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Histologia Oral | Larissa Primo. 
 
CEMENTO 
O periodonto é constituído pelas estruturas que participam na sustentação dos dentes na maxila e na mandíbula, 
podendo ser divididas em duas partes: a primeira constituída pelo cemento, o ligamento periodontal e o osso 
alveolar, e a segunda, pela gengiva. As primeiras estruturas são responsáveis pela ancoragem do dente no alvéolo, 
formando, portanto, o periodonto de inserção ou de sustentação. A gengiva, por sua vez, recobre a crista do 
processo alveolar e estabelece continuidade do epitélio da mucosa oral com o colo do dente pelo epitélio juncional, 
sendo chamada, por isso, de periodonto marginal ou de proteção. 
 
❖ Periodonto de inserção ou de sustentação 
O cemento, o ligamento periodontal e o osso alveolar constituem uma unidade estrutural e funcional 
entre o dente e o alvéolo; têm a mesma origem ectomesenquimal do folículo e dependem da formação 
da dentina radicular e da bainha radicular epitelial de Hertwig. Feixes de fibras colágenas do 
ligamento se inserem no cemento e no osso alveolar, formando as fibras de Sharpey. 
 
➢ Cemento 
O cemento é um tecido conjuntivo mineralizado que recobre a dentina radicular, tendo 
como principal função a inserção das fibras do ligamento periodontal na raiz do dente. 
Não é uma estrutura dentária. Desenvolve-se a partir do folículo dentário, por ser depositado 
sobre a raiz, uma vez mineralizado, adere firmemente. Tem, aproximadamente, 60% de mineral; 
sua matriz orgânica é constituída principalmente por colágeno do tipo I e por um grupo de 
proteínas não colágenas (osteopontina, sialoproteína óssea etc.); suas células, cementoblastos 
e cementócitos, são similares aos osteoblastos e osteócitos respectivamente. Em contraste, a 
matriz orgânica do cemento contêm a proteína de adesão cementária e pequenas 
quantidades de fibronectina, esta última associada a algumas das fibras colágenas do ligamento 
periodontal inseridas no cemento. O cemento é um tecido avascular que depende do 
ligamento periodontal para se nutrir por difusão. Ele não sofre remodelação normalmente, 
embora seja passível de reabsorção e neoformação. 
 
✓ Cementogênese 
O início do processo de formação do cemento, denominado cementogênese, 
coincide com o início da formação radicular do dente. Antes da formação do cemento 
propriamente dito, ocorre a deposição de uma fina camada mista, denominada camada 
hialina, de material oriundo de células da bainha radicular epitelial de Hertwig e do 
ectomesênquima do folículo dentário. Durante o início da formação da dentina do 
manto radicular, as células da bainha preservam sua membrana basal, ao contrário 
do que ocorre com as células epiteliais (ameloblastos) na coroa. A membrana basal 
permanece até que as células da bainha comecem a se separar. Quando se inicia a 
fragmentação da bainha epitelial de Hertwig, as células ectomesenquimais do folículo 
dentário entram em contato com a raiz em formação, pelos espaços que aparecem 
entre as células epiteliais da bainha. Desse modo, as primeiras fibrilas colágenas se 
inserem na região da membrana basal, a qual começa a se mineralizar, 
estabelecendo a camada hialina. Células ectomesenquimais diferenciam-se em 
cementoblastos e fibroblastos, exibindo organelas de síntese e secreção muito 
desenvolvidas. Imediatamente após sua diferenciação, os cementoblastos e fibroblastos 
sintetizam e secretam matriz orgânica do cemento, constituída principalmente 
por fibrilas colágenas e outras moléculas. A mineralização do cemento ocorre pela 
deposição de fosfato de cálcio na forma de hidroxiapatita, à semelhança do tecido 
ósseo e da dentina, porém, sem vesículas da matriz. 
 
Durante o início da cementogênese, inicia-se também a formação das fibras do 
ligamento periodontal e do osso alveolar do lado externo do folículo dentário. 
e do osso alveolar do lado externo do folículo dentário. Interações das células 
ectomesenquimais por meio de receptores de membrana (integrinas) com moléculas da 
matriz extracelular são as responsáveis pelo desencadeamento da diferenciação 
de cementoblastos, fibroblastos e osteoblastos. Com a deposição de cemento 
sobre toda a superfície radicular, as células da bainha de Hertwig em fragmentação 
aparecem afastadas da dentina, constituindo grupos celulares denominados restos 
epiteliais de Malassez. A formação de cemento ocorre por aposição, sendo que, 
durante a formação das primeiras camadas de cemento, na altura do futuro terço 
cervical da raiz, tanto os fibroblastos que formam os feixes de fibras colágenas 
extrínsecas quanto os cementoblastos recuam ao secretarem essa matriz, não sendo 
aprisionados por ela. Por esse motivo, o cemento dessa região é denominado 
acelular. 
 
IMPORTANTE!! 
Histologia Oral | Larissa Primo. 
 
Quando a formação da dentina radicular alcança, aproximadamente, a metade da raiz, 
os cementoblastos recém-diferenciados passam a secretar maior quantidade de 
matriz orgânica que nas regiões cervicais nas quais a secreção dessas células é 
mínima. Nesse momento, o dente encontra-se em processo de erupção, propiciando 
a mais rápida secreção de matriz orgânica dessa região. Durante esse processo, 
cementoblastos ficam aprisionados na matriz, tornando-se cementócitos. Esse padrão 
de formação do cemento nos terços médio e apical da raiz, denominado cemento 
celular, resulta em uma matriz contendo fibras mistas, isto é, fibras extrínsecas 
originadas a partir dos fibroblastos do ligamento periodontal e fibras intrínsecas 
formadas pelos próprios cementoblastos. 
 
✓ Estrutura 
• Cemento acelular – de fibras extrínsecas 
Tem matriz bastante fibrosa, constituída por grossos feixes de fibras 
colágenas produzidas pelos fibroblastos do ligamento periodontal durante o 
desenvolvimento do periodonto de inserção. Possui aspecto homogêneo, 
vítreo, quase transparente. As porções das fibras do ligamento periodontal 
que ficaram inseridas no cemento, denominadas fibras de Sharpey, sofrem 
um processo muito uniforme de mineralização, daí o aspecto homogêneo do 
cemento acelular. Podem ser observadas neste tipo de cemento tênues 
linhas incrementais, em razão da existência de períodos de repouso 
durante sua formação. Sua extensão é maior nos incisivos que nos molares, 
ou seja, o cemento acelular decresce no sentido anteroposterior do arco 
dentário. Além disso, mesmo nas regiões nas quais predomina o cemento 
celular, forma-se uma camada, geralmente única, de cemento acelular. 
 
• Cemento celular – de fibras mistas 
A partir do terço médio da raiz e nas áreas de furcação dos dentes bi ou 
trirradiculares, o cemento que recobre a dentina radicular é do tipo celular 
de fibras mistas, apresentando maior espessura que o tipo acelular. Assim 
sendo, além de haver lacunas contendo cementócitos e numerosos canalículos 
percorridos pelos prolongamentos dessas células, sua matriz orgânica é 
constituída por fibrilas colágenas produzidas tanto pelos cementoblastos 
quanto por fibroblastos. Outra característica que o faz diferente do cemento 
acelular é a mineralização incompleta das fibras de Sharpey. 
 
• Cemento celular – de fibras intrínsecas 
Não se forma durante o desenvolvimento do dente. É originado só em casos 
de reparação, geralmente após reabsorção cementária ou na 
compensação dos desgastes oclusais funcionais. 
 
✓ Células 
• Cementoblasto 
Os cementoblastos são as células que sintetizam a matriz orgânica de 
natureza intrínseca do cemento. Sua ultraestrutura revela abundante 
retículo endoplasmático rugoso, complexo de Golgi muito desenvolvido e 
numerosas vesículas de secreção, características estas comuns às células que 
sintetizam e secretam proteínas. 
 
• Cementócitos 
Os cementócitos são os cementoblastos que ficaram aprisionados na 
matriz do cemento durante sua formação. Os cementócitos têm 
numerosos prolongamentos que estabelecem comunicação com os das células 
adjacentespelos canalículos. Os cementócitos são células com pouca 
atividade metabólica, que apresentam, por isso, poucas organelas 
no seu citoplasma. Como a vitalidade dos cementócitos depende da 
difusão dos nutrientes essenciais a partir dos vasos sanguíneos do 
ligamento periodontal, a maioria dos canalículos, com seus 
prolongamentos, dirige-se para a superfície externa do cemento. 
 
• Limite amelocementário 
Apesar de o cemento não ser um tecido dentário propriamente dito, seu 
limite com o esmalte determina a separação entre a coroa e a raiz do 
dente. 
Terço cervical – Cemento acelular de 
fibras extrínsecas 
Terço apical – Cemento celular de fibras 
mistas 
Terço médio - Camadas alternadas desses 
dois tipos de cemento