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Universidade do Estado da Bahia
Departamento de Ciências Humanas – Caetité – BA
Colegiado de História
Estágio Supervisionado IV
Memorial de Formação
Dilma Aparecida Santos Oliveira
Caetité-BA
2019
Universidade do Estado da Bahia
Departamento de Ciências Humanas – Caetité – BA
Colegiado de História
Estágio Supervisionado IV
Memorial de Formação
Memorial apresentado à disciplina de Estágio Supervisionado IV, da Universidade do Estado da Bahia, campus VI, com vistas à obtenção da nota final da referida disciplina. Sob orientação da Prof.ª Drª: Luciana Oliveira
 Caetité – BA 
2019
Agradecimentos
 Chegar ao fim de um ciclo. A graduação. É tecer diversas histórias nesse tempo, é conhecer pessoas que diretamente ou não, te ajudaram e contribuíram de alguma forma para somar nessa trajetória. Meus sinceros agradecimentos, a minha família, que mesmo não morando na mesma cidade que eu, sempre esteve presente nos momentos de tensões, seja para incentivar a continuar, até para auxiliar nos afazeres da casa quando não tinha tempo. Aos amigos, que sempre me convidava para sair nos finais de semestre. (Risos) em especial a Marilange, que com palavras certas nos momentos difíceis, me acalmava e era minha companhia de risos na mesa do bar. Muito obrigada, amiga. Aos meus colegas de trabalho, que segurava a barra quando precisava sair mais cedo para estudar. Sabemos o quão difícil é, conciliar trabalho e faculdade, foram os cinco anos mais corridos da minha até aqui, mas, foram tão bem vividos, de forma intensa, com muita alegria e cor. Meus agradecimentos se estendem também aos amigos/colegas da universidade, compartilhamos das mesmas decepções, correria, medo, mas também, dos momentos de alegria. Onde o objetivo era o mesmo: chegar ao fim dessa jornada. Aos queridos mestres, que além de nos mediarmos com o conhecimento, foram humildes na compreensão de erros, e nos orientou da melhor forma. 
Sumário
Introdução....................................................................................pág.01
Rememorando..............................................................................pág.02
Participação no programa PIBID – experiência que soma.....pág.05
A contribuição dos estágios na formação..................................pág.06
Mestres, mais que formadores....................................................pág.11
Considerações finais....................................................................pág.13
Referências bibliográficas...........................................................pág.14
Anexos..........................................................................................pág.15 
“Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção. ”
31
Paulo Freire
Introdução
 O presente memorial tem o objetivo de rememorar a trajetória de ensino desde o ensino básico, destacar sujeitos importantes que fizeram parte do processo de ensino-aprendizagem, e contribuíram de forma significante para a escolha de cursar a graduação em História. No texto são apresentadas memorias de um sonho em cursar a Universidade Pública e como esse sonho adquire forma com incentivos de professores e familiares, até se efetivar como graduanda do curso de História na UNEB. 
 Assim como será pontuado os desafios que foram enfrentados durante o percurso como discente, construindo a partir dessas labutas, combustíveis necessários para alcançar os objetivos da caminhada acadêmica. Nessa viagem de memorias, é presente a gratidão pelos projetos que participou enquanto discente-pesquisadora e estagiaria, e em especial, da contribuição do estágio supervisionado no processo de formação de futura educadora. Diante isso, convido (ª) a embarcar nessa viagem... 
Rememorando... 
 Confesso que nas minhas brincadeiras de criança só tinham cores quando encenava a “professorinha”. O que causava discórdia com as amigas que achava isso um tédio. Mesmo nas adversidades daquele cenário “inocente”, seguia com o sonho de criança. Talvez por ter como influência de profissionais invejais, somente o “ser professora”. Digo isso, pois me lembro que meus país sempre falava muito bem do professor, com admiração e respeito. Mas, esses desejos ganharam estrutura nos anos iniciais do fundamental, mais precisamente, no sexto ano. Conheci o professor Fábio Renê, pessoa que tenho uma admiração e gratidão. Ele foi o responsável por me apresentar a leitura de forma prazerosa. A forma na qual pontuava sobre a importância de leitura, me cativou. E em um dos primeiros livros que ele propôs, recordo que dizia: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” – O pequeno Príncipe. Dali a diante, me responsabilizei e prometi a mim mesma, a dedicar as leituras. E assim fiz. Ali iniciava o momento importante na minha vida, o prazer por estudar. Diante os anos o amadurecimento de que queria entrar na universidade era uma ideia convicta. Os professores foram fundamentais nesse momento, para que eu persistisse com mesmo ideal. As leituras foram ponto chave na descoberta da afinidade pela história. O contato com livros da literatura brasileira me dera indícios do fascínio que a história poderia oferecer. Naquele momento com menos exatidão que hoje. Mas, momento importante na decisão queria fazer o curso de história ou letras vernáculas, devido o contato com a literatura. Mais tarde, iniciando o ensino médio dei os primeiros na docência, como formadora no TOPA e EJA. Contatos e experiências importantíssimas para segui com a escolha de ser professora. Há um conjunto de situações com sujeitos sociais que nos determinam a segui um caminho. A memória se faz presente numa fotografia da primeira experiência em sala, que me rememorar hoje, de aluna a professora. 
Para Gullestad (2015, p.526)
“São as experiências da infância que fornecem a base para a aprendizagem e a criatividade ulteriores. Por meio das mais precoces percepções do mundo, cada pessoa adquire algumas das ideias, imagens e metáforas básicas que, mais tarde, vão estruturar suas experiências no mundo e os sentidos que dão a este.” 
 É basicamente uma história de vida que atribui um significado na trajetória de formação. Desde minhas brincadeiras até solidificar mais tarde através dos estudos e o incentivo de professores, até as experiências nortear que seria o caminho da docência que deveria traçar. Nessa caminhada de formação, passaram dois professores de história que foram incentivos. Deixaram reticencias para continuassem meus estudos na área. Rosimeire e Nyron, toda minha gratidão e admiração por vocês, são mestres exemplares. Que eles continuem cativando seus alunos a serem futuramente, de alunos a colegas de profissão. Foram exemplos de dedicação, minha pratica hoje como professora se espelha neles, foram influenciadores. Ao concluir o segundo grau em 2014, era chegado o momento para prestar vestibular, passei em três cursos. História, Administração e Direito. Entre familiares e amigos, não tinham dúvidas, que iria escolher cursar Direito. Embora, essa era apenas uma dúvida deles. Já tinha a minha convicção pela área de História. Não que não goste da outra área, pelo contrário, ainda penso em cursar Direito, isso se não segui no Mestrado em História. Mas, naquele momento, queria ser professora de História.
 Após a decisão tomada, era preciso apoio para segui a trajetória. Esse apoio devo a família, que sempre esteve incentivando os estudos, uma parte importantíssima, pois sem os mesmos não conseguiria. Marinheira de primeira viagem, não é fácil, sabemos! Quando sai de casa tinha apenas dezessete anos. Morar sozinha, assumir responsabilidades, construir uma vida a partir daquele voo. E quão isso foi importante, cada tropeção, medo. Somaram ao curso, universidade não é apenas estudos da teoria, é sobreviver cotidianamente a uma adversidade de dificuldades. Embora,costumo dizer que fui abençoada, pois sabemos que uma das dificuldades é questão financeira, isso me preocupava bastante. Como meus pais iria me manter na universidade!? Mas, no mesmo ano que entrei, fui chamada em concurso público que tinha feito em um ano anterior. Fiz novamente a mudança de cidade, tive que readaptar a novos costumes e conciliar o trabalho com a universidade. Confesso que não fácil. Dormir apenas quatro horas diária, refletia muito no rendimento acadêmico, mas, segui firme, esse histórico de noites mal dormidas, alimentação ruim, também refletiu na saúde, desenvolvi um complexo de ansiedade, que até hoje faço tratamento. Sãos os ócios do oficio. Eram muitas as adversidades que apontavam para a desistência, mas, entrei no curso em 2015 com o objetivo de concluir, isso foi muito importante para que eu não desistisse durante as dificuldades. Quando se almeja concluir uma meta, os seus sonhos ganham alicerce, a estrutura vem sendo trabalhada em cada tropeção, e as tempestades não são fortes ao ponto de lhe fazer desistir. Não foi sorte, pelo contrário, lutei muito para esta onde estou. Quantos colegas não tiveram a oportunidade que tive, de frequentar o espaço da universidade, de descontruir conceitos, de analisar o mundo hoje com uma visão sem estereótipos. Pois durante a trajetória do ensino fundamental e médio, muitos conceitos mudam quando se chega na universidade, ainda temos uma escola pautada do tradicionalismo como aponta Libâneo:
 Há diversos tipos de professores no ensino fundamental. Os mais tradicionais contentam-se em transmitir a matéria que está no livro didático. Suas aulas são sempre iguais, o método de ensino é quase o mesmo para todas as matérias, independentemente da idade e das características individuais e sociais dos alunos. Pode até ser que esse método de passar a matéria, dar exercícios e depois cobrar o conteúdo numa prova, dê alguns bons resultados. O mais comum, no entanto, é o aluno memorizar o que o professor fala, decorar o livro didático e mecanizar fórmulas, definições etc. Esse tipo de aprendizagem (vamos chamá-la de mecânica, repetitiva) não é duradoura (LIBÂNEO , 2000, p.04) 
 A memorização de conteúdo, sem reflexão crítica era desmotivante, ainda no ensino médio, mas tinha essa percepção. As aulas de história me cativavam, mas eram as velhas perguntas secas. Só através com o privilégio de estar no espaço da universidade isso pode ser suprido, conteúdos contextualizados, a prova não havia necessidade de colar porque no miminho você teria que construir um texto da temática com argumentos coerentes. Nos primeiros anos da graduação comecei a desconfiar de tudo. As disciplinas introdutórias, que comecei a chama-las “descontutorias” (Risos) me fizeram pensar de forma diferente. Comecei a questionar como aluna da escola tradicional, dos meus costumes, dos meus medos e das práticas sociais que nos rodeiam. Questionei tudo, até mesmo a universidade. A partir então, era nítido que aquelas leituras me tocaram e que aquilo iria refletir em toda a minha pratica como educadora e nas minhas relações humanas. A diferença é tamanha, entre o ensino regular e a graduação. E isso é mais latente quando se parte para o estágio. É obvio que há o choque de realidade, e aquilo que sempre discutíamos em sala faz sentido. O sistema não ajuda, o tempo é muito curto e o professor depara como uma própria máquina, ter que dar conta de tantos conteúdos já que é exigência. Sendo a grande questão: como mediar as aulas com um ensino inovador, com metodologias que cativam os estudantes, e sair das aulas tradicionais e memorizações, em meio aos desafios que encontramos no próprio sistema de ensino? Essa foi a pergunta que esteve presente em todos meus planejamentos. A cada encontro descobria algo novo referente ao perfil da turma, quando o professor tem o tempo necessário, ele estuda cada turma conforme suas adversidades. O que é raro, visto que a maioria dos professores tem quarenta horas e uma quantidade grande de turmas. Consegui fazer isso no estágio IV, foi gratificante, pois a turma reconhece e apresenta os resultados. Algo que não consigo fazer com dez turmas que tenho onde trabalho. Demanda tempo para estudar cada perfil de turma, onde mais uma vez, o próprio sistema sabota o profissional. 
 Chegando a reta final, essa reflexão é automática, e que bom que nela, não há arrependimentos, a avaliação quanto a todas as entregas, noites mal dormidas, é positiva. Está sendo construtiva, é agregador a luta pelo conhecimento. E principalmente, quando se parte para o campo, o estágio é parte fundamental de qualquer profissão, é lá que você saberá se é isso mesmo que que você quer ser. É o test drave. 
 
Participação no programa PIBID – experiência que soma. 
 Antes da universidade tinha algum tempo de experiência na sala de aula, embora com um público de jovens e adultos. Fui formadora do TOPA (Todos pela Alfabetização) por três anos. Uma experiência ímpar. Mas, foi no Pibid que tive contato com alunos do ensino básico. Momento que passei a entender o que era o ensino de fato na sala de aula. Costumo conceitua-lo como um estágio. Vai até além, estamos em contato com a escola e sala por mais tempo que o próprio estágio, experiência de suma importância para formação de professores. Esse contato por mais tempo, me permitiu conhecer de fato, o funcionamento da escola, dos projetos e de cada etapa da formação pedagógica. O discente que tem/teve experiência ao passar pelo Pibid, é um aluno que a partir dali está construindo sua identidade profissional, pois antecipa a realidade da escola pública, do que é de fato a prática. Essa questão de construção da identidade profissional é pontuada por Pimenta (2002, p. 19).
“A identidade é construída a partir da significação social da profissão; da revisão constante dos significados sociais da profissão; da revisão das tradições. Mas também da reafirmação das práticas consagradas culturalmente e que permanecem significativas. Práticas que resistem a inovações porque prenhes de saberes válidos às necessidades da realidade. Do confronto entre as teorias e as práticas. ”
 E de fato, é conforme as vivencias diárias no chão da escola que vamos nos construindo enquanto professores, dos diversos espaços escolares que mantemos contato, nos norteiam conforme as diversidades desses espaços, como de fato as estruturas da escola são organizadas e desenvolvidas ao longo do período letivo. A partir das vivencias no programa consegui acompanhar uma turma durante um ano, desenvolvendo conjunto a professora regente metodologias, elaborando propostas de trabalhos conforme a necessidade da turma, participando nos projetos da escola, ao desenvolver essas ações estamos nos construindo como docentes, pois além de agregar valores com os conhecimentos dos regentes e de toda equipe pedagógica, o Pibid lhe concedia o espaço e a liberdade para planejamento. Existia o momento de você ir para frente e dar uma aula. 
 A participação no programa por dois anos, me proporcionou uma soma de conhecimento em campo, incontestável. Foi lá no chão social da escola pública que se analisa as dificuldades que um professor enfrenta na sua carreira. A luta pela permanência de programas de iniciação a docência deve ser constante, pois contribui para a formação de professores. O aluno que esteve no Pibid, quando é o momento do estágio de regência, o contato com o programa, com as experiências adquiridas, sem dúvidas virá a somar, digo por experiência própria. Senti no estágio como se fosse aquele momento que estive no Pibid, com uma diferença, tendo a responsabilidade total da turma por um certo período. Visto isso, o conhecimento adquirido no programa me deu suporte necessário para o estágio. Não posse deixar de ressaltar a contribuição que os supervisores do projeto me proporcionaram um enriquecimento enquanto graduanda, em especial a professora Nadir Lédo, pela parceria, orientações e incentivo na trajetória.
 E isso reforça a ideiade que devemos lutar pela permanência de programas desse cunho, pois além de ajudar com uma bolsa para permanência na universidade, também contribui para a formação de professores.
 Contribuição dos Estágios para formação
 Foram quatro ciclos de estágios. De uma importância grandiosa, e definidor quanto o que é ser um professor em tempos tão difíceis. Partir para sala de aula, ter o contato com o cotidiano escolar, é experimentar além dos murros da teoria, que sabemos hoje, que é muito diferente. É aprender a replanejar planos, estudar realidades dos alunos de forma criteriosa, encontrar alternativas invisíveis para que consigamos alcançar os objetivos da aula. Ser educador é isso, tentar de todas as formas um jeitinho, que nossos alunos possam se encaixar e se encontrarem naquele terreno de adversidades. e foi nesse momento que percebi, nem todos colegas professores vão ter esse tempo de estudo para oferecer a aula pelo menos aceita. Condena-los? Talvez quando estive no ensino básico como aluna, até fiz, hoje reconsidero e entendo a situação. Vai muito além, a situação é complexa. São professores que estão sobrecarregados, que mal conseguem aprender o nome dos alunos, pois tem vinte turmas, e além, com a nova reforma no currículo, precisam dar conta de outras áreas também. É nossa realidade. 
 Com a reforma que foi aprovada do currículo, isso pode ficar pior, principalmente para nossa área, a Ciências Humanas. 
 “A construção de “uma base nacional comum curricular” (BNCC), prevista pela LDB de 1996, em processo de finalização, tem se realizado de forma inédita com prioridade a interlocutores internacionais e, internamente, com uma exclusão quase que total das universidades, delegou sua elaboração a gestores empresariais cujos princípios se fundamentam nas premissas do Banco Mundial. Sob essa política, os currículos brasileiros ficam submetidos a uma avaliação externa, que passa a determinar conteúdos e métodos sob modelo internacional. Uma primeira consequência desse modelo imposto externamente reside na perda do poder dos professores na organização das suas aulas assim como seu o poder de criação, de adaptações metodológicas e mesmo de opções de materiais didáticos diante de uma realidade educacional caracterizada por uma enorme diferenciação cultural e socioeconômica nas salas de cursos noturnos, de Educação de Jovens e Adultos...”
 Já não temos mais liberdade sob a organização e planejamentos das aulas. Como pontuado por Bittencourt, nesse projeto neoliberal dirigidos pela extrema direita que reflete diretamente na educação. Na verdade, essa é área de estratégia deles, perigosa pois trabalha com formação. Pessoas instruídas são ameaças a esse sistema opressor. Um currículo tecnicista, que visa o mercado de trabalho e pouco se importa com formação intelectual, essa é a logica, capitalista. E estrategicamente, usa de público que se insere na necessidade, principalmente o noturno. Nos estágios não fiz no ensino técnico, mas, tive a experiência do Pibid, no mesmo. E pude perceber a dificuldade de trabalhar a disciplina de História. Uma que, só tem a disciplina nas turmas que insere o médio e técnico. Apenas o técnico, são substituídas por outras áreas, visando o mercado. O professor então, “rebola” para completar sua carga horaria. E nas turmas que são ofertadas a história, a carga horaria diminuem por conta da junção de outras disciplinas especificas. E a tendência é essa, investir nesse ensino. E nós professores, nos vimos perdidos no novo modelo pedagógico, pois nos tira a liberdade das aulas, a nova BCC aponta para uma modelo “moderno”, que visa apenas o mercado ativando o consumismo nesse contexto globalizado. E o ensino humanista sendo considerado retrógrados, possivelmente e tudo indica que, o ensino de história retrocederá e os currículos voltará com o ensino de uma história única. Onde pontua a autora Bittencourt, antes eram currículos voltados para a difusão da religião, na atualidade corresponde a introjeção do capitalismo como religião. Ideais esses, já anunciados por Max Weber. 
 É impossível não pontuar e refletir esse momento atual da conjuntura política, no termino de uma graduação em licenciatura, a educação é reflexo coerente dessa conjuntura, sabemos que as consequências serão esmagadoras e projeta um cenário de retrocesso. Embora, como educadores, confiemos firmes na luta e resistência por tempos melhores e permanência das nossas conquistas. 
 No estágio IV, tive como espaço escolar para realizar a pratica, o Instituto de Educação Anísio Teixeira, situado na sede de Caetité-BA. A escola atende parte da demanda do ensino fundamental – series finais e ensino médio. Atendendo a demanda de 380 alunos matriculados no ensino fund. e 673 alunos no ensino médio. Atualmente sob a gestão de Cristina Gondim. O nível de atuação foi o ensino médio, uma turma de 1ª serie, no noturno. 
 A primeira impressão da turma era nítida uma agitação e pontuados pelo professor regente como “difíceis de lidar”. Ao longo das observações e coparticipação pude de fato experimentar isso. A partir disso, senti a necessidade de estudar as particularidades da turma, sabia que somente assim, poderia encontrar uma metodologia que pudesse despertá-los interesse pelas aulas. Por ser uma turma do noturno, a maioria trabalhava durante o dia. O cansaço era evidente nas duas últimas aulas, as atividades para casa eram difíceis serem respondidas, a não ser quando fosse contabilizado os vistos, (Risos) eram estratégias que davam certo. Mais o bacana que as dificuldades enfrentadas, como por exemplo comportamento, déficit de atenção foram sendo mediados com as propostas que planejava. A partir do segundo dia de regência, senti a necessidade de que eles poderiam interagir com a aula, já que gostavam de conversar. Com mediação e um pequeno texto como metodologia, eles participaram de forma espetacular durante toda a aula, nem parecia ser a mesma turma. O texto proposto falava da influência e contribuição dos povos antigos na política, economia, ciência tecnológica, cultura e religião na atualidade. De fato, eles sentiram pertencentes aquela história, mesmo sendo História Antiga, ela refletia no tempo presente. Ver o aluno fazer essa conexão, que estudar história é também uma forma de entender o presente. Como é gratificante! 
 Como a turma não tinha o habito de participação nas aulas, eram necessários instiga-los sempre. Fazia isso através do conhecimento prévio, como pontua Bittencourt e em seu livro, Ensino de História: fundamentos e métodos: 
 “As novas interpretações sobre a aprendizagem conceitual e a importância das interferências sociais e culturais nesse processo erigiram o aluno ou aprendiz e seu conhecimento prévio como condição necessária para construção de novos significados esquemas. No conhecimento histórico isso é mais relevante, levando em conta as experiências históricas vividas pelos alunos e as apreensões da história apresentada pela mídia. A história escolar não pode ignorar os conceitos formados por intermédio de tais experiências. ” (p. 189) 
 De fato, alguns conceitos adquiridos por experiências fora do espaço escolar, e que ao somar os conceitos que são mediados pela interferência pedagógica é de suma importância para o ensino aprendizagem. E essa não é uma abordagem recente, a autora diz que o próprio Paulo Freire, denominava esse conhecimento de “Leitura de mundo” de cada indivíduo, e que o conhecimento não é algo vindo de especialista pronto e acabado, os alunos têm o acesso a várias fontes de conhecimentos. Cabe ao professor mediar esses pensamentos, ver se não há manipulação e ideologias presentes nesses pensamentos. Esses são os cuidados do professor de apontar caminhos, mas valorizar o que cada aluno trás na sua bagagem cultural. Pois é conhecimento, mesmo sendo um senso comum. 
 Dessa forma foram mediadas minhas aulas na turma, a princípio tem-se a resistência quanto ao conteúdo. E criam dificuldades por ser história Antiga. Embora,quando mediei a discussão que pudesse está mais próxima da realidade deles, isso ganha forma, e esclarece. 
 Essa turma de estagio me possibilitou inúmeros conhecimentos, sem dúvida como dizia Paulo Freire: quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. Onde eu imaginei ter mais desafios, deparei com mais oportunidade para colocar em pratica as teorias vista durante o curso. Mesmo sendo um semestre atípico, a correria e o cansaço, o estágio contribuiu com sua função. Foi possível perceber as dificuldades que os professores enfrentam, seja pela falta de recursos, pela sobrecarga de trabalho e pelo próprio sistema. Nela percebi também que as dificuldades enfrentadas pelos estagiários com a fragmentação do conhecimento são grandes. Embora, além do meu regente, que se dedicam e acreditam na educação, fazem o melhor que podem. Isso é enriquecedor a nós formandos, em meios aos desafios, saber que precisamos segui e oferecer o melhor. 
 Diante isso, todo o trabalho desenvolvido ao longo dos estágios, foram imprescindíveis no processo de ensino-aprendizagem. Desde as conversas nos corredores com professores, alunos e funcionários até os contatos mais formais em sala. É uma construção, a educação se faz por todos. Como diz Moran, (2012, APUD Andrea Gomes, 2014, p.44) 
 A educação é um processo de toda a sociedade não só da escola que afeta a todas as pessoas, o tempo todo, em qualquer situação pessoal, social, profissional e através de todas as formas possíveis. Toda a sociedade educa quando transmite ideias, valores, conhecimento e quando busca novas ideias, valores, conhecimentos. Família, escola, meios de comunicação, amigos, igrejas, empresas, Internet, todos educam e, ao mesmo tempo, são educados, isto é, aprendem, sofrem influências, se adaptam a novas situações. Aprendemos em todas as organizações, grupos e pessoas aos quais nos vinculamos”. 
 
 Diante isso, é evidente como o processo de educação está presente em todos os ambientes. 
 E a trajetória de formação foi além dos estágios, o processo de ensino – aprendizagem esteve presente em todos os momentos, e o ensino de história acontece de forma instantânea nos diversos ambientes e situações. É comum ao aguardar numa fila, deparamos dando uma aula de história ou em um barzinho com amigos levantarmos questionamentos sobre a história. 
Mestres, mais que Formadores!
 No ato da escrita do memorial, muitas lembranças foram rememoradas dos grandes mestres que passaram nessa trajetória de 17 anos de ensino-aprendizagem. Foram muitos, cada um com suas contribuições de ouro, desde o alfabetizador quem lembro com o maior carinho e admiração, Professor Manoel, quanta gratidão e respeito tenho pelo senhor. Até os mestres na universidade que foram peças fundamentais na conclusão de um sonho: a graduação em História na UNIVERSIDADE PÚBLICA. Faço questão de destaca-la mesmo. Pois é privilégio que poucos tiveram, e hoje com um cenário tão complexo, a luta de sua permanência é extensa. Como não ser grata, sabendo que, a universidade deveria o espaço de todos, mas na realidade é para poucos. Que essa gratidão ganhe forma para a resistência de lutar para que esse espaço privilegiado que tive acesso, também possa ser a casa das minhas próximas gerações. 
 Diante isso, costumo pontuar que o processo de formação inicia muito antes do estágio docente começar. Para que o discente passe a reconhecer que ele não ocupa somente a cadeira como aluno, mas como futuro educador, é preciso uma construção desde o início, e isso foi possível mediante a um diálogo desde os primeiros semestres. Orientações que fizeram a diferença quando parti para o estagiário, contribuindo para a adaptação e o processo de formação. 
 O processo deve agradecimentos a muitos mestres, pela contribuição, dedicação e incentivo para chegar ao fim desse ciclo. Mas, destaco a Professora Sigmar, supervisora dos Estágios I e II. Pela disponibilidade a turma, pelas discussões teóricas em sala, mas mediadas com apontamentos do que é de fato a pratica no ambiente escolar. A professora Luciana supervisora dos Estágios III e IV por nos apresentar mais que teoria, mas compartilhar experiências que agregaram conhecimentos e nos deram segurança para assumir de fato a regência. E mesmo com semestre tão difícil, não mediu esforços para que tudo concluísse da melhor maneira. 
 Os agradecimentos se estende de forma especial, aos professores regentes. Parceiros nesse processo. A João Chaves, pela recepção e disposição nesse processo, por ter propiciado elos entre o conhecimento da academia e a realidade da pratica pedagógica, visto que, pelos anos em meio aos confrontos produziram saberes importantíssimos para efetivação do processo de ensino-aprendizagem de História. Os quatro meses foram de compartilhamento de experiências, orientações e articulações para que os objetivos no estágio pudessem ser alcançados. Dessa forma, contribuindo de forma positiva para minha formação como professora. 
Considerações Finais
 O trabalho teve o objetivo de apontar um pouco da trajetória de formação desde os primeiros anos no ensino básico. Relembrar sujeitos que tiveram grande influência na escolha da atuação profissional, professores que deram incentivos para os estudos. E que levo para a vida como exemplos. Também de pontuar as dificuldades encontradas mediante ao processo de formação, inevitável a qualquer discente/estagiário, que embora, nos fortalecem e tornam combustível de luta até as conquistas serem alcançadas. 
 O sentimento ao termino de mais ciclo é gratidão. Pelas metas que foram traçadas desde os anos iniciais na escola, e hoje elas estarem sendo alcançadas. Gratidão a família que sempre presente, aos amigos. E de forma especial, aos meus queridos PROFESSORES. Que orientaram, corrigiram e acreditaram que chegaria aqui. Aos alunos peças chaves nesse processo, o meu agradecimento. Somaram na construção de conhecimentos e experiências para formação, a realidade de cada um nos provoca a refletir, planejar e construir métodos para o processo de ensino da história contingente a realidades diversas.
 Assim como as escolas parceiras que mesmo diante suas limitações, colaboraram de forma positiva na trajetória dos estágios. Sinto a necessidade de dizer que, a partir dos estágios a História passou a ser de possibilidades para uma certeza para minha vida. No início do curso enxergava o curso como uma carreira profissional que constroem. Hoje, vejo que todos os conhecimentos adquiridos os saberes acumulados em um pequeno espaço de tempo, à docência passa a ser uma conquista pessoal, uma necessidade enquanto cidadã pertencente a uma sociedade.
Referências bibliográficas
GULLESTAD, M. Infâncias imaginadas: construções do eu e da sociedade nas Histórias de Vida. In: Revista Educação e Sociedade, Campinas, v. 26, n. 91, p.509-535, 2005. 
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2004.
BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino de História: fundamentos e métodos. 2.ed. São Paulo: Cortez, 2008.
LIBÂNEO, José C. Didática. 22. ed. São Paulo: Cortez, 2004. 
PIMENTA, Selma Garrido; ANASTASIOU, Léa das Graças Camargos. Docência no ensino superior. São Paulo: Cortez, 2002.
GULLESTAD, M. Infâncias imaginadas: construções do eu e da sociedade nas Histórias de Vida. In: Revista Educação e Sociedade, Campinas, v. 26, n. 91, p.509-535, 2005
https://www.unimep.br/phpg/bibdig/pdfs/2006/MWHHLKIGEUBK.pdf 
Acessado em 01/10/2019
http://www.uece.br/depes/index.php/arquivos/doc_view/129-orientacoesmemorial?tmpl=component&format=raw
Acessado em 03/10/2019
http://escolas.educacao.ba.gov.br/node/12685
Acessado em 09/10/2019
Anexos: 
a) Ficha de acompanhamento das atividades 
b) Planejamentos de aulas
c) Atividade de fixação para casa
d) Trabalho de produção textual em sala
e) Prova final da II unidade
f) Slides usados em salag) Fotografias com a turma de estágio IV e o professor Regente

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