A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
97 pág.
Oncologia em Pequenos Animais

Pré-visualização | Página 2 de 31

terapêutica de 
baixo custo no tratamento local das neoplasias.
9. Imunoterapia ............................................................................................70
Rodrigo dos Santos Horta,
Gleidice Eunice Lavalle.
Existem inúmeros indícios da associação entre inflamação e câncer, sendo a 
imunoterapia uma modalidade de destaque no tratamento das neoplasias.
10. Terapias de alvo-molecular ......................................................................75
Rodrigo dos Santos Horta,
Gleidice Eunice Lavalle,
Cecília Bonolo de Campos.
Aborda o conceito e princípios das terapias direcionadas, com destaque para as 
modalidades mais utilizadas na Oncologia Veterinária.
11. Radioterapia .............................................................................................83
Rúbia Monteiro de Castro Cunha,
Gleidice Eunice Lavalle.
Aborda os princípios da radiação oncológica e sua eficácia no controle local das 
neoplasias.
12. Nutrição do paciente oncológico – uma visão integrativa .......................89
Artur Vasconcelos,
Rodrigo dos Santos Horta,
Gleidice Eunice Lavalle.
Descreve as particularidades nutricionais do paciente oncológico e as alterações 
na dieta que podem favorecer o tratamento desses animais.
7O câncer em pequenos animais
Rodrigo dos Santos Horta* - CRVM-MG11669,
Gleidice Eunice Lavalle - CRMV-MG 3855
* Email para contato: rodrigohvet@gmail.com
O câncer em 
pequenos 
animais
bigstockphoto.com.
As neoplasias ocorrem pelo acúmu-
lo progressivo de mutações no genoma 
celular induzindo uma ruptura irreversí-
vel dos mecanismos homeostáticos que 
regulam o crescimento, diferenciação 
e morte celular1. Trata-se do resultado 
fenotípico de uma série de alterações 
genéticas e epigenéticas, que podem ter 
ocorrido durante um longo período de 
tempo1,2. Estas alterações podem ser her-
dadas ou adquiridas, somaticamente, em 
conseqüência de proces-
sos endógenos ou da ex-
posição aos vários fatores 
ambientais, como deter-
minadas substâncias quí-
micas, radiações ionizan-
tes e vírus oncogênicos2.
O termo câncer é de-
rivado da palavra grega 
“karkinos” e faz referência 
ao caranguejo e ao aspec-
to infiltrativo dos tumores 
sólidos, que inclui uma sé-
rie de neoplasias malignas 
com comportamentos 
biológicos distintos, mas que apresentam 
como elemento comum o surgimento de 
novos tecidos (ou neoplasias), formados 
por células com duas características prin-
cipais: elevada atividade proliferativa, 
capacidade de invasão e colonização de 
outros órgãos3.
A Oncologia representa uma especia-
lidade de grande destaque em Medicina 
Veterinária e o aumento da expectativa 
de vida dos animais de companhia está 
diretamente relacionado 
ao aumento da incidência 
de neoplasias4. 
Da mesma forma 
que ocorreu na Medicina 
Humana, observou-se na 
Veterinária uma explosão 
de medidas preventivas 
que visam prolongar a 
vida5. A prevenção de do-
enças infecciosas e parasitá-
rias, associada às melhorias 
na nutrição, terapêutica e 
prática médica resultou em 
grande aumento na expec-
As neoplasias 
ocorrem pelo 
acúmulo progressivo 
de mutações no 
genoma celular 
induzindo uma 
ruptura irreversível 
dos mecanismos 
homeostáticos 
que regulam 
o crescimento, 
diferenciação e morte 
celular
8 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 70 - setembro de 2013
tativa de vida dos animais de companhia, 
o que infelizmente aumentou a probabili-
dade de desenvolvimento de doenças re-
lacionadas à senilidade, como o câncer4. 
Nos países desenvolvidos, as neo-
plasias representam a principal causa de 
morte em cães6,7. Estudos realizados no 
Brasil apontam o câncer como a segun-
da maior causa de mortes em animais 
de companhia5 e como a primeira, em 
animais idosos8. Um estudo baseado no 
diagnóstico da causa morte em 2000 ca-
sos apontou o câncer como a maior cau-
sa, em animais de companhia, sendo que 
45% dos cães com mais de 10 anos de 
idade morreram devido ao câncer9. 
A relação com os animais de com-
panhia mudou ao longo dos anos, hoje 
eles são incluídos na estrutura familiar, 
sendo o diagnóstico de uma neoplasia ou 
câncer consentido com muita comoção 
pelos proprietários ou tutores desses ani-
mais, muitos dos quais tiveram experiên-
cias pessoais com membros da família, 
amigos ou consigo mesmo. 
Diante do paciente com câncer, 
abordagens pessimistas podem reforçar 
receios sem fundamentos pré-existentes 
e transmitir sentimentos desnecessários 
de falta de esperança4. O cirurgião e clí-
nico oncologista devem demonstrar sen-
sibilidade e solidariedade para buscar o 
melhor tratamento, dentro dos recursos 
técnicos disponíveis, nível de compro-
metimento do proprietário e conjuntura 
financeira, priorizando a qualidade de 
vida do paciente, que é o principal obje-
tivo no tratamento, seguido do aumento 
da sobrevida e intervalo livre de doen-
ça. O médico veterinário deve, aos seus 
pacientes e cuidadores, estar bem infor-
mado e atualizado sobre os métodos de 
tratamento, com a consciência de que 
novas formas terapêuticas são desenvol-
vidas, continuamente, no mundo todo, 
tanto na Medicina Humana quanto na 
Veterinária.
Referências
1. ARGYLE D.J.; KHANNA, C. Tumor biology and 
metastasis. In: WITHROW, S.J.; VAIL, D.M.; 
PAGE, R.L. Withrow & MacEwen’s Small Animal 
Clinical Oncology. 5.ed. Philadelphia: W.B. 
Saunders Company, 2013. Cap.2, p.30-50.
2. BRASILEIRO FILHO, G.; PEREIRA, F.E.L.; 
GUIMARÃES, R.C. Distúrbios do crescimento 
e da diferenciação celulares. In: BRASILEIRO 
FILHO, G. Bogliolo Patologia. 8.ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan. 2012. Cap.8, p. 219-276. 
3. PINHO, M. Angiogênese: O Gatilho Proliferativo. 
In: PINHO, M., Biologia Molecular do Câncer: 
fundamentos para a prática médica. 1.ed. Rio de 
Janeiro. Revinter Ltda, 2005. Cap.10, p.155-162.
4. WITHROW, S.J.; Vail, D.M.; PAGE, R.L. Why 
worry about cancer in pets? In: WITHROW, S.J.; 
VAIL, D. M.; PAGE, R.L. Wiithrow e MacEwen’s 
Small Animal Clinical Oncology, 5.ed., introduc-
tion, p. XV-XVI, 2013.
5. BENTUBO, H.D.L.; TOMAZ, M.A.; BONDAN, 
E.F. et al. Expectativa de vida e causas de morte em 
cães na área metropolitana de São Paulo (Brasil). 
Ciênc. Rural, v.37, n.4, p.1021-1036, 2007.
6. CRAIG, L.E. Cause of death in dogs according 
to breed: a necropsy survey of five breeds. J. Am. 
Anim. Hosp. Assoc., v.37, p.438-443, 2001.
7. PROSCHOWSKY, H.F.  ; RUGBJERG, H.  ; 
ERSOLL, A.K. Mortality of purebred and mixed-
breed dogs in Denmark. Prev. Vet. Med., v.58, p.63-
74, 2003.
8. FIGHERA, R.A.; SOUZA, T.M.; SILVA, M.C. 
et. al. Causas de morte e razões para eutanásia de 
cães da Mesorregião do Centro Ocidental Rio-
Grandense (1965-2004). Pesq. Vet. Bras., v.28, n.4, 
p.223-230, 2008.
9. BRONSON T.R. Variation in age at death of dogs 
of different sexes and breeds. Am. J. Vet. Res., v.43: 
2057-2059, 1982.
9Biologia tumoral
Rodrigo dos Santos Horta - CRVM-MG11669, 
Cecília Bonolo de Campos - CRMV-MG 10902, 
Gleidice Eunice Lavalle* - CRMV-MG 3855.
* Email para contato: gleidicel@yahoo.com.br
Biologia 
tumoral
bigstockphoto.com
Introdução
No seu ciclo vital, as células encon-
tram-se em duas fases: mitose (fase M) 
e interfase (fases G1, G2 e S) consti-
tuindo o ciclo celular1,2. O 
processo de replicação de 
DNA e divisão de células 
pode ser descrito como 
uma série de eventos co-
ordenados que compõe 
o ciclo de divisão celular 
e resulta em duas células 
filhas3,4. A conexão entre o 
ciclo celular, responsável 
pelo controle da prolife-
ração celular, e o câncer é pelo fato do 
câncer ser uma doença de proliferação 
celular inapropriada3.
O ciclo celular é regulado por fato-
res de crescimento externos e sinais da 
própria célula que podem 
ativar genes especializa-
dos para reparar o DNA,