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Orquiectomia em Ruminantes

Manual técnico sobre orquiectomia em ruminantes que define o procedimento, indicações e idade ideal; descreve anatomia escrotal, preparo pré‑operatório, anestesia, técnicas (fechada, aberta, semi‑fechada) com etapas da técnica fechada, pós‑op, complicações e métodos de ligadura.

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Julia Silva

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Orquiectomia em Ruminantes
Significado: Remoção/extirpação dos testículos, epidídimo e parte do cordão espermático. 
Indicações 
· Melhora a qualidade da carcaça, 
· Facilita o manejo
· Evita coberturas indesejáveis;
Idade ideal 
Após o desmame
OBS: garanhões sem função podem ser realizado em idades mais avançadas.
Anatomia
Bolsa escrotal – túnica dartos – testículo (ovalado em equinos e alongado em ruminantes) em conexão intima com o epidídimo que são irrigados pelo plexo pampiniforme (uma artéria envolvida em varias veias para que o sangue chegue ao testículo em uma temperatura menor afim de manter a espermatogênese). Musculo cremaster – ducto deferente – membrana mesórquio (parte avascular) tudo é envolto pela membrana túnica escrotal.
A túnica escrotal é uma continuação do peritônio, isso influencia diretamente nas vantagens e desvantagens do tipo de técnica cirúrgica escolhida, por exemplo abrir a túnica escrotal pode causar maior chances de infecções, se o anel escrotal for muito grande há chances de evisceração. 
Nos ruminantes o escroto está localizado entre as partes craniais das coxas e os testículos estão situados mais verticais do que nos equinos.
Pré-operatório
Anamnese: questionar quanto idade, vacinação (tétano, carbúnculo sintomático e edema maligno), tipo de serviço do animal e expectativa do proprietário (diferenciar de rufião);
Exame físico geral: avaliar estado clinico geral do animal, estado nutricional e avaliar ambiente;
Exame físico especifico: avaliar testículos – ambos estão no escroto? Uniformes? Dor a palpação? Feridas no escroto ou sinais de trauma? Hernia inguinoescrotal?
Pré-operatório imediato
Jejum – importante para evitar timpanismo. 
· Bovinos adultos 48 horas de volumoso + 24 horas de concentrado + 12 de líquidos; 
· Bovinos jovens 24 horas de sólidos + 12 horas de líquidos; 
· Ovinos e caprinos 24 horas de sólidos + 12 horas de líquidos. 
Anestesia Sedação xilazina (0,05 a 0,1 mg/Kg); 
Anestesia local infiltração de anestésico local na linha de incisão + infiltração de anestésico local no cordão espermático + infiltração de anestésico local no testículo (recomendação do CFMV).
Posicionamento 
· Decúbito lateral
Mais utilizado – amarrar a cabeça para evitar acidentes
· Tronco de contenção
Bolsa escrotal para fora da barra de ferro;
Antissepsia do escroto:
· Lavagem com antisséptico degermante
· Retirada com água;
· Lavagem com álcool 70%;
· Aplicação de antisséptico tópico.
OBS: Obrigatória utilização antimicrobianos profiláticos e realizar analgesia.
Técnicas cirúrgicas
· Orquiectomia aberta: A túnica escrotal é incisada e o testículo é exposto.
· Orquiectomia fechada: A túnica escrotal não é incisada e o testículo não é exposto.
· Orquiectomia semi-fechada: Apenas uma porção da túnica escrotal é aberta, permitindo apenas a realização da ligadura e transecção do cordão espermático.
Ruminantes - Técnica fechada:
1. Após a incisão circundando toda a pele, os testículos são tracionados;
2. Faz-se o pinçamento do cordão espermáticos – a pinça mais afastada tem como função impedir o retorno venoso do testículo, já a pinça mais próxima da incisão tem como função garantir eficácia da ligadura;
3. Duas ligaduras no cordão espermático - mais próximo do corpo do animal para evitar ‘sobra’ do cordão espermático causando foliculite;
4. Transecção do cordão espermático;
5. Na técnica aberta, faz-se a incisão da túnica vaginal parietal; 
6. Remoção de qualquer tecido adiposo redundante.
OBS: Não se sutura a bolsa escrotal – a cicatrização é por meio de segunda intenção. 
Pós-operatório 
· Imunização contra carbúnculo sintomático e edema maligno; 
· Observação por 24 horas quanto a sinais de hemorragia; 
· Uso de antissépticos e repelentes. 
Complicações:
· Raras;
· Edema excessivo;
· Hemorragias;
· Infecção aparecimento dos sinais em torno de 5 a 15 dias pós-cirúrgicos (tratamento com antimicrobianos, limpeza e drenagem).
Métodos de ligadura
· Fios absorvíveis (poligalactina 910 ou ácido poliglicólico);
· Braçadeiras de náilon (pode estar associada a complicações nos equinos e baixa segurança da ligadura);
· Emasculador – cada marca tem um tempo determinado para fazer a ligadura.