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Direito do Trabalho II

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DIREITO COLETIVO DO TRABALHO
DIREITO DO TRABALHO II – PROF. CLAUDINO GOMES
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DIREITO INDIVIDUAL DO TRABALHO: os sujeitos são representados individualmente. De um lado, o trabalhador, e, de outro, o empregador. Neste tipo de direito, o interesse perseguido é peculiar, específico para um determinado empregado, no sentido de satisfazer às necessidades individuais.
DIREITO COLETIVO DO TRABALHO: Os sujeitos são os grupos de trabalhadores e de empregadores, representados, em regra, pelos sindicatos de empregados (categoria profissional) e sindicato das empresas (categoria econômica), apresentando-se como relações intersindicais. 
O interesse coletivo é indivisível, ou seja, não atinge pessoas definidas. Tem por objetivo o interesse coletivo do grupo. Chamado com frequência de “direito sindical”.
O direito coletivo, como o próprio nome diz, é o direito que se refere ao grupo, considerado de modo global, como um todo, sem destaque de cada um de seus participantes.
O surgimento do sindicalismo está ligado ao contexto da industrialização e consolidação do capitalismo na Europa a partir do século XVIII, quando ocorreu a Revolução Industrial.
A época foi marcada pelas péssimas condições de vida e trabalho às quais estava submetida boa parte da população europeia.
CONTEXTO HISTÓRICO
Esta revolução teve um papel crucial no advento do capitalismo, pois, devido à constante concorrência que os fabricantes capitalistas faziam entre si, as máquinas foram ganhando cada vez mais lugar nas fábricas, tomando assim, o lugar de muitos operários, estes tornaram-se o que é chamado "excedente de mão de obra", logo o capitalista tornou-se dono da situação e tinha o poder de pagar o salário que quisesse ao operário.
É neste momento que surgem duas novas classes sociais: o capitalista e o proletário, onde o capitalista é o proprietário dos meios de produção (fábricas, máquinas, matéria-prima) e o proletário era proprietário apenas de sua força de trabalho.
É através desta situação que o proletariado percebe a necessidade de se associarem e, juntos, tentarem negociar as suas condições de trabalho. 
Com isso, surgem os sindicatos, associações criadas pelos operários, buscando lhes equiparar de alguma maneira aos capitalistas no momento de negociação de salários e condições de trabalho, e impedir que o operário seja obrigado a aceitar o que lhe for imposto pelo empregador.
Durante a revolução francesa surgiram ideias liberais, que estimulavam a aprovação de leis proibitivas à atividade sindical, a exemplo da Lei Chapelier, que, em nome da liberdade dos Direitos do Homem, considerou ilegais as associações de trabalhadores e patrões. As organizações sindicais, contudo, reergueram-se clandestinamente no século XIX. 
No Reino Unido, em 1871, e na França, em 1884, foi reconhecida a legalidade dos sindicatos e associações.
 Com a Segunda Guerra Mundial, as ideias comunistas e socialistas predominaram nos movimentos sindicais espanhóis, italianos, americanos e africanos.
Fontes Internacionais
Convenções Internacionais – OIT
- Liberdade sindical – C.n 87/48
- Direito de sindicalização e negociação coletiva – C.n 98/49
Fontes Nacionais 
- Leis Constitucionais
- Leis Infraconstitucionais
- Disposições da Administração Pública
- Jurisprudência dos Tribunais
- Convenções e Acordos Coletivos
- Estatutos dos sindicatos
- Usos e costumes
FONTES DO DIREITO SINDICAL
CONVENÇÃO N° 87 DA OIT
A Convenção 87 trata da “Liberdade sindical e proteção do direito de sindicalização”. Aprovada em 1948, é uma das mais importantes convenções da OIT, se não a mais. O Brasil ainda não aderiu a essa Convenção, que faz parte dos direitos fundamentais.
Em relação à liberdade sindical e sindicalização, aqui está destacado o essencial da Convenção 87:
Art. 2 — Os trabalhadores e os empregadores, sem distinção de qualquer espécie, terão direito de constituir, sem autorização prévia, organizações de sua escolha, bem como o direito de se filiar a essas organizações, sob a única condição de se conformar com os estatutos das mesmas.
CONVENÇÃO N° 87 DA OIT
Art. 3 — 1. As organizações de trabalhadores e de empregadores terão o direito de elaborar seus estatutos e regulamentos administrativos, de eleger livremente seus representantes, de organizar a gestão e a atividade dos mesmos e de formular seu programa de ação.
Art. 3 — 2. As autoridades públicas deverão abster-se de qualquer intervenção que possa limitar esse direito ou entravar o seu exercício legal.
CONVENÇÃO N° 87 DA OIT
Art. 4 — As organizações de trabalhadores e de empregadores não estarão sujeitas à dissolução ou à suspensão por via administrativa.
Art. 5 — As organizações de trabalhadores e de empregadores terão o direito de constituir federações e confederações, bem como o de filiar-se as mesmas, e toda organização, federação ou confederação terá́ o direito de filiar-se as organizações internacionais de trabalhadores e de empregadores.
A liberdade sindical significa o direito dos trabalhadores e os empregadores de se associarem, livremente, a um sindicato.
Consta no art. 511 da CLT:
“Art. 511. É lícita a associação para fins de estudo, defesa e coordenação dos seus interesses econômicos ou profissionais de todos os que, como empregadores, empregados, agentes ou trabalhadores autônomos ou profissionais liberais exerçam, respectivamente, a mesma atividade ou profissão ou atividades ou profissões similares ou conexas.  (Redação restabelecida pelo Decreto-lei nº 8.987-A, de 1946)”
LIBERDADE SINDICAL
Autonomia Sindical é a possibilidade de atuação do grupo organizado em sindicato.
O sindicato pode ser organizado por grupos de empresas, por categorias, por profissão de âmbito municipal, distrital, intermunicipal, estadual ou nacional.
A CF/88 estabelece que: “é livre a associação profissional ou sindical” em seu art. 8. Entretanto, o inciso II do mesmo artigo veda a criação de mais de uma organização sindical na mesma base territorial. Mostrando que não há liberdade sindical no país para as pessoas criarem livremente quantos sindicatos quiserem.
AUTONOMIA SINDICAL
Organização sindical
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Um sindicato é uma forma de associação permanente entre pessoas físicas ou jurídicas que exercem função em um mesmo ramo de negócio. Essa associação é criada com o papel de defender os interesses em comum de seus membros.
SINDICATOS
Entre as principais responsabilidades dos sindicatos estão a negociação de acordos coletivos, intervenção legal em ações judiciais, orientação sobre questões trabalhistas, participação na elaboração da legislação do trabalho, recebimento e encaminhamento de denúncias trabalhistas e preocupação com a condição social do trabalhador. 
Os sindicatos podem também criar diversos projetos que visem a melhoria de vida de seus associados, como por exemplo exigindo melhores condições de trabalho, organizando eventos de formação sobre melhores condições de trabalho, organizando eventos de formação sobre melhores condições de saúde e segurança no trabalho, entre outros.
PRERROGATIVA E DEVERES SINDICAIS
Art. 513. São prerrogativas dos sindicatos:  
a) representar, perante as autoridades administrativas e judiciárias os interesses gerais da respectiva categoria ou profissão liberal ou interesses individuais dos associados relativos á atividade ou profissão exercida;   
b) celebrar contratos coletivos de trabalho;  
c) eleger ou designar os representantes da respectiva categoria ou profissão liberal;   
d) colaborar com o Estado, como órgãos técnicos e consultivos, na estudo e solução dos problemas que se relacionam com a respectiva categoria ou profissão liberal;  
e) impor contribuições a todos aqueles que participam das categorias econômicas ou profissionais ou das profissões liberais representadas.  
Parágrafo Único. Os sindicatos de empregados terão, outrossim, a prerrogativa de fundar e manter agências de colocação. 
 Art. 514. São deveres dos sindicatos:
a) colaborar com os poderes públicos no desenvolvimento