtos ou administração de produtos? Independentemente do termo que você adotar, esta atividade gera impactos diretos na forma como a empresa se relaciona com seus produtos, cuja atividade se constitui em algo especialmente desafiador no contexto de grandes negócios com portfólios multifacetados e complexos. Por opção didática, nesta disciplina vamos fazer uso do termo gestão de produtos. Vamos, portanto, buscar definições para esta atividade. Para Moreira et al (2004), “a diversidade da oferta exige o desenvolvimento de estratégias diferenciadas para o posicionamento de cada produto em mercados ou em segmentos de mercado” (MOREIRA et al, 2004,p. 2). Para a empresa BASF, a gestão de produtos “é um processo integrado de negócios, direcionado na melhoria contínua do manuseio seguro de nossos produtos, construindo parcerias com nossos clientes”. (BASF, disponível em <http://www.basf.com.br/default.asp?id=6863>.) Considerando leves diferenças nas abordagens, observe como estas duas definições se dedicam a focalizar a relação do produto com o cliente. Isto parece confirmar como a filosofia da orientação do marketing repercute tanto no meio acadêmico quanto no meio empresarial, sinalizando que o cliente e a experiência do cliente estão no centro dos processos, incluindo a gestão de produtos. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA A gestão de produtos também deve realizar o monitoramento do produto no mercado, o monitoramento dos players do setor, a gestão do relacionamento com os parceiros de canal, a avaliação dos resultados de vendas e a condução de eventuais medidas preventivas, corretivas ou reativas para proteger o produto. Quanto à organização da atividade, a gestão de produtos pode classificar os produtos por segmentos, também chamados de famílias ou linhas de produtos. Cada família ou linha é composta de produtos com características similares. Esta segmentação por famílias ou linhas facilita significativamente o trabalho do gestor de produtos, pois geralmente a empresa designa um gestor para cada família ou linha. Observe na Figura 5.1 um exemplo de família ou linha de produto. Neste caso, extraído da empresa Carrefour, existe uma linha principal chamada Linha Viver. Nesta linha principal, cuja marca “Viver” funciona como guarda-chuva e traduz a proposta de valor do produto, ainda há seis sublinhas: Viver Light, Viver Zero, Viver Soja, Viver Orgânico, Viver Diet e Viver Enriquecidos. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Figura 5.1 Fonte: Carrefour – Linha Viver. Disponível em: <http://www.linhaviver.com.br/index.php/conceito> A atividade da gestão de produtos, assim como qualquer outra área de uma empresa, não pode atuar de forma isolada. O princípio é exatamente o oposto, ou seja, um gestor de produtos será bem-sucedido em suas ações somente por meio de sua intensa relação com as demais áreas e equipes, conforme veremos a seguir. As interfaces da gestão de produtos com outras áreas da empresa Dentre as diversas áreas com as quais o gestor de produtos deve se relacionar, existem algumas que exercem influência mais visível e mais direta em sua atividade. Isto se justifica pelos pontos de interseção que frequentemente ocorrem entre a gestão de produtos e as seguintes áreas: pesquisa e desenvolvimento (P&D), produção, marketing, finanças e logística. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Pesquisa e desenvolvimento – Compreende as equipes envolvidas no processo de desenvolvimento de produtos (PDP), conforme estudamos na Aula 4. É importante o gestor de produto participar do PDP desde o início do projeto, pois é ele quem vai gerenciar operacionalmente e comercialmente o resultado final deste trabalho. Produção – Uma vez desenvolvido e validado o produto, este será materializado em larga escala pela produção. A interface entre o gestor de produto e o gestor de produção costuma ser muito intensa, pois “é comum uma mesma unidade fabril atender a diversas demandas internas de fabricação” (MOREIRA et al., 2004, p. 9). Ainda de acordo com este autor, há outras decisões que devem ser feitas conjuntamente, tais como tamanho do lote e indicadores de desempenho. Marketing – Esta é outra área de grande interseção com a gestão de produtos. Por estar focalizada no atendimento e na entrega de valor ao cliente, o marketing pode criar pontos de divergência com o gestor de produtos, pois este último tende a priorizar a produção em escala e a limitar a diversificação do portfólio. Por outro lado, o marketing atua em parceria por fomentar ações ligadas ao branding, à comunicação, às estratégias de distribuição, à pesquisa de mercado e ao relacionamento com os parceiros de canal. Finanças – Resumidamente, o foco da área de finanças é gerenciar de forma racional e eficiente os recursos da empresa. Um ponto de divergência a ser destacado é o princípio de que para cada desembolso deve haver um retorno rápido que recompense o investimento. Entretanto, tanto o gestor de marketing quanto o gestor de produto podem argumentar que este retorno pode não ocorrer imediatamente, o que pode gerar um conflito com a área financeira e deve ser negociada entre as partes envolvidas. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Logística – As decisões de distribuição e de transporte do produto afetam diretamente a atividade do gestor de produtos. Devem ser analisadas questões como o volume a ser transportado, o grau de perecibilidade e de fragilidade do produto e a integração com decisões específicas de logística, tais como as características da frota, dos recursos humanos e dos prazos de entrega. Gestão de produtos sustentáveis Até o momento, estudamos as questões tradicionais da gestão de produtos. Porém, agora precisamos nos concentrar na adaptação desta visão tradicional à perspectiva do desenvolvimento sustentável. Neste contexto, passaremos a usar a expressão gestão de produtos sustentáveis. Estudamos que um dos papéis da gestão de produtos é posicionar o produto no mercado- alvo a ser atendido, o que exige a interface com diversas áreas como P&D, marketing, produção, finanças e logística, entre outras. Também ressaltamos que o monitoramento deste produto no mercado, o monitoramento de concorrentes e a avaliação dos resultados de vendas também são da competência do gestor de produtos. Agora, no cenário da responsabilidade socioambiental e do desenvolvimento sustentável, a gestão de produtos precisou se atualizar. Isto demandou a incorporação de uma nova filosofia para esta atividade, à luz dos impactos que o produto pode gerar nas esferas social, ambiental e econômica. A gestão de produtos sustentáveis pode ser compreendida como uma atividade que agrega as questões socioambientais aos papéis tradicionalmente executados pelo gestor de produtos, conforme explicado anteriormente. Como exemplo, podemos citar que o processo de manufatura do produto deve estar em conformidade com os regulamentos e as normas ambientais previstas no mercado. Outro exemplo que podemos citar é a GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA elaboração de relatórios de sustentabilidade, nos quais os resultados da empresa estarão vinculados às ações de responsabilidade socioambiental e de desenvolvimento sustentável. Diretrizes da gestão de produtos sustentáveis Apesar da gestão de produtos sustentáveis ser um campo de conhecimento recente, já podemos compilar importantes contribuições advindas desta área. Para facilitar e organizar nosso estudo, vamos analisar algumas de suas diretrizes mais conhecidas. Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) De acordo com Hinz, Valentina e Franco (2007), a avaliação do ciclo de vida do produto (ACV) propõe uma metodologia que permite analisar os impactos ambientais de uma empresa, o que inclui seus produtos e seus processos de produção. Curi (2012) ressalta que estes impactos ambientais devem ser analisados desde a extração da matéria-prima até o descarte do produto, o que também pode ser conhecido como o trajeto “do berço ao túmulo” (BARBIERI apud CURI, 2012). Em linhas gerais, a avaliação do ciclo de vida compreende cinco etapas principais: a extração de matéria-prima, a transformação da matéria-prima, o transporte, o consumo e o descarte. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Figura 5.2 – Ciclo de vidado produto Fonte: adaptado do original de CURI (2012, p. 90) Produção mais limpa A produção mais limpa (P+L ou PmaisL) pode ser compreendida como “uma estratégia aplicada na produção e nos produtos, a fim de economizar e maximizar a eficiência do uso de energia, matérias-primas e água e, ainda, minimizar ou reaproveitar resíduos gerados” (HINZ; VALENTINA; FRANCO, 2007). Outra definição que podemos considerar é a seguinte: “produção mais limpa significa a aplicação contínua de uma estratégia econômica, ambiental e tecnológica integrada aos processos e produtos, a fim de aumentar a eficiência no uso de matérias-primas, água e energia, através da não geração, minimização ou reciclagem de resíduos gerados, com benefícios ambientais e econômicos para os processos produtivos” (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP, traduzido do original em inglês da United Nations Industrial Development Organization – UNIDO. Disponível em <http://www.fiesp.com.br/perguntas-frequentes/o-que-e-producao-mais-limpa-pl/>). GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA A produção mais limpa é uma metodologia com características preventivas e com foco na redução de resíduos no processo produtivo. Esta metodologia contrasta com as tradicionais técnicas conhecidas como “fim-de-tubo”, cuja preocupação com o controle dos resíduos é mínima e ocorre apenas no final do processo produtivo, induzindo a ações reativas. Na Figura 5.3, analise comparativamente o fim-de-tubo e a produção mais limpa: Figura 5.3 – Comparação entre fim-de-tubo e produção mais limpa Fonte: SENAI-RS (2003) Logística reversa Uma das questões mais importantes na gestão de produtos sustentáveis é o destino do produto na fase pós-venda e pós-consumo. Desta preocupação, foi desenvolvido o conceito de logística reversa, cuja atividade está focalizada no planejamento, na operação e no controle logístico do retorno do produto ao ciclo produtivo, na fase pós-venda ou pós-consumo (LEITE, 2003; SILVA et al., 2006). Em palavras mais simples, a logística reversa deve propiciar o “caminho de volta” do produto ao fabricante, a fim de que este tome providências tais como o reuso, a reciclagem ou o descarte adequado do produto. Outra definição que podemos considerar é a do Ministério do Meio Ambiente, segundo o qual a logística reversa é um “instrumento de desenvolvimento econômico e social GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação.” (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/residuos- perigosos/logistica-reversa>). Figura 5.4 Fonte: LEITE (2003, p. 17) A logística reversa pós-consumo está focalizada nos produtos descartados pelo consumidor, a fim de propiciar o retorno destes produtos ao ciclo produtivo. A logística pós-venda segue o mesmo princípio, porém com foco nos produtos com pouco ou nenhum uso, muitas vezes descartados pelos parceiros de canal (varejistas, por exemplo). 3 R – reduzir, reusar, reciclar O exponencial aumento na geração de lixo e seu descarte inadequado têm representado grandes inquietações em nossa sociedade. Desta preocupação emergiu o modelo 3 R, que GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA compreende três ações focalizadas na redução do lixo por meio do consumo responsável, racional e consciente. A função do gestor de produtos sustentáveis é considerar o importante papel do consumidor como parceiro ativo da empresa, educando-o sobre sua responsabilidade no contexto do desenvolvimento sustentável. O modelo dos 3 R é constituído das seguintes ações: Reduzir o consumo – O consumidor deve diminuir o consumo de produtos supérfluos, de produtos descartáveis e de embalagens. Já as empresas devem reduzir a emissão de resíduos, reduzir o uso de matéria-prima e investir em embalagens menores (SANTOS; SANTOS, 2009). Reutilizar o produto – Trata-se de reaproveitar ou dar novos usos ao produto já consumido. O uso de garrafas PET na fabricação de móveis é um exemplo de reutilização de produtos. Eletrodomésticos usados e em perfeito estado podem ser entregues para doação ou até mesmo revendidos para outro consumidor interessado. Reciclar o produto – É o processamento do produto usado e/ou de seus componentes, a fim de incorporá-los novamente ao ciclo produtivo (SANTOS; SANTOS, 2009), propiciando a geração de novos produtos. A reciclagem de latas de alumínio é um bom exemplo. Atividade proposta Leia a matéria “A reinvenção do papel na Abril”, disponível em nosso material complementar. Nesta matéria, você analisará as ações que a empresa Abril tem realizado para reduzir os impactos socioambientais quanto ao uso do papel, cuja matéria-prima é fundamental para os produtos desta empresa. Após analisar esta matéria, comente sobre as correlações entre as ações executadas pela Abril e as diretrizes da gestão de produtos sustentáveis, tais como produção mais limpa, 3 R e logística reversa. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Exercícios de fixação Questão 1: Qual das seguintes áreas está focalizada no atendimento e na entrega de valor ao cliente, além de criar pontos de divergência com o gestor de produtos porque este tende a priorizar a produção em escala e a limitar a diversificação do portfólio? a) ( ) Finanças. b) ( ) Marketing. c) ( ) Pesquisa e desenvolvimento. d) ( ) Logística. e) ( ) Produção. Questão 2: A gestão de produtos sustentáveis pode ser compreendida como uma atividade que agrega as questões socioambientais aos papéis tradicionalmente executados pelo gestor de produtos. Logo, qual dos seguintes documentos pode comprovar para a sociedade este compromisso da empresa, assim como os resultados advindos desta filosofia? a) ( ) As planilhas de custos de produção. b) ( ) O balanço patrimonial. c) ( ) O manual de ética empresarial. d) ( ) A certificação ambiental. e) ( ) Os relatórios de sustentabilidade. Questão 3: Qual das seguintes opções apresenta corretamente uma característica da metodologia “fim-de-tubo”? a) ( ) O uso da matéria-prima e da água devem ser eficientes. b) ( ) Os componentes tóxicos devem ser evitados. c) ( ) A proteção ambiental é uma área para especialistas competentes. d) ( ) As ações devem ser prioritariamente preventivas. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA e) ( ) A responsabilidade socioambiental é um compromisso transversal na empresa. Aprenda mais Assista ao vídeo sobre o Programa Amazônia, da empresa Natura, disponível em nossa galeria de vídeos. Referências ALENCASTRO, M. S. C. Empresas, ambiente e sociedade: introdução à gestão socioambiental corporativa. Curitiba: InterSaberes, 2012. CURI, D. (Org.) Gestão ambiental. São Paulo: Pearson, 2012. HINZ, R. T. P.; VALENTINA, L. V. D.; FRANCO, A. C. Monitorando o desempenho ambiental das organizações através da produção mais limpa ou pela avaliação do ciclo de vida. Revista Produção On-line. Florianópolis: ABEPRO/UFSC, v. 7, n. 3, 2007. Disponível em: <http://producaoonline.org.br/rpo/article/view/66/66>. Acesso em: 1º jun. 2013. LEITE, P. R. Logística reversa: meio ambiente e competitividade. São Paulo: Prentice Hall, 2003. MOREIRA, J. C. T. (Coord.) Gerência de produtos. São Paulo: Saraiva, 2004. SANTOS, K. DOS; SANTOS, J. B. DOS. Concepção e prática dos 3Rs – reduzir, reutilizar e reciclar na indústria eletromecânica de Mossoró. In: IV Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte e Nordeste de Educação Tecnológica. Belém:IFPA, 2009. Disponível em: <http://connepi2009.ifpa.edu.br/connepi-anais/artigos/47_3125_796.pdf>. Acesso em: 25 jun. 2013. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA SENAI-RS. Implementação de Programas de Produção mais Limpa. Porto Alegre: Centro Nacional de Tecnologias Limpas SENAI-RS/UNIDO/INEP, 2003. Disponível em: <http://srvprod.sistemafiergs.org.br/portal/page/portal/sfiergs_senai_uos/senairs_uo697/ proximos_cursos/implementa%E7%E3o%20PmaisL.pdf>. Acesso em: 25 jun. 2013. SILVA, V. M. D. S et al. Uma visão sobre os conceitos básicos de logística reversa. In: XIII Simpósio de Engenharia de Produção. Bauru: 2006. Disponível em: <http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/170.pdf>. Acesso em 1º jun. 2013. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Aula 6: Ecodesign - o desenvolvimento de produtos sustentáveis Introdução Entende-se que o desenvolvimento sustentável seja fundamental para o crescimento econômico, simultaneamente no que se refere à preservação do meio ambiente e à melhoria das condições sociais. O ecodesign é uma alternativa de projeto que propõe que as análises dos aspectos econômicos e ecológicos caminhem juntas no projeto de produtos. (BORCHARDT et al.) O desenvolvimento econômico observado nos países emergentes propiciou o ingresso de milhões de indivíduos ao mundo do consumo. A demanda por produtos antes considerados supérfluos ou inacessíveis aumentou expressivamente. Hoje, os consumidores de celulares, televisores, aparelhos de ar condicionado, cosméticos, vestuário, alimentação e automóveis, dentre outros bens, cresce exponencialmente, com destaque aos mercados dos países emergentes. Por outro lado, esta pujança econômica agravou as questões socioambientais em uma escala inédita. Dentre estas questões, podemos destacar a demanda acelerada por matéria-prima, a altíssima geração de lixo e a obsolescência acelerada dos produtos. Nesta aula, estudaremos como o conceito de ecodesign pode ser compreendido e aplicado como um novo e urgente paradigma que poderá, gradativamente, minimizar os impactos socioambientais aqui descritos. Objetivos: Definir ecodesign. Explicar o papel e a importância do ecodesign na perspectiva do desenvolvimento sustentável. Descrever as etapas de um projeto de ecodesign. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Conteúdo Introdução Desde as origens da Revolução Industrial na Inglaterra do século XVIII, a sociedade tem sido transformada profundamente e globalmente nas esferas econômica, social e ambiental. A introdução de inovações tecnológicas, a consolidação do conceito de indústria, o surgimento do proletariado e a primazia da vida urbana sobre a vida no campo, dentre muitas outras mudanças, alterou definitivamente os rumos da história que viria em seguida. Já no século XX, figuras importantes como Henry Ford e Frederick Taylor ajudaram a acentuar a aceleração industrial mundo afora, com especial enfoque nos países que adotaram o sistema econômico capitalista. No século XXI, vivemos outro momento transformador, no qual os países considerados emergentes têm apresentado vigoroso crescimento econômico. Tanto a produção quanto o consumo de produtos tem crescido em ritmo acelerado, alterando profundamente o estilo de vida dos indivíduos. Foi necessário traçar este rápido panorama evolutivo da nossa história recente para compreendermos porque o tema do desenvolvimento sustentável é tão urgente nos dias atuais. A industrialização desenfreada, a prática do consumismo e a explosão demográfica nos centros urbanos têm gerado graves passivos ambientais e sociais. A mistura de progresso com degradação em escala global torna essencial a discussão sobre o controle mais rigoroso dos diversos danos socioambientais causados no decorrer dos últimos séculos. Tal situação se agravou ao ponto de ser questionada a viabilidade da vida humana no planeta nas próximas décadas. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Dentre as iniciativas surgidas para reverter este processo, focalizaremos na contribuição do ecodesign, cujo conceito se fundamenta, de forma resumida, na criação e na produção de produtos que propiciem a redução dos danos ambientais, conforme estudaremos a seguir. Ecologia industrial Nosso ponto de partida está na compreensão de alguns fundamentos que sustentam a noção de produção sustentável, tais como: priorizar o uso de recursos renováveis; racionalizar o uso de recursos não renováveis; evitar a emissão de resíduos que não são reabsorvidos pelo ecossistema; obedecer aos limites do espaço ambiental, principalmente dos países em desenvolvimento (MANZINI E VEZZOLI apud BORCHARDT et al., 2008). Estes princípios se correlacionam com um conceito denominado ecologia industrial, segundo o qual os resíduos e as matérias-primas devem ser reciclados continuamente em um sistema fechado ou quase fechado, no qual apenas a energia solar pode ser usada de forma dissipada (BORCHARDT et al., 2008). GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Figura 6.1 Fonte: KAZAZIAN apud BORCHARDT et al., 2008 Para Ribeiro (2010), a ecologia industrial deve prevenir a emissão de poluentes, reciclar material, reutilizar resíduos e estender a vida dos produtos. Este autor ainda cita que “é possível organizar todo o fluxo de matéria e de energia que circula no sistema industrial de maneira a torná-lo um circuito quase inteiramente fechado” (RIBEIRO, 2010). No conceito de ecologia industrial, está prevista a formação de parques ecoindustriais (RIBEIRO, 2010) ou de arranjos industriais (BORCHARDT et al., 2008), que estão apoiados na complementaridade e na integração entre as unidades de produção ou entre indústrias diferentes. De forma prática, os resíduos de uma unidade ou de uma indústria podem ser repassados e aproveitados como matéria-prima em outra unidade ou indústria, criando um círculo virtuoso. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Figura 6.2 Fonte: TEIXEIRA E YOSHIKAWA, [S.I.] / Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT Podemos considerar o conceito de ecologia industrial como o principal alicerce da produção sustentável. Conforme observa Ribeiro (2010), “ao aplicar os princípios da ecologia industrial, empresas ecorresponsáveis eliminam resíduos, reduzem desperdícios, levam seus fornecedores a reduzir as emissões de carbono, promovem a eficiência energética, redesenham processos, reciclam e reutilizam recursos e reduzem impactos [...]” (RIBEIRO, 2010). GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA O conceito de ecodesign A preocupação com o desenvolvimento sustentável tem suas origens no século XIX, conforme já estudamos na Aula 2. Por outro lado, foi na década de 60 que este movimento começou a ganhar os contornos tal como conhecemos hoje (NAIME et al., 2012). O registro do primeiro projeto de produto sustentável se localiza na década de 70. Nesta ocasião, pneus usados serviram como matéria-prima para produzir um sofá, sinalizando a primeira tentativa de disseminar a ideia de reaproveitamento de materiais (NAIME et al., 2012). Figura 6.3 Fonte: NAIME et al., 2012 apud BÜRDEK, 1999. Inspirada por estas iniciativas, foi na década de 90 que a American Electronics Association estimulou o desenvolvimento de produtos eletrônicos com foco na redução dos impactos ambientais. Esta ação foi bem recebida por este setor e, aos poucos, disseminou-se nos meios empresarial e acadêmico. Surgia o termo ecodesign (BORCHARDT et al., 2008). Várias são as definições para o termo. Resumindo as principais, podemosdizer que: O ecodesign é a integração sistemática de considerações ambientais no processo de design de produtos (entendidos como bens e serviços). O principal objetivo do GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA ecodesign é desenvolver produtos que contribuem para a sustentabilidade, através da redução do seu impacto ambiental ao longo do ciclo de vida, a par de requisitos tais como funcionalidade, qualidade, segurança, custo, facilidade de produção, ergonomia e estética. (ROCHA et al., 2011) No ecodesign, o projetista seleciona e articula soluções de projeto segundo seu impacto no ciclo de vida do produto: fabricação, embalagem, uso, troca de peças e fim de vida. O projetista objetiva a utilização do produto, pois o mesmo não é independente nem homogêneo e exige outros produtos e atores para a sua fabricação, o seu transporte e o seu uso, em uma abordagem transversal e multidisciplinar. (BORCHARDT et al., 2008) Ecodesign é uma ferramenta de competitividade utilizada pelas empresas nas áreas de arquitetura, engenharia e design, tanto no mercado interno quanto externo, atendendo novos modelos de produção e consumo, contribuindo para o desenvolvimento sustentável através da substituição de produtos e processos por outros menos nocivos ao meio ambiente. (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, S.I.) Conforme estudamos na Aula 4, podemos inferir que o conceito de ecodesign é um modelo teórico e produtivo em resposta ao conceito de desenvolvimento de produtos sustentáveis. Como modelo de produção, o ecodesign precisa seguir diretrizes que vão ao encontro do objetivo geral de reduzir o impacto socioambiental do produto. Dentre estas diretrizes, podemos citar: o uso de matérias-primas de baixo impacto ambiental, observando os princípios de não toxicidade, da reciclagem, do reuso e da não emissão de resíduos; a simplicidade e a modularidade do produto, observando o uso de menos matéria- prima, a facilidade na montagem/desmontagem e a facilidade de substituição de peças em detrimento da troca do produto; redução do consumo de energia, observando os princípios da ecologia industrial, conforme já estudado nesta aula; uso de energia limpa e renovável, tais como a eólica e a solar; a extensão da vida útil do produto, evitando o descarte prematuro; o reaproveitamento de embalagens e o uso de refis; a garantia da segurança para funcionários e consumidores, observando a não utilização de materiais tóxicos ou substâncias perigosas e a preferência por componentes GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA à base de água em vez de hidrocarboneto (adaptado de VENZKE apud BORCHARDT et al., 2008). Figura 6.4 – Energia eólica Fonte: Info Exame Etapas de um projeto de ecodesign Para compreendermos como um projeto de ecodesign deve ser realizado na prática, vamos recorrer ao passo a passo elaborado por Rocha et al. (2011), devidamente adaptado para esta aula. De acordo com este modelo proposto por Rocha et al. (2011), as seguintes sete etapas (já com adaptações) devem ser executadas em um projeto de produto à luz do ecodesign: 1) Planejamento do projeto 2) Análise do produto 3) Definição das diretrizes do projeto 4) Desenvolvimento do conceito do produto 5) Detalhamento do produto GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA 6) Produção e lançamento 7) Avaliação do produto e do projeto Agora, vamos analisar cada etapa em maior profundidade. 1) Planejamento do projeto 1.1) Compromisso da alta gestão com o projeto – o primeiro passo é garantir o envolvimento e o comprometimento dos gestores da alta gestão com o projeto (top- down). Os principais líderes devem ser os primeiros a seguir e a cobrar a cultura do ecodesign para toda a organização. 1.2) Definição da equipe do projeto – recomenda-se que esta equipe seja pequena e bem organizada, com foco nas seguintes especialidades: design, produção e gestão socioambiental. No decorrer da execução do projeto, outros especialistas devem ser envolvidos (tais como qualidade, marketing e logística, entre outros), pois o ecodesign é um processo de desenvolvimento de um produto sustentável que requer uma postura multidisciplinar ao longo de todas as etapas e subetapas. Nas decisões mais complexas, a alta gestão deve estar diretamente envolvida. 1.3) Definição da justificativa do projeto – considere os objetivos do seu negócio e o grau de inovação que sua empresa pretende conquistar, assim como os ganhos socioambientais e os ganhos econômicos. Uma sugestão é recorrer ao modelo triple bottom line, conforme estudamos na Aula 4. 1.4) Seleção do produto-alvo – se esta for a primeira experiência de sua empresa em projeto de ecodesign, o recomendável é selecionar apenas um produto e elegê-lo como produto-piloto. A escolha deve estar fundamentada em dois fatores: o alinhamento deste GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA produto com a justificativa do projeto (item 1.3) e o grau de complexidade deste produto, sendo que o ideal é iniciar com um produto mais simples. 1.5) Elaboração do briefing – o briefing é um documento no qual constará uma breve descrição do projeto e do produto. Este servirá como um guia tanto para a equipe quanto para parceiros externos (por exemplo, fornecedores e intermediários da cadeia). 1.6) Elaboração do plano do projeto – Faça a estruturação do plano de acordo com as 8 etapas aqui previstas, indicando as ações, os responsáveis, os recursos necessários e os prazos. 2) Análise do produto 2.1) Definição da unidade de negócios – a unidade de negócios pode ser uma já existente na estrutura da empresa. Esta unidade ficará responsável por gerenciar o produto, incluindo a avaliação de impacto socioambiental e a avaliação econômica. 2.2) Análise de mercado – considere questões como dimensionamento do mercado, taxa de crescimento, rentabilidade, custos e fatores psicográficos. 2.3) Análise ambiental – identifique os principais impactos propiciados (ou que podem ser propiciados) pelo produto. Correlacione estes impactos a estágios específicos no ciclo de vida do produto. 2.4) Análise econômica – deve ser estudada a viabilidade econômica do projeto para o negócio, assim como o potencial de rentabilidade para a empresa, os custos envolvidos e a relação custo-benefício. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA 2.5) Análise dos requisitos legais – é fundamental se certificar de que seu produto está em conformidade com os diversos aspectos legais que envolvem o projeto. A depender do produto em questão, há regulamentos e normas específicas para cada caso. Consulte órgãos como o Ministério do Meio Ambiente, as agências reguladoras, o Inmetro e a (ABNT), dentre outras possibilidades. Informe-se também com as entidades do seu setor, tais como associações e sindicatos. 2.6) Ecobenchmarking – faça uso da metodologia do benchmarking com foco na análise das características de sustentabilidade. Compare seu produto com similares no seu próprio negócio, nos seus concorrentes ou em negócios de outros setores que tenham experiência com ecodesign. 3) Definição das diretrizes do projeto Nesta etapa, a equipe deve definir, em conjunto com as demais áreas envolvidas no projeto, as diretrizes que nortearão o desenvolvimento, a produção e a comercialização do produto à luz do ecodesign. Dentre estas diretrizes, podemos destacar as seguintes possibilidades: - seleção de matéria-prima de baixo impacto socioambiental; - redução do uso de matéria-prima; - uso de técnicas de produção mais limpa; - extensão da vida útil do produto; - investimento em logística reversa. 4) Desenvolvimento do conceito do produto De acordo com Rocha et al. (2011),esta etapa “tem como objetivo desenvolver ideias e propostas sobre como melhorar o produto [...], como desenvolver uma ideia de negócio GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA (produto e/ou serviço) ambientalmente adequada, com uma boa relação custo-benefício e que satisfaça as necessidades dos clientes.” (ROCHA et al., 2011, p. 27). Portanto, a equipe precisará definir um conceito para o produto em questão. Isto significa que uma identidade deve ser criada para este produto, de forma que a proposta de valor seja claramente informada para seu mercado-alvo. O conceito do produto pode estar focalizado em aspectos racionais (durabilidade, economia e baixa emissão de resíduos, entre outros) ou em aspectos emocionais/subjetivos (imagem a ser agregada, tais como status, modernidade e senso de coletividade etc.). 5) Detalhamento das especificações do produto 5.1) Definição das especificações – a equipe deve integrar profissionais como designers, engenheiros, gestores de produção, profissionais de marketing e fornecedores para detalhar as especificações do produto. Estas especificações podem ser: - Técnicas: forma, dimensão, propriedades, tipo de material, técnicas de produção, normas. - Qualidade e segurança: requisitos legais, avaliação dos riscos de produção e de consumo, definição dos tipos de testes. - Ambientais: matéria-prima reciclada ou reusada, energia renovável, produção mais limpa. - Econômicos: investimentos na produção, investimentos de marketing, avaliação de custos, retorno financeiro. - Requisitos legais: regulamentos e normas que afetam este produto. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA 5.2) Desenvolvimento do protótipo – o protótipo do produto será fundamental para a realização dos testes, o que facilitará possíveis ajustes no projeto e no produto. 6) Produção e lançamento 6.1) Produção – após a conclusão do desenvolvimento do produto, já devidamente homologado, será iniciada a fase de produção. Todos os detalhes da linha de produção devem estar em conformidade com as especificações definidas na Etapa 5. 6.2) Comunicação interna do produto – os resultados do projeto, assim como o produto final, devem ser amplamente comunicados e compartilhados com toda a empresa. Desta forma, todos deverão ter conhecimento do produto e deverão estar alinhados com os objetivos a serem conquistados. 6.3) Lançamento no mercado – este é um momento crítico para o projeto, pois o produto finalmente será comunicado, ofertado e transacionado com os clientes. Tanto a empresa quanto seus parceiros externos (fornecedores e intermediários de cadeia) devem estar integrados e alinhados. Recomenda-se que o perfil sustentável do produto seja enfatizado nesta etapa. 7) Avaliação do produto e do projeto 7.1) Avaliação do projeto – faça uma análise crítica da condução deste projeto, avaliando a metodologia utilizada, a participação das equipes envolvidas, a condução dos processos e as possíveis falhas cometidas no decorrer do projeto. 7.2) Avaliação do produto – Propicie o feedback dos clientes, dos funcionários, dos parceiros externos e demais stakeholders. Potencialize os pontos fortes do produto e organize-se para melhorar os pontos fracos apontados nestes feedbacks. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA 7.3) Elaboração do relatório de avaliação – a formalização por meio de um relatório é fundamental tanto como registro formal quanto como ferramenta de compartilhamento de experiências e de resultados. Atividade proposta Leia a matéria “Marks & Spencer lança sofá ecológico de fibra de coco”, disponível em nosso material complementar. Após analisar esta matéria, reflita sobre a seguinte questão: o sofá ecológico da Marks & Spencer pode ser considerado um projeto de ecodesign? Justifique sua posição com o referencial teórico estudado nesta aula. Exercícios de Fixação Questão 1: Qual das seguintes premissas NÃO está prevista no conceito de ecologia industrial? a) ( ) Prevenir a emissão de poluentes. b) ( ) Priorizar o uso de energia limpa e renovável. c) ( ) Reutilizar resíduos por meio de arranjos produtivos. d) ( ) Estender a vida útil dos produtos. e) ( ) Promover sistemas abertos de geração de resíduos. Questão 2: O ecodesign valoriza a simplicidade e a modularidade do produto. Qual das seguintes alternativas explica corretamente estas características? a) ( ) A simplificação nas planilhas de custo da empresa, priorizando os benefícios financeiros advindos dos ganhos socioambientais. b) ( ) O uso de menos matéria-prima, a facilidade na montagem/desmontagem e a facilidade de substituição de peças em detrimento da troca do produto. c) ( ) A garantia da segurança para funcionários e consumidores, observando a não utilização de materiais tóxicos ou substâncias perigosas. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA d) ( ) A redução de etapas no processo de produção, promovendo a terceirização de processos fora do escopo de negócios da empresa. e) ( ) Todas as alternativas acima explicam a simplicidade e a modularidade do produto. Questão 3: A análise dos requisitos legais de um produto fruto de um projeto de ecodesign deve considerar: a) ( ) O pagamento dos tributos que serão cobrados da empresa. b) ( ) A contratação de um advogado especializado em gestão ambiental. c) ( ) A conformidade com os regulamentos e as normas que envolvem este produto. d) ( ) Os limites de ganhos financeiros que serão propiciados por um produto sustentável. e) ( ) A prestação de contas com as organizações não governamentais. Aprenda mais Visite o site do Ministério do Meio Ambiente, com especial atenção aos links referentes ao ecodesign, no endereço <http://www.mma.gov.br/component/k2/item/7654>. Referências BORCHARDT, M. et al. Considerações sobre ecodesign: um estudo de casos na indústria eletrônica automotiva. Ambiente e Sociedade. Campinas: PROCAM-USP, v. 9, n. 2, 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/asoc/v11n2/v11n2a09.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2013. NAIME, R.; ASHTON, E.; HUPFFER, H. M. Do design ao ecodesign: pequena história, conceitos e princípios. Rev. Elet. Em Gestão, Educação e Tecnologia Ambiental. Santa Maria: UFSM, v. 7, n. 7, 2012. Disponível em: <http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs- 2.2.2/index.php/reget/article/view/5265/3630>. Acesso em: 11 jun. 2013. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA RIBEIRO, M. A. Ecologia Industrial. Portal do Meio Ambiente. Niterói: REBIA, 2010. Disponível em: <http://www.portaldomeioambiente.org.br/blogs/mauricio-andres- ribeiro/4516-ecologia-industrial>. Acesso em: 29 jun. 2013. ROCHA, C. (Coord.) Manual de Ecodesign – InEDIC. Lisboa: InEDIC, 2011. Disponível em: <http://www.adam-europe.eu/prj/5887/prd/1/2/InEDIC_MANUAL_PT.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2013. TEIXEIRA, C. E.; YOSHIKAWA, N. K. Ecologia industrial e sustentabilidade. Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT. São Paulo: IPT, [S.I.]. Disponível em: <http://www.ipt.br/colunas_tecnicas/17.htm>. Acesso em: 29 jun. 2013. http://www.adam-europe.eu/prj/5887/prd/1/2/InEDIC_MANUAL_PT.pdf GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Aula 7: Branding de sustentabilidade Introdução Na medida em que as marcas mais poderosas do mundo almejam agregar valores socioambientais, os líderes de negócios e os profissionais de marketing enfrentam o novo desafio de diferenciar suas empresas, seus produtos e seus serviços em um mercado cada vez mais ocupado por competidores sustentáveis. (BEMPORAD; BARANOWSKI) No contexto do desenvolvimento sustentável e dos produtos sustentáveis, a atividade do branding também precisou se reinventar. Maisconhecida como a função do marketing responsável pela gestão da marca, o branding precisou ir além do tradicional papel de guardião da imagem de uma empresa e de seus produtos. Hoje, ele precisa investir em ações dialógicas e em relacionamento. Esta nova postura do branding também deve se alinhar com a responsabilidade socioambiental que os consumidores esperam identificar nas empresas e em seus produtos. Soma-se a isso o fato de os consumidores estarem mais bem informados e o aumento do grau de competitividade, inclusive em termos qualitativos. São estes os principais desafios que o branding de sustentabilidade precisará enfrentar no século XXI, conforme estudaremos nesta aula. Objetivos: Definir branding e brand equity. Definir branding de sustentabilidade. Explicar os princípios que norteiam o branding de sustentabilidade. Conteúdo Introdução Você possivelmente já ouviu, leu ou até mesmo replicou uma ou mais destas afirmativas: GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA O consumidor de hoje é cada vez mais volátil. Ele não se prende a uma marca, pois se permite experimentações. Está mais difícil conquistar o consumidor. Ele está mais exigente e mais crítico. A mente e o comportamento do consumidor são caixinhas de surpresa. Ninguém mais pode garantir que entende destas caixinhas com tanta segurança e precisão. Não é só o preço que atrai o consumidor. Precisamos daquele “algo a mais” para atraí-lo e conquistá-lo. Se estas frases soam familiares para você, podemos dizer que temos um bom começo para entendermos a importância do tema desta Aula 7. Em mercados e setores tão complexos, competitivos e multifacetados como aqueles que temos hoje, o papel do branding tem assumido uma posição de alto valor estratégico. Conforme vimos anteriormente, apenas um bom preço não é suficiente para conquistar o consumidor e muito menos para mantê-lo. O consumidor de hoje é mais crítico e mais complexo. Por outro lado, este mesmo consumidor também tem sido desafiado ao estar exposto a uma profusão de ofertas, marcas e signos que podem deixá-lo atordoado em muitos momentos. Se por um lado há muitas opções para serem avaliadas, por outro esta multiplicidade de informações pode confundir o processo de decisão de compra do consumidor. Conforme estudaremos a seguir, vamos entender como o branding pode ser uma teoria e uma atividade importantes nesta era de superlativos, com especial destaque ao papel do branding para os produtos e as marcas que são construídas à luz da filosofia do desenvolvimento sustentável. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Marca Nosso primeiro passo será entender o conceito de marca. Uma das definições mais usadas e citadas por autores e profissionais de marketing é aquela criada pela American Marketing Association (AMA), “marca é um nome, termo, símbolo, desenho ou uma combinação desses elementos que deve identificar os bens ou serviços de um fornecedor ou grupo de fornecedores e diferenciá-los dos da concorrência” (AMA apud KELLER; MACHADO, 2006, p. 2). Keller e Machado (2006) fazem uma análise crítica desta definição da AMA. De acordo com estes autores, o nome, o termo, o símbolo e o desenho são os elementos de uma marca, e não a marca propriamente dita. Logo, qual conceito de marca podemos usar? De forma bem simples, vamos lembrar que a marca é uma forma de “batizar” um fornecedor e seus produtos (sejam estes bens ou serviços). Assim como um indivíduo precisa ter o registro de um nome ao nascer, a comparação também vale para o nascimento de uma empresa e de seus respectivos produtos. Entretanto, não basta apenas que um nome seja registrado. Este nome deve representar a identidade desta empresa e/ou deste produto. É o que chamamos de associação, ou seja, a marca é a ponte que liga o produto à sua identidade. A escolha do nome de uma marca é um processo conhecido como Naming. Esta é, provavelmente, a etapa mais difícil na construção de uma marca. O nome da marca precisa considerar uma série de associações, dentre as quais podemos destacar: o benefício central do produto; GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA a sonoridade do nome; a originalidade do nome; a facilidade de lembrança do nome; a imagem que se deseja projetar com este nome; possíveis promessas racionais que devem ser projetadas com este nome. Figura 7.1 – Exemplos de marcas brasileiras consagradas Fontes: <http://www.bradesco.com.br/html/classic/index.shtm>; <http://www.natura.net/br/index.html>; <http://www.petrobras.com.br/pt/>. Hoje, o consumidor está mais habituado ao uso de ferramentas sofisticadas de tecnologia da comunicação, com especial destaque aos dispositivos móveis como celulares, smartphones e tablets. Logo, podemos inferir que a marca que deseja sobreviver e progredir neste cenário precisa incorporar características exigidas por estes consumidores hiperconectados, tais como a capacidade de interação, o imediatismo e o valor agregado (DIAS, 2011, p. 68). Com relação aos papéis que uma marca desempenha, podemos analisá-los em duas perspectivas: a do consumidor e a do fornecedor. A figura abaxo ilustra bem estes papéis dos dois lados: GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Figura 7.2 Fonte: KELLER; MACHADO, 2006, com adaptações. Criar e administrar uma marca têm sido uma atividade muito mais complexa. Dentre as diversas justificativas que podem ser explicadas, vamos nos concentrar nas seguintes, de acordo com a perspectiva de Keller e Machado (2006): Os clientes estão mais críticos e mais bem informados – desde os primeiros movimentos consumeristas na década de 1960 até os dias atuais, o consumidor tem adotado uma postura muito mais ativa e reivindicadora. No Brasil, um importante fator foi a instituição do Código Brasileiro do Consumidor em 1990, que trata “do conjunto de normas que estabelece os direitos do consumidor e os deveres dos fornecedores de produtos e serviços no país”, assim como “padrões de conduta, prazos e penalidades em caso de desrespeito à lei”. (BRASIL. S.I. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/para/servicos/defesa-do- consumidor/codigo-defesa-consumidor>). Os clientes têm maior poder de barganha – na medida em que os clientes se qualificam, estes também passam a ter acesso a tecnologias de comunicação inéditas e propiciadas pela internet. O grande marco foi a popularização das redes sociais, pelas GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA quais o consumidor pode atuar como juiz das empresas e dos produtos, além de disseminar exponencialmente suas experiências e as de outros consumidores. Proliferação de novas marcas e produtos – está cada vez mais difícil se diferenciar dos competidores. Logo, um dos principais atributos diferenciadores que restam aos fornecedores é a marca, que pode conjugar aspectos afetivos com aspectos racionais. Mesmo assim, administrar uma marca neste cenário tão competitivo tornou-se uma atividade especialmente desafiadora. Mídia fragmentada – a popularização da internet e das emissoras pagas mudou significativamente o comportamento do consumidor perante os meios e seus respectivos veículos. Se até a década de 1990 a veiculação de um comercial em uma emissora líder da TV aberta representava retorno garantido, hoje esta lógica tem sido muito questionada. Grande parte deste público, antes cativo, agora migra para a internet e para as opções pagas da TV. Administrar uma marca em meio a este público consumidor tão difuso exige estudo, pesquisa, planejamento e controle muito criterioso. Aumento dos custos e pressão por resultados financeiros – diante de um público mais exigente,das mídias fragmentadas e do alto grau de competitividade, o custo para lançar ou manter uma marca tem crescido nas últimas décadas. Some-se a isto a intensa pressão por resultados financeiros aos quais os profissionais de marketing têm sido submetidos. Não é raro que estes fatores, em conjunto, incentivem “soluções paliativas rápidas, cujas consequências talvez sejam adversas no longo prazo” (KELLER; MACHADO, 2006, p. 29). Brand equity Após compreendermos o que são uma marca e suas principais implicações, vamos discutir um segundo conceito fundamental: o brand equity. Em uma tradução livre, brand equity é GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA o “patrimônio da marca” ou “valor patrimonial da marca”. O que se entende por patrimônio? Toda marca é composta por um “conjunto de atributos intangíveis [...] representado por todas as associações positivas (funcionais ou emocionais) relacionadas à marca” (SANTOS apud KELLER; MACHADO, 2006, p. 30). E quais são estes atributos intangíveis? A preocupação com a sustentabilidade socioambiental pode ser um exemplo, assim como a excelência na seleção da matéria-prima. O brand equity é este conjunto de atributos intangíveis positivos que assume o papel de valor patrimonial da marca. Outra definição que podemos destacar é a seguinte: “brand equity é o valor adicional da marca sob o prisma do consumidor e da empresa que a possui para diferenciar seus produtos [...] e a própria organização” (SAMPAIO apud KELLER; MACHADO, 2006, p.30). Ainda segundo este autor, para o consumidor o brand equity justifica o quanto ele se dispõe a pagar pelo produto (design, durabilidade, prestígio, status), enquanto para a empresa o brand equity propicia o aumento de share of mind (quantas pessoas se lembram da minha marca), de share of heart (quantas pessoas preferem a minha marca) e de market share (qual a participação da minha marca no mercado). Por fim, existe a definição de Martins (2006), segundo a qual o brand equity “é tudo aquilo que uma marca possui, de tangível e intangível”, além de ser “a somatória dos valores e atributos das marcas, que devem se transformar em lucros para os seus proprietários e acionistas” (MARTINS, 2006, p. 193). Em uma visão prática, a empresa precisa estar apta a avaliar seu brand equity, inclusive em termos monetários. Existem consultorias especializadas neste tipo de atividade que utilizam diferentes metodologias. Em uma visão geral, podemos destacar alguns atributos GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA que são considerados para efeito de avaliação do brand equity, tais como: patentes, copyright, licenças, análise de custos e valor de mercado comparado (MARTINS, 2006). Branding Com os conceitos de marca e de brand equity estudados, vamos definir a atividade do branding. Para Keller e Machado (2006), branding compreende as atividades que otimizam e facilitam a gestão de uma marca, tornando-a um diferencial competitivo. Dentre estas atividades, os autores citam o design, o naming, a proteção legal, a pesquisa de mercado, o posicionamento e a comunicação. Na visão de Martins (2006), “branding é o conjunto de ações ligadas à administração das marcas [...] que, tomadas com conhecimento e competência, levam as marcas além de sua natureza econômica, passando a fazer parte da cultura e influenciar a vida das pessoas” (MARTINS, 2006, p. 8). Ainda podemos acrescentar que o branding é uma atividade centrada na gestão da marca em seus múltiplos aspectos, cujo papel é especialmente importante nesta era de hipercompetitividade e de commoditização dos produtos, ou seja, um produto tende a ter menor capacidade de diferenciação em comparação aos seus concorrentes. Logo, uma marca forte, bem construída e com alto brand equity será uma forma de diferenciar seu produto para além dos atributos tradicionais. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Figura 7.3 – As marcas brasileiras mais valiosas em 2012 – Fonte: Interbrand - Disponível em: <http://www.interbrand.com/Libraries/Branding_Studies_Portuguese/Marcas_Brasileiras_ Mais_Valiosas_-_2012.sflb.ashx>. Branding de sustentabilidade O fortalecimento da filosofia do desenvolvimento sustentável tem mudado significativamente a forma como as empresas conduzem seus negócios. Apesar de este movimento ainda ser incipiente em muitos mercados, é inegável que a pressão social por este tipo de atitude vem crescendo. A proliferação de termos relativos à questão da sustentabilidade é um importante sinal deste avanço. A imprensa e o meio empresarial têm criado e disseminado expressões GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA como negócio verde, ecoeficiência, biocapacidade, consumo consciente e pegada ecológica, dentre muitos outros. Para Dias (2011), esta perspectiva do desenvolvimento sustentável redefine a atividade do branding. Hoje, a marca deve ser compreendida e construída como uma imagem consistente da empresa e do produto, agregando valores como ética, justiça e humanidade. A marca deve ser cada vez mais simbólica e cultural. Esta análise está alinhada com o paradigma do Marketing 3.0, conforme estudamos na Aula 1. O consumidor se vincula a uma marca na medida em que nela identifica valores humanos e socioambientais, compreendendo que aquela marca assume um papel de responsabilidade perante as questões que mais mobilizam a agenda da sustentabilidade. Bemporad e Baranowski (2008) destacam os seguintes cinco princípios que orientam o branding de sustentabilidade: 1) Integração entre promessa e ação – os consumidores estão mais críticos e mais vigilantes quanto à coerência entre o discurso da empresa e as ações práticas, exigindo produtos realmente sustentáveis. 2) Copropriedade – as empresas devem entender que sua marca e seu negócio não pertencem unicamente ao proprietário ou aos acionistas, pois os stakeholders exigem uma participação cada vez mais ativa, influenciando inclusive nas decisões da empresa. 3) Proposição de triplo valor – as marcas sustentáveis devem se fundamentar em três valores: os benefícios práticos do produto, os benefícios socioambientais do produto e os benefícios comunitários do produto. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA 4) Transparência – a comunicação das ações e dos resultados das empresas deve ser feita de forma consistente e transparente, comprovando aos stakeholders a efetividade da postura de responsabilidade socioambiental da empresa. 5) Participação – a empresa na era da sustentabilidade deve construir sua marca ouvindo o consumidor e recorrendo a suas diversas experiências, utilizando este conhecimento como capital para o seu negócio. Assim como Bemporad e Baranowski (2008) criaram sua perspectiva sobre o branding de sustentabilidade, outro autor, chamado Maddock (2010), também sugere uma abordagem que pode ser vista como complementar à primeira que analisamos. Para Maddock (2010), o branding de sustentabilidade deve se apoiar nos seguintes cinco princípios: 1) seja competitivo por meio de inovações sustentáveis; 2) relacione-se com seu consumidor e entenda quais soluções sustentáveis ele deseja; 3) desenvolva soluções sustentáveis com foco no seu core business; 4) mantenha uma comunicação aberta e dialógica com seu consumidor; 5) comprove credibilidade em sua postura sustentável por meio de resultados concretos. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Figura 7.4 – As 50 marcas mais sustentáveis do mundo Fonte: INTERBRAND/BEST GLOBAL GREEN BRANDS – Publicado em Exame.com Atividade proposta Assista ao vídeo de apresentação da linha Ecobril, da empresa Bombril, disponível em nossa galeria de vídeos.Após assistir a este vídeo, reflita sobre as seguintes questões: quais são os valores que compõem o brand equity da marca Ecobril? E como este brand equity se apoia na filosofia do desenvolvimento sustentável? GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Exercícios de fixação Questão 1: Qual das seguintes premissas NÃO está prevista no processo de naming de uma marca? a) ( ) O benefício central do produto. b) ( ) A sonoridade do nome. c) ( ) A imagem que se deseja projetar com este nome. d) ( ) Possíveis promessas racionais que devem ser projetadas com este nome. e) ( ) A associação com o sobrenome do fundador da empresa. Questão 2: Sobre o brand equity, qual alternativa explica corretamente este conceito? a) ( ) É a construção de um fundo de investimento no qual a empresa deposita o lucro obtido pela venda da marca. b) ( ) É a somatória dos valores e atributos das marcas, que devem se transformar em lucros para os seus proprietários e acionistas. c) ( ) É a garantia que uma empresa deve fornecer ao consumidor quanto ao cumprimento das promessas de venda de um produto. d) ( ) É a igualdade, em termos de peso de importância, entre os elementos de uma marca, tais como nome, símbolo e desenho. e) ( ) Todas as afirmativas estão erradas. Questão 3: Na perspectiva de Bemporad e Baranowski (2008), o branding de sustentabilidade deve se apoiar nos seguintes princípios: a) ( ) Integração entre promessa e ação e proposição de triplo valor. b) ( ) Redução de custos de comunicação e participação do consumidor. c) ( ) Prioridade às questões de reuso/reciclagem/redução e copropriedade. d) ( ) Redução da margem de lucro do negócio e proposição de triplo valor. e) ( ) Prestação de contas com as organizações não governamentais e copropriedade. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Referências BEMPORAD, R.; BARANOWSKI, M. Branding for sustainability – Five principles for leveraging brands to create shared value. In: BBMG. New York: BBMG, 2008. Disponível em: <http://www.packagedesignmag.com/sites/www.packagedesignmag.com/files/BBMG_sust ainability_white_paper_0.pdf >. Acesso em: 16 jun. 2013. DIAS, H. Eco-branding – a revolution in the new media age. Comunicação e Sociedade. Braga: CECS/Universidade do Minho, v. 19, 2011. Disponível em: <http://www.lasics.uminho.pt/ojs/index.php/comsoc/article/view/898/858>. Acesso em 1º jul. 2013. KELLER, K. L.; MACHADO, M. Gestão estratégica de marcas. São Paulo: Pearson, 2006. MADDOCK, G. M. The five C´s of sustainability branding. In: Bloomberg Businessweek. New York: Bloomberg, 2010. Disponível em: <http://www.businessweek.com/managing/content/aug2010/ca2010089_664415.htm>. Acesso em: 16 jun. 2013. MARTINS, J. R. Branding – um manual para você criar, gerenciar e avaliar marcas. São Paulo: Global Brands, 2006. Disponível em: <http://www.globalbrands.com.br/artigos-pdf/livro-branding-o-manual-para-voce-criar- gerenciar-e-%20avaliar-marcas.pdf>. Acesso em 1º jul. 2013. http://www.lasics.uminho.pt/ojs/index.php/comsoc/article/view/898/858 GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Aula 8: Posicionamento, embalagem e rotulagem de produtos sustentáveis Introdução A sustentabilidade deve ser a base para a inovação empresarial e, no futuro, somente quem fizer da sustentabilidade uma meta terá vantagem competitiva”. (Mario Sergio C. Alencastro) A decisão de se posicionar como empresa sustentável não deve ficar restrita ao discurso. Este compromisso deve ser assumido na cultura organizacional e, principalmente, nas ações que são realizadas pelas diversas áreas e instâncias do negócio. O modo de produção e as relações da empresa com os stakeholders precisam seguir os preceitos da sustentabilidade. Nesta última aula, vamos estudar como o conceito de posicionamento deve ser avaliado e executado por empresas sustentáveis. Também estudaremos as implicações práticas no campo da embalagem e da rotulagem de produtos sustentáveis, que são fundamentais tanto para sinalizar o compromisso da empresa com a sustentabilidade, quanto para facilitar a comunicação deste compromisso ao consumidor. Objetivos: Definir posicionamento competitivo sustentável. Explicar os elementos que compõem uma embalagem sustentável. Explicar os elementos da rotulagem ambiental. Conteúdo Introdução Na medida em que se fortalece o paradigma do desenvolvimento sustentável, maior será a pressão social sobre as empresas e sobre o Governo para que seus produtos (tanto bens quanto serviços) sejam igualmente sustentáveis. Esta nova postura implica na necessidade GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA de rever e harmonizar a relação de uma empresa com seus diversos stakeholders, dentre os quais se inclui o consumidor. Entretanto, mais do que enfatizar o desenvolvimento sustentável no discurso, é fundamental que as empresas apliquem em seu cotidiano os princípios que norteiam um negócio sustentável. As ações práticas devem se apoiar na perspectiva da responsabilidade socioambiental, sempre em equilíbrio com os objetivos econômicos e mercadológicos da empresa. Dentre as várias ações práticas que podem se apoiar no paradigma do desenvolvimento sustentável, podemos destacar duas que são altamente impactantes aos olhos e à experiência do consumidor: a embalagem e a rotulagem dos produtos. Apesar de a embalagem e da rotulagem serem aspectos especialmente sensíveis à fabricação e à oferta de bens, também podemos aplicar estes princípios na produção e na oferta de serviços. Nesta última aula da nossa disciplina, estudaremos a importância do posicionamento competitivo para as empresas, com enfoque no desenvolvimento sustentável. Também estudaremos como este posicionamento pela sustentabilidade pode ser traduzido na embalagem e na rotulagem dos produtos. Posicionamento competitivo Sua empresa e seus respectivos produtos devem ser facilmente reconhecidos por seu consumidor. Esta é uma condição essencial para que sua marca seja lembrada, citada e preferida nos mercados em que ela está presente e atuante. Entretanto, este reconhecimento não é conquistado imediatamente nem aleatoriamente. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA A construção e a conquista deste reconhecimento é um dos objetivos centrais do processo de posicionamento de uma empresa e, em consequência, do posicionamento de sua marca e de seus produtos. Mas como uma empresa constrói seu posicionamento? Para Kotler e Keller (2012), posicionamento consiste em projetar o produto e a imagem da empresa na mente dos consumidores, de forma que sua marca conquiste um lugar diferenciado. O posicionamento deve explicitar a essência da marca, “identificando os objetivos que ela ajuda o consumidor a alcançar e mostrando como isso é feito de maneira inigualável” (KOTLER; KELLER, 2012, p. 294). Hooley et al. (2011) definem posicionamento como “uma declaração de metas de mercado, isto é, onde a empresa competirá, e da vantagem diferencial ou como a empresa irá competir” (HOOLEY et al., 2011, p. 35). Ainda nesta perspectiva, o posicionamento deve ser competitivo, ou seja, a empresa deve buscar e construir um conjunto de diferenciais que a coloque em um patamar distinto dos seus competidores. Se o posicionamento competitivo da empresa deve se apoiar em sua vantagem diferencial, precisaremos, então, compreender este último conceito. De forma resumida, uma vantagem diferencial é uma “competência distintiva em relação à concorrência” (HOOLEY et al., 2011). Dentre os exemplos de vantagem diferencial, podemos citar a durabilidade do produto, a qualidade da matéria-prima, o preço baixo, o prestígio da marca e o design, dentre muitas outras possibilidades.O que Hooley et al. (2011) chamam de vantagem diferencial, Kotler e Keller (2012) chamam de proposição de valor focada no cliente. Os termos são diferentes, mas a ideia central é similar. Observe na Figura 8.1 alguns exemplos práticos. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Figura 8.1 Fonte: KOTLER; KELLER (2012) Posicionamento competitivo sustentável Na era da sustentabilidade, as estratégias de posicionamento das empresas tendem a convergir gradualmente para este paradigma. Hart e Milstein (2004) sugerem o uso do modelo do valor sustentável, segundo o qual as empresas devem se posicionar por meio dos quatro motivadores globais de sustentabilidade. O primeiro motivador global de sustentabilidade é a industrialização acelerada e suas consequências (uso desordenado de matéria-prima, geração de resíduos, poluição, alterações climáticas, impactos no ecossistema). O segundo motivador é a complexidade das relações com os stakeholders, com destaque para o fortalecimento de grupos de pressão como as organizações não governamentais e demais organizações da sociedade civil. O terceiro motivador é o conjunto de “tecnologias emergentes que oferecem soluções poderosas e revolucionárias que podem tornar obsoletas as bases de muitas das atuais indústrias que usam energia e matérias-primas de forma intensiva” (HART; MILSTEIN, 2004, p. 69). O foco destas tecnologias emergentes está no uso de alternativas limpas. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Finalmente, o quarto motivador “relaciona-se com o aumento da população, da pobreza e da desigualdade associado à globalização” (HART; MILSTEIN, 2004, p. 69), no qual o desenvolvimento socioeconômico deve ser promovido de forma responsável e sustentável. Na Figura 8.2 você poderá analisar como estes motivadores podem servir de ponto de partida para a formulação do posicionamento competitivo sustentável de uma empresa. Figura 8.2 – O modelo de valor sustentável e os motivadores globais de sustentabilidade Fonte: HART; MILSTEIN (2004) Embalagem Inicialmente, a embalagem foi compreendida como um elemento do produto que, conforme sugere o nome, embala e protege o conteúdo a ser vendido para o consumidor. Ao cumprir esta função, a embalagem propicia não apenas o acondicionamento, mas também o armazenamento, o transporte e a exposição do produto ao consumidor. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Figura 8.3 – Evolução da embalagem do Leite Condensado Moça Nestlé Fonte: Mundo do Marketing De acordo com Mestriner (2007), o início do século XIX foi marcado pelo surgimento das embalagens com maior apuro estético, graças ao trabalho desenvolvido por artistas como pintores, ilustradores e gravadores. Nesta época, as artes das embalagens apresentavam a estética art nouveau, que era o estilo característico deste período. Figura 8.4 – Embalagem do Polvilho Antisséptico Granado, fabricado em 1903, com estética art nouveau Fonte: GRANADO GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Décadas mais tarde, já em 1950, houve a crescente popularização do modelo de varejo dos supermercados, consolidando o sistema de autosserviço, no qual o consumidor tem acesso direto ao produto sem necessitar da intervenção de um balconista. Esta mudança na relação entre consumidores e produtos foi fundamental para que a embalagem ganhasse uma nova dimensão. Agora, a embalagem passa a ser responsável em “apresentar, explicar e vender o produto, o que desencadeou uma verdadeira revolução no design e na comunicação aplicados à embalagem” (MESTRINER, 2007, p. 4). Na década de 1970, com o fortalecimento da atividade do marketing, a embalagem acumula nova função. Desta vez, a embalagem é usada para ações de promoção de vendas, incentivando “as vendas por meio da inclusão de figurinhas, estampas e pequenos brindes” (MESTRINER, 2007, p. 5). Hoje, a embalagem é uma ferramenta essencial na atividade do branding, pois propicia a “sustentação ao trabalho de construção da imagem de marca”, além de ser fortemente “utilizada para construir relacionamento com os consumidores” (MESTRINER, 2007, p. 5). Também vale ressaltar que a embalagem tem sido amplamente utilizada como mídia, pois ela pode ser utilizada como veículo de comunicação que transmite mensagens para o consumidor. Embalagem sustentável A aplicação do conceito de sustentabilidade deve-se passar, em primeiro lugar, pelo estudo da melhor solução de embalagem de acordo com o produto a ser acondicionado. Pensando na proteção à saúde e ao bem-estar do consumidor, a empresa deve garantir que a embalagem entregará um produto em conformidade com as exigências sanitárias e de segurança em vigor no mercado em questão. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA O próximo passo é buscar soluções sustentáveis para a embalagem ao longo de seu ciclo de vida, ou seja, desde seu desenvolvimento até seu descarte, a fim de “minimizar a geração de resíduo e desperdício, prevendo a destinação final adequada, oferecendo o reaproveitamento de seu material e não tendo efeitos indesejáveis no meio ambiente.” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMBALAGEM. Disponível em: <http://www.abre.org.br/comitesdetrabalho/meio-ambiente-e- sustentabilidade/embalagem-sustentavel/>.) Logo, o desafio da embalagem sustentável é equilibrar estas duas pontas: de um lado, garantir o acondicionamento adequado do produto; do outro lado, garantir a minimização dos impactos socioambientais da embalagem no decorrer do seu ciclo de vida. Mohan (S.I.) desenvolveu os seguintes princípios (aqui apresentados com adaptações) que devem ser seguidos por empresas que desejam se aprofundar no desenvolvimento e na fabricação de embalagens sustentáveis: 1) Utilize a metodologia de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), conforme estudamos na Aula 5. 2) Avalie cada componente da sua embalagem, a fim de identificar pontos de melhoria com foco no uso reduzido de matéria-prima e no uso de recursos limpos e renováveis. 3) Estude soluções que otimizem o custo de fabricação e de distribuição, pois já existe tecnologia que propicia inovações como eliminar bandejas de papelão e reduzir o uso de plástico, dentre outras. 4) Sempre que possível, invista em embalagens que possam ser reusadas pelo consumidor, no aumento da vida útil da embalagem, e que possam ser recicladas, propiciando a devolução delas ao ciclo produtivo da empresa. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA 5) Pesquise a viabilidade de mudanças na fórmula do seu produto, investindo, por exemplo, em produtos com fórmulas concentradas que diminuem o uso de água em sua composição e que reduzem o tamanho da embalagem. 6) Conheça a origem da matéria-prima de sua embalagem e eleja fornecedores comprovadamente alinhados com as práticas sustentáveis. Figura 8.5 – Embalagem da água mineral Crystal, fabricado pela The Coca Cola Company, cuja composição contém 30% de cana-de-açúcar. Fonte: INSTITUTO AKATU Figura 8.6 – Exemplos de produtos concentrados na linha de amaciantes de roupas GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Fonte: Behind Brands Rotulagem A rotulagem consiste na inscrição de informações sobre o produto que é feita em sua embalagem. Esta inscrição pode ser feita por meio da fixação de papéis adesivados sobre a embalagem ou por meio da impressão direta na embalagem. Figura 8.6 – Exemplos de rotulagem: à esquerda, o rótulo foi adesivado, enquanto à direita o rótulo foi impresso diretamente na embalagem Fonte: Superinteressante O rótulo de um produto deve indicar informações como quantidade, prazo de validade, composição doproduto, identificação do fabricante, endereço, contatos, identificação do lote e instruções de uso. No caso dos rótulos de alimentos, devem ser acrescentadas informações como ingredientes, método de conservação e valor nutricional, Recomenda-se ao fabricante que seja realizado um estudo detalhado sobre a legislação de embalagem e rotulagem em vigor no mercado em questão. No caso brasileiro, podemos GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA citar o Ministério da Saúde, o Ministério da Agricultura, a ANVISA, o Inmetro e o Código de Defesa do Consumidor. Rotulagem ambiental Vamos analisar as seguintes definições de rotulagem ambiental: O objetivo dos rótulos ambientais é indicar as características ambientais de um produto ou serviço. Em geral, aparecem como um símbolo impresso na própria embalagem. [...] Ele funciona como um comprovante de que a empresa ajuda a conservar a natureza. (CURI, 2012, p. 85) “A rotulagem ambiental constitui [...] um serviço prestado ao consumidor de informação sobre a performance ambiental do produto e dos processos utilizados na sua fabricação. Assim ajuda a orientar a escolha dos consumidores ao incluir dados sobre o desempenho ambiental ao lado de itens como preço, riscos à saúde, qualidade e quantidade” (ALENCASTRO, 2012, p. 80) “A rotulagem ambiental é uma ferramenta de comunicação que objetiva aumentar o interesse do consumidor por produtos de menor impacto, possibilitando a melhoria ambiental contínua orientada pelo mercado” (ABRE, 2012, p. 5). O primeiro passo é adotar a Simbologia Técnica de Identificação de Materiais. Os símbolos identificam com clareza qual o tipo de material utilizado na embalagem daquele produto, facilitando o processo de seleção para posterior descarte coletivo e reciclagem. Por outro lado, conforme ressalta a ABRE (2012), o uso da Simbologia Técnica de Identificação de Materiais, de forma isolada, não pode ser considerado rotulagem ambiental e nem fornece garantia de que aquela embalagem será reciclada. GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Figura 8.7 – Exemplos de símbolos de identificação de materiais Fonte: Associação Brasileira de Embalagem (ABRE) Se a empresa assumir oficialmente seu compromisso com as práticas de sustentabilidade, ela deve adotar a Simbologia Técnica de Descarte Seletivo, acompanhado da Simbologia Técnica de Identificação de Materiais, conforme mostra a Figura 8.8. Figura 8.8 – À esquerda, a Simbologia Técnica de Descarte Coletivo; à direita, um dos símbolos de identificação de materiais, a ser aplicado conforme o tipo de material usado na embalagem. Fonte: Associação Brasileira de Embalagem (ABRE) Quanto à classificação da rotulagem ambiental, os autores apresentam análises com ligeiras diferenças. Para fins didáticos, nesta aula vamos adotar o referencial teórico de Alencastro (2012). Para este autor, podemos classificar a rotulagem ambiental nas duas principais categorias: GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA 1) Rotulagem de primeira parte – O processo parte da iniciativa dos fabricantes e, por esta razão, é também chamada de autodeclaração ambiental. A rotulagem é feita por meio de programas implementados. O objetivo é enfatizar atributos como biodegradável, reciclável, retornável, não agride a camada de ozônio, entre outros (Alencastro, 2012). Figura 8.9 – Exemplos de rótulos de primeira parte (autodeclarações) no Brasil 2) Rotulagem de terceira parte – O processo parte de órgãos independentes e pode ser voluntário ou mandatário. A rotulagem voluntária é realizada “por entidades, organizações comerciais ou não governamentais reconhecendo que o produto cumpriu determinado padrão ambiental previamente estabelecido” (DIAS apud ALENCASTRO, 2012, p. 81). Ainda segundo este autor, o exemplo mais conhecido é a categoria dos selos verdes. Figura 8.10 – Exemplos de rótulos de terceira parte – voluntário/selos verdes Fontes: ALENCASTRO (2012); BLAUER ENGEL Já a rotulagem mandatória é obrigatória. Pode ser de dois tipos: a mandatória informativa e a mandatória de alerta/aviso de risco. A rotulagem mandatória informativa apresenta GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA informações sobre consumo de energia e consumo de combustível, enquanto a rotulagem mandatória de alerta/aviso de risco adverte quanto a possíveis danos que podem ser causados para a saúde e a segurança do consumidor. Figura 8.11 – Exemplo de rotulagem mandatória informativa – Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE)/modelo de etiqueta de eficiência energética elaborado pelo Inmetro Fonte: Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) Figura 8.12 - Exemplos de rotulagem mandatória de alerta/aviso de risco Fonte: Dnit apud ALENCASTRO (2012) GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Atividades Visite a página sobre sustentabilidade da empresa Philips, no endereço <http://www.sustentabilidade.philips.com.br/o-que-sustentabilidade-para-a- philips.htm>. Leia com especial atenção os links “Nossa promessa de marca”, “Nossa estratégia de negócios”, “Desafios compartilhados” e “Reconhecimentos em sustentabilidade”. Em sua perspectiva, a Philips pode ser considerada uma empresa com posicionamento focalizado na sustentabilidade? Comente. Exercícios de fixação Questão 1: O posicionamento competitivo sustentável se apoia nos motivadores globais de sustentabilidade, conforme preconizam Stuart Hart e Mark Milstein. Assinale a única alternativa que indica um motivador INCORRETAMENTE: a) ( ) A industrialização acelerada. b) ( ) O derretimento das calotas polares. c) ( ) As relações com os stakeholders. d) ( ) A pobreza e a desigualdade social. e) ( ) As matrizes energéticas poluentes. Questão 2: O desafio da embalagem sustentável é equilibrar dois interesses: de um lado, garantir o acondicionamento adequado do produto; do outro, garantir a minimização dos impactos socioambientais da embalagem no decorrer do seu ciclo de vida. Qual das seguintes alternativas analisa corretamente esta afirmativa? a) ( ) O primeiro interesse é verdadeiro, enquanto o segundo interesse é falso. b) ( ) O primeiro interesse é falso, enquanto o segundo interesse é verdadeiro. c) ( ) Ambos os interesses são verdadeiros. http://www.sustentabilidade.philips.com.br/o-que-sustentabilidade-para-a-philips.htm http://www.sustentabilidade.philips.com.br/o-que-sustentabilidade-para-a-philips.htm GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA d) ( ) Ambos os interesses são falsos. e) ( ) A afirmativa se aplica apenas às empresas certificadas com um selo verde. Questão 3: Sobre a rotulagem ambiental, existe um tipo cujo processo parte da iniciativa dos fabricantes e, por esta razão, é também chamada de autodeclaração ambiental. Qual o nome correto deste tipo de rotulagem? a) ( ) Rotulagem de primeira parte. b) ( ) Rotulagem de terceira parte - mandatória informativa. c) ( ) Rotulagem de terceira parte - mandatória de alerta/aviso de risco. d) ( ) Rotulagem de terceira parte - voluntária. e) ( ) Simbologia Técnica de Descarte Coletivo. Aprenda mais Assista ao vídeo sobre sustentabilidade da empresa Aché Laboratórios, disponível em nossa Galeria de vídeos. Referências ALECANSTRO, M. S. C. Empresas, ambiente e sociedade: introdução à gestão socioambiental corporativa. Curitiba: InterSaberes, 2012. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMBALAGEM. Diretrizes de Rotulagem Ambiental para Embalagens – Autodeclarações Ambientais Rotulagem do Tipo II. 2. ed. São Paulo: ABRE, 2012. Disponível em: <http://www.abre.org.br/wp- content/uploads/2012/07/cartilha_rotulagem.pdf>. Acesso em: 16 jun. 2013. BARBOZA, E. M.F. Rotulagem ambiental – rótulos ambientais e análise do ciclo de vida (ACV). 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Tenha em mente que quaisquer destas (ou outras) ações devem motivar seu cliente a agir de forma ativa, a opinar e a se sentir valorizado, além de garantir mecanismos que propiciem o feedback da empresa ao cliente. Exercício de fixação Questão 1: D Questão 2: E Questão 3: B Questão 4: D Aula 2 Atividade proposta A escolha do compromisso será realizada pelo aluno. É importante observar como as premissas e as ações descritas naquele compromisso escolhido podem ser relacionadas com os princípios do Marketing 3.0. Por exemplo: há alguma ação que se relaciona com o princípio da humanização nas relações entre empresa e cliente? Há alguma ação que se relaciona com o princípio do bem-estar coletivo? Exercício de fixação Questão 1: A Questão 2: E GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Questão 3: D Aula 3 Atividade proposta Para formular sua reflexão, considere os pressupostos estudados nesta aula. Faça associações com o conteúdo da entrevista na matéria que você leu. Seja honesto consigo e avalie quais obstáculos você deve ultrapassar para assumir uma postura colaborativa com seu cliente. Estes obstáculos podem ser tanto individuais quanto da empresa na qual você atua. Exercício de fixação Questão 1: D Questão 2: A Questão 3: C Aula 4 Atividade proposta Quaisquer das matérias-primas citadas no compromisso de fornecimento sustentável da Unilever podem gerar impactos econômicos, sociais e ambientais, conforme se preconiza no modelo triple bottom line. Analise estas três dimensões de impacto. Procure fundamentar seu comentário com resultados mensuráveis. Faça pesquisas para buscar os números. Se você não consegui-los, elabore seu comentário com inferências, desde que estas sejam bem fundamentadas. Exercício de fixação Questão 1: E Questão 2: C Questão 3: B GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Aula 5 Atividade proposta Todas as ações descritas na matéria podem ser relacionadas a alguma diretriz da gestão de produtos sustentáveis. Como exemplo, podemos destacar o uso do papel composto de 70% de bagaço de cana. O uso de bagaço de cana é um exemplo de logística reversa e a redução na derrubada de eucaliptos é um exemplo de produção mais limpa. Desenvolva seu pensamento a partir de correlações como estas. Exercício de fixação Questão 1: B Questão 2: E Questão 3: C Aula 6 Atividade proposta Para elaborar sua justificativa, procure características deste produto que estejam alinhadas (ou não) com as diretrizes do ecodesign. Analise se o conceito de ecodesign e a metodologia do projeto de ecodesign estão representados neste projeto. Exercício de fixação Questão 1: E Questão 2: B Questão 3: C Aula 7 Atividade proposta Elabore sua reflexão considerando as características dos produtos da linha Ecobril que são descritas no vídeo, associando-as aos princípios do desenvolvimento sustentável e do GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA ecodesign. Também recomendamos a redação de um resumo descritivo do brand equity da marca Ecobril. Exercício de fixação Questão 1: E Questão 2: B Questão 3: A Aula 8 Atividade proposta Elabore sua reflexão considerando os princípios expostos pela Philips nos links indicados e associando-os ao conceito de posicionamento competitivo. Considere também como a Philips faz uso dos demais conceitos que estudamos no decorrer desta disciplina. Exercício de fixação Questão 1: B Questão 2: C Questão 3: A GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E MARCAS SUSTENTÁVEIS - APOSTILA Apresentação do conteudista Minicurrículo Edson Seiti Miyata é Mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Especialista em Marketing pela Universidade Cândido Mendes (UCAM), Bacharel em Comunicação Social e em Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e Licenciado em Comunicação Social pela UCAM. Possui experiência nas áreas de Marketing, Comunicação, Educação a Distância (EAD) e Educação Corporativa. Atualmente, é pesquisador-tecnologista do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO). Além disso, atua como professor da Universidade Estácio de Sá (UNESA), na modalidade a distância, nos seguintes cursos e disciplinas: Graduação em Administração, Graduação Tecnológica, MBA e Pós-Graduação em Marketing. Neste último curso, também exerce a função docente na modalidade presencial. Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/8887335087367720 http://lattes.cnpq.br/8887335087367720