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RELATÓRIO FINAL- HOSPITALAR

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da Pandemia da Covid-19 ocorreram as suspensões das práticas presenciais no hospital por medidas de proteção e isolamento social, logo as atividades práticas do estágio foram realizadas de forma remota e flexibilizadas, no entanto, seguindo os princípios que fundamentam as atividades acadêmicas.
Para tanto, os objetivos do estágio foram a produção de uma cartilha informativa sobre temas ligados ao trabalho e à saúde mental dos profissionais de saúde diante da pandemia- covid19, seguindo os referenciais estudados ao longo do período. 
2. REFERÊNCIAL TEÓRICO 
2.1 A INSERÇÃO DO PSICÓLOGO NO CONTEXTO HOSPITALAR 
Segundo Ismael (2010), a psicologia é uma ciência baseado em analise, predição e a modificação dos fatores que modificam o comportamento. A psicologia da saúde, por sua vez, tem sido definida como um agregado de contribuições para as áreas educacionais, cientificas, profissionais e institucionais. Além disso busca a promoção e a manutenção da saúde física e emocional, também a prevenção, tratamento, identificação e diagnostico.
Ainda com a autora, um dos objetivos da psicologia hospitalar é de minimizar o sofrimento do paciente e de sua família. Assim, o trabalho é focado no sofrimento e nas repercussões que o paciente sofre com a doença e com a hospitalização, além de considerar sua história de vida, a forma como o mesmo relaciona a doença e seu perfil de personalidade. No processo de hospitalização não deve ser desconsiderado os aspectos emocionais e sociais no diagnóstico e desenvolvimento da doença. O tratamento de doenças traz algumas ameaças para o paciente como a integridade física, autoimagem, equilíbrio emocional e ao ajustamento ao novo meio físico e social.
O psicólogo deve adaptar sua adaptação nesse contexto, já que sua atuação é muito diferente da clínica. Na maioria das vezes, não há um lugar para que possam conversar sem que o sigilo seja ameaçado. Em razão disso, o psicólogo deve ter bom senso, bom preparo teórico e prático, respeitar a equipe multiprofissional e tolerância a frustração. Ainda, o profissional deve conhecer a doença, sua evolução e prognostico. Outro trabalho importante do psicólogo nesse contexto são os grupos educativos, facilitando a conscientização da família e do paciente perante a doença e tratamento. E por fim, pode auxiliar na relação equipe/paciente/família. A primeira tarefa do psicólogo hospitalar é definir se a reação do paciente é patológica ou não. Esse tipo de reação é caracterizado por distúrbios de comportamento com predisposição a reações psicóticas ou neuróticas (ISMAEL, 2010).
Ismael (2010) traz que no ambulatório o paciente geralmente chega após passar pelo médico, trazendo queixas sobre sua doença, problemas pessoais adjacentes, familiares e profissionais. A aceitação da doença é uma fase difícil para o paciente já que prevalece a revolta ou o conformismo com a doença.
Alguns estudos concluem que a negação consiste em um estado psicológico presente após o diagnóstico da doença, na tentativa de rejeita-lo, diminuindo o impacto e a ansiedade causados em decorrência da notícia. A negação pode ser muito nociva já que desafiam a existência da doença e se expõe a riscos desnecessários. Já a regressão é considerada positiva já que ajuda o paciente a se reorganizar diante a doença e tratamento. No entanto pode ocorrer atitudes egocêntricas, aumento da dependência, redução de interesses diversos e até mesmo a depressão devido ao vazio, desvalorização e falta de objetivo para o futuro (ISMAEL,2010)
Já nas unidades de internação o psicólogo aborda a hospitalização com o paciente e sua paciente. O profissional tenta conhecer sua história de vida, já que nesse período o paciente perde sua individualidade e se sente agredido pela rotina e rigidez de horários do hospital, ocasionando a despersonalização. O paciente tende a ter comportamentos passivos ou agressivos buscando preservar a integridade do seu eu. Além disso se torna mais introspectivo e reavalia seus valores e sua vida (ISMAEL,2010).
E por fim, na unidade de Terapia intensiva (UTI), unidade coroniana (UCO) e pronto socorro (PS) o psicólogo deve ser o elo entre paciente/equipe/família. De forma geral, o psicólogo auxilia o paciente na aceitação da doença e acompanha a família nessa adaptação (ISMAEL,2010)
A entrevista psicológica é de extrema importância nesse contexto, já que ela busca investigar a demanda do paciente, de seus familiares e da própria equipe. Deve ser colhido informações como diagnostico, história de vida, situação atual de vida, problemas psicológicos existentes, atitudes em relação ao tratamento e a motivação do paciente. A entrevista inicial busca a compreensão do significado da psicoterapia para o paciente e tem o objetivo de aliviar a ansiedade e o medo do mesmo (ISMAEL,2010).
Ainda, a entrevista pode ser o meio pelo qual a paciente ira expressar o problema e cabe ao psicólogo ajudar na evolução para melhor adaptação. Autores ressaltam a importância do não julgamento, da escuta ativa e da linguagem compreensível para o paciente (ISMAEL,2010).
Sabe se ainda que o psicólogo foi o último profissional da saúde a ser inserido no contexto hospitalar. No entanto é necessário que busque cada vez mais aprofundar estudos na área, visando a melhoria da compreensão sobre os casos e das relações dos envolvidos. (ISMAEL,2010).
 2.2. A ABORDAGEM PSICANALÍTICA DO SOFRIMENTO NAS INSTITUIÇÕES DE SAÚDE
Moretto (2019), cita que dentro da psicanálise é falado que entre inconsciente, subjetividade e cultura há uma ligação particular, onde se acredita que tanto a formação individual quanto a transformação individual acontecem num local denominado alteridade, ou seja, através da ligação com o outro. Dessa forma, é através dos laços sociais que as individualidades se formam. 
Devido existir essa ligação entre clínica e cultura, métodos psíquicos e atualidade, que para a psicanálise se torna importante a ligação existente entre as alterações sociais, econômicas e políticas e a particularidade de seu tempo. Dessa maneira, deve ser observado a forma como indivíduo lida com seus ideais de sucesso e também com a felicidade de acordo com a cultura do nosso tempo (MORETTO, 2019).
De acordo com Moretto (2019), em nossa sociedade acredita-se que existe uma felicidade coletiva e que nos faz acreditar que aquele indivíduo que ainda não é feliz, não o é por algum problema dentro de si. Agora, a felicidade passa de um nível de sonho para um nível ideal, impondo-se que “é preciso ser feliz”. 
Agindo como uma direção para as pessoas, as suas convicções são importantes. Porém passa a ser um problema quando o sujeito passa a interpretar de uma forma que esses ideais se tornam imprescindíveis. Essa subordinação nos mostra as ligações entre ela e os sentimentos incapacidades criados dentro dos indivíduos, gerando assim, sujeitos tristes e fracassados (MORETTO, 2019).
A mesma autora coloca que o adoecimento pode ser compreendido como uma linha que gera um antes e um depois na vida de uma pessoa. Esse adoecimento pode ter um significado para o indivíduo como também pode não ter. É comum que o sujeito tente dar algum sentindo para tudo que está acontecendo. 
Tornando-se algo normal, que quando frente ao adoecimento, que até então é algo novo para o paciente, ele fique sem saber o que falar, e se sinta diferente e vazio. Esse adoecimento pode gerar efeitos de espanto e também de fraqueza, onde se torna importante trabalhar com o paciente maneiras de defrontação e construção do luto (MORETTO, 2019).
Cada indivíduo lidará com o adoecimento de uma forma a qual estará ligada não só ao acontecimento, como também com as particularidades desse sujeito em sua conexão ao adoecimento. Na psicanálise se terá como foco desde a circunstância até a experimentação. A narrativa é importante pois faz a transição do acontecimento para a experiência e através dela que para o sujeito esse adoecimento se torna uma vivência real (MORETTO, 2019).
É sabido que o adoecimento pode vir a ser um trauma na vida do sujeito, porém é importante