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RELATÓRIO FINAL- HOSPITALAR

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envolvem: distúrbios do sono; dores musculares e de cabeça; irritabilidade; alterações de humor; falhas de memória; dificuldade de concentração; falta de apetite; agressividade; isolamento; depressão; pessimismo e baixa autoestima; sentimento de apatia e desesperança (KESTENBERG, 2018).
A Síndrome associada ao suicídio leva em conta quatro fatores: propensão ao suicídio, qualidade do trabalho, ambiente de trabalho negativo e burnout/depressão. A correlação entre esses fatores sugeriu que o ambiente de trabalho, quando negativo, estava associado a burnout/depressão, que, por sua vez, estavam relacionados a maior probabilidade de ideação suicida e tentativa de suicídio (SAMUELSSON et al., 1997 apud TRIGO et al., 2007). Entre os estudos sobre Burnout e abuso/dependência ao álcool e outras substâncias ilícitas relata que o estresse causado pelo seu trabalho pode levar ao burnout e à dependência química. O aumento do consumo de álcool estava associado, entre outros, a tabagismo, uso de benzodiazepínicos, estresse e burnout, pensamentos de morte, insatisfação geral (TRIGO et al., 2007).
Como medidas preventivas, Kestenberg (2018) cita a prática de exercícios físicos, alimentação adequada, momentos de lazer, reorganização, cultivação de relacionamentos saudáveis, psicoterapia, meditação dentre outros benéficos a saúde mental, física e emocional. 
3.3.4 Luto
Será que é possível dizer que todos os profissionais, que atuam na área hospitalar está realmente preparado para lidar com situações de luto?
É provável que irá depender do estado psicológico de cada profissional, por isso à necessidade de estar realmente preparado para estes momentos, com a saúde na melhor forma possível dentro das possibilidades de cada um, para emprestar seus conhecimentos, sem que nenhuma outra perturbação externa de seu tralho que lhe incomode. 
A morte ainda é vista como um tabu, cercada de mistérios e de crenças, e as pessoas, frequentemente, não se encontram preparadas para lidar com a finitude humana. Ela chega de várias formas, e quando ocorre de forma trágica e repentina, tende a causar inúmeras alterações na vida de outros, sendo familiares, cuidadores e até mesmo profissionais da saúde, acarretando muitas vezes, prejuízos e alterações, principalmente no funcionamento emocional e cognitivo.
As mais de três décadas os teóricos vêm construindo explicações cada vez mais inovada na tentativa de explicar o quando é difícil de lidar com este mistério chamado de morte. Em seus estudos sobre a morte, Ariès (1990) refere que, por algum tempo, a morte foi considerada como natural ao ser humano, tranquila e resignada. Esta experiência ocorria no âmbito familiar, os rituais se davam numa cerimônia pública. Corroborando o autor referido, Araújo & Vieira (2001) apontam que, na Idade Média, as mortes eram vividas com mais tranquilidade, eram mais familiares, por isso eram consideradas como um fato natural, e os moribundos pressentiam suas partidas e também faziam seus próprios rituais de despedidas.
Desta forma, existiram muitas explicações sobre este tema, até que no século XX, a medicina e seus estudiosos, com o avanço da tecnologia aumenta a capacidade humana para adiar a morte. Por tanto, Ariès (1990) enfatiza que a sociedade impossibilita a expressão da dor por morte, então ela passa a ser reprimida, escondida e solitária. Assim, contribui para o aumento do desconforto das repercussões da perda, pois, perante a sociedade, a morte, o feio e o diferente não têm mais espaço (Rabelo, 2006).
O luto é um processo natural instalado para a elaboração da perda, que pode ser superado após algum tempo, de forma individual, e por mais que tenha um caráter patológico, não é considerada doença, sendo assim, interferências tornam-se prejudiciais.
O luto é um processo lento e doloroso, que tem como características uma tristeza profunda, afastamento de toda e qualquer atividade que não esteja ligada a pensamentos sobre o objeto perdido, a perda de interesse no mundo externo e a incapacidade de substituição com a adoção de um novo objeto de amor (FREUD, 1915).
Na travessia do processo de luto, a inibição de qualquer atividade que não esteja ligada ao objeto perdido e à perda de interesse no mundo externo ocorre por causa da catexia do objeto que continua a aumentar e tende, por assim dizer, a esvaziar o ego. Para Freud (1915), essa inibição é expressão de uma exclusiva devoção ao luto, devoção que nada deixa a outros propósitos ou a outros interesses.
Por tanto, percebe-se a necessidade que o indivíduo deve voltar ao estado em que se encontrava antes da perda, ou o mais próximo possível, seja com o ego desinibido para novos investimentos no mundo externo, seja com o mundo interno harmonioso e bem estabelecido de objetos bons. A perda de algum objeto amado traz, ainda que momentânea, a fragmentação e desestruturação do sujeito. Desta maneira, é possível concluir que o luto é um processo de reconstrução e reorganização diante de uma perda, desafio psíquico com o qual o sujeito tem de lidar.
 3.4.5 Depressão e Ansiedade
De acordo com Castillo et al. (2000) a ansiedade é um sentimento impreciso e desagradável de medo, apreensão, que consiste em tensão ou desconforto derivado de antecipação de perigo, de algo desconhecido ou estranho.
	É compreendida como um sentimento comum a qualquer ser humano, porém, conforme, a intensidade dos sintomas e prejuízos causados na vida do indivíduo, ela poderá ser considerada patológica, podendo manifestar preocupação excessiva com eventos cotidianos de vida, tais como: trabalho, saúde, finanças, ou questões menores (APA, 2014).
	Os transtornos relacionados a ansiedade compartilham características de medo e ansiedade excessivos e perturbações comportamentais relacionados. Medo é a resposta emocional a ameaça iminente real ou percebida, enquanto a ansiedade consiste na antecipação de ameaça futura (APA, 2014). 
	Além disso, na ansiedade podem haver sintomas como, tremores, contrações, abalos e dores musculares e irritabilidade excessiva associada a tenção muscular. Muitos indivíduos com transtorno de ansiedade generalizada também experimentam sintomas somáticos como, sudorese, náusea, diarreia, além de resposta de sobressalto exagerado, batimentos cardíacos acelerados, falta de ar, tonturas, bem como cefaleia (APA, 2014). 
	Braga, Carvalho e Binder (2010) citaram algumas vulnerabilidades que podem favorecer o desenvolvimento do transtorno em determinados grupos, como em trabalhadores da área dos serviços de saúde, visto que estão constantemente submetidos a eventos estressores e se deparam diretamente com o sofrimento, medo, conflito, tensões, disputa de poder, estresse, convivência com a morte, longas jornadas de trabalho, entre outros fatores inerentes ao cotidiano de tais trabalhadores.
	O trabalho dos profissionais de saúde também exige destes, alguns domínios para lidar com a prática diária voltada a assistência de sua população de abrangência, como: pensamento acelerado, ser ágil, ter capacidade de liderar, resolver situações problemáticas, pressão do tempo, dentre outras habilidades, quando o trabalhador não consegue desempenhar esses domínios, pode apresentar sentimentos de tensão e sofrimentos no trabalho (MARTINS; ROBAZZI; BOBROFF, 2010).
	Nesse sentido, diante de tudo que foi apresentado pode-se perceber que a preocupação excessiva, pode tomar tempo e energia, os sintomas associados de tensão muscular e sensação de nervos à flor da pele, cansaço, dificuldade em concentrar-se e perturbação do sono contribuem para o prejuízo tanto no ambiente de trabalho, quanto nas situações sociais e familiares (APA, 2014). 
Saúde mental e COVID-19 
	Werneck e Carvalho (2020) dizem que a pandemia da COVID-19 pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) apresenta-se como um dos maiores desafios sanitários em escala global do século. Em meados de abril, poucos meses, após o início da epidemia na China no fim de 2019, já haviam ocorrido mais de 2 milhões de casos e 120 mil mortes no mundo por COVID-19. O conhecimento científico escasso