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12 pedagogia jenniffer caroline ferreira AS PRÁTICAS DE LEITURA EM UMA CLASSE HOSPITALAR Betim 2020 jenniffer caroline ferreira AS PRÁTICAS DE LEITURA EM UMA CLASSE HOSPITALAR Trabalho de Pedagogia apresentado como requisito parcial para a obtenção de média bimestral na disciplina de Aprendizagem de ciências naturais, Aprendizagem de matemática, Aprendizagem da língua portuguesa, Aprendizagem da geografia e história, Pedagogia em espaços não escolares e Estágio curricular em pedagogia III – Gestão educacional e espaços não escolares. Betim 2020 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 3 2 DESENVOLVIMENTO 4 3 CONCLUSÃO 10 REFERÊNCIAS 11 INTRODUÇÃO O direito a educação para crianças e adolescentes durante uma eventual hospitalização foram negados por muitos anos, estes eram privados da vida acadêmica, correndo o risco de um fracasso escolar e maiores transtornos em seu desenvolvimento intelectual. Dada a importância da aprendizagem das crianças e adolescentes internados em hospitais ou em tratamento de saúde, o tema a ser desenvolvido levanta a seguinte problemática: Como pode o hospital ser considerado um espaço de atuação profissional do pedagogo? Compreendendo a relevância dessa problemática, percebe-se que a educação se encontra cada vez mais em constantes modificações na sociedade, levando o profissional da Pedagogia além dos espaços escolares, como em hospitais onde se encontram crianças e adolescentes internados, sendo temporariamente cessados de seu processo de ensino-aprendizagem (DIAS E RODRIGUES, 2017). Assim o objetivo desta pesquisa foi compreender o desafio de atuação do pedagogo que atua no ambiente hospitalar. Os Hospitais são centros de referência de tratamento e saúde, onde na maioria das vezes é comparado a um local de dor, sofrimento e morte, causando um rompimento em crianças e adolescentes no que diz respeito ao seu cotidiano e a aprendizagem. Mediante essa situação: Como o Pedagogo poderá ensinar crianças que se encontram fora do ambiente escolar e que não podem correr e brincar? Como amenizar o sofrimento, a irritabilidade e o estresse dessas crianças que se encontram na maioria das vezes fraca, sentindo dor com todo o tipo de enfermidades? O estudo mostra ainda, como a literatura pode ajudar no processo de recuperação das crianças hospitalizadas, pois, através de histórias, elas podem trocar experiências variadas, se divertir, encontrar conforto, ter senso crítico, sentir novas emoções, imaginar, sonhar, se emocionar, aprender valores essenciais à vida como: amizade, perdoar, além de ajudar a ler e escrever e a relacionar-se melhor socialmente. DESENVOLVIMENTO O surgimento da Pedagogia Hospitalar no Brasil foi no ano de 1950, no Rio de Janeiro no Hospital Municipal de Jesus, porém não tinha vinculação alguma com a Secretaria de Educação. O que aconteceu é que profissionais na área da saúde observaram a necessidade cognitiva que as crianças internadas por longos tempos apresentavam e então começaram a realizar ações educativas por conta própria (SCHILKE, 2008 apud TAVARES, 2011) Em 2002 o Ministério da Educação, por meio da Secretaria da Educação Especial, regulamenta esse tipo de trabalho com a publicação do documento intitulado “Classe Hospitalar e Atendimentos pedagógicos domiciliar; estratégias e orientações.” Que tinha por objetivo estruturar ações políticas de organização do sistema de atendimento educacional em ambientes hospitalares e domiciliares (TAVARES, 2011). Segundo Silva e Farago (2014) a Pedagogia Hospitalar surgiu como uma maneira de prestar atendimento especializado a criança e adolescente enfermos, hospitalizados ou que estejam sob tratamento de saúde em seu domicílio por longos períodos. Este trabalho socioeducativo com crianças e adolescentes internados, proporcionado pela Pedagogia Hospitalar, é extremamente relevante no que diz respeito a dar continuidade aos estudos e a evitar a exclusão social dos mesmos. Além disso, é uma ação que permite aos educandos que, após cessação do período de internação ou de interrupção de seu tratamento domiciliar, tenham a capacidade de iniciar ou retomar o processo escolar sem ficarem frustrados ou desestimulados por estarem aquém dos demais alunos da sala regular de ensino Sob esse enfoque, observamos que imprescindível se faz a presença do pedagogo no ambiente hospitalar como agente social capaz de proporcionar este atendimento sócio pedagógico, com metodologias específicas a cada caso (SILVA e FARAGO, 2014). A presença dos profissionais da educação “pedagogo” nas instituições hospitalares traz um grande avanço para educação e com isso, visa também muitos desafios e empecilhos para que este exerça seu papel com conformidade e qualidade em seus atendimentos. Essa modalidade de ensino em hospitais favorece a continuidade no desenvolvimento pedagógico da criança e adolescente hospitalizado para tratamento de saúde. Assim, ganhando cada dia mais espaço, sendo que, está se tornando uma prioridade, já que saúde e educação são direitos adquiridos, e estão respaldados por Lei, fornecendo a esses sujeitos o atendimento necessário. Seria necessário que, houvesse mudanças positivas para que essa modalidade tivesse mais qualidade e êxito, uma união de universidades x hospitais x governantes, assim tudo poderia ser melhor. Um dos primeiros desafios a ser enfrentado por esse educador é a pouca oferta de formação continuado já incluso no curso de formação em pedagogia, onde muitos alunos em formação, nunca nem sequer ouviram falar em Pedagogia Hospitalar (DIAS E RODRIGUES, 2017). É importante destacar que, outro desafio é o tempo e espaço para atendimentos nos hospitais, pois muitos profissionais ignoram essa necessidade por parte do educando, dando prioridade somente para parte clínica e deixando de lado, a parte intelectual da criança/adolescente. Esquecendo que ao sair do hospital e retornar o cotidiano normal, este vai estar em atrasos com seu desenvolvimento intelectual e social (DIAS E RODRIGUES, 2017). Em muitas instituições hospitalares não há sequer uma classe hospitalar, local adequado para esse atendimento, onde o educador se obriga ao atendimento pedagógico nos leitos mesmo, muitas vezes em enfermarias individuais. Tendo o atendimento já é delicado pelo ambiente, se torna mais improdutivo ainda. Os horários de atendimento para esses estudantes não são específicos, ou seja, não possuem um horário fixo, onde às vezes precisa dar pausa no meio do atendimento para que esse possa ser ministrado um medicamento ou muitas vezes esse atendimento precisa ser adiado, deixando para o outro dia, devido ao mal-estar, dores e diagnóstico do educando (DIAS E RODRIGUES, 2017). O pedagogo hospitalar deve ter a consciência de que a aprendizagem não é mais importante do que a saúde da criança ou adolescente, por isso em nenhum momento suas atividades podem interferir no processo de atendimento clínico (SOUSA, TELES e SOARES, 2017). O currículo deve ser previamente elaborado para cada criança/adolescente, pois cada um tem uma especificidade, mas, o educador não requer de muito tempo para isso, pois a demanda de atendimento é muita, para pouco profissional com formação especifica. O que se é trabalhado na prática educativa com os alunos que se encontram hospitalizados é diferente dos espaços escolares. Há sempre o bom senso, a construção da prática pedagógica, tem características próprias entre professor e alunos. Evidentemente, ao desempenhar sua prática nos hospitais, o pedagogo encontrará algumas dificuldades advindas dos pacientes, como, por exemplo, dificuldade de locomoção, imobilização parcial ou total, indisposição da criança por conta da doença e, algumas vezes, a imposição de horários para administração dos medicamentos. Por conta disso, os atendimentos podem ser realizados de duas maneiras. A primeira forma é na brinquedoteca, onde as crianças terão momentos de socialização com as demais, ou a segunda maneira, que é no próprioleito, pois quando a criança está impossibilitada de se locomover o pedagogo vai até o seu encontro para a realização das atividades (SOUSA, TELES e SOARES, 2017). O ambiente hospitalar onde é feito o atendimento as crianças e adolescentes deve ser diferenciado, acolhedor, com brinquedos e jogos, com estimulações visuais, um ambiente alegre e aconchegante. Assim, através de brincadeiras, as crianças e os adolescentes internados encontraram uma maneira mais positiva e criativa para viver a situação de doença, diminuindo o comprometimento mental, emocional e físico dos enfermos. No entanto, é imprescindível que haja um planejamento juntamente com a escola de origem dessas crianças para que seja dada a continuidade do trabalho escolar e as crianças possam ser reintegradas à escola assim que obtenham alta do hospital. Leite (2004) relata que vivenciar experiências escolares no hospital poderá ser gostoso e agradável se o professor utilizar o lúdico como estratégia da atuação pedagógica. Assim, o ambiente de tristeza será convertido em um ambiente convidativo e alegre (LEITE 2004 apud SANTOS 2009). Uma das práticas muito utilizadas é através da leitura, a literatura é considerada por muitos autores a forma da criança ter acesso ao mundo da ficção, da poesia, arte e imaginação. Pesquisadores têm contribuído para o entendimento das ações transformadoras que a literatura faz na vida do ser humano. A literatura é também muito importante para que a criança possa desenvolver sua criatividade (PEREIRA). É através de uma história que se podem descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, outras regras, outra ética, outra ótica... É ficar sabendo história, geografia, filosofia, direito, política, sociologia, antropologia, etc. sem precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem cara de aula... Porque, se tiver, deixa de ser literatura, deixa de ser prazer, e passa a ser didática, que é outro departamento (não tão preocupado em abrir todas as comportas da compreensão do mundo) (ABRAMOVICH, 2003 apud PEREIRA, LOPES e LIMA). As histórias inventadas também são ótimas, pois as crianças precisam diferenciar o real do imaginário. Dessa forma são desenvolvidos os sentimentos como o medo, a insegurança, o ódio e o amor dando assim muitas dicas aos pais de como se encontra seu filho, que podem também demonstrar esses sentimentos através de desenhos feitos após as histórias contadas, um procedimento muito bom para conhecer melhor o que se passa com cada criança como: medo, curiosidade, dor, perda, e vários outros assuntos que poderão ser vistos e entendidos mais claramente (PEREIRA). A literatura pode servir como uma “nutrição para a alma”, ou seja, ela é um elemento terapêutico, nutri o indivíduo de esperança, alegria, descontração, bom humor, elementos que são fundamentais para a manutenção, recuperação da saúde e prevenção de doenças. É responsabilidade dos professores incentivar os alunos a criarem o hábito de ler, pois, por meio dessa atividade, os alunos tornam-se capazes de buscar novos conhecimentos, aprimorar os já possuídos, fazer uso desses para compreender a sociedade e interagir nela (MUSTIFAGA e GOETTMS, 2008). De acordo com Mustifaga e Goettms (2008) para tornar a leitura significativa é fundamental a contextualização do conhecimento apresentado pelo material de leitura. Nesse ponto do processo torna-se necessário entender o que quer dizer contextualização. A contextualização é muito mais do que comparar com a realidade, comparar com outros textos e outras realidades. Pode-se contextualizar dentro do próprio conteúdo, dependendo do assunto, pode-se imaginar uma aula sobre divisão celular; os estudantes precisam saber o que é DNA para entenderem o processo, portanto, o DNA passa a ser o objeto de estudo que faz sentido nesse conteúdo. Percebe-se, então, que contextualizar é dar sentido aos conteúdos, mostrar sua significância, já que uma informação que não apresenta sentido e significado aos alunos não é compreendida, tampouco internalizada, e não contribuirá com os objetivos de construção do conhecimento (MUSTIFAGA e GOETTMS, 2008). Vários livros podem ser úteis no trabalho com as crianças hospitalizadas, e não precisam ser necessariamente aqueles que tratam de hospitais e doenças, entretanto, estes também não se podem ser excluídos totalmente dos contos, pois os medicamentos, os enfermeiros e as enfermidades, são elementos que estão fazendo parte do dia-a-dia da criança. Todo bom livro que servir de alívio ao stress, lazer, suporte aos procedimentos terá sempre uma importante função para o desenvolvimento da criança. Os livros tradicionais também são muito bem-vindos pelas crianças, principalmente os “contos de fadas” como: A Cinderela, A Branca de neve, os três porquinhos, O Rei leão e muitos outros. O que importa realmente é que a criança esteja se divertindo, é trabalhar o imaginário e a fantasia, é fazer com que o pequeno paciente esqueça pelo menos naquele momento as suas dores e a enorme vontade de voltar para casa (SANTOS, 2009). . PROPOSTA TEMA: A LEITURA NUTRINDO A ALMA JUSTIFICATIVA É através de uma história que se podem descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, outras regras, outra ética, outra ótica... É ficar sabendo história, geografia, filosofia, direito, política, sociologia, antropologia, etc. sem precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem cara de aula... Porque, se tiver, deixa de ser literatura, deixa de ser prazer, e passa a ser didática, que é outro departamento (não tão preocupado em abrir todas as comportas da compreensão do mundo). A literatura pode servir como uma “nutrição para a alma”, ou seja, ela é um elemento terapêutico, nutri o indivíduo de esperança, alegria, descontração, bom humor, elementos que são fundamentais para a manutenção, recuperação da saúde e prevenção de doenças. OBJETIVOS Objetivo Geral: Incentivar o hábito da leitura e levar um pouco de entretenimento a pacientes internados. Objetivo Específico: Promover humanização e melhora da qualidade de vida no espaço hospitalar. Reduzir os níveis de estresse. Fornecer momentos de cultura e ludicidade. Utilizar a leitura como ferramenta complementar no tratamento das doenças e promoção da saúde. METODOLOGIA 1) Será distribuído semanalmente um livro e um diário para cada criança, sendo o diário individual, a criança deverá ler o livro e responder ao questionário referente aquele livro, cada livro terá seu numero e o questionário será numerado de acordo com o livro, o livro e o diário serão entregues na segunda e recolhidos na sexta, a criança que entregar o diário respondido corretamente, irá receber um adesivo do livro que leu, para colar no diário, ao final do ano serão contabilizados quantos livros cada criança leu e premiadas as crianças com maior número de leitura. RECURSOS: Livros que serão previamente catalogados. AVALIAÇÃO: CONCLUSÃO Através deste estudo é possível afirmar que a Literatura quando usada de forma adequada dentro dos ambientes hospitalares pode ser uma grande aliada no processo de ensino-aprendizagem das crianças, enriquecendo a criatividade e o imaginário e até mesmo ser um elemento de continuidade ou em alguns casos o início da escolarização de crianças e adolescentes. Por sua vez, o professor poderá vivenciar a cada dia no hospital uma nova experiência de sentimentos, sensibilidade e humanidade deixando claro que a sua área de atuação vai muito além dos quadros negros. Assim, é reafirmada a necessidade de uma formação mais diversificada para o profissional de pedagogia onde possa colocá-lo “em frente” ao mundo, com a versatilidade que os novos tempos exigem. REFERÊNCIAS PEREIRA, Kárita Alves de; LOPES, Fernanda Silva; LIMA, Michelle Castro, AZEVEDO, Sabrina David de; A CONTAÇÃO DE HISTÓRIA COMO MECANISMO DE ENSINO DE HISTÓRIA REGIONAL. Acessado em file:///C:/Users/Usuario/Desktop/pedagogia%20hospitalar/206-738-1-SM.pdf no dia 11/04/20ás 18:20. DIAS, Maria Madalena Tenório da Silva; RODRIGUES, Karina Gomes Rodrigues; PEDAGOGIA HOSPITALAR: O PEDAGOGO E SUAS PRÁTICAS EDUCATIVAS EM ESPAÇOS NÃO ESCOLARES, Eixo- Educação e Saúde Agência - 2017; acessado em https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2017/23541_13120.pdf no dia 11/04/2020 ás 19:00. MUSTIFAGA, Maria Bernadete; GOETTMS, Juliane; Leitura significativa – prática em todas as disciplinas do currículo escolar, Visão Global, Joaçaba, v. 11, n. 2, p. 195-216, jul./dez. 2008; Acessado em https://portalperiodicos.unoesc.edu.br/visaoglobal/article/view/502/244 no dia 11/04/20 às 18:00. SANTOS, Thiala Conceição; PEDAGOGIA HOSPITALAR: A LEITURA NUTRINDO A ALMA, Faculdade de Educação - Universidade Federal da Bahia - Salvador- BAHIA 2009. Acessado em http://www.cerelepe.faced.ufba.br/arquivos/fotos/164/thialalivroinfantil.pdf no dia 12/04/20 às 08:00. SOUSA, Alanne Cruz; TELES Damares Araujo; SOARES, Maria Perpétua do Socorro Beserra; Pedagogia Hospitalar: a relevância da atuação do pedagogo, Revista Educação e Emancipação, São Luís, v. 10, n. 3, set/dez.2017. Acessado em http://www.periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/reducacaoemancipacao/article/view/7725 no dia 11/04/20 ás 18:30. SILVA, Roberta; FARAGO, Alessandra Corrêa; Pedagogia hospitalar: a atuação do pedagogo em espaços não-formais de educação, Cadernos de Educação: Ensino e Sociedade, Bebedouro-SP, 1 (1): 165-185, 2014. Acessado em http://www.unifafibe.com.br/revistasonline/arquivos/cadernodeeducacao/sumario/31/04042014074320.pdf no dia 11/04/20 ás 18:40. TAVARES, Bruna Feijó; A PEDAGOGIA NO ESPAÇO HOSPITALAR: CONTRIBUIÇÕES PEDAGÓGICAS A UM AMBIENTE DE RENOVAÇÃO E APRENDIZAGEM, CENTRO UNIVERSITÁRIO MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ – USJ São José 2011. Acessado em https://usj.edu.br/wp-content/uploads/2015/08/TCC_Pronto.pdf no dia 11/04/20 ás 19:00