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RESUMÃO DE DIREITOS HUMANOS- COLETÂNEA DAS AULAS DO 9 PERÍODO

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dias a partir da data da notificação da sentença. 
 
Jurisdição consultiva da Corte de IDH 
 
- Pareceres consultivos, opiniões consultivas, sobre: 
i) interpretação da Convenção ou de outros tratados concernentes à proteção dos 
diretos humanos nos Estados americanos (mesmo os tratados universais, como o 
Pacto Internacional de Direitos Civis Políticos etc.) 
ii) Compatibilidade entre qualquer de suas leis internas e os mencionados 
instrumentos internacionais. 
 
Podem solicitar pareceres consultivos: 
(i) Estados-membros da OEA, 
(ii) Comissão IDH (que possui pertinência temática universal, podendo pedir 
parecer sobre qualquer dispositivo da Convenção qualquer tratado de direitos 
humanos incidente nos Estados Americanos), 
(iii) outros órgãos da OEA com pertinência restrita a temas de direitos humanos de 
sua atuação. 
Podem solicitar pareceres consultivos sobre a compatibilidade de lei interna: Estados-
membros da OEA. 
 
10. O TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL E OS DIREITOS HUMANOS 
Os Tribunais precursores: de Nuremberg a Ruanda 
 
- Artigo 227 do Tratado de Versailles: previa um “tribunal especial; 
- Em 1937, a Liga das Nações elaborou convenção sobre a prevenção e repressão do 
terrorismo, que contemplava a criação de um Tribunal Penal Internacional, porém com 
apenas uma ratificação o tratado nunca entrou em vigor 
- Em 1945, finalmente um tribunal internacional penal foi criado o Tribunal de 
Nuremberg. Pelo Acordo celebrado em Londres em 8 de agosto de 1945 foi 
estabelecido o Tribunal Internacional Militar, tendo como partes originais o Reino 
Unido, Estados Unidos, União Soviética e França, bem como 19 Estados aderentes. 
Em 1947, a Comissão de Direito Internacional da ONU foi incumbida de codificar os 
princípios utilizados em Nuremberg, para consolidar o avanço do Direito Internacional 
Penal. 
- O segundo Tribunal internacional da história do século XX foi o Tribunal Militar 
Internacional para o Extremo Oriente, com sede em Tóquio, criado em 1946 por ato 
unilateral dos Estados Unidos, potência ocupante, por intermédio do Chefe da 
Ocupação, General MacArthur, que editou suas regras de funcionamento. 
-Foi criado pela Resolução n. 827 do Conselho de Segurança de 1993, o Tribunal 
Penal Internacional para os crimes contra o Direito Humanitário cometidos na ex-
Iugoslávia, com o objetivo de processar os responsáveis pelas sérias violações ao 
direito internacional humanitário cometidas no território da antiga Iugoslávia desde 
1991. O Estatuto do Tribunal Internacional Penal para a ex-Iugoslávia (TPII, com sede 
em Haia) fixou sua competência para julgar quatro categorias de crimes, a saber: 
graves violações às Convenções de Genebra de 1949; violações às leis e costumes 
da guerra; crimes contra a humanidade e genocídio. 
-Em 1994, com a Resolução n. 955, o Conselho de Segurança determinou a criação 
de um segundo tribunal internacional penal ad hoc, com o objetivo de julgar as graves 
violações de direitos humanos, em especial genocídio, ocorridas em Ruanda e países 
vizinhos durante o ano de 1994. 
 
O Estatuto de Roma 
 
Em 1998 durante Conferência Intergovernamental em Roma (Itália), foi adotado o 
texto do tratado internacional que cria o Tribunal Penal Internacional (TPI), também 
chamado de “Estatuto de Roma”. 
Composto por um preambulo e 13 capítulos com 128 artigos que contém as regras 
referentes aos crimes, à investigação e processo, à cooperação e execução da pena, 
bem como ao financiamento das atividades. 
- Tribunal independente da ONU (diferente dos tribunais ad hoc da ex-Iugoslávia e 
Ruanda, criados pelo Conselho de Segurança da ONU 
Composição: quatro órgãos: Presidência, Divisão Judicial, Procuradoria (Ministério 
Público) e Secretariado (Registry). 18 juízes eleitos pelos Estados Parte, para um 
mandato de 9 anos- não podem ser reeleitos. Devem ser pessoas de elevada 
idoneidade moral, imparcialidade e integridade, que reúnam os requisitos para o 
exercício das mais altas funções judiciais nos seus respectivos países. 
- Os juízes são divididos em três grandes Seções: o Juízo de Instrução (Pre-Trial 
Chamber), o Juízo de Julgamento em 1ª Instância (Trial Chamber) e ainda o Juízo de 
Apelação (Appeal Chamber). 
- Ministério Público do TPI: Procurador, que atua com independência funcional, 
como órgão autônomo do Tribunal. Cabe ao Procurador receber comunicações e 
qualquer outro tipo de informação, devidamente fundamentada, sobre crimes da 
competência do Tribunal, a fim de os examinar e investigar e de exercer a ação penal 
junto ao Tribunal. Eleito pela Assembleia dos Estados Partes, mandato de 9 anos não 
pode ser reeleito. 
 
Jurisdição do TPI 
De acordo com a matéria (ratione materiae) 
-Crimes de jus cogens: crimes que ofendem valores da comunidade internacional. 
-Competência: 
• o genocídio; 
• os crimes contra a humanidade; 
• os crimes de guerra; 
• o crime de agressão, cujo tipo penal só foi acordado em 2010, na Conferência 
de Kampala, Uganda. 
-No âmbito espacial, a jurisdição do TPI só pode ser exercida em quatro hipóteses: 
i) Cometido no território de um Estado Parte; 
ii) Nacional do Estado Parte; 
iii) Declaração específica do Estado não contratante (caso o crime tiver ocorrido 
em seu território ou for cometido por seu nacional); 
iv) Ausência de quaisquer hipóteses anteriores, ter o Conselho de Segurança 
adotado resolução vinculante adjudicando o caso ao Tribunal Penal Internacional. 
-No âmbito temporal: após a entrada em vigor do Estatuto, ou seja, após 1º de julho 
de 2002. 
 
O princípio da complementaridade e o regime jurídico: imprescritível e sem 
imunidades 
 
-É dever de cada Estado exercer a respectiva jurisdição penal sobre os responsáveis 
por crimes internacionais 
-Princípio da complementaridade: o TPI não exercerá sua jurisdição caso o Estado 
com jurisdição já houver iniciado ou terminado investigação ou processo penal, salvo 
se este não tiver “capacidade” ou “vontade” de realizar justiça. 
- A jurisdição internacional penal é complementar à jurisdição nacional e só poderá 
ser acionada se o Estado não possuir vontade ou capacidade para realizar justiça e 
impedir a impunidade. 
-O TPI deve verificar a existência de uma ou mais das seguintes circunstâncias: 
a) intenção evidente do Estado de usar o processo nacional para subtrair a pessoa 
em causa à sua responsabilidade criminal por crimes da competência do Tribunal, 
gerando impunidade; 
b) delonga injustificada no processo; 
c) condução tendenciosa e parcial, ou seja, incompatível com a intenção de fazer 
justiça; 
d) eventual colapso total ou substancial da respectiva administração da justiça, que, 
assim, não está em condições de realizar ou concluir o processo. 
-Quanto ao regime jurídico dos crimes sujeitos à jurisdição do TPI, cabe notar que: 
i) Os crimes são imprescritíveis (art. 29). 
ii) Nenhuma imunidade é admitida (art. 27). 
 
Os crimes de jus cogens 
 
GENOCÍDIO 
Ato ou atos cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo 
nacional, étnico, racial ou religioso. 
O objeto tutelado é a própria existência do grupo, que é constituído pelos “quatro 
vínculos”: 
i) Nacionalidade: grupo composto por pessoas que se reconhecem como 
membros de uma nação, mesmo que na luta pela independência (caso dos palestinos 
e curdos). 
ii) Étnico: grupo que compartilha uma identidade histórica e cultural. 
iii) Racial: percepção social de traços fenotípicos distintivos. Apesar da 
inexistência da distinção biológica entre humanos, este item persiste como fenômeno 
social. 
iv) Religioso: indivíduos unidos pela mesma fé espiritual. 
 
Falta de menção da destruição de grupo político e ainda de grupo social 
 (por exemplo, grupo determinado por sua orientação sexual), que podem ser 
tipificados na categoria de crimes contra a humanidade 
 
CRIMES CONTRA A HUMANIDADE 
 
O assassinato, o extermínio,