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TEORIA DO CRIME UNID 1

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caracterizada por uma conceituação e sistematização precisas, desenvolvidas em sua obra 
Lehrbuch, de 1801. O seu trabalho legislativo mais importante foi o Código Bávaro de 1813. O autor visa
construir um sistema completo fundado na lei positiva. Alguns postulados vigoram até hoje, conforme ensina
Alessandra Greco (2004, p. 52 e 53).
Princípio da legalidade.
A imposição da pena só pode ser dar por ocasião de um crime.
Todo fato criminal tem uma pena legal correspondente a ele. O fim da pena para Feuerbach é o preventivo geral.
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2.2 Escola Positiva
A ciência exerceu uma influência decisiva na configuração do Direito Penal do séc. XIX. O evolucionismo de
Charles Darwin, o positivismo de Auguste Comte, dentre outros, ditaram os rumos seguidos pela Escola Positiva. 
A motivação para superar a Escola Clássica pautava-se na crítica a sua ineficácia como meio de repressão à
criminalidade. Em linhas gerais, a pena retributiva deveria ser substituída por um sistema de prevenção especial,
com base no estudo antropológico do homem delinquente, e o crime deveria ser visto como fato social, e não
como ente jurídico (Fragoso, 1976, p. 49 a 60). Na Escola Positiva o delinquente passa a ser o foco do estudo. Ele
é considerado um ser anormal, e por essa razão delinque. Não se considera mais o livre-arbítrio, e sim o
determinismo. Na aplicação da lei penal deve levar-se em conta a periculosidade do agente, daí a aplicação das
medidas de segurança.
Essa Escola elaborou a história natural do homem criminoso, baseada no método empírico. Tentaram fazer do
direito penal uma ciência natural. E, conforme assinala Aníbal Bruno (1956, p. 117), essa teoria foi superada,
pois o método experimental deve ser aplicado às ciências criminológicas e não ao direito penal. A esse período
puramente criminológico sucedeu depois um período jurídico. Foram expoentes da Escola Positiva:
Cesare Lombroso (1986-1909)
A Lombroso atribui-se o desenvolvimento da antropologia criminal. Ele insere o estudo do criminoso na
estrutura do crime, visando uma explicação causal para seu comportamento antissocial. Para ele o delinquente é
nato, pois possui um tipo antropológico específico. Algumas características citadas pelo autor: assimetria
craniana, orelhas de abano, cabelos abundantes, portador de epilepsia. A teoria de Lombroso encontra-se
superada. Porém, ele teve o mérito de iniciar os estudos sobre o delinquente. O seu grande problema foi
estabelecer que aspectos físicos determinariam quem seria ou não delinquente, o que não corresponde à
realidade.
Rafael Garofalo (1851-1934)
A Garofalo atribui-se o estudo da criminologia. Ele busca estabelecer um conceito naturalístico de crime
identificando-o na violação daquela parte do senso moral que consiste nos sentimentos altruístas de piedade e
probidade, considerando a “média” existente na comunidade. (Fragoso, 1976, p. 46). Para ele o crime está
sempre no indivíduo e é a revelação de uma natureza degenerada. A causa não seria física, como em Lombroso,
mas sim psíquica ou moral. Garofalo, partindo da seleção natural de Darwin, defendia “a aplicação da pena de
morte aos delinquentes que não tivessem absoluta capacidade de adaptação, que seria o caso dos ‘criminosos
natos’” (Bitenourt, 2018, p. 116).
Enrico Ferri (1856-1929)
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Ferri é considerado o criador da sociologia criminal. Para ele o homem só é responsável porque vive em
sociedade, substituindo a responsabilidade moral pela social. Conforme ensina Aníbal Bruno (1956, p. 114),
Ferri tinha seu espírito orientado para as ciências sociais, e assim complementou o antropologismo inicial de
Lombroso com uma compreensão mais abrangente das origens da criminalidade. Para ele existiam três ordens
de fatores do crime: antropológicos, físicos e sociais. O autor defendia que o ambiente social influencia o
indivíduo de forma determinante, apesar dos fatores individuais e físicos. Desta forma, “o homem está
condicionado a agir pela influência do meio social, que determina seu caráter, visto que o crime é produto de
uma doença social grave e o agente não poderia agir conforme o ordenamento jurídico vigente”. (Martinelli;
Bem, 2018, p. 71).
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2.3 Escola Moderna Alemã
Desenvolvida na Alemanha, com base na obra do austríaco Franz von Liszt. Trata-se de uma escola eclética, mais
próxima da Escola Positiva, mas com “tendência de conciliação com os clássicos” (Bruno, 1956, p. 123). Em 1882,
von Liszt lançou o Programa de Marburgo, considerado “verdadeiro marco na reforma do direito penal
moderno, trazendo profundas mudanças de política criminal, fazendo verdadeira revolução nos conceitos do
direito penal positivo até então vigentes”. (Bitencourt, 2018, p. 119). Segundo Bitencourt (2018, p. 120), as
principais características da moderna escola alemã são:
• Adoção do método lógico-abstrato e indutivo-experimental
O primeiro para o direito penal e o segundo para as demais ciências criminais. Prega a necessidade de
distinguir o direito penal das demais ciências criminais, tais como criminologia, sociologia, antropologia
etc.
• Distinção entre imputáveis e inimputáveis
O fundamento dessa distinção, contudo, não é o livre-arbítrio, mas a normalidade de determinação do
indivíduo. Para o imputável a resposta penal é a pena, e para o perigoso, a medida de segurança,
consagrando o chamado duplo-binário.
• O crime é concebido como fenômeno humano-social e fato jurídico
Embora considere o crime um fato jurídico, não desconhece que, ao mesmo tempo, é um fenômeno
humano e social, constituindo uma realidade fenomênica.
• Função finalística da pena
A sanção retributiva dos clássicos é substituída pela pena finalística, devendo ajustar-se à própria
natureza do delinquente. Mesmo sem perder o caráter retributivo, prioriza a finalidade preventiva,
particularmente a prevenção especial.
• Eliminação ou substituição das penas privativas de liberdade de curta duração
Representa o início da busca incessante de alternativas às penas privativas de liberdade de curta
duração, começando efetivamente a desenvolver uma verdadeira política criminal liberal.
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3 Evolução do Direito penal no Brasil
Conheça, a seguir, a evolução do Direito penal no Brasil e suas características.
3.1 Ordenações Filipinas
O Livro V das Ordenações Filipinas, vigente de 1603 a 1830, foi a legislação penal utilizada no Brasil durante o
período colonial. Nessa época não eram muito diferentes o direito da moral e da religião. Podemos citar alguns
crimes: feitiçaria, sodomia e adultério, que eram punidos com a pena de morte. Outra característica desse
período era a crueldade das penas, que também eram um reflexo da época.
Um caso emblemático foi o de Tiradentes, condenado à morte pelo crime de lesa-majestade, e, após ser
enforcado, teve seu corpo esquartejado e seus membros fincados em postes e colocados à beira das estradas
como “exemplo” para os demais súditos da coroa. Era uma forma de intimidar pelo terror.
O Direito Penal desse período era visto como prima ratio, muito diferente de hoje, tudo era matéria de direito
penal. As condutas hoje abarcadas por outras áreas do direito, como o administrativo ou civil, recebiam
tratamento penal. Exemplo: Título LXXXI – Dos que dão música de noite – pena de prisão por 30 dias, multa e
perda dos instrumentos musicais e armas.
Outra característica que merece ser comentada é a interferência da “qualidade” do autor na definição da pena,
pois não vigia o princípio da igualdade. Por exemplo, para os rufiões (Título XXXIII) a pena era de açoite, multa e
degredo para África. Porém, se o homem fosse escudeiro, a pena seria de multa e degredo para fora da vila. Essa
legislação também não se adotava o princípio da legalidade, ficando ao arbítrio do julgador a escolha da sanção
aplicável (Bitencourt, 2018, p. 100).
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3.2 Código Criminal do Império do Brasil
Com a proclamação da independência em 1822 se fez necessária a revisão de toda a legislação

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