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Pé diabético

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− Comprometimento das fibras nervosas autonômicas determina alterações no pé decorrentes dessa 
autossimpatectomia. 
− Nas alterações autônomas (fibras amielínicas simpáticas), há perda da função das glândulas sudoríparas 
(ANIDROSE), gerando pé seco. A pele do pé se torna seca e descamativa, o que facilita aparecimento de 
rachaduras, lesões e entrada de bactérias 
− A lesão das fibras simpáticas promove aumento dos shunts, levando a vasoconstrição das arteríolas. Assim há 
mais irrigação no centro do pé que na periferia. Assim, a pele e subcutâneo ficam com irrigação enfraquecida. 
Assim, quando há lesão superficial no pé, há maior dificuldade para cicatrização divido ao déficit de irrigação 
NEUROPATIA SENSITIVA 
− Inicialmente o quadro da neuropatia diabética é essencialmente sensitivo, manifestando-se com 
parestesias, cãibras e perda sensorial nos dedos e nos pés; comprometimento das fibras finas 
relacionadas com a transmissão de sensibilidade dolorosa pode ocasionar dissociação tátil-térmica 
dolorosa, com anestesia térmico-dolorosa e sensibilidade tátil conservada. 
− Numa fase posterior surge a anestesia em bota e manifestações de comprometimento da sensibilidade 
profunda (vibratória e proprioceptiva). Nessas condições, o paciente apresenta instabilidade na marcha, 
particularmente quando caminha em ambientes escuros e terrenos irregulares, com maior risco de quedas. 
− Neuropatia de longa duração pode provocar comprometimento de fibras grossas em muitos pacientes, o 
que resulta em perda da sensação protetora com risco de o paciente apresentar ulceração no pé. 
− Ele perde a capacidade de perceber e reagir a traumas de qualquer natureza nos pés, criando condições 
para aparecimento de infecções. 
− Neuropatia dolorosa ocorre em cerca de 25% dos diabéticos e se manifesta por dor em queimação, 
sensação de agulhadas ou tipo um choque elétrico nos pés, com exacerbação noturna. 
− Hiperestesia cutânea com intolerância ao simples toque ou roçar da roupa de cama é frequente nessas condições. 
É preciso distingui-la da dor de repouso decorrente de isquemia crítica, pois a arteriopatia obstrutiva também é 
frequente no diabético. 
− O paciente pode relatar dor profunda, em pontada, formigamento e adormecimento nos dedos e sensação de pés 
permanentemente frios. 
− Hipoestesia dolorosa e térmica juntamente com alterações vasomotoras – palidez alternando com rubor e cianose 
– e eventualmente verdadeira alodinia constituem achados clínicos. 
− O déficit na sensação pode gerar dor, queimação ou anestesia/hipoestesia no pé 
NEUROPATIA MOTORA 
− Determina alterações estruturais nos pés que, associadamente à insensibilidade decorrente do 
comprometimento das fibras nervosas sensitivas, favorecem o aparecimento de lesões tróficas. 
− Quando as alterações neuropáticas envolvem a musculatura intrínseca dos pés (lumbricais e interósseos), com 
diminuição de força e posterior atrofia desses músculos, em particular os músculos interósseos, aparece 
uma deformidade característica: dedos em martelo onde eles são mantidos em dorsiflexão nas articulações 
metatarsofalangianas com flexão nas articulações interfalangianas e maior pressão na cabeça dos 
metatarsianos. 
− Calosidades e lesões ulceradas nas extremidades dos dedos e na região dorsal das articulações 
interfalangianas podem ocorrer com risco de infecção. 
− A neuropatia periférica, manifestando-se precocemente, é considerada o principal fator de risco para 
úlceras no pé, pois a perda da sensibilidade protetora aumenta a vulnerabilidade ao trauma. 
− Alterações estruturais do pé decorrentes da neuropatia motora associadas à disfunção autonômica 
também contribuem para o aparecimento dessas lesões tróficas cutâneas. 
 
 
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− O encurtamento dos tendões pode gerar dedo em garra. Há maior pressão no nível dos metatarsos, gerando o 
encurtamento deles 
− O centro de equilíbrio de pisada do pé passa para a região anterior. Isso propicia o surgimento de lesões, devido 
a maior pressão exercida sobre a área 
 
− Outra causa de alteração na configuração estrutural dos pés é o comprometimento ósseo e articular que 
determina queda dos arcos do pé e o surgimento de novos pontos de pressão na região plantar, 
favorecendo a ocorrência de lesões ulceradas, o chamado mal perfurante plantar ou úlcera neurotrófica 
plantar. 
 
 Úlcera neurotrófica plantar Mal perfurante plantar 
 
 
 
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Pé diabético com dedos em martelo Lesão ulcerosa com dedo em martelo 
− O pé insensível faz com que o paciente continue deambulando, traumatizando e ampliando essas lesões 
que terminam por se infectar. 
− Geralmente essas úlceras são observadas em extremidades com pulsações arteriais presentes e perfusão normal, 
condição também necessária para que ocorra reabsorção óssea. 
− A osteólise é vista habitualmente nos metatarsos e falanges, e esse efeito lítico nos ossos resulta de exposição 
constante à pressão externa em um pé insensível. Por vezes essas lesões osteolíticas podem ser confundidas 
com osteomielite. 
 
Reabsorção óssea em pé diabético Queda do arco plantar em pé diabético neuropático 
 
− É preciso lembrar que a infecção óssea geralmente ocorre como consequência o aprofundamento de um 
processo infeccioso que se originou em uma erosão na superfície cutânea. 
 
 
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− Em uma fase mais avançada ocorrem comprometimentos ósseo e articular; o pé torna-se edemaciado, 
mais curto e alargado, e os arcos desabam. 
− Deslocamentos ósseos expõem as cabeças dos metatarsianos a traumatismos excessivos e desviam a 
região protegida do pé que normalmente tem função de sustentação para áreas desprotegidas da 
superfície plantar, originando novos pontos de pressão onde se formam, inicialmente, calosidades que 
posteriormente acabam ulcerando. 
− Subluxações, fraturas e destruições ósseas no pé e tornozelo podem surgir em decorrência de pequenos traumas 
que aparentemente parecem inócuos. 
− O paciente não refere dor na extremidade, apresentando pé e 
tornozelo hipertérmicos. 
− Em geral, as pulsações arteriais são normais, porém há uma 
grave neuropatia sensitiva. Esse quadro é conhecido como 
neuro-osteoartropatia de Charcot ou simplesmente pé de 
Charcot (imagem ao lado) 
− Acredita-se que ela acometa indivíduos suscetíveis e que é 
mediada por um processo inflamatório incontrolável no pé. 
 
 
ANGIOPATIA 
− O diabetes confere um estado metabólico 
anormal com uma influência aterotrombótica 
difusa única no corpo principalmente na árvore 
vascular. 
− Alterações estruturais e funcionais dos 
vasos fazem parte das complicações do 
diabetes e respondem pela maior parte da 
morbidade e mortalidade desses pacientes. 
− Alterações anatômicas, como a macro e 
microangiopatia e alterações funcionais da 
microcirculação, podem contribuir para o 
quadro isquêmico do pé diabético. 
MACROANGIOPATIA 
− A macroangiopatia abrange 
principalmente o que chamamos de doença 
arterial obstrutiva periférica (DAOP) de 
origem aterosclerótica, como em outros sítios 
do organismo, tem íntima relação com o 
diabetes. 
− Surpreendentemente, as artérias do pé 
são frequentemente poupadas, fato que pode 
ser importante quando se considera o 
tratamento (revascularizações). 
− Pessoas com diabetes são 
especialmente vulneráveis às sequelas da 
calcificação vascular. Em contraste à 
circulação coronariana onde a calcificação 
intimal predomina, nas artérias dos membros 
inferiores as calcificações arterial, intimal e da 
média comumente coexistem. 
− A calcificação da íntima determina 
estenose arterial progressiva e redução da 
perfusão dos órgãos finais, ao passo que a da túnica média (esclerose de Monckeberg) causa disfunção do 
músculo liso e da elastina, levando à redução da complacência vascular, aumento da rigidez dos vasos e 
respostas atenuadas a