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Prévia do material em texto

2016
Fisiologia do ExErcício
Prof.ª Rafaela Liberali
Prof.ª Simone A. P. Vieira
Copyright © UNIASSELVI 2016
Elaboração:
Prof.ª Rafaela Liberali
Prof.ª Simone A. P. Vieira
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
612.044
L695f Liberali; Rafaela
Fisiologia do Exercício / Rafaela Liberali; Simone A. P. 
Vieira: UNIASSELVI, 2016. 
270 p. : il 
 
ISBN 978-85-515-0023-1
1. Fisiologia do Exercício. 
I. Centro Universitário Leonardo da Vinci
 
III
aprEsEntação
Prezado acadêmico!
Bem-vindo à disciplina de Fisiologia do Exercício. Esse é o nosso 
Caderno de Estudos, material elaborado com o objetivo de contribuir para 
a realização de seus estudos e para a ampliação dos conhecimentos sobre 
a aplicação da fisiologia do exercício, caracterizada pelo estudo dos efeitos 
agudos e crônicos do exercício físico sobre as estruturas e as funções 
dos sistemas do corpo humano, proporcionando reflexões sobre outras 
perspectivas no espaço educacional em geral.
Ao longo da leitura deste Caderno de Estudos você irá adquirir 
conhecimentos fundamentais da adaptação do organismo humano ao 
exercício físico, que permitem desenvolver atividades práticas na escola 
com segurança, devido a um maior entendimento do corpo, aplicando 
esse conhecimento com maior inteligência, autonomia, responsabilidade e 
sensibilidade.
Neste Caderno de Estudos você encontrará conteúdos fundamentais, 
proporcionando consciência de como o organismo reage durante o exercício 
físico e como as funções orgânicas respondem e se adaptam ao estresse imposto 
pelo exercício físico. Ao propor um exercício físico, o professor terá objetivos 
claramente definidos, amplos e consistentes nos domínios sobre a fisiologia 
do exercício, para com segurança aumentar o condicionamento físico sem 
levar o praticante ao estado de fadiga, não apenas evitando acidentes, como 
também verificando e norteando o andamento do treinamento físico.
Desejamos a você um bom trabalho e que aproveite ao máximo o 
estudo dos temas abordados nesta disciplina.
Bons estudos e sucesso!
Prof.ª Rafaela Liberali
Prof.ª Simone A. P. Vieira
IV
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades 
em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o 
material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato 
mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação 
no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir 
a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
UNI
V
VI
VII
UNIDADE 1 - A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, 
 BIOQUÍMICA E BIOENERGÉTICA ......................................................................... 1
TÓPICO 1 - NUTRIÇÃO: ENERGIA PARA O EXERCÍCIO FÍSICO ............................................ 3
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3
2 CARACTERÍSTICAS DA NUTRIÇÃO EQUILIBRADA E SUA
 RELAÇÃO COM O EXERCÍCIO FÍSICO ........................................................................................ 3
3 CARBOIDRATOS (CHO) E SUA RELAÇÃO COM O EXERCÍCIO FÍSICO ........................... 7
 3.1 CLASSIFICAÇÃO DOS CARBOIDRATOS .................................................................................. 8
 3.2 ÍNDICE GLICÊMICO (IG) E CARGA GLICÊMICA (CG) ......................................................... 12
4 LIPÍDIOS E SUA RELAÇÃO COM O EXERCÍCIO FÍSICO........................................................ 16
5 PROTEÍNAS E SUA RELAÇÃO COM O EXERCÍCIO FÍSICO .................................................. 19
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 22
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 26
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 28
TÓPICO 2 - ALIMENTAÇÃO ADEQUADA AO EXERCÍCIO FÍSICO, HIDRATAÇÃO, 
 DESIDRATAÇÃO E VITAMINAS ................................................................................ 31
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 31
2 ALIMENTAÇÃO ADEQUADA AO EXERCÍCIO FÍSICO ........................................................... 31
3 ÁGUA ...................................................................................................................................................... 35
 3.1 ELETRÓLITOS .................................................................................................................................. 37
 3.2 HIDRATAÇÃO (EUIDRATAÇÃO) E DESIDRATAÇÃO ........................................................... 39
 3.3 VITAMINAS E SUA RELAÇÃO COM O EXERCÍCIO FÍSICO ................................................ 42
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 46
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 48
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 50
TÓPICO 3 - BIOQUÍMICA E BIOENERGÉTICA APLICADAS AO EXERCÍCIO ..................... 53
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 53
2 DIFERENCIAÇÃO ENTRE ATIVIDADE FÍSICA E EXERCÍCIO FÍSICO ............................... 53
3 TREINAMENTO FÍSICO .................................................................................................................... 55
4 HOMEOSTASE ..................................................................................................................................... 56
 4.1 ESTADO ESTÁVEL OU STEADY STATE ..................................................................................... 59
 4.2 MECANISMO DE CONTROLE HOMEOSTÁTICO – SISTEMAS DE CONTROLE ............. 61
5 BIOQUÍMICA E BIOENERGÉTICA ................................................................................................ 63
 5.1 METABOLISMO ............................................................................................................................... 68
 5.2 FADIGA .............................................................................................................................................71
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 74
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 76
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 79
sumário
VIII
UNIDADE 2 - FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO ............................................................ 81
TÓPICO 1 - APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA I ..................................... 83
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 83
2 SISTEMA CARDIORRESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO FÍSICO .................................................. 83
 2.1 SISTEMA CARDIORRESPIRATÓRIO .......................................................................................... 83
3 SISTEMA IMUNOLÓGICO E EXERCÍCIO FÍSICO ..................................................................... 95
 3.1 SISTEMA IMUNOLÓGICO DURANTE A PRÁTICA DO EXERCÍCIO FÍSICO .................... 96
 3.1.1 Imunidade inata .......................................................................................................................... 101
 3.1.2 Imunidade adaptativa ................................................................................................................ 103
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 107
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 109
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 111
TÓPICO 2 - APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA II .................................... 113
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 113
2 SISTEMA ENDÓCRINO E EXERCÍCIO FÍSICO .......................................................................... 113
 2.1 PRINCIPAIS GLÂNDULAS ENDÓCRINAS ............................................................................... 114
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 134
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 137
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 139
TÓPICO 3 - CONTROLE NEURAL E DA FORÇA RELACIONADA
 AO MOVIMENTO HUMANO ...................................................................................... 141
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 141
2 SISTEMA NERVOSO E SUA RELAÇÃO COM O MOVIMENTO HUMANO ...................... 141
3 SISTEMA MUSCULOESQUELÉTICO ............................................................................................. 146
 3.1 AÇÕES MUSCULARES ................................................................................................................... 153
4 ADAPTAÇÕES NEUROMUSCULARES E TREINAMENTO DE FORÇA ............................... 155
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 160
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 163
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 165
UNIDADE 3 - FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS .............. 167
TÓPICO 1 - ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DO EXERCÍCIO FÍSICO 
RELACIONADOS À PROMOÇÃO DA SAÚDE E À PREVENÇÃO 
 DE DOENÇAS ................................................................................................................... 169
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 169
2 ALGUMAS CARACTERÍSTICAS FISIOLÓGICAS DAS DOENÇAS CRÔNICAS
 NÃO TRANSMISSÍVEIS (DCNTS) E SUA RELAÇÃO COM A PRÁTICA DO
 EXERCÍCIO FÍSICO ............................................................................................................................. 169
 2.1 EVOLUÇÃO, RECOMENDAÇÕES E SISTEMA DE VIGILÂNCIA DOS
 FATORES DE RISCO E DO NÍVEL DE EXERCÍCIO FÍSICO PARA AS DCNTS ................... 172
3 DCNT: OBESIDADE E EXERCÍCIO FÍSICO .................................................................................. 174
4 DCNT: HIPERTENSÃO E EXERCÍCIO FÍSICO ............................................................................ 179
5 DCNT: DIABETES E EXERCÍCIO FÍSICO ...................................................................................... 182
6 DCNT: SÍNDROME METABÓLICA E EXERCÍCIO FÍSICO ...................................................... 185
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 188
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 191
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 193
IX
TÓPICO 2 - ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DESPORTIVA RELACIONADA À 
PROMOÇÃO DA SAÚDE, VOLTADA AO PÚBLICO ESPECIAL ......................... 195
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 195
2 EXERCÍCIO PARA AS CRIANÇAS: RELAÇÃO DO TIPO DE ATIVIDADE FÍSICA
 ESCOLAR E SUAS IMPLICAÇÕES COM A SAÚDE NO DESENVOLVIMENTO
 DO SER HUMANO .............................................................................................................................. 195
3 DCNT E SUA RELAÇÃO COM A PRÁTICA DO EXERCÍCIO FÍSICO
 EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES ............................................................................................... 202
4 EXERCÍCIO PARA OS IDOSOS: RELAÇÃO DO TIPO DE ATIVIDADE FÍSICA
 E SEUS BENEFÍCIOS NAS DCNT, MANUTENÇÃO E QUALIDADE DE VIDA .................. 211
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 217
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 219
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 220
TÓPICO 3 - ASPECTOS FISIOLÓGICOS DE ALGUMAS MODALIDADES 
 ESPORTIVAS ..................................................................................................................... 223
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 223
2 ASPECTOS FISIOLÓGICOS DO FUTEBOL .................................................................................. 223
3 ASPECTOS FISIOLÓGICOS DO FUTSAL ..................................................................................... 226
4 ASPECTOS FISIOLÓGICOS DO VOLEIBOL ................................................................................ 229
5 ASPECTOS FISIOLÓGICOS DO BASQUETEBOL ......................................................................231
6 ASPECTOS FISIOLÓGICOS DO HANDEBOL ............................................................................. 234
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 237
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 239
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 241
REFERÊNCIAS ......................................................................................................................................... 243
X
1
UNIDADE 1
A BASE PARA O DESEMPENHO 
HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E 
BIOENERGÉTICA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade você deverá ser capaz de:
• diferenciar os macronutrientes e suas funções na alimentação;
• entender a importância da alimentação equilibrada para a prática 
de exercício físico;
• diferenciar bioquímica de bioenergética;
• entender os vários processos químicos da vida celular do ponto de 
vista energético;
• analisar as implicações fisiológicas dos processos químicos voltadas 
ao exercício físico.
Esta unidade está dividida em três tópicos. Em cada um deles você encontrará 
atividades que o ajudarão a fixar os conhecimentos abordados.
TÓPICO 1 – NUTRIÇÃO: ENERGIA PARA O EXERCÍCIO FÍSICO
TÓPICO 2 – ALIMENTAÇÃO ADEQUADA AO EXERCÍCIO FÍSICO, 
HIDRATAÇÃO, DESIDRATAÇÃO E VITAMINAS
TÓPICO 3 – BIOQUÍMICA E BIOENERGÉTICA APLICADAS AO 
EXERCÍCIO
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
NUTRIÇÃO: ENERGIA PARA O EXERCÍCIO 
FÍSICO
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, você verá que a alimentação equilibrada associada à prática de 
exercício físico é essencial para a obtenção de bons resultados, independentemente 
da meta a ser alcançada, com melhor desempenho no exercício. E que a bioquímica 
e a bioenergética constituem um dos principais blocos temáticos da Fisiologia, 
focando no estudo dos vários processos químicos que tornam possível a vida 
celular do ponto de vista energético e analisando as suas implicações fisiológicas.
2 CARACTERÍSTICAS DA NUTRIÇÃO EQUILIBRADA E SUA 
RELAÇÃO COM O EXERCÍCIO FÍSICO
“Pela ingestão equilibrada de todos os nutrientes, oriundos de uma boa 
nutrição, pode-se promover a saúde, prevenir doenças e melhorar a capacidade de 
rendimento do organismo”. (PEREIRA; CABRAL, 2007, p. 41). 
Atwater, em 1894, iniciou as pesquisas científicas estabelecendo relações 
entre a composição dos alimentos, quantidade e qualidade de consumo e a saúde dos 
indivíduos, publicando padrões dietéticos e tabelas de composição de alimentos. 
A partir daí, vários guias alimentares foram desenvolvidos em diferentes formas 
de apresentação (PHILIPPI et al., 1999). 
O objetivo desses guias é organizar de forma gráfica a distribuição dos 
alimentos para que a população compreenda e, a partir disso, fazer com que 
haja o consumo de vários alimentos e em quantidade suficiente para que juntos 
componham uma dieta adequada nutricionalmente (PHILIPPI et al., 1999).
Caro acadêmico! Você sabia que para que uma dieta seja equilibrada 
e nutritiva, cinco características são importantes? São elas: a adequação; a 
qualidade; a quantidade suficiente; a harmonia e a variedade de alimentos. Essas 
cinco características são importantes para o funcionamento do corpo em geral 
e, principalmente, fornecem combustíveis necessários à prática regular e segura 
dos exercícios físicos. Para que aprendamos como organizar essas características 
alimentares, a melhor forma é seguir a pirâmide alimentar. Veja, a seguir, o exemplo 
de pirâmide alimentar criada em 1996.
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
4
FIGURA 1 - PIRÂMIDE ALIMENTAR DE 1996
FONTE: Disponível em: <https://goo.gl/ERFCcR>. Acesso em: 27 jan. 2016.
A pirâmide foi melhor adaptada em 2013, passando a contar com novos 
alimentos para melhor adaptação à dieta e aos hábitos culturais dos brasileiros, 
além de uma redução do valor energético diário para 2.000 Kcal, fracionamento da 
dieta em seis porções diárias e o incentivo à prática de atividades físicas. 
FONTE: Disponível em: <http://www.nutricaopraticaesaudavel.com.br/index.php/saude-bem-
estar/entenda-a-nova-piramide-alimentar/>. Acesso em: 27 jan. 2016.
TÓPICO 1 | NUTRIÇÃO: ENERGIA PARA O EXERCÍCIO FÍSICO
5
FIGURA 2 - PIRÂMIDE ALIMENTAR ADAPTADA À POPULAÇÃO BRASILEIRA
FONTE: Disponível em: <https://goo.gl/jpsrqA>. Acesso em: 27 jan. 2016.
FIGURA 3 - PIRÂMIDE ALIMENTAR INFANTIL DURANTE A SEMANA
FONTE: BARBOSA et al. (2005, p. 637) 
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
6
FIGURA 4 - PIRÂMIDE ALIMENTAR INFANTIL FINAL DE SEMANA
FONTE: Barbosa et al. (2005, p. 637) 
Veja nesse endereço on-line a professora Lina Cláudia falando sobre a Pirâmide 
Alimentar: Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=nfkksMFRquI>.
DICAS
A nutrição acompanha o ser humano em todas as etapas de sua vida, 
com suas peculiaridades dietéticas, levando em conta origens, idade, condições 
fisiológicas e múltiplas finalidades e, atualmente, a alimentação está presente 
na mídia brasileira com modelos de dietas para perder ou ganhar peso, para 
robustecer músculos, para melhorar a saúde e para diversificar e sofisticar o 
cardápio (ROMANELLI, 2006). 
Não é objetivo deste tópico aprofundar os aspectos da alimentação em caráter 
social, econômico, mas sua influência na prática do exercício físico, pois é através de uma 
dieta equilibrada em quantidade e qualidade que o organismo adquire energia para o bom 
desempenho de suas funções. Veremos agora os macronutrientes presentes em nossa 
alimentação que influenciam a prática do exercício físico.
ESTUDOS FU
TUROS
TÓPICO 1 | NUTRIÇÃO: ENERGIA PARA O EXERCÍCIO FÍSICO
7
FIGURA 5 - MACRONUTRIENTES 
FONTE: Hermsdorff; Volp; Bressan (2007)
Os macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídios) juntos influenciam a 
ingestão calórica (IC) e no gasto energético (GE), com importante papel no controle 
do peso e da reserva de gordura corporal. Para seu entendimento é necessário 
analisar a ingestão, oxidação, termogênese e estocagem dos macronutrientes, 
e suas influências diretas durante a prática do exercício físico (HERMSDORFF; 
VOLP; BRESSAN, 2007). Veja, a seguir, o quadro com os aportes calóricos diários:
QUADRO 1 - EXEMPLO DE APORTE CALÓRICO DIÁRIO DOS MACRONUTRIENTES
Macronutriente DRIS 2005 Atleta de endurance Atleta de força
Carboidrato 45-65% 55-80% 30-65%
Lipídio 20-35% 10-25% 15-30%
Proteína 10-35% 10-20% 20-40%
FONTE: Phillips; Moore; Tang (2007, p. S59)
Agora, acadêmico, você verá cada macronutriente isoladamente, pois eles 
possuem funções e objetivos diferentes na formação estrutural de nosso organismo 
e como combustível energético à prática do exercício físico. 
3 CARBOIDRATOS (CHO) E SUA RELAÇÃO COM O 
EXERCÍCIO FÍSICO
Os CHO são formados por carbono e água e pela combinação de átomos 
de hidrogênio, carbono e oxigênio (hidratos de carbono), fundamentais no 
fornecimento de energia ao organismo, por meio do catabolismo da glicose presente 
na corrente sanguínea e do glicogênio muscular e hepático (COYLE, 1992), tendo 
como ideal o consumo em média de 55% a 60% da dieta diária. 
A Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBME, 2003) recomenda 
ingestão de CHO correspondente a 60-70% do valor energético total e 5-8g de 
carboidratos por kg de massa corporal ao dia.
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
8
FIGURA 6 - OBJETIVOS DO CONSUMO DE CARBOIDRATOS
FONTE: Fonseca (2012, p. 176)
Após a digestão, os carboidratos são armazenados naforma de glicogênio 
muscular (músculos) e glicogênio hepático (fígado) (ROGATTO, 2003). “O 
glicogênio muscular gera a energia durante o exercício e a sua depleção leva à 
fadiga, sendo que o organismo consegue reverter a exaustão com concentrações 
adequadas de carboidratos”. (GUERRA; SOARES; BURINI, 2001, p. 201).
 
Para que haja recuperação precisa ter a restauração dos estoques hepáticos 
e musculares de glicogênio, reposição de fluidos e eletrólitos, regeneração e reparo 
de lesões causadas pelo exercício e adaptação após o estresse catabólico, ou seja, 
com envolvimento dos processos nutricionais (GUERRA; SOARES; BURINI, 2001).
3.1 CLASSIFICAÇÃO DOS CARBOIDRATOS
Os carboidratos podem ser classificados de acordo com o tamanho do 
carboidrato (grau de polimerização (número de unidades monoméricas), ou de 
acordo com sua digestibilidade ou disponibilidade (LUZ et al., 1997). São eles:
FIGURA 7 - CLASSIFICAÇÃO DOS CARBOIDRATOS
FONTE: Luz et al. (1997, p. 175)
TÓPICO 1 | NUTRIÇÃO: ENERGIA PARA O EXERCÍCIO FÍSICO
9
a) Monossacarídeos (com um açúcar por molécula)
Presentes em muitas frutas como uva, maçã, laranja, pêssego etc., a glicose 
e frutose são os dois monossacarídeos mais abundantes na natureza e os principais 
açúcares de muitas frutas. “Nos seres humanos, o metabolismo da glicose é a 
principal forma de suprimento energético”. (FRANCISCO JUNIOR, 2008, p. 9). 
FIGURA 8 - REPRESENTAÇÃO DAS ESTRUTURAS QUÍMICAS DA 
D-GLICOSE E D-FRUTOSE
FONTE: Francisco Junior (2008, p. 8)
b) Dissacarídeos (com dois açúcares por molécula) e oligossacarídeos (de 
três a cinco açúcares por molécula)
Os oligossacarídeos são formados por cadeias curtas de monossacarídeos. 
Os mais comuns são os dissacarídeos, que têm em sua composição dois 
monossacarídeos unidos por uma ligação denominada glicosídica. Aqui temos 
como exemplo a sacarose, que é o açúcar da cana (uma molécula de glicose e outra 
de frutose) e a lactose, que é o açúcar do leite (uma molécula de galactose e outra 
de glicose) (FRANCISCO JUNIOR, 2008). 
“A maltodextrina é o único oligossacarídeo biodisponível no organismo 
humano”. (FRANCISCO JUNIOR, 2008, p. 9). 
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
10
FIGURA 9 - REPRESENTAÇÃO DAS MOLÉCULAS DE LACTOSE (A) E 
SACAROSE (B)
FONTE: Francisco Junior (2008, p. 9)
c) Polissacarídeos (mais de 20 unidades até milhares de monossacarídeos)
“O polissacarídeo encontrado na alimentação é o amido, presente 
em tubérculos e cereais. Amido e glicogênio são importantes nas funções de 
armazenamento energético tanto nas células vegetais, quanto nos animais”. 
(FRANCISCO JUNIOR, 2008, p. 9). 
FIGURA 10 - REPRESENTAÇÃO DA CADEIA DE AMILOSE (A) E AMILOPECTINA (B)
FONTE: Francisco Junior (2008, p. 9)
TÓPICO 1 | NUTRIÇÃO: ENERGIA PARA O EXERCÍCIO FÍSICO
11
FIGURA 11 - CLASSIFICAÇÃO DOS CARBOIDRATOS
FONTE: Luz et al. (1997, p. 175)
“Além da classificação dos carboidratos pela polimerização (número de 
unidades monoméricas), eles também podem ser classificados de acordo com a 
digestibilidade, que depende da presença de enzimas específicas que irão liberar os 
monossacarídeos para serem absorvidos”. (CECATO et al., 2010, 282). 
São eles, segundo Cecato (2010, p. 282): 
Carboidratos digeríveis: capazes de sofrer degradação pelas enzimas 
humanas. Exemplos: amido, sacarose, lactose, maltose e isomaltose; 
Carboidratos parcialmente digeríveis: por alguma razão não sofrem digestão 
no intestino delgado. Exemplo: amido resistente. 
Carboidratos indigeríveis: incapazes de serem digeridos por enzimas humanas, 
mas podem sofrer fermentação pelas bactérias intestinais, desempenhando outras 
funções no organismo. 
Se você quiser saber mais sobre o metabolismo de carboidratos e sua ação no 
exercício físico, veja os links dos vídeos a seguir:
Vídeo 1= <https://www.youtube.com/watch?v=q0D_rAo9NJM>.
Vídeo 2 = <https://www.youtube.com/watch?v=891LG65paNk>.
Vídeo 3 = <https://www.youtube.com/watch?v=icm0bd0SEYs>.
DICAS
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
12
“O índice glicêmico (IG) avalia o efeito dos carboidratos sobre a glicose sanguínea, 
pelo fato do organismo não digerir e nem absorver todos os carboidratos com a mesma 
velocidade”. (SAPATA, FAYH e OLIVEIRA, 2006, p. 189). Vamos, a partir de agora, entender e 
observar a importância do IC no desempenho no exercício.
ESTUDOS FU
TUROS
3.2 ÍNDICE GLICÊMICO (IG) E CARGA GLICÊMICA (CG)
Em 1981, Jenkins desenvolveu o IG, comparando os efeitos fisiológicos de 
alimentos contendo carboidratos em relação à sua composição química. Podendo 
definir IG como a classificação de um alimento em relação ao efeito que ele exerce 
na glicemia pós-prandial, em comparação àquela observada após o consumo de 
um alimento referência, ambos contendo a mesma quantidade de carboidrato 
disponível (50g ou 25g) (JENKINS et al., 2002).
FIGURA 12 - CLASSIFICAÇÃO DO ÍNDICE GLICÊMICO
FONTE: Disponível em: <https://goo.gl/vkmmZx>. Acesso em: 28 jan. 2016.
TÓPICO 1 | NUTRIÇÃO: ENERGIA PARA O EXERCÍCIO FÍSICO
13
O quadro a seguir, caro acadêmico, familiarizará você com diversos 
alimentos e o seu índice glicêmico.
QUADRO 2 - CLASSIFICAÇÃO DO ÍNDICE GLICÊMICO DE ALGUNS ALIMENTOS
FONTE: Disponível em: <http://static.wixstatic.com/media/35adea_77380f2d026e45889b4 
e96b90b0ea529.png>. Acesso em: 28 jan. 2016. 
NOTA
Por que é importante sabermos o IG dos alimentos?
Porque o IG dos alimentos consumidos antes, durante e após o treino influencia no desempenho 
do exercício (GUERRA; SOARES; BURINI, 2001).
Ao serem consumidos, os alimentos provocam no organismo:
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
14
FIGURA 13 - ÍNDICE GLICÊMICO E RESPOSTA GLICÊMICA
FONTE: Sapata; Fayh; Oliveira (2006)
“Quando se pretende avaliar um alimento isoladamente, o ideal é avaliar a 
carga glicêmica (CG), pois esta envolve a qualidade e a quantidade do carboidrato 
consumido, quantificando o efeito total desse carboidrato consumido sobre a 
glicose plasmática” (SILVA et al., 2009, p. 561). Obtido pela fórmula: CG= (porção 
carboidrato x IG)/100.
FIGURA 14 - CARGA GLICÊMICA DE ALGUNS ALIMENTOS
FONTE: Disponível em: <http://www.nutricaobrasilia.com/wordpress/wp-content/
uploads/2013/05/Slide1.png>. Acesso em: 28 jan. 2016.
Silva et al. (2009, p. 263) apresentam a tabela a seguir, que representa os 
valores utilizados para classificar o IG e a CG de um alimento e a CG diária, tendo 
a glicose como referência.
TÓPICO 1 | NUTRIÇÃO: ENERGIA PARA O EXERCÍCIO FÍSICO
15
TABELA 1 - IG E A CG DE UM ALIMENTO E A CG DIÁRIA
Fonte: Silva et al. (2009, p. 263) 
Acadêmico! A melhor maneira de entendermos realmente a efetividade 
de um assunto é lendo pesquisas científicas sobre ele e o que realmente já foi 
pesquisado sobre o tema. Ao longo do caderno você encontrará várias tabelas com 
pesquisas científicas, confirmando ou refutando o que já foi pesquisado sobre o 
assunto. 
Veja um estudo que analisou o consumo alimentar, o IG e a CG em 
jogadoras de futebol. E os autores concluíram, ao final do estudo, que apesar de 
o IG ter sido alto e ser importante para a reposição de glicogênio muscular após 
a partida, as jogadoras consumiram refrigerantes e fast-foods e estes não são as 
melhores escolhas alimentares, pois não são alimentos saudáveis (GONÇALVES 
et al., 2015). Veja no Quadro 3:
QUADRO 3 - ESTUDO DE CAMPO QUE AVALIOU O IG E CG DE JOGADORAS DE FUTEBOL
Estudo/
referência
Sujeitos/
Idade (anos)/sexo
Análise Resultados
Gonçalves et al. 
(2015)
7 jogadoras de futebol 
feminino 
clube da cidade de 
Botucatu-SP
(18 a 27 anos)
- do IG e da CG 
antes, durante e 
após o jogo
- dia de treinamento e dia pós-
jogo =IG das refeições variou 
entre baixo e moderado.
- dia do jogo = IG baixo foi
predominante, entretanto, no 
lanche, primeira refeição após 
a partida, se caracterizou como 
alto. 
- A CG foi alta na maioria 
das refeições, nos três dias 
avaliados.
FONTE: A autora
Na prática do exercício físico moderado diariamente e na melhora do 
desempenho físico de atletas, utiliza-se o índice glicêmico como um guia de 
referência para a seleção do suporte nutricional ideal de carboidratos, levando em 
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
16
conta a taxa de digestão e absorção de um determinado alimento (SIU; WONG, 
2004), pois quanto mais intenso o exercício for, maior será sua dependência em 
relação ao carboidrato como combustível (SAPATA, FAYH e OLIVEIRA, 2006). 
Por exemplo, indivíduos com excesso de gordura corporal tendem a ser 
mais lentos e fatigáveis na execução do movimento, do que um indivíduo mais 
magro e musculoso, do mesmo peso (POWERS; HOWLEY, 2014).
4 LIPÍDIOS E SUA RELAÇÃO COM O EXERCÍCIO FÍSICO
“Os lipídios são moléculas pequenas semelhantes ou homólogas, na 
estrutura, definidos como compostos que ocorrem naturalmente solúveis em 
solventes não polares, mas insolúveis em água, e os principais tipos de lipídios são 
os triglicerídeos (gorduras e óleos), fosfolipídios, ceras e esteroides”. (HUANG; 
FRETER, 2015, p. 925).
FIGURA 15 - CLASSIFICAÇÃO DOS LIPÍDIOS
FONTE: Disponível em: <https://goo.gl/sPuxu9>. Acesso em: 15 mar. 2016.
“Durante o exercício físico, os lipídios (gorduras) são utilizados como 
importantes fontes de energia juntamente com o carboidrato, poupando o 
glicogênio muscular”. (BARRETO et al., 2009, p. 244). Existem três caminhos após 
a ingestão dos ácidos graxos provenientes da dieta: armazenados para posterior 
TÓPICO 1 | NUTRIÇÃO: ENERGIA PARA O EXERCÍCIO FÍSICO
17
utilização, diretamente metabolizados para gerar energia ou incorporados nas 
estruturas das células (AOKI, SEELAENDER, 1999).
FIGURA 16 - ALIMENTOS RICOS EM LIPÍDIOS
FONTE: Disponível em: <http://www.guiadenutricao.com.br/wp-content/
uploads/2013/07/lipideos-alimentos.jpg>. Acesso em: 15 mar. 2016.
Em exercícios de longo tempo, ou seja, com esforço prolongado, o músculo 
esquelético usa como substrato energético fontes provenientes dos carboidratos e 
lipídios (15% a 20% do total das calorias ingeridas), mas os lipídios, sob a forma 
de ácidos graxos, possuem vantagem no fornecimento energético comparado aos 
carboidratos (GOMES, SMOLAREK, SOUZA JUNIOR, 2011).
Se você quiser saber mais sobre as funções dos lipídios – compostos orgânicos, 
veja os vídeos a seguir:
Vídeo 1= <https://www.youtube.com/watch?v=fU4XQcln2OI>.
Vídeo 2 = <https://www.youtube.com/watch?v=nv_vVOw_YgI>.
Vídeo 3 = <https://www.youtube.com/watch?v=efxM9AXKGGc>.
DICAS
 A energia é obtida através dos processos oxidativos, no interior da 
mitocôndria, como, por exemplo, em uma sessão de atividade física de intensidade 
moderada (60% a 80% da frequência cardíaca máxima ou 50% a 75% do VO2max 
e longa duração (“endurance”), os ácidos graxos são o principal substrato para as 
fibras oxidativas de contração lenta (AOKI, SEELAENDER, 1999). 
Os lipídios que são usados como combustíveis para a conversão de 
energia são originados: a) a partir de gordura armazenada como triglicerídeos 
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
18
dentro dos adipócitos (mobilizado como livres ácidos graxos); b) de triglicerídeos 
intramuscular. C) lipoproteínas de baixa densidade ricas em triglicerídeos (VLDL-
TGs; quilomícrons) (SMEKAL et al., 2003). 
“O uso dos carboidratos e lipídios como fonte de energia depende de 
alguns fatores, como a intensidade do exercício, duração, tipo de célula esquelética 
usada, tipo de exercício, taxas hormonais etc.” (SMEKAL et al., 2003, p. 891). 
Achten e Jeukendrup (2004) apontam em sua revisão que estudos que 
compararam corrida e ciclismo geralmente revelam maior oxidação da gordura 
na corrida; descreveram também um estudo em que foram avaliados 10 triatletas 
durante duas horas de corrida e ciclismo, e concluíram que, mesmo que o ciclismo 
tenha apresentado maiores valores de VO2max, a corrida apresentou oxidação da 
gordura em 18% maior que o ciclismo.
A capacidade do corpo humano para armazenar carboidratos é limitada 
e, quando os depósitos de glicogênio se esgotam, a eliminação de energia taxa de 
carboidratos é diminuída, e a intensidade do exercício deve ser reduzida, porque 
trifosfato de adenosina não pode ser gerado em uma taxa suficiente (SMEKAL et 
al., 2003, p. 891). Veja no Quadro 4.
QUADRO 4 - ESTUDO DE CAMPO SOBRE O METABOLISMO DE LIPÍDIOS DURANTE O EXERCÍCIO
Estudo/
referência
Sujeitos/
Idade (anos)/ sexo
Intervenção 
Duração (semanas)
Resultados
Thyfault et al. 
(2004)
23 mulheres 
- 10 peso normal, 
eutroficas
- 7 obesas 
- 6 obesos mórbidos 
 
(25 a 44 anos)
- Bicicleta ergométrica 
- intensidade moderada 
de 50% VO2max 
- 60 minutos 
- 1 sessão
- indivíduos obesos e obesos 
mórbidos possuem uma 
diminuição da capacidade 
de oxidar os ácidos graxos 
do plasma em comparação
com os indivíduos magros 
tanto em repouso quanto em 
exercício. 
FONTE: A autora
A partir de agora, acadêmico, falaremos da proteína, que é um dos 
macronutrientes muito utilizados por atletas e praticantes de exercício, pois, pelo 
fato de grande parte do organismo ser composto de água, as proteínas compõem os 
músculos, e o exercício provoca uma série de efeitos no metabolismo de proteínas. 
TÓPICO 1 | NUTRIÇÃO: ENERGIA PARA O EXERCÍCIO FÍSICO
19
5 PROTEÍNAS E SUA RELAÇÃO COM O EXERCÍCIO FÍSICO
Consideram-se as proteínas como macromoléculas, compostas por um 
conjunto de aminoácidos de baixo peso molecular, que são fontes de energia e 
calor, com função reguladora (hormonal), estrutural (colágeno), defensivas 
(anticorpos), de transporte (albumina) e de ação catalítica (enzimas) (VANESA; 
PAZ, 2014). “Várias pesquisas, desde os anos 70 e 80, mostram o interesse pelo 
estudo do metabolismo de proteínas/aminoácidos e como afetam o rendimento 
durante o exercício prolongado”. (ROSSI; TIRAPEGUI, 1999, p. 71). 
Segundo a American Dietetic Association, Dietitians of Canada e American 
College of Sports Medicine (2000, p. 2133),
a proteína é um dos suplementos alimentares mais populares dentre 
os desportistas e tem a função de aumentar o balanço nitrogenado 
diário, aumentar a ressíntese de ATP depois do exercício físico, evitar 
a anemia esportiva por meio do aumento da síntese de hemoglobina, 
mioglobulina e enzima oxidativas durante o exercido aeróbio, melhorar 
a recuperação tecidual e a resposta imunitária do organismo, dentre 
outros fatores.
“Para se analisar a eficiência e qualidade da proteína, deve-se considerar 
a sua digestibilidade e capacidade de satisfazer os requerimentos nutricionais do 
homem por aminoácidos essenciais e nitrogênio não essencial, na função de síntese 
proteica” (PIRES et al., 2006, p. 182). 
FIGURA 17 - ALIMENTOS RICOS EM PROTEÍNAS
FONTE: Disponível em: <http://4.bp.blogspot.com/-ti19IhJc3ZQ/VImLnqyLOfI/
AAAAAAAACcA/T_AIoYN2Wfs/s1600/por%C3%A7%C3%A3o%2Bproteina%2Bvegetal.
png>. Acesso em: 16 mar. 2016.
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
20
FIGURA 18 - ALIMENTOS RICOS EM PROTEÍNAS
FONTE: Disponível em: <http://nutrir-bem.com/wp-content/
uploads/2015/01/por%C3%A7%C3%A3o-prote%C3%ADna.png>. 
Acesso em: 16 mar. 2016.
FIGURA 19 - ALIMENTOS RICOS EM PROTEÍNAS
FONTE: <http://image.slidesharecdn.com/nutrientes-121012131839-phpapp01/95/
nutrientes-4-728.jpg?cb=1350048000>. Acesso em: 16 mar. 2016.
No artigo de Frenhani e Burini (1999, p. 228), os autores descrevem os 
mecanismos envolvidosna absorção de aminoácidos:
- quando ingeridas as proteínas, na boca são apenas reduzidas a 
partículas menores, sem sofrerem modificações químicas;
- quando chegam ao estômago (representam 10-20% da digestão total 
proteica), as proteínas e polipeptídios são desnaturados por ação 
do HCl e hidrolisadas pela pepsina, sendo que a maior parte desta 
digestão ocorre no lúmen do duodeno e jejuno, sob a influência do suco 
TÓPICO 1 | NUTRIÇÃO: ENERGIA PARA O EXERCÍCIO FÍSICO
21
pancreático, processando-se, quase completamente, no íleo terminal. 
- no intestino delgado, a enteropeptidase, em pH neutro, ativa o 
tripsinogênio a tripsina que, por sua vez, promove a ativação das outras 
propeptidases do suco pancreático, levando então à hidrólise luminal 
de proteínas e polipeptídios, produzindo aminoácidos (AA) livres e 
pequenos peptídeos, e estes são então hidrolisados pelas peptidases 
da borda em escova a AA, di e tripeptídios que são absorvidos, 
principalmente, no jejuno proximal. 
As unidades básicas que compõem uma proteína são chamadas de 
aminoácidos, e em humanos saudáveis, nove aminoácidos são considerados 
essenciais, pois devem ser inseridos na dieta, uma vez que não podem ser 
sintetizados endogenamente (ROGERO; TIRAPEGUI, 2008). Veja a seguir os 
aminoácidos essenciais e não essenciais.
FIGURA 20 - CLASSIFICAÇÃO DOS AMINOÁCIDOS 
FONTE: Disponível em: <http://images.slideplayer.com.br/1/333479/slides/slide_1.jpg>.
 Acesso em: 18 mar. 2016.
A leucina, valina e isoleucina são aminoácidos essenciais de cadeia 
ramificada (ACR), diferindo na sua concentração e também diferem em relação 
ao tipo de fibra muscular, ou seja, 20-30% maior em fibras de contração lenta em 
comparação àquelas de contração rápida (ROGERO; TIRAPEGUI, 2008).
A massa muscular de humanos é de 40-45% da massa corporal total, existe 
grande quantidade de ACR nas proteínas musculares e estes ACR correspondem a 
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
22
35% dos aminoácidos essenciais em proteínas musculares, e também são relevantes 
para a manutenção da proteína corporal, além de serem fonte de nitrogênio para a 
síntese de alanina e glutamina (ROGERO; TIRAPEGUI, 2008).
Olá, acadêmico!
Não se esgota aqui a importância da alimentação para a prática do exercício físico com objetivo 
de melhorar o desempenho. No próximo tópico você verá a alimentação adequada que deve 
ser realizada e sua influência no exercício físico. 
ESTUDOS FU
TUROS
Reportagem sobre como é a alimentação dos atletas de ponta 
Leia parte da reportagem sobre como é alimentação de atletas olímpicos, 
realizada pela BBC, em 20/07/2012. 
Se quiser visualizar a entrevista na íntegra, veja link disponível em: <http://
g1.globo.com/mundo/noticia/2012/07/londres-2012-como-e-a-alimentacao-dos-
atletas-de-ponta.html>. Acesso em: 28 jan. 2016.
Reportagem:
Uns têm que comer muito, outros muito pouco. Uns têm que escolher 
muito bem o que põem no prato, outros poucos podem ignorar qualquer restrição. 
Para todos os esportistas olímpicos, a dieta é um assunto crucial e específico.
Isso porque cada corpo atlético, alto ou baixo, robusto ou frágil, é uma 
“máquina” que requer combustível específico para obter o mais alto rendimento. 
O impacto da dieta sobre o desempenho esportivo já era conhecido pelos atletas 
olímpicos originais, no século VI a.C.
Segundo pesquisas históricas, as façanhas de alguns profissionais que 
consumiam dietas ricas em proteínas deram início a uma febre do consumo de 
carne entre os competidores que lutavam pela glória em Olímpia. “Não há uma 
fórmula para todos os esportes”, disse à BBC Álvaro García-Romero Pérez, 
professor da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Europeia de Madri 
e especialista em nutrição desportiva.
LEITURA COMPLEMENTAR
TÓPICO 1 | NUTRIÇÃO: ENERGIA PARA O EXERCÍCIO FÍSICO
23
“Não deve ser nada muito pesado, nem para esportistas nem para não 
esportistas. A alimentação deve ser parte de uma filosofia de vida e pode ser 
conseguida por meio da educação alimentar”, observa Marcia Onzari, chefe da 
cátedra de Nutrição da Universidade de Buenos Aires. A realidade é que, para 
alguns, “treinar” o estômago pode ser quase tão duro como converter-se no 
indivíduo mais rápido, forte ou no que salta mais alto.
Os que comem muito
Já se tornou uma lenda a história segundo a qual o nadador americano 
Michael Phelps, ganhador de 16 medalhas olímpicas, manteria uma dieta 
pantagruélica de 12 mil calorias por dia (quase cinco vezes a média recomendada 
para um homem adulto). O mesmo Phelps já desmentiu isso, que o professor 
García-Romero acredita ser um exagero.
Mas alguns esportes, que Onzari agrupa na categoria de “longa duração 
ou resistência”, requerem de verdade o consumo de quantidades de alimentos 
consideravelmente superiores ao de um ser humano médio. 
“Isso inclui a maratona, o triatlo, o remo, a natação em águas abertas, o 
ciclismo. Eles se caracterizam por uma demanda de energia muito elevada. Os 
esportistas têm que consumir uma quantidade suficiente de carboidratos para ter 
muita energia quando estão treinando ou competindo, junto com a hidratação”, 
observa Onzari.
Os alimentos que são fonte de carboidratos incluem os cereais como a aveia, 
a cevada, o trigo e o milho, as farinhas, os legumes e algumas frutas. García-Romero 
afirma que a chave está na “alimentação sustentada durante longos períodos que 
supõe o treinamento”, mas as experiências variam de um atleta para o outro.
Em um artigo recente na imprensa local, a nadadora de águas abertas 
Keri-Ann Payne atribuía a uma estratégia equivocada de alimentação o fato de 
ter perdido o campeonato mundial de 2007. “Na minha modalidade, o que faz a 
diferença é o que se come dois dias antes da competição. Você tem que se encher de 
carboidratos, coisa que eu não fiz. Comer uma montanha de arroz ou de macarrão 
não é tão divertido como parece”, disse.
Os que comem pouco
No outro extremo estão os “esportes de categoria de peso”, como o boxe e as 
artes marciais, e os “esportes estéticos”, como a ginástica ou o nado sincronizado. O 
controle do peso é fundamental em cada uma dessas modalidades, e pode colocar 
o atleta sob uma forte pressão diante da comida.
A lutadora turca de taekwondo Nur Takar, por exemplo, segue uma dieta 
de 1.500 calorias por dia, 500 abaixo da média recomendada às mulheres. A ginasta 
sul-coreana Son Yeon-Jae causou polêmica recentemente ao dizer publicamente 
que seguia um regime alimentar rígido e que comia “como um passarinho”: só café 
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
24
da manhã e almoço, em quantidades limitadas. “A vida é dura neste momento”, 
disse em uma entrevista em maio.
Para García-Romero, eticamente não é correto submeter qualquer atleta a 
esse tipo de dieta. “Não se deve fazer isso. Acima do atleta está a pessoa. No mundo 
dos esportes, muitas vezes, nos fixamos somente na época de competições, mas 
temos também que pensar no que acontecerá com essas pessoas depois”, afirma.
Os que comem alimentos específicos
Em outro grupo estão os atletas que precisam de força, como os levantadores 
de peso e os praticantes do arremesso de martelo. “Essas pessoas precisam de 
um aumento na quantidade de energia em sua alimentação para conseguir um 
aumento de massa muscular e, para isso, são necessários proteínas, creatina e 
suplementos para aumento de peso”, disse Onzari.
De acordo com García-Romero, isso também não seria recomendável do 
ponto de vista da saúde. “Se uma pessoa recebe proteínas por muito tempo, é 
possível que tenha problemas hepáticos e renais”, afirmou.
Outra história é a dos atletas que evitam ou se concentram em certos 
alimentos, que consideram importantes para seu sucesso ou simplesmente por 
gostarem mais. Umcaso famoso é o da maratonista chinesa Wang Junxia, cuja 
dieta inclui vermes e sopa de tartaruga. Já o jogador de basquete canadense Steve 
Nash é um grande fanático por nozes e grãos. 
O maratonista americano Michael Arnstein, por sua vez, não é somente 
vegetariano, mas se baseia estritamente em frutas. “Há muitos benefícios, tanto 
para a pessoa que a segue como para o planeta em que vivemos”, escreveu o atleta 
em seu blog.
Os que comem o que querem
Enquanto alguns atletas seguem dietas severas, outros dizem que comem 
o que querem. O corredor americano Tyson Gay faz parte do primeiro grupo. 
Segundo declarações recentes, a nutricionista do atleta determina que ele consuma 
230 gramas de proteínas, 308 gramas de carboidratos e 70 gramas de gorduras 
diariamente.
No outro extremo, o nadador do mesmo país Ryan Lochte não parece 
acreditar em nutricionistas. “A nutrição é a última coisa com que me preocupo. 
Como o que conheço bem. Estou comendo McDonald’s a cada refeição desde que 
cheguei aqui. E acredito que está me ajudando”, disse o nadador durante os Jogos 
Olímpicos de Pequim, em 2008.
TÓPICO 1 | NUTRIÇÃO: ENERGIA PARA O EXERCÍCIO FÍSICO
25
Um pouco menos radical é a britânica Jessica Ennis, que compete no 
heptatlo. “Todo mundo me fala que está se submetendo a uma dieta restrita, mas 
esse não é o meu caso. Como saladas e verduras, mas também chocolates. Alguns 
atletas comem normal”, disse recentemente.
Não há apenas uma receita para a vitória olímpica. Segundo especialistas, o 
senso comum teria que ser usado para manter a saúde no longo prazo. O professor 
Álvaro García-Romero afirma que os extremos são compreensíveis.
“Entendo que um atleta que treina de uma certa forma vai ter uma 
repercussão econômica e, na melhor das hipóteses, vai trabalhar um número 
limitado de anos e, depois, viver de renda”, afirmou.
ATIVIDADE PRÁTICA
Ações educativas para promoção de hábitos alimentares saudáveis
Objetivo: Realizar a criação da pirâmide alimentar com imagens, fotografias 
ou rótulos de alimentos. Elaborar um material educativo para orientação nutricional, 
por meio de um folder que apresente princípios da alimentação saudável. Tempo 
de duração: de 45 a 60 minutos. Material a ser utilizado: fotografias, imagens ou 
réplicas e rótulos de alimentos e uma cartolina. Separado em grupos, cada grupo 
cria o seu. 
UNI
Etapas: Em uma cartolina, desenhar a pirâmide de alimentos. 
1 - Colar as imagens, rótulos de alimentos de acordo com sua ordenação dos 
alimentos seguindo o guia da pirâmide alimentar. 
2 - É apresentada em quatro níveis e subdivida em oito grupos alimentares e 
ordenados da seguinte maneira:
- 1º nível: grupo dos cereais, tubérculos, raízes (base da pirâmide)
- 2º nível: grupo das hortaliças e grupo das frutas;
- 3º nível: grupo do leite e produtos lácteos; grupo das carnes e ovos e grupo 
das leguminosas; 
- 4º nível: grupo dos óleos e gorduras e grupo dos açúcares e doces (topo da 
pirâmide).
- Abaixo da pirâmide, água e exercícios físicos diversos.
3 - Depois se pode dividir e cada grupo apresenta um nível da pirâmide. 
4 - Estes cartazes podem ser colados ao longo da universidade como forma de 
promoção de hábitos saudáveis alimentares. 
26
Neste tópico, você viu que:
• A alimentação promove a saúde e previne doenças.
• A alimentação equilibrada também pode melhorar o rendimento do organismo 
na prática do exercício físico. 
• Os guias alimentares servem para que o indivíduo entenda de modo prático a 
importância de uma dieta equilibrada e o que deve conter. 
• Os macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídios) influenciam na ingestão 
calórica (IC) e no gasto energético (GE).
• Os macronutrientes têm papel no controle do peso e da reserva de gordura 
corporal.
• Os carboidratos são fundamentais no fornecimento de energia ao organismo, 
devendo ser consumidos em média de 55% a 60% da dieta diária. 
• Após a digestão, os carboidratos são armazenados na forma de glicogênio 
muscular (músculos) e glicogênio hepático (fígado). 
• O glicogênio muscular gera a energia durante o exercício e a sua depleção leva 
à fadiga.
• Para que haja recuperação precisa ter a restauração com envolvimento dos 
processos nutricionais.
• Os carboidratos podem ser classificados de acordo com o tamanho do carboidrato 
(grau de polimerização – número de unidades monoméricas) ou de acordo com 
sua digestibilidade ou disponibilidade.
• A maltodextrina é o único oligossacarídeo biodisponível no organismo humano.
• O polissacarídeo encontrado na alimentação é o amido, presente em tubérculos 
e cereais.
• Os carboidratos podem classificados de acordo com a digestibilidade, que são 
carboidratos digeríveis, carboidratos parcialmente digeríveis e carboidratos 
indigeríveis. 
• O índice glicêmico classifica os alimentos em relação ao efeito que ele exerce na 
glicemia pós-prandial. 
RESUMO DO TÓPICO 1
27
• O IG dos alimentos consumidos antes, durante e após o treino influencia o 
desempenho do exercício.
• Quando se pretende avaliar um alimento isoladamente, o ideal é avaliar a carga 
glicêmica (CG), pois esta envolve a qualidade e a quantidade do carboidrato 
consumido.
• No exercício físico diário e na melhora do desempenho físico de atletas é utilizado 
o índice glicêmico como um guia de referências para a seleção do suporte 
nutricional ideal de carboidratos.
• Os lipídios são moléculas pequenas semelhantes na estrutura.
• Os principais tipos de lipídios são os triglicerídeos (gorduras e óleos), fosfolipídios, 
ceras e esteroides. 
• Durante o exercício físico, os lipídios (gorduras) são utilizados como importantes 
fontes de energia juntamente com o carboidrato, poupando o glicogênio 
muscular.
• Em exercícios de longo tempo, ou seja, com esforço prolongado, o sistema 
musculoesquelético usa como substrato energético fontes provenientes dos 
carboidratos e lipídios.
• As proteínas como macromoléculas, compostas por um conjunto de aminoácidos 
de baixo peso molecular.
• As proteínas têm a função de fontes de energia e calor, reguladora (hormonal), 
estrutural (colágeno), defensivas (anticorpos), de transporte (albumina) e de 
ação catalítica (enzimas).
• Quando ingeridas as proteínas, na boca são apenas reduzidas a partículas 
menores, no estômago (representam 10-20% da digestão total proteica) e no 
intestino delgado, são reduzidas a aminoácidos (AA) livres e pequenos peptídios. 
• As unidades básicas que compõem uma proteína são chamadas de aminoácidos.
• Há 20 aminoácidos, nove aminoácidos são considerados essenciais, pois devem 
ser ingeridos na dieta, visto que não podem ser sintetizados endogenamente. 
• A leucina, valina e isoleucina correspondem a 35% dos aminoácidos essenciais 
em proteínas musculares. 
• A leucina, valina e isoleucina são aminoácidos essenciais de cadeia ramificada 
(ACR).
28
1. A nutrição acompanha o .................... em todas as etapas de sua vida, com 
suas peculiaridades ...................., levando em conta origens, ...................., 
condições .......................e múltiplas finalidades e, atualmente, a ........................
está presente na mídia brasileira com modelos de ........................para perder 
ou ganhar peso, para robustecer ........................., para melhorar a saúde e 
para diversificar e sofisticar o ......................... (ROMANELLI, 2006, p. 335). 
Assinale a alternativa correta que preenche a citação acima: 
a) ( ) ser humano, dietas, idade, fisiológicas, alimentação, dietéticas, músculos, 
cardápio
b) ( ) ser humano, fisiológicas, idade, dietéticas, alimentação, dietas, músculos, 
cardápio
c) ( ) ser humano, cardápio, dietéticas, idade, alimentação, músculos, 
fisiológicas, dietas 
d) ( ) ser humano, dietéticas, idade, fisiológicas, alimentação, dietas, músculos, 
cardápio2. Para o entendimento da atuação dos macronutrientes é necessário analisar:
EXCETO:
a) ( ) Ingestão. 
b) ( ) Oxidação. 
c) ( ) Resistência cardiovascular.
d) ( ) Termogênese. 
3. Em relação às proteínas, assinale V para verdadeiro e F para falso sobre suas 
características:
( ) Micromoléculas, compostas por um conjunto de aminoácidos de alto peso 
molecular.
( ) São fontes de energia e calor.
( ) Quando ingeridas as proteínas, na boca são reduzidas a partículas menores 
e sofrem modificações químicas.
( ) Têm função reguladora (hormonal), estrutural (colágeno), defensivas 
(anticorpos), de transporte (albumina). 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
a) ( ) V – F – V – V. 
b) ( ) V – F – F – F.
c) ( ) F – V – F – V.
d) ( ) V – F – F – V.
AUTOATIVIDADE
29
4. Sobre os lipídios, assinale a alternativa verdadeira:
a) ( ) Durante o exercício físico os lipídios (gorduras) são utilizados como 
importantes fontes de energia juntamente com o carboidrato, poupando o 
glicogênio muscular. 
b) ( ) Durante o exercício físico os lipídios (gorduras) não são utilizados como 
importantes fontes de energia juntamente com o carboidrato, poupando o 
glicogênio muscular.
c) ( ) Durante o exercício físico os lipídios (gorduras) são utilizados como 
importantes fontes de energia, mas não com o carboidrato.
d) ( ) Durante o exercício físico os lipídios (gorduras) são utilizados como 
importantes fontes de energia juntamente com o carboidrato, gastando todo 
o glicogênio muscular.
30
31
TÓPICO 2
ALIMENTAÇÃO ADEQUADA AO EXERCÍCIO 
FÍSICO, HIDRATAÇÃO, DESIDRATAÇÃO E 
VITAMINAS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, você entenderá o equilíbrio entre consumo de macronutrientes 
e o seu aporte ao exercício físico, bem como a influência do consumo adequado de 
vitaminas e água, necessários ao equilíbrio corporal.
2 ALIMENTAÇÃO ADEQUADA AO EXERCÍCIO FÍSICO
O equilíbrio dos macronutrientes no exercício, segundo McArdle, Katch e 
Katch (2011, p. 12), “depende da intensidade e da duração do esforço, assim como 
da aptidão e do estado nutricional do indivíduo”. 
“Em exercícios, intensos fatores neuro-humorais reduzem a liberação de 
insulina, pois ocorre a elevação da produção hormonal de adrenalina, noradrenalina 
e glucagon e atuam sobre a enzima glicogênio fosforilase, que facilita a glicogenólise 
no fígado e no músculo ativo”. (MCARDLE; KATCH; KATCH, 2011, p. 12).
“O glicogênio muscular armazenado fornece energia sem utilizar o oxigênio 
e se constitui como o principal fornecedor de energia nos primeiros minutos 
do exercício, e com a progressão do exercício, a glicose carreada pelo sangue 
aumenta sua contribuição como combustível metabólico” (MCARDLE; KATCH; 
KATCH, 2011, p. 12), “durante a prática de exercícios físicos tanto aeróbios quanto 
anaeróbios” (CYRINO; ZUCAS, 1999, p. 73). 
“No exercício anaeróbico intenso, o carboidrato é o único macronutriente 
capaz de fornecer energia rapidamente quando o suprimento de oxigênio não 
satisfaz as necessidades de oxigênio de um músculo”. (MCARDLE; KATCH; 
KATCH, 2011, p. 12).
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
32
FIGURA 21 - FUNÇÃO DOS CARBOIDRATOS PARA A CONTRAÇÃO MUSCULAR 
Fonte: Cyrino e Zucas, (1999, p. 73)
Assim, consumir carboidratos antes do exercício físico aumenta as reservas 
de glicogênio muscular e hepático, mas devem ser administrados cerca de três 
ou quatro horas antes da prática, para facilitar a digestão, normalizar os níveis 
glicêmicos e insulinêmicos e garantir bons níveis energéticos, pois antes disso, 
como, por exemplo, cerca de 30-60 minutos antes do esforço físico, pode levar à 
hiperinsulinemia e reduzir as concentrações sanguíneas de glicose e ácidos graxos 
livres (AGL), afetando negativamente o desempenho, especialmente em esforços 
prolongados (CYRINO; ZUCAS, 1999). 
Alguns estudos são realizados para mostrar essa relação do consumo de 
carboidratos antes, durante e depois do exercício, para estudar a sua influência 
na performance. Veja os estudos no quadro a seguir. O estudo de Sapata, Fayh e 
Oliveira (2006) aponta que a glicose antes não afetou o desempenho no exercício 
e o estudo de Febbraio et al. (2000) concluiu que a pré-ingestão de carboidrato 
melhora o desempenho apenas quando a ingestão de CHO é mantida durante 
todo o exercício e que a ingestão de carboidrato durante 120 minutos de ciclismo 
pode melhorar o desempenho.
TÓPICO 2 | ALIMENTAÇÃO ADEQUADA AO EXERCÍCIO FÍSICO, HIDRATAÇÃO, DESIDRATAÇÃO E VITAMINAS
33
QUADRO 5 - ESTUDO DE CAMPO SOBRE O METABOLISMO DE CARBOIDRATO DURANTE O 
EXERCÍCIO
Estudo/
referência
Sujeitos/
Idade (anos)/sexo
Intervenção 
Duração (semanas)
Resultados
SAPATA, 
FAYH E 
OLIVEIRA 
(2006)
10 homens
(23 ± 2,1 anos)
(não fumantes e 
não atletas)
- exercício foi cargas 
progressivas em 
cicloergômetro
- 30 min antes do exercício 
= 250ml de uma das três 
diferentes bebidas: 
G1) placebo (suco Clight® (0g 
de CHO); 
G2) 1g de maltodextrina/kg
em água, mesmo sabor do 
placebo;
G3) 250ml de Gatorade® 
(18g de CHO) + glicose para 
completar 1g de glicose/kg 
no mesmo sabor das demais. 
 - ↑ glicemia após 30 
min do consumo da 
bebida malto 
- ↓ níveis glicêmicos 
aos 15 min do 
exercício, com o 
consumo das bebidas 
malto e glicose
- ↑ frequência cardíaca 
durante o exercício 
com a ingestão da 
bebida glicose 
- desempenho não 
foi alterado com as 
bebidas
FEBBRAIO 
et al. (2000)
7 homens
(26.9 ± 6.6 anos)
(treinados em 
endurance)
- exercício foi cicloergômetro 
em 120 minutos
G1 = placebo 30min antes e 2 
g/kg de carboidrato durante o 
exercício.
G2 = 2 g/kg de carboidrato 
30min antes e placebo durante 
o exercício.
G3 = 2 g/kg de carboidrato 
30min antes e durante o 
exercício.
G4 = placebo 30min antes e 
durante o exercício.
- ↑ glicemia no G2 e G3 
- ↓ níveis glicêmicos até 
os 80 min no G1, G2 e 
G3
- ↓ níveis glicêmicos 
depois de 80 min no G2 
e G4, mas estável no 
G1 e G3
- Atlas concentrações 
de glicose no 
plasma aumenta 
o desempenho no 
exercício. 
Fonte: A autora
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
34
Ao ler a tabela acima, você, acadêmico, pode visualizar a importância da 
adequação do alimento na nossa dieta, especialmente do CHO, pois o consumo de 
carboidratos influencia vários marcados bioquímicos e pode aumentar ou diminuir 
o desempenho na prática do exercício. 
NOTA
Veja como ler os estudos da tabela, se confirmam ou refutam a teoria. Portanto, 
faça sempre isso, busque artigos, analise-os. Em se tratando de nutrição, busque sempre auxílio 
de um nutricionista para orientação da dieta adequada a cada esporte.
Para o American College of Sports Medicine (2000), a refeição, antes de 
qualquer exercício físico, deve:
- Ter quantidades suficientes de líquidos para manter a hidratação.
- Ser relativamente baixa em gorduras e fibras para facilitar o esvaziamento 
gástrico e minimizar o estresse gastrointestinal.
- Ser relativamente alta em carboidratos para maximizar a manutenção da 
glicose sanguínea. 
- Moderada em proteínas e composta por alimentos com que o atleta esteja 
familiarizado, para reduzir os riscos de intolerância. 
Durante o repouso e no exercício a proteína seria o pool energético, 
fornecendo pelo menos 5% de energia, e com o aumento da duração do exercício. 
Tem-se como ideal a ingestão de 1,2 a 1,5 de proteína/kg de peso corporal/dia, pois 
contribui com a manutenção de concentrações de glicose através da gliconeogênese 
no fígado. Mas toda atenção deve ser dada na ingestão de uma elevada quantidade 
de proteína, pois poderia comprometer a ingestão de carboidrato, causar 
desidratação eo excesso de proteína estocado como tecido adiposo (GUERRA, 
2004).
Veja os vídeos a seguir, sobre como se alimentar antes, durante e depois do treino:
Vídeo 1= <https://www.youtube.com/watch?v=s9ZXxYgD7GU>.
Vídeo 2 = <https://www.youtube.com/watch?v=m6WJTrr29oc>.
DICAS
TÓPICO 2 | ALIMENTAÇÃO ADEQUADA AO EXERCÍCIO FÍSICO, HIDRATAÇÃO, DESIDRATAÇÃO E VITAMINAS
35
Agora, caro acadêmico, falaremos da água, considerada como a fonte da 
vida, pois ela é o elemento mais importante da natureza e de nosso organismo, 
além de participar de vários processos fisiológicos. Você sabia que um ser humano 
pode passar no máximo três dias sem consumir água? Leia a seguir e veja por que 
o ser humano não pode viver mais de três dias sem água. 
3 ÁGUA
“Considerado um composto inorgânico, a água constitui 55% a 60% da 
massa corporal de adultos” (TORTORA; DERRICKSON, 2012, p. 29), “65% a 75 
% do peso dos músculos e 50% do peso da gordura corporal, assim, diferenças 
na água corporal total são devido às diferenças corporais”. (MCARDLE; KATCH; 
KATCH, 2011, p. 50). 
Segundo Tortora e Derrickson (2012, p. 29-30), várias são as propriedades 
da água, como elemento essencial à vida. São elas:
- Solvente: A água carrega nutrientes, oxigênio e resíduos por todo o 
corpo.
- Reações químicas: é um meio ideal para as reações químicas, pelo fato de 
poder dissolver diferentes substâncias.
- Absorção e liberação de calor: absorve ou libera uma quantidade 
relativamente grande de calor com apenas uma pequena mudança em 
sua temperatura. Modera os efeitos das mudanças de temperaturas 
ambientais, ajudando a manter a homeostase da temperatura corporal.
- Necessita uma grande quantidade de calor para mudar do estado líquido para 
o gasoso: a água evapora pelo suor, ajudando a resfriar o corpo, por levar 
grandes quantidades de calor. 
- Lubrificante: componente principal da saliva, dos mucos e outros 
líquidos lubrificantes. Sendo que a lubrificação é necessária nas 
cavidades abdominal, torácica, articulações. 
O corpo humano possui dois sistemas hídricos, o intracelular (no meio da 
célula) e o extracelular (líquidos que circundam as células, como plasma, linfa, 
saliva, líquido existente nos olhos, secretado pelas glândulas, trato digestivo, 
que banha os nervos da medula espinhal, pela pele e rins) (MCARDLE; KATCH; 
KATCH, 2011, p. 50).
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
36
FIGURA 22 - ÁGUA NO CORPO HUMANO 
FONTE: Disponível em: <http://image.slidesharecdn.com/oficinas2012-121018140648-
phpapp01/95/oficina-de-capacitaogesto-sustentvel-dos-recursos-hdricos-27-638.
jpg?cb=1350569430>. Acesso em: 25 mar. 2016.
“A ingestão de água normalmente deve ser de 2,5 litros de água por dia, 
que é fornecida por três fontes”:
- durante o metabolismo (pela degradação das moléculas para obtenção de 
energia, forma-se dióxido de carbono e água);
- pelos líquidos;
- pelos alimentos (a maioria dos alimentos, especialmente frutas e verduras, 
contém grandes quantidades de água). (MCARDLE; KATCH; KATCH, 2011, p. 51).
A excreção de água é realizada pelo corpo, por algumas vias. 
- pela urina (99% dos líquidos ingeridos são absorvidos pelo rim, o que 
equivale a 1.000 a 1.500 mL por dia); 
- através da pele (350 ml são perdidos pela pele em forma de suor); como 
vapor de água (pequenas gotículas aquosas no ar exalado, de 250 a 350 ml por dia);
- pelas fezes (entre 100 a 200mL são perdidos pela eliminação intestinal, 
pois 70% do material fecal é formado por água). (MCARDLE; KATCH; KATCH, 
2011, p. 51). 
Veja a figura a seguir, que mostra o ganho e perda de água:
TÓPICO 2 | ALIMENTAÇÃO ADEQUADA AO EXERCÍCIO FÍSICO, HIDRATAÇÃO, DESIDRATAÇÃO E VITAMINAS
37
FIGURA 23 - EQUILÍBRIO HÍDRICO
FONTE: Tortora, Derrickson (2012, p. 560)
Um dos principais excretores de água corporal é o suor, que contém, além 
da água, outros minerais em diversas concentrações, e quando o suor é eliminado, 
diversos fatores interferem na sua composição, porém, entre os eletrólitos, os que 
sofrem maiores modificações são o sódio e o cloreto, cuja concentração é mais 
elevada (HIRATA; VIST; LIBERALI, 2008).
3.1 ELETRÓLITOS
As correntes elétricas são conduzidas por substâncias, chamadas eletrólitos, 
que podem atuar na membrana celular e gerar corrente elétrica (por exemplo, o 
impulso nervoso) ou ainda ativar enzimas para controlar inúmeras atividades 
metabólicas da célula (MARTINS et al., 2007). “Os eletrólitos encontram-se 
dissolvidas no corpo como partículas carregadas eletricamente e denominadas 
íons”. (MCARDLE; KATCH; KATCH, 2011, p. 47). Veja a seguir a diferença entre 
eletrólitos e não eletrólitos.
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
38
FIGURA 24 - DIFERENÇA ENTRE ELETRÓLITOS E NÃO ELETRÓLITOS
FONTE: Disponível em: <http://images.slideplayer.com.br/2/370558/slides/slide_5.
jpg>. Acesso em: 30 mar. 2016.
Sua principal função é controlar a troca de fluidos dentro dos vários 
receptores de líquidos do corpo, levando assim à excreção entre as células e o meio 
externo e o equilíbrio entre as trocas de nutrientes (KATCH; MCARDLE, 1996). 
Sendo que os principais fluidos corporais são sódio, potássio, cloreto, bicarbonato, 
sulfato, magnésio e cálcio (MARTINS et al., 2007). 
Os íons fundamentais na manutenção da pressão osmótica e equilíbrio 
ácido-base dos líquidos corporais são o cloro (Cl-), sódio (Na+) e o potássio (K+). O 
potássio, magnésio e fosfato encontram-se em maiores quantidades intracelulares, 
enquanto sódio, cálcio e cloro têm uma concentração muito mais elevada no líquido 
extracelular (MARTINS et al., 2007). 
“O principal eletrólito do meio extracelular é o sódio, que tem a função 
determinante na regulação do equilíbrio osmótico e possui valores de normalidade 
compreendidos entre 135 e 145 mmol/L”. (MARINS; DANTAS; NAVARRO, 2003, 
p. 15).
“Quando existe uma grande produção de suor recomenda-se, em geral, o 
consumo de líquidos que contenham eletrólitos, em particular o sódio, entretanto ainda se 
discute qual a quantidade e sob que condições de exercício a reposição deste eletrólito será 
necessária. Sendo assim, é importante estabelecer o grau de influência do conteúdo de sódio 
das bebidas hidratantes relacionadas com o tempo de exercício e o grau de desidratação”. 
(MARINS; DANTAS; NAVARRO, 2003, p. 13).
DICAS
TÓPICO 2 | ALIMENTAÇÃO ADEQUADA AO EXERCÍCIO FÍSICO, HIDRATAÇÃO, DESIDRATAÇÃO E VITAMINAS
39
3.2 HIDRATAÇÃO (EUIDRATAÇÃO) E DESIDRATAÇÃO
“Quando o corpo humano é submetido a uma atividade, eleva a produção 
de calor e, consequentemente, a ativação dos mecanismos fisiológicos de controle 
térmico e hídrico”. (RIBEIRO; LIBERALI, 2010, p. 508). Assim, a ingestão hídrica 
torna-se essencial para manter esse equilíbrio e, ao mesmo tempo, melhorar o 
desempenho e a saúde dos indivíduos (MARTINS et al., 2007).
Algumas terminologias são importantes para o entendimento do conteúdo 
do equilíbrio hídrico corporal, segundo Marquezi e Lancha Junior (1998, p. 219):
- Hiperidratação e hipoidratação (aumento ou a diminuição do volume 
hídrico corporal);
- Desidratação (processo de perda de água, passando de um estado 
hiperidratado para um estado euidratado, e/ou continuamente para um estado 
hipoidratado); 
- Reidratação (processo de recuperação do volume hídrico corporal normal, 
a partir do estado hipoidratado em direção ao estado euidratado).
“A perda hídrica pela sudorese durante o exercício pode levar o organismo 
à desidratação, com aumento da osmolalidade, da concentração de sódio no 
plasma e diminuição do volume plasmático” (MACHADO-MOREIRA et al., 2006, 
p. 405). Quando a ingestão hídrica não consegue repor as perdas de água, ocorre 
um desequilíbrio na dinâmica dos líquidos, gerando a desidratação, afetando as 
funções fisiológicase a termorregulação (MCARDLE; KATCH; KATCH, 2011). 
Uma forma de avaliação da hidratação é pela variação do peso corporal, 
antes e após o exercício (MACHADO-MOREIRA et al., 2006, p. 405). Quando se 
perdem 2% do peso corporal, o indivíduo já se encontra desidratado, e perdas de 
5% podem diminuir a capacidade de trabalho do corpo e o desempenho em cerca 
de 30% (MONTEIRO; GUERRA; BARROS, 2003). 
Acadêmico! Na tabela a seguir visualizaremos os tipos de classificação 
do estado de hidratação corporal e alguns índices que são utilizados para essa 
classificação (peso corporal, coloração da urina e gravidade específica da urina):
TABELA 2 – CLASSIFICAÇÃO DO ESTADO DE HIDRATAÇÃO CORPORAL
Fonte: Machado-Moreira et al. (2006, p. 406)
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
40
Atenção, caro acadêmico! Temos que ter cuidado e evitar a desidratação, 
pois ela pode trazer vários prejuízos à pessoa, pois leva ao desequilíbrio de fluidos 
e eletrólitos nas células musculares, afetando os processos energéticos e pode até 
gerar a fadiga.
A recomendação para repor a perda hídrica, segundo ACSM (2000), é que 
se beba água em quantidades suficientes para repor a perda hídrica pela sudorese, 
como, por exemplo, em um exercício até 60 minutos de duração, a ingestão de 200 
ml de água, em intervalos de 15 minutos para uma hidratação ótima.
As perdas hídricas são, muitas vezes, utilizadas por atletas de modalidades 
de luta para se encaixarem em outras categorias, e para isso optam pela perda 
brusca do peso corporal, que pode levar a vários prejuízos fisiológicos, como a 
redução de força muscular, aumento de eletrólitos perdidos pelo corpo, depleção 
dos estoques de glicogênio, prejuízo ao processo termorregulatório, entre outros 
(FABRINI et al., 2010).
Veja nos estudos a seguir, caro acadêmico, como a restrição hídrica 
(desidratação) é uma das principais estratégias utilizadas pelos atletas para a 
perda rápida de peso. Mas precisa ser observado o que Artioli, Franchini e Lancha 
Junior (2006, p. 92) apontam em seus estudos: “que os métodos utilizados pelos 
atletas para reduzir o peso, muitas vezes são, em sua maior parte, potencialmente 
perigosos à saúde, além de prejudiciais ao desempenho”.
E que toda perda ou reposição deve ser feita respeitando os princípios 
fisiológicos.
QUADRO 6 - ESTUDO DE CAMPO SOBRE ESTRATÉGIAS USADAS PARA A PERDA DE PESO 
Estudo/
referência
Sujeitos/
Idade (anos)/sexo Principais resultados para a perda de peso rápida 
Fabrini et al. 
(2010)
125 atletas de judô
(105 masculinos
e 20 femininos) 
(média de idade 17 
anos)
- Aumento de atividades (70 = 76,1%)
- Dieta hipocalórica (55 = 59,8%)
- Restrição de carboidratos (30 =32,6%)
- Restrição de líquidos (19 = 20,7%)
- Restrição de lipídios (11 = 12,0%)
- Uso de diurético e/ou laxante (10 = 10,9%)
- Uso de sauna/roupas antitranspirantes (09 = 9,8%)
Artioli et al. 
(2006)
28 judocas de elite 
do sexo masculino
- Desidratação (70 = 68,4%)
- Diminuição da ingestão energética total (12 = 
63,1%)
- Cortar gorduras e guloseimas (09 = 47,4%)
- fazer mais exercícios (05 = 26,3%)
- cortar ou diminuir a ingestão no jantar (05 = 
26,3%)
- Diminuir a ingestão de carboidratos (02 = 10,5%)
Fonte: A autora
TÓPICO 2 | ALIMENTAÇÃO ADEQUADA AO EXERCÍCIO FÍSICO, HIDRATAÇÃO, DESIDRATAÇÃO E VITAMINAS
41
FIGURA 25 - EFEITOS DA DESIDRATAÇÃO 
Fonte: Reis, Seelaender, Rossi, 2010, p. 432
A função cognitiva pode ser afetada pela desidratação, principalmente 
nas fases pelas quais as informações são processadas: percepção, aprendizagem, 
memória, atenção, vigilância, raciocínio e solução de problemas, incluindo 
funcionamento psicomotor (tempo de reação, tempo de movimento e velocidade 
de desempenho) (REIS; SEELAENDER; ROSSI, 2010).
Vimos acima que a desidratação faz mal para o organismo. Perguntamos: qual é 
a quantidade ideal de hidratação durante o esporte?
DICAS
Maughan e Leiper (1994) descrevem em seu artigo que a reposição de 
líquidos deve ser proporcional a alguns fatores, tais como: 
- intensidade do exercício; 
- condições climáticas; 
- aclimatação do indivíduo; 
- condicionamento físico do indivíduo; 
- características individuais fisiológicas e biomecânicas do exercício. 
A hidratação é um fator importante que deve ser considerado antes e durante 
(melhora o desempenho, principalmente se o líquido a ser consumido contém 
carboidrato) e depois do exercício (MONTEIRO; GUERRA; BARROS, 2003).
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
42
Veja os vídeos da USP sobre como fazer hidratação no exercício.
Vídeo 1: <http://eaulas.usp.br/portal/video.action?idItem=3804>.
Vídeo 2: <http://eaulas.usp.br/portal/video.action?idItem=3805>.
Vídeo 3: <http://eaulas.usp.br/portal/video.action?idItem=3806>.
DICAS
Olá, acadêmico!
Não se esgota aqui o estudo da hidratação. Na Unidade 3 você verá os mecanismos 
termorregulatórios, que são afetados pela hidratação, mas levando em conta onde é realizado 
o exercício (em temperaturas quentes e/ou frias).
ESTUDOS FU
TUROS
Ao estudar esse caderno você está visualizando, caro acadêmico, 
que não é apenas um simples alimento que faz a diferença na nossa saúde e, 
consequentemente, na prática do exercício. Mas um conjunto de alimentos, 
nutrientes, que, adequados, formam a base de um organismo saudável e que pode 
levar à diferença do rendimento durante o exercício físico. Isso não seria diferente 
com as vitaminas. Vamos entender agora a importância dessas substâncias nesse 
contexto alimentar aliado ao exercício. 
3.3 VITAMINAS E SUA RELAÇÃO COM O EXERCÍCIO FÍSICO
“Vitaminas são substâncias orgânicas presentes em muitos alimentos em 
pequenas quantidades e indispensáveis ao funcionamento do organismo, na forma 
de cofatores”. (PAIXÃO; STAMFORD, 2004, p. 96). Elas não contêm energia para o 
corpo, mas funcionam como elos essenciais e reguladores nas reações metabólicas 
que liberam energia a partir do alimento e podem ser classificadas em lipossolúveis 
(vitaminas A, D, E, K) e em hidrossolúveis (vitaminas C, B6, B1, B2, B12, niacina, 
ácido pantotênico, biotina, ácido fólico (MCARDLE; KATCH; KATCH, 2011). 
As vitaminas lipossolúveis são obtidas pela dieta, das gorduras, e uma 
ingestão excessiva dessas vitaminas pode ser prejudicial. Já as hidrossolúveis 
funcionam essencialmente como coenzimas, participam diretamente das reações 
químicas e são dispersas nos líquidos corporais e qualquer excesso é eliminado 
pela urina (MCARDLE; KATCH; KATCH, 2011).
TÓPICO 2 | ALIMENTAÇÃO ADEQUADA AO EXERCÍCIO FÍSICO, HIDRATAÇÃO, DESIDRATAÇÃO E VITAMINAS
43
FIGURA 26 - CLASSIFICAÇÃO DAS VITAMINAS CONFORME A SOLUBILIDADE 
FONTE: Disponível em: <http://cptstatic.s3.amazonaws.com/imagens/enviadas/materias/
materia10259/tabela-saude-1.jpg>. Acesso em: 11 out. 2016.
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
44
FIGURA 27 - CARACTERÍSTICAS DAS VITAMINAS 
FONTE: Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/-79nLRz5EHqM/TasoXmHv1rI/
AAAAAAAAAPc/6gFdTkXLcqg/s1600/vitaminas+2.png>. Acesso em: 1 abr. 2016.
As vitaminas hidrossolúveis (vitamina B1), tiamina (vitamina B2), 
riboflavina e vitamina B-6 são importantes para o exercício, pois ajudam na 
produção de energia durante o exercício (MANORE, 2000). 
Segundo Woolf e Manore (2006), auxiliam no exercício, pois:
- A tiamina desempenha um papel importante no metabolismo de 
carboidratos, gorduras e proteínas, especialmente os aminoácidos de cadeia 
ramificada (BCAA) (leucina, isoleucina e valina).
TÓPICO 2 | ALIMENTAÇÃO ADEQUADA AO EXERCÍCIO FÍSICO, HIDRATAÇÃO, DESIDRATAÇÃO E VITAMINAS
45
- A riboflavina é um componente essencial de duas coenzimas, que 
participam no metabolismo de aminoácidos, na produção hormonal e,principalmente, porque auxilia a transferência de elétrons que vêm das vias de 
energia à cadeia de transporte de elétrons para a formação de ATP, e também está 
envolvida na conversão de vitamina B-6 na sua forma ativa.
- A vitamina B-6 desempenha um papel importante nas vias metabólicas 
necessárias para o exercício, principalmente no metabolismo dos aminoácidos e 
na quebra de glicogênio.
Veja os vídeos sobre a suplementação de vitaminas e minerais aliados ao exercício 
físico:
Vídeo 1: <http://eaulas.usp.br/portal/video.action?idItem=3818>.
Vídeo 2: <http://eaulas.usp.br/portal/video.action?idItem=3818>.
Vídeo 3: <http://eaulas.usp.br/portal/video.action?idItem=3819>.
DICAS
Olá, acadêmico!
Não se esgota aqui o estudo das vitaminas. Você ainda verá que muitas vitaminas são 
antioxidantes, pois previnem o estresse oxidativo originado pela prática do exercício. 
ESTUDOS FU
TUROS
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
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LEITURA COMPLEMENTAR
REPORTAGEM SOBRE OS PROBLEMAS DA PERDA DE PESO 
ACELERADA NO MMA
Leia parte da reportagem Nutricionista alerta sobre os problemas da perda 
de peso acelerada no MMA, entrevista concedida pelo nutricionista Miguel Vieira 
em 15/09/2015 para o site Artes Marciais Fight, site D24.
Se quiser visualizar a entrevista na íntegra, veja disponível em: <http://
artesmarciaisfight.com.br/nutricionista-alerta/>. Acesso em: 1 abr. 2016.
Reportagem:
Muitos lutadores de MMA seguem sem um acompanhamento de um 
nutricionista, às vezes até por condições financeiras, porém vale a pena ressaltar, 
com grande ênfase, o problema de não ter tal acompanhamento, devido às 
aceleradas perdas de peso que os atletas passam para chegar ao peso ideal do 
combate. Para entender melhor sobre o que estamos falando, vale a pena ler essa 
entrevista com o nutricionista Miguel Vieira ao site D24. E se você é um lutador de 
MMA, conte-nos como se prepara para os dias de combate.
Manaus – No Mixed Martial Arts (MMA), a desidratação, perda de líquidos 
do corpo, é uma prática comum entre os lutadores para atingir mais rápido o peso 
da respectiva categoria. Mas o nutricionista Miguel Vieira, que é especializado 
em nutrição esportiva e já fez acompanhamento para lutadores de renome do 
Ultimate Fighting Championship (UFC), como Anderson Silva e os irmãos 
Rodrigo Minotauro e Rogério Minotouro, explicou ao DIÁRIO os riscos à saúde 
desta estratégia e revelou qual método considera menos prejudicial ao organismo. 
Ele veio do Rio de Janeiro para dar consultas por três dias numa clínica particular, 
em Manaus.
“Muitas pessoas não entendem porque um lutador perdeu 10 quilos para 
lutar numa categoria. Eu peso 95 quilos e se fosse um lutador de MMA eu competiria 
na categoria até 93 quilos, que é a meio-pesado. Se lutasse nessa categoria não 
precisaria fazer sacrifício nenhum, já estaria no meu peso e estaria tranquilo com 
a alimentação normal, enquanto meu adversário debilitado pela perda de peso”, 
exemplificou Vieira. “A diferença é que no dia seguinte da pesagem, no dia da 
luta mesmo, ainda estaria com os meus 93 quilos e o meu oponente poderia 
estar até com 105 quilos, porque desidratou para atingir o peso. Esse processo de 
desidratação é realmente arriscado e pode causar insuficiência renal, taquicardia e 
vários problemas. Esse método deriva do boxe”, completou.
A perda de líquidos, conforme o nutricionista, vira a única forma para um 
lutador, que prefere competir numa categoria abaixo do peso ideal do seu corpo, 
‘bater’ na pesagem.
TÓPICO 2 | ALIMENTAÇÃO ADEQUADA AO EXERCÍCIO FÍSICO, HIDRATAÇÃO, DESIDRATAÇÃO E VITAMINAS
47
O Rousimar Palhares, o Toquinho (ex-UFC e atualmente no World Series 
of Fighting), pesa 94 quilos e consigo colocá-lo com 88 quilos e 3% de gordura, mas 
ele luta na categoria 77 quilos. Então, não sobra mais gordura para perder, por isso 
só me resta tirar água (do corpo), porque o músculo tem 70% de líquido e nessa 
margem é que faço perder bastante água”, comentou. “Na verdade, ele não perde 
dez quilos e, sim, dez litros na última semana. “Por isso, é possível de um dia para 
o outro devolver até dez ou 15 quilos, que seriam os litros, por voltar a se reidratar 
e se alimentar”, comentou o especialista.
Por deixar o corpo mais debilitado, a desidratação é a última fase da 
redução do peso e precisa de cuidados redobrados. “O segredo é a perda gradativa 
junto com uma equipe (multidisciplinar). Não é apenas o nutricionista, é o 
preparador físico e o treinador. Não se pode exigir muito de um atleta nos últimos 
dez dias, esse período é só para perda de peso, fazendo manoplas, pulando corda, 
sauna ou banheira. Cada lutador tem sua estratégia”, disse. “Antes da pesagem 
se estabelecem metas diárias, porque se ficar nas mãos do atleta, acaba deixando 
para reduzir o peso nos últimos três dias. Nesse caso fica mais agressivo para o 
organismo, às vezes nem consegue subir na balança ou vira lutador de um round 
só”, alertou Vieira.
A reidratação para recuperar o peso para obter vantagem para a luta é um 
processo menos agressivo. Porém, sem exageros. “Eu recomendo beber líquidos 
gradativamente, já que o corpo se adaptou a ficar com pouca água e alimento. Se der 
uma enxurrada de alimento, o corpo se sente mal e é comum acabarem vomitando 
tudo. Primeiro é reidratar com bebidas isotônicas e depois água mineral e água de 
coco, apenas duas horas depois alimentos sólidos, mas mais carboidratos, como 
batata doce, macarrão integral e uma lasanha sem muito queijo”, recomendou. 
“Proteínas, como ovos, frangos e peixes, não são tão essenciais. Mas 88% do prato 
tem que ser de carboidratos, o restante será de proteínas e gorduras, porque são 
os carboidratos que darão a reserva de glicogênio muscular para usar na luta”, 
explicou.
Mea-culpa
O nutricionista Miguel Vieira espera que as regras da pesagem mudem 
no MMA. Numa ‘mea-culpa’, ele acredita que o acompanhamento do profissional 
médico deveria ser de outra maneira.
“Isso só vai terminar se fizerem igual como ocorre nas competições de 
judô e jiu-jítsu, em que a pesagem é duas horas antes da luta. Desta forma, um 
atleta não iria querer desidratar porque não conseguiria recuperar o peso duas 
horas depois”, exemplificou. “Se fizer assim (no MMA), a maioria dos atletas terá 
que subir uma categoria e lutar no peso deles. Eu torço para que isso aconteça 
porque, como nutricionista, sou pago para nutrir e não desnutrir. E esse processo 
de desidratação é uma forma de desnutrição, mas monitorada. Mas sei que isso faz 
parte do espetáculo”, comentou.
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RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você viu que:
• O equilíbrio dos macronutrientes no exercício depende da intensidade, duração, 
aptidão e do estado nutricional do indivíduo. 
• O glicogênio muscular armazenado fornece energia sem utilizar o oxigênio e 
se constitui como o principal fornecedor de energia nos primeiros minutos do 
exercício.
• Com o passar do exercício a glicose carreada pelo sangue aumenta sua 
contribuição como combustível metabólico. 
• Consumir carboidratos antes do exercício físico aumenta as reservas de glicogênio 
muscular e hepático, mas deve ser administrada cerca de três ou quatro horas 
antes da prática.
• Consumir carboidratos 30-60 minutos antes do esforço físico pode afetar 
negativamente o desempenho, especialmente em esforços prolongados.
• Durante o repouso e no exercício a proteína fornece pelo menos 5% de energia.
• A água constitui 55% a 60% da massa corporal, de 65% a 75 % do peso dos 
músculos e 50% do peso da gordura corporal.
• As propriedades da água, como elemento essencial à vida, são de solvente, 
absorção e liberação de calor, resfriar o corpo e lubrificante. 
• O corpo humano possui dois sistemas hídricos, o intracelular e o extracelular.
• A ingestão de água normalmente deve ser de 2,5L por dia.
• A ingestão de água é fornecida por três fontes: durante o metabolismo, pelos 
líquidos, pelos alimentos. 
• A excreção de água é realizada pelo corpo, pela urina, pela pele e pelas fezes.
• Um dos principais excretores de água corporal é o suor.
• As correntes elétricas são conduzidas por substâncias, chamadas eletrólitos.
• Os eletrólitos encontram-se dissolvidos no corpo como partículas carregadas 
eletricamente.
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• A principal função dos eletrólitos é controlar a troca de fluidos dentro dos vários 
receptores de líquidos do corpo.
• Os principais fluidos corporais são sódio, potássio, cloreto, bicarbonato, sulfato, 
magnésio e cálcio. 
• O principal eletrólito do meio extracelular é o sódio.
• Quando o corpo humano é submetido a uma atividade, eleva a produção de 
calor.
• A ingestão hídrica torna-se essencial para melhorar o desempenho e a saúde dos 
indivíduos.
• Quando a ingestão hídrica não consegue repor as perdas de água, ocorre um 
desequilíbrio na dinâmica dos líquidos, gerando a desidratação.
• Quando se perde 2% do peso corporal, o indivíduo já se encontra desidratado.
• Perdas de 5% do peso corporal podem diminuir a capacidade de trabalho do 
corpo e o desempenho em cerca de 30%.
• A desidratação pode trazer vários prejuízos à pessoa, no desempenho, afetando 
os processos energéticos e até gerar a fadiga.
• A recomendação para repor a perda hídrica é que se beba água em quantidades 
suficientes para repor a perda hídrica pela sudorese, com a ingestão de 200 ml 
de água, em intervalos de 15 minutos para uma hidratação ótima.
• A função cognitiva pode ser afetada pela desidratação.
• A hidratação é um fator importante que deve ser considerado antes e durante 
(melhora o desempenho, principalmente se o líquido a ser consumido contém 
carboidrato) e depois do exercício.
• Vitaminas são substâncias orgânicas, na forma de cofatores.
• As vitaminas funcionam como elos essenciais e reguladores nas reações 
metabólicas que liberam energia a partir do alimento.
• As vitaminas são classificadas em lipossolúveis (vitaminas A, D, E, K) e em 
hidrossolúveis (vitaminas C, B6, B1, B2, B12), niacina, ácido pantotênico, biotina, 
ácido fólico. 
• As vitaminas hidrossolúveis (vitamina B1), tiamina (vitamina B2), riboflavina 
e vitamina B-6 são importantes para o exercício, pois ajudam na produção de 
energia durante o exercício. 
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1. Em relação ao consumo de carboidratos adequados ao exercício físico, 
assinale V para verdadeiro e F para falso sobre suas características:
( ) Consumir carboidratos antes do exercício físico aumenta as reservas de 
glicogênio muscular e hepático, micromoléculas compostas por um conjunto 
de aminoácidos de alto peso molecular.
( ) Devem ser administrados cerca de três ou quatro horas antes da prática. 
( ) Quando ingeridos cerca de 30-60 minutos antes do esforço físico, podem 
levar à hiperinsulinemia.
( ) Consumir antes do exercício não afeta o desempenho, deixando o indivíduo 
com maior disposição e sem risco de fadiga.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
a) ( ) V – F – V – V. 
b) ( ) V – F – F – F.
c) ( ) V – V – V – F.
d) ( ) V – F – F – V.
2. A refeição antes de qualquer exercício físico deve, EXCETO:
a) ( ) Ter quantidades suficientes de líquidos para manter a hidratação. 
b) ( ) Ser relativamente baixa em gorduras e fibras para facilitar o esvaziamento 
gástrico e minimizar o estresse gastrointestinal. 
c) ( ) Ser relativamente baixa em carboidratos para maximizar a manutenção 
da glicose sanguínea.
d) ( ) Moderada em proteínas e composta por alimentos com que o atleta esteja 
familiarizado, para reduzir os riscos de intolerância. 
3. Considerado um composto ..................., a água constitui ................... da 
massa corporal de adultos, ....................... do peso dos músculos e ............... 
do peso da gordura corporal, assim, diferenças na ............ total são devido 
às diferenças ..................... (TORTORA; DERRICKSON, 2012; MCARDLE; 
KATCH; KATCH, 2011). Assinale a alternativa correta que preenche a citação 
acima: 
a) ( ) inorgânico, 65% a 75%, 55% a 60%, 50%, corporais, água corporal. 
b) ( ) inorgânico, 50%, 55% a 60%, 65% a 75%, água corporal, corporais.
c) ( ) corporais, 55% a 60%, 50%, 65% a 75%, inorgânico, água corporal. 
d) ( ) inorgânico, 55% a 60%, 65% a 75%, 50%, água corporal, corporais.
4. O corpo humano possui dois sistemas hídricos. Sobre esses dois sistemas, 
associe os itens a seguir: 
AUTOATIVIDADE
51
I - intracelular 
II - extracelular 
( ) Líquidos que circundam as células.
( ) Meio da célula.
( ) Plasma, linfa, saliva, líquido existente nos olhos, secretado pelas glândulas, 
trato digestivo, que banha os nervos da medula espinhal, pela pele e rins.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
a) ( ) II – I – II.
b) ( ) I – I – II.
c) ( ) II – II – I.
d) ( ) I – II – II.
5. Conforme seus estudos, as correntes elétricas são conduzidas por substâncias, 
chamadas eletrólitos. Sobre esses aspectos dos eletrólitos, analise as seguintes 
sentenças:
Os eletrólitos não atuam na membrana celular e não geram corrente elétrica 
........ 
Encontram-se 
....... dissolvidas no corpo como partículas não carregadas eletricamente, mas 
como neutras. 
a) ( ) A primeira é uma afirmação verdadeira e a segunda, falsa.
b) ( ) Ambas afirmações são falsas. 
c) ( ) As duas são verdadeiras mas não tem relação entre si.
d) ( ) As duas são verdadeiras e a segunda é complemento e justificativa da 
primeira.
6. De acordo com o que você estudou na disciplina Fisiologia do Exercício, 
analise o conceito a seguir: “Vitaminas são substâncias orgânicas presentes 
em muitos alimentos em pequenas quantidades e indispensáveis ao 
funcionamento do organismo. As vitaminas são obtidas pela dieta, das 
gorduras, e uma ingestão excessiva dessas vitaminas pode ser prejudicial”. 
A partir desse conceito, assinale a alternativa correspondente:
a) ( ) Lipossolúveis.
b) ( ) Hidrossolúveis.
c) ( ) Reguladoras.
d) ( ) Reações químicas.
52
53
TÓPICO 3
BIOQUÍMICA E BIOENERGÉTICA APLICADAS 
AO EXERCÍCIO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico você entenderá a diferença entre alguns conceitos importantes, 
utilizados no contexto da educação física, como atividade física, exercício físico, 
treinamento físico. Além de entender como o organismo humano vive em equilíbrio 
entre seus sistemas (homeostase), quais os sistemas de controle desse equilíbrio e a 
bioquímica e a bioenergética envolvidas nesse processo, tanto em repouso quanto 
durante a prática do exercício físico.
2 DIFERENCIAÇÃO ENTRE ATIVIDADE FÍSICA E EXERCÍCIO 
FÍSICO
Cara acadêmico! É comum a utilização dos termos atividade física e 
exercício físico, portanto, cabe essa distinção, pois a fisiologia de ambos difere, e 
durante o desenvolvimento deste caderno, os termos atividade física e exercício 
físico serão abordados como dois aspectos distintos. 
De acordo com Caspersen, Powell e Christenson (1985, p. 126), 
Atividade física é qualquer movimento corporal, produzido pelos 
músculos esqueléticos, que resulta em gasto energético maior do que 
os níveis de repouso, e exercício físico é uma atividade física planejada, 
estruturada e repetitiva que tem como objetivo final ou intermediário 
aumentar ou manter a saúde/aptidão física. 
54
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
Muitas formas de atividades são consideradas atividades físicas, como as 
atividades ocupacionais, cuidados com a casa, atividades de transporte e atividades 
realizadas em momentos de lazer, entre outros (SANTOS; SIMÕES, 2012).
O termo mais comum usado é o exercício físico que objetiva a melhora dos 
aspectos de algumcomponente da aptidão física. Caspersen, Powell e Christenson 
(1985, p. 126) ainda fazem uma terceira definição:
Aptidão física (Physical Fitness-Esporte) podemos dizer que é usado 
quando o foco é além dos componentes relacionados à saúde, tem o foco 
na melhora da capacidade atlética, como, por exemplo, na (a) resistência 
cardiorrespiratória, (b) muscular endurance, (c) a força muscular, (d) a 
composição corporal, e (e) flexibilidade.
FIGURA 28 - ATIVIDADE FÍSICA X EXERCÍCIO FÍSICO 
FONTE: Disponível em: <http://blogs.portalnoar.com/f5fitness/wp-content/
uploads/2014/02/Slide1.jpg>. Acesso em: 1 abr. 2016.
FIGURA 29 - COMPONENTES DA APTIDÃO FÍSICA 
FONTE: Disponível em: <http://www.notapositiva.com/pt/trbestbs/educfisica/imagens/11_
aptidao_fisica02.jpg>. Acesso em: 1 abr. 2016.
TÓPICO 3 | BIOQUÍMICA E BIOENERGÉTICA APLICADAS AO EXERCÍCIO
55
3 TREINAMENTO FÍSICO
O treinamento físico surgiu no século XX, quando treinadores reuniram 
e sistematizaram experiências objetivando facilitar o processo e aumentar o 
rendimento de atletas (BARBANTI; TRICOLI; UGRINOWITSCH, 2004). Pode-
se definir treinamento físico como o uso repetido do exercício para melhorar a 
aptidão física, e utiliza o conhecimento de diversas áreas, como da fisiologia do 
exercício, anatomia, biomecânica, bioquímica etc. (BARBANTI, 2001).
É muito importante para o atleta, pois, realizado de maneira adequada, 
levando em conta o desenvolvimento das qualidades técnicas, físicas e psicológicas 
de um atleta ou de uma equipe, leva à melhora do desempenho na fase certa 
(TUBINO, 1984). 
Acadêmico, veja a seguir o exemplo de uma periodização de treinamento 
físico, realizado no preparo de jogadores de futebol, em que se apresenta o tipo 
de treinamento e respectivo valor, em minutos, do total das sessões, bem como as 
capacidades biomotoras pertencentes a cada tipo de treinamento e o percentual 
desenvolvido em cada semana estudada, realizado por Borin et al. (2011).
TABELA 3 - PERIODIZAÇÃO DE TREINAMENTO FÍSICO PARA FUTEBOL
FONTE: Borin et al. (2011, p. 222)
Quando nos submetemos a um determinado esforço físico, o corpo se 
modificará e terá adaptações fisiológicas, permitindo assim que seja submetido a 
estímulos gradualmente mais intensos (GUEDES; GUEDES, 1995). 
Essas mudanças dependem do tipo de exercício realizado, e são elas, 
segundo Maglischo (2010, p. 22):
- aumento do consumo máximo de oxigênio;
- diminuição da frequência cardíaca de repouso e submáxima;
56
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
- aumento de força muscular;
- aumento de débito cardíaco máximo e submáximo;
- modulação da atividade de enzimas do metabolismo aeróbio e anaeróbio. 
A partir de agora vamos entender, acadêmico, que o nosso organismo 
vive em equilíbrio, e tudo que altera esse equilíbrio leva a um desequilíbrio e 
consequente adaptação do nosso organismo, e o exercício físico seria um fator que 
afeta esse equilíbrio.
4 HOMEOSTASE
Walter Cannon, em 1929, foi o primeiro a considerar que algumas variáveis 
fisiológicas são vitais (ex.: pressão arterial e de açúcar no sangue), que seguiam 
uma regulação fisiológica, e a chamou de sabedoria do corpo (RAMSAY; WOODS, 
2014). 
“O termo homeostase foi definido por Cannon como um conjunto de 
valores aceitáveis para as variáveis internas para seu perfeito funcionamento, ou 
seja, estado de equilíbrio razoavelmente estável entre as variáveis fisiológicas”. 
(RAMSAY; WOODS, 2014, p. 225).
FIGURA 30 - INTEGRAÇÃO ENTRE OS SISTEMAS – EQUILÍBRIO FISIOLÓGICO 
FONTE: Disponível em: <http://www.uel.br/laboratorios/lefa/aulasfisiogeral/
INTRODUCAOAFISIOLOGIA.pdf>. Acesso em: 12 abr. 2016.
“Toda a fisiologia fundamenta-se no princípio da homeostasia, que é 
a manutenção de um meio interno normal, a partir de perturbações externas e 
internas, para que as funções das células e dos sistemas de órgãos do corpo sejam 
preservadas”. (RAFF; LEVITZKY, 2012, p. 1). 
TÓPICO 3 | BIOQUÍMICA E BIOENERGÉTICA APLICADAS AO EXERCÍCIO
57
Muitos sistemas fisiológicos são controlados pela homeostasia e esta 
pode ser alterada por diversos fatores, como o treinamento físico, sedentarismo, 
envelhecimento, mudanças climáticas, alimentação ou doença. Ou seja, por 
razões biológicas e devido aos estímulos que sofre a todo instante, o organismo 
dificilmente retorna exatamente à sua funcionalidade anterior como previsto pela 
homeostase (SOUZA JUNIOR; PEREIRA, 2008). 
FIGURA 31 - ORGANISMO EM HOMEOSTASE E A RESPOSTA FISIOLÓGICA
FONTE: Disponível em: <http://www.uel.br/laboratorios/lefa/aulasfisiogeral/
INTRODUCAOAFISIOLOGIA.pdf>. Acesso em: 12 abr. 2016.
Veja, acadêmico, na figura acima, o que pode ocorrer se o organismo reagir 
negativamente à quebra da homeostase.
“O princípio da homeostase impõe, dessa forma, que variações metabólicas 
ou fisiológicas são meramente respostas transitórias às flutuações promovidas por 
estímulo, como, por exemplo, estímulo do exercício físico”. (PAKENAS; SOUZA 
JUNIOR; PEREIRA, 2007, p. 331).
58
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
UNI
“O principal foco da fisiologia é a compreensão dos mecanismos pelos quais 
as células, órgãos e sistemas mantêm a homeostasia. Isto é efetuado principalmente pelo 
mecanismo de retroalimentação negativa (feedback negativo). O conceito básico é que o 
corpo tenta aumentar o valor de uma variável quando ela está abaixo de seu valor ótimo 
(ponto de ajuste) e diminuir este valor quando ele está acima do ótimo. Isso é muito parecido 
ao mecanismo de funcionamento do termostato que controla a temperatura de uma sala, 
como, por exemplo, ao abrir a janela em um dia frio, a temperatura da sala vai diminuir em 
relação ao ponto de ajuste do termostato. Isso é chamado de perturbação”. (RAFF; LEVITZKY, 
2012, p. 6).
Acadêmico! Vamos entender como funciona o mecanismo de 
retroalimentação negativa (feedback negativo) da homeostase. Veja a seguir:
FIGURA 32 - SISTEMA DE CONTROLE HOMEOSTÁTICO
FONTE: Disponível em: <http://www.uel.br/laboratorios/lefa/aulasfisiogeral/
INTRODUCAOAFISIOLOGIA.pdf>. Acesso em: 12 abr. 2016.
O exercício físico leva a mudanças corporais e fisiológicas devido à 
repetição, e assim o corpo busca a constante estabilidade como preconizado 
pela homeostase, e quando o exercício físico for em excesso, pode propiciar ao 
organismo perda de complexidade estrutural e funcional, resultando no fenômeno 
TÓPICO 3 | BIOQUÍMICA E BIOENERGÉTICA APLICADAS AO EXERCÍCIO
59
conhecido por barreira de desempenho (rendimento) físico, estresse físico, fadiga e 
até lesão (SOUZA JUNIOR; PEREIRA, 2008). 
Então, podemos dizer que o exercício físico seria um estímulo estressor, 
que leva a inúmeras alterações fisiológicas visando suprir o aumento da demanda 
energética e a busca de uma nova situação de homeostase (CONTARTEZE et al., 
2007).
4.1 ESTADO ESTÁVEL OU STEADY STATE
O estado estável, em inglês steady state, seria uma nova condição que 
ocorre no organismo, decorrente diretamente do exercício. Oposto à homeostase, 
o estado estável é atingido de acordo com a intensidade e a duração do exercício; 
à medida que se eleva o grau de dificuldade, o organismo automaticamente se 
ajusta, demandando maior custo energético (FUNDAÇÃO VALE, 2013). 
Então, o estado estável responsabiliza-se pela estabilização e continuidade 
da atividade na intensidade em que está ocorrendo, até que esse estado seja 
insustentável e ocorra a interrupção do exercício (FUNDAÇÃO VALE, 2013). Veja 
a seguir, acadêmico, na Figura 36, que, com a prática de um exercício físico de 
intensidade moderada, ocorre um déficit de oxigênio até que seja estabelecida a 
condição de estado estável. O déficit é compensado a partir do final do exercício 
com o consumo extra de oxigênio pós-exercício (EPOC).FIGURA 33 - CONSUMO DE OXIGÊNIO EM REPOUSO, DURANTE O EXERCÍCIO DE 
INTENSIDADE MODERADA E NA RECUPERAÇÃO 
FONTE: Porto e Garcia Junior (2011, p. 46)
60
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
Quando se realiza qualquer tipo de exercício físico, seja uma simples 
caminhada até o trabalho ou um treinamento programado constituído 
por exercícios de elevada intensidade, há aumento no consumo de 
oxigênio em razão do aumento da demanda de vários órgãos e, 
principalmente, dos músculos. Durante o exercício, o consumo aumenta 
em proporção à intensidade do exercício, e permanece aumentando 
mesmo após o final do esforço. (PORTO; GARCIA JUNIOR, 2011, p. 46).
“Já em exercício de máxima intensidade ocorre o desequilíbrio no início 
de elevada magnitude, gerando um déficit de oxigênio, e não há condições de 
estabelecer a condição de estado estável, ocorrendo a fadiga”. (PORTO; GARCIA 
JUNIOR, 2011, p. 46).
FIGURA 34 - CONSUMO DE OXIGÊNIO EM REPOUSO, DURANTE O EXERCÍCIO DE 
INTENSIDADE MÁXIMA E NA RECUPERAÇÃO
FONTE: Porto, Garcia Junior (2011, p. 46)
Perguntamos: por que é importante a compreensão da homeostase?
Para responder a essa pergunta, buscou-se a citação a seguir. A partir da 
compreensão da homeostase é possível analisar a utilização das fontes de energia, 
bem como sua origem e suas formas de conversão em energia utilizável no 
movimento humano (FUNDAÇÃO VALE, 2013).
TÓPICO 3 | BIOQUÍMICA E BIOENERGÉTICA APLICADAS AO EXERCÍCIO
61
4.2 MECANISMO DE CONTROLE HOMEOSTÁTICO – 
SISTEMAS DE CONTROLE
“Para que a homeostase funcione, precisa haver comunicação dentro do 
corpo realizada principalmente pelos sistemas nervoso e endócrino, os quais 
utilizam impulsos elétricos neurais e hormônios liberados no sangue como 
transportadores de informação”. (MARIEB; HOEHN, 2009, p. 9).
Não importa o que está sendo regulado (variável), todos os mecanismos de 
controle homeostático funcionam independentes. São eles, de acordo com Marieb 
e Hoehn (2009, p. 9): 
a) primeiro componente (receptor) - sensor que monitora o ambiente e 
responde às alterações, chamadas de estímulos, enviando informações para o 
segundo componente, pela via aferente.
b) segundo componente (centro de controle) determina o ponto de ajuste, 
recebe a informação e analisa e então determina as respostas apropriadas ou a via 
de ação.
c) terceiro componente (efetor) orienta os meios para a saída da resposta 
do centro de controle ao estímulo, pela via eferente. Os resultados dessas 
respostas do efetor agem por retroalimentação sobre o estímulo, diminuindo-o 
(retroalimentação negativa) de tal modo que todo o mecanismo de controle é 
interrompido, ou aumentando-o se a reação continua. 
62
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
FIGURA 35 - OS ELEMENTOS DO SISTEMA DE CONTROLE HOMEOSTÁTICO 
FONTE: Marieb, Hoehn, (2009, p. 9)
Acadêmico! Observe acima o sistema de controle homeostático, que mostra 
que o organismo pode estar em equilíbrio ou desequilíbrio. 
A retroalimentação negativa estabiliza a variável que está sendo regulada 
e assim ajuda o sistema a manter a homeostase. Já, algumas vias reflexas da 
retroalimentação positiva não são homeostáticas e a resposta reforça o estímulo ao 
invés de diminuí-lo ou reforçá-lo, ou seja, afasta a variável que está sendo regulada 
do seu valor normal, disparando um ciclo vicioso de resposta sempre crescente e 
deixando o sistema temporariamente fora de controle (SILVERTHORN, 2009).
TÓPICO 3 | BIOQUÍMICA E BIOENERGÉTICA APLICADAS AO EXERCÍCIO
63
FIGURA 36 - RETROALIMENTAÇÃO NEGATIVA E POSITIVA
Fonte: Silverthorn (2009, p. 205)
5 BIOQUÍMICA E BIOENERGÉTICA
Acadêmico! Você sabe a diferença entre bioquímica e bioenergética?
Podemos dizer que a bioquímica “é a ciência da base da química da 
vida” (do grego bios, vida), dos constituintes químicos das células e das reações 
e processos que são submetidos e têm como principal objetivo a compreensão 
em nível molecular, de todos os processos químicos associados às células vivas. 
(MURRAY et al., 2014, p. 1). 
“E a bioenergética, ou termodinâmica bioquímica, estuda as alterações 
da energia que acompanham as reações bioquímicas, pois os sistemas biológicos 
são isotérmicos e utilizam a energia química para ativar os processos vivos”. 
(BOTHAM; MAYES, 2013, p. 109).
Podemos nos fazer vários questionamentos, antes de prosseguir com o 
estudo da bioquímica e bioenergética. Quais são os limites do corpo humano ao 
realizar o exercício físico? Será possível correr 100 metros abaixo de 10 segundos? 
Será possível correr um triátlon abaixo de seis horas? Estas questões importantes 
podem ser respondidas com o estudo da bioquímica e bioenergética. 
Os seres humanos são sistemas termodinâmicos que necessitam de 
energia para manter sua organização e estão em constante troca com 
o meio ambiente, e essa energia para suportar os processos vitais é 
obtida pela oxidação dos nutrientes contidos nos alimentos ingeridos. 
A energia química potencial contida nas ligações C-H dos carboidratos, 
lipídios e proteínas é liberada por oxidação desses substratos dentro 
das células, numa série de passos bioquímicos que ocorrem no citosol 
e nas mitocôndrias, conhecidos como metabolismo intermediário. Esse 
processo consome oxigênio e produz água, gás carbônico, energia 
química armazenada nas ligações fosfato do trifosfato de adenosina 
(ATP) e calor que é dissipado para o meio ambiente.
64
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
Aproximadamente 65% da energia liberada na oxidação do substrato é 
transformada em energia química armazenada no ATP e 35% da energia 
é liberada sob a forma de calor. O ATP é uma forma de armazenamento 
de energia intracelular prontamente disponível para realizar trabalho 
químico ou mecânico, por meio da sua hidrólise em difosfato de 
adenosina (ADP) com liberação da energia armazenada” (DIENER, 
1997, p. 245).
Resumindo, caro acadêmico, você aprendeu que para todo funcionamento 
do nosso organismo e principalmente para os músculos, o ATP é a fonte de energia 
que mantém tudo funcionando, ou seja, o trifosfato de adenosina (ATP) serve 
como um instrumento bioquímico que armazena e utiliza energia. Veja a seguir a 
estrutura da molécula de ATP. 
FIGURA 37 - ESTRUTURA DA MOLÉCULA DE ATP
FONTE: Disponível em: <http://www.sobiologia.com.br/conteudos/figuras/bioquimica/ATP.
jpg>. Acesso em: 5 maio 2016.
Quando o ATP é utilizado ele não se regenera? Ou é utilizado apenas uma vez?
Não! Ele é reaproveitado e reconstruído através de uma reação na direção 
oposta:
ADP + Pi ATPAG = + 14 Kcal/M (absorve energia endotérmica)
A reconstrução de 1 Mol de ATP necessita de 14 Kcal/M. 
“As células continuamente produzem ATP por processos que envolvem a 
ligação do fosfato inorgânico (Pi) ao ADP e que requerem uma fonte de energia”. 
(BATTASTINI; ZANIN; BRAGANHOL, 2011, p. 26).
TÓPICO 3 | BIOQUÍMICA E BIOENERGÉTICA APLICADAS AO EXERCÍCIO
65
transforma o ATP em energia passa por processos que envolvem a ligação 
do fosfato inorgânico (Pi) ao ADP e que requerem uma fonte de energia. 
Por sua vez, a energia do ATP é transferida para os diferentes processos 
biológicos (síntese de biomoléculas, contração muscular, transporte de 
íons etc.) através da hidrólise de seu fosfato terminal, o que gera um 
contínuo ciclo de síntese e degradação do ATP. É importante ressaltar 
que o ADP, produto da hidrólise do ATP, também pode ser hidrolisado, 
gerando AMP, o qual pode gerar o nucleosídeo adenosina. A adenosina 
pode ser reutilizada, dando origem a novas moléculas de ATP ou, por 
uma sequência de reações enzimáticas, ser levada à rota de degradação 
das purinas. Sem essa fonte primordial e imediata de energia (ATP), as 
células nãosobrevivem. (BATTASTINI; ZANIN; BRAGANHOL, 2011, 
p. 26). 
UNI
Forma-se ATP a partir de ADP e Pi quando as moléculas alimentares são oxidadas. 
Veja na figura a seguir: 
FIGURA 38 - ENERGIA E QUEBRA DA MÓLECULA DE ATP
FONTE: Disponível em: <http://image.slidesharecdn.com/4-aulatransferencia-130820085100-
phpapp02/95/transferncia-de-energia-em-repouso-e-em-condies-de-exerccio-9-638.
jpg?cb=1376988783>. Acesso em: 5 maio 2016.
66
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
Lembre-se, acadêmico, de que a correta e adequada alimentação influencia 
em todos os processos orgânicos. “Os seres vivos têm a capacidade de converter 
a energia química presente nas moléculas que compõem a dieta alimentar para 
ser utilizada como uma fonte de energia corporal (ATP) pelo homem”. (SILVA; 
BRACHT, 2001, p. 28).
Agora vamos entender a relação do ATP com a prática do exercício físico. 
Durante a contração muscular, a quebra do ATP em ADP (adenosina 
difosfato) e sua refosforilação à ATP constituem o chamado ciclo ATP-ADP. 
Observe na figura a seguir: 
FIGURA 39 - ENERGIA E QUEBRA DA MÓLECULA DE ATP
FONTE: Disponível em: <http://queimadiaria.com/blog/wp-content/uploads/2016/03/atp_ciclo.
jpg>. Acesso em: 5 maio 2016.
“A formação de ATP se dá principalmente através de processos aeróbicos 
(oxidativos), mas também durante exercícios de alta intensidade (anaeróbios)”. 
(ROSSI; TIRAPEGUI, 1999, p. 69). 
No músculo, essa energia ativa, liberada pela quebra do ATP em ADP, 
ocorre sobre os elementos contráteis, induzindo o encurtamento da fibra muscular, 
e somente uma pequena parte de ATP fica armazenada dentro da célula, levando 
à manutenção e regulação do metabolismo energético na célula (SILVA; BRACHT, 
2001). 
TÓPICO 3 | BIOQUÍMICA E BIOENERGÉTICA APLICADAS AO EXERCÍCIO
67
Durante o exercício, a demanda energética do músculo esquelético 
aumenta, consumindo uma quantidade maior de trifosfato de adenosina 
(ATP). No entanto, os estoques de ATP são bem limitados, significando 
que a produção de ATP deve ocorrer na mesma velocidade na qual ele 
é utilizado, para que o exercício possa continuar por tempo prolongado 
(CAPUTO et al., 2009, p. 95).
Existem três processos distintos e integrados que operam para satisfazer a 
demanda energética do músculo. Veja, caro acadêmico, na figura a seguir:
FIGURA 40 - SISTEMAS ENERGÉTICOS
Fonte: Adaptado de Caputo et al. (2009)
Dentre os três sistemas energéticos, o sistema do fosfagênio (alático) 
e do glicogênio-ácido lático são ambos limitados, visto que, apesar de terem 
velocidades de geração de potência mais rápida que o aeróbico, possuem um 
estoque disponível por tempo restrito a poucos segundos e de, no máximo, dois 
minutos. No entanto, o sistema aeróbico dispõe de estoques mais extensos que o 
dos outros dois sistemas, existindo ainda a opção da degradação de componentes 
celulares para fornecer elementos para esse sistema. 
TABELA 4 - VELOCIDADE DE GERAÇÃO DE ENERGIA
FONTE: Adaptado de Caputo et al. (2009)
68
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
UNI
Caro acadêmico! Acima, as características dos três sistemas. E veja o quadro a 
seguir como complemento, para que você tenha uma ideia desse processo de geração de 
energia durante a prática do exercício. Observe que a oxidação da gordura é o último processo 
do sistema e, por isso, para emagrecimento deve ser feito de preferência contínuo e em longa 
duração. 
QUADRO 7 - RESUMO E CARACTERÍSTICAS DOS TRÊS SISTEMAS ENERGÉTICOS
Sistemas energéticos Características Exercício
Sistema ATP-CP 
(fosfagênio) ou 
anaeróbio alático
- energia imediata
- pouca disponibilidade
- não utiliza oxigênio
Exercícios de curtíssima 
duração;
Exercício agudo de elevada 
intensidade 2-20’’.
Sistema glicólise 
anaeróbia ou anaeróbio 
lático
- maior disponibilidade
- depleção do carboidrato
- não utiliza oxigênio
Exercícios de curta duração; 
Exercício intenso (duração 
superior a 20’’).
Sistema aeróbico ou 
oxidativo
- fase final da oxidação de 
carboidratos
Oxidação das gorduras
- ciclo de Krebs
- disponibilidade infinita de 
energia
Exercícios de longa duração; 
Exercício intenso (duração 
superior a 45’’).
Fonte: A autora
5.1 METABOLISMO
Chamamos de metabolismo a todas as reações químicas que acontecem 
no organismo, e estas podem extrair energia das biomoléculas dos nutrientes 
(proteínas, carboidratos e lipídios), como também sintetizam ou degradam 
moléculas (SILVERTHORN, 2009). Veja a seguir como o metabolismo é dividido 
em catabolismo (destruição) e anabolismo (construção):
TÓPICO 3 | BIOQUÍMICA E BIOENERGÉTICA APLICADAS AO EXERCÍCIO
69
FIGURA 41 - DIVISÃO DO METABOLISMO
FONTE: Adaptado de Silverthorn (2009)
Caro acadêmico! Veja na figura a seguir que os substratos utilizados pelas 
células para a firmação da ATP são carboidratos, ácidos graxos livres e aminoácidos. 
As vias metabólicas específicas para o carboidrato (Glicólise), para os ácidos graxos 
(B-oxidação) e para os aminoácidos (Transaminação).
FIGURA 42 - DIVISÃO DO METABOLISMO
FONTE: Adaptado de Silverthorn (2009)
70
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
O metabolismo é afetado pela prática do exercício físico?
Porque o exercício físico, por ser um potente agente estressor, provoca 
significativas alterações no metabolismo, aumentando a proporção do catabolismo 
(degradação) em comparação ao anabolismo (síntese), porque há demanda 
significativamente aumentada em relação aos combustíveis energéticos para 
sustentação do esforço (KATER et al., 2011).
FIGURA 43 - AS VIAS METABÓLICAS ESPECÍFICAS PARA O CARBOIDRATO (GLICÓLISE), PARA OS 
ÁCIDOS GRAXOS (B-OXIDAÇÃO) E PARA OS AMINOÁCIDOS (TRANSAMINAÇÃO)
FONTE: Disponível em: <https://ennioss.files.wordpress.com/2012/01/slide_561.jpg>. Acesso em: 
16 mar. 2016.
UNI
Curiosidades! 
“O exercício físico é a principal atividade consumidora de energia do corpo e a falta de 
energia para a contração muscular é a principal causa de fadiga no exercício prolongado. Os 
carboidratos são o combustível preferido do músculo esquelético. 
Um ser humano possui aproximadamente 4000Kcal de energia armazenada como glicogênio 
(3000kcal no fígado e 1000kcal no músculo esquelético), o qual fornece energia suficiente 
para o exercício de intensidade moderada de três horas. Em comparação com 10.000kcal 
armazenada de lipídios no tecido adiposo, os quais fornecem energia para correr 161 km. 
Então perguntamos: Com todo esse estoque de energia, por que os atletas entram em fadiga?
Porque os estoques de carboidratos são depletados e os lipídios não podem ser convertidos 
em ATP tão rapidamente como os carboidratos. Metabolizar os lipídios exige que o atleta 
se exercite em ritmo mais lento, o que corresponde à taxa na qual a energia dos lipídios é 
convertida em energia no ATP” (SILVERTHORN, 2009, p. 116).
TÓPICO 3 | BIOQUÍMICA E BIOENERGÉTICA APLICADAS AO EXERCÍCIO
71
Caro acadêmico! Vamos entender agora porque é importante estudar a 
fadiga. Podemos dizer que é importante estudar a fadiga, pois serve como um 
sinalizador, um mecanismo de defesa que é ativado antes que ocorra alguma 
deterioração de determinadas funções orgânicas e celulares, prevenindo lesões 
celulares irreversíveis e numerosas lesões esportivas (SANTOS; DEZAN; SARRAF, 
2003).
5.2 FADIGA
A fadiga pode ser inicialmente definida como o conjunto de 
manifestações produzidas por trabalho, ou exercício prolongado, tendo 
como consequência a diminuição da capacidade funcional de manter, ou 
continuar o rendimento esperado. Fisiologicamente, o termo fadiga vem 
sendo definido, em inúmeros trabalhos da área, como a “incapacidade 
para manter o poder de rendimento”, tanto em exercícios de resistência,como em estados de hipertreinamento (ROSSI; TIRAPEGUI, 1999, p. 
67). 
Ao iniciar um exercício de baixa intensidade, os sistemas anaeróbios 
alático e lático contribuem com a significante proporção na ressíntese de ATP até 
que uma estabilidade seja alcançada pelo metabolismo aeróbio, e esse retardo de 
tempo (1-2 min), até que o sistema aeróbio seja capaz de atender ou se aproximar 
da demanda energética, é devido ao aumento gradual do fluxo sanguíneo (oferta 
de oxigênio) e da ativação das suas várias reações enzimáticas (CAPUTO et al., 
2009, p. 95).
Durante exercícios de alta intensidade, a demanda de ATP pela contração 
é muito alta, uma estabilidade nunca é alcançada e a fadiga muscular ocorre 
rapidamente. Nestas circunstâncias, a ressíntese do ATP derivado do sistema 
anaeróbio normalmente conta com a maior contribuição para o total de ATP 
ressintetizado (CAPUTO et al., 2009).
A fadiga muscular pode ser classificada, conforme o período de sua 
aparição, em aguda e crônica. Vamos entender cada uma isoladamente: 
 
- A fadiga aguda é causada por alterações fisiológicas que impossibilitam 
a continuidade do exercício com o intuito de preservar o organismo em uma 
única sessão de treinamento. Subdivide-se em central e periférica (SILVA; DE-
OLIVEIRA; GEVAERD, 2006).
A fadiga central seriam as alterações no funcionamento cerebral, ocasionadas 
pelo exercício intenso ou prolongado, com consequente diminuição no rendimento. 
E a fadiga periférica, as alterações decorrentes do exercício relacionadas à liberação 
e reabsorção da acetilcolina, propagação do potencial elétrico na fibra muscular, 
liberação e reabsorção de cálcio nas cisternas do retículo sarcoplasmático, acúmulo 
de metabólitos e depleção de glicogênio muscular durante o processo de contração 
muscular (SILVA; DE-OLIVEIRA; GEVAERD, 2006).
 
72
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
- A fadiga crônica caracteriza-se por um somatório de processos de 
recuperação incompleto durante um período longo de treinamento intenso, 
que podem causar alterações prolongadas no humor, personalidade, sistema 
hormonal e imune, com consequente comprometimento da saúde, e apresenta 
como principais sintomas a indisposição, o cansaço, gripes e resfriados constantes 
(SILVA; DE-OLIVEIRA; GEVAERD, 2006).
UNI
A fadiga durante o exercício físico é um fenômeno complexo, cujas causas 
parecem depender do tipo de esforço.
FIGURA 44 - FATORES RELACIONADOS COM A FADIGA
FONTE: Sousa, Navarro (2010)
TÓPICO 3 | BIOQUÍMICA E BIOENERGÉTICA APLICADAS AO EXERCÍCIO
73
Como evitar a fadiga muscular?
Vários estudos, com consumo de diversos nutrientes, suplementos, são 
realizados na tentativa de entender a fisiologia da fadiga. “Acredita-se que a fadiga 
durante exercícios prolongados também é associada com a depleção do glicogênio 
muscular e, em função disto, se acredita que altos níveis de glicogênio muscular no 
pré-exercício são essenciais para otimizar a performance”. (SOUSA; NAVARRO, 
2010, p. 465).
Veja no quadro a seguir algumas indicações desse consumo para evitar a 
fadiga durante o exercício. 
QUADRO 8 - INGESTÃO DE CARBOIDRATOS E EXERCÍCIOS
Consumo de 
carboidratos
Características
Antes do 
exercício
1 - 2-4 horas antes do exercício aumenta a performance;
2 - ingestão de alimentos com baixo índice glicêmico aumenta o 
tempo de endurance quando comparada com alimentos de alto índice 
glicêmico; 
3 - deve ser relativamente baixa em gordura e fibras para facilitar o 
esvaziamento gástrico, minimizar desconforto gastrointestinal, ser rica 
em carboidratos para manter a glicose sérica e maximizar os estoques 
de glicogênio, ser moderada em proteínas e familiar ao atleta.
Durante o 
exercício
1 - suplementação de carboidratos previne a queda da concentração da 
glicose sérica, o que facilita a alta taxa de oxidação de carboidratos nos 
estágios tardios do exercício, retardando o início da fadiga, permitindo 
que
seja mantida a sustentação da intensidade do exercício e que resulte 
em aumento na performance; 
2 - ingestão de carboidratos durante exercícios a 70–75% do VO2máx 
aumenta o tempo até a exaustão. 
Após o 
exercício
1 - combinação de carboidratos e proteína é mais efetiva do que apenas
carboidratos na reposição do glicogênio muscular durante as 04h 
imediatamente após o exercício;
2 - o tempo e a composição da alimentação, ou lanche pós-exercício ou 
pós-competição, dependem da extensão, de quanto intenso foi a sessão 
do exercício e de quando acontecerá o próximo exercício intenso;
3 - consumo de carboidratos 30 minutos após o exercício (1,0 a 1,5g de 
carboidratos/kg de peso a cada duas horas até atingir seis horas, é o
recomendado) resulta em altos níveis de glicogênio quando 
comparado com o mesmo consumo duas horas após o exercício. Esta 
prática não é necessária para os atletas que descansam um dia, ou 
mais, entre as sessões de treinos intensos.
FONTE: Sousa; Navarro (2010)
74
UNIDADE 1 | A BASE PARA O DESEMPENHO HUMANO: NUTRIÇÃO, BIOQUÍMICA E BIONERGÉTICA
LEITURA COMPLEMENTAR
Veja a reportagem sobre “CICLISMO: ENGANANDO OS ATLETAS ELES 
PEDALAM MAIS!”
Leia parte da matéria realizada por Yuri Motoyama sobre uma pesquisa 
conduzida na Universidade de Massey, na Nova Zelândia, com um grupo de 
ciclistas. 
Se quiser visualizar a matéria na íntegra, acesse <http://4x15.com.br/
ciclismo-enganando-os-atletas-eles-pedalam-mais/>. Acesso em: 7 maio 2016.
Yuri Motoyama resume um estudo publicado por Stone et al. (2012).
Uma pesquisa conduzida na Universidade de Massey, na Nova Zelândia, 
realizou um experimento muito interessante. Um grupo de ciclismo realizou 
quatro testes de 4.000 metros em um ciclo-ergômetro. O primeiro teste foi para 
eles se habituarem à aparelhagem (eles utilizavam máscaras para análise dos 
gases expirados). No segundo teste, chamado de baseline, os ciclistas tentariam 
alcançar seus recordes nos 4.000m. Na terceira e quarta tentativa os pesquisadores 
informaram aos ciclistas que eles iriam competir contra seu próprio recorde. 
Para que isso fosse visualizado, a bicicleta que eles utilizaram estava 
conectada a um tipo de jogo de videogame. Em uma tela, os ciclistas visualizavam 
um ciclista pedalando contra eles, esse ciclista era um avatar calibrado com o 
recorde deles no baseline.
O grande lance da pesquisa era que, em uma das duas últimas tentativas 
(a da quebra do recorde), os pesquisadores enganavam os ciclistas e calibravam o 
avatar a correr 2% a mais que os seus próprios recordes.
O resultado foi muito interessante, o fato de se criar uma competição 
contra o avatar fez com que seus próprios recordes fossem quebrados. E o mais 
interessante foi que quando eles competiram contra o avatar 2% mais rápido (sem 
saberem), eles quebraram seus recordes novamente!
Olá, acadêmico!
Não se esgota aqui o estudo do consumo de nutrientes, com a performance e fadiga. 
Lembrando que sempre devemos buscar um nutricionista para, juntamente com o educador 
físico, planejar de forma segura o tipo e quantidade de alimentos que devem ser consumidos 
de acordo com o tipo de exercício praticado.
ESTUDOS FU
TUROS
TÓPICO 3 | BIOQUÍMICA E BIOENERGÉTICA APLICADAS AO EXERCÍCIO
75
A literatura científica sobre treinamento tem muitos dados a respeito sobre 
como os aspectos motivacionais podem interferir na fadiga (consequentemente na 
performance). A grande dúvida que fica no ar seria: quando paramos um exercício, 
realmente estamos impossibilitados de continuar? Por que paramos, então?
76
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você viu que:
• Atividade física é qualquer movimento corporal, produzido pelos músculos 
esqueléticos, que resulta em gasto energético maior do que os níveis de repouso.
• Exercício físico é a atividade física planejada, estruturadae repetitiva que tem 
como objetivo final ou intermediário aumentar ou manter a saúde/aptidão física. 
• Atividade física são as atividades ocupacionais, cuidados com a casa, atividades 
de transporte e atividades realizadas em momentos de lazer, entre outros. 
• O termo mais comum usado é o exercício físico que objetiva a melhora dos 
aspectos de algum componente da aptidão física. 
• Aptidão física (Physical Fitness-Esporte) usado quando o foco é na melhora da 
capacidade atlética, como, por exemplo, na (a) resistência cardiorrespiratória, 
(b) muscular endurance, (c) a força muscular, (d) a composição corporal, e (e) 
flexibilidade. 
• Treinamento físico como o uso repetido do exercício para melhorar a aptidão 
física, e utiliza o conhecimento de diversas áreas, como da fisiologia do exercício, 
anatomia, biomecânica, bioquímica etc.
• Submetido a um esforço físico, o corpo se modificará e terá adaptações fisiológicas, 
como aumento do consumo máximo de oxigênio, da força muscular, débito 
cardíaco máximo e submáximo e diminuição da frequência cardíaca de repouso 
e submáxima. 
• Homeostase é um conjunto de valores aceitáveis para as variáveis internas para 
seu perfeito funcionamento, ou seja, estado de equilíbrio razoavelmente estável 
entre as variáveis fisiológicas.
• Toda a fisiologia fundamenta-se no princípio da homeostasia, que é a manutenção 
de um meio interno normal. 
• Muitos sistemas fisiológicos são controlados pela homeostasia, e esta pode 
ser alterada por diversos fatores, como o treinamento físico, sedentarismo, 
envelhecimento, mudanças climáticas, alimentação ou doença.
• O exercício físico leva a mudanças corporais e fisiológicas devido à repetição.
• O exercício físico seria um estímulo estressor, que leva a inúmeras alterações 
fisiológicas visando suprir o aumento da demanda energética e a busca de uma 
nova situação de homeostase.
77
• O estado estável seria uma nova condição que ocorre no organismo, decorrente 
diretamente do exercício, oposto à homeostase. 
• O estado estável responsabiliza-se pela estabilização e continuidade da atividade 
na intensidade em que está ocorrendo, até que esse estado seja insustentável e 
ocorra a interrupção do exercício.
• A partir da compreensão da homeostase é possível analisar a utilização das 
fontes de energia, bem como sua origem e suas formas de conversão em energia 
utilizável no movimento humano.
• Para que a homeostase funcione, precisa haver comunicação dentro do corpo 
realizada principalmente pelos sistemas nervoso e endócrino.
• Não importa o que está sendo regulado (variável), todos os mecanismos de 
controle homeostático funcionam independentes, são eles o receptor, o centro de 
controle e o efetor.
• A bioquímica “é a ciência da base da química da vida” (do grego bios, vida), 
dos constituintes químicos das células e das reações e processos a que são 
submetidos.
• A bioenergética estuda as alterações da energia que acompanham as reações 
bioquímicas. 
• Os seres humanos são sistemas termodinâmicos que necessitam de energia para 
manter sua organização e estão em constante troca com o meio ambiente, sendo 
essa energia para suportar os processos vitais.
• A energia para os seres humanos é obtida pela oxidação dos nutrientes contidos 
nos alimentos ingeridos. 
• Aproximadamente 65% da energia liberada na oxidação do substrato é 
transformada em energia química armazenada no ATP, e 35% da energia é 
liberada sob a forma de calor. 
• A reação que transforma o ATP em energia passa por processos que envolvem a 
ligação do fosfato inorgânico (Pi) ao ADP e que requerem uma fonte de energia. 
• Forma-se ATP a partir de ADP e Pi quando as moléculas alimentares são oxidadas. 
• Durante a contração muscular, a quebra do ATP em ADP (adenosina difosfato) e 
sua refosforilação à ATP constituem o chamado ciclo ATP-ADP. 
• No músculo, essa energia ativa liberada pela quebra do ATP em ADP ocorre 
sobre os elementos contráteis, induzindo o encurtamento da fibra muscular. 
78
• Durante o exercício, a demanda energética do músculo esquelético aumenta, 
consumindo uma quantidade maior de trifosfato de adenosina (ATP). 
• Três sistemas energéticos geram energia durante a prática do exercício: o sistema 
do fosfagênio (alático) e do glicogênio-ácido lático, que são ambos limitados, e o 
aeróbico, que dispõe de estoques mais extensos. 
• Chamamos de metabolismo a todas as reações químicas que acontecem no 
organismo, e estas podem extrair energia ou degradar as biomoléculas dos 
nutrientes (proteínas, carboidratos e lipídios). 
• As vias metabólicas específicas para o carboidrato (Glicólise), para os ácidos 
graxos (B-oxidação) e para os aminoácidos (Transaminação).
• O exercício físico é um agente estressor, que altera o metabolismo, aumentando a 
proporção do catabolismo (degradação) em comparação ao anabolismo (síntese).
• A fadiga é definida como o conjunto de manifestações produzidas por trabalho, 
ou exercício prolongado, e pode diminuir a capacidade funcional de manter, ou 
continuar, o rendimento esperado. 
• Ao iniciar um exercício de baixa intensidade, os sistemas anaeróbios alático e 
lático contribuem com a significante proporção na ressíntese de ATP até que 
uma estabilidade seja alcançada pelo metabolismo aeróbio.
• Durante exercícios de alta intensidade, a demanda de ATP pela contração é 
muito alta, uma estabilidade nunca é alcançada e a fadiga muscular ocorre 
rapidamente. 
• A fadiga muscular pode ser classificada, conforme o período de sua aparição, em 
aguda e crônica.
• Fadiga aguda é causada por alterações fisiológicas que impossibilitam a 
continuidade do exercício, com o intuito de preservar o organismo em uma 
única sessão de treinamento.
• Fadiga crônica caracteriza-se por um somatório de processos de recuperação 
incompletos durante um período longo de treinamento intenso. 
• A fadiga crônica pode causar alterações prolongadas no humor, personalidade, 
sistema hormonal e imune, com consequente comprometimento da saúde, e 
apresenta como principais sintomas a indisposição, o cansaço, gripes e resfriados 
constantes.
• Uma das formas de evitar a fadiga é pela alimentação pré, durante e após 
exercício. 
79
1. Muitas formas de atividade são consideradas atividade física, como: 
EXCETO:
a) ( ) As atividades ocupacionais.
b) ( ) Cuidados com a casa.
c) ( ) Pedalar três vezes na semana.
d) ( ) Atividades de transporte e atividades realizadas em momentos de lazer.
2. Em relação à homeostase, assinale V para verdadeiro e F para falso sobre 
suas características:
( ) Walter Cannon, em 1929, foi o primeiro a considerar que algumas variáveis 
fisiológicas são vitais (ex.: pressão arterial e açúcar no sangue), que seguiam 
uma regulação fisiológica.
( ) O termo homeostase foi definido por Cannon como um conjunto de valores 
aceitáveis para as variáveis internas para seu perfeito funcionamento. 
( ) Homeostase é o estado de equilíbrio razoavelmente estável entre as variáveis 
fisiológicas.
( ) A homeostase não pode ser alterada por diversos fatores, como o treinamento 
físico, sedentarismo, envelhecimento, mudanças climáticas, alimentação ou 
doença. 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
a) ( ) V – V – V – F. 
b) ( ) V – F – F – F.
c) ( ) V – F – V – V.
d) ( ) V – F – F – V.
3. Aproximadamente ......................... da energia liberada na ............................ é 
transformada em energia ................. armazenada no ATP e .......................... 
da energia é liberada sob a forma de calor......................................... Assinale a 
alternativa correta que preenche a citação acima: 
a) ( ) 35%, oxidação do substrato, química, 65%, calor.
b) ( ) 65%, química, calor, oxidação do substrato, 35%. 
c) ( ) 35%, calor, oxidação do substrato,química, 65%. 
d) ( ) 65%, oxidação do substrato, química, 35%, calor.
4. Conforme seus estudos, a fadiga divide-se em aguda e crônica. Sobre as 
características da fadiga crônica, analise as seguintes sentenças:
AUTOATIVIDADE
80
A fadiga crônica caracteriza-se por um somatório de processos de recuperação 
incompletos durante um período longo de treinamento intenso, 
E tem como consequência ....
alterações prolongadas no humor, personalidade, sistema hormonal e imune, 
com consequente comprometimento da saúde, e apresenta como principais 
sintomas a indisposição, o cansaço, gripes e resfriados constantes.
a) ( ) A primeira é uma afirmação verdadeira e a segunda, falsa.
b) ( ) Ambas afirmações são falsas. 
c) ( ) As duas são verdadeiras, mas não têm relação entre si.
d) ( ) As duas são verdadeiras e a segunda é complemento e justificativa da primeira.
5. Sobre o sistema de energia aeróbio, assinale a alternativa verdadeira:
a) ( ) Dispõe de estoques menos extensos que os sistemas anaeróbicos (alático e 
lático), existindo ainda a opção da degradação de componentes celulares para 
fornecer elementos para esse sistema. 
b) ( ) Dispõe de estoques mais extensos que os sistemas anaeróbicos (alático e 
lático), existindo ainda a opção da degradação de componentes celulares para 
fornecer elementos para esse sistema.
c) ( ) Dispõe de estoques mais extensos que os sistemas anaeróbicos (alático 
e lático), e não faz a opção da degradação de componentes celulares para 
fornecer elementos para esse sistema.
d) ( ) Dispõe de estoques menos extensos que os sistemas anaeróbicos (alático 
e lático), e não faz a opção da degradação de componentes celulares para 
fornecer elementos para esse sistema.
81
UNIDADE 2
FISIOLOGIA APLICADA AO 
EXERCÍCIO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade você será capaz de:
• conhecer as subdivisões da fisiologia;
• entender a fisiologia dos movimentos durante a realização de um exercí-
cio; 
• entender a fisiologia do exercício e a partir deste entendimento saber como 
aplicá-la em uma aula de Educação Física;
• a partir do entendimento da fisiologia você será capaz de adequar cada 
tipo de movimento para cada objetivo almejado para as aulas de Educação 
Física.
Esta unidade está dividida em três tópicos. Em cada um deles, você encontra-
rá atividades que o ajudarão a fixar os conhecimentos abordados.
TÓPICO 1 – APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA I
TÓPICO 2 – APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA II
TÓPICO 3 – CONTROLE NEURAL E DA FORÇA RELACIONADA AO 
MOVIMENTO HUMANO
82
83
TÓPICO 1
APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE 
ENERGÉTICA I
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, você está convidado a desvendar toda a fisiologia do exercício. 
Durante o exercício ocorre um aumento do rastreamento energético para a 
manutenção da atividade muscular, e esse aprimoramento da capacidade energética 
será nosso foco de estudo. Também iremos compreender o funcionamento dos 
sistemas cardiorrespiratório e imunológico na execução do exercício físico.
2 SISTEMA CARDIORRESPIRATÓRIO E EXERCÍCIO FÍSICO
Sempre que realizamos atividades físicas são necessárias adequações 
fisiológicas do nosso corpo, adaptações e regulações sistêmicas dos aspectos 
cardíacos, hemodinâmicos e expiratórios para o favorecimento de um melhor 
desempenho da atividade física (NASCIMENTO; SILVA, 2007).
2.1 SISTEMA CARDIORRESPIRATÓRIO 
Coração e pulmões são os principais órgãos que compõem esse sistema, 
compreendido pela interligação dos sistemas circulatório e respiratório. O coração 
age como uma bomba propulsora do sistema circulatório, os vasos sanguíneos 
viabilizam a distribuição do sangue, transportando oxigênio para todo o corpo por 
meio de duas vias essenciais: as artérias (arteríolas e capilares) e as veias (vênulas) 
(VILLELA; SANTOS; JAFELICE, 2007). 
 As artérias conduzem o sangue para fora do órgão do coração, chamado 
de sangue arterial, os capilares permutam substâncias com os tecidos e as veias e 
vênulas transportam o sangue venoso, o sangue que retorna ao coração (VILLELA; 
SANTOS; JAFELICE, 2007). O sistema cardiorrespiratório compreende um conjunto 
de estruturas que são responsáveis por executar uma função muito importante, 
que são as trocas gasosas, a mudança do oxigênio para dióxido de carbono aos 
músculos e ao ambiente natural. Essa função do sistema cardiorrespiratório é mais 
exigida quando se realizam exercícios físicos de pouca intensidade por longos 
períodos de tempo (PEREIRA; BORGES, 2006).
Dentro da complexidade deste sistema ocorrem dois percursos principais: 
o sistêmico e o pulmonar. No circuito sistêmico o sangue é impelido do ventrículo 
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
84
esquerdo (VE) para a artéria aorta, e suas ramificações distribuem o sangue para 
todas as partes do corpo, menos para os pulmões. Depois de o sangue chegar às 
células, retorna já como venoso ao coração pelas veias cavas pela aurícula direita, 
também denominada “grande circulação ou circulação sistêmica” (GUYTON, 
1992).
FIGURA 45 - DEMONSTRAÇÃO DA GRANDE CIRCULAÇÃO
FONTE: Disponível em: <http://player.slideplayer.com.br/3/1242019/data/images/img27.jpg>.
 Acesso em: 10 mar. 2016.
 Em seguida, o sangue decorrido da veia cava superior se junta ao sangue 
colhido da cabeça, braços e tórax. O sangue oriundo do restante do corpo passa pela 
veia cava inferior, entra no coração pela aurícula direita. O sangue venoso move-
se pela artéria pulmonar, até os pulmões, estabelecendo a hematose, estabilização 
das trocas gasosas, passando para sangue arterial, voltando ao coração pelas veias 
pulmonares, também denominadas “pequena circulação, ou ainda circulação 
pulmonar” (GUYTON, 1992, p. 92-93).
TÓPICO 1 | APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA I
85
FIGURA 46 - DEMONSTRAÇÃO DA PEQUENA CIRCULAÇÃO
FONTE: Disponível em: <http://image.slidesharecdn.com/
circulaosanguinea091010090947phpapp02/95/
circulaosanguinea-5-728.jpg?cb=1255165841>. Acesso em: 10 
mar. 2016.
UNI
Caro acadêmico, depois de entender o sistema cardiorrespiratório, agora veremos 
qual é a sua relação com o exercício físico.
A prática de exercícios físicos desencadeia reações nos mais variados 
segmentos do corpo humano, mais especificamente no sistema cardiorrespiratório. 
Leva a diversas alterações fisiológicas decorrentes do trabalho despendido pelo 
próprio exercício e que requerem adaptações, independentemente dos fenômenos 
mecânicos da circulação sanguínea que acarretam os sistemas referenciados 
(MONTEIRO; FILHO, 2004). 
Essas alterações corporais ou feedback fisiológico são reações que os 
exercícios provocam ao descontinuar a homeostase, compensação físico-química 
do organismo, gerando aumento do gasto de oxigênio, dos níveis metabólicos e 
imediato incremento energético, exacerbados pela ação dos grupos musculares 
envolvidos na realização dos exercícios. E o organismo, para controlar tais ações, 
passa por diversas adaptações, como estabilização da frequência cardíaca, perfusão 
circulatória e fluxo sanguíneo (SANTOS; GONÇALVES, 2011).
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
86
Em um estudo retrospectivo, Brum et al. (2004) construíram um apanhado 
dos últimos dez anos sobre os efeitos e adaptações agudas e crônicas dos exercícios 
físicos no sistema cardiovascular, encontraram um cenário que evidenciou as 
principais respostas fisiológicas, como aumento da frequência cardíaca, do volume 
sistólico, do débito cardíaco, e confirmaram que o exercício físico age como um 
fator protetor para inúmeras doenças e predisposições cardiorrespiratórias e 
neurovasculares.
UNI
Caro acadêmico! Relembramos um pouco sobre a anatomia do coração e 
sistemas cardiorrespiratórios. Agora, no link a seguir, você poderá assistir a vídeos de aulassobre o que estudamos.
FONTE: Disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=Mrbt7pPNVuI&list=PL97C9D755BC662E4C&index=3>.
Vimos, acadêmico, que o sistema cardiorrespiratório e o sistema vascular 
sofrem vários efeitos e adaptações durante a prática dos exercícios físicos, sendo 
um deles o aumento da frequência cardíaca, assunto em que nos aprofundaremos 
um pouco mais.
Na realização de um exercício físico é sabido que ocorrem inúmeras reações 
e efeitos fisiológicos. Um deles é o aumento significativo do débito cardíaco, ou 
seja, a ampliação do fluxo sanguíneo em decorrência do acréscimo da oxigenação 
exigida pelos músculos, o que faz com que a pulsação do coração aumente a sua 
velocidade em relação ao tempo, também conhecida como frequência cardíaca 
(GUYTON, 1992).
Frequência cardíaca (FC) é compreendida pelo número de pulsações, 
número de vezes que os ventrículos cardíacos se contraem em um minuto. São os 
batimentos que o coração repete dependendo do ritmo em que o corpo humano 
se encontra (GUYTON, 1992). É expresso em BPM (batidas por minuto), sendo 
considerado como estado normal de batimentos do coração o ritmo de 72 bpm 
(GUYTON, 1992).
Os batimentos do coração ou a frequência cardíaca são medidos por 
minutos. É muito versátil, em razão de sua constante variabilidade desencadeada 
por diversas situações que não sejam o repouso, sendo exatamente o que 
acontece quando o corpo humano é exposto às atividades físicas (ROQUE, 2009). 
Essa variabilidade da frequência cardíaca certifica a relevância das adaptações 
cardiorrespiratórias e autonômicas realizadas antes, durante e após um exercício 
físico (PASCHOAL; PETRELUZZI; GONÇALVES, 2002). Geralmente é medido 
por um aparelho específico denominado frequencímetro, existindo várias marcas e 
TÓPICO 1 | APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA I
87
formatos no mercado. É uma espécie de relógio que monitora a frequência cardíaca 
durante a realização de exercícios físicos, treinamentos puxados, corridas, enfim, é 
um dispositivo de grande valia para aprimoramento da condição física (ROQUE, 
2009). Veja um dos modelos de frequencímetro. 
FIGURA 47 - FREQUENCÍMETRO CARDÍACO
FONTE: Disponível em: <http://isoub1-a.akamaihd.net/
produtos/01/00/item/110877/1/110877111_1GG.jpg>. 
Acesso em: 10 mar. 2016.
O trabalho realizado pelo músculo do coração, denominado frequência 
cardíaca, é monitorado pelo sistema nervoso autônomo, atendendo às exigências 
metabólicas necessárias para a manutenção do organismo humano (PEREIRA, 
2009). Tal trabalho desempenhado pelo coração pode ter uma mensuração estimada, 
utilizando o resultado da multiplicação de duas variáveis, a frequência cardíaca e 
a pressão arterial sistólica, denominada de “Duplo-Produto” (DP) (MIRANDA et 
al., 2005). DP é uma variável que indica o comportamento do funcionamento do 
coração durante um esforço físico puxado, por exemplo, um exercício aeróbico 
(MIRANDA et al., 2005).
A identificação do DP tem relevância, pois fornece parâmetros mais 
fidedignos durante uma exposição mais forçada ao exercício físico, dando 
segurança e controle dessas variáveis e desempenho da bomba coração, resultando 
num condicionamento físico satisfatório e livre de riscos (MIRANDA et al., 
2005). A FC é assistida pelo sistema nervoso autônomo (SNA), guiado pelo ramo 
simpático durante a realização do exercício, e parassimpático (tônus vagal) quando 
em repouso, tendo o exercício físico capacidade de interferir na variabilidade da 
frequência cardíaca. Isto porque durante sua execução a frequência cardíaca sai do 
estado de repouso e migra para uma frequência cardíaca acelerada, aumentando 
o consumo de oxigênio, o débito cardíaco, assim como as contrações sistólicas, 
podendo chegar a um pico máximo, determinado como frequência cardíaca 
máxima (ALMEIDA; ARAÚJO, 2003).
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
88
FIGURA 48 - DEMONSTRAÇÃO DA FREQUÊNCIA CARDÍACA
FONTE: Disponível em: <http://clientes.mobidevel.com/c7s/enem2011/a327.png>. Acesso 
em: 16 mar. 2016.
A atuação reguladora entre os meios externos e internos do sistema nervoso 
autônomo confere o funcionamento dos vários sistemas envolvidos que garantem 
a homeostasia (autocontrole) (FERREIRA et al., 2010). Você sabia que o nosso 
corpo pode alcançar uma frequência cardíaca máxima durante um exercício 
físico, e que o controle da Frequência Cardíaca Máxima (FCM) é um importante 
indicador para obtermos um bom desempenho num treino? Acompanhe abaixo 
as diferenças entre Frequência Cardíaca Máxima (FCM) e Frequência Cardíaca 
de Repouso (FCR).
A Frequência Cardíaca Máxima (FCM) ocorre quando um indivíduo é 
submetido a um esforço físico muito grande, levando-o ao esgotamento, à fadiga 
muscular, e avaliando as batidas do coração, a frequência cardíaca atinge seu 
pico máximo, chega a um valor muito alto. É tida como uma importante medida 
de mensuração da capacidade máxima durante um esforço físico, exercícios 
aeróbicos ou, ainda, exercícios que exijam bastante gasto de oxigênio (CAMARDA 
et al., 2008). A mensuração da FCM é realizada pela aplicação de alguns testes de 
máximo esforço, por exemplo, no teste ergométrico ou no cicloergométrico, que 
quantificam o pico máximo da frequência cardíaca do indivíduo submetido ao 
teste de esforço elevado (CAMARDA et al., 2008).
Existem algumas fórmulas ou equações para dimensionar a previsão da 
FCM. Entre elas, a mais estudada, comprovada e realizada pelo teste ergométrico 
de esforço progressivo máximo é a fórmula de Karvonen, 1957, expressa da 
seguinte maneira: FCM: 220 – idade. 220 é uma representação padrão utilizada 
por Karvonen, e revela a FCM de indivíduos adultos jovens, menores de 40 anos, 
e assim subestima a FCM de indivíduos idosos (POLICARPO; FERNANDES 
FILHO, 2004).
Outra maneira de calcular a FCM é pela fórmula de Tanaka e cols., 2001, que 
mensura a FCM em todos os indivíduos, livres de qualquer condição física e/ou 
sexo, mas adultos sadios. Expressa da seguinte forma: FCM=208 – (0,7 x idade em 
anos). Essa fórmula nos revela o nível de intensidade do exercício físico realizado 
por indivíduos saudáveis, e a partir do conhecimento da FCM podemos elaborar 
estratégias de treinamento físico. Já para indivíduos com alguma disfunção 
cardíaca, respiratória, vascular ou ainda metabólica, é necessária a visita a um 
médico especialista que irá analisar a maneira propícia para a mensuração da FCM 
desse indivíduo (CAMARDA et al., 2008).
TÓPICO 1 | APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA I
89
Caro acadêmico! Ter consciência e saber calcular a FCM é de grande valia na 
elaboração de treinos funcionais, visando encontrar os benefícios do exercício para o corpo 
sem prejudicá-lo, prevenindo lesões ou futuras doenças. Você gostaria de praticar, conhecer 
sua FCM? Então, a seguir há um exemplo da FCM usando a fórmula de Karvonen:
Ex.: João Carlos (nome fictício) tem 28 anos de idade e quer descobrir sua FMC para melhorar 
seu desempenho físico. Assim, aplicamos a fórmula de Karvonen: 220 - 28 = 192 FCM. 
E temos a FCM de João Carlos, 192 batimentos por minuto num esforço máximo. Um cálculo 
simples e uma valiosa informação, para melhorar o treinamento físico.
DICAS
Diferentemente da FCM, entendemos por Frequência Cardíaca de 
Repouso (FCR), ou mesmo basal, uma condição normal, funcional do corpo, é o 
ritmo das batidas do coração quando o indivíduo está em descanso, parado, sem 
realizar esforço, exercício físico. As contrações do coração estão batendo em ritmo 
saudável, estável (FRONCHETTI et al., 2006). 
A FCR é usualmente reconhecida como um marcador de referência para a 
mensuração da FC e FCM, pois é a partir da FCR que podemos obter parâmetros da 
variação da intensidade aplicados ao exercício físico (FRONCHETTI et al., 2006). 
Uma FCR de valor baixo representa uma condição física saudável, um estado 
funcionalrepousado. Em contrapartida, uma FCR com valores altos pressupõe 
algum tipo de alteração cardiovascular, por isso se faz importante a avaliação 
da FC, pois permite prevenir e identificar possíveis distúrbios e futuras doenças 
(ALMEIDA; ARAÚJO, 2003).
Caro acadêmico! Para sabermos a nossa frequência cardíaca de repouso, 
estudos científicos demonstram que o melhor horário é pela manhã, logo após acordar. Faz-se 
contando as pulsações posicionando um ou dois dedos no pulso ou na carótida, durante um 
minuto ou 15 segundos e multiplicando as pulsações por quatro para chegar aos 60 segundos. 
Ou ainda pode-se medir a FCR com o frequencímetro, como demonstrado anteriormente.
Existem muitos fatores que influenciam a FCR e ela pode variar de pessoa para pessoa, mas é 
importante que façamos este controle para podermos nos exercitar com segurança. A leitura 
do artigo a seguir destaca mais sobre a importância do controle das frequências cardíacas.
TEIXEIRA, A. L.; MORAES, E. M.; ALVES, H. B.; LIMA, J. R. P. Análise da frequência cardíaca em 
repouso registrada pré-teste de exercício máximo. Rev. de Atenção à Saúde, v. 13, n. 45, p. 
34-38, 2015. Disponível em: <http://seer.uscs.edu.br/index.php/revista_ciencias_saude/article/
view/2958>. Acesso em: 16 mar. 2016.
DICAS
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
90
Outro marcador do sistema cardiorrespiratório que passa por alterações 
e adaptações durante a prática dos exercícios físicos é a Pressão Arterial. 
Conheceremos mais detalhes sobre seu comportamento na leitura seguinte.
A pressão arterial (PA) é compreendida como a resultante da força do sangue 
dentro das artérias, dos vasos sanguíneos, sendo determinada pela resistência 
ao fluxo sanguíneo e débito cardíaco (MARTELLI, 2013). A força gerada pelas 
contrações do coração impulsiona o sangue para as artérias e veias, para o átrio 
direito, esta força é denominada de pressão, que tem como função o transporte de 
nutrientes para as células, conduzir os hormônios e guiar os excessos metabólicos 
até serem excretados pelos pulmões, intestinos e rins (LUNA, 2002).
FIGURA 49 - PRESSÃO ARTERIAL
FONTE: Disponível em: <http://www.endocardio.med.br/wp-content/
uploads/2011/07/hipertensao01.jpg>. Acesso em: 16 mar. 2016.
Os vasos sanguíneos têm a capacidade de se ajustarem de acordo com a 
demanda sanguínea, para mais ou para menos, fazendo uma vasoconstrição, uma 
diminuição na luz do vaso, se houver uma queda no bombeamento de sangue. 
E ao contrário, se houver um aumento no volume sanguíneo, os vasos têm a 
capacidade de dilatar-se, provocando uma vasodilatação, um aumento na luz do 
vaso (GUYTON, 1992).
Estes movimentos de vasoconstrição e vasodilatação dos vasos sanguíneos 
são habilidades do corpo humano em conferir um sistema de autorregulação da 
pressão arterial, e quando esse sistema é desregulado por influência de inúmeros 
fatores (sedentarismo, tabagismo, excesso de sódio (sal), disfunções renais etc.), 
desencadeia então uma das doenças mais acometidas em nosso país, conhecida 
como hipertensão arterial ou pressão alta (MARTELLI, 2013).
De acordo com as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão (DBH) VI 2010, p. 
1: “A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma condição clínica multifatorial 
caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial (PA)”.
TÓPICO 1 | APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA I
91
Por se tratar de um assunto muito amplo e que requer atenção, a 
“Hipertensão Arterial Sistêmica” será aprofundada no tópico 1 da Unidade 3 
deste caderno de estudos, quando abordaremos as doenças crônicas. A seguir 
você encontra uma tabela que apresenta a Classificação da Pressão Arterial para 
adultos (> 18 anos), tendo como referências as medidas casuais ou de consultório, 
segundo DBH VI. 
TABELA 5 - CLASSIFICAÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL PARA ADULTOS 
(> 18 ANOS)
FONTE: Disponível em: <http://www.socesp.org.br/upload/revista/2015/
REVISTA-SOCESP-V25-N1.pdf>. Acesso em: 18 mar. 2016.
Para que a PA tenha um controle, uma regulação, há dois mecanismos que 
realizam esse processo, a regulação hormonal e a regulação neural. A regulação 
hormonal é feita pelo controle das substâncias celulares, com diferentes tipos de 
hormônios, que sofrem certas adaptações com ação prolongada (IRIGOYEN et 
al., 2005). Já a regulação neural é efetuada pelo sistema nervoso autônomo, sendo 
esses mecanismos não tão eficientes, e para auxiliá-los o nosso organismo ainda 
conta com a regulação feita pelos rins, pelo sistema renal (IRIGOYEN et al., 2005). 
O funcionamento dos rins permite que ocorra uma redução do débito cardíaco e 
na quantidade de sangue circundante no corpo, controlando e impedindo que a 
PA fique elevada (IRIGOYEN et al., 2005).
 Assim, há sempre uma mensuração, um controle dos líquidos corporais 
para manter a PA estável, um controle do volume de substâncias distribuídas e a 
quantidade a ser regulada por esses sistemas controladores (MARTELLI, 2013). 
Uma desregulação num desses mecanismos, ou até mesmo nos dois, desencadeia 
o aumento dos níveis de pressão, podendo desenvolver uma hipertensão arterial 
(MARTELLI, 2013).
No decurso do ciclo cardíaco, a PA sofre alterações fisiológicas em decorrência 
de inúmeros estímulos internos e externos, posturais e comportamentais, por 
exemplo, a movimentação decorrida da respiração, débito cardíaco, fases do 
sono e o exercício físico (ACCORSI-MENDONÇA et al., 2005). Em razão dessas 
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
92
flutuações fisiológicas e estímulos externos, e para manter a PA numa contante, 
os mecanismos de regulação da PA são extremamente importantes, para que ela 
seja sustentada dentro dos limites de normalidade, sendo aproximadamente 120 
mmHg para a pressão sistólica e 80mmHg para a pressão diastólica (ACCORSI-
MENDONÇA et al., 2005).
É de entendimento da maioria da população que o exercício físico traz 
melhoras para a saúde, mas é sempre bom ressaltar que a prática de exercícios 
físicos é uma atitude muito sábia, para prevenção e também como tratamento 
para as doenças desencadeadas pelo descontrole da PA, como é muito corriqueira 
a hipertensão arterial (MEDINA et al., 2010). Salientamos que cada pessoa deve 
ter seu programa de exercício personalizado para o seu biótipo, respeitando suas 
capacidades e limitações corporais (MEDINA et al., 2010).
Depois desta revisão sobre a PA, caro acadêmico, veremos, a seguir, que 
a prática de exercícios físicos também exerce relação com os volumes sistólicos, 
diastólicos e débito cardíaco.
 A prática de exercícios físicos acentua o trabalho dos sistemas 
cardiorrespiratórios, intensificando, por consequência, a PA e seus parâmetros, 
como o volume sistólico, diastólico, médio e ainda o débito e frequência cardíaca 
e respiratória, ocasionando um aumento da pressão cardíaca para suprir o gasto 
energético exigido durante o exercício físico (SANT’ANNA JUNIOR et al., 2010). 
A PA está dividida em quatro situações: Pressão Arterial Sistólica (PAS), Pressão 
Arterial Diastólica (PAD), Pressão Arterial Média (PAM). A seguir entenderemos a 
definição de cada uma delas (LUNA, 2002).
Entende-se por PAS, ou volume sistólico, o volume de sangue ejetado 
para fora do coração no tempo de um batimento cardíaco, durante uma contração 
sistólica, estimada em 60 mls em indivíduos ditos normais, é a pressão máxima 
ocorrida durante a fase de contração, no ciclo cardíaco (LUNA, 2002).
FIGURA 50 - DEMONSTRAÇÃO DA PAS
FONTE: Disponível em: <http://www.euroclinix.com.pt/images/pages/
tensao-arterial-sistolica-diastolica.gif>. Acesso em: 18 mar. 2016.
TÓPICO 1 | APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA I
93
A PAD é caracterizada como a menor pressão intrarterial durante o 
relaxamento ventricular do músculo cardíaco, é quando as cavidades ventriculares 
do coração são completadas de sangue, logo após umacontração sistólica, é 
a mínima contração ocorrida durante o ciclo cardíaco, na fase de relaxamento 
(POLITO; FARINATTI, 2003). 
FIGURA 51 - DEMONSTRAÇÃO DA PAD
FONTE: Disponível em: <http://www.euroclinix.com.pt/images/
pages/tensao-arterial-sistolica-diastolica.gif>. Acesso em: 
18 mar. 2016.
A PAM é uma pressão ocorrida nos capilares, também descrita como pressão 
de irrigação, que é responsável pelo recebimento de substâncias. Para identificar 
a PAM é necessário fazer um cálculo expresso pela fórmula: PAM = PAD + (PAS-
PAD/3), obtendo um valor médio, logo, PAM é o valor médio da pressão arterial 
durante o ciclo cardíaco, é a PAM que determina a intensidade média de fluidez 
do sangue, em torno de 8mmhg (LUNA, 2002).
Veja no vídeo a seguir uma aula do professor Rodrigo Storck sobre pressão arterial 
que reforçará o que estudamos agora. E a seguir veremos a conceituação de débito cardíaco 
e retorno venoso.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=YK2b9E73pe0>. Acesso em: 20.03.2016.
DICAS
Débito cardíaco (DC) é compreendido pelo volume de sangue total 
percorrido nos ventrículos e nas artérias aorta e pulmonar durante um minuto, 
é o volume de sangue bombeado pelo coração em um minuto. O débito cardíaco 
depende da frequência cardíaca, do volume de ejeção e do retorno venoso 
(GUYTON, 1992). A bomba cardíaca, o músculo coração, faz o bombeamento de 
sangue para a artéria aorta a cada minuto, e a quantidade, o volume de sangue 
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
94
conduzido é denominado débito cardíaco, é o volume de sangue circundante que 
ajuda no transporte de nutrientes e substâncias para todo o corpo (GUYTON, 
2006).
Da mesma forma, o DC sofre constantes alterações em função de alguns 
fatores determinantes, como a variação da resistência periférica, idade, metabolismo, 
estrutura corporal e o próprio exercício físico, onde o DC pode acrescer em torno 
de cinco a seis vezes o estado normal, quando em descanso (GUYTON, 2006).
FIGURA 52 - DEMONSTRAÇÃO DE DÉBITO CARDÍACO
FONTE: Disponível em: <http://img.docstoccdn.com/thumb/orig/113502184.
png>. Acesso em: 19 mar. 2016.
Já o Retorno Venoso (RV) é o volume de sangue que trafega das veias para 
o átrio direito a cada minuto, é a circulação periférica que impulsiona o fluxo de 
sangue das veias para o coração, essa movimentação é denominada RV (GUYTON, 
2006). Tais variáveis, débito cardíaco e retorno venoso, devem ser equivalentes, a 
não ser que o volume sanguíneo esteja sendo acumulado ou removido dos pulmões 
e coração, sendo RV um dos mais importantes reguladores do DC (GUYTON, 
2006).
Valores preestabelecidos para o DC de repouso já foram estudados e 
definidos, considerando indivíduos jovens, saudáveis e tidos como normais para 
homens um DC de repouso de 5,6L/min e para mulheres, jovens, saudáveis, 
normais um valor em torno de 4,9 L/min, admitindo assim uma média de DC de 
repouso de 5L/min (GUYTON, 2006).
Durante a realização de exercícios físicos, os parâmetros volume sistólico, 
débito cardíaco e a frequência cardíaca aumentam, em decorrência do acréscimo 
de sangue circulante para suprir a exigência de oxigênio dos músculos ao longo 
da atividade muscular, da contratilidade das fibras musculares, da capacidade 
vasodilatadora e respiratória (POLITO; FARINATTI, 2003). 
TÓPICO 1 | APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA I
95
FIGURA 53 - CICLO CARDÍACO
FONTE: <http://www.sobiologia.com.br/figuras/Fisiologiaanimal/sistolediastole.jpg>. Acesso em: 
19 mar. 2016.
UNI
Caro acadêmico! Para reforçar os conceitos e definições de todos os parâmetros 
dos sistemas cardiorrespiratórios que vimos até agora, sugerimos a leitura completa do artigo 
“Adaptações agudas e crônicas do exercício físico no sistema cardiovascular”, encontrado na 
íntegra no link a seguir:
FONTE: BRUM, P. C.; FORJAZ, C. L. M.; TINUCCI, T.; NEGRÃO, C. E. Adaptações agudas e 
crônicas do exercício físico no sistema cardiovascular. Rev. Paul. Educ. Fís., v. 18, p. 21-31, 2004. 
Disponível em: <http://www.luzimarteixeira.com.br/wp-content/uploads/2009/11/adaptacoes-
musculares-ao-exercicio-fisico1.pdf>. Acesso: em: 23 mar. 2016.
3 SISTEMA IMUNOLÓGICO E EXERCÍCIO FÍSICO
 Caro acadêmico! Você sabe qual é a importância do sistema imunológico 
para o organismo? Será que conseguiríamos sobreviver sem as funções deste 
sistema? Muito bem, para entendermos tais indagações, neste novo tópico, que 
iniciaremos agora, teremos a oportunidade de desvendar as particularidades do 
sistema imunológico e aprender o quanto a prática de exercícios físicos interfere 
positivamente na resposta imune ao nosso corpo.
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
96
3.1 SISTEMA IMUNOLÓGICO DURANTE A PRÁTICA DO 
EXERCÍCIO FÍSICO
O sistema imunológico (SI) tem por definição ser um sistema formado 
por um emaranhado de órgãos, moléculas e células, com o principal objetivo de 
realizar ação protetora, é o sistema de defesa natural contra micro-organismos 
invasores, contra as doenças. Este sistema mantém o organismo humano seguro, 
autocontrolado da ação de agentes agressores internos e externos (LEVY; MONTE, 
2008). Para o organismo realizar uma resposta imune e proteger o indivíduo 
de uma doença, o SI tem que cumprir algumas etapas essenciais, como: fazer a 
identificação do patógeno que possivelmente desenvolverá a doença se a pessoa 
não tomar as devidas precauções. Isto é feito pelas células brancas existentes no 
sangue, que ativam a imunidade inata, o que veremos mais adiante (MURPHY; 
TRAVERS; WALPORT, 2010).
Num segundo momento, o SI tem como função estimular as funções 
efetoras, recrutar grande número de células para entrar em combate e manter o 
controle do organismo. Esta já é a terceira etapa, fazer a autorregulação, evitando 
a desestabilização de todo o corpo. E por último, mas não menos importante e 
sim de grande valia, o sistema imunológico é capaz de recordar-se, desenvolver 
memória, protegendo o organismo da repetição do mesmo patógeno, e no caso de 
reincidir a doença, a reação será muito mais precisa, porque o indivíduo terá uma 
memória protetora (MURPHY; TRAVERS; WALPORT, 2010).
Para conseguirmos organizar nosso aprendizado, abaixo encontraremos 
uma figura explicativa que reporta uma visão geral dos mecanismos celulares, 
inclusive as células do SI, existentes na corrente sanguínea, oriundas das células-
tronco da medula óssea. 
TÓPICO 1 | APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA I
97
FIGURA 54 - CÉLULAS ENCONTRADAS NO SANGUE, PROVINDAS DA MEDULA ÓSSEA 
INCLUINDO AS CÉLULAS DO SI
FONTE: Murphy; Travers; Walport (2010)
O SI trabalha na defesa do organismo humano, oferecendo respostas 
imunológicas às ações dos patógenos (vírus, bactéria, fungo etc.), assim as células 
efetoras produzem os anticorpos, sendo a base de funcionamento do SI a relação 
ataque-defesa, ou seja, antígeno-anticorpo (GUYTON, 2002).
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
98
FIGURA 55 - ESTRUTURA ANTÍGENO-ANTICORPO
FONTE: Disponível em: <http://images.slideplayer.com.br/11/3178016/slides/
slide_20.jpg>. Acesso em: 23 mar. 2016.
O anticorpo é uma glicoproteína plasmática solúvel específica, 
gamaglobulina, conhecida como imunoglobulina, que exerce oposição ao antígeno. 
É formado pela junção de cadeias polipeptídicas caracterizadas de leves e pesadas, 
e geralmente são apresentadas numa combinação de duas cadeias leves e duas 
cadeias pesadas, unidas por pontes de dissulfeto, construindo assim a estrutura 
do anticorpo (GUYTON, 2002).
Os anticorpos agem de duas formas diferentes. Na primeira atacam 
diretamente o patógeno, para tentar inativar o antígeno, de forma que aumentam 
de tamanho, envolvem e neutralizam-no, e em seguida ativam o sistema de 
complemento que extermina o invasor (GUYTON, 2002). Mas nem sempre a ação 
dos anticorpos é eficiente o suficientepara destruir o antígeno e fazer a barreira 
de proteção necessária, ele ativa a cascata do sistema complemento, que são em 
torno de 20 tipos diferentes de proteínas que vão fornecer suporte no ataque aos 
antígenos (GUYTON, 2002). Os anticorpos neutralizam, aglutinam e precipitam os 
antígenos que ativam o sistema complemento e, após, são fagocitados (GUYTON, 
2002).
TÓPICO 1 | APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA I
99
FIGURA 56 - ESTRUTURA DO ANTICORPO
FONTE: Disponível em: <http://image.slidesharecdn.com/6imunologiaantico
rpos1120316072005phpapp02/95/6imunologia-anticorpos1-4-728.
jpg?cb=1331883293>. Acesso em: 23 mar. 2016.
O antígeno é reconhecido como um agente invasor, um organismo 
estranho capaz de provocar uma resposta imune. Se apresenta de duas formas: 
como monovalente (possui apenas uma Hapteno (molécula pequena, de estrutura 
simples, que sozinha não induz resposta imune, somente quando agregada a um 
carreador, uma proteína imunogênica)) ou como multivalente (os microrganismos) 
(MURPHY; TRAVERS; WALPORT, 2010).
FIGURA 57 - HAPTENO
FONTE: Disponível em: <http://image.slidesharecdn.com/
clase4antigenos150223091720conversiongate01/95/curso-
inmunologia-04-antigenos-15-638.jpg?cb=1424943785>. Acesso 
em: 24 mar. 2016.
Dispõe também de Epítopos, que são conjuntos moleculares, chamados 
de determinantes antigênicos, que se replicam de forma ordenada, ou ainda são 
porções do antígeno que facilitam o reconhecimento ou ativação do anticorpo, é o 
sítio de ligação do antígeno ao anticorpo (MURPHY; TRAVERS; WALPORT, 2010).
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
100
FIGURA 58 - DEMONSTRAÇÃO ANTÍGENO, EPÍTOPO E ANTICORPO
FONTE: Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/09P493HypPo/
Uooe8mflYWI/AAAAAAAACxg/LDxjZF7STvo/s1600/Antigen-
Antibody.png>. Acesso em: 24 mar. 2016.
 Os antígenos são reconhecidos por moléculas conhecidas como 
imunoglobulinas (Ig), produzidas pelas células T. Estas moléculas são criadas 
com vários tipos de especificidade, que interagem com o patógeno (MURPHY; 
TRAVERS; WALPORT, 2010).
FIGURA 59 - LIGAÇÃO DE ANTÍGENOS A ANTICORPOS
FONTE: Disponível em: <http://image.slidesharecdn.com/
antgenoseanticorpos131031142548phpapp01/95/
antgenos-e-anticorpos-16-638.jpg?cb=1383229612>. 
Acesso em: 24 mar. 2016.
As estruturas representadas nas cores azul e amarela são as zonas variáveis 
das cadeias leves e pesadas, e as estruturas coloridas de vermelho definem a zona 
de ligação do antígeno com o anticorpo (MURPHY; TRAVERS; WALPORT, 2010).
TÓPICO 1 | APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA I
101
Caro acadêmico! O SI é um sistema amplo, complexo, dinâmico, que 
requer atualizações constantes. A partir de agora entenderemos a divisão deste 
sistema, que é dividido em duas partes: imunidade inata e imunidade adaptativa.
3.1.1 Imunidade inata
A imunidade inata, natural ou Resposta Imune Inata (RII) corresponde a 
uma resposta imediata do organismo frente a qualquer estímulo de forma não 
específica. Não possui memória, trabalha formando uma espécie de barreira direta. 
Antes mesmo de ter contato com o agente agressor, capta o menor sinal de perigo e 
imediatamente esquematiza uma defesa, é a primeira ação de defesa, representada 
pelos fagócitos macrófagos (nos tecidos) e neutrófilos (no sangue). (MEDZHITOV; 
JANEWAY, 2000). 
Os mecanismos de defesa atuantes na RII são as barreiras físicas (mucosa 
nasal, pele), secreções (sebáceas, sudoríparas e lacrimais), fagocitose (destroem os 
agentes invasores), resposta inflamatória (quando os agentes invasores passam pela 
barreira física, ex.: corte na pele) e sistema complemento (proteínas produzidas no 
fígado que circulam pelo plasma e são ativadas em forma de cascata, onde uma 
proteína ativa a seguinte) (MEDZHITOV; JANEWAY, 2000).
Também conhecida como imunidade natural, a RII realiza certas funções, 
como: fagocitose (engloba micro-organismos, partículas), faz um tipo de 
reconhecimento inespecífico; destrói esses micro-organismos pela ação de enzimas 
digestivas; produz resistência da pele prevenindo a entrada de agentes agressores, 
sendo essa uma barreira inata, a primeira a produzir citoxinas, e ainda realiza a 
fixação dos micro-organismos por compostos químicos (lisozima, polipeptídios, 
sistema complemento e linfócitos) presentes na circulação sanguínea (GUYTON, 
2002).
A RII corresponde à primeira linha de defesa do nosso organismo frente 
a uma doença, ela consegue combater grandes quantidades de agressores, mas 
é ineficaz no combate individualizado, e para suprir tamanha responsabilidade 
possui células escudeiras que reagem e fagocitam os invasores. Essas células 
efetoras são: macrófagos, neutrófilos, células dendríticas e células Natural de Killer 
(NK) (CRUVINEL et al., 2010). 
A seguir, caro acadêmico, veremos, uma a uma, as definições de cada 
célula:
Macrófagos: São células de limpeza, participam da fagocitose, fazem o 
reconhecimento do agente agressor na imunidade inata; originárias da medula 
óssea, representam grande significância no processo de proteção do organismo 
humano, e produzem citoxinas (quimioxinas). Exemplo de imunidade inata é a 
própria pele (MURPHY; TRAVERS; WALPORT, 2010).
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
102
FIGURA 60 - MACRÓFAGOS
FONTE: Murphy; Travers; Walport, 2010
Neutrófilos: Os leucócitos são da família das células brancas do sistema 
sanguíneo, também fagocitam e participam do englobamento e exterminação dos 
micro-organismos (MURPHY; TRAVERS; WALPORT, 2010).
FIGURA 61 - NEUTRÓFILOS
FONTE: Murphy; Travers; Walport (2010)
Células dendríticas: Estão presentes nos linfócitos, elas enclausuram o 
antígeno, também derivadas da medula óssea, e têm uma importante função, que 
é realizar a conexão das imunidades inata e adaptativa (MURPHY; TRAVERS; 
WALPORT, 2010).
FIGURA 62 - CÉLULAS DENDRÍTICAS
FONTE: Murphy; Travers; Walport (2010)
TÓPICO 1 | APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA I
103
Célula Natural de Killer (NK): É uma célula mononuclear, também 
derivada da medula óssea, destrói as células infectadas. São conhecidas como 
células assassinas naturais que agem na imunidade inata, representam cerca de 
10% dos linfócitos (MURPHY; TRAVERS; WALPORT, 2010).
FIGURA 63 - CÉLULAS NK
FONTE: Murphy; Travers; Walport (2010)
Caro acadêmico! Você deve estar fascinado com o universo da imunologia. 
Para ter um melhor aprofundamento sobre esse assunto que estamos estudando, sugiro a 
leitura do artigo de Cruvinel e colaboradores, um ótimo instrumento de entendimento, no 
link a seguir. E após obtermos conhecimento sobre a RII, conheceremos a partir de agora 
como funcionam e quais são as células da imunidade adaptativa. 
Artigo: CRUVINEL et al. Fundamentos da imunidade inata com ênfase nos mecanismos 
moleculares e celulares da resposta inflamatória. Ver. Bras. Reumatol, v. 50, n. 4, p. 434-61, 2010.
Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbr/v50n4/v50n4a08.pdf>. Acesso em: 26 mar. 2016.
DICAS
Como vimos acima, caro acadêmico, o SI é dividido em duas partes. 
Já conhecemos a imunidade inata e agora estudaremos o que é a imunidade 
adaptativa.
3.1.2 Imunidade adaptativa
Também denominada de Resposta Imune Adaptativa (RIA), caracteriza-
se por responder de forma específica. Esse tipo de imunidade ocorre quando os 
primeiros esforços da imunidade inata para combater o invasor não conseguem 
dar conta, a infecção domina, e aí, então, é ativada a imunidade adaptativa, que 
é a segunda linha de defesa, com formação de anticorpos, ação protetora contra 
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
104
o mesmo agressor, reconhece o patógeno invasor, e frente a essa batalha a RIA é 
assistida pelos linfócitos, pois são esses linfócitos que reconhecem o agente invasor 
e ativam a produção da imunidade adaptativa (LORENZI; COELHO‐CASTELO, 
2011).A imunidade adaptativa são nossas defesas específicas adquiridas e que 
possuem subdivisões:
Imunidade humoral: mediada por anticorpos, são células efetoras, presentes 
na linfa e no sangue (nos líquidos corporais), produzidas depois dos linfócitos 
B terem reconhecido o antígeno por meio de receptores específicos, também 
denominadas imunoglobulinas, e possuem algumas fases: a fase ativação dos 
linfócitos B, a proliferação clonal dos linfócitos ativados e a diferenciação dos 
linfócitos B (PEAKMAN; VERGANI, 2011).
Imunidade celular: mediada por células pela ação dos linfócitos T realizando 
a apresentação do antígeno após os macrófagos terem fagocitado o agente agressor, 
forma fragmentos de moléculas com poder antígeno que se ligam às proteínas do 
complexo principal de histocompatibilidade (MHC) dos macrófagos e dá origem 
ao complexo antígeno-MHC; assim é apresentada aos linfócitos T, que por sua vez 
tornam-se ativos, e estando ativos eles se dividem em T citotóxico (Tc), linfócitos 
T auxiliares (Th) e linfócitos T de memória (Tm). Atuam de forma específica 
diretamente contra o agente agressor (ex.: células cancerígenas) e as destroem 
por indução de lise celular (dissolução da célula), melhoram a cada contato pela 
sua especificidade e por ter a capacidade de desenvolver memória (PEAKMAN; 
VERGANI, 2011).
FIGURA 64 - DEMONSTRAÇÃO DOS LINFÓCITOS B E T
FONTE: Disponível em: <http://pt.slideshare.net/VitorCarvalho1/imunidade>. Acesso em: 15 
jul. 2016.
TÓPICO 1 | APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA I
105
A ativação da RIA é feita pelas células T e B e por imunoglobulinas. As 
células de linfócitos T e B são originadas das células estaminais da medula óssea, 
no início são iguais, mas depois sofrem maturação. Os linfócitos T interagem com 
os linfócitos B, são multifacetários, as células T migram para o timo e lá fazem 
seu processo de maturação e seleção, dando origem aos linfócitos T (imunidade 
celular) e auxiliam na fagocitose. Já os linfócitos que permanecem na medula óssea 
também passam pelo processo de maturação, originam os linfócitos B (imunidade 
humoral), fazem o reconhecimento do receptor de superfície do antígeno e o 
convertem em plasmócitos, que por sua vez produzem e modificam o anticorpo, 
tornando-o mais específico, e se ligam ao antígeno. Localizados nos gânglios 
linfáticos, estão sempre prontos para reagir (PEAKMAN; VERGANI, 2011). 
E as imunoglobulinas (Ig) são anticorpos produzidos pelos plasmócitos, 
que são linfócitos B especializados. São divididas em cinco classes, por possuírem 
diferenças na sequência de aminoácidos: IgG (representa 80% das Ig, presente 
no plasma e na linfa), IgM (representa 10% das Ig, é produzida na fase aguda da 
doença que desencadeia a resposta humoral), IgA (representa 15% das Ig, presente 
na saliva, lágrimas, leite materno e nas mucosas), IgE (representa menos de 5% 
das Ig, encontrada nos basófilos e mastócitos, faz mediação nos casos de alergias), 
IgD (é encontrada nos linfócitos B, baixíssima concentração no plasma e age como 
receptor antigênico) (PEAKMAN; VERGANI, 2011).
E para que ocorra a ativação da RIA é preciso já ter ocorrido a RII como 
primeira ação frente ao micro-organismo invasor, assim o mecanismo adaptativo 
age com toda a sua eficácia (MESQUITA JUNIOR et al., 2010). As imunidades inatas 
(natural) e adaptativa (adquirida) são interligadas e interdependentes, compondo 
todo o sistema imunológico (MESQUITA JUNIOR et al., 2010).
Caro acadêmico! Entendemos que o sistema imunológico é um sistema de 
defesa muito maleável, que se adéqua e tem a capacidade de produzir inúmeras 
células que irão reconhecer e exterminar os agentes invasores para exercer sua 
principal função, que é defender o organismo. Mas você deve se perguntar: será 
que os exercícios físicos influenciam no sistema imunológico? De que forma? 
Quais são os benefícios para o corpo humano?
A prática regular de exercícios físicos de caráter não competitivo, 
caro acadêmico, exerce relevante eficácia clínica, interagindo, estimulando e 
promovendo alterações da resposta imune, pois agem como uma espécie de 
regulador da resposta imune, mediada por uma rede de inter-relação que concilia 
os fatores hormonais, os níveis metabólicos, os mecânicos e imunológicos, que 
variam de acordo com a intensidade e a duração dos exercícios físicos (KRINSKI 
et al., 2008). Sendo os hormonais (epinefrina, hormônio do crescimento, cortisol 
e as endorfinas), os metabólicos (o aminoácido e a glutamina) e como efeitos 
mecânicos destacam-se a hipertermia e a hipóxia. Outros fatores que se alteram 
no sistema imune com o exercício são os anatômicos, fisiológicos, nutricionais, 
microbiológicos, genéticos e ambientais (ROSA; VAISBERG, 2002).
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
106
Os efeitos positivos dos exercícios físicos para o sistema imunológico são 
estimulados na imunidade inata e na adaptativa, sendo um deles a diminuição de 
eventos infecciosos, seja viral ou bacteriano, sendo que com a prática de exercícios 
moderados ocorre potencialização nas funções dos neutrófilos, macrófagos, 
células NK e dos linfócitos T e B (ROSA; VAISBERG, 2002). Tais efeitos são 
alcançados a partir de uma prática de exercícios moderados. Exercícios de alto 
impacto ou de competição de alto desempenho causam grandes alterações nos 
sistemas cardiovasculares e neuroendócrinos, contribuindo para o aparecimento 
de distúrbios no sistema imunológico, sendo possível conseguir bons resultados 
com a prática de exercícios que respeitem os limites fisiológicos, como afirmam 
vários estudos (ROSA; VAISBERG, 2002). 
Dentro deste contexto, destacam-se os benefícios dos exercícios moderados 
regulares, principalmente para os sistemas cardiovascular, respiratório e muscular, 
e ainda há melhora das condições psicológicas, diminuição do estresse, aumento 
do metabolismo, aumentando, por consequência, a disposição e a vitalidade, 
sendo que a qualidade dessas alterações dependerá da duração e da intensidade 
do exercício (ROSA; VAISBERG, 2002). 
A prática de exercícios físicos de alta intensidade, que exigem muito do 
corpo e causam estresse físico, provoca um acréscimo de disparo dos hormônios 
noradrenalina e adrenalina (as catecolaminas que modulam a resposta imune 
no exercício, agindo como imunossupressoras). Alteram a regulação do sistema 
imune, que podem ser alterações gerais ou locais, desenvolvendo um processo 
inflamatório por excesso de exercício. Entre essas alterações fisiológicas destacam-
se predisposição a infecções, alterações tissulares, hipertermia (aumento da 
temperatura corporal que estimula as citocinas, aumentando os linfócitos e 
aumentando também os níveis séricos das Ig), astenia (mal-estar, cansaço), fadiga 
(fraqueza), distúrbios neurológicos e neuroendócrinos, inflamação muscular, 
alterações metabólicas e alterações no próprio sistema imune, sendo então que 
os atletas de alta performance estão predispostos a algum tipo de infecções 
(MARTÍNEZ; ALVAREZ-MON, 1999).
Contudo, é de relevância para os atletas de competição ponderar juntamente 
com sua equipe técnica e traçar estratégias específicas de prevenção para os 
períodos de maior exigência física e ações preventivas em longo prazo para que 
o atleta não sofra consequências indesejadas durante sua vida desportiva, como 
diminuição do desempenho, por exemplo, (MARTÍNEZ; ALVAREZ-MON, 1999). 
Por outro lado, caro acadêmico, os indivíduos que não são atletas devem incluir a 
prática de exercícios moderados regulares em seu cotidiano, para assegurar maior 
desempenho de seu sistema imunológico, bem como todos os outros sistemas 
que compõem o corpo humano, e assim obter qualidade e longevidade de vida 
(MARTÍNEZ; ALVAREZ-MON, 1999).
Caro acadêmico! Não se esgotam aqui os estudos sobre os sistemas 
cardiorrespiratório e imunológico quanto às suas caraterísticas. Tão somenteintroduzimos, nesse tópico, os princípios e as considerações que os fundamentam, 
cabe ainda um aprofundamento no assunto com pesquisas e leituras mais 
TÓPICO 1 | APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA I
107
específicas. Assim, você poderá aperfeiçoar ainda mais o seu conhecimento. Por 
ora conseguimos compreender que esses sistemas respondem muito bem à prática 
de exercícios físicos regulares, estimulando e mantendo a funcionalidade, bem 
como a integridade dos sistemas cardiorrespiratório e imunológico, resultando em 
qualidade de saúde.
LEITURA COMPLEMENTAR
Leia parte da entrevista: Sistema imune reage ao exercício, com o Dr. 
Mauro Walter Vaisberg (Doutor em Reabilitação e Mestre em Imunologia), 
concedida para o site Revista Super Saudável, publicação da Yakult do Brasil – 
Ano XIII – nº 57 – jan/mar. 2013.
Se quiser visualizar a entrevista na íntegra, acesse o link:
<http://www.yakult.com.br/yakult/upload/supersaudavel/130029227671032494_
yak_57.pdf>.
A atividade física provoca alterações no comportamento fisiológico 
dos sistemas neuroendócrino e imune, que, para se adaptarem ao desequilíbrio 
provocado pelo exercício, mudam seu patamar de equilíbrio sempre que 
solicitados. Isso provoca, entre outras respostas fisiológicas, uma inflamação 
aguda e a ativação do sistema imune, que imediatamente produz moléculas 
que regulam o estado de resposta inflamatória do organismo para bloquear a 
inflamação causada pelo exercício. Automaticamente, o sistema imune também 
bloqueia a inflamação provocada pelas doenças, o que, repetido várias vezes, em 
função de um esquema de treinamento, é uma das bases do uso do exercício como 
modalidade terapêutica. “Isso demonstra porque o exercício é saudável e quanto a 
atividade física é fundamental para a manutenção da saúde”, defende o professor 
doutor Mauro Vaisberg, coordenador do Ambulatório de Promoção da Saúde do 
Departamento de Medicina Esportiva da UNIFESP. A atividade física regular e 
moderada melhora a cognição por vários mecanismos. Na doença de Alzheimer, 
por exemplo, cuja incidência é menor em grupos de indivíduos fisicamente ativos, 
é demonstrado menor depósito de proteína amiloide, depositada quando há uma 
resposta inflamatória crônica. O exercício físico também tem ação de reequilibrar 
o organismo, porque o sistema musculoesquelético é, atualmente, considerado 
um órgão endócrino e imune, por produzir moléculas com ações similares a 
hormônios e citocinas, moléculas efetoras dos sistemas endócrino e imune, 
além de ser fundamental para o metabolismo. Nos atletas de alto rendimento, 
que levam o organismo ao limite extremo, a inflamação e o estresse oxidativo 
provocados pela atividade aumentam o consumo de oxigênio e a produção de 
radicais livres, induzindo a uma resposta inflamatória. Por isso, os atletas de elite 
têm inflamações recorrentes, distúrbios de sono e lesões musculoesqueléticas 
de repetição. “Estudos demonstram que até 50% das lesões em atletas de elite 
podem ocorrer sem a presença de traumas, devido ao estado de inflamação não 
controlado e às alterações no sono”, relata o professor. Em estudo com 50 atletas 
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
108
de handebol, juvenis e profissionais, os pesquisadores verificaram a presença de 
citocinas pré-inflamatórias, moléculas do sistema imune que ativam a resposta 
inflamatória. Estas moléculas desempenham várias funções no organismo, e tanto 
o sistema musculoesquelético como o cardíaco têm suas ações influenciadas por 
estas moléculas, bem como as produzem. Quando há um estado inflamatório, 
mesmo sem trauma, essas moléculas podem desencadear a lesão muscular. Na 
pesquisa, dos 30% de atletas com lesão, a maioria era formada pelos cadetes, jovens 
mais estressados por estarem no limiar entre a profissionalização da carreira. 
“Provavelmente, este estresse emocional é fator desencadeador de lesões devido à 
inflamação que produz”, reflete o docente.
FONTE: Disponível em: <http://www.yakult.com.br/yakult/upload/
supersaudavel/130029227671032494_yak_57.pdf>. Acesso em: 17 jul. 2016.
109
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você viu que:
• O coração e os pulmões são os principais órgãos que compõem os sistemas, 
compreendidos pela interligação do sistema circulatório e sistema respiratório.
• O coração age como uma bomba propulsora do sistema circulatório.
• O sistema cardiorrespiratório compreende um conjunto de estruturas que são 
responsáveis por executar uma função, as trocas gasosas.
• A prática de exercícios físicos desencadeia reações nos sistemas cardiorrespiratórios, 
e que requerem adaptações, independentemente dos fenômenos mecânicos da 
circulação sanguínea.
• As principais respostas fisiológicas obtidas com a prática de atividade física, 
como aumento da frequência cardíaca, do volume sistólico e do débito cardíaco, 
confirmaram que o exercício físico age como um fator protetor para inúmeras 
doenças e predisposições cardiorrespiratórias e neurovasculares.
• As características importantes e a atuação das frequências cardíacas máximas e 
de repouso frente à prática de exercícios.
• A prática de exercícios físicos é uma atitude muito sábia, para prevenção e 
tratamento das doenças desencadeadas pelo descontrole da PA.
• Os exercícios físicos acentuam o trabalho dos sistemas cardiorrespiratórios, 
intensificando, por consequência, a PA e seus parâmetros, como o volume 
sistólico, diastólico, médio e ainda o débito e frequência cardíaca e respiratória, 
ocasionando um aumento da pressão cardíaca para suprir o gasto energético 
exigido durante o exercício físico.
• O sistema imunológico é um sistema formado por um emaranhado de órgãos, 
moléculas e células, com o principal objetivo de realizar ação protetora, é o 
sistema de defesa natural contra micro-organismos invasores.
• O anticorpo é uma glicoproteína plasmática solúvel específica, gamaglobulina, 
conhecida como imunoglobulina, que exerce oposição ao antígeno.
• O antígeno é reconhecido como um agente invasor, um organismo estranho 
capaz de provocar uma resposta imune.
• A imunidade inata, natural ou Resposta Imune Inata (RII) corresponde a uma 
resposta imediata do organismo frente a qualquer estímulo de forma não 
específica.
110
• A imunidade adaptativa, ou Resposta Imune Adaptativa (RIA), caracteriza-se 
por responder de forma específica. Esse tipo de imunidade ocorre quando os 
primeiros esforços da imunidade inata combatem o invasor; é a segunda linha 
de defesa, com formação de anticorpos, ação protetora contra o mesmo agressor, 
reconhece o patógeno invasor.
• A prática regular de exercícios físicos de caráter não competitivo exerce relevante 
eficácia clínica, interagindo, estimulando e promovendo alterações do sistema 
imunológico.
111
AUTOATIVIDADE
Agora responda às questões a seguir e teste seu conhecimento.
1 O sistema cardiorrespiratório compreende um conjunto de estruturas que 
são responsáveis por:
Assinale V para verdadeiro e F para falso sobre as informações a seguir:
( ) Executar uma função muito importante, que são as trocas gasosas, a 
mudança do oxigênio para dióxido de carbono aos músculos e ao ambiente 
natural.
( ) Executar uma função muito importante, que é o bombeamento de oxigênio 
e dióxido de carbono para a corrente sanguínea, é o oxigênio que promove 
as batidas do coração.
( ) Executar uma função muito importante, que são os estreitamentos das 
veias e artérias para melhor passagem do sangue para irrigar o coração.
( ) Executar uma função muito importante, que são as trocas sanguíneas para 
os pulmões em ambiente natural.
 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
a) ( ) V – F – F – F.
b) ( ) F – V – F – F.
c) ( ) V – F – V – F.
d) ( ) F – V – V – F.
2 Sobre a frequência cardíaca e o exercício físico, assinale a alternativacorreta:
a) ( ) Frequência cardíaca não aumenta com a prática de exercícios físicos, 
e o número de vezes em que os ventrículos cardíacos se contraem em um 
minuto também não se altera. 
b) ( ) Ocorrem inúmeras reações e efeitos fisiológicos, e um deles é o aumento 
significativo do débito cardíaco. 
c) ( ) As BPM (batidas por minuto) são consideradas como estado normal de 
batimentos do coração, 312 bpm no início do exercício.
d) ( ) A frequência cardíaca de repouso fica extremamente elevada após o 
término do treinamento físico. 
3 A pressão arterial (PA) é compreendida como a resultante da força do 
sangue dentro das artérias, dos vasos sanguíneos, que é determinada pela 
resistência ao fluxo sanguíneo e débito cardíaco (MARTELLI, 2013).
112
A pressão arterial sofre alterações durante a realização do exercício físico.
PORQUE:
A PA sofre alterações fisiológicas em decorrência de inúmeros estímulos 
internos e externos, posturais e comportamentais, por exemplo, a movimentação 
decorrente da respiração, débito cardíaco, fases do sono, e o exercício físico 
(ACCORSI-MENDONÇA et al., 2005).
a) ( ) Ambas as afirmações são falsas. 
b) ( ) As duas são verdadeiras, mas não têm relação uma com a outra, são 
assuntos distintos.
c) ( ) A primeira e a segunda afirmações são verdadeiras e uma complementa 
a outra.
d) ( ) A primeira afirmação está correta e a segunda é complemento oposto da 
primeira.
4 Sobre a imunidade humoral, de quem é a responsabilidade?
a) ( ) Eosinófilos.
b) ( ) Neutrófilos.
c) ( ) Linfócitos T.
d) ( ) Linfócitos B.
5 O anticorpo é uma ............................ plasmática solúvel .............................., 
conhecida como imunoglobulina que exerce oposição ao .................... . É 
formado pela junção de cadeias polipeptídicas caracterizadas de leves e 
pesadas, e geralmente são apresentadas numa combinação de .......cadeias 
leves e cadeias pesadas, unidas por pontes de dissulfeto, construindo assim 
a estrutura do anticorpo (GUYTON, 2002).
Assinale a alternativa certa que preenche a citação acima:
a) ( ) Glicoproteína, específica, gamaglobulina, antígeno, duas e duas.
b) ( ) Hapteno, específica, betaglobulina, três e duas.
c) ( ) Epítopos, não específica, gamaglobulina, anticorpo, quatro e quatro. 
d) ( ) Sítio de ligação, específica, alfaglobulina, anticorpo, duas e cinco. 
113
TÓPICO 2
APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE 
ENERGÉTICA II
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico você está convidado a entender fisiologicamente o 
funcionamento do sistema endócrino e suas relações e interações com o exercício 
físico. Estudamos no tópico anterior que os efeitos benéficos de exercícios moderados 
ressaltam o sistema imune. Agora veremos que esses benefícios também interagem 
no sistema endócrino a partir da ativação das funções hormonais em resposta ao 
estímulo físico, compreendendo que há indícios de interação entre os sistemas 
imune, nervoso e endócrino frente ao exercício físico, e que o sistema endócrino 
interfere nas condições de vitalidade, metabolismo, emoção, sexualidade, 
crescimento e desenvolvimento (VULCZAK; MONTEIRO, 2008). 
2 SISTEMA ENDÓCRINO E EXERCÍCIO FÍSICO
O sistema endócrino é um sistema de regulação importante para o organismo 
humano, modulando e integrando as funções corporais, mantendo o equilíbrio do 
corpo nos estados de repouso e no exercício (VULCZAK; MONTEIRO, 2008). É 
composto por um conjunto de órgãos hospedeiros, GLÂNDULAS ENDÓCRINAS, 
as quais produzem substâncias químicas sintetizadas, mensageiros químicos, 
HORMÔNIOS, que ativam os sistemas enzimáticos, estimulam a atividade 
secretória, induzindo a síntese das gorduras e proteínas que são liberadas para a 
corrente sanguínea, espalhada pelo corpo e auxiliando o organismo a responder ao 
estresse físico e fisiológico gerado com a prática física (BUENO; GOUVÊA, 2011). 
 O sistema nervoso envia seus impulsos eletroquímicos de uma forma 
rápida e local, já a transmissão do sistema endócrino é feita de forma química, 
que responde de forma mais lenta e duradoura na síntese e permite a liberação 
de hormônios na circulação sanguínea, onde realizam suas funções de várias 
maneiras: por alterações da permeabilidade da membrana aos íons (norepinefrina, 
epinefrina), por ativação de genes por meio de sua ligação aos intracelulares 
(ligação dos esteroides e tireoides aos receptores proteicos no interior da célula) 
e por formação de AMP (Adenosina monofosfato cíclico), que é um segundo 
mensageiro, emite sinal celular, age como um modulador fisiológico (GUYTON; 
HALL, 2006).
 Assim, caro acadêmico, podemos entender que o sistema nervoso informa 
ao sistema endócrino as condições do meio externo e esse sistema faz a regulação 
da resposta interna do organismo frente à externa. Voltaremos a nos aprofundar no 
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
114
sistema nervoso no próximo tópico, o importante é que compreendemos a afinação 
de trabalho em parceria entre esses dois sistemas (GUYTON; HALL, 2006).
Para obtermos bom entendimento, caro acadêmico, faremos uma breve 
revisão conceitual das principais glândulas endócrinas, a classificação hormonal, 
as características da resposta celular, solubilidade hormonal, mecanismo de ação 
e controle da síntese hormonal existentes no corpo humano. 
2.1 PRINCIPAIS GLÂNDULAS ENDÓCRINAS
Na composição do sistema endócrino estão as glândulas endócrinas, que 
são controladas pelo sistema nervoso por meio do hipotálamo, onde os sistemas 
exercem inter-relações neuroendócrinas. Além do hipotálamo, encontramos a 
hipófise (glândula pituitária, que controla o funcionamento de quase todo o corpo 
humano). Ainda fazem parte do sistema endócrino a glândula tireoide, a glândula 
paratireoide, as glândulas suprarrenais (ou adrenais), a glândula pineal, pâncreas 
endócrino (ilhotas de Langerhans) e as gônadas (masculina e feminina) (GUYTON; 
HALL, 2006).
FIGURA 65 - LOCAIS ANATÔMICOS DAS PRINCIPAIS GLÂNDULAS ENDÓCRINAS
FONTE: Disponível em: <http://www.ogrupo.org.br/glandulas_supra-renais.asp>. 
Acesso em: 19 jul. 2016.
TÓPICO 2 | APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA II
115
No quadro a seguir, caro acadêmico, esquematizamos um resumo das 
principais glândulas endócrinas, quais são os hormônios produzidos por cada 
uma, seus órgãos/tecidos-alvos e suas ações.
QUADRO 9 - PRINCIPAIS GLÂNDULAS ENDÓCRINAS, HORMÔNIOS PRODUZIDOS, ÓRGÃOS/
TECIDOS-ALVOS E AÇÕES
GLÂNDULA E HORMÔNIO 
SECRETADO
ÓRGÃO/TECIDO-
ALVO AÇÕES
HIPOTÁLAMO/LIBERAÇÃO E 
INIBIÇÃO – HORMÔNIOS DA 
HIPÓFISE
- Lobo anterior da 
hipófise
- Estimula ou inibe a 
secreção dos hormônios.
HIPOTÁLAMO produz e 
o LOBO POSTERIOR DA 
HIPÓFISE libera e estoca:
Hormônio Antidiurético (ADH) 
e Ocitocina
- Útero
- Glândulas mamárias
- Rins (ductos coletores)
- Estimula a contração.
- Estimula a ejeção do leite 
para os ductos.
- Estimula a reabsorção de 
água.
LOBO ANTERIOR DA 
HIPÓFISE
- Hormônio do Crescimento 
(GH)
- Prolactina
- Hormônio estimulante da 
tireoide (TSH)
- Hormônio 
Adrenocorticotrópico (ACTH)
- Geral
- Glândula mamária
- Glândula tireoide
- Córtex adrenal
- Estimula o crescimento.
 -Estimula a síntese de 
proteínas.
- Estimula a secreção do 
leite
- Estimula a secreção de 
hormônios pelas glândulas 
tireoides e o tamanho da 
tireoide.
- Estimula a secreção de 
hormônios corticais pela 
adrenal.
CÓRTEX SUPRARRENAL 
- Hormônio Cortisol
- Hormônio Aldosterona
- Geral
- Sistema muscular
- Controla o metabolismo 
das proteínas, carboidratos 
e gorduras.
- Reduz a excreção de sódio 
pelos rins.
- Aumenta a excreção de 
potássio.
- Os níveis de cortisol 
interferem no ritmo 
circadiano.
- HORMÔNIOS 
GONADOTRÓPICOS
- Hormônio estimulante
folicular (FSH)
- Hormônio luteinizante (LH)
- Gônadas
- Estimulamas funções das 
gônadas.
- Estimulam o crescimento 
dos folículos nos ovários 
durante a ovulação e 
estimulam a formação de 
esperma nos testículos.
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
116
GLÂNDULA TIREOIDE
- Tiroxina (T4)
- Tri-iodotiroxina (T3)
- Calcitonina
- Geral
- Ossos
- Estimulam a velocidade 
do organismo.
- Inibição da remoção de 
cálcio dos ossos quando o 
nível de cálcio no sangue 
diminui.
ILHOTAS DE LANGERHANS
- Insulina
- Glucagon
- Pâncreas
- Promove a entrada de 
glicose no tecido celular, 
controlando o metabolismo 
dos carboidratos.
- Estimulam o aumento 
da liberação hepática 
da glicose nos líquidos 
circundantes.
OVÁRIOS
- Estrogênio
- Progesterona
- Órgãos sexuais 
femininos
-Estimulam o 
desenvolvimento dos 
órgãos femininos, 
das mamas e outras 
características sexuais 
secundárias.
- Estimulam a secreção 
de leite uterino pelas 
glândulas endometriais 
do útero, promovem o 
desenvolvimento das 
mamas.
TESTÍCULOS
- Testosterona - Testículos
- Estimula o crescimento 
dos órgãos sexuais 
masculinos, promove 
o desenvolvimento das 
características sexuais 
secundárias.
GLÂNDULA PARATIREOIDE
- Paratormônio
- Rins
- Ossos
- Estimula a absorção 
intestinal de cálcio, e 
excreção de cálcio pelos rins 
e a liberação de cálcio para 
ossos.
PLACENTA
Gonadotropina, 
Estrogênio, Progesterona, 
Somatomamotropina.
- Útero
- Mamas
- Promove o crescimento do 
corpo lúteo, assim como a 
secreção de estrogênio e de 
progesterona.
- Promove o crescimento 
das glândulas sexuais da 
mãe e alguns tecidos do 
feto.
- Promove o 
desenvolvimento do 
endométrio uterino.
FONTE: Adaptado de: Guyton; Hall (2006)
TÓPICO 2 | APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA II
117
Depois de entendermos, caro acadêmico, as principais glândulas 
endócrinas, os hormônios produzidos por cada uma, seus órgãos/tecidos-alvos e 
suas ações, veremos como são classificadas.
Na Classificação Hormonal, o sistema endócrino realiza constante interação 
com o sistema nervoso, assistindo o controle neural para regulação do controle 
hormonal ativando os órgãos-alvo (estrutura específica em que o hormônio atua 
(os receptores)) e assegura a síntese proteica no metabolismo, a homeostasia no 
meio ambiente interno, essencial para o bom funcionamento do corpo durante o 
estado de repouso e exercício (BUENO; GOUVÊA, 2011). 
E a Classificação Química Hormonal é realizada da seguinte forma: proteicos 
e polipeptídeos, esteroides (derivados do colesterol) e amínicos (derivados dos 
aminoácidos) (GONZALEZ; SILVA, 2006).
Proteicos e polipeptídeos: são os hormônios que se fixam na superfície, 
produzidos pela hipófise (hormônios de crescimento, TSH, FSH, prolactina, LH), 
paratireoides (PTH) e pâncreas (insulina e glucagon) (GONZALEZ; CERONI DA 
SILVA, 2006).
Amínicos: são os hormônios derivados do aminoácido tirosina, que se fixam 
na parte superior da membrana, ou por vezes atravessam-na, são os hormônios 
produzidos pela medula, pela suprarrenal (adrenalina, cortisol) e pela tireoide (T3, 
T4) (GONZALEZ; CERONI DA SILVA, 2006).
Esteroides: Esses hormônios atravessam a membrana, têm uma estrutura 
originada do próprio colesterol, córtex suprarrenal (cortisol e aldosterona), ovários 
(estrogênio e progesterona), testículos (testosterona) e a placenta (estrogênio e 
progesterona) (GONZALEZ; CERONI DA SILVA, 2006).
Os hormônios mantêm o equilíbrio interno pelo balanço eletrolítico e ácido 
básico trabalhando como reguladores fisiológicos, podendo acelerar ou diminuir 
a velocidade das respostas celulares. Veremos a seguir quais são as características 
de resposta celular, realizada pelos hormônios que se organizam numa divisão 
estabelecida como: hormônios gerais e específicos (GUYTON; HALL, 2006).
 Hormônios gerais: São os hormônios receptores encontrados em vários tipos 
celulares (GUYTON; HALL, 2006).
Hormônios específicos: São os hormônios receptores encontrados em um 
conjunto limitado de células (GUYTON; HALL, 2006).
Os hormônios, para que desempenhem suas funções com máxima 
eficácia, precisam ser solúveis. Assim, estudaremos agora, caro acadêmico, a 
solubilidade hormonal.
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
118
Os hormônios são solúveis em água e em lipídios. Os solúveis em água são 
polares e são reconhecidos no exterior celular, entre eles glucagon, melatonina, 
serotonina, histamina, adrenalina, dopamina (aminoácidos); FSH e LH (peptídeos) 
e PTH, ADH, GH, insulina (proteínas). E os hormônios solúveis em lipídios são 
apolares e são reconhecidos no interior da célula, no núcleo ou no citoplasma, 
entre eles T3, T4 (originados dos aminoácidos) e cortisol, aldosterona, testosterona, 
progesterona, estrógenos e andrógenos (originados do colesterol) (GUYTON; 
HALL, 2006).
Agora que você viu as várias características das glândulas endócrinas, 
vamos ver como funciona seu mecanismo de ação.
Os mecanismos de ação das glândulas endócrinas são realizados pelos 
hormônios que agem como mensageiros químicos, sintetizados e armazenados nas 
glândulas endócrinas, são liberados na corrente circulatória pelo processo exocitose 
quando for solicitado (GUYTON; HALL, 2006). Exercem as funções de controlar a 
velocidade das reações químicas celulares, interagindo com seu receptor específico, 
que, por sua vez, emite um sinal intracelular, formando assim um segundo 
mensageiro intracelular, gerando uma resposta biológica. Regulam o crescimento 
e o desenvolvimento de certos órgãos, tais como sexuais e reprodutivos, nervosos 
e mentais, influenciando no desenvolvimento da personalidade (GUYTON; 
HALL, 2006). Os hormônios atuam por meio de receptores específicos presentes 
nas células-alvo.
Depois de entender as várias características das glândulas endócrinas e 
seu mecanismo de ação, vamos conhecer os hormônios e seus receptores (órgãos-
alvos). 
São considerados receptores os Guanilil Ciclase (recebem o citosol); o 
receptor Tirosina Cinase (aminoácidos tirosina); os receptores associados à ligação 
de proteínas; os receptores tirosina fosfatases, que retiram o fosfato do aminoácido 
tirosina das proteínas sinalizadoras, e os receptores serinas, que fosforizam as 
proteínas nos aminoácidos serinas (GUYTON; HALL, 2006).
Os receptores são as células-alvo em que o hormônio se liga, interagindo 
inicialmente na superfície externa da membrana plasmática das células-alvo, e 
assim, após essa ligação ocorre a cascata bioquímica dentro da célula, alterando a 
permeabilidade da membrana, e ativam as enzimas (adenilciclase e a guanilciclase) 
que produzem o AMPc (adenosina monofosfato cíclica) (mediador comum dos 
hormônios) e o GMPc (guanosina-monfosfato cíclico) (guanosina monofosfato 
cíclico) (nucleotídeo que atua como segundo mensageiro), tendo o segundo 
mensageiro como resposta ao hormônio primário que modificam e regulam 
a velocidade da transcrição de genes específicos (GUYTON; HALL, 2006). Os 
receptores não possuem componentes fixos, e por isso podem variar o número 
de receptores para cada tipo de célula, e assim variar a intensidade da resposta 
(GUYTON; HALL, 2006). Veremos, então, caro acadêmico, como são essas 
respostas diante da prática do exercício físico.
TÓPICO 2 | APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA II
119
A resposta das informações fornecidas pelo exercício é feita da seguinte 
forma: pela secreção de hormônios por meio das glândulas exócrinas e endócrinas 
do corpo inteiro, pela contração dos músculos esqueléticos e pela contração da 
musculatura lisa interna dos órgãos (CANALI; KRUEL, 2001). O exercício físico 
age como um estímulo para a secreção de alguns hormônios e como fator inibitório 
para outros, e essas alterações hormonais ainda necessitam de mais estudos para 
serem mais bem compreendidas (CANALI; KRUEL, 2001). 
Entre asrespostas hormonais ao exercício destacam-se a liberação do 
GH, sendo nos treinos anaeróbios em que os níveis de GH são mais liberados, e 
nos treinos aeróbios a liberação de GH é bem menor, isso porque nas condições 
anaeróbias as adaptações necessárias realizam mais síntese tecidual do que nos 
treinos aeróbios (CANALI; KRUEL, 2001). Também como resposta ao exercício há 
a elevação dos níveis hormonais e liberação de ACTH, o cortisol, FSH, LH, ADH 
(regulador da tonicidade dos líquidos corporais), glucagon, as catecolaminas, 
testosterona, progesterona, estrogênio. Assim, entendemos que as respostas 
hormonais aos exercícios são estimuladas tanto na prática de exercícios sem 
frequência como bem mais nos praticados com regularidade (CANALI; KRUEL, 
2001).
UNI
No estudo a seguir você pode conferir a interação dos receptores de hormônios 
frente ao exercício e ao dano muscular, corroborando com nosso aprendizado.
FOSCHINI, D.; PRESTES, J.; CHARRO, M. A. Relação entre exercício físico, dano muscular e dor 
muscular de início tardio. Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano, 
v. 9, n. 1, p. 101-106, 2007.
Disponível em: <http://sites.google.com/site/jailsonfisio/Exerciciofisicodanomuscularesoreness.
pdf>. Acesso em: 20 jul. 2016.
Agora, caro acadêmico, veremos as descrições de cada glândula e alguns 
órgãos do sistema endócrino e sua relação com os exercícios físicos, sendo elas: 
hipotálamo, hipófise, tireoide, paratireoide, suprarrenais, pâncreas e gônadas.
O complexo e importante sistema hipotálamo-hipófise é o que produz os 
hormônios e os envia para as glândulas. Este eixo controla as funções vegetativas 
e endócrinas do corpo. É extremamente exigido pelo sistema endócrino, onde 
o hipotálamo faz a conexão do sistema nervoso com o endócrino, que libera 
hormônios que são sintetizados na eminência mediana, local exato de ligação do 
hipotálamo e hipófise (também conhecida como glândula pituitária), que por sua 
vez direcionam para a sela túrsica, que compreende as áreas hipófise anterior (ou 
adeno-hipófise, tem a função de receber os hormônios inibidores e a de liberação) 
e a hipófise posterior (ou neuro-hipófise, tem a função de armazenar e distribuir os 
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
120
hormônios recebidos do hipotálamo); com a adeno a ligação é realizada por meio 
do eixo hipotálamo-hipófise, que utilizam um sistema de ligação via neuronal 
(GUYTON; HALL, 2006).
Conhecido também como sistema porta-hipotálamo-hipófise, onde 
vários elementos inibidores e liberadores são secretados neste sistema porta e 
direcionados para síntese dos hormônios adeno-hipofisiários. E podemos imaginar, 
caro acadêmico, que a função do hipotálamo seria como a de um intérprete dos 
estímulos e a hipófise age como porta-voz destas informações hipotalâmicas, 
aumentando ou diminuindo a secreção de hormônios (FOSCHINI; PRESTES; 
CHARRO, 2007). Observe na figura a seguir, caro acadêmico, a localização desse 
sistema hipotálamo-hipófise. 
FIGURA 66 - COMPLEXO HIPOTÁLAMO, HIPÓFISE E EXERCÍCIO
FONTE: Disponível em: <http://corticoides.files.wordpress.com/2012/06/1.jpg>. Acesso em: 20 
jul. 2016.
Os principais hormônios secretados pelo eixo hipotálamo-hipófise são: 
hormônio liberador de tireotrofina (TRH); hormônio liberador de gonadotrofina 
(GnRH); somatostatina ou hormônio inibidor do hormônio do crescimento 
(GHIRH); hormônio liberador de hormônio do crescimento (GHRH); hormônio 
liberador de corticotrofina (CRH); hormônio liberador de prolactina (PrlRH). E a 
TÓPICO 2 | APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA II
121
ocitocina (OC) e a arginina-vasopressina (AVP) para a neurohipófise (CANALI; 
KRUEL, 2001).
A relação-interação dos exercícios com hormônios secretados a partir do 
hipotálamo e hipófise acontece por fatores não osmóticos, o exercício estimula a 
secreção de ADH (hormônio antidiurético) fazendo uma retenção hídrica, podendo 
levar ao aumento da ingestão de líquidos, e posterior hiponatremia (baixo nível de 
sódio no sangue) por exercício. Isso acontece pela capacidade do ADH de, durante 
o exercício, realizar a modulação da osmolalidade sérica, sendo assim, durante a 
realização de exercícios é importante a ingestão de líquidos para estimular a redução 
dos níveis de ADH (GUYTON; HALL, 2006). Além de os exercícios estimularem o 
aumento do cortisol, principalmente em exercícios intensos, estimular o GH para 
obter aumento de massa magra (GUYTON; HALL, 2006).
UNI
Caro acadêmico! Acabamos de entender o eixo hipotálamo-hipófise como 
parte atuante no sistema endócrino, e a seguir você verá a glândula tireoide e a relação 
com o exercício físico.
A tireoide é uma glândula importante, porque tem como função a produção, 
armazenamento e liberação dos seus próprios hormônios tireoidianos na corrente 
sanguínea, localizada na base do pescoço, em formato de uma borboleta de asas 
abertas, controlada pela glândula pituitária ou hipófise, utiliza o eixo hipotálamo-
hipófise na regulação de diversos órgãos corporais (GUYTON; HALL, 2006). Por 
exemplo: as contrações cardíacas, o peristaltismo intestinal e a frequência das 
evacuações, o metabolismo e a temperatura corporal, do humor, da memória, no 
sistema ósseo e muscular e ainda interferindo na ovulação e no ciclo menstrual das 
mulheres se houver qualquer disfunção na glândula tireoide (GUYTON; HALL, 
2006).
Os hormônios formados na tireoide são os tiroxina ou tetraiodotironina 
(T4 – quatro iodos) e tri-iodotironina (T3 – três iodos), determinam a velocidade 
de trabalho celular (metabolismo), são impulsionados pelo TSH (hormônio 
estimulante da tireoide) secretado pela hipófise anterior com função de estimular 
o processo de captação do iodo, aumentar o metabolismo basal estimulado por um 
aumento da necessidade de energia e do consumo de O2, e elevação da temperatura 
corporal. Ainda auxiliam na elaboração de proteínas, favorecendo o crescimento e 
inibem o sistema nervoso simpático (CANALI; KRUEL, 2001). 
Durante a prática do treinamento físico, esses hormônios estimulam 
a síntese de enzimas e produzem um aumento da massa de mitocôndrias, 
importante em práticas que exijam resistência, porque geram energia nos músculos 
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
122
e aumentam a força. O cérebro fica mais insensível à fadiga, aumentando o 
desempenho e proporcionando efeitos positivos com exercício físico, pois quanto 
maior o treinamento, maior será a produção do hormônio da tireoide, interferindo 
no metabolismo das gorduras, aumentando os ácidos graxos livres no sangue 
(CANALI; KRUEL, 2001).
FIGURA 67 - GLÂNDULA TIREOIDE
FONTE: Disponível em: <http://lh3.ggpht.com/FmiYSgUpe30/TsuyRmch4YI/
AAAAAAAAEQE/xJDeofx_LI/cap145_fig1%25255B3%25255D.
jpg?imgmax=800>. Acesso em: 20 jul. 2016.
UNI
Caro acadêmico! Agora que entendemos as características da glândula 
tireoide, a seguir você verá a glândula paratireoide e sua relação com o exercício físico.
As glândulas paratireoides são compostas por quatro pequenas glândulas 
endócrinas, de cor amarelada, estão dispostas na parte superior e inferior da face 
posterior da glândula tireoide, sua função é secretar o hormônio paratireoide ou 
paratormônio (PTH). Esse hormônio faz a regulação da concentração plasmática 
do fosfato e do cálcio, responsável pelo equilíbrio metabólico do cálcio, canalizado 
pela calcitonina e sua ação é nos órgãos-alvos intestino, rins e no sistema ósseo 
(GUYTON; HALL, 2006). O PTH gera uma maior concentração de cálcio no trato 
digestivo e ativa os osteoclastos, que liberam cálcio nos ossos, aumentando os 
níveis de cálcio no sangue, sendo que a manutenção desses níveis é garantida pelo 
efeito antagônico da calcitonina (regula a economia de cálcio), reduzindo o cálcio, 
e o hormônio paratireoide eleva o cálcio no sangue. A ativação dos osteoclastos 
TÓPICO 2 |APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA II
123
e osteoblastos possibilita maior mineralização e desmineralização do osso 
estimulado pela carga corporal, sendo que a falta desse hormônio pode causar 
contrações musculares, e o contrário, pode levar à descalcificação dos dentes e 
ossos (GHISELLI; JARDIM, 2007).
A relação do PTH com exercício ainda necessita de estudo, mas o fato é 
que com a prática de um treinamento duradouro ocorre o estímulo ósseo, com 
aumento da absorção de cálcio e a reabsorção pelos tubos renais, com consequente 
fortalecimento ósseo, sendo esse o principal efeito de exercícios nas glândulas 
paratireoides (CANALI; KRUEL, 2001).
FIGURA 68 - GLÂNDULAS PARATIREOIDES
FONTE: Disponível em: <http://www.infoescola.com/wp-content/
uploads/2010/08/glandula-paratireoides.jpg>. Acesso em: 20 jul. 
2016.
Caro acadêmico! Acabamos de estudar as glândulas paratireoides. A 
seguir você verá a importância das glândulas suprarrenais ou adrenais (córtex 
adrenal e medula adrenal) e sua relação com o exercício físico.
As glândulas suprarrenais exercem funções vitais para o nosso organismo, 
principalmente na regulação do metabolismo do sódio, potássio, da água e dos 
carboidratos, assim como também regula os efeitos corporais sentidos pelo estresse 
(variação da temperatura, tensão emocional, infecções e o próprio exercício físico) 
e mantêm o equilíbrio do meio interno (homeostase) (GUYTON; HALL, 2006). Elas 
estão localizadas sobre os rins, por isso recebem esse nome, secretam entre outros 
hormônios a aldosterona, adrenalina e noradrenalina (GUYTON; HALL, 2006).
As glândulas suprarrenais são formadas por duas regiões e cada uma 
delas é responsável pela produção de hormônios diferentes: a Medula Adrenal, 
uma camada interna que secreta as catecolaminas (as principais são: adrenalina, 
noradrenalina, dopamina, b-endorfina) que têm função pleiotrópica (mecanismo 
genético controlador das características de um gene apenas) e o Córtex Adrenal, 
camada externa que é dividida em três áreas, a glomerulosa (produz aldosterona, 
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
124
desoxicorticoesterona e corticoesterona), a fascicular (produz cortisol, 
corticoesterona e cortisona) e a reticular (produz os androgênios, hormônio 
esteroide sexual masculino e o hormônio de-hidroepiandrosterina – DHEA) 
(TORTORA; DERRICKSON, 2012).
As glândulas suprarrenais também formam um eixo complexo 
hipotalâmico-hipófise-suprarrenal que é ativado em resposta à demanda orgânica 
à qual o indivíduo foi exposto, por exemplo, um estado de tensão. Assim, as 
catecolaminas produzem hormônios além do necessário, sobrecarregando e 
hiperativando as suprarrenais, que por sua vez exigem da hipófise que reflete 
no hipotálamo, provocando consequente diminuição das defesas imunológicas 
(TORTORA; DERRICKSON, 2012).
As relações da prática do exercício físico com as glândulas suprarrenais são 
relevantes, acelerando a síntese e a secreção das catecolaminas com consequente 
aumento da atividade das glândulas suprarrenais, acelerando o metabolismo 
e o aumento dos níveis de testosterona, assim como a regulação da lipólise 
(transformação da gordura em energia) no tecido adiposo, e ainda a diminuição 
de insulina (FRENCH et al., 2007). Os níveis de catecolaminas aumentam durante 
o exercício físico, variando com a intensidade na prática, sendo a epinefrina a que 
mais aumenta, seguida da noradrenalina, quando ao término do treinamento 
os níveis de epinefrina se normalizam de imediato e os níveis da noradrenalina 
persistem elevados por algumas horas. Acompanhando os níveis hormonais 
também ocorrem a elevação do aporte sanguíneo e o acréscimo na força das 
contrações cardíacas para suprir a imposição da atividade muscular (CANALI; 
KRUEL, 2001).
FIGURA 69 - GLÂNDULAS SUPRARRENAIS
FONTE: Disponível em: <http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/upload/
conteudo_legenda/71f581317b3fcc47bdc754ef4ff95262.jpg>. 
Acesso em: 22 jul. 2016.
TÓPICO 2 | APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA II
125
UNI
Agora que entendemos o funcionamento das glândulas suprarrenais, a seguir 
você verá a importância do pâncreas e sua relação com o exercício físico.
O pâncreas é um órgão importantíssimo, é uma glândula mista de 
realização de secreção externa e interna. A externa apresenta a secreção do suco 
pancreático, atuante no sistema digestivo e internamente participa na secreção 
de dois hormônios essenciais, a insulina e o glucagon (GUYTON; HALL, 2006). 
Essa secreção interna é realizada por um conjunto de células denominado de 
Ilhotas de Langerhans (ou ilhotas pancreáticas). É um conjunto de células esféricas 
que formam a parte exócrina do pâncreas e secretam insulina e glucagon para 
a corrente sanguínea, sendo esses dois hormônios os principais reguladores dos 
níveis de açúcar no sangue (GUYTON; HALL, 2006). As ilhotas pancreáticas são 
constituídas por quatro tipos celulares diferentes: as células alfa (a), as células beta 
(b), as células delta (d) e as células PP (F) (GUYTON; HALL, 2006).
As células a produzem e liberam o glucagon (é um polipeptídio que tem 
como função elevar os níveis de glicemia), é antagonista da insulina, promove 
a glicogenólise (a degradação do glicogênio) e o aumento da gliconeogênese 
(conversão dos aminoácidos, lactato, piruvato e glicerol em glicose, isso acontece 
no fígado e durante o estado de jejum), com liberação de moléculas de glicose na 
corrente sanguínea; também diminui a síntese do colesterol pelo fígado, inibe a 
reabsorção pelos rins e aumenta o débito cardíaco (GUYTON; HALL, 2006).
A insulina trabalha para que o índice glicêmico não supere os 160-180mg/
dl após a alimentação, e ainda intervém na reserva energética em forma de tecido 
adiposo e participação no crescimento muscular e ósseo (GALVIN et al., 2014). As 
células b secretam a insulina, hormônio anabólico, é uma proteína que age sobre o 
metabolismo dos carboidratos, tem função contrária à do glucagon, diminui o nível 
de açúcar no sangue, acelerando o transporte e a conversão da glicose, acelera os 
movimentos dos aminoácidos e diminui a conversão do glicogênio em glicose no 
fígado (GUYTON; HALL, 2006).
Já as células d, caro acadêmico, são produtoras de somatostatina, inibidoras 
da secreção de insulina e glucagon, diminuem a motilidade da vesícula biliar, do 
estômago e do duodeno, e nas células F está contido o polipeptídio pancreático 
(PP), que é liberado no plasma durante a alimentação pelas proteínas e gorduras, e 
tem como função a inibição do estímulo gástrico e a secreção exócrina do pâncreas 
(GUYTON; HALL, 2006).
Caro acadêmico! Cabe aqui ressaltar a relevância da insulina e do glucagon 
para o metabolismo dos carboidratos, eles controlam os níveis de produção e 
degradação da glicose, que possuem efeitos contrários em diversos processos 
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
126
enzimáticos no fígado, sendo estimulados pelos exercícios físicos, quando os 
músculos secretam uma substância chamada Interleucina 6 (IL-6), que aumenta a 
sobrevida das células pancreáticas produtoras de insulina, o que é extremamente 
importante no controle da diabetes (PAULA et al., 2015).
FIGURA 70 - DEMONSTRAÇÃO DA ILHOTA DE LAGERHANS, CÉLULAS E PÂNCREAS
FONTE: Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com/b_Gu2Em2s50/UU_PBhQcRWI/
AAAAAAAAAtw/dRugDnXcY2M/s1600/diabetes-pancreas.gif>. Acesso em: 23 
jul. 2016.
UNI
Caro acadêmico! A seguir sugerimos uma leitura de artigo muito interessante:
GALVIN, E. A.; NAVARRO, F.; GREATTI, V. R. A importância da prática do exercício físico para 
os portadores de Diabete Mellitus: uma revisão crítica. Salusvita, v. 33, n. 2, p. 209-222, 2014, 
onde os autores abordam profundamente a questão da insulina e os benefícios do exercício. 
Você poderá encontrar o artigo no link a seguir:
<http://www.usc.br/biblioteca/salusvita/salusvita_v33_n2_2014_art_05.pdf>.Acesso em: 23 jul. 
2016.
O nosso organismo tem uma leitura para o exercício físico, interpreta como 
um estresse, e para responder a esse estímulo, já que todas as suas funções orgânicas 
estão sendo exigidas e alteradas, imediatamente ocorre um aumento na secreção 
hormonal. E um desses hormônios é o glucagon, que em resposta ao exercício 
aumenta a concentração de glicose por meio da glicogenólise e gliconeogênese, 
liberando o próprio glucagon e a glicose durante todo o período do treinamento na 
corrente sanguínea, entendendo que com a prática do exercício há uma elevação 
do glucagon e um declínio da insulina (PAULA et al., 2015).
TÓPICO 2 | APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA II
127
FIGURA 71 - ESTRUTURA QUÍMICA DO GLUCAGON
FONTE: Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com/KGd7koGjsvg/TrWbIxU0qNI/
AAAAAAAAAjk/Lw8txmmt8L0/s1600/imagem%2B1.png>. Acesso em: 23 
jul. 2016.
O hormônio insulínico aumenta sua produção em resposta ao aumento dos 
níveis circundantes de glicose, com consequente captação periférica de carboidratos 
para os músculos e adipócitos. Assim podemos dizer, caro acadêmico, que um dos 
benefícios do exercício físico é a indução de captação de glicose pelos músculos, 
regulando o aumento da sensibilidade à insulina em nível muscular, estimulando 
o transporte da glicose no músculo esquelético, GLUT4 (substância que realiza 
o transporte da glicose), e proporciona efeito potencializador na fosforilação 
do IRS-2 (substrato do receptor de insulina) (ROPELLE et al., 2005). Assim, 
entendemos que a relação da insulina com o exercício físico é expressiva, pois a 
prática de exercício físico viabiliza o aumento da sinalização da insulina pelos 
transportadores de GLUT4, aumentando a fosforilação do receptor de insulina, 
favorecendo e otimizando a captação de insulina, baixando a síntese e a secreção 
de insulina, diminuindo o tamanho da célula adiposa, sinalizando efeitos positivos 
do exercício físico para o organismo humano (ROPELLE et al., 2005).
FIGURA 72 - ESTRUTURA QUÍMICA DA INSULINA
FONTE: <http://es.123rf.com/photo_13207592_la-insulina-humana-estructura-quimica-
estilizada.html>. Acesso em: 23 jul. 2016.
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
128
UNI
Então, nós podemos entender que um indivíduo estando alimentado ocorre 
produção de insulina, e se estiver num estado de jejum, produz glucagon.
Caro acadêmico! Acabamos de entender a composição e funcionamento 
do pâncreas. A seguir você verá a importância das glândulas gônadas e sua 
relação com o exercício físico.
As glândulas gônadas são as glândulas sexuais, representadas no corpo 
da mulher pelos ovários e no corpo do homem pelos testículos. Têm a importante 
função de produzir gametas e liberar hormônios específicos que possibilitam o 
desenvolvimento sexual e reprodutivo (GUYTON; HALL, 2006). As gônadas 
estimuladas pela hipófise produzem: FSH (hormônio estimulante folicular, estimula 
a maturação do folículo na mulher e no homem a formação dos espermatozoides), 
LH (hormônio luteinizante, desenvolve o corpo lúteo no ovário feminino após 
a fase fértil, preparando para possível gravidez, ovulação, e no homem produz 
testosterona) e o LTH (hormônio luteotrofina, crescimento mamário, participa no 
aleitamento materno e estimula maior produção de hormônios) (GUYTON; HALL, 
2006).
A glândula gônada masculina (os testículos) produz a testosterona, que 
possibilita os caracteres sexuais masculinos (pelos, voz grave, libido, crescimento 
da próstata) e produção de espermatozoides, e se ocorrer alguma disfunção, isso 
acarretará alterações na puberdade, como um atraso, e na fase adulta possível 
infertilidade, diminuição da libido e impotência (GUYTON; HALL, 2006). Já a 
glândula gônada feminina, os ovários, comandados pela hipófise e hipotálamo, 
produzem os hormônios estrogênio e progesterona, que regulam o ciclo menstrual 
e acertos fisiológicos durante a gravidez, bem como definem as características 
femininas (GUYTON; HALL, 2006). 
Se essas características sofrerem qualquer disfunção, esta poderá refletir 
em todas as fases etárias da mulher. Na puberdade, alteram a regularidade 
menstrual, podendo evoluir para possível infertilidade futura, até mesmo na fase 
da menopausa, com a cessação da produção hormonal, podendo desencadear 
osteoporose (GUYTON; HALL, 2006). Assim, a relação do exercício físico com 
as gônadas é bastante significativa, pois seus benefícios auxiliam no alívio dos 
sintomas provocados pela tensão pré-menstrual na mulher, e no homem estimula 
a produção de esperma (GUYTON; HALL, 2006).
Ainda na prática de um treinamento muito intenso podem ocorrer alguns 
desajustes hormonais, tanto na mulher como no homem. Na mulher, uma alta 
intensidade de exercícios físicos interfere diretamente em seu ciclo menstrual. 
TÓPICO 2 | APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA II
129
Atletas femininas têm um índice muito baixo de gordura, o que impossibilita a 
síntese dos hormônios esteroides (estrógeno e progesterona); assim, as paredes do 
útero e o endométrio não sofrem o espessamento necessário, e mesmo que tenha 
óvulo, este não é liberado, pelo fato de a área não estar preparada, e com isso essas 
atletas não menstruam, são amenorreicas, por que o hormônio não foi induzido 
(CANALI; KRUEL, 2001). Já nos homens a alteração hormonal é inversa, ocorre um 
aumento da produção de testosterona pela alta intensidade de treinamento físico, 
o que faz com que aumente a síntese proteica que resulta no aumento gradual e 
proporcional da massa muscular, gerando potência e força muscular (CANALI; 
KRUEL, 2001). 
FIGURA 73 - GÔNADAS MASCULINAS E FEMININAS
FONTE: Disponível em: <http://cdn3.slideserve.com/5384319/slide1-n.jpg>. Acesso em: 25 jul. 2016.
Caro acadêmico, você acabou de estudar composição e funcionamento 
das glândulas gônadas. A seguir você entenderá os mecanismos de feedback 
(retroalimentação) que acontece no sistema endócrino.
Todo o nosso organismo utiliza os sistemas de feedback, e o sistema 
endócrino não é diferente, passa por várias alterações e processos fisiológicos para 
manter o funcionamento estável. Esses processos são contidos por um mecanismo 
de regulação denominado feedback ou retroalimentação, ou ainda, retroação. Este 
mecanismo corresponde a um autocontrole do organismo, faz a regulagem dos 
níveis de hormônios atuantes na corrente sanguínea, equilibrados pela estimulação 
(ativados) ou inibição (desativados) deste mecanismo, conforme necessidade do 
corpo, podendo ser positivo ou negativo (GHISELLI; JARDIM, 2007).
Vamos pensar em um exemplo para podemos elucidar esse mecanismo: 
quando o nível de um hormônio qualquer estiver baixo na corrente sanguínea, 
o trajeto de produção é imediatamente ativado para que tudo se restabeleça; e 
vice-versa: quando os níveis de hormônios estiverem muito elevados, a via de 
comunicação de produção é desativada, sendo estes os mecanismos de feedback 
(GHISELLI; JARDIM, 2007).
Um feedback positivo ocorre quando um determinado órgão estimula 
outro órgão, e este, por ação de seus produtos, retroestimula o órgão primário, 
intensificando-o, o feedback positivo acelera a produção do produto. Mas se não 
Útero
Tuba
Uterina
OvárioVeias dilatadas do 
cordão espermáticoPênis
Testículo
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
130
existisse um mecanismo de equilíbrio, sinalizando que o trabalho já é suficiente, o 
mesmo ficaria sempre no retrabalho, que o levaria à falência, para tanto, o feedback 
negativo atua em contrapartida do feedeback positivo, equilibrando-o, porque o 
feedback positivo gera modificação e o feedback negativo, estabilidade (GHISELLI; 
JARDIM, 2007). O feedback positivo necessita de estímulo constante para acontecer, 
por exemplo, no período da lactação, quando a sucção do neném estimula a 
secreção de mais e mais prolactina, e em respostaocorre o aumento do leite; assim 
que o desmame é realizado, termina o estímulo e acaba a produção. E o feedback 
negativo ocorre quando um órgão estimula outro órgão, então esse segundo órgão 
inibe a ação do primeiro órgão estimulado, ou seja, o estímulo inibe seu próprio 
estimulante, para contrabalancear, manter o equilibrio e fechar o ciclo (GHISELLI; 
JARDIM, 2007).
Perceba, na figura a seguir, que a hipófise estimula o hormônio estimulante 
da tireoide (TSH), que estimula a produção dos hormônios tireoidianos T3 e 
T4 produzidos na tireoide, que por sua vez os libera na corrente sanguínea, e o 
mecanismo de feedback entra em ação controlando o excesso ou a insuficiência de 
sua produção (NEVES et al., 2007). Podemos citar outros exemplos de feedback 
negativo, que são os que ocorrem com mais frequência no corpo humano, como a 
regulação da glicemia, da pressão arterial, da pressão parcial de CO2, entre outros 
(NEVES et al., 2007).
FIGURA 74 - MECANISMO DE FEEDBACK
FONTE: Disponível em: <http://www.colegioweb.com.br/sistema-
hormonal/feedback-ou-retroalimentacao.html>. Acesso em: 
26 jul. 2016.
Estimula a
produção 
de T3 e T4
(hormônios 
tiroidianos)
TSH
T3
T4
Hipófise
Retroalimentação
Inibe a produção
de TSH,
controlando
a secreção
de T3 e T4
TÓPICO 2 | APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA II
131
UNI
Agora, acadêmico, que você leu e compreendeu como o sistema endócrino 
é dividido e quais são suas funções, vamos estudar no quadro a seguir as características 
hormonais e os benefícios do exercício físico, para obtermos um entendimento geral do 
funcionamento deste sistema complexo.
QUADRO 10 - CARACTERÍSTICAS HORMONAIS E OS BENEFÍCIOS DO EXERCÍCIO FÍSICO (E.F.)
Glândula Hormônio Efeitos Hormonais Benefício do E.F.
Hipófise 
Anterior
GH e Somatropina
Estimula o 
crescimento tecidual;
Mobiliza os ácidos 
graxos para ganho de 
energia.
Aumenta com 
a proporção de 
exercícios, aumenta 
a gliconeogênese e 
diminui o consumo 
de glicose.
(TSH) Tireotropina
Estimula a liberação 
de tiroxina pela 
tireoide.
Aumenta com a 
intensidade do 
exercício.
ACTH 
Adrenocorticotrópico, 
corticotropina.
Estimula a 
produção e a 
liberação de cortisol, 
aldosterona e mais 
alguns hormônios 
suprarrenais.
Aumenta com o 
exercício prolongado 
e intenso; aumenta 
a gliconeogênese, 
diminui a síntese 
proteica e a captação 
da glicose.
Gonadotrópico
Estimula a liberação 
de tiroxina pela 
tireoide.
Não acontecem 
modificações.
FSH e LH
Atuam na produção 
de estrogênio 
e progesterona 
pelos ovários, e de 
testosterona pelos 
testículos.
Aumenta com a 
intensidade do 
exercício.
PRL (Prolactina)
Inibe a testosterona 
e mobiliza os ácidos 
graxos.
Aumenta com a 
intensidade de 
exercícios de longa 
duração.
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
132
Hipófise 
posterior
ADH (Vasopressina)
Controla a secreção 
de água pelos rins.
Aumenta com a 
intensidade de 
exercícios.
Ocitocina
Estimulam os 
músculos do útero 
e das mamas, 
importantes no 
trabalho de parto e na 
lactação.
Desconhecidos.
Córtex 
suprarrenal
Cortisol e 
Corticoesterona
Promove o 
catabolismo dos 
ácidos graxos e das 
proteínas; conserva 
a glicose no sangue: 
antagonista da 
insulina; exerce 
efeitos anti-
inflamatórios com a 
adrenalina.
Aumenta somente 
com exercício 
intenso e diminui 
com exercício leve.
Aldosterona
Promove a retenção 
de sódio, potássio e 
água pelos rins.
Aumenta com a 
intensidade do 
exercício.
Medula 
suprarrenal
Adrenalina/
Noradrenalina
Facilita a atividade 
simpática; eleva 
o débito cardíaco; 
regula os vasos 
sanguíneos; aumento 
do catabolismo 
do glicogênio e a 
liberação de ácidos 
graxos.
Aumenta com a 
intensidade do 
exercício (moderado 
e intenso); aumenta 
a glicogenólise 
(adrenalina), 
aumenta lipólise, a 
frequência cardíaca, 
o volume de ejeção 
e a resistência 
vascular.
Tireoide
T4 e T3
Estimula a taxa 
metabólica; regula 
o crescimento e a 
atividade das células.
Aumenta com a 
intensidade do 
exercício; aumenta 
a taxa metabólica; o 
GH, os ácidos graxos 
livres e aumenta os 
aminoácidos.
Calcitonina
Reduz a concentração 
plasmática de cálcio.
Desconhecido.
TÓPICO 2 | APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA II
133
Pâncreas
Insulina
Promove o transporte 
dos carboidratos, 
aminoácidos e ácidos 
graxos para dentro 
das células; aumenta 
o catabolismo dos 
carboidratos e reduz 
a glicose sanguínea.
Aumenta com a 
intensidade do 
exercício.
Aumenta a captação 
de glicose.
Glucagon
Promove a liberação 
da glicose do 
fígado para o 
sangue, aumenta o 
metabolismo lipídico 
e reduz os níveis de 
aminoácidos.
Aumenta com a 
intensidade do 
exercício;
Aumenta a 
gliconeogênese.
Paratireoides Paratormônio
Eleva o cálcio 
sanguíneo e reduz o 
fosfato.
Aumenta com a 
intensidade do 
exercício de longa 
duração.
Ovários
Estrogênio e 
progesterona
Controla o ciclo 
menstrual, provoca 
aumento no depósito 
de gordura corporal 
e acentua as 
características sexuais 
femininas.
Aumenta com 
a intensidade 
do exercício, é 
dependente do 
ciclo menstrual; 
ocorre variação dos 
níveis de açúcar no 
sangue, podendo 
ocorrer aumento 
ou diminuição da 
glicemia e aumento 
do depósito de 
gordura.
Testículos Testosterona
Controla o aumento 
do volume muscular; 
provoca o aumento 
do número das 
hemácias, reduz a 
gordura corporal; 
acentua as 
características sexuais 
masculinas.
Aumenta com a 
intensidade do 
exercício; aumenta 
a síntese proteica; 
aumenta a produção 
de espermatozoides 
e a libido.
Rins Renina
Estimula a secreção 
da aldosterona.
Aumenta com a 
intensidade do 
exercício.
FONTE: (FUNDAÇÃO Vale, 2013) (Adaptado de McARDLE et al. (2011); ROBERGS; ROBERTS (2002)
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
134
LEITURA COMPLEMENTAR
Veja a pesquisa sobre “Cortisol e atividade física: será o estresse um 
indicador do nível de atividade física espontânea e capacidade física em idosos?”
Leia parte do artigo escrito por Fabiane de Castro Vaz et al., (2013), que 
realizou um levantamento bibliográfico na base de dados Medline, por artigos 
publicados nos últimos cinco anos que demonstraram as potenciais associações 
entre o cortisol e a atividade física em idosos. 
Se quiser visualizar o artigo na íntegra, acesse: <http://www.ambr.org.br/
wp-content/uploads/2014/07/10_Cortisol.pdf>. Acesso em: 26 de julho de 2016.
Resumo: O envelhecimento pode ser compreendido como processo 
fisiológico natural, integrante do ciclo de vida do ser humano, que cursa com 
diminuição progressiva das reservas funcionais individuais. Condições de 
sobrecarga física, como na vigência de doenças diversas, na ocorrência de acidentes 
e/ou em quadros de importante tensão emocional, podem, de forma isolada ou 
conjunta, ocasionar uma condição clínica que necessite de assistência especializada 
a essa população específica. Nesse contexto, indaga-se: haverá associação entre o 
estresse e grau de atividade física espontânea em idosos? 
Considerando-se o fato de que atividade física regular propicia importantes 
benefícios para a saúde, que o estresse crônico pode ter associação com o aumento 
na incidência de doenças crônico-degenerativas e o crescimento do contingente 
populacional de idosos em todo o mundo, julga-se relevante considerar essas 
possíveis associações no contexto da atenção à saúde do idoso.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 
existem atualmente no Brasil aproximadamente 20 milhões de pessoas com idade 
acima de 60 anos, o que representa pelo menos 10% da população brasileira. 
Segundo projeções estatísticas daOrganização Mundial da Saúde – OMS, no 
período de 1950 a 2025 o grupo de idosos no país deverá aumentar em 15 vezes 
e, na população total, esse crescimento será de apenas cinco vezes. Essa previsão 
coloca o Brasil no sexto lugar mundial quanto ao contingente de idosos, que 
poderá alcançar, em 2025, cerca de 32 milhões de idosos. Portanto, o crescente 
Caro acadêmico! Não se esgotam aqui os estudos sobre o sistema endócrino 
e suas caraterísticas hormonais. Tão somente introduzimos, nesse tópico, os 
princípios e as considerações fundamentais que regem este sistema. Cabe ainda 
um aprofundamento no assunto com pesquisas e leituras mais específicas, e 
se assim for do seu entendimento, por ora conseguimos compreender que o 
sistema endócrino muito se favorece com a prática de exercícios físicos regulares, 
independentemente das modalidades, oportunizando diversos benefícios para um 
corpo e mente saudáveis.
TÓPICO 2 | APRIMORAMENTO DA CAPACIDADE ENERGÉTICA II
135
envelhecimento da população traz à tona a necessidade de identificação de fatores 
de risco potencialmente modificáveis que possam se associar ao surgimento de 
incapacidades físicas nesses indivíduos.
FUNÇÃO NEUROENDÓCRINA NO IDOSO: O envelhecimento não é 
um processo homogêneo, e os sistemas orgânicos podem ser influenciados por 
múltiplos fatores, incluindo os genéticos, escolhas de estilo de vida e diferentes 
exposições ambientais. Um estudo realizado com gêmeos dinamarqueses indica 
que a genética é responsável por cerca de 25 por cento da variação de longevidade 
entre gêmeos, e fatores ambientais representaram cerca de 50 por cento desse 
processo. No entanto, deve-se observar que, em se tratando de maior longevidade, 
da ordem de 90 anos etários ou mais, as influências genéticas tendem a se tornar 
mais importantes. Ao longo do processo de envelhecimento ocorre perda funcional 
nos sistemas cardiovascular, nervoso, imunitário e endócrino.
Por seu papel regulador de diversas funções orgânicas, o sistema 
endócrino ganha especial destaque. Dentre as alterações endócrinas relacionadas 
ao envelhecimento, incluem-se a diminuição das concentrações do hormônio 
de crescimento (GH), dos esteroides sexuais (testosterona, estrógenos e 
progesterona) e alterações na secreção dos hormônios adrenais, como o cortisol, 
deidroepiandrosterona (DHEA) e sua forma sulfatada (SDHEA). Essas alterações 
estão associadas direta ou indiretamente a graus variados de perda de massa óssea 
e muscular, disfunção cognitiva, alterações de memória, dentre outras perdas 
funcionais relacionadas ao envelhecimento. Assim, eventualmente, as alterações 
hormonais próprias do idoso podem associar-se a desfechos indesejáveis à 
saúde, em decorrência das modificações dos processos metabólicos relacionados 
ao envelhecimento. Assim como acontece com o sistema endócrino, a função 
imunitária é alterada com o envelhecimento e o consequente estresse crônico a 
ele associado. É bem estabelecido que a mudança gradual e natural no sistema 
imunitário, chamada imunossenescência, conduz à progressiva diminuição na 
capacidade orgânica, levando à desregulação imune substancial. Assim, os idosos 
tornam-se mais vulneráveis e mais susceptíveis a doenças, com risco aumentado 
de desenvolvimento ou progressão de doenças inflamatórias.
Tem-se que a resposta ao estresse fisiológico é papel da interação dinâmica 
entre os sistemas nervoso, endócrino e imunitário, destina-se a promover a 
adaptação e o equilíbrio diante das diversas adversidades ambientais e físicas. 
Estressores psicológicos, como a preocupação, a ansiedade e a percepção de 
falta de controle, são importantes ativadores dos sistemas neuroendócrinos de 
adaptação ao estresse. É importante ressaltar que o estresse, independentemente 
do envelhecimento, é considerado um dos fatores de maior impacto negativo sobre 
a saúde, podendo resultar em aumento da incidência de obesidade, diabetes melito 
tipo II, e doença cardiovascular. Tais evidências são consonantes com o papel 
fisiológico do cortisol, considerado o principal mediador da resposta adaptativa 
ao estresse, o qual está envolvido em diversas outras funções essenciais, como 
o metabolismo energético, a regulação do sistema imunitário e o metabolismo 
ósseo. Diante das associações diretas entre a resposta adaptativa ao estresse e o 
envelhecimento, várias linhas de pesquisa têm buscado estratégias que possam 
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
136
minimizar os efeitos deletérios sobre a função física global que sejam atribuíveis 
não apenas ao estresse, mas também ao processo de senescência propriamente 
dito. Dentre elas, a prática de exercícios físicos e/ou a mudança no estilo de vida 
para uma vida mais ativa podem contribuir para redução dos efeitos negativos da 
senescência e do estresse em indivíduos idosos. Nesse contexto, a avaliação das 
potenciais relações entre a secreção de cortisol e a atividade física espontânea em 
idosos requer especial consideração.
FONTE: Disponível em: <http://www.ambr.org.br/wp-content/uploads/2014/07/10_Cortisol.pdf>. 
Acesso em: 26 jul. 2016.
137
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você viu que:
• O sistema endócrino é um sistema de regulação importante para o organismo 
humano, modulando e integrando as funções corporais.
• Esse sistema é composto por um conjunto de órgãos hospedeiros GLÂNDULAS 
ENDÓCRINAS, as quais produzem substâncias químicas sintetizadas, 
mensageiros químicos HORMÔNIOS.
• O sistema nervoso informa ao sistema endócrino as condições do meio externo e 
esse sistema faz a regulação da resposta interna do organismo frente à externa.
• Na composição do sistema endócrino estão as glândulas endócrinas, que são 
controladas pelo sistema nervoso por meio do hipotálamo, onde os sistemas 
exercem inter-relações neuroendócrinas.
• As principais glândulas endócrinas controladas pelo sistema nervoso são 
hipotálamo, hipófise (glândula pituitária) e as glândulas reguladas pelo próprio 
sistema endócrino, a glândula tireoide, a glândula paratireoide, as glândulas 
suprarrenais (ou adrenais), a glândula pineal, pâncreas endócrino (ilhotas de 
Langerhans) e as gônadas (masculina e feminina).
• Hormônios são divididos em gerais, que são os hormônios receptores encontrados 
em vários tipos celulares, e em hormônios específicos, que são os hormônios 
receptores encontrados em um conjunto limitado de células.
• Os hormônios são solúveis em água e em lipídios. Os solúveis em água são 
polares e são reconhecidos no exterior celular, entre eles glucagon, melatonina, 
serotonina, histamina, adrenalina, dopamina (aminoácidos); FSH e LH 
(peptídeos) e PTH, ADH, GH, insulina (proteínas).
• E os hormônios solúveis em lipídios são apolares e são reconhecidos no 
interior da célula, no núcleo ou no citoplasma, entre eles T3, T4 (originados dos 
aminoácidos) e cortisol, aldosterona, testosterona, progesterona, estrógenos e 
andrógenos (originados do colesterol).
• Os mecanismos de ação das glândulas endócrinas são realizados pelos 
hormônios que agem como mensageiros químicos, sintetizados e armazenados 
nas glândulas endócrinas, são liberados na corrente circulatória pelo processo 
exocitose quando for solicitado.
• O exercício físico age como um estímulo para a secreção de alguns hormônios e 
como fator inibitório para outros.
138
• Entre as respostas hormonais ao exercício destacam-se a liberação do GH, sendo 
nos treinos anaeróbios quando os níveis de GH são mais liberados.
• Nos treinos aeróbios a liberação de GH é bem menor, isso porque nas condições 
anaeróbias as adaptações necessárias realizam mais síntese tecidual do que nos 
treinos aeróbios.
• O complexo e importante sistema hipotálamo-hipófise é o que produz os hormônios 
e os envia para as glândulas, este eixo controla as funções vegetativas e 
endócrinas do corpo.
• A tireoideé uma glândula importante, porque tem como função a produção, 
armazenamento e liberação dos seus próprios hormônios tireoidianos na 
corrente sanguínea; localizada na base do pescoço, em formato de uma borboleta 
de asas abertas, controlada pela glândula pituitária ou hipófise, utiliza o eixo 
hipotálamo-hipófise na regulação de diversos órgãos corporais.
• As glândulas paratireoides são compostas por quatro pequenas glândulas 
endócrinas, de cor amarelada, estão dispostas na parte superior e inferior da face 
posterior da glândula tireoide, sua função é secretar o hormônio paratireoide ou 
paratormônio (PTH).
• As glândulas suprarrenais exercem funções vitais para o nosso organismo, 
principalmente a regulação do metabolismo do sódio, potássio, da água e dos 
carboidratos, como também regulam os efeitos corporais sentidos pelo estresse 
(variação da temperatura, tensão emocional, infecções e o próprio exercício 
físico) e mantêm o equilíbrio do meio interno (homeostase).
• O pâncreas é uma glândula mista de realização de secreção externa e interna; a 
externa apresenta a secreção do suco pancreático, atuante no sistema digestivo, 
e internamente participa na secreção de dois hormônios essenciais, a insulina e 
o glucagon.
• As glândulas gônadas são as glândulas sexuais representadas no corpo da 
mulher pelos ovários e no corpo do homem pelos testículos, têm a importante 
função de produzir gametas e liberar hormônios específicos que possibilitam o 
desenvolvimento sexual e reprodutivo. 
139
AUTOATIVIDADE
Agora responda às questões a seguir e teste seu conhecimento.
1 Os mensageiros químicos ativam os sistemas enzimáticos e estimulam 
a atividade secretória, induzindo a síntese das gorduras e proteínas que 
são liberadas para a corrente sanguínea. De que se trata? Com base nesse 
conhecimento, assinale a informação correta:
a) ( ) Baço.
b) ( ) Glicogênio.
c) ( ) Hormônios.
d) ( ) Células-alvo.
2 Com relação ao hipotálamo e à hipófise, qual é o órgão/tecido-alvo e sua 
ação? Assinale a alternativa correta:
a) ( ) Córtex suprarrenal realiza liberação e inibição – hormônios da hipófise – 
célula-alvo: lobo posterior da hipófise – Ação: Estimula ou inibe a secreção 
dos hormônios.
b) ( ) Hipotálamo realiza liberação e inibição – hormônios da hipófise – célula-
alvo: lobo anterior da hipófise – Ação: Não realiza a secreção dos hormônios.
c) ( ) Hipotálamo realiza liberação e inibição – hormônios das gônadas – célula-
alvo: lobo superior da hipófise – Ação: Estimula ou inibe a secreção dos 
hormônios.
d) ( ) Hipotálamo realiza liberação e inibição – hormônios da hipófise – célula-
alvo: lobo anterior da hipófise – Ação: Estimula ou inibe a secreção dos 
hormônios.
3 Como a classificação química hormonal é organizada?
a) ( ) São classificados em: lipídicos e polipeptídeos; amínicos; esteroides.
b) ( ) São classificados em: proteicos e polipeptídeos; amínicos; esteroides.
c) ( ) São classificados em: proteicos e enzimas; amínicos; esteroides.
4 A tireoide é controlada pela glândula pituitária e utiliza um eixo para sua 
regulação. Qual é esse eixo e quais órgãos corporais regula? 
a) ( ) Eixo hipotálamo-hipófise e regula as contrações cardíacas, o peristaltismo 
intestinal e a frequência das evacuações, o metabolismo e a temperatura 
corporal, entre outros.
b) ( ) Eixo hipófise-pituitária e regula as contrações cardíacas, o peristaltismo 
da derme e a frequência das evacuações, o metabolismo e a temperatura 
corporal, entre outros.
140
c) ( ) Eixo hipotálamo-paratireoide e regula as contrações cardíacas, o 
peristaltismo intestinal e a frequência das micções, o metabolismo e a 
temperatura corporal, entre outros.
d) ( ) Eixo hipotálamo-hipófise e regula as contrações cardíacas, o peristaltismo 
dos brônquios e a frequência das evacuações, o metabolismo e a elevação da 
temperatura corporal, entre outros.
5 As glândulas ....................... são formadas por duas regiões e cada uma 
delas é responsável pela produção de hormônios diferentes, a.................
................., uma camada interna que secreta as ...................................... (as 
principais são: adrenalina, noradrenalina, dopamina, endorfina) que têm 
função pleiotrópica (mecanismo genético controlador das características 
de um gene apenas) e o ................................, camada externa que é dividida 
em três áreas: a glomerulosa (produz aldosterona, desoxicorticoesterona e 
corticoesterona), a fascicular (produz cortisol, corticoesterona e cortisona) e 
a reticular (produz os androgênios, hormônio esteroide sexual masculino e 
o hormônio de-hidroepiandrosterina – DHEA) (TORTORA; DERRICKSON, 
2012).
Assinale a alternativa certa que preenche a citação acima:
a) ( ) Supraparatireoide, medula espinhal, catecolaminas e córtex adrenal.
b) ( ) Suprarrenais, medula adrenal, colaminas e córtex frontal.
c) ( ) Suprarrenais, medula adrenal, catecolaminas e córtex adrenal.
d) ( ) Supraciliar, medula oblonga, colaminas e córtex adrenal.
141
TÓPICO 3
CONTROLE NEURAL E DA FORÇA 
RELACIONADA AO MOVIMENTO HUMANO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico você entenderá a relação entre sistema nervoso e 
neuromuscular, pelo fato do sistema muscular ser uma das funções do sistema 
nervoso. Além de entender como a adaptação neural é importante e predomina 
nas fases iniciais do treinamento de força, e nas fases intermediárias e avançadas 
passa a ser prioridade a adaptação muscular, ou seja, os fatores hipertróficos 
reduzem a ação neural, em relação ao início do treinamento. 
2 SISTEMA NERVOSO E SUA RELAÇÃO COM O 
MOVIMENTO HUMANO
O sistema nervoso é uma rede intrincada e altamente organizada de bilhões 
de neurônios e neuróglia e possui como estruturas “o encéfalo, os nervos cranianos 
e seus ramos, a medula espinal, os nervos espinais e seus ramos, os gânglios, os 
plexos entéricos e os receptores sensitivos” (TORTORA; DERRICKSON, 2012, p. 
237). Veja essas estruturas na figura a seguir: 
FIGURA 75 - PRINCIPAIS ESTRUTURAS DO SISTEMA NERVOSO 
FONTE: Tortora; Derrickson (2012, p. 238)
SNC
Encéfalo
Medula
espinhal
142
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
Segundo Tortora e Derrickson (2012, p. 239), “o sistema nervoso exerce um 
conjunto complexo de tarefas”, como produzir a fala, sentir os diversos odores, 
lembrar eventos passados, e também fornece sinais que controlam os movimentos 
corporais e regula o funcionamento dos órgãos internos. O sistema nervoso possui 
três funções básicas:
Função sensitiva: os receptores sensitivos detectam estímulos internos, 
como um aumento na acidez sanguínea, e estímulos externos, como 
um pingo de chuva batendo em seu braço. Essa informação sensitiva 
é então levada até o encéfalo e à medula espinhal por meio dos nervos 
cranianos e espinais. Função integradora: o sistema nervoso integra 
(processa) a informação sensitiva, analisando e armazenando uma 
parte dela e tomando decisões para as respostas apropriadas. Uma 
função integradora importante é a percepção, a consciência do estímulo 
sensitivo. A percepção ocorre no encéfalo. Função motora: uma vez que 
a informação sensitiva é integrada, o sistema nervoso pode provocar 
uma resposta motora adequada ativando os efetores (músculos e 
glândulas) por meio dos nervos cranianos e espinais. A estimulação dos 
efetores causa contração muscular e secreção das glândulas (TORTORA; 
DERRICKSON, 2012, p. 239). 
Caro acadêmico! Você poderia se perguntar: por que estudar o sistema 
nervoso se esse tópico fala de sistema motor e movimento? Mas, como vimos 
acima, a função motora faz parte do sistema nervoso, como uma de suas três 
funções e, consequentemente, de todo movimento humano.
“O sistema nervoso consiste em duas partes principais: o sistema nervoso 
central (SNC), que consiste no cérebro e na medulaespinhal, e o sistema nervoso 
periférico (SNP), que consiste nos nervos que transmitem a informação para e a 
partir do SNC” (MCARDLE; KATCH; KATCH, 2011, p. 321). Veja na figura essa 
divisão do sistema nervoso. 
TÓPICO 3 | CONTROLE NEURAL E DA FORÇA RELACIONADA AO MOVIMENTO HUMANO
143
FIGURA 76 - DIVISÃO DO SISTEMA NERVOSO
FONTE: Disponível em: <https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/564x/ca/7d/fc/
ca7dfc2525fbe08b17b58fcf847680fe.jpg>. Acesso em: 19 jul. 2016.
O SNC, formado pela medula espinal e o encéfalo, tem a função de 
processar as diferentes informações sensitivas e é também a fonte de pensamentos, 
emoções e memórias, e é responsável pela “maioria dos impulsos nervosos que 
estimulam os músculos a se contraírem e as glândulas a secretarem” (TORTORA; 
DERRICKSON, 2012, p. 254). Veja na figura e no quadro a seguir as características 
de cada parte que compõe o SNC: 
Partes Características
Cérebro – 
Diencéfalo
- localizado imediatamente acima do mesencéfalo
- composto por quatro sub-regiões: hipotálamo, subtálamo, tálamo e 
epitálamo. 
- relacionadas às funções límbicas (ou emocionais e funções vitais como 
sede, fome e comportamento sexual).
Cérebro –
Telencéfalo
- constituído pelos hemisférios cerebrais, um de cada lado
- relacionado ao pensamento, memória, atenção, juízo de raciocínio, 
cálculo, linguagem, movimentos complexos, percepções e cognição 
elaborada e tantos outros aspectos do comportamento humano.
Tronco 
encefálico
- constituído de bulbo, protuberância e mesencéfalo 
- localizado no interior do crânio
- apresenta diversas funções, como o controle cardiorrespiratório e 
também por determinados reflexos de alta complexidade.
QUADRO 11 – PARTES QUE COMPÕEM O SNC
144
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
Cerebelo 
- responsável pelo movimento (velocidade do movimento, funções reflexas 
do movimento), locomoção, ajustes posturais, coordenação e monitoração
- localiza-se posteriormente à ponte e bulbo
- responsável por movimentos balísticos, o que é conferido pela interação 
com o córtex motor, mediada por determinadas conexões.
FONTE: Adaptado de MCARDLE; KATCH; KATCH (2011, p. 321-322)
FIGURA 77 – DIVISÃO DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL
FONTE: Disponível em: <http://meucerebro.com/wp-content/uploads/2014/12/sistema-nervoso-
central-hipot%C3%A1lamo-tenec%C3%A9falo-mesenc%C3%A9falo-ponte-bulbo-
cerebelo.jpg>. Acesso em: 20 jul. 2016.
Agora, caro acadêmico, que você viu o SNC, vamos ver o SNP. O SNP 
inclui todo o tecido nervoso fora do SNC, incluindo os nervos cranianos e seus 
ramos, os nervos espinais e seus ramos, os gânglios e os receptores sensitivos, e são 
divididos em “sistema nervoso somático (SNS) (soma = corpo), sistema nervoso 
autônomo (SNA) (auto = próprio e nomo = lei) e sistema nervoso entérico (SNE) 
(enter = intestinos)” (TORTORA; DERRICKSON, 2012, p. 254). O SNC subdivide-
se em nervos cranianos e raquidianos e o SNA é subdividido em sistemas nervosos: 
simpático e parassimpático, devido às suas diferenças anatômicas e fisiológicas. 
Veja, na figura a seguir, o SNP. 
TÓPICO 3 | CONTROLE NEURAL E DA FORÇA RELACIONADA AO MOVIMENTO HUMANO
145
FIGURA 78 - DIVISÃO DO SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO
FONTE: Disponível em: <http://www.sobiologia.com.br/figuras/Fisiologiaanimal/
nervoso18.jpg>. Acesso em: 20 jul. 2016.
O SNP inclui os neurônios aferentes, que têm a função de retransmitir 
a informação sensorial proveniente dos receptores existentes na periferia para 
o SNC, e neurônios eferentes, que transmitem a informação do cérebro para os 
tecidos periféricos, sendo que os dois tipos de neurônios aferentes são conhecidos 
como nervos somáticos e autônomos (MCARDLE; KATCH; KATCH, 2011). 
Vamos entender, agora, a diferença entre eles. Os nervos autônomos, 
ou chamados de involuntários, são os músculos do intestino, vasos sanguíneos, 
glândulas salivares e sudoríparas, músculo cardíaco e algumas glândulas 
endócrinas. Já “as fibras nervosas somáticas (ou motoneurônios) inervam o 
músculo esquelético e a descarga desses neurônios é sempre excitatória em sua 
resposta, acarretando uma contração muscular” (MCARDLE; KATCH; KATCH, 
2011, p. 325). 
146
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
Agora, acadêmico, que você leu e compreendeu como o sistema nervoso é 
dividido e quais são suas funções, vamos estudar o sistema musculoesquelético, suas divisões, 
funções e como está relacionado com o sistema nervoso.
ESTUDOS FU
TUROS
3 SISTEMA MUSCULOESQUELÉTICO
O sistema motor é formado por todos os músculos e os neurônios que os 
comandam. Estriado e liso são as duas categorias de divisão dos músculos do corpo. 
“O músculo liso reveste o tubo digestivo e as artérias, entre outras coisas, sendo 
inervado pelas fibras nervosas do sistema neurovegetativo (SNV) e é responsável 
do peristaltismo (movimento de material através dos intestinos) e do controle da 
pressão sanguínea” (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2002, p. 437). 
O músculo estriado é subdividido em cardíaco e esquelético. Veja a 
diferença entre eles na citação a seguir:
O músculo cardíaco é o do coração, e se contrai de forma rítmica na 
ausência de qualquer inervação, e essa inervação no coração proveniente 
do SNV tem como função aumentar ou diminuir a frequência cardíaca. 
O músculo esquelético constitui a maior parte da massa muscular do 
corpo, movimenta os ossos nas articulações e os olhos na cabeça, 
controla a respiração e a expressão facial, além de produzir a fala. Cada 
músculo esquelético é coberto por uma camada de tecido conjuntivo 
que forma os tendões no final de cada músculo. Dentro de cada músculo 
há centenas de fibras musculares – as células do músculo esquelético – e 
cada fibra é inervada por uma única ramificação de axônio proveniente 
do SNC. (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2002, p. 437).
Agora que você viu como é dividido e subdividido o tecido muscular, 
vamos ver no quadro a seguir as quatro funções do tecido muscular.
Funções Características
Movimento 
- produzir movimentos corporais
- integra músculos, ossos e articulações para gerar o movimento 
(caminhar, correr, jogar, etc.).
Estabilização 
- as contrações do músculo esquelético estabilizam articulações 
- mantém as posições do corpo (sentado e em pé)
- responsável pela postura.
QUADRO 12 - FUNÇÕES DO TECIDO MUSCULAR
TÓPICO 3 | CONTROLE NEURAL E DA FORÇA RELACIONADA AO MOVIMENTO HUMANO
147
3 SISTEMA MUSCULOESQUELÉTICO
FONTE: A autora. Adaptado de: Tortora; Derrickson (2012, p. 185).
Armazenamento
- armazena e move as substâncias dentro do corpo
- armazenamento realizado por contrações sustentadas de fixas de 
anel de músculo liso (esfíncteres) ou temporário de alimento no 
estômago, ou urina na bexiga etc.
Produção de calor
- na contração produz calor
- muito desse calor é liberado pelos músculos e usado para manter a 
temperatura normal do corpo.
Observamos acima que o músculo estriado esquelético é o maior do corpo 
humano e que ambos, liso e estriado, possuem várias funções. Mas, você sabia, caro 
acadêmico, que qualquer movimento, como caminhar, andar de bicicleta, jogar 
vôlei, requer uma interação entre ossos e músculos? (TORTORA; DERRICKSON, 
2012). E que em termos de atividade muscular, “a medula espinhal é o principal 
centro de processamento e distribuição para o controle motor”? (MCARDLE; 
KATCH; KATCH, 2011, p. 327). 
Podemos nos questionar: Como a informação processada no SNC é 
transmitida aos músculos para gerar uma resposta motora apropriada? 
Iniciamos respondendo que cada músculo esquelético é um “órgão separado, 
composto por centenas a milhares de células, chamadas de fibras musculares em 
razão de suas formas alongadas, e os tecidos conjuntivos circundam as fibras 
musculares e os músculos inteiros, os vasos sanguíneos e os nervos penetram nos 
músculos” (TORTORA; DERRICKSON,2012, p. 185).
Nervos e vasos sanguíneos que suprem os músculos esqueléticos estão 
diretamente relacionados com a contração. “A contração muscular também requer 
uma boa quantidade de ATP e, portanto, grandes nutrientes e oxigênio para a 
síntese de ATP” (TORTORA; DERRICKSON, 2012, p. 186).
As células musculares, ou seja, as fibras musculares, constituem as unidades 
motoras que são subdivididas por um tipo diferente de fibra com o mesmo 
perfil metabólico. Possuem pontos em comum com as fibras lisas e cardíacas em 
organização, composição (proteínas contráteis e regulatórias) e metabolismo, 
porém possuem grandes diferenças morfológicas, funcionais e nutricionais entre 
elas (MARTINEZ; ALVAREZ-MON, 1999).
“Entre as fibras esqueléticas há diferença tanto em termos de rapidez de 
resposta (fibras de contração rápida e lenta) quanto no metabolismo (vermelhas, 
predominantemente oxidativas; e brancas, predominantemente glicolíticas)” 
(MARTINEZ; ALVAREZ-MON, 1999, p. 160). Os músculos esqueléticos envolvidos 
nos movimentos possuem uma combinação desses tipos de fibras. Veja, na tabela 
a seguir, essas características histológicas, histoquímicas, metabólicas e funcionais 
diferentes.
148
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
TABELA 6 - CLASSIFICAÇÃO DAS FIBRAS MUSCULARES ESQUELÉTICAS
FONTE: Martinez; Alvarez-Mon (1999, p. 160) 
Podemos nos perguntar, caro acadêmico, quando essas fibras são 
recrutadas durante o exercício? Respondemos usando McArdle, Katch e Katch 
(2011, p. 331): “As fibras de baixa capacidade de força apresentam tempos de 
encurtamento lentos e mais resistência à fadiga, e aquelas com capacidade mais 
alta de gerar força evidenciam um encurtamento rápido, mas propensas à fadiga 
precoce”. Veja no quadro e figura a seguir as características das fibras durante a 
contração muscular. 
Tipos Características
Fibras Tipo I 
- chamadas de fibras lentas e contração lenta
- fibras vermelhas e altamente vasculares
- tensão baixa
- resistência à fadiga
- predominam nos músculos posturais 
QUADRO 13 - CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS NA CONTRAÇÃO MUSCULAR
TÓPICO 3 | CONTROLE NEURAL E DA FORÇA RELACIONADA AO MOVIMENTO HUMANO
149
Fibras Tipo IIa
- fibras brancas e contração rápida
- elevado potencial oxidativo e glicolítico
- força moderada
- resistência à fadiga
- produção de força relativamente alta e com diâmetro de 28 
milímetros 
Fibras Tipo IIb
- fibras brancas e contração rápida
- alta força
- fadiga rápida
- alta produção de força e com diâmetro de 46 milímetros 
Fibras do tipo IIc - intermediárias entre IIa e IIb, pouco diferenciadas e representam 
cerca de 1% do total das fibras.
FONTE:Adaptado de: McArdle; Katch; Katch (2011, p. 331); Grillo; Simões (2007)
FIGURA 79 - CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS NA CONTRAÇÃO MUSCULAR
FONTE: Martinez; Alvarez-Mon (1999, p. 160) 
Veja, no quadro a seguir, o exemplo das fibras nos diferentes esportes.
QUADRO 14 - COMPOSIÇÃO DAS FIBRAS MUSCULARES E TIPOS DE FIBRAS
FONTE: Adaptado de Guyton; Hall (2006)
150
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
As fibras vermelhas, normalmente, são solicitadas em atividades de baixa 
intensidade, quando a tensão muscular durante a contração é pequena e quando o 
metabolismo energético predominante é o aeróbio. As fibras brancas, com metabolismo 
predominante anaeróbio, são ativadas preferencialmente nas atividades de velocidade e 
nas tarefas de força. Nesse último caso, no entanto, geralmente em conjunto com as fibras 
vermelhas (GRILLO; SIMÕES, 2007). 
ESTUDOS FU
TUROS
Caro acadêmico! Veja, na figura a seguir, a imagem de um músculo com as 
fibras (brancas e vermelhas) que estão dentro do fascículo.
FIGURA 80 - EXEMPLO DE MÚSCULO E DAS FIBRAS NA CONTRAÇÃO MUSCULAR
FONTE: Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com/-FdxJY0xJpO4/VhU5yW77XJI/
AAAAAAAAAEE/jK2i3TE3Srg/s1600/Slide11.jpg>. Acesso em: 24 jul. 2016.
Caro acadêmico! Veja na foto o sarcômero e entenda que nossos músculos 
esqueléticos possuem milhares de fibras (brancas e vermelhas) e elas possuem 
uma membrana conhecida como sarcolema. “Cada fibra muscular é composta 
por várias miofibrilas e cada miofibrila é composta de vários sarcômeros (unidade 
funcional do músculo) ligados em série” (BADARO; SILVA; BECHE, 2007, p. 34). 
TÓPICO 3 | CONTROLE NEURAL E DA FORÇA RELACIONADA AO MOVIMENTO HUMANO
151
“O sarcômero (sarcolema) representa a zona que vai de uma linha Z até 
a outra linha Z. As miofibrilas são compostas de pequenas estruturas chamadas 
miofilamentos proteicos de actina e miosina dentro do sarcômero, e os sarcômeros 
são responsáveis pela contração muscular” (BADARO; SILVA; BECHE, 2007, p. 
34). Veja, na figura a seguir, o exemplo do que acontece com o sarcômero com o 
músculo relaxado e contraído.
FIGURA 81 - SARCÔMERO COM O MÚSCULO RELAXADO E CONTRAÍDO
FONTE: Tortora; Derrickson (2012, p. 185)
Para entender a figura acima, caro acadêmico, essas diminuições do 
músculo, relaxado e contraído, você tem que entender o mecanismo do filamento 
deslizante. Na contração muscular, as cabeças de miosina dos filamentos espessos 
puxam os filamentos delgados, fazendo-os deslizarem em direção ao centro de 
um sarcômero, e à medida que os filamentos delgados deslizam, as bandas I e as 
zonas H tornam-se mais estreitas e finalmente desaparecem por completo quando 
o músculo está contraído ao máximo (TORTORA; DERRICKSON, 2012).
Você viu, caro estudante, que a função básica do músculo é a contração 
realizada pelo sistema musculoesquelético. Existem cerca de 430 músculos 
esqueléticos no corpo e, destes, uns 75 pares de músculos fornecem a maioria 
dos movimentos e da postura do corpo (DUTTON, 2009). Veja agora algumas 
terminologias que são usadas para descrever as funções desses músculos pareados 
durante o movimento:
152
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
QUADRO 15 - FUNÇÕES DESSES MÚSCULOS PAREADOS DURANTE O MOVIMENTO
Tipos Características
Músculos agonistas - Um músculo agonista se contrai para produzir o movimento 
desejado
Músculos sinergistas
- Esses músculos são grupos musculares que trabalham juntos 
para produzir o movimento, ou seja, são os ajudantes dos 
agonistas, visto que a força gerada pelos sinergistas trabalha na 
mesma direção que a dos agonistas
Músculos 
antagonistas
- Esses músculos opõem-se ao movimento desejado, ou seja, 
resistem ao movimento agonista relaxando e alongando-se de 
maneira gradual para assegurar que o movimento desejado 
ocorra e que seja feito de maneira coordenada e controlada 
FONTE: Adaptado de Dutton (2009)
Na foto a seguir veja o exemplo dos deslizamentos das fibras musculares 
e também do movimento de contração do bíceps – agonista (contraído) – e 
consequentemente o tríceps se torna o antagonista (relaxado). Isso acontece para 
que haja equilíbrio e segurança durante o exercício. Quando o agonista recebe o 
impulso para se contrair, o antagonista relaxa por meio da inibição recíproca.
FIGURA 82 - EXEMPLO DE MOVIMENTO COM AGONISTA E ANTAGONISTA
FONTE: Disponível em: <http://cienciadotreinamento.com.br/wp-content/uploads/2015/03/
coativa%C3%A7%C3%A3o.jpg>. Acesso em: 24 jul. 2016.
TÓPICO 3 | CONTROLE NEURAL E DA FORÇA RELACIONADA AO MOVIMENTO HUMANO
153
NOTA
Você sabia, caro acadêmico, que atletas de potência possuem alta porcentagem 
de fibras rápidas, já os de endurance possuem alta porcentagem de fibras lentas? E que o 
exercício físico é capaz de alterar o tamanho e a composição bioquímica de uma fibra muscular 
esquelética, assim como a inatividade também pode alterar tais características em função da 
ausência de estímulos?
3.1 AÇÕES MUSCULARES
Os músculos estriados esqueléticos possuem diferentes tipos de fibras que 
se adaptam, física e bioquimicamente, para responder “adequadamente” ao que lhe 
é exigido, e essas alteraçõesque acontecem em nível muscular são determinadas 
pela forma de atividade contrátil que esses músculos executam, ou seja, pela ação 
muscular (CLEBIS; NATALI, 2001). 
Podemos dizer que o termo ação muscular é utilizado para descrever o 
“trabalho”, e precede os tipos de contrações musculares. O exercício físico consiste 
em ações musculares: estáticas (isométricas), dinâmicas ou isotônicas (concêntricas 
e excêntricas), isoladas ou combinadas (MARTINEZ; ALVAREZ-MON, 1999). 
A ação isométrica é chamada de estática, pois não tem movimento, ou seja, 
ocorre a contração muscular, mas sem aumento ou diminuição do ângulo articular. 
Diferentemente da ação isométrica, as ações isotônicas dividem-se em concêntricas 
e excêntricas e possuem variação do ângulo articular na ação muscular. A ação 
concêntrica é gerada por uma ação muscular que acarreta encurtamento muscular 
com movimento de uma parte do corpo, e uma ação excêntrica ocorre quando um 
músculo é ativado e produz força, mas o músculo alonga (CABRAL et al., 1998). 
Veja essas ações na figura a seguir.
154
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
FIGURA 83 - EXEMPLO DE MOVIMENTO COM AGONISTA E 
ANTAGONISTA
FONTE: Disponível em: <https://personalbruno.files.wordpress.
com/2012/03/contrac3a7c3a3omuscular4.jpg>. Acesso em: 
24 jul. 2016.
Veja outro exemplo na figura a seguir, onde C representa a fase de ação 
EXCÊNTRICA do exercício de quadríceps e, em D, a fase CONCÊNTRICA no 
aparelho de cadeira extensora.
FIGURA 84 - EXEMPLO DE MOVIMENTO COM AÇÃO CONCÊNTRICA E 
EXCÊNTRICA 
FONTE: Clebis; Natali (2001, p. 51)
TÓPICO 3 | CONTROLE NEURAL E DA FORÇA RELACIONADA AO MOVIMENTO HUMANO
155
Se você quiser saber mais sobre as ações isométricas e isotônicas relacionadas ao 
movimento, veja os vídeos a seguir:
Vídeo 1= <https://www.youtube.com/watch?v=4dLFncMOqlI>
Vídeo 2 = <https://www.youtube.com/watch?v=Lf1r1r-X8dw>.
DICAS
4 ADAPTAÇÕES NEUROMUSCULARES E TREINAMENTO DE 
FORÇA
O treinamento contra resistência, também conhecido como musculação 
ou treinamento de força, consiste na realização de exercícios utilizando diversos 
modos de sobrecarga, como pesos, máquinas específicas, elásticos, massa corporal 
ou outra forma de equipamento que contribua para o desenvolvimento da força, 
potência ou resistência muscular (POLITO; FARINATTI, 2003). O treinamento da 
força traz inúmeros benefícios, como modificações morfológicas, neuromusculares 
e fisiológicas, até alterações sociais e comportamentais. 
Nesse item, caro acadêmico, iremos falar especificamente da força e de suas 
relações com o sistema neuromuscular. Podemos definir força como a “capacidade 
do músculo de produzir tensão contra determinada resistência” (BADILLO; 
AYESTARÁN, 2001). Segundo Balga e Moraes (2007, p. 199), veja os tipos de força: 
Força máxima: é a maior força que o sistema neuromuscular pode 
mobilizar através de uma contração máxima voluntária, ocorrendo 
(dinâmica) ou não (estática) movimento articular. Força explosiva: 
é definida como a força produzida na unidade de tempo. Força de 
resistência: é a capacidade de o sistema neuromuscular sustentar níveis 
de força moderados por intervalos de tempo prolongados. 
 
O desenvolvimento da força envolve, principalmente, mecanismos de 
adaptações neural e morfológica. Nas etapas iniciais do treinamento (4-6 semanas), 
os ganhos de força são obtidos preferencialmente através de adaptações neurais. 
“Após esse período inicial, a contribuição das adaptações morfológicas aumenta, 
enquanto das neurais tende a diminuir. O ganho de força depende, então, da 
otimização dessas adaptações durante o treinamento” (BARROSO; TRICOLI; 
UGRINOWITSCH, 2005, p. 112).
Podemos dizer que as principais adaptações neurais ao treinamento de 
força são: “– ajustes no sistema nervoso para aquisição de habilidades e ativação 
máxima do músculo (maior eficiência no recrutamento); – aumento da ativação 
neural; – diminuição da coativação dos músculos antagonistas” (BRENTANO; 
PINTO, 2012, p. 66).
156
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
E as principais adaptações morfológicas são: “– aumento da área da secção 
transversa das fibras musculares; – alterações no ângulo de penação das fibras” 
(BRENTANO; PINTO, 2012, p. 66).
Para gerar um aumento na força, devemos ter em mente que esse aumento 
será proporcional à quantidade de sobrecarga que usamos, tal como medido pela 
força relativa desenvolvida e pelo número das ações musculares executadas 
durante o treinamento de força (veja o exemplo na figura a seguir). O treinamento 
da força conduz às adaptações neurais e estruturais no sistema neuromuscular, pois 
a força é caracterizada pela habilidade do sistema nervoso de ativar os músculos 
envolvidos em movimentos específicos e pela ativação dos motoneurônios 
(MAIOR; ALVES, 2003). Veja exemplo na figura a seguir:
FIGURA 85 - ORDEM NO RECRUTAMENTO DAS FIBRAS DURANTE CONTRAÇÕES 
FONTE: Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/-HPIciT53Tfw/UXPk9KGb7xI/
AAAAAAAAAD4/WXnsQFse9iU/s1600/ativa%25C3%25A7%25C3%25A3o.png>. Acesso 
em: 24 jul. 2016.
O treinamento de força, além de aumento na força, induz também aumento 
no tamanho da fibra muscular (hipertrofia), no número de fibras (hiperplasia e/ou 
na quantidade de tecido conjuntivo no músculo). Estudos mostram que o aumento 
da área de secção transversa (hipertrofia) ocorre nas fibras tipo II (KOMI, 2009).
TÓPICO 3 | CONTROLE NEURAL E DA FORÇA RELACIONADA AO MOVIMENTO HUMANO
157
FIGURA 86 - ADAPTAÇÕES NEURAIS COM O TREINAMENTO DE FORÇA
FONTE: Disponível em: <http://image.slidesharecdn.com/adaptacoesmuscul
aresesqueleticasaotreinamentodeforca-140923081613-phpapp01/95/
adaptacoes-musculares-esqueleticas-ao-treinamento-de-forca-17-638.
jpg?cb=1411460384>. Acesso em: 24 jul. 2016.
Observa-se na figura acima que inicialmente temos as adaptações neurais 
com o treinamento de força e que a hipertrofia muscular assume, gradativamente, 
uma função importante em períodos posteriores (BRENTANO; PINTO, 2012). A 
hipertrofia muscular está associada com o aumento na área de secção transversa 
(AST) de todo o músculo ou das fibras musculares, isoladamente (OKANO et al., 
2008). 
Se você quiser saber sobre tudo o que estudamos de fibras e mais sobre a 
Hipertrofia Miofibrilar e Hipertrofia Sarcoplasmática, veja o vídeo no seguinte link:
Vídeo 1= <https://www.youtube.com/watch?v=eaiCny7Vsms>.
DICAS
Podemos nos perguntar, caro acadêmico: Como se organiza um treino de 
força com eficiência para que tenhamos um aumento da força muscular e/ou 
hipertrofia? Para responder a essa pergunta devemos levar em conta que muitas 
variáveis (volume, intensidade, frequência, tipo de exercício etc.) são importantes. 
Mas falaremos especificamente da intensidade. 
Ao realizarmos exercícios com a finalidade de aumento da força, devemos 
planejar uma rotina de treinamento e executá-la corretamente, com exercícios 
158
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
organizados sistematicamente, que possam desenvolver a força por meio de uma 
adaptação à sobrecarga, e dentre tais componentes do treinamento de força, a 
intensidade ou carga utilizada em um exercício específico é uma das variáveis 
mais importantes (SIMÃO JUNIOR et al., 2006). 
A carga que se utiliza na prática do exercício seria a principal moduladora 
da intensidade, além de outras variáveis que também são consideradas variáveis 
de intensidade, como: – tipo de contração utilizada; – velocidade de execução 
das repetições; – intervalo entre as séries de exercícios; – ordem dos exercícios; 
– número de sessões em um mesmo dia e – número de repetições máximas (RM) 
(TIGGEMANN; PINTO; KRUEL, 2010). E como variável de volume pode-se 
considerar: – número de repetições e séries de uma sessão, bem como o número de 
sessões semanais (TIGGEMANN; PINTO; KRUEL, 2010).
Falaremosespecialmente da intensidade, que pode ser definida como: “A 
intensidade ou carga pode ser definida de várias formas, mas as mais comumente 
usadas são a absoluta, que se refere ao peso utilizado no aparelho ou barra; e a 
relativa, expressa em percentual de uma repetição máxima (1RM)” (SIMÃO 
JÚNIOR et al., 2006, p. 56).
Se você quiser saber como se realiza o teste de 1RM, veja os vídeos a seguir:
Vídeo 1= <https://www.youtube.com/watch?v=ZaS29e36nCE>
Vídeo 2 = <https://www.youtube.com/watch?v=eGCxd9IXDPo>
Vídeo 3 = <https://www.youtube.com/watch?v=2QVnUy3-cyE>.
DICAS
De acordo com a literatura, o teste de uma repetição máxima (1-RM) vem 
sendo o mais frequentemente utilizado para avaliação da força dinâmica, sobretudo 
por pesquisadores e profissionais das áreas do exercício físico e do esporte, uma 
vez que é “um método prático, de baixo custo operacional e aparentemente seguro 
para a maioria das populações” (TIGGEMANN; PINTO; KRUEL, 2010, p. 304). 
NOTA
Basicamente, o teste de 1 RM se resume em: “O teste de 1RM seria a quantidade 
máxima de peso levantado em um esforço simples máximo, em que o indivíduo completa 
todo o movimento que não poderá ser repetido uma segunda vez” (RAMALHO et al., 2011, p. 
169).
TÓPICO 3 | CONTROLE NEURAL E DA FORÇA RELACIONADA AO MOVIMENTO HUMANO
159
Abordamos nesse item falar de 1RM, pois todas as adaptações 
neuromusculares advêm da prática do exercício, e essas variáveis afetam os 
resultados. Por exemplo, um treinamento de força que objetive hipertrofia deve 
levar em consideração algumas variáveis, como: o volume, que normalmente oscila 
entre 8-12 repetições repetidos por três a quatro séries, com o intervalo de descanso 
(ID) que deve durar de 60 a 90 segundos; e a intensidade em torno de 80% de 
1RM (RAMALHO et al., 2011). Veja no quadro a seguir algumas recomendações 
de zona de treinamento da força: 
QUADRO 16 - ZONAS DE TREINAMENTO DA FORÇA 
Zonas de treinamento Repetições máximas (RM) Séries % de 1RM
Força máxima 2 RM 4 - 10 >85%
Hipertrofia 6-12 RM 1 - 3 > 3 70-85%
RML 12-20 RM 2 - 3 50-60 %
Força explosiva <10 1-3 30%
FONTE: A autora. Adaptado de Fleck e Kraemer (1999)
Caro acadêmico! Não se esgotam aqui os estudos do treinamento de força. 
Apenas mostramos com esse tópico que existem muitas variáveis que influenciam 
a prescrição do treinamento de força na musculação e que devemos levar em 
consideração os diferentes componentes da carga de treinamento e as variáveis 
estruturais que podem influenciá-los, bem como a condição física da pessoa a 
quem vamos prescrever o exercício.
160
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
LEITURA COMPLEMENTAR
Veja a reportagem sobre “Treinamento de força e hipertrofia”
Leia parte da matéria realizada por AZEVEDO, P. H. S. M.; AOKI, M. 
S.; SOUZA JÚNIOR, T. P.; TRICOL, V., sobre uma pesquisa conduzida pela 
Biomotricity Roundtable. 
1. De acordo com os conceitos atuais, qual seria a velocidade de execução 
ideal para promover a hipertrofia muscular?
Valmor Tricoli – Não existe resposta definitiva para esta pergunta. 
Por um bom tempo a prática profissional acreditou que execução mais lenta 
do movimento era recomendada. Porém, a evidência científica não comprovou 
esta crença. Atualmente, existem indícios de que a execução em alta velocidade, 
particularmente na fase excêntrica do movimento, parece ser mais eficiente para 
os ganhos de força e hipertrofia.
Marcelo S. Aoki – O papel da velocidade de execução da ação muscular no 
treinamento de força não está totalmente estabelecido. Poucos estudos avaliaram 
o efeito da velocidade durante ações isoinerciais. Ratamess & Kraemer (2004) 
utilizam apenas um estudo (HOUSH et al., 1992) para afirmar que a velocidade 
de execução pode afetar a resposta hipertrófica. Porém, é importante ressaltar 
que neste estudo foi utilizado equipamento isocinético. Já Carpinelli et al. (2004), 
em sua análise crítica ao ACSM Position Stand on Resistance Training, atestam 
que não existem evidências suficientes sobre a superioridade de uma velocidade 
específica para o desenvolvimento da hipertrofia. Por exemplo, Young & Bilby 
(1993) não verificaram diferença significativa da velocidade de execução sobre o 
grau de hipertrofia.
Tácito Pessoa de Souza Junior – A velocidade de execução realizada no 
treinamento de força com objetivo de hipertrofia muscular induz a respostas 
neurais, hipertróficas e metabólicas. Entretanto, pouco se conhece a respeito da 
velocidade ideal para hipertrofia. Um estudo realizado por Tesch et al. (1987) 
sugeriu que velocidades elevadas produzem menos estímulos hipertróficos 
quando comparados a velocidades mais baixas. Há ainda considerações quanto 
ao nível de aptidão do praticante. De acordo com o American College of Sports 
Medicine (ACSM), a classificação para “treinado” ou “intermediário” refere-
se aos indivíduos que têm aproximadamente seis meses ou mais de experiência 
com treinamento com pesos, os classificados como “avançados” referem-se aos 
indivíduos com anos de experiência e que apresentem significantes mudanças 
morfológicas e funcionais, já indivíduos classificados como “elite” são atletas 
altamente treinados, envolvidos em competições de alto nível. Parece que uma 
variação de estímulos com diferentes velocidades de contração induz as melhores 
respostas em indivíduos classificados como avançados. 
TÓPICO 3 | CONTROLE NEURAL E DA FORÇA RELACIONADA AO MOVIMENTO HUMANO
161
2. Qual a importância do alongamento na indução/inibição do processo 
hipertrófico?
Valmor Tricoli – Não existe evidência científica contundente para esta 
relação em seres humanos e em condições fisiológicas normais. Sabe-se que em 
algumas espécies, o alongamento crônico e prolongado pode provocar a chamada 
hipertrofia longitudinal associada a um alto grau de hiperplasia.
Marcelo S. Aoki – Este é um tópico bastante polêmico. Diversos estudos, 
conduzidos em modelo animal, investigaram o efeito do alongamento sobre o 
processo de hipertrofia muscular. Williams & Goldspink (1971, 1973) reportaram 
que a imobilização em alongamento crônico (1-3 semanas) aumentou o número 
de sarcômeros, principalmente nas extremidades. Este fenômeno foi descrito 
como hipertrofia longitudinal induzida por alongamento. Posteriormente, outros 
estudos demonstraram que o alongamento poderia ser utilizado com estratégia 
de reabilitação após o período de desuso. Coutinho et al. (2006), utilizando um 
modelo experimental (ratos), demonstraram que sessões de alongamento pós-
desuso induzem o aumento da área de secção transversa do músculo (hipertrofia 
radial). Estas evidências sugerem que esta estratégia (alongamento) poderia 
auxiliar na recuperação da massa muscular. No entanto, não é possível extrapolar 
os resultados obtidos nestas circunstâncias (alongamento crônico ou sessões de 
alongamento pós-desuso) para o contexto de um indivíduo fisicamente/treinado, 
buscando hipertrofia. Em um estudo, também utilizando modelo experimental 
(ratos), realizado pelo nosso grupo de pesquisa, foi demonstrado que a resposta 
hipertrófica induzida pelo alongamento crônico (quatro dias) é modulada 
(parcialmente) pela inibição da via da quinase mTOR (AOKI et al., 2006). Mais 
recentemente, nós também verificamos que a via da miostatina está reprimida 
durante este processo de crescimento longitudinal (AOKI et al., 2008). Até o presente 
momento, não tenho conhecimento de nenhum estudo que associou a estratégia 
do alongamento ao treinamento de força, a fim de maximizar a hipertrofia em 
seres humanos. Existe também uma grande preocupação do efeito do alongamento 
sobre o subsequente desempenho no treino de força. Recentemente, o nosso grupo 
também avaliou esta questão. Nós verificamos que uma sessão de alongamento 
estático reduziu significativamente o desempenho no teste de 1-RM. No entanto, 
nós não verificamosinterferência quando foi utilizado o alongamento dinâmico 
(BACURAU et al., 2009). É importante ressaltar que o efeito do alongamento 
prévio sobre o treino de força tem sido avaliado, principalmente, sob o ponto de 
vista funcional (produção de força ou potência), e não estrutural (hipertrofia). 
Atualmente, não é possível afirmar que o alongamento exerce efeito positivo ou 
deletério sobre o processo de hipertrofia do músculo esquelético. 
Tácito Pessoa de Souza Junior – As pesquisas relacionam mais o aumento 
ou diminuição de força quando aplicado o exercício de alongamento. Não há 
pesquisas que comprovem a importância do alongamento na aquisição de massa 
magra. 
162
UNIDADE 2 | FISIOLOGIA APLICADA AO EXERCÍCIO
3. De acordo com os conhecimentos atuais, ainda se aplicam as zonas de 
treinamento resistido para força (90%-100% 1-RM), hipertrofia (70-85% 1-RM) e 
resistência (40-65% 1-RM)?
Valmor Tricoli – Pode ser afirmado que estes valores são universais. Porém, 
deve ser lembrado que a intensidade é somente uma das variáveis para obtenção 
destes objetivos (força, hipertrofia e RML). 
Marcelo S. Aoki – Sim, as recomendações atuais sobre a prescrição da 
intensidade no treinamento de força são baseadas no percentual do valor de 
1-RM. No entanto, a determinação do valor de 1-RM é muitas vezes inviável, em 
academias de ginástica, nos clubes etc. Na prática, este fato dificulta a prescrição/
controle da intensidade do treinamento de força. Também acredito que a sobrecarga 
fisiológica (nível de estresse) do treinamento de força não é determinada somente 
pela intensidade do treino (%1RM). Existe uma grande preocupação sobre o efeito 
da intensidade, porém, é imprescindível considerar a complexa organização de 
todas variáveis agudas do treinamento (intensidade, densidade, volume, duração, 
frequência e tipo de ação).
Tácito Pessoa de Souza Junior – O ACSM faz essa recomendação, porém, 
sugere estímulos variados e atenção quanto à aptidão do praticante.
Continua... Se você quiser ver as referências que eles citaram, acesse a 
entrevista.
FONTE: AZEVEDO, P. H. S. M.; AOKI, M. S.; SOUZA JUNIOR, T. P.; TRICOL, V. Biomotricity 
Roundtable – Resistance Training And Hypertrophy. Brazilian Journal of Biomotricity, 
v. 3, n. 1, p. 02-11, 2009. Disponível em: <https://www.researchgate.net/profile/Valmor_
Tricoli/publication/238790893_BIOMOTRICITY_ROUNDTABLE_- _TREINAMENTO_DE_
FORA_E_HIPERTROFIA_BIOMOTRICITY_ROUNDTABLE_-_RESISTANCE_TRAINING_
AND_HYPERTROPHY/links/0c9605298936410a08000000.pdf>. Acesso em: 24 jul. 2016.
163
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você viu que:
• O sistema nervoso é uma rede intrincada e altamente organizada de bilhões de 
neurônios.
• O SN tem função sensitiva, integradora e motora. 
• O sistema nervoso consiste em duas partes principais: o sistema nervoso central 
(SNC) e o sistema nervoso periférico (SNP). 
• O SNC é formado pela medula espinal e o encéfalo e tem a função de processar as 
diferentes informações sensitivas, é também a fonte de pensamentos, emoções 
e memórias. 
• O SNP inclui todo o tecido nervoso fora do SNC, incluindo os nervos cranianos 
e seus ramos, os nervos espinais e seus ramos, os gânglios e os receptores. 
• Os nervos autônomos ou chamados de involuntários são os músculos do 
intestino, vasos sanguíneos, glândulas salivares e sudoríparas, músculo cardíaco 
e algumas glândulas endócrinas. 
• As fibras nervosas somáticas (ou motoneurônios) inervam o músculo esquelético 
e a descarga desses neurônios é sempre excitatória em sua resposta, acarretando 
uma contração muscular. 
• O sistema motor é formado por todos os músculos e os neurônios que os 
comandam. Estriado e liso são as duas categorias de divisão dos músculos do 
corpo. 
• O músculo esquelético constitui a maior parte da massa muscular do corpo, 
movimenta os ossos nas articulações e os olhos na cabeça, controla a respiração 
e a expressão facial, além de produzir a fala. 
• O músculo estriado esquelético é o maior do corpo humano e qualquer movimento, 
como caminhar, andar de bicicleta, jogar vôlei, requer uma interação entre ossos 
e músculos. 
• Nervos e vasos sanguíneos que suprem os músculos esqueléticos estão 
diretamente relacionados com a contração.
• As células musculares, ou seja, as fibras musculares, constituem as unidades 
motoras que são subdivididas por um tipo diferente de fibra com o mesmo 
perfil metabólico. 
164
• Entre as fibras esqueléticas há diferença tanto em termos de rapidez de resposta 
(fibras de contração rápida e lenta) quanto no metabolismo (vermelhas, 
predominantemente oxidativas; e brancas, predominantemente glicolíticas).
• Tipos de fibras musculares: tipo I, tipo IIa, tipo IIb e tipo IIc. 
• Os músculos esqueléticos possuem milhares de fibras (brancas e vermelhas) e 
elas possuem uma membrana conhecida como sarcolema. 
• O sarcômero (sarcolema) representa a zona que vai de uma linha Z até a outra 
linha Z. As miofibrilas são compostas de pequenas estruturas chamadas 
miofilamentos proteicos de actina e miosina dentro do sarcômero, e os 
sarcômeros são responsáveis pela contração muscular. 
• No deslizamento das fibras musculares e do movimento de contração, o músculo 
agonista fica contraído e, consequentemente, o antagonista fica relaxado. 
• A ação isométrica é chamada de estática, pois não tem movimento.
• As ações isotônicas dividem-se em concêntricas e excêntricas e possuem variação 
do ângulo articular na ação muscular. 
• O desenvolvimento da força envolve, principalmente, mecanismos de adaptações 
neural e morfológica. 
• Nas etapas iniciais do treinamento (4-6 semanas), os ganhos de força são obtidos 
preferencialmente através de adaptações neurais. 
• Após esse período inicial, a contribuição das adaptações morfológicas aumenta, 
enquanto das neurais tende a diminuir. 
• As principais adaptações neurais ao treinamento de força são: – ajustes no 
sistema nervoso para aquisição de habilidades e ativação máxima do músculo 
(maior eficiência no recrutamento); – aumento da ativação neural; – diminuição 
da coativação dos músculos antagonistas.
• O treinamento de força, além de aumento na força, induz também aumento no 
tamanho da fibra muscular (hipertrofia), no número de fibras (hiperplasia e/ou 
na quantidade de tecido conjuntivo no músculo). 
165
Agora responda às questões e teste seu conhecimento.
1 Muitos órgãos fazem parte do Sistema Nervoso Central, EXCETO:
a) ( ) O encéfalo. 
b) ( ) Os nervos cranianos e seus ramos.
c) ( ) A medula espinal.
d) ( ) O tornozelo e os pés.
2 Em relação à homeostase, assinale V para verdadeiro e F para falso sobre 
suas características:
( ) Função sensitiva: os receptores sensitivos detectam estímulos internos, 
como um aumento na acidez sanguínea, e estímulos externos, como um 
pingo de chuva batendo em seu braço. 
( ) A informação sensitiva é levada até o encéfalo e à medula espinhal por 
meio dos nervos cranianos e espinais. 
( ) Na função integradora, o sistema nervoso integra (processa) a informação 
sensitiva, analisando e armazenando uma parte dela e tomando decisões 
para as respostas apropriadas. Uma função integradora importante é a 
percepção, a consciência do estímulo sensitivo. A percepção ocorre no 
encéfalo. 
( ) A função motora não tem relação com o sistema nervoso central, mas, 
ao ser estimulado o músculo, a informação sensitiva é integrada, o sistema 
nervoso pode provocar uma resposta motora adequada ativando os efetores 
(músculos e glândulas) por meio dos nervos cranianos e espinais. A 
estimulação dos efetores causa contração muscular e secreção das glândulas. 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
a) ( ) V – V – V – F. 
b) ( ) V – F – F – F.
c) ( ) V – F – V – V.
d) ( ) V – F – F – V.
3 O ................... constituia maior parte da massa muscular do corpo, 
movimenta os ............. nas ................... e os olhos na cabeça, controla a ............ 
e a expressão facial, além de produzir a .............. . Assinale a alternativa 
correta que preenche a citação acima: 
a) ( ) respiração, ossos, articulações, músculo esquelético, fala.
b) ( ) músculo esquelético, ossos, articulações, respiração, fala. 
c) ( ) ossos, músculo esquelético, articulações, respiração, fala.
d) ( ) articulações, músculo esquelético, ossos, respiração, fala.
AUTOATIVIDADE
166
4 Sobre as fibras, analise as seguintes sentenças:
As fibras vermelhas, normalmente, são solicitadas em atividades de baixa 
intensidade, 
quando
a tensão muscular durante a contração é pequena e quando o metabolismo 
energético predominante é o aeróbio.
a) ( ) A primeira é uma afirmação verdadeira e a segunda, falsa.
b) ( ) Ambas afirmações são falsas. 
c) ( ) As duas são verdadeiras mas não têm relação entre si.
d) ( ) As duas são verdadeiras e a segunda é complemento e justificativa da 
primeira.
5 Sobre o sistema de energia aeróbio, assinale a alternativa verdadeira:
a) ( ) Os músculos agonistas se contraem para produzir o movimento 
desejado, enquanto os músculos sinergistas trabalham juntos para 
produzir o movimento, e os músculos antagonistas se opõem ao 
movimento desejado, mantendo-se relaxados e alongados de maneira 
gradual para assegurar que o movimento desejado ocorra e que seja feito 
de maneira coordenada e controlada.
b) ( ) Os músculos sinergistas se contraem para produzir o movimento desejado, 
enquanto os agonistas trabalham juntos para produzir o movimento, e os 
músculos antagonistas se opõem ao movimento desejado, mantendo-se 
relaxados e alongados de maneira gradual para assegurar que o movimento 
desejado ocorra e que seja feito de maneira coordenada e controlada.
c) ( ) Os músculos antagonistas se contraem para produzir o movimento 
desejado, enquanto os sinergistas trabalham juntos para produzir o 
movimento, e os músculos agonistas se opõem ao movimento desejado, 
mantendo-se relaxados e alongados de maneira gradual para assegurar 
que o movimento desejado ocorra e que seja feito de maneira coordenada e 
controlada.
d) ( ) Os músculos agonistas se contraem para produzir o movimento desejado, 
enquanto os antagonistas trabalham juntos para produzir o movimento, e 
os músculos sinergistas se opõem ao movimento desejado, mantendo-se 
relaxados e alongados de maneira gradual para assegurar que o movimento 
desejado ocorra e que seja feito de maneira coordenada e controlada.
167
UNIDADE 3
FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO 
APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade você será capaz de:
• diferenciar a fisiologia aplicada em públicos especiais;
• entender a importância da prática de exercício físico para prevenção e até 
tratamento das doenças crônicas não transmissíveis (obesidade, hiperten-
são e diabetes);
• entender a fisiologia dos movimentos para o público infantil e idoso du-
rante a realização de um exercício;
• entender a fisiologia do exercício e como aplicá-la em uma aula de Educa-
ção Física;
• adequar cada tipo de movimento para cada objetivo almejado para as au-
las de Educação Física;
• entender os aspectos fisiológicos que compõem diferentes modalidades 
desportivas.
Esta unidade está dividida em três tópicos. Em cada um deles você encontra-
rá atividades que o ajudarão a fixar os conhecimentos abordados.
TÓPICO 1 – ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DO EXERCÍCIO FÍ-
SICO RELACIONADOS À PROMOÇÃO DA SAÚDE E À PRE-
VENÇÃO DE DOENÇAS
TÓPICO 2 – ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DESPORTIVA RE-
LACIONADA À PROMOÇÃO DA SAÚDE, VOLTADA AO 
PÚBLICO ESPECIAL
TÓPICO 3 – ASPECTOS FISIOLÓGICOS DE ALGUMAS MODALIDADES 
ESPORTIVAS
168
169
TÓPICO 1
ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA 
DO EXERCÍCIO FÍSICO RELACIONADOS À 
PROMOÇÃO DA SAÚDE E À PREVENÇÃO DE 
DOENÇAS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico você verá as características das DCNT (Doenças Crônicas Não 
Transmissíveis) e a sua relação com a prática do exercício físico, como prevenção 
e tratamento para estas doenças. O foco deste tópico não é abordar as doenças 
em si, mas como podemos, como professor de Educação Física, intervir com um 
tratamento não medicamentoso, apenas pela incorporação da prática regular do 
exercício físico. Abordaremos uma análise mais geral, na faixa etária adultos, e no 
Tópico 2 você verá a parte exclusivamente voltada a crianças e adolescentes até os 
idosos. 
2 ALGUMAS CARACTERÍSTICAS FISIOLÓGICAS DAS 
DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS (DCNTS) E SUA 
RELAÇÃO COM A PRÁTICA DO EXERCÍCIO FÍSICO
Caro acadêmico! Iniciamos esse tópico falando das DCNT, e vamos mostrar 
que o exercício físico se torna parte nesse processo, tanto na promoção quanto 
na prevenção destas doenças. Entenderemos que as DCNT vêm aumentando em 
todo o mundo, e dentre as principais doenças destacam-se a obesidade, diabetes, 
hipertensão, acidentes cerebrovasculares, doenças cardiovasculares, o câncer e 
também a osteoporose, também consideradas como DCNT (BRASIL, 2008). 
As DCNT têm como definição as doenças caracterizadas por Pinheiro, 
Torres e Corso (2004, p. 523):
doenças com história natural prolongada, múltiplos fatores de risco 
complexos, interação de fatores etiológicos desconhecidos, causa 
necessária desconhecida, ausência de participação ou participação 
polêmica de micro-organismos entre os determinantes, longo período 
de latência, longo curso assintomático, curso clínico em geral lento, 
prolongado e permanente, manifestações clínicas com períodos de 
remissão e de exacerbação, lesões celulares irreversíveis e evolução para 
diferentes graus de incapacidade ou para a morte. 
UNIDADE 3 | FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS
170
Segundo dados da Organização Panamericana de Saúde (OPAS, 2003), as 
DCNT têm como uma carga total de morbidade no mundo de 47%, estimando-se 
um aumento para 60% até 2020. E apontam também que em 2005, cerca de 60% do 
total de mortes no mundo foi devido a alguma DCNT. 
A Organização Mundial de Saúde (OMS, 2005) divulgou que, até 2005, 
quase metade das mortes por DCNT foram com pessoas com menos de 70 anos 
de idade e ¼ delas em pessoas com menos de 60 anos, indicando um quadro 
grave imposto por essas doenças, o que torna a situação preocupante, em função 
da prematuridade das mortes e pela geração de expressivos e negativos efeitos 
econômicos para a sociedade em geral, especialmente nos países de baixa e de 
média renda, onde ocorrem 80% das mortes. Veja na figura a seguir a projeção de 
óbitos por DCNT da OMS. 
FIGURA 87 - PROJEÇÃO DE ÓBITOS POR DCNT DA OMS
FONTE: OMS, 2005. Disponível em: <http://images.slideplayer.com.br/11/3573996/slides/
slide_3.jpg>. Acesso em: 4 ago. 2016.
Caro acadêmico! Apontamos que vários são os fatores etiológicos destas 
doenças. Apresentam etiologia multifatorial e compartilham vários fatores de riscos, 
que podem ser fatores de risco não modificáveis (incluindo hereditariedade, idade 
e sexo) e modificáveis (que englobam a alimentação inadequada, o sedentarismo 
e o tabagismo) (BRASIL, 2008). Esses últimos são assim denominados por serem 
aptos de alterações mediante ações exclusivas e conjuntas de saúde, segundo 
abordado e sugerido no documento “Estratégia Global em Alimentação Saudável, 
Atividade Física e Saúde”, da OMS (OMS, 2004). 
Veja, na figura a seguir, exemplos de fatores de risco, determinantes e 
desfecho das DCNT. 
TÓPICO 1 | ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DO E. F. RELACIONADOS À PROMOÇÃO DA SAÚDE E À PREVENÇÃO DE DOENÇAS
171
FIGURA 88 - FATORES DE RISCO, DETERMINANTES E DESFECHO DAS DCNT
FONTE: Disponível em: <http://images.slideplayer.com.br/1/340608/slides/slide_8.jpg>.Acesso em: 4 ago. 2016.
Observamos, caro acadêmico, na figura acima, que vários fatores são 
precursores das doenças, mas que alguns podem ser modificáveis. A adoção de 
estilo de vida saudável é fundamental para prevenção e controle das doenças. 
Estas alterações podem ser promovidas através de várias formas de intervenção 
(melhora na nutrição, prática de exercícios, entre outros) que contribuem para o 
autoconhecimento do indivíduo, fator essencial para práticas saudáveis (OMS, 
2005). 
“Por serem doenças de longa duração, necessitam de um “acompanhamento 
multidisciplinar permanente, intervenções contínuas e requerem que grandes 
recursos materiais e humanos sejam despendidos, gerando encargos ao sistema 
público e social” (COELHO e BURINI, 2009, p. 938). E a melhor forma de controle 
do desenvolvimento destas doenças é o monitoramento da prevalência dos fatores 
de risco, principalmente os de “natureza comportamental [dieta, sedentarismo 
(inatividade física), dependência química (de tabaco, álcool e outras drogas)], cujas 
evidências científicas de associação com doenças crônicas estejam comprovadas, é 
uma das ações mais importantes da vigilância” (MALTA et al., 2009, p. 53). 
UNIDADE 3 | FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS
172
Não é objetivo deste tópico aprofundar o tema das DCNT, mas abordar os 
aspectos das doenças e relacioná-las com a prática do exercício como forma de prevenção e 
até de tratamento para essas DCNT. Veremos agora a evolução, recomendações e sistema de 
vigilância dos fatores de risco e do nível de exercício físico para as DCNT.
ESTUDOS FU
TUROS
2.1 EVOLUÇÃO, RECOMENDAÇÕES E SISTEMA DE VIGILÂNCIA DOS FATORES 
DE RISCO E DO NÍVEL DE EXERCÍCIO FÍSICO PARA AS DCNTS
Uma das estratégias de controle das DCNT pelos órgãos públicos 
competentes é a vigilância das DCNT, por meio de dados sistemáticos. Visando a 
esse monitoramento, foi implantado, segundo Malta et al. (2009, p. 8):
o sistema de vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas 
por inquérito telefônico (Vigitel) em todas as 27 capitais brasileiras e no 
Distrito Federal”, com o objetivo de monitorar, continuamente, alguns 
fatores de risco de DCNT presentes na população adulta (18 anos ou 
mais de idade), entre eles o sedentarismo, caracterizado pelo Vigitel 
como a inexistência de atividade física em todos os seguintes domínios: 
(i) no lazer nos últimos três meses; (ii) no trabalho; (iii) no deslocamento 
para o trabalho; e (iv) nas atividades domésticas.
Além do Vigitel, existem vários métodos de monitoramento do nível de 
atividade física. Esses métodos podem variar desde monitores eletrônicos que 
são precisos, porém caros (como, por exemplo, os sensores de movimentos), até 
levantamentos realizados através de questionários (permite que grande parte da 
população seja avaliada, mas apresentam menor precisão) (SILVA et al., 2007). 
Esses questionários foram desenvolvidos, pela importância da análise do 
nível de atividade da população, pois “a atividade física é considerada, dentre 
outros fatores, um importante elemento na promoção da saúde e qualidade de 
vida da população” (SILVA et al., 2007, p. 46). 
Como exemplo, temos o Questionário Internacional de Atividade Física 
(IPAQ), em que as perguntas do questionário estão relacionadas às atividades 
realizadas na última semana anterior à aplicação do questionário. E a classificação 
observa a seguinte conceituação em categorias, conforme Pardini et al. (2001):
Sedentário – Não realiza nenhuma atividade física por pelo menos 10 
minutos contínuos durante a semana;
Insuficientemente Ativo – Consiste em classificar os indivíduos que praticam 
atividades físicas por pelo menos 10 minutos contínuos por semana, porém 
de maneira insuficiente para ser classificado como ativos. Para classificar os 
TÓPICO 1 | ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DO E. F. RELACIONADOS À PROMOÇÃO DA SAÚDE E À PREVENÇÃO DE DOENÇAS
173
indivíduos nesse critério, são somadas a duração e a frequência dos diferentes 
tipos de atividades (caminhadas + moderada + vigorosa). Essa categoria divide-se 
em dois grupos:
- Insuficientemente Ativo A – Realiza 10 minutos contínuos de atividade 
física, seguindo pelo menos um dos critérios citados: frequência – 5 dias/semana 
ou duração – 150 minutos/semana;
- Insuficientemente Ativo B – Não atinge nenhum dos critérios da 
recomendação citada nos indivíduos insuficientemente ativos A.
Ativo – Cumpre as seguintes recomendações: a) atividade física vigorosa 
– ≥ 3 dias/semana e ≥ 20 minutos/sessão; b) moderada ou caminhada – ≥ 5 dias/
semana e ≥ 30 minutos/sessão; c) qualquer atividade somada: ≥ 5 dias/semana e ≥ 
150 min/semana.
Muito ativo – Cumpre as seguintes recomendações: a) vigorosa– ≥ 5 dias/
semana e ≥ 30 min/sessão; b) vigorosa – ≥ 3 dias/semana e ≥ 20 min/sessão + 
moderada e/ou caminhada ≥ 5 dias/semana e ≥ 30 min/sessão.
Caro acadêmico! Acima vimos este questionário que avalia o nível de 
atividade, pois o sedentarismo (inatividade física) é um dos fatores de risco para 
as DCNT. Assim, várias recomendações internacionais foram criadas para mostrar 
qual é o nível mínimo de atividade física que a pessoa deve fazer para que já tenha 
um resultado positivo na prevenção das doenças crônicas, como:
considerando atividade física suficiente no lazer a prática de pelo 
menos 30 minutos diários de atividade física de intensidade leve 
ou moderada em cinco ou mais dias da semana; ou a prática de pelo 
menos 20 minutos diários de atividade física de intensidade vigorosa 
em três ou mais dias da semana. Caminhada, caminhada em esteira, 
musculação, hidroginástica, ginástica em geral, natação, artes marciais, 
ciclismo e voleibol foram classificados como práticas de intensidade leve 
ou moderada; e corrida, corrida em esteira, ginástica aeróbica, futebol, 
basquetebol e tênis, como práticas de intensidade vigorosa (MATSUDO 
et al., 2002, p. 42). 
Veja no quadro a seguir a evolução das recomendações da atividade física.
UNIDADE 3 | FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS
174
QUADRO 17 - EVOLUÇÃO E RECOMENDAÇÕES
Data/ Órgão Objetivo Atividades
1978 Colégio 
Americano de 
Medicina Esportiva
Estabelecia exercícios 
necessários para que 
os adultos saudáveis 
mantivessem ou 
melhorassem a aptidão 
cardiorrespiratória e a 
composição corporal.
 - Atividades aeróbias 
(caminhadas, corridas, ciclismo)
- Frequência: 3 a 5 dias/semana
- Intensidade: 60% a 90% VO2máx
- Duração de 15 a 60 minutos.
1990 Colégio 
Americano de 
Medicina Esportiva
Idem acima.
Idem + inclusão dos exercícios
de força e resistência muscular.
1995 
Centro de Controle e
Prevenção de 
Doenças (CDC) e o 
Colégio Americano 
de Medicina 
Esportiva (ACSM)
Todos os indivíduos 
deveriam realizar atividades 
físicas de moderada 
intensidade, contínuas ou 
acumuladas. 
- Em todos ou na maioria dos 
dias da semana, totalizando, 
aproximadamente, 150 minutos/
semana ou 200kcal por sessão.
2007 Centro 
de Controle e 
Prevenção de 
Doenças (CDC) e o 
Colégio Americano 
de Medicina 
Esportiva (ACSM)
Idem acima.
Idem + - Frequência mínima: 
5 x sem com intensidade de 30min 
de duração para intensidades 
moderadas, 
3 vezes por semana e 20 minutos 
para as vigorosas, podendo ser 
complementares. 
O programa moderado pode 
ser acumulado em sessões de 10 
minutos, no mínimo. 
Foram incorporados os exercícios
de força muscular por, pelo menos, 
duas vezes por semana. 
FONTE: Coelho; Burini (2009)
A partir de agora, caro acadêmico, falaremos de cada DCNT 
individualmente, relacionando com a prática do exercício físico.
3 DCNT: OBESIDADE E EXERCÍCIO FÍSICO
Define-se obesidade como o “acúmulo excessivo de gordura corporal” 
(PINHEIRO; TORRES; CORSO, 2004, p. 523), que acarreta prejuízosà saúde 
dos indivíduos, tais como: acidentes vasculares cerebrais, diabetes, hipertensão, 
colesterol elevado, sem contar com os problemas psicológicos, ortopédicos e 
orgânicos (SCHNEIDER et al., 2007).
TÓPICO 1 | ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DO E. F. RELACIONADOS À PROMOÇÃO DA SAÚDE E À PREVENÇÃO DE DOENÇAS
175
A obesidade é uma doença multifatorial e inflamatória. Seu aumento 
está avançando em enormes proporções, tanto em países desenvolvidos quanto 
naqueles em desenvolvimento, atingindo status de epidemia (HALPERN; 
RODRIGUES; COSTA, 2004). Só no Brasil, estatísticas mostram que cerca de metade 
da população adulta apresenta excesso de peso, enquanto 12,5% dos homens e 
16,9% das mulheres apresentam obesidade (SANDE-LEE; VELLOSO, 2012). 
Existem várias medidas para análise da composição corporal, e uma das 
mais utilizadas em estudos populacionais é o Índice de Massa Corporal (IMC) 
(definido pelo peso em kg dividido pela altura em metros quadrados), que se torna 
medida útil para avaliar o excesso de gordura corporal, sendo consensual admitir 
que, “independentemente de sexo e idade, adultos com IMC igual ou superior a 
30kg/m2 devem ser classificados como obesos” (PINHEIRO; TORRES; CORSO, 
2004, p. 523). A obesidade surge a partir de um estilo de vida sedentário e uma 
dieta rica em lipídios, alto consumo energético, mas indivíduos que associam 
restrição calórica, prática de exercício físico e até tratamento comportamental 
podem perder de 5% a 10% do seu peso corporal em um período de quatro a seis 
meses (SCHNEIDER et al., 2007). 
Perguntamo-nos: Como tratar a obesidade? Podemos dizer que a melhor 
forma de tratar a obesidade é a associação de exercício físico aos programas de 
emagrecimento, que, além de outros benefícios, têm se mostrado bastante eficazes 
na manutenção do peso corporal em médio e longo prazo (TROMBETTA, 2003).
O exercício físico seria um dos melhores tratamentos para a obesidade, 
pois pode trazer diversos benefícios para a saúde, além de prover a perda de 
peso corporal e a manutenção do peso alcançado (GUESS, 2012). A prática do 
exercício físico tem efeito agudo e também crônico sobre a mobilização e utilização 
de gordura, que influenciam no emagrecimento, além do efeito direto no gasto 
calórico, mantendo o metabolismo aumentado por um longo período após a sua 
realização (TROMBETTA, 2003). 
Assim, após o exercício, a mobilização e oxidação dos lipídios (gordura) 
permanece aumentada. Apesar dos principais efeitos do treinamento físico no 
controle do peso corporal serem obtidos cronicamente, alguns efeitos de grande 
importância se referem ao “aumento da atividade da enzima lipase hormônio 
sensível (enzima responsável pela maior mobilização de lípides no tecido adiposo) 
e ao aumento da densidade mitocondrial, potencializando a oxidação de lípides, 
favorecendo assim o emagrecimento” (TROMBETTA, 2003, p. 131).
UNIDADE 3 | FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS
176
NOTA
Por que é importante o exercício físico para a perda de peso e controle da 
obesidade?
Porque é “bem estabelecido que modestas perdas de massa corporal total (5% a 10%) são 
relevantes para a diminuição do risco de doenças crônicas” (ROCCA et al., 2008, p. 186).
Observamos que o exercício é um tratamento não medicamentoso para a 
obesidade. Assim, nos perguntamos: qual é o melhor exercício para a perda de 
gordura e controle da obesidade?
Iremos, agora, caro acadêmico, responder a esta pergunta abordando os 
exercícios aeróbicos e anaeróbicos e o treinamento concorrente.
Com relação aos exercícios aeróbicos (exemplo: caminhada, corrida, 
natação), estudos sugerem que exercícios com esta característica promovem maior 
mobilização de gordura localizada na região abdominal, sobretudo em homens. 
Essa adaptação favorável é atribuída à atividade lipolítica mais elevada nos 
depósitos de gordura na região de tronco em comparação com as extremidades 
(SILVA et al., 2012).
Os exercícios anaeróbios (exemplo: treino de força), mais especificamente 
a prática do treinamento com pesos, além de auxiliarem na melhoria da estética 
corporal, podem repercutir favoravelmente na qualidade de vida e saúde 
de indivíduos de diferentes faixas etárias e de ambos os sexos, uma vez que o 
treinamento muscular pode contribuir para o desenvolvimento ou manutenção da 
força e da massa muscular (SANTOS et al., 2002).
O treinamento concorrente (TC) seria a junção dos exercícios aeróbicos e de 
força em uma mesma sessão de treinamento ou em dias alternados (LAZAROTTO; 
DERESZ; SPRINZ, 2010) e tem como objetivo principal fazer concorrência positiva 
entre ambos os tipos de treinamento, pois o exercício aeróbio tem a capacidade de 
diminuir a quantidade de gordura corporal, enquanto que o treinamento de força 
seria para preservar ou aumentar a massa magra e ambos juntos podem acelerar o 
metabolismo basal, promovendo emagrecimento e saúde (UGHINI, 2011).
Segundo Paulo et al. (2009, p. 145), pode-se apontar três possíveis 
mecanismos relacionados ao efeito do treinamento concorrente:
a) a hipótese crônica, na qual se propõe a ideia de que algumas 
adaptações morfofuncionais ocasionadas pelo treinamento exclusivo da 
resistência aeróbia são distintas quando comparadas ao treinamento de 
força per se; b) o over training, isto é, o organismo não assimilaria um 
grande volume de treinamento para as duas capacidades motoras; c) 
hipótese aguda, na qual após uma sessão de treinamento de resistência 
TÓPICO 1 | ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DO E. F. RELACIONADOS À PROMOÇÃO DA SAÚDE E À PREVENÇÃO DE DOENÇAS
177
aeróbia haveria uma fadiga residual que comprometeria o treino de 
força na sessão subsequente.
Na literatura existem várias controvérsias sobre a ordem de realização 
do TC. Silva, Rombaldi e Campos (2010) apontam que o exercício aeróbio, 
quando realizado antes do exercício de força, parece ter um menor efeito sobre o 
treinamento de força, bem como um maior estímulo ao emagrecimento, aumento 
das capacidades aeróbias e melhoria da saúde. Você verá, acadêmico, no quadro 
a seguir, estudos com exercício aeróbico antes seguido de força e alguns estudos 
com exercícios de força antes seguidos dos aeróbicos, mas que ambas as ordens de 
exercícios mostraram benefícios em diferentes variáveis. 
Paulo et al. (2009, p. 145), em sua revisão em que avaliaram vários estudos 
sobre o TC, apontam algumas características que devem ser levadas em conta 
quando da elaboração de protocolos de TC com diferentes objetivos:
1- Os programas de TC se mostraram mais efetivos para melhorar a 
resistência de força, o tempo de exaustão numa atividade aeróbia 
e a velocidade da corrida de longa distância quando comparados ao 
treinamento exclusivo de força ou de resistência aeróbia. Portanto, se 
o objetivo do treinamento é a melhora desses fatores, o TC é essencial.
2- Por outro lado, se o objetivo for a melhora da força máxima, ou da 
potência muscular, deve-se tomar alguns cuidados na estruturação 
do treinamento, como: a) treinar força e resistência aeróbia em dias 
alternados; b) se a sessão de treinamento das duas capacidades motoras 
for no mesmo dia (não é indicado), treinar a sessão de força primeiro 
e deixar para treinar força dos membros superiores no dia da sessão 
aeróbia; c) procurar não treinar o TC na zona de interferência proposta 
por Docherty & Sporer (2000); d) se o TC for com um grupo feminino, 
os intervalos de descanso devem ser maiores, uma vez que elas podem 
ser hipercortisólicas.
A seguir, observe o quadro e veja estudos com diversos tipos de exercícios 
isolados e combinados que mostraram benefícios sobre o controle da composição 
corporal e, consequentemente, das DCNT. 
UNIDADE 3 | FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS
178
QUADRO 18 - ESTUDOS SOBRE DIFERENTES EXERCÍCIOS FÍSICOS, ISOLADOS E COMBINADOSEstudo
Sujeitos/
Idade 
(anos)
Intervenções - Duração Resultados
Souza et 
al. (2012)
42 homens 
(40 e 60 
anos)
Os treinamentos foram compostos 
por duas etapas (E1 e E2) com 
duração de oito semanas cada, e 
frequência de três sessões/semana.
G1 = controle (n=10 não fizeram 
nada).
G2 = TAeróbico (n = 13) 60 min. de 
caminhada ou corrida a 55-85% 
VO2pico.
G3 = TForça (n = 9) dez exercícios 
com 3 x 8-10 RM.
G4 = TConcorrente (n = 10) 
1º = 6 exercícios com 3 x 8-10 RM
2º = 30 min de caminhada ou 
corrida a 55-85% VO2pico.
- Circunferência da Cintura: 
↓ TA (-1,70%; p = 0,023) 
↓ TC (-1,66%; p = 0,018) 
- Colesterol LDL 
↓ TF (-25,03%; p = 0,047) 
↓ TC (29,74%; p = 0,011). 
- pressão arterial sistólica
↓TC (-7,83%; p = 0,029). 
força máxima e VO2pico 
aumentaram para os três 
grupos de treinamento (p 
> 0,05).
Rosa et al. 
(2010) 
20 homens 
com 
sobrepeso
(27,7±5,1 
anos)
G1 = controle (n=10) controle 
alimentar, mas sem prática de 
exercícios.
G2 = TC = 
1º = ciclismo indoor, método 
contínuo,
40 minutos, e intensidade entre 5 
e 7 da escala de OMNI do esforço 
percebido para o ciclismo.
2º = 1 sessão de musculação (3 
séries de repetições realizadas 
até a exaustão, com intensidade 
de 85% de 1RM para todos os 
exercícios e o intervalo entre as 
séries foi de 2 a 3 minutos).
Cortisol (mcg/dL). 
↓TC (-38,95%) 
↓ GC (49,35%). 
Panissa et 
al. (2009)
10 homens
(43-48 
anos)
G1 – sessão 1 = aeróbio-força (AF).
G2 – sessão 2 = força-aeróbio (FA)
Força = 3 séries, intensidade de 
70% de 1RM e 12 repetições ou 
até a
exaustão voluntária. Os intervalos 
de tempo entre as séries foram de
dois minutos.
Aeróbico = esteira, intensidade de 
90% do lactato sanguíneo durante 
30 minutos. 
O gasto energético total não 
diferiu entre as ordens de 
exercício 
FA = 2.793 ± 811kJ. 
AF = 2.893 ± 903 kJ
indicando que a ordem 
de execução não afetou 
significativamente o gasto 
energético.
FONTE: Souza et al. (2012); Rosa et al. (2010)
TÓPICO 1 | ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DO E. F. RELACIONADOS À PROMOÇÃO DA SAÚDE E À PREVENÇÃO DE DOENÇAS
179
Observa-se na tabela acima que a realização do TC com exercício de força 
antes do aeróbico foi mais eficaz do que os TA e TF isolados na composição corporal, 
pressão arterial, colesterol, no estudo de Souza et al. (2012). No estudo de Rosa et 
al. (2010), os autores analisaram o cortisol por ser um glicocorticoide secretado 
pelo córtex adrenal das glândulas suprarrenais e estar diretamente relacionado 
com algumas citoquinas secretadas pelo tecido adiposo, desempenhando diversas 
funções durante o exercício, por exemplo: auxiliar a gliconeogênese e acelerar 
a mobilização e utilização das gorduras para a obtenção de energia e o TC com 
aeróbico antes e exercício de força depois, e o grupo de apenas controle da 
alimentação, foram ações efetivas na diminuição do cortisol. E o estudo de Panissa 
et al. (2009) mostrou que não houve diferença na ordem da execução dos exercícios 
do TC sobre o gasto energético, pois ambos foram efetivos. 
Caro acadêmico! Podemos concluir que o “sobrepeso e a obesidade são resultado 
do aumento do sedentarismo e da alta ingestão calórica, o que contribui para o desenvolvimento 
da Síndrome Metabólica (SM), que aumenta a possibilidade do desenvolvimento de diabetes 
mellitus tipo 2 e de doença cardiovascular (DCV – hipertensão)” (SOUZA et al., 2012, p. 649). 
Veremos agora estas DCNT associadas ao sobrepeso e obesidade e a sua relação com a prática 
do exercício físico. 
ESTUDOS FU
TUROS
4 DCNT: HIPERTENSÃO E EXERCÍCIO FÍSICO
Caro acadêmico! Você viu na Unidade 2 as características do sistema 
cardiovascular, e aqui iremos falar, dentre tantas doenças cardiovasculares, 
da hipertensão, por ser uma das principias DCNT relacionadas à obesidade. 
Como uma doença multifatorial e assintomática, a hipertensão (HAS) é uma 
doença que pode levar a alterações hemodinâmicas, metabólicas e funcionais, 
principalmente em estruturas vitais do organismo, como o coração, encéfalo, 
rins, vasos sanguíneos, podendo levar o indivíduo a óbito (DBH VI, 2010). 
Para valores de Pressão arterial (PA) considerados normais (normotensos) 
temos como referência ≤ 120 mmHg para pressão arterial sistólica (PAS) e 
≤ 80mmHg para pressão arterial diastólica (PAD). Segundo as Diretrizes 
Brasileiras de Hipertensão – DBH VI (2010, p. 1), a HAS “caracteriza-se pelo 
aumento exacerbado da pressão arterial (PA) do indivíduo em repouso, e em 
condições normais, os níveis da pressão arterial sistólica (PAS) devem estar > 
140mmHg e a pressão arterial diastólica (PAD) > 90mmHg, tendo em vista que 
a patologia apresenta estágios relativos aos níveis de PA”.
Existem diversos tratamentos para a HAS, como o uso de fármacos de 
ação hipotensiva, contudo, a mudança no modo de vida também tem influência, 
UNIDADE 3 | FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS
180
como reeducação alimentar e a prática do exercício físico. Pois o exercício 
físico tem como um dos seus efeitos a diminuição da PA em repouso, tanto do 
exercício aeróbico quanto de força, sendo que este benefício pode ocorrer tanto 
como uma adaptação crônica ao treinamento ou como uma redução dos níveis 
pressóricos depois de sessões agudas de exercícios, e mantido por um período 
considerável após a prática do exercício físico (JANNIG et al., 2009). 
A queda da PA, chamada de hipotensão, ocorre por meio do exercício, 
provavelmente associada a uma vasodilatação decorrente da liberação de 
substâncias, como bradicinina e óxido nítrico, que têm ação vasodilatadora e 
agem no endotélio do vaso (BOMFIM; ROCHA, 2009). Além da hipotensão, 
podemos dizer que com a progressão do exercício físico, algumas mudanças 
fisiológicas acontecem no corpo humano a fim de absorver e responder a esses 
estímulos. 
Essa diminuição da PA mostra-se eficaz com a prática do exercício, para 
indivíduos normotensos, como forma preventiva, e para hipertensos, como 
um tratamento não farmacológico. A redução nos valores de PA sofre uma 
maior influência do volume de treinamento do que outras variáveis como a 
intensidade, o que aponta na direção de que um exercício realizado durante 45 
minutos teria um maior efeito hipotensivo do que o mesmo com uma duração 
de 20 minutos (NEGRÃO; RONDON, 2001).
Então, veja, caro acadêmico, que o exercício físico seria uma alternativa 
não farmacológica no combate à hipertensão arterial. A prescrição indicada 
são exercícios aeróbios e o exercício resistido (força) na mesma sessão. Veja, na 
figura a seguir, as recomendações do exercício para hipertensos (DBH VI, 2010). 
FIGURA 89 - RECOMENDAÇÕES ATUAIS PARA ATIVIDADE FÍSICA OU EXERCÍCIOS FÍSICOS 
PREVENTIVOS E TERAPÊUTICOS PARA HIPERTENSÃO
FONTE: Coelho; Burini (2009, p. 941)
A seguir, observe o quadro com estudos de hipertensos e os benefícios 
sobre o controle da pressão arterial e, principalmente, da hipertensão. 
TÓPICO 1 | ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DO E. F. RELACIONADOS À PROMOÇÃO DA SAÚDE E À PREVENÇÃO DE DOENÇAS
181
QUADRO 19 - ESTUDOS SOBRE DIFERENTES EXERCÍCIOS FÍSICOS, ISOLADOS E COMBINADOS 
Estudo Sujeitos/Idade (anos) Intervenções - Duração Resultados
Carvalho et 
al. (2013)
300 idosos
normotensos 
(n=150) e 
hipertensos 
(n=150).
- 36 sessões de treinamento
- 3 dias na semana alternados
- intensidade de 40% a 60% da 
frequência cardíaca máxima,
- 45 a 60 minutos.
G1 = aeróbio (caminhada, no qual 
os sujeitos caminhavam 3.200m na 
pista de atletismo).
G2 = resistido (força) (exercícios 
alternados por segmentos divididos 
em
treino ‘A’ e ‘B’; cada treino conteve 
seis exercícios, com 3 séries de 
12 repetições, com intervalo de 
45 segundos entre cada série, e 1 
minuto entre cada exercício).
G3 = treinamento concorrente 
(período damanhã o treinamento 
aeróbio e, à tarde, o treinamento
resistido. 
- PAS = normotensos 
↓ G1 = Efeito 
hipotensivo (-3,8 
mmHg).
- PAS = hipertensos 
- redução da PAS em 
todos os grupos, mas 
principalmente do G1 
= - 7,5 mmHg.
Mediano et 
al. (2005)
20 pessoas 
hipertensas 
(61± 12 anos)
 
(16 homens e 4 
mulheres.
- 3 dias não consecutivos.
G1 = 1 série (SER1).
G2 = 3 séries (SER3).
- Teste de 10 repetições máximas 
(10RM). 
Supino reto, leg-press horizontal, 
remada em pé e rosca tríceps
- 10 repetições dos exercícios 
propostos, com intervalo de dois 
minutos entre as séries e os
exercícios.
SER1 =
↓ PAS após 40m o 
exercício 
PAD não foram 
encontradas reduções. 
SER3 =
↓ PAS que perdurou 
por todo o período de 
monitorização. 
Para PAD, foram 
encontradas reduções 
apenas no 30 e 50 
minuto pós-exercício. 
Observam-se no quadro dois estudos. O primeiro estudo de Carvalho 
et al. (2013), que envolveu exercícios aeróbicos, força e TC, e todos os exercícios 
mostraram resultados na diminuição da PA. E no estudo de Mediano et al. (2005), 
concluíram que uma sessão de treinamento de força pode promover reduções 
nos níveis de PAS em indivíduos hipertensos medicados. 
UNIDADE 3 | FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS
182
Não acabam aqui, caro acadêmico, os benefícios dos exercícios para hipertensão, 
vários estudos mostram os benefícios tanto do exercício aeróbico, quanto do exercício de 
força. Cabe ao professor de Educação Física, ao acompanhar esse público, o fazê-lo de maneira 
segura, respeitando os limites fisiológicos e das diretrizes. Agora veremos outra DCNT, a 
diabetes, por também estar relacionada com a obesidade.
ESTUDOS FU
TUROS
5 DCNT: DIABETES E EXERCÍCIO FÍSICO
O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) “é uma doença caracterizada pelo 
descontrole do índice glicêmico, ocasionado pela incapacidade do hormônio 
insulina de realizar sua função no organismo”, e está associada à hiperglicemia, 
obesidade e síndrome metabólica (CAUZA et al., 2005, p. 1.528). A origem da 
doença ainda é incerta, mas fatores de risco, como obesidade e inatividade física, 
são precursores para o seu desenvolvimento (HOLTEN et al., 2004). A maioria das 
pessoas com o DM tipo 2 tem excesso de peso e o diagnóstico, na maioria dos 
casos, é feito a partir dos 40 anos de idade (LEITE; BARBOSA, 2008). 
Os dois tipos mais comuns são o tipo 1, que resulta da falta total de insulina, 
e o tipo 2, que resulta da produção diminuída de insulina ou por esse hormônio não 
exercer adequadamente sua função (GROSS et al., 2002). Veja as características dos 
tipos mais comuns do diabetes tipo 1 e tipo 2 e demais classificações de diabetes, 
na tabela a seguir.
TABELA 7 – CLASSIFICAÇÃO ETIOLÓGICA DO DIABETES MELLITUS
FONTE: GROSS et al. (2002)
TÓPICO 1 | ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DO E. F. RELACIONADOS À PROMOÇÃO DA SAÚDE E À PREVENÇÃO DE DOENÇAS
183
Existem diversas opções terapêuticas farmacológicas para o controle do 
diabetes, podemos citar algumas, como sensibilizadores da ação de insulina, 
drogas antiobesidade e insulina, anti-hiperglicemiantes, secretagogos, que podem 
ser utilizadas isoladamente ou em associações (LEITE; BARBOSA, 2008).
Para pacientes com diabetes, as informações sobre os malefícios 
do sedentarismo são de fundamental importância, estas devem ser 
dadas logo no início do diagnóstico, permitindo que os benefícios das 
mudanças no estilo de vida (dentre elas, o exercício físico) possam ser 
apreciados com mais eficácia (LEITE; BARBOSA, 2008, p. 103).
Ambos os exercícios (aeróbio e de força) trazem benefícios aos diabéticos, 
pois agem no controle glicêmico de diabéticos tipo 2 (CIOLAC; GUIMARÃES, 
2004). Além de contribuir com o controle da glicemia, a associação de 
exercícios resistidos com exercícios aeróbios, ou seja, treinamento concorrente, 
melhora a qualidade de vida do portador de DM2, aumentando a capacidade 
cardiorrespiratória, a força e a resistência muscular, facilitando a execução de 
atividades da vida diária (ARSA et al., 2009).
Então, veja, caro acadêmico, que o exercício físico seria uma alternativa 
não farmacológica no combate à diabetes mellitus. A prescrição indicada são 
exercícios aeróbios e o exercício resistido (força) na mesma sessão. Veja na 
tabela a seguir as recomendações do exercício para diabéticos. 
TABELA 8 - RECOMENDAÇÕES ATUAIS PARA ATIVIDADE FÍSICA OU EXERCÍCIOS FÍSICOS 
PREVENTIVOS E TERAPÊUTICOS PARA DIABÉTICOS
Entre os exercícios de característica aeróbia podemos citar: caminhar, 
nadar, correr, andar de bicicleta etc., mas que envolvem grande massa muscular 
e, assim, atuam reduzindo de 10% a 20% na hemoglobina glicosilada, e também 
em melhor transporte de oxigênio pela corrente sanguínea (ARSA et al., 2009). 
A seguir, caro acadêmico, observe o quadro, com estudos de diabéticos e os 
benefícios do exercício físico sobre os parâmetros da diabetes. 
FONTE: Coelho; Burini (2009, p. 941)
UNIDADE 3 | FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS
184
QUADRO 20 - ESTUDOS SOBRE DIFERENTES EXERCÍCIOS FÍSICOS, ISOLADOS E COMBINADOS 
Estudo Sujeitos/Idade (anos) Intervenções - Duração Resultados
Cauza et 
al. (2013)
43 diabéticos
(22 homens e 
21 mulheres) 
- 4 meses 
G1 = força (primeiras 2 semanas, 
o peso foi mantido a um nível 
mínimo. De terceira semana, o 
treinamento teve como objetivo 
a hipertrofia e começou com 3 
séries por grupo muscular por 
semana. - 10 a 15 repetições sem 
interrupção, até a fadiga severa, 
ocorreram e mais repetições 
eram impossíveis. O programa 
consistia de exercícios para todos 
os principais grupos musculares).
G2 = aeróbico (cicloergômetro, 3 
dias não consecutivos da semana. 
Durante
as primeiras 4 semanas, 15 
minutos por sessão, 3 vezes 
por semana. Depois sessões de 
exercício foram aumentadas em 
5 minutos a cada 4 semanas. 
O tempo total de exercício por 
semana, excluindo aquecimento, 
foi de 90 minutos durante últimas 
4 semanas).
- Glicose 
↓ G1 = -57%
↓ G2 = -1%
SIGAL et 
al. (2007)
251 adultos 
portadores de 
diabetes tipo 
2 há mais de 6 
meses
(160 homens e 
91 mulheres) 
(39 e 70 anos).
G1 = aeróbio (caminhada ou 
cicloergômetro, 15 a 20 min por 
sessão em 60% da frequência 
cardíaca máxima com progressão 
para 45 min a 75% da FC 
máxima).
G2 = força (7 exercícios diferentes, 
2 séries de 7 a 9 repetições 
máximas, progredindo para 3 
séries).
G3 = treinamento concorrente: 
treino aeróbio completo 
adicionado ao treino resistido 
completo.
G4 = controle.
Hemoglobina A1c
G1 = ↓0,51% na 
comparado ao G4.
G2 = ↓0,38% comparado 
ao grupo controle. 
G3 = comparado com o 
G1 (0,46%) e com o G2 
(0,59%). 
G1 e G2 = melhoram 
o controle glicêmico 
2, mas os ganhos são 
maiores se combinados 
os dois exercícios.
FONTE: Cauza et al. (2013); SIGAL et al. (2007)
TÓPICO 1 | ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DO E. F. RELACIONADOS À PROMOÇÃO DA SAÚDE E À PREVENÇÃO DE DOENÇAS
185
QUADRO 20 - ESTUDOS SOBRE DIFERENTES EXERCÍCIOS FÍSICOS, ISOLADOS E COMBINADOS Observam-se na tabela dois estudos. O primeiro estudo, de Cauza et al. 
(2013), mostra que o exercício de força foi mais efetivo na melhoria do controle 
glicêmico. E no estudo de Sigal et al. (2007), a hemoglobina A1c diminui com 
todo exercício isolado ou combinado. Confirmando os benefícios dos exercícios 
físicos para diabéticos, que são eficazes no controle glicêmico, da hemoglobina 
e na melhora da sensibilidade à insulina e tolerância à glicose (ARSA et al., 
2009). 
Agora que você viu as especificidades da diabetes, vamos ver a síndrome 
metabólica.
ESTUDOS FU
TUROS
6 DCNT: SÍNDROME METABÓLICA E EXERCÍCIO FÍSICO
“A síndrome metabólica (SM) é também conhecida como síndrome X, 
síndrome da resistência à insulina, quartetomortal ou síndrome plurimetabólica” 
(CIOLAC; GUIMARÃES, 2004, p. 319). A SM tem por referência a resistência 
à insulina (RI), criando um elo com a obesidade, pois obriga o pâncreas a 
aumentar a produção deste hormônio e tem uma prevalência maior em homens 
e mulheres, aproximando-se de 42% entre indivíduos com idade maior a 60 
anos de idade e, também, mulheres com Síndrome do Ovário Policístico (SOP) 
estão propensas a desenvolver SM, mesmo sendo magras (RIBEIRO FILHO et al., 
2006). 
Dentre os fatores de risco, podemos dizer que a pessoa tem SM quando 
possui três dos cinco fatores, sendo eles:
TABELA 9 - CRITÉRIOS PARA DIAGNÓSTICO DA SM
FONTE: Penalva (2008, p. 246)
Como tratamento da SM, devemos considerar vários aspectos. Um dos 
primeiros seria a diminuição da obesidade, para melhorar assim o “perfil lipídico, 
diminuir a pressão arterial e a glicemia, além de melhorar a sensibilidade à 
insulina, reduzindo o risco de doença aterosclerótica” (PENALVA, 2008, p. 246).
UNIDADE 3 | FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS
186
Assim, além da modificação no estilo de vida, do tratamento 
medicamentoso, os principais seriam a modificação da alimentação, evitando 
uma dieta aterogênica, ou seja, composta “por carboidratos complexos e integrais 
(representando entre 45% e 65% do valor calórico total diário), proteínas (10%-
35% do valor calórico diário total) e gorduras (20%-35% do valor calórico diário 
total), dando-se preferência às gorduras mono e poli-insaturadas, além de um 
controle da ingestão de sódio (PENALVA, 2008, p. 246). E a prática de exercícios 
físicos deve ser de pelo menos 30 minutos de atividade aeróbica de moderada 
intensidade, diariamente (PENALVA, 2008).
Tanto o exercício resistido quanto o aeróbio promovem “benefícios 
substanciais em fatores relacionados à saúde e ao condicionamento físico, 
incluindo a maioria dos fatores de risco da síndrome metabólica” (CIOLAC; 
GUIMARÃES, 2004, p. 322). Veja no quadro a seguir algumas alterações 
fisiológicas com a prática do exercício físico. 
QUADRO 21 - EFEITOS DO EXERCÍCIO SOBRE AS VARIÁVEIS DA SM
FONTE: Ciolac; Guimarães (2004, p. 322)
A American Heart Association e o National Heart, Lung and Blood Institute 
traçam uma meta para o tratamento da SM (PENALVA, 2008, p. 248), veja na tabela 
a seguir:
TÓPICO 1 | ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DO E. F. RELACIONADOS À PROMOÇÃO DA SAÚDE E À PREVENÇÃO DE DOENÇAS
187
TABELA 10 – META PARA O TRATAMENTO DA SM
FONTE: Penalva (2008, p. 248) 
Caro acadêmico! Você sabe qual exercício é o mais adequado para 
indivíduos com SM?
Respondemos a esta pergunta apontando que um programa de exercícios 
para SM deve conter as características de um programa de exercícios aplicados 
a indivíduos saudáveis que desejam aprimorar a aptidão física e ser composto 
por três componentes essenciais: treinamento aeróbio, treinamento de força e 
treinamento de flexibilidade (VASCONCELOS et al., 2013). Veja as indicações de 
exercícios no quadro a seguir, segundo Vasconcelos et al. (2013): 
QUADRO 22 - INDICAÇÕES DE EXERCÍCIOS PARA SM 
CARACTERÍSTICAS
Aeróbicos 
- Caminhada, ciclismo ao ar livre em cicloergômetro ou mesmo no meio 
aquático. 
- Iniciar em uma intensidade moderada, ou seja, 40% a 60% do consumo de 
oxigênio de reserva (VO2R) ou da frequência
cardíaca de reserva (FCR). 
- Duração iniciada com 20 minutos, evoluindo até 60 minutos, conforme a 
melhora da condição física do praticante. 
- Para os mais condicionados, a corrida pode ser uma opção e o trabalho 
pode iniciar com intensidades entre 50% e 75% do VO2R ou FCR, durante 
30 a 60 minutos.
- A frequência semanal deve ser de no mínimo três vezes por semana.
Força
- Incluir oito a dez exercícios para os principais grupamentos musculares 
requeridos nas atividades diárias.
- Para cada exercício, três séries de 10 a 12 repetições são habitualmente 
recomendadas. 
- A carga inicial pode ser ajustada para realizar dez repetições. Quando o 
praticante conseguir realizar 12 repetições e sentir que a carga está leve, 
pode aumentá-la, ou seja, não é necessário realizar repetições máximas. 
- Quanto ao intervalo entre séries, deve ser adequado para permitir uma 
correta recuperação do praticante – em geral, varia de 2 a 3 minutos.
FONTE: VASCONCELOS et al. (2013)
UNIDADE 3 | FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS
188
Finalizamos este tópico, apontando que o exercício é muito importante na 
prevenção das DCNT. No próximo tópico você verá essas doenças associadas ao crescimento 
e desenvolvimento infantil e no envelhecimento.
ESTUDOS FU
TUROS
LEITURA COMPLEMENTAR
Questionário de Baecke de avaliação da atividade física habitual
Você viu, caro acadêmico, que existem vários questionários que avaliam a 
atividade física habitual. Segue exemplo de um deles. O questionário de Baecke 
de AFH3 é um instrumento recordatório dos últimos 12 meses, de fácil aplicação e 
entendimento, sendo proposto em escala qualiquantitativa e abordando magnitudes 
como atividade física ocupacional, exercícios físicos no lazer e atividades de lazer 
e locomoção. Sua validação está no artigo de Florindo e Latorre (2003). Se quiser 
visualizar toda a validação deste questionário, acesse o endereço: <http://www.
scielo.br/pdf/rbme/v9n3/17260.pdf>. Acesso em: 4 ago. 2016.
TÓPICO 1 | ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DO E. F. RELACIONADOS À PROMOÇÃO DA SAÚDE E À PREVENÇÃO DE DOENÇAS
189
ATIVIDADE PRÁTICA
Ações educativas para promoção da atividade física habitual da última 
semana
Objetivo: Realizar a criação da pirâmide (três níveis) da atividade física 
habitual semanal com imagens, fotografias ou rótulos de exercícios. Elaborar um 
material educativo para orientação da prática habitual de atividades físicas, por 
meio de um folder. Tempo de duração: de 45 a 60 minutos. Material a ser utilizado: 
fotografias, imagens ou réplicas e rótulos de pessoas caminhando, pedalando, 
trabalhando, subindo escadas etc. Separado em grupos, cada grupo cria o seu. 
UNIDADE 3 | FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS
190
UNI
1 – As crianças devem buscar fotos de pessoas caminhando, pedalando, 
trabalhando, subindo escadas etc.
2 - Cada grupo terá a tarefa de colar na pirâmide, em ordenação de acordo: 
- 1º nível: grupo das atividades que os elementos do grupo mais realizaram na última semana, 
exemplo: caminhar até à escola. Daí se deve colar pessoas caminhando.
- 2º nível: grupo das atividades físicas habituais feitas moderadas na última semana.
- 3º nível: grupo das atividades físicas habituais quase não realizadas na última semana (topo 
da pirâmide).
3 - Depois pode-se dividir e cada grupo apresenta um nível da pirâmide. 
4 - Estes cartazes podem ser colados ao longo da escola, para promover os hábitos saudáveis 
de atividade física habitual, lançando o desafio de repetir daqui a um mês a tarefa e de que a 
pirâmide fique vazia em cima, onde estão as atividades físicas menos habituais. 
191
Neste tópico, você viu que:
• A obesidade, diabetes, hipertensão, acidentes cerebrovasculares, doenças 
cardiovasculares, câncer e osteoporose são considerados como DCNT. 
• As DCNT têm morbidade no mundo de 47% e estima-se um aumento para 60% 
até 2020. 
• Essas doenças têm vários fatores etiológicos, multifatorial e vários fatores de 
risco, que podem ser fatores de risco não modificáveis e modificáveis. 
• Como prevenção e tratamento a essas doenças, a adoção de estilo de vida saudável 
é fundamental, além de uma alimentação saudável e prática de exercícios. 
• Uma das estratégias de controle das DCNT pelos órgãos públicos competentes é 
a vigilância das DCNT por meio de dados sistemáticos.
• Além do Vigitel, existem vários métodos de monitoramento do nível de atividade 
física. Um deles é por meio de questionários, e um exemploseria o Questionário 
Internacional de Atividade Física (IPAQ). 
• O IPAQ classifica o indivíduo em sedentário, Insuficientemente Ativo 
(Insuficientemente Ativo A e Insuficientemente Ativo B), Ativo e Muito Ativo.
• A obesidade é definida como o acúmulo excessivo de gordura corporal.
• Melhor forma de tratar a obesidade seria a associação de exercício físico e 
alimentação saudável.
• A prática do exercício físico tem efeito agudo e também crônico sobre a 
mobilização e utilização de gordura, que influenciam no emagrecimento, além 
do efeito direto no gasto calórico. 
• O tratamento das DCNT pode ser realizado pelos exercícios aeróbicos, anaeróbicos 
e treinamento concorrente.
• Exemplo de exercícios aeróbicos são a caminhada, a corrida, natação etc. De 
exercícios anaeróbios, o treino de força. E do Treinamento Concorrente (TC), a 
junção dos exercícios aeróbicos e de força em uma mesma sessão de treinamento 
ou em dias alternados.
• A hipertensão associada com a obesidade é uma das principais DCNT, que pode 
levar a alterações hemodinâmicas, metabólicas e funcionais. 
RESUMO DO TÓPICO 1
192
• A HAS tem a pressão arterial (PA) aumentada em repouso, e em condições 
normais, os níveis da pressão arterial sistólica (PAS) devem estar > 140mmHg e 
a pressão arterial diastólica (PAD) > 90mmHg.
• Existem diversos tratamentos para a HAS, como o uso de fármacos de ação 
hipotensiva; contudo, a mudança no modo de vida também tem influência, 
como reeducação alimentar e a prática de exercício físico. 
• O exercício leva à queda da PA, chamada de hipotensão, além de algumas 
mudanças fisiológicas.
• O diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é uma doença caracterizada pelo descontrole 
do índice glicêmico, ocasionado pela incapacidade do hormônio insulina de 
realizar sua função no organismo, e está associada à hiperglicemia. 
• Ambos os exercícios (aeróbio e de força) trazem benefícios aos diabéticos, pois 
agem no controle glicêmico de diabéticos tipo 2.
• A síndrome metabólica (SM) é também conhecida como síndrome X, síndrome 
da resistência à insulina, quarteto mortal ou síndrome plurimetabólica. 
• Tanto o exercício resistido quanto o aeróbio promovem benefícios substanciais 
em fatores relacionados à saúde e ao condicionamento físico, incluindo a 
maioria dos fatores de risco da síndrome metabólica.
193
Agora responda às questões abaixo e teste seu conhecimento.
1 Muitas doenças fazem parte das doenças crônicas não transmissíveis, 
EXCETO:
a) ( ) Obesidade. 
b) ( ) Hipertensão.
c) ( ) Acidentes cerebrovasculares.
d) ( ) Vômitos e diarreias.
2 Em relação às doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), assinale V para 
verdadeiro e F para falso sobre suas características:
( ) Apresentam etiologia multifatorial e compartilham vários fatores de risco, 
que podem ser fatores de risco não modificáveis e modificáveis. 
( ) Por serem doenças de longa duração, necessitam de um acompanhamento 
multidisciplinar permanente, intervenções contínuas. 
( ) Uma das estratégias de controle das DCNT pelos órgãos públicos 
competentes é a vigilância das DCNT por meio de dados sistemáticos. 
( ) O sedentarismo não é um dos fatores de risco para as DCNT.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
a) ( ) V – V – V – F. 
b) ( ) V – F – F – F.
c) ( ) V – F – V – V.
d) ( ) V – F – F – V.
3 Após o exercício, a mobilização e oxidação dos .................... (gordura) 
permanece aumentada; apesar dos principais efeitos do treinamento físico 
no controle do ................................ serem obtidos cronicamente, alguns 
efeitos de grande importância se referem ao “aumento da atividade da 
.................... lipase hormônio sensível (enzima responsável pela maior 
mobilização de lípides no tecido adiposo) e ao aumento da ....................
............, potencializando a ..................... de lípides, favorecendo assim o 
emagrecimento” (TROMBETTA, 2003, p. 131).
Assinale a alternativa correta que preenche a citação acima: 
a) ( ) peso corporal, lipídios, enzima, densidade mitocondrial, oxidação.
b) ( ) lipídios, peso corporal, oxidação, enzima, densidade mitocondrial. 
c) ( ) lipídios, peso corporal, enzima, densidade mitocondrial, oxidação.
d) ( ) lipídios, peso corporal, densidade mitocondrial, enzima, oxidação.
AUTOATIVIDADE
194
4 Sobre a hipertensão e exercício físico, analise as seguintes sentenças:
Existem diversos tratamentos para a HAS,
como
o uso de fármacos de ação hipotensiva; contudo, a mudança no modo de vida 
também tem influência, como reeducação alimentar e a prática do exercício 
físico. 
a) ( ) A primeira é uma afirmação verdadeira e a segunda, falsa.
b) ( ) Ambas afirmações são falsas. 
c) ( ) As duas são verdadeiras, mas não têm relação entre si.
d) ( ) As duas são verdadeiras e a segunda é complemento e justificativa da 
primeira.
195
TÓPICO 2
ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA 
DESPORTIVA RELACIONADA À PROMOÇÃO DA 
SAÚDE, VOLTADA AO PÚBLICO ESPECIAL
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico você está convidado a compreender a fisiologia do exercício 
nos processos de crescimento e desenvolvimento da criança e de envelhecimento. 
É fato que o organismo humano passa por vários processos, crescimento e 
desenvolvimento na idade infantil, maturação na idade adulta e o declínio 
de todas as capacidades fisiológicas e das atividades diárias, na terceira idade, 
o envelhecimento (FECHINE; TROMPIERI, 2012). O processo de crescimento e 
desenvolvimento infantil passa por várias transformações significativas no decorrer 
de sua maturação. Sabendo disso, veremos quanto a prática de exercícios físicos 
influencia positivamente ao longo desse desenvolvimento (OLIVEIRA, 2006).
Desvendado o processo de crescimento e desenvolvimento da criança, 
estudaremos o processo inverso, o envelhecimento, e ao olharmos para essa 
desaceleração do organismo é preocupar-se com um futuro de qualidade, saudável 
e consciente, sendo essas as expectativas almejadas por grande parte da população, 
da sociedade e do próprio indivíduo que está envelhecendo (CIVINSKI et al., 
2011). Nessa perspectiva, abordaremos o assunto descrevendo as alterações das 
características fisiológicas e os benefícios do exercício físico na idade infantil e as 
dificuldades que abrandam o processo de envelhecimento.
2 EXERCÍCIO PARA AS CRIANÇAS: RELAÇÃO DO TIPO DE 
ATIVIDADE FÍSICA ESCOLAR E SUAS IMPLICAÇÕES COM A 
SAÚDE NO DESENVOLVIMENTO DO SER HUMANO
Muitas são as adaptações que o corpo da criança e adolescente sofre no 
decorrer do seu crescimento, desenvolvimento e maturação, e essas alterações 
podem ser potencializadas e aperfeiçoadas quando a criança é assistida por um 
programa de exercícios físicos que fomentam o seu desenvolvimento, tornando-se 
um adulto saudável e bem disposto (OLIVEIRA, 2006). 
Para iniciarmos o estudo, caro acadêmico, faz-se necessário termos bem 
claros os conceitos de crescimento e desenvolvimento, para que possamos embasar 
nosso conhecimento, ressaltando a importância dessas distinções, o que facilitará 
a compreensão de qual estágio de maturidade a criança se encontra e, com isso, 
196
UNIDADE 3 | FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS
o ajudará a traçar planos de aulas específicos de acordo com a idade da criança, 
colaborando na divisão de grupos e classes dos escolares (MARCO, 2010). Assim, 
a seguir, conceituaremos crescimento e desenvolvimento:
Crescimento: é um aumento quantitativo em tamanho ou magnitude, que 
compreende desde o período da concepção até o final da adolescência ou início 
da segunda década de vida. O crescimento finaliza quando o indivíduo alcança a 
maturidade biológica e pode ser medido pelo peso, estatura, perímetro cefálico e 
torácico, alterações nas fontanelas, dentição e alterações corporais (HAYWOOD;GETCHELL, 2010). Dentre essas adaptações, o organismo segue uma sequência 
fisiológica, o crescimento e o desenvolvimento são eventos diferentes, mas evoluem 
juntos. O crescimento implica alterações corporais, aumento da massa muscular 
em certo período de tempo, em consequência da evolução celular (OLIVEIRA, 
2006).
FIGURA 90 - EVOLUÇÃO DO CRESCIMENTO ESTRUTURAL ANTES E APÓS O NASCIMENTO
Fonte: Gallahue et al. (2013)
As fases de crescimento da criança, caro acadêmico, seguem uma ação 
contínua e dinâmica, que exige muita atenção, estímulo, movimento e socialização. 
Estão expostas a inúmeras influências, como já comentamos aqui, mas podemos 
dividi-las para uma melhor abordagem: a ação dos fatores intrínsecos e extrínsecos 
(SOUZA et al., 2008).
Fatores intrínsecos envolvem toda a função orgânica, a herança genética, 
sexo, etnia e, principalmente, a evolução dos sistemas neurológico e endócrino, 
interagindo com a regulação hormonal, atuando ativamente no crescimento e 
desenvolvimento do indivíduo (SOUZA et al., 2008).
Fatores extrínsecos remetem às influências ambientais, evidenciando a 
dieta convencional, que possibilita elementos fundamentais para um crescimento 
classificado como normal (alimentação normal para cada idade, incluindo 
a ingestão de água, proteínas, vitaminas, carboidratos, sais minerais etc.). A 
TÓPICO 2 | ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DESPORTIVA RELACIONADA À PROMOÇÃO DA SAÚDE, VOLTADA AO P. E.
197
influência do ambiente proporciona as condições físicas, geográficas, urbanísticas, 
socioeconômicas, interação da criança com o meio, as doenças, a higiene, relações 
afetivas e as atividades físicas (SOUZA et al., 2008). 
O crescimento funcional da criança é monitorado pelos profissionais 
da saúde, por meio de um instrumento muito útil, chamado de Caderneta de 
Saúde da Criança – Passaporte da Cidadania, que contém todas as informações 
pertinentes à criança, aos pais, aos profissionais de saúde que a mantêm atualizada. 
Permite o acompanhamento fidedigno do crescimento da criança, e também 
serve como referência escolar, contribuindo para que os professores de Educação 
Física conheçam como foi o histórico do crescimento de seu aluno, ajudando-o 
a preparar suas aulas de acordo com a idade e a curva de crescimento, pois nela 
estão registrados os gráficos da curva de crescimento de cada criança (BRASIL, 
2007). Na caderneta existem as seguintes informações: dados de registro; direitos 
das crianças; direitos dos pais; dados sobre gravidez, parto e puerpério; dados 
do nascimento; informações sobre amamentação; informações sobre um ambiente 
saudável; dez passos para a alimentação saudável; informações sobre saúde bucal; 
informações sobre saúde auditiva e ocular; dados de desenvolvimento infantil; 
registro de acompanhamento de saúde; registro e informações de vacinação; 
acompanhamento do crescimento – gráficos do crescimento (BRASIL, 2007).
FIGURA 91 - CADERNETA DE SAÚDE DA CRIANÇA
Fonte: Brasil (2007)
198
UNIDADE 3 | FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS
UNI
Caro acadêmico! No artigo abaixo, leia sobre a possibilidade de ocorrência de 
desvios posturais em escolares durante seu processo de crescimento normal. Essa leitura 
proporcionará uma ampla visão auxiliar na hora de eleger um treinamento físico e as atividades 
práticas para as aulas de Educação Física. Você encontrará este artigo no link a seguir. Boa 
leitura!
SANTOS et al. Ocorrência de desvios posturais em escolares do ensino público fundamental de 
Jaguariúna, São Paulo, Rev Paul Pediatr, v. 27, n. 1, p. 74-80, 2009. Disponível em: <http://www.
spsp.org.br/spsp_2008/revista/RPPv27n1p74-80.pdf>.
A seguir, caro acadêmico, entenderemos o conceito de desenvolvimento.
Desenvolvimento: Remete ao incremento da capacidade do indivíduo 
em executar novas atividades e funções complexas. Refinamentos e maturação 
do controle neuromuscular, motricidade fina e traços de caráter englobam os 
processos fisiológicos, psicológicos e ambientais, que vão ser assistidos por toda 
a vida (HAYWOOD; GETCHELL, 2010). Em concomitância com o crescimento, 
o desenvolvimento ocorre de maneira gradativa e distinta, seus aspectos 
neuropsicomotores e funções orgânicas da criança são elaborados durante a 
infância, como o aprimoramento nutricional, da comunicação, a aprendizagem 
de caminhar, a maturação do desenvolvimento neuropsicomotor, percepção, 
adaptação, inter-relação com o meio ambiente e o outro, possibilitando ao indivíduo 
lapidar suas capacidades e habilidades (OLIVEIRA, 2006). O desenvolvimento está 
dividido em algumas etapas, entre elas estão, segundo Fonseca (2009): 
Infância: Período que vai do nascimento até os dois anos.
Segunda infância: Entendida como a fase de aprimoramento das habilidades 
adquiridas, idade explorativa e elaboração simbólica.
Funcionamento total de todas as funções: tônus, equilíbrio, lateralidade, 
percepção corporal, elaboração espacial/temporal e as praxias finas (organização, 
concentração e lateralização, dos seis aos sete anos) e globais (delineamento motor, 
integração rítmica, dos cinco aos seis anos).
Pré-escola: Processo de individualização/separação, maior consciência, 
construção da identidade, egocentrismo e ligação ao objeto de posse (objeto 
transicional).
Ambiente escolar: Processo de socialização, adaptação, autonomia, limites e 
frustrações.
Interação com o professor: Processo de afetividade, vínculo, referência, 
segurança.
TÓPICO 2 | ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DESPORTIVA RELACIONADA À PROMOÇÃO DA SAÚDE, VOLTADA AO P. E.
199
Práticas escolares: Processo de rotina planejada e diferenciada, ações livres e 
também dirigidas, atividades lúdicas.
Terceira infância: Período escolar onde a criança está iniciando a adolescência.
Adolescência: Período de grandes transformações físicas e emocionais, 
compreende a idade de 12 aos 18 anos.
UNI
Caro acadêmico! Não faz parte dos nossos objetivos aqui aprofundarmos o vasto 
universo dos processos de crescimento e desenvolvimento e sim a sua relação com o exercício 
físico para as crianças e adolescentes em idade escolar, o que veremos a partir de agora.
Depois de relembrarmos os conceitos de crescimento e desenvolvimento 
normal da criança em idade escolar, caro acadêmico, vamos entender a relação do 
exercício físico durante a manifestação desses dois processos concomitantes. 
A literatura nos fornece suporte para afirmarmos que as atividades práticas 
desenvolvidas pelo professor durante as aulas de Educação Física estimulam e 
beneficiam vários aspectos dos processos de crescimento e desenvolvimento da 
criança, bem como aumentam suas capacidades e habilidades orgânicas, tais como 
força muscular, agilidade, resistência, flexibilidade, velocidade, coordenação 
motora, entre outras. Ademais, os efeitos positivos do exercício físico são percebidos 
também na maturação dos aspectos neuropsicológicos, como potencial acréscimo 
de concentração, memória, percepção e outros mais, além de fomentar os aspectos 
éticos, morais e sociais (MARCO, 2010).
A relação do crescimento e desenvolvimento da criança e a prática de 
exercícios físicos torna-se muito estreita quando analisamos os inúmeros benefícios, 
efeitos em curto prazo, como são citamos acima, efeitos positivos em longo prazo 
com a prática de uma Educação Física intensa, que auxilia no aumento da massa 
óssea na adolescência, o que influenciará futuramente na redução do risco do 
aparecimento de osteoporose na idade avançada. (MARCO, 2010). Considerando 
os aspectos fisiológicos que sofrem alterações por estímulo do exercício físico, 
muitas são as respostas produtivas no crescimento normal da criança, pois o 
organismo adéqua-se ao esforço exigido, a capacidade aeróbia, a frequência e o 
débito cardíaco aumentam durante o exercício, auxiliando em vários ganhos, como: 
massa musculare fortalecimento, equilíbrio, flexibilidade, resistência, além dos 
benefícios psicossociais, como: a socialização que proporciona novas experiências, 
aprender a lidar com as derrotas, as vitórias, os limites e fazer e cultivar novas 
amizades (VALENTE, 2002).
200
UNIDADE 3 | FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS
Desse modo, podemos entender que o exercício exerce papel fundamental 
no processo de crescimento e desenvolvimento da criança e do adolescente, assim 
como a importância de um professor bem preparado para auxiliá-lo no decorrer 
de todo o processo, estimulando o hábito de praticar exercícios de forma sadia 
e prazerosa, diminuindo as horas de sedentarismo das crianças e jovens frente 
a tamanha tecnologia de entretenimento, como jogos de videogames e filmes 
(MARCO, 2010).
A prática de exercícios físicos na fase de crescimento e desenvolvimento 
da criança e do adolescente é essencial, porque impulsiona o crescimento motor, 
aumenta as habilidades de motricidade fina, estimula o funcionamento do sistema 
cardiocirculatório, desenvolve flexibilidade, faz a manutenção do peso corporal, 
prevenindo a obesidade, melhorando a postura e autoestima (GALLAHUE, et al., 
2013).
 Para tanto, o professor deve planejar em suas aulas exercícios leves, 
moderados e até intensos, tendo o cuidado para não forçar a criança e o adolescente, 
pois isso acarretaria em danos para o desenvolvimento (GALLAHUE, et al., 2013). 
Esses exercícios, combinados com a interação com os colegas e professor, despertam 
e proporcionam momentos de bem-estar e alegria para os jovens, obtendo como 
resposta um desenvolvimento saudável, estimulado a prosseguir exercitando-se 
por todas as fases de sua vida (GALLAHUE, et al., 2013).
Dentro da comunidade escolar, o professor de Educação Física é um 
dos mais queridos pelas crianças e adolescentes, porque a imagem do professor 
e as lembranças destas aulas remetem a boas sensações, bem-estar e diversão. 
Mas as aulas que o professor de Educação Física ministra são embasadas nas 
necessidades e na fase de cada aluno, estruturadas para estimular o movimento, 
as capacidades motoras e o desenvolvimento neuromuscular, possibilitando a 
execução do movimento, além de toda aprendizagem envolvida (BOSSLE, 2002). 
Veja no quadro a seguir alguns exemplos de exercícios para cada fase específica 
do crescimento e desenvolvimento humano, que podem ser aplicados por vocês, 
futuros professores. 
TÓPICO 2 | ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DESPORTIVA RELACIONADA À PROMOÇÃO DA SAÚDE, VOLTADA AO P. E.
201
Tipos de exercícios que beneficiam o crescimento e o desenvolvimento da criança e do 
adolescente
Idade Exercícios Ação do professor
Creche (1-3 anos)
Atividades naturais recreativas que 
estimulem o equilíbrio, a flexibilidade, 
independência, andar, correr, saltar, 
chutar, agarrar (Ex.: pega-pega, 
esconde-esconde, danças e circuitos 
com objetos de vários tamanhos).
Planejar aulas que 
encorajem a independência 
e a segurança da criança em 
realizar os movimentos.
Idade pré-escolar
(3-7 anos)
Atividades naturais que estimulem 
a criança, como: andar, correr, saltar, 
chutar, agarrar, dançar, mas que 
ao mesmo tempo a desafiem (Ex.: 
amarelinha, corrida das cores, corrida 
de saco, passa anel, carrinho de mão 
etc.).
Planejar aulas que encorajem 
a coordenação, percepção 
de espaço, equilíbrio, 
flexibilidade da criança em 
realizar os movimentos.
Idade escolar
(6/7-10 anos)
Atividades que estimulem 
aprendizagem de novas habilidades 
motoras (Ex.: natação, futebol, vôlei, 
basquete, artes marciais, corrida, 
entre outros).
Planejar aulas que encorajem 
as habilidades motoras 
da criança em realizar 
os movimentos mais 
específicos.
Adolescência
(12-18 anos)
Atividades que estimulem resistência 
e velocidade, nessa fase estão aptos 
a treinar exercícios aeróbicos (Ex.: 
esportes de competição, futebol, 
natação, vôlei, handebol, basquete, 
atletismo, ciclismo, corrida, 
musculação etc).
Planejar aulas que estimulem 
o fortalecimento muscular 
do adolescente.
FONTE: Adaptado de Valente (2002)
QUADRO 23 - EXEMPLOS DE EXERCÍCIOS PARA PRÁTICAR NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA
Como vimos, caro acadêmico, a escolha do tipo de exercício influencia 
diretamente no crescimento e desenvolvimento da criança e do adolescente, pois 
as mudanças contínuas que passam durante este processo são inúmeras, e por não 
estarem completamente maturadas, muitas vezes, não suportam exercícios pesados 
ou que exigem carga. Esse entendimento é relevante no momento do planejamento 
das aulas de Educação Física escolar. O professor deve estar ciente do que aplicar 
em cada fase em que a criança, pré-adolescente, adolescente se encontra, para que 
os ganhos que os exercícios físicos proporcionam sejam aproveitados ao máximo 
(VALENTE, 2002).
Diante disso e da confirmação que a literatura nos fornece, entendemos que 
o exercício físico é de suma importância para o crescimento e desenvolvimento 
saudável das crianças e adolescentes, e seus efeitos vão além, atuam também 
202
UNIDADE 3 | FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS
como fator de prevenção para diversas doenças que podem ser acometidas nessa 
fase, como obesidade, hipertensão, diabetes e síndrome metabólica infantil, 
reconhecidas como Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT).
Caro acadêmico! Você já estudou no Tópico 1 as DCNT, suas características, 
especificidades e a relação com os exercícios. A seguir, entenderá os benefícios dos exercícios 
físicos como prevenção e tratamento para as DCNT. 
ESTUDOS FU
TUROS
3 DCNT E SUA RELAÇÃO COM A PRÁTICA DO EXERCÍCIO 
FÍSICO EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES
Caro acadêmico! Iniciaremos estudando sobre como os exercícios físicos 
atuam como fator protetor e, por vezes, como tratamento para a obesidade infantil 
e da adolescência. A obesidade é caracterizada como uma das doenças que 
compõem as DCNT, e estudos mostram um aumento rápido da prevalência de 
obesidade nas fases da infância e adolescência. Esse aumento vem sendo motivo 
de grande preocupação, não só para os profissionais de saúde, que visualizam os 
efeitos positivos da prática de exercícios físicos, a saída para a diminuição dos riscos 
de doenças crônicas, como a obesidade (OLIVEIRA et al., 2004). As tendências ao 
desencadear a obesidade infantil são inúmeras, principalmente fatores ligados ao 
estilo e hábitos de vida sedentários, por isso o exercício físico torna-se essencial 
para a promoção e qualidade de vida das crianças e adolescentes (OLIVEIRA et 
al., 2004). 
FIGURA 92 - OBESIDADE INFANTOJUVENIL
FONTE: Disponível em: <http://img.r7.com/
images/2015/08/13/6tvc3udwsw_8z07wwq6ls_
file?dimensions=460x305>. Acesso em: 10 ago. 2016.
TÓPICO 2 | ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DESPORTIVA RELACIONADA À PROMOÇÃO DA SAÚDE, VOLTADA AO P. E.
203
A obesidade pode acarretar sérios danos ao crescimento e desenvolvimento 
da criança e do adolescente, como interferir no crescimento ósseo, influenciando na 
estatura, desencadear menarca precoce, problemas respiratórios, cardiovasculares, 
ortopédicos, dermatológicos, metabólicos, psicossociais. Para prevenir e tratar tais 
acometimentos deve-se estimular uma consciência de comportamento saudável, 
com transformações nos hábitos alimentares e, principalmente, a inclusão de 
hábitos esportivos regulares para um crescimento e desenvolvimento normal, 
longe de risco de doenças sérias (SOARES; PETROSKI, 2003). E quando voltamos 
o olhar para a população escolar, podemos perceber que o professor de Educação 
Física tem um importante papel na detecção da obesidade infantil, pois está em 
contato diário com a criança e adolescente, e, a partir disso, pode direcionar o 
planejamento de suas aulas com exercícios que corroborem para a queima de 
calorias, estimulandoa criança a criar o hábito de exercitar-se. Ao mesmo tempo, o 
professor de Educação Física pode avaliar e analisar as alterações antropométricas 
das crianças e adolescentes e informar a família, prevenindo o progresso e/ou a 
instalação da doença (SOARES; PETROSKI, 2003). 
Com base em comprovação científica, os especialistas pautam o tratamento 
para a obesidade infantil e adolescência em três principais pontos-chave: reeducação 
alimentar, comportamento e exercício físico. Para que o tratamento obtenha êxito 
é extremamente relevante a presença de uma equipe multiprofissional, incluindo 
médico, nutricionista, psicólogo e educador físico. Por se tratar de um processo 
longo, a criança e/ou adolescente deve ter um bom convívio com estes profissionais, 
expondo todas as dificuldades e contar com apoio total dos familiares (SOARES; 
PETROSKI, 2003).
FIGURA 93 - PONTOS-CHAVE PARA PREVENIR E TRATAR A OBESIDADE INFANTIL
FONTE: Disponível em: <https://goo.gl/6etxHQ>. Acesso em: 10 ago. 2016.
204
UNIDADE 3 | FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS
Os exercícios físicos são peças-chave para a prevenção e tratamento da 
obesidade infantil e adolescente, e o professor de Educação Física pode contribuir 
muito planejando suas aulas elencando exercícios que preconizem o gasto 
energético, exercícios aeróbicos (natação, corrida, ciclismo, jogos com bola etc.) de 
força e resistência, exercícios posturais preventivos para o estirão de crescimento 
(SOARES; PETROSKI, 2003). E assim, a prática de exercícios físicos durante as aulas 
de Educação Física estimulará a diminuição do risco de obesidade, terá função 
reguladora energética, influenciará na distribuição do peso corporal, preservará 
e manterá a massa magra, além de promover perda de peso corporal (SOARES; 
PETROSKI, 2003). 
Caro acadêmico! No vídeo a seguir, o repórter Danilo Sala, do site <www.
minhavida.com.br>, explana sobre a obesidade infantil e entrevista o pediatra Yechiel Moisés 
Chencinski, que complementa sobre os riscos das DCNT, tratamento e o exercício físico. 
Disponível no link: <https://youtu.be/RRQHl4np9SI>. 
DICAS
Agora que entendemos a importância dos exercícios físicos e do papel do 
professor de Educação Física na prevenção e tratamento da obesidade infantil e 
adolescência, a seguir abordaremos esses mesmos aspectos interagindo em outra 
DCNT, a hipertensão arterial na infância e adolescência. 
Atualmente é comum ouvir dizer ou até mesmo conhecer ou ainda viver 
tal experiência de ter uma criança ou adolescente com problemas relacionados 
à hipertensão. Muito disso atribui-se a diversas mudanças no modo de vida da 
população, passando por processos de transição que alteraram o comportamento 
e estilo de vida, principalmente das crianças, que hoje estão inseridas ou expostas 
a fatores que resultam em um estilo de vida sedentário e predisposto a altos riscos 
de desenvolver DCNT, como a hipertensão arterial precoce (FERREIRA; AYDOS, 
2010). 
Estudos revelam dados alarmantes sobre os riscos e a alta prevalência 
de hipertensão precoce, configurando um sério problema de saúde pública, 
aumentando a preocupação quando a hipertensão está associada a fatores 
genéticos, à obesidade e, principalmente, ao sedentarismo e hábitos alimentares 
errados, o que potencializa os riscos de morbidade e mortalidade por problemas 
cardiovasculares em crianças e jovens em fase de crescimento e desenvolvimento 
(FERREIRA; AYDOS, 2010). É uma doença assintomática, em que a prevenção é 
o melhor tratamento, instruindo as crianças para controlar o peso, a pressão, a 
ingestão de sódio desde cedo para evitar riscos futuros (FERREIRA; AYDOS, 2010).
TÓPICO 2 | ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DESPORTIVA RELACIONADA À PROMOÇÃO DA SAÚDE, VOLTADA AO P. E.
205
FIGURA 94 - HIPERTENSÃO ARTERIAL INFANTOJUVENIL
FONTE: Disponível em: <http://blog.examineja.com.br/wp-content/uploads/2015/12/
blog-hipertensa%CC%83o.png>. Acesso em: 10 ago. 2016.
É de entendimento que a hipertensão arterial é uma doença clínica 
multifatorial, que pode ser desencadeada por alterações metabólicas, elevação 
do débito e frequência cardíaca, sobrecarga do músculo cardíaco, aumentando 
a resistência vascular periférica, e todo o complexo processo cardiorrespiratório 
e vascular sofre alterações, estabelecendo uma crise hipertensiva (FERREIRA; 
AYDOS, 2010). 
Todo esse processo de crise hipertensiva que ocorre no adulto acontece 
igualmente nas crianças e adolescentes, sendo que a extensão dos riscos e das 
lesões é menor na população infantojuvenil, classificada como um tipo de crise 
hipertensiva primária sem etiologia definida, mas muito preocupante, porque 
esses episódios hipertensivos irão certamente se agravar com o amadurecimento, 
sendo indicativo de futuros adultos que sofrerão com problemas de hipertrofia 
ventricular e aterosclerose, aumentando os riscos de infarto do miocárdio 
(FERREIRA; AYDOS, 2010).
Dentro dessa realidade, o exercício físico torna-se o protagonista tanto na 
prevenção como no tratamento da hipertensão arterial precoce, juntamente com 
a importância do professor que está inserido nas atividades práticas diárias da 
criança e do adolescente, cuidando e estimulando hábitos saudáveis, fomentando 
na criança e no adolescente uma consciência em buscar melhores condições de 
vida, despertando nessa população o prazer e o bem-estar que os exercícios físicos 
proporcionam (BRAGA et al., 2006).
O estudo de Braga et al. (2006) reforça a importância da prática de exercícios 
físicos para prevenção e tratamento da hipertensão arterial infantojuvenil, pois 
verificou as relações dos índices antropométricos e a resposta da pressão arterial 
(PA) ao exercício em crianças durante as aulas de Educação Física. 
Foi aferida a PA das 38 crianças participantes antes e depois das atividades 
físicas propostas, identificando alta prevalência de crianças com sobrepeso, obesos 
e com tendência a alterações da PA, sem grande alteração pós-esforço, entendendo 
que, independentemente do mecanismo fisiológico, a redução de peso é essencial 
no tratamento da hipertensão em crianças e adolescentes, pois a diminuição do 
206
UNIDADE 3 | FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS
percentual de gordura reduz simultaneamente a pressão arterial, e para tanto os 
autores reforçam a importância do exercício físico. Podendo citar como exemplo: 
exercícios de aquecimento, alongamentos, brincadeiras e jogos com bolas com 
gradativo aumento da intensidade (BRAGA et al., 2006).
Visite o site do Dr. Drauzio Varella e leia tudo sobre a elevação da pressão arterial 
na infância e adolescência, causas, fatores de risco, sintomas, diagnósticos, e descubra por que 
essa doença é considerada como um “mal silencioso”. Essas informações estão disponíveis no 
link a seguir:
Disponível em: <http://drauziovarella.com.br/crianca-2/hipertensao-arterial-infantil/>. Acesso 
em: 11 ago. 2016.
DICAS
Depois de entender, caro acadêmico, que a hipertensão arterial é uma 
doença grave e que devemos preveni-la desde a infância e que os exercícios físicos 
agem também como tratamento, na sequência você compreenderá diabetes na 
infância e adolescência, outra doença classificada como DCNT.
O diabetes é uma doença crônica séria autoimune que demanda preocupação 
pelas consequências que pode desencadear. Causada pela deficiência na produção 
de insulina, gera um distúrbio metabólico grave (MICULIS et al., 2010). Estudos 
comprovam que a prevalência e incidência dessa doença vêm aumentando em 
todo o mundo, é uma doença que acomete principalmente o público infantojuvenil 
(SPARAPANI et al., 2011). Como você viu no Tópico 1, o diabetes possui dois 
tipos, diabetes tipos I e II, sendo o tipo I comum em crianças e adolescentes, e o II 
em adultos. E quanto mais cedo o diabetes for diagnosticado, melhores serão as 
condições de tratamento,evitando suas graves complicações. Antes de seguirmos 
com o conteúdo, vamos relembrar como ocorre o diabetes. Veja a seguir, em uma 
figura, um resumo esquematizado.
TÓPICO 2 | ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DESPORTIVA RELACIONADA À PROMOÇÃO DA SAÚDE, VOLTADA AO P. E.
207
FIGURA 95 - DESENCADEAMENTO DO DIABETES
FONTE: Disponível em: <http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2014/08/dicas-simples-permitem-
identificar-sinais-de-diabetes-em-criancas.html>. Acesso em: 11 ago. 2016.
Depois de diagnosticado o diabetes infantojuvenil por meio de consulta ao 
endocrinologista e exames específicos, o tratamento deve ser iniciado de imediato 
para controlar a glicemia, com aplicações diárias de injeções de insulina; o número 
de aplicações o médico orienta. E para completar o tratamento, o exercício 
físico é novamente um grande aliado nessa batalha, e mais uma vez se justifica 
a importância do professor de Educação Física, que, pelo convívio diário com a 
criança e o adolescente, pode auxiliar na detecção precoce do diabetes e também 
na monitorização. Para tanto, os professores em geral devem estar orientados e 
saber identificar os sinais e sintomas clássicos que essa doença demonstra, como: 
sede excessiva, frequência em urinar, cansaço, desânimo e emagrecimento brusco 
(MICULIS et al., 2010).
Veja no quadro a seguir os parâmetros para controle da glicemia para a 
população infantojuvenil com diabetes do tipo 1, estabelecida pela Associação 
Americana de Diabetes.
208
UNIDADE 3 | FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS
QUADRO 24 - PARÂMETROS PARA CONTROLE DE DIABETES INFANTOJUVENIL
FONTE: American Diabetes Association (2013)
No tratamento do diabetes, para ser bem-sucedido, deve haver 
comprometimento e autogerenciamento por parte do indivíduo e um amplo 
suporte de uma equipe multiprofissional que auxilia na manutenção da doença, 
unidos na intenção de diminuir os riscos e as complicações que o diabetes acarreta. 
E quando voltamos o olhar para a população infanto-juvenil, todos esses cuidados 
e intervenções requerem mais atenção e dedicação, pois a criança e o adolescente 
são mais resistentes ao entendimento das restrições em que são submetidos para 
alcançar um controle glicêmico adequado, manutenção da pressão arterial e um 
índice de massa corporal normal (MICULIS et al., 2010).
Ademais, a prevenção e o tratamento do diabetes estão pautados numa 
alimentação balanceada, na reposição das doses de insulina, controle da glicemia e 
prática de exercícios físicos. Os exercícios oferecem grandes benefícios no controle 
do diabetes, como melhora da capacidade cardiorrespiratória, melhora dos níveis 
da insulina, equilibra a glicemia durante a realização, e também a glicemia de 
jejum, reduzindo os eventos de hipoglicemia, diminuindo os riscos de desenvolver 
doenças micro e macrovasculares (MICULIS et al., 2010).
Miculis et al. (2010) mostram que estudos contemporâneos recomendam 
exercícios regulares, alternados de moderados a intensos, do tipo aeróbicos 
combinados com os exercícios resistidos, como sendo os ideais para o tratamento 
do diabetes em crianças e adolescentes, porque seus efeitos provocam menor 
queda da glicose sanguínea, incitam as respostas hormonais e metabólicas 
opostas à diminuição da glicemia, elevando os níveis de ácido lático no sangue, 
aumentando as catecolaminas, estimulando a produção hepática da glicose 
assistido pela insulina. E também a prática regular deste combo de exercícios 
resulta em respostas positivas para o aumento da força muscular, gasto energético 
e massa óssea. São exemplos de exercício: natação, vôlei, futebol, corrida, surf, 
lutas marciais, caminhadas, brincadeiras escolares e dança.
TÓPICO 2 | ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DESPORTIVA RELACIONADA À PROMOÇÃO DA SAÚDE, VOLTADA AO P. E.
209
Caro acadêmico e futuro professor! Existe um programa chamado Kids & Diabetes 
in Schools, desenvolvido pela Federação Internacional de Diabetes, que leva informações a 
escolas de como manejar esta doença dentro da escola. É uma ação muito relevante, vale a 
pena conhecer. Você poderá acessar o link a seguir: Disponível em: <http://www.idf.org/kids-
um-pacote-educativo-para-informar-sobre-diabetes-nas-escolas?destination=node/28261>. 
Acesso em: 11 ago. 2016.
DICAS
Agora, para concluir, veremos a síndrome metabólica na infância e 
adolescência. E, como nas outras doenças classificadas DCNT, que vimos acima, 
os exercícios físicos fazem parte do tratamento.
A síndrome metabólica é uma associação de fatores de risco que 
potencializam o aparecimento de doenças cardiovasculares, tendo início na 
infância e se agravando pelo longo da vida (TUMAS, 2012). As doenças classificadas 
como componentes da síndrome metabólica infantojuvenil frequentemente são 
obesidade, dislipidemia, resistência à insulina e a hipertensão arterial sistêmica, a 
associação e as consequências decorrentes da síndrome metabólica são enormes, 
silenciosas e evoluem com o passar dos anos se não tratadas adequadamente. 
Este combo de doenças é desencadeado, uma em consequência da outra, por 
exemplo, o excesso de gordura visceral desenvolvida pela obesidade desencadeia 
o aparecimento da diabetes, que por sua vez desenvolve predisposição para 
hipertensão e completa com ocorrência da dislipidemia. Para melhor elucidarmos 
a síndrome metabólica, há uma cascata de eventos metabólicos, e atualmente 
estudos corroboram para afirmação de que a síndrome metabólica já é considerada 
uma epidemia, acometendo crianças, adolescentes, adultos e idosos (PERGHER et 
al., 2010).
FIGURA 96 - SEDENTARISMO, MÁ ALIMENTAÇÃO E FALTA DE 
EXERCÍCIOS CONFIGURAM SÍNDROME METABÓLICA
FONTE: Disponível em: <https://scontent.cdninstagram.com/hphotos-
xpf1/t51.2885-15/s640x640/sh0.08/e35/10914629_6235219244
17856_2098121276_n.jpg>. Acesso em: 15 ago. 2016.
210
UNIDADE 3 | FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS
Veja na tabela a seguir a classificação da síndrome metabólica em crianças 
e adolescentes segundo os critérios da Federação Internacional de Diabetes (IDF). 
TABELA 11 - CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO DA SÍNDROME METABÓLICA PELA IDF
CA: circunferência abdominal; HDL: colesterol HDL; PA: pressão arterial. 
 FONTE: Pergher et al., (2010)
Em função das diferenças entre as crianças, adolescentes e adultos, a IDF 
redefiniu a classificação da síndrome metabólica para a população infantojuvenil 
e elencou esse conjunto de critérios da tabela acima. Crianças menores de seis 
anos, segundo estudos, não desenvolvem características que configurem síndrome 
metabólica, mas os cuidados com os fatores de risco devem existir, principalmente 
a obesidade com predominância de excesso de gordura abdominal agregada a 
dois ou mais critérios clínicos (PERGHER et al., 2010).
Diante dessas evidências, devemos ressaltar a importância dos exercícios 
físicos como tratamento para a prevenção e controle de tais doenças, pois é fato 
que o número de crianças e adolescentes que estão cada vez mais expostos a essa 
epidemia está aumentando consideravelmente e tem como ponto desencadeador 
a obesidade, sendo premissa de um futuro de graves complicações de saúde 
(PERGHER et al., 2010). E também nesse contexto evidenciamos a importância 
e a responsabilidade do professor de Educação Física em fomentar o gosto e o 
prazer das atividades físicas para a população infantojuvenil com a qual convive 
diariamente. Entre as ações preventivas estão hábitos alimentares saudáveis, 
diminuição do sedentarismo por meio de atividades físicas regulares, diminuição 
de colesterol, sal, açúcar e gorduras (BRANDÃO et al., 2005).
No decorrer desse nosso aprendizado, enfatizamos e compreendemos os 
benefícios dos exercícios físicos para cada doença crônica que compõe as DCNT. 
Para a síndrome metabólica não é diferente, a conduta segue a mesma, pois, como 
a obesidadeé um ponto desencadeador de doenças, os benefícios dos exercícios 
físicos atuam na contramão destes fatores, desencadeando melhorias nos níveis 
de glicemia, reduzindo colesterol e triglicerídeos, controlando a pressão arterial 
e a resistência à insulina, proporcionando uma melhora geral no funcionamento 
TÓPICO 2 | ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DESPORTIVA RELACIONADA À PROMOÇÃO DA SAÚDE, VOLTADA AO P. E.
211
do organismo, diminuindo os riscos de futuras complicações cardiovasculares, 
promovendo uma vida saudável e aumento da expectativa de vida com qualidade, 
garantindo uma idade adulta e envelhecimento sadio (BRANDÃO et al., 2005).
ATENCAO
Precauções necessárias para realizar exercícios
 Não realizar exercícios em jejum.
 Evitar a chamada Manobra de Valsalva (segurar o ar durante a realização de um exercício ou 
contração muscular).
 Usar vestimenta adequada.
 Manter o organismo hidratado.
 Aquecer o corpo antes da prática e alongar depois. 
Após termos estudado a relação do tipo de atividade física escolar e suas 
implicações com a saúde no desenvolvimento do ser humano em crianças e adolescentes, 
vamos entender as relações entre a atividade física nos idosos. 
ESTUDOS FU
TUROS
4 EXERCÍCIO PARA OS IDOSOS: RELAÇÃO DO TIPO 
DE ATIVIDADE FÍSICA E SEUS BENEFÍCIOS NAS DCNT, 
MANUTENÇÃO E QUALIDADE DE VIDA
Caro acadêmico! Vimos que os benefícios dos exercícios físicos são 
extremamente positivos para o crescimento e desenvolvimento normal saudável 
da criança e do adolescente e que agem como fator protetor de futuras doenças. A 
partir de agora entenderemos que esses mesmos benefícios da prática de atividade 
são eficazes para a população idosa, prevenindo e tratando doenças já instaladas e 
diminuindo o risco de futuras.
212
UNIDADE 3 | FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS
FIGURA 97 - GRUPO DE IDOSAS ALONGANDO
FONTE: Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/_God3sVKwlfI/TNWOL8XO-GI/
AAAAAAAAADA/uyXU-H_xCns/s1600/ginastica1.jpg>. Acesso em: 15 ago. 2016.
Estudos comprovam, juntamente com dados do IBGE (Instituto Brasileiro 
de Geografia e Estatística), que com o passar do tempo a população brasileira 
está envelhecendo, sendo inúmeras as variáveis que fomentam essa evolução, 
tais como a diminuição da natalidade, crescimento vegetativo, a melhoria nos 
serviços de saúde, aumento da expectativa de vida, ampliando por consequência 
a idade produtiva. E os avanços da biotecnologia confirmam essa tendência de 
envelhecimento acelerado (IBGE, 2002).
Dentro dessa perspectiva de envelhecimento acelerado, surge a preocupação 
não só em envelhecer, mas envelhecer com qualidade de vida, podendo usufruir 
de boa saúde deixando as doenças para trás. E quando pensamos nessas doenças 
que acometem a população idosa, entre tantas, as mais comuns constituem o 
chamado combo cascata: obesidade, hipertensão, diabetes e síndrome metabólica, 
responsáveis por desencadear inúmeros agravamentos e complicações que acabam 
por culminar em óbito (BORGES; MOREIRA, 2009).
O relatório mundial de envelhecimento e saúde da Organização Mundial 
da Saúde – OMS (2015) entende como idosos indivíduos que atingiram os 60 anos 
em países em desenvolvimento, como no Brasil, e a partir dos 65 anos em países 
desenvolvidos. E ainda define um envelhecimento saudável como a consciência 
de que as capacidades intrínsecas (habilidades físicas e mentais íntegras) e a 
capacidade funcional (realizar coisas que as motivem) tendem a diminuir e perder 
sua constância, mas são essas capacidades que determinarão o traçado do decorrer 
de suas vidas. A qualidade de vida é o que possibilita um envelhecimento saudável 
(OMS, 2015).
De acordo com o envelhecimento, é quase inevitável que a saúde se 
mantenha intacta, o organismo envelhece e começa a aumentar o aparecimento de 
doenças crônicas. Um dos grandes aliados para alcançarmos um envelhecimento 
TÓPICO 2 | ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DESPORTIVA RELACIONADA À PROMOÇÃO DA SAÚDE, VOLTADA AO P. E.
213
saudável é a prática de exercícios físicos, pois os benefícios são enormes e atuam 
no controle e/ou diminuição do risco dessas doenças (OMS, 2015).
FIGURA 98 - PREVENÇÃO PARA ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL
FONTE: OMS (2015)
A figura acima demonstra o nível das capacidades funcionais e intrínsecas 
no decorrer do envelhecimento, evidenciando que o ponto-chave desse controle 
para uma saúde ativa é investir na prevenção de doenças e, dentro dessa 
perspectiva, incentivar a prática de exercícios físicos, mudando o comportamento 
de sedentários para hábito ativo de exercitar-se, tendo assim precauções a longo 
prazo, incentivando e garantindo a possibilidade de aproveitar uma velhice 
ativamente, aptos de suas capacidades (OMS, 2015).
Mas você deve se perguntar, caro acadêmico: o que fazer para alcançar tais 
objetivos? Que tipos de exercícios são os mais indicados? Qual é a frequência e 
intensidade? Todos esses questionamentos serão respondidos a seguir.
O entendimento de que a prática regular de exercícios físicos é essencial para 
a manutenção da vida e envelhecimento saudável está abrangendo cada vez mais 
a população brasileira, pois é comprovado que o corpo necessita de movimento, e 
assim, a crescente população de idosos está aderindo a programas de exercícios em 
busca do restabelecimento da aptidão física, estilo de vida ativo, manutenção da 
autonomia física, com as capacidades funcionais atuantes e diminuição dos riscos 
214
UNIDADE 3 | FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS
de doenças e acidentes por quedas, desequilíbrios, fraqueza, entre outros sinais e 
sintomas pertinentes ao envelhecimento (FREITAS et al., 2007).
Segundo Freitas et al. (2007), estudos corroboram para evidenciar que 
os tipos de exercícios mais apropriados para a população da terceira idade são 
exercícios programados que fiquem dentro da faixa de nível moderado, pois nessa 
intensidade os benefícios dos exercícios para os sinais e sintomas das doenças não 
transmissíveis crônicas, que acarretam em disfunções cardiovasculares, são mais 
efetivos. O mais complicado é manter a motivação do idoso em persistir numa 
regularidade de exercícios, por isso o fator motivação é importantíssimo para o 
êxito dos exercícios.
 E ciente disso, podem ser elaborados programas de exercícios focados na 
coletividade, no lúdico, muitas vezes ao ar livre, pois isso incita as motivações 
internas e externa capazes de modificar o comportamento do idoso, transformando 
esse bem-estar em hábito. E a partir daí ele consegue regular e manter seu 
condicionamento físico, e ainda, além dos benefícios físicos, há inúmeros ganhos 
psicossociais, como novas amizades, convívio das mesmas dificuldades, interação 
e participação com o meio ambiente e vida social, mantendo um estilo de vida 
ativo e não mais a antiga visão de que tornar-se idoso era sinônimo de permanecer 
recluso em casa (FREITAS et al., 2007).
Os programas de exercícios físicos são elaborados com base em uma 
avaliação prévia por parte de uma equipe médica que o libere para a prática de 
exercícios. E cabe avaliar quais são os níveis de dependência funcional de cada idoso 
que irá compor seu grupo, assim é possível um direcionamento específico para 
as necessidades daquele grupo de idosos. Enfatizando a manutenção e melhora 
da aptidão física do idoso, priorizando a promoção da saúde durante o processo 
de envelhecimento, a estruturação desses programas de exercícios deve objetivar 
exercícios que estimulem o equilíbrio, coordenação, agilidade, fortalecimento, 
flexibilidade, resistência cardiovascular. As respostas são positivas e melhoram não 
apenas a sua condição física, mas também fatores como concentração, memória, 
atenção, raciocínio, autoestima e bem-estar, afastando, além das DCNT, as 
doenças emocionais como ansiedade e depressão, grandes vilãsque potencializam 
o agravamento de doenças, principalmente em idosos.
Veja no quadro a seguir a relação dos níveis de capacidade física do idoso, 
classificado quanta à sua execução das AVD (atividades de vida diária) e AIVD 
(atividades instrumentais da vida diária).
TÓPICO 2 | ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DESPORTIVA RELACIONADA À PROMOÇÃO DA SAÚDE, VOLTADA AO P. E.
215
QUADRO 25 - NÍVEIS DE CAPACIDADE FUNCIONAL PARA AVD E AIVD
FONTE: Tribess; Virtuoso Júnior (2005)
Os propósitos de uma avaliação funcional antes do início da execução 
do programa de exercícios são para garantir que o idoso pratique exercícios 
adequados para as suas necessidades e deficiências, assim é possível obter mais 
respostas fisiológicas e psicológicas, além, é claro, de eliminar possíveis riscos 
de acidentes ou desencadeamento de doenças ou agravamento das mesmas já 
instaladas (TRIBESS; VIRTUOSO JUNIOR, 2005). 
Seguindo o contexto de elaboração desses programas, é fundamental 
ponderar para a frequência, intensidade, duração, progressão e modalidade 
ajustada para cada idoso, considerando e incluindo exercícios que promovam 
melhora no desempenho cardiorrespiratório, por exemplo: os areóbicos, caminhar, 
nadar, dançar, com uma frequência de no mínimo três vezes por semana com 
máximo de sete vezes por semana, com uma intensidade moderada em torno de 
45 minutos a uma hora, com exercícios de aquecimento e alongamento no início 
e no final de cada rotina. Podendo ser intercalados com exercícios resistidos para 
a manutenção e aumento de força, numa frequência de duas vezes por semana, 
séries de cinco a 10 exercícios, com repetições de oito a 10 vezes cada grupo, com 
dois dias de repouso para o restabelecimento das fibras musculares (TRIBESS; 
VIRTUOSO JUNIOR, 2005).
 Já os exercícios de flexibilidade podem ser desenvolvidos no momento 
dos alongamentos, com orientação para fazê-los de forma lenta e duradoura 
para melhor resposta, em torno de três a cinco repetições em cada exercício, com 
duração de 10 a 30 segundos. Os exercícios de equilíbrio podem ser dinâmicos 
ou estáticos, com duração de 10 a 30 minutos também, com três repetições cada 
216
UNIDADE 3 | FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS
exercício. E à medida que o indivíduo idoso for dando respostas positivas, as 
dificuldades podem ser acrescentadas, por exemplo: inclusão de giros e ausência 
do campo visual. E ainda, os exercícios para trabalhar agilidade deverão iniciar 
com composições de baixa complexidade, evoluindo de acordo com a evolução 
do idoso, propondo atividades paradas, de deslocamento, giros, obstáculos e 
velocidade. É fator determinante para qualquer execução de exercícios o nível de 
fadiga de cada idoso (TRIBESS; VIRTUOSO JUNIOR, 2005).
Caro acadêmico! Veja nos vídeos a seguir exemplos de exercícios para idosos 
que ajudam a manter e/ou recuperar o bem-estar físico e aumentam a qualidade de vida. 
Disponíveis em: <http://g1.globo.com/globo-reporter/videos/t/edicoes/v/florianopolis-ocupa-
primeiro-lugar-entre-capitais-mais-ativas-do-brasil/1933870/ 
http://g1.globo.com/globo-reporter/videos/t/edicoes/v/atividade-fisica-ajuda-idosos-a-
recuperar-agilidade-e-energia/1933634/>. Acesso em: 16 set. 2016.
DICAS
TÓPICO 2 | ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA PRÁTICA DESPORTIVA RELACIONADA À PROMOÇÃO DA SAÚDE, VOLTADA AO P. E.
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LEITURA COMPLEMENTAR
Leia parte de um artigo publicado na revista “Convibra”, escrito por Matias 
et al., 2013. 
Prática de atividade física para a pessoa idosa: revelando a importância
Se quiser visualizar o estudo na íntegra, está disponível em: <http://www.
convibra.com.br/upload/paper/2013/78/2013_78_7561.pdf>. Acesso em: 18 ago. 
2016.
Segundo pesquisa, a atividade física é um importante meio de prevenção e 
promoção da saúde dos idosos, através de seus inúmeros benefícios. A atividade 
física é apontada como uma política propícia para minimizar os indicadores de 
morbimortalidade dos idosos.
Práticas de atividade física: o que motivou? A visão dos participantes da 
pesquisa a respeito dos motivos que levaram à realização de exercícios físicos é 
demonstrada nas falas a seguir, estando evidente a associação da prática com a 
necessidade devido a algum problema de saúde existente.
 Devido à minha diabetes e pressão alta, e fui orientado bem direitinho 
(ID. 7). 
 Foram meus problemas nas pernas, que inchavam muito, não tava 
circulando o sangue direito (ID. 8). 
 Devido à minha depressão, a minha filha me orientou a praticar 
atividades físicas (ID. 4). 
Observou-se que os idosos só procuraram realizar estas práticas quando 
avaliados e encaminhados por médicos, não sendo orientados quanto à prevenção 
e promoção da saúde, podendo ser um reflexo da visão destes do próprio sistema 
de saúde, pois, muitas vezes, buscam o serviço apenas quando estão doentes.
 Corrobora-se com Freitas et al. (2007) ao afirmarem que a busca pela 
prática de exercícios físicos se dá pelos programas de promoção em saúde que 
vêm crescendo na atualidade, porém a procura pelos indivíduos idosos ainda 
é menor quando comparado com indivíduos mais jovens. Salvador et al. (2009) 
afirmam que a atividade física proporciona aos idosos oportunidades para uma 
vida mais ativa e independente, contribuindo para a manutenção da autonomia 
e melhor qualidade de vida. Apesar do processo de envelhecimento não estar, 
necessariamente, relacionado a doenças e incapacidades, as doenças crônico-
degenerativas são frequentemente encontradas entre os idosos. Assim, a tendência 
atual é ter um número crescente de indivíduos idosos que, apesar de viverem mais, 
apresentam maiores condições crônicas. 
E o aumento no número de doenças crônicas está diretamente relacionado 
com maior incapacidade funcional (ALVES et al., 2007), o que condiciona a 
necessidade de prática de atividade física para controle e promoção da saúde. Nesse 
contexto, observa-se que algumas doenças crônicas não transmissíveis, como as 
218
UNIDADE 3 | FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO APLICADA A TÓPICOS ESPECIAIS
cardiovasculares, seus fatores de risco metabólicos (diabetes mellitus, hipertensão 
arterial sistêmica e dislipidemias) e a incapacidade funcional tornam-se, muitas 
vezes, causas de morbidade e mortalidade entre adultos e idosos (SILVEIRA; 
PASQUALOTTI; COLUSSI, 2012).
Práticas de atividade física: como percebem?
 Ao se indagar sobre a percepção dos idosos acerca da importância da prática 
de atividade física, pôde-se observar que estes demonstraram ter conhecimento 
sobre os benefícios que a prática de exercícios físicos traz de melhoria para sua 
saúde, revelando que a falta de movimentos corporais pode acarretar danos à 
saúde, como ilustram os depoimentos abaixo.
Porque tenho melhorado bastante dos problemas de saúde, uma 
melhora considerável, principalmente a circulação (ID. 2) Porque faz 
bem à saúde, eu me sinto muito bem com a prática, e também pela 
convivência com as colegas (ID. 6).
Se a gente ficar em casa sentada, acumula depressão [...] é muito 
importante (ID. 7).
É estimulante para a pessoa, a pessoa se sente mais útil... é bom para a 
saúde (ID. 9). 
Para a Organização Mundial de Saúde (2002), a participação em atividades 
físicas leves e moderadas pode retardar os declínios funcionais. Assim, uma vida 
ativa melhora a saúde mental e contribui na gerência de desordens como a depressão 
e a demência. Existe evidência de que idosos fisicamente ativos apresentam menor 
prevalência de doenças mentais do que os nãos ativos.
219
Neste tópico, você viu que:
• O crescimento é um aumento quantitativo em tamanho ou magnitude, que 
compreende desde o período da concepção até o final da adolescência ou início 
da segunda década de vida.
• As fases de crescimento da criança seguem uma ação contínua e dinâmica, que 
exigem muita atenção, estímulo, movimento e socialização,

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