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ENDOCRINOLOGIA | Victória Ribeiro de Medeiros Diabetes Melito - Diego DEFINIÇÃO Condição patológica crônica caracterizada por anormalidades no metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídeos, decorrentes da produção insuficiente ou inexistente de insulina, ou resistência à sua ação. EPIDEMIOLOGIA • A cada mensuração feita do DM, são encontradas proporções epidêmicas. A estatística fica sempre defasada • Projeção para 2013 era de 387 milhões, o que na época já havia sido ultrapassado • ↑ Sedentarismo, obesidade e longevidade → ↑ aumento da epidemiologia • 2015: 1 adulto em cada 11 tinham diabetes (415 milhões) • Projeção para 2040: 1 adulto em 10 com DM (642 milhões) CLASSFICAÇÃO destruição autoimune das células beta, com deficiência grave ou absoluta de insulina. : resistência tecidual à ação da insulina, juntamente com deficiência relativa na secreção do hormônio. : qualquer grau de intolerância à glicose com início ou detecção durante a gravidez. A gestação é uma situação de estresse no corpo da mulher, principalmente no 2º e 3º trimestre da gestação, eleva-se os hormônios contra-insulínicos e isso causa maior resistência à entrada da glicose nas células. É feito o teste de tolerância oral à glicose entre a 24ª e 28ª semana de gestação (três medidas: em jejum, uma hora e duas horas após a refeição. Valores acima de 92, 180 e 153 respectivamente configuram o diagnóstico de DM gestacional). : defeitos genéticos, endocrinopatias (Cushing, acromegalia, hipertireoidismo – mais tênue), induzido por medicamentos (corticoides, imunossupressores), doenças do pâncreas exócrino (etilismo e pancreatite, fibrose cística). FISIOPATOLOGIA DO DM1 O indivíduo com predisposição genética, a partir de um desencadeante ambiental como uma infecção viral, capaz de gerar um antígeno com alguma de suas partes parecida com o antígeno das células pancreáticas, o que exacerba a insulite, desencadeando a lesão das células beta por mecanismo autoimune. Ocorre perda da primeira fase da resposta à insulina, o momento em que se ingere algum carboidrato, ou seja, não há produção adequada de insulina após uma refeição, porém essa é uma fase assintomática. Devido à autoimunidade, a progressão é rápida no padrão clássico da DM1. Os sintomas do DM (quatro “P”: poliúria, polidipsia, perda ponderal e polifagia) surgem rapidamente. ENDOCRINOLOGIA | Victória Ribeiro de Medeiros FISIOPATOLOGIA DO DM2 Até 2009, “FAIL TO TREAT”: sabia-se que na fisiopatologia da DM2 havia uma captação diminuída de glicose pela musculatura esquelética, o aumento da produção de glicose hepática e disfunção das células beta progressivamente por apoptose, até que o indivíduo não conseguiria mais produzir insulina e necessitaria de reposição exógena. As medicações disponíveis incluíam Metformina (atua na captação periférica de insulina nos músculos esqueléticos e também na diminuição da produção hepática de glicose), Glibenclamida (para pacientes com a glicemia não controlada pela Metformina e com grande deficiência de células beta), e insulina para casos refratários. Ou seja, esperava-se pela falha de um medicamento para então adicionar ou trocar por outro. + + ENDOCRINOLOGIA | Victória Ribeiro de Medeiros Após 2009, OCTETO DE DEFRONZO: além dos três mecanismos já conhecidos, foi descoberto um defeito incretínico: quando algum alimento é ingerido de forma glicose dependente, o estômago libera GIP e o intestino delgado (jejuno e íleo) libera GLP-1, esses hormônios induzem a liberação de insulina durante a refeição e a inibem durante o jejum. Além do GLP-1 estar diminuído, ele sofre ação das enzimas DPP-4, a qual degrada o GLP-1 em minutos. Outra descoberta foi em relação aos tipos de células beta: há as células líderes e as células seguidoras, as primeiras coordenam a liberação de insulina pelas células seguidoras. Em um ambiente de glicotoxicidade, nem todas as células morrem: 1/3 sofre apoptose, 1/3 fica quiescente (células seguidoras que não liberam mais insulina, uma vez que as células líderes não estão funcionando adequadamente) e 1/3 sofre desdiferenciação celular, retornando às células progenitoras – comuns às células alfa. Com isso, ocorre hiperglucagonemia: aumento da produção e secreção de glucagon. A desproporção entre glucagon e insulina é causada tanto pela menor produção de insulina, quanto pela maior produção de glucagon, o que piora ainda mais o quadro de resistência à insulina. Além disso, no cérebro a insulina é sacietógena, em pacientes diabéticos há resistência à insulina inclusive no SNC, o que diminui a sensação de saciedade, o paciente fica “comilão”. Há também uma diminuição da liberação de dopamina nas primeiras horas da manhã, responsável por diminui o sistema adrenérgico, portanto o paciente fica predisposto à eventos cardiovasculares, principalmente pela manhã. Todo paciente diabético tem pelo menos alto risco para eventos cardiovasculares! Também, pela falta de glicose nos tecidos, há aumento da lipólise por gliconeogênese exacerbada (há quebra de gordura e de musculatura). Com a quebra de gordura, há aumento de ácidos graxos livres na corrente sanguínea. Criando um ambiente de lipotoxicidade, o que contribui para a resistência à insulina. Por último, há recaptação de glicose pelo rim: no tubo proximal e na fase descendente da alça de Henle há cotransportadores de glicose e Na+, no paciente diabético há uma hiperexpressão desses receptores para uma recaptação maior de glicose, uma vez que há falta nos tecidos. No paciente diabético, portanto, a glicosúria ocorrerá em valores de glicemia superiores a 180, a partir de 220. a deficiência de produção de insulina não é algo fixo, a produção normal pode ser recuperada em boa parte a partir do momento em que o ambiente de normoglicemia é reestabelecido. Pois, a célula que havia se desdiferenciado em célula alfa pode voltar a ser uma célula beta e as células beta quiescentes podem ser ativadas novamente. 1. Músculos: resistência periférica à insulina; 2. Fígado: aumento de produção de glicose hepática; 3. Células beta: falha progressiva de células beta; 4. Adipócitos: lipólise para gliconeogênese; 5. TGI: diminuição de incretinas; 6. Células alfa: aumento da produção e liberação de glucagon; 7. Rins: aumento da recaptação de glicose; 8. SNC: desregulação de dopamina e resistência ao efeito sacietógeno da insulina. ENDOCRINOLOGIA | Victória Ribeiro de Medeiros DIAGNÓSTICO DO DM2 – mais característicos do DM1, surgem precocemente na HND; 50% dos DM2 desconhecem ter a doença (oligo ou assintomáticos), portanto é muito importante orientar o paciente sobre todas as implicações do DM2 antes do óbito, como o AVC e o risco de sequelas, perda de autonomia, morbidade. É preciso orientar constantemente sobre os riscos para evitar o abandono do tratamento, incentivar a prática de atividades físicas e sobre a alimentação adequada. • Polidpsia • Poliúria • Perda de peso significativa • Polifagia OBS: padrão ouro para avaliação de HbA1c é a cromatografia líquida de alta performance (HPLC, no inglês). Para o diagnóstico de diabetes são necessárias duas glicemias de jejum ≥ 126mg/dL, ou duas HbA1c ≥ 6,5% (é comum na endocrinologia o requerimento de mais de um exame, inclusive de laboratórios diferentes, para evitar erro laboratorial), ou uma medida de glicose ao acaso ≥ 200mg/dL e o paciente apresenta sintomas de catabolismo, é preciso iniciar terapia com insulina num primeiro momento. Se o resultado da glicemia de jejum estiver entre 100 e 126mg/dL, é diagnosticado o pré-DM; entre 140 e 200 é denominado com um estado de intolerância à glicose; se < 140mg/dL, é considerado glicemia de jejum alterada. O teste de tolerância oral à glicose é realizado principalmente em gestantes, dificilmente é utilizado na prática clínicafora desse contexto. CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DE DM 1. Hemoglobina glicada ≥ 6,5%* 2. Glicemia de jejum ≥ 126mg/dL* 3. Glicemia 2h após TOTG 75g ≥ 200mg/dL 4. Glicemia ao acaso ≥ 200mg/dL + sintomas de hiperglicemia (catabolismo) *a positividade de qualquer um dos parâmetros diagnósticos descritos confirma o diagnóstico de DM. No entanto, na ausência de hiperglicemia comprovada, os resultados devem ser confirmados com a repetição dos testes. COMPLICAÇÕES AGUDAS DO DM • Complicação aguda característica do DM1 • Distúrbio metabólico caracterizado por hiperglicemia, cetonemia e acidose metabólica • Gordura como energia e formação de cetonas que diminuem pH do sangue e leva à acidose metabólica • As principais repercussões são cardiovasculares, podendo levar o paciente a óbito Sintomas de catabolismo! (quatro “P”): surgem depois de um bom tempo de evolução da DM2 e de mal controle glicêmico ENDOCRINOLOGIA | Victória Ribeiro de Medeiros • Complicação aguda grave do DM, quase exclusivamente do DM2 e com alta taxa de mortalidade • Caracterizado por hiperglicemia associada à desidratação intensa e alteração do nível de consciência variando de letargia ao coma • Geralmente ocorre em pacientes acamados e/ou idosos, sendo mais grave que a cetoacidose, pois acomete pacientes mórbidos, com mal prognóstico clínico prévio COMPLICAÇÕES CRÔNICAS DO DM alterações metabólicas dos grandes vasos RETINOPATIA DIABÉTICA: inicia com microaneurismas e pode evoluir para cegueira, devido ao quadro de hiperglicemia crônica. Há recomendação de encaminhamento do paciente com DM2 assim que diagnosticado para avaliação dessa microangiopatia na retina. Porém, há a necessidade de controlar o DM se descompensado antes de avaliar o fundo do olho, caso contrário, o cristalino estará opacificado devido ao componente osmótico da glicose, o que dificultará a avaliação pelo oftalmologista. No DM1, existe um momento claro no desenvolvimento da doença, já que a evolução é rápida, os sintomas surgem precocemente e não há tempo suficiente para o desenvolvimento das complicações crônicas do DM, portanto, o encaminhamento ao oftalmologista deve ser feito após 5 anos do diagnóstico do DM1. Na evolução da retinopatia diabética há revascularização, que pode ter sangramento na retina e perda visual caso acometa a região da mácula. NEFROPATIA DIABÉTICA: ↑ hiperglicemia crônica ↑ hiperfiltração glomerular ↑ lesão glomerular com excreção de proteínas →redução da taxa de filtração glomerular → doença renal crônica. É característico do paciente diabético apresentar hiperfiltração glomerular, os néfrons apresentam vasodilatação da arteríola aferente e vasoconstrição da arteríola eferente, aumentando a pressão intraglomerular, o que causa diurese osmótica. Mesmo após a compensação do DM, o mecanismo de hiperfiltração continua, porém em menor grau. Com isso, ocorre perda de proteínas pelo rim, consequentemente lesão glomerular e o desenvolvimento de doença renal crônica. Há redução da taxa de filtração devido à lesão glomerular constante causada pelo contato das proteínas com os túbulos renais, porém, apesar do paciente – no contexto geral – ter perdido alguns néfrons e apresentar redução da taxa de filtração glomerular, aqueles néfrons ainda vigentes continuam apresentando hiperfiltração glomerular (a essência da doença). Portanto, o tratamento da nefropatia diabética exige não apenas a compensação do DM, mas também terapia que controle a taxa de filtração glomerular, como os anti- hipertensivos IECA ou BRA, os quais causam vasoconstrição da arteríola aferente e vasodilatação da eferente, diminuindo a pressão intraglomerular. NEUROPATIA DIABÉTICA; presença de sintomas e/ou sinais de disfunção de nervos periféricos e/ou autonômicos. Nervos autonômicos: gastroparesia, bexiga neurogênica (pode gerar meio de cultura para infecções urinárias de repetição), diarreia ou constipação, disfunção erétil. É a que mais altera precocemente, uma das primeiras a ser diagnosticada é a neuropatia diabética autonômica cardiovascular: o paciente pode ter alteração do mecanismo simpático X parassimpático, que regula a variabilidade da frequência cardíaca. O paciente diabético progressivamente perde essa capacidade de oscilação da FC, podendo atingir uma taquicardia fixa. Nervos periféricos: perda da sensibilidade tátil e dolorosa. Acontece de forma simétrica e acomete principalmente inervações longas, fibras C e delta, típicas dos membros, principalmente os inferiores e posteriormente os superiores. Começa nos pés e ascende. O paciente diminui, então, a sua proteção plantar, o que facilita a ocorrência de úlceras, infecções e deformidades nos pés (pé de Charcot). É preciso identificar isso no exame físico e prescrever o uso de palmilhas específicas que redistribuam adequadamente o peso e adaptem a pressão plantar, diminuindo as chances de ulcerações. Tétrade: DM + HAS + dislipidemia + tabagismo → formação de placa de ateroma → AVE, IAM, IAPC ENDOCRINOLOGIA | Victória Ribeiro de Medeiros ENDOCRINOLOGIA | Victória Ribeiro de Medeiros TRATAMENTO auxiliar na manutenção da glicemia dentro ou o mais próximo possível dos padrões de normalidade • Orientar o paciente a praticar exercícios aeróbios 5x na semana, 30min/dia • É preciso adequar a quantidade de carboidratos no dia a dia • 6 refeições; principais: café da manhã, almoço e jantar; outras: lanche no meio da manhã, no meio da tarde e antes de dormir • O lanche pode ser metade de uma fruta, uma fatia fina • As refeições principais seguem o esquema da imagem acima o Verduras e legumes: aqueles que “não vêm de debaixo da terra”, como folhas e sementes, chuchu, abobrinha, pimentão, vagem o Raízes e tubérculos: apenas em pouca quantidade, pois podem aumentar demais a glicose o Arroz, de preferência, integral o Carne grelhada, assada ou cozinha. Não ingerir frituras o Não ingerir embutidos no café da manhã/lanches: presunto, mortadela, salame, linguiça o Leite desnatado e derivados no café da manhã/lanches • Objetivos: o Manutenção da glicemia o mais próximo do normal o Adequação da dieta ao restante do tratamento (insulinoterapia, antidiabéticos orais e exercícios físiscos) o Prevenir complicações agudas e crônicas o Prover uma qualidade de vida satisfatória para os pacientes Tratamento do DM2 • Terapia nutricional + atividade física regular • Antidiabéticos orais e injetáveis • Insulina e análogos de insulina Tratamento do DM1 • Terapia nutricional + atividade física regular • Insulina e análogos de insulina • Na prática clínica: uso de antidiabéticos orais ALVOS GLICÊMICOS: Glicemia em jejum: 70-100mg/dL Glicemia pré-prandial: até 110mg/dL Glicemia 2h pós-prandial: até 140mg/dL ENDOCRINOLOGIA | Victória Ribeiro de Medeiros Medicamentos em vermelho: causam hipoglicemia! Aumento de risco cardiovascular ao paciente: a hipoglicemia causa alteração do intervalo QT, causando arritmia e morte súbita. Análogos da insulina: Glargina, Detemir e Degludeca (mais duradoura e sem pico). A NPH faz pico, sendo necessário três doses: no café da manhã, no almoço e antes de dormir. A última dose de NPH insulina deve ser administrada ao dormir, não durante o jantar, para evitar pico de insulina durante a madrugada e as chances de hipoglicemia pela manhã.A Regular é utilizada para cobrir refeições e as ultrarrápidas não estão disponíveis no SUS. Estão disponíveis os análogos de insulina de longa duração e NPH e a insulina de ação regular, que podem ser combinadas. • Seringas: agulhas de 8 a 12,7mm (UBS) • Injetores portáteis (canetas) – agulhas 4 e 5 mm • Dispositivos de infusão subcutânea contínua de insulina (bombas); pouco utilizadas na prática clínica ENDOCRINOLOGIA | Victória Ribeiro de Medeiros HIPOGLICEMIA • Causa mais comum• Possíveis causas: atraso da refeição, consumo inadequado de carboidratos, esforço físico incomum ou elevada dose de insulina • Mecanismos de alerta o Simpáticos: taquicardia, palpitações, sudorese, tremor o Parassimpáticos: náusea e fome • Pode haver progressão para convulsões e coma • Importante perguntar ao paciente sobre esses sintomas • Tratamento da hipoglicemia o Manifestações aliviadas pela administração de glicose o Reduzir da dose do medicamento que causou a hipoglicemia IMUNOPATOLOGIA: raro; ex: alergia ou resistência imune à insulina LIPODISTROFIA: ocorre por erro de aplicação de insulina, o paciente aplica sempre na mesma região. É caracterizada tanto pela falta, quanto pelo excesso de gordura, o que dificulta a absorção da insulina na região CONSIDERAÇÕES FINAIS • O DM é uma patologia crônica de proporções epidêmicas • O diagnóstico precoce e o tratamento visando valores glicêmicos próximos do normal são essenciais para diminuir a incidência de complicações crônicas neuropáticas, micro e macrovasculares • A abordagem multiprofissional é fundamental para o sucesso do DM ADMINISTRAÇÃO DE GLICOSE: • Uma colher de sopa rasa de açúcar • 150mL de refrigerante comum (não- dietético) ou 150mL de suco de laranja • Três balas de caramelo Perda consciência ou torpor: 20-50mL de glicose 50% EV em 2-3min ou 1mg de glucagon subcutâneo ou pela mucosa oral ENDOCRINOLOGIA | Victória Ribeiro de Medeiros COMPLICAÇÕES CRÔNICAS DA DM – recomendações: • Otimizar controle glicêmico e pressórico • Screening com fundoscopia o DM1: após 5 anos do diagnóstico (o início da doença é mensurável, pois o paciente apresenta os quatro P precocemente na história natural da doença) o DM2: ao diagnóstico de DM (pois, boa parte da evolução da doença é assintomática) • Intervalo da avaliação é anual; após exames normais, é possível estender para 2 ou 3 anos diabéticas com plano de engravidar (não a diabetes gestacional): • Avaliação no primeiro trimestre ou antes da gravidez • Seguimento durante a gestação até 1 ano após o parto • Otimizar controle glicêmico e pressórico → importante para diferenciar a lesão crônica de uma situação hemodinâmica aguda causada pela DM descompensada • Screening com microalbuminúria (MA) o DM1: após 5 anos do diagnóstico de DM o DM2: ao diagnóstico de DM • Intervalo da avaliação é anual (MA e Creatinina) • Tratamento o IECA/BRA → monitorar K (risco de hiperpotassemia), MA, Creatinina o Ingestão proteica ▪ 0,8 a 1g/kg/dia → estágios iniciais de DRC; nessa fase, não há necessidade de reduzir o consumo proteico diário do paciente, pois não há risco de diminuição da taxa de filtração glomerular; orientar o paciente a consumir uma quantidade similar a que ocupe a palma da mão por refeição (almoço e janta) ▪ Abaixo de 0,8g/kg/dia → estágios mais avançados de DRC; orientar o paciente a comer metade da área da palma da mão em cada refeição (almoço e janta) ▪ Dieta hiperproteica → pacientes em diálise consumo de suplementos proteicos para crescimento muscular: O organismo possui a proteína pré-formada. O que é necessário, é o ATP para que a proteína trabalhe e tonifique por meio do ciclo de Krebs, o que exige o consumo de carboidratos, para suprir esse aporte energético. Antes do treino, é preciso ingerir refeição com 70% de carboidratos e 30% de proteínas. O consumo de proteínas antes e depois do treino é indicado apenas para atletas de alta performance. Essa proporção entre carboidratos e proteínas antes do treino garante o aporte energético para a genólise e gliconeogênese sem o risco de romper a musculatura para isso, além de garantir a presença de aminoácidos na corrente sanguínea que sirvam de substrato. Após o treino, o organismo está desidratado e com lesão muscular, ambos causadores de lesão renal, se o consumo de proteínas for ainda maior, também será a lesão nos rins. O ideal, após o treino, é ingerir carboidratos e hidratação. • Complicação crônica do DM que pode afetar neurônios motores e sensitivos, distais e proximais, assim como o SNA • Expressão e evolução clínica variáveis e inespecíficas • Diagnóstico de exclusão • Prevalência de polineuropatia periférica (PNP) varia entre os estudos: 5 a 47% • Neuropatia autonômica cardiovascular (NAC) presente em cerca de 25% dos DM1 e em 34% dos DM2 ENDOCRINOLOGIA | Victória Ribeiro de Medeiros Por que rastrear a neuropatia diabética? • Melhora da qualidade de vida • Evitar desfechos: diminuir morbidade e mortalidade (riscos cardiovasculares, ulcerações em MMII e infecção local) Autonômica (7%) • Cardiovasculares: hipotensão ortostática, FC fixa, arritmias, infartos silenciosos e morte súbita • TGI: constipação alternada com diarreia explosiva noturna e gastroparesia • Genitourinárias: bexiga neurogênica, disfunção erétil e ejaculação retrógrada • Glândulas sudoríparas: anidrose, hiperidrose e sudorese gustatória • Hipoglicemia despercebida + + Patogênese da neuropatia diabética A hiperglicemia causa oxidação de glicose e lipídeos, originando produtos avançados da glicação e estresse mitocondrial, ou seja, produtos do metabolismo dessa glicose elevada levam ao estresse oxidativo e ao dano endotelial – à inflamação do endotélio – o que gera maior predisposição a sangramentos, formação de placa aterosclerótica. Há formação de um vaso com má perfusão, gerando as complicações do diabetes: pode haver tanto um dano endotelial obstruindo esse vaso, quanto um dano da inervação local, causando sintomas de sensibilidade, principalmente de relacionadas às fibras C e delta (fibras de sensibilidade térmica e dolorosa). Classificação clínica da neuropatia 1. NEUROPATIAS FOCAIS E MULTIFOCAIS (25%) • Cranianas (III, IV, VI, VI pares cranianos) • De membros superiores e inferiores: nn. mediano, ulnar, peroneal, lateral da coxa; compressivas: túnel do carpo e túnel do tarso • Truncal: tóraco-abdominal (diagnóstico diferencia para herpes zoster) • Proximal motora (femoral → amiotrofia); muito raro • Distribuição em um único nervo ou múltiplos nervos • Resulta de vasculite ou infarto perineural • Mais comum em idosos • Instalação aguda, dolorosa, evolução limitada • Resolução espontânea entre 6 semanas e 12 meses • Apenas tratamento sintomático • Exceção: neuropatias compressivas podem exigir tratamento cirúrgico 2. POLINEUROPATIAS SIMÉTRICAS GENERALIZADAS Sensitiva aguda • Estimulação das terminações nociceptivas aferentes • Preciptada por flutuações glicêmicas • Dolorosa, com exacerbação noturna e no repouso • Recuperação em até 12 meses Sensitivo-motora periférica (PNP) • Associada à exposição crônica a hiperglicemia, insidiosa e irreversível (degeneração axonal) • Sintomatologia variável, com predomínio do componente sensitivo e envolvimento motor nos estágios avançados • Nn. longos são mais afetados, com evolução distal- proximal (“bota e luva”) ENDOCRINOLOGIA | Victória Ribeiro de Medeiros Diagnóstico da neuropatia Na imagem: • Diapasão de 128Hz → avaliação de sensibilidade • Palito de dente → sensibilidade dolorosa • Martelinho → teste de reflexo • Monofilamento de 10g → sensibilidade protetora plantar Escore de sintomas neuropáticos: Classificação: Sintomas leves: 3-4; Sintomas moderados: 5-6; Sintomas graves: 7-9 Escore de sinais (feito com os instrumentos da imagem acima): Classificação: sinais leves: 3-4; sinais moderados: 6-8; sinais graves: 9-10 Pontuação: Reflexo aquileu: ausente (2); presente ao reforço (1); presente (0) Sensações vibratória, dolorosa e térmica: ausente ou diminuída (1); presente (0) uso de monofilamento 10g para avaliar a sensibilidade motora plantar: a sensibilidade estará ausente diante de duas de três respostas incorretas.É preciso identificar se o paciente está mentindo ou não, portanto, uma das tentativas pode ser um falso contato e questionar a sensibilidade ao paciente. diagnóstico diferencial • Imunitárias (gamopatias, mieloma) • Endocrinometabólicas (uremia, hipotireoidismo) • Infecciosas (herpes, tabes dorsalis) • Nutricionais (deficiência vit. Complexo B, etilismo) • Tóxicas (isoniazida, hidralazina, nitrofurantoína) • Inflamatórias (síndrome paraneo, doenças reumatológicas) Tratamento da polineuropatia DIAGNÓSTICO DE PNP ATRAVÉS DO ESN + ECN: 1. Sinais neuropáticos moderados a graves com ou sem sintomas 2. Sinais neuropáticos leves com sintomas moderados a graves ENDOCRINOLOGIA | Victória Ribeiro de Medeiros Testes diagnósticos de neuropatia autonômica cardíaca e resultados: • Análise espectral em três bandas • Índice respiratório • Teste de Valsava • Índice 30:15 (avalia a distribuição sanguínea em decúbito dorsal comparada ao ortostatismo) • Hipotensão postural • Teste de Ewing metas do tratamento do DM Pelo método HPLC, a recomendação é HbAc1 < 7%. Para ADA e endocrinologistas clínicos americanos, < 6,5%. Isso reflete uma glicemia pré-prandial entre 70 e 130mg/dL, 1h pós-prandial até 180mg/dL e 2h pós-prandial até 140mg/dL. Cuidado com a ferramenta terapêutica em uso, especialmente para antidiabéticos que causam hipoglicemia: a HbAc1 é uma média dos últimos três meses, portanto pode ser o resultado tanto de uma certa constância na normoglicemia, quanto de alterações bruscas que formam uma média normoglicêmica. Além disso, o objetivo terapêutico deve ser individualizado, caso o paciente tenha baixa expectativa de vida, é preciso ponderar entre qualidade e estilo de vida, ou seja, pode-se optar por um tratamento menos rígido de controle da glicemia para que o paciente possa aproveitar melhor suas refeições. meta pressórica para pacientes diabéticos é abaixo de 130/80mmHg. Deve-se optar por anti-hipertensivos que atuam e previnam a nefropatia diabética. Lembrando que IECA podem causar tosse crônica, logo, deve-se trocar a medicação por BRA. Evitar diuréticos em monoterapia (pois podem causar hiperglicemia) e betabloqueadores (pois, pacientes em uso de sulfonilureia e insulina não perceberão a hipoglicemia, os efeitos adrenérgicos da hipoglicemia serão silenciados pelo betabloqueador) – utilizar apenas como última opção, em pacientes com taquiarritmia, IC e coronariopatia. TRATAMENTO DO DM2 BASEADO NA FISIOPATOGÊNESE Estudos DCCT e EDIC: Boa memória metabólica - ao iniciar/ precocemente/intensificar o tratamento no iní o tratamento da DM2, e ao manter um bom controle glicêmico, o paciente demorará mais tempo para apresentar eventos cardiovasculares. Estudos ADVANCE, ACCORD VADT – resultados: • Efeito adicional na redução do desenvolvimento da micro e macroalbuminúria, bem como na sua progressão • Não demonstrou proteção para eventos cardiovasculares • Mais hipoglicemia e mortalidade (estudo ACCORD precisou ser interrompido) Conclusões: deve-se intensificar o tratamento no início da doença. Quando o paciente já possui as complicações crônicas do diabetes e comorbidades cardiovasculares, não é indicado intensificar o tratamento se este já estiver utilizando medicamentos de causam hipoglicemia (sulfonilureias e insulina). ENDOCRINOLOGIA | Victória Ribeiro de Medeiros HbA1c Doenças microvasculares e neuropáticas < 7% pode trazer benefício a qualquer momento Doenças macrovasculares < 7% pode trazer benefícios nos anos imediatamente após o diagnóstico de DM2 OBS: metas glicêmicas menos rigorosas nos pacientes de maior risco cardiovascular Até 2009: sabia-se que o DM causava diminuição da captação de glicose na musculatura esquelética, produção hepática aumentada de glicose (gliconeogênese para compensar a falta de glicose nos tecidos, apesar da hiperglicemia na corrente sanguínea), e progressiva apoptose de células beta e diminuição da secreção de insulina. DeFronzo, 2009: • Diminuição da liberação de incretinas* (GIP e GLP-1 produzidos no TGI) • Disfunção de neurotransmissores: inibição do efeito sacietógeno da insulina e desregulação do sistema dopaminérgico (há maior ativação do sistema adrenérgico) • Aumento de lipólise → aumento de ácidos graxos livres na corrente sanguínea → ambiente de lipotoxicidade → maior resistência à insulina • Aumento de reabsorção renal de glicose: em pessoas normais, a glicosúria só ocorre se a glicemia estiver > 180mg/dL (o que dificilmente ocorre devido ao controle pela insulina), porém em pacientes diabéticos, há sinalização de falta de glicose nos tecidos (apesar da hiperglicemia na corrente sanguínea), o que provoca o aumento de cotransportadores de Na e glicose no túbulo proximal e na alça descendente da alça de Henle • Aumento da secreção de glucagon pelas células alfa (aumento relativo, pela diminuição de células beta, e absoluto, pelo aumento de células alfa por rediferenciação celular) *induzem a liberação de insulina durante a alimentação e inibem a secreção de hormônios anti-insulínicos, como o glucagon. A enzima DPP-4 degrada rapidamente as incretinas (em poucos minutos). Diferentes tipos de células Beta: células líderes e células seguidoras. Em ambiente de glicotoxicidade, as células líderes não funcionam normalmente, o que é recuperado com a normoglicemia. É possível recuperar a produção endógena no indivíduo ao longo do tratamento. CLASSES MEDICAMENTOSAS ENDOCRINOLOGIA | Victória Ribeiro de Medeiros • Atuam no aumento da produção hepática de glicose (70%) e na sensibilidade da musculatura esquelética à insulina (30%) • Indicado para pacientes com resistência à ação da insulina, pacientes com obesidade visceral, com acantose nigricans*, glicemia de jejum alterada (apesar da HbA1c normal) • Atividade física também quebra o mecanismo de resistência à insulina, e tende a melhorar o padrão da glicemia de jejum • Metformina o Ingerir no jantar para diminuir as chances de o paciente estar fora de casa o Diarreia, gosto metálico (comprimido grande, pode haver desconforto para engolir) o Limite dose 2550mg; disponível no SUS: 850mg (até 3 doses/dia) • Metformina XR (liberação prolongada) o Menos efeito gastrointestinal o 1x dia dose máx 2000mg (início: 500mg) o Disponível no SUS • Não administrar se função renal/clearence < 30 → não é seguro, pois aumenta as chances de acidose lática; se o clearence estiver entre 30 e 50, utilizar até metade da dose *doença de pele caracterizada por manchas aveludadas e escuras em dobras e vincos do corpo. A acantose geralmente ocorre em pessoas obesas ou diabéticas. • Não corrige nenhum defeito, apenas esgota mais rapidamente as células beta; não há aumento de produção, apenas de secreção de insulina • Pacientes com diminuição de secreção de insulina prestes a usar a insulina, porém refratário às demais classes de antidiabéticos orais • Glibenclamida o Disponível no SUS em 5mg (dose máxima: 20mg) o Administrar junto com as refeições (tempo de vida curto), inicialmente com as maiores • Sulfolinureias de segunda geração: o São mais seguros, pois são glicose- dependentes (se ligam ao receptor da insulina e se desligam rapidamente, o que diminui as chances de hipoglicemia) o Ação prolongada o Glipizida, glimepirida, gliclazida • Atua na diminuição da secreção de insulina, aumento da produção hepática de glicose, no aumento de lipólise e na diminuição da absorção de glicose • Agem no PPAR-gama causando a diferenciação dos pré-adipócitos em adipócitos na gordura periférica, principalmente. Recrutam os ácidos graxos livres na corrente sanguínea e estocam nesses adipócitos periféricos, formando uma gordura menos aterogênica, o que também diminui a resistência à insulina • Paciente tende a ganhar peso por retençãohídrica: há formação de um componente gorduroso capaz de exercer pressão extrínseca sobre os vasos linfáticos, dificultando a drenagem linfática o Contraindicação absoluta: pacientes com insuficiência cardíaca nas classes funcionais III e IV o Contraindicação relativa: pacientes com insuficiência cardíaca nas classes funcionais I e II • Aumento de gordura periférica, retenção hídrica e descompensação de IC • Maior expressão de GLUT-4 e diminuição da resistência à insulina, principalmente em mm. esqueléticos • Diminui a gordura hepática, sendo indicado nos casos de pacientes com esteato-hepatite não alcóolica (NASH) • Há estudos em ratos que demonstram a regeneração de células beta, não confirmado em humanos • Pioglitazona o Perfil aterogênico que diminui evento cardiovascular, principalmente AVC o Inicialmente dose de 15mg, podendo chegar a 45mg • É a injeção de análogos ou agonistas das incretinas no paciente, para que fique com quantidade suprafisiológica no organismo, e dura mais tempo na corrente sanguínea, não é degradado tão rapidamente pelo DPP-4 • Há liberação de insulina de forma glicose- dependente durante uma refeição e inibe os hormônios que agem contra a insulina durante o jejum • Aplicação subcutânea ENDOCRINOLOGIA | Victória Ribeiro de Medeiros • Diminui esvaziamento gástrico (gastroparesia: causa sensação de saciedade) e efeito anorexígeno (diminui a vontade de comer o Usado no tratamento da obesidade o Perda ponderal = proteção cardiovascular • Melhor captação da glicose; regeneração de células beta, efeitos extraglicêmicos (diminui a mortalidade cardiovascular) – provavelmente devido à perda ponderal • Caro e injetável, náuseas no início ou no aumento da dose • Liraglutida o Início: 0,6mg → 1,2mg → 1,8 mg (dose máxima para tratamento do DM) o Até 3mg/dia → tratamento da obesidade • Indicado para pacientes que produzem incretinas • Libera insulina durante a refeição, mantendo o GLP-1 endógeno e inibe os hormônios anti- insulínicos após a refeição → melhora da insulina prandial e da pós-prandial • Indicado para pacientes idosos: é isento de efeito colateral e corrige principalmente o mecanismo de primeira fase de liberação de insulina (durante a refeição); o idoso fisiologicamente a resistência à insulina é menor do que em pacientes mais jovens, por uma diminuição global de metabolismo, além disso, muito provavelmente trata-se de um paciente em polifarmácia, então a falta de efeitos colaterais é vantajoso • Alogliptina 25mg 1x/dia; • Saxagliptina 5mg 1x/dia → evitar em pacientes com IC • Sitagliptina 50mg 2x/dia ou uma dose de 100mg • Linagliptina 5mg (seguro para pacientes com insuficiência hepática e/ou renal) • Vildagliptina 50mg (até 2x/dia – meia vida mais curta; apenas uma dose para pacientes com IR) • Inibe o cotransportador de Na e glicose • Causa glicosúria e natriúria → predisposição à infecção bacteriana e fúngica genital (balanite, vulvite • O efeito não é dose dependente, por tanto é possível diminuir a dose e manter o efeito terapêutico • Orientar sobre higiene pessoal: o Mulheres: ao se limpar com o papel higiênico, fazê-lo no sentido vagina → ânus, e sempre trocar ou dobrar o papel antes de se limpar novamente; homens: limpar o prepúcio após urinar para evitar balanite, limpar o esmegma ao longo do dia o Papel higiênico neutro, não utilizar lenço umedecido o Não usar chuveirinho o Urinar após relação sexual o Ingerir 2l água/dia, manter-se hidratado • A glicosúria diminui com a normoglicemia, portanto orientar a não abandonar o tratamento • Por ser uma medicação natriurética, é preciso tomar cuidado em pacientes com uso de diuréticos (furosemida) e solicitar a redução da dose do diurético (pode intensificar a desidratação) • Está sendo estudada para IC o Menor repercussão clínica hospitalar por IC descompensada o Diminuição de 40% da mortalidade cardiovascular o Proteção cardiovascular extraglicêmico o Faz alteração hemodinâmica, diminuído a pós carga, e produz mais corpos cetônicos, os quais melhoram a contratilidade miocárdica • Diminuem a microalbuminúria por diminuição da concentração da medula renal, o que aumenta a produção de atropina → faz vasoconstrição da arteríola aferente → diminui a pressão de filtração glomerular → diminuição da proteinúria • Dapaglifozina 10mg • Empaglifozina (mais estudada em relação à IC) 25mg • Glixambi: inibidor da SLGT-2 associado a inibidor do DPP-4 • Jardiance 25mg (monoterapia) • Invokana: pouco utilizado por aumentar as chances de amputação ENDOCRINOLOGIA | Victória Ribeiro de Medeiros DISCUSSÃO DE CASOS CLÍNICOS Quais os mecanismos de patogênese que podem estar presentes nesse paciente? • Obesidade provavelmente visceral; ao exame físico pode ser encontrado acantose nigricans • Provavelmente apresenta resistência à insulina → utilizar classes sensibilizantes • Alto risco cardiovascular devido ao DM Quais medicamentos indicados para o DM? • Biguanidas • Glitazonas Quais outras orientações devem ser feitas ao paciente? • Prática regular de exercícios e dieta adequada Qual a orientação para a obesidade associada ao DM? • Análogo/agonista do GLP-1 • Inibidor da DPP-4 • Inibidor de SGLT-2 Quais os mecanismos de patogênese que podem estar presentes nesse paciente? • Resistência aumentada à insulina • Paciente com dislipidemia o Não necessariamente tem lipólise aumentada, pode ser por fator genético • Paciente idoso → menor vigência de células • IMC no limite inferior da normalidade → é possível que, apesar de magro, tenha maior massa de gordura do que muscular, pois esse é o perfil do idoso (“falso magro”: perde musculatura e ganha gordura); mesmo assim, a perda de peso em paciente idoso tem maior risco em aumentar a fragilidade do paciente • Provavelmente em polifarmácia • Muito alto risco cardiovascular: esse paciente já seria alto risco apenas pelo DM; devido à doença coronariana, e a predisposição a eventos cardiovasculares, esse paciente é de muito alto risco Quais os medicamentos indicados para DM? • É preciso considerar os efeitos colaterais da medicação, pois é um paciente em polifarmácia provavelmente • Evitar medicamentos que causem perda de peso • Inibidor do SLGT-2 + atividade física • Metformina • Inibidor da DPP-4 Quais outras orientações devem ser feitas ao paciente? • Orientar sobre atividade física (aeróbica e isotônica) para ganho de massa muscular, melhorar a autonomia, o equilíbrio e a qualidade de vida ENDOCRINOLOGIA | Victória Ribeiro de Medeiros Quais diagnósticos esse paciente possui? • Obesidade grau 2 • DM2: sintomas de catabolismo + glicemia ao acaso < 200mg/dL • Risco de doença coronariana e cardiovascular alto • Dislipidemia e HAS • Síndrome metabólica • Gordura abdominal/viceral → esteatose hepática → risco de esteatose-hepática não alcóolica Qual a fisiopatogênese do DM2? • Resistência à insulina: acantose nigricante, obesidade e circunferência abdominal • Paciente com achados de resistência à insulina + sintomas de catabolismo = necessidade de insulina; é possível que o valor de insulina medido esteja elevado, se comparado aos níveis da população normal, porém, para a demanda específica desse indivíduo, pode ser considerada baixa. Pode ser que o paciente recupere sua produção basal de insulina Como prosseguir a investigação? Outras situações importantes para screening do paciente? • Avaliar complicações crônicas apenas após compensar o paciente • HbAc1; colesterol, lesão hepática, hipotireoidismo (pois, o paciente apresenta dislipidemia descompensada), clearence de creatinina, PSA (indicação pela idade) • Os examesconfirmam os diagnósticos de: o Perfil glicêmico + HbA1c + clínica = DM2 o HOMA-IR → avalia se a quantidade endógena de insulina é suficiente para a demanda metabólica, independentemente se a quantidade produzida está acima dos níveis considerados normais. ▪ Nesse caso, o nível de insulina está elevado (11,6), porém como o cálculo HOMAR-IR ([insulina]*[glicemia]/405)é de 7,16, isso reflete resistência à insulina (HOMA-IR > 2,3 OU 2,7). ▪ Ou seja, apesar do nível de insulina alto, o paciente precisa de insulinoterapia (esse cálculo não faz parte da prática clínica! Foi apresentado para fins de discussão acadêmica, é possível inferir a necessidade de insulina nesse primeiro momento de terapia pela clínica do paciente) o HDL → dislipidemia (seguimento: avaliação de tireoide, não iniciar o tratamento de dislipidemia antes de descartar a possibilidade de hipotireoidismo); LDL de 95 pela fórmula de Friedwald o TGO e TGP → lesão hepática o PSA → normal, o TSH → normal, portanto a dislipidemia não está relacionada com hipotireoidismo Qual o tratamento? • Insulina o Cuidado para que a compensação ocorra gradualmente, para evitar que o paciente apresente sintomas de hipoglicemia, mesmo que haja a hipoglicemia o Iniciar com 0,3 unidades/kg, 2/3 de manhã e 1/3 à noite ENDOCRINOLOGIA | Victória Ribeiro de Medeiros o O ajuste de dose deve ser feito conforme o controle glicêmico do paciente e fazer retorno precoce para reajuste da insulina o Metformina o Análogo de GLP-1 ou inibidor do DPP-4 o Inibidor da SLGT-2 o Glitazona como segunda opção terapêutica ou possibilidade de evolução o Não utilizar sulfolinureia, pois as reservas de célula beta nesse paciente devem estar baixas (sintomas de catabolismo) • Estatina • Esse paciente precisa ser avaliado com cautela, pois a HbAc1 é uma média dos últimos três meses, ou seja, pode ser tanto o resultado de uma normoglicemia mais ou menos constante, ou a alternância entre hiper e hipoglicemia • Meta pressórica para pacientes diabéticos é abaixo de 130/80 o IECA e BRA são os medicamentos de primeira escolha, pois atuam na taxa de filtração glomerular o Contraindicado o uso de betabloqueadores, pois não permitem que o paciente perceba os sintomas da hipoglicemia (e podem causar hiperglicemia); evitar uso de diuréticos em monoterapia • Orientar a realizar dieta e atividade física Note que em duas semanas o paciente ganhou peso, pois a glicose está conseguindo entrar nos tecidos, e a glicose tem efeito anabólico. O esperado é que, a longo prazo, o paciente perca peso se mantiver o tratamento. Além disso a glicemia está mais elevada no jantar e antes de dormir, então é possível adicionar uma terceira dose de insulina no almoço (a maioria dos pacientes precisam de 3 doses de NPH). Conforme o paciente necessite, acrescentar os antidiabéticos orais. Como a glicemia está compensada, é possível investigar as complicações crônicas do DM2. meta de LDL para pacientes de alto risco cardiovascular = 70 e para pacientes de muito alto risco = 50 Investigação de nefropatia: relação albumina/creatinina > 30 = nefropatia. A confirmação do diagnóstico é “a melhor de três”: repetir a relação albumina/creatinina a cada três meses, 1ª positiva → 2ª negativa → 3ª confirma se é positiva ou negativa; 1ª positiva → 2ª positiva → diagnóstico confirmado. Lembrando que o diagnóstico deve ser investigado somente após o DM ser compensado, pois o DM descompensado causa alterações hemodinâmicas que podem ser confundidos com doença. OBS: fórmula de Friedewald – permite o cálculo de LDL a partir dos valores de HDL, colesterol total e triglicerídeos, quando TG < 400. [𝐿𝐷𝐿] = (𝐶𝑇 − 𝐻𝐷𝐿) − ( 𝑇𝐺 5 ) ; 𝐶𝑇: 𝑐𝑜𝑙𝑒𝑠𝑡𝑒𝑟𝑜𝑙 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙; 𝑇𝐺: 𝑡𝑟𝑖𝑔𝑙𝑖𝑐𝑒𝑟í𝑑𝑒𝑜𝑠