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Produção Enxuta e Pensamento Lean

Material sobre produção enxuta: explica o pensamento lean e sua história (Ford, Toyota, Womack), apresenta princípios fundamentais (valor, fluxo de valor, fluxo contínuo, sistema puxado, busca da perfeição), define valor e desperdício e classifica tipos de desperdício.

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GESTÃO DA PRODUÇÃO
SEÇÃO 3.3 - EVOLUÇÃO NOS SISTEMAS DE PRODUÇÃO E NOVAS PRÁTICAS
PROFA. FABIANA BIAZETTO
PRODUÇÃO ENXUTA
É uma filosofia (não é um conhecimento, mas uma atitude 
natural do homem) de agregar valor através da eliminação 
dos desperdícios existentes na organização.
PRODUÇÃO ENXUTA
O termo lean teve sua primeira menção 
através do livro A máquina que mudou o 
mundo (The Machine that Changed the 
World), de Womack, Jones e Roos, 
publicado nos EUA em 1990
Estudo sobre a indústria automobilística 
mundial, demonstrando o sucesso da indústria 
japonesa (principalmente da Toyota) com 
relação à produtividade, qualidade, 
desenvolvimento de produtos etc.
PENSAMENTO ENXUTO
Filosofia operacional ou um sistema de 
negócios, uma forma de especificar VALOR, 
alinhar na melhor sequência as ações que 
CRIAM VALOR, realizar essas atividades 
sem interrupção toda vez que alguém 
solicita e realizá-las de forma cada vez mais 
eficaz,
Fazer cada vez mais com cada vez menos, 
menos esforço humano, menos 
equipamento, menos tempo e menos 
espaço, e, ao mesmo tempo, aproximar-se 
cada vez mais de oferecer aos clientes 
exatamente o que eles desejam no tempo 
certo. 
Eliminam-se desperdícios e 
não empregos.
HENRY FORD
Possibilitou a produção em 
massa, obtendo um 
percentual elevado de 
produção por trabalhador, e 
disponibilizando no mercado 
produtos a preços baixos, ou 
seja, ele conseguiu economia 
em escala.
TOYOTA E OUTRAS EMPRESAS JAPONESAS
Adaptaram o sistema produtivo a uma realidade de um 
Japão pós-guerra (devastado e com pouco recursos), 
reduzindo desperdícios e trazendo excelentes resultados, 
referenciados até os dias de hoje.
Seus executivos Eiji Toyoda e Taiichi Ohno, após visitarem 
a fábrica da Ford, chegaram à conclusão de que o sistema 
de produção em massa jamais funcionaria no Japão.
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA FILOSOFIA LEAN
1. Valor 
Identificar o valor do ponto 
de vista do cliente. 
O que é importante para o 
cliente?
2. Fluxo de valor
Entender o que realmente 
agrega valor em cada 
processo. Identificar o fluxo 
de valor e os desperdícios.
Conhecemos detalhadamente 
nossos fluxos de valor?
3. Fluxo contínuo
Estabelecer o fluxo contínuo 
de informações e materiais.
Existem momentos em que o 
material ou informação para?
Por quê?
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA FILOSOFIA LEAN
4. Sistema puxado
Fazer somente aquilo que é 
solicitado pelo cliente. 
Os produtos são produzidos 
somente quando necessários?
5. Busca da perfeição
Melhorar, melhorar e melhorar. 
Sempre!
Assumimos os desperdícios 
com naturalidade e indignação?
O QUE É VALOR?
É o grau de benefício obtido como 
resultado da utilização e das 
experiências vividas com um produto.
Percepção do cliente e das demais partes 
interessadas sobre o grau de atendimento 
de suas necessidades, considerando as 
características e atributos do produto, seu 
preço, a facilidade de aquisição, de 
manutenção e de uso, ao longo de todo o 
seu ciclo de vida.
Criar e entregar valor para todas as partes interessadas 
requer um balanceamento do valor na percepção dos 
clientes, dos acionistas, da força de trabalho e da sociedade” 
(Definição do PNQ - Prêmio Nacional da Qualidade –
2004).
E O DESPERDÍCIO? 
É todo e qualquer recurso, ou 
atividade, que se gasta na execução 
de um produto ou serviço além 
do necessário (matéria-prima, 
materiais, tempo, energia, mão 
obra etc.).
Trata-se de um “gasto” 
extra, aumentando os custos 
sem trazer qualquer tipo de 
melhoria (valor) para o 
cliente.
DESPERDÍCIO
“Qualquer 
atividade humana 
que absorve 
recurso, mas que 
não cria valor” 
(WOMACK; 
JONES, 2004).
LEAN MANUFACTURING (PRODUÇÃO ENXUTA) X LEAN THINKING 
(PENSAMENTO ENXUTO)
Lean manufacturing (produção enxuta) 
vem sendo substituído pelo de lean 
thinking (pensamento enxuto).
Outras denominações: lean
development, lean office, lean logistics, 
lean healthcare etc.
PENSAMENTO DE TAIICHI OHNO (1997)
Os valores sociais mudaram. Agora, não podemos vender nossos produtos a não ser que nos coloquemos dentro dos 
corações de nossos consumidores, cada um dos quais tem conceitos e gostos diferentes.
Hoje, o mundo industrial foi forçado a dominar de verdade o sistema de produção múltiplo, em pequenas quantidades.
PENSAMENTO ENXUTO
VÍDEO: O QUE É LEAN PARA NOSSOS ESPECIALISTAS?
O foco do pensamento enxuto é identificar e eliminar imediatamente 
toda e qualquer perda no sistema. 
Mas quais os desperdícios existentes dentro de uma organização? 
Os desperdícios podem ser classificados tradicionalmente em sete grupos, e alguns novos 
estudos (vertentes) demonstram o incremento de mais dois desperdícios.
CLASSIFICAÇÃO DOS DESPERDÍCIOS
PRODUTIVIDADE
1. Atividades que 
agregam valor 
(AV): 
Atividades que, aos olhos do cliente final, 
tornam o produto ou serviço mais valioso. 
O processo é essencial para produzir o 
produto/serviço. Ou, ainda, mede e monitora 
o processo com objetivos de melhoria. 
Exemplos em uma pizzaria: montar a pizza e 
assar agregam valor.
2. Atividades que 
não agregam 
valor (NAV):
Atividades que, aos olhos do cliente final, não 
tornam o produto ou serviço mais valioso e 
não são necessárias mesmo nas atuais 
circunstâncias.
Exemplo de uma produção de brigadeiro, na 
qual contar o número de chocolate 
granulado por unidade de brigadeiro não 
agrega valor, sendo passível de diminuição 
e/ou eliminação.
PRODUTIVIDADE
3. Atividades 
necessárias que 
não agregam valor:
Atividades que, aos olhos do cliente final, não 
tornam o produto ou serviço mais valioso, 
mas que são necessárias, a não ser que o 
processo atual mude radicalmente.
Ex.: uma atividade que existe para antecipar algo que 
pode sair errado, o controle da qualidade e a inspeção 
de qualidade. 
O processo deve 
ser capaz e 
garantir a 
qualidade, e 
inspeção/controle 
é um retrabalho 
visando que o 
problema seja 
identificado 
internamente, mas 
não agrega valor, 
EXEMPLIFICANDO
 Em um ambiente de produção de bens (manufatura ou fluxo logístico – não world class) a relação 
entre os tempos consumidos pelos três tipos de atividades gira em torno de:
 5% atividades que agregam valor.
 60% não agregam valor.
 35% necessárias, mas não agregam.
 Em um ambiente de processamento de informações (escritórios, engenharia, processamento de 
ordens, etc. – não world class), a relação entre os tempos consumidos pelos três tipos de atividades 
gira em torno de:
 1% atividades que agregam valor.
 49% não agregam valor.
 50% necessárias mas não agregam.
COMO MELHORAR ESSA SITUAÇÃO DENTRO DAS 
ORGANIZAÇÕES?
Empresas tradicionais que possuem um enfoque nas tarefas acabam 
propondo melhorias nas atividades que agregam valor, e os resultados 
têm uma representatividade pequena, pois, na maioria das empresas, o 
percentual de tempo ocupado por essa atividade é pequeno.
No pensamento enxuto, o enfoque é justamente o inverso: atacar os 
desperdícios e atividades que não agregam valor. 
PRINCIPAIS FERRAMENTAS E TÉCNICAS DO PENSAMENTO ENXUTO
Ferramenta /
Técnicas
Descritivo Aplicação x
Desperdício
Mapeamento
do fluxo de
valor
É uma ferramenta que visa demonstrar graficamente o fluxo
produtivo dentro de um processo.
Diferente do fluxograma tradicional, essa ferramenta visa
demonstrar as atividades que agregam valor e os
desperdícios.
Usualmente é realizado um mapeamento da situação atual,
identificando os estoques existentes e lead time (tempo)
entre as
atividades do processo, e sequencialmente é elaborada uma
proposta de melhoria, visando otimizar os desperdícios
identificados
Aplicável
a todos os
desperdícios
PRINCIPAIS FERRAMENTAS E TÉCNICAS DO PENSAMENTO ENXUTO
Ferramenta /
Técnicas
Descritivo Aplicação x
Desperdício
Kaizen Essa filosofia, muitas vezes, confunde-se com o
próprio pensamento enxuto, pois seu princípio é a
melhoria contínua. Kaizen é uma palavra japonesa
que tem justamente esse significado:melhoria contínua. Para a implementação desse 
pensamento, é necessário o envolvimento da mão 
de obra da empresa (oposto do desperdício 
denominado de não aproveitamento de ideia).
Aplicável
a todos os
desperdícios
PRINCIPAIS FERRAMENTAS E TÉCNICAS DO PENSAMENTO ENXUTO
Ferramenta /
Técnicas
Descritivo Aplicação x
Desperdício
Manutenção
Produtiva Total
Esse programa, também conhecido como Total Productive
Maintenance (TPM), tem como princípio buscar uma melhor 
performance das máquinas e equipamentos, garantindo
a confiabilidade no momento de utilização.
Para isso, tem como proposta a manutenção preventiva
(antecipando potenciais falhas) e manutenção autônoma
(realizada pelo usuário / trabalhador). Também busca uma
melhor adequação dos equipamentos e máquinas com
relação à saúde, segurança e meio ambiente.
Além do monitoramento para otimizar falhar e propor 
melhorias.
Espera,
ergonomia, não
aproveitamento
de ideias, e
transporte
PRINCIPAIS FERRAMENTAS E TÉCNICAS DO PENSAMENTO ENXUTO
Ferramenta /
Técnicas
Descritivo Aplicação x
Desperdício
Kanban Essa ferramenta é a força motriz do just in time, 
que tem como proposta diminuir os estoques. O 
kanban tem como viés trabalhar com pequenos 
lotes (internamente e externamente) através da
gestão visual de cartões (kanban). Assim como nos
semáforos de trânsito, geralmente são utilizadas as
três cores (verde, amarelo e vermelho) para
sinalizar a situação dos estoques, e
consequentemente fazer a movimentação /
reposição.
Estoque e
espera
PRINCIPAIS FERRAMENTAS E TÉCNICAS DO PENSAMENTO ENXUTO
Ferramenta /
Técnicas
Descritivo Aplicação x
Desperdício
Troca rápida de
Ferramenta / 
setup
As empresas tendem a ser responsivas, ou seja, buscar um atendimento focado 
no mercado, e decorrente dessa proposta terá uma maior número de produtos 
sendo produzidos em menores lotes. Esse realidade exige mais setups, ou seja, 
troca de configuração de um produto para outro. Por exemplo, uma empresa 
que produz biscoitos recheados terá que produzir nos mesmos recursos vários 
sabores diferentes. Essa substituição envolve troca de ferramentas embalagens, 
da matéria-prima, assim como limpeza e assepsia da linha de produção.
Esse tempo de troca significa que não está produzindo, ou seja, quanto mais
demorar, menos produtos produzirá. Por isso, as empresas estão buscando
menores tempos nos setups e trocas de ferramentas. Em alguns países, essa
técnica é conhecida como SMED (single minute exchange of die), e subdivide o
setup em duas etapas: interno (aquele que tem que acontecer com a máquina
parada) e o externo (que pode ser realizado fora da máquina). Por exemplo, no
pits top da Fórmula 1, várias atividades são realizadas antes do carro parar
(preparação e disponibilização das ferramentas e insumos).
Espera,
estoque,
superprodução
PRINCIPAIS FERRAMENTAS E TÉCNICAS DO PENSAMENTO ENXUTO
Ferramenta /
Técnicas
Descritivo Aplicação x
Desperdício
5S Essa técnica é formada por cinco palavras japonesas: seiri
(utilização), seiton (arrumação), seiso (limpeza), shitsuke
(disciplina) seiketsu (higiene), ou seja, envolve arrumação, 
organização e limpeza no ambiente de trabalho.
Defeito,
processamento
desnecessário,
movimentação,
superprodução
e falta de
ergonomia.
ELIMINAR OS DESPERDÍCIOS PROPICIA RESULTADOS COMO:
POR QUE MUITAS EMPRESAS NÃO ADOTAM A FILOSOFIA DO PENSAMENTO
ENXUTO?
Cada empresa tem uma história e uma cultura próprias, por se 
tratar de uma filosofia depende do aculturamento pel a empresa. 
E adotam os valores e a filosofia 
que a sua liderança define. 
Algumas ferramentas 
desenvolvidas pela Toyota têm 
sido universalmente aplicadas, 
como, por exemplo, o just in time, 
a produção puxada, lotes 
menores, células, nivelamento da 
produção, os dispositivos Poka-
Yoke etc. 
Mas, muitas vezes, não são 
integrados em um sistema e, mais 
problemático ainda, muitas 
empresas não compreendem 
claramente a filosofia que está 
por trás das ferramentas.
VAMOS PRATICAR?

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