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A UTILIZAÇÃO DA PSICOEDUCAÇÃO NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM SOBRE GÊNERO E SEXUALIDADE NO ENSINO FUNDAMENTAL

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1 
Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 & 13th Women’s Worlds Congress (Anais Eletrônicos), 
Florianópolis, 2017, ISSN 2179-510X 
A UTILIZAÇÃO DA PSICOEDUCAÇÃO NO PROCESSO DE ENSINO-
APRENDIZAGEM SOBRE GÊNERO E SEXUALIDADE NO ENSINO 
FUNDAMENTAL 
 
João Paulo Rocha Ribeiro1 
 
Resumo: Este estudo objetivou compreender e discutir como na atualidade os temas gênero e 
sexualidade são abordados por professoras e professores, com ênfase no ensino fundamental, 
segunda fase – que compreende do 6º ao 9º ano. Através das discussões, foi possível formular 
estratégias para se abordar tais temas em sala de aula e construir formas – sejam elas teóricas, 
técnicas ou lúdicas de se discutir e desmistificar as sexualidades, trabalhando com a técnica de 
psicoeducação da terapia cognitivo-comportamental, abordagem da psicologia. Foi realizada uma 
revisão de bibliografias (artigos, livros e alguns meios eletrônicos) para fomentar e contribuir com 
as discussões. A partir das análises, foi possível concluir uma possibilidade de intervenção pelos 
professores com seus alunos, mas se percebe haver grandes barreiras, estas que devem ser 
quebradas através da transmissão de conhecimentos diversificados e desmistificados, a partir de um 
processo de formação mais crítico e discussões saudáveis, com possibilidades de desenvolver um 
senso autocrítico na criança ou adolescente. 
 
Palavras-chave: Gênero. Sexualidade. Escola. Ensino Fundamental. Psicoeducação. 
 
 
Este trabalho busca compreender e discutir como na atualidade os temas gênero, sexualidade 
e diversidade sexual são abordados por educadoras/es – com ênfase no ensino fundamental, visto 
que é nesta fase da vida da criança/adolescente que surgem as modificações corporais, desperta-se 
então o desejo sexual, se estabelecem as relações de orientação/condição sexual (homossexual ou 
heterossexual ou bissexual) e que o sujeito se descobre e se constrói – se adequando ou não ao seu 
corpo biológico (cisgênero ou transgênero). 
A partir das revisões bibliográficas, será investigada a utilização da técnica de 
Psicoeducação – ferramenta da abordagem da Terapia Cognitivo-Comportamental – para mediar e 
fomentar possibilidades de discussão na prática de ensino-aprendizagem dentro da sala de aula para 
se trabalhar temas como gênero e sexualidade. 
Compreendendo o contexto do ensino e o que ele pode produzir na educação da criança e 
da/do adolescente, em tempos onde o ataque as minorias está mais evidente do que nunca e que a 
política nacional em sua grande maioria tende a seguir rumo ao conservadorismo, é clara a 
 
1 Psicólogo, Especializando em Infância e Direitos Humanos pela Universidade Federal de Goiás – UFG & em 
Psicologia Hospitalar e da Saúde pela Universidade Cândido Mendes – UCAM, Especialista em Terapia Cognitivo-
Comportamental pelo Centro Universitário Amparense – UNIFIA. Psicólogo Coordenador do Núcleo de Apoio à Saúde 
da Família (NASF) da cidade de Professor Jamil/GO e Psicólogo Social do Centro de Referência de Assistência Social 
(CRAS) da cidade de Cromínia/GO. 
 
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Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 & 13th Women’s Worlds Congress (Anais Eletrônicos), 
Florianópolis, 2017, ISSN 2179-510X 
percepção da necessidade da qualidade de conhecimento e de ensino que gere senso crítico e 
estimulem as crianças e as/os adolescentes a pensarem no bom convivo social, que preze pela 
diversidade e que respeite o limite e as escolhas do outro (MAAR, 2003; RIBEIRO et al., 2004). 
Nas discussões que fomentaram a construção do Plano Nacional de Educação – PNE de 
2014-2024 (BRASIL, 2014), políticos conservadores polemizaram e pressionaram a retirada de 
termos como ‘gênero’, ‘sexualidade’, ‘diversidade sexual’, ‘mulheres’, dentre outros, e isso é 
preocupante, uma vez que gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais não estão contemplados 
pelo PNE, deve-se então buscar outras maneiras de se abordar e levar tais temas para a sala de aula. 
Sendo abordados ou não pelo PNE, tal população existe e está inserida no contexto da sala de aula, 
e se não há um respaldo ao/a educador/a, estes devem se preparar de alguma forma para não 
continuar um processo de exclusão desta população. 
Ribeiro et al. (2004) remetem ao conceito de que trazendo essa discussão para dentro da sala 
de aula, possibilitaria a produção de valores para se conviver com as diferenças e a quebra de 
julgamentos machistas. Altmann (2003), também traz a ideia que de a escola e a sala de aula tem 
sido apontadas como um importante espaço de intervenção e discussão sobre a sexualidade e 
relações de gênero. Então, a possibilidade de formar jovens autocríticos, que respeitem a 
individualidade e os direitos de outras pessoas é estimular essa discussão desde sua formação 
escolar. 
Apesar das oposições em se reconhecer a diversidade das sexualidades e de gêneros como 
dimensões fundamentais das relações humanas e sociais, existem algumas políticas que passaram a 
incorporar essa diversidade, além disso, elas têm buscado inserir a educação básica no campo da 
educação em sexualidade, são elas: os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN de 1997 e 1999, o 
Saúde e Prevenção nas Escolas – SPE de 2003, o Programa Brasil sem Homofobia – Programa de 
Combate à Violência e à Discriminação contra LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e 
Transgêneros) e de Promoção da Cidadania Homossexual de 2004 e o Gênero e Diversidade na 
Escola – GDE de 2006 (UNESCO, 2014). 
Maar (2003) postula que quando a educação é voltada para a emancipação, que produza 
questionamentos críticos e uma autorreflexão, ela evitaria assim a barbárie, o que favoreceria a 
liberdade individual das pessoas, fazendo assim diminuir as chances do preconceito. Neste caso, 
quando se há espaços na escola para a discussão e orientação sobre as possibilidades sexuais e há o 
empedramento dessa criança/adolescente sobre os seus corpos, sobre suas escolhas e que favoreça a 
 
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quebra de tabus e desmistificação das sexualidades, há então a diminuição do preconceito 
(ALTMANN, 2003). 
Neste momento de educação sexual, a escola se adequa a um grupo social influente na vida 
dos adolescentes. Como o diálogo sobre sexualidade em casa é difícil, esta educação sexual pode 
vir através da escola, uma vez que esta é o primeiro contato social extrafamiliar. Assim, todas as 
informações obtidas pela criança e pela/pelo adolescente, não só com amigos como também na 
mídia, sejam discutidas em um espaço aberto a questionamentos críticos, a resoluções de dúvidas e 
esclarecimentos (BRASIL et al., 2000). 
Mesmo com toda a adversidade, essa população existe no contexto escolar e deve ser 
respeitada e não excluída. Louro et al. (2010) evidencia que muitas vezes professoras e professores 
se equivocam em achar que não encarar e não trabalhar a sexualidade em sala de aula, estes 
“problemas” ficariam fora da escola, o que remete ao senso comum de que se não é falado, não 
existe, ou mesmo achar que esconder debaixo dos panos algo que é considerado um tabu, não 
incitaria a prática. Pensamentos retrógrados como estes impedem o bom desenvolvimento da 
criança/adolescente, faz com que eles produzam estereótipos, preconceitos e mais violências contra 
a população LGBT, mulheres e outras minorias fora do padrão heteronormativo. 
Quando ocorre a educação sexual na escola, o aluno poderá desmistificar e desestabilizar as 
informações tidas como únicas verdades que infelizmente ainda existem em nossa sociedade, 
poderá também a partir disso compreender as várias possibilidades sexuais, não somente o 
binarismo sexual. Discutir a diversidade sexual é de suma importância, pois essa discussão 
possibilita o questionando desse padrão e o que ele [re]produz sobrenosso comportamento e como 
influencia nosso modo de viver e ser (FURLANI, 2010). 
Então de acordo com Altmann (2003), a escola sendo o lugar em que os adolescentes 
passam a maior parte do seu tempo, cria-se então a possibilidade de ela ser um importante espaço de 
intervenção sobre as temáticas, um espaço aberto a diálogos saudáveis e construtivos. 
 
Terapia cognitivo-comportamental e a psicoeducação 
Cabe trazer em um breve resumo que a Terapia Cognitivo-Comportamental é uma 
abordagem da psicologia muito flexível e tem sido utilizada em vários setores da sociedade por essa 
versatilidade, seja na clínica, na área da saúde, na área social, no esporte, nas organizações e no 
trabalho, e, como também, na educação, fazendo-a alcançar as metas propostas (SERRA, [201-?]). 
 
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Pela versatilidade da abordagem, há várias técnicas utilizadas dentro da TCC, uma delas é a 
Psicoeducação. No contexto da clínica, a psicoeducação é uma ferramenta que, usada pelo 
psicólogo, possibilita simplificar e expandir o conhecimento sobre a queixa do paciente. 
Aprendendo sobre seu adoecimento e entendendo esse processo, permitirá ao paciente evitar seus 
sintomas e/ou crises, assim, possibilitando cuidar melhor de si (BROTTO, [201-?]). 
Na definição de Glick et al. (1994, p. 104), "psicoeducação como uma técnica na prática 
clínica é a administração sistemática, pelo médico, de informações sobre sintomas, etiologia, 
tratamento e curso da doença, com os objetivos de aumentar o conhecimento e modificar 
comportamentos”. Em resumo, a psicoeducação é a explicação de um determinado tema de forma a 
ensinar ao paciente (ou outro público) a compreender todo o processo ao qual foi proposto. 
A psicoeducação não se restringe somente a clínica, ela pode ser aplicada de diversas 
maneiras e em diversas áreas. Segundo Brotto (201?), várias são as possibilidades, pode ser 
utilizada através de imagens (textos, slides, fotos, flyers), através de artifícios auditivos (áudios, 
músicas) ou audiovisuais (filmes, desenhos, documentários). Cabe a quem a utilizar descobrir qual 
o perfil e o que se adéqua ao público, a fim de aplicar da melhor maneira possível à explicação da 
temática. 
Após a execução da técnica, é preciso que quem tenha sido submetido a ela, consiga realizar 
uma difusão do conhecimento obtido para todas as áreas de sua vida, produzindo uma manutenção 
dos seus ganhos e conhecimentos, pois assim a eficácia do que foi proposto atingirá o ideal. 
 
Gênero e sexualidade – definições e conceitos 
Gênero e sexualidade possuem conceitos que podem ser abordados de várias formas e que 
possuem várias definições. Butler conceitua gênero como sendo um conjunto de atributos – em 
constante transformação – que visibilizam a pessoa na sociedade. É a forma com que ela se vê 
diante do mundo, como se comporta, como se veste, se expressa e se relaciona (PIMENTA, 2015). 
Louro (2003) postula que diversos autores trabalham com a definição de que as construções 
de gênero dependem não somente de fatores biológicos, mas de diversos valores e normas de cada 
cultura, assim fazendo parte desse processo, fazer-se homem ou mulher, depende dos 
comportamentos, marcas, gestos, preferências, gostos e desgostos, e vivências. 
Para uma melhor compreensão das temáticas trabalhadas nesse estudo, se faz necessário 
realizar um esclarecimento de alguns termos. Para facilitar a compreensão, Pimenta (2015) divide 
 
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as explicações de gênero em quatro tópicos, sendo: a) Identidade de Gênero, b) Expressão de 
Gênero, c) Sexo Biológico, d) Orientação Sexual, 
a) Identidade de Gênero se caracteriza pela forma como uma pessoa se vê na sua cabeça, como 
pensa sobre ela mesma. É a química que compõe você e como você interpreta isso; 
b) Expressão de Gênero é como a pessoa demonstra seu gênero (baseado em papéis de gênero 
tradicionais: masculinidade e feminilidade) através da forma como ela age, veste, se 
comporta e interage; 
c) Sexo Biológico se refere às características mensuráveis do indivíduo como órgãos, 
hormônios e cromossomos, a biologia do corpo da pessoa (vagina, ovário e pênis, 
testículos); 
d) Orientação Sexual refere-se por quem a pessoa é fisicamente e emocionalmente atraída, 
baseado na relação entre o seu sexo/gênero e o da outra pessoa: homossexual, heterossexual 
ou bissexual. 
Já a sexualidade em seu contexto global se define como sendo um fenômeno da existência 
humana, portanto, presente em todas as pessoas e abrangendo também um conjunto de atitudes e de 
significados atribuídos por cada pessoa. Saber o significado da sexualidade implica em 
compreender algo que abriga aquilo que somos, o nosso ser, único, que se relaciona com o outro, 
por intermédio do corpo (GRASSI, 1996; FREITAS e DIAS, 2010). 
 
Discutindo gênero e sexualidade na sala de aula 
A importância de se discutir e trabalhar com a temática junto a crianças e adolescentes, se 
dá, pois é nessa fase em que ocorre uma série de transformações biológicas e psicológicas, tais 
temas devem ser abordados, desmistificados e esclarecidos, assim, como estão em sua formação, 
adquiram conhecimento e se eximam de preconceitos. Osório (1992) aponta que a adolescência tem 
características bastante peculiares conforme o ambiente sociocultural do indivíduo, e a sexualidade 
se insere nesse processo como um aspecto que estrutura a identidade do adolescente. 
Essa possibilidade de discussão na escola é citada por Brasil et al. (2000) como sendo muito 
rica, pois todas as informações alcançadas pela criança ou adolescente, quando obtidas por meios 
não tão confiáveis (como internet, conversa com amigos), sejam discutidas em um espaço 
científico, aberto a críticas e a resoluções de dúvidas. 
Outro meio possível para levar uma orientação sobre sexualidades para dentro da sala de 
aula é o PSE (Programa Saúde na Escola). Segundo Mano et al. (2009), o PSE constitui uma 
 
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proposta com avanços efetivos no campo da educação em saúde na escola e na oferta de serviços à 
população adolescente. Este programa favorece o debate sobre o tema dentro do contexto escolar, 
possibilitando ações voltadas à promoção da saúde sexual, fortalecendo também a participação 
social destes/as adolescentes, propiciando um desenvolvimento de uma vida sadia. 
Uma ideia errônea evidenciada por Louro et al. (2010) é a de que professoras e professores 
se equivocam em achar que não encarar e trabalhar a sexualidade em sala de aula, estes 
“problemas” ficariam fora da escola, o que remete ao senso comum de que se não é falado, não 
existe, ou mesmo achar que esconder debaixo dos panos algo que é considerado um tabu, não 
incitaria a prática. 
Pensamentos retrógrados como estes impedem o bom desenvolvimento da 
criança/adolescente, faz com que eles produzam estereótipos e preconceitos, favorecendo a 
exclusão de pessoas LGBT’s e gerando bullying, Furlani (2010) postula que na educação sexual o 
seu principal papel é 
Desestabilizar as “verdades únicas”, os restritos modelos hegemônicos da sexualidade 
normal, mostrando o jogo de poder e interesse envolvidos na intencionalidade de sua 
construção; e, depois, apresentar as várias possibilidades sexuais presentes no social, na 
cultura e na política da vida humana, problematizando o modo como são significadas e 
como produzem seus efeitos sobre a existência das pessoas (p. 69). 
 
É significativo que a educação sexual deve ser abordada pela escola, em conjunto com a 
família, assim envolverá vários aspectos da evolução psíquica. A escola considera que a famíliapor 
vezes está alheia à realidade vivenciada dos adolescentes, delegando exclusivamente ao ambiente 
escolar a formação de caráter. É certo que a escola possui parcela significativa para a formação 
moral, ética e social, mas ainda é da família a maior responsabilidade (STEIGENBERG, 2007). 
Segundo os autores Chaves et al. (2004) o interesse sobre este assunto no contexto escolar reforça a 
característica multidimensional do processo ensino aprendizagem. 
Cabe ressaltar que a/o profissional que abordará este tema seja desprovido de preconceitos e 
prejulgamentos, agindo como intermediário nas discussões sobre a sexualidade, construindo com as 
crianças ou com os adolescentes, algumas alternativas e opiniões sobre o tema citado (FREITAS e 
DIAS, 2010). A forma como esse profissional – professora/professor – lida com seus alunos pode 
favorecer o desenvolvimento de aspectos importantes para a promoção ou a ampliação de 
habilidades sociais nos mesmos, mas quando tratado algum tema de maneira errônea ou 
equivocada, pode propiciar a manifestação de comportamentos-problema no aluno, como 
[pré]conceitos e [pré]julgamentos (MARIANO et al., 2011). 
 
 
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Estratégias para a prática 
Para abordar os temas em sala de aula, não é necessário que o/a professor/a tenham domínio 
sobre o conteúdo, porém, devem possuir confiança e conformo para se trabalhar com tais temáticas, 
pois se trata de um processo de construção e aprofundamento, pautados na perspectiva dos direitos 
humanos (UNESCO, 2014). 
Em alguns estudos é apontado que uma boa maneira de se trabalhar os temas em sala de aula 
é de forma lúdica e simplificada, tratando os assuntos sem taxação, sem preconceitos e sem tabus. O 
estudo de Epstein e Johnson (2000) evidencia o preconceito arraigado que alguns/as professores/as 
tem em trabalhar o tema em sala de aula, pois, de acordo com tais profissionais, estariam 
despertando precocemente as práticas sexuais. Porém, pesquisas realizadas pela OMS (Organização 
Mundial de Saúde) postulam o contrário, quanto mais cedo se trabalha temas ligados à sexualidade, 
o trabalho realizado poderá contribuir com a aprendizagem desta criança, uma vez que estas 
compreenderiam melhor os papeis de gênero, as diferentes sexualidades, a prevenção de gravidez 
indesejada, a proteção contra DST’s [IST’s] e AIDS, fomentariam também comportamentos mais 
responsáveis e sem estimular as práticas sexuais – precocemente (UNAIDS, 1999). 
Furlani (2010) expõe que uma forma assertiva para se trabalhar o tema sexualidade em sala 
de aula não é através de eventos pontuais ou esporádicos, mas sim em forma de educação 
continuada, através de processos permanentes e rotineiros, podendo estar ligados e inseridos nos 
conteúdos escolares – trabalhando com a interdisciplinaridade. Furlani ainda propõe que trabalhar 
as relações de gênero, objetiva desconstruir padrões rígidos e fixos que remetem, 
preconceituosamente, a sexualidade com o caráter das pessoas. 
No quadro abaixo é apresentado um exemplo claro da utilização da psicoeducação com 
relação à temática, o trabalho foi apresentado em uma conferência na Universidade do Estado do 
Rio de Janeiro – UERJ por Ribeiro (2016): 
 
Quadro 01: Exemplo da utilização da psicoeducação trabalhando gênero e sexualidade 
Em uma atividade que apresentava sexualidade e gênero a estudantes do ensino 
fundamental, desenvolvido em uma escola pública estadual no interior de Goiás, com o intuito de 
abordar as diferentes sexualidades, a identidade de gênero e suas possibilidades, expressões de 
gênero, orientação sexual, sexo biológico, o respeito mútuo entre as pessoas, o empoderamento 
do corpo da menina/mulher e a autonomia destas crianças/adolescentes em serem respeitados 
quando não pertencerem ao padrão heteronormativo (homem/hetero/cisgênero). 
Foi proposto trabalhar de forma dinâmica e lúdica a fim de despertar interesse nas 
crianças/adolescentes sobre a temática, além de algumas teorias básicas sobre o que é 
sexualidade, foi apresentado um vídeo do desenho animado Flap Jack que transmite essa 
 
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sensação de não pertencimento ao “padrão” cis-heteronormativo, demonstra que o corpo nem 
sempre estará em conformidade com aquilo que realmente somos. Foi realizada também uma 
atividade que consistia em debater a possibilidade de igualdade entre homens e mulheres – em 
um quadro foi solicitado características de cada sexo, após concluir, foi trocado os papeis de 
homem e mulher e demonstrado que fora as características biológicas (pênis, vagina, seios), os 
dois sexos podem tanto possuir características um do outro sem taxação. 
Através das oficinas realizadas percebeu-se como é indispensável se discutir com 
educadoras/es temas como estes, a muitas barreiras a serem quebradas, grades curriculares em 
universidades extremamente fechadas e arcaicas, arraigadas no princípio heteronormativo, não há 
qualquer menção das diversidades possíveis e como abordá-las, percebe-se que educadores não 
estão preparados para abordar temas com alunos, e quando não abordam, mas em suas salas há 
um LGBT, não sabem como lidar, principalmente se tratando de um gay afeminado, ou de uma 
lésbica masculina, ou ainda um transgênero. 
É indispensável haver uma preparação destes profissionais, é necessário, ações para 
desmistificar tabus, tratar com simplicidade e afirmatividade este público, deve estes estar 
preparados para abrir espaços a esta população, e não reproduzir [pré]conceitos e “achismos”, em 
muitas vezes embasados na religião. A pessoa em si pode ter suas convicções, mas a/o 
profissional professor/a deve se eximis de concepções errôneas e/ou transgressoras, para não 
perpetuar o ciclo da exclusão. 
 
O relato de experiência apresentado foi proposto para se trabalhar com alunos, porém, com 
os resultados do autor, percebe-se que é indispensável se trabalhar com as/os professoras/es 
também, visto que ao final da atividade, houveram relatos do tipo: “Qual a necessidade de se incitar 
a prática sexual?”, “Não vejo necessidade de se discutir isso na escola, isso é dever dos pais.”, 
“Aqui não tem nenhum alugo gay ou trans, não precisaria disso.”. Essas falas apenas reforçam o 
que Louro et al. (2010) pontuaram, que o preconceito às vezes está arraigado nos próprios 
professores em achar que não discutir o tema, os ditos ‘problemas’ ficariam fora da sala de aula. 
Como dito, trabalhar com temas considerados tabus exige do facilitador certa flexibilização. 
Utilizando a psicoeducação, cabe ao profissional produzir um roteiro das principais informações a 
serem repassadas, como também de algumas atividades mais lúdicas e que sejam de fácil 
entendimento. 
 
Conclusão 
É evidente o descaso que determinados assuntos e temas sofrem diante da população, são 
taxados como tabus e grupos minoritários sofrem sem amparo e sem suporte, sem alguém que lhe 
forneça um acolhimento e diga que ‘vai ficar tudo bem’. 
Com as discussões, percebe-se a necessidade urgente de se discutir as diferenças, 
principalmente entre os próprios educadores que em muitas vezes estão reproduzindo discursos de 
 
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ódio (talvez por não conhecimento do assunto ou mesmo por implicações religiosas) para então se 
evitar o ódio e exclusão. 
Os LGBT’s compõem um grupo populacional que, diariamente, tem seu direito fundamental 
à educação violada, com altas taxas de evasão escolar. Em razão da total invisibilidade dada ao 
problema, órgãos governamentais ainda não dispõem de indicadores que possam medir o tamanho 
estatístico dessa exclusão escolar(VIEIRA et al., 2015). Isso reforça mais ainda a necessidade 
urgente em se abrir espaços na sala de aula para falar das diferenças, é preciso haver respeito e 
aceitação com o diferente. 
Outro pronto importante que deve ser considerado é que a escola é o lugar em que as 
crianças e os adolescentes passam a maior parte do seu tempo depois de suas casas, por isso, ela é 
apontada como um importante espaço de intervenção sobre a temática sexualidade e a diversidade e 
deve ser considerada (ALTMANN, 2003). 
A utilização da psicoeducação pode produzir bons resultados em sala de aula, cabe o 
profissional que a utilizará, se estruturar e preparar os conteúdos pautados no conhecimento 
científico e transmiti-los de forma dinâmica e não rígida, possibilitando assim uma interação entre o 
profissional e o público-alvo. 
Os tempos estão mudando, mas ainda há um caminho longo a se percorrer, cabe desde agora 
cada um fazer a sua parte, mesmo que tal realidade esteja longe de si. Compete a cada um ajudar no 
que puder para desconstruir esse padrão arraigado em nossa sociedade e construir novos horizontes 
para nossas crianças. 
Referências 
ALTMANN, Helena. Orientação sexual em uma escola: recortes de corpos e de gênero. Caderno 
Pagu, n.21, p. 281-315. 2003. 
BRASIL. Plano Nacional de Educação 2014-2024. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014, que 
aprova o Plano Nacional de Educação (PNE) e dá outras providências. Brasília/DF: Câmara dos 
Deputados, Edições Câmara. 2014. 
BRASIL, Luciane Scarpante; MITSUI, Renata Emi; PEREIRA, Ana Maria Benevides; ALVES, 
Rozilda das Neves. Mudanças no comportamento sexual do adolescente decorrentes do surgimento 
da SIDA no contexto social. Análise Psicológica, v.4 (XVIII), p. 465-483. 2000. 
BROTTO, Thaiana. Psicoeducação. O que é?. Psicólogo e Terapia. São Paulo, SP: [201-?]. 
Disponível em: <https://www.psicologoeterapia.com.br/psicoterapia/psicoeducacao/> Acesso em: 
31 ago 2016. 
 
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Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 & 13th Women’s Worlds Congress (Anais Eletrônicos), 
Florianópolis, 2017, ISSN 2179-510X 
CHAVES, Gustavo Batista; QUEIROZ, Eliza Machado; GUERRA, Leonor Bezerra. Apontamentos 
para trabalho em educação sexual nas escolas. Anais do 7º Encontro de Extensão da Universidade 
Federal de Minas Gerais. Instituto de Ciências Biológicas, Belo Horizonte: CEPCOS, 2004. 
EPSTEIN, Debbie; JOHNSON, Richard. Sexualidades e institución escolar. Madrid: Morata, 2000. 
FREITAS, Kelly Ribeiro de; DIAS, Silvana Maria Zarth. Percepções de adolescentes sobre sua 
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The use of psychoeducation in the teaching-learning process on gender and sexuality in 
elementary education 
 
Astract: This study aimed to understand and discuss how currently gender and sexuality are 
addressed by teachers and teachers, with emphasis on elementary education, second phase - which 
comprises the 6th to 9th grade. Through the discussions, it was possible to formulate strategies to 
address such topics in the classroom and to construct forms - be they theoretical, technical or 
playful to discuss and demystify sexualities, working with the psychoeducation technique of 
cognitive-behavioral therapy, approach to psychology. A review of bibliographies (articles, books 
and some electronic media) was carried out to encourage and contribute to the discussions. From 
the analysis, it was possible to conclude a possibility of intervention by the teachers with their 
students, but if they perceive there are great barriers, which must be broken through the 
transmission of diversified and demystified knowledge, from a more critical formation process and 
discussions Healthy, with possibilities to develop a self-critical sense in the child or adolescent. 
Keywords: Gender. Sexuality. School. Elementary School. Psychoeducation.

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