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Diarreia

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grau, a própria massa lipídica fecal. 
 5. Diarreia Funcional 
Causada pela hipermotilidade intestinal. Os principais exemplos são a síndrome do intestino irritável 
(pseudodiarreia) e a diarreia diabética (neuropatia autonômica). 
Por fim, uma forma muito útil de abordar as diarreias é classificá-las de acordo com fatores de risco 
conhecidos (classificação epidemiológica). Isso pode poupar tempo e direcionar a pesquisa diagnóstica 
para o agente etiológico com maior probabilidade de ser o responsável pelo quadro. 
2. Caracterizar as diarreias agudas, quanto a: 
• Epidemiologia 
REFERÊNCIA: Cartilha do Ministério da Saúde sobre Doença Diarreica Aguda (DDA) 
Situação epidemiológica das doenças diarreicas agudas (diarreia aguda) 
Os casos individuais de DDA são de notificação compulsória em unidades sentinelas para monitorização 
das DDA (MDDA). O principal objetivo da Vigilância Epidemiológica das Doenças Diarreicas Agudas 
(VE-DDA) é monitorar o perfil epidemiológico dos casos, visando detectar precocemente surtos, 
especialmente os relacionados a: acometimento entre menores de cinco anos; agentes etiológicos virulentos 
e epidêmicos, como é o caso da cólera; situações de vulnerabilidade social; seca, inundações e desastres. 
Os casos de DDA são notificados no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica das DDA 
(SIVEP_DDA) e o monitoramento é realizado pelo acompanhamento contínuo dos níveis endêmicos para 
verificar alteração do padrão da doença em localidades e períodos de tempo determinados. Diante da 
identificação de alterações no comportamento da doença, deve ser realizada investigação e avaliação de 
risco para subsidiar as ações necessárias. 
Segundo a Organização Mundial de Saúde, as doenças diarreicas constituem a segunda principal causa 
de morte em crianças menores de cinco anos, embora sejam evitáveis e tratáveis. As DDA são as 
principais causas de morbimortalidade infantil (em crianças menores de um ano) e se constituem um dos 
mais graves problemas de saúde pública global, com aproximadamente 1,7 bilhão de casos e 525 mil 
óbitos na infância (em crianças menores de 5 anos) por ano. Além disso, as DDA estão entre as 
principais causas de desnutrição em crianças menores de cinco anos 
Nesse cenário diversificado das regiões do país, relacionado ao desenvolvimento socioeconômico, às 
condições de saneamento, ao clima e às situações adversas, como os desastres, ocorrem anualmente, mais 
de 4 milhões de casos e mais de 4 mil óbitos por DDA, registrados por meio da vigilância epidemiológica 
em unidades sentinelas e pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). (VER SLIDE) 
REFERÊNCIA: Perfil Epidemiológico e Análise Espaço-Temporal dos óbitos por Diarreia e Gastroenterite 
em crianças e adolescentes no Brasil – 2020 
A presente pesquisa configura-se como estudo ecológico, cujos dados foram coletados do Sistema de 
Informações sobre Mortalidade (SIM), referentes às faixas etárias compreendidas entre < 1 ano a 19 anos 
e às variáveis sexo, cor/raça, escolaridade e estado civil. Utilizou-se estatística descritiva e cálculo da taxa 
de mortalidade proporcional. Encontrou-se como resultados o registro de 7.813 óbitos no período e uma 
redução numérica de 51,6% ao comparar-se os resultados de 2008 e de 2016. A Região Nordeste somou o 
maior quantitativo de óbitos (47,7%) e também apresentou a diminuição numérica mais significativa no 
período, de 69,5%. Destacaram-se o sexo masculino (55,9%), cor/raça parda (48,4%), faixa etária de < 1 
ano (67,1%) e subnotificações em 93,9% e 93,2% dos dados referentes à escolaridade e estado civil, 
respectivamente. Com isso, observou-se que houve uma importante redução do número de mortes devido 
às doenças diarreicas no país, entretanto os maiores números ainda se concentram em regiões específicas, 
possivelmente devido aos baixos índices socioeconômicos-culturais. Ademais, ressalta-se que o 
conhecimento dessas informações e das características populacionais mais acometidas por essa condição 
pode nortear o desenvolvimento de políticas públicas e de saúde mais adequadas à realidade nacional. 
REFERÊNCIA: Fatores de risco para ocorrência de diarreia em crianças residentes na Ilha de Guaratiba 
(RJ) – SCIELO – 2020 
Em todo o mundo, a diarreia aguda representa uma doença de alta morbimortalidade, especialmente nos 
países em desenvolvimento. Entre as faixas etárias mais suscetíveis à doença encontram-se as crianças de 
até 5 anos de idade. Relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) aponta que, em 2017, 8% 
da mortalidade, equivalentes a 448 mil crianças com menos de 5 anos morreram devido à diarreia no mundo. 
No Brasil, foram contabilizados 218.012 indivíduos internados por essa doença em 2018, sendo 36,2% 
deste total compostos por crianças menores de 5 anos. 
A ocorrência da doença diarreica engloba um conjunto de fatores relacionados tanto a condições de saúde 
individual quanto a determinantes sociais, econômicos, culturais e ambientais. Entre estes fatores, a doença 
está associada, sobretudo, a condições de habitação precárias e saneamento inadequado com impacto 
negativo no ambiente, causando a contaminação do solo e de mananciais hídricos que favorecem a 
transmissão de doenças infecciosas, entre elas, a diarreia. 
REFERÊNCIA: Informativo Epidemiológico julho de 2019 – Vigilância Epidemiológica 
Em 2017, foram registrados sete óbitos por doenças diarreicas, no DF, correspondendo a 0,9% do total de 
óbitos em menores de cinco anos (757) e em 2018, foram quatro óbitos, o que correspondeu a 0,5% do total 
de óbitos na mesma faixa etária (745). Em relação à notificação de surtos de doenças transmitidas por 
alimentos – DTA, no período, foram notificados 33 surtos e investigados 14 (42,4%). Do total de 442 
pessoas expostas, 246 (55,7%) apresentaram algum sintoma gastrointestinal (doentes). Dos que ficaram 
doentes, 30 (12,2%) precisaram de atendimento médico em unidade de saúde, 145 (58,9%) eram do sexo 
feminino e 101 (41,1%) eram do sexo masculino, 83 (33,7%) na faixa etária de 20 a 49 anos. Dos 14 surtos 
investigados, cinco (35,7%) ocorreram em restaurantes/lanchonetes/padaria. No período não ocorreram 
casos graves e nenhum óbito foi registrado. Não foram coletadas amostras clinicas e nem bromatológicas. 
• Etiologia 
REFERÊNCIA: Tratado de Gastroenterologia 
A etiologia das diarreias infecciosas e não infecciosas é extremamente variável, tendo, cada uma, 
características fisiopatogênicas e clínicas específicas. 
A seguir, são descritas as características epidemiológicas, fisiopatológicas e clínicas das diarreias 
infecciosas: 
→ Vírus: inúmeros agentes virais podem desencadear quadros diarreicos. Há, no entanto, um grupo que 
tem predileção pelo tubo digestivo. São transmitidos por água contaminada ou de uma pessoa para outra, 
estando associados a surtos epidêmicos. Os mais prevalentes são o rotavírus e o norovírus. A fisiopatologia 
das alterações intestinais ainda é mal compreendida, porém, sugere-se um possível efeito de proteína viral 
como enterotoxina. Outro agente viral, o citomegalovírus, consiste também em uma infecção prevalente 
em todo o mundo, a qual é usualmente sintomática apenas em indivíduos imunocomprometidos. As 
diarreias virais manifestam-se em um contexto de gastroenterite aguda, com fezes aquosas, tendo como 
característica importante a presença de vômitos, com duração habitualmente curta (máximo de 72 horas). 
A infecção pelo citomegalovírus pode se apresentar, no entanto, como forma persistente (entre 15 e 30 dias) 
e disentérica. 
→ Bactérias: são a segunda causa mais frequente das diarreias agudas, após os vírus. As características 
individuais das mais prevalentes são: 
- Campylobacter: bactéria Gram-negativa, em espiral, que pode se apresentar sob a forma cocoide quando 
em ambiente hostil. A espécie mais frequentemente associada a gastroenterites é o Campylobacter jejuni, 
seguida pelo Campylobacter

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