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PRODUÇÃO-TEXTUAL-ASPECTOS-METODOLÓGICOS

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caso, não é necessário apontar temas, formatos ou padrão, apenas permitir 
que o estudante desenvolva um conteúdo sobre o seu gosto pessoal. Assim eles 
conseguirão superar o nervosismo e liberar a escrita. 
 
Mostre que a escrita é uma forma de expressão 
 
 
 
 
 
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O estudante precisa conectar-se com a escrita. Para tanto, é fundamental que ele 
consiga expressar os seus sentimentos e valores por meio dela. A partir do momento que 
o aluno compreender que a escrita é um modo de expressar os seus pensamentos, a 
produção textual será menos desafiadora para ele. 
Esse raciocínio é fundamental para superar, por exemplo, a redação do Enem. O 
texto dissertativo — estilo cobrado no exame — pede para que o aluno seja capaz de 
construir uma proposta de intervenção diante da problemática apresentada, isso 
considerando a realidade vivida. Sem uma verdadeira conexão entre o estudante e a 
produção textual, o conteúdo pode ficar vazio e pouco atraente para o avaliador. 
4 POR QUE APRENDER TÉCNICAS PARA A PRODUÇÃO DE TEXTO? 
O ensino tradicional da disciplina de Redação traz, muitas vezes, um “ranço” para os 
estudantes. Essa expressão caracteriza a falta de vontade do aluno em escrever. Esse fator 
não é culpa nem dos professores, nem dos próprios alunos. O que se tem na verdade é o 
pouco tempo para ensinar e explorar a disciplina, que quase sempre só dispõe de uma ou 
duas aulas no currículo. 
A maioria dos alunos pouco aproveita desse momento de aprendizagem. E quando 
finalizam seus estudos percebem a dificuldade que possuem em produzir textos, ou ainda, 
a culpam por não conseguirem. 
4.1 Escrever um texto é verdadeiramente uma ciência! 
Pense bem: você irá colocar em um papel o seu raciocínio sobre determinado tema. 
Se os seus pensamentos não estão organizados, como você irá desenvolver uma escrita 
que deve possuir sequência, coerência, coesão, entre outros fatores e, ainda, domínio dos 
aspectos gramaticais? 
Complicado? Não! O Português é a sua língua materna, portanto, não há nada de 
complicado. É preciso entender que você já tem bagagem. O que deve ser feito é, em um 
primeiro momento, compreender os aspectos da comunicação que já se tem na prática 
passando-os para o entendimento da teoria e depois retransformar esse aprendizado de 
teoria para a prática novamente. 
 
 
 
 
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É neste momento que entra o desenvolvimento e a aprendizagem das técnicas 
redacionais. Falar sobre técnicas, não é só apresentar aspectos como, por exemplo, causa 
e consequência, até porque existe muito conteúdo a ser compreendido em torno desta 
ciência de escrever! É preciso, com toda certeza, ir além! 
Às vezes, muitas pessoas escrevem sem noção alguma do que estão construindo. 
Muitos até dizem que é só escrever. Talvez seja isso mesmo, mas compreender o que está 
sendo construído é fundamental. Existem dúvidas, que solitariamente, não se consegue 
sanar quando se está produzindo um texto. Afinal, você pode até ter a prática, mas não 
compreende a teoria que é recheada de técnicas de redação e auxiliam no bom 
desenvolvimento da produção textual. 
5 A PRODUÇÃO TEXTUAL - UMA ANÁLISE DISCURSIVA 
Redigir um texto parece, para muitos, um procedimento difícil... Concepção esta que, 
caso não seja aprimorada, acaba se tornando um estigma e, consequentemente, um 
entrave para o emissor no decorrer de sua trajetória cotidiana. O fato é que o ato da escrita 
requer do emissor determinadas habilidades que envolvem conhecimentos de forma 
específica. 
Em uma primeira instância, reportamo-nos à ideia de que todo discurso tem um fim 
em si mesmo, ou seja, perfaz-se de uma intenção que se caracteriza de acordo com os 
objetivos que se deseja alcançar com a mensagem ora transmitida. Intenções essas 
materializadas sob a forma de um texto informativo, instrutivo, persuasivo, humorístico, 
didático, dentre outros. Desta feita, torna-se imprescindível que o emissor parta deste 
princípio: o que se busca mediante o trabalho com a linguagem? 
Tais pressupostos tendem a se reafirmar quando comparados à fala de José 
Saramago: 
 As palavras são apenas pedras a atravessar a corrente de um rio, se estão ali é 
para que possamos chegar à outra margem, a outra margem é o que importa. (Apud 
DUARTE V. M. N. 2018) 
Numa transcrição do metafórico para o sentido real, temos que “as pedras” que 
atravessam a corrente de um rio nada mais são que o acervo lexical que a língua nos 
proporciona e este acervo vai se incorporando ao nosso vocabulário à proporção que 
 
 
 
 
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desenvolvemos o hábito de leitura. Mas elas não são suficientes para chegarmos “à outra 
margem do rio”, pois neste ínterim também estão correlacionados dois outros fatores de 
considerável relevância – os conhecimentos linguísticos (gramaticais) e o próprio 
conhecimento de mundo –, sendo que este último envolve o condicionante social, haja vista 
que para discorrermos acerca de um determinado assunto, temos que, necessariamente, 
elencar os argumentos que a ele faz referência. 
Numa transcrição do metafórico para o sentido real, temos que “as pedras” que 
atravessam a corrente de um rio nada mais são que o acervo lexical que a língua nos 
proporciona e este acervo vai se incorporando ao nosso vocabulário à proporção que 
desenvolvemos o hábito de leitura. Mas elas não são suficientes para chegarmos “à outra 
margem do rio”, pois neste ínterim também estão correlacionados dois outros fatores de 
considerável relevância – os conhecimentos linguísticos (gramaticais) e o próprio 
conhecimento de mundo –, sendo que este último envolve o condicionante social, haja vista 
que para discorrermos acerca de um determinado assunto, temos que, necessariamente, 
elencar os argumentos que a ele faz referência. 
6 O PROCESSO DE PRODUÇÃO TEXTUAL 
 Para alguns, escrever é um dom, para outros, depende da inspiração de cada um. 
Segundo Koch & Elias (2010, p. 32), “essa pluralidade de respostas nos faz pensar que o 
modo pelo qual concebemos a escrita não se encontra dissociado do modo pelo qual 
entendemos a linguagem, o texto e o sujeito que escreve”. Isto é, a nossa visão sobre a 
escrita se dá em função do modo como olhamos para os elementos chave desse processo. 
A partir disso, Koch & Elias (2010) ainda discorrem sobre as concepções que surgem 
com base nos diferentes enfoques dados à escrita. A primeira concepção apresentada é 
aquela que tem como foco a língua. De acordo com as autoras, um sujeito que detém seu 
foco na língua vê a linguagem como um sistema acabado e inalterável e, portanto, 
compreenderá o texto a partir dessa perspectiva, ou seja, o verá como um produto pronto, 
uma escrita de códigos a serem decodificados, negando qualquer implicitude. 
Outra concepção apresentada pelas autoras é aquela que tem como foco o escritor. 
Sob esse viés, a linguagem é entendida como expressão do pensamento e, por isso, o texto 
tende a ser visto como uma representação de ideias do autor, sem a pressuposição de uma 
 
 
 
 
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interação ou interlocução, considerando apenas o indivíduo (escritor) em si e ignorando 
qualquer relação com um suposto leitor. 
 
Fonte:soumamae.com.br 
Já a terceira concepção abordada pelas autoras é a que tem como foco a interação 
e servirá de base para compreendermos o processo de produção textual. “Nessa 
concepção interacional (dialógica) da língua, tanto aquele que escreve como aquele para 
quem se escreve são vistos como atores/construtores sociais, sujeitos ativos que - 
dialogicamente - se constroem e são construídos no texto [...]” (KOCH; ELIAS, 2010, p. 34). 
Dessa forma, entende-se que a escrita não é um processo individual e rígido, mas, pelo 
contrário, coletivo e flexível, pois não é algo relativo somente à linguagem ou ao escritor, 
trata-se de um conjunto que envolve, além de aspectos linguísticos e intenções do autor, 
um interlocutor. 
Mas, então, o que configura um texto? A escrita precisa fazer sentido para

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