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Equilíbrio iônico e ácido-básico renal

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Tampão do bicarbonato
· Esse sistema tampão consiste no tamponamento feito pelo íon bicarbonato, o qual pode estar sob 2 formas para fazer o tamponamento, sob forma de ácido fraco (H2CO3) ou sob forma de um sal básico fraco (NaHCO3). 
· O H2CO3 por ser fraco se ioniza muito pouco em H+ e HCO3-, sendo que para ele formar CO2 + H2O necessita da anidrase carbônica para acelerar. Assim esse H2CO3 é excelente para neutralizar uma base forte, exemplo: H2CO3 + NaOH NaHCO3 + H2O. Com isso, vai neutralizar a base forte, pois formou bicarbonato de sódio que é um sal básico fraco, o qual ficará dissociado em Na+ e HCO3-. Com isso, os níveis de H2CO3 no sangue diminui, fazendo com que tenha que se formar mais H2CO3, que se dá por uma diminuição da respiração (para polpar CO2 que se juntará com H2O e formará novos H2CO3). Além disso, os níveis de HCO3- estará em excesso, sendo isso corrigido pela excreção renal de bicarbonato que aumentará. 
· O NaHCO3 é capaz de neutralizar um ácido forte, como exemplo: HCl + NaHCO3 NaCl + H2CO3. O NaCl formado é um sal neutro e o H2CO3 é um ácido fraco. Nesse caso, os níveis de H2CO3 aumenta, fazendo com que a respiração aumente para se eliminar mais CO2 (eliminando o H2CO3 indiretamente, pois o H2CO3 é formado apartir de CO2 + H2O). Além disso, o HCO- é mais consumido, fazendo com que os rins excretem menos também. 
· Logo percebe-se que o sistema tampão bicarbonato é controlado em conjunto pelos rins e pulmões (os pulmões controlam os níveis de H2CO3 e os rins os níveis de HCO3-). Assim, o sistema tampão bicarbonato é o mais eficiente do corpo, pois nele atua os rins e pulmão em conjunto, deixando ele bem eficiente. 
Sistema Tampão Fosfato
· Esse sistema é mais eficiente no tamponamento do líquido tubular renal e no tamponamento do meio intracelular, pois são os lugares onde a [ ] de fosfato é maior, possibilitando-o. 
· O seu sitema envolve o Na2HPO4 que tampona os ácidos fortes, exemplo: HCl + Na2HPO4 NaH2PO4 (sal ácido fraco) + NaCl (sal neutro). Envolve também o NaH2PO4 que tampona bases fortes, exemplo: NaOH + NaH2PO4 Na2HPO4 (sal básico fraco) + H2O.
Sistema Tampão das Proteínas
· O tamponamento feito pelas proteínas intracelulares contribuem com 60/70% do tamponamento total dos líquidos corporais, entretanto esse tamponamento é um pouco demorado para ser efetivo pros líquidos extracelulares, isso porque a difusão de H+ e HCO3- para dentro da célula é lento (exceto nas hemácias que é rápido, sendo o tamponamento feito pela hemoglobina muito importante).
Regulação Respiratória Ácidobásica
· Ela se baseia na variação da eliminação do CO2 conforme é necessário, agindo por feedback. Se [H+] aumenta, a ventilação é estimulada, se diminui a ventilação é inibida. Isso porque alta [CO2] leva a formação de H+, devido a reação: CO2 + H2O ↔ H2CO3 ↔ H+ + HCO3-. 
· O H+ tem capacidade de alterar a ventilação pois ele atua diretamente em áreas quimiossensíveis do centro respiratório, sendo que sua presença estimula ela e sua ausência “deixa de estimular ela”. É importante lembrar que a ventilação pulmonar é mais afetada quando há um aumento de [H+] do que quando há uma diminuição, isso porque caso ocorra uma diminuição, a ventilação vai diminuir pela “falta de estímulo” só que isso não vai gerar uma grande diminuição pois concomitantemente a falta de O2 causada pela diminuição da ventilação irá causar estímulos em quimiorreceptores presentes nos corpos carotídeos e aórtico para elevar a ventilação, contrabalanceando. 
· O controle ácidobásico pulmonar é mais poderoso que o tampão químico e mais rápido que o renal, entrentanto o renal é mais poderoso só que demora mais para atuar. Assim, esse controle ácidobásico pelos pulmões é importante para situações imediatas até que tenha-se tempo dos rins atuarem. 
Controle Renal ÁcidoBásico
· Esse controle é feito pela excreção de uma urina mais ácida ou mais básica, sendo que o que determina isso é a excreção de H+ ou HCO3-.
· Praticamente todo HCO3- filtrado é reabsorvido, sendo que para sua reabsorção é necessário o H+ estar presente para que ocorra a formação de H2CO3 e forme então CO2 e H2O, e o CO2 se difunda. Assim, diariamente se filtra 4320 mEq de HCO3-, sendo necessário secretar 4320 mEq de H+ para reabsorver esse HCO3- filtrado, e é necessário secretar um pouco mais de H+ (80 mEq) para que se elimine os ácidos produzidos diariamente pelo metabolismo diário, pois esse H+ que foi secretado para promover a reabsorção de HCO3- não é excretado, ele atua tipo como um “cofator” que permite somente que o HCO3- seja reabsorvido (mecanismo disso é explicado a frente). O H+ que é realmente expelido (excretado) na urina é os 80mEq proveniente dos ácidos produzidos pelo metabolismo diário, sendo que ele não é excretado sob forma de íon H+ e sim é tamponado com amônia ou fosfato e assim é excretado pois se ficassem na forma iônica a urina ia ficar extremamente ácida, o que não pode. (PH mínimo tem que ser 4,5).
· Em casos de alcalose (diminuição da [ ] de H+ no sangue), os rins não conseguem reabsorver todo o HCO3- pois falta H+. Com isso, é excretado HCO3- na urina, o que provoca uma diminuição do tamponamento do H+ dos líquidos corporais, ajudando a reestabelecer o PH. 
· Em casos de acidose os rins reabsorvem todo o HCO3- filtrado pois existe H+ suficiente para isso, além de que, sobra H+ e com isso se produz “novo HCO3-”, sendo que esse HCO3- reabsorvido e tbm formado tampona os H+ em excesso nos líquidos corporais, reestabelecendo o PH.
Secreção de H+ e reabsorção de HCO3-
· A secreção de H+ e reabsorção de HCO3- ocorre em todo os túbulos renais, exceto nas partes delgadas da alça de henle. Essa secreção/reabsorção possui mecanismos diferentes conforme a parte do néfron.
· T.C.P, alça ascendente espessa e início do T.C.D: No T.C.P ocorre a maioria (80-90%) da reabsorção/secreção de HCO3- e H+ respectivamente. Nesses 3 segmentos o H+ é secretado por um trocador de Na+ por H+ (transporte ativo secundário, a bomba de sódio-potássio que forneceu o gradiente necessário). Esse H+ secretado reage com HCO3-, forma H2CO3 que se dissocia em CO2 + H2O, os quais conseguem entrar nas células tubulares, e dentro delas tem presença da anidrase carbônica que promove formação novamente de H2CO3, o qual ioniza em H+ e HCO3-. O HCO3- então passa pro interstício através de um cotransporte Na+/HCO3- (presente só no T.C.P) e tbm pelo trocador HCO3-/CL- (presente T.C.P, alça ascendente espessa, T.C.D e ductos coletores). 
· Parte final do T.C.D e ductos coletores: Nesses segmentos o que muda é que o H+ é secretado por uma bomba de hidrogênio (transporte ativo primário) que fica nas células intercaladas. O restante do processo de reabsorção de HCO3- é igual. 
· Percebe-se que em casos de homeostasia, são secretados 4400 mEq de H+ por dia, sendo que desses 4320 não são excretados, sendo utilizados como um “cofator” que atua somente para que o HCO3- possa ser reabsorvidos. Já os 80 mEq são realmente excretados (na forma tamponada). 
· Novo HCO3- formado: Isso ocorre normalmente, mas acentua-se em casos de acidose. Isso porque esse mecanismo diz que para cada H+ secretado que não conseguir se combinar um HCO3- filtrado (pois esse ja foi todo reabsorvido), eu tenho a formação de um novo HCO3-. Isso ocorre da seguinte forma: assim que todo HCO3- for reabsorvido, eu continuo tendo H+ sendo secretado no lúmen tubular e cada H+ desse que é secretado por regra eu tenho a formação de um HCO3- dentro da celula tubular (por deslocamento de equilíbrio, se o H+ intracelular diminui a reação desloca pro lado da formação de H+ intracelular, sendo que quando eu formo H+ intracelular eu tenho também a formação de HCO3-), só que agora esse HCO3- formado não foi proveniente da reabsorção e sim é um “novo HCO3- formado” em que o CO2 dele foi proveniente do meio intersticial. Assim, o H+ então secretado é não titulado (quer dizer que não reagiu com HCO3- no lúmen tubular) levando a formação de um “novo HCO3-” e esse H+ no lúmen