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Diarreia

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à síntese de AMP cíclico intracelular, resultando em secreção ativa 
de água e eletrólitos pela mucosa do intestino delgado. Na diarreia por enterotoxinas bacterianas (Vibrio 
cholerae, Escherichia coli) e por alguns medicamentos (teofilina, prostaglandinas), este é o mecanismo 
responsável. 
• aumento da permeabilidade da mucosa intestinal (diarreia exsudativa). Alterações inflamatórias, 
neoplásicas ou isquêmicas na mucosa intestinal resultam em passagem anormal de líquidos do meio interno 
para o lúmen do intestino delgado. São exemplos a diarreia das doenças inflamatórias e dos linfomas difusos 
do intestino delgado. 
• alteração da motilidade do intestino delgado (diarreia motora). Este mecanismo ocorre quando há 
uma alteração capaz de modificar o padrão normal do trânsito no intestino delgado. São exemplos o 
hipertireoidismo e a diarreia funcional, condições nas quais o trânsito pelo intestino delgado é acelerado. 
É necessário certificar-se, em primeiro lugar, da própria existência da diarreia. Isto porque, em alguns casos, 
o aumento do teor de líquido das fezes pode não provocar mudanças exuberantes ou ser tão gradual que 
passa despercebido ao paciente. Em contrapartida, há condições nas quais ocorre o aumento do número das 
dejeções sem que haja aumento do teor de líquido das fezes, condição definidora da diarreia. Assim sendo, 
devem-se buscar na anamnese informações objetivas acerca do volume de cada evacuação, da frequência 
diária das mesmas e da consistência ou teor de líquido das fezes. Sempre que tiver oportunidade, o médico 
deve examiná-las pessoalmente. A determinação da duração do processo diarreico é muito útil, em especial 
para estabelecer o diagnóstico etiológico. As diarreias de poucos dias de duração apresentam, em geral, 
causas diferentes das crônicas. 
Os dados relativos ao volume, consistência e aspecto das fezes, bem como à frequência das evacuações, 
são fundamentais para que se conclua se há acometimento exclusivo ou predominante do intestino delgado. 
Nestes casos, as dejeções costumam ser volumosas e amolecidas, quando não francamente líquidas ou 
semilíquidas. O volume aumentado das fezes pode ser aparente, quer em cada evacuação, quer quando se 
calcula o volume de 24 h. Sua frequência está aumentada, mas dificilmente alcança a que se observa nas 
afecções inflamatórias das porções mais distais do intestino grosso. São comuns as modificações do aspecto 
das fezes, que podem estar mais claras, brilhantes, leves e espumosas. As evacuações podem se acompanhar 
da eliminação de grande quantidade de gases, o que confere um caráter "explosivo" às dejeções. Muitas 
vezes são precedidas de cólicas abdominais, de localização periumbilical, ou de dor difusa, a qual 
predomina no hemiabdome direito. São comuns os restos alimentares nas dejeções, sendo importante 
diferenciar os restos de alimentos normalmente não digeríveis, como os que contêm fibras vegetais, dos 
normalmente digeríveis. Restos não digeríveis são inespecíficos e nada mais indicam do que a liquefação 
das fezes, enquanto o reconhecimento de restos de alimentos normalmente digeríveis é uma forte evidência 
a favor de defeitos na digestão, levantando sempre a possibilidade de acometimento do intestino delgado. 
REFERÊNCIA: HARRISON 
A diarreia aguda é uma das principais causas de doença em todo o mundo e está associada a 
aproximadamente 1,4 milhão de morte por ano. Em crianças < 5 anos de idade, a diarreia só fica atrás das 
infecções respiratórias como causa mais comum de morte por infecção. A taxa de incidência de diarreia em 
crianças em países de baixa e média renda é estimada em 2,9 episódios por criança por ano, para um total 
de 1,7 bilhão de episódios anualmente. Sua morbidade também é significativa. Infecções intestinais 
recorrentes estão associadas a déficits físico e mental, perda de peso, deficiências de micronutrientes e 
desnutrição. Em resumo, a diarreia é um fator determinante de morbidade e mortalidade em todo o mundo. 
A ampla variedade de manifestações clínicas da doença gastrintestinal aguda está associada a um grande 
número de agentes infecciosos envolvidos, incluindo vírus, bactérias e parasitas. 
PATÓGENOS GASTRINTESTINAIS QUE CAUSAM DIARREIA AGUDA 
Mecanismo Localização Doença Achados nas fezes Exemplos dos patógenos 
envolvidos 
Não inflamatório 
(enterotoxinas) 
Intestino delgado 
proximal 
Diarreia aquosa Ausência de 
leucócitos fecais; 
ausência ou leve 
aumento da 
lactoferrina fecal 
Vibrio cholerae, 
Escherichia coli, E. coli, 
Clostridium perfringens, 
Bacillus cereus, 
Staphylococcus aureus, 
Aeromonas hydrophilia, 
etc. 
Inflamatório 
(invasão ou 
citotoxina) 
Cólon ou intestino 
delgado distal 
Disenteria ou 
diarreia 
inflamatória 
Leucócitos 
polimorfonucleares 
fecais; elevação 
importante da 
lactoferrina fecal 
Shigella spp. Salmonella 
spp. Campylobacter 
jejuni, E. coli, etc. 
Penetrante Intestino delgado 
distal 
Febre entérica Leucócitos 
mononucleares 
fecais 
Salmonella typhi, Y. 
enterocolitica 
 
REFERÊNCIA: Tratado de Gastroenterologia 
• DEFINIÇÃO E CLASSIFICAÇÃO 
A diarreia é um sintoma/sinal caracterizado por dois componentes principais: aumento no número de 
evacuações (mais de três vezes ao dia) e diminuição da consistência. Um terceiro componente, o peso (mais 
de 200 g/dia), pode ser considerado, porém, é de difícil avaliação na clínica diária. 
As diarreias podem ser classificadas, basicamente, de duas maneiras: quanto ao tempo de evolução, em 
agudas e crônicas, e quanto à etiologia, em infecciosas e não infecciosas. A classificação quanto ao tempo 
é definida pela duração do sintoma, sendo consideradas diarreias agudas aquelas com duração de até 15 
dias, e diarreias crônicas quando os sintomas duram mais de 30 dias. O intervalo entre 15 e 30 dias é 
considerado, por alguns, diarreia persistente, enquanto outros preferem classificar a diarreia que dura mais 
de 15 dias como crônica. 
Uma vez que o tempo é fator determinante das diarreias agudas e crônicas, toda diarreia crônica começa 
como um quadro de diarreia aguda, insidiosa ou exuberante, e, dependendo da regressão espontânea ou da 
resposta a medidas terapêuticas utilizadas, poderá se prolongar até caracterizar uma diarreia crônica. O 
agente/fator etiológico será indicativo da maior ou menor probabilidade de evolução crônica. 
Outra forma de classificação das diarreias, baseada no mecanismo fisiopatológico mais importante, separa-
as em quatro tipos: osmóticas, secretoras, exsudativas e motoras. O quadro apresenta um resumo das 
classificações das diarreias. 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIA: Tratado de Gastroenterologia e Cecil 
• CLASSIFICAÇÃO 
Existem diversas formas de classificar as diarreias. Todas são úteis e podem ser aplicadas simultaneamente 
para guiar uma abordagem diagnóstica racional (as diferentes classificações não são mutuamente 
exclusivas). A diarreia adequadamente classificada apresenta um número reduzido de etiologias possíveis... 
A primeira forma de classificar as diarreias faz referência a sua duração: 
1- Diarreia aguda (< 2 semanas) 
2- Diarreia protraída ou persistente (entre 2-4 semanas) 
3- Diarreia crônica (> 4 semanas) 
A segunda forma de classificar as diarreias visa caracterizar se a origem é “alta” (delgado) ou “baixa” 
(cólon). 
Na diarreia “alta” (proveniente do intestino delgado), os episódios diarreicos são mais volumosos. Nos 
casos mais graves, a perda líquida pode ultrapassar 10 litros/dia, provocando choque hipovolêmico... O 
cólon saudável só consegue aumentar sua absorção de líquidos para um máximo de 4 litros/dia. Se o volume 
de fluido proveniente do delgado estiver acima desse valor, o paciente terá diarreia. É importante lembrar 
que, como o delgado é o responsável pela absorção dos nutrientes, a síndrome disabsortiva (ou síndrome 
de má absorção intestinal), associada à esteatorreia, pode ocorrer em alguns pacientes

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