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AULA - Direito Civil 4 - Direitos reais

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Direitos reais (art. 1.196 a 1.510 CC)
· Os direitos reais ou direito das coisas traduzem um conjunto de normas reguladoras das relações jurídicas referentes às coisas suscetíveis de apropriação pelo homem, segundo uma finalidade social.
· Direito das coisas seria o gênero, sendo suas espécies: direitos reais e posse.
· Pode ser dividido em direitos reais sobre: 
· Coisa própria - propriedade.
· Coisa alheia – posse, gozo (superfície, servidão, usufruto, uso, habitação, concessão de uso especial para moradia, laje), garantia (penhor, hipoteca, anticrese), aquisição (compromisso de compra e venda).
Distinção
· Direito das coisas – representa um complexo de normas que regulamenta as relações dominiais, poderes, existentes entre a pessoa humana e coisas apropriáveis. É mais amplo que os direitos reais.
· Direitos reais – são os direitos subjetivos de ter como seus bens, relação jurídica da pessoa na posse, uso e gozo de uma coisa, corpórea ou incorpórea, que é de sua propriedade.
Direito subjetivo
· É o poder que a lei confere a pessoa para exigir determinada prestação de outrem, dividindo-se em: pessoais e reais.
Classificação direito pessoais x reais
Quanto a taxatividade
· Pessoais – não são taxativos, como previsto no art. 425 CC, o que prevalece é a atipicidade, formado pela vontade das partes.
· Reais – são encontrados no art. 1.225 CC, criado por lei.
Quanto aos destinatários ou sujeitos
· Pessoais – tem destinatários certos e determinados.
· Reais – destinatários incertos e indeterminados, sendo um sujeito passivo universal. O titular do direito pode opor/exigir o direito contra toda a coletividade.
Quanto ao objeto
· Pessoais – objeto é a prestação, fazer, não fazer, pagar (incorpóreo).
· Reais – o objeto é a coisa, a coisa deve estar envolvida (corpóreo).
Quanto aos efeitos e ação
· Pessoais – contra quem integra a relação; os efeitos “inter parts”, atinge somente as partes relacionadas.
· Reais – contra quem detém a coisa; efeitos “erga omnes”, atinge a coletividade.
Quanto a garantia e a violação
· Pessoais - Recai sobre o patrimônio do devedor; quando não cumpre o estipulado.
· Reais - Recai sobre as coisas; quando ocorre esbulho ou turbação.
Quanto a Aderência 
· Pessoais – não tem característica aderente.
· Reais – O direito acompanha a coisa, aonde quer que ele esteja. 
· Sequela – é o direito que o proprietário tem de reaver o bem de quem a possua injustamente.
· Ambulatoriedade – poder que um titular de direito real tem de seguir a coisa onde quer que ela esteja.
Quanto a duração
· Pessoais – são transitórios, prescritíveis.
· Reais – são perpétuos, imprescritíveis e hereditários. Não são extintos pela falta de uso, salvo exceções (direito reais de coisa alheia de fruição – direito de habitação, de uso, de usufruto, de servidão).
Obrigações mistas
· Obrigação com eficácia real – tem todas as características de direito pessoal, e apenas uma característica de direito real (oponibilidade “erga omnes”).
· Ex.: clausula de vigência (art. 8º lei 8.245/91 e art. 576 CC).
· Obrigação “propter rem” – são aquelas que surgem com a simples aquisição de um direito real.
· Promitente comprador responde pelas obrigações “propter rem”, desde que esteja emitido na posse do bem.
· Quando por hasta publica, via leilão, arrematação, as obrigações não se transferem. Devido o valor pago se sub-rogar no valor das dívidas.
· Na adjudicação, há transferência das obrigações.
· As obrigações em relação ao direito de vizinhança e direito ambiental se transferem.
Posse (art. 1.196 a 1.224 CC)
· É uma situação de fato, direito real, que regula a relação entre a pessoa e a coisa, baseada na vontade objetiva das leis que cria uma relação jurídica, protegida pelo legislado.
· Teoria adotada é a objetiva do Ihering, contendo o elemento “corpus” e “affectio tenedi”.
· Poder de usufruir do que lhe a dado o direito e de defender contra terceiros e do proprietário (art. 1.210 CC).
· Autotutela (art. 1.210 CC) – deve ser atual, proporcional e imediata.
· Possuidor – age como dono e sua conduta se assemelha ao do dono.
· Não existe posse de:
· Coisa fora do comercio;
· Advinda de atos violentos e clandestinos (art. 1.208 CC);
· Tampouco de bens públicos (uso de bem é mera detenção consentida);
· Coisa de uso comum;
Natureza da posse
· Fato e direito - Tem natureza dúplice, sendo ela de fato e direito, pois pode existir sem regras, porém, são protegidas pelo direito, em razão de produzirem consequências jurídicas.
· Real, de fato e pessoal - A teoria tríptica da posse diz que ela pode ser direito real, quando advier da propriedade, pode ser direito pessoal, quando advier de relação contratual, por exemplo, e pode ser fato, nas situações não reguladas pelo direito em que ela se verifique.
Distinção
· Posse – relação de pessoa e coisa, fundada em vontade de possuir, ou seja, relação de fato.
· Propriedade - relação de pessoa e coisa, fundada na vontade objetiva da lei, ou seja, relação de direito.
Figuras da posse
· Jus possessionis – direito fundado de fato, sem título, autônomo. Pessoa não é proprietário, só detém a posse de fato (ex.: possuidor).
· Jus possidendi – proprietário da coisa e como tal pode exercer a posse e até desmembrar (ex.: proprietário).
· Famulo da posse (art. 1.198 CC) – não possui, mas segue instruções do proprietário ou legitimo possuidor (ex.: mero detentor da coisa).
· Constituto possessório (ou cláusula constituti) - consiste na operação jurídica que altera a titularidade da posse, de maneira que, aquele que possuía em próprio nome passa a possuir em nome de outrem (Ex.: Vendo a minha casa, mas permaneço como inquilino).
· “Traditio brevi manu” - Aquele que possuía em nome de outrem, passa a possuir em nome próprio (ex.: inquilino que compra a casa do senhorio).
· Posse precária - É uma posse a título de favor, que pode ser requisitada a qualquer momento. Este empréstimo não tem aptidão a gerar usucapião, pois lhe falta o “animus domini”. Segundo a doutrina de Clóvis Beviláqua, a concessão da posse precária, uma posse de favor, é lícita (En. 237 JDC).
Classificação
Quanto a origem da posse
· Originária – quando não houver relação de posse anterior com a atual.
· Não contrai vícios que existiram na posse anterior.
· Derivada – quando houver anuência do anterior possuidor, como na tradição.
· Contrai vícios que existiram na posse anterior.
Quanto ao modo de exercício (art. 1.197 CC)
· Direta - é a daquele que cede o uso do bem e é proprietário da coisa.
· Indireta – é aquele que recebeu o uso do bem em virtude de contrato, é temporário e deriva.
Quanto a simultaneidade do exercício 
· Composse - poder simultâneo de duas pessoas sobre a mesma coisa, cada uma de per si. Podendo cada um exercer a proteção possessória contra o outro, se necessário. É a situação pela qual duas ou mais pessoa exercem, simultaneamente, poderes possessórios sobre a mesma coisa.
· Composse pro indiviso - todos exercem ao mesmo tempo e sobre a totalidade da coisa, os poderes de fato, pertencendo a cada qual uma parte ideal apenas.
· Composse pro diviso – não a divisão de terceiros, mas sim de fato, para a utilização pacifica do direito de cada possuidor.
· Não confundir com concorrência de posse, que é o desdobramento direto e indireto, da-se o fenômeno da existência de posses de natureza diversa sobre a mesma coisa, tendo cada possuídos o exercício limitado ao âmbito especifico da sua.
· Pro diviso - é exercida simultaneamente (composse), estabelecendo-se, porém, uma divisão de fato entre os compossuidores;
· Pro indiviso - é aquela em que se exercem, ao mesmo tempo e sobre a totalidade da coisa, os poderes de utilização ou exploração comum do bem;
Quanto aos vícios (art. 1.200 CC)
· Justa - é a exercida em harmonia como ordenamento jurídico, ou seja, não violenta, clandestina ou precária (En. 302 e 303 da JDC).
· Injusta - é a adquirida ou exercida em contrariedade com o ordenamento jurídico (precária, violenta, clandestina); a posse injusta não pode ser convertida em justa pela vontade do possuidor nem mesmo pelo decurso