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Gestão de Produção W B A 0 5 2 3 _ v1 _ 0 2/205 Gestão de Produção Autoria: Profa. Dra. Ana Beatriz Perriello Leme Como citar este documento: LEME, Ana Beatriz Perriello. Gestão de Produção. Valinhos: 2017. Sumário Apresentação da Disciplina 04 Unidade 1: Definições e Conceitos Fundamentais dos Sistemas Produtivos 05 Assista a suas aulas 21 Unidade 2: Planejamento e Controle da Produção 29 Assista a suas aulas 44 Unidade 3: Previsões de Demanda 52 Assista a suas aulas 71 Unidade 4: Planejamento Agregado e Desagregado 78 Assista a suas aulas 92 2/205 3/2053 Unidade 5: Programa Mestre de Produção 99 Assista a suas aulas 119 Unidade 6: Sistemas de Coordenação de Ordens 127 Assista a suas aulas 148 Unidade 7: Controle de Estoques 155 Assista a suas aulas 172 Unidade 8: Estratégias de Produção 180 Assista a suas aulas 198 Sumário Gestão de Produção Autoria: Profa. Dra. Ana Beatriz Perriello Leme Como citar este documento: LEME, Ana Beatriz Perriello. Gestão de Produção. Valinhos: 2017. 4/205 Apresentação da Disciplina Ao apresentar esta disciplina, o primeiro ponto que temos que mencionar é que por mais que você acredite que já saiba tudo so- bre gestão de produção, pequenos proble- mas podem aparecer desde a definição do nome da disciplina. Você conseguiria definir em poucas palavras o que é gestão? Ou, en- tão, dar exemplos de diferentes processos produtivos? Você pode ou não ter consegui- do, mas garantimos que no decorrer desta disciplina vamos entender a real importân- cia de pensarmos desde a correta definição dos termos até a sua aplicação concreta no processo em que você atuará. Assim, no atual contexto empresarial, cada vez mais competitivo, é fundamental a existência de um ou mais profissionais habilitados para que o processo seja gerido adequadamen- te, pois, se não houver a alocação correta de recursos, sejam eles, tempo, matéria-pri- ma, mão de obra, entre outros, e a projeção e planejamento corretos da empresa, essas não serão competitivas e estarão fadadas ao insucesso. Desta forma, todo material foi estruturado utilizando-se as melhores referências da área, trazendo ferramentas indispensáveis para sua atuação futura. Nosso principal objetivo é a formação de excelentes pro- fissionais. Chegue mais perto, pois vamos embarcar em um novo processo de apren- dizagem, que desenvolverá as competên- cias necessárias para que você se torne um grande gestor. 5/205 Unidade 1 Definições e Conceitos Fundamentais dos Sistemas Produtivos 1. Objetivos 1. Compreender os conceitos de pro- cesso, sistema produtivo, entradas de processo, saídas de processo e agre- gação de valor; 2. Conhecer os métodos de classificação de sistemas produtivos, bem como as características por eles avaliadas; 3. Conseguir aplicar os dois métodos de classificação apresentados. Unidade 1 • Definições e Conceitos Fundamentais dos Sistemas Produtivos6/205 2. Introdução No ambiente competitivo que as empresas sempre se encontram, executar uma boa gestão dos recursos disponíveis é essencial. Cada vez mais os recursos necessários para as transformações produtivas estão mais escassos e/ou mais caros para serem obti- dos. Dessa forma, para conseguir a perpe- tuidade de uma empresa no mercado, isto dependerá de como será feita a gestão dos recursos utilizados nos processos transfor- madores, sendo essa a etapa essencial. Gerir sistemas produtivos significa plane- jar, controlar organizar e dirigir todo e qual- quer sequenciamento de atividades que agreguem valor às entradas desse sistema produtivo, gerando saídas de maior valor, ou seja, saídas com valor agregado. Enten- de-se por entrada aquele recurso que será utilizado para agregar valor (recurso trans- formador) ou recurso no qual o valor será agregado (recurso transformado). Já a saída é o bem (produto ou componente de pro- duto) ou serviço gerado ao fim do processo transformador dentro do sistema produti- vo. Assim, gerir a produção em sistema pro- dutivo é planejar a maneira como o sequen- ciamento de atividades para agregação de valor ocorrerá em um sistema produtivo, controlar para que o que foi planejado re- almente esteja acontecendo, organizar as estruturas por trás dos sistemas produtivos e dirigir as pessoas que fazem parte desses sistemas produtivos. O planejamento da produção trabalha com a ideia de não haver surpresas no futuro. São decisões que abordam, apoiadas em Unidade 1 • Definições e Conceitos Fundamentais dos Sistemas Produtivos7/205 ferramentas gerenciais e estatísticas, quais as possibilidades do horizonte de planeja- mento de médio e longo prazo e também vislumbram os anseios das empresas para esse período. Por serem apoiadas em ferra- mentas, quanto mais informações qualita- tivas ou quantitativas estiverem disponíveis melhor serão as previsões e, consequente- mente, as previsões dentro desse horizonte de planejamento. Ao realizar o controle do sistema produti- vo deseja-se garantir que o que é realizado está conforme o planejado. São atividades com maior nível de detalhe, desagregadas e com implicações em um horizonte de pla- nejamento mais próximo, de curto prazo. Nessa etapa, define-se o que, como, quanto e quando produzir, assim, este é momen- to de se definir as regras para a produção e também como a informação fluirá pelo sis- tema produtivo, bem como as respostas das informações disponibilizadas (do inglês, fe- edback). A organização da produção define respon- sabilidades dentro do sistema produtivo, tendo uma estrutura hierárquica, seja ela qual for, com os devidos responsáveis pe- las atividades dentro do planejamento e controle da produção, além da interação/ subordinação desses profissionais dentro do sistema produtivo. Assim, as atividades definidas durante o controle da produção ganham um responsável por sua execução, que é quem irá executar a atividade. Em sistemas produtivos, para as atividades de agregação de valor as pessoas deverão Unidade 1 • Definições e Conceitos Fundamentais dos Sistemas Produtivos8/205 ser dirigidas. Dirigir é a ideia de comando para a execução de uma atividade, a exis- tência de um responsável por definições de última hora, alguém que motive, cobre, mantenha a equipe comprometida com as entregas estipuladas. Dessa forma, a ges- tão de um sistema produtivo demanda a existência de uma liderança, independente- mente de suas características pessoais. 2.1. Conceituação de sistemas produtivos Para entendermos o que é a gestão da pro- dução, teremos que compreender o que é um sistema produtivo. Assim, sistema pro- dutivo é todo e qualquer sequenciamento de atividade (processo) que transforme en- tradas em saídas, com agregação de valor durante esse processo de transformação. Ampliando esse conceito pode-se direcio- nar o conceito de agregação de valor ao ali- nhá-lo a um ou mais objetivos de desempe- nho da organização (empresa). As saídas do sistema produtivo podem diferir entre bens ou serviços, sendo chamados os sistemas produtivos com saídas em forma de bens de sistemas de manufatura e os sistemas pro- dutivos com saídas em formas de serviços de sistemas de serviços. Link No vídeo indicado podem ser vistos conceitos básicos sobre o planejamento e controle da pro- dução. Disponível em: <https://www.youtube. com/watch?v=w0_mSHdxXZc>. Acesso em: 3 out. 2017. Unidade 1 • Definições e Conceitos Fundamentais dos Sistemas Produtivos9/205 Para saber mais Objetivo de desempenho é a maneira pela qual uma empresa avalia seu posicionamento dentro de um mercado comparado aos seus concorrentes. Existem cinco macro-objetivos de desempenho: (1) Custos; (2) Qualidade; (3) Rapidez; (4)Flexibilidade e; (5) Confiabilidade. (1) A avaliação do desempenho em cus- tos consiste em ser capaz de gerar produtos com menores custos, custos menores podem proporcionar margens melhores e permitem que a empresa pratique preços mais competitivos. (2) Em qualidade diz respeito a um produto que atenda às necessidades do cliente, que pode ser recompensada com uma remuneração maior sobre o produto e também a não produção de itens não conformes, consequente- mente reduzindo os custos produtivos. (3) Em rapidez avalia-se a rápida resposta as necessidades de um cliente. (4) Em flexibilidade seria se a empresa tem condições de independente da demanda apresentada pelo cliente, conseguir concluir a entrega conforme a solicitação. (5) Em confiabilidade tem a ver com a resposta da empresa as solicitações dos clientes não variarem com o tempo, mantendo a conformida- de (qualidade). Esses cinco macro-objetivos podem ser subdivididos em outros objetivos e desdobrados dentro da empresa como objetivos táticos e operacionais. Por exemplo, ao escolher o macro objetivo qualidade a empresa desdobra esse objetivo em número máximo de peças não conforme permitidas em um período. Unidade 1 • Definições e Conceitos Fundamentais dos Sistemas Produtivos10/205 2.2. Classificação de sistemas produtivos As classificações dos sistemas produtivos têm como objetivo conseguir definir seme- lhanças entre os diferentes sistemas que existem dentro das organizações. As classi- ficações avaliam uma série de característi- cas dos sistemas produtivos desde o tama- nho da organização, nível de repetição nas atividades de agregação de valor, até ca- racterísticas dos produtos produzidos e ca- racterísticas dos processos com os quais os produtos são produzidos. Por meio dessas avaliações é possível gerar uma orientação de quais seriam os melhores métodos para gerir cada um desses sistemas produtivos. 2.2.1. Classificação segundo tipo de produto e tipo de pro- cesso A classificação segundo o tipo de produto e tipo de processo pelo qual um recurso tem valor a ele agregado, considera a análise Link No artigo de Moacir Godinho Filho e Flavio César Faria Fernandes, “Uma análise dos sistemas de pla- nejamento e controle da produção em uma grande empresa de materiais de escrita”, temos um exem- plo de classificação de sistema produtivo. Dispo- nível em: <http://www.abepro.org.br/biblio- teca/ENEGEP2002_TR14_0122.pdf>. Acesso em: 4 out. 2017. Unidade 1 • Definições e Conceitos Fundamentais dos Sistemas Produtivos11/205 de variabilidade entre produtos e o volume de produtos produzidos. Nessa análise, são distinguidos três grandes grupos: 1. Sistema contínuo: sistema cuja varia- ção entre produtos é muito baixa e a produção se dá em grande volume. Por exemplo, para produção de com- bustíveis em refinarias. 2. Sistemas intermitentes: sistemas nos quais há grande variabilidade entre volumes produzidos de cada item e, consequentemente, há variações nos itens fabricados também. Por exem- plo, a fabricação de automóveis e componentes automotivos. Nessa classificação são geradas duas sub- classificações: sistema flowshop, em que os produtos são produzidos em uma sequência, sendo produzido em uma linha; e sistema jobshop, em que o ordenamento dos maquinários de um setor não segue o roteiro de fabri- cação de um item. 3. Sistema grande projeto: sistema para produtos muito complexos e com pro- dução em baixo volume, por vezes, produções únicas. Por exemplo, para construção de navios cargueiros. Para saber mais Além da distinção teórica apresentada entre os dois tipos de sistemas intermitentes outras ca- racterísticas ajudam a avaliar se um sistema in- termitente seria um flowshop ou jobshop, confor- me apresentado no Quadro 1. Unidade 1 • Definições e Conceitos Fundamentais dos Sistemas Produtivos12/205 2.2.2. Classificação segundo tempo de resposta à demanda A classificação de sistemas produtivos, segundo tempo de resposta à demanda, considera, pela ótica do cliente, o tempo entre a solicitação de um produto e a chegada desse produto ao clien- Para saber mais Quadro 1. Comparativo entre sistemas Jobshop e flowshop JOBSHOP FLOWSHOP Operação em lotes. Operação em fluxo de materiais, componentes e peças. A produção varia conforme a variação do tamanho do lote ou da frequência de lotes. A produção varia com a alteração da taxa de produção. Custo de setup tende a ser maior. Custo de setup tende a ser menor. O material é levado para cada centro de trabalho. Filas nos centros de trabalho são maiores. Os centros de trabalho são sequenciados. Filas nos centros de trabalho são menores. Utilizam máquinas de uso geral. Utilizam máquinas especializadas. Fonte: elaborada pela autora. Unidade 1 • Definições e Conceitos Fundamentais dos Sistemas Produtivos13/205 te. O que é avaliado são os processos que ocorrem entre a solicitação e a resposta ao cliente, além de sua influência para que o tempo de resposta exista. Existem sete tipos de estratégias de respos- ta à demanda: 1. Fazer para estoque: sistema cuja pro- dução ocorre independente da solici- tação do cliente final, o planejamento da produção ocorre baseado na série histórica de vendas de produto aca- bado; 2. Rápida resposta para estoque: siste- ma cuja produção ocorre indepen- dente da solicitação do cliente final, o planejamento da produção ocorre baseado na manutenção do nível de estoque de produto acabado; 3. Embalagem conforme pedido: sis- tema cujo produto fica aguardando informação do cliente para sofrer o processo de embalagem antes de ser distribuído; 4. Montagem conforme pedido: sistema cujos componentes ficam estocados aguardando informação do clien- te para que as etapas de montagem, embalagem e distribuição sejam exe- cutadas; 5. Confecção conforme pedido: sistema cujas matérias-primas ficam estoca- das aguardando informação do clien- te para que as etapas de produção, montagem, embalagem e distribui- ção sejam executadas; Unidade 1 • Definições e Conceitos Fundamentais dos Sistemas Produtivos14/205 6. Compras conforme pedido: sistemas no qual não há estoque internaliza- do na organização, após informação do cliente será executada a etapa de compra, distribuição fornecedor-or- ganização, produção, montagem e distribuição organização-cliente; 7. Projeto conforme pedido: siste- ma no qual o cliente solicita o proje- to do produto, dessa forma, todas as etapas produtivas deverão constar no tempo de resposta ao cliente (projeto do produto, compras para constru- ção do produto, produção do produto, montagem do produto, embalagem do produto, distribuição do produto). Pode-se analisar os itens feitos para estoque como itens que são produzidos em sistemas de alto volume, com baixa variedade entre produtos, nenhum grau de customização, altos valores em estoque e baixo tempo de resposta ao cliente. Já do outro lado desse espectro, os itens projetados conforme pe- dido são itens de baixo volume de produção, alta variedade entre si, alto grau de custo- mização, baixo custo de estoque e alto tem- po para resposta ao cliente. Unidade 1 • Definições e Conceitos Fundamentais dos Sistemas Produtivos15/205 Link No artigo de Ricardo Magnani Delle Piagge, Gus- tavo Bagni e Josadak Astorino Marcola, “Propos- ta de um modelo de plano mestre de produção para uma empresa de suplementos alimentares: uma pesquisa-ação”, é apresentado um estudo de caso em que a estratégia de resposta a de- manda ajuda a definir todos os desdobramentos do planejamento e controle da produção como o Programa Mestre de Produção e Análise Gros- seira da Capacidade Produtiva. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/TN_STO_206_221_27786.pdf>. Acesso em: 4 out. 2017. Unidade 1 • Definições e Conceitos Fundamentais dos Sistemas Produtivos16/205 Glossário Processo: processo é todo e qualquer conjunto de atividades que transforme recursos (entradas) em produtos, componentes ou serviços (saídas). Um sistema produtivo é um tipo de processo. Setup: tempo necessário para adequação de uma máquina para realizar determinada tarefa, por exemplo, parametrização da máquina, troca de ferramenta, troca de dispositivo. Centro de trabalho: unidade fabril onde ocorre agregação de valor, por exemplo, uma máquina e o conjunto de itens que auxiliam o trabalho nela, como, bancada, colaborador, ferramentas, fazem parte de um centro de trabalho. Customização: grau de variação permitida a um produto por parte da organização que a produz comparado a um produto padrão. Questão reflexão ? para 17/205 A próxima vez que você for ao supermercado repare na distribuição dos produtos e a dinâmica na obtenção de alguns itens. Quais itens você precisa aguardar alguma resposta a sua solicitação, por exemplo, no açougue? Quais itens você pode ir diretamente a gôndola buscar? Para cada um desses itens há uma estratégia diferente de resposta à demanda, nesses casos, a sua demanda, pois você é o cliente. 18/205 Considerações Finais (1/2) • A Gestão da Produção se apoia em quatro processos básicos: Planejamento; Identificação: como as atividades da empresa devem estar no médio e longo prazo; Controle: conferência e distribuição das atividades no curto prazo; Organização: estruturação hierárquica das atividades; e Direção: definição das lideranças e responsáveis dentro do sistema produtivo; • Sistema produtivo é a estrutura responsável por transformar recursos em produtos e/ou serviços, agregando valor a esses itens. Essa agregação de valores pode ser alinhada à execução de um ou mais objetivos de desempe- nho; • O sistema de classificação por produto e por processo avalia o volume de produto obtido e a variabilidade dos produtos conseguidos. Dessa maneira são distinguidos três tipos de sistemas: sistemas de produção contínuo, com baixa variação entre produtos e alto volume; sistemas de grandes projetos, com baixo volume e alta variação entre produtos; e sistemas intermitentes, com volume e variabilidade de produtos ocorrendo a todo momento; 19/205 Considerações Finais (2/2) • O sistema de classificação de resposta à demanda avalia os prazos para res- posta a uma solicitação do cliente e as etapas que ocorrem antes e depois da solicitação. Podem ser classificadas sete estratégias: fazer para estoque; rápida resposta para estoque; embalagem conforme pedido; montagem conforme pedido; confecção conforme pedido; compras conforme pedido; projeto conforme pedido. Unidade 1 • Definições e Conceitos Fundamentais dos Sistemas Produtivos20/205 Referências APICS. American Production and Inventory Cotrol Society. Dictionary. Falls Church, 1987. FERNANDES, F. C. F. Concepção de um sistema de controle da produção em manufatura celu- lar. Tese (Doutorado) da Escola de Engenharia de São Carlos. São Carlos, 1991. JOHNSON, L. A.; MONTGOMERY, D. C. Operations research in production planning, scheduling and inventory control. Nova Iorque: John Wiley, 1974. SIPPER, D.; Bulfin Jr., R. L. Production planning, control and integration. Nova Iorque: MC- Graw-Hill, 1997. PUTNAM, A. O. MRP for repetitive manufacturing shops: a flexible kanban system for America. Production and Inventory Management, 3. ed., p. 60-88, 1983. 21/205 Assista a suas aulas Aula 1 - Tema: Definições e Conceitos Funda- mentais dos Sistemas Produtivos. Bloco I Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ ab4d5289f0af78515d3adfd3954eb85a>. Aula 1 - Tema: Definições e Conceitos Funda- mentais dos Sistemas Produtivos. Bloco II Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ a8327c083d898b081c01bf618ad1830b>. 22/205 1. Assinale a alternativa correta. Os principais processos para a gestão da produção são: a) Planejamento, controle, organização e direção. b) Planejamento, controle, distribuição e direção. c) Armazenamento, produção e logística. d) Transformação, qualidade, logística e armazenamento. e) Distribuição, armazenamento, qualidade e produção. Questão 1 23/205 2. As atividades de planejamento focam ações em _________________, enquanto o controle em ________________. Assinale a alternativa que completa correta e respectivamente as lacunas. a) curto prazo / longo prazo. b) produção / qualidade. c) longo e médio prazo / curto prazo. d) distribuição / qualidade. e) curto prazo / qualidade. Questão 2 24/205 3. Sob a ótica da classificação por tipo de produto e tipo de processo, as- sinale a alternativa que indica qual dos sistemas produtivos pode ser con- siderado sistemas de grandes projetos. a) Construção de uma hidrelétrica. b) Produção de refrigerante. c) Produção de chapas de aço. d) Produção de combustíveis. e) Produção de papel sulfite. Questão 3 25/205 4. Sob a ótica da classificação por resposta a demanda, assinale a alternativa que indica qual dos sistemas produtivos pode ser considerado como “Fazer para estoque”. a) Produção de turbina de avião. b) Produção de pasta de dente. c) Produção de uma refinaria de petróleo. d) Embalagem de itens para redistribuição. e) Montagem de um bolo conforme encomenda. Questão 4 26/205 5. Sob a ótica da classificação por resposta a demanda, assinale a alterna- tiva que indica qual dos sistemas produtivos pode ser considerado como “Fazer conforme pedido”. a) Produção de turbina de avião. b) Produção de pasta de dente. c) Produção de uma refinaria de petróleo. d) Embalagem de itens para redistribuição. e) Montagem de um bolo conforme encomenda. Questão 5 27/205 Gabarito 1. Resposta: A. As principais atividades da Gestão da Pro- dução são planejamento, controle, organi- zação e direção, sendo que o planejamento foca ações em médio e longo prazo, o con- trole no curto prazo, a organização define a estrutura hierárquica da organização e a direção as lideranças da organização para garantia das atividades propostas. 2. Resposta: C. As atividades do planejamento são focadas para o horizonte de planejamento de médio e longo prazo, enquanto o controle garante o desdobramento desse planejamento no curto prazo. 3. Resposta: A. A construção de uma hidrelétrica é extre- mamente complexa, com diversos itens únicos, dessa forma, pode ser considerada como um sistema de grande projeto. 4. Resposta: B. A produção de pastas de dente é feita inde- pendente da solicitação de um cliente, elas ficam disponíveis nas gôndolas de super- mercado, aguardando o cliente ir buscá-las. Os itens são produzidos para estoque e o estoque do final do item é no supermerca- do, o mesmo ocorre com os outros itens dis- poníveis da mesma forma. 28/205 Gabarito 5. Resposta: E. Para fabricação de um bolo sob encomen- da, apesar de todos os ingredientes estarem disponíveis, só será possível iniciar a confec- ção do bolo no momento que o cliente defi- nir as dimensões do bolo, recheio, camadas e outras características desse produto. 29/205 Unidade 2 Planejamento e Controle da Produção 1. Objetivos 1. Compreender as atividades e concei- tos envolvidos no planejamento da produção; 2. Verificar a aplicabilidade do planeja- mento e controle da produção; 3. Entender os principais fatores dos sis- temas produtivos que afetam o pla- nejamento e controle da produção. Unidade 2 • Planejamento e Controle da Produção30/2052. Introdução No tema anterior foram abordados os conceitos de planejamento e controle da produção, bem como suas atuações no horizonte de planejamento das organizações. Neste tema serão tratadas as atividades constituintes desses dois processos, mais as interfaces desses processos com as demais áreas de uma organização e os impactos que alterações nessas outras áreas da organi- zação geram no planejamento e controle da produção. Para saber mais O conceito de família de produtos define que todos os produtos que possuem o mesmo processo produ- tivo, características estruturais e/ou possuem a mesma finalidade podem ser considerados como itens pertencentes à mesma família de produtos. No planejamento de produção, a fim de diminuir a interferên- cia dos erros aleatórios nas projeções, os produtos são considerados por suas famílias, já itens são todos os produtos finais. Por exemplo, uma montadora produz quatro tipos de automóveis, sendo duas picapes, um veículo compacto e um sedã, pela análise das características estruturais desses produtos teríamos três famílias de produtos: a família das picapes, a família dos sedãs e a família dos compactos, mas ana- lisando a quantidade de itens teríamos quatro itens. Unidade 2 • Planejamento e Controle da Produção31/205 2.1 Planejamento da produção O planejamento da produção trabalha com a ideia de distribuir as atividades produti- vas considerando um horizonte de planeja- mento de médio prazo, algo equivalente ao período de doze meses. O planejamento da produção vem com o intuito de tomar deci- sões com base nas projeções das famílias de produtos comercializados pela organização de forma a decidir o que produzir, comprar e entregar; quanto produzir, comprar e entre- gar; quando produzir, comprar e entregar; quem e/ou onde e/ou como produzir. Essas projeções são feitas com antecedência para evitar que o tomador de decisão da organi- zação esteja desprevenido quanto aos cená- rios futuros. Exemplos de decisões tomadas na etapa de planejamento são definição de políticas de níveis de estoque, planejamen- to da mão de obra disponível (contratação/ demissão de funcionários, alocação de ho- ras-extras, subcontratação), compra/venda de equipamentos. Para conseguir realizar essas atividades o planejamento necessita prever a demanda para o período desejado. Essas previsões de demanda junto com gestão financeira Link Indicamos um vídeo sobre uma conceituação bási- ca do planejamento e o controle da produção. Dis- ponível em: <https://www.youtube.com/wat- ch?v=gROF6HNfhXQ>. Acesso em: 4 out. 2017. Unidade 2 • Planejamento e Controle da Produção32/205 de médio prazo são as principais entradas do processo de planejamento agregado da produção, que consiste em realizar as de- mandas previstas com base nos recursos disponíveis para o período. A fim de uma melhor definição das ativida- des de planejamento da produção pode-se interpretar o planejamento da produção por meio da equação (1). Equação (1). Na equação (1) o termo define a soma- tória de todos os itens de uma mesma famí- lia em um período futuro, o termo define a somatória de todos os itens em estoque dessa família no momento atual, o termo define todos os itens produzidos no mo- mento atual pertencentes à mesma família analisada, o termo define todos os itens comprados no momento atual pertencen- tes à mesma família analisada e o termo define todos os itens entregues a clientes ou outras etapas do processo produtivo no momento atual, pertencentes à mesma fa- mília analisada. Analisando a equação (1) consegue-se ob- servar como se dá a dinâmica das famílias de itens entre os períodos produtivos e con- sequentemente como o estoque dessas fa- mílias de itens se comportará em um perí- odo futuro. Sempre a disponibilidade futu- ra de itens em estoque será um reflexo das atividades de compra, entrega (ou venda) e Unidade 2 • Planejamento e Controle da Produção33/205 produção no período atual. Dessa forma, a análise de necessidades produtivas futuras sempre estará atrelada a resultados do pro- cesso produtivo atual. Atentar-se ao fato de que a análise da equação de planejamento da produção é feita por família de itens, isso ocorre, pois, se trata de uma análise de itens futuros, com horizonte de planejamento de médio prazo (aproximadamente doze me- ses). Ao analisar a previsão de demanda de itens no futuro, a presença de incertezas é constante, a análise por família de itens tende a reduzir o impacto dessas incertezas, além dos itens compartilharem os mesmos recursos da organização e análise do plane- jamento da produção deseja avaliar a ne- cessidade e utilização desses recursos. A estrutura do produto define quais são os componentes e matérias-primas necessá- rios para a confecção de um produto, é a listagem de tudo que será necessário para concluir essa etapa produtiva. Com base na Para saber mais No desenvolvimento e produção de um produto, a maneira como esse item será feito e os recur- sos utilizados para sua confecção são de extrema importância. O roteiro de fabricação define como determinado item será produzido, suas etapas de fabricação e o tempo gasto em cada uma des- sas etapas. Por meio dele é possível saber quan- do determinado processo deve ser iniciado para não impactar outro processo, o que resultaria em atrasos em toda a linha. Unidade 2 • Planejamento e Controle da Produção34/205 estrutura do produto pode-se prever a ne- cessidade de compra de matérias-primas, quando essa compra deve ocorrer para não impactar em atrasos no processo produtivo. A figura que segue mostra uma representa- ção dessa estrutura do planejamento. Figura 1- Estrutura do planejamento e in- terface com o controle da produção Fonte: adaptado de Fernandes (2010, p. 9). Unidade 2 • Planejamento e Controle da Produção35/205 2.2 Controle da produção O controle da produção são os processos gerenciais responsáveis por garantir que o que foi planejado está sendo realmente executado no horizonte de planejamento de curto prazo (dentro do mês de trabalho). O controle da produção regula o fluxo de ma- teriais em um sistema produtivo através de informações sobre os itens produzidos (o que é produzido, quanto é produzido, quan- do é produzido) e decisões de regulação para que essa produção esteja conforme o planejado. As decisões na área de controle são mais detalhadas, definidas item a item, baseadas em informações concretas das demandas. Não se trabalha com base em previsões de demanda, mas em informações sobre a car- teira de pedidos para o período, disponibili- dade de recursos (maquinário, matéria-pri- ma, mão de obra, entre outros). As principais atividades do controle de pro- dução podem ser resumidas em: (1) Progra- mar a produção em termos de itens finais (por meio do processo chamado de Progra- ma Mestre de Produção); (2) Controlar por meio de regras de controle ou programar as necessidades de recursos em termos de componentes e matérias-primas; (3) Orga- nizar a sistemática de coordenação de or- dens de produção; (4) Executar o sequen- ciamento de tarefas máquina a máquina. As três últimas atividades do controle fazem parte de que algumas organizações cha- mam Sistema Coordenação de Ordens. Unidade 2 • Planejamento e Controle da Produção36/205 A fim de uma melhor definição das ativida- des de controle da produção pode-se inter- pretar o controle da produção por meio da equação (2). Equação (2). Na equação (2) o termo define estoque de um item final em um período futuro, o termo define o estoque de um item final no momento atual, o termo define quan- to de um item final foi produzido no perío- do atual, o termo define a quantidade de um itemfinal comprado no momento atual e o termo define todos os itens finais en- tregues a clientes ou outras etapas do pro- cesso produtivo no momento atual. Analisando a equação (2), consegue-se ob- servar como se dá a dinâmica de itens finais entre os períodos produtivos e consequen- temente como o estoque de itens se com- portará em um período futuro. Sempre a disponibilidade futura de itens em estoque será um reflexo das atividades de compra, entrega (ou venda) e produção no período atual. Dessa forma, a análise de necessida- des produtivas futuras sempre estará atre- lada a resultados do processo produtivo atual. Atentar-se ao fato de que a análise da equação de controle da produção é feita por itens finais, isso ocorre, pois, se trata de uma análise desagregada, com horizonte de planejamento de curto prazo (aproximada- mente um mês) e baseada em dados con- cretos, a análise em curto prazo tende a ter Unidade 2 • Planejamento e Controle da Produção37/205 menor participação de incertezas, tendendo a ser mais assertiva em suas considerações, além dos itens utilizarem quantidades específicas de recursos da organização, sendo necessária uma definição refinada das necessidades de recursos para a produção. Para saber mais Os sistemas de coordenação de ordens podem ser também conhecidos como sistemas de coordenação de ordens de compra e serviços, os quais são as sistemáticas encontradas pela organização para passar informações das necessidades de curto prazo para o chão de fábrica. Representam a maneira pela qual será controlado o fluxo de material no chão de fábrica, podendo ser avaliadas conforme os níveis de es- toques de cada centro de trabalho, conforme o fluxo estimado de produtos em processo ou conforme o pedido colocado, em casos de produtos muito complexos e de baixa repetibilidade no sistema produtivo. A figura que segue ilustra a estrutura do controle de produção. Unidade 2 • Planejamento e Controle da Produção38/205 Figura 2- Estrutura do controle da produção Fonte: adaptado de Fernandes (2010, p. 9). Unidade 2 • Planejamento e Controle da Produção39/205 Link O artigo de Liliane Dolores Fagundes e Jaqueli- ne Pires, “Implantação do planejamento e controle da produção em uma microempresa de usinagem e ferramentaria de molde”, discute estudos de caso que apresentam exemplos bem-sucedidos da aplicação das técnicas de planejamento e con- trole da produção. Disponível em: <http://www. abepro.org.br/biblioteca/enegep2013_tn_ stp_177_008_21851.pdf>. Acesso em: 4 out. 2017. Unidade 2 • Planejamento e Controle da Produção40/205 Glossário Leadtime: tempo necessário entre a solicitação de um item e sua entrega; Carteira de pedidos: somatória de todos os itens pedidos; Feedback: também conhecida como retroalimentação. Disponibilização de informações de con- trole sobre expectativas de um sistema. Questão reflexão ? para 41/205 Voltando ao caso do mercado, ao irmos até ele, para realizar nos- sa compra do mês, há uma série de itens que temos pré-definidos, suas quantidades, marcas, tamanho de embalagens, entre outros. Essa predefinição ou a popular lista de compras, é o seu planeja- mento do processo compras que será executado por você no mer- cado. Mas, se a marca desejada não estiver disponível? E se as em- balagens não são as mesmas que foram planejadas anteriormen- te? Reflita como uma nova reprogramação de troca de marca, de análise para compra de diferentes quantidades, a fim de atender as suas necessidades mensais listadas, será realizada no seu controle do processo de compras. 42/205 Considerações Finais • Planejamento é o processo de definir como os recursos serão disponibili- zados em um horizonte de planejamento de médio prazo a fim de atender às expectativas de demandas, expressas por meio de previsões dessas de- mandas; • Controle da produção é o processo de verificar se o real está conforme o planejado no curto prazo e, havendo necessidade, reprogramar o planejado a fim de diminuir os impactos de uma programação errada ou potencializar possíveis ganhos; • Planejamento apoia suas decisões em previsões de demanda, que possuem incertezas, para redução do impacto dessas incertezas e são realizados por família que utilizem recursos em comum. Pelo fato do controle basear-se em dados concretos (carteira de pedidos, estrutura de produtos e roteiro de fabricação) as incertezas em seus valores são menores, podendo, dessa forma, serem trabalhados com base nos dados de itens finais. Unidade 2 • Planejamento e Controle da Produção43/205 Referências BURBIDGE. The principles of production control. Estover (Plymouth) MacDonald and Evans. Li- mited, 1978. BURBIDGE. Production control: a universal conceptual framework. Production Planning and Control, v. 1, n. 1, p. 3-16, 1990. FERNANDES, F. C. F. Concepção de um sistema de controle da produção em manufatura celu- lar. Tese (Doutorado) da Escola de Engenharia de São Carlos. São Carlos, 1991. FERNANDES, F. C. F.; GODINHO FILHO, M. Planejamento e controle da produção: dos funda- mentos ao essencial. São Paulo. Atlas, 2010. 44/205 Assista a suas aulas Aula 2 - Tema: Planejamento e Controle da Pro- dução. Bloco I Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ a4db7945bdf451566dafc16abd70e7e1>. Aula 2 - Tema: Planejamento e Controle da Pro- dução. Bloco II Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ e51ff844de52a2399bcf665ab6c482f5>. 45/205 1. No planejamento os dados referentes a produtos são tratados como ______________, enquanto no controle são tratados em _____________. Assinale a alternativa que preenche correta e respectivamente as lacunas. a) famílias de produtos / Itens; b) longo prazo / médio prazo; c) produzidos em transformação / produtos acabados; d) distribuição / armazenamento; e) em produção / em estoque. Questão 1 46/205 2. Assinale a alternativa que indica no que as atividades de planejamento são baseadas. Questão 2 a) Intuição. b) Previsões de demanda, estoques atuais, quantidade produzida no período atual, quantida- des compradas no período atual e quantidade entregue no período atual. c) Previsões de demanda, estoques futuros, quantidade produzida no futuro, quantidades compradas no futuro e quantidade entregue no futuro. d) Correções dos desvios entre real e planejado. e) Decisões tomadas exclusivamente pelo corpo diretivo da empresa. 47/205 3. Assinale a alternativa correta. As atividades de controle são baseadas em: Questão 3 a) Intuição. b) Previsões de demanda, estoques atuais, quantidade produzida no período atual, quantida- des compradas no período atual e quantidade entregue no período atual. c) Previsões de demanda, estoques futuros, quantidade produzida no futuro, quantidades compradas no futuro e quantidade entregue no futuro. d) Correções dos desvios entre real e planejado. e) Decisões tomadas exclusivamente pelo corpo diretivo da empresa. 48/205 4. Assinale a alternativa correta. Sistemas de coordenação de ordens: Questão 4 a) Libera informações para o chão de fábrica de o que, quanto e quando produzir. b) Definem as pessoas responsáveis pela coordenação hierárquica na organização. c) Mapeiam as etapas de agregação de valor em um sistema produtivo. d) Definem itens para redistribuição. e) Fazem parte das etapas de planejamento da produção. 49/205 5. Assinale a alternativa correta. A definição do lote de produção para um pedido emergencial faz parte das atividades de: Questão 5 a) Planejamento. b) Auxílio ao comercial. c) Faturamento. d) Emergência. e) Controle.50/205 Gabarito 1. Resposta: A. No planejamento de produção são utiliza- dos dados sobre as famílias de produtos a fim de diminuir o impacto das incertezas das previsões de demanda. Na etapa de controle são utilizados dados por itens, uma vez que a análise é baseada em dados mais concre- tos como a carteira de pedidos, estrutura de produto e roteiro de fabricação. 2. Resposta: B. Ao tentar prever como o sistema produti- vo estará no horizonte de doze meses são necessários dados de como estará essa de- manda no período futuro (previsão de de- manda), baseando essas previsões em da- dos atuais (estoques, produtos comprados, produtos produzidos e produtos entregues). 3. Resposta: D. No processo de controle se verificam as res- postas do sistema produtivo no curto prazo, os desvios e reprogramar-se. 4. Resposta: A. Os sistemas de coordenação de ordens de produção definem para o chão de fábrica o sequenciamento das atividades a serem executadas, bem como onde serão executa- das, suas quantidades e tempo disponível. 51/205 Gabarito 5. Resposta: E. A liberação de ordem de serviço para um atendimento especial (urgência) faz parte das atividades de controle, uma vez que é uma atividade em decorrência de algo que não estava planejado, mas que precisa ser realizado. 52/205 Unidade 3 Previsões de Demanda 1. Objetivos 1. Entender as definições de níveis or- ganizacionais e seus reflexos no hori- zonte de planejamento; 2. Verificar as diferentes abordagens de previsão de demanda e os métodos presentes em cada uma delas; 3. Compreender o método de Desvio Ab- soluto Médio para análise da qualida- de de uma previsão de demanda. Unidade 3 • Previsões de Demanda53/205 2. Introdução Este tema tem início no estudo das ativida- des pertencentes ao planejamento de pro- dução. Assim, serão abordados métodos qualitativos e quantitativos de análise de dados futuros que auxiliarão as decisões to- madas nas etapas de planejamento da pro- dução. Desta forma, previsão seria a arte de especificar informações significantes sobre o futuro. Essas especificações futuras auxi- liarão na tomada de decisão, assim, devem contemplar alguns requisitos para servirem como boas previsões de demanda, garan- tindo robustez do método utilizado. Para isso, devem-se observar alguns pontos du- rante a análise da demanda, são eles: • A permanência das características originais no sistema, cuja produção quer ser prevista (por exemplo, em uma indústria do agronegócio se a distribuição de chuvas no período so- freu grandes alterações); • Garantia de não existência de erros sistemáticos. Erros sistemáticos são erros trazidos por um modelo que não representa a situação real que está sendo observada. Erros aleatórios (que não são reflexo de uma modela- gem equivocada) são comuns em pro- cessos de previsão, deve ser possível distinguir o que é um erro sistemá- tico e o que é um erro aleatório. Isso será melhor analisado em métodos de controle de previsões; • Previsões agregadas são mais robus- tas que previsões individuais, por isso Unidade 3 • Previsões de Demanda54/205 trabalha com análise de família de produtos e não itens finais; • Quão mais longe do período atual o horizonte de planejamento, menor a exatidão dessa previsão; • O método de previsão de demanda deve ser facilmente compreendido e de fácil utilização; • O processo de previsão de demanda deve ser executado em interface com outras áreas da empresa como as áre- as de marketing e vendas. 2.1 Processo de previsão de de- mandas A previsão de demandas deve ser vista como um processo dentro do macroprocesso do planejamento da produção. Suas atividades são bem definidas dependendo de parâme- tros que devem ser definidos antes do início do processo de previsão. Os principais pa- râmetros a serem definidos são o horizonte Link No vídeo indicado, é possível verificar conceitos básicos de previsão de demanda e suas utiliza- ções. Disponível em: <https://www.youtube. com/watch?v=UZorwyW4c_U>. Acesso em: 4 out. 2017. Unidade 3 • Previsões de Demanda55/205 de planejamento, o objetivo da previsão, a abordagem a ser utilizada, os métodos de previsão utilizados e os métodos de con- trole escolhidos para verificar se a previsão de demanda está refletindo a realidade modelada. O horizonte de planejamento é a definição do prazo de reflexo das tomadas de decisão executadas. Se o horizonte de planejamen- to trabalhado é de longo prazo, os resul- tados serão percebidos no prazo de dois a cinco anos da tomada de decisão, seus re- flexos são em desempenhos estratégicos da empresa como, por exemplo, construção de uma nova unidade fabril, ampliação de uma linha de produção ou inserção de uma nova linha de produtos no portfólio da organi- zação. Se o planejamento é focado em um horizonte de médio prazo seus reflexos são esperados para entre seis a dezoito meses após a tomada de decisão, são reflexos no planejamento tático da empresa, com des- dobramentos realizados entre os gerentes e supervisores da organização buscando, por exemplo, melhorias em indicadores de desempenho da empresa, como taxas de refugo das linhas produtivas, utilização de horas-extras ou planos de desligamentos de colaboradores. Quando o horizonte de planejamento é de curto prazo, seus refle- xos são encontrados entre imediato a três meses após a tomada de decisão, são refle- xos no operacional da empresa, afetando diretamente o chão da fábrica como a reor- ganização de um setor após o desligamento de funcionários ou a diminuição das horas- -extras disponíveis. Unidade 3 • Previsões de Demanda56/205 Para saber mais Uma empresa pode ser dividida em três níveis organizacionais: (1) Estratégico; (2) Tático e; (3) Operacio- nal. O nível estratégico trabalha com processos buscando o posicionamento futuro na empresa e suas inter-relações com o mercado, seus resultados são percebidos em horizonte de planejamento de longo prazo e as tomadas de decisão são tidas pelo corpo diretivo da empresa. Mas para que as decisões es- tratégicas tenham efeito, são necessários desdobramentos internos. Nessa etapa tem-se os desdobra- mentos primeiramente para o nível tático e depois para o nível operacional. No nível tático, gerentes e supervisores recebem as diretrizes definidas pelo o corpo diretivo, e desdobram essas diretrizes em pa- râmetros e/ou objetivos de desempenho. Esses objetivos de desempenho devem ser desdobrados para os colaboradores que estão no chão de fábrica, no nível operacional da organização. Os objetivos de desempenho chegam em nível operacional com parâmetros de controle. Por exemplo, a direção de uma empresa enxerga que uma maneira da empresa permanecer no mercado e melhorar seus resultados se- ria o posicionamento de seus produtos com qualidade superior comparado aos seus concorrentes, para isso os gerentes da empresa estipulam um objetivo de desempenho como redução de taxa de refugo em 20% e passam para os colaboradores do chão da fábrica a quantidade máxima de peças que podem ser refugadas durante o turno de produção. Unidade 3 • Previsões de Demanda57/205 Quando se fala de objetivo de uma previsão, seria na verdade, qual decisão da organização que essa previsão irá apoiar. Dessa forma, uma série de outros parâmetros devem ser definidos para responder qual é o objetivo de uma previsão: sobre qual horizonte de planejamento a previsão incidirá, o que será previsto, qual o tamanho da família de itens que está sendo considerado, ní- vel de exatidão da previsão necessário, qual o volume de recursos necessários para gerar os itens dessa previsão e qual o grau de detalhe necessário. Para uns alguns desses parâmetros têm uma relaçãodireta com o horizonte de planejamento considerado, conforme mostra o Quadro 1. Quadro 1. Relação entre características importantes no processo de previsão de demandas Horizonte de planejamento Nível de agregação Grau de detalhe Nível de exatidão Longo prazo Alto Previsões mensais Médio Médio prazo Médio Previsões mensais ou semanais Médio / Alto Curto prazo Baixo Previsões semanais Alto Fonte: adaptado de Fernandes (2010, p. 19). A abordagem definida para a previsão de demanda pode ser definida em três modalidades, abor- dagem qualitativa, abordagem causal e abordagem quantitativa. Essas três abordagens irão de- pender dos dados disponíveis para a realização da análise de demandas. Quando não se tem dados sobre a demanda que se deseja prever, nem é possível coletar esses dados, tende-se a Unidade 3 • Previsões de Demanda58/205 trabalhar com a abordagem qualitativa, quando existe um banco de dados que pode ser analisa- do e se consegue avaliar uma relação de causa-efeito dentro desse banco de dados é utilizada a abordagem causal. Não havendo relação de causa-efeito dentro do banco de dados, a aborda- gem a ser considerada é a abordagem quantitativa. A atividade que define a abordagem para previsão pode ser considerada conforme a Figura 1. Figura 1 - Fluxograma decisório para escolha de abordagem Fonte: adaptado de Fernandes (2010, p. 19). Unidade 3 • Previsões de Demanda59/205 A definição dos métodos a serem utilizados para a previsão de demanda depende diretamente da abordagem que foi definida. O quadro a seguir apresenta uma série de sugestões de métodos para cada uma das três abordagens apresentadas, em sequência serão explicados cada um dos métodos de previsão. Quadro 2. Listagem de métodos de previsão Abordagem de previsão Método de previsão Abordagem qualitativa Consenso do comitê executivo Analogia histórica Pesquisa de mercado Pesquisa de clientes Abordagem causal Análise de regressão Sistemas simultâneos Abordagem quantitativa Média móvel Média móvel ponderada Suavização exponencial Fonte: adaptado de Fernandes (2010, p. 20). Unidade 3 • Previsões de Demanda60/205 2.1.1 Métodos de abordagem qualitativa Consenso do comitê executivo: análise reali- zada por diversas áreas da empresa (marke- ting, finanças, operações, entre outros) em que se discute entre essas diversas áreas quais as perspectivas de demandas futuras, havendo a vantagem de diminuir possíveis tendências de uma análise realizada apenas por uma área; Analogia histórica: análise que diz que ce- nários passados ocorrerão novamente no futuro. Comum de ser executado em orga- nizações que possuem baixa variação de demanda; Pesquisa de mercado: quando não se sabe a demanda futura de um produto porque ele nunca existiu, pode-se fazer uma pesquisa de mercado para prever quanto o mercado consumiria desse produto; Pesquisa de clientes: quando há uma con- centração no número de clientes de deter- minado produto que possui as mesmas ca- racterísticas de nunca ter sido comercializa- do no mercado, pode-se inferir que a venda no mercado total será proporcional à quan- tidade vendida ou a perspectiva de compra de um grupo de clientes. 2.1.2 Métodos de abordagem causal Análise de regressões: regressões são méto- dos matemáticos para modelar dispersões de pontos em equações. Por meio dessas Unidade 3 • Previsões de Demanda61/205 equações podem-se projetar valores de de- manda futura conforme o período em que se deseja avaliar. Modelos de regressão se- guem a seguinte forma geral: Equação (3). Em que td seria a demanda no período t, ( )t kx -¦ seria a função que representa o comportamento da variável independente x no período t-k, a função pode ter diversas formas podendo ser linear, polinomial, mul- tivariável (mais de uma variável indepen- dente) entre outros, e te é o ruído, ou erro aleatório, inerente a todo processo que tra- balha com probabilidade. Como método para análise se a regressão executada é condizente com a base de da- dos da qual a análise se utiliza a forma de r² ou coeficiente de determinação. Se ao re- alizar o cálculo de r² o valor encontrado for superior a 0,85 pode-se considerar que a regressão é de boa qualidade. Unidade 3 • Previsões de Demanda62/205 Sistemas simultâneos: método de análise que utiliza um conjunto de regressões si- multaneamente para o cálculo de demanda futura. 2.1.3 Métodos de abordagem quantitativa Os métodos de abordagem quantitativa ou métodos de análise de séries temporais utili- zam a base de dados acumulada nos últimos períodos para inferir qual seria a posição fu- tura. Dentre os métodos de séries temporais serão discutidos os métodos de média mó- vel, média móvel ponderada e suavização exponencial. Média Móvel: método que analisa a última série de eventos para prever eventos futuros. Bom para previsão de eventos que apresen- tam permanência e tendência. Apresenta fa- lha com itens que apresentem sazonalidade. Para saber mais Programas computacionais que executem cál- culos em planilhas conseguem facilmente cal- cular regressões e o r² dessas funções. Microsoft Excel®, por exemplo, consegue executar esses cálculos com base em dados plotados em uma planilha. Com dados lançados em planilha, deve- -se plotar um gráfico de dispersão, com o gráfico plotado, deve-se abrir as opções de análise des- se gráfico e solicitar a plotagem dos gráficos de tendência (o gráfico plotado será uma regressão linear), ao entrar nas opções dos gráficos de ten- dência você poderá alterar o tipo de gráfico de re- gressão e solicitar a exibição do r² já calculado. Unidade 3 • Previsões de Demanda63/205 Média Móvel Ponderada: método muito parecido com o anterior com a diferença de permitir que o analista decida qual período terá maior relevância para a determinação de um período futuro. Suavização Exponencial: método que considera sempre que o último valor da série temporal tem maior importância e que a importância dos demais itens da série temporal vai decaindo confor- me o período considerado está mais distante do período o que pode ser previsto. Para saber mais Quando analisado um conjunto de dados de uma série temporal, três características podem ser encon- tradas: (1) Permanência; (2) Tendência ou (3) Sazonalidade. Essas características podem ser encontradas em um conjunto de dados de maneira isolada, combinadas duas a duas, ou todas combinadas de uma vez só. (1) Permanência seria a capacidade de os pontos de uma série temporal estarem concentrados em torno de uma média. (2) Tendência é a capacidade dos pontos se organizarem de forma a projetarem um valor futuro com inclinação positiva ou negativa. (3) Sazonalidade é a capacidade de os pontos apre- sentarem concentração ao redor de médias distintas em períodos subsequentes. Esses comportamentos podem ser observados com maior facilidade ao plotar um gráfico de dispersão dos pontos da série tem- poral. Ao adicionar a linha de tendência ao gráfico é possível observar a existência de permanência e/ou tendência e a sazonalidade pelo gráfico de dispersão em si. Unidade 3 • Previsões de Demanda64/205 2.1.4 Métodos de controle de previsões Ao realizar a previsão de demanda é neces- sário verificar a aderência entre o método utilizado e a realidade do que está se pro- pondo a prever. Para isso existem métodos de controle das previsões de demanda. Toda previsão possui um erro, que pode ser tra- duzido como a diferença da demanda real e a demanda prevista. Esse erro pode ser sub- dividido em dois tipos de erro, o erro aleató- rio, que inerente a cálculos probabilísticos, e o erro sistemático, que seria o erro causado pelo método não representar a realidade do sistemaque está sendo previsto. Os méto- dos de controle de previsão têm por objetivo verificar a existência de erros sistemáticos. Um dos métodos mais utilizados e simples de realizar o controle de previsões de de- manda é o método de análise do desvio ab- soluto médio. Trata-se de analisar a soma- tória do módulo dos erros apresentados di- vidida pelo número de períodos analisados. Link No TCC de Fernando Mancuzo, “Análise e pre- visão de demanda: estudo de caso em uma em- presa distribuidora de rolamentos”, estão dispo- níveis dados sobre métodos quantitativos que podem ser aplicados nos casos de abordagem quantitativa. Disponível em: <http://www. abepro.org.br/biblioteca/enegep2013_TN_ STO_177_008_22649.pdf>. Acesso em: 4 out. 2017. Unidade 3 • Previsões de Demanda65/205 O desvio absoluto médio verifica a disper- são dos erros, quanto mais próximo de zero, melhor a previsão está se comportando. Link No artigo de Ferreira, V. E. S et al., “Utilização de um modelo quantitativo de previsão de demanda para análise da demanda por concreto em uma empresa do oeste potiguar”, pode ser analisado um caso de su- cesso de implementação de previsão de demanda utilizando métodos de análise quantitativa. Dispo- nível em: <http://www.abepro.org.br/bibliote- ca/enegep2013_TN_STO_177_008_22649. pdf>. Acesso em: 4 out. 2017. Unidade 3 • Previsões de Demanda66/205 Glossário Nível de agregação: quanto maior o nível de agregação de uma família de itens, maior a corre- lação dos processos executados para obtenção desses produtos. Nível de exatidão: quanto maior o nível de exatidão, menor poderá ser a presença do erro alea- tório (erro inerente a cálculos probabilísticos). Portfólio: conjunto de produtos ou oportunidades oferecidas por uma empresa aos seus clientes. Questão reflexão ? para 67/205 A próxima vez que você for ao mercado repare nas quantidades dos itens disponíveis nas prateleiras. Essas quantidades não es- tão ali por acaso, foi prevista uma demanda de itens que estariam disponíveis nas prateleiras nesse período. Agora imagine que as empresas que produziram esses itens analisaram a demanda de todos os mercados para quem elas vendem para projetar suas fá- bricas, o número de pessoas contratadas para trabalhar nas linhas e até o fluxo de matérias-primas que estariam passando por essas linhas. Você consegue imaginar a análise de todos esses dados e os impactos de uma análise realizada com o método errado? 68/205 Considerações Finais (1/2) • Previsão de demanda é parte participante do macroprocesso de planeja- mento de produção. Esse processo consiste em, por meio de abordagens qualitativas, causais ou quantitativas, prever quais seriam os comporta- mentos das demandas futuras; • A previsão de demanda auxilia na tomada de decisão dentro dos horizontes de planejamento. Existem três horizontes de planejamento: de curto, médio e longo prazo. O curto prazo são decisões operacionais com impacto ime- diato até três meses; no médio prazo são decisões táticas com impacto nos períodos de seis a dezoito meses; e as decisões de longo prazo são decisões estratégicas, com impacto ao longo de dois a cinco anos após a tomada de decisão; 69/205 Considerações Finais (2/2) • Existem três tipos de abordagem: qualitativa, causal e quantitativa. Abor- dagem qualitativa ocorre quando não se possui base de dados para análise; causal é quando se consegue verificar uma condição de causa-efeito entre dados pertencentes à mesma base de dados; e quantitativa são inferências realizadas por meio de análise da base de dados sem conferência de causa- -efeito. Podem ser usados métodos estatísticos para análises quantitativas; • Métodos de controle são métodos utilizados para conferência se o método de previsão de demanda condiz com as situações já verificadas na série de dados disponíveis. Unidade 3 • Previsões de Demanda70/205 Referências FERNANDES, F. C. F.; GODINHO FILHO, M. Planejamento e controle da produção: dos funda- mentos ao essencial. São Paulo. Atlas, 2010. NARASHIMHAN, S.; MCLEAVEY, D. W.; BILLINGTON, P. Production planning and inventory con- trol. New Jersey. Prentice Hall. 2. ed., 1995. SIPPER, D.; BULFIN JR., R. L. Production planning, control and integration. Nova Iorque. MC- Graw-Hill, 1997. STEVENSON, W. J. Administração das operações de produção. São Paulo. LTC, 2002. TUBINO, D. F. Planejamento e controle da produção. São Paulo. Atlas, 2007. 71/205 Assista a suas aulas Aula 3 - Tema: Previsões de Demanda. Bloco I Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f- 1d/2c42cdadfe3cb2e0765e32b44fab4da3>. Aula 3 - Tema: Previsões de Demanda. Bloco II Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f- 1d/3902a7d8cd2e1ed09dcfdd62a8312989>. 72/205 1. Quando se fala de decisões do ponto de vista estratégico e tático, essas decisões implicam, respectivamente: a) Famílias de produtos / Itens. b) Resultados de longo prazo / médio prazo. c) Produzidos em transformação / produtos acabados. d) Distribuição / armazenamento. e) Em produção / em estoque. Questão 1 73/205 2. Quando não existe base de dados para tomada de decisão qual aborda- gem deve ser utilizada? a) Qualitativa. b) Quantitativa. c) Causal. d) Intuitiva. e) Aleatória. Questão 2 74/205 3. Quando a base de dados existente apresenta relações de causa-efeito qual abordagem deve ser utilizada? a) Qualitativa. b) Quantitativa. c) Causal. d) Intuitiva. e) Aleatória. Questão 3 75/205 4. Quando a base de dados existente não apresenta relações de causa-efeito qual abordagem deve ser utilizada? a) Qualitativa. b) Quantitativa. c) Causal. d) Intuitiva. e) Aleatória. Questão 4 76/205 5. Dentre os métodos abaixo qual representa um método de controle de previsão de demanda? a) Suavização Exponencial. b) Consenso do comitê executivo. c) Faturamento. d) Média Ponderada Móvel. e) Desvio Absoluto Médio. Questão 5 77/205 Gabarito 1. Resposta: B. Decisões operacionais são refletidas no cur- to prazo, decisões táticas são refletidas no médio prazo, decisões estratégicas são re- fletidas no longo prazo. 2. Resposta: A. Quando não existe base de dados para to- mada de decisão a abordagem que deve ser utilizada é a qualitativa, pois consegue se basear em análises pessoais de profissio- nais da área. 3. Resposta: C. Quando a base de dados existente apresen- ta relações de causa-efeito, a abordagem que deve ser utilizada é a causal, pois dessa forma consegue-se uma previsão mais pre- cisa. 4. Resposta: B. Quando a base de dados existente não apre- senta relações de causa-efeito, a aborda- gem que deve ser utilizada é a quantitativa, pois dessa forma consegue-se aproveitar a base de dados e inferir, por meio de mé- todos estatísticos, possíveis valores de de- manda futuros. 5. Resposta: E. O desvio absoluto médio verifica a disper- são dos erros, quanto mais próximo de zero, melhor a previsão está se comportando. 78/205 Unidade 4 Planejamento Agregado e Desagregado 1. Objetivos 1. Compreender as atividades e concei- tos compreendidos no agregado; 2. Entender as semelhanças e diferenças entre planejamento agregado e desa- gregado; 3. Conseguir aplicar os conceitos dos métodos de tempo de esgotamento e tempo de esgotamento agregado. Unidade 4 • Planejamento Agregado e Desagregado79/205 2. Introdução O tema quatro inicia o estudo dos processos de comunicação entre os níveis organiza- cionais da empresa. O planejamento agre- gado tem como objetivo desdobrar condi-ções do âmbito estratégico para que geren- tes e supervisores no âmbito tático tomem suas decisões. Nesse ponto são verificadas ações para decisões de médio prazo, com objetivo de alinhar a capacidade produtiva com a demanda projetada para o período. Além disso, são verificados objetivos de de- sempenho da organização para responder aos anseios de posicionamento estratégi- co da empresa no mercado. Dessa forma, o planejamento agregado pode ser conside- rado também como processo de sales and operations planning (S&OP), que consistiria em etapas de replanejamento com base nas variações de vendas dentro do período de um mês, regulando as disponibilidades de recursos e suprimentos. Unidade 4 • Planejamento Agregado e Desagregado80/205 Enquanto o planejamento agregado realiza suas análises com base nas famílias de itens similares entre si ou que possuem mesmas formas de obtenção, o planejamento de- sagregado faz suas análises baseadas em desdobramentos dessas análises por famí- lias, por análises de itens individualizados. Faz-se a análise de que o planejamento agregado realiza a interface entre os am- bientes externos e internos da empresa ao trazer questões estratégicas como o am- biente competitivo, capacidade de subcon- tratação, disponibilidade de fornecimento, demandas e condições econômicas para uma análise conjunta com questões inter- nas da empresa como capacidade produti- va atual da empresa, força de trabalho atual Para saber mais Os objetivos estratégicos de desempenho são cinco definições sobre as quais se pode analisar o posicionamento de uma empresa comparada aos seus concorrentes. Essas definições podem ser desdobradas em subobjetivos que ficam mais fá- ceis de serem observados e medidos no cotidiano das organizações. Os 5 macro-objetivos são: (1) Custos: apresentar custos reduzidos; (2) Flexibili- dade: responder de maneira rápida e eficiente às variações das necessidades dos clientes; (3) Qua- lidade: pode ser entendida como atender às ne- cessidades do cliente; (4) Confiabilidade: que seria atender às condições específicas do fornecimen- to para o cliente; e (5) Rapidez: que seria atender com agilidade às solicitações dos clientes. Unidade 4 • Planejamento Agregado e Desagregado81/205 da empresa, atividades requeridas na pro- dução e os atuais níveis de estoque. Nas análises de planejamento agregado tor- na-se necessária a definição de uma única medida de agregação, afinal não podem ser comparados volumes de produtos distintos. Torna-se necessária uma análise do siste- ma produtivo a fim de verificar qual seria a melhor unidade de medida, podendo essa ser tempo, dinheiro ou volume de produção entre linhas diferentes. Dessa forma, após a análise individualizada para cada família de produto (é pré-disposto trabalhar com cin- co a quinze famílias em um sistema produti- vo), busca-se com o planejamento agrega- do gerar um plano de trabalho que atenda a todas as demandas previstas e ao mesmo tempo minimize os custos envolvidos nes- ses processos produtivos. Os custos pertencentes ao processo produ- tivos são: • Custos básicos de produção: custos fi- xos e variáveis necessários para a pro- dução de um produto; • Custos de manter estoque; • Custo de falta, ou não atendimento do cliente no prazo estipulado; • Custo de contratação de colaborado- res; • Custos de demissão de colaboradores; • Custos de horas extras; • Custos de subcontratação, ou tercei- rização de etapas produtivas. Unidade 4 • Planejamento Agregado e Desagregado82/205 buscam a solução ótima, apoiados em mé- todos matemáticos de otimização. Fazem parte do conjunto de decisões a se- rem tomadas no planejamento agregado a definição do volume a ser produzido no pe- ríodo (geralmente, dentro de um mês), ní- veis de estoques permitidos a cada período, número de colaboradores necessários para cada período, níveis de pedidos que poderão não ser atendidos ao fim do período, quan- tidade de horas-extras necessárias, neces- sidade de subcontratação, entre outros. O planejamento agregado possui dois con- juntos de soluções possíveis para sua apre- sentação: (1) Os métodos em planilhas: que são métodos heurísticos, derivados da ideia de tentativa e erro (apresentam soluções rápidas, porém não ótimas); e (2) Os mé- todos avançados: que seriam métodos que Para saber mais Originada na década de 50 com o objetivo de me- lhorar a disposição de recursos militares, a pes- quisa operacional tem como objetivo utilizar mé- todos matemáticos, estatísticos e até mesmo ló- gicos para modelar situações reais e gerar resul- tados ótimos. Largamente utilizada na engenha- ria com objetivo de otimizar sistemas produtivos é a base utilizada no planejamento agregado para utilização otimizada de recursos. Atualmente existem softwares disponíveis na internet como GAMS® e LINDO® para solução de modelos de otimização matemática, além de um módulo de análise de dados disponível no Microsoft Excel®. Unidade 4 • Planejamento Agregado e Desagregado83/205 2.1 Estratégias de planejamento agregado Quando se fala de estratégias para o pla- nejamento agregado existem duas grandes vertentes de trabalho: a proativa, que tra- balha com variações na demanda, e a re- ativa, que trabalha com variações na pro- dução. Nas estratégias proativas busca-se que a demanda seja modificada por carac- terísticas do processo produtivo quanto a sua resposta à demanda. São exemplos de estratégias proativas quando a organiza- ção se predispõe a produzir apenas parte da demanda de mercado e deixar outra parce- la sem produtos, buscar o nivelamento das demandas durante o ano evitando períodos de pico, produzir produtos cujos picos de demanda possuam sazonalidades inverti- das ou ter uma capacidade ociosa utilizada conforme o desejo da empresa, não como uma resposta à demanda. Paralelamente, com estratégias reativas podem ser citadas situações cuja produção trabalha acompa- nhando a demanda: exibe força de trabalho constante, mas permite faltas; exibe força de trabalho constante, mas não permite fal- tas; exibe força de trabalho constante, mas permite horas-extras; ou exibe força de tra- balho constante, mas permite subcontrata- ção. Estratégias proativas estão relaciona- das a decisões estratégicas da empresa de como utilizar seu parque fabril, enquanto as decisões reativas são focadas em decisões de nível tático/operacional. Unidade 4 • Planejamento Agregado e Desagregado84/205 2.2 Planejamento desagregado Até o momento foi discutido como um pla- nejamento agregado é produzido e aspec- tos de decisões táticas da empresa, que são apoiadas em seus resultados, como proje- ção de recursos a serem utilizados, mas sa- be-se que o planejamento agregado não é produzido, ele é apenas um indicativo ge- rado por meio de previsões de demanda de famílias agregadas para auxílio na tomada de decisão no médio prazo. Quando um sis- tema produtivo estipula sua produção ele o faz em termos de itens individuais finais, sendo essa programação, denominada Programa Mestre de Produção, porém, em alguns casos a desagregação do planeja- mento de médio prazo resulta em informa- Link Indicamos a leitura do TCC de Leonardo Roque da Silva Assi, “Planejamento agregado da produção em empresa de gestão de documentos: modelo e aplica- ção”, que mostra um estudo de caso de sucesso na implementação de planejamento agregado para o desenvolvimento de documentos geran- do otimização dos recursos utilizados. Disponí- vel em: <http://pro.poli.usp.br/wp-content/ uploads/2012/pubs/planejamento-agre- gado-da-producao-em-empresa-de-ges- tao-de-documentos-modelo-e-aplicacao. pdf>. Acesso em: 4 out. 2017.aUnidade 4 • Planejamento Agregado e Desagregado85/205 ções suficientes para uma boa tomada de decisão dos itens finais a serem produzi- dos, isso tudo irá depender de qual estra- tégia de resposta a demanda foi escolhida para reger o sistema produtivo, conforme visto no tema dois. Quando os dados de entrada para a execu- ção de um Programa Mestre da Produção são abordados, podem existir dois enfoques, dependendo das estratégias de resposta à demanda. Para itens cujas estratégias de resposta à demanda são fazer para estoque ou os componentes que aguardam monta- gem na estratégia de montagem, conforme pedido, a desagregação do plano agregado se mostra interessante, enquanto para itens feitos conforme pedido, comprados confor- me pedido, projetados conforme pedidos e a etapa de montagem do montado confor- me pedido à existência de pedidos em car- teira se mostra um melhor indicador para construção do programa mestre. Além de ser a base para alguns Programas Mestres de Produção, o planejamento desa- gregado também auxilia a controlar o supri- mento de itens com leadtime longo, uma vez que servem de parâmetros de aquisição de itens, antes mesmo de sua necessidade real ser apontada. Como método para execução de um pla- nejamento desagregado pode ser citado o método de tempo de esgotamento. O tem- po de esgotamento de um item representa o tempo que o estoque atual levará para ser zerado, considerando uma taxa de deman- Unidade 4 • Planejamento Agregado e Desagregado86/205 da existente. Matematicamente, pode ser expresso como mostrado na equação (4). Equação (4). Onde: TE indica o tempo de esgotamento do item i; E o nível de estoque do item i; e D a taxa de demanda do item i. Esses valores da equação (4) são expressos em períodos, podendo ser dias, semanas ou meses. No ordenamento da desagregação para produção devem ser produzidos pri- meiramente os itens com TE de menor valor. Vale ressaltar que o método de tempo de es- gotamento só é possível quando os tempos de setup são pequenos e a capacidade pro- dutiva suficientemente grande para aten- der a toda a demanda. Além disso, o método apresentado é simplificado não garantindo a viabilidade do Programa Mestre gerado, para maiores garantias de viabilidade deve ser usado o método completo, o método de tempo de esgotamento agregado (TEA). Enquanto o método de tempo de esgota- mento analisa apenas a posição de estoque e a demanda prevista para o período, inde- pendentemente do tamanho dos lotes que serão produzidos e da capacidade produti- va da empresa, o método TEA considera a capacidade produtiva da empresa e os tem- pos de processamento dos itens que serão produzidos, sendo calculado como apre- sentado na equação (5). Unidade 4 • Planejamento Agregado e Desagregado87/205 Equação (5) Com base no TEA calculado é possível calcular quanto de cada item da família deve ser produzido (Q), como apresentado na equação (6). Equação (6) Onde D continua sendo a demanda do item i e E o estoque do item i. Link O artigo de Ana Paula Maia Tanajura e Sandro Cabral, “Planejamento de vendas e operações (S&OP): um estudo de caso numa petroquímica”, discorre sobre um processo de planejamento agregado. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2011_tn_stp_135_856_18168.pdf>. Acesso em: 4 out. 2017. Unidade 4 • Planejamento Agregado e Desagregado88/205 Glossário Leadtime: tempo entre solicitação e resposta de um cliente. Métodos heurísticos: métodos de pesquisa operacional que utilizam modelagem lógica, sendo conhecidos por suas respostas rápidas, porém subótimas. Questão reflexão ? para 89/205 Ainda pensando sobre as nossas compras no mercado. Agora, che- gou o momento de você passar pelo caixa. Observe a quantidade de caixas disponíveis para atendimento, em períodos de festas de final de ano a tendência é o mercado estar com bastante movimento e a quantidade de caixas com atendentes trabalhando é maior, em períodos próximos ao final de mês o movimento no mercado é me- nor, consequentemente o número de caixas disponíveis também é menor. A disposição de atendentes nos caixas é reflexo do planeja- mento agregado que buscou prever as necessidades de atendimen- to para que você não tivesse que esperar por um tempo demasiado em filas para ser atendido, nem que sobrassem atendentes ociosos na maior parte do tempo. Agora, imagine se a quantidade caixas disponíveis fosse constante durante o ano. Se fosse nivelado pelo fim do ano o que aconteceria? E se fosse nivelado pelo movimento do final de cada mês? 90/205 Considerações Finais • Planejamento agregado tem como objetivo desdobrar condições do âmbito estratégico para que gerentes e supervisores no âmbito tático tomem suas decisões; • Além de auxiliar no desdobramento de objetivos estratégicos, o planeja- mento agregado indica como os recursos produtivos da empresa (mão de obra, maquinário, predisposições de matérias-primas) serão utilizados no médio prazo; • O planejamento desagregado auxilia a definir o que deve ser programado para a produção de itens que têm sua resposta à demanda prevista para ser resposta ao estoque ou componentes para montagem de itens finais mon- tados conforme pedido; • O método de planejamento desagregado Tempo de Esgotamento Agregado concilia a capacidade produtiva da empresa com o objetivo de produzir as necessidades, sem extrapolar as reais condições produtivas do sistema; Unidade 4 • Planejamento Agregado e Desagregado91/205 Referências CORREA, H. L.; GIANESI, I. G. N.; CAON, M. Planejamento, programação e controle de produção. 4. ed. São Paulo. Atlas, 2001. FERNANDES, F. C. F.; GODINHO FILHO, M. Planejamento e controle da produção: dos funda- mentos ao essencial. São Paulo. Atlas, 2010. FREELAND, J. R.; LANDEL, R. D. Agreggate production planning – text and cases. Virginia: Res- ton Publishing, 1984. NARASHIMHAN, S.; MCLEAVEY, D. W.; BILLINGTON, P. Production planning and inventory con- trol. New Jersey: Prentice Hall. 2.. ed., 1995. SIPPER, D.; BULFIN JR., R. L. Production planning, control and integration. Nova Iorque: MC- Graw-Hill, 1997. VOLLMANN, T.E.; Berry, W.L.; WHYBARK, D. C. Manufacturing planning and control systems. 4. ed. Nova Iorque. MCGraw-Hill, 1997. 92/205 Assista a suas aulas Aula 4 - Tema: Planejamento Agregado e Desa- gregado. Bloco I Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f- 1d/0a089515e1faf21205a227862e651432>. Aula 4 - Tema: Planejamento Agregado e Desa- gregado. Bloco II Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ b58df173384e72b453bcb034abc50eaf>. 93/205 1. Assinale a alternativa correta. Decisões de planejamento agregado impli- cam o horizonte de planejamento: a) De curto prazo. b) De médio prazo. c) De longo prazo. d) De armazenamento. e) De produção. Questão 1 94/205 2. Assinale a alternativa correta. Entre as decisões que utilizam a análise do planejamento agregado podemos citar: a) Implementação de uma nova fábrica. b) Sequenciamento de atividades do chão de fábrica. c) Contratação de mão de obra. d) Redefinição dos produtos de uma linha. e) Atividades de controle. Questão 2 95/205 3. Assinale a alternativa que indica os dois tipos de abordagem para o pla- nejamento agregado. a) Quantitativa e qualitativa. b) Aleatória e causal. c) Intuitiva e causal. d) Intuitiva e proativa. e) Proativa e reativa. Questão 3 96/205 4. Assinale a alternativa correta. Para a geração do Programa Mestre de Produção em itens que será considerado o planejamento desagregado podemos utilizar: a) Análise qualitativa.b) Análise quantitativa. c) Análise causal. d) Dados da carteira de pedidos. e) Análise aleatória. Questão 4 97/205 5. Assinale a alternativa correta. Como principal característica do método de Tempo de Esgotamento Agregado podemos citar: a) Considerar a capacidade produtiva da linha para gerar o tamanho dos lotes a serem produ- zidos. b) Considerar a opinião da diretoria. c) Atender ao faturamento. d) Considerar necessidades pontuais dos clientes. e) Ser totalmente inerte a variações da demanda. Questão 5 98/205 Gabarito 1. Resposta: B. O planejamento agregado embasa decisões de nível tático que são enquadradas no ho- rizonte de planejamento de médio prazo. 2. Resposta: C. Contratação de mão de obra é uma ativi- dade de dimensionamento de recursos, a aquisição desses recursos leva determinado tempo entre recrutamento, seleção e trei- namento, devendo, dessa forma, fazer parte de uma análise de médio prazo. 3. Resposta: E. Quando trabalhamos com a demanda, a abordagem é proativa, quando trabalhamos com a produção, a abordagem é reativa. 4. Resposta: D. Quando não trabalhamos com antecipação de produtos, principalmente itens que exi- gem alto grau de customização, devemos aguardar a colocação do pedido (carteira de pedidos) para executar a programação de produção de itens finais. 5. Resposta: A. O método de Tempo de Esgotamento Agre- gado considera as capacidades produtivas e os tempos de processamento para ga- rantir que os pedidos considerados serão atendidos. 99/205 Unidade 5 Programa Mestre de Produção 1. Objetivos 1. Entender o conceito de Programa Mestre de Produção e sua importân- cia para o desdobramento do plane- jamento para o controle da produção; 2. Saber aplicar diferentes técnicas para gerar o Programa Mestre da Produção conforme a estratégia de resposta a demanda utilizada; 3. Conseguir calcular e compreender o conceito de disponível para promessa. Unidade 5 • Programa Mestre de Produção100/205 2. Introdução O tema cinco inicia os estudos das ativida- des relacionadas ao controle da produção, mais precisamente o processo de Programa Mestre de Produção (MPS). O MPS é a ati- vidade responsável por transferir as quan- tidades de itens produzidos por família para quantidades de itens finais produzidas na- quele período. Dessa forma, existem três principais formas de alimentar o MPS: por meio da desagregação de um planejamento agregado, por meio de estimativas de de- manda de itens finais ou por meio da car- teira de pedidos, que, como já comentado, seria a quantidade de pedidos já concreti- zados para a empresa. Para melhor compreensão do MPS é utili- zado o quadro de registro básico no MPS, conforme exemplifica Quadro 1. Sua for- mulação se estende por diversos períodos e conta como linhas básicas para confecção: • Linha de previsão de demanda inde- pendente: essa linha traz informações de demanda independente provindas do planejamento desagregado para esse item final; • Pedidos em carteira: somatória dos pedidos disponíveis na empresa para entrega nesse período; • Demanda: é o valor a ser considera- do para os cálculos de MPS. Seu valor é resultante da análise do maior va- lor entre a previsão de demanda in- dependente e os pedidos em carteira para o mesmo período; Unidade 5 • Programa Mestre de Produção101/205 • Estoque disponível: seria o estoque disponível ao final da iteração de cálculo daquele pe- ríodo. Informação que será utilizada para definir a necessidade de produção no período futuro (t+1); • Disponível para promessa: quantidade disponível de peças ou horas ociosas que poderá ser prometida para clientes como antecipação de entregas ou permitir colocação de pedi- dos com leadtime mais curto; • MPS: quantidade de itens finais a ser produzida no período t. Quadro 1 - Registro básico do MPS. ITEM: XXX Períodos 0 1 2 3 4 5 6 7 Previsão de demanda independente Pedidos em carteira Demanda Estoque disponível Disponível para promessa Programa Mestre de Produção (MPS) Fonte: elaborada pela autora. Unidade 5 • Programa Mestre de Produção102/205 Para saber mais Ao analisar o registro básico do MPS há uma nova dimensão a ser considerada, o tempo de produção. Bem se sabe que o tempo não é um recurso estocável, mas pode-se perceber a disponibilidade dele em momentos futuros. A transferência de dados de estoque para dados de tempos disponível é possível ao considerar o tempo padrão de produção de um item. Para o cálculo do tempo padrão são consideradas algumas variáveis do processo produtivo, como habilidade do colaborador, condições de trabalho, trei- namentos, a fim de trazer o tempo mais próximo do real para confecção de um item, independente das condições de execução. O tempo padrão considera uma distribuição de tempos recolhidos por meio de cronoanálise e parametriza esses tempos em função das habilidades do colaborador que está realizando essa atividade naquele período, as condições do ambiente (temperatura, luminosidade, vibração entre outros agentes físicos) e as tolerâncias organizacionais (pausa para necessidades fisiológicas, pausa por erros gerencial (falta de matéria-prima)), definindo um tempo de trabalho para entrega de um item. Alguns parâmetros definidos pelas estratégias de atendimento da organização irão influenciar o resultado do MPS. Podem ser citados como os principais influenciadores o tamanho do lote de produção (pode ser um lote econômico, lote conveniente, ou um lote mínimo), existência ou não de estoque de segurança e o período de congelamento, que seria o intervalo considerado que Unidade 5 • Programa Mestre de Produção103/205 sistemas de coordenação de ordens não po- dem ser alterados, permitindo apenas alte- rações dentro do Programa Mestre. 2.1 Definições de estratégias para o programa mestre A definição de qual estratégia será utiliza- da para a obtenção do Programa Mestre de Produção dependerá de qual estratégia de resposta a demanda que rege o item final está sendo estudada. Quando considerados itens feitos para estoque ou componentes de itens montados conforme pedido, as es- tratégias de consolidação de um MPS podem ser o congelamento do plano desagregado de produção, previsões semanais individu- ais, por meio da estratégia de nivelamento da produção ou por acompanhamento de demanda. Quando considerados itens fi- nais montados conforme pedido, itens fei- tos conforme pedido, itens comprados con- forme pedido ou itens projetados conforme pedido, as estratégias de consolidação de um MPS passam a ser a partir exclusiva- mente da carteira de pedidos, podendo di- ferir entre estratégia de resposta, a deman- da e estratégias com o uso de programação matemática. Todas essas estratégias serão estudadas a seguir. O método Programa Mestre de Produção, via congelamento do plano desagregado de produção, faz com que as quantidades de itens programados no MPS seja exatamente o plano desagregado estipulado para o pe- ríodo. Dessa forma, a única diferença que Unidade 5 • Programa Mestre de Produção104/205 haverá é que o cálculo do que deve ser produzido semanalmente será limitado pela quantidade de horas disponíveis na semana, uma vez que o planejamento desagregado traz um cálculo de produtos por períodos maiores (geralmente meses). Na estratégia Programa Mestre de Produção, via previsões semanais individuais – estratégia de nivelamento da produção, calcula-se uma quantidade constante de itens finais a serem produ- zidos, não havendo faltas, conforme a fórmula a seguir: Esse cálculo é iterativo, devendo acontecer para cada período presente no horizonte de planeja- mento. O valor a ser considerado é o maior valor X t dentre todos os períodos sondados.Por exemplo, no quadro a seguir temos t=8 períodos e uma curva de demanda acumulada. Quadro 2 - Exemplo de cálculo de Xt Períodos 1 2 3 4 5 6 7 8 Demanda acumulada no período t 380 740 1110 1450 1740 2050 2350 2640 Unidade 5 • Programa Mestre de Produção105/205 Períodos Xt 380/1 = 380 740/2 = 328 1 1 0 0 / 3 = 342 1 4 5 0 / 4 = 341 1 7 4 0 / 5 = 331 2 0 5 0 / 6 = 328 2 3 5 0 / 7 = 324 2 6 9 0 / 8 = 319 Fonte: elaborada pela autora. Note que ao calcular X t para cada um dos períodos o valor de maior X t é o período 3 e dessa forma o valor de X 3 = 342 será considerado como valor de produção em todos os períodos. Na estratégia Programa Mestre de Produção, via previsões semanais individuais – estratégia de acompanhamento da demanda, o valor resultante da demanda (avaliação de qual valor é maior entre a previsão de demanda independente e os pedidos em carteira) será considerado direta- mente como o valor do MPS, desconsiderando a existência de estoque a ser consumido. A estratégia Programa Mestre de Produção via exclusivamente carteira de pedidos – estratégia de acompanhamento da demanda trabalha com itens que têm alto grau de complexidade de constituição e baixo volume, então torna-se necessário o consumo imediato de qualquer unida- de que esteja em estoque e não produção de itens que tenham destino do estoque. Dessa forma, a produção deve ocorrer exclusivamente para itens com demanda concreta, pedido posto em carteira. Unidade 5 • Programa Mestre de Produção106/205 2.2 Cálculo de itens disponíveis para promessa (ATP) Conforme apresentado anteriormente, itens disponíveis à promessa são itens ou tempo disponíveis no sistema produtivo para aten- dimento de ordens futuras. Seu cálculo con- sidera apenas dados concretos, no caso do Link O artigo de Daniel da Silva Mariano e Muris Lage Junior, “Otimização do plano mestre de produção em uma fábrica de fertilizantes”, traz um caso de su- cesso de implementação de programa mestre de produção. Disponível em: <http://www.abepro. org.br/biblioteca/tn_stp_206_221_26462. pdf>. Acesso em: 4 out. 2017. MPS, estoque inicial, o MPs já constituído e a carteira de pedidos. O ATP só pode ser uti- lizado em casos de itens feitos para estoque ou componentes para itens com montagem conforme pedido, uma vez que nas demais estratégias de resposta a demanda não há existência de estoques, sendo impossível gerar uma promessa de prazo antecipado para os itens gerenciados com outras estra- tégias de resposta a demanda. No primeiro período, o ATP pode ser calcu- lado como o estoque físico menos a soma- tória dos pedidos em carteira até o período considerado. A partir do momento em que o MPS começa a ser produzido, o cálculo do ATP passa a ser o valor do MPS subtraído a soma dos pedidos em carteira do período vigente e dos períodos futuros sem a exis- tência de MPS. Unidade 5 • Programa Mestre de Produção107/205 Por exemplo, no quadro a seguir há o cálculo da demanda, MPS e ATP do item x. Quadro 3- Registro básico do MPS completo, com MPS e ATP calculados Item x 0 1 2 3 4 5 6 7 8 Previsão de demanda independente 340 350 370 340 290 310 300 290 Pedidos em carteira 380 360 320 200 40 0 0 0 Demanda 380 360 370 340 290 310 300 290 Estoque 500 120 510 140 550 260 700 400 110 Disponível para promessa (ATP) 120 70 510 750 ATP Acumulado 120 190 190 700 700 1450 1450 1450 Programa Mestre de Produção 750 750 750 Fonte: elaborado pela autora. Note que para o cálculo do Programa Mestre são considerados os valores de demanda e estoque período a período. Já o cálculo do disponível a promessa segue a seguinte forma: • Semana 1 = Estoque – Pedidos em carteira = 500 – 380 = 120; • Semana 2 = MPS – (Pedidos em carteira semana 2 e 3) = 750–(360+320)= 70; • Semana 3 – coberta pelo cálculo de ATP da semana 2; • Semana 4 = MPS – (Pedidos em carteira semana 4 e 5) = 750–(200+40) = 510; Unidade 5 • Programa Mestre de Produção108/205 • Semana 5 – coberta pelo cálculo de ATP da semana 4; • Semana 6 = MPS =750, não há pedi- dos em carteira; • Semanas 7 e 8 – cobertas pelo cálculo de ATP da semana 6, não há pedidos em carteira. 2.3 Análise grosseira da capaci- dade produtiva (RCCP) Para que um Programa Mestre seja viável são necessárias análises de outros itens para sua constituição, como análises de capacidade produtiva e disponibilidade de materiais. Quando se fala de calcular a ca- pacidade produtiva de um sistema produti- vo são realizadas diversas análises como: a. Cálculo da carga de trabalho necessá- ria para a realização de um dado MPS, considerando quais recursos podem vir a ser gargalos; b. No horizonte de planejamento realizar a análise período a período se a capa- cidade projetada e a capacidade dis- ponível são compatíveis; Link No artigo de Cecília Farid Zago e Marco Aurélio de Mesquita, “Implantação da ferramenta available to promise (ATP): um estudo de caso na produção de papel, é apresentado um caso de sucesso de cálculo de ATP em uma indústria. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/ene- gep2010_TN_STP_113_739_16920.pdf>. Acesso em: 4 out. 2017. Unidade 5 • Programa Mestre de Produção109/205 c. A existência de valores negativos nas análises indica que a capacidade disponível não é suficiente para o atendimento do projetado, há um gargalo, devendo ser utilizadas estra- tégias para correção dessa não conformidade, como, por exemplo, utilização de horas-ex- tras, balanceamento de atividades com MPS futuros ou passados não concretizados. Uma das maneiras de realizar essa análise de capacidade produtiva é por meio da análise de uti- lização dos centros de trabalho disponíveis na organização. Para essa análise, dois novos fatores devem ser considerados: o tempo padrão para realização de uma etapa do trabalho e a lista téc- nica dos produtos que estão sendo analisados. A lista técnica de um produto é uma estrutura simplificada do que temos no roteiro de fabrica- ção. Trata-se do fluxograma do processo de confecção de um item final considerando apenas os Para saber mais Um conceito fundamental da Gestão da Produção é o gargalo, que seria todo e qualquer elemento, exter- no ou interno, que limite o volume de um sistema produtivo. Sua definição numérica pode ser calculada como o recurso (equipamento, mão de obra) que o tempo de processamento é superior ao tempo de res- posta à demanda média (takt-time). Unidade 5 • Programa Mestre de Produção110/205 tempos de produção e o período que o mesmo deve ocorrer para não gerar impacto (atrasos) no fluxo de materiais. Para saber mais: O roteiro de fabricação é uma descrição detalhada do fluxograma de processo, que os componentes que formam um produto passam antes de se transformarem em um item final. Junto com a estrutura de um produto definem as quantidades de matéria-prima a serem alocadas etapa por etapa, quanto dos recursos serão alocados por etapa (hora/máquina ou hora/ homem), sequenciamento de atividades, tempo de início de uma atividade, prazo máximo para essa atividade ser encerrada, setores que serão ativados para execução desse componente ou item final etc. Considerando a lista técnica, os tempos padrões e o MPS de dois produtos seguintes, segue, nos quadros, um exemplo de cálculo de uma análise grosseira da capacidade produtiva. Quadro 4 - Lista técnica dos itens finais A e B Produto Item Centro de trabalho Período de conclusão Tempo padrão (h) Atividade predecessora A C Z 1 0,19 D, E A D X 2 0,11 - A E X 2 0,13 E(y) Unidade 5 • Programa Mestre de Produção111/205 Produto Item Centro de trabalho Período de conclusão Tempo padrão (h) Atividade predecessora A E Y 3 0,2- B F Z 1 0,21 G,H B G Y 2 0,16 - B H Y 2 0,12 G(y) B H X 3 0,1 - Fonte: elaborada pela autora. Quadro 5- MPS calculado para os itens finais A e B 1 2 3 4 5 6 7 8 MPS Produto A 230 170 210 190 180 200 210 190 MPS Produto B 115 130 140 150 140 135 150 145 Fonte: elaborada pela autora. Considerando o perfil de dados apresentado, deve-se calcular a utilização de cada centro de trabalho baseado no Programa Mestre de cada período e o tempo padrão de cada item compo- nente. Unidade 5 • Programa Mestre de Produção112/205 Dessa forma, para o centro de trabalho Z no período 1 tem-se: • Cálculo do componente C: • Horas necessárias em Z = Tempo padrão C(A)xMPS(A)= 0,19x230 = 43,7 horas; • Cálculo do componente F: • Horas necessárias em Z=Tempo padrão F(B)xMPS(B)= 0,21x115 = 24,15 horas; • Total de horas no centro de trabalho Z no período 1 = 43,7+24,15=67,85 horas; O mesmo deverá ser realizado para todos os centros de trabalho em todos os períodos, consi- derando o deslocamento do período calculado em casos de necessidade de antecedência. Por exemplo, nos itens D e E, constituintes do produto A, que passam pelo centro de trabalho X, deve se considerar o tempo de trabalho em X para o item D no período -1 e o tempo de trabalho em X para o item E no período -2. O quadro a seguir apresenta os resultados obtidos. Quadro 6 - Horas necessárias para executar o MPS Centro de trabalho -2 -1 0 1 2 3 4 5 6 7 X 11,5 68,2 54,8 65,4 59,6 56,7 63 64,9 5,6 0 Y 46 66,2 78,4 77,2 78 79,2 79,8 80 0,6 0 Z 0 0 67,8 59,6 69,3 67,6 63,6 66,3 71,4 66,5 Fonte: elaborada pela autora. Unidade 5 • Programa Mestre de Produção113/205 Sabendo que o limite de horas que podem ser trabalhadas por esses centros de trabalho é de 72 horas semanais (por período), subtrai-se o valor de cada célula das 72 horas disponíveis, apare- cendo nos itens com valor negativo os gargalos da produção que devem ser trabalhados, como pode ser visto na tabela a seguir. Quadro 7- Cálculo do RCCP indicando centro de trabalho e períodos em que há falta de capacidade produtiva Centro de trabalho -2 -1 0 1 2 3 4 5 6 7 X 60,5 3,8 17,2 6,6 12,4 15,3 9 7,1 26,4 72 Y 26 5,8 -6,4 -5,2 -6 -7,2 -7,8 -8 31,4 72 Z 72 72 4,15 12,4 2,7 4,4 8,4 5,65 0,6 5,45 Fonte: elaborada pela autora. Link O artigo de Simone Cristina Kopak e Fábio Favaretto, “Análise comparativa entre modelos conceituais de planejamento e controle da produção com foco nas restrições de capacidade”, apresenta uma discussão de várias técnicas de análise de capacidade produtiva, entre elas o RCCP. O artigo se torna ainda mais in- teressante por ampliar o conhecimento sobre diversas técnicas de análise podendo ampliar o repertório do aluno no caso de futuras análises de capacidade produtiva que se façam necessárias. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2003_tr0103_0787.pdf>. Acesso em: 4 out. 2017. Unidade 5 • Programa Mestre de Produção114/205 Glossário Cronoanálise: método de análise temporal que verifica o tempo de ciclo de uma atividade no sistema produtivo. Geralmente realizada com auxílio de cronômetros ou até mesmo filmagem das atividades realizadas por um colaborador. Estoque de segurança: quantidade mínima de estoque necessária para atender àas demandas da empresa durante o período predisposto de reposição. Takt-time: calculado como o inverso da demanda mensal, pode ser traduzido para as linhas de produção como o tempo máximo entre saídas de produto de uma mesma linha para que a de- manda prevista seja atendida. Questão reflexão ? para 115/205 Continuando nossa visita ao supermercado comece a observar as filas por setores. Nem sempre o programado pelo gerente é o que acontece no cotidiano, as demandas por pães podem variar e o pessoal da padaria não ter mão de obra o suficiente para dar conta da quantidade de pedidos. O que podemos fazer? Começar a fazer pão mais cedo? E se fizermos o pão errado? O Programa Mestre de Produção tenta definir qual a quantidade exata de pão que deve ser produzida, período correto ao ponto de não termos excessos que vão para estoque ou até mesmo gerar desperdício, nem falta de pães (com a análise grosseira da capacidade produtiva). 116/205 Considerações Finais (1/2) • Programa mestre de Produção é a primeira atividade de controle na gestão da produção. Seu objetivo é desdobrar as quantidades projetadas por fa- mílias no planejamento agregado em quantidades de itens finais a serem produzidas em períodos estabelecidos; • Dependendo da estratégia de resposta, o cálculo de demanda para deter- minado item será modificado, também podendo ser modificada a maneira como o Programa Mestre é obtido. Para itens feitos para estoque ou com- ponentes de itens finais montados conforme pedido as estratégias podem ser de congelamento do planejamento agregado, previsões semanais com nivelamento da produção ou previsões semanais com acompanhamento da demanda. Para as demais estratégias de resposta, a demanda trabalha com estratégias de previsões semanais de acompanhamento da demanda ou ex- clusivamente com a carteira de pedidos; 117/205 Considerações Finais (2/2) • Quando se trabalha com itens feitos para estoque ou componentes de itens constituintes de produtos montados conforme pedido há a possibilidade das horas ociosas ou itens produzidos sem destino definido estarem dispo- níveis para promessa (ATP), podendo ser antecipados de pedidos de perío- dos futuros ou negociados para antecipação de entregas; • O Programa Mestre fornece dados importantes para a análise da capacida- de produtiva. Essa análise é possível ao aliar as necessidades de produtos disponibilizadas pelo MPS com dados provenientes do processo, disponíveis por meio da lista técnica de um produto. Com base nesses dados é possível avaliar se o sistema produtivo tem ou não condições de entregar um produ- to no prazo estipulado. Unidade 5 • Programa Mestre de Produção118/205 Referências CORREA, H. L.; GIANESI, I. G. N.; CAON, M. Planejamento, programação e controle de produção. 4. Ed. São Paulo. Atlas, 2001. FERNANDES, F. C. F.; GODINHO FILHO, M. Planejamento e controle da produção: dos funda- mentos ao essencial. São Paulo. Atlas, 2010. NARASHIMHAN, S.; MCLEAVEY, D. W.; BILLINGTON, P. Production planning and inventory con- trol. New Jersey. Prentice Hall. 2. ed., 1995. SIPPER, D.; BULFIN JR., R. L. Production planning, control and integration. Nova Iorque. MC- Graw-Hill, 1997. VOLLMANN, T. E.; BERRY, W. L.; WHYBARK, D. C. Manufacturing planning and control systems. 4. Ed. Nova Iorque. MCGraw-Hill, 1997. 119/205 Assista a suas aulas Aula 5 - Tema: Programa Mestre de Produção. Bloco I Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 19f75712a5c2fcf7d2fb070278001ba6>. Aula 5 - Tema: Programa Mestre de Produção. Bloco II Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 1c577336b5dd542ff2a4c0de8931d54e>. 120/205 1. Assinale a alternativa que define corretamente um Programa Mestre de Produção. a) Regra máxima de um processo produtivo. b) Fórmula padrão do controle da produção. c) Método analítico que busca gerar a interface de atividades de planejamento (Planejamento Agregado) com as atividades de controle do sistema produtivo. d) Diretrizes de armazenagem da empresa. e) Políticas públicas de melhoria contínua nos processos das empresas. Questão 1 121/205 2. Assinale a alternativa que apresenta o que é disponível para promessa. Questão 2 a) Quantidade de horas ou produtos que pode ser ofertado a clientes em sistemas feitos para estoque ou componentes para montagem. b) Quantidade de horas ou produtos que pode ser ofertado a clientesem sistemas feitos con- forme pedido. c) Quantidade de horas ou produtos que pode ser ofertado a clientes em sistemas montados conforme pedido, considerando apenas seus itens finais. d) Quantidade de horas ou produtos que pode ser ofertado a clientes em sistemas projetados conforme pedido. e) Quantidade de horas ou produtos que pode ser ofertado a clientes em sistemas com aquisi- ções conforme pedido. 122/205 3. Assinale a alternativa correta. Quando se fala de itens feitos conforme pedido, qual a estratégia melhor se adequa para gerar o Programa Mestre de Produção? Questão 3 a) Congelamento do plano desagregado de produção. b) Estratégia de acompanhamento da demanda, conforme carteira de pedidos. c) Previsões semanais com análise intuitiva. d) Previsões semanais com nivelamento da produção. e) Congelamento do plano agregado de produção. 123/205 4. Assinale a alternativa correta. Com a análise grosseira da capacidade pro- dutiva podemos afirmar: Questão 4 a) Quais centros de trabalho e em quais períodos não teremos capacidade produtiva suficiente para atender às necessidades impostas pelas demandas. b) Qual ordem de produção será atendida primeiro. c) Se o sistema fabril tem um bom projeto de layout. d) Que a carteira de pedidos está completa. e) Serão necessárias compras de novos maquinários no horizonte de planejamento de curto prazo. 124/205 5. Para calcular a demanda no MPS consideramos o valor máximo entre quais dados: Questão 5 a) Previsão de demanda e desejo da diretoria. b) Opinião da diretoria e carteira de pedidos. c) Previsão de demanda e carteira de pedidos. d) Necessidades pontuais dos clientes e previsão de demanda. e) Variações da demanda e carteira de pedidos. 125/205 Gabarito 1. Resposta: C. Programa Mestre desdobra as necessidades colocadas em termos de famílias de produ- tos em itens individualizados, tornando-se assim a interface entre atividades de pla- nejamento e controle dentro dos sistemas produtivos. 2. Resposta: A. Disponível para promessa trata da disponi- bilidade expressa em horas ou até mesmo itens disponíveis para períodos futuros. É o quanto você poderá prometer a um cliente sem atrapalhar ou ter que reprogramar as atividades produtivas já programadas. 3. Resposta: B. Por se tratar de itens feitos conforme pedido deve se tratar com itens concretos, reporta- dos pela carteira de pedidos. 4. Resposta: A. Podemos apenas afirmar que a capacidade produtiva não é suficiente para atender às necessidades da demanda, até mesmo uma análise afirmativa da capacidade não é viá- vel, pois existem questões inerentes ao pro- cesso produtivo que podem impossibilitar a concretização do Programa Mestre (quebra de máquina, falta de energia etc). 126/205 Gabarito 5. Resposta: C. Trabalha-se com dados de demanda futura, a previsão de demanda e a carteira de pedi- dos. 127/205 Unidade 6 Sistemas de Coordenação de Ordens 1. Objetivos 1. Entender as diferenças entre os tipos de sistema de coordenação de ordens; 2. Compreender a sistemática dos siste- mas controlados por posição de esto- que; 3. Conseguir aplicar os conceitos obser- vados em sistemas de fluxo progra- mado. Unidade 6 • Sistemas de Coordenação de Ordens128/205 2. Introdução O tema seis traz os estudos de como deve ser realizada a programação da execução das tarefas de um sistema produtivo. Quan- do se fala de programação da execução de tarefas em um sistema produtivo, procura- -se definir para as pessoas do chão de fábri- ca as respostas para algumas perguntas co- muns no cotidiano produtivo, o que realizar (comprar, produzir ou entregar?), quando realizar, quanto realizar e quem deve reali- zar. Realizar essa coordenação só é possível se, sistematicamente, as necessidades para a execução da programação forem conhe- cidas em seus mínimos detalhes (necessi- dades de materiais e/ou componentes que vêm da explosão da lista de materiais), além de a emissão da ordens de produção e de compra forem vinculadas às necessidades de materiais e componentes. Os métodos utilizados para essa organização são co- nhecidos como Sistemas de Coordenação de Ordens (SCO). Unidade 6 • Sistemas de Coordenação de Ordens129/205 Cabe nesse ponto uma série de conceitua- ção para futura classificação dos sistemas de coordenação de ordens. Dependendo dos itens demandados pelos clientes do siste- ma produtivo, o SCO terá variações. Quan- do as decisões de coordenação são basea- das principalmente no nível de estoque no setor subsequente ou do cliente externo a empresa, chama-se o sistema de controla- do por nível de estoque (CNE). Quando os itens disponibilizados pelo sistema produ- tivo não possibilitam estocagem (item com características extremamente específicas e volumes baixos tornam-se itens com esto- cabilidade difícil uma vez que a chance de se tornarem obsoletos é alta e a probabilidade de poderem ser alocados para outros clien- tes é baixa) o SCO é denominado SCO de pe- dido controlado. Quando a necessidade de Para saber mais A explosão da lista de materiais é a ideia de des- membrar em sua menor unidade possível todos os materiais ou componentes necessários para a construção de item. Seu desenvolvimento vem da área de projeto de produto que, aliada a equipe de desenvolvimento de processos, define como, de que forma aquele item deverá ser construído. Com base na lista resultante da explosão da lista de materiais e o no fluxograma de processo (passo a passo de como construir o item) pode-se definir o momento de iniciar a produção de um item para atender a uma necessidade em um tempo correto, o quanto de material será necessário para a pro- dução desse item, quem deverá ser alocado para a produção desse item e por quais setores o item passará para ser confeccionado. Unidade 6 • Sistemas de Coordenação de Ordens130/205 produção é vinculada com o desdobramen- to do Programa Mestre de Produção o SCO é denominado sistema de fluxo programado. Além disso, há a análise do sentido dos flu- xos de informação e materiais. O fluxo de material sempre será da maté- ria-prima com saída no processo que agre- ga valor a essa matéria-prima tendo seu ponto final o consumidor do item. Quando a informação tem o mesmo sentido que o fluxo de materiais, considera-se que o sis- tema de coordenação de ordens empurra a produção, quando o sentido da informação é oposto ao fluxo de materiais, diz-se que o sistema puxa a produção. Nos tipos de sis- temas conceituados até agora, pode-se de- finir que o sistema de controle de nível de estoque é puxado, enquanto os sistemas de pedido programado e fluxo programado são sistemas empurrados. 3. Sistemas de pedido controla- do Sistemas em que é impossível manter esto- que de produtos finais. Cita-se como exem- plos de sistemas que trabalham dessa for- ma: sistemas de programação por contrato e sistemas de alocação por encomenda. No sistema de programação por contrato os produtos finais são complexos e feitos sob encomenda, em pedidos especiais, por exemplo, em um sistema para construção de uma ponte. A maneira pela qual se gerem as etapas construtivas desse tipo de pedi- do controlado são definidas por métodos Unidade 6 • Sistemas de Coordenação de Ordens131/205 de gestão de projetos, sendo necessárias as definições do escopo do projeto (o que será feito?), do cronograma do projeto (quando será feito?), planejamento dos métodos de produção (como será feito?), alocação de recursos (quem fará?), programação de ma- teriais (quando os materiais virão para exe- cutarmos o projeto?) e emissão efetiva das ordens de execução (projetos detalhados). No sistema de alocação de cargapor enco- menda, as demandas se dão de maneira não repetitiva e imprevisível, por exemplo, para confecção de peças de reposição de carros antigos. Para a gestão da produção de itens gerados dessa forma segue-se um fluxo de trabalho que consiste na cotação de preços e prazos de entrega, com base em expec- tativas geradas pelo histórico de entregas próximas; planejamento dos métodos de produção; programação, momento em que se define o início e fim das etapas, devem ser utilizados gráficos de Gantt para melhor análise dos tempos de entregas; emissão efetiva das ordens de execução; alocação de carga (recursos); e liberação dos mate- riais para execução das etapas do sistema produtivo. Unidade 6 • Sistemas de Coordenação de Ordens132/205 Para saber mais O gráfico de Gantt é um método de análise de cronogramas que consiste em colocar o calendário de uma maneira visual, por meio de barras, apontando o período de início e fim de uma tarefa/atividade. As construções nos gráficos de Gantt podem demonstrar as relações existentes entre tarefas/ativida- des. As atividades podem estar interligadas com fim-fim, início-fim e início-início. Fim-fim será quando duas ou mais atividades-tarefas devem terminar conjuntamente, como por exemplo, as atividades B e D. Início-fim é quando uma atividade/tarefa só pode ser iniciada quando uma atividade antecessora for terminada, como no caso das atividades A e C. Início-início é quando as atividades devem ser iniciadas conjuntamente, pois dependem das mesmas informações para início, como no caso das atividades B e E, observe a figura que segue: Unidade 6 • Sistemas de Coordenação de Ordens133/205 Figura 1- Exemplo de gráfico de Gantt Fonte: elaborada pela autora. Link No artigo de Paulo César Augustus Medes Quezado, Carlos Roberto de Oliveira Cardoso e Dálvio Fer- rari Tubino, “Programação e controle da produção sob encomenda utilizando PERT/CPM e heurísticas”, há um exemplo mais detalhado de um sistema de pedido programado, utilizando além do Gráfico de Gantt outras ferramentas de gestão de projetos para pedidos sob encomenda. Disponível em: <http://www. abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP1999_A0381.PDF>. Acesso em: 4 out. 2017. Unidade 6 • Sistemas de Coordenação de Ordens134/205 4. Sistemas controlados por ní- vel de estoque (CNE) Sistemas controlados por nível de estoque são sistemas que dependem de informa- ções da atividade/tarefa seguintes, ou até mesmo do cliente que está consumindo os itens produzidos. Podem ser citados como sistemas que operam dessa forma, os sis- temas como revisão contínua da posição de estoque, os sistemas de revisão periódica e o sistema kanban CNE. Sistema de revisão contínua consiste em um sistema que acompanha on-line o posicio- namento do estoque de materiais e compo- nentes de um sistema produtivo, verifican- do, com base em parâmetros definidos pela organização ou pelos fornecedores como leadtime, estoque mínimo, tamanho de lote de compra/produção, qual seria o momento de iniciar a confecção/compra de um item. Esse ponto é definido pela posição que o es- toque se encontra e é conhecida como pon- to de resssuprimento. Os sistemas de revi- são de posição de estoques (tanto periódica quanto contínua) trabalham com análises gráficas da posição de estoque, esses gráfi- cos são conhecidos como gráficos dente de serra, conforme ilustra a Figura 2. Unidade 6 • Sistemas de Coordenação de Ordens135/205 Figura 2- Exemplo de gráfico dente de serra Fonte: elaborada pela autora. No gráfico apresentado a linha P define o ponto de ressuprimento, algo em torno de 100 unidades, o L (leadtime) é o tempo en- tre o pedido e a entrega do pedido, já Q é o tamanho do lote entregue para voltar a po- sição do estoque a níveis normais. A para- metrização do sistema de revisão contínua, baseada no gráfico dente de serra, necessi- tará de algumas suposições: • A demanda não consegue ser definida anteriormente, dessa forma, será con- siderada uma demanda média para o período do leadtime D L ; • A organização pode definir que exis- tem estoques mínimos que devem ser respeitados, estoques de segurança (s); • Há um nível de serviço que se procu- ra atender sempre quando se fala de futuro, afinal não há certeza que a demanda irá se comportar conforme planejado. Dessa forma, é definido o Unidade 6 • Sistemas de Coordenação de Ordens136/205 nível de serviço que se pretende aten- der, ou quantas vezes os números pro- postos estariam dentro do planejado em uma distribuição normal (NS), sua tradução para cálculo se dá pelo fator de serviço (FS), conforme ilustra a Ta- bela 1; Tabela 1- Distribuição de fator de segurança Fonte: adaptado de CORREA (2004, p. 171). Unidade 6 • Sistemas de Coordenação de Ordens137/205 • As entregas realizadas não ocorrem sempre no mesmo período, ficando dispersas e possuindo um desvio-pa- drão σ; Dessa forma, os valores para o ponto de res- suprimento P ficam descritos como: , sendo ; Para sistemas de revisão periódica, segue- -se a mesma linha de raciocínio, mas, como há períodos não cobertos pela análise de estoque (períodos entre avaliações de es- toque) deve-se a demanda que ocorre tam- bém entre os períodos de avaliação. Dessa forma, os cálculos passam a ser: , com ; Com T sendo o tempo entre análises na re- visão periódica. Kanban é uma metodologia de coordenação de estoques por meio do nível de estoque do ponto sucessor desenvolvido dentro da Toyota e amplamente difundido dentro das empresas automobilísticas por possibilitar um trabalho coordenado com itens de alto valor agregado, possibilitando uma produ- ção mais enxuta (evita-se superprodução, estoques desnecessários). A metodologia kanban melhor se aplica a sistemas produ- tivos que possuam demanda estável e baixa variedade de itens finais disponibilizados. Dentro dos sistemas kanban CNE existem dois tipos de sistema kanban, os sistemas kanban dois cartões e kanban um cartão. Unidade 6 • Sistemas de Coordenação de Ordens138/205 No sistema kanban dois cartões, existem dois tipos de cartões: o cartão R e o cartão P. No cartão R (ou cartão de requisição) são descritas as características do lote em que aquele material foi produzido como o nome do item produzido, quantidade produzida, onde foi produzido, para onde deverá ser encaminhado. Sua função é liberar a circu- lação de material produzido entre estações de trabalho. No cartão P são definidas as in- formações da ordem de serviço de um único setor produtivo, ficando esse cartão dispo- nível apenas dentro do centro de trabalho responsável por aquela etapa de trabalho. Cada centro de trabalho possui contene- dores na entrada e na saída de cada centro produtivo, na entrada esse contenedor tem um cartão R, com material a ser processa- do, e na saída um contenedor com cartão P e material já processado. Havendo uma re- quisição de um cliente o material que está no estoque de saída vai para esse cliente e o cartão P que estava no contenedor vai para o painel de produção desse centro de tra- balho; esse painel é dividido geralmente em três faixas de cores para descrever a priori- dade entre os cartões. Quando o operador do primeiro estágio do centro de trabalho está ocioso ele vai até o painel e seleciona o cartão P de maior prioridade, ele busca os materiais necessários para a produção do item nos contenedores com cartão R atre- lados a eles na entrada do centro de traba- lho. Conforme o operador coleta o material na entrada dos centros de trabalho os car- tões R atrelados a esses contenedores vol- tam aos centros de trabalho que enviaram o material como solicitação de mais material. Unidade 6 • Sistemas de Coordenação de Ordens139/205 Aoterminar o processo dentro do centro de trabalho, o contenedor que estava com um cartão P, troca de cartão para R, pois está disponível para ser requisitado na saída do centro de trabalho. No sistema de kanban um cartão há apenas o cartão P, toda vez que um centro de produção co- meça a utilizar um item já é liberado um cartão P para o processo antecessor iniciar a produção de um lote de reposição do item que está sendo utilizado. Para saber mais Reconhecido internacionalmente como um dos melhores sistemas de gestão da produção, o Sistema Toyota de Produção (STP) alia ideias de diversas áreas de estudo da Engenharia da Produção como Qua- lidade, Teoria das Organizações e Projeto de Unidades Produtivas. O STP vai além de definições de como uma indústria deve se organizar, gerando filosofias a serem seguidas por todos os níveis da empresa. Focado em uma produção mais enxuta, o STP busca por meio do seu sistema de coordenação de or- dens (kanban) evitar atividades que não gerem valor agregado (atividades que não são remuneradas pelo cliente), por exemplo, busca-se uma produção que evite estoques indesejados, pois o cliente não pagará mais caro porque aquele item estava estocado. Além disso, o STP é reconhecido pela valorização do ser humano e o desejo que aqueles que participam do sistema produtivo estejam sempre evoluindo, pois com profissionais mais qualificados as soluções propostas por eles também terão melhores resultados. Unidade 6 • Sistemas de Coordenação de Ordens140/205 5. Sistemas de fluxo programado São sistemas baseados no desdobramento do Programa Mestre de Produção em ne- cessidades de itens finais com base de de- cisão centralizada em um escritório de PCP, por isso são também conhecidas como sis- temas de programação centralizada. São seus maiores expoentes: os métodos Plane- jamento de Requisições de Materiais (MRP, em inglês) e seu sucessor o Planejamento de Recursos de Manufatura (MRP II, em inglês). O MRP permite que com base na produção de itens finais consigam se definir as quanti- dades e momento de início de processo dos itens que constituirão esses itens finais. O MRP II que pode ser considerado uma evo- lução do MRP considera também a alocação de recursos, definindo assim que irá produ- zir e se há capacidade produtiva para a pro- dução dos itens finais considerados. A execução do MRP e MRP II só é possível pela existência das Listas de Materiais e Flu- xograma dos Processos Produtivos dos itens finais considerados, sendo também neces- Link No artigo de Débora Barbosa Guedes, “A aplica- bilidade do Kanban e suas vantagens enquanto fer- ramenta de produção numa indústria calçadista da Paraíba”, há um caso bem-sucedido de imple- mentação de kanban em uma indústria. Disponí- vel em: <http://www.abepro.org.br/bibliote- ca/enegep2010_TN_STP_113_745_15156. pdf>. Acesso em: 4 out. 2017. Unidade 6 • Sistemas de Coordenação de Ordens141/205 sários dados dos estoques atuais (seja de matéria-prima, componentes ou itens acabados) e o Programa Mestre da Produção, afinal o MRP/MRP II é um desdobramento dos valores levantados com o MPS. Outros parâmetros extremamente importantes às definições de produção no MRP/MRP II são a definição do tamanho dos lotes a serem produzidos, estoques de segurança e os leadtimes con- siderados no processo. Com base nesses dados disponibilizados, o MRP/MRP II realiza cálculos para verificar quando um processo deverá ser iniciado para que seus produtos cheguem a tempo, sem prejudicar o enca- deamento de atividades, e a real necessidade desses itens uma vez que considera os estoques disponível desses itens. Para o cálculo dessa necessidade bruta se dá o nome de netting e a para parametrização para o período correto evitando atrasos se dá o nome de offsetting. O Quadro 1 exemplifica um cálculo de netting e offsetting. Quadro 1 - Exemplo de quadro com cálculo de netting e offsetting Item: xxx Leadtime = 1 Período 0 1 2 3 4 5 6 7 8 Necessidade Bruta = (MPS) 0 650 0 650 0 650 0 650 Recebido 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Unidade 6 • Sistemas de Coordenação de Ordens142/205 Item: xxx Leadtime = 1 Período 0 1 2 3 4 5 6 7 8 Estoque 0 0 -650 0 0 0 0 0 0 Netting 0 0 650 0 0 0 0 0 0 Offsetting 0 650 0 0 0 0 0 0 0 Lote de produção 0 650 0 0 0 0 0 0 0 Fonte: adaptado de Fernandes (2010, p. 137). Reparem que o cálculo de netting apenas verifica a necessidade real, não havendo estoque do item seu valor é igual ao que vem do MPS, já o offsetting considera o valor de leadtime, que no caso é =1, e desloca o valor provindo do netting para o período em que a produção deve ser executada para não haver atrasos no sistema produtivo. Link No artigo de Rodolfo Florence Teixeira Junior, Flavio César Faria Fernandes e Néocles Alves Pereira, “Apli- cação e operacionalização do sistema de coordenação de ordens period batch control (PBC) em fundições de mercado”, apresenta-se uma outra metodologia de fluxo programado utilizada para produção em lotes o Period Batch Control (PBC), em inglês ou Controle por Período de Lote, aplicado a uma empresa produtora de molde. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2007_tr570427_8997. pdf>. Acesso em: 4 out. 2017. Unidade 6 • Sistemas de Coordenação de Ordens143/205 Glossário Produção enxuta: conceito que busca que as transformações que acontecem nos sistemas pro- dutivos ocorram com a máxima eficiência, gerando a menor utilização de recursos ou máxima saída de bens ou serviços do processo produtivo a partir da mesma quantidade de recurso. Kanban: do japonês, significa sinal. Metodologia utilizada na indústria para sinalizar necessida- des produtivas no chão de fábrica por meio de cartões e painéis. Contenedor: dispositivo utilizado para transporte e estoque de itens produzidos durante o pro- cesso produtivo. Nível de serviço: parâmetro que define qual o percentual de pedidos que será atendido com cer- teza. Seu valor vem da distribuição da curva Normal. Questão reflexão ? para 144/205 Em nossas andanças pelo supermercado percebemos que as pra- teleiras estão sempre completas ou, pelo menos, bem próximas de estarem completas. Isso ocorre porque há a preocupação de o fluxo ser programado dessa forma, para sempre haver material dispo- nível para os consumidores. Agora imagine se o sistema de coor- denação das ordens de serviço fosse outro, por níveis de estoque, quando a prateleira estivesse começando a ficar vazia, o repositor viesse para completá-la. Agora pense nas atividades e nos esto- ques internos do supermercado, como será regulada a liberação de ordens de compra junto aos fornecedores: pedidos programados ou conforme nível de estoque? Por que não um sistema híbrido? 145/205 Considerações Finais (1/2) • Sistemas de Coordenação de Ordens (SCO) são sistemáticas definidas para o desdobramento da execução de itens finais, a fim de atender às necessi- dades de produtos, podendo ser descritas em três macro grupos: Sistema de coordenação por pedido programado; sistema de coordenação por fluxo programado e sistema de coordenação por nível de estoque; • Pedido programado é a ideia de itens com grande variedade de execução e baixa repetitividade de pedidos. Dois grandes expoentes são vistos: o siste- ma de programação por contrato, que é gerido pela sistemática de gestão de projetos; e o sistema de alocação de encomendas, que trabalha com pro- gramações conforme a entrada de pedido; 146/205 Considerações Finais (2/2) • Sistemas de coordenação de ordens chamados de controle por nível de esto- ques são aqueles que consideram os níveis de estoque de atividades/tarefas subsequentes e quando se atinge um ponto mínimo (seja o fim do material em um contenedor ou um ponto de ressuprimento) é liberada uma ordem decompra/produção para suprir essa necessidade. São exemplos dessa sis- temática os sistemas kanban, processos de revisão contínua e processo de revisão periódica; • No Sistema de Coordenação de ordens por fluxo programado se trabalha com o congelamento do Programa Mestre de Produção, avaliando todos os materiais e componentes necessários para execução desses itens, além de verificar em qual momento os itens devem ser iniciados para evitar atrasos na entrega do sistema produtivo; Unidade 6 • Sistemas de Coordenação de Ordens147/205 Referências CORREA, H. L.; GIANESI, I. G. N. Just in time, MRP II e OP: um enfoque estratégico. 2. ed. São Pau- lo. Atlas, 1996. FERNANDES, F. C. F.; GODINHO FILHO, M. Planejamento e controle da produção: dos funda- mentos ao essencial. São Paulo. Atlas, 2010. MONDEN, Y. Toyota production system. Industrial Enginerring and Management Press, Nor- cross, GA, 1993. SIPPER, D.; BULFIN JR., R. L. Production planning, control and integration. Nova Iorque. MC- Graw-Hill, 1997. VOLLMANN, T. E.; BERRY, W. L.; WHYBARK, D. C. Manufacturing planning and control systems. 4. ed. Nova Iorque. MCGraw-Hill, 1997. 148/205 Assista a suas aulas Aula 6 - Tema: Sistema de Coordenação de Or- dens. Bloco I Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ c4d3fc56f178d0a4d3eee3a69517959d>. Aula 6 - Tema: Sistema de Coordenação de Or- dens. Bloco II Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f- 1d/4c3c4b410a2a9c979c9f7413f1902b7a>. 149/205 1. Assinale a alternativa que define corretamente “Sistema de Coordenação de Ordens”. Questão 1 a) Regra máxima de um processo produtivo. b) Fórmula padrão do controle da produção. c) Métodos analíticos que buscam gerar uma sistemática de liberação das ordens de serviço (produção/compra). d) Diretrizes de armazenagem da empresa. e) Políticas públicas de melhoria contínua nos processos das empresas. 150/205 2. Com relação ao sistema de pedido controlado, assinale a alternativa correta. Questão 2 a) Verifica-se quantas pessoas são necessárias para produzir apenas um produto. b) Avalia-se o nível de estoque das atividades/tarefas subsequentes para iniciar a produção de determinado item. c) Por possuir alta variabilidade de itens finais e baixo volume de utilização, não é possível gerar estoque dos itens finais nesse sistema. d) Gera-se um desdobramento do MPS, orientando um volume a ser produzido no período e em períodos anteriores. e) Define-se a que horas o pedido vai estar pronto. 151/205 3. Assinale a alternativa correta. Em um sistema controlado por nível de estoque: Questão 3 a) Verifica-se quantas pessoas são necessárias para produzir apenas um produto. b) Avalia-se o nível de estoque das atividades/tarefas subsequentes para iniciar a produção de determinado item. c) Por possuir alta variabilidade de itens finais e baixo volume de utilização, não é possível gerar estoque dos itens finais nesse sistema. d) Gera-se um desdobramento do MPS, orientando um volume a ser produzido no período e em períodos anteriores. e) Define-se a que horas o pedido vai estar pronto. 152/205 4. Assinale a alternativa correta. Em sistema de fluxo programado: Questão 4 a) Verifica-se quantas pessoas são necessárias para produzir apenas um produto. b) Avalia-se o nível de estoque das atividades/tarefas subsequentes para iniciar a produção de determinado item. c) Por possuir alta variabilidade de itens finais e baixo volume de utilização, não é possível gerar estoque dos itens finais nesse sistema. d) Gera-se um desdobramento do MPS, orientando um volume a ser produzido no período e em períodos anteriores. e) Define-se que horas o pedido vai estar pronto. 153/205 5. Assinale a alternativa correta. Sistemas kanban e MRP são exemplos de, respectivamente: Questão 5 a) Sistema controlado por nível de estoque e sistema de fluxo programado. b) Sistema de fluxo programado e sistema controlado por nível de estoque. c) Sistema controlado por nível de estoque e sistema de pedido controlado. d) Sistema de fluxo programado e sistema de pedido programado. e) Sistema de fluxo programado e sistema de pedido controlado. 154/205 Gabarito 1. Resposta: C. Em SCO, busca-se uma sistemática que me- lhor organiza o fluxo de materiais e informa- ções em um sistema produtivo. 2. Resposta: C. Sistema utilizado para coordenação de construção de pontes, prédio e afins, possui alta variabilidade de itens finais possíveis, utilizando a sistema de gestão de projetos. 3. Resposta: B. Sistema utilizado para coordenação base no estoque do processo subsequente. 4. Resposta: A. Sistema utilizado para coordenação base- ado no congelamento do Programa Mestre de Produção, fazendo com que todas as ati- vidades/tarefas no sistema sejam executa- das para garantir que o fluxo programado ocorra. 5. Resposta: A. Kanban é o maior expoente dos sistemas de controle por nível de estoque e o MRP um dos principais sistemas controlados por flu- xo programado. 155/205 Unidade 7 Controle de Estoques 1. Objetivos 1. Compreender o significado de esto- ques e suas aplicações nas organiza- ções modernas; 2. Calcular lotes econômicos de produ- ção e compra, destacando seus pon- tos fortes e pontos fracos; 3. Conseguir parametrizar pontos de ressuprimento em estoques contro- lados por revisão periódica e revisão contínua. Unidade 7 • Controle de Estoques156/205 2. Introdução Trataremos agora sobre controle de esto- ques, mais precisamente de sistemas de controle de estoques. Anteriormente, abor- damos sistemas que utilizam a posição do estoque da atividade subsequente para de- finição da necessidade de produção ou não, em que os sistemas de fluxo controlado a posição do estoque ajudava a definir a ne- cessidade líquida de itens a serem produzi- dos. Apenas com esses dois exemplos já é possível observar a importância de uma boa sistemática para o controle de estoques. Há um consenso sobre a definição de es- toque que seriam os itens guardados para consumo posterior, sejam eles provindos de fornecedores internos ou externos. Porém, apesar de a definição de estoque ser con- sensual, a definição de sistema de controle de estoques não é. Existem divergências so- bre os sistemas de controle de estoque do ponto de vista contábil, fiscal e gerencial. No caso estudado será trabalhado com o ponto de vista gerencial. As decisões sobre estoques afetam dire- tamente os riscos que as empresas estão dispostas a ter para seus retornos, existem riscos de obsolescência de itens estocados, existe risco de falta de itens, se os estoques forem mal dimensionados, existe o risco do nível de serviço da empresa (capacidade de atendimento da empresa) ser afetado pela falta de estoques. Controlar estoques significa definir o que pedir, quando e quanto pedir. Além disso, o sistema definido para controle do esto- que deve conseguir definir quem emitirá o pedido de compra, garantir que a ordem de Unidade 7 • Controle de Estoques157/205 compra foi enviada, tendo todos seus dados arquivados (rastreio do registro de envio e do pedido). Itens de demanda independente são aque- les que a demanda do item independe das necessidades de qualquer outro item inter- no da organização. Podem-se considerar, dessa forma, itens finais como itens de de- manda independente, uma vez que a neces- sidade dos itens finais se dá conforme a ne- cessidade de um cliente externo à organiza- ção. Já itens de demanda dependentes são itens que a necessidade é definida por um cliente interno, estando diretamente liga- do à demanda de demandaindependente. Dessa forma, componentes e matérias-pri- mas são itens de demanda dependente, de- pendendo do item final dos quais eles fazem parte seja solicitado. Para saber mais Como um exemplo para distinção de itens de de- manda dependente e demanda independente tem-se o caso dos pneus de automóveis, que pode ser um item de demanda dependente ou indepen- dente, tudo dependerá de como ele está inserido no processo produtivo. Caso o pneu foi produzi- do como item de reposição (para ser vendido no caso de uma troca de pneu) ele será considerado um item de demanda independente, pois não faz parte da lista de materiais de outro produto da or- ganização, mas se o pneu foi produzido para fazer parte da montagem de um veículo, esse pneu faz parte da lista de materiais do produto veículo e, dessa forma, é um item de demanda dependen- te, a quantidade de pneus vendidos é influenciada pela quantidade de carros vendidos nesse caso. Unidade 7 • Controle de Estoques158/205 3. Custos de estoques Quando se fala em estoques é importante salientar os custos que podem ser represen- tados por eles, uma vez que, esses custos servirão de variáveis básicas para os cálcu- los de otimização de estoques, seja por exe- cução de um lote econômico de compra ou por um lote econômico de aquisição ou pelo acompanhamento do giro de estoque. Os principais constituintes dos custos de esto- que são: • Custo de aquisição: valor pago pelo bem adquirido; • Custo de pedido: custos inerente a re- alizar o pedido e acompanha-lo até sua chegada na empresa; • Custo de manter estoque: manter es- toque significa manter um capital alo- cado a esse estoque, um espaço para manter fisicamente esse estoque e a manutenção desses itens em estoque em si (obsolescência, avaria). A lite- ratura dispõe que o custo de estoque gira em torno de 30% a 50% do custo de aquisição do item estocado; • Custo de operação do sistema de con- trole de estoque. Com base nas definições demonstradas é possível agora definir alguns conceitos so- bre o controle de estoques. Primeiramente, será definido o giro anual de estoque. Essa medida é utilizada para verificar o tamanho do valor investido pela empresa que está imobilizado em estoques. Para seu cálculo são realizadas as seguintes etapas: Unidade 7 • Controle de Estoques159/205 1. Somar todo o valor de itens disponí- veis em estoque (quantidade de itens em estoque X o valor de cada item em estoque); 2. Realizar o cálculo de meses de supri- mento: 3. Realizar o cálculo do giro anual de es- toque: Com o cálculo realizado a tomada de deci- são sobre redução ou até mesmo o aumento do giro anual de estoque se dará por meio de benchmarking do segmento da sua em- presa, uma vez que com a redução de es- toque para valores próximos ao do concor- rente significa que a organização aumentou a liquidez de seus ativos ou com estoques muito baixos terá uma baixa oportunidade de entregar itens a seus clientes em prazos por eles demandados. Com base nos conceitos de custos de es- toque pode-se conceitualizar outra infor- mação para tomada de decisão: qual o lote econômico de aquisição. Primeiro, deve-se compreender o que é Custo Incremental To- tal Anual (CITA). Ele se dá pela soma de dois custos que podem ser minimizados por uma otimização das práticas de gestão de esto- que: o custo de manter estoque e custo de pedido. Sua fórmula é expressa por: Unidade 7 • Controle de Estoques160/205 • h = custo de manter uma unidade em estoque por ano; • Q/2 = estoque médio; • A = custo de um pedido; • D/Q = número de pedidos em um ano. Para uma forma que o CITA seja mínimo, depois de desenvolvimentos matemáticos chegamos a: Agora é definido o tamanho do lote ideal para compras (Q`). Para a definição de lote econômico de pro- dução (há distinção, pois em um você soli- cita materiais, no outro você deve conside- rar o processo produtivo) as considerações para o cálculo do lote econômico são: • A = passa a ser o custo de preparação de um equipamento; • O estoque passa a ser uma função do tempo, uma vez que o sistema produ- tivo está produzindo e consumindo itens para estoque ao mesmo tempo. No tempo T1 o estoque será máximo e o estoque máximo dividido por 2 será considerado estoque médio; Unidade 7 • Controle de Estoques161/205 Dessa forma, a fórmula para lote econômico de produção passa a ser: Algumas críticas são feitas ao modelo de lote econômico de produção e compra uma vez que a análise é feita única e exclusiva- mente com base em custos, não sendo le- vado em conta outras características im- portantes para a gestão da produção, como o balanceamento do fluxo; existência de es- toque remanescente pela maneira que são calculados os lotes econômicos e a análise de custos é baseada em estimativas que po- dem ser imprecisas, principalmente nos ca- sos de custos de preparação. Link No vídeo indicado, há uma apresentação mais de- talhada das etapas de cálculo do lote econômico de compra. Disponível em: <https://www.you- tube.com/watch?v=Pdp0A4bJu5E>. Acesso em: 4 out. 2017. Unidade 7 • Controle de Estoques162/205 4. Parametrizações de estoques Parametrização de estoque é a definição de, dependendo de como é feito o contro- le da posição do estoque, qual será o ponto de ressuprimento desse estoque, evitando faltas. Existem dois métodos principais de parametrização de estoques, seguindo uma revisão contínua da posição do estoque e com revisões periódicas da posição do es- toque. Para saber mais A fim de evitar o impacto que variações de de- manda ou do leadtime de entregas de fornecedo- res podem causar nas organizações, as mesmas decidem implementar posições mínimas de es- toque para realização de novos pedidos, essas posições ganharam o nome de estoques de se- gurança. Seu cálculo se dá da seguinte forma: • n é o fator de segurança escolhido pela orga- nização, representado em %; • D é a demanda média durante o leadtime. Unidade 7 • Controle de Estoques163/205 Considerando um sistema de revisão contínua quando o estoque chegar ao nível P, deve-se com- prar Q unidades desse item. Os cálculos de Q já foram demonstrados nesse tema, já P pode ser calculado da seguinte forma: • D L = demanda média durante o leadtime para entrega do item de estoque controlado; • s = estoque de segurança do item controlado. Link Apresentamos dois links sobre gestão de estoques, o primeiro é um vídeo sobre o futuro da gestão de estoque que já está acontecendo hoje com a empresa Amazon Go. Disponível em: <https://www.you- tube.com/watch?v=NrmMk1Myrxc>. Acesso em: 4 out. 2017. O segundo é um estudo de caso de ve- rificação de curva ABC em uma empresa atacadista, desenvolvido por Alef Michael Santos Argão et al., “Aplicação da curva ABC em uma empresa do setor atacadista no estado de Sergipe”, disponível em: <http:// www.abepro.org.br/biblioteca/TN_STO_226_319_28823.pdf>. Acesso em: 4 out. 2017. Interes- sante verificar o comportamento nos dois ambientes e as tendências que podem ocorrer no futuro. Unidade 7 • Controle de Estoques164/205 Quando se fala de item com controle de es- toque em sistema de revisão periódica, a posição do estoque não é acompanhada a cada variação do estoque, mas periodica- mente é executado um inventário verifican- do a posição em que o estoque se encontra. Com valor de Q já calculado resta agora pa- rametrizar o valor de M, que seria o ponto no qual deverá ocorrer a solicitação de ressu- primento de itens com estoque controlado por um sistema de revisão contínua. Dessa forma, tem-se: Sendo que: • D L+T = demanda média durante o lead- time para entrega do item de estoque controlado e otempo entre verifica- ções da posição do estoque (T); • s = estoque de segurança do item con- trolado. Unidade 7 • Controle de Estoques165/205 Para saber mais Controlar todos os itens estocados em uma organização pode ser extremamente dispendioso, por isso as organizações se utilizam de políticas para otimizações de seus controles, uma delas é a curva ABC para estoques. Ao Invés de controlar todos itens estocados a empresa elenca todos os itens estoques por valor em estoque, organizando essa lista dos itens de somatória de maior valor até o de menor valor. Com base nessa listagem são avaliados os itens correspondentes a 80% do valor total em estoque, esses itens serão considerados itens A e serão controlados por um sistema de revisão contínua; os itens cujos valores fica- rem entre 80% e 95% do total de custo em estoque serão considerados B e controlados por um sistema de revisão periódica; os demais itens serão itens C e poderão ser controlados por um sistema de revisão periódica ou por verificações visuais de nível de estoque. São itens que custa mais caro controlar o esto- que do que deixar itens estocados. Unidade 7 • Controle de Estoques166/205 Glossário Benchmarking: ato de pesquisar junto a outros atores do mercado informações sobre práticas desenvolvidas por eles. Ressuprimento: ato de repor recursos necessários para o sistema produtivo. Questão reflexão ? para 167/205 O supermercado é um grande estudo de caso para compreender me- lhor a sistemática de controle de estoques, afinal de contas ele é o estoque geral de todas as casas do mundo. A próxima vez que você for ao mercado poderá observar que os mercados “a moda antiga” trabalham com estoque controlado por revisão periódica, de tempo em tempo o gerente verifica as prateleiras e solicita ao repositor o abastecimento de itens que estão abaixo do nível mínimo conside- rado por ele. Alguns mercados mais modernos já trabalham com a ideia de revi- são contínua dos seus estoques com o controle sendo armazenado em um computador que a cada venda realizada dá baixa na quanti- dade de itens que estavam disponíveis nas prateleiras até chegar no ponto de ressuprimento e o encarregado ir repor itens na prateleira. Questão reflexão ? para 168/205 Atualmente, nos Estados Unidos ocorre uma nova revo- lução nas maneiras de controlar estoques em supermer- cados. Por meio de inteligência artificial e padrões de re- conhecimento conforme o produto sai da prateleira já é reconhecida a baixa de estoque, para uma reposição e conferência cada vez mais veloz. Como esse aumento na velocidade de aferição de estoques pode melhorar o de- sempenho dos supermercados? 169/205 Considerações Finais (1/2) • Estoque são os itens guardados para consumo posterior, sejam eles provin- dos de um fornecedor interno ou externo. Controle de estoque são as de- cisões sobre estoques que afetam diretamente os riscos que as empresas estão dispostas a ter para seus retornos, existem riscos de obsolescência de itens estocados, de falta de itens, se os estoques forem mal dimensionados, de risco do nível de serviço da empresa (capacidade de atendimento da em- presa) ser afetado pela falta de estoques; • Os custos de estoques servirão de variáveis básicas para os cálculos de oti- mização de estoques, seja por execução de um lote econômico de compra ou por um lote econômico de aquisição ou pelo acompanhamento do giro de estoque; • Estoque de segurança é uma determinada quantia de material que ficará disponível em estoque para que, independentemente das variações de de- manda, haja material disponível na empresa; 170/205 Considerações Finais (2/2) • A parametrização de estoques consiste em definir, baseado em históricos de demanda, estoques de segurança e níveis de atendimento predispostos pela diretoria, qual será o momento de comprar e quanto comprar. Unidade 7 • Controle de Estoques171/205 Referências CORREA, H. L.; GIANESI, I. G. N. Just in time, MRP II e OP: um enfoque estratégico. 2. ed. São Pau- lo. Atlas, 1996. FERNANDES, F. C. F.; GODINHO FILHO, M. Planejamento e controle da produção: dos funda- mentos ao essencial. São Paulo. Atlas, 2010. MONDEN, Y. Toyota production system. Industrial Enginerring and Management Press, Nor- cross, GA, 1993. SIPPER, D.; BULFIN JR., R. L. Production planning, control and integration. Nova Iorque. MC- Graw-Hill, 1997. VOLLMANN, T. E.; BERRY, W. L.; WHYBARK, D. C. Manufacturing planning and control systems. 4. ed. Nova Iorque. MCGraw-Hill, 1997. 172/205 Assista a suas aulas Aula 7 - Tema: Controle de Estoque. Bloco I Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ d0e9353963f3553f3cc78e0fe74510c5>. Aula 7 - Tema: Controle de Estoque. Bloco II Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f- 1d/841547b1412232f0eef1f71efebbbacc>. 173/205 1. Assinale a alternativa que caracteriza corretamente “Controle de esto- ques”. Questão 1 a) Definição de lotes de compra. b) Sistemática que rege a maneira como se deve comprar (quanto e quando) e alocar materiais na entrada e saída do sistema produtivo. c) Métodos analíticos que buscam gerar uma sistemática de liberação das ordens de serviço (produção/compra). d) Sistemática que rege a logística externa da organização. e) Sistemática que rege a logística interna da organização. 174/205 2. Assinale a alternativa que apresenta as diferenças entre lote econômico de compra (LEC) e de produção (LEP). Questão 2 a) O lote de econômico de compra considera reposições pontuais, enquanto o lote econômico de produção considera que o processo produtivo está constantemente repondo produtos no sistema. b) LEC considera o nível de estoque das atividades/tarefas subsequentes para iniciar a produ- ção de determinado item, enquanto o LEP considera a quantidade de produto na carteira de pedido. c) LEC considera apenas o custo de aquisição, LEP faz uma análise mais completa dos custos constituintes em um item. d) LEP é desdobramento do MPS, LEC é desdobramento do SCO de compras. e) LEC é definido no planejamento de longo prazo, LEP no planejamento de curto prazo. 175/205 3. Com relação a principal crítica ao Lote Econômico de Produção, analise os itens: Questão 3 I. Difícil contabilização de custos para gerar os cálculos. II. Não compreende a ideia de nivelamento da produção. III. Parametrização relacionada diretamente a demanda, que é variável. IV. Gera-se um desdobramento do MPS, orientando um volume a ser produzido no período e em períodos anteriores. Agora, assinale a alternativa que contempla apenas os itens corretos. a) I, III. b) I, II, IV. c) II, III. d) III, IV. e) I, II, III, IV. 176/205 4. Assinale a alternativa correta. Com relação às formas de cálculo, o sis- tema de revisão periódica e o sistema de revisão contínua diferem: Questão 4 a) Em considerarem nível de atendimento diferentes. b) Tamanhos de lotes para ressuprimento diferentes. c) Em atribuírem leadtimes diferentes para os mesmos fornecedores. d) Em considerarem para análise o tempo de demanda como o leadtime para revisão contínua e leadtime mais tempo entre revisões para os sistemas de revisão periódica. e) Sistema de revisão periódica utiliza estoque de segurança, sistema de revisão contínua não utiliza. 177/205 5. Com relação aos aspectos envolvidos na garantia do estoque de segu- rança, assinale a alternativa correta: Questão 5 a) O sistema sempre ficará abastecido. b) Independente da variação da demanda haverá produtos disponíveis. c) A posição do estoque sempre será confiável. d) O sistema de revisão continua serámais confiável. e) Diminui o impacto de variações de demanda. 178/205 Gabarito 1. Resposta: B. Sistema de Controle de Estoque busca defi- nir qual é o momento correto para execução de solicitações de ressuprimentos, afim de evitar estoques desnecessários e faltas no processo produtivos. 2. Resposta: A. O lote de econômico de compra considera reposições pontuais, enquanto o lote eco- nômico de produção considera que o pro- cesso produtivo está constantemente re- pondo produtos no sistema, de forma que a demanda passa a ser uma função do tempo. 3. Resposta: E. Difícil contabilização de custos para gerar os cálculos, pois algumas de suas variáveis são levantadas com base em estimativas; não compreende a ideia de nivelamento da produção, a análise é feita sobre o en- foque apenas de custos, acaba sendo uma análise de ótimo local, que não gera um ótimo global; parametrização relacionada diretamente a demanda, que é variável. 4. Resposta: D. Deve-se considerar o período entre avalia- ções de estoque, porém em um sistema de revisão contínua esse tempo é zero, ficando apenas o leadtime. 179/205 Gabarito 5. Resposta: E. O estoque de segurança serve como parâ- metro para que as compras ocorram de for- ma a não faltar o material, independente de variações de demanda. 180/205 Unidade 8 Estratégias de Produção 1. Objetivos 1. Compreender as atividades e concei- tos compreendidos na estratégia Just in time; 2. Entender as atividades estratégicas dentro o MRP-II; 3. Conseguir aplicar os conceitos da Teo- ria das Restrições. Unidade 8 • Estratégias de Produção181/205 2. Introdução No último tema serão vistas as estratégias que permeiam os sistemas produtivos. Es- tratégias de produção são princípios defini- dos para o controle e planejamento da pro- dução, determinando qual seria o melhor sistema de coordenação de ordens para um sistema produtivo. Nesse tema serão abor- dadas três estratégias produtivas: Just in Time, Planejamento de Recursos de Manu- fatura (MRP II, em inglês) e a Teoria da Res- trições. 2.1 Just in time Just in time (JIT) é a estratégia de controle da produção desenvolvida na Toyota, durante a década de 1970. Sua formulação se deu com objetivos competitivos da empresa, buscando a perpetuidade da empresa no mercado por meio de práticas que visavam à melhoria permanente, ampliar a fatia de mercado que a empresa detém, reduzir o tempo de resposta ao cliente (por meio de redução do tempo de fluxo dos materiais dentro da empresa) e a eliminação de des- perdícios. A Manufatura Enxuta (ME) difere do JIT, pois trata-se de uma estratégia de Gestão de Produção, que é mais complexo e com- pleto que uma estratégia de controle, pois visualiza também pontos de organização e liderança na produção. A ME pode então ser definida como uma abordagem na qual existe uma melhor maneira de gerenciar as interações entre uma empresa e seus clien- tes, sua cadeia de fornecedores e operações de tal forma que com menos recursos possa Unidade 8 • Estratégias de Produção182/205 se fazer mais, o JIT faz uma análise apenas das relações de controle ou ao controle re- lacionados. Os princípios do JIT podem ser relaciona- dos como direta ou indiretamente ligados ao PCP. Os princípios do JIT diretamente li- gados ao PCP são itens que afetam direta- mente etapas de controle ou planejamento da produção, como por exemplo o princípio de produção de lotes unitários que acaba afetando a forma como se executa o desdo- bramento de uma Programa Mestre de Pro- dução. Os princípios ligados indiretamente ao PCP podem ser utilizados em sistemas produtivos que sejam regidos por outras estratégias, é o exemplo do princípio da eli- minação de desperdícios, que pode ser utili- zado em qualquer sistema produtivo. Seguem os principais princípios ligados in- diretamente ao PCP: • Eliminação de desperdícios: desmem- brados como sete tipos de desperdí- cio para facilitar a visualização e ação de correção, corresponde ao processo de eliminar atividades que não agre- guem valor ao bem ou serviço. São co- nhecidos como os sete desperdícios: • Superprodução: produção acima do necessário; • Tempo de espera: erro de projeto de trabalho que faz com que a má- quina espere o homem ou que o homem espere a máquina; • Transporte: transferências internas de materiais não agregam valor; Unidade 8 • Estratégias de Produção183/205 • Processamento: quando o proces- so pelo qual o material passa não possui falhas que fazem com que se gastem mais recursos para atender ao mesmo resultado; • Estoque; • Movimento: relacionado a movi- mentações desnecessárias do co- laborador no ambiente de trabalho; • Produtos defeituosos: produtos defeituosos geram desperdícios de recursos que deverão ser descarta- dos e recursos que serão alocados para refazer o item descartado. • Envolvimento dos trabalhadores na tomada de decisão: os trabalhadores participam diretamente em diversos momentos de planejamento em sis- temas produtivos com a estratégia JIT. Eles fazem parte de grupos de me- lhoria contínua dentro do espaço de trabalho, possuem autonomia para solicitar paradas de linha, programam materiais (kanban) entre outras ativi- dades; • Gestão da Qualidade Total (TQM, em inglês): é um conjunto de ferramen- tas de controle da qualidade que o JIT utiliza. O apelo pela qualidade é mui- to grande dentro da estratégia JIT, fa- zendo uso de ferramentas estatísticas e de gestão para análise de variações do sistema produtivo, suas correções e possíveis melhorias. Entre as ferra- mentas utilizadas no TQM estão os Unidade 8 • Estratégias de Produção184/205 diagramas de Ishikawa, Pareto, his- togramas, listas de verificações entre outros; • Recebimentos just in time: a ideia de receber materiais exatamente no mo- mento necessário, de difícil ocorrên- cia no cotidiano das empresas por depender de uma série de variáveis, como fatores logísticos, fatores exter- nos de produção (fornecedores, ser- viços terceirizados etc.) e internos de produção (quebra de máquinas, falta de energia, entre outros); • Melhorias: a busca pela melhoria está no cerne do JIT. Nessa estratégia de produção existem dois tipos de me- lhoria: incremental ou radical. A in- cremental se dá por meio da melhoria contínua com acerto de parâmetros, resultado de um processo iterativo de melhorias pequenas ao longo do tem- po; a radical se dá por um salto quali- tativo grande, que pode ser realizado por meio de incremento de uma nova tecnologia; • Funcionários multifuncionais: colabo- radores que desempenhem múltiplas tarefas dentro de um sistema produ- tivo são cruciais para a estratégia JIT, pois o absenteísmo não pode afetar o fluxo de materiais da empresa e ao mesmo tempo não deve haver ociosi- dades de colaboradores; • Zero defeito (Ferramentas de Controle da Qualidade): metodologias de con- trole de qualidade que garantem a não Unidade 8 • Estratégias de Produção185/205 existência de defeitos no sistema pro- dutivo, a fim de evitar o desperdício de recursos. Ferramentas de controle estatístico são extremamente impor- tantes para execução de controle. Al- gumas ferramentas seriam: • Poka-yoke é uma ferramenta utili- zada na sistemática de zero defei- tos, essa ferramenta utiliza de um projeto de trabalho que evita erros não intencionais; • Para verificação de desvios no pro- cesso produtivo a ferramenta uti- lizada é o controle estatístico de processo, que calcula limites ad- missíveis de variação de atributos (características de produtos ou serviços), qualquer variação fora desses valores gera parada de linha para correções. Na aparição de se- quências de seis valores, subindoou descendo, também é aconse- lhada a parada de linha; • Jidoka seriam máquinas que detec- tam automaticamente variações no processo produtivo; • Quando ocorre uma falha no sis- tema produtivo, conhecida como efeito, existem ferramentas para verificar suas causas. Entre as fer- ramentas para identificação dessas causas existe o diagrama de cau- sa-efeito ou diagrama espinha de peixe ou diagrama de Ishikawa. O diagrama dispõe o efeito apresen- tado e seis possíveis macro causas, Unidade 8 • Estratégias de Produção186/205 conhecidos como 6Ms (método, mão de obra, máquina, métrica, meio ambiente, maté- ria-prima). Para saber mais A descrição do diagrama de Ishikawa em 6Ms é: • Método: problemas referentes ao processo produtivo, o método definido não é robusto, gerando des- vios produtivos; • Mão de obra: problemas referentes à variação do colaborador ou de colaboradores com habilidades diferentes, disposições que, em operações manuais, geram variações de processo; • Máquina: problemas referentes a variações de maquinário, seja por defeito de equipamento, ou por equipamento inadequado para a produção de determinado item; • Métrica: problemas referentes a equipamentos utilizados para análise dos atributos, se o equipamen- to apresenta problemas de aferição lotes de produtos bons podem ser reprovados ou lotes de produ- tos ruins podem aprovados; • Meio ambiente: problemas referentes a ambiente em que o colaborador está inserido. Falta de lumino- sidade, calor, vibração são causas ambientais; • Matéria-prima: problemas referentes a variações nas matérias-primas entrantes no sistema. Unidade 8 • Estratégias de Produção187/205 No JIT relacionado diretamente ao PCP: • A estratégia de uma produção puxada, o estoque do cliente define os itens a serem produzidos; • Regulação de fluxo produtivo, com trabalho interno nas células produ- tivas organizado em padrão de fluxo flow shop; • Eliminação de mão de obra indireta para as etapas de controle da produ- ção. A ideia de auto gerência se faz presente no chão de fábrica em em- presas regidas por estratégias JIT. A existência do kanban é um exemplo de autogestão no chão de fábrica; • Redução de tempos de setup; • O JIT prega utilização da manufatu- ra celular ou tecnologia de grupo que seria a divisão de grupos de maquiná- rio dedicados a famílias de produtos; • Fluxo de peças unitário: etapa mais difícil de execução dentro de um pro- cesso produtivo. É a ideia de os lotes de transferências internas dentro da manufatura celular serem unitários. Essa maneira de trabalhar ajuda a evi- tar estoques intermediários, o tempo de fluxo também é reduzido, reagir a variações de demanda de maneira mais rápida e perceber mais rapida- mente problemas de qualidade. Unidade 8 • Estratégias de Produção188/205 2.2 MRP-II (Manufacturing Re- sources Planning, Planejamen- to de Recursos de Manufatura) O MRP-II trabalha com o planejamento dos recursos que serão utilizados pelos siste- mas produtivos. Pode ser considerado como uma estratégia de produção, pois define po- sições de como se trabalhará o sistema pro- dutivo em relação fluxo de materiais – fluxo de informação, projeções de fabricação e retroalimentação com dados de controle. Entre as atividades realizadas pelo MRP-II estão atividades que foram tratadas em te- mas anteriores: • Previsão de demanda; • Planejamento agregado da produção; • Programa Mestre de Produção; • Planejamento de materiais; • Análise de Capacidade (RCCP); • Controle de estoques; • Controle de fábrica. Link No vídeo indicado apresenta-se uma maneira in- teressante como o JIT apareceu na Toyota e a men- talidade existente por trás dessa estratégia. Dis- ponível em: <https://www.youtube.com/wat- ch?v=f0fvaD7U0Yo>. Acesso em: 4 out. 2017. Unidade 8 • Estratégias de Produção189/205 2.3 TOC (Theory of Constraints, Teoria das Restrições) Desenvolvida pelo físico israelense Eliyahu Goldratt e apresentada no livro “A meta” em que Goldratt apresenta também sua sistemática de programação de produção, o OPT (Optimized Production Technology, Tec- nologia de Produção Otimizada). Para saber mais Controle do chão de fábrica é a ideia de definir o encadeamento, o agendamento das atividades que serão realizadas no centro de trabalho da or- ganização. Esse agendamento perpassa por mé- todos heurísticos se valendo principalmente de três atividades: liberação, programação de ope- rações e apontamento de produção. Liberação compreende a liberação de ordens de serviço, programação é alocação/agendamento de tare- fas por centro de trabalho, e o apontamento cor- responde ao acompanhamento das etapas exe- cutadas, calcular indicadores de desempenho e retroalimentação para novos planejamentos. Unidade 8 • Estratégias de Produção190/205 O TOC é regido por 11 princípios: 1. Balancear o fluxo não a capacidade. A capacidade produtiva é o quanto os centros de trabalho conseguem produzir, o fluxo tem a ver com trans- ferências entre os centros de traba- lho, com um fluxo balanceado esto- ques e leadtimes são otimizados; 2. Utilização dos não gargalos é deter- minada pelas restrições impostas pelos gargalos. Atividades gargalos definem a utilização de todos os ou- tros centros de trabalho; 3. Ativar recurso não gargalo nem sem- pre é utilizar tal recurso. Ao utilizar um não gargalo em momento desne- cessário (não existem necessidades Para saber mais O OPT é um sistema informatizado que busca a coordenação de ordens de produção de uma ma- neira otimizada, via modelagem matemática. Se demonstra mais adequado para sistemas semir- repetitivos (sistemas com mais de 25% das ta- refas não repetitivas e mais de 25% das tarefas repetitivas) com vantagens quanto à redução de leadtimes e estoques. Quanto a limitações são apresentados os altos custos de implementação do sistema OPT, dificuldades de a modelagem das empresas alinhar com os módulos apresentados dentro do OPT, além de fluxos de informação di- ferentes entre os encontrados dentro das empre- sas e os apresentados pelo OPT. Unidade 8 • Estratégias de Produção191/205 para atendimento de clientes) serão gerados estoques desnecessários; 4. Uma hora perdida em um gargalo é uma hora perdida no sistema todo. Os gargalos definem o ritmo de sa- ída de produtos de um sistema, se o gargalo perdeu uma hora de produ- ção o sistema inteiro ficou uma hora sem produzir; 5. Uma hora economizada em um não gargalo é uma miragem. A capacida- de produtiva de um sistema é definida pelo gargalo, qualquer melhoria ge- rada fora do gargalo é uma melhoria sem valor efetivo para o sistema; 6. Gargalos governam o volume de produção e o volume de estoque em processo. Se os gargalos definem o ritmo de produção, eles também definem a quantidade de peças que ficarão em estoques intermediários, pois toda vez que um não gargalo gerar um componente mais rápido que a velocidade do gargalo aquele componente torna-se um estoque em processo; 7. Lote de transferência nem sem- pre é igual a lote de processo. Lote de transferência é a quantidade de componentes transladados entre centros de trabalhos ou até mes- mo linhas produtivas. Quando se trabalha com lote de transferência unitário pode-se dizer que o lote de transferência é igual ao lote de pro- cesso, quando se agrupa componen- Unidade 8 • Estratégias de Produção192/205 tes para transferência tem-se que o lote de transferência difere do lote de processo; 8. Lotes de processos devem ser variá- veis. Dessa forma, evita superprodu- ção, produzir apenas o necessário; 9. Se algo puder dar errado, irá dar er- rado (Lei de Murphy). Evitar transtor- no ouisolá-los por meio de estoques de segurança em pontos estratégi- cos do sistema produtivo; 10. Soma de ótimos locais não gera um ótimo global. Centros de trabalho otimizados individualmente não re- vertem um em sistema otimizado, deve haver nivelamento entre os centros para gerar uma otimização global do sistema; 11. A sistemática TOC deve sempre ser utilizada para melhorar o desem- penho de um sistema de produção. Sistemática TOC é a ideia de investi- gar o gargalo (restrição do sistema) e otimiza-lo. Consiste de cinco etapas: • Identificar a restrição; • Desenvolver plano de ação para melhoria de desempenho na restri- ção (para desenvolvimento pesqui- sar sobre ciclo PDCA); • Transformar o sistema produtivo em função dessa restrição; • Melhorar o desempenho da restri- ção; • Reiniciar o processo de investiga- ção agora para uma nova restrição. Unidade 8 • Estratégias de Produção193/205 Link No artigo de Simone Cristina Kopak, “Modelo con- ceitual de sistema de gestão da produção baseado na Teoria das Restrições”, apresenta-se um modelo de aplicação da Teoria das Restrições em uma em- presa conceitual. Disponível em: <http://www. abepro.org.br/biblioteca/enegep2006_ TR450301_7757.pdf>. Acesso em: 4 out. 2017. Já no vídeo <https://www.youtube.com/wat- ch?v=HOioT4CAnOo>, acesso em: 2 out. 2017, é feita uma apresentação resumida dos conceitos da Teoria da Restrição. Unidade 8 • Estratégias de Produção194/205 Glossário Centro de trabalho: unidade espacial mínima para a agregação de valor, espaço definido para o trabalho de um colaborador contando as máquinas/ferramentas por ele utilizadas, recursos necessários para a execução da atividade (iluminação, bancada, energia elétrica entre outros exemplos). Gargalos: centro de trabalho cujo tempo de processo é superior ao tempo de processo de outros centros de trabalho do mesmo sistema produtivo, gerando acúmulo de componentes/matérias- -primas no mesmo. Setup: tempo necessário para o ajuste de um centro de trabalho para execução de um novo lote de processo. Questão reflexão ? para 195/205 Terminando a visita ao supermercado, você pode observar uma sé- rie de conceitos de Gestão da Produção sendo executados. Mesmo com sistemas gerenciais diferentes, as estratégias de produção po- dem ser utilizadas em um supermercado. A maneira como os ma- teriais são repostos em uma prateleira representam a estratégia JIT, uma vez que se busca evitar superestoques, com uma reposição ocorrendo de maneira puxada. Toda a operação é baseada em uma estratégia de resposta à demanda de feito para estoque, que preci- sa de uma previsão de demanda para definir níveis desse estoque, que são calculados na estratégia de MRP-II. Da Teoria das Restri- ções, o que você observa em um supermercado? 196/205 Considerações Finais • Just in time (JIT) é a estratégia de controle da produção desenvolvida na Toyo- ta, durante a década de 1970. Entre as atividades desenvolvidas na estra- tégia JIT estão: eliminação de desperdício, envolvimento dos colaboradores na tomada de decisões, zero defeitos, gerenciamento por qualidade total e melhorias contínuas; • MRP-II é uma estratégia focada na manutenção de um fluxo de materiais. Entre as atividades regidas por essa estratégia estão previsão de demanda, Planejamento agregado da produção, Programa Mestre de Produção, Pla- nejamento de Materiais, Análise de Capacidade (RCCP), Controle de Esto- ques, Controle de Fábrica; • A Teoria das Restrições busca otimizar a utilização de recursos produtivos ao otimizar posições de estoques e diminuir o tempo de passagem dos ma- teriais pelo sistema produtivo. Unidade 8 • Estratégias de Produção197/205 Referências CORREA, H. L.; GIANESI, I. G. N. Just in time, MRP II e OP: um enfoque estratégico. 2. ed. São Pau- lo. Atlas, 1996. FERNANDES, F. C. F.; GODINHO FILHO, M. Planejamento e controle da produção: dos funda- mentos ao essencial. São Paulo. Atlas, 2010. MONDEN, Y. Toyota production system. Industrial Enginerring and Management Press, Nor- cross, GA, 1993. SIPPER, D.; BULFIN JR., R. L. Production planning, control and integration. Nova Iorque. MC- Graw-Hill, 1997. VOLLMANN, T. E.; BERRY, W. L.; WHYBARK, D. C. Manufacturing planning and control systems. 4. ed. Nova Iorque. MCGraw-Hill, 1997. 198/205 Assista a suas aulas Aula 8 - Tema: Estratégias de Produção. Bloco I Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f- 1d/4ac868b84ad1e0b9b973eda129b88e31>. Aula 8 - Tema: Estratégias de Produção. Bloco II Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ b6b04a148bc0e74198b51f7cb3aa9f21>. 199/205 1. Com relação às práticas do JIT, analise os itens a seguir: Desenvolvimento de melhoria contínua. Sistemas produtivos puxados. Objetivo de produção zero defeitos. Grande participação dos colaboradores do chão de fábrica. Agora, assinale a alternativa que contém os itens corretos: a) II, IV. b) I, III, IV. c) I, II, III. d) II, III. e) I, II, III, IV. Questão 1 200/205 2. Entre as atividades que ocorrem no MRP-II, não pode ser citado: Questão 2 a) Previsão de demanda. b) Planejamento agregado da produção. c) Programa Mestre de Produção. d) Kanban. e) Análise de Capacidade (RCCP). 201/205 3. Dentre os princípios da Teoria das Restrições, julgue os itens a seguir em V (verdadeiro) ou F (falso). Questão 3 ( ) Balancear o fluxo não a capacidade. ( ) Utilização dos não gargalos é determinada pelas restrições impostas pelos gargalos. ( ) Ativar recurso não gargalo nem sempre é utilizar tal recurso. ( ) Uma hora economizada em um não gargalo é uma miragem. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: a) V, V, V, F. b) F, V, F, V. c) F, F, V, F. d) V, V, F, V. e) V, V, V, V. 202/205 4. Assinale a alternativa que apresenta itens que podem ser correlaciona- dos: Questão 4 a) JIT e o sistema de coordenação de ordens MRP. b) MRP-II e o sistema de coordenação de ordens kanban. c) JIT e o sistema de coordenação de ordens kanban. d) JIT e o sistema de coordenação de ordens OPT. e) MRP-II e o sistema de coordenação de ordens OPT. 203/205 5. Assinale a alternativa correta. Sistemas MRP pode ser relacionado à estra- tégia de produção: Questão 5 a) MRP-II. b) JIT. c) OPT. d) TOC. e) POLCA. 204/205 Gabarito 1. Resposta: E. No JIT se estimula o desenvolvimento de melhoria contínua, os sistemas produtivos são puxados, objetivo de produção zero de- feitos e grande participação dos colabora- dores do chão de fábrica. 2. Resposta: D. Kanban é o sistema de coordenação de or- dens utilizado pela estratégia JIT. 3. Resposta: E. Todos os itens citados fazem parte dos 11 princípios da Teoria da Restrições. 4. Resposta: C. Kanban é o sistema de coordenação de or- dens do JIT. 5. Resposta: A. Sistema de coordenação de ordens MRP são regidos por MRP-II que consideram além dos materiais a serem utilizados outros re- cursos, como recursos de mão de obra.