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EST - 103 - Apostila ALUNO - 2018

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO 
 
ESCOLA POLITÉCNICA DA USP 
 
 
 
 
 
 
 
PECE – PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA 
 
EAD – ENSINO E APRENDIZADO À DISTÂNCIA 
 
 
 
eST-103 / STR-103 
HIGIENE DO TRABALHO – PARTE A 
 
 
 
ALUNO 
 
 
 
SÃO PAULO, 2018
 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
 
 
 
 
 EPUSP/PECE 
 
DIRETOR DA EPUSP 
JOSÉ ROBERTO CASTILHO PIQUEIRA 
 
COORDENADOR GERAL DO PECE 
LUCAS ANTÔNIO MOSCATO 
 
EQUIPE DE TRABALHO 
 
CCD – COORDENADOR DO CURSO À DISTÂNCIA 
SÉRGIO MÉDICI DE ESTON 
 
VICE - COORDENADOR DO CURSO À DISTÂNCIA 
WILSON SHIGUEMASA IRAMINA 
 
PP – PROFESSOR PRESENCIAL 
SÉRGIO MÉDICI DE ESTON 
 
CPD – CONVERSORES PRESENCIAL PARA DISTÂNCIA 
ANDRÉ FILLIPE BEZERRA 
CAROLINA COSTA BATISTA 
EMMANUEL BARREIRA FERRARO 
FLÁVIA VILHENA SUTTER AFFONSO 
GIOVANNA CABRAL CAZALI 
RODRIGO TONIOLO 
 
FILMAGEM E EDIÇÃO 
FELIPE THADEU BONUCCI 
KARLA CARVALHO 
THALITA SANTIAGO DO NASCIMENTO 
 
IMAD – INSTRUTORES MULTIMÍDIA Á DISTÂNCIA 
DIEGO DIEGUES FRANCISCA 
FELIPE BAFFI DE CARVALHO 
FELIPE THADEU BONUCCI 
PEDRO MARGUTTI DE ALMEIDA 
SEIJI RENAN MICHISHITA 
 
CIMEAD – CONSULTORIA EM INFORMÁTICA, MULTIMÍDIA E EAD 
CARLOS CÉSAR TANAKA 
JORGE MÉDICI DE ESTON 
SHINTARO FURUMOTO 
 
GESTÃO TÉCNICA 
MARIA RENATA MACHADO STELLIN 
 
APOIO ADMINISTRATIVO 
NEUSA GRASSI DE FRANCESCO 
VICENTE TUCCI FILHO 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, 
sem a prévia autorização de todos aqueles que possuem os direitos autorais sobre este documento” 
iii 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
SUMÁRIO 
CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO AO MUNDO OCUPACIONAL ............................................. 1 
1.1 PREVENÇÃO: HISTÓRICO E EVOLUÇÃO ................................................................. 2 
1.1.1 O INÍCIO ................................................................................................................... 2 
1.1.2 OS ANOS 60 ............................................................................................................ 5 
1.1.3 CONTRIBUIÇÕES EXÓGENAS À PREVENÇÃO OCUPACIONAL ....................... 7 
1.1.4 O PREVENCIONISMO NO BRASIL ........................................................................ 8 
1.1.5 O “NASCIMENTO” DAS PROFISSÕES OCUPACIONAIS ................................... 10 
1.1.6 ALGUNS MARCOS HISTÓRICOS E LEGISLATIVOS NO BRASIL. LEGISLAÇÃO 
ATUAL E AS NORMAS REGULAMENTADORAS (NRS) .............................................. 12 
1.2 O PROFISSIONAL OCUPACIONAL E AS LEGISLAÇÕES A CONHECER ............. 13 
1.3 SISTEMAS DE GESTÃO DE SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL (SGSSO) 
(BS 8800 E OHSAS 18001) .............................................................................................. 14 
1.4 TESTES ....................................................................................................................... 16 
CAPÍTULO 2. HIGIENE OCUPACIONAL – ASPECTOS HISTÓRICOS .......................... 18 
2.1 HISTÓRIA E CONCEITO ............................................................................................ 19 
2.1.1 EVENTOS HISTÓRICOS EM SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL ........... 20 
2.1.2 OUTROS PONTOS HISTÓRICOS DE DESENVOLVIMENTO DA HIGIENE 
INDUSTRIAL .................................................................................................................... 22 
2.2 DESENVOLVIMENTOS NA AVALIAÇÃO .................................................................. 23 
2.3. PADRÕES E CRITÉRIOS .......................................................................................... 23 
2.4 CONTROLE ................................................................................................................. 24 
2.5 OUTROS ASPECTOS................................................................................................. 25 
2.6 FORMAÇÃO, EDUCAÇÃO E ASSOCIAÇÕES .......................................................... 25 
2.7 TESTES ....................................................................................................................... 27 
CAPÍTULO 3. SITUANDO A HIGIENE OCUPACIONAL .................................................. 29 
3.1 ESTABELECENDO CONCEITOS INICIAIS E DEFINIÇÕES .................................... 30 
3.1.1 CONCEITUAÇÃO GERAL ..................................................................................... 30 
3.1.2 DETALHANDO ASPECTOS BÁSICOS ................................................................. 31 
3.2 ÁREAS DE INTERAÇÃO DA HIGIENE OCUPACIONAL. ......................................... 32 
3.2.1 MEDICINA OCUPACIONAL. .................................................................................. 32 
3.2.2 ÁREA DE GESTÃO AMBIENTAL. ......................................................................... 33 
3.2.3 ERGONOMIA ......................................................................................................... 33 
3.3 POR QUE É FUNDAMENTAL AGIR SOBRE O AMBIENTE? ................................... 33 
3.4 CONCEITOS DA HIGIENE EM ALGUMAS REFERÊNCIAS ..................................... 34 
3.5 O CONCEITO DO LIMITE DE TOLERÂNCIA / LIMITE DE EXPOSIÇÃO ................ 34 
3.5.1 EXERCÍCIO DE CONSTRUÇÃO DO CONCEITO ................................................ 34 
3.6 INTRODUÇÃO AOS AGENTES FÍSICOS ................................................................. 35 
3.7 MEDIDAS GENÉRICAS DE CONTROLE DE AGENTES AMBIENTAIS................... 36 
3.7.1 MEDIDAS RELATIVAS AO AMBIENTE ................................................................ 38 
3.7.2 MEDIDAS RELATIVAS AO PESSOAL .................................................................. 41 
3.8 ENTIDADES E ASSOCIAÇÕES DA ÁREA ................................................................ 42 
3.9 ATUAÇÃO DO HIGIENISTA OCUPACIONAL ........................................................... 42 
3.10 O HIGIENISTA E AS QUESTÕES TÉCNICO-LEGAIS ............................................ 43 
3.11 A HIGIENE OCUPACIONAL, SUAS “ÁREAS DE CONCENTRAÇÃO” E AS 
FORMAÇÕES PROFISSIONAIS. ..................................................................................... 43 
3.12 TEXTO COMPLEMENTAR ....................................................................................... 45 
3.13 TESTES ..................................................................................................................... 47 
CAPÍTULO 4. O CORPO HUMANO................................................................................... 49 
4.1 A CIÊNCIA DO CORPO HUMANO ............................................................................. 50 
4.1.1 A CÉLULA .............................................................................................................. 50 
4.1.2 ROTAS DE ENTRADA ........................................................................................... 51 
4.1.3 SISTEMAS INTERNOS .......................................................................................... 55 
4.1.4 ROTAS DE SAÍDA ................................................................................................. 57 
iv 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
4.2 TESTES (1) ................................................................................................................. 59 
4.3 A NATUREZA DO PROBLEMA .................................................................................. 62 
4.3.1 DANO CELULAR .................................................................................................... 62 
4.3.1.1 CARCINOGÊNICOS ........................................................................................... 62 
4.3.1.2 MUTAGÊNICOS E TERATOGÊNICOS .............................................................. 62 
4.3.1.3 ROTAS DE ENTRADA ........................................................................................ 62 
4.3.1.3.1INALAÇÃO ........................................................................................................ 62 
4.3.1.3.2. ABSORÇÃO .................................................................................................... 63 
4.3.1.3.3 INGESTÃO ....................................................................................................... 64 
4.3.1.3.4. INJEÇÃO ......................................................................................................... 64 
4.3.2 SISTEMAS INTERNOS .......................................................................................... 64 
4.3.2.1 SISTEMA CIRCULATÓRIO ................................................................................ 64 
4.3.2.2 SISTEMA NERVOSO .......................................................................................... 65 
4.3.2.3 SISTEMA REPRODUTIVO ................................................................................. 65 
4.3.3 ROTAS DE SAÍDA ................................................................................................. 66 
4.3.3.1 O FÍGADO ........................................................................................................... 66 
4.3.3.2 RINS E BEXIGA .................................................................................................. 67 
4.3.4 PERÍODO DE LATÊNCIA E DOENÇA OCUPACIONAL ...................................... 67 
4.3.5 EFEITOS AGUDOS E CRÔNICOS ....................................................................... 68 
4.4 CASOS REAIS - O ACIDENTE DE BHOPAL ............................................................. 69 
4.5 TESTES (2) ................................................................................................................. 70 
4.6 LIMITES DE TOLERÂNCIA ........................................................................................ 71 
4.6.1 DETERMINAÇÃO DO RISCO ASSOCIADO A SUBSTÂNCIAS .......................... 71 
4.6.1.1 TESTES EM ANIMAIS ........................................................................................ 71 
4.6.1.2 TESTES EM SERES HUMANOS ....................................................................... 72 
4.7 FATORES INFLUENTES ............................................................................................ 75 
4.7.1 TOXICIDADE .......................................................................................................... 75 
4.7.2 CONCENTRAÇÃO ................................................................................................. 76 
4.7.3 TEMPO DE EXPOSIÇÃO ...................................................................................... 77 
4.7.4 SUSCETIBILIDADE INDIVIDUAL .......................................................................... 77 
4.8 TIPOS DE LIMITES DE TOLERÂNCIA ...................................................................... 77 
4.8.1 LIMITES DE TOLERÂNCIA SEGUNDO A ACGIH ................................................ 78 
4.8.1.1 LIMITE DE TOLERÂNCIA MÉDIA PONDERADA - LTMAP .............................. 78 
4.8.1.2 LIMITE DE TOLERÂNCIA CURTA EXPOSIÇÃO - LTCE .................................. 79 
4.8.1.3 LIMITE DE TOLERÂNCIA VALOR TETO - LTVT .............................................. 80 
4.8.1.4 DISTINÇÃO ENTRE LIMITES MÉDIA PONDERADA (LTMAP) E VALOR TETO 
(LTVT) .............................................................................................................................. 81 
4.8.1.5 LIMITES SUPERÁVEIS CONDICIONALMENTE ............................................... 81 
4.8.2 NORMAS CANADENSES ...................................................................................... 82 
4.8.3 NORMAS BRASILEIRAS ....................................................................................... 83 
4.8.4 COMPARAÇÃO ENTRE AS NORMAS BRASILEIRAS E AS SUGESTÕES DA 
ACGIH .............................................................................................................................. 91 
4.8.4.1 CONCEITUAÇÃO ................................................................................................ 91 
4.8.4.2 VISUALIZAÇÃO GRÁFICA DE LTVT E TLV-C .................................................. 91 
4.8.4.3 VISUALIZAÇÃO GRÁFICA DO TLV-TWA (LTMAP) SEM EXISTÊNCIA DE TLV-
STEL (LTCE) ................................................................................................................... 92 
4.8.4.4 VISUALIZAÇÃO GRÁFICA DO TLV-TWA (LTMAAP) COM EXISTÊNCIA DE 
TLV-STEL (LTCE) ........................................................................................................... 94 
4.8.4.5 O CASO DO BERÍLIO ......................................................................................... 94 
4.9 METODOLOGIAS DE MEDIÇÃO ............................................................................... 95 
4.9.1 MEDIÇÕES NO INDIVÍDUO .................................................................................. 95 
4.10 AÇÕES CORRETIVAS ............................................................................................. 96 
4.11 ESTUDO DIRIGIDO .................................................................................................. 97 
4.12 TESTES (3) ............................................................................................................... 98 
4.13 CASOS REAIS ........................................................................................................ 100 
v 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
4.13.1 A CIÊNCIA DAS RESINAS ................................................................................ 100 
4.13.2 A NATUREZA DO PROBLEMA ......................................................................... 102 
4.13.2.1 COMPONENTES EPÓXI (MONÔMEROS, OLIGÔMEROS) ......................... 102 
4.13.2.2 COMPONENTES AMINO ............................................................................... 102 
4.13.2.2.1 COMPOSTO 2, 4, 6 TRIS-FENOL ............................................................... 102 
4.13.2.2.2 COMPOSTO TRIETILENOTETRAMINA ..................................................... 103 
4.13.2.2.3 COMPONENTE POLIETILENO POLIAMINA (POLÍMERO) ....................... 103 
4.13.2.3 SOLVENTES (GRUPOS EPÓXI E AMINO) ................................................... 103 
4.13.2.4 OUTROS COMPONENTES DA RESINA EPÓXI ADERENTE ...................... 103 
4.13.2.4.1 EPICLORIDRINA.......................................................................................... 103 
4.13.2.4.2 BISFENOL .................................................................................................... 103 
4.13.2.4.3 CROMATOS E METAIS ............................................................................... 103 
4.13.3 LIMITES DE TOLERÂNCIA ............................................................................... 103 
4.13.4 METODOLOGIA DE MEDIÇÃO ......................................................................... 105 
4.13.4.1 RESINAS EPÓXI ............................................................................................. 105 
4.13.4.2 AMINAS ........................................................................................................... 105 
4.13.4.3 SOLVENTES ................................................................................................... 105 
4.13.4.4 METAIS ........................................................................................................... 105 
4.13.5 RESULTADOS ................................................................................................... 106 
4.13.6 AÇÕES CORRETIVAS ...................................................................................... 106 
4.14 TESTES (4) ............................................................................................................. 108 
CAPÍTULO 5. CONCEITOS BÁSICOS DE ESTATÍSTICA EM HIGIENE ...................... 110 
5.1 A CIÊNCIA DO TRATAMENTO DE DADOS............................................................ 112 
5.1.1 MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL ............................................................... 112 
5.1.2 DISPERSÃO ......................................................................................................... 115 
5.2 TESTES (1) ............................................................................................................... 122 
5.3 A NATUREZA DO PROBLEMA ................................................................................ 126 
5.3.1 VALORES MEDIDOS ........................................................................................... 126 
5.3.2 ERROS ................................................................................................................. 127 
5.3.3 PARÂMETROS OPERACIONAIS ........................................................................ 128 
5.3.4 ESPECIFICAÇÕES DE DESEMPENHO ............................................................. 131 
5.4 CASOS REAIS E EXEMPLOS .................................................................................. 131 
5.4.1 DISTRIBUIÇÃO LOG NORMAL ........................................................................... 131 
5.4.2 EXEMPLO OCUPACIONAL 1 – SILICOSE EM MINAS DE OURO ................... 132 
5.4.3 EXEMPLO OCUPACIONAL 2 – SILICOSE EM PEDREIRAS ............................ 134 
5.4.4 EXEMPLO DE APLICAÇÃO DA MÉDIA GEOMÉTRICA .................................... 135 
5.4.5 EXEMPLO DE APLICAÇÃO DA MÉDIA HARMÔNICA ...................................... 135 
5.5 LIMITES ADMISSÍVEIS............................................................................................. 136 
5.5.1 O QUE SIGNIFICAM OS VALORES NUMÉRICOS ............................................ 136 
5.5.2 EXEMPLO DE CÁLCULO DA EXPOSIÇÃO MÉDIA ........................................... 137 
5.5.3 EXEMPLO DE EFEITOS ADITIVOS.................................................................... 138 
5.6 METODOLOGIAS DE MEDIÇÃO ............................................................................. 139 
5.6.1 SELEÇÃO DO LOCAL DE AMOSTRAGEM ........................................................ 140 
5.6.2 ESTRATÉGIA DE AMOSTRAGEM ..................................................................... 140 
5.6.3 METODOLOGIA DE AMOSTRAGEM ................................................................. 142 
5.6.4 FREQUÊNCIA DE AMOSTRAGEM ..................................................................... 143 
5.6.5 EXECUÇÃO DA AMOSTRAGEM ........................................................................ 143 
5.6.6 TRANSPORTE E CUIDADOS COM AS AMOSTRAS ........................................ 143 
5.6.7 PREPARAÇÃO DAS AMOSTRAS ....................................................................... 143 
5.6.8 ANÁLISE DAS AMOSTRAS ................................................................................. 143 
5.6.9 INTERPRETAÇÃO DOS DADOS ........................................................................ 143 
5.6.10 APRESENTAÇÃO CUIDADOSA DOS RESULTADOS .................................... 145 
5.6.11 DISTINÇÃO ENTRE PARÂMETROS DA AMOSTRA E DA POPULAÇÃO ..... 145 
5.7 TESTES (2) ............................................................................................................... 146 
5.8 EXERCÍCIOS ............................................................................................................. 150 
vi 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................. 151 
 
 
1 
 Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
 
 
 
 
CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO AO MUNDO OCUPACIONAL 
 
 
 
 
OBJETIVOS DO ESTUDO 
 
A higiene ocupacional faz parte das disciplinas chamadas “prevencionistas” e está 
inserida num contexto maior, que é o da preservação da segurança e da saúde no mundo 
do trabalho. 
O capítulo dá um histórico sintético da evolução da prevenção através dos tempos, 
até os dias de hoje, incluindo aspectos históricos e marcos legislativos do Brasil. 
Procura situar a pessoa não inserida no meio ocupacional, que pode ter sido atraída 
para o curso diretamente de uma área não necessariamente correlata, e que tem todo um 
contexto a conhecer. 
Ao terminar o capitulo você estará apto a: 
 
• Identificar aspectos evolutivos da questão ocupacional; 
• Entender o contexto onde se insere o higienista ocupacional; 
• Identificar as modernas escolas de prevenção; 
• Reconhecer os principais marcos históricos, profissionais e legislativos 
ocupacionais no Brasil. 
 
 
 
 
 
 
Nota: O conteúdo deste capítulo foi extraído das notas de aula do professor Mário 
Fantazzini. 
 
2 
 Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
1.1 PREVENÇÃO: HISTÓRICO E EVOLUÇÃO 
1.1.1 O INÍCIO 
O problema dos acidentes e doenças ocupacionais não é um problema recente; pelo 
contrário, tem acompanhado o desenvolvimento das atividades do homem através dos 
séculos. Assim, o homem primitivo teve sua integridade física ameaçada e sua capacidade 
produtiva diminuída pelos acidentes próprios da caça, da pesca e da guerra, atividades 
que eram as mais importantes de sua época. 
Mais tarde, o caçador que habitava as cavernas, transformou-se em artesão e passou 
a trabalhar em minas e com os metais, gerando as primeiras doenças do trabalho, 
provocadas pelos próprios materiais utilizados na sua atividade laboral. 
As primeiras referências escritas, relacionadas com estes problemas, encontram-se 
num papiro Egípcio, que data de 2360 a.C., o chamado Papiro Seller II, e que dizem: 
“Eu jamais vi ferreiros em embaixadas e fundidores em missões. O que eu vejo 
sempre é o operário em seu trabalho; ele se consome nas goelas de seus fornos. O 
pedreiro exposto a todos os ventos, enquanto a doença o espreita, constrói sem agasalho, 
seus dois braços se gastam no trabalho; seus alimentos vivem misturados com os detritos, 
ele se come a si mesmo, porque só tem como pão os seus dedos. O barbeiro cansa os 
seus braços para encher o ventre. O tecelão vive encolhido, joelho ao estômago, ele não 
respira. As lavadeiras sobre as bordas do rio são vizinhas do crocodilo. O tintureiro fede a 
morrinha do peixe; seus olhos são abatidos de fadiga, suas mãos não param e suas vestes 
vivem em desalinho”. 
Em 460 a.C., Hipócrates, considerado o pai da medicina, também fala dos acidentes 
e doenças do trabalho. 
Quatro séculos mais tarde, Plínio (23-79 d.C.), após visitar alguns locais de trabalho, 
principalmente galerias de minas, descreve impressionado o aspecto dos trabalhadores 
expostos ao chumbo, ao mercúrio e às poeiras. Menciona então a iniciativa dos escravos 
em utilizarem à frente do rosto, à guisa de máscaras, panos ou membranas (de bexiga de 
carneiro) para atenuar a inalação de poeiras. 
Em 1556, um ano após a sua morte, Georg Bauer, mais conhecido pelo seu nome 
latino de Georgius Agricola, publica em latim seu livro De Re Metallica. Após estudar 
diversos aspectos relacionados à extração de metais argentíferos e auríferos e à sua 
fundição, dedica o último capítulo aos acidentes do trabalho e às doenças mais comuns 
entre os mineiros. Agricola dá destaque especial à chamada “asma dos mineiros”, 
provocada por poeiras que descreveu como “corrosivas”. A descrição dos sintomas e a 
evolução da doença fazem lembrar a silicose. Segundo as observações de Agricola, em 
algumas regiões extrativas, as mulheres chegavam a casarem-se sete vezes, roubadas 
que eram de seus maridos, pela morte prematura encontrada na ocupação que exerciam. 
Onze anos mais tarde, surge a publicação de Paracelso (Aureolus Theophrastus 
Bombastus von Hohenheim): “Dos Ofícios e das Doenças da Montanha”. Seu autornasceu 
e viveu durante muitos anos em um centro mineiro da Boêmia, e são numerosas as suas 
observações relacionando métodos de trabalho ou substâncias manuseadas com doenças, 
sendo de destacar-se, por exemplo, que, em relação à intoxicação pelo mercúrio, os 
principais sintomas dessa doença profissional encontram-se ali assinalados, bem como da 
silicose. 
Em 1700, era publicada em Módena, na Itália, a primeira edição do livro DE MORBIS 
ARTIFICUM DIATRIBA, escrito pelo médico Bernadino Ramazzini (1633 - 1714). Nesta 
 
3 
 Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
obra fundamental que lhe valeu o epíteto de “Pai da Medicina do Trabalho”, Ramazzini 
descreve com rara sensibilidade e grande erudição literária, doenças que ocorrem em 
trabalhadores de mais de cinquenta ocupações. Às perguntas Hipócraticas, fundamentais 
na anamnese, propõe Ramazzini que se acrescente mais uma: QUAL É A SUA 
OCUPAÇÃO? 
A partir do séc. XVIII, profundas alterações tecnológicas são iniciadas pela 
humanidade, e sua importância é de tal magnitude que foi chamada de Revolução 
Industrial. São inventados a máquina a vapor (James Watts - 1781) e o regulador 
automático de velocidade (1785), inventos estes que deram ao homem a independência 
das fontes localizadas de energia (rios) e o uso de uma nova forma controlável (de energia), 
de baixo custo e abundante. 
A organização das primeiras indústrias foi uma tragédia para as classes 
trabalhadoras, dadas as condições subumanas nas quais se desenvolviam as atividades 
fabris. Os acidentes do trabalho e as doenças provocadas pelas substâncias e ambientes 
do trabalho geravam grande número de doentes e mutilados. 
As primitivas máquinas de fiação e tecelagem necessitavam de força motriz para 
acioná-las e esta foi encontrada na energia hidráulica; daí o nome de mill, pelo qual, até 
hoje, são conhecidas as fiações nos países de língua inglesa. A descoberta da máquina a 
vapor, porém, veio permitir a instalação de fábricas em quaisquer lugares e, muito 
naturalmente, as grandes cidades, onde era abundante a mão de obra. Assim, galpões, 
estábulos, velhos armazéns eram rapidamente transformados em "fábricas", colocando-
se, no seu interior, o maior número possível de máquinas de fiação e tecelagem. 
Como mulheres e crianças podiam cuidar das máquinas e receber menos que os 
homens, deram-lhes trabalho, enquanto o homem ficava em casa, frequentemente sem 
poder trabalhar. A princípio, os donos de fábricas compravam o trabalho das crianças 
pobres, nos orfanatos; mais tarde, como os salários do pai operário e da mãe operária não 
eram suficientes para manter a família, também as crianças que tinham casa foram 
obrigadas a trabalhar nas fábricas e minas. Intermediários inescrupulosos percorriam as 
grandes cidades inglesas, arrebanhando crianças, que lhes eram vendidas por pais 
miseráveis e revendidas a £ 5 (Libras Esterlinas) por cabeça, aos empregadores que, 
ansiosos por obter um suprimento inesgotável de mão-de-obra barata, se comprometiam 
a aceitar uma criança débil mental para cada 12 crianças sadias. 
A improvisação das fábricas e a mão-de-obra constituída principalmente por crianças 
e mulheres resultaram em problemas ocupacionais extremamente sérios. Os acidentes do 
trabalho eram numerosos e provocados por máquinas sem qualquer proteção, movidas por 
correias expostas e as mortes, principalmente de crianças, eram muito frequentes. 
Inexistindo limites de horas de trabalho, homens, mulheres e crianças iniciavam suas 
atividades pela madrugada, abandonando-as somente ao cair da noite; em muitos casos 
continuava mesmo durante a noite, em fábricas parcamente iluminadas por bicos de gás. 
As atividades profissionais eram executadas em ambientes fechados, onde a ventilação 
era precaríssima. Não é, pois, de estranhar-se que doenças de toda a ordem 
disseminassem entre os trabalhadores, especialmente entre as crianças (principalmente 
as infecto-contagiosas, como o tifo europeu, que era chamado de “febre das fábricas”, cuja 
disseminação era facilitada pelas más condições do ambiente de trabalho e pela grande 
concentração e promiscuidade dos trabalhadores). 
Tal dramática situação dos trabalhadores não poderia deixar indiferente à opinião 
pública, e por essa razão criou-se, no parlamento britânico, sob direção de sir Robert Peel, 
 
4 
 Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional. 
 
 
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uma comissão de inquérito que, após longa e tenaz luta, conseguiu que em 1802 fosse 
aprovada a primeira lei de proteção aos trabalhadores: a “Lei de Saúde e Moral dos 
Aprendizes”, que estabelecia o limite de 12 horas de trabalho por dia, proibia o trabalho 
noturno, obrigava os empregadores a lavar as paredes das fábricas duas vezes por ano, e 
tornava obrigatória a ventilação destas. 
Em 1830, quando as condições de trabalho das crianças ainda se mostravam 
péssimas, a despeito dos diversos documentos legais, o proprietário de uma fábrica 
inglesa, que se sentia perturbado diante das péssimas condições de trabalho dos seus 
pequenos trabalhadores, procurou Robert Baker, famoso médico inglês, pedindo-lhe 
conselhos sobre a melhor forma de proteger a saúde dos mesmos. Baker dedicava parte 
do seu tempo a visitar fábricas e tomar conhecimento das relações entre trabalho e doença, 
o que levou o governo britânico, quatro anos mais tarde, a nomeá-lo Inspetor Médico de 
Fábricas. Assim, diante do pedido do empregador inglês, aconselhou-o a contratar um 
médico da localidade em que funcionava a fábrica de modo a visitar diariamente o local de 
trabalho e estudar a sua possível influência sobre a saúde dos pequenos operários, que 
deveriam ser afastados de suas atividades profissionais tão logo fosse notado que estas 
estivessem prejudicando a sua saúde. Surgia, assim, o primeiro serviço médico industrial 
em todo o mundo. 
Em 1831, uma comissão parlamentar de inquérito, sob a chefia de Michael Saddler, 
elaborou um cuidadoso relatório, que concluía da seguinte maneira: “Diante desta 
Comissão desfilou longa procissão de trabalhadores - homens e mulheres, meninos e 
meninas. Abobalhados, doentes, deformados, degradados na sua qualidade humana, cada 
um deles era clara evidência de uma vida arruinada, um quadro vivo da crueldade do 
homem para com o homem, uma impiedosa condenação daqueles legisladores que, 
quando em suas mãos detinham poder imenso, abandonaram os fracos à rapacidade dos 
fortes”. O impacto deste relatório sobre a opinião pública foi tremendo, e assim, em 1833, 
foi baixado o Factory Act, que deve ser considerada como a primeira legislação realmente 
eficiente no campo da proteção ao trabalhador. Aplicava-se a todas as empresas têxteis 
onde se usasse força hidráulica ou a vapor; proibia o trabalho noturno aos menores de 18 
anos e restringia as horas de trabalho destes, a 12 por dia e 69 por semana; as fábricas 
precisavam ter escolas, que deviam ser frequentadas por todos os trabalhadores menores 
de 13 anos; a idade mínima para o trabalho era de 9 anos e um médico devia atestar que 
o desenvolvimento físico da criança correspondesse à sua idade cronológica. 
Até a primeira guerra mundial, perdurou esta situação com alguns intentos isolados 
para controlar os acidentes e doenças ocupacionais, sendo que a conflagração marcou o 
início dos primeiros intentos científicos de proteção ao trabalhador, estudando-se as 
doenças dos trabalhadores, as condições ambientais, a distribuição assim como o desenho 
das máquinas e equipamentos, as proteções necessárias para evitar acidentes e 
incapacidades, etc. 
Este movimento prevencionista consegue a sua maturidade durante a segunda 
guerra mundial, quando os países em luta compreenderam que o vencedor seria aquele 
que tivesse uma melhor capacidade industrial e, para isto, conseguissemanter um maior 
número de trabalhadores em produção ativa. 
Como pudemos ver, o prevencionismo evoluiu lentamente através dos tempos, 
caracterizando-se, inicialmente, por ações eminentemente médicas. Mesmo quando as 
primeiras leis de amparo à infortunística foram decretadas, o seu objetivo foi restrito à 
reparação dos danos causados pelo trabalho; surgiu toda uma legislação social de 
 
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 Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
“reparação” de danos (lesões). Dessa forma, o seguro social (Previdência Social) realizava 
e realiza ações assegurando o risco de acidentes, ou melhor dizendo, o risco de lesões. 
Por outro lado, já no nosso século, iniciaram-se as ações complementares e 
necessariamente básicas do prevencionismo, ou seja, era óbvio, como ainda hoje nos é, 
que além de se reparar os danos causados pelos acidentes, era necessário evitar a sua 
ocorrência. 
 
1.1.2 OS ANOS 60 
A preocupação com todos os tipos de acidentes e as considerações econômicas. 
O avanço da prevenção nos anos de guerra aperfeiçoou ao máximo a prevenção 
“operacional” dos riscos, desenvolvendo-se as aplicações de engenharia básica, como a 
proteção de máquinas, de incêndios, dos riscos elétricos, etc., ou seja, toda a prevenção 
de acidentes que hoje chamaríamos de tradicional (não se deixe enganar pelo nome - todas 
essas atividades são fundamentais na prevenção). Essa época também impulsionou muito 
a Higiene Ocupacional, observe-se. 
Até então, a preocupação era limitada à prevenção dos acidentes-tipo, ou acidentes 
pessoais, ou simplesmente acidentes, pois não havendo lesão, não existia o conceito (do 
ponto de vista legal, também não existe o acidente sem acidentado). 
Surgiram então, teorias que foram e ainda são importantes, mostrando que ao se 
fechar os olhos para os acidentes sem lesão (apenas com danos materiais), perdem-se em 
prevenção, pois o que é realmente aleatório deste fato chamado acidente, é o seu resultado 
(só lesão, só dano material, só dano econômico ou qualquer combinação destes). 
O acidente não é aleatório na sua chance de ocorrer, pois persistindo riscos, ele 
ocorrerá. 
O acidente é, porém, aleatório no momento de sua ocorrência e na tipologia dos 
danos consequentes. 
A vantagem em se estudar todos os tipos de acidentes era justamente poder detectar 
um maior espectro de riscos, e assim aperfeiçoar a prevenção. 
As teorias buscavam também, com razão, seduzir o empresário para a prevenção, 
mostrando que as perdas materiais e econômicas dos acidentes eram muito maiores do 
que se imaginava e que sua redução era possível. Mais ainda, tal redução passava pela 
tecnologia da Engenharia de Segurança, aliada à nova visão que as teorias planejavam 
adicionar. 
As duas principais teorias surgidas na década foram: 
 
 
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 Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional. 
 
 
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Quadro 1.1. Controle de Danos. 
 
Controle de Danos - Em 1966, o norte americano Frank Bird Jr. concluiu um 
estudo de 90.000 acidentes (75.000 com danos à propriedade), ocorridos em uma 
empresa metalúrgica durante 7 anos, e que serviram de base para sua teoria 
chamada “Controle de Danos”. Um programa de Controle de Danos requer a 
identificação, registro e análise de todos os acidentes com danos à propriedade, 
cujos custos devem ser determinados e cuja análise deve desencadear ações 
preventivas. O programa tinha uma vertente forte na mudança de cultura (ou seja, 
acidentes sem lesionados passariam a ser considerados acidentes), além de 
provisões para o levantamento dos custos (essencialmente, os custos de 
manutenção e reparos causados por acidentes, normalmente diluídos e 
irreconhecíveis na contabilidade das empresas). Como não havia a 
informatização, os controles eram feitos por etiquetas apostas aos itens a sofrer 
manutenção, ou através do uso da letra “A” nas ordens de serviço, para posterior 
controle (manual) dos custos. Pode agora parecer simples ou até bisonho, mas 
foi uma revolução para os pensamentos da época. É claro que o programa previa 
todas as outras ferramentas da prevenção tradicional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
Controle Total de Perdas - Partindo também da premissa de que os acidentes que 
resultam em danos às instalações, equipamentos e materiais têm as mesmas causas 
básicas que aqueles que resultaram em lesões, o canadense John A. Fletcher propôs, em 
1970, o estabelecimento de “Programas de Controle Total de Perdas”. Desde já se observa 
que permanece grande o apelo desta denominação e de seus objetivos nos dias de hoje. 
Esta teoria, que deve ser mostrada com detalhe nos cursos de engenharia de segurança, 
pode ser resumida como segue: Segundo a proposta de Fletcher, o PCP deve ser 
idealizado de modo a eliminar todas as fontes de interrupção de um processo de produção, 
querem elas resultem de lesão, dano à propriedade, incêndio, explosão, roubo, 
vandalismo, sabotagem, poluição ambiental, doença ocupacional ou defeito do produto. 
Trata-se de uma visão mais abrangente do conceito de “perda” de Bird. Os passos de 
implantação previam: o levantamento do perfil dos programas de prevenção existentes, a 
definição de prioridades e a elaboração de planos de ação (usando-se as ferramentas 
tradicionais da prevenção). Particularmente interessante é o levantamento dos perfis de 
prevenção, baseado em perguntas chave, com um sistema de pontos. Tratava-se do 
embrião dos sistemas de auditoria de segurança, levantando deficiências a serem sanadas 
nos planos de ação. 
 
1.1.3 CONTRIBUIÇÕES EXÓGENAS À PREVENÇÃO OCUPACIONAL 
1.1.3.1 TECNOLOGIAS DE PREVENÇÃO: TÉCNICAS DE ANÁLISE DE RISCOS 
As técnicas estruturadas de análise de riscos, ou “Técnicas de Análise de Riscos”, 
como agora as conhecemos, têm sua origem em duas grandes vertentes: a área de 
processos (indústrias de processo) e a militar/bélico/aeroespacial (onde se configurou a 
disciplina “Engenharia de Segurança de Sistemas”). 
Ao final da segunda grande guerra, nascia uma indústria de armas mais sofisticadas, 
os mísseis. Em todas as áreas militares norte-americanas (aeronáutica, marinha, exército) 
já surgiam técnicas embrionárias de análise de riscos, visando reduzir a ocorrência de 
acidentes operacionais catastróficos, por uma ação antes dos mesmos, ou seja, preventiva. 
Essas técnicas foram se fortalecendo e se desenvolvendo dentro da indústria de mísseis, 
de forma a serem desenvolvidos sistemas mais seguros, com menos falhas e riscos de 
operação. Esse movimento foi se configurando numa disciplina que se consolidou com a 
corrida aeroespacial (que tinha a necessidade de alta confiabilidade, erro “zero”), chamada 
Engenharia de Segurança de Sistemas. A maioria das técnicas atuais provém desta área. 
Muitas delas surgiram como resposta a riscos inadmissíveis no desenvolvimento de 
sistemas, ou a catástrofes concretas. A APR (Análise Preliminar de Riscos), por exemplo, 
foi desenvolvida e tornou-se obrigatória após os acidentes com o sistema de mísseis Atlas. 
As árvores de falhas, pelos riscos de um lançamento não autorizado dos mísseis 
Minuteman. 
Na área de processos, a busca por plantas mais seguras foi alavancada e 
consolidada por acidentes sérios, como Flixborough, Seveso, Bhopal. As técnicas mais 
importantes que daí surgiu foram o HAZOP (Estudo de Riscos e Operabilidade) e o What 
If (Técnica E SE...). 
É importante observar que as técnicas, especialmente as de segurança de sistemas, 
foram gradualmente passando para a área “civil” de riscos já nos anos sessenta. Os 
primeiros artigos em revistas de segurança do trabalho foram provavelmente os de Recht, 
em 1966, na National Safety News norte-americana. A forma mais técnicae estruturada de 
se analisar riscos, a maior objetividade e a sistematização eram fatos novos no mundo 
 
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prevencionista, e, aos poucos, as técnicas se disseminaram nas empresas. Elas também 
geraram variantes mais simples ou adaptações que podem ser identificadas em estudos 
ocupacionais, como a ART (Análise de Riscos no Trabalho) e a própria “Árvore de Causas”, 
uma aplicação ocupacional da técnica SR (Série de Riscos). 
Observe-se que na Segurança de Sistemas há mais de 20 técnicas disponíveis, 
algumas muito específicas (ver referências bibliográficas, Willie Hammer). 
Em 1979, Mario Fantazzini e Francesco De Cicco lançaram pela Fundacentro a 
primeira obra em língua portuguesa no Brasil sobre Segurança de Sistemas, com as 
ferramentas de Análise de Riscos supracitadas e outros conceitos. 
 
1.1.3.2 ANÁLISE DE RISCOS E GERÊNCIA DE RISCOS 
É necessário relatar que a gerência de riscos não possui uma conceituação 
universalmente aceita. Sem alongar demasiadamente o tema, observamos essencialmente 
que a linha que temos seguido é a da consideração ampla dos vários processos da 
gerência de riscos, como abaixo descritos, devidamente municiados pelas técnicas de 
análise de riscos. Os processos básicos são: 
 
• Identificação de riscos; 
• Análise de riscos; 
• Avaliação de riscos; 
• Tratamento de riscos. 
• prevenção • eliminação 
 • redução 
• financiamento • retenção (auto adoção ou auto-seguro) 
 • transferência (através ou não de seguro) 
 
As técnicas subsidiam todos os processos, pois em forma geral não só identificam 
os riscos, analisam suas causas e efeitos, avalia quantitativamente os mesmos, como 
também geram medidas de prevenção e controle e permitem (nas técnicas quantitativas) 
estabelecer estudos de custo-benefício quanto a investimentos de controle e de 
financiamento (discussão de taxas de seguro frente à probabilidade de ocorrência dos 
danos, por exemplo). 
 
1.1.4 O PREVENCIONISMO NO BRASIL 
Embora em menores proporções, não seria despropósito afirmar que o período vivido 
pelo Brasil, basicamente Rio de Janeiro e São Paulo, de 1880 a 1920, guarda grande 
similitude com o período da “Revolução Industrial” da Inglaterra de cem anos antes. Nos 
seus aspectos positivos, mas também na repetição dos problemas desencadeados pela 
industrialização. 
De acordo com o relatório de Dean, “as condições de trabalho eram duríssimas, 
muitas estruturas que abrigavam as máquinas não haviam sido originalmente destinadas 
à essa finalidade, além de mal iluminadas e mal ventiladas não dispunham de instalações 
sanitárias. As máquinas se amontoavam ao lado umas das outras, e suas correias e 
engrenagens giravam sem proteção alguma”. Os acidentes se amiudavam porque os 
trabalhadores cansados, que trabalhavam por vezes além do horário sem aumento de 
 
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 Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional. 
 
 
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salário, ou quando trabalhavam aos domingos, eram multados por indolência ou pelos 
erros cometidos caso fossem adultos, ou surrados se fossem crianças. 
Cita-se o exemplo de cardadores da indústria têxtil que trabalhavam 16 horas por dia, 
das 5 às 22 horas, com uma hora para a refeição, e nos domingos, até às 15 horas. 
Os primeiros passos do prevencionismo brasileiro tiveram origens reais nos primeiros 
anos da década de 1930, depois da criação do ministério do trabalho. Desta década datam 
as primeiras tentativas para despertar os responsáveis pelo desenvolvimento industrial do 
Brasil, autoridades, empresários e trabalhadores, para a prevenção dos acidentes e 
doenças do trabalho. 
O país contava desde 1919 com uma lei de acidentes do trabalho, a qual foi 
reformulada em 1934, mas apesar da reformulação, ambas as leis foram deficientes no 
aspecto prevencionista, preocupando-se de preferência com a compensação ao 
acidentado, ou seja, atuava uma vez que o acidente acontecia. 
Surge nessa época, através da Lei 185, de 14 de janeiro de 1936, o adicional de 
insalubridade, experiência abandonada depois de comprovadamente ruim na revolução 
industrial inglesa. A partir de então, o trabalhador brasileiro, exposto aos riscos ambientais, 
tinha direito a um acréscimo salarial de até 50%. Posteriormente, essa lei foi 
regulamentada pela Portaria SMC 51, de 13/04/1939, do Ministério da Indústria, Comércio 
e Trabalho, criando os “quadros das indústrias insalubres”. Essa prática perversa de 
comprar a saúde dos trabalhadores tem se perpetuado até a presente data, completando 
em 2006, setenta anos de existência. 
Em abril de 1938, foi apresentado um projeto de lei, para modificar a parte que se 
referia aos acidentes do trabalho do Decreto nº. 22.872, de criação do Instituto dos 
Marítimos. Nesse anteprojeto, posteriormente transformado no Decreto lei nº. 3.700 de 9 
de outubro de 1941, foi incluído um capítulo dedicado à prevenção de acidentes do 
trabalho. 
Em 1940, os adicionais de insalubridade foram subdivididos em percentuais de 40, 
20 e 10% para três níveis de insalubridade, máximo, médio e mínimo. No Governo Getúlio 
Vargas foi implantada a CLT – Consolidação das Leis do Trabalho – em 1943, com um 
capítulo (V) para a segurança e higiene do trabalho. Foi também prevista a eliminação da 
insalubridade através de medidas de controle e por consequência o não pagamento dos 
respectivos adicionais. 
Neste mesmo ano, o Governo resolveu estender às outras classes operárias as 
medidas de proteção ao trabalho; nesse ano o ministro do trabalho, Sr. Marcondes Filho, 
lançou as bases da Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho, que até 
hoje vem se desenvolvendo. 
Junto com o desenvolvimento progressivo da legislação foram aparecendo diversas 
entidades, algumas de origem privada e outras de caráter oficial, tendo por objetivo o 
ensino, divulgação e pesquisas no âmbito da segurança, higiene e medicina do trabalho. 
A primeira destas entidades no nosso meio foi a ABPA (Associação Brasileira para a 
Prevenção de Acidentes) fundada em 21 de maio de 1941, constituindo-se numa das 
primeiras organizações desse tipo na América do Sul. 
A entidade nacional de maior importância e responsabilidade na área é a 
FUNDACENTRO, Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do 
Trabalho. 
 
 
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1.1.5 O “NASCIMENTO” DAS PROFISSÕES OCUPACIONAIS 
O fim dos anos 60 e início da década de 70 foram marcados por grande crescimento 
industrial e econômico. Falava-se no “milagre brasileiro” e as taxas de crescimento eram 
de até 10% ao ano. 
Isto, naturalmente, quer dizer também que não havia formação profissional que 
suprisse adequadamente trabalhadores devidamente treinados, não só para as tarefas 
requeridas, mas também para a prevenção. Somando a isso um crescimento relativamente 
desordenado das empresas, o resultado só poderia ser um: muitos acidentes. A evolução 
dos índices oficiais pode ser observada na Tabela 1.1. 
 
Tabela 1.1. Evolução dos índices oficiais de % de acidentados 
Ano* Trabalhadores 
Acidentes 
Doenças 
Total 
Acidentes 
% 
Típico Trajeto 
1970 7.284.022 1.199.672 14.502 5.937 1.220.111 16,75 
1971 7.553.472 1.308.335 18.138 4.050 1.330.523 17,61 
1972 8.148.987 1.479.318 23.389 2.016 1.504.723 18,47 
1973 10.956.956 1.602.517 28.395 1.784 1.632.696 14,90 
1974 11.537.024 1.756.649 38.273 1.839 1.796.761 15,57 
1975 12.996.796 1.869.689 44.307 2.191 1.916.187 14,74 
1976 14.945.489 1.692.833 48.394 2.598 1.743.825 11,67 
1977 16.589.605 1.562.957 48.780 3.013 1.614.750 9,73 
1978 16.638.799 1.497.934 48.511 5.016 1.551.461 9,32 
1979 17.637.1271.388.525 52.279 3.823 1.444.627 8,19 
Média 
Anos 70 
12.428.828 1.535.843 36.497 3.227 1.575.566 12,68 
1980 18.686.355 1.404.531 55.967 3.713 1.464.211 7,84 
1981 19.188.536 1.215.539 51.722 3.204 1.270.465 6,62 
1982 19.476.362 1.117.832 57.874 2.766 1.178.472 6,05 
1983 19.671.128 943.110 56.989 3.016 1.003.115 5,10 
1984 19.673.915 901.238 57.054 3.233 961.575 4,89 
1985 21.151.994 1.010.340 63.515 4.006 1.077.861 5,10 
1986 22.163.827 1.129.152 72.693 6.014 1.207.859 5,45 
1987 22.617.787 1.065.912 64.830 6.382 1.137.124 5,03 
1988 23.661.579 926.354 60.202 5.025 991.581 4,19 
1989 24.486.553 825.081 58.524 4.838 888.443 3,63 
Média 
Anos 80 
21.077.804 1.053.909 59.937 4.220 1.118.071 5,30 
1990 23.198.656 632.012 56.343 5.217 693.572 2,99 
1991 23.004.264 579.362 46.679 6.281 632.322 2,75 
1992 22.272.843 490.916 33.299 8.299 535.514 2,40 
1993 23.165.027 374.167 22.709 15.417 412.293 1,78 
1994 23.667.241 350.210 22.824 15.270 388.304 1,64 
1995 23.755.736 374.700 28.791 20.646 424.137 1,79 
1996 23.830.312 325.870 34.696 34.889 395.455 1,66 
 
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 Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional. 
 
 
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Ano* Trabalhadores 
Acidentes 
Doenças 
Total 
Acidentes 
% 
Típico Trajeto 
1997 24.104.428 347.482 37.213 36.648 421.343 1,75 
1998 24.491.635 347.738 36.114 30.489 414.341 1,69 
1999 24.993.265 326.404 37.513 23.903 387.820 1,55 
Média 
Anos 90 
23.648.341 414.886 35.618 19.706 470.210 1,99 
2000* 26.228.629 304.963 39.300 19.605 363.868 1,39 
2001* 27.189.614 282.965 38.799 18.487 340.251 1,25 
2002* 28.683.913 323.879 46.881 22.311 393.071 1,37 
2003* 29.544.927 325.577 49.642 23.858 399.077 1,35 
(*) São dados preliminares e não incluem todos os Estados da Federação 
Observação: considerando-se apenas os números oficiais do INSS que engloba 
apenas trabalhadores com carteira profissional assinada. 
 
Em 1972, quase 1/5 da força de trabalho formal (inscrita na previdência) havia se 
acidentado. Considerando-se ainda: 
 
• a grande quantidade de trabalho informal; 
• que o índice é médio, ou seja, para as atividades de alto risco as cifras seriam 
ainda mais altas; 
• e a eventual sub-notificação de acidentes; 
... pode-se perceber o quanto calamitosa era a situação. 
Tratava-se não apenas de um grande holocausto de vítimas fatais, mutilados e 
alijados da sociedade produtiva, mas também uma sangria imensa do PIB, pelas horas não 
produtivas, perdas econômicas e recursos de previdência desviados necessariamente para 
fazer frente a indenizações e pensões. Um grande drama humano, mas também uma perda 
de riqueza do país, que poderia ser dirigida a outras prioridades. 
Era necessário fazer-se algo e depressa. Assim, foram virtualmente “criadas” novas 
categorias ocupacionais, para, em caráter emergencial, passar a atuar na reversão da 
situação. As novas profissões foram: 
• O Engenheiro de Segurança; 
• O Médico do Trabalho; 
• O Enfermeiro do Trabalho; 
• O Auxiliar de Enfermagem do Trabalho; e 
• O Técnico de Segurança do Trabalho (então chamado Supervisor de Segurança 
do Trabalho). 
Observe-se que naqueles tempos, não havia formação de segurança no país. Os que 
a tinham, haviam estudado no exterior ou eram autodidatas. A preocupação com a 
segurança havia, mas era restrita às CIPAs. O Sistema SENAI também sempre se 
preocupou em formar com segurança os aprendizes e as empresas, especialmente as 
estrangeiras aqui radicadas, com honrosas exceções locais, também tinham cuidados 
oriundos das matrizes. 
A criação veio decretada, a partir da Portaria 3237, de 1972, dentro do que se 
chamou de PNVT - Plano Nacional de Valorização do Trabalhador. 
 
12 
 Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional. 
 
 
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Tal era a urgência, que as profissões foram criadas no âmbito do Ministério do 
Trabalho, que outorgava a profissão, o que perdurou até os anos 80, quando passaram 
para a esfera do Ministério da Educação. O então “Supervisor de Segurança”, nos 
primeiros tempos, poderia formar-se apenas com o ginásio, atualmente conhecido como 
ensino fundamental, sendo exigido posteriormente o 2o grau (atualmente ensino médio). 
Vale salientar que já na CLT de 1943 aparecia a denominação “segurança e higiene 
do trabalho”. Na Constituição Brasileira de 1988 a higiene do trabalho ou ocupacional é um 
direito dos trabalhadores, conforme o artigo 7 °. Na revisão do Capítulo V da CLT, em 1977, 
criou-se o binômio Segurança e Medicina do Trabalho, desprezando a importância da 
disciplina que estuda os riscos ambientais. 
 
1.1.6 ALGUNS MARCOS HISTÓRICOS E LEGISLATIVOS NO BRASIL. LEGISLAÇÃO 
ATUAL E AS NORMAS REGULAMENTADORAS (NRs) 
Os marcos históricos e legislativos podem ser apresentados cronologicamente da 
seguinte forma: 
• 1917 - primeira greve geral operária em São Paulo; 
• 1919 - primeira Lei de Seguros de Acidentes do Trabalho; 
• 1923 - caixas de aposentadorias e pensões; 
• 1930 - criação do Ministério do Trabalho (Getúlio Vargas); 
• 1933 - transformação das caixas em Institutos (IAPC, IAPI, etc.); 
• 1943 - promulgação da CLT; 
• 1960 - lei orgânica da previdência social (centralização dos institutos); 
• 1966 - INPS; 
• 1966 - criação da Fundacentro, que só iria operar em 1969; 
• 1967 - estatização e monopólio do seguro acidente de trabalho (SAT), que era 
privado. Havia a tarifação individual; 
• 1972 - Plano Nacional de Valorização do Trabalhador / SESMTs obrigatórios / 
criação dos profissionais ocupacionais; 
• 1976 - taxação fixa do SAT (1, 2 ou 3% da folha de salários); 
• 1977 - alteração do cap. V, título II da CLT. (lei 6514); 
• 1978 - regulamentação da Lei 6514 e criação das Normas Regulamentadoras – 
NRs; 
• 1994 - Fundação da ABHO – Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais; 
• 1994 - obrigatoriedade de Programas Prevencionistas (PPRA, PCMSO, PCMAT, 
PPR, etc); 
• 2004 - reformulação da legislação previdenciária, introduzindo a obrigatoriedade 
de normas técnicas da Fundacentro. 
As Normas Regulamentadoras foram criadas a partir das alterações da lei 6514, com 
novidades conceituais (por exemplo, os Limites de Tolerância), e com o intuito de 
consolidar toda uma legislação fragmentada e esparsa, uma miríade de portarias, que 
existia até então. 
Houve um esforço de revisão e de ordenação, dentro de um formato que vem se 
mantendo até aqui. Atualmente existem 36 Normas Regulamentadoras básicas. 
 
13 
 Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
As normas versam sobre todos os tópicos de segurança, higiene e medicina do 
trabalho. A Tabela 1.2. apresenta uma listagem de algumas das NRs, com os respectivos 
comentários. 
 
Tabela 1.2. Comentários sobre algumas das Normas Regulamentadoras 
NR CARACTERÍSTICAS E OBSERVAÇÕES 
1 - Disposições Gerais 
• define atribuições da SSST, DRTs , dá definições e 
obrigações de empregadores e trabalhadores. 
2 - Inspeção Prévia 
• para novos estabelecimentos; 
• define o CAI - Certificado de Aprovação de Instalações. 
3 - Embargo ou Interdição 
• a partir de risco grave e iminente; 
• pode ser pedido pela DRT, DTM, fiscais ou entidades 
sindicais. 
4 - Serviços Especializados 
em Engenharia de 
Segurança e em Medicina 
do Trabalho 
• define os quadros dos profissionais ocupacionais, a partir 
do grau de risco e número de trabalhadores. 
 
5 - CIPA 
• uma das normas mais modificadas e de gestação lenta na 
instância da CTPP (“NR 0”). 
7- Programa de Controle 
Médico de Saúde 
Ocupacional 
• juntamente com o PPRA (NR-9), inaugurou a era dos 
Programas Ocupacionais, atividades permanentes a serem 
desenvolvidas pelas empresas. 
 
9 - Programa de Prevenção 
de Riscos Ambientais 
• é um Programa de Higiene Ocupacional , a ser 
desenvolvido permanentemente. Incluiu novos conceitosna 
legislação. Exige novas abordagens de controle pela inspeção 
do trabalho. Impulsionou a criação de outros programas. 
15 - Atividades e 
Operações Insalubres 
• uma das mais extensas, com 14 anexos abordando todas 
as situações ambientais da insalubridade. Introduziu, ao 
regulamentar a lei 6514, os Limites de Tolerância, reduzindo 
em muito a insalubridade apenas qualitativa. 
16 - Atividades e 
Operações Perigosas 
• outra norma de importância nas empresas, define a 
periculosidade e as áreas de risco, assim como aqueles que 
deverão perceber o adicional. Originalmente apenas para 
inflamáveis e explosivos, ganhou inclusões de eletricidade e 
radiações ionizantes. Em conjunto com a NR-15, uma das 
principais causas de questões trabalhistas. 
17 - Ergonomia 
• ganhou reformulação nos anos 90 para abrigar a questão 
das lesões por esforços repetitivos, hoje chamados DORT. 
18 - PCMAT 
• segue a linha de programas ocupacionais na construção 
civil. 
 
1.2 O PROFISSIONAL OCUPACIONAL E AS LEGISLAÇÕES A CONHECER 
O higienista se move num contexto técnico-legal. Deve conhecer várias legislações, com 
graus diferenciados de aprofundamento e especificidade: 
 
 
14 
 Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
Quadro 1.2. 
 
TRABALHISTA 
É a que mais deve saber. Essencialmente, as Normas Regulamentadoras, mas 
também na própria CLT há pontos que o dia -a - dia irá requerer atenção. As portarias 
da SSST (Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho), que alteram as NRs, devem 
ser conhecidas na íntegra. Possui acesso pela Internet. 
 
 
 
 
 
 
 
 
PREVIDENCIÁRIA 
É a segunda mais importante, pois se relaciona (muitas vezes mal) com a trabalhista. 
Define os eventos resultantes dos acidentes, as prestações econômicas derivadas e, 
especialmente, a questão das aposentadorias especiais e dos laudos a serem emitidos 
para tal. Em alguns casos, pode ser uma das tarefas preponderantes do profissional. 
Devem-se esperar grandes necessidades de envolvimento. 
 
AMBIENTAL 
A legislação ambiental não pode passar despercebida, pois há vários pontos de 
interseção. Lembrar que o ruído da empresa, após ser um problema ocupacional, escapa 
aos limites da planta e vai ser um problema ambiental (por exemplo). 
NÍVEIS LEGISLATIVOS 
Em todos os campos, deve-se estar atento não apenas à legislação federal, mas 
também às estaduais e municipais. Atenção, por exemplo em São Paulo, com a “lei do 
PSIU” - Programa de Silêncio Urbano”. 
 
1.3 SISTEMAS DE GESTÃO DE SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL (SGSSO) 
(BS 8800 E OHSAS 18001) 
Os sistemas de gestão se mostraram forma eficiente de se implementar ideias, ou, 
melhor dizendo, novos valores culturais às culturas empresariais. 
 
15 
 Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
 Assim fazendo, permite-se que ações efetivas venham a ocorrer, mudanças se 
operem e o projeto corporativo enunciado se realize. 
Tal tem ocorrido com os sistemas de gestão da qualidade (sistema 9000) e, mais 
recentemente, com os sistemas de gestão da qualidade ambiental (sistema 14000). 
Assim, para realizar adequadamente a qualidade, que não é obrigação legal, mas 
sim fator de competitividade por requisitos mercadológicos e exigência de clientes, as 
empresas estabelecem sistemas de gestão. 
Eles permitem que todos na empresa possuam um repertório comum, atribuições, 
competências e responsabilidades e que o novo valor cultural seja efetivamente 
incorporado. 
Um cliente que deseje um produto ou serviço de qualidade, não precisa vir visitar 
seu exportador, pois sabe que o mesmo possui um sistema verificável de gestão, 
normalizado, que avaliza as propriedades desejadas e garante seus requisitos. Assim, o 
cliente exige tal característica de seus fornecedores. Como resultado do sistema de gestão, 
a qualidade efetivamente se instala e permeia pela organização. 
Hoje, um passo além nessa cadeia de exigências de clientes (e o cliente é 
soberano), é a certificação ambiental. 
Assim, o cliente comprará meu produto, mas quer estar certo (os seus acionistas 
querem saber) de que meu sistema produtivo não agride o meio-ambiente; isto pode ser 
evidenciado porque eu possuo um sistema de gestão de qualidade ambiental. 
Assim, a venda de qualquer produto ou serviço pode estar sendo crescentemente 
condicionada a aspectos que inicialmente não aparentam ser essenciais à produção, como 
a gestão ambiental. Isto já é uma realidade. 
Um terceiro nível nesta questão é a demanda por sistemas de gestão de segurança 
e saúde ocupacional (SGSSO). 
Os motivos que alicerçam a implementação estratégica dos SGSSO nas 
empresas, podem ser: 
• atendimento a clientes importadores, que passarão a exigir o conhecimento de 
como seu fornecedor gerencia a saúde e segurança de seus trabalhadores; 
• obter, no horizonte da privatização do seguro - acidente, indicadores de 
excelência que permitam negociar taxas mais favoráveis que as empresas “comuns” com 
os futuros operadores. Observar que neste caso, pela primeira vez de forma explícita, a 
prevenção “se paga” e a atividade prevencionista mostra evidente relação favorável de 
custo - benefício. Este pode ser um dos motivos mais fortes; 
• por valorizar os sistemas de gestão, desejando agregar a questão ocupacional 
(o que se faz facilmente nas empresas que já possuem outros sistemas de gestão); 
• para melhorar o seu desempenho em segurança e saúde de forma eficiente e 
definitiva. 
Os sistemas de gestão possuem características poderosas que irão permitir a 
efetiva implementação dos melhores padrões ocupacionais. 
 
16 
 Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
1.4 TESTES 
 
1. Quando e onde foram escritas as primeiras referências relacionadas aos problemas dos 
acidentes e doenças ocupacionais? 
a) 1720 a.C, Índia. 
b) 1230 a.C, China. 
c) 1450 a.C, Grécia. 
d) 2360 a.C, Egito. 
e) N.d.a. 
Feedback: item 1.1.1. 
 
2. Quem é o “Pai da Medicina do Trabalho”? 
a) Hipócrates. 
b) Ramazzini. 
c) Agrícola. 
d) Paracelso. 
e) N.d.a. 
 
 
3. Qual o livro que delegou o título de “Pai da Medicina do Trabalho” ao seu autor? 
a) De Re Metallica. 
b) De Morbis Artificium Diatriba. 
c) Dos Ofícios e das Doenças das Montanhas. 
d) Acidentes e Doenças Ocupacionais. 
e) N.d.a. 
Feedback: item 1.1.1. “Em 1700, era publicada em Módena, na Itália, a primeira”. 
4. Qual item não se encontrava na “Lei de Saúde e Moral dos Aprendizes”? 
a) Proibição do trabalho para menores de 14 anos. 
b) Lavagem das paredes duas vezes por ano pelos empregadores. 
c) Limite de 12 horas de trabalho diário. 
d) Proibição do trabalho noturno. 
e) N.d.a. 
 
 
5. Qual item não se aplica ao Factory Act de 1833? 
 
a) Primeira legislação eficiente no campo da proteção ao trabalhador. 
b) Idade mínima para o trabalho era de 9 anos. 
c) Escolas nas próprias fábricas que deveriam ser frequentadas por todos trabalhadores 
menores de 13 anos. 
d) Limite de 10 horas de trabalho diário. 
e) N.d.a. 
 
 
 
17 
 Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
6. As teorias “Controle Total de Perdas” e “Controle de Danos” surgiram a partir de qual 
década do século XX? 
 
a) A partir da década de 30, durante a 1a Guerra Mundial. 
b) A partir da década de 40. 
c) A partir da década de 50, após 2a Guerra Mundial. 
d) A partir da década de 60. 
e) A partir da década de 70. 
Feedback: item 1.1.2. 
 
7. Considere as informações abaixo sobre as “Técnicas de Análise de Riscos”: 
 
I. Tem origem em duas grandes vertentes: área de processos e a 
militar/bélico/aeroespacial; 
II. A maioria das técnicas atuais provém da área chamada de “Engenharia de Segurança 
de Sistemas”, consolidadacom a corrida aeroespacial; 
III. Essas técnicas se intensificaram após a 2a Grande Guerra, com o surgimento das 
indústrias dos mísseis; 
IV. A busca por plantas mais seguras foi alavancada e consolidada por acidentes sérios, 
como Flixborough, Seveso e Bhopal; 
 
Com base nas informações acima, qual alternativa é a correta? 
a) Apenas I e III são verdadeiras. 
b) Apenas III é incorreta. 
c) Apenas I e IV são verdadeiras. 
d) Apenas II é incorreta. 
e) Todas são verdadeiras. 
Feedback: item 1.1.3.1. 
 
8. Qual é a legislação que o Higienista mais deve ter conhecimento? 
a) Ambiental. 
b) Judicial. 
c) Trabalhista. 
d) Previdenciária. 
e) Níveis Legislativos. 
Feedback: Quadro 1.2. 
 
 
 Capítulo 2. Higiene Ocupacional – Aspectos Históricos 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
18 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO 2. HIGIENE OCUPACIONAL – ASPECTOS HISTÓRICOS 
 
 
 
 
OBJETIVOS DO ESTUDO 
 
Este capítulo situa a evolução da HO como disciplina ocupacional e dá sua 
conceituação básica. Reposiciona a evolução da prevenção dentro da visão da disciplina. 
Relata pontualmente a evolução dos meios de avaliação e controle dos riscos ambientais. 
Apresentam dados informativos complementares. 
Ao terminar este capítulo você deverá estar apto a: 
 
• Situar e descrever o surgimento da HO; 
• Enunciar e dar características básicas dos objetivos da HO; 
• Enunciar o conceito de atuação da HO. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nota: O conteúdo deste capítulo foi extraído das notas de aula do professor Mário 
Fantazzini.
 
 
 Capítulo 2. Higiene Ocupacional – Aspectos Históricos 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
19 
 
2.1 HISTÓRIA E CONCEITO 
Vamos deixar a conceituação da Higiene Ocupacional para o final. Deixemos que o 
leitor mesmo construa sua conceituação, a partir deste resumo do interessante texto de 
Vernon Rose [Capítulo I do White Book da AIHA]. 
A identificação da origem da prática da higiene industrial é difícil, ou impossível. 
Como antigos cronistas de riscos ocupacionais e medidas de controle, que podem ser 
considerados fundadores, temos: 
 
• Agricola, em 1556, descreveu as doenças e acidentes na mineração, fundição e 
refino de metais, com medidas de controle, incluindo ventilação; 
• Plinius Secundus (Plínio, o Velho), antes ainda, no século I, escreveu que os 
fundidores envolviam as faces com bexigas de animais, para não inalar as poeiras 
fatais; 
• Outros que, (apenas) identificaram os problemas, merecem menção, como 
Hipócrates (séc. IV a.C.), com as primeiras menções de doenças ocupacionais 
(intoxicações por chumbo); 
• Também deve ser lembrado o trabalho de Bernardino Ramazzini (1713), um 
tratado completo de doenças ocupacionais. 
 
Entretanto, o reconhecimento de um vínculo causal entre os riscos dos ambientes de 
trabalho e as doenças foi o passo fundamental no desenvolvimento da prática da Higiene 
Industrial. 
 
As observações médicas, de Hipócrates a Ramazzini e estendendo-se ao século 
XX, da relação entre trabalho e doença, são os fundamentos da profissão. 
 Mas, o reconhecimento de riscos sem a intervenção e o controle, isto é, sem a 
prevenção da doença, não qualifica um indivíduo como um higienista industrial. 
 
As leis reativas ao desastre ocupacional da revolução industrial trataram de tentar 
disciplinar o combate aos novos perigos ocupacionais. O Factory Act de 1864 requeria o 
uso de ventilação diluidora para reduzir os contaminantes, e o de 1878 especificava o uso 
de ventiladores para exaustão. 
O divisor de águas para higiene e a medicina industrial veio com o Factory Act 
britânico de 1901, que iniciou a regulamentação das ocupações perigosas. 
As regulamentações criaram ímpeto para a investigação dos riscos dos locais de 
trabalho e fiscalização de medidas de controle. 
Tem sido sugerido, também, que a higiene industrial não emergiu como um campo 
individualizado de atuação até que as avaliações quantitativas do ambiente tornaram-se 
disponíveis. 
Nos Estados Unidos destaca-se, em 1910, a Dra. Alice Hamilton como pioneira no 
campo da doença ocupacional, campo que era totalmente inexplorado até então. O seu 
trabalho individual, que compreendia não só o reconhecimento da doença, mas a avaliação 
e o controle dos agentes causadores deveriam ser considerados como o início da prática 
da higiene industrial nos EUA. 
 
 
 Capítulo 2. Higiene Ocupacional – Aspectos Históricos 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
20 
 
Deve ser observado que muitos dos praticantes iniciais de higiene industrial eram 
médicos, que não estavam interessados apenas na diagnose e tratamento da doença, mas 
também no controle dos riscos, para prevenir casos futuros. Esses médicos trabalhavam 
com engenheiros e outros cientistas interessados em saúde pública e riscos ambientais. 
Dessa forma, iniciaram um processo incubado desde Hipócrates, visando deliberadamente 
modificar os ambientes de trabalho com o objetivo de prevenir doenças ocupacionais. 
Se entendermos a filosofia básica da profissão - a proteção da saúde e do bem estar 
de trabalhadores através da antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos riscos 
oriundos do ambiente de trabalho - podemos imaginar como sua presença permeou 
através da História... 
Começou quando uma pessoa reconheceu um risco e tomou providências não só 
para si, mas também para os companheiros. Esta é a origem e a essência da profissão de 
higiene industrial. 
 
Nota: 
Como tônica deste texto, é importante acompanhar o desenvolvimento nos EUA, pois 
coincide basicamente com o desenvolvimento da própria Higiene Ocupacional, não só em 
termos de progresso, mas também como atuação técnico-legal e das organizações 
públicas. Isto não retira méritos de outros países, especialmente europeus, mas, 
principalmente nas primeiras décadas do século, o desenvolvimento nos EUA é uma 
medida boa do andamento global da disciplina. 
 
2.1.1 EVENTOS HISTÓRICOS EM SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL 
DATAÇÃO CONDIÇÃO OU EVENTO 
1 M AC 
• Os Australopitecus usavam pedras como ferramentas e armas. 
Havia cortes e lesões oculares. Os caçadores de Bisões contraíam 
antraz. 
10 K AC 
• O homem Neolítico iniciou a produção de alimentos e a revolução 
urbana na Mesopotâmia. Ao final da idade da pedra, havia a confecção 
de ferramentas de pedra, chifre, ossos e marfim; fabricação de 
cerâmicas e de tecidos. Inicia-se a história das ocupações. 
5 K AC 
• Idade do bronze e do cobre. Os artesãos de metais são libertados da 
produção de alimentos. Há uma especialidade que surge: a metalurgia. 
370 AC 
• Hipócrates cuida da saúde de cidadãos, mas não de trabalhadores; 
todavia, identifica o envenenamento por chumbo de mineiros e 
metalúrgicos. 
50 
• Plínio, o Velho, identifica o uso de bexigas de animais para evitar a 
inalação de poeiras e fumos. 
200 
• Galen visita uma mina de cobre, mas suas discussões sobre saúde 
pública não incluem doenças de trabalhadores. 
Idade Média 
• Não existe nenhuma discussão documentada sobre doenças 
ocupacionais. 
1473 
• Ellenborg reconhece que os vapores de alguns metais eram 
perigosos e descreve os sintomas de envenenamento ocupacional por 
mercúrio e chumbo, com sugestões de medidas preventivas. 
 
 
 Capítulo 2. Higiene Ocupacional – Aspectos Históricos 
 
 
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1500 
• No livro De Re Metallica, Georgius Agricola descreve a mineração, 
fusão e refino de metais, com doenças e acidentes correntes e meios de 
prevenção, incluindo a necessidade de ventilação; 
• Paracelso (1567) descreve as doenças respiratórias entre os 
mineiros com uma precisa descrição do envenenamento pelo mercúrio. 
Lembrado como o pai da toxicologia, diz: “Todas as substâncias são 
venenos... é a dose que os diferencia entre venenos e remédios”. 
1665 •Em Ídria, a jornada dos mineiros de mercúrio é reduzida. 
1700 
• Bernardino Ramazzini, pai da medicina ocupacional, publica De 
Morbis Artificum Diatriba (Doenças dos Artífices) e descreve as doenças 
(com excelente precisão) e “precauções”. Introduz na anamnese médica 
a pergunta: “Qual é a sua ocupação?”. 
1775 
• Percival Lott descreve o câncer ocupacional entre os limpadores de 
chaminé na Inglaterra, identificando a fuligem e a falta de higiene como 
causa do câncer escrotal. O resultado foi a Lei dos Limpadores de 
Chaminé de 1788; 
• Os trabalhadores de chaminés alemães não apresentavam casos de 
câncer escrotal. Suas roupas eram melhor ajustadas ao corpo do que os 
colegas ingleses, e tinham escopo de EPIs. 
1830 
• Charles Thackrah é autor do primeiro livro sobre doenças 
ocupacionais na Inglaterra. Suas observações sobre doenças e 
prevenção ajudam na criação de legislação ocupacional. A inspeção 
médica e a compensação assistencial do Estado foram estabelecidas 
em 1897. 
1900’s 
• Alice Hamilton investiga várias ocupações perigosas e causa 
tremenda influência nas primeiras leis ocupacionais nos Estados Unidos. 
Em 1919 ela se torna a primeira mulher em Harvard e escreve 
“Explorando as Ocupações Perigosas”. 
1902 – 1911 
• Início de legislação compensatória federal e no estado de 
Washington. Em 1948 todos os estados cobriam as doenças 
ocupacionais. Massachusetts designa inspetores de saúde. 
1911 • Primeira conferência nacional sobre doenças industriais nos EUA. 
1912 
• O congresso cria taxa proibitiva para o uso de fósforo branco na 
fabricação de fósforos. 
1913 
• Organiza-se o National Safety Council. New York e Ohio 
estabelecem os primeiros grupos (agências) de Higiene Estaduais. 
1914 
• O serviço nacional de saúde pública (USPHS) organiza a divisão de 
Higiene Industrial. 
1922 • Harvard estabelece graduação em higiene industrial. 
1928-1932 
• O Bureau of Mines conduz pesquisa toxicológica de solventes, 
vapores e gases. 
1936 
• A lei Walsh-Healy exige de fornecedores do Governo medidas de 
higiene e segurança industrial. 
1938 
• Forma-se a ACGIH, então chamada National Conference of 
Governmental Industrial Hygienists. 
1939 
• Forma-se a AIHA (American Industrial Hygiene Association). A ASA 
(American Standards Association, hoje ANSI) e a ACGIH preparam a 
primeira lista de “Concentrações Máximas Permissíveis” (MACs) para 
substâncias químicas na indústria. 
1941-1945 • Expandem-se os programas de higiene industrial nos estados. 
 
 
 Capítulo 2. Higiene Ocupacional – Aspectos Históricos 
 
 
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1941 • O Bureau of Mines é autorizado a inspecionar minas. 
1960 
• O American Board of Industrial Hygiene (ABIH) é organizado pela 
AIHA e pela ACGIH. 
1970 
• OSHA - Occupational Safety and Health Act - lei maior de prevenção, 
é promulgada. 
 
2.1.2 OUTROS PONTOS HISTÓRICOS DE DESENVOLVIMENTO DA HIGIENE 
INDUSTRIAL 
• Um estudo de trabalhadores siderúrgicos mostrou a incidência de câncer de rim 
nos trabalhadores de coqueria. A denominação Coal Tar Pitch Volatiles (CTPV) 
foi criada para envolver o risco a ser controlado. O excesso de mortalidade dos 
coqueiristas levou à criação de lei específica para fornos de coque; 
 
Quadro 2.1. Amianto 
 
• O segundo maior estudo epidemiológico focou-se no amianto, cujos 
dados de doenças começaram a se acumular a partir de 1906. Em 1938 
a USPHS estudou trabalhadores de tecelagens de asbestos e 
recomendou um limite tentativa para a indústria têxtil de 5 milhões de 
partículas por pé cúbico, com amostragem através de impinger. Um limite 
da OSHA só veio em 1971 (provisório) e 1972 (definitivo), após estudos 
na Inglaterra, desde 1940, sobre cânceres bronquiais em porcentagem 
acima da população em geral. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Capítulo 2. Higiene Ocupacional – Aspectos Históricos 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
23 
 
Hoje em dia, os esforços da Higiene Ocupacional nos EUA são guiados pela 
consideração das condições perigosas (hazards), mais do que pelas doenças. 
 
2.2 DESENVOLVIMENTOS NA AVALIAÇÃO 
• No início, o que havia era a avaliação qualitativa por identificação pelos sentidos 
(visão, olfato, paladar). A transição para uma ciência, todavia, requeria algo mais; 
• Em 1917, Harvard desenvolveu um dos primeiros métodos, que era o tubo 
detector colorimétrico (dispositivo de indicação colorimétrica) para a avaliação 
ambiental de monóxido de carbono; 
• Em 1922, Greenber e Smith desenvolveram o impinger. Em 1938, Littlefield e 
Schrenk modificaram o projeto e desenvolveram o impinger miniaturizado (midget 
impinger). Com uso de bombas manuais, os impingers criaram as primeiras 
avaliações ambientais de zona respiratória; 
• O filtro de membrana para a avaliação de partículas foi usado pela primeira vez 
em 1953, permitindo a avaliação em massa/volume, e não em contagem de 
partículas; 
• Em 1970, houve uma revolução na avaliação, com o desenvolvimento, pelo 
NIOSH, do tubo de carvão ativo. Também foi dado suporte financeiro para o 
desenvolvimento da bomba de amostragem pessoal a baterias; 
• Em 1973, Palme desenvolveu um monitor passivo para dióxido de nitrogênio; 
• Começou e desenvolveu-se em paralelo à amostragem, a aplicação de química 
analítica à saúde ocupacional. Nos anos 30, artigos descreviam o uso de 
cromatografia gasosa para vapores orgânicos; 
• Hoje, os higienistas usam absorção atômica, plasma, cromatografia líquida e 
outros métodos sofisticados em sua instrumentação. 
2.3. PADRÕES E CRITÉRIOS 
Quadro 2.2. 
 
• Em 1929, vários higienistas do USPHS recomendaram valores máximos 
para poeira de quartzo, baseados em estudos na indústria de granito de 
Vermont; 
• Em 1939, a primeira lista de valores permissíveis (MACs) é divulgada 
pela ACGIH e ASA (ANSI). Essa lista é publicada em obras médicas e 
tem 140 substâncias, possuindo também as razões dos valores 
adotados; 
 
 
 Capítulo 2. Higiene Ocupacional – Aspectos Históricos 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
24 
 
• Em 1947, a ACGIH inicia a publicação das listas. Em 1948, a 
denominação passa a ser a atual, TLVs. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2.4 CONTROLE 
• O controle dos riscos necessita da abordagem tecnológica, ou seja, medidas de 
engenharia, complementadas por outras administrativas e pessoais; 
• O conceito de controle na fonte, no ambiente (trajetória) e no trabalhador, foi 
introduzido pela primeira vez, de forma abrangente, por Ulrich Ellenborg, em 
1473; 
• A história da ventilação industrial e da proteção respiratória é de particular 
interesse para os higienistas; 
• Agricola, em 1561, enfatizou a necessidade de ventilação das minas incluindo 
ilustrações de dispositivos para forçar o ar terra abaixo; 
• O primeiro projeto de ventilação registrado foi o de D’Arcet no início dos 1800. 
Havia um captor em uma fornalha, ligado a uma chaminé alta que tinha uma forte 
tiragem (vazão por diferença natural de densidade); 
• A lei inglesa das fábricas de 1864 exigia ventilação “suficiente”, mas só em 1867 
os inspetores tiveram poder de exigir ventiladores e outros meios mecânicos; 
• Em 1951, a ACGIH publica a primeira edição do Industrial Ventilation, a "bíblia" 
da ventilação industrial de controle para a higiene ocupacional. Sua importância 
nunca poderá ser devidamente enfatizada; 
• Quanto à proteção respiratória, nota-se desde Leonardo da Vinci (1452-1519), 
com a recomendação de tecidos umedecidos contra os agentes químicos de 
guerra; 
 
 
 Capítulo 2. Higiene Ocupacional – Aspectos Históricos 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
25 
 
• Nos 1800, a compreensão das separações entre partículas e gases permitiu 
avanços. Em 1814 desenvolveu-se o precursor do filtro de partículas dentro deum invólucro rígido. A propriedade de adsorção de vapores do carvão ativo foi 
descoberta em 1854 e quase imediatamente utilizada em respiradores; 
• O maior avanço nos respiradores foi, claro, conseguido na área bélica, devido aos 
agentes químicos da 1a Guerra. A pesquisa de máscaras militares foi intensa, não 
só de gases como de poeiras tóxicas usados nos campos de batalha; 
• Dentro do controle legal, em 1936, o USPHS recomendava que “todo grande 
estado industrial” deveria ter pelo menos um higienista industrial coordenador, 
com um salário anual de 6.000 dólares. As qualificações mínimas desse 
especialista deveriam ser: graduação em engenharia química, dois anos de 
trabalho em higiene industrial, 3 anos de experiência, e, além de um 
conhecimento bem abrangente técnico e científico, “a habilidade de estabelecer 
contatos com os executivos das fábricas, conseguir sua cooperação, além dos 
mestres e supervisores; tato; iniciativa; bom julgamento e bom endereçamento de 
questões técnico-administrativas”. 
2.5 OUTROS ASPECTOS 
A segunda guerra mundial proveu significativo ímpeto para os programas de higiene 
(pois era necessário manter a capacidade produtiva da indústria, que era dirigida às armas, 
e operada por grande porcentagem de mulheres). Em 1946, havia 52 programas operando 
em 41 estados. 
Em 1970, com a passagem do Occupational Health and Safety Act (OSHA), como 
marco legal, foi também criada a OSHA, onde o "A" final é Administration, dentro do 
Departamento do Trabalho, e o NIOSH, dentro do Departamento de Saúde e Serviços 
Públicos. Para a OSHA foi a responsabilidade de criar padrões, e o NIOSH o de realizar 
pesquisas e recomendar padrões à OSHA. 
Os primeiros padrões adotados pela OSHA foram os Walsh-Healey existentes, que 
incluíam os TLVs da ACGIH de 1968, menos as 21 substâncias para as quais a ANSI já 
tinha padrões. Estes limites são conhecidos por PELs (Permissible Exposure Limit). 
Deve-se observar que a OSHA andou perdendo batalhas na Corte Suprema, por não 
ser aceito seu arrazoado para a redução de certos limites em termos de custo-benefício e 
redução de risco. Isto ocorreu com o benzeno em 1978 ao passar de 10 para 1 ppm. 
Os riscos aceitáveis pela Corte Suprema, para morte ao nível de certo PEL, são a 
sua redução até que produza um risco de 1 para 1000 durante a vida laboral, para 
substâncias químicas, sendo este o nível-objetivo atual (uma discussão detalhada deste 
aspecto existe no documento original citado). 
2.6 FORMAÇÃO, EDUCAÇÃO E ASSOCIAÇÕES 
• Embora o primeiro curso de higiene industrial tenha sido lecionado no MIT, a 
Harvard University é reconhecida como tendo desenvolvido, em 1922, o primeiro 
programa educacional e de pesquisa para uma graduação avançada em higiene 
industrial. 
• ACGIH - fundada em 1938, com 76 higienistas de 24 estados. Em 1996 possuía 
5400 membros. 
 
 
 Capítulo 2. Higiene Ocupacional – Aspectos Históricos 
 
 
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• A AIHA foi formada em 1939. Havia 160 membros em 1940, e mais de 13.000 em 
1996. Possui 93 seções locais nos EUA e em 3 outros países. A revista (AIHA 
Journal) apareceu em 1946. 
• IOHA - International Occupational Hygiene Association, é uma associação de 
associações, da qual faz parte a: 
• ABHO - Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais. Fundada em 1995, 
congrega os higienistas ocupacionais no país. 
 
 
 Capítulo 2. Higiene Ocupacional – Aspectos Históricos 
 
 
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2.7 TESTES 
1. Qual foi o divisor de águas para a Higiene e a Medicina Industrial? 
a) Factory Act de 1864. 
b) O livro De Morbis Artificium Diatriba, de Ramazzini. 
c) Factory Act, de 1901. 
d) Publicações de Agrícola. 
e) N.d.a. 
 
2. Qual alternativa não faz parte da filosofia básica do Higienista Ocupacional? 
a) Testar riscos. 
b) Reconhecer riscos. 
c) Avaliar riscos. 
d) Antecipar riscos. 
e) Controlar riscos. 
Feedback: item 2.1. “Se entendermos a filosofia básica da profissão...”. 
3. Considere as informações abaixo: 
I – Hoje em dia, os esforços da Higiene Ocupacional nos EUA são guiados pela 
consideração dos riscos, mais do que pelas doenças. 
II – Os estudos com relação ao efeito do amianto começaram apenas na década de 50. 
III – Câncer de pulmão era a maior causa de mortalidade dentre os coqueiristas. 
 
Qual a alternativa correta? 
a) Apenas III é verdadeira. 
b) Apenas I é verdadeira. 
c) Apenas II e III são verdadeiras. 
d) Apenas II é verdadeira. 
e) Todas são verdadeiras. 
Feedback: item 2.1.2. 
4. Qual foi o equipamento que causou uma revolução na avaliação de problemas 
ocupacionais? 
a) Monitor passivo para dióxido de nitrogênio, desenvolvido por Palme. 
b) Impinger, desenvolvido por Greenber e Smith. 
c) Tubo de carvão ativo, desenvolvido pelo NIOSH. 
d) Impinger miniaturizado, desenvolvido por Littlefield e Schrenk. 
e) Tubo detector colorimétrico, desenvolvido em Harvard. 
Feedback: item 2.2. 
 
5. Qual a relação de riscos aceitáveis pela Corte para a morte ao nível de certo PEL 
(Permissible Exposure Limit), durante a vida laboral, para substâncias químicas? 
a) 1 para 10. 
 
 
 Capítulo 2. Higiene Ocupacional – Aspectos Históricos 
 
 
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b) 1 para 100. 
c) 1 para 500. 
d) 1 para 1000. 
e) 1 para 10000. 
Feedback: item 2.5. 
 
 
 Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional. 
 
 
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CAPÍTULO 3. SITUANDO A HIGIENE OCUPACIONAL 
 
 
 
 
OBJETIVOS DO ESTUDO 
 
Este capítulo apresenta a conceituação geral da higiene ocupacional e sua forma de 
atuação. As etapas de trabalho são detalhadamente explicadas e exemplificadas. 
Apresenta os objetivos finais da ação da HO, assim como as principais áreas de interação 
da disciplina dentro do universo ocupacional. Dá definições formais da HO, o conceito de 
limite de exposição a um agente ambiental e fala das formas de atuação do higienista 
ocupacional. 
Ao fim do capítulo você estará apto a: 
 
• Conceituar a higiene ocupacional; 
• Discorrer sobre as etapas de trabalho da disciplina; 
• Reconhecer os agentes ambientais; 
• Identificar as áreas de interação e de atuação do higienista ocupacional; 
• Enunciar o conceito de limite de exposição a um agente ambiental. 
 
 
 
 
 
 
Nota: O conteúdo deste capítulo foi extraído das notas de aula do professor Mário 
Fantazzini. 
 
 
 Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
30 
3.1 ESTABELECENDO CONCEITOS INICIAIS E DEFINIÇÕES 
3.1.1 CONCEITUAÇÃO GERAL 
Vimos o histórico dos acidentes e doenças, sua percepção e prevenção através dos 
tempos; vimos também um histórico específico da higiene ocupacional. Está na hora de 
estabelecermos alguns pontos. A higiene ocupacional: 
• Visa a prevenção da doença ocupacional, através da antecipação, 
reconhecimento, avaliação e o controle dos agentes ambientais (esta é a 
definição básica atual, havendo variantes), outras definições serão discutidas 
mais adiante; 
• "Prevenção da doença" deve ser entendida com um sentido mais amplo, pois a 
ação deve estar dirigida à prevenção e ao controle das exposições inadequadas 
a agentes ambientais (um estágio anterior às alterações de saúde e à doença 
instalada); 
• Em senso amplo, a atuação da higiene ocupacional prevê uma intervenção 
deliberada no ambiente de trabalho, como forma de prevenção da doença. Sua 
ação no ambiente é complementada pela atuação da medicina ocupacional, cujo 
foco está predominantemente no indivíduo; 
• Os agentes ambientais que a higiene ocupacional tradicionalmente considera são 
os chamados agentes físicos, químicos e biológicos. Esta consideração pode ser 
ampliada, levandoem conta outros fatores de stress ocupacional, como aqueles 
considerados na Ergonomia, por exemplo (que também podem causar 
desconforto e doenças). É evidente que as duas disciplinas se interfaceiam e sua 
interação deve ser sinergética antes que antagônica; 
• Os agentes físicos são em última análise alguma forma de energia, liberada pelas 
condições dos processos e equipamentos e que exploram o trabalhador; sua 
denominação habitual: Ruído, Vibrações, Calor/Frio (interações térmicas), 
Radiações Ionizantes e não Ionizantes, Pressões Anormais; 
• Os agentes químicos, mais que por sua característica individual, mas sim por sua 
dimensão físico-química, são classificados: gases, vapores, aerodispersóides 
(estes últimos são subdivididos ainda em poeiras, fumos, névoas, neblinas, 
fibras); podemos entender os agentes químicos como todas as substâncias 
puras, compostos ou produtos (misturas) que podem entrar em contato com o 
organismo por uma multiplicidade de vias, expondo o trabalhador. Cada caso tem 
sua toxicologia específica, sendo também possível agrupá-los em famílias 
químicas, quando de importância toxicológica (hidrocarbonetos aromáticos, por 
exemplo); 
• As “vias de ingresso” ou de contato com o organismo, consideradas 
tradicionalmente são a via respiratória (inalação), cutânea (através da pele 
intacta) e digestiva (ingestão). A inalação é a de maior importância industrial, 
seguida da via dérmica. Estes conceitos serão desenvolvidos plenamente mais 
adiante, em conjunto com outras vias atualmente consideradas; 
• Os agentes biológicos são representados por todas as classes de 
microorganismos patogênicos (algumas vezes adicionados de organismos mais 
complexos, como insetos e animais peçonhentos): vírus, bactérias, fungos. 
 
 
 Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
31 
Notar que merecem uma ação bem diversa em relação a dos outros agentes, e 
que muitas formas de controle serão específicas; 
• Para bem realizar a antecipação, o reconhecimento, a avaliação e o controle dos 
agentes ambientais são necessárias múltiplas ciências, tecnologias e 
especialidades. Para a avaliação e o controle, é importante a engenharia; na 
avaliação, também se exige o domínio dos recursos instrumentais de laboratório 
(química analítica); no entendimento da interação dos agentes com o organismo, 
a bioquímica, toxicologia e a medicina. A compreensão da exposição do 
trabalhador (este termo é fundamental) à certo agente passa pelas características 
físicas e/ou químicas dos agentes e o uso dessas ciências básicas; 
• O reconhecimento é um alerta; a adequada avaliação deve levar a uma decisão 
de tolerabilidade; os riscos intoleráveis devem sofrer uma ação de controle; 
• Para se conhecer sobre a intolerabilidade, valores de referência devem existir. É 
o conceito dos limites de exposição (legalmente, limites de tolerância); 
• O objetivo último da atuação em higiene ocupacional, uma vez que nem sempre 
se pode eliminar os riscos dos ambientes de trabalho, é o de se reduzir a 
exposição média de longo prazo (parâmetro recomendado de comparação) de 
todos os trabalhadores, a todos os agentes ambientais, a valores abaixo do nível 
de ação. Veja que começaram a surgir outros conceitos, que devem ser definidos 
há seu tempo. Uma exposição estatisticamente definida, a um processo 
razoavelmente estável, e que é avaliada e considerada abaixo do nível de ação, 
é um objetivo básico na higiene (todavia, todas as exposições devam ser 
mantidas tão baixas quanto razoavelmente exequível); 
• Nem todos os agentes são medidos apenas por sua ação de longo prazo, sendo 
também importante as exposições agudas (curto prazo). Pode-se perceber que 
devem variar aqui os objetivos e formas de avaliação da exposição. 
 
3.1.2 DETALHANDO ASPECTOS BÁSICOS 
3.1.2.1 Antecipar é... 
• Trabalhar com equipes de projeto, modificações ou ampliações (ou pelo menos 
analisando em momentos adequados o resultado desse trabalho), visando à 
detecção precoce de fatores de risco ligados a agentes ambientais, adotando 
opções de projeto que favoreçam a sua eliminação ou controle; 
• Estabelecer uma "polícia de fronteira" na empresa, rastreando e analisando todo 
novo produto químico a ser utilizado (isso inclui as amostras de vendedores); 
• Ditar normativas preventivas para evitar exposições inadvertidas a agentes 
ambientais causadas pela má seleção de produtos, materiais e equipamentos, 
para compradores, projetistas e contratadores de serviços. Por exemplo, um 
dispositivo para espantar roedores de galerias de cabos elétricos parece ótimo, 
mas é necessário saber que é um emissor de ultrassom. 
 
3.1.2.2 Reconhecer é... 
• Conhecer de novo! Isso significa que se deve ter conhecimento prévio dos 
agentes do ambiente de trabalho, ou seja, saber reconhecer os riscos presentes 
 
 
 Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional. 
 
 
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nos processos, materiais, operações associadas, manutenção, subprodutos, 
rejeitos, produto final, insumos... 
• Estudar o processo, atividades, operações associadas e processos auxiliares, 
não apenas com os dados existentes na empresa (e inquirindo os técnicos, 
projetistas, operadores...), mas também conhecendo a literatura ocupacional 
específica a respeito deles, pois mesmo os técnicos dos processos podem 
desconhecer os riscos ambientais que os mesmos produzem. Podem omitir 
frequentemente, detalhes que não julgam importantes para o higienista, 
justamente ligados a uma condição perigosa. O solícito técnico da máquina 
empacotadora de leite longa vida pode lhe dar uma explicação precisa e 
detalhada do seu funcionamento, omitindo que a caixinha é selada por 
radiofrequência; 
• Transitar e observar incessantemente pelo local de trabalho (não se faz higiene 
sem ir a campo), observando o que lhe é mostrado e o que não é. Andar "atrás" 
das coisas, em subsolos, casas de máquinas, porões de serviço pode ser 
bastante instrutivo e revelador de riscos ambientais (cuidado com os riscos de 
acidentes nesses locais). 
 
3.1.2.3 Avaliar é... 
• Em forma simples, avaliar é poder emitir um juízo de tolerabilidade sobre uma 
exposição a um agente ambiental. Atualmente, a avaliação está inserida dentro 
de um processo que se convenciona chamar de Estratégia de Amostragem, o que 
é, evidentemente, muito mais que avaliar no sentido instrumental. 
• O juízo de tolerabilidade é dado pela comparação da informação de exposição 
ambiental (que pode ter vários graus de confiabilidade) com um critério adequado. 
O critério é genericamente denominado de "limite de exposição ambiental", ou 
limite de exposição (Legalmente falando, "limite de tolerância". Este conceito será 
detalhado adiante). 
 
3.1.2.4 Controlar é... 
• Adotar medidas de engenharia sobre as fontes e trajetória do agente, atuando 
sobre os equipamentos e realizando ações específicas de controle, como projetos 
de ventilação industrial; 
• Intervir sobre operações, reorientando-as para procedimentos que possam 
eliminar ou reduzir a exposição; 
• Definir ações de controle no indivíduo, o que inclui, é claro, mas não está limitado 
à proteção individual; 
• Serão dados mais à frente os elementos gerais de ações de controle em higiene 
ocupacional. Em cada matéria, serão dadas ações específicas de controle. 
 
3.2 ÁREAS DE INTERAÇÃO DA HIGIENE OCUPACIONAL 
3.2.1 MEDICINA OCUPACIONAL 
Interação evidente e mais forte, não há como desempenhar qualquer das disciplinas 
sem dialogar com o profissional da outra. 
 
 
 Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
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3.2.2 ÁREA DE GESTÃO AMBIENTAL 
Interação importante, pois os mesmos agentes podem extrapolar o âmbito 
ocupacional (ambientes onde há trabalhadores expostos),tornando-se um problema de 
meio ambiente e comunidade (Exemplos: ruído, contaminantes presentes em resíduos e 
emissões). 
 
3.2.3 ERGONOMIA 
Como também é eminentemente multidisciplinar, a ergonomia apresenta várias 
interações, pois os mesmos agentes ambientais que significam risco na higiene serão 
fatores de desconforto na ergonomia (ruído, calor, iluminação). Não se deseja aqui limitar 
a ergonomia à questão do conforto, pois há muitas inadequações ergonômicas que geram 
doenças, mas os exemplos dados evidenciam a interdisciplinaridade que existe. 
 
3.3 POR QUE É FUNDAMENTAL AGIR SOBRE O AMBIENTE? 
Observe o esquema a seguir. O que fará parar o círculo vicioso ambiente - exposição 
- doença? 
Quadro 3.1. 
 
OM RISCO POT 
 
☺ 
 
 
 ☺ 
 
 
exposição alteração 
tratamento recuperação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
(AFASTAMENTO) 
AMBIENTE DE TRABALHO 
 
 
 
 
 Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
34 
3.4 CONCEITOS DA HIGIENE EM ALGUMAS REFERÊNCIAS 
• Higiene Ocupacional, Higiene Industrial, Higiene do Trabalho - Os termos são 
considerados homônimos, enquanto exprimem a ação da disciplina. Atualmente 
se usa Higiene Ocupacional. 
• Definição da American Industrial Hygiene Association, que se encontra citada na 
Enciclopédia de Segurança e Saúde Ocupacional, da OIT: "Ciência e Arte 
devotada ao reconhecimento, avaliação de controle dos fatores e estressores 
ambientais, presentes ou oriundos do local de trabalho, os quais podem causar 
doença, degradação da saúde ou bem estar, ou desconforto significativo e 
ineficiência entre os trabalhadores ou cidadãos de uma comunidade". O autor do 
verbete na Enciclopédia, C. M. Berry, diz ainda que atualmente a definição não 
descreva adequadamente a disciplina, e que é importante adicionar o termo 
"antecipação", como vimos atrás. Expõe ainda que a preocupação deva se 
estender à família do trabalhador, citando os casos do berílio e dos asbestos. 
• A definição do American Board of Industrial Hygiene é semelhante: "Ciência e 
prática devotada à antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos fatores 
e estressores ambientais presentes ou oriundos do local de trabalho que podem 
causar doença, degradação da saúde ou do bem estar, ou desconforto 
significativo entre trabalhadores e podem ainda impactar a comunidade em geral" 
(Atenção: ambas são traduções livres; convém sempre ler os originais, até porque 
há muito de instrutivo nessas leituras para o higienista). 
 
3.5 O CONCEITO DO LIMITE DE TOLERÂNCIA / LIMITE DE EXPOSIÇÃO 
3.5.1 EXERCÍCIO DE CONSTRUÇÃO DO CONCEITO 
Vamos por aproximações sucessivas e, ao mesmo tempo, discutindo e construindo 
o conceito, com aspectos associados: 
• um valor abaixo do qual não haverá doenças? (seria muito grosseiro e 
pretensioso); 
• um valor abaixo do qual há razoável segurança contra o desencadeamento das 
doenças causadas por um agente ambiental? (melhorou, mas ainda falta muito); 
• Um valor abaixo do qual há razoável segurança para a maioria dos expostos 
contra o desencadeamento de doenças causadas por um agente ambiental (esta 
adição é fundamental); 
• Vamos intercalar aqui a definição da ACGIH (American Conference of 
Governmental Industrial Hygienists - veja também o item sobre Associações e 
Entidades em Higiene Ocupacional):..."Os limites de exposição referem-se a 
concentrações de substâncias químicas dispersas no ar (assim como a 
intensidades de agentes físicos de natureza acústica, eletromagnética, 
ergonômica, mecânica e térmica) e representam condições às quais se acredita 
a maioria dos trabalhadores possa estar exposta, repetidamente, dia após dia, 
sem sofrer efeitos adversos à saúde." ; 
• A definição acima é completa, mas não diz tudo (porque há muitas considerações 
associadas, que não cabem numa definição...). Dessa forma, é preciso alertar 
para: 
 
 
 Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
35 
• A "maioria" implica numa "minoria", ou seja, pessoas que não estarão 
necessariamente protegidas ao nível do LE (limite de exposição) ou mesmo 
abaixo do mesmo, podem ser pessoas hipersuscetíveis pela própria natureza da 
variabilidade individual (todo critério tem um ponto de corte, até recentemente, o 
LE para ruído da ACGIH pretendia a proteção de 90% dos expostos), ou por 
fatores de hipersusceptibilidade específica, como é o caso dos albinos em 
relação à radiação ultravioleta; 
• É preciso conhecer quais os efeitos que o LE pretende evitar. Muitas vezes, não 
se evitarão todos os efeitos. No caso do ruído, trata-se apenas da perda auditiva 
induzida, embora se saiba que há outros efeitos à saúde. Muitas vezes, é difícil 
modelizar tais efeitos para fins de um limite, pois há grande variabilidade 
individual; outras vezes, simplesmente não há relação dose - resposta, como no 
caso de carcinogênicos (o LE para asbestos pode protegê-lo da fibrose pulmonar, 
mas não dos cânceres, cuja relação é estocástica, uma chance dependente do 
nível de exposição - já fica aqui a mensagem para evitar toda exposição ao dito 
cujo); 
• É preciso conhecer qual a base de tempo do LE, sobre o qual se estabelece a 
média ponderada de exposição (esta já é uma questão de avaliação); pode ser 
de 6 minutos, como ocorre com radiofrequência, uma hora para exposição ao 
calor, e mais frequentemente 8 horas, ou a jornada, para a maioria dos casos; 
• É preciso lembrar que o limite de exposição representa a melhor abordagem 
disponível, dentro de certos critérios, a respeito do conhecimento acerca do 
agente ambiental, em termos correntes, ou seja, é um conceito sujeito a contínua 
evolução, mas apenas o que se conhece na atualidade de sua emissão. 
Frequentemente os LEs são rebaixados, e raramente aumentados (ou seja, 
houve alguma superestimação do risco); 
• Os LEs no contexto técnico-legal são chamados de Limites de Tolerância e são 
abordados na LEI 6514/77 e nas Normas Regulamentadoras (NRs). É claro que, 
neste caso, muitas considerações técnicas complementares não podem ser 
enunciadas. O uso do LT está associado à caracterização ou não da 
insalubridade associada a um agente ambiental e ao pagamento do respectivo 
adicional. 
 
3.6 INTRODUÇÃO AOS AGENTES FÍSICOS 1 
Esta seção apresenta os Limites de Exposição (TLVs) para a exposição ocupacional 
a agentes físicos de natureza acústica, eletromagnética, ergonômica, mecânica e térmica. 
Assim como outros TLVs, estes limites para agentes físicos fornecem um guia dos níveis 
de exposição e das condições sob as quais, acredita-se, quase todos os trabalhadores 
saudáveis possam estar repetidamente expostos, diariamente, sem sofrer efeitos adversos 
à saúde. 
Os órgãos-alvos e os efeitos à saúde dos agentes físicos variam grandemente em 
função da natureza desses agentes; assim, os TLVs não são simples números, mas sim 
uma integração dos parâmetros medidos do agente, seus efeitos em trabalhadores, ou 
ambos. Devido aos muitos tipos de agentes físicos, é utilizada uma variedade de disciplinas 
 
1 Texto extraído do livreto da ACGIH 
 
 
 Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
36 
científicas, de técnicas de detecção e de instrumentação. Portanto é especialmente 
importante que os TLVs para agentes físicos sejam aplicados apenas por indivíduos 
adequadamente treinados e experientes nas correspondentes técnicas de avaliação e 
medição. Dada a inevitável complexidade de alguns destes TLVs, a Documentação mais 
recente dos TLVs para Agentes Físicos deve ser consultada quando eles forem aplicados. 
Por causa das grandes variações na susceptibilidade individual, a exposição de umindivíduo aos níveis estabelecidos como TLV, ou mesmo abaixo desses níveis pode 
resultar em distúrbio, agravamento de condições pré-existentes, ou mesmo, 
ocasionalmente, em danos físicos. Certos indivíduos podem também ser hipersuscetíveis 
ou incomumente reativos a certos agentes físicos do local de trabalho devido à uma 
variedade de fatores tais como: predisposição genética, idade, hábitos pessoais (fumo, 
álcool, ou outras drogas), medicação, ou exposições prévias ou concomitantes. Tais 
trabalhadores podem não estar adequadamente protegidos dos efeitos adversos 
decorrentes das exposições a certos agentes físicos em nível ou mesmo abaixo do limite 
de exposição. Um médico do trabalho deve avaliar a extensão da proteção adicional 
requerida para tais trabalhadores. 
Os limites de exposição são baseados em informações disponíveis da experiência 
industrial, estudos experimentais com animais e seres humanos, e quando possível, da 
combinação dos três, como citado em suas respectivas documentações. 
Como todos os TLVs, estes limites destinam-se ao uso na prática de higiene 
ocupacional e deveriam ser interpretados e aplicados apenas por pessoa treinada na 
disciplina. Eles não se destinam ao uso, ou por modificação para o uso: 1) na avaliação e 
controle dos níveis de agentes físicos na comunidade ou 2) como prova ou refutação de 
uma incapacidade física existente. 
 
3.7 MEDIDAS GENÉRICAS DE CONTROLE DE AGENTES AMBIENTAIS 
A prática tem demonstrado a efetividade de uma série de medidas que, em conjunto 
ou individualmente, podem ser de serventia na redução dos riscos aos quais estão 
expostos os trabalhadores. Podem ser separadas em duas classes distintas: medidas 
relativas ao ambiente, nas quais o controle dos agentes é feito nas fontes (máquinas, 
processos, produtos, operações) e na trajetória desses agentes até o trabalhador; e 
medidas relativas ao trabalhador que é o receptor involuntário desses agentes. 
 
Quadro 3.2. Medidas Relativas ao Ambiente. 
 
As medidas relativas ao Ambiente são: 
a) Substituição do Produto Tóxico ou Nocivo; 
b) Mudança ou Alteração do Processo ou Operação; 
c) Encerramento ou Enclausuramento da Operação; 
d) Segregação da Operação ou Processo; 
e) Ventilação Geral Diluidora; 
 
 
 Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
37 
f) Ventilação Local Exaustora; 
g) Manutenção; 
h) Ordem e Limpeza. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quadro 3.3. Medidas Relativas ao Pessoal. 
 
As medidas relativas ao Pessoal são: 
a) Equipamento de Proteção Individual; 
 b) Educação e Treinamento; 
c) Controle Médico; 
d) Limitação de Exposição. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
38 
3.7.1 MEDIDAS RELATIVAS AO AMBIENTE 
3.7.1.1 SUBSTITUIÇÃO DO PRODUTO TÓXICO OU NOCIVO 
A substituição de um material tóxico não é sempre possível; entretanto, quando o é, 
representa a maneira mais segura de eliminar ou reduzir um risco. 
Entre os numerosos exemplos que podem ser citados no emprego deste método, 
está a troca do chumbo por óxido de titânio e zircônio, e por sais de zinco, em esmaltes 
vitrificados e pinturas. Como é sabido, o chumbo era usado como constituinte em esmaltes 
vitrificados, e tendo a propriedade de solubilizar-se em soluções cítricas (limonada) ou 
acéticas (vinagre), teve de ser substituído na fabricação de artigos de louça para uso 
doméstico. Nas pinturas, a substituição teve de dar-se notadamente na fabricação de 
brinquedos e tintas domiciliares. 
Também é um bom exemplo a substituição do quartzo granulado que é usado na 
limpeza de peças metálicas, em jato sob pressão, por granalha de aço, o que reduz de 
forma considerável o risco de silicoses (quando não se tratam de peças fundidas em areia, 
é bom frisar). 
De maneira análoga, foram substituídos os sais de mercúrio, usados no tratamento 
dos pelos de animais, na fabricação de chapéus de feltro, por uma mistura de água 
oxigenada e sulfato de sódio. 
 
3.7.1.2 MUDANÇA OU ALTERAÇÃO DO PROCESSO OU OPERAÇÃO 
Uma mudança de processos oferece em geral oportunidades para a melhoria das 
condições de trabalho. Naturalmente, a maioria das mudanças ou alterações é feita no 
sentido da redução de custos e aumento de produção, e só ocasionalmente favorecem o 
ambiente. Entretanto, deve o profissional de segurança saber tirar partido dessas 
mudanças, orientando-as de maneira a conseguir também os seus objetivos e lutando por 
alterações específicas que visem o ambiente de trabalho. Entre as operações, cujos riscos 
essas medidas eliminam ou reduzem significativamente, podemos citar as seguintes: 
• utilização de pintura por imersão ao invés de pintura a pistola; 
• processos úmidos no lugar de operações “a seco”, para o controle de suspensões 
de partículas; 
• mecanização e automatização de processos, como o ensacamento de pós e a 
mecanização do empastamento de placas de baterias. 
 
3.7.1.3 ENCERRAMENTO OU ENCLAUSURAMENTO DA OPERAÇÃO 
Esta medida, como se autoexplica através da designação, consiste no confinamento 
da operação, objetivando-se, assim, impedir a dispersão do contaminante por todo o 
ambiente de trabalho. Como exemplo, pode-se citar: as câmaras de jateamento abrasivo, 
e o manuseio de solventes altamente tóxicos. 
Quando o operador não está incluído no enclausuramento, e só tem acesso à 
operação através de aberturas especiais, temos as chamadas Glove Boxes (caixas com 
luvas). As caixas, que envolvem a operação, são de materiais transparentes ou dotados 
de visores, e as aberturas de manuseio “vestem” luvas impermeáveis no operador, isolando 
totalmente o processo. São exemplos: o esmerilhado e gravação de cristais, caixas de 
jateamento abrasivo, certos processos da indústria química. 
 
 
 
 Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
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3.7.1.4 SEGREGAÇÃO DA OPERAÇÃO OU PROCESSO 
 A segregação ou isolamento é particularmente útil para operações limitadas que 
requerem um número reduzido de trabalhadores, ou onde o controle por qualquer outro 
método é muito dificultoso. A tarefa é isolada do restante das operações e, portanto, a 
maioria dos trabalhadores não é exposta ao risco específico; aqueles que realmente estão 
envolvidos na operação receberão proteção individual especial e/ou coletiva, tornada 
economicamente viável pela própria ação de segregação. 
A segregação pode ser feita no espaço ou no tempo. Segregação no espaço 
significa isolar o processo à distância; segregação no tempo significa executar uma tarefa 
fora do horário normal, reduzindo igualmente o número de expostos. 
Exemplos: setores de jateamento de areia na indústria em geral e na construção 
naval (segregação no espaço); manutenção e reparos que envolvem altos riscos 
(segregação no tempo). 
 
3.7.1.5 VENTILAÇÃO GERAL DILUIDORA 
O propósito que se tem em vista, ao instalar-se um sistema de ventilação geral em 
um ambiente de trabalho, é o de rebaixar a concentração de contaminantes ambientais a 
níveis aceitáveis mediante a introdução de grandes volumes de ar, efetuando-se a diluição 
dos mesmos. Deve-se lembrar que não se recomenda o seu uso nos casos em que o 
contaminante é disperso próximo à zona respiratória do trabalhador, pois seu efeito é nulo 
do ponto de vista da Higiene Industrial. 
A renovação do ar pode-se dar positivamente (insuflamento) ou negativamente 
(exaustão) e a decisão deve basear-se na possibilidade de que haja escape de ar 
contaminado a outros recintos adjacentes. 
O volume de ar envolvido deve relacionar-se com o volume de contaminante gerado 
na unidade de tempo, e não como se costuma fazer na ventilação de conforto, no volume 
do recinto (trocas de ar por hora). Em geral aqueles volumes são bastante superiores,podendo causar estranheza a profissionais das áreas de ventilação e ar condicionado, 
normalmente não envolvido em higiene industrial. 
Do ponto de vista econômico, a ventilação geral apresenta o inconveniente de 
requerer volumes de ar muito altos, quando se trata de diluir contaminantes de alta 
toxicidade; assim, para diluirmos os vapores produzidos por um kg de benzeno a valores 
aceitáveis, são necessários milhares de m3 de ar; se o mesmo tivesse que ser feito para a 
nafta solvente, seriam necessárias apenas poucas centenas de m3 de ar. 
Outras aplicações da Ventilação Geral Diluidora, em Higiene Industrial, estão 
relacionadas principalmente com calor. 
 
3.7.1.6 VENTILAÇÃO LOCAL EXAUSTORA 
A ventilação local exaustora é dos sistemas mais eficazes para se prevenir a 
contaminação do ar na indústria. O princípio em que se baseia é o de capturar o 
contaminante no seu ponto de origem (ato contínuo à sua geração), antes que o mesmo 
atinja a zona respiratória do trabalhador, usando para isto, a menor quantidade de ar 
possível. O contaminante assim capturado é levado por tubulações ao exterior, ou ao 
sistema de coleta do contaminante. Um sistema de ventilação local exaustora compreende 
várias partes básicas. A primeira delas é a tomada de ar ou captor, que deve ter a forma 
 
 
 Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
40 
mais adequada de adaptação à máquina ou processo que gera o contaminante. Em geral 
se desconhecem características intrínsecas de sistemas de sucção, tais como a de que as 
Superfícies Isométricas de captura têm seu poder drasticamente reduzido ao afastar-nos 
da boca da tubulação. Assim, para uma boca cilíndrica, a uma distância da mesma igual 
ao seu diâmetro, a velocidade do ar ingressante é de apenas 7% da velocidade na boca. 
Do exposto se deduz que a tomada de ar deve estar tão acercada quanto possível da fonte 
de produção de contaminante. 
A parte seguinte do sistema compõe-se das tubulações ou condutos, através dos 
quais circula o ar aspirado. A velocidade do ar nos mesmos deve ser calculada de modo 
que o contaminante não se deposite no seu interior por sedimentação. 
Quando o contaminante é tóxico e a sua dispersão na atmosfera pode contaminar 
outras áreas de trabalho ou a vizinhança, ou, ainda, quando o mesmo possuir alto valor 
intrínseco, o sistema deve incluir um dispositivo de coleta, localizado num ponto do sistema 
antes que o ar evacuado seja lançado na atmosfera. Os sistemas existentes de uso mais 
generalizado são os ciclones, câmaras de sedimentação, filtro de mangas, precipitadores 
eletrostáticos, processos úmidos, lavadores, entre outros, e seu uso e escolha dependem 
de parâmetros como: granulometria do material, vazão a manipular, molhabilidade, 
toxicidade, explosividade, ação corrosiva do contaminante, etc. 
Outro elemento constituinte dos sistemas de ventilação é, obviamente, o ventilador, 
o qual é colocado em geral, mas não necessariamente, após o sistema coletor. A razão 
dessa forma de instalação, é que desse modo todo o sistema se encontrará em pressão 
negativa, evitando a fuga de ar contaminado ou semi-contaminado à atmosfera. Esse 
arranjo também é favorável, quando o contaminante tem ação erosiva ou corrosiva, o que 
poderia diminuir sensivelmente a vida útil do ventilador. 
Logo depois de instalados, os sistemas de ventilação devem ser verificados quanto 
à operação, observando-se as especificações de projeto, como, vazões, velocidades nos 
dutos, pressões negativas, entre outras. Os parâmetros de operação devem ser verificados 
periodicamente como medida usual de manutenção. 
 
3.7.1.7 MANUTENÇÃO 
Rigorosamente, não se pode considerar este como um método de prevenção no 
sentido estrito da palavra, mas constitui parte e complemento especialmente importante de 
qualquer dos anteriores, não só quando se trata dos equipamentos de controle de riscos 
ambientais, mas também de equipamentos e instalações em geral na empresa. 
É frequente, devido ao pouco conhecimento do industrial sobre seus problemas 
ambientais, que a ação das medidas adotadas se esterilize com o tempo, por falta de uma 
manutenção adequada. Programas e cronogramas de manutenção devem ser seguidos à 
risca, respeitando-se os prazos propostos pelos fabricantes e projetistas de equipamentos. 
 
3.7.1.8 ORDEM E LIMPEZA 
Boas condições de ordem e limpeza, e asseio geral ocupam uma posição chave num 
sistema de proteção ocupacional. Basicamente, é mais uma ferramenta a ser adicionada 
àquelas já listadas na prevenção de dispersão de contaminantes perigosos. 
O pó em bancadas, parapeitos, rodapés e chão, sedimentado nas horas calmas e ao 
longo do tempo, pode prontamente ser redispersado na atmosfera do recinto pelo trânsito 
 
 
 Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional. 
 
 
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de pessoas e equipamentos, vibrações e correntes aleatórias. O asseio é sempre 
importante; onde há materiais tóxicos, é primordial. A limpeza imediata de quaisquer 
derramamentos de produtos tóxicos é uma importante medida de controle. Um programa 
de limpeza periódica, usando-se aspiração à vácuo, seja por aspiradores industriais, seja 
por linhas de vácuo, é o único meio realmente efetivo, para se remover pó e partículas da 
área de trabalho. Nunca o pó deve ser soprado, com bicos de ar comprimido, para “efeito” 
de limpeza. Nos casos de pós de sílica, chumbo e compostos de mercúrio, estas são 
medidas essenciais. Igualmente, no uso, manuseio e estocagem de solventes, o asseio 
deve incluir limpeza imediata de respingos ou vazamentos, por pessoal que use 
equipamentos de proteção pessoal, e o material empregado, como panos, trapos, papel 
absorvente, devem ser dispostos em recipientes herméticos e removidos diariamente da 
planta. 
É impossível manter-se um programa efetivo de saúde ocupacional, sem assumir a 
constante preocupação com os aspectos totais de ordem e limpeza. 
 
3.7.2 MEDIDAS RELATIVAS AO PESSOAL 
3.7.2.1 EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL 
Os equipamentos de proteção individual (EPIs) devem ser sempre considerados 
como uma segunda linha de defesa, após criteriosas considerações sobre todas as 
possíveis medidas de controle relativas ao ambiente, que possam eventualmente ser 
tomadas e aplicadas prioritariamente. 
Entretanto, há situações especiais, como já foi notado, nas quais as medidas de 
controles ambientais são inaplicáveis total ou parcialmente; nesses casos, a única forma 
de proteger o pessoal será dotá-lo de equipamentos de proteção individual. 
O uso correto dos EPIs, por parte dos trabalhadores, assim como as limitações de 
proteção que eles oferecem, são aspectos que o pessoal deve conhecer através de 
treinamento específico, coordenado pelo Engenheiro de Segurança. 
 
3.7.2.2 EDUCAÇÃO E TREINAMENTO 
As ações de educação e treinamento, principalmente aquelas dirigidas à Segurança 
e Higiene do Trabalho, devem ter lugar sempre independentemente da utilização de outras 
medidas de controle, sendo na realidade importante complementação a qualquer uma. Tais 
ações, que devem ser conduzidas e coordenadas pelo Engenheiro de Segurança da 
empresa, devem incluir, entre outros itens, a conscientização do trabalhador, quanto aos 
riscos inerentes às operações, aos riscos ambientais, e às formas operacionais adequadas 
que garantam a efetividade das medidas de controle adotadas, além do treinamento em 
procedimentos de emergência, noções de primeiros socorros e medidas de urgência 
adequadas a cada ambiente de trabalho específico, que serão desenvolvidas com a 
participação do médico do trabalho. 
 
3.7.2.3 CONTROLE MÉDICO 
Exames médicos pré-admissionais e periódicos constituem medidas fundamentais, 
de caráter permanente e se situam entre as principais atividades dos serviços médicos de 
empresa. Os exames pré-admissionaisapresentam características importantíssimas de 
seleção ocupacional, podendo se comparar aspectos desejados e não desejados. De 
 
 
 Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional. 
 
 
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acordo com a função ou atividade específica do trabalhador na empresa, cotejam-se 
aspectos operacionais, de compleição, de habilidade e de destreza, de atenção e 
percepção, de susceptibilidade individual, alergênicos, etc., com os requerimentos e os 
fatores de risco de tais funções ou atividades. As características devem ser ditadas pelo 
médico, assessorado de dados técnicos específicos. 
Os exames médicos periódicos dos trabalhadores possibilitam, além de um controle 
de saúde geral do pessoal, a detecção de fatores que podem levar a uma doença 
profissional ou a uma doença do trabalho, assim como serão uma forma de avaliar a 
efetividade dos métodos de controle empregados. Outros exames importantes são aqueles 
necessários à mudança de função; ao retorno ao trabalho após tempo dilatado de 
afastamento e o exame demissional. 
 
3.7.2.4 LIMITAÇÃO DA EXPOSIÇÃO 
A redução dos períodos de trabalho torna-se importante medida de controle onde 
todas as outras medidas possíveis forem inefetivas, impraticáveis (técnica, física ou 
economicamente) ou insuficientes no controle de um agente, por não se lograr, desse 
modo, a eliminação ou redução do risco a níveis seguros. Assim, a limitação de exposição 
à condição perigosa, dentro de critérios técnicos bem definidos, pode tornar-se uma 
solução efetiva e econômica em muitos casos críticos. 
São exemplos típicos desse procedimento, o controle de exposições ao calor intenso, 
à pressões anormais, ao ruído e às radiações ionizantes. 
 
3.8 ENTIDADES E ASSOCIAÇÕES DA ÁREA 
Destacam-se as associações higienistas estrangeiras, como a ACGIH (American 
Conference of Governmental Industrial Hygienists) e a AIHA (American Industrial Hygiene 
Association), uma internacional, a IOHA (International Occupational Hygiene Association), 
que é uma associação de associações, e nacionalmente, a ABHO (Associação Brasileira 
de Higienistas Ocupacionais). 
As entidades a se destacar são o NIOSH (National Institute of Occupational Safety 
and Health) norte-americano, governamental, e seu homólogo nacional (conceitualmente 
falando), que é a Fundacentro (Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e 
Medicina do Trabalho). Também são especialmente importantes as entidades do Canadá, 
França e Espanha (neste último caso, pela maior facilidade quanto ao idioma). 
3.9 ATUAÇÃO DO HIGIENISTA OCUPACIONAL 
As diferentes oportunidades de atuação do higienista ocupacional podem ser 
enumeradas: 
• Nas empresas, exercendo a sua função básica e fundamental na Higiene 
Ocupacional, desenvolvendo programas de prevenção segundo normativas 
corporativas (quando existem), ou o PPRA da NR-9 (obrigação legal). O 
desenvolvimento de um programa de higiene ocupacional completo e adequado 
é tarefa técnica absorvente e exigirá dedicação exclusiva, muito estudo, e 
também empenho, criatividade e diplomacia na obtenção de apoio e recursos 
dentro da empresa; 
 
 
 Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
43 
• Em órgãos públicos e entidades da área, na pesquisa e desenvolvimento, como 
na Fundacentro, ou na área de Saúde, ou ainda nos órgãos de fiscalização como 
as Delegacias Regionais do Trabalho; 
• No assessoramento de entidades de classe, patronais ou de trabalhadores, em 
questões ocupacionais (sindicatos, federações ou confederações); 
• Na docência de temas ocupacionais ligados à higiene, na formação de 
profissionais ocupacionais (cursos abertos ou do sistema educacional formal); 
• Quando engenheiros de segurança ou médicos do trabalho, na área pericial 
ocupacional, gerando laudos e pareceres em questões judiciais trabalhistas ou 
providenciárias (laudos de insalubridade). 
 
3.10 O HIGIENISTA E AS QUESTÕES TÉCNICO-LEGAIS 
Quadro 3.4. Insira aqui as Questões Técnico – Legais do Higienista 
 
O profissional ocupacional estará, mais que muitos outros técnicos, atuando num 
contexto técnico-legal. Os dois grandes ambientes inter-relacionados, mas não 
necessariamente coerentes do ponto de vista das determinações e critérios são o 
trabalhista e o previdenciário. As ações adequadas do ponto de vista técnico sempre 
serão subsídios ao atendimento legal, mas, ao contrário, o simples atendimento legal 
não implica necessariamente numa adequação total da ação técnica de prevenção e 
controle das exposições ocupacionais. A lei, é claro, pede o mínimo, mas nem sempre 
o suficiente, e muitas vezes não foca as causas ou privilegia a prevenção. É bom 
lembrar. 
 
 
 
 
 
3.11 A HIGIENE OCUPACIONAL, SUAS “ÁREAS DE CONCENTRAÇÃO” E AS 
FORMAÇÕES PROFISSIONAIS 
Esta questão pode ser colocada sob vários ângulos ou formas de subdivisão de 
atuação: 
• A higiene de campo, ou tudo o que significa o reconhecimento e a avaliação da 
exposição ocupacional, ou seja, o domínio de equipamentos de campo e as 
metodologias de amostragem; 
• A higiene analítica, ou seja, o trabalho de química analítica associado ao 
condicionamento e análise de amostras de campo. São várias as técnicas e 
equipamentos necessários dado à multiplicidade de substâncias puras, 
 
 
 Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
44 
compostos e produtos a serem analisados. Desde a simples gravimetria 
(pesagem) até o uso de cromatografia gasosa e líquida, espectrofotometria, 
plasmas acoplados, difratometria de raios X, serão necessários, com aplicação 
específica em higiene ocupacional. As metodologias para isso são em sua 
maioria conhecidas e na área é importante o trabalho do NIOSH norte-americano, 
que as padronizou. Muitas vezes, é necessário desenvolver novas metodologias 
analíticas, quando não há uma referência anterior para um dado agente; 
• A higiene do controle, que é frequentemente a ação direta de tecnologia de 
engenharia, na ventilação industrial, nas alterações de processos, na criação de 
dispositivos que reduzam a exposição aos agentes ambientais. Especialmente 
importante é a ação de controle de ruído, que requer especialidade em 
engenharia mecânica e acústica aplicada; 
• Além disso, a Higiene é suficientemente ampla para requerer dedicação e 
especialidades profissionais diferenciadas quanto aos distintos agentes 
ambientais: 
o Os agentes físicos estarão mais bem compreendidos e gerenciados pelos 
profissionais da engenharia e da física; somente a área de radiações 
ionizantes, por exemplo, requer aprofundamento e qualificação própria 
(normatizados pela CNEN); as radiações não ionizantes representam um 
campo vasto que requer conhecimentos de eletromagnetismo, campos e 
conceitos afins; o ruído e as vibrações terão na física e na engenharia 
mecânica melhor suporte e compreensão; 
o Os agentes químicos, por sua vez, eram melhor compreendidos e 
gerenciados (antecipação, reconhecimento, avaliação e controle) por 
químicos e engenheiros químicos. 
É claro que não se exclui que outros profissionais venham a atuar com eficiência e 
eficácia nos temas comentados, superando as deficiências de suas formações básicas com 
estudo e inteligência; todavia, na hora de atuar haverá uma natural aproximação de cada 
um com os temas de maior facilidade de familiaridade. 
Por fim, mas não por último, é fundamental lembrar de toda a área de interface que 
existe entre a higiene e os efeitos à saúde dos expostos (afinal, a higiene ocupacional é a 
ação abrangente sobre a situação de trabalho, para a prevenção da doença ocupacional). 
Estes higienistas especiais, capazes de dialogar com as questões biológicas, serão os 
toxicologistas, farmacêuticos, bioquímicos, biólogos e médicos. 
Tudo paralembrar que, se a disciplina nasceu e se desenvolveu requerendo recursos 
multiprofissionais e especialidades, é natural que essas especificidades se reflitam na 
atuação dos higienistas. Eles deverão ser generalistas e capazes de assumir a lida 
cotidiana das questões básicas, mas deverão ter a humildade e a percepção para buscar 
especialidades quando requeridas (especialmente no controle dos riscos). 
 
 
 
 
 Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
45 
3.12 TEXTO COMPLEMENTAR* 
 
O QUE É HIGIENE OCUPACIONAL? 
 
Esta ciência trata da saúde do trabalhador e utiliza estratégias para avaliação da 
exposição a contaminantes atmosféricos que oferecem riscos ocupacionais. Sendo assim 
tão específica, os higienistas não deveriam, por exemplo, objetivar unicamente a 
caracterização de insalubridade ou o estabelecimento de benefícios sociais. Estes são 
detalhes legais necessários, mas não específicos da higiene. 
O método de trabalho ocupacional inclui as seguintes etapas: antecipação do risco, 
a identificação de riscos potenciais antes que venham a tornar-se um risco real; 
identificação do risco, com estabelecimento da relação dose-resposta; avaliação da 
exposição com caracterização do risco; e controle dos mesmos, com implantação de 
mecanismos corretivos ou prevencionistas. 
É preciso considerar que o progresso gerado pelo trabalho nem sempre precisa estar 
associado com prejuízo para a saúde do trabalhador, pois os riscos ocupacionais podem 
e devem ser controlados pela atividade do higienista ocupacional, quase sempre através 
da implantação de programas prevencionistas de natureza multidisciplinar. 
Portanto, a importância do higienista ultrapassa os limites do ambiente de trabalho, 
sendo que suas ações reduzem impactos ao meio ambiente em geral. 
O ideal seria que houvesse antecipação dos riscos, como objetivo de identificar as 
fontes dos mesmos, a fim de evitá-los antes que os locais de trabalho fossem construídos, 
os equipamentos instalados e os processos operacionais planejados. Porém, como não 
vivemos em um mundo ideal, os riscos existem. A identificação dos mesmos é etapa 
fundamental da metodologia de trabalho, e compreende o reconhecimento de riscos de 
natureza física, química ou biológica. Em alguns casos, existem “riscos escondidos”, que 
também devem ser criteriosamente investigados. 
O reconhecimento dos riscos requer, pelo menos, dois tipos básicos de ação: a coleta 
de informações e a visita ao local de trabalho, embora nem sempre o conhecimento dos 
efeitos nocivos de um agente de risco seja suficiente para o estabelecimento de ações 
posteriores. Por exemplo: “tóxico” nem sempre oferece risco, cujo grau depende das 
condições da exposição, como o tipo de equipamento, a fonte dos contaminantes, o 
estabelecimento dos valores máximos de concentração, as propriedades dos materiais, a 
descrição das tarefas dos trabalhadores expostos, o tempo e a tipologia da exposição, etc. 
Já a avaliação da exposição determina se a ação preventiva é necessária, se as 
medidas de controle são eficientes, se certo agente causa risco e qual a dose realmente 
recebida pelo trabalhador. As principais propriedades a serem avaliadas dependem, como 
já visto, do tipo de agente, como a sua capacidade toxicológica e as suas características 
físico-químicas. 
O grau de exposição é determinado a partir da concentração do agente no ar, da 
duração da exposição e da possibilidade de entrada no organismo (via respiratória, pele, 
ingestão). 
 
* O artigo de Berenice Goelzer, “Estratégia para avaliação da exposição ocupacional a contaminantes 
atmosféricos nos ambientes de trabalho” – Programa de Saúde Ocupacional Organização Mundial de Saúde 
adaptado para a ABHO e revisado por José Manoel Osvaldo Gana Soto. 
 
 
 Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
46 
Reconhecido o agente prejudicial, e avaliado o grau de exposição, é necessário 
interpretar os resultados com base em normas ou regulamentos adotados, como os “limites 
de exposição ocupacional”, também denominados “limites de tolerância” ou 
“concentrações máximas permitidas”. 
Os limites de exposição ocupacional podem ser expressos por “concentração média 
ponderada em função do tempo” (muitas vezes inadequado) ou por “limites para 
exposições curtas”. Quinze minutos de exposição podem ser fatais, pelo risco oferecido 
por um determinado agente, e insignificante para outro tipo de agente. Mas a concentração 
de teto é um limite que não deve ser ultrapassado nunca. A estratégia de amostragem é 
pouco fundamental para que se obtenha resultado adequado de análise (cf. artigo “Como 
escolher laboratório de higiene ocupacional”, publicado no ABHO Atualidades Julho-
Agosto 2000) 
O controle de riscos depende, portanto, do trabalho multidisciplinar, incluindo as 
medidas ambientais de engenharia. Uma medida de engenharia pode alterar 
permanentemente o ambiente de trabalho, a maquinaria e os equipamentos, que devem 
ser adequados na qualidade e na quantidade. 
A referência ao trabalho multidisciplinar é justificada pelo fato de haver necessidade 
de trabalho de equipe integrado. Pelo menos 20 especialidades são indicadas pela ACGIH. 
Além do método de trabalho adotado pelo higienista, a manutenção da saúde do 
trabalhador requer outras medidas, partes integrantes das estratégias de controle, e que 
incluem medidas administrativas, como limitação do tempo de exposição a agentes de alto 
risco, rotação de trabalhadores, educação ambiental de EPIs, sendo que estes são a última 
opção para o controle. 
Monitoração ambiental também é estratégia de controle, assim como exames 
médicos periódicos, planejamento de descarte de resíduos industriais, etc. 
É certo que a multiplicidade dos fatores de risco exige planejamento minucioso da 
atuação da “equipe de higiene ocupacional”, pois atividades isoladas (ex.: avaliação de um 
contaminante atmosférico ou um projeto para ventilação industrial) são um lado de ação, 
mas é preciso considerar os múltiplos aspectos que envolvem a saúde de uma coletividade. 
 
HIGIENE OCUPACIONAL, INDUSTRIAL OU DO TRABALHO? 
 
Os termos acima coexistem, havendo alguma dificuldade para o estabelecimento de 
adequada denominação. Observe: 
Higiene Industrial pode ser definida como a que “visa antecipar e reconhecer 
situações potencialmente perigosas e aplicar medidas de controle de engenharia, antes 
que agressões sérias à saúde do trabalhador sejam observadas” (Frank Patty, 1948). 
Também pode ser definida segundo critérios da ACGIH, como “a ciência e a arte devotada 
ao reconhecimento, avaliação e controle dos fatores ambientais e estresse originados do 
ou no local de trabalho, que podem causar doença, comprometimento à saúde e bem-
estar, ou significante desconforto e ineficiência entre os trabalhadores, ou membros de 
uma comunidade”. 
A denominação Higiene Industrial recebe influência de autores americanos, enquanto 
que Higiene do Trabalho tem sido menos usual. Para a Língua Portuguesa, Higiene 
Ocupacional tem sido a denominação mais adequada, e também aceita pela OMS - 
Organização Mundial de Saúde. 
 
 
 Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
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3.13 TESTES 
1. O texto sobre a conceituação e evolução da higiene ocupacional, de Vernon Rose, expõe 
que: 
a) A ação da higiene está baseada no reconhecimento da doença associada ao trabalho e 
ao acionamento do médico. 
b) A ação da higiene reside numa alteração deliberada do ambiente de trabalho visando a 
prevenção da doença. 
c) A ação da higiene reside no tratamento das doenças do trabalho e de saúde pública. 
d) N.d.a. 
Feedback: item 3.1.1. 
 
2. Assinale abaixo quais as afirmaçõessão consistentes com o conceito de limite de 
exposição (mais de uma alternativa pode ser correta): 
a) É um valor que assegura a inexistência de efeitos nocivos à saúde. 
b) É um valor que protege a maioria dos expostos. 
c) É um valor que protege de todos os efeitos causados por um agente ambiental. 
d) É um valor absoluto e imutável. 
e) É um valor para exposições repetitivas e cotidianas. Não se aplica às exposições 
eventuais ou não frequentes (uma vez por ano, ou a cada 2 meses). 
f) Há pessoas que podem não estar protegidas mesmo abaixo do LE. 
g) Há efeitos que não podem ser evitados por um LE. 
h) É um valor também aplicável para as populações não ocupacionais (comunidade). 
i) É um valor aplicável para pessoas dos 18 aos 65 anos. 
Feedback: item 3.5.1. 
 
3. Qual o conceito correto do Limite de Tolerância / Limite de Exposição? 
a) Um valor abaixo do qual não haverá doenças. 
b) Um valor abaixo do qual há razoável segurança contra o desencadeamento das doenças 
causadas por um agente ambiental. 
c) Um valor abaixo do qual 20% dos trabalhadores não terá doenças. 
d) Um valor abaixo do qual a maioria dos trabalhadores possa estar exposta, 
repetidamente, dia após dia, sem sofrer efeitos adversos à saúde. 
e) Um valor abaixo do qual 50% dos trabalhadores não terá doenças. 
Feedback: item 3.5.1. 
 
4. Qual alternativa não se aplica às Medidas de Controle relativas ao Ambiente? 
a) Ventilação Geral Diluidora. 
b) Manutenção. 
c) Substituição do Produto Tóxico ou Nocivo. 
d) Encerramento ou Enclausuramento da Operação. 
e) Controle Médico. 
Feedback: item 3.7.1. Controle médico é uma medida relativa ao pessoal. 
 
 
 
 Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional. 
 
 
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48 
5. Qual alternativa não se aplica às Medidas de Controle relativas ao Pessoal? 
a) Limitação de Exposição. 
b) Ordem e Limpeza. 
c) Equipamento de Proteção Individual. 
d) Educação e Treinamento. 
e) Controle Médico. 
Feedback: item 3.7.2. Ordem e limpeza é uma medida relativa ao ambiente. 
 
6. Qual dessas instituições não é uma entidade norte-americana? 
a) ACGIH. 
b) AIHA. 
c) NIOSH. 
d) ABHO. 
e) MSHA. 
▪ MSHA: Mine Safety and Health Administration. 
 
7. Qual das alternativas abaixo não faz parte da área de atuação do Higienista 
Ocupacional? 
a) Tratamento de doenças ocupacionais. 
b) Em empresas, desenvolvendo programas de prevenção. 
c) Assessoramento de entidades de classe, patronais ou de trabalhadores, em questões 
ocupacionais. 
d) Docência de temas ocupacionais ligados à higiene e na formação de profissionais 
ocupacionais. 
e)Em empresas, desenvolvendo programas de prevenção segundo normativas 
corporativas. 
Feedback: item 3.9. 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
49 
 
 
CAPÍTULO 4. O CORPO HUMANO 
 
 
OBJETIVOS DO ESTUDO 
 
A fim de se compreender os efeitos de substâncias potencialmente perigosas faz-se 
necessário um conhecimento básico do funcionamento do corpo humano. 
Este capítulo abordará de modo sucinto a fisiologia humana e os modos pelos quais 
o corpo humano pode ser afetado por substâncias (agentes químicos) e agentes físicos. 
Serão discutidos riscos à saúde nos locais de trabalho e as doenças que podem causar. 
Estas serão analisadas com maior detalhe em outros capítulos. 
 
Ao terminar este capítulo você deverá estar apto a: 
• Descrever os três principais sistemas do corpo que podem ser afetados por 
substâncias potencialmente perigosas: rotas de entrada, sistemas internos e 
rotas de saída; 
• Reconhecer as formas pelas quais substâncias tóxicas podem estar sendo 
liberadas nos locais de trabalho; 
• Explicar os quatro principais modos pelos quais agentes físicos e químicos podem 
penetrar ou atuar sobre o corpo humano; 
• Descrever como materiais perigosos interferem com os sistemas internos do 
corpo e podem causar danos; 
• Explicar como o sistema de defesa do corpo age ao contra-atacar as substâncias 
tóxicas; 
• Definir as seguintes siglas em português LT e LTmap, e em inglês, TLV-TWA, 
TLV-STEL e TLV-C; e 
• Distinguir os dois tipos principais de curva dose-resposta e sua influência na 
determinação das concentrações aceitáveis. 
Nota: O conteúdo deste capítulo foi extraído do livro a ser publicado pelo professor 
Sérgio Médici de Eston. 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
50 
4.1 A CIÊNCIA DO CORPO HUMANO 
Substâncias ou compostos químicos, existentes no local de trabalho, os quais podem 
gerar doenças no corpo humano, nos seguintes locais: 
• nas células localizadas em qualquer parte do corpo; 
• nas rotas de entrada - na inalação (pulmões), na absorção (pele) e na ingestão 
(intestinos); 
• nos sistemas internos - circulatório, nervoso central e reprodutivo; 
• nas rotas de saída - no fígado, nos rins e na bexiga. 
 
4.1.1 A CÉLULA 
A célula é o tijolo fundamental da vida. É uma pequena estrutura, em geral com 
diâmetro inferior a 25 m, e, portanto muito pequena para ser vista pelo olho humano. 
Formas muito simples de vida, como amebas e bactérias, são compostas de uma única 
célula. Todavia o corpo é formado por trilhões de células, cada qual especializada em uma 
função particular. 
 
Quadro 4.1. 
 
As células sanguíneas denominadas de glóbulos vermelhos transportam oxigênio 
enquanto que as denominadas de glóbulos brancos produzem anticorpos que auxiliam 
na defesa contra infecções. As células nervosas geram e conduzem impulsos elétricos 
que controlam nossos movimentos e pensamentos. As células hepáticas (do fígado) 
contêm enzimas que podem remover ou desintoxicar os venenos de certas substâncias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cada órgão ou tecido do corpo humano é constituído de bilhões de células de um 
tipo similar, sendo cada célula uma estrutura viva que se reproduz por subdivisão. Assim, 
cada célula deve ser capaz de receber nutrientes, e convertê-los em uma forma mais 
utilizável. 
Apesar de as células serem especializadas para efetuar uma ampla variedade de 
funções do corpo, a estrutura básica é similar para todas elas. A figura 4.1. ilustra as 3 
partes principais que são: 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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51 
• o núcleo - composto do material genético denominado DNA; 
• o citoplasma - contendo estruturas específicas que dão a cada célula suas 
características particulares; 
• a membrana - que regula a entrada de compostos e nutrientes do sangue e a 
eliminação de produtos indesejáveis. 
 
 
Figura 4.1. As 3 principais partes de uma célula. 
 
4.1.2 ROTAS DE ENTRADA 
Existem quatro rotas de entrada no corpo humano para as substâncias tóxicas. Estas 
rotas são as seguintes: 
• inalação - através do processo de respiração; 
• absorção - através da pele; 
• ingestão - através da boca, ao se inserir sólidos ou líquidos; 
• injeção. 
4.1.2.1 INALAÇÃO 
A inalação é uma das formas mais comuns pelas quais substâncias perigosas entram 
no corpo humano e os problemas de poluição atmosférica colocaram em evidência a 
necessidade de se ter mais informações básicas sobre os pulmões. 
De acordo com a figura 4.2, os pulmões podem ser divididos nas seguintes áreas 
principais: 
• sistema respiratório; 
• estrutura e tecidos conectivos; 
• macrófagos alveolares. 
 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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52 
 
Figura 4.2. Componentes do pulmão. 
O sistema respiratório de um adulto sentado e ao final de uma serena expiração ainda 
contém cerca de 3 a 4 litros de ar. O gás está distribuído entre as vias e os alvéolos, e 
nestes últimos é onde ocorre a troca gasosa com o sangue. Em volume, cerca de 95% 
deste gás está contido nos alvéolos. 
As vias respiratórias podempor sua vez serem subdivididas nas partes superior e 
inferior. O trato respiratório superior engloba o nariz, os sinus paranasais, a boca, a faringe 
e a laringe. Eles desempenham três importantes funções: 
• fazer com que o ar inspirado tenha uma temperatura próxima à do corpo humano 
(~37°C), seja aquecendo-o ou resfriando-o; 
• fazer com que a umidade do ar inspirado chegue próximo à saturação; 
• remover algumas das partículas suspensas e alguns dos gases contaminantes 
existentes. 
O desenho das vias do trato inferior permite que o ar inspirado seja distribuído aos 
alvéolos de modo homogêneo e a um baixo custo energético. Iniciando-se na bifurcação 
da traqueia, estas vias se subdividem dicotomicamente. Os pulmões humanos podem 
conter até 17 subdivisões de vias puramente condutivas, as menores sendo conhecidas 
como bronquíolos terminais. A partir dos bronquíolos terminais existem várias gerações de 
vias de transição, denominadas de bronquíolos respiratórios, ou seja, vias em cujas 
paredes existem alvéolos. 
Estima-se que existam centenas de milhões de alvéolos num pulmão adulto, 
configurando uma superfície de troca por difusão com cerca de 70 m2. O caminho 
atravessado pelo oxigênio (O2) e pelo gás carbônico (CO2) é extremamente curto, pois da 
fase gasosa alveolar até a molécula de hemoglobina, a distância varia de menos de 1 
micrômetro até cerca de 4 micrômetros. Esta distância é percorrida em cerca de 0,3 
segundos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
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Quadro 4.2. 
 
O símbolo m surgirá frequentemente neste texto e se refere a um micrômetro. O 
símbolo  é um prefixo associado neste caso ao símbolo m (de metro). 
 
 
 
 
Os mais comuns prefixos do sistema internacional de unidades estão na tabela 4.1. 
Tabela 4.1. Prefixos do sistema internacional de unidades 
Fator de multiplicação Prefixo Símbolo 
1 000 000 000 = 109 Giga G 
1 000 000 = 106 Mega M 
1 000 = 103 Kilo k 
0,001 = 10-3 Mili m 
0,000 001 = 10-6 micro  
0,000 000 001 = 10-9 nano n 
0,000 000 000 001 = 10-12 Pico p 
O comprimento de onda da luz verde é de 555 nm (nanômetros) e a unidade de 
radiação é pCi (picoCurie). Notemos que se deve usar um espaço para separar termos de 
dígitos e que 1 litro equivale exatamente a 1 000 cm3 (1L = 1 000 cm3). 
A região do sistema respiratório que poderá ser afetada por gases ou partículas 
poluidoras depende de vários fatores, tais como: 
• concentração do contaminante; 
• propriedades físicas e químicas do contaminante; 
• padrão de respiração (lenta ou rápida, pela boca ou nariz); 
• presença ou não de doença pulmonar. Num pulmão doente as anormalidades 
funcionais e estruturais tendem a estar distribuídas de modo não homogêneo e, 
portanto, a exposição deste pulmão tende também a ocorrer de uma forma 
heterogênea. 
O pulmão é uma estrutura elástica e dois fatores contribuem para este 
comportamento elástico: 
a. forças de superfície que atuam nas interfaces ar-líquido dos alvéolos; 
b. forças elásticas decorrentes da presença de 3 proteínas fibrosas - colágeno, 
elastina e reticulina - sendo o colágeno a proteína mais abundante. 
Os macrófagos alveolares são como “absorvedores móveis” que limpam os alvéolos 
de partículas insolúveis. As principais funções dos macrófagos são a fagocitose e a 
digestão, sendo esta última efetuada com o auxílio de um complexo sistema de enzimas 
que ficam armazenadas em cápsulas membranosas dentro do citoplasma celular. 
Uma partícula que se deposite num alvéolo será removida num período curto de 
tempo por fagocitose. O meio-tempo de remoção da maioria das partículas que são 
retiradas é de cerca de 24 horas. Para as partículas que penetram as paredes alveolares, 
o tempo de remoção aumenta bastante e varia entre 90 e 360 dias. A persistência de 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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partículas no pulmão pode decorrer de seu aprisionamento em tecido inflamado ou 
remoção através dos sistemas linfático e circulatório. Qualquer demora de remoção implica 
em maior potencial de dano para os pulmões. 
 
4.1.2.2 ABSORÇÃO 
A absorção através da pele é outra forma comum de entrada de substâncias tóxicas. 
A pele pode ser considerada o maior órgão do corpo e sua extensa superfície pode entrar 
em contato direto com substâncias nocivas. 
A pele protege os órgãos internos do ambiente externo, sendo sua camada exterior 
composta de células mortas e endurecidas que são resistentes aos contatos do dia a dia. 
Ela contém múltiplas estruturas que participam ativamente de uma série de mecanismos 
do corpo, tais como: 
• glândulas sudoríparas, que ajudam a resfriar o corpo quando o ambiente é muito 
quente; 
• glândulas sebáceas, que produzem óleos que repelem a água; 
• uma rede de vasos capilares sanguíneos que tem papel chave no controle da 
temperatura corporal. Estes capilares se expandem no calor, ajudando na perda 
por radiação pelo ar, contraindo-se no frio de modo a conservar calor no corpo; 
• uma camada protetora de óleos e proteínas que ajudam a impedir ou diminuir a 
penetração de substâncias prejudiciais. Certos solventes usados na fabricação 
de tintas podem facilmente penetrar na pele, atingir a corrente sanguínea e 
alcançar outros órgãos. Evitando-se estes solventes, a superfície da pele pode 
ser considerada como praticamente impermeável. 
Assim a pele é um eficiente meio de proteção contra batidas (trauma), secagem, 
bactérias, penetração de água, luz ultravioleta, substâncias nocivas, etc. Se a pele é 
penetrada, as células brancas do sangue têm a capacidade de envolver bactérias e as 
destruir. Após a penetração de um antígeno no organismo o sistema imunológico reage 
produzindo anticorpos para neutralizar o efeito. 
 
4.1.2.3 INGESTÃO 
Uma terceira e importante via de entrada de substâncias tóxicas ocorre através da 
boca e do trato digestivo. O trato digestivo é um tubo contínuo que se inicia na boca e 
termina no ânus, como ilustrado na figura 4.3. 
 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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Figura 4.3. Trato digestivo. 
 
Os órgãos do sistema digestivo permitem os processos de ingestão, digestão e 
absorção da comida. A maior parte da digestão e da absorção de comida e água ocorre no 
intestino delgado, enquanto que o intestino grosso em geral absorve vitaminas e sais. 
 
4.1.2.4 INJEÇÃO 
Substâncias nocivas podem penetrar no corpo humano através de injeção. Por 
exemplo, trabalhadores de hospitais operando com seringas contaminadas podem 
acidentalmente injetar vírus em seu próprio corpo. 
O processo de imunização envolve a deliberada injeção de antígenos no corpo, de 
modo que o sistema imunológico reaja produzindo anticorpos que neutralizem a invasão e 
protejam o organismo da suscetibilidade de uma futura invasão pelo mesmo agente. 
 
4.1.3 SISTEMAS INTERNOS 
4.1.3.1 SISTEMA CIRCULATÓRIO 
O sistema circulatório em geral não está em contato direto com materiais nocivos 
como estão a pele, os pulmões e o sistema digestivo. Todavia, após uma substância 
prejudicial ter atingido a corrente sanguínea, ela pode ser transportada a qualquer parte do 
corpo. 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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O centro do sistema circulatório é o coração. Ele bombeia sangue através de uma 
extensa rede de vasos sanguíneos, os quais se ramificam como uma árvore e são cada 
vez menores. Os vasos sanguíneos se ramificam com tal densidade que não existe célula 
no corpo que esteja a mais do que alguns milímetros de algum vaso ou capilar. A figura 
4.4. ilustra o sistema circulatório. 
 
 
Figura 4.4. Sistema circulatório. 
 
4.1.3.2 SISTEMA NERVOSO 
Para nos mantermos vivos precisamos respirar continuamente,o coração precisa 
bombear sem parar e todos os demais órgãos precisam funcionar. Além disso, nós 
pensamos e respondemos a estímulos emocionais. Todas estas funções, executadas pelo 
cérebro e pelo corpo, são controladas pelo sistema nervoso. 
Este sistema pode também ser afetado por compostos químicos e estas ações 
reflexas e automáticas podem sofrer interferências. O sistema nervoso central é bastante 
complexo e como o próprio nome diz é o centro de controle. A espinha interliga o cérebro 
ao sistema nervoso e uma parte deste, que se estende às zonas mais externas, é chamada 
de sistema nervoso periférico. 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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Quadro 4.3. 
 
Os metais mercúrio e chumbo podem afetar o sistema nervoso e causar uma 
ampla gama de problemas que vão desde alterações incontroláveis de humor até a 
morte. Outros compostos químicos são produzidos naturalmente pelo corpo e não têm 
origem numa fonte externa. A fadiga muscular deriva da produção de ácido láctico. 
 
 
 
 
 
 
4.1.3.3 SISTEMA REPRODUTIVO 
O sistema reprodutivo no homem e na mulher são respectivamente, os testículos e 
os ovários. Estes órgãos produzem as células que permitem nossa reprodução e devido 
às suas funções ativas e altamente especializada, são particularmente sensíveis a doenças 
e danos causados por substâncias nocivas. 
 
4.1.4 ROTAS DE SAÍDA 
Alguns órgãos têm a capacidade de desintoxicar o corpo de certos compostos e os 
expelir. Todavia, seu funcionamento pode ser prejudicado por substâncias existentes em 
quantidades excessivas no local de trabalho. 
 
4.1.4.1 O FÍGADO 
O fígado pode ser considerado a fábrica química do corpo. Suas células contêm 
enzimas que podem converter certas substâncias tóxicas em formas e compostos mais 
fáceis de serem manipulados pelo corpo. 
 
4.1.4.2 OS RINS 
Os rins agem como uma espécie de filtro para todas as substâncias do sangue. Estão 
localizados nas costas, logo abaixo da cavidade torácica. Cada um tem cerca de 12 cm de 
comprimento por 5 cm de largura, com mais de um milhão de pequenos filtros. Cada filtro 
limpa o sangue, removendo um grupo de impurezas que são depositadas na urina. A urina 
passa então, por pequenos dutos chamados de túbulos que compõem o sistema tubular 
renal. Neste sistema são monitorados o nível de ácido e a quantidade de água no corpo, 
deixando-os em equilíbrio. Dos túbulos, a urina passa pelo ureter e deste à bexiga, a qual 
controla a sua saída do corpo. A figura 4.5. ilustra os rins, a uretra e a bexiga. 
 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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Figura 4.5. Os rins, que compõem um sofisticado 
sistema de disposição de rejeitos. 
 
URETER 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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4.2 TESTES (1) 
1. Dentre os mecanismos de defesa disponíveis para o corpo humano, para que ele possa 
impedir a sua destruição pelo ambiente tem-se: 
a) Pele. 
b) Corpúsculos brancos do sangue. 
c) Anticorpos. 
d) Secreções sebáceas. 
e) Todas as alternativas. 
Feedback: Quadro 4.1 e item 4.1.2.2. 
 
2. As trocas de gás carbônico e oxigênio, no sistema respiratório, ocorrem: 
a) Nos brônquios. 
b) Nos bronquíolos. 
c) Nos alvéolos. 
d) No segmento brônquio-pulmonar. 
e) Nas células de poeira muito fina. 
Feedback: item 4.1.2.1. “Estima-se que existam centenas de milhões de alvéolos num 
pulmão adulto, configurando uma superfície de troca por difusão...”. 
 
3. Exercícios vigorosos causarão a fadiga muscular que decorre primordialmente de: 
a) Uso e falta de ATP. 
b) Acumulação de ADP. 
c) Acumulação de dióxido de carbono. 
d) Acumulação de ácido láctico. 
e) Um desequilíbrio entre sódio e potássio. 
Feedback: Quadro 4.3. 
 
4. Uma célula tem um diâmetro de 0,025 mm. Seu diâmetro em micrômetros é: 
a) 2,5. 
b) 25. 
c) 250. 
d) 25 000. 
e) N.d.a. 
Feedback: 1 mm = 1000 micrômetros → 0,025mm x 1000 = 25 micrômetros. 
 
5. Uma célula tem um diâmetro de 0,025 mm. Seu diâmetro em nanômetros é: 
a) 2,5. 
b) 25. 
c) 250. 
d) 25 000. 
e) N.d.a. 
Feedback: 1 mm = 1.000.000 nanômetros  0,025 mm * 1.000.000 = 25.000 
nanômetros. 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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6. Durante a obtenção de uma amostra de contaminante do ar foi utilizada uma bomba 
aspiradora operando durante 8 horas com uma vazão de 2 litros por minuto. O volume da 
amostra é de: 
a) 0,096 m3. 
b) 0,96 m3. 
c) 9,6 m3. 
d) 96 m3. 
e) N.d.a. 
Feedback: 2 litros / min * 60 min / hora = 120 litros / hora * 8 horas = 960 litros 
1 m3 = 1000 litros → 960 litros = 0,96 m3 
7. Um solvente se evaporou numa sala, gerando 51,3 litros de vapor. A sala tem dimensões 
de 12 x 10 x 8 m3. Assumindo que não tenham ocorrido alterações do ar da sala, a 
concentração do contaminante na sala em partes por milhão é mais próxima de: 
a) 1. 
b) 5. 
c) 50. 
d) 100. 
e) 500. 
Feedback: 12 x 10 x 8 = 960 m3 = 960.000 litros 
Concentração em ppm = 51,3 / 960.000 * 1.000.000 = 53,44 ppm 
8. Um laboratório emite um relatório indicando uma concentração de contaminante de 95 
microgramas por litro (95 g/L). Isto é equivalente a: 
a) 9,5 mg/ m3. 
b) 95 mg/ m3. 
c) 0,95 mg/ m3. 
d) 950 mg/ m3. 
e) 9500 mg/ m3. 
Feedback: 1 micrograma = 0,001 mg → 1000 litros = 1 m3 
95 microgramas por litro = 0,095 mg / litro = 95 mg/m3 
9. Chips de silício têm sido desenvolvidos para serem implantados no corpo humano e 
liberarem quantidades pequenas de medicamentos nos horários corretos. Por exemplo, 
num chip do tamanho de uma moeda de 10 centavos, podem existir 34 reservatórios de 25 
nL (nanolitros), cada um podendo conter sólidos, líquidos ou gel. Um nanolitro corresponde 
a: 
a) 10-5 mm3. 
b) 10-3 cm3. 
c) 10-6 mm3. 
d) 10-9 m3. 
e) 10-3 mm3. 
Feedback: 1 nanolitro = 10-9 litros 
 
10-9 litros = 10-3 * 10-6 litros = 10-3 mm3 
10. Qual dessas afirmações é incorreta com relação ao Sistema Respiratório Humano? 
a) Após uma expiração, o sistema respiratório ainda contém cerca de 3 a 4 litros de ar. 
b) O trato respiratório superior é responsável por fazer com que a umidade do ar inspirado 
chegue próximo à saturação. 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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c) Os brônquios, bronquíolos e alvéolos são componentes do pulmão. 
d) Cerca de 95% do gás está distribuído entre as vias respiratórias. 
e) O desenho das vias do trato inferior permite que o ar inspirado seja distribuído aos 
alvéolos de modo homogêneo e a um baixo custo energético. 
Feedback: item 4.1.2.1: “Em volume, cerca de 95% deste gás está contido nos 
alvéolos”. 
11. Considere as informações abaixo sobre a pele: 
I – A pele é um eficiente meio de proteção apenas contra penetração de água e batidas 
(trauma); 
II – Contêm múltiplas estruturas, como glândulas sudoríparas e sebáceas; 
III – A absorção pela pele não é uma forma comum de entrada de substâncias tóxicas; 
IV – Possui uma camada protetora de óleos e proteínas que ajudam a impedir ou diminuir 
a penetração de substâncias prejudiciais. 
 
Qual a opção correta? 
a) Apenas II e IV são verdadeiras. 
b) Apenas I e III são verdadeiras. 
c) Apenas I é verdadeira. 
d) Apenas I e IV são verdadeiras. 
e) Todas as afirmações são verdadeiras. 
Feedback: item 4.1.2.2. 
 
12. Com relação ao sistema circulatório, indique qual a alternativa correta: 
a) Ele não transporta substâncias nocivas ao organismo. 
b) Não existe célula no corpo que esteja a mais do que alguns milímetros de algum vaso 
ou capilar. 
c) O centro do sistema circulatório são os vasos sanguíneos. 
d) Os vasos sanguíneos possuem praticamente o mesmo tamanho em toda sua extensão. 
e) É a parte que está em contato maisdireto com agentes nocivos. 
Feedback: Item 4.1.3.1. 
 
13. Por que o fígado é importante? 
a) Possui mais de um milhão de pequenos filtros. 
b) Facilita a manipulação de substâncias tóxicas pelo organismo através de enzimas. 
c) Se localiza nas costas, abaixo da cavidade torácica. 
d) Responsável por limpar o sangue, depositando suas impurezas na urina. 
e) Serve como filtro para todas as substâncias do sangue. 
Feedback: item 4.1.4.1. 
 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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4.3 A NATUREZA DO PROBLEMA 
4.3.1 DANO CELULAR 
A substância DNA é complexa e especial porque contém uma espécie de marca 
registrada que caracteriza a reprodução e a especialização da célula. Danos ao DNA 
causam crescimento anormal ou funcionamento defeituoso e muitos compostos químicos 
e agentes físicos podem originar estes danos. Outros compostos são apenas suspeitos de 
causar danos ao DNA. Estes agentes e compostos são classificados em carcinogênicos, 
mutagênicos ou teratogênicos. Outros agentes podem, por sua vez, causar uma ampla 
variedade de problemas de saúde e segurança quando a exposição à eles não é 
controlada. 
 
4.3.1.1 CARCINOGÊNICOS 
São denominados de carcinogênicos as substâncias ou agentes físicos que podem 
causar câncer em seres humanos. No Canadá, cerca de 40% da população terá uma ou 
outra forma de câncer, que é a segunda causa de morte atrás apenas de doenças do 
coração e ataques cardíacos. 
A maioria dos tipos de câncer causa crescimento anormal da célula, o que no final 
acaba causando danos às células e aos órgãos. Na célula, o DNA, que controla o 
crescimento, inicialmente causa um crescimento anormal e fora de controle. As células 
formam então um tumor maligno em expansão, o qual depois se espalha por outras partes 
do corpo, podendo finalmente levar à morte. Alguns compostos encontrados nos locais de 
trabalho têm a habilidade de alterar a estrutura do DNA e são chamados de carcinogênicos. 
Um câncer não se desenvolve usualmente após apenas uma exposição a um agente 
carcinogênico. Em geral, decorre-se um tempo entre 10 a 30 anos para que o câncer se 
desenvolva, mas existem casos de menos tempo. Portanto, é possível que o processo da 
doença já se tenha iniciado após a exposição ao carcinogênico e que o trabalhador não 
tenha consciência disto. 
 
4.3.1.2 MUTAGÊNICOS E TERATOGÊNICOS 
Existem substâncias ou agentes físicos que podem causar modificações em uma ou 
mais características hereditárias pela modificação dos genes. A radiação ionizante é um 
exemplo de agente mutagênico. 
Existem substâncias capazes de causar alterações em fetos em desenvolvimento no 
útero. A droga talidomida é um exemplo de agente teratogênico. 
 
4.3.1.3 ROTAS DE ENTRADA 
A maioria dos poluentes aéreos adentra o corpo através do sistema respiratório, isto 
é, quando inspiramos um gás ou uma poeira tóxica. Outras substâncias tóxicas podem 
penetrar no corpo por absorção pela pele, por ingestão ou por meio de injeção. 
 
4.3.1.3.1 INALAÇÃO 
A granulometria mais perigosa para partículas inaladas é de 0,5 a 7 m, pois nesta 
faixa elas são pequenas demais para serem vistas e conseguem burlar os sistemas de 
defesas atingindo o pulmão. Uma vez no pulmão, estas pequeninas partículas podem 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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63 
causar grandes danos nos alvéolos. Forma-se uma carapaça impermeável à troca de 
oxigênio, iniciando-se o processo de doença, com severa diminuição da habilidade de 
respirar e do fôlego. Estas doenças apresentam nomes específicos como asbestose, 
silicose e CWP (coal workers pneumoconiosis ou pneumoconiose dos trabalhadores de 
carvão). O termo geral pneumoconiose se refere às doenças pulmonares geradas por 
material particulado, já que “pneumo” refere-se a ar e “conio” a partículas. 
Gases, vapores, névoas, neblinas e fumos podem entrar na corrente sanguínea 
através dos pulmões. Além disso, fumos de solda, névoas ácidas ou gases de exaustão de 
caminhões podem estimular as defesas pulmonares, forçando produção de grandes 
quantidades de muco e catarro e gerando uma situação de invalidez conhecida como 
bronquite crônica. As mesmas substâncias podem destruir os delicados sacos de ar do 
pulmão causando enfisema. 
Devido ao fato dos pulmões terem um contato tão íntimo com tantos poluentes nos 
locais de trabalho, eles são os alvos principais dos carcinogênicos ocupacionais. A tabela 
4.2. apresenta materiais e agentes que causam ou são suspeitos de causar câncer 
pulmonar. 
 
Tabela 4.2. Substâncias e agentes que poderiam causar ou causam câncer. 
Acrilonitrilo Arsênico Asbesto (amianto) 
Benzopirene Berílio Éter diclorometil 
Cádmio Cromo Fumaça de cigarro 
Emissões de forno de coque Minério de hematita Radiação ionizante 
Oleo isopropil Pó de couro Gás mostarda 
Níquel Gás radônio Cloreto de vinila 
 
4.3.1.3.2 ABSORÇÃO 
Uma substância pode ser absorvida pela pele e ser transportada para outra parte do 
corpo, ou pode causar dano no próprio ponto de entrada na pele. Doenças da pele 
representam entre 50% e 75% de todos os pedidos de indenização por doenças 
ocupacionais no Canadá. 
A dermatite é uma inflamação da pele que pode ser causada por centenas de 
substâncias existentes nos locais de trabalho, tais como tintas, solventes, resinas epóxi, 
ácidos, materiais cáusticos e metais. Ela se apresenta como um vermelhão, ou como 
coceira, ou como descascamento da pele. Existem dois tipos de dermatite: 
a) dermatite de irritação primária (dermatite de contato); 
 
 b) dermatite de sensibilização (dermatite alérgica). 
A dermatite de irritação primária é causada por fricção, calor ou frio, álcalis, gases 
irritantes e vapores. Um rápido contato com estes agentes em alta concentração ou 
contatos repetidos e prolongados a baixas concentrações podem causar inflamação da 
pele. 
Alguns exemplos de causadores de dermatite de contato são: acrílicos, formaldeído, 
poliuretano, cromatos, níquel, resinas epóxi e tiuranos. 
Por outro lado, a dermatite de sensibilização decorre de uma reação alérgica a uma 
dada substância. A sensibilização pode resultar de contatos prolongados ou repetidos, se 
estabelecendo em geral entre 10 a 30 dias. 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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Depois que um local da pele foi sensibilizado, mesmo uma pequena exposição pode 
produzir reações severas. Substâncias como solventes orgânicos, usados na fabricação 
de tintas, ácido crômico e resinas epóxi podem produzir tanto dermatite primária como de 
sensibilização. Fabricantes de plástico, de resinas e de portas, trabalhadores de refinarias 
e fazendeiros são comumente expostos a sensibilizadores. 
Algumas substâncias e agentes têm sido associados a câncer de pele e alguns 
destes sob suspeita são: asfalto, óleo de xisto, arsênico, benzopirene, luz ultravioleta, raios 
X, piche, alcatrão, fuligem, antraceno, creosoto e óleos de ferramentas de corte. 
 
4.3.1.3.3 INGESTÃO 
Uma terceira e importante via de entrada para substâncias tóxicas é a boca e o trato 
digestivo. Materiais tóxicos podem atingir o estômago, quando sólidos ou líquidos são 
ingeridos, quando cigarros são fumados em áreas empoeiradas, quando não se tem 
refeitórios asseados, quando os trabalhadores não lavam as mãos antes de comer ou 
fumar, ou quando comida é deixada sem ser embrulhada num local com poeira. 
Pó de chumbo, oriundo do esmagamento de baterias ou de impressão por linotipo, é 
facilmente ingerido e pode causar sérios danos à saúde. Depois de engolidas, as 
substâncias tóxicas entram no trato digestivo de onde podem penetrar na corrente 
sanguínea e se deslocar para o fígado. Este e os rins tentam remover os venenos e torná-
los menos danosos, mas nem sempre são bem sucedidos. 
 
4.3.1.3.4INJEÇÃO 
Usuários de drogas são susceptíveis a doenças pelo fato de utilizarem a mesma 
seringa. Todavia a entrada no corpo pode ocorrer também através de uma ferida 
perfurante. Um trabalhador que pise num prego saindo de uma tábua pode perfurar a sola 
do pé e originar um envenenamento do sangue. A princípio, a perfuração pode parecer 
pequena, mas se não tratada, uma semana depois a infecção pode causar inchaço, febre 
e dores, com afastamento do trabalho e custos de indenização. 
Por isso, os trabalhadores devem ser encorajados a relatar todo e qualquer acidente, 
não importa quão pequeno, de modo que possam ser tratados com um anti-séptico. Mesmo 
uma farpa sob a unha pode causar uma infecção. O uso comum de agulhas é mais um 
problema social enquanto que uma ferida perfurante é um problema de segurança, mas 
esta última tem ligações com a higiene ocupacional. 
 
4.3.2 SISTEMAS INTERNOS 
4.3.2.1 SISTEMA CIRCULATÓRIO 
Alimentos e oxigênio alcançam todas as células do corpo através dos capilares, mas 
pela mesma via também se deslocam substâncias tóxicas do ambiente de trabalho. 
O oxigênio é carregado por uma proteína chamada hemoglobina, existente nas 
hemácias (células vermelhas) do sangue. O oxigênio se liga fortemente à hemoglobina, 
mas infelizmente o monóxido de carbono também. Na realidade, o monóxido de carbono 
se liga à hemoglobina cerca de 200 a 300 vezes mais facilmente que o oxigênio e, em altas 
concentrações, pode ser mortal. Isto porque ele sobrecarrega a hemoglobina dos glóbulos 
vermelhos e substitui o oxigênio necessário à sobrevivência das células. Mesmo repetidas 
exposições a baixas concentrações de monóxido de carbono podem gerar sérios efeitos 
no coração e sistema nervoso central. 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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65 
O monóxido de carbono é um produto perigoso e facilmente encontrável nos locais 
de trabalho, pois é produzido nos motores à combustão de caminhões, ônibus e máquinas 
diversas. Todavia existem outros compostos químicos que agem de modo similar. 
O corpo humano produz continuamente glóbulos vermelhos nas estreitas cavidades 
dentro dos ossos. Por outro lado, muitas substâncias tóxicas atacam diretamente as células 
do sangue. O benzeno, por exemplo, que é usado na indústria de borracha, pode interferir 
neste processo formativo e causar anemia que é uma deficiência de ferro. A tabela 4.3. 
apresenta algumas substâncias que podem causar anemia. 
 
Tabela 4.3. Algumas substâncias que podem causar anemia. 
Gás arsênico Benzeno Tolueno Compostos de 
mercúrio Cobre Chumbo Selênio 
Estibina Berílio Gálio 
 
4.3.2.2 SISTEMA NERVOSO 
A maioria dos danos causados ao sistema nervoso central é permanente, apesar de 
que algumas vezes danos ao sistema nervoso periférico podem ser reversíveis. Exposição 
a pesticidas e metais, como chumbo e mercúrio, pode gerar interferência nos impulsos 
nervosos, ocasionando tremores e perdas de reflexos e sensações. 
O cérebro é uma parte complexa e vital do corpo humano, requerendo um constante 
afluxo de oxigênio. Algumas substâncias tóxicas afetam o sistema nervoso central e 
interrompem o fluxo de oxigênio, com os primeiros sintomas sendo tontura e sonolência. 
As operações do sistema nervoso são muito complexas e balanceadas num equilíbrio 
sutil, e a tabela 4.4. apresenta diversas substâncias que podem afetar estas operações. 
 
Tabela 4.4. Compostos químicos que afetam o sistema nervoso. 
DEPRESSÃO DO 
SISTEMA 
NERVOSO 
CENTRAL 
ENVENENAMENTO 
DO CÉREBRO 
DANO CEREBRAL 
PELA FALTA DE 
OXIGÊNIO 
DESORDENS 
FUNCIONAIS DOS 
NERVOS 
Acetatos 
Dissulfeto de 
carbono 
Gases asfixiantes 
Pesticidas com 
organofosfatos 
Álcoois 
Cianeto de 
hidrogênio 
Monóxido de 
carbono 
Metais pesados 
Bromatos 
Sulfeto de 
hidrogênio 
 Mercúrio 
Cloratos Arsina Chumbo 
Éteres Estibina Manganês 
Quetonas Arsênio 
 
4.3.2.3 SISTEMA REPRODUTIVO 
Qualquer dano às células de reprodução pode levar a consequências desastrosas. 
Podem resultar deformidades no bebê ou o embrião pode ser tão danificado que não 
sobreviva e seja abortado. Alguns compostos químicos causam aborto ou defeitos de 
nascença por atacarem o material genético da célula ou dos sistemas que controlam suas 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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66 
funções. Danos similares podem estar associados com câncer e, portanto, substâncias que 
geram câncer frequentemente são a causa de defeitos e abortos. 
 
Quadro 4.4. 
 
 
Enfermeiras e mulheres anestesistas são mais susceptíveis a abortos deste tipo 
por causa de sua exposição aos gases anestesiantes. Homens expostos a chumbo ou 
ao pesticida dibromocloropropano (DBCP) apresentam menor número de 
espermatozóides e podem ser menos férteis. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4.3.3 ROTAS DE SAÍDA 
4.3.3.1 O FÍGADO 
As células que compõem o fígado contêm enzimas que convertem certas substâncias 
tóxicas em formas mais facilmente manuseáveis pelo corpo. Mas o próprio fígado pode ser 
danificado no processo se for forçado a mexer com substâncias que o sobrecarreguem. 
O fígado pode ficar inflamado, gerando uma condição denominada de hepatite. Esta 
doença pode ser gerada por um vírus ou por compostos como álcool, tetracloreto de 
carbono e outros hidrocarbonetos clorados tais como os usados nas indústrias de lavagem 
a seco. Repetidos surtos de hepatite podem levar a cicatrizes hepáticas e a uma doença 
denominada de cirrose do fígado. De modo genérico, isto significa que não existem 
suficientes células normais do fígado para operar a desintoxicação dos compostos do 
corpo. 
O cloreto de vinila, uma substância usada na produção de plásticos, tem sido 
associado com uma rara e mortal forma de câncer do fígado chamada de angiosarcoma. 
A tabela 4.5. apresenta alguns compostos encontrados nas indústrias e suspeitos ou 
conhecidos por causar danos ao fígado. 
Tabela 4.5. Substâncias e compostos associados a danos ao fígado. 
Antimônio Acrilonitrilo Dicloreto etilideno 
Arsina Benzeno Hidrazina 
Berílio Tetrabrometo de carbono Álcool metílico 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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Cádmio Tetracloreto de carbono Cloreto metílico 
Cobre Benzeno clorado Metil dianilina 
Irídio Clorofórmio Naftaleno 
Manganês Cresol Fenol 
Níquel DDT Piridina 
Fósforo Dimetil sulfato Estireno 
Selênio Dioxane Tetracloroetileno 
Álcool etílico Epichlorohydrin Tolueno 
Tricloroetilino Tricloroetano Etileno clorohidrino 
Bismuto 3-cloropropileno glicol 
 
4.3.3.2 RINS E BEXIGA 
Como os rins agem como filtros para todas as substâncias do sangue, podem ser 
seriamente afetados por substâncias tóxicas que circulam pelo organismo. Desordens dos 
rins podem conduzir a altas ou baixas pressões sanguíneas, que por sua vez podem 
sobrecarregar o coração e até produzir sua falha. 
O mau funcionamento dos rins pode também atrapalhar o delicado equilíbrio químico, 
conduzindo a mais danos ao corpo. De modo similar ao fato de que os pulmões são 
vulneráveis a substâncias nocivas porque é uma rota principal de entrada, os rins e bexiga 
são vulneráveis porque são umas das principais rotas de saída. Algumas substâncias e 
compostos suspeitos de causar danos renais estão na tabela 4.6. 
 
4.3.4 PERÍODO DE LATÊNCIA E DOENÇA OCUPACIONAL 
O período de latência é o intervalo de tempo entre a exposição a um material 
potencialmente nocivo e o eventual desenvolvimento da doença. Para diversas situações 
de risco ocupacional, o período de latência pode ser muito grande, variando de 10 a mais 
de 20 anos. Em alguns casos, pode atingir até mesmo trinta ou quarenta anos. O período 
de latência nada tem a ver com o tempo de exposição a uma dada substância, mas se 
refere ao tempo decorrido entre a primeira exposição e a manifestação dadoença. 
O período de latência é um parâmetro importante para o trabalhador, pois um 
indivíduo exposto a uma substância altamente perigosa pode não sentir nada durante a 
fase de exposição. Todavia os efeitos podem se manifestar alguns anos mais tarde. Assim, 
a exposição à radiação ionizante ou ao asbesto causa poucos sintomas durante a 
exposição. Mas em longo prazo sabe-se que os efeitos são mortais. 
O caso do asbesto é um exemplo de erros em estudos científicos sobre o período de 
latência e a incidência da doença. Para se caracterizar com clareza doenças que se 
manifestam muitos anos após a exposição, os pesquisadores devem analisar não só as 
atuais equipes de trabalho, mas também os indivíduos que estiveram expostos no passado. 
Finalmente devemos observar que um ambiente sem doenças não significa um 
ambiente seguro e livre de riscos. Situações de risco no presente poderão produzir 
problemas de saúde no futuro. Similarmente, o que é visto como doença hoje pode ser um 
reflexo das condições ocupacionais décadas antes. 
 
 
 
 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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68 
Tabela 4.6. Algumas substâncias, compostos e agentes suspeitos de causar danos aos 
rins. 
Chumbo Naftaleno Mercúrio 
Tetracloreto de carbono Cádmio Tetracloroetano 
Cromatos Monóxido de carbono Cobre 
Vapores de gasolina Urânio Arsênio 
Berílio Bismuto Terebintina 
Ácido oxálico Arsina Iodo 
Fluoreto de sódio Dissulfeto de carbono Calor intenso 
Choques de alta voltagem Vibrações Perdas de sangue 
 
4.3.5 EFEITOS AGUDOS E CRÔNICOS 
Situações de risco ocupacional podem produzir efeitos agudos ou crônicos. Um efeito 
agudo é aquele que ocorre logo após a exposição ao agente de risco. O envenenamento 
por monóxido de carbono pode provocar uma perda de consciência quase instantânea, ou 
seja, uma reação aguda. Se o paciente receber oxigênio, os efeitos à saúde podem 
desaparecer ou diminuir assim que o contaminante for removido. 
Efeitos agudos podem provocar a morte, mas em geral são tratáveis se contra-
atacados rapidamente. São repentinos e dramáticos, resultantes da ação direta do material 
perigoso sobre as células do corpo. 
Mais perigosos são os efeitos crônicos de substâncias tóxicas. Efeitos crônicos 
podem não surgir por um longo tempo, como anos ou décadas, enquanto o contaminante 
se acumula no corpo até atingir um nível crítico que dispara um efeito adverso. 
Frequentemente não são tratáveis porque a doença só fica evidente depois que severos 
danos ocorreram a órgãos, sistemas ou tecidos. Exemplos de efeitos crônicos incluem 
envenenamento por mercúrio, asbestose, câncer de pulmão decorrente do cigarro, 
cicatrizes pulmonares devido à poeira de sílica e perda de audição por ruídos excessivos. 
Poluentes ambientais podem gerar efeitos agudos e crônicos, em geral, altas doses 
causam efeitos agudos. Para um mesmo material, os efeitos agudos usualmente são muito 
diferentes dos efeitos crônicos e a tabela 4.7. fornece alguns exemplos. 
Em resumo, efeitos agudos podem ocorrer em intervalos de segundos, minutos ou 
horas, enquanto que efeitos crônicos tendem a ocorrer após meses, anos ou mesmo 
décadas. 
 
Tabela 4.7. Efeitos agudos e crônicos de materiais perigosos existentes nos ambientes. 
SITUAÇÃO DE RISCO EFEITO AGUDO EFEITO CRÔNICO 
Névoas de ácidos 
irritação dos olhos e garganta, 
umedecimento dos olhos, tosse, 
dor de garganta, dor no peito 
bronquite crônica e 
enfisema 
Asbesto 
moderada irritação respiratória, 
tosse, espirros 
asbestose, câncer do 
pulmão 
Monóxido de carbono 
tonturas, dores de cabeça, 
confusão mental; em doses muito 
altas, desmaio e morte 
pode contribuir para 
paradas cardíacas (ataques 
do coração) 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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Tricloroetileno 
euforia, sensação de torpor 
alcoólico, dormência, tonturas 
danos aos rins e fígado; 
possivelmente câncer de 
fígado 
Vibrações 
enrijecimento de juntas, 
formigamento 
artrite, tendinite, doença 
dos dedos brancos 
 
4.4 CASOS REAIS - O ACIDENTE DE BHOPAL 
Caracterizando um dos piores acidentes industriais já ocorridos, cerca de 40 
toneladas de metil isocianato vazaram da usina da Union Carbide localizada na Índia. 
Vazaram também no mesmo dia 2 de dezembro de 1984, mais cerca de 25 toneladas 
de outros gases letais para a atmosfera. Mais de 4 000 pessoas morreram, e o número de 
pessoas afetadas é estimado entre 200 000 (pelo governo) e 500 000 (ativistas locais). 
Foram criadas 17 cortes especiais para agilizar os processos de indenização. Dos 
615 000 processos de morte e danos físicos, cerca de 6 000 ou 1%, tinham sido decididos 
em março de 1994. Apenas U$ 3,1 milhões dos U$ 470 milhões do acordo de 1989, firmado 
entre a Union Carbide e o governo indiano, tinham sido pagos. Muitas pessoas tiveram 
seus pedidos de indenização recusados porque não tinham os documentos necessários 
para provar que eram vítimas do desastre. 
 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
70 
4.5 TESTES (2) 
1. Agentes podem ser: 
a) Carcinogênicos, mutagênicos, teratogênicos. 
b) Mutagênicos, teratogênicos, epidêmicos. 
c) Teratogênicos, epidêmicos, carcinogênicos. 
d) Epidêmicos, carcinogênicos, autógenos. 
e) Carcinogênicos, autógenos, teratogênicos. 
Feedback: item 4.3.1. 
 
2. Dermatites podem ser: 
a) De irritação primária, de irritação secundária, de contato ou alérgica. 
b) De irritação primária ou contato. 
c) De irritação secundária ou de contato. 
d) De contato ou de sensibilização. 
e) De irritação secundária. 
Feedback: item 4.3.1.3.2. 
 
3. Na hepatite, o fígado: 
a) Endurece devido a um vírus. 
b) Encolhe devido a certas substâncias. 
c) Inflama devido a compostos ou vírus. 
d) Sangra e definha devido à morte celular. 
e) Esfarela devido à falta de oxigênio. 
Feedback: item 4.3.3.1. 
 
4. O período de latência vai de: 
a) Segundos a horas. 
b) Minutos a dias. 
c) Horas a semanas. 
d) Dias a meses. 
e) Dias a anos. 
Feedback: item 4.3.4. 
 
5. Efeitos agudos e crônicos: 
a) Ocorrem sempre juntos. 
b) Ocorrem sempre separados. 
c) Podem ocorrer juntos ou separados. 
d) O agudo sempre ocorre depois do crônico. 
e) Nenhuma das anteriores. 
Feedback: item 4.3.5. 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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71 
4.6 LIMITES DE TOLERÂNCIA 
4.6.1 DETERMINAÇÃO DO RISCO ASSOCIADO A SUBSTÂNCIAS 
Os riscos da exposição a contaminantes podem ser caracterizados de 3 modos 
diferentes: 
• via testes em animais; 
• via testes em seres humanos; 
• via testes de mutagenicidade. 
 
4.6.1.1 TESTES EM ANIMAIS 
De longe o método mais comum de definir limites de tolerância para humanos é 
através de testes em animais. Apesar de existir sempre uma incerteza ao se extrapolar 
resultados com animais para seres humanos, os cientistas hoje em dia usam animais de 
laboratório para obter dados básicos de toxicidade. 
Num teste toxicológico deste tipo, uma população de animais é exposta ao 
contaminante em estudo, durante um período de tempo que dura a maior parte ou toda a 
vida do animal. Ratos, camundongos e hamsters são os mais utilizados porque são 
pequenos, facilmente manuseáveis, baratos e tem vida média curta. Normalmente 
centenas de animais são usados em estudos, sendo guardados sob condições controladas 
e observados quanto a sinais de efeitos agudos ou crônicos ao longo do tempo. São 
comparados com outros animais que não foram expostos ao contaminante e são 
denominados de controles. 
Normalmente apenas um composto químico é analisado de cada vez, com subgrupos 
da colônia de animais recebendo diferentes doses, de modo que se possa estudar a 
correlação entre concentração e efeito. Se uma resposta a uma dada concentraçãoé 
obtida, é possível se estimar os efeitos para concentrações maiores e menores, confirmar 
os resultados com novos experimentos, e deste modo validar a conclusão de que o 
composto em estudo é realmente o causador do efeito observado. 
Pesquisadores podem estimar os efeitos de doses ainda menores do composto 
químico, que são típicas de exposições ambientais. Estes métodos de estimação 
consideram o fato de que se uma exposição afetar apenas 0,01% da população, então 
apenas um animal de laboratório em 10 000 seria afetado e, provavelmente, este não se 
destacaria num experimento com muito menos de 10 000 animais. Para se chegar a limites 
de exposição de baixas doses usa-se a extrapolação, devendo-se, além disso, considerar 
o problema de quão próximos os resultados para animais são dos resultados para os seres 
humanos. 
Atualmente dois métodos são mais comumente usados para se estimar limites 
aceitáveis de toxicidade para seres humanos. 
MÉTODO 1 
Assume-se que existe um valor limite inferior, ou seja, um valor de concentração ou 
dose de exposição abaixo do qual não ocorre efeitos adversos à saúde. Em outras 
palavras, o corpo humano tolera esta concentração ou dose, pois abaixo deste valor as 
funções corporais normais anulam a toxicidade do contaminante. A mais alta concentração 
da substância que não produz efeitos danosos à saúde dos animais é dividida por um fator 
de segurança. Por exemplo, se 10 ppm de uma substância não causou efeitos em animais, 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
72 
mas 50 ppm causam então 10 ppm é dividido por um fator de segurança de 10, 100 ou 
1 000, de modo a se obter um limite de tolerância para pessoas. 
A escolha do fator de segurança é algo controverso e depende da qualidade dos 
animais de teste. Um fator de 10 é usado se estão disponíveis bons dados quantitativos de 
exposição humana. Um fator de 100 é usado quando se tem dados de testes de longo 
período e estudos extensos com animais. Um fator de 1000 é adequado quando os dados 
com animais são poucos ou inadequados. Estes fatores de segurança são arbitrários e são 
julgamentos científicos tanto quanto estimativas. 
MÉTODO 2 
Nesta metodologia, para se relacionar dados de animais com valores para seres 
humanos, extrapolam-se as altas exposições dadas para animais para as baixas 
exposições mais típicas de contaminantes ambientais, onde se assume não existir valor 
limite inferior. Ou seja, qualquer dose gera um dano à saúde. 
Este método é usado, por exemplo, quando se analisam possíveis carcinogênicos. 
Assim, se uma dose de 100 ppm de uma substância causa câncer do fígado em 10% dos 
animais, enquanto que uma dose de 50 ppm causa o dano em 1% dos animais, então se 
pode estimar que uma dose de 1 ppm cause danos em 0,000 01% dos animais. 
Neste método deve-se frisar que a extrapolação é teórica, assumindo-se que mesmo 
a menor dose de uma toxina pode causar danos. Ou seja, não existe risco zero e o risco 
varia com o nível de exposição. 
Com poucas exceções, produtos químicos conhecidos por causarem câncer em 
seres humanos também causam câncer em pelo menos uma espécie de animal de teste. 
Isto não prova necessariamente que estudos com animais podem ser usados para prever 
os efeitos nos indivíduos. Apesar deste senão, estudos com animais é o processo mais 
comum e aceito de se definir limites aceitáveis para seres humanos. Por uma razão muito 
simples: não existe outro método melhor disponível. 
 
4.6.1.2 TESTES EM SERES HUMANOS 
Não existe dificuldade para se observar os efeitos diretos de produtos químicos 
suspeitos sobre indivíduos. Raras vezes, porém, pessoas têm sido deliberadamente 
expostas a produtos tóxicos e, a menos que isto tenha ocorrido de modo inadvertido, elas 
não devem ser usadas como cobaias. 
 
Quadro 4.5. 
 
Os gases mostarda e cloro foram usados na primeira grande guerra, com efeitos 
devastadores. O agente laranja foi utilizado na guerra do Vietnã com efeitos terríveis 
sobre a saúde. Criminosos condenados à morte têm sido executados em alguns estados 
americanos e canadenses com o gás cianeto de hidrogênio. 
 
 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
73 
Pesquisadores epidemiológicos examinam grupos separados de pessoas que 
tenham sido expostas a diferentes quantidades de agentes ambientais suspeitos. 
Diferenças entre a incidência de efeitos danosos à saúde na população sendo estudada 
podem sugerir uma relação entre um dado contaminante e seus efeitos adversos. 
Infelizmente, estudos epidemiológicos têm limitada sensibilidade, não oferecendo 
estimativas de risco a menos que o efeito de um contaminante seja grande. Eles também 
não demonstram uma relação de causa e efeito, além da dificuldade de caracterizar o efeito 
de um dado contaminante, quando uma população está na realidade exposta a muitas 
possíveis substâncias suspeitas. 
Quando se trabalha com séries históricas, existe uma grande falta de dados sobre a 
incidência de todas as doenças ocupacionais. A silicose, por exemplo, resulta de uma 
exposição cumulativa a um agente nocivo à saúde, não existindo um momento preciso no 
qual o efeito possa ser medido. Os efeitos nocivos de muitos agentes são cumulativos, 
sendo difícil se detectar um suspeito que parece inócuo em curto prazo, mas oferece riscos 
em longo prazo. Um típico exemplo são os baixos níveis de radiação encontrados em 
certos tipos de minas. 
Quando um trabalhador começa a mostrar sintomas de enfermidade, algumas vezes 
decorre-se um tempo antes que os sintomas sejam associados a uma dada doença. 
Quadro 4.6. 
 
A pneumoconiose dos trabalhadores de minas de carvão, conhecida como CWP 
- coal workers pneumoconiosis ou black lung (pulmões pretos), esteve em evidência por 
muitos anos, antes que as sociedades médicas americanas e a indústria de carvão a 
reconhecessem como uma doença distinta e causada pela poeira de carvão. Um tempo 
de reação semelhante também ocorreu nas indústrias canadenses, onde mineiros 
expostos à poeira das minas de fluorita da Newfoundland estavam desenvolvendo 
silicose e carcinoma nos pulmões. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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Mesmo depois de uma doença ocupacional ter sido reconhecida e suas causas 
estabelecidas, casos individuais podem ainda ser difíceis de diagnosticar. Assim, cerca da 
metade das reclamações relativas à indenização por “pulmões pretos” nos Estados Unidos 
tem sido rejeitada principalmente por causa de um teste de raios X que tem sido 
considerado não confiável. 
Outros fatores complicadores do reconhecimento de agentes ocupacionais suspeitos 
são, por exemplo, o cigarro e a multiplicidade de causas de uma doença. O cigarro pode 
ser a causa de uma série de efeitos similares a aqueles que a doença gera, enquanto que 
certa enfermidade pode ter várias origens e apenas uma delas estar associada ao local de 
trabalho. 
Em resumo, não se tem uma estrutura aceitável de trabalho para coletarem dados a 
serem analisados adequadamente nem se têm facilidades para sua obtenção. Por outro 
lado, estudos de animais em laboratório são em geral mais úteis para quantificar 
estimativas de riscos, podendo algumas vezes permitir o estabelecimento de relações 
causais. 
 
4.6.1.3 TESTES MUTAGÊNICOS 
Um mutágeno é uma substância que pode causar alterações genéticas numa célula, 
ou seja, em seus genes e cromossomos. A mutação pode fazer com que a célula perca ou 
adquira certa característica, ou aumente ou diminua sua habilidade em competir com 
outras células. Pode também fazer com que a célula passe a requerer nutrientes adicionais 
ou cresça sem limites. A maioria das mutações é danosa. 
As mutações podem ocorrer em células somáticas ou em célulasde reprodução. 
Células somáticas são aquelas que formam os tecidos e os órgãos do corpo, e mutações 
nestas células podem causar câncer e outros tipos de doenças. Todavia, o dano genético 
normalmente não se transfere para a próxima geração. 
Células de reprodução incluem os espermatozoides no homem e os óvulos na 
mulher. Mutações nestas células podem ser transferidas para a próxima geração. 
A importância de se detectar um mutágeno é dupla. Primeiro, porque ele é danoso 
por si só. Em segundo lugar, porque a maioria dos carcinogênicos conhecidos também é 
mutágeno. Muitos pesquisadores, usando muito empirismo, consideram que se um produto 
químico é um mutágeno, existe boa probabilidade de ser também carcinogênico. 
Um bom número de testes laboratoriais, relativamente rápidos, pode ser executado 
para se determinar se um composto químico é um mutágeno. Estes testes são mais 
simples que testes em animais e, portanto pode-se analisar um grande número de produtos 
quanto à carcinocidade. Para efetuar estes testes, são usadas células de mamíferos ou 
bactérias, pois certos tipos destas são especialmente sensíveis aos produtos químicos que 
causam mutagênese. Estas células são expostas a várias concentrações do produto 
suspeito e as alterações celulares são observadas em função do tempo. Se determinadas 
alterações são bem caracterizadas em função da dose de exposição, então o produto 
químico é considerado um mutágeno neste sistema de testes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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Nota 4.1. 
 
Um dos mais importantes testes de mutagênese foi desenvolvido pelo bioquímico 
Bruce Ames e colaboradores da Universidade da Califórnia. No teste de Ames, bactérias 
Salmonella tifimurium são expostas ao composto químico. Originalmente estas 
bactérias são dependentes de certos nutrientes, mas se o composto for um mutágeno 
as bactérias são modificadas de modo a não mais precisar deste nutriente. A habilidade 
química de induzir esta mutagênese indica que o composto provavelmente é um 
mutágeno, mas nem todos os carcinogênicos conhecidos são mutágenos no teste de 
Ames. Como exemplo, o clorofórmio não é um mutágeno no teste, mas é carcinogênico 
em ratos e camundongos e, provavelmente, em seres humanos. A correlação entre 
mutagenicidade e carcinocidade não é perfeita. 
 
4.7 FATORES INFLUENTES 
De modo geral quatro fatores têm influência em como uma substância tóxica afeta 
um indivíduo. São eles: 
• toxicidade; 
• concentração; 
• tempo de exposição; 
• susceptibilidade individual. 
 
4.7.1 TOXICIDADE 
Um importante ponto a lembrar é que qualquer substância pode se tornar tóxica se a 
dose for aumentada acima dos limites de tolerância do corpo. Assim, o próprio oxigênio tão 
essencial à vida na proporção de 21%, pode se tornar tóxico se puro (100%). Por 
consequência, a intensidade da dose e o tempo de exposição associados a um produto 
tóxico ou a um agente físico, podem determinar a severidade do dano. 
Duas diferentes substâncias podem causar danos distintos, apesar de apresentarem 
a mesma concentração e ter-se o mesmo tempo de exposição. Esta diferença de efeitos é 
denominada de toxicidade, que é normalmente expressa por quanto da substância mata 
50% dos animais expostos. Esta quantidade pode ser representada pela sigla DL50 ou CL50, 
indicando dose letal a 50% ou concentração letal a 50%. Em inglês as correspondentes 
siglas são LD50 ou LC50 (lethal dose e lethal concentration). 
 
 
 
 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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CL50 - Concentração Letal 
 
Refere-se a um método de medição da habilidade de um material de causar 
envenenamento quando é inalado por animais de teste. Ou seja, é a concentração da 
substância dispersa no ar que mata 50% dos animais de teste. As unidades usadas são 
ppm para gases e mg/m3 para poeiras, fumos e névoas. Quanto menor o CL50, mais tóxico 
o produto. 
Os testes em geral são conduzidos num intervalo de tempo de 4 horas e a CL50 para 
um produto varia em função da espécie animal e do tempo de exposição. Portanto, estas 
informações devem acompanhar o valor apresentado. 
 
DL50 - Dose Letal 
 
Refere-se a um método de quantificar a habilidade de um produto de causar o 
envenenamento quando é engolido por animais de teste, ou quando é absorvido pela pele 
do animal. Ou seja, é a dose única que mata 50% dos animais testados. É expressa na 
unidade de miligrama de substância teste por kg de massa do animal, isto é, mg/kg. Quanto 
menor o valor da dose letal, maior a toxicidade. 
A DL50 para uma substância varia com a espécie animal, com a rota de entrada e 
com o tempo de exposição e, portanto, estas informações devem acompanhar o valor 
indicado. 
 
4.7.2 CONCENTRAÇÃO 
A concentração pode ser expressa em muitas unidades, tais como partes por milhão 
(ppm), partes por bilhão (ppb), em miligramas por metro cúbico (mg/m3), etc. Uma pequena 
concentração de uma substância altamente tóxica pode gerar muitos danos à saúde, 
enquanto que uma alta concentração de outra substância pouco tóxica pode causar 
pequenos efeitos na saúde humana. 
 
Nota 4.2. 
 
 
O monóxido de carbono (CO) é altamente tóxico, sendo seu limite de tolerância 
legal de alguns ppm. Pequeníssimas concentrações podem causar grandes efeitos 
maléficos e mesmo a morte. Já o dióxido de carbono (CO2), mesmo em concentrações 
bem maiores, gera poucos efeitos à saúde. Cada substância é única nos seus efeitos à 
saúde, existindo uma enorme variação das concentrações que podem ser toleradas pelo 
homem. 
 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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4.7.3 TEMPO DE EXPOSIÇÃO 
O tempo durante o qual uma pessoa fica exposta a um produto químico ou a um 
agente físico como ruído ou radiação influencia o efeito na saúde do corpo humano. No 
caso do cigarro, o câncer de pulmão ou garganta surge em fumantes com cerca de 20 ou 
mais anos de hábito. Indivíduos que trabalham em ambientes empoeirados, em geral não 
apresentam efeitos nos primeiros anos, mas eventualmente, as defesas naturais do corpo 
não resistem à longa exposição e várias formas de pneumoconioses surgem em função do 
tipo de poeira. 
 
4.7.4 SUSCETIBILIDADE INDIVIDUAL 
Todas as pessoas são diferentes, e fatores como suscetibilidade, carga genética e 
estado geral de saúde são importantes. Nem todo indivíduo exposto no trabalho a 
substâncias carcinogênicas desenvolverá câncer. É impossível prever quem desenvolverá 
e quem não desenvolverá a doença e, portanto, todos os conhecidos carcinogênicos e 
produtos tóxicos devem ser efetivamente controlados. 
É impossível viver uma vida sem riscos. Pesquisadores avaliam os efeitos 
decorrentes dos poluentes ambientais, de modo a estimar os riscos à saúde humana. Se 
os riscos forem pequenos, pouco se tem a fazer para a remoção dos contaminantes. Se os 
riscos forem altos, existe um forte ímpeto para se diminuir o perigo. Apesar de o indivíduo 
comum não saber estimar os riscos de um dado poluente, pesquisadores, cientistas e 
médicos sabem. Suas estimativas, contudo não são fáceis de serem feitas, nem são 
exatas. As estimativas se assentam em hipóteses e renomados cientistas podem estar em 
desacordo sobre elas. Avaliar riscos à saúde significa estimar a probabilidade de que a 
exposição a um poluente causará um dado efeito adverso. Portanto o conceito de risco 
envolve estimar a probabilidade de ocorrência de um dado efeito associado ao seu grau 
de severidade. 
 
4.8 TIPOS DE LIMITES DE EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL 
O pequeno livreto americano, cujo título em inglês é “2016 TLVs and BEIs Threshold 
Limit Values for Chemical Substances and Physical Agents and Biological Exposure 
Indices“, contém uma grande quantidade de informações sobre o que seconsidera limites 
seguros para uma ampla gama de agentes químicos e físicos. Ele é publicado pela ACGIH 
- American Conference of Governmental Industrial Hygienists, sendo atualizado 
anualmente. Os valores apresentados são definidos por consenso num grupo de 
especialistas que analisam todas as pesquisas disponíveis sobre a substância ou agente 
físico. A ACGIH afirma que os valores numéricos devem ser considerados como 
recomendações do que seja um limite seguro de exposição. Qualquer pessoa estudando 
higiene do trabalho deveria ter seu exemplar deste livreto, para o qual existe tradução em 
português feita pela ABHO - Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais. 
As recomendações apresentadas se baseiam no conceito de TLV (‘threshold limit 
value”) para cada agente químico ou físico. A sigla em português, existente na NR-15, é 
LT - limite de tolerância. Portanto quando utilizarmos a sigla TLV estamos nos referindo 
aos valores da ACGIH e quando utilizamos a sigla LT estamos nos referindo a valores da 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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NR-15. Quando falarmos de modo genérico utilizamos a terminologia LEO Limite de 
Exposição Ocupacional. 
Apesar de TLVs e LTs terem semelhanças eles são diferentes quanto a alguns 
fatores como duração da jornada de trabalho semanal, frequência de atualização, etc. Os 
TLVs são atualizados anualmente e os LTs estão fixos desde 1978. 
Um agente químico é um composto químico sólido aerodisperso, um líquido ou um 
gás, enquanto exemplos de agentes físicos são calor, frio, ruído, vibrações e radiações. 
Com base na experiência e em experimentos, são calculados níveis de concentração que 
servem de referência para o estabelecimento do limite de exposição ocupacional. 
Os conceitos associados aos LEOs serão introduzidos através dos agentes químicos 
em geral e, posteriormente em cada capítulo, serão detalhados os LEOs para cada agente 
físico ou químico em particular. 
 
4.8.1 OS TLVs SEGUNDO A ACGIH 
Os valores limites TLVs (“threshold limit values”) para os agentes químicos se referem 
à concentração de substâncias dispersas no ar, representando condições sob as quais se 
acredita que quase todos os trabalhadores podem repetidamente ser expostos, dia após 
dia, sem que apresentem efeitos adversos. 
Existem 2 tipos de TLVs especificados pela ACGIH: 
 
TLV – TWA = limite média ponderada no tempo (“time weighted average”); 
TLV - C = limite nunca ultrapassável (“ceiling”). 
 
Como os valores TLV-TWA são valores médios, podem ser superados sob certas 
condições, tendo associados os valores STEL ou os limites de digressão (“excursion 
limits”). Assim, os valores STEL e de digressão estão associados a um valor TLV-TWA, 
mas de modo exclusivo, aplicando-se ou um STEL ou os limites de digressão. 
 
4.8.1.1 TLV – TWA 
A sigla TLV® é uma marca registrada da ACGIH e só ela pode utilizar. O TLV-TWA 
(“threshold limit value - time weighted average”) define um valor para turnos diários de 8 
horas ou 40 horas semanais, para o qual a maioria dos trabalhadores podem ser expostos 
durante toda sua vida útil sem que devam ocorrer efeitos adversos. TWA se refere a uma 
média ponderada no tempo. 
Alguns períodos de exposição acima do TLV - TWA são permitidos, desde que sejam 
compensados por períodos de exposição abaixo do limite, de modo que na média a 
concentração medida esteja abaixo do TLV-TWA. O quanto é permitido estar acima do 
TLV-TWA varia para cada substância, sendo listados os fatores aplicáveis a cada caso. 
 As restrições a quanto acima do TLV – TWA se pode ir na jornada de trabalho de 8 
horas podem provir ou da existência de um valor TLV – STEL associado ao TLV – TWA, 
ou na ausência dele, utilizando-se os limites de digressão (obtidos por 3x e 5x o valor do 
TLV – TWA). 
 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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4.8.1.2 LIMITE TLV – STEL 
A sigla da ACGIH TLV-STEL (“threshold limit value - short term exposure limit”) 
representa a concentração às quais trabalhadores podem ser expostos continuamente por 
breves períodos sem sofrer os seguintes efeitos: 
• Irritação; 
• Dano crônico ou irreversível de tecidos; 
• Narcose em grau suficiente para afetar o trabalho em termos de eficiência ou 
segurança. 
Ele não é um limite independente mas complementa o limite média ponderada (TLV 
- TWA) quando existem reconhecidos danos de uma substância cujos efeitos tóxicos são 
primariamente de natureza crônica. Os TLV – STEL são recomendados apenas quando 
efeitos tóxicos foram relatados com relação a altas exposições de curta duração com 
pessoas ou animais. 
As regras básicas associadas a uma exposição acima do TLV – TWA e até o TLV – 
STEL são: 
• Uma exposição acima do TLV – TWA e até o TLV - STEL não deve exceder 15 
minutos de duração; 
• Deve decorrer pelo menos 1 hora entre cada exposição entre o TLV – TWA e o 
TLV – STEL; 
• Não se pode ter mais de 4 exposições entre o TLV – TWA e o TLV - STEL por 
turno de 8 horas; 
• A exposição nunca pode superar o TLV – STEL. 
Além das regras relativa a concentrações entre o TLV – TWA e o TLV – STEL, 
também deve-se respeitar sempre que a concentração média esteja abaixo do valor do 
TLV – TWA. 
A ideia, portanto, do valor STEL é a de limitar superiormente as concentrações no 
local de trabalho que estejam acima do TLV -TWA, como ilustra a figura 4.6.a: 
 
 
 
Figura 4.6.a. Limitação superior da concentração acima do TLV – TWA. 
 
A figura 4.6.b ilustra o caso em que o valor STEL não foi ultrapassado, mas 
claramente duas violações da definição do TLV – TWA ocorreram: 
 - a concentração média no turno estará acima do valor TLV – TWA; 
- na faixa entre o TLV – TWA e o TLV – STEL ficou-se bem que os 15 minutos permitidos. 
 
 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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Figura 4.6.b. Violação de algumas regras quanto ao TLV – TWA com valor STEL. 
 
A figura 4.6.c ilustra a variação da concentração num turno de 8 horas, para uma 
substância que tem um dado TLV – TWA e um associado TLV – STEL. Aparentemente 
neste turno não se violou as regras deste limite pois: 
1 – A concentração média parece estar abaixo do TWA; 
2 – Não se excedeu o STEL em nenhum momento; 
3 – Adentrou-se a faixa entre TWA e STEL apenas 2vezes, dentro do limite de 4 vezes; 
4 – A cada entrada a duração foi inferior a 15 minutos; 
5 – O espaçamento entre as entradas é superior a 1 hora. 
 
 
 
Figura 4.6.c. Limite TLV – TWA com STEL respeitado em todas as regras. 
 
4.8.1.3 TLV – C 
A sigla da ACGIH é TLV-C (threshold limit value-ceiling) representa a concentração 
que não deve ser nunca excedida, mesmo instantaneamente, durante o turno de trabalho. 
A prática usual na higiene do trabalho, se não for factível monitoramento instantâneo, 
é a avaliação deste limite via uma amostragem por 15 minutos, exceto para substâncias 
que possam causar irritação imediata numa breve exposição. 
Para algumas substâncias como gases irritantes, apenas uma categoria de limite de 
exposição ocupacional pode ser relevante, como o TLV – C. Para outras substâncias, dois 
limite podem ser aplicáveis e relevantes em função das ações fisiológicas. É importante 
frisar que se um dos limites aplicáveis for excedido, assume-se que existirá um potencial 
perigo decorrente da substância em questão. 
A comissão responsável pelos agentes químicos é de opinião de que os TLVs 
baseados em irritação física não devem ser considerados menos restritivos do que aqueles 
baseados em desabilitação física. Isto porque existe crescente corpo de evidências que a 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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irritação física pode iniciar; promover ou acelerar danos físicos atravésda interação com 
outros agentes químicos ou biológicos. 
 
4.8.1.4 DISTINÇÃO ENTRE LIMITES MÉDIA PONDERADA (TLV–TWA) E LIMITE 
NUNCA SUPERÁVEL (TLV – C) 
Os valores da média ponderada permitem a superação do limite, desde que esta seja 
compensada por adequada exposição abaixo do limite durante o turno de 8 horas de 
trabalho. Em alguns casos específicos, pode ser possível se calcular a concentração média 
numa semana (40 horas) em vez de num dia. 
A relação entre o TV - TWA e as suas permissíveis superações decorre de regras 
empíricas que em certos casos podem não ser aplicáveis. 
O quanto um limite de exposição ocupacional pode ser superado num breve período 
de tempo, sem causar danos à saúde, depende de vários fatores: 
• Da natureza do contaminante; 
• Se concentrações muito altas, mesmo em curto tempo, causam envenenamento 
agudo; 
• Se os efeitos são cumulativos; 
• A frequência com que as altas concentrações ocorrem; 
• A duração da superação. 
 
Todos estes fatores devem ser levados em consideração quando se define se uma 
condição perigosa existe, e se deve-se admitir superações do limite de tolerância. 
A concentração média ponderada se apresenta como o meio mais prático e 
satisfatório de se monitorar contaminantes do ar quanto aos limites de exposição. Apesar 
disto, existem certas substâncias para as quais ela não é adequada. São substâncias que 
têm ação rápida e cujos limites de exposição são mais apropriadamente definidos em 
função deste tipo de resposta. Estas substâncias são mais bem controladas por um limite 
nunca superável, um valor que não deve ser nunca excedido. 
Está implícito nestas definições que os modos de amostragem para se verificar 
compatibilidade com as normas são diferentes em cada caso. Uma única e breve 
amostragem, aplicável ao TLV - C, não é adequada para o TLV - TWA. Para este último, 
faz-se necessário certo número de amostras que permitam o cálculo da média relativa a 
um ciclo de serviço ou a um turno. 
Enquanto o limite TLV - C caracteriza um limite definitivo, o qual a concentração da 
substância não deve superar nunca, a média ponderada requer um valor superior 
associado, que define uma faixa acima do limite que pode ser penetrada sob certas 
condições. 
 
4.8.1.5 LIMITES SUPERÁVEIS CONDICIONALMENTE (LIMITES DE DIGRESSÃO) 
Os limites superáveis condicionalmente também denominados de limites de 
digressão, são chamados de “excursion limits” pela ACGIH. Eles existem para a maioria 
das substâncias para as quais existem limites de exposição média ponderada. As 
superações do limite devem ser controladas no turno de 8 horas mesmo que o TLV - TWA 
esteja sendo respeitado. 
Os limites de superação condicional, aplicáveis aos TLV- TWA que não possuem 
STEL, devem ser determinados de acordo com as seguintes recomendações: 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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• Pode ocorrer exposição a mais de 3 vezes o valor numérico do TLV - TWA, mas 
esta segue as regras da faixa STEL. Ou seja, não mais que 15 minutos, por até 
4 vezes, espaçadas de pelo menos 1 hora. 
• Sob nenhuma hipótese deve-se superar o valor de 5 vezes o TLV - TWA; 
• A concentração média deve sempre respeitar o TLV – TWA; 
• Quando um STEL estiver definido, este valor tem precedência sobre os limites de 
digressão (3x, 5x), seja ele mais ou menos restritivo. 
 
4.8.2 NORMAS CANADENSES 
Na província de Ontário, Canadá, a legislação indica que a publicação da ACGIH 
deve ser usada como guia quando não existirem normas disponíveis sobre saúde e higiene 
ocupacional. 
Todavia o governo de Ontário tem uma série de publicações que indicam as máximas 
concentrações permissíveis para vários agentes químicos presentes nos locais de trabalho. 
Estes valores devem ser seguidos e têm precedência sobre qualquer outro valor limite. 
A principal publicação, semelhante ao livreto da ACGIH, se denomina “Regulations 
respecting control of exposure to biological or chemical agents - made under the 
Occupational and Safety Act”. É uma publicação semelhante à da ACGIH com seus LEOs, 
mas não inclui agentes físicos. Comparando-se as duas publicações percebe-se que 
existem umas diferenças de terminologia, pois Ontário introduz o termo valor de exposição 
(exposure value - EV), de modo a se distinguir os valores canadenses dos americanos. A 
Tabela 4.8. apresenta uma comparação de nomenclatura entre a ACGIH e a província de 
Ontário. 
Além da publicação acima citada, a província de Ontário publica textos específicos sobre 
mais de uma dezena de diferentes substâncias encontradas na indústria. Estas 
substâncias devem ser rigorosamente controladas, pois são alvo de intensa preocupação. 
Como elas foram designadas como requerendo especial atenção, são denominadas de 
substâncias designadas (“designated substances”). Um exemplo de substância designada 
que tem sua própria publicação é o asbesto. 
 
Tabela 4.8. Comparação de nomenclaturas quanto a limites de tolerância. A ACGIH usa 
o termo TLV - threshold limit value (valor limite) enquanto Ontário usa EV - exposure 
value (valor de exposição). 
Sigla na 
ACGIH 
Sigla em 
Ontário 
Definição canadense 
 
TLV-TWA 
 
 TWAEV 
Valor de exposição média temporal 
ponderada: a concentração diária média, de 
um agente químico ou biológico 
aerodisperso, existente no local de trabalho 
 
TLV-STEL 
 
 STEV 
Valor de exposição curto tempo: a máxima 
concentração, de um agente biológico ou 
químico aerodisperso, à qual um trabalhador 
pode ser exposto durante 15 minutos 
 
 TLV-C 
 
 CEV 
Valor de exposição teto: a máxima 
concentração, de um agente químico ou 
biológico aerodisperso, à qual um 
trabalhador pode ser exposto em qualquer 
tempo 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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4.8.3 NORMAS BRASILEIRAS 
A terminologia oficial no Brasil é “Limite de Tolerância – LT”, pois os valores decorrem 
de evidências e hipóteses de que se têm concentrações limites que o corpo tolera sem 
que ocorram danos à saúde. 
A Portaria 3 214, de 8/junho/78, aprovou as Normas Regulamentadoras (NRs) 
associadas ao Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho, e relativas à 
Segurança e Medicina do Trabalho. Foram aprovadas 29 NRs, sendo a NR-15 relativa à 
“Atividades e Operações Insalubres”. Os 14 anexos da NR-15 são cada um específico para 
um agente físico, químico ou biológico, como relacionado a seguir: 
 
• Anexo 1 – LT para ruído contínuo ou intermitente; 
• Anexo 2 – LT para ruído de impacto; 
• Anexo 3 – LT para exposição ao calor; 
• Anexo 5 – LT para radiações ionizantes; 
• Anexo 6 – trabalho em condições hiperbáricas; 
• Anexo 7 – radiações não ionizantes; 
• Anexo 8 – vibrações (do corpo humano); 
• Anexo 9 – frio; 
• Anexo 10 – umidade; 
• Anexo 11 – agentes químicos cuja insalubridade é caracterizada por LT; 
• Anexo 12 – LT para poeiras minerais; 
• Anexo 13 – agentes químicos (exceto os constantes dos anexos 11 e 12); 
• Anexo 14 – agentes biológicos. 
 
Na NR-15 destacamos os seguintes subitens: 
15.1 – “São consideradas atividades ou operações insalubres as que se desenvolvem: 
15.1.1. – acima dos LT previstos nos anexos 1, 2 3, 5, 11 e 12. 
15.1.3. – nas atividades mencionadas nos anexos 6, 13 e 14. 
15.1.4 – ou “comprovadas através de laudo de inspeção do local de trabalho, 
constantes dos anexos 7, 8, 9 e 10.” 
15.1.5 – “Entende-se por Limite de Tolerância para fins da norma NR-15, a 
concentração ou intensidade máxima ou mínima, relacionada com a 
natureza e o tempo de exposição ao agente, que não causará dano à saúde 
do trabalhador, durante sua vida laboral”. 
Agentes químicos como gases, líquidos e poeiras, têm um tipo de LT, com 
características que são diferentes, por exemplo, dos limites para ruído, calor ou radiação 
ionizante. Nestecapítulo apresentaremos os conceitos básicos de limite de tolerância para 
agentes químicos, e nos capítulos relativos a ruído, calor ou radiação ionizante serão 
detalhados os correspondentes limites. 
Como na ACGIH, no Brasil temos dois tipos de limite de tolerância para agentes 
químicos. Estes limites são válidos para jornadas de trabalho de 48 horas semanais, para 
absorção por via respiratória e na presença de oxigênio com teor no mínimo de 18%. Os 
dois limites legais no Brasil são o limite de tolerância valor teto (LTvt) e o limite de tolerância 
média aritmética ponderada (LTmap). 
 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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4.8.3.1 LIMITE DE TOLERÂNCIA VALOR TETO – LTvt 
É um valor que não pode ser ultrapassado em momento algum da jornada de 
trabalho, existindo apenas para alguns agentes químicos. Em outras palavras, o LTvt será 
considerado excedido se a qualquer instante a concentração do agente químico for superior 
a ele, ou seja: 
 
 Cj > LTvt (qualquer instante) (4.1) 
 
 onde: 
 
Cj = concentração do agente químico no local de trabalho, num instante qualquer j 
 
4.8.3.2 LIMITE DE TOLERÂNCIA MÉDIA ARITMÉTICA PONDERADA - LTmap 
Neste caso, a média aritmética das medidas de concentração do agente químico não 
pode ser superior ao valor do LTmap. A determinação da concentração média do agente 
químico, feita por meio de amostragem instantânea ou não, deverá conter pelos menos 10 
amostragens para cada ponto ao nível respiratório do trabalhador. Entre cada amostragem 
deve existir um intervalo de pelo menos 20 minutos. 
Deste modo o LTmap será considerado excedido quando a média aritmética das 
medidas for superior ao seu valor numérico, ou seja: 
 
 
 (4.2) 
 
onde: 
 
 = concentração média aritmética das concentrações medidas Cj 
 
A aplicação do LTmap requer adicionalmente que se imponham certos limites aos 
valores individuais medidos (Cj), de modo que mesmo sendo a média aritmética não 
superior ao LTmap, também não se tenha um valor individual acima de um dado valor 
máximo (Vmax). 
Este valor máximo é função do valor numérico do LTmap, sendo obtido através do 
chamado fator de desvio (FD), conforme a expressão (4.3): 
 
Vmax = LTmap x FD (4.3) 
Os valores de FD e LTmap são resumidos nas tabelas (4.9) e (4.10). 
 
Tabela 4.9. Valores do fator de desvio FD em função do valor do LTmap. 
LTmap (ppm ou mg/m3) FD 
0 a 1 3 
1 a 10 2 
10 a 100 1,5 
100 a 1 000 1,25 
Acima de 1 000 1,1 
Fonte: Quadro 2 do Anexo 11, NR-15. 
 
 
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Tabela 4.10. Limites de tolerância média aritmética (LTmap) para alguns agentes 
químicos. Quando existe LTvt assinalado na 2a. coluna por sinal de “+”, este é o LT 
aplicável. 
Agentes químicos LTvt 
Absorção pela 
pele também 
LTmap (para até 48 horas semanais) 
ppm mg/m3 
Grau de insalubridade 
Acetaldeído 78 140 máximo 
Acetato de cellosolve Sim 78 420 médio 
Acetileno asfixiante simples 
Acetona 780 1870 mínimo 
Ácido acético 8 20 médio 
Ácido cianídrico Sim 8 9 máximo 
Ácido clorídrico + 4 5,5 máximo 
Álcool n-butílico + Sim 40 115 máximo 
Amônia 20 14 médio 
Anilina Sim 4 15 máximo 
Bromo 0,08 0,6 máximo 
Chumbo 0,1 máximo 
Cloreto de vinila + 156 398 máximo 
Dióxido de carbono 3900 7020 mínimo 
Dióxido de enxofre 4 10 máximo 
Dióxido de nitrogênio + 4 7 máximo 
Estireno 78 328 médio 
Fenol Sim 4 15 máximo 
gás sulfídrico 8 12 máximo 
Metano asfixiante simples 
Monóxido de carbono 39 43 máximo 
Óxido de etileno 39 70 máximo 
Óxido nítrico (NO) 20 23 máximo 
Óxido nitroso (N20) asfixiante simples 
Tolueno (toluol) Sim 78 290 médio 
Fonte: Quadro 1, Anexo11, NR-15. 
Para se analisar se as condições de trabalho com uma substância estão de acordo 
com o limite de tolerância LT, devemos seguir o seguinte roteiro: 
 
• Existe LT na legislação brasileira?; 
• Se existir, tem-se LTmap ou tem-se LTvt?; 
• Se existir LTvt, ele nunca poderá ser ultrapassado; 
• Se existir LTmap, procurar o FD e calcular Vmax. Então analisar tanto para valor 
máximo como para média aritmética ponderada; 
se não existir LT na legislação brasileira, pelas NR-9 e NR-22, recomenda-se utilizar os 
valores da ACGIH, que são anualmente revistos. A NR-15 tem valores antigos e não 
revistos anualmente. Mesmo que haja valores de LT, a boa prática prevencionista 
sugere se utilizar o valor mais restritivo. 
 
Nota 4.3. Obter o LT para a amônia, especificando seu tipo. Caso seja necessário, 
calcule o Vmax. 
SOLUÇÃO: Da tabela 4.10, obtemos: LTmap = 20 ppm. 
Com a tabela 4.9: FD = 1,5. Portanto: Vmax = 1,5 x 20 = 30 ppm. 
 
 
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Nota 4.4. Na tabela 4.10 identificar substâncias cujo LTs seja de valor teto e calcular 
o Vmax. 
SOLUÇÃO: 
Obtemos as substâncias 
Ácido clorídrico – LTvt = 4 ppm 
Álcool n-butílico – LTvt = 40 ppm 
Dióxido de nitrogênio – LTvt = 4 ppm 
Para o caso do LT ser valor teto (indicado pelo sinal + na 2a. coluna), este se aplica 
e não o LTmap. Portanto não tem sentido falar em Vmax neste caso. As substâncias que 
têm LTvt são aquelas que em geral tem ação muito rápida, não sendo adequado analisar 
os efeitos em 8 horas. 
 
 
Os conceitos associados a LTmap e LTvt podem ser visualizados graficamente, como 
mostrado nas figuras 4.6.d, 4.6.e e 4.6.f. 
 
 
 
Figura 4.6.d. Concentração média superou o LTmap. 
 
Na figura 4.6.d e caso de LTmap, os valores medidos devem fornecer uma média 
inferior a este limite. Na figura, apesar da concentração ser sempre inferior a Vmax, fica 
claro que a média das concentrações no tempo é superior ao valor do LTmap. Portanto o 
LT teria sido excedido. 
 
 
 
 
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Figura 4.6.e. 
 
No caso da figura 4.6.e, o LT foi excedido, pois apesar na concentração média ser 
inferior ao valor do LTmap, num dado momento a concentração superou o valor máximo 
permitido (Vmax). 
 
 
 
Figura 4.6.f. 
 
No caso da figura 4.6.f o LT não foi excedido, pois nem a média aritmética das 
concentrações superou o valor LTmap, nem, em nenhum momento, a concentração 
superou o valor Vmax. 
 
 
 
 
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Nota 4.5. Ao se avaliar a concentração de amônia em um local de trabalho, verifica-
se que os trabalhadores ficaram expostos 2 horas a 10 ppm e 6 horas a 25 ppm. O limite 
de tolerância foi ultrapassado? 
SOLUÇÃO: Para a amônia, da tabela 4.10 obtivemos: LTmap = 20 ppm. 
Com a tabela 4.9: FD = 1,5. Portanto: Vmax = 1,5 x 20 = 30 ppm. 
 
A concentração média nas 8 horas é dada pela média aritmética ponderada no 
tempo de 8 horas: 
C(média) = (2 x 10 + 6 x 25) / 8 = 21,25 ppm. 
Portanto, apesar de nenhum valor superar Vmax, a média foi superior a 20 ppm, 
tendo sido excedido o LT. 
 
 
 
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Nota 4.6. Ao se avaliar a concentração de dióxido de carbono gasoso, encontrou-
se os valores da tabela. O limite de tolerância foi ultrapassado? 
 
 
Número da amostra Concentração (ppm) 
1 4 000 
2 4 000 
3 4 000 
4 3 800 
5 3 800 
6 3 700 
7 3 900 
8 4 000 
9 4 100 
10 4 000 
 
 
SOLUÇÃO: Para o CO2, da tabela 4.10 ou da NR-15, obtemos: LTmap = 3 900 
ppm. 
Com a tabela 4.9: FD = 1,1. Portanto: Vmax = 1,1 x 3 900 = 4 290 ppm. 
 
A concentração média é dada pela média aritmética simples: 
C(média) = (5 x 4.000 + 2 x 3.800 + 3.700 + 3.900 + 4.100) / 10 = 3 930 ppm. 
Apesar de nenhum valorsuperar Vmax, a média foi superior a 3 900 ppm, tendo 
sido excedido o LT. 
 
 
 
 
 
 
 
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Nota 4.7. Ao se avaliar a concentração de chumbo numa usina de tratamento de 
minérios, encontram-se os valores abaixo. O limite de tolerância foi ultrapassado? 
 
Número da amostra Concentração (mg/m3) 
1 0,5 
2 1 
3 1 
4 0,5 
5 0,5 
6 0,5 
7 1 
8 1 
9 1 
10 0,5 
 
 
SOLUÇÃO: Para o chumbo, da tabela 4.10 obtemos: LTmap = 0,1 mg/m3. 
Com a tabela 4.9: FD = 3. Portanto: Vmax = 3 x 0,1 = 0,3 mg/m3 
 
A concentração média é dada pela média aritmética simples: 
C(média) = (5 x 1 + 5 x 0,5) / 10 = 0,75 mg/m3. 
A média supera LTmap e vários valores individuais superam o Vmax, portanto 
foi excedido o LT por dois motivos. 
 
Se procurarmos o LT no livreto da ACGIH de 2014, encontraremos para o 
chumbo o valor de 0,05 mg/m3. Isto porque constantemente a ACGIH incorporam-se 
novos e mais restritivos valores, decorrentes das mais recentes pesquisas. A ACGIH 
publica anualmente valores cientificamente “mais atuais”, algumas vezes mais 
restritivos e outras vezes incorporando novas substâncias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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4.8.4 COMPARAÇÃO ENTRE AS NORMAS BRASILEIRAS E AS SUGESTÕES DA 
ACGIH 
4.8.4.1 CONCEITUAÇÃO 
Existem diversas diferenças entre valores e conceitos contidos nas normas 
brasileiras e da ACGIH. Apesar da ACGIH não ser um órgão americano com poder de 
legislação e normatização, seus valores são de alta credibilidade científica e são usados 
como base em grande número de países. A consulta aos valores por ela publicados é 
sempre recomendada e os nomes TLV-TWA, TLV-C e TLV-STEL são marcas registradas 
dela. 
Quanto aos valores de TLV-TWA, eles são definidos para turno diário de 8 horas ou 
40 horas semanais, enquanto o LTmap se refere a 48 horas semanais. Assim, muitas vezes 
o fato do valor brasileiro ser mais restritivo decorre apenas de uma multiplicação por um 
fator de redução (FR). 
Nos Estados Unidos e no Canadá existe o limite de tolerância TLV-STEL, que não 
existe no Brasil e que traduzimos por limite de tolerância de curta exposição. É o valor até 
o qual você pode ficar exposto acima do TLV-TWA, por breve período, sem ocorrer: 
irritação, dano irreversível ou narcose que afete a segurança. 
O TLV-STEL não é isolado, vem sempre associado ao TLV-TWA, e o suplementa 
quando existem efeitos agudos associados a substâncias que em geral geram efeitos 
crônicos. Para a maioria das substâncias não existem dados para definir TLV-STEL. 
O TLV-C corresponde de certo modo ao LTvt, sendo adequado a substâncias que 
tem ação muito rápida, tornando a média ponderada em 8 horas um parâmetro 
inadequado. O LTvt nunca pode ser superado e é independente da LTmap. 
A tabela 4.11 apresenta algumas comparações entre limites de tolerância segundo a 
ACGIH e a NR-15 (Anexo 11). 
Tabela 4.11. Limites de tolerância – TLV e LTmap. 
SUBSTÂNCIA 
USA (40 h) (**) 
ACGIH – TLV-TWA 
Brasil (48 h) 
NR 15 - LTmap 
TLV-STEL (***) 
só ACGIH 
Amônia 25 ppm 20 ppm (14 mg/m3) 35 ppm* 
Cloro 0,5 ppm 0,8 ppm 1 ppm 
CO2 5 000 ppm 3 900 ppm 30 000 ppm 
H2S 1 ppm 8 ppm 5 ppm 
Tricloroetileno 10 ppm 275 ppm (1480 mg/m3) 25 ppm 
Pb (*) 0,05 mg/m3 0,1 mg/m3 - 
CO 25 ppm 39 ppm (43 mg/m3) - 
Benzeno 0,5 ppm (+) 2,5 ppm 
(*) elemento e compostos inorgânicos. 
(**) valores para 2006 da ACGIH. 
(***) no Brasil não existe este limite, seria Ltce. 
(+) foi retirado da NR-15, existindo norma específica para benzeno, com metodologia complexa de avaliação. 
Em tese o benzeno é proibido no Brasil, exceto na fabricação de certos compostos, tendo-se um limite 
denominado de VRT valor de referência tecnológico. 
 
 
 
 
 
 
 
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4.8.4.2 VISUALIZAÇÃO GRÁFICA DE LTvt E TLV-C 
Consideremos o butanol (álcool n-butílico). Para 2001, seus LT são: LTvt = 40 ppm 
e TLV-C = 50 ppm. 
O valor mais restritivo no Brasil decorre da relação de número de horas semanais, 
tendo-se 48 h no Brasil e 40 horas para a ACGIH. A transformação de 40 h para 48 h é 
feita pela fórmula de Brief e Scalla e gera um fator de redução FR. 
A figura 4.7.a. ilustra o caso em que os LTvt e TLV-C não foram excedidos nem 
no Brasil nem para a ACGIH, para turno de 8 horas. Em nenhum instante estes limites 
poderiam ser ultrapassados. 
 
 
Figura 4.7.a. O LTvt não foi excedido nem o TLV-C. 
 
4.8.4.3 VISUALIZAÇÃO GRÁFICA DO TLV-TWA SEM EXISTÊNCIA DE TLV-STEL 
Na figura 4.7.b. o TLV-TWA foi superado em alguns momentos, mas a média no 
tempo foi inferior ao valor limite. Como não se superou o valor de 3 vezes o TVL - TWA, as 
superações na faixa (TLV – TW) e 3 x (TLV – TWA) podem ser em qualquer número e por 
qualquer tempo, desde que seja mantida uma média inferior ao TLV – TWA. 
 
 
 
 
 
 
Figura 4.7.b. O TLV-TWA não foi superado. 
 
 
 
 
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Figura 4.7.c. O valor de [3 x TLV-TWA] foi superado 2 vezes, mas não se pode saber se 
por 15 minutos ou menos cada uma. O espaçamento entre as superações parece ser 
superior a 1 hora. E [5 x TLV-TWA] nunca foi superado. 
 
Na figura 4.7.c. a concentração da substância superou o valor de 3 x (TLV – TWA) 
mas num tempo total inferior a 30 minutos. Mas a regra fala de no máximo 15 minutos por 
evento e não temos dados para checar isso. O valor de 5 x (TLV-TWA) nunca foi superado 
e se a média em 8 horas for inferior ao TLV-TWA, então teremos de elucidar se os tempos 
de superação individual foram de até 15 minutos para estar de acordo com o TLV - TWA. 
 Na figura 4.7.d. o LTmap (Brasil) e o TLV-TWA (ACGIH) são iguais, mas ambos 
foram excedidos. O LTmap foi excedido porque o maior fator de desvio (FD) de acordo com 
a Tabela 4.9. é 3 e a concentração superou 3 vezes o LTmap. Já o TLV-TWA) foi superado 
porque a concentração superou o valor de 3 x (TLV-TWA) por mais de 15 minutos. Se a 
superação tivesse sido de 15 minutos, segundo a ACGIH, o limite não teria sido excedido. 
 
 
 
 
 
Figura 4.7.d. Ambos os limites de tolerância, do Brasil (LTmap) 
e da ACGIH (TLV-TWA), foram excedidos. Os valores 
numéricos são iguais (LTmap = TLV-TWA). 
 
 
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4.8.4.4 VISUALIZAÇÃO GRÁFICA DO TLV-TWA COM EXISTÊNCIA DE TLV-STEL 
Quando existe o TLV-STEL, ele complementa o TLVA-TWA, permitindo que o valor 
do TLV-TWA seja superado em até 4 vezes num turno, por períodos não superiores a 15 
minutos e espaçados de no mínimo 1 hora. Na figura 4.8. a concentração atinge valores 
entre TLV-TWA e TLV-STEL por 4 vezes, todas num intervalo inferior a 15 minutos e 
espaçadas por mais de 60 minutos. Como o TLV-STEL nunca foi excedido, se a 
concentração média nas 8 horas for inferior ao TLV-TWA, então o limite não terá sido 
excedido. 
 
Figura 4.8. O TLV-TWA com TLV-STEL não foi superado. 
 
4.8.4.5 O CASO DO BERÍLIO 
Até 1996 o limite de tolerância indicado pela ACGIH para o berílio era um TLV-TWA 
de 2 g/m3. Além disso, havia a notação A2, indicando ser um suspeito carcinogênico 
humano. A regra para a faixa 3x (TLV – TWA) em 1996 era que na faixa 3x a 5x o TLV-
TWA podia-se ficar por até 30 minutos. 
A figura 4.9 ilustra uma possível variação da concentração sem que fosse excedido 
o TLV - TWA do berílio em 1996. 
 
Figura 4.9. Superou-se o valor de 3 x (TLV – TWA), mas por apenas 25 minutos, ou seja, 
tempo inferior a 30 minutos (regra em 1996). Superou-se o valor do TLV-TWA por 105 
minutos mas estando abaixo de 3 x TLV-TWA, mas isto poderia ter sido compensado por 
valores abaixo do TLV-TWA, dandouma média inferior a 2 g/m3. Neste caso o TLV – 
TWA não teria sido excedido. 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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A partir de 1997, a ACGIH alterou o TLV relativo ao berílio, mantendo um TLV-TWA 
de 2 g/m3, mas com um associado TLV-STEL de 10 g/m3. Este novo TLV se manteve 
até 2001, com a notação A1, indicando ser confirmado como carcinogênico humano. Com 
este novo limite, a situação da figura 4.9 levaria a ter-se excedido o TLV, pois entre os 2 
valores de 2 e 10 g/m3, a concentração por duas vezes se manteve por tempo acima de 
15 minutos. 
A alteração do tipo de limite de exposição ocupacional tornou uma situação antes 
admissível numa situação não mais adequada. Este fato é uma tendência geral, com os 
valores dos TLVs, que se tornam mais restritivos à medida que se dispõe de mais estudos 
e dados toxicológicos. 
O limite de tolerância para o berílio não existe na NR-15 (até 2016). 
 
4.9 METODOLOGIAS DE MEDIÇÃO 
A medicina desenvolveu vários métodos para detectar mudanças no corpo humano 
e que permitem rastreá-las até o local de trabalho. 
 
4.9.1 MEDIÇÕES NO INDIVÍDUO 
Algumas das mais importantes técnicas para se medir efeitos à saúde relacionados 
com o ambiente de trabalho incluem as seguintes: 
• Espirometria; 
• Raios X; 
• Análise de excreções; testes de dosagem corporal; 
• Audiometria. 
 
4.9.1.1 ESPIROMETRIA 
Uma simples medição de espirometria envolve a determinação de quanto ar se 
consegue expelir dos pulmões. Os resultados obtidos antes da contratação podem ser 
comparados com testes efetuados periodicamente enquanto o trabalhador continuar na 
empresa. Estes testes são também conhecidos como testes de funcionamento pulmonar 
ou de capacitação pulmonar. 
Certas doenças ocupacionais podem paulatinamente reduzir a capacidade de 
funcionamento dos pulmões e o teste de espirometria pode ajudar a identificar esta 
redução. A asbestose, a silicose e a pneumoconiose de carvão podem levar a um 
funcionamento bem restrito dos pulmões, enquanto o cigarro em geral conduz a uma 
obstrução pulmonar. 
Os testes de capacitação pulmonar são usados para se avaliar o enfraquecimento 
dos pulmões, mas o enfraquecimento não implica necessariamente em incapacitação. O 
enfraquecimento é definido como a redução das funções pulmonares em comparação com 
valores normais, enquanto que a incapacitação é a impossibilidade de um indivíduo 
desempenhar suas atividades usuais. 
A avaliação da incapacitação é muito mais difícil quando a pessoa tem um passado 
de fumante, devendo-se sempre considerar também o estilo de vida que ela tem. Devido 
ao fato de que existem poucos conhecimentos sobre a história deste tipo de doença e sua 
evolução, não se pode demonstrar cientificamente o momento exato em que a pessoa deve 
ser retirada da exposição. Os problemas de diagnóstico podem ser diminuídos por uma 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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cuidadosa interpretação da história do trabalhador. Isto ajuda a se recomendar a retirada 
do serviço ou mesmo se ele deve pedir indenização. 
Existem continuados problemas para se estimar a incidência destas doenças por 
causa da não uniformidade dos relatórios e a rápida rotatividade da força de trabalho. 
4.9.1.2 RAIOS X 
É comum que trabalhadores que já trabalharam em ambientes com poeiras, mas não 
o fazem mais, sejam solicitados a realizar exame de raios X dos pulmões com certa 
regularidade. O motivo é que certos tipos de pneumoconioses continuam a se desenvolver 
mesmo na ausência de fontes de material particulado. 
 
4.9.1.3 EXCREÇÕES 
Metais pesados como mercúrio, podem ser detectados mesmo em pequenas 
quantidades na urina. Esta detecção indica que o indivíduo está ou esteve exposto, e que 
ações devem ser tomadas. Várias outras substâncias podem ser detectadas pelo mesmo 
método. 
 
4.9.1.4 TESTE DE DOSAGEM CORPORAL 
O teste de dosagem corporal mais comum é o de sangue. Metais pesados como 
mercúrio e chumbo, podem aparecer no sangue de um indivíduo muito exposto a estes 
contaminantes. Outras partes do corpo que podem ser utilizadas para testes são os tecidos, 
fluidos e soros. 
 
4.9.1.5 AUDIOMETRIA 
Com o tempo as pessoas diminuem sua habilidade de ouvir. A causa pode ser o 
natural envelhecimento humano ou um nível excessivo de ruído no local de trabalho. 
Exames periódicos da habilidade auditiva podem identificar as pessoas sob situação de 
risco quanto a ruído, podendo-se tomar então medidas para eliminar ou reduzir 
sensivelmente o problema. 
4.9.1.6 RESUMO DOS MÉTODOS 
Todos estes métodos medem diretamente a quantidade da carga ambiental 
(environmental stress) recebida pelo corpo. Nestes métodos são analisados elementos 
como fluidos, excreções, tecidos, cabelo e ar expirado, usando-se técnicas específicas de 
análise para quantificar o agente afetando o corpo. 
Estes métodos de medição direta são efetuados por profissionais de medicina, 
enquanto a engenharia se preocupa mais com medições indiretas, tais como a 
quantificação do ar que é inalada. Os efeitos do ar inalado ou dos contaminantes na pessoa 
são mais do campo da medicina ocupacional. Nos capítulos seguintes serão estudadas 
algumas das medições indiretas e sua correlação com os efeitos decorrentes. 
 
4.10 AÇÕES CORRETIVAS 
O capítulo 4 é orientado ao corpo humano e qualquer ação corretiva no corpo em si 
não pertence ao campo da engenharia, mas sim da medicina. 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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Os engenheiros estão preocupados com o miniambiente, ou seja, com o ambiente 
imediato em torno do trabalhador, mas não devem tentar nenhuma ação corretiva no 
próprio trabalhador. Todavia isto não foi sempre assim e os exemplos a seguir ilustram isto. 
Em certa época, muitas das minas de ouro deliberadamente dispersavam pó de 
alumínio ou óxido N de polivinil piridina, de modo que os trabalhadores os respirassem 
enquanto trocassem de roupa nos vestiários. Isto era considerado uma medida preventiva 
contra os efeitos nocivos do pó de sílica, pois algumas pessoas afirmavam que a inalação 
de pó muito fino em quantidades controladas diminuía a incidência de silicose. Outras 
pessoas eram totalmente cépticas quanto a isso e a ideia de contra-atacar os efeitos de 
um tipo de pó com outro pó é no mínimo estranha. Esta prática foi interrompida e a questão 
da eficiência ou não do pó de alumínio nunca foi resolvida. 
Muitos empregadores dão tabletes de sal para trabalhadores que estão locados em 
ambientes muito quentes. O raciocínio é que o corpo perdendo muito sal pelo suor 
necessita de reposição. Hoje não se recomenda tabletes de sal, mas comida um pouco 
mais salgada, pois a ingestão direta de sal pode causar efeitos colaterais sérios. Em suma, 
a reposição de sais no organismo não é um processo tão simples. 
 
4.11 ESTUDO DIRIGIDO 
Estudos dirigidos complementam o texto do capítulo. A pesquisa para a obtenção das 
respostas deve envolver outros textos, enciclopédias, notícias de jornal, etc. É necessário 
sempre citar as fontes de obtenção dos dados ao final. Quando se solicita a definição de 
um conceito ou elemento, esta definição deve ser dada com 5 a 10 linhas. 
 
a) No final do livreto de TLVs e BEIs da ACGIH de 2016, existe uma lista de novos 
agentes que estão sendo estudados, mas para os quais a ACGIH ainda não definiu 
os limites de tolerância. Leia-os e os reescrevam a seguir, indicando quais têm algo 
a ver com sua vida diária. 
b) Definir DNA, RNA, ATP (trifosfato de adenosina), vírus e bactéria. 
c) Conceituar e exemplificar o que são metais pesados. Apresentar um ou mais casos 
reais de contaminação por metal pesado descrito na literatura. 
d) Conceituar ergonomia e dar exemplos de problemas ergonômicosda tecnologia 
atual. 
e) No Manual Atlas de Legislação – Segurança e Medicina do Trabalho, 57ª edição, 
2005, estão compiladas as Normas Regulamentadoras (NRs) aprovadas pela 
Portaria No. 3 214 de 8 de junho de 1978. A que se refere a NR-15? A que se refere 
cada um de seus anexos? 
 
A ACGIH tem uma extensa publicação que está associada com o livreto de limites 
TLV. Esta publicação se denomina “Documentation of the Threshold Limit Values and 
Biological Exposure Indices” e apresenta a documentação científica e os dados das fontes 
da literatura que serviram de subsídio para a definição do limite de tolerância. Para melhor 
entendimento dos limites de tolerância, é aconselhável ler esta documentação que no total 
se compõe de vários volumes. As documentações para os agentes químicos, cianeto de 
hidrogênio e monóxido de carbono, exemplificam os tipos de documentos usados para se 
chegar a um consenso de limite de tolerância, devendo ser lidas com atenção. 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
98 
4.12 TESTES (3) 
1. Qual das seguintes é uma dimensão grosseiramente incorreta: 
a) Diâmetro de célula animal: 10 m. 
b) Comprimento de embrião humano com 1 mês de crescimento: 5 mm. 
c) Espessura da parede celular: 10 nm. 
d) Espessura da camada epidérmica humana: 25 m. 
e) Menor grão de poeira visível a olha nu: 25 nm. 
Feedback: a menor partícula visível a olho nu tem de 50 a 100 m. 
 
2. O limite de tolerância curta exposição (LTce) é definido como a máxima concentração à 
qual trabalhadores podem ser expostos: 
a) Por um período de até 30 minutos por não mais de 4 vezes por dia, com pelo menos 30 
minutos entre cada exposição. 
b) Por um período de até 15 minutos por não mais de 6 vezes por dia, com pelo menos 45 
minutos entre cada exposição. 
c) Por um período de até 60 minutos por não mais de 2 vezes por dia, com pelo menos 120 
minutos entre cada exposição. 
d) Por um período de até 15 minutos por não mais de 4 vezes por dia, com pelo menos 60 
minutos entre cada exposição. 
e) Por um período de até 15 minutos por não mais de 4 vezes por dia, com pelo menos 15 
minutos entre cada exposição. 
Feedback: item 4.8.1.2. 
 
3. O limite de tolerância para poeira é 5 mg/m3 e tem uma designação associada de valor 
teto. Isto significa que: 
a) 5 mg/m3 não pode ser excedido nunca. 
b) Se o maior valor de 3 amostras colhidas a intervalos de 10 minutos for inferior a 5 mg/m3, 
então o limite foi respeitado. 
c) O fator de superação condicional é 2. 
d) A absorção cutânea é importante. 
e) A média geométrica anual da poluição atmosférica fica abaixo de 5 mg/m3. 
Feedback: item 4.8.1.3. 
 
4. Num turno de 8 horas, um monômero de vinil cloreto contaminou uma amostra de ar 
colhida numa vazão de 20 cm3 por minuto, fornecendo 200 g do composto. A 
concentração média temporal ponderada era: 
 
a) 21 mg/m3. 
b) 0,21 mg/m3. 
c) 210 mg/m3. 
d) 21 g/m3. 
e) 0,21 g/m3. 
Feedback: 20 cm3 por minuto = 1200 cm3 por hora = 9600 cm3 por dia (8 horas). 
Concentração = 200 g / 9600 cm3 = 0,021 g / cm3 = 21 mg / m3. 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
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5. Um soldador, trabalhando com aço galvanizado, fica exposto a uma concentração 
atmosférica de 6,4 mg/m3 de fumos de óxido de zinco. Quando não está soldando, fica 
exposto a um nível de fundo de 0,8 mg/m3 de fumos do mesmo tipo. Se o tempo de 
soldagem é de 3 horas em um turno de 8 horas, então a concentração média ponderada 
no turno é: 
a) 4,3 mg/m3. 
b) 3,6 mg/m3. 
c) 2,9 mg/m3. 
d) 1,8 mg/m3. 
e) 0,9 mg/m3. 
Feedback: (3 * 6,4 + 5*0,8) / 8 = 2,9 mg/m3. 
 
6. A massa de particulado coletada por um amostrador, operando com uma vazão de 10 
L/min por 100 minutos, foi de 10 mg. O material particulado continha 10% de diborane. O 
limite de tolerância deste composto é de 0,1 mg/m3. 
a) A concentração foi de 10 vezes o LT. 
b) A concentração igualou o LT. 
c) A concentração foi um décimo do LT. 
d) A concentração foi de um centésimo do LT. 
e) A concentração foi metade do LT. 
 
 
7. Um amostrador de ar opera com taxa de 2 L/min e é usado para amostrar fumos de 
solda num período de 50 minutos. Na análise laboratorial, obteve-se na amostra 0,70 mg 
de ferro. Se o LT para fumos de ferro é de 5 mg/m3 então a concentração de fumos ferrosos 
na atmosfera amostrada é: 
a) 0,14 x LT. 
b) 0,7 x LT. 
c) 1,4 x LT. 
d) 2,8 x LT. 
e) 3,5 x LT. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
100 
4.13 CASOS REAIS 
O caso apresentado a seguir foi publicado na revista Applied Occupational and 
Environmental Hygiene (England e Carlton, 1999). Seu resumo é apresentado numa forma 
similar à utilizada nos capítulos deste livro. Ou seja, se utilizam os itens: a ciência, a 
natureza do problema, limites admissíveis, metodologias de medição e ações corretivas, 
permitindo que se perceba a complexidade associada à definição de limite de tolerância. 
 
4.13.1 A CIÊNCIA DAS RESINAS 
Muitas indústrias utilizam tintas e base para tintas para proteção das superfícies 
contra a corrosão. A aplicação destes produtos pode ser de várias formas, sendo comum 
o borrifamento de material pulverizado (sprays), com as aplicações em geral utilizando 
revólver com ar comprimido. 
Algumas destas tintas de base contêm cromato de estrôncio enquanto outras não o 
contêm este cromato. Exemplos sem cromato são os produtos comerciais Aeroglaze 9741 
e Aeroglaze 8743, usados na força aérea americana e que têm basicamente a mesma 
composição, tendo, todavia diferentes pigmentos que dão cores diferentes aos produtos 
quando aplicados. 
Os produtos que contêm cromato de estrôncio são realmente inibidores da corrosão, 
sendo na verdade uma tinta à base de uma resina epóxi. 
Os produtos que não contêm o cromato de estrôncio, são também à base de resina 
epóxi e do ponto de vista da corrosão, não são inibidores desta, não sendo realmente uma 
base anticorrosiva. Quando a base originalmente aplicada à superfície estiver intacta, não 
é necessário aplicar nova camada anticorrosiva (contendo cromato), mas apenas esta 
resina epóxi sem cromato. Esta última tem as seguintes características: 
a) não é realmente inibidora da corrosão; 
b) é mais um produto “adesivo”, cujo objetivo é dar aderência e fixação a uma 
cobertura de poliuretano na superfície. 
A resina epóxi aderente é constituída de 2 componentes: 
1) Um componente epóxi: contém compostos epóxi e composto solvente 
(principalmente acetato de n-butil); 
2) Um componente endurecedor: contém agentes endurecedores (poliaminas) e 
composto solvente (n-butanol). 
O uso destas tintas e bases centradas em epóxi se deve a características importantes 
que incluem durabilidade, resistência mecânica, aderência, flexibilidade e resistência à 
corrosão. Estas características decorrem das reações químicas que acontecem quando os 
dois componentes são misturados. Quando juntos, os grupos epóxi e amino reagem com 
o grupo amino permitindo o encadeamento (polimerização) dos monômeros e oligômeros 
epóxi. Um monômero é uma única molécula ou composto reativo, enquanto que um 
oligômero é um conjunto de moléculas contendo monômeros que reagiram entre si (é um 
pré-polímero). 
Os solventes são transportadores e diluidores dos compostos da resina, fornecendo 
o meio no qual a polimerização ocorre. Portanto, os solventes permitem que a reação entre 
os compostos, epóxi e amino se desenvolvam apropriadamente. Depois da formação dos 
polímeros os produtos finais endurecem, num processo também denominado de cura. 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
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A partir do etileno (C2H4), que foi usado no início em aplicações de iluminação, pode-se obter a molécula do óxido de etileno, que contém um átomo de oxigênio, como ilustra a 
figura 4.10. O óxido de etileno, um monômero, quando encadeado com outros monômeros 
(polímero), fornece as resinas de base epóxi. Ou seja, uma resina epóxi é na verdade 
formada por um polímero de óxido de etileno, conforme ilustra a figura 4.11. 
O óxido de etileno é um gás altamente inflamável e com alta afinidade com água. 
Todavia seus polímeros são sólidos devido à grande massa molecular. Os limites inferior 
e superior de explosividade do óxido de etileno são respectivamente 2,7% e 28,6%, com o 
pico de força ocorrendo para 6,52%. 
A massa molecular do óxido é de 44 g, ou seja, um mol de óxido de etileno tem 44 
gramas e contém um “grupo epóxi”. As moléculas de uma resina epóxi são polímeros 
(contêm vários monômeros), portanto têm massa molecular bem maior. 
 
 
Figura 4.10. Molécula do etileno e do óxido de etileno (base das resinas epóxi). 
Um anel epóxi é o triângulo de 2 carbonos e um oxigênio. A ligação de vários 
anéis, pela retirada de 1 hidrogênio, forma um polímero. 
 
 
Figura 4.11. Polímero linear com 4 anéis de epóxi. Polímeros maiores podem 
se expandir tridimensionalmente e por outros átomos. 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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4.13.2 A NATUREZA DO PROBLEMA 
A força aérea americana utiliza tinta anticorrosiva à base de epóxi com cromato de 
estrôncio, aplicado na forma pulverizada. Apesar de bom inibidor da corrosão, o cromato 
de estrôncio é um suspeito carcinogênico. O Departamento de Higiene da força aérea 
mediu elevados níveis de cromato nas diversas instalações onde são feitas as aplicações 
do produto. 
Um esforço foi feito para substituir a resina com cromato por outra resina sem 
cromato, tal qual o Aeroglaze 9741. A resina sem cromato, que tem características de 
aderência, é conhecida como “tie-coat” e foi analisada pela seção de higiene industrial da 
força aérea em 3 instalações militares onde se tem controle de corrosão: Nellis, Sioux City 
e Randolph. O estudo visava medir a concentração deste produto nos locais de trabalho e 
o grau de exposição dos trabalhadores ao mesmo. 
Os componentes da resina epóxi aderente (REA) apresentam potencial de gerar 
condições não seguras de trabalho, gerando insalubridade por inalação, ingestão ou 
contato. A inalação ocorre com vapores ou partículas (aerossóis), que ficam na atmosfera 
nos locais de pulverização. 
A resina epóxi representa uma condição de exposição não segura quando no estado 
não endurecido, ou seja, enquanto não ocorre a completa reação entre os grupos epóxi e 
amino. O óxido de epóxi (epóxido) é o grupo mais reativo da molécula de resina epóxi, 
gerando a situação mais perigosa para a saúde. Após a reação com a amina torna-se 
inativo. Grupos epóxi livre, parcialmente reagidos ou totalmente reagidos podem existir nos 
aerossóis ou nas camadas da REA em fase de endurecimento nas superfícies. Os 
aerossóis podem penetrar no corpo por inalação e causar problemas de saúde aos 
trabalhadores. 
Os principais dados toxicológicos dos componentes da resina epóxi aderente (REA) 
são resumidos a seguir. 
 
4.13.2.1 COMPONENTES EPÓXI (MONÔMEROS, OLIGÔMEROS) 
A literatura indica que os grupos epóxi da resina são tumorígenos, mutágenos, 
irritantes primários e alteram o sistema respiratório. Dependendo do monômero ou 
oligômero, diferentes órgãos e sistemas são afetados tais como rins, pulmões e sangue. 
Os dados mutagênicos vêm de testes bacteriológicos, enquanto experimentos em 
animais fornecem informações sobre os efeitos tumorígenos, os irritantes e sobre o sistema 
respiratório. Dados epidemiológicos humanos indicam associação com doenças do fígado. 
 
4.13.2.2 COMPONENTES AMINO 
Dentre os componentes amino (contêm grupo NH2 ou NH3) destacam-se um fenol, 
um trietileno tetramina e um polietileno poliamina. 
 
4.13.2.2.1 COMPOSTO 2, 4, 6 TRIS-FENOL 
Representa um perigo à saúde, no estado não reagido, sendo sua principal rota de 
entrada a inalação de partículas na forma de aerossol. A exposição acarreta irritação 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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severa dos olhos e pele sendo moderadamente tóxico por ingestão ou contato de pele. É 
difícil se estimar a porcentagem não reagida durante o processo de endurecimento. 
 
4.13.2.2.2 COMPOSTO TRIETILENOTETRAMINA 
Sua principal rota de entrada é a inalação de aerossóis, provocando a irritação de 
mucosas, dos olhos e da pele. Ele é um agente sensibilizador da pele e um mutagênico, 
sendo moderadamente tóxico por inalação e contato de pele. 
 
4.13.2.2.3 COMPONENTE POLIETILENO POLIAMINA (POLÍMERO) 
Não existem informações toxicológicas sobre ele, sendo os perigos à saúde 
analisados através de deduções a partir das massas moleculares dos principais 
constituintes: amina alifática, metilmetacrilato e bisfenol. A inexistência de informação 
toxicológica decorre de sua especificidade e do seu recente desenvolvimento tecnológico. 
Existem evidências indicando que pode ser tumorígeno ou mutagênico, sendo 
irritante dos olhos e da pele. 
 
4.13.2.3 SOLVENTES (GRUPOS EPÓXI E AMINO) 
4.13.2.3.1 N-BUTANOL (ÁLCOOL N-BUTIL) 
A principal forma de exposição é pela inalação de aerossóis ou de vapores da 
evaporação do aerossol. Está associado à irritação dos olhos e deficiências auditivas. Em 
altas concentrações causa tonturas e dores de cabeça. 
 
4.13.2.3.2 N-BUTIL-ACETATO 
A exposição ocorre via aerossóis e vapores, podendo causar dores de cabeça e 
tonturas e afetar olhos, nariz e pele. 
 
4.13.2.4 OUTROS COMPONENTES DA RESINA EPÓXI ADERENTE 
4.13.2.4.1 EPICLORIDRINA 
É um irritante da pele, olhos e trato respiratório, um sensibilizador da pele e um 
suspeito carcinogênico. 
 
4.13.2.4.2 BISFENOL 
É um irritante da pele e afeta o sistema reprodutivo. 
 
4.13.2.4.3 CROMATOS E METAIS 
Não são listados pelos fabricantes, mas podem existir em pequenas quantidades. 
 
4.13.3 LIMITES DE EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL 
A tabela 4.12 indica os limites de tolerância disponíveis na literatura. Da sua análise 
conclui-se que dos compostos de interesse neste estudo poucos têm limite explicitado na 
literatura. Apresenta-se então um método para se derivar o limite de tolerância para uma 
resina epóxi aderente (sem cromato), a partir do limite de tolerância do óxido de etileno e 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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das massas moleculares deste óxido e do polímero que forma a resina. Este método foi 
também usado para derivar outros limites de tolerância para as aminas. 
Este método deriva o limite de tolerância para a resina epóxi com as seguintes 
etapas: 
1. explicitação do LEO do óxido de etileno em função do equivalente-grama do grupo 
epóxi; 
2. transformação do LEO acima para a resina e seus grupos epóxi. Este processo é 
uma estimativa feita pela aeronáutica para o caso específico em análise. 
Tabela 4.12. Limites de tolerância para componentes da resina epóxi aderente [2-ACGIH] 
COMPONENTE LIMITE DE TOLERÂNCIA OBSERVAÇÕES 
Grupo epóxi não existe (*) 
não existe TLV-TWA da ACGIH; 
não existe PEL – Permissible Exposure 
Limit da OSHA – Occupational Health 
and Safety Administration; 
não existe OEL – Occupational Exposure 
Limit da força aérea. 
2,4,6,tris-fenol não existe 
Trietilenotetramina não existe 
Polietileno 
Poliamina 
não existe 
 
 
N-butanol (vapor) 
TLV-C = 152 mg/m3 
PEL = 300 mg/m3 (8 
horas) 
“skin notation”(**) 
N-butil-acetato 
TLV-TWA = 713 mg/m3 
TLV-STEL = 950 mg/m3 
 
Epicloridrina TLV-TWA = 7,6 mg/m3 “skin notation”(**) 
Bisfenol não existe 
Cromo TLV-TWA = 0,5 mg/m3 
Cromato de 
estrôncio 
TLV-TWA = 0,000 5 
mg/m3 
 
Ferro TLV-TWA = 1 mg/m3 
(*) nem para esta resina específica nem para resinas epóxi em geral.(**) para a ACGIH, indica que a rota de entrada pela pele e mucosas é significante. 
 
 
A massa molecular do óxido de etileno é: 
4 + 2 x 12 + 16 = 44 gramas 
Esta massa molecular contém um grupo epóxi, ou seja, 44 gramas de óxido de etileno 
(OEt) contém 1 mol do grupo epóxi (1 epóxi-equivalente). O LEO do óxido de etileno é 1,8 
mg/m3, e em termos de epóxi equivalente (EEq) podemos escrever: 
 
LEO (OEt) = [ 1,8 mg/m3 ] x [ 1 epóxi-equivalente / 44 g ] 
 
LEO (OEt) = [ 4,09 x 10-5 ] x [ EEq(OEt) / m3 ] 
 
Na resina epóxi aderente (REA) tem-se grupos epóxi (polímeros) com massa 
molecular de 190 gramas, de modo que para ela podemos escrever: 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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LEO (REA) = [ 4,09 x 10-5 ] x [ EEq(REA) / m3 ] = [ 4,09 x 10-5 ] x [ 190 g / m3 ] 
LEO (REA) = [ 4,09 x 10-5 ] x [ 190 x 103 mg / m3 ] 
 
LEO (REA) = 7,8 mg/m3 
 
Este limite foi então usado para comparação com as concentrações medidas nos 
locais de trabalho. 
A divisão da massa molecular 190 g pela massa 44 g nos dá uma indicação do 
número de grupos epóxi no polímero da resina, no caso 4,3. O número fracionário é comum 
em polímeros epóxi, significando na realidade 4 grupos epóxi e alguns outros componentes 
como amina. 
 
4.13.4 METODOLOGIA DE MEDIÇÃO 
Da literatura se obtêm as seguintes informações sobre metodologias de amostragem 
e análise. 
 
4.13.4.1 RESINAS EPÓXI 
Não existem métodos de amostragem e análise para grupos e compostos epoxi, nem 
pela NIOSH – National Institute for Occupational Safety and Health nem pela OSHA. 
Existe descrito na literatura um método de 1987 para aerossóis, que foi adaptado 
para tirar partido dos avanços da química analítica. A idéia central é a inibição da reação 
entre compostos epóxi e amino na partícula em dispersão no ar. Os grupos epóxi livres, 
não reagidos, ficam preservados e podem ser medidos por cromatografia de íons. No 
borbulhador para coleta (impinger), o fluido usado foi o dimetil formamide, que sendo tóxico 
impediu a amostragem junto à zona respiratória. Foram, portanto, coletadas apenas 
amostras de área de trabalho. 
Não existem métodos para amostragem e análise do bisfenol, mas para a 
epicloridrina foi usada a metodologia NIOSH 1010. 
 
4.13.4.2 AMINAS 
Para os vapores do 2,4,6 tris fenol não existem metodologias de amostragem e 
análise da NIOSH ou da OSHA. A coleta do material foi feita em tubos de sílica gel, e sua 
presença qualitativa foi feita para as amostras do ar. As concentrações das amidas nos 
aerossóis foram feitas a partir das concentrações dos grupos epóxi não reagidos. 
 
4.13.4.3 SOLVENTES 
Para o vapor de n-butanol foi usada a metodologia NIOSH 1401 e para o vapor de 
N-butil-acetato foi usada a norma NIOSH 1450. 
Todavia não existe metodologia aceitável para se medir a concentração dos 
solventes na fase aerossol. 
 
4.13.4.4 METAIS 
Amostrou-se na fase aerossol os seguintes metais: Cr, Al, Sb, As, Ba, Be, Bo, Cd, 
Co, Cu, Pb, Mg, Mn, Mb, Ni, K, Se, Ag, Va e Zn, com a metodologia NIOSH 7 300. 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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O aerossol foi coletado com filtro de 37 mm de diâmetro, montado de forma paralela 
ao corpo do trabalhador. 
 
4.13.5 RESULTADOS 
Para o grupo epóxi mediu-se uma concentração de 0,288 miliequivalentes de grupos 
epóxi livres por metro cúbico de uma dada área de operação. 
Portanto pode-se escrever para a concentração média da resina epóxi aderente: 
 
C (REA) = 0,288 x 10-3 EEq / m3 
 
Portanto: 
 
C (REA) = 0,288 x 10-3 x 190 x 103 mg / m3 
 
C (REA) = 54,7 mg/m3 
 
Deste modo para esta área a concentração excedeu o limite de tolerância que fora 
estimado em 7,8 mg/m3. 
A tabela 4.13 resume alguns dos resultados. 
 
Tabela 4.13. Resumo dos resultados das medições. Valores em mg/m3. 
EXPOSIÇÃO A VOLÁTEIS  TODOS ABAIXO DOS LTmap 
Produtos Nellis Sioux City Randolph LTmap Observações 
N-butanol 0,35 0,57 0,37 300 
N-butil-acetato 3,5 6,6 5,26 713 
Metais  todos abaixo menos ferro 
Ferro --- ---- 1,77 1,0 (*) 
COMPOSTO EPÓXI  NUM LOCAL EXCEDEU-SE O LTmap 
Resina epóxi ---- 0,82 54,7 7,8 (**) 
AMINAS  POR ESTIMATIVA TÊM-SE ALTAS CONCENTRAÇÕES, 
MAS NÃO EXISTEM LTmap 
 
(*) devido à pigmentação vermelha do produto comercial 
(**) a grande diferença entre os 2 locais pode decorrer do fato das amostras de Sioux City terem demorado 
mais para serem analisadas, pois não havia laboratórios próximos. Assim podem ter ocorrido reações 
na solução antes da análise. Também o fato de em Randolph ser visualmente perceptível haver muito 
mais aerossóis na atmosfera, devido a características da operação, poderia levar a uma maior 
concentração de epóxi no ar. 
 
4.13.6 AÇÕES CORRETIVAS 
Devido aos componentes voláteis da resina epóxi, as operações de pintura devem 
ser efetuadas num local aprovado para o borrifamento. Este local deve ser mantido sob 
pressão negativa, para manter os aerossóis (partículas) dentro da área especificada, e com 
ventilação que evite explosões. 
Para a seleção dos protetores respiratórios deve-se analisar cada componente 
químico: 
• os solventes (acetato de n-butil e butanol) são vapores orgânicos e eficazmente 
removidos do ar por carvão ativado; 
• para as concentrações medidas, um cartucho para vapores orgânicos forneceria 
proteção adequada; 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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• a equipe técnica de pesquisadores da 3M informou que o cartucho para vapores 
orgânicos também removeria os radicais amino presentes, devido aos tipos de 
estruturas químicas; 
• os operadores deverão usar no mínimo, respiradores de meia face com 
purificadores de ar com cartucho para voláteis orgânicos. 
 
Como os aerossóis podem causar irritação nos olhos, devem ser utilizados óculos 
fechados e vedados. Como pode ocorrer absorção pela epiderme é importante o uso de 
luvas apropriadas. Fabricantes de luvas indicaram como adequadas as de borracha (butil, 
nitritol ou neoprene), para evitar contato com o acetato de n-butil e butanol. 
Do ponto de vista ocupacional, o tie coat (resina sem cromato) é um adequado 
substituto para as bases de tinta que usam composto epóxi com cromatos. Esta 
substituição reduziria bastante a exposição dos trabalhadores da indústria a cromatos. 
 
 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
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4.14 TESTES (4) 
 
1. Qual a alternativa correta com relação ao período de latência? 
a) O período de latência é de no máximo 10 anos. 
b) Não é um parâmetro importante para o trabalhador, pois ele pode não sentir efeito 
durante a fase de exposição. 
c) Está diretamente relacionado ao tempo de exposição a uma dada substância. 
d) O período de latência máximo é de 20 anos. 
e) É o tempo decorrido entre a primeira exposição e a manifestação da doença. 
Feedback: item 4.3.4. 
 
2. Qual desses fatores não influi em como uma substância tóxica afeta o indivíduo? 
a) Susceptibilidade individual. 
b) Concentração. 
c) Toxicidade. 
d) Massa específica (densidade). 
e) Tempo de exposição. 
Feedback: item 4.7. 
 
3. Quais as mais importantes técnicas para se medir efeitos à saúde relacionados com o 
ambiente de trabalho? 
a) Espirometria e audiometria. 
b) Somente raios X. 
c) Análises de excreções, espirometria e raios X. 
d) Somente teste de dosagem corporal. 
e)Espirometria, raios X, análise de excreções, testes de dosagem corporal e audiometria. 
Feedback: item 4.9.1. 
 
4. Qual técnica envolve a determinação de quanto ar se consegue expelir dos pulmões? 
 
a) Raios X. 
b) Espirometria. 
c) Dosagem corporal. 
d) Audiometria. 
e) Artroscopia. 
Feedback: Item 4.9.1.1. 
 
5. Assinale a alternativa correta: 
Os métodos de medição diretasão efetuados por profissionais de ______________, 
enquanto a _______________ se preocupa mais com medições indiretas, tais como a 
quantificação do ar que é inalada. 
 
a) Engenharia/ medicina. 
b) Engenharia/ psicologia. 
c) Psicologia/ engenharia. 
 
 
Capítulo 4. O Corpo Humano 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
109 
d) Medicina/ engenharia. 
e) Medicina/ psicologia. 
Feedback: Item 4.9.1.6. 
 
 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
110 
 
 
 
CAPÍTULO 5. CONCEITOS BÁSICOS DE ESTATÍSTICA EM HIGIENE 
 
 
 
 
OBJETIVOS DO ESTUDO 
Neste capítulo são abordados a coleta e o tratamento de dados associados a 
condições perigosas nos ambientes de trabalho. São dados exemplos e apresentadas 
diversas teorias de amostragem e medição. O tratamento de dados decorrentes de 
grandezas medidas envolve o uso de ferramentas estatísticas. Como os dados podem ser 
interpretados de várias formas, a apresentação dos valores medidos deve seguir rígidas 
definições de modo que outras pessoas possam tentar extrair o mesmo significado dos 
mesmos resultados. Se não apresentados adequadamente, pode-se chegar a conclusões 
errôneas e a resultados paradoxais. Em geral não é necessário apresentar em detalhe os 
aspectos estatísticos, mas certos conceitos básicos são essenciais e devem ser 
aprendidos. Existem muitos bons livros sobre estatística e as simples ferramentas aqui 
apresentadas estão bem estabelecidas, testadas ao longo do tempo e largamente 
conhecidas. 
Ao terminar este capítulo você deverá estar apto a: 
• Distinguir entre os 2 tipos de medidas estatísticas; 
• Definir os termos: média, moda, mediana, domínio, variância, desvio padrão; 
• Estabelecer os objetivos de agrupar dados obtidos por amostragem aleatória; 
• Estabelecer os objetivos do uso de distribuições de frequência acumulada e de 
porcentagem acumulada, sendo capaz de calcular como cada distribuição é 
derivada da distribuição de frequência; 
• Distinguir formas de curvas em termos de assimetria e valores extremos; 
• Construir histogramas para apropriada representação de dados experimentais; 
• Entender a importância das distribuições log-normais na natureza e obter curvas 
de frequências log-normais a partir de dados de medições; 
• Descrever os problemas associados às medições em qualquer experimento; 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
111 
• Explicar como são obtidos os limites de tolerância para contaminantes e 
descrever as diferentes classificações destes limites; e 
• Explicar como estratégias de medição e métodos de medida são obtidos. 
Nota: O conteúdo deste capítulo foi extraído do livro a ser publicado pelo professor 
Sérgio Médici de Eston. 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
112 
5.1 A CIÊNCIA DO TRATAMENTO DE DADOS 
A análise estatística de dados pode ser efetuada observando-se duas características: 
• onde se concentra a maioria dos valores (tendência central); 
• como os valores se espalham e se distribuem (dispersão). 
 
5.1.1 MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL 
Existem vários parâmetros estatísticos utilizados para se caracterizar a tendência 
central. Alguns destes parâmetros, como a média, a mediana e a moda, são “pontos 
centrais” ao redor dos quais os dados podem ser considerados como se distribuindo. 
A. MÉDIA 
Existem vários tipos de média, como a aritmética, a geométrica, a harmônica e a 
ponderada, cada uma útil em uma situação específica. Quando não adjetivada estamos 
sempre nos referindo à média aritmética. 
A média aritmética é obtida pela adição dos valores individuais e dividindo-se esta 
soma pelo número de valores adicionados. Ela indica onde os valores do grupo 
considerado estão “centrados”, e este valor central também se denomina de valor médio. 
 
Quadro 5.1. Os filtros usados para se coletar material particulado são pesados 
numa balança e as massas de poeira são obtidas depois de se subtrair a massa do filtro 
inicialmente limpo. Numa amostragem foram obtidos os seguintes 9 valores numa usina 
de beneficiamento de minério: 11,33; 11,27; 11,38; 11,30; 11,29; 11,30; 11,34; 11,31 e 
11,32 mg. Determinar a média dos valores. 
 
SOLUÇÃO: Se você efetuar a conta com uma calculadora poderá obter um 
resultado do tipo: 
 
Dependendo da calculadora usada você pode ter obtido até mais algarismos 
do que os 8 apresentados, tendo-se uma sequência de “5” e um “6 “no final. O 
número de algarismos “5” depende da sua calculadora mas na engenharia e na 
estatística, o número de algarismos significativos da resposta não pode ser 
maior que o número de algarismos significativos dos dados de entrada. 
Portanto, a resposta correta em termos de significado de engenharia é: 11,32 
mg. 
Portanto: média aritmética = 11,32 mg 
 
 
 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
113 
B. MEDIANA 
Se os valores de um grupo de dados forem ordenados em ordem crescente, a 
mediana será o valor do meio, ou seja, aquele valor para o qual metade dos dados está 
acima e metade abaixo. 
 
Quadro 5.2. Determinar a mediana dos dados do Quadro 5.1. 
 
SOLUÇÃO: Ordenando os dados em ordem ascendente temos: 
11,27; 11,29; 11,30; 11,30; 11,31; 11,32; 11,33; 11,34; 11,38; 
 
O quinto valor, 11,31 mg, é a mediana, pois tem-se quatro valores antes e quatro 
valores depois dele. 
Portanto: mediana = 11,31 mg 
 
 
 
Se o número de valores for ímpar, a mediana sempre coincidirá com um deles. Se o 
número de valores for par, a mediana cairá entre dois dos valores, sendo definida pela 
média dos dois valores centrais. Portanto, com estas definições cada grupo de dados terá 
apenas uma única média e uma única mediana. 
C. MODA 
A moda de um grupo de dados é o valor que se apresenta com a maior frequência. 
Alguns grupos de dados podem ter apenas uma moda enquanto outros podem ter duas ou 
mais modas. Quando se tem apenas uma moda diz-se que o conjunto de dados é unimodal 
e quando se tem mais de uma moda se diz que o conjunto é multimodal. 
 
Quadro 5.3. Determinar a moda do Quadro 5.1. 
 
 
SOLUÇÃO: Neste grupo o valor 11,30 aparece duas vezes e todos os outros 
apenas uma vez. 
Portanto: moda = 11,30 mg 
 
 
 
 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
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114 
Quadro 5.4. Determinar a moda do seguinte conjunto de dados: {5, 2, 4, 12, 10, 
12, 5, 8}. 
 
 
SOLUÇÃO: Neste conjunto aparecem duas vezes o valor 5 e o valor 12, 
enquanto todos os outros surgem apenas uma vez. Portanto temos um conjunto 
bimodal com as modas 5 e 12. 
 
 
D. OUTRAS MÉDIAS 
A média aritmética é adequada para quando se supõe que os dados tenham uma 
variação linear. Quando os dados têm uma variação exponencial ou logarítmica, a média 
geométrica é mais adequada para representar o conjunto. 
Quando os dados têm a ver com taxas de variação temporal, por exemplo, 
velocidades, a média harmônica pode ser a mais adequada. 
Finalmente a média ponderada, efetuada quando os dados têm pesos no cálculo da 
média, pode ser útil, por exemplo, na pesquisa de depósitos minerais. Exemplos destas 
médias são dados nos itens 5.4 e 5.5. 
 
Quadro 5.5. Determinar a “média” do conjunto: {2,0; 4,0; 8,0}. 
 
 
SOLUÇÃO: Se considerarmos a média aritmética, teremos: 4,7. Todavia a 
média geométrica será: 
( 2,0 x 4,0 x 8,0 ) 1/3 = 4,0 
Portanto: MA = 4,7 MG = 4,0 
 
 
Se soubermos que os dados não têm uma relação linear, mas sim uma relação de 
forma exponencial, a média geométrica será uma melhor representantedo conjunto de 
dados. 
Um exemplo de média geométrica surge quando se estuda ruído, pois o espectro 
tem o ponto central de cada intervalo de frequência, dado pela média geométrica dos 
extremos, ou seja, a raiz quadrada do produto do limite maior pelo limite menor. Isto porque 
a unidade decibel é definida por um logaritmo, portanto, tem embutida uma variação 
exponencial. 
Outro exemplo surge em normas de poluição do ar que usam, na definição dos limites 
ambientais legais, a média geométrica anual da concentração de material particulado. A 
razão é que muitos modelos de dispersão de poluentes se baseiam numa distribuição 
gaussiana (exponencial). 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
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115 
5.1.2 DISPERSÃO 
A média dos números 3, 4 e 5 é 4, que é a mesma média dos números 1, 4 e 7. 
Todavia, os conjuntos são claramente diferentes e esta diferença está relacionada à 
dispersão dos dados. Para se caracterizar esta dispersão, existem alguns parâmetros 
como o intervalo de variação, a variância e o desvio padrão. 
A. AMPLITUDE (DOMÍNIO DE VARIAÇÃO) 
A amplitude de uma distribuição (range) é simplesmente a diferença entre o maior e 
o menor valor observado. 
 
Quadro 5.6. Calcular o domínio de variação do quadro 5.1. 
 
 
SOLUÇÃO: O maior valor é 11,38 mg, e o menor valor é 11,27 mg. Portanto a 
amplitude é: 
11,38 – 11,27 = 0,11 mg amplitude = 0,11 mg 
 
 
 
B. VARIÂNCIA 
Ela indica a “quantidade de dispersão” dos valores individuais de um conjunto com 
relação à média do conjunto. Um dos modos de se calcular a variância é: 
• quadrar a diferença entre a média e cada valor individual; 
• adicionar as diferenças quadráticas; 
• dividir esta soma pelo número de valores somados. 
 
A variância da população, representada por σ2 é definida como a média dos 
quadrados das diferenças dos valores em relação a sua média. 
 
n
xx
x
n
i
i


 1
2
2
)(
)( (5.1) 
 
Esta expressão é válida para calcular a variância da população. Na prática, como os 
dados utilizados representam apenas a amostra e não toda a população, a expressão 
utilizada substitui o valor de n no denominador, por (n-1). 
 
1
)(
)( 1
2
2





n
xx
x
n
i
i
 (5.2) 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
116 
Nota 5.1. A variância para os valores do Quadro 5.1. 
 
O primeiro passo é quadrar as diferenças e neste caso precisamos usar uma 
maior precisão para a média, caso contrário a variância poderá apresentar grandes 
erros. Portanto, no cálculo da variância usamos 8 dígitos para a média (ou às vezes 
até mais). A tabela 5.1 apresenta os cálculos básicos. 
 
 
Tabela 5.1. Etapas numéricas para cálculo da variância 
Diferença (= valor – média) Quadrado da diferença Valor do quadrado da 
diferença 
11,33 – 11,315 556 = ( 0,014 444 ) 2 0,21 x 10 -3 
11,27 – 11,315 556 = ( - 0,045 556 ) 2 2,07 x 10 –3 
11,38 – 11,315 556 = ( 0,064 444 ) 2 4,15 x 10 –3 
11,30 – 11,315 556 = ( - 0,015 556 ) 2 0,24 x 10 –3 
11,29 – 11,315 556 = ( - 0,025 556 ) 2 0,65 x 10 –3 
11,30 – 11,315 556 = ( - 0,015 556 ) ² 0,24 x 10 –3 
11,34 – 11,315 556 = ( 0,024 444 ) 2 0,60 x 10 –3 
11,31 – 11,315 556 = ( - 0,005 556 ) 2 0,03 x 10 –3 
11,32 – 11,315 556 = ( 0,004 444 ) 2 0,02 x 10 -3 
 
Segundo passo: adição dos quadrados das diferenças 
Soma dos quadrados = 8,21 x 10 –3 
 
Terceiro passo: divisão pelo número de valores -1 (amostra) = [8,21 x 10 –3 ] / 8 = 0,001mg2 
 
Portanto a variância do conjunto é 0,001 mg2. 
V = 0,001 mg2 
C. DESVIO PADRÃO 
O desvio padrão é um “resumo” de quão dispersos os dados estão em torno da 
média. Um dos modos de se computar o desvio padrão é: 
• quadrar a diferença entre a média e cada valor individual; 
• adicionar as diferenças quadráticas; 
• dividir esta soma pelo número de valores somados; 
• extrair a raiz quadrada do resultado anterior. 
 
Pela sequência acima se percebe que o desvio padrão é a raiz quadrada da 
variância, dando, portanto, as mesmas informações da dispersão dos dados ao redor da 
média. Todavia, sua magnitude se aproxima mais dos desvios individuais e tem a mesma 
unidade dos valores individuais. Por causa destas características é mais usado que a 
variância. 
 
 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
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117 
Nota 5.2. O desvio padrão dos dados do Quadro 5.1. 
 
Do exemplo 5.7. a variância é 0,001 mg2. Portanto, o desvio padrão será a raiz 
deste valor. 
dp = [ 0,001 ] ½ 
Portanto: dp = 0,032 mg 
 
Este valor é bem representativo dos desvios individuais, já que a magnitude dos 
desvios individuais vai de 0,004 a 0,06 mg (vide 2ª coluna da Tabela 5.1). 
 
D. QUARTIS E PERCENTIS 
 
Um grupo de dados pode ser dividido em partes iguais. A divisão mais simples é em 
duas partes, a parte superior e a parte inferior. O ponto na escala que divide o conjunto 
deste modo é a mediana. Quando a mediana cai num intervalo, seu valor é interpolado 
para se determinar o ponto exato onde ela recai. A mediana pode ser também obtida da 
curva de distribuição cumulativa, pois corresponde ao ponto na curva para o qual se tem 
50%. 
Se um conjunto é dividido em três partes, a denominação usada é de tercis. Em 
quatro partes fala-se em quartis e em 100 partes fala-se em percentis. 
E. AGRUPAMENTO DE DADOS 
Muitas vezes pode ser desejável apresentar um conjunto de dados em termos de 
eventos ocorrendo em vários intervalos adjacentes. Estes números especificam a 
distribuição dos dados, sendo o mais completo resumo de valores quantitativos obtidos 
para um parâmetro. A distribuição pode mostrar quais partes do grupo estão associadas a 
que valores, ou ainda, que proporção está associada a um dado sub-domínio da gama de 
valores que a medida quantitativa pode ter. Além disso, as contagens, proporções ou 
porcentagens podem ser acumuladas adicionando-se sucessivamente, para cada 
quantidade, todas as quantidades que a precedem. 
 
Exemplo: Obter a curva de distribuição para os 100 valores de emissão diária de 
óxidos de enxofre, obtidos por medições em uma chaminé de indústria. A tabela 
apresenta estes valores em ordem crescente e na unidade de kg/dia. 
 
Tabela 5.2. Valores de emissão diária de SO2 obtidas em chaminé industrial. Valores em 
kg/dia. 
66 81 88 93 97 100 102 106 112 119 
71 83 89 93 98 100 102 107 112 119 
71 83 89 95 98 100 102 107 113 121 
72 84 89 95 98 100 102 107 113 122 
73 85 90 96 98 100 103 108 114 123 
74 85 91 96 98 100 103 110 114 126 
76 85 92 96 99 100 103 110 115 126 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
118 
77 86 92 97 99 101 104 111 117 127 
80 86 92 97 99 101 105 111 118 130 
81 88 92 97 99 101 106 112 118 136 
 
SOLUÇÃO: Podemos agrupar os dados em classes ou intervalos, de amplitude 10 kg, 
conforme a tabela 5.3. a seguir. 
 
Tabela 5.3. Classificação dos dados e frequências das classes. 
N° da classe Limites Frequência Frequência relativa (%) 
devido ao 
número de 
amostras ser 
exatamente 100, 
a frequência 
absoluta coincide 
com a frequência 
relativa 
1 60  –  69 1 1 
2 70  –  79 7 7 
3 80  –  89 16 16 
4 90  –  99 26 26 
5 100  –  109 25 25 
6 110  –  119 17 17 
7 120  –  129 6 6 
8 130  -  139 2 2 
 
Os valores podem agora ser apresentados numa forma denominada de histograma, 
no qual as barras indicam os números ou proporções em cada classe de intervalo. As 
classes indicadas nas abscissas podem ser definidas tanto pelos seus extremos como 
pelos seus pontos médios, enquanto que as frequências são indicadas nas ordenadas. O 
histograma das emissões de óxidos de enxofre é apresentadoa seguir na figura 5.1. 
 
 
Figura 5.1. Histograma de barras para as emissões diárias de dióxido de enxofre 
(kg/dia). O intervalo [60,69] é representado pelo “ponto médio” 65 e assim por diante. 
 
Outra possibilidade de apresentação gráfica para uma distribuição é utilizando-se 
pontos. Cada ponto se referirá ao meio de um intervalo e ao valor (ou proporção) que 
corresponde a este intervalo. 
Finalmente, os pontos são unidos ou como uma poligonal ou por uma curva suave, 
como na figura 5.2. As emissões da chaminé representadas por uma distribuição por 
pontos unidos por uma curva suave são apresentadas a seguir. Da análise da curva suave, 
percebe-se que é possível ajustar ao conjunto de dados uma curva normal ou gaussiana. 
Pode-se calcular também a média e o desvio padrão deste conjunto de dados e inseri-los 
na figura. 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
119 
 
Figura 5.2. União de pontos por curva suave. 
F. GRÁFICOS DE BARRAS E DISTRIBUIÇÕES DE FREQUÊNCIA 
A apresentação gráfica de conjuntos de dados pode ser utilizada para resumir e clarificar 
os resultados de pesquisas. Os seguintes procedimentos são em geral adotados quando 
se constroem gráficos de barras ou distribuições de frequências: 
• mais por tradição e para eliminar confusão, os valores ou intervalos são 
apresentados nas abscissas (eixo horizontal), enquanto que as porcentagens ou 
frequências são apresentadas nas ordenadas (eixo vertical); 
• todo gráfico deve conter título, grandezas dos eixos e respectivas unidades, além 
de valores numéricos; 
• o comprimento do eixo vertical deve ser da ordem de 75 a 80% do comprimento 
do eixo horizontal. Isto padroniza o desenho de gráficos e diminui a possibilidade 
de confusões. 
G. FORMAS DE CURVAS 
Como se podem associar curvas à relação entre frequência e tamanho de intervalos, 
pode-se associar nomes às diversas formas de curvas para se dar uma descrição geral da 
distribuição. 
Algumas distribuições são simétricas, com um eixo de simetria central vertical que 
divide a curva em duas metades iguais. Estas curvas simétricas contêm o mesmo número 
de valores na direção dos dois extremos, ou seja, a mesma proporção de valores altos e 
baixos. 
Outras curvas são assimétricas, apresentando mais valores numa direção do que na 
outra. Existem muitos tipos de distribuições assimétricas e quando a assimetria decorre de 
uma maior concentração de valores se estendendo numa dada direção, a curva pode ter 
uma espécie de “cauda”. A posição e orientação desta cauda, onde poucos valores 
extremos se concentram, determinam o tipo de assimetria da curva. A figura 5.3. apresenta 
alguns tipos de assimetrias. 
Mesmo curvas simétricas podem ter ampla variação, dependendo, por exemplo, de 
quanto são “pontiagudas” ou “achatadas”. Na estatística o termo relativo à esta variação 
de forma denomina-se curtose. As curvas bem altas ou pontiagudas são ditas com 
leptocurtose, enquanto que as mais achatadas têm platicurtose. As intermediárias são ditas 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
120 
com mesocurtose. A forma geral de uma curva pode ser muito importante e indicar uma 
série de conclusões. 
 
 
Figura 5.3. Formas de simetrias e assimetrias para curvas de distribuição. a) unimodal 
simétrica (curva normal ou de Gauss); b) bimodal simétrica; c) unimodal assimétrica, 
com cauda à direita (assimetria positiva); d) unimodal assimétrica, com cauda à 
esquerda (assimetria negativa). 
 
Exemplo: 
Há alguns anos um famoso pesquisador, Jay Gould, recebeu de seu médico uma 
informação seca que dizia: “Você está com uma forma mortal de câncer, sua expectativa 
de vida é de 3 meses!”. Gould ficou paralisado por cerca de 3 dias, triste com um final de 
vida em torno de 40 anos e no auge da produção científica. 
Após a paralisação inicial, procurou analisar as informações dadas. Em primeiro 
lugar, ficou curioso de como o médico podia prever com tanta exatidão o seu tempo de 
vida. Descobriu que o que a ciência dispunha era, na verdade, de uma curva de frequência 
de tempos de vida restante e que esta curva era unimodal e bastante assimétrica 
positivamente. A figura 5.4. ilustra esta curva, cuja moda era 3 meses. 
Ao analisar sua curva de expectativa de vida, percebeu que suas emoções poderiam 
ser completamente modificadas se soubesse de que lado da moda ele estaria. Como bom 
pesquisador, levantou as características daqueles que estavam no lado direito da moda, o 
lado extenso da cauda. Se estivesse suficientemente do lado direito, poderia ter ainda 20 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
121 
ou 30 anos de vida, ou até mais. Para quem estava com quarenta anos e tinha três meses 
de vida, viver até os setenta era uma grande notícia. 
Cada uma das seguintes características tendia a levar o doente para o lado da 
assimetria positiva: 
• ser relativamente jovem (menos de 60 anos); 
• ter detectado a doença nos estágios iniciais; 
• não ser fumante; 
• não ter casos da doença na família; 
• ter um passado de saúde; 
• praticar esportes regularmente; 
• ter uma alimentação sadia; 
• ter uma atividade intelectual forte e criativa; 
• ter muita vontade de viver; 
• seguir os procedimentos médicos recomendados sem falhas; 
• ter um organismo bem receptivo aos remédios ministrados; 
• etc. 
 
 
Figura 5.4. Curva assimétrica de expectativa de vida. 
 
Jay Gould percebeu que tinha todas as características favoráveis e que, portanto, 
suas chances de estar na ponta da cauda, bem à direita, eram boas. Quando ele escreveu 
o artigo contando o caso acima, já tinha tido uma sobrevida de 15 anos (!), e dizia que sua 
existência dependia do fato de não seguir uma curva de Gauss, mas sim uma assimétrica. 
Em 1999, sua sobrevida chegava quase há vinte anos!!! 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
122 
5.2 TESTES (1) 
1. Quando um número ímpar de valores está disposto em ordem crescente, a mediana é: 
 
a) O valor com a maior frequência. 
b) O valor central. 
c) A média dos dois valores centrais. 
d) A média dos valores maior e menor. 
e) Não pode ser determinada sem informações adicionais. 
Feedback: item 5.1.1, subitem (B). 
 
2. Quando um número par de valores está arranjado em ordem crescente, a mediana é: 
 
a) O valor de maior frequência. 
b) O valor central. 
c) A média dos dois valores centrais. 
d) A média dos valores máximo e mínimo. 
e) Impossível determinar. 
Feedback: item 5.1.1, subitem (B). 
 
3. O valor associado ao quinquagésimo percentil é: 
 
a) A média. 
b) A mediana. 
c) A moda. 
d) O domínio de variação de um quartil. 
e) A média geométrica. 
Feedback: item 5.1.2, subitem (D). 
 
4. O valor medido que ocorre com mais frequência é: 
 
a) A média. 
b) A mediana. 
c) A moda. 
d) A média harmônica. 
e) Uma média ponderada das frequências. 
Feedback: item 5.1.1, subitem (C). 
 
5. O parâmetro seguinte é em geral a medida mais útil da dispersão: 
 
a) Domínio de variação. 
b) Desvio padrão. 
c) Variância. 
d) Curtose. 
e) Os três primeiros são igualmente úteis e usados. 
Feedback: item 5.1.2, subitem (C). 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
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123 
6. A medida de dispersão que reflete apenas os dois valores mais extremos da distribuição 
é: 
 
a) O desvio padrão. 
b) O domínio de variação. 
c) A variância. 
d) A curtose. 
e) A moda. 
Feedback: item 5.1.2, subitem (A). 
 
7. A medida de dispersão, definida como a soma dos desvios com relação à média divididapelo número N de valores, é: 
 
a) O domínio. 
b) O desvio médio. 
c) O desvio padrão. 
d) O quadrado da variância. 
e) A variância. 
Feedback: o desvio médio é a média dos desvios em relação à média. 
 
8. O domínio dos valores seguintes { 8, 26, 10, 36, 4, 15 } é: 
 
a) 40. 
b) 36. 
c) 32. 
d) 28. 
e) 15. 
Feedback: item 5.1.2, subitem (A). Domínio é a diferença entre o maior e o menor 
valor, ou seja, 36 – 4 = 32. 
 
9. O desvio padrão do conjunto (população) { 2, 6, 10 } é: 
 
a) 4,00. 
b) 1,63. 
c) 16. 
d) 3,27. 
e) 2,73. 
Feedback: 
Média = (2+6+10)/3 = 6 
Diferenças da média com cada valor ao quadrado: 
1. (6-2)^2 = 16 
2. (6-6)^2 = 0 
3. (6-10)^2 = 16 
 
diferenças = 32 
Como é uma população, devemos dividir por N, ou seja, 32/3 = 10,67. 
 
 
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124 
10. A variância dos valores do conjunto (população) { 2, 5, 8, 11 } é: 
 
a) 11,25. 
b) 15,00. 
c) 214. 
d) 26,00. 
e) 12,25. 
Feedback: 
1. Média = 6,5 
2. (6,5-2)^2 = 20,25 
 (6,5-5)^2 = 2,25 
 (6,5-8)^2 = 2,25 
 (6,5-11)^2 = 20,25 
3. 20,25 + 2,25 + 2,25 + 20,25 = 45 
4. 45 / 4 = 
 11,25 
11. A medida de dispersão que não tem a mesma unidade que os valores medidos é: 
 
a) O desvio padrão. 
b) A variância. 
c) O domínio. 
d) As alternativas a) e b) estão corretas. 
Feedback: no caso da variância, elevamos ao quadrado a diferença dos valores com 
a média, e não extraímos a raiz quadrada em seguida, portanto a unidade não é a 
12. Se a média e a mediana são iguais então se sabe que: 
 
a) A distribuição é simétrica. 
b) A distribuição é assimétrica. 
c) A distribuição é normal. 
d) A moda está no centro da distribuição. 
e) A curva é anormal. 
Feedback: Figura 5.3. 
 
13. Se a média e a mediana são diferentes, então se sabe que: 
 
a) A distribuição é simétrica. 
b) A distribuição é assimétrica. 
c) A distribuição é normal. 
d) Existem pelo menos duas modas. 
e) Tem-se uma curtose acentuada. 
Feedback: Figura 5.3. 
 
14. Qual a alternativa que melhor representa o significado da mediana? 
 
a) Indica onde os valores do grupo considerado estão centrados. 
b) Representa a dispersão entre os dados. 
 
 
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125 
c) É o valor que se apresenta com maior frequência. 
d) Valor para o qual metade dos dados está acima e metade abaixo. 
e) Existem vários tipos de mediana, como a harmônica, por exemplo. 
Feedback: item 5.1.1, subitem (B). 
 
15. Qual desses itens indica um resumo do quanto estão dispersos os dados em relação à 
média? 
 
a) Agrupamento de dados. 
b) Amplitude. 
c) Quartis e percentis. 
d) Variância. 
e) Desvio padrão. 
Feedback: item 5.1.2, subitem (C). 
 
16. Qual das curvas apresenta o valor da mediana maior que o da média? 
 
a) Bimodal simétrica. 
b) Unimodal assimétrica negativa. 
c) Unimodal simétrica. 
d) Unimodal assimétrica positiva. 
e) Unimodal simétrica mesocúrtica. 
Feedback: Figura 5.3. 
 
 
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126 
5.3 A NATUREZA DO PROBLEMA 
5.3.1 VALORES MEDIDOS 
A exatidão de um valor medido será sempre limitada pela precisão do instrumento de 
medida. Esta limitação deve ser sempre levada em consideração quando se analisa e se 
apresentam dados. O número de algarismos significativos presentes num valor medido 
deve ser escolhido de modo que a incerteza exista apenas no último dígito (o algarismo 
menos significativo). 
Valores observados ou medidos sempre envolvem algum erro, que afeta duas 
importantes características da qualidade dos dados: a exatidão e a precisão. 
Existem milhares de instrumentos disponíveis para se medir os vários agentes 
químicos e físicos que constituem os potenciais perigos no ambiente de trabalho. Quando 
operando um dado instrumento, deve-se ter certa noção do número que está sendo 
medido. Deve-se saber não só o que se está medindo, mas também como o instrumento 
funciona, tendo claro se o valor medido representa uma média temporal num dado intervalo 
de tempo ou representa um valor praticamente instantâneo. 
 
Nota 5.3. 
 
Pode-se coletar poeira num filtro, através do qual passou ar do ambiente de 
trabalho durante todas as 8 horas do turno. Ao analisar o filtro, teríamos uma medida da 
concentração média de poeira no período de 8 horas, mas não se teria informação de 
um súbito aumento de concentração devido a uma dada operação. Por outro lado, 
poder-se-ia recolher um dado volume de ar num frasco e coletar a poeira deste volume 
numa superfície adesiva especial. Esta superfície poderia ser analisada num 
microscópio e as partículas contadas. Por este método se obteria a concentração de 
poeira na atmosfera num dado momento, mas não se teria informação nenhuma sobre 
a concentração de poeira ao longo do turno de trabalho. As duas metodologias têm 
vantagens e desvantagens e devem ser interpretadas de modos diferentes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
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127 
5.3.2 ERROS 
Qualquer dado medido apresenta algum erro. Algumas vezes a fonte predominante 
de erro é um instrumento inadequadamente ajustado, ou o uso de uma fórmula errada ou 
a aplicação de uma metodologia imprópria. Os erros decorrentes destas causas são 
denominados de erros consistentes. 
Não se consegue eliminar completamente a introdução de erros consistentes num 
conjunto de dados medidos, mas a probabilidade de sua introdução pode ser diminuída 
usando-se cuidadosas técnicas de medição. Algumas vezes, um erro consistente pode ser 
detectado ao se medir um valor conhecido, considerado como um valor de checagem. 
Dados obtidos cuidadosamente em geral apresentam erros consistentes mínimos, 
mas existe um outro tipo de erro que sempre estará presente em qualquer medição. Este 
erro, denominado de aleatório, sempre está presente em maior ou menor grau. Ele deriva 
de causas como flutuações do instrumento e variações na percepção ou interpretação do 
observador. 
Apesar de não poderem ser completamente eliminados, os erros aleatórios podem 
ter seu impacto reduzido a um nível tolerável por meio da aplicação de técnicas 
experimentais cuidadosas. A aplicação de técnicas simples de redução de dados, como a 
média de muitos valores, pode ser muito útil. 
 
Nota 5.4. 
 
Mediu-se cuidadosamente a resistência de uma lâmpada cuja resistência nominal 
é de 1 ohm. Foram obtidos os seis seguintes valores: 0,983; 1,008; 1,027; 0,991; 1,003; 
0,986 ohms. Se calcularmos a média dos valores medidos, obteremos 1,000 ohm. 
Portanto, a média apresenta exatamente o valor nominal com até 3 casas decimais, 
apesar das flutuações individuais de cada medida. 
 
 
 
 
 
A Nota 5.4 ilustra as 3 mais importantes características dos erros aleatórios: 
• erros pequenos são mais prováveis de ocorrer que erros grandes; 
• erros muito grandes são bem pouco prováveis de ocorrer; 
• erros positivos e negativos são igualmente prováveis e portanto tendem a se 
cancelar. 
O sucesso da técnica de uso da média decorre da última das características 
apontadas. 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
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128 
5.3.3 PARÂMETROS OPERACIONAIS 
Existem muitos parâmetros que estão associados ao desempenho dos sistemas de 
medição e seus componentes, sendo os principais os seguintes: 
• exatidão; 
• ajuste; 
• interferência; 
• calibração; 
• ruído; 
• precisão; 
• domínio; 
• confiabilidade; 
• estabilidade; 
• tempo de resposta; 
• sensibilidade; 
• alteração de origem da escala.A. EXATIDÃO (ACCURACY) 
A exatidão é uma medida da conformidade entre o valor obtido pela medição e o 
valor exato (considerado correto). O valor exato normalmente se baseia numa medida 
padrão de referência ou num padrão primário aceito como tal. A exatidão pode ser expressa 
como uma porcentagem, que reflete a amplitude do desvio com relação ao valor 
verdadeiro, sendo decorrente da combinação de erros existentes no sistema. Em outros 
termos, a exatidão é uma medida do quão perto as observações correspondem ao estado 
atual das coisas. 
A exatidão da calibração é um fator intrínseco limitante da exatidão global do sistema 
de medida, ou seja, a exatidão do sistema total de medição não pode ser melhor que a do 
método de calibração. 
B. AJUSTE (CALIBRATION) 
É o procedimento pelo qual se estabelece uma correspondência entre o valor 
extraído de um sistema de medição e a grandeza que entra no sistema (como a 
concentração de um poluente). Testes de ajuste são uma necessidade periódica e sua 
frequência depende do instrumento. Um instrumento que é relativamente instável, por 
exemplo, por causa de variações de temperatura, pode requerer frequentes testes de 
ajuste. 
C. CALIBRAÇÃO 
A principal diferença entre ajustar e calibrar é que no ajuste se modifica o instrumento 
fisicamente, para que forneça um resultado “correto”. Uma calibração analisa o 
desempenho do instrumento e pode fornecer uma curva de calibração, de modo que ao se 
ler um valor pode-se comparar com o valor “correto”. Mas não se modifica mecanicamente 
o instrumento. Calibrar significa comparar com um padrão de maior confiança. 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
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129 
D. INTERFERÊNCIA (INTERFERENCE) 
É uma resposta, positiva ou negativa, do sistema de medição a alguma coisa que 
não é a grandeza sendo medida. O mesmo termo pode ser usado para indicar uma falta 
de discriminação ou falta de especificidade. Com as recentes técnicas computacionais 
embutidas nos instrumentos, muitas vezes as interferências podem ser medidas e 
correções podem ser aplicadas, gerando uma melhor exatidão nos dados de saída. 
Em geral os fabricantes designam um instrumento para um tipo específico de 
medição, como um analisador colorimétrico para gás SO2, apesar de outros gases 
interferirem nas medidas. A hipótese de trabalho nestes casos é que as interferências não 
estão presentes nas medidas usuais, ou então são relativamente desprezíveis face às 
esperadas concentrações de SO2. Todavia o operador do instrumento tem a obrigação de 
estar consciente das inerentes interferências do sistema e de investigar quão significante 
elas podem ser em uma dada aplicação. 
E. RUÍDO (NOISE) 
Consiste de desvios falsos e espontâneos na saída do instrumento, que não 
decorrem de variações da grandeza sendo medida. É uma forma de interferência e na sua 
maior parte está associado com o desempenho dos componentes dentro do sistema de 
medição. 
F. PRECISÃO (PRECISION) 
É a medida de quão perto estão entre si uma série de observações da mesma coisa. 
Normalmente é expressa como a variação ao redor da média de uma série de experimentos 
repetidos, sendo quantificada pelo desvio padrão. Algumas vezes a precisão é chamada 
de repetibilidade (repeatability). 
O “espalhamento”, associado às medidas repetidamente efetuadas com um 
instrumento, inclui todas as variações introduzidas pelos componentes do sistema. O 
impacto deste espalhamento é adequadamente indicado pelo número de algarismos 
significativos contido no valor da medida. Assim, uma concentração de 1,264 ppm implica 
num sistema de medição de alta precisão, pois se tem 4 algarismos significativos. Mas a 
validade de se expressar este valor com 4 significativos depende do desempenho do 
sistema e, se o desvio padrão for de 0,3 ppm, então só se justifica usar 2 algarismos 
significativos. 
Todas as medidas efetuadas com um instrumental estão limitadas pela precisão 
embutida no próprio instrumento. De modo geral, quanto mais preciso um instrumento, 
maior seu preço. A precisão tem que ser considerada quando se apresentam dados, de 
modo que a incerteza esteja somente no último algarismo significativo. 
 
Exemplo: 
Instrumentos podem ser precisos e inexatos, mas podem também ser exatos e 
imprecisos. Ilustrar estes casos graficamente. 
Consideremos um alvo de dardos como mostra a figura 5.5. O jogador da esquerda 
é altamente preciso, mas é inexato, pois seus lances estão todos bem próximos uns dos 
outros, mas em média bem longe do centro (lance correto ou exato). O jogador do centro 
é impreciso e exato, pois seus lances se espalham pelo alvo, mas na média estaria bem 
próximo ao centro. Ou seja, os desvios positivos e negativos se cancelariam e a média 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
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130 
coincidiria com o valor exato. Já o jogador da direita é preciso e exato, pois seus dardos 
se agrupam e este agrupamento é quase no centro do alvo. 
 
 
Figura 5.5. Alvo de dardos e possibilidades de acerto. 
G. DOMÍNIO (RANGE) 
É a faixa de medição que o sistema é capaz de quantificar, que se estende de um 
valor mínimo a um valor máximo. Muitas vezes o valor mínimo é indicado de modo irreal 
como sendo zero, mas ele deve ser indicado como o menor valor detectado pelo 
instrumento. 
H. CONFIABILIDADE (RELIABILITY) 
Refere-se à operação do instrumento livre de problemas de mau funcionamento. 
I. ESTABILIDADE (STABILITY) 
Com relação a um instrumento, a estabilidade indica sua capacidade de manter um 
dado nível de desempenho por um longo tempo. Um instrumento estável pode sofrer 
alguma pane operacional e, portanto ficar operacionalmente não confiável. Todavia pode 
neste tempo manter a estabilidade de seu ajuste, de sua sensibilidade, etc. 
J. TEMPO DE RESPOSTA (RESPONSE TIME) 
É o intervalo de tempo que se inicia no momento em que a “amostra” entra no sistema 
de medição e termina no momento no qual se tem um valor de leitura que é um percentual 
do valor final. Porcentagens de 90% ou 95% do valor final fornecem o que se denomina de 
tempo de resposta a 90% ou a 95%, respectivamente. 
O tempo de resposta pode ser muito importante nas interpretações de dados, como 
nos casos de monitoramento contínuo e em situações em que a concentração de um 
poluente se modifica rapidamente. As análises de variações de curto período requerem 
tempos de resposta muito curtos. Altas concentrações, na forma de picos, podem aparecer 
como leituras “baixas e amplas” ou mesmo nem aparecer devido a tempos de resposta 
muito longos. 
K. SENSIBILIDADE (SENSITIVITY) 
Pode ser entendido como o menor valor detectável de um contaminante que pode ser 
repetidamente detectado pelo instrumento. Tecnicamente é a suscetibilidade a ações 
externas, medidas pelo grau de resposta do instrumento. 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
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131 
L. ALTERAÇÃO DE ORIGEM DA ESCALA (ZERO DRIFT) 
É a alteração do valor de leitura zero num intervalo de tempo, expresso como uma 
porcentagem do valor fundo de escala. Causas desta deriva do valor zero podem ser, por 
exemplo, a sensibilidade à temperatura ou a instabilidade na vazão de bombas. Em 
sistemas de monitoramento contínuo deve-se ter uma correção automática desta deriva ou 
então checagens periódicas para posterior correção de dados. 
 
5.3.4 ESPECIFICAÇÕES DE DESEMPENHO 
Os critérios para um desempenho aceitável de uma instrumentação para 
monitoramento de um poluente podem ser estabelecidos por parâmetros válidos para 
diversas aplicações. 
O usuário pode definir as especificações que atendam suas necessidades pessoais. 
O fabricante pode fornecer especificações que ele considera sero instrumento capaz de 
atingir. Normas legais podem especificar as características que uma instrumentação deve 
ter para que os dados obtidos sejam considerados válidos, como por exemplo, para 
qualidade do ar e das emissões de chaminés. 
 
5.4 CASOS REAIS E EXEMPLOS 
5.4.1 DISTRIBUIÇÃO LOG NORMAL 
A distribuição log normal ocorre na natureza de vários modos. No caso da higiene do 
trabalho, um resultado importante e decorrente de vários estudos, é de que as 
concentrações em amostras aleatórias se distribuem de modo independente e de maneira 
log normal, tanto para períodos de 8 horas como para médias relativas a muitos dias de 
exposição. Portanto os resultados das amostragens não se distribuem simetricamente. 
Este resultado pode ser interpretado fisicamente considerando-se a concentração de 
um contaminante atmosférico no ambiente de trabalho. Os valores se estenderão por um 
amplo intervalo, mas a maioria se localizará perto do valor zero, tendo-se, porém alguns 
valores bem altos. Deste modo, a distribuição não será simétrica, com uma maior 
densidade de pontos para as baixas concentrações e uma longa e achatada cauda em 
direção às altas concentrações. 
Este tipo de distribuição seria de difícil manuseio matemático, mas felizmente existe 
uma transformação logarítmica dos dados originais que gera uma distribuição normal ou 
de Gauss. Esta distribuição gaussiana fica completamente determinada por uma mediana 
e um desvio padrão geométrico. 
Uma curva positivamente assimétrica, como a da figura 5.3.c., frequentemente pode 
ser considerada log normal. Isto significa que se os mesmos dados forem plotados num 
gráfico monologarítmico, com os valores no eixo X plotados numa escala logarítmica e não 
uma escala linear, a nova curva terá o aspecto da curva da figura 5.3.a. Esta nova curva, 
em forma de sino e simétrica, é a curva normal ou gaussiana, e a nossa distribuição original 
de dados é dita log normal. 
Estudos envolvendo um grande número de amostragens de higiene ocupacional, 
efetuadas pelo NIOSH - National Institute for Occupational Safety and Health, indicaram 
que exposições de curto prazo em geral se distribuíam de modo log normal com desvios 
padrões geométricos na faixa entre 1,5 e 2,0. 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
132 
Não é objetivo deste texto discutir em profundidade a teoria e as propriedades das 
distribuições log normais, mas um breve resumo é apresentado a seguir. 
A melhor medida de tendência central da distribuição log normal é a média 
geométrica. Como no caso em questão a distribuição é assimétrica positivamente, a média 
geométrica é sempre menor que a média aritmética por um valor que depende do desvio 
padrão geométrico. As fórmulas (5.3) apresentam as expressões analíticas para se calcular 
a média geométrica (MG). Por 5.3.a. ela é dada pelo antilogaritmo da média dos logaritmos 
dos valores. Por 5.3.b. ela é dada pela enésima raiz do produto dos n valores. 
 
MG = exp { [ ln C1 + ln C2 + .... + ln Cn ] / n } (5.3.a) 
 
MG = { C1 x C2 x C3 x ... x Cn }1/n (5.3.b) 
 
onde: 
Cj = medidas individuais 
n = número de medidas 
ln = logaritmo natural ou neperiano 
exp = representa a função exponencial (ex) 
 
O desvio padrão geométrico (dpg) para a distribuição log normal pode ser calculado 
pela expressão analítica dada na fórmula (5.4): 
 
dpg = exp { [  ( ln Cj - ln MG )2 ] / (n-1) ] ½ } (5.4) 
 
A importância de se calcular a média geométrica e o desvio padrão podem ser 
ilustrados pelo exemplo seguinte. Se os valores de curta exposição num dado ambiente de 
trabalho tiverem um desvio de 2,0, isto significa que 5% de todos os valores excederão a 
média geométrica em 3,13 vezes. Se um processo tiver uma variabilidade maior que esta, 
ele não está sob adequado controle, e ações devem ser tomadas. 
 
5.4.2 EXEMPLO OCUPACIONAL 1 – SILICOSE EM MINAS DE OURO 
O ouro muitas vezes é lavrado em veios de quartzo e a poeira de quartzo contém 
sílica (SiO2). Se a sílica estiver presente em quantidade suficiente e houver um longo tempo 
de exposição, pode ocorrer uma doença chamada silicose. A fim de se avaliar a 
periculosidade de uma lavra de ouro foram obtidos dados para 33 mineiros, sendo os dados 
divididos nas classes apresentadas na tabela 5.4. O histograma associado a esta tabela é 
apresentado na figura 5.6. 
 
Tabela 5.4. Exposição de 33 mineiros à poeira de sílica. C representa a concentração 
medida. 
N° DA CLASSE LIMITES 
(mg/m3) 
FREQUÊNCIA 
(absoluta) 
FREQUÊNCIA RELATIVA 
(%) 
1 0,00  C  0,02 5 15,2 
2 0,02  C  0,04 9 27,3 
3 0,04  C  0,06 8 24,2 
4 0,06  C  0,08 3 9,1 
5 0,08  C  0,10 4 12,1 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
133 
6 0,10  C  0,12 2 6,1 
7 0,12  C  0,14 0 0 
8 0,14  C  0,16 1 3,0 
9 0,16  C  0,18 0 0 
10 0,18  C  0,20 1 3,0 
 
 
Figura 5.6. Histograma de exposição a poeira de sílica para 33 mineiros trabalhando 
numa lavra de ouro. 
 
Como se tem poucas amostras, dois intervalos não possuem nenhum valor. Se mais 
amostras tivessem sido obtidas, eventualmente haveria valores nestes intervalos. Se 
muitas mais amostras tivessem sido coletadas e os pontos médios dos intervalos fossem 
unidos por uma linha, obteríamos uma curva log normal típica, como ilustrado na nota 5.5. 
Nota 5.5. 
Usando os parâmetros estatísticos de uma distribuição log normal e um programa como 
o Excel, é possível obter a seguinte curva correspondente à exposição de sílica pelos 
mineiros. 
 
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
0,01 0,03 0,05 0,07 0,09 0,11 0,13 0,15 0,17 0,19
fr
e
q
ü
ê
n
c
ia
ponto médio do intervalo (mg/m3)
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
134 
Esta curva é assimétrica para o lado direito, com a inclinação sendo mais acentuada 
na região dos valores menores. Isto indica que um grande número de medidas se encontra 
do lado dos menores valores e que as medidas não se distribuíram homogeneamente. Este 
tipo de curva é denominado de assimétrica para a direita (skewed to the right). 
Como os valores reais não foram dados, não é possível calcular a média aritmética 
e a média geométrica a partir da tabela 5.4. Estas seriam respectivamente 0,051 e 0,036 
mg/m3. A média aritmética é influenciada demais por alguns poucos valores altos e 
considera-se a média geométrica uma melhor medida de tendência central para este tipo 
de distribuição. No próximo exemplo serão explicitadas todas as etapas numéricas dos 
cálculos de média geométrica e desvio padrão geométrico. 
 
5.4.3 EXEMPLO OCUPACIONAL 2 – SILICOSE EM PEDREIRAS 
Foi efetuado um programa de amostragem de sílica e 5 amostras foram obtidas. As 
concentrações médias temporais em mg/m3 foram: 0,02; 0,09; 0,13; 0,04 e 0,01. Deseja-
se calcular a média geométrica (MG) e o desvio padrão geométrico (dpg). A tabela 5.5. 
apresenta os cálculos numéricos iniciais. 
 
Tabela 5.5. Cálculos numéricos iniciais para obtenção da média geométrica e desvio 
padrão. 
CONCENTRAÇÃO 
Cj (mg/m3) 
ln Cj [ ln Cj - ln MG ]2 
0,02 - 3,91 [ ( - 3,91 ) - ( - 3,238 ) ]2 = 0,452 
0,09 - 2,41 [ ( - 2,41 ) - ( - 3,238 ) ]2 = 0,686 
0,13 - 2,04 [ ( - 2,04 ) - ( - 3,238 ) ]2 = 1,435 
0,04 - 3,22 [ ( -3,22 ) - ( - 3,238 ) ]2 = 0,0003 
0,01 - 4,61 [ ( - 4,61 ) - ( - 3,238 ) ]2 = 1,882 
------- total: - 16,19 total: 4,45508 
------- MG = exp [ - 16,19 / 5 ] = 0,039 
 
Usando a fórmula para desvio padrão geométrico (5.4): 
 
dpg = exp { [4,455 / 4 ] ½ } = 2,87 mg/m3 
 
Portanto: 
 
MG = 0,039 mg/m3 
dpg = 2,87 mg/m3 
 
Se todos os valores medidos fossem iguais, a média geométrica seria igual a eles, a 
diferença dos logaritmos seria zero e,portanto o desvio padrão geométrico seria igual a 
1,00. 
À medida que o espalhamento dos dados aumenta, o desvio padrão geométrico 
também aumenta. Um valor de 2,87 é considerado alto. No presente caso os resultados 
estão espalhados e é difícil interpretar os valores. Mais medidas ajudariam a aumentar a 
confiança nos dados. 
Duas regras merecem destaque e podem agora ser resumidas como: 
• para uma distribuição log normal, a média geométrica é uma melhor medida de 
tendência central que a média aritmética; 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
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135 
• para uma distribuição log normal, o desvio padrão geométrico é uma melhor 
medida da dispersão que o desvio padrão. 
 
Os parâmetros, média geométrica e desvio padrão geométrico podem ser usados 
como indicadores iniciais para a determinação da frequência de amostragem e do número 
de amostras. 
Um programa de amostragem desenvolvido pela ALCOA e adotado pela ONRSA – 
Ontário Natural Resources and Safety Association - é resumido nas tabelas 5.6 e 5.7. Estas 
tabelas podem servir de guia para determinar o número mínimo de amostras e, depois de 
calcular o dpg, avaliar se mais amostras precisam ser coletadas. 
 
Tabela 5.6. Frequência de amostragem periódica. 
Média geométrica (MG) Frequência de amostragem 
 50% 6 meses a 2 anos 
 50% menos de 6 meses 
 
Tabela 5.7. Dimensionamento do número de amostras. 
Número de empregados 
no grupo exposto 
dpg dos dados de base Número mínimo de 
amostras (n) 
 30  2,00 
 2,00 
3 
5 
 30  2,00 
 2,00 
7 
9 
 
Alguns laboratórios podem apresentar certos valores como sendo zero, mas zero não 
pode ser utilizado para se calcular a média geométrica. O valor nulo apresentado por um 
laboratório significa que, se presente, a quantidade é inferior ao limite de detecção. Para 
valores inferiores ao limite de detecção, deve-se usar nos cálculos a metade do limite de 
detecção e não o valor zero. Todo bom laboratório deve ser capaz de informar seu limite 
de detecção. 
 
5.4.4 EXEMPLO DE APLICAÇÃO DA MÉDIA GEOMÉTRICA 
A média aritmética é apropriada para grandezas ou números com variação linear. 
Para números que variam exponencialmente é melhor usar a média geométrica. Assim, a 
melhor medida da tendência central do conjunto {1, 2, 4, 8, 16, 32} não é 10,5, mas 5,65, 
que é a média geométrica: (1 X 2 X 4 X 8 X 16 X 32)1/6. 
A média geométrica é também útil em distribuições logarítmicas, log normais ou com 
um valor isolado muito alto. Neste último caso, a média geométrica suaviza a influência 
deste único valor. Assim, para o conjunto {1, 2, 3, 4, 5, 100} a melhor medida de tendência 
central não é 19,2, mas a média geométrica de 4,78. 
5.4.5 EXEMPLO DE APLICAÇÃO DA MÉDIA HARMÔNICA 
Seja um veículo que se desloca de São Paulo para o Rio de Janeiro, percorrendo 
uma distância total de 400 km. Na primeira metade do percurso, ele mantém uma 
velocidade de 80 km/h e, na segunda metade do percurso, desenvolve 120 km/h. Qual sua 
velocidade média para o percurso entre São Paulo e Rio de Janeiro? 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
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136 
Se tomarmos a média aritmética das velocidades, obteremos: MA = ( 80 + 120 ) / 2 
= 100 km/h. 
Nesta velocidade média, o tempo de viagem teria sido de 4 horas. 
Na realidade percorreram-se os primeiros 200 km a 80 km/h, demorando, portanto 
2,5 horas. 
Os segundos 200 km foram percorridos a 120 km/h, demorando-se 1,667 h. 
Assim o tempo total da viagem foi de: 2,5 + 1,667 = 4,167 horas. 
Portanto pela definição de velocidade média, que é a distância percorrida dividida 
pelo tempo gasto, obtemos a velocidade média correta para a viagem: 400 / 4,1667 = 96 
km/h. 
Vm = 96 km/h 
Se usarmos a média harmônica teremos: 
MH = 2 / { 1/80 + 1/120 } = 2 / { (120 + 80)/ (120 x 80) } = ( 2 x 80 x 120 ) / 200 = 96 km/h 
Portanto: 
MH = 96 km/h 
A média harmônica é dada pelo inverso da média aritmética dos inversos e é útil 
quando se tem valores que representam taxas de variação. Neste exemplo, as taxas de 
variação são as velocidades, que representam taxas de variação da distância no tempo. 
 
5.5 LIMITES ADMISSÍVEIS 
5.5.1 O QUE SIGNIFICAM OS VALORES NUMÉRICOS 
Depois que a medição de uma substância ou de um agente perigoso foi efetuada 
(com um dado grau de confiança), o valor medido é comparado com uma referência para 
avaliação do grau de exposição. 
O desenvolvimento e definição destes padrões de referência foi um trabalho pioneiro 
da ACGIH - American Conference of Governamental Industrial Hygienists, e hoje suas 
recomendações são aceitas em quase todo o mundo. Apesar da ACGIH não ter autoridade 
para legislar, muitos órgãos legislativos têm aceitado como de alto nível as pesquisas por 
ela desenvolvidas e, reconhecendo o valor de suas recomendações, as têm transformado 
em leis. Uma listagem anual dos valores recomendados pela ACGIH reflete as evidências 
experimentais mais recentes e tem servido de padrão de referência para muitos países. 
Portanto uma rotina de análise seria: 
• executar medições da exposição de um trabalhador a um dado agente perigoso 
ou tóxico; 
• analisar as medidas feitas para se obter uma concentração média (ponderada 
temporalmente); 
• comparar o valor médio com o limite de tolerância LTmap do país. Caso ele não 
exista, deve-se utilizar o valor recomendado pela ACGIH; 
• se a média obtida estiver abaixo do valor limite de tolerância, então o local de 
trabalho estará de acordo com a lei. A boa prática industrial recomenda que o 
valor medido seja menor que metade do valor limite legal adotado, de modo a se 
ter um bom fator de segurança. Deve-se lembrar que um limite de tolerância da 
ACGIH é apenas a atual melhor estimativa de uma concentração segura, e que 
nenhuma garantia é dada pela ACGIH de que os valores publicados sejam 
seguros. 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
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137 
Os exemplos seguintes ilustram algumas das técnicas de cálculo numérico para 
análise de exposição ocupacional. 
 
5.5.2 EXEMPLO DE CÁLCULO DA EXPOSIÇÃO MÉDIA 
Um técnico está analisando o nível de exposição de um operador de britagem 
primária à material particulado. O seu instrumento de medição indica os seguintes valores: 
deslocando-se para o britador - 0,5 mg/m3; operando o britador com minério - 6,0 mg/m3; 
com o britador girando, mas sem minério - 2,0 mg/m3; com o britador parado - 1,0 mg/m3; 
no refeitório - 0,5 mg/m3. Deseja-se saber o nível de exposição do operador que tenha o 
seguinte cronograma diário típico: 
• deslocando-se ao local de trabalho - 15 minutos; 
• britando minério - 130 minutos; 
• britador girando sem minério - 60 minutos; 
• britador parado - 45 minutos; 
• almoçando no refeitório - 30 minutos; 
• britador girando sem minério - 30 minutos; 
• britando minério - 115 minutos; 
• britador parado - 30 minutos; 
• no refeitório - 10 minutos; 
• deslocando-se do local de trabalho - 15 minutos. 
 
Em primeiro lugar devemos construir uma tabela resumindo os dados levantados, o 
que é apresentado na tabela 5.8. Normalmente esta tabela já seria uma planilha de campo 
preenchida pelo técnico. 
A tabela 5.8. pode ser compactada agrupando-se os tempos de exposição a um 
mesmo nível de concentração de poeira. Isto é apresentado na tabela 5.9. A última coluna 
da tabela 5.9. apresenta o produto do tempo de exposição multiplicado pela concentração 
da exposição. 
 
Tabela 5.8. Resumo dos dados de campo. 
ATIVIDADE DESENVOLVIDA DURAÇÃO (min.) EXPOSIÇÃO (mg/m3) 
Deslocamento ao local de trabalho 15 0,5 
Britando minério 130 6,0 
Britador girando sem minério 60 2,0 
Britador parado 45 1,0 
Almoçando no refeitório 30 0,5 
Britador girandosem minério 30 2,0 
Britando minério 115 6,0 
Britador parado 30 1,0 
No refeitório 10 0,5 
Deslocando-se do local de trabalho 15 0,5 
TEMPO TOTAL 480 
 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
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138 
Tabela 5.9. Dados de campo agrupados por nível de exposição à poeira. 
ATIVIDADES TEMPO TOTAL NAS 
ATIVIDADES (min) 
EXPOSIÇÃO 
(mg/m3 ) 
PRODUTO: Cj X Tj 
TEMPO vezes EXPOSIÇÃO 
Deslocamentos, 
refeitório 
70 0,5 70 x 0,5 = 35 
Britando minério 245 6,0 245 x 6,0 = 1470 
Britador apenas 
girando 
90 2,0 90 x 2,0 = 180 
Britador parado 75 1,0 75 x 1,0 = 75 
 TEMPO TOTAL = 480 --------  Cj X Tj = 1760 
 
A exposição média ponderada (Emp) a que o operador esteve exposto é calculada 
dividindo-se o total da última coluna pelo tempo total de exposição, no caso, 480 minutos. 
Portanto: 
Exposição média ponderada = Emp = 1 760 / 480 = 3,67 mg/m3 
Como todas as medidas apresentavam 2 algarismos significativos, a resposta 
também deve conter apenas dois algarismos significativos, de modo a se ter o mesmo grau 
de confiança. Assim: 
 
Emp = 3,7 mg/m3 
O valor da exposição obtido poderia ser admissível para alguns tipos de poeira e 
inaceitável para outros tipos. Para esta decisão a poeira deveria ser analisada 
qualitativamente e quantitativamente, para saber sua composição. Sabendo-se sua 
composição, poder-se-ia usar o limite de tolerância apropriado e avaliar se este teria sido 
excedido ou não. 
 
5.5.3 EXEMPLO DE EFEITOS ADITIVOS 
A menos que haja informação explícita do contrário, deve-se assumir que haja um 
efeito aditivo quando se está exposto a múltiplos agentes ou contaminantes. 
Consideremos um operador de fábrica onde estejam presente material particulado e 
um gás. Os correspondentes limites de tolerância são 2 mg/m3 e 300 ppm. Os resultados 
do monitoramento indicaram que durante o turno, o operador esteve exposto em média a 
1,2 mg/m3 de poeira e a 165 ppm de gás. Consideradas isoladamente, as exposições à 
poeira e ao gás estão abaixo dos respectivos limites, pois: 
 
Emp (poeira) = 1,2 mg/m3 = 60% LTmap (poeira) = 100 x [1,2 / 2,0 ] 
 
Emp (gás) = 165 ppm = 55% LTmap (gás) = 100 x [165 / 300 ] 
 
Todavia se os efeitos aditivos forem considerados, em conjunto, o operador estará 
exposto a 115% acima do limite de tolerância conjunto. Neste caso deverão ser adotadas 
ações para que esta exposição seja reduzida até que se tenha um nível de exposição 
inferior a 100%. 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
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139 
5.6 METODOLOGIAS DE MEDIÇÃO 
Nesta fase é apropriado que se reflita sobre as seguintes palavras: 
“Quando se pode medir algo sobre o que se está falando, então se sabe alguma 
coisa sobre ele. Quando não se consegue exprimi-lo em números, o nosso conhecimento 
é de um tipo muito insatisfatório. Apesar de poder-se estar no início do conhecimento, 
pouco se avançou nos seus pensamentos ao estágio de ciência.” Lord Wiliam Thomson 
Kelvin. 
Muito antes, Pitágoras tinha expressado as mesmas idéias na sucinta frase: 
“Só se enumera o que se conhece”. 
Um dos princípios básicos do planejamento de medições é manter o máximo 
possível, a simplicidade e a objetividade, efetuando-se um mínimo de operações para a 
obtenção dos resultados desejados. Um termômetro, por exemplo, é um instrumento para 
medir apenas a temperatura. Já um monitor de temperatura é mais complexo e registra a 
variação da temperatura com o tempo. Com a adição de mais objetivos, um sistema de 
medição pode atingir qualquer grau de complexidade sendo em geral projetado para 
combinar uma série de operações que fornecerão os resultados desejados. 
A estatística é uma ciência orientada à coleta, organização, descrição e interpretação 
de dados experimentais. Alguns termos básicos da estatística são: 
• população (universo): é o conjunto de todos os elementos sobre os quais se 
deseja informações; 
• censo: é a análise que envolve toda a população; 
• amostra: é um subconjunto da população; 
• variável: é uma característica que é de interesse; 
• amostragem: conjunto de procedimentos e técnicas visando a obtenção de uma 
amostra com dadas características. 
Quando a população é muito grande necessita-se a obtenção de informações sobre 
ela, a partir de informações sobre uma amostra, como ilustrado na figura 5.7. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5.7. Relação entre amostra e população [Alberto Ramos]. 
Obter medidas de interesse não é tão simples quanto possa parecer e pode envolver 
diversas operações dentre as quais: 
• seleção do local de amostragem; 
• definição da estratégia de amostragem; 
• escolha do método de amostragem (como os elementos da amostras serão 
coletados); 
População 
Amostra 
Probabilidades 
Inferência 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
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140 
• determinação da frequência de medição (frequência de coleta de elementos da 
amostra); 
• definição de quantos elementos serão coletados (tamanho da amostra); 
• execução da amostragem; 
• transporte e cuidados com a amostra; 
• preparação das amostras; 
• análise das amostras; 
• interpretação dos dados; 
• apresentação cuidadosa dos resultados. 
 
5.6.1 SELEÇÃO DO LOCAL DE AMOSTRAGEM 
Uma amostra é apenas uma pequena parte do todo, devendo-se tomar todos os 
cuidados para que a parte seja representativa do universo amostrado. No caso da higiene 
industrial, o local de amostragem pode ser junto ou até mesmo no próprio trabalhador, ou 
ainda pode ser no local de trabalho circunvizinho ao trabalhador. 
 
5.6.2 ESTRATÉGIA DE AMOSTRAGEM 
Nem sempre é necessário amostrar todos os trabalhadores. Para se determinar 
quantos devem ser amostrados, os trabalhadores podem ser classificados por categorias 
onde basicamente todos têm as mesmas condições de exposição. Na primeira etapa se 
definem categorias amplas tais como tipo de ocupação e áreas de trabalho. Em cada classe 
se examina, então, quanto à natureza do trabalho executado, quanto à posição relativa do 
trabalhador com relação ao contaminante e quanto ao tempo que o trabalhador gasta na 
área. 
O número de trabalhadores a serem amostrados em cada categoria pode ser 
determinado com o auxílio da tabela 5.10. Se o grupo tiver menos de 6 trabalhadores, todos 
eles deverão ser amostrados. 
Utilizando a tabela 5.10 você terá 90% de confiança de que pelo menos um dos 
trabalhadores amostrados pertencerá aos 20% expostos aos níveis mais altos. 
 
Tabela 5.10. Relação entre tamanho do grupo e número de trabalhadores a serem 
amostrados [adaptado da NIOSH, Occupational Exposure Sampling Strategy Manual, US 
Department of Health, Education and Welfare]. 
Tamanho do grupo 6 7 - 9 10 - 14 15 - 26 27 - 50  50 
Número de trabalhadores 
a serem amostrados 
5 6 7 8 9 11 
 
A amostragem pode ser aleatória ou não aleatória. Numa amostragem aleatória 
cada um dos membros da população tem a mesma chance de ser selecionado. Caso 
contrário se terá uma amostragem não aleatória. 
A. AMOSTRAGEM NÃO ALEATÓRIA 
O método mais popular de amostragem não aleatória é aquele que se baseia no que 
é mais conveniente ao pesquisador. Ele simplesmente inclui os casos mais convenientes 
na amostra e exclui os inconvenientes. Este tipo é denominado de amostragem acidental 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
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141 
(accidental sampling), e um exemplo é quando professores usam seus próprios alunos 
para experimentos. 
Um outro tipo de amostragem não aleatória é a amostragem por cotas. Neste 
procedimento diversas características de uma população, como idade ou sexo, são usadas 
para definir cotas de amostragem. Por exemplo,numa fábrica podem estar empregados 
68% de homens e 32% de mulheres. Usando este método, um pesquisador desejando 
amostrar 100 trabalhadores poderia, baseado em sexo, escolher 32 mulheres e 68 
homens. Ou seja, teria definido cotas de amostragem. 
Um terceiro tipo de amostragem não aleatória é a chamada amostragem com 
julgamento. A idéia é de que neste tipo a lógica, o bom senso ou o discernimento podem 
ser utilizados para selecionar uma amostra que seja representativa de uma população mais 
ampla. 
B. AMOSTRAGEM ALEATÓRIA 
Na amostragem aleatória cada um dos membros de uma população tem a mesma 
probabilidade de ser selecionado. Esta característica exige que cada um dos membros da 
população seja identificado antes que a amostragem seja efetuada. A obtenção desta lista 
de membros nem sempre é uma tarefa fácil. 
O exemplo mais básico de amostragem aleatória é a amostragem aleatória simples, 
tal qual a retirada de nomes de um chapéu. O mesmo método pode ser obtido usando-se 
tabelas de números aleatórios, de modo que se obtenha uma amostra imparcial. A figura 
5.8. ilustra a amostragem aleatória simples. 
 
 
Figura 5.8. Amostragem aleatória simples. 
 
A amostragem sistemática é similar à amostragem aleatória simples. Em vez de 
se usar uma tabela de números aleatórios, cada j-ésimo membro da população é 
selecionado para a amostra. A figura 5.9. ilustra a retirada periódica de elementos da 
população para compor a amostra. 
 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
142 
 
Figura 5.9. Amostragem sistemática. 
Uma outra variante da amostragem aleatória simples é a amostragem estratificada. 
Neste tipo, a população é dividida em subgrupos ou estratos mais homogêneos, a partir 
dos quais as amostras são retiradas. Cada estrato é tratado como uma população completa 
e, para cada um, é aplicada a amostragem aleatória simples. A estratificação se baseia na 
ideia de que num grupo homogêneo se necessita de uma amostra menor que num grupo 
heterogêneo. A figura 5.10 ilustra a amostragem estratificada. 
 
Exemplo: 
Numa mina subterrânea seriam escolhidos os trabalhadores de subsolo que tivessem 
o maior potencial de exposição aos níveis mais altos de poeira. Estes poderiam ser todos 
os perfuradores em subsolo e deste grupo seria então escolhida uma amostra aleatória 
simples. 
 
 
Figura 5.10. Amostragem estratificada. 
 
5.6.3 METODOLOGIA DE AMOSTRAGEM 
Existem várias estratégias de amostragem que podem ser utilizadas. A amostragem 
por lote (batch or grab sampling) é a coleta de amostras predeterminadas durante certo 
período de tempo com uma estratégia aleatória. A amostragem intermitente é feita 
coletando-se amostras repetitivamente e sistematicamente numa sequência temporal, mas 
com interrupções periódicas no processo de amostragem. Já a amostragem contínua é 
feita ininterruptamente, mantendo-se continuidade em tempo real. 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
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143 
5.6.4 FREQUÊNCIA DE AMOSTRAGEM 
A frequência de amostragem é normalmente definida por normas legais. Quando os 
níveis de exposição são altos, próximos ou excedendo os limites de tolerância, recomenda-
se uma alta frequência de amostragem. Com níveis menores de exposição, em geral 
amostragens menos frequentes são suficientes. 
5.6.5 EXECUÇÃO DA AMOSTRAGEM 
A amostragem propriamente dita requer certo tipo de instrumento. Os fabricantes 
fornecem um manual com seus instrumentos e a descrição do modo correto de operação. 
Quando a amostragem é requerida por lei, o método de amostragem é normalmente bem 
explicitado na norma legal. 
5.6.6 TRANSPORTE E CUIDADOS COM AS AMOSTRAS 
Em certas técnicas de amostragem, é necessário se transportar a amostra ao 
laboratório para a execução de análises. Esta fase pode requerer cuidados importantes, 
que se não tomados, podem invalidar a amostragem. 
 
Exemplo: 
Se um poço de água está sendo testado, é preciso ter certeza de se usar um 
recipiente bem selado e que esteja isento de contaminantes antes da coleta de material. É 
preciso se certificar de que nenhuma contaminação ocorra durante a coleta e manuseio do 
recipiente, de que o recipiente esteja completamente selado e de que seja enviado ao 
laboratório o mais breve possível. A amostra precisa ser rotulada e etiquetada, guardando-
se registros apropriados de modo que os resultados analíticos sempre sejam atribuídos à 
amostra correta. 
 
5.6.7 PREPARAÇÃO DAS AMOSTRAS 
Esta fase envolve a preparação física e/ou química da amostra, que deve ser 
consistente com as operações analíticas a serem executadas. Envolve também o 
conhecimento dos efeitos sobre a amostra e sua integridade. 
5.6.8 ANÁLISE DAS AMOSTRAS 
Nesta etapa são obtidos dados qualitativos ou quantitativos sobre o contaminante ou 
agente, envolvendo os parâmetros de interesse. 
5.6.9 INTERPRETAÇÃO DOS DADOS 
Todos os dados, ao serem analisados com um dado objetivo, devem seguir métodos 
estatísticos e padrões específicos para cada situação. Para a interpretação e posterior 
apresentação dos dados, as informações mínimas tabuladas devem conter: 
• o número de observações feitas; 
• um valor indicando a tendência central dos mesmos; 
• um valor indicando a dispersão dos dados; 
• o método de medida; 
• a instrumentação utilizada. 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
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144 
Valores que podem ser calculados para representar a tendência central são a média 
aritmética, a moda e a mediana. A média geométrica pode ser utilizada, mas neste caso 
deve existir uma tendência dos dados se distribuírem de maneira log normal. 
Vários parâmetros podem ser usados para representar a dispersão dos dados. A 
dispersão se refere ao grau de flutuação dos valores ao redor de um ponto e procura 
responder se a maioria dos valores está próximo da média, mediana ou moda. 
Alguns dos parâmetros que podem ser usados são: variância da média, desvio 
padrão da média, grau de assimetria (skewness), curtose, intervalo interquartis, desvio 
padrão da mediana, desvio padrão geométrico, valores mínimo e máximo, etc. Alguns 
termos qualitativos também são usados como: assimetria positiva, distribuição log normal, 
multimodal, leptocúrtico, mesocúrtico, bimodal, etc. 
Se houver alguma dúvida sobre qual ferramenta ou termo estatístico usar, apresente 
o maior número possível de informações, indicando sua opinião sobre qual o mais 
apropriado. Deste modo o leitor poderá analisar com mais cuidado suas informações. 
No exemplo apresentado em detalhe sobre material particulado, sabemos que as 
partículas dispersas no ar são heterogêneas em termos de tamanho. Quando se coletam 
amostras destas partículas, os resultados das medições são mais bem estudados com 
métodos estatísticos. Os resultados podem ser apresentados usando-se distribuições de 
frequência relativa ou cumulativa com relação à granulometria, à área, ao volume ou à 
massa. A mais comum é a distribuição granulométrica. 
O primeiro passo para se obter uma distribuição de tamanhos ou massas é classificar 
as amostras coletadas em grupos denominados de classes. As classes são definidas pelos 
seus limites, dados em termos de magnitude do parâmetro considerado. Cada limite de 
classe é a borda superior de uma classe e a inferior da seguinte. O ponto médio da classe 
é o centro da classe, locado no meio dos limites superior e inferior. O uso deste ponto 
médio se assenta na hipótese de que dentro da classe, os valores se distribuam de modo 
equitativo. Isto significa que a média e a mediana para dados agrupados serão um pouco 
diferentes de que para os dados não agrupados. 
Os intervalos de cada classe não precisam ser iguais, mas neste casoestas 
diferenças devem ser explicitadas, e a relação entre cada classe estabelecida. 
Existe um perigo ao se agrupar dados, que é a perda de informação. Nos dados 
completos, sem agrupamento, sabemos cada um dos diâmetros das partículas de poeira. 
Se colocarmos os dados em classes, não sabemos mais os diâmetros individuais e esta 
perda de informação deve ser comparada com os ganhos em termos de claridade e 
conveniência. Para se proteger desta perda de informação, as classes não devem ser tão 
grandes de modo a conter grandes volumes de dados ou grande variação de tipos de 
dados. O bom senso é o melhor indicador, e com a maioria dos dados, uma subdivisão em 
10 a 20 classes fornece resultados satisfatórios. 
Deve-se sempre lembrar que em pesquisa científica existem poucas respostas 
absolutas. Em geral, numa pesquisa tem-se que assumir uma série de hipóteses e emitir 
um conjunto de julgamentos. Não existe meio de se evitar estes julgamentos e eles devem 
ser os mais imparciais possíveis. 
A resposta de quando devemos usar uma ferramenta estatística mais poderosa e 
complexa, não é simples. Todavia, se ela atrapalhar o leitor ou confundi-lo, não deve ser 
usada. Por exemplo, se a distribuição for altamente assimétrica, ainda assim é possível 
calcular a média aritmética e o correspondente desvio padrão. Todavia, as 
correspondentes interpretações são muito enganadoras. 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
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145 
Os dados para os quais se calcula a média aritmética devem ser simétricos, pois se 
forem muito assimétricos, a média perde seu valor interpretativo, pois terá sido deslocada 
para um dos lados. Se apesar de simétricos, os dados não se distribuírem de modo normal, 
a média aritmética também perde um pouco de seu significado e deve ser usada com 
cautela. 
As restrições ao uso da média são severas, mas por outro lado, sua força também é 
aparente. Ela tem alta sensibilidade à centralidade e forte conteúdo de informação. A 
mesma sensibilidade que faz com que a média aritmética seja usada com cautela em 
distribuições assimétricas, mostra também sua exatidão e grau de informação. 
O desvio padrão da média aritmética é muito usado na análise de dados, mas 
novamente deve-se ter cautela com distribuições assimétricas. O número calculado se 
torna sem sentido, não tendo relação com a muito citada afirmação: “No intervalo de um 
desvio padrão de cada lado da média, tem-se aproximadamente 68% de todos os valores.” 
Esta afirmação é verdadeira para distribuições normais mas não para distribuições 
assimétricas. 
Quando se trabalha com a contagem de partículas, com a distribuição granulométrica 
ou com a variação temporal da concentração de gases, em geral tem-se distribuição 
assimétrica e frequentemente estas são log normais. 
5.6.10 APRESENTAÇÃO CUIDADOSA DOS RESULTADOS 
Finalmente é preciso que a linguagem de um relatório científico seja clara, concisa, 
coerente e seguidora das regras gramaticais. 
A apresentação deve ser isenta de inutilidades e informações que não tenham a ver 
com os objetivos da pesquisa. Esta é uma característica que engenheiros e pesquisadores 
devem estar atentos. 
5.6.11 DISTINÇÃO ENTRE PARÂMETROS DA AMOSTRA E DA POPULAÇÃO 
O termo população se refere ao conjunto do todos os elementos para os quais se 
deseja obter informações sobre um dado parâmetro. Por exemplo, a idade dos homens 
brasileiros. Para uma população em geral se utilizam os símbolos: 
Média aritmética da população = MA =  
Desvio padrão aritmético da população = dpa =  
Estes valores podem ser considerados como os valores “corretos” ou exatos. 
 
Com a impossibilidade ou impraticabilidade de se medir todos os valores da 
população, medem-se uma parte dela, denominada de amostra. Os valores da média e 
desvio padrão da amostra são em geral designados pelas letras: 
Média aritmética da amostra = MA = Ẋ 
Desvio padrão da amostra = dpa = s 
Se a amostragem for efetuada adequadamente, os valores calculados para a 
, s) são boas estimativas dos valores de  e . amostra, ( 
 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
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146 
5.7 TESTES (2) 
1. Um grupo de 20 trabalhadores foi exposto a um valor médio de leitura de 70 ppm de gás 
CO durante uma semana de 40 horas. Um segundo grupo de 30 trabalhadores foi exposto 
a um valor médio de leitura de 80 ppm de CO durante a mesma semana de 40 horas. A 
média geral em ppm de CO para os 50 trabalhadores foi de: 
 
a) 70. 
b) 74. 
c) 75. 
d) 76. 
e) 80. 
Feedback: (20 * 70 + 30 * 80) / 50 = 76 
 
2. Um método de amostragem aleatório (ou randômico) no qual cada enésimo membro da 
população é incluído na amostra é um método de: 
 
a) Amostragem aleatória simples. 
b) Amostragem sistemática. 
c) Amostragem por “cluster”. 
d) Amostragem estratificada. 
e) Amostragem assimétrica. 
Feedback: item 5.6.2, subitem (B). “ A amostragem sistemática é similar à 
amostragem aleatória simples...”. 
3. Um método de amostragem no qual primeiro a população é dividida em subgrupos mais 
homogêneos, a partir dos quais amostras aleatórias simples são coletadas é um método 
de: 
 
a) Amostragem aleatória simples. 
b) Amostragem sistemática. 
c) Amostragem por cluster. 
d) Amostragem estratificada. 
e) Amostragem simétrica. 
Feedback: item 5.6.2, subitem (B). “Uma outra variante da amostragem aleatória 
 
4. Um método de amostragem aleatória, no qual uma tabela de números randômicos é 
utilizada para selecionar uma amostra que representa uma população maior é: 
 
a) Uma amostragem aleatória simples. 
b) Uma amostragem sistemática. 
c) Uma amostragem tipo “cluster”. 
d) Uma amostragem estratificada. 
e) Uma amostragem acidental. 
Feedback: item 5.6.2, subitem (B). 
 
5. Um método de amostragem aleatória onde amostras são selecionadas de modo 
randômico a partir de áreas bem definidas é: 
 
a) Uma amostragem aleatória. 
b) Uma amostragem sistemática. 
c) Uma amostragem tipo “cluster”. 
d) Uma amostragem estratificada. 
e) Uma amostragem semi-parcial. 
 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
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147 
6. Uma usina de tratamento de minérios emprega 40 trabalhadores na oficina de 
manutenção. Deseja-se saber os níveis de ruído a que estes estão expostos num turno 
diário de 8 horas. Para que se tenha 90% de certeza de que pelo menos um dos 
trabalhadores amostrado esteja no grupo exposto aos níveis 20% mais altos, deve-se 
amostrar um mínimo de: 
 
a) 5 trabalhadores. 
b) 7 trabalhadores. 
c) 9 trabalhadores. 
d) 11 trabalhadores. 
e) 12 trabalhadores. 
Feedback: Tabela 5.10. 
 
7. Um método de amostragem não aleatório no qual o pesquisador inclui os casos mais 
convenientes em sua amostra é: 
 
a) Uma amostragem acidental. 
b) Uma amostragem tipo “cluster”. 
c) Uma amostragem por cotas. 
d) Uma amostragem com julgamento. 
e) Uma amostragem parcial. 
Feedback: item 5.6.2, subitem (A). 
 
8. Numa distribuição log normal tem-se: 
 
a) Média aritmética  mediana  moda. 
b) Mediana < média aritmética < moda. 
c) Moda < mediana  média aritmética. 
d) Média aritmética  moda  mediana. 
e) Log média = log mediana = log moda. 
Feedback: item 5.1.2, curva c) da Figura 5.3., ilustra aproximadamente uma curva log 
normal. 
9. Uma distribuição na qual se tem mais valores baixos do que altos, resultando numa 
cauda maior à direita, é dita: 
 
a) Assimétrica positiva. 
b) Assimétrica negativa. 
c) Mesocúrtica. 
d) Platicúrtica. 
e) Leptocúrtica. 
Feedback: item 5.1.2, curva (c) da figura 5.3. 
 
10. Uma distribuição assimétrica que é bastante achatada é denominada de: 
 
a) Mesocúrtica. 
b) Negativamente assimétrica. 
c) Positivamente assimétrica. 
d) Platicúrtica. 
e) Leptocúrtica. 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicosde Estatística em Higiene. 
 
 
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148 
11. Para o conjunto de valores {1,2,3,4,5,100} temos: 
 
a) Moda = 3 ou 4; mediana = 3,5; MA = 19,1667; MG = 50. 
b) Mediana = 3 ou 4; moda = 3,5; MA = 19,1667; MG = 30. 
c) Moda = qualquer valor; mediana = 3,5; MA = 19,1667; MG = 10. 
d) Moda = 3,5; mediana = qualquer valor; MA = 19,1667; MG = 4,78. 
e) Moda = qualquer valor; mediana = 3,5; MA = 19,1667; MG = 4,78. 
Feedback: 
por isso a moda pode ser qualquer valor. 
2) A mediana seria o valor central. Como há número par de valores, os números 
centrais são 3 e 4, e portanto devemos tirar a média entre eles, e temos mediana = 
3,5. 
3) A média aritmética é (1+2+3+4+5+100)/6 = 19,1667. 
4) A média geométrica é (1*2*3*4*5*100)^1/6 = 4,7848. 
 
12. Curvas normais podem também ilustrar os conceitos de exatidão e precisão. Escolha 
a alternativa correta em função das figuras numeradas de 1 a 4. 
a) (1) é precisa e exata, (3) é exata e imprecisa. 
b) (1) é precisa e exata, (2) é imprecisa e exata. 
c) (2) é pouco precisa e inexata, (3) é pouco exata e imprecisa. 
d) (3) é exata e imprecisa, (4) é imprecisa e exata. 
e) (3) é inexata e precisa, (4) é precisa e exata. 
 
 
 
Feedback: Figura 5.5. 
1) preciso e exato. 
2) preciso e inexato. 
3) impreciso e exato. 
4) impreciso e inexato. 
 
 
 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
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13. Considere as afirmações abaixo sobre concentração em amostras aleatórias na área 
de Saúde e Segurança do Trabalho: 
 
I – Os resultados frequentemente se distribuem de maneira log normal; 
II – Os resultados frequentemente se distribuem simetricamente; 
III – A melhor medida de tendência central da distribuição log normal é a média aritmética; 
IV - A melhor medida de tendência central da distribuição log normal é a média geométrica. 
Qual a alternativa correta? 
a) Apenas I e IV são verdadeiras. 
b) Apenas I e III são verdadeiras. 
c) Apenas II e IV são verdadeiras. 
d) Apenas II e III são verdadeiras. 
e) Apenas I e III são verdadeiras. 
Feedback: item 5.6.9. As distribuições frequentemente são log normais, e sendo 
 
14. Qual a afirmativa incorreta com relação à amostragem não aleatória? 
a) O método mais comum é denominado amostragem acidental. 
b) Compreende a amostragem por cotas. 
c) Cada um dos membros de uma população tem diferentes probabilidades de serem 
selecionados. 
d) Um dos métodos é aquele similar à retirada de nomes de um chapéu. 
e) Um dos métodos é chamado de amostragem por julgamento. 
Feedback: item 5.6.2, subitens (A) e (B). 
 
 
Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene. 
 
 
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5.8 EXERCÍCIOS 
1. Escreva sua opinião sobre qual a informação mais importante deste capítulo, usando no 
máximo 3 linhas. Justifique. 
2. Demonstre matematicamente a equivalência das fórmulas (5.3.a) e (5.3.b). 
 
 
Bibliografia. 
 
 
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151 
BIBLIOGRAFIA 
1. Fantazzini, Mario Luiz. O futuro veio de São Paulo? - Suplemento da Revista 
Proteção no. 24 (Agosto/1993) 
2. Fantazzini, M. L. e De Cicco, F.M.G.A.F. -Técnicas Modernas de Gerência de 
Riscos - IBGR - São Paulo, 1985 
3. Encartes série “Gerência de Riscos” da Revista Gerência de Riscos (1989) e 
Proteção (1994) 
4. Fantazzini, M. L. e De Cicco, F.M.G.A.F. -Introdução à Engenharia de Segurança 
de Sistemas. Fundacentro, 1979 
5. Fantazzini, M. L. e De Cicco, F.M.G.A.F. - Prevenção e Controle de Perdas - Uma 
abordagem integrada. Fundacentro. São Paulo, 1980. 
6. Lei 6514/77. 
7. Portaria 3214/78 (Normas Regulamentadoras). 
8. Nogueira, Diogo Pupo. Histórico da Higiene e Segurança. In: Curso de Engenharia 
de Segurança do Trabalho. São Paulo, Fundacentro, 1975. 
9. Fantazzini, Mario Luiz. Ação Preventiva. Revista Proteção. Setembro de 1996. 
10. Hammer, Willie. Handbook of System and Product Safety. Mc Graw Hill, 1972. 
11. Bird, Frank J. Damage Control. 
12. Fletcher, Johh A. Total Loss Control. 
13. Rose, Vernon. AIHA – White Book. 
14. Curso de Higiene Industrial. Madrid: Editorial MAPFRE, 1983. 
15. Enciclopédia de Salud Y Seguridad em el Trabajo. Oficina Internacional del Trabajo 
(OIT). Madrid: Centro de Publicaciones Ministerio del Trabajo y Seguridad Social, 
1989. 3 volumes. 
16. GANA SOTO, José Manoel et al. Riscos Químicos. São Paulo: Fundacentro 1982. 
17. GOSSELIN, Robert E. Clinical Toxicology of Commercial Products, 4a edição 
Baltimore: The Williams & Wilkins Co., 1976. 
18. Manual de Higiene Industrial. Madrid: Fundación MAPFRE, 1991. 
19. SAAD, Eduardo Gabriel, org. Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho. 
Textos básicos para estudantes de engenharia. São Paulo: Fundacentro, 1981. 
20. Segurança e Medicina do Trabalho: Manuais de Legislação Atlas. São Paulo: Atlas, 
volume16, 20a edição 1991. 
21. Marco, ª Gutiérrez, dirig. Temas de Higiene Industrial. Madrid: Editorial MAPFRE, 
1982. 
 
 
Bibliografia. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
152 
22. LEIDEL, Nelson A. et al. Ocupational Exposure Sampling Strategy Manual. Ohio: 
NIOSH, 1977. 
23. Industrial Ventilation: A Manual of Recomended Pratice. American Conference of 
Governmental Industrial. Higienists (ACGIH), Michigan, 21a edição 1992. 
24. Engineering Principles of Acoustics, Noise and Vibration Control – D.D. Reynolds. 
Allyn and Bacon Inc. 1981. 
25. “Acoustics” an Introduction to its Physical Principles and Aplication – Allan D. Pierre. 
Mc. Graw Hill, 1981. 
26. Série EARLOG – Ear Division – Cabot Corporation – Publicada em revistas 
especializadas como Professional Safety, a partir de 1983. 
27. Samir N. Y. Gerorges. Acústica Aplicada. Apostila de Curso intensivo. São Paulo, 
junho de 1983 – B & K do Brasil. 
28. NIOSH Technical Report – A Report on the Performance of Personal Noise 
Dosimeters. DEHW (NIOSHI) Publication, 
29. Noise Control – Principles and Pratice – Bruel & Kiaer. 
30. WELLS, GIAMPAOLI, SIDAN Riscos Físicos. São Paulo: Fundacentro, 1982. 
31. CEAC – Luminotecnia – José Ramirez Vazquez. Barcelona – Espanha –1990. 
32. Kaufman, John E. Ies Lighting Handbook: The Standard Lighting Guide, 5a Edição 
New York IES, 1972. 
33. Manual De los tubitos de Control. Análisis del aire y análisis técnicos de gases con 
los tubitos DRAGER. 
34. Normas de Higiene do Trabalho. 
35. NHT-01 C/E – Norma para Avaliação de Exposição Ocupacional a Calor. 
36. NHT-02 A/E – Norma para Avaliação de Exposição Ocupacional a 
Aerodiapersoides. 
37. NHT-03 A/E – Determinação de Vazão de amostragem pelo método da bolha de 
sabão. 
38. NHT-04 A/E – Norma para manutenção de baterias recarregáveis de Níquel – 
Cádmio. 
39. NHT-05 AQ/A – Quadro resumo das características dos tubos colorimétricos – 
DRAGER. 
40. NHT-05 AQ/E – Avaliação da exposição ocupacional a agentes químicos. 
41. NHT-06 R/E – Norma para Avaliação de Exposição Ocupacional ao Ruído. 
42. NHT-06 R/E – Avaliação da exposição Ocupacional ao Ruído Contínuo ou 
Intermitente. 
43. NHT-07 R/E – Avaliação de Exposição Ocupacional ao Ruído de Impacto. 
44. NHT-08 GZ/E – Avaliação da Exposição Ocupacional a Solventes Orgânicos. 
 
 
Bibliografia. 
 
 
eST – 103 - Higiene do Trabalho – Parte A / PECE, 1o Ciclo de 2018. 
153 
45. NHT-08 L/E – Coleta e envio de amostras de solvente e cola ao laboratório. 
46. NHT-09 R/E – Norma para Avaliação da Exposição Ocupacional ao Ruído. 
47. NHT-09 R/E – Avaliação de Exposição Ocupacional ao Ruído contínuo ou 
intermitente através de dosímetro. 
48. NHT-10 I/E – Norma para Avaliação Ocupacional dos níveis de iluminamento. 
49. NHT-13 MA – Determinação gravimétrica de aerodispersoide. 
50. NHT-14 MA – Determinação quantitativade Sílica livre cristalizada por DRX. 
51. Fantazzini, Mario – Higiene Ocupacional – Aspectos Históricos. Artigo disponível 
no site da ABHO. www.abho.com.br 
52. Berry, C. M. – Occupational Hygiene. International Labour Office. 
53. Encyclopedia of Ocupational Health and Safety. Geneva, 1985. 
54. Goelzer Ferrari, B – Occupational Health and Safety. Geneva, 1985. 
55. American Conference of Governmental Industrial Hygienists – TLVs 2001. Tradução 
autorizada da ABHO – Associação Brasileira de Higienistas Industriais. ABHO, 
2001. 
56. American Conference of Governmental Industrial Hygienists – TLVs 2014. Tradução 
autorizada da ABHO – Associação Brasileira de Higienistas Industriais. ABHO, 
2014. 
57. Rose, Vernon E. – History and Philosophy of Industrial Hygiene Association. Fairfax, 
1997. 
 
http://www.abho.com.br/

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