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JULIANNE FISCHER A idealizadora do projeto Instituto Agenda Positiva é formada em Educação e Doutora pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC, e Mestre em Educação pela Universidade Regional de Blumena (FURB), Blumenau, SC. Atua como professora de graduação e pós-graduação desde 1990, tendo lecionado disciplinas de Alfabetização e Letramento, Inclusão Escolar, Dificuldades de Aprendizagem e Neurociência e Educação. Também atuou como professora e pesquisadora em Programas de Mestrado Acadêmico e Profissional na FURB. Orientou trabalhos de conclusão de curso, monografias, dissertações e teses. Ministrou diversas palestras e cursos no território nacional com foco na formação de professores alfabetizadores, inclusão escolar e dificuldades de aprendizagem. Alfabetização ao Alcance de Suas Mãos Maio/2020 © Julianne Fischer Maio 2020. Todos os direitos reservados. Ilustração: André Rebelo Diagramação: Nenno Silva Cores: André Rebelo Nenno Silva Revisão: Marcilda Regina Cunha da Rosa Segunda edição – Revisada e ampliada – Maio/2020 Parceria: Instituto Agenda Positiva Apresentação ........................................................................................07 UMA BREVE REVISÃO DO ESTUDO TEÓRICO O Sistema Nervoso e suas Funções ..................................................... 08 Os Lobos do Cérebro ............................................................................ 12 A Linguagem no Cérebro ...................................................................... 14 A Representação do Corpo no Cérebro ................................................ 16 A INTERAÇÃO CORPO, CÉREBRO E APRENDIZADO O Corpo Conhece o Mundo .................................................................. 20 O Mundo é Concreto e, depois, Abstrato .............................................. 22 O Corpo e a Ação como Agentes Cognitivos ........................................ 24 O Lúdico e a “Cola Neural” .................................................................... 26 O Contexto Infantil e o Treino Motor ..................................................... 28 INTRODUÇÃO..... ............................................................................................30 ATIVIDADES..... ..............................................................................................31 Atividade 1: Utilização do Corpo Objetivo .............................................................................................. 32 Materiais a Serem Utilizados ............................................................. 33 Resultados ......................................................................................... 38 Outras Sugestões .............................................................................. 39 Atividade 2: Fazendo e Comendo Objetivo .............................................................................................. 40 Materiais ............................................................................................ 41 Atividade 3: A Escrita e as Massas Objetivo .............................................................................................. 53 Materiais ............................................................................................ 54 Resultados .........................................................................................66 Atividade 4: Argila e Gesso Materiais Utilizados ............................................................................ 67 Outras Sugestões .............................................................................. 72 Atividade 5: Jogo da Bolinha Objetivo .............................................................................................. 75 Materiais Utilizados ............................................................................ 76 Resultados ......................................................................................... 81 Outras Sugestões .............................................................................. 81 SUMÁRIO Atividade 6: Sucatas Objetivos ............................................................................................ 82 Materiais Utilizados ............................................................................ 83 Resultados ......................................................................................... 87 Outras Sugestões .............................................................................. 89 Atividade 7: Garrafas Mágicas Objetivo .............................................................................................. 90 Materiais Utilizados ............................................................................ 91 Resultados ......................................................................................... 94 Outras Sugestões .............................................................................. 95 Atividade 8: Areia, Pedras e Giz de Cal Colorido Objetivo .............................................................................................. 96 Materiais Utilizados - parte 1 ............................................................. 97 Materiais Utilizados - parte 2 ........................................................... 100 Resultados ....................................................................................... 102 Outras Sugestões ............................................................................ 103 Atividade 9: Retroprojetor e Transparências Objetivo ............................................................................................ 104 Materiais Utilizados .......................................................................... 105 Resultados ....................................................................................... 109 Outras Sugestões ............................................................................ 110 Atividade 10: Anilina Comestível Objetivo ............................................................................................ 112 Materiais Utilizados .......................................................................... 113 Resultados ....................................................................................... 117 Atividade 11: Algodão e Canudinho Objetivo ............................................................................................ 118 Materiais Utilizados .......................................................................... 119 Resultados ....................................................................................... 123 Conclusão ........................................................................................ 124 7 Este livro é composto por diversas atividades práticas e por uma breve revisão do estudo teórico que as fundamentou. Tais atividades surgiram de estudos teóricos sobre o funcionamento do cérebro humano e sobre o modo como este registra experiências externas. Assim, conhecendo melhor alguns desses mecanismos cerebrais, é possível perceber como a aprendizagem pode se tornar mais significante em muitos casos do nosso cotidiano e, dessa forma, acelerar o processo de aquisição do conhecimento. Pensei nas atividades apresentadas e as criei objetivando, sempre, o desenvol- vimento e a cristalização dos esquemas corporal, sensorial e espacial da criança de maneira a auxiliá-la, por meio do registro cerebral do desenho e da forma de cada letra elaborada, em seu processo de aprendizagem, especificamente, de alfabetização. As teorias estudadas e as atividades práticas descritas neste livro já foram discutidas com um grande número de professores e professoras, bem como a eles demonstradas, em diversos cursos pelo país, desde capacitação até graduação e pós- graduação. Muitos desses professores e dessas professoras as aplicaram em suas salas de aula e obtiveram, como resultado, a alfabetização dos seus alunos de forma lúdica e natural. De resultadospróprios e dos resultados obtidos por esses professores e essas professoras, que também incluíram crianças que apresentavam dificuldades na aquisição da linguagem escrita (crianças com necessidades educacionais especiais), nasceram o desejo e a esperança de ampliar ainda mais o universo de educadores e educadoras e de auxiliá-los/as com esse trabalho em suas salas de aula. Gostaria de lembrar que as atividades deste livro são flexíveis, podendo se adaptar às necessidades e à realidade de cada criança, de cada escola, de cada região deste país. Também gostaria de lembrar que é fundamental que o professor e a professora tenham uma visão crítica sobre cada atividade executada, pois executar a atividade pelo simples fato de patrocinar um momento a mais não trará os benefícios esperados. Por fim, gostaria de lembrar que o educador e a educadora não devem ter este livro como um livro de receitas, mas como um instrumento de criação, observação e solução para suas dificuldades enquanto professor e professora. Cabe ao educador e à educadora, então, fazer a sua parte, observar os resultados de cada atividade, pensar sobre cada resposta percebida, refletir sobre ela e criar suas próprias soluções. APRESENTAÇÃO U m a B re ve R ev is ão d o Es tu do T eó ri co 8 O sistema nervoso compreende, de uma maneira geral, o encéfalo, a me- dula espinhal e o conjunto de todos os nervos do organismo. Por uma questão anatômica, esse sistema é dividido em duas partes distintas: o sistema nervoso central – SNC – e o sistema nervoso periférico – SNP. O SNC é formado pelo encéfalo (protegido no interior da caixa craniana) e pela medula espinhal (protegida por estruturas ósseas especiais que formam a coluna vertebral). Já o SNP é uma rede de nervos e terminações nervosas que conduz estímulos ao SNC ou que leva ordens do SNC até os órgãos do corpo, produzindo, dessa forma, uma rede de conexões entre o cérebro e o corpo. Essa é a constituição do sistema nervoso do nosso corpo. O nosso cérebro, principal elemento do nosso sistema nervoso, está acomodado dentro do encéfalo, juntamente com o cerebelo e o tronco ence- fálico. A superfície do cérebro possui diversas circunvoluções e depressões que lhe dão uma aparência enrugada, mas necessárias para que toda a sua extensão se acomode dentro da caixa craniana. Outra forte característica do cérebro é a sua divisão em dois hemisférios: o esquerdo e o direito. Em ge- ral, o hemisfério direito recebe sensações e controla os movimentos do lado esquerdo do corpo, e o hemisfério esquerdo recebe sensações e controla os movimentos do lado direito do corpo. Essa característica curiosa é conhecida como lateralidade cruzada. Dentro do encéfalo, logo abaixo do cérebro, também encontramos o cerebelo cuja função está associada ao sistema de controle motor. É ele que, contraindo e descontraindo diferentes músculos em tempos específicos para manter a execução de movimentos musculares complexos que ocorrem de forma muito rápida, determina a programação e o sequenciamento dos movi- mentos. A medula espinhal, também presente no SNC, é revestida pelos ossos da coluna vertebral, estendendo-se da base do crânio até a primeira vértebra lombar. Exerce a função de receber informações sensoriais da pele, das arti- culações, das vísceras e dos músculos, além de conduzir ações partindo do próprio cérebro para os músculos. A medula espinhal também é responsável pelos chamados movimentos reflexos. O Sistema Nervoso e Suas Funções 9 O Sistema Nervoso Central Cérebro Tronco Encefálico Cerebelo Medula Encéfalo U m a B re ve R ev is ão d o Es tu do T eó ri co 10 É o nosso cérebro, porém, o principal órgão responsável por todas as nossas funções superiores, ou seja, é a sede do pensamento e o centro de con- trole do restante do organismo. No cérebro, são coordenadas as faculdades do movimento, do tato, do olfato, da audição e da visão. É graças a ele que formamos e compreendemos palavras, realizamos operações matemáticas, apreciamos música e nos comunicamos. O cérebro recebe e processa todos os tipos de estímulos, tanto dos órgãos internos quanto da superfície corporal ou mesmo dos nossos sentidos. É por meio do cérebro que respondemos aos estímulos e corrigimos nossas ações e que integramos todas as informações de forma combinada para compreender o mundo e tomar decisões. Entretanto, para manter esse supercomputador biológico, pagamos um preço alto: para termos ideia do custo energético que pagamos, um cérebro adulto consome cerca de 20% da energia produzida pelo organismo para su- prir suas necessidades. O cérebro de uma criança não fica por menos. É ainda mais gastador. O cérebro de uma criança em fase de desenvolvimento, com 5 anos de idade, por exemplo, chega a consumir até 60% da energia produzida pelo organismo. A lógica para esse consumo energético elevado na infância é simples: enquanto o cérebro está em formação (até os 10 anos aproximadamen- te), além da manutenção, está empenhado em formar suas estruturas neurais. Grande parte dessas estruturas neurais que permitem ao cérebro desem- penhar suas funções cognitivas está presente na sua superfície. Essa estrutura é chamada de córtex. O córtex é uma fina camada neural que reveste o cérebro como se fosse a casca de uma laranja. Por possuir uma coloração levemente acinzentada, devido ao grande número de corpos de células neurais, essa parte externa também é conhecida como massa cinzenta. A parte mais interna do cérebro é chamada de massa branca dada a presença de mielina, uma subs- tância de natureza lipídica (gordura) que envolve os axônios dos neurônios. Dessa forma, a parte interna do cérebro é formada, principalmente, por feixes de fibras nervosas que saem do córtex ou a ele chegam, levando informações do resto do corpo ou as trazendo. Alguns desses nervos cruzam de um hemis- fério para o outro e formam um feixe nervoso conhecido como corpo caloso. O Sistema Nervoso e Suas Funções 11 Corte horizontal do cérebro humano Massa Cinzenta Massa Branca Córtex Corpo Caloso U m a B re ve R ev is ão d o Es tu do T eó ri co 12 Os Lobos do Cérebro O cérebro também possui uma divisão anatômica, ou seja, cada he- misfério é dividido em quatro grandes partes chamadas de lobos. São eles: frontal, parietal, temporal e occipital. Lobo Frontal: associado às funções intelectuais de alto nível e a muitos aspectos da personalidade e do comportamento. Lesões nessa região acarretam perdas de concentração, redução da habi- lidade intelectual e falta de julgamento. Lobo Parietal: associado à interpretação e à integração dos sinais sensoriais que chegam do corpo. Nessa região é que recebemos, integramos e percebemos o toque, a vibração e o sentido de posi- ção do nosso corpo. Lesões nesse lobo podem resultar em perdas na capacidade de reconhecer sinais ou em perda de interpretação de relações espaciais e corporais. Lobo Temporal: associado à recepção e à interpretação de infor- mações sonoras complexas, como a compreensão de uma música ou da fala humana. Outra função desempenhada por esse lobo constitui-se na interpretação de informações sobre odores. Lesões nesse lobo podem acarretar a perda da sensibilidade olfatória ou mesmo perdas de interpretação auditiva. Lobo Occipital: é conhecido como córtex visual, pois está asso- ciado à recepção e à interpretação de sinais oriundos dos olhos. Embora nossos olhos estejam posicionados à frente do rosto, de fato interpretamos visualmente o mundo com a parte de trás do nosso cérebro. Lesões no córtex visual podem produzir perdas parciais ou totais da visão, até mesmo incapacidade de reconhecer entradas visuais, como rostos ou objetos. 13 A divisão em lobos do cérebro humano Lobo Frontal Lobo Parietal Lobo Occipital Lobo Temporal U m a B re ve R ev is ão d o Es tu do T eó ri co 14 A Linguagem no Cérebro Embora os hemisférios direito e esquerdo tenhamassimetria, possuem algumas particularidades anatômicas que diferem na maioria das pessoas. Uma pesquisa constatou que o lado esquerdo do cérebro é levemente maior em quase 60% das pessoas, particularmente em uma região cortical chamada área de Wernicke, situada no lobo parietal do lado esquerdo. O lado direito é maior que o esquerdo em apenas 10% da população, sendo que os 30% restantes possuem cérebros com hemisférios aproximadamente iguais. Estatísticas à parte, as maiores diferenças entre os dois hemisférios não se encontram no campo da anatomia, mas no campo da cognição. Nossos hemisférios parecem possuir atribuições diferentes em muitas funções cognitivas e perceptivas. A principal delas, e que mais chama a atenção, é a linguagem, situada no lado esquerdo do cérebro em quase 95% das pessoas destras e em 70% das pessoas canhotas. Por esse mesmo motivo, o lado esquerdo do cérebro é considerado o hemisfério dominante. Basicamente, a linguagem humana possui duas regiões corticais envolvidas: a Área de Broca1 e a Área de Wernicke2. Essas duas regiões estão conectadas entre si por um grosso feixe de fibras nervosas e são as responsáveis pela nossa produção e interpretação da linguagem tanto falada quanto escrita. A Área de Wernicke é importante para a interpretação da linguagem e para a formulação dos pensamentos sob forma verbal, e a Área de Broca é responsável pela produção do padrão de respostas motoras que resultam na expressão verbal com sentido. Distúrbios de fala sempre se manifestam quando alguma dessas áreas sofre algum tipo de lesão. 1 Assim denominada pelo neurologista francês Paul Broca. 2 Assim denominada pelo neurologista alemão Karl Wernicke. 15 Áreas de Broca e de Wernicke Área de Broca Área de Wernicke U m a B re ve R ev is ão d o Es tu do T eó ri co 16 A Representação do Corpo no Cérebro Utilizamos mapas, como é o caso dos mapas rodoviários ou das cartas náuticas, para representar e manipular grandes áreas geográficas em outras menores. Esses mapas permitem que vejamos áreas realmente grandes em pedaços de papel bem menores que suas dimensões originais. Essa mesma situação ocorre em nosso cérebro que, para representar a superfície do corpo, realiza um mapeamento de toda a percepção sensorial do corpo em áreas específicas do córtex (chamado de mapa somatossensorial). Essa percepção é realizada pelo nosso sistema sensorial somático. Esse sistema possui duas modalidades sensoriais muito importantes: o tato e a propriocepção. Enquanto o tato é considerado o sentido por meio do qual percebemos as sensações de contato e de textura dos objetos, a propriocepção é responsável pela percepção da posição estática e do movimento dos nossos membros. Todavia, lembramos que a percepção do corpo (propriocepção) e da sua superfície pelo tato é a mais precisa de todos os nossos sistemas sensoriais, apesar de outros sensores também constituírem o sistema perceptivo, como é o caso dos nociceptores (responsáveis pelos sentidos de lesão dos tecidos, sinalizada como sentimento de dor) e dos termossensores (responsáveis pelas sensações de calor e de frio). 17 Mapa somatossensorial do lado esquerdo infra -ab dom inalfarin ge língu a lábios, dentes, gengivas e mandíbula face globo ocular nariz dedo polegar dedo m édio dedo anelar dedo indicador dedo m ínim o m ão punho antebraço cotovelo braço om bro cabeça pescoço tronco quadril perna pés artelhos genitália Córtex Somatossensorial U m a B re ve R ev is ão d o Es tu do T eó ri co 18 Embora esse mapa somatossensorial apresentado seja conhecido como homúnculo (palavra originária do latim homunculus, diminutivo de homem, ou seja, o pequeno homem no cérebro), não é exatamente uma pequena figura humana desenhada no córtex. Essa figura mapeada no córtex é distorcida, ou seja, espacialmente, as posições não seguem uma lógica esperada, e as proporções do corpo mapeado não condizem com as proporções percebidas visualmente. Essa representação do corpo no córtex reflete a inervação das diferentes partes do corpo humano e, assim, formam uma projeção geometricamente distorcida da superfície do corpo. As proporções do corpo mapeado no cérebro podem parecer estra- nhas aos nossos olhos em um primeiro momento, mas compreensíveis se levarmos em consideração a importância de cada parte em relação a nossa percepção sensorial. Por exemplo, no início de nossas vidas, o rosto, a boca e as mãos são importantes meios para explorar um ambiente e adquirir conhecimentos sobre ele. Essa elevada concentração sensorial nos membros se reflete diretamente no córtex, pois ele deverá ter um maior volume de tecido neural cortical para processar as informações provenientes dessas regiões. Outro mapa também presente no cérebro é o mapa motor que ocupa uma região imediatamente à frente do mapa sensorial. O mapa motor determina que região do córtex controla cada região do corpo. Os dois mapas são muito semelhantes quanto à inervação, sendo que o mapa motor também forma uma projeção geometricamente distorcida do corpo no córtex. Esses dois mapas combinados, o sensorial e o mo- tor, participam diretamente do processo de integração de informações necessárias para a percepção e o controle do corpo. A Representação do Corpo no Cérebro 19 O corpo conforme a inervação registrada no cérebro humano O cérebro humano e as regiões sensorial e motora Córtex Somatossensorial Córtex Motor U m a B re ve R ev is ão d o Es tu do T eó ri co 20 A criança, no início do seu desenvolvimento e no auge da sua curiosidade, procura conhecer o mundo que a cerca de todas as formas e jeitos. Mas, notadamente, elege o tato e a degustação, ou seja, as mãos e a boca, como suas principais ferramentas para conhecer e interpretar o mundo. Tal escolha é natural e sadia, podendo ser mais bem entendida se prestarmos um pouco mais de atenção naquela figura humana dis- torcida mapeada no córtex sensorial, onde o rosto, os lábios e as mãos possuem uma grande representação cortical em relação aos demais membros do corpo. Como já discutimos, essa representação expandida desses membros reflete uma maior inervação e, por consequência, uma maior sensibilidade também. Por esse mesmo motivo, esses membros são utilizados como canais de informação entre as crianças e o mundo. Os adultos, embora não utilizem mais os lábios ou a boca como forma de conhecer e reconhecer objetos, constantemente se sentem ten- tados a utilizar as mãos para tal. Esse comportamento também é natural e compreensivo, uma vez que nossas mãos nunca deixaram de ser um importante canal sensitivo. Nós podemos, por exemplo, mesmo com os olhos vendados, reconhecer um objeto em nossas mãos simplesmente o tocando e identificando suas características, como o peso, a forma e a textura. Isso significa que o tato é, sim, um poderoso meio de comu- nicação, percepção e aquisição cognitiva. Para termos ideia da sensibilidade da boca e das mãos, decorrente da sua inervação e da sua representação cortical, nós podemos perceber um fio de cabelo em nossa boca, mas dificilmente o perceberemos usando apenas os braços ou as nossas costas. Essa representação cortical reflete a precisão que essa sensibilidade toda nos propicia. O Corpo Conhece o Mundo A Interação Corpo, Cérebro e Aprendizado 21 Reconhecendo o mundo com as mãos A criança utiliza canais sensoriais como instrumentos para conhecer o mundo U m a B re ve R ev is ão d o Es tu do T eó ri co 22 O Mundo é Concreto e, depois, Abstrato A necessidade do toque, tanto pelos lábios quanto pelas mãos, é fortemente acentuada na infância quando a criança ainda se encontra em um estágio cognitivo centrado no concreto. Sabendo que o pensamento concreto está ancorado no que é palpável e no que pode ser captado pelos sentidos, podemos concluir que nada é mais natural que utilizar os sentidos táteis para captar e entendero mundo. O corpo é o que a criança possui de mais concreto em sua vida até então e, por isso, existe a necessidade de tocar os objetos como parte do seu processo de formação cognitiva. O pensamento concreto domina as relações de aprendizado da criança com o mundo até que ela consiga, mentalmente, reproduzir o concreto ou a ação usando o recurso da abstração, ou seja, até que a realidade possa existir no âmbito das ideias, da imaginação e das lembranças sem a necessidade da existência material ou concreta. Da mesma forma que a criança passa por fases em que engatinha, anda e fala, o pensamento abstrato se desenvolve passo a passo ao longo dos anos. O pensamento abstrato passa a se manifestar de forma mais plena em um momento mais avançado do desenvolvimento infantil e, por conta das habilidades abstrativas adquiridas, a criança começa a atuar com certa independência do mundo concreto. É possível perceber esse processo em transição quando a criança brinca, por exemplo, de cavalinho de pau. Esse tipo de brincadeira divide a imaginação e a fantasia com artefatos concretos que funcionam como recursos de apoio ao abstrato, realçando e fortalecendo o lúdico da atividade. Nesse período, a presença do recurso lúdico, como o jogo e a brincadeira, é essencial para auxiliar esse processo de transição do concreto para o abstrato. Nesses mundos de fantasia, as crianças vivem simulações repletas de simbolismos e de abstrações. Abstraem o brinquedo, a situação, os comportamentos e os resultados da brincadeira. Vivenciam tudo isso com muita energia e dedicação. A abstração é construída e exercitada passo a passo em cada jogo, em cada brincadeira. Engana-se quem pensa que as crianças, em tais momentos, apenas se divertem: elas levam, de fato, o lúdico muito a sério. 23 O abstrato ainda ancorado no concreto U m a B re ve R ev is ão d o Es tu do T eó ri co 24 O Corpo e a Ação como Agentes Cognitivos Encontramo-nos, então, diante da possibilidade de orientar a criança para que utilize o seu corpo como forma de aquisição cognitiva, exatamente no momento em que ela está ancorada no pensamento concreto. Por isso, ainda utiliza meios concretos como fontes de aprendizado. Uma criança que participa de um processo cognitivo que envolva ação por meio do seu corpo o faz percebendo sentido e propósito na ação, pois o seu corpo é concreto e comunicativo, possui linguagem própria e ação. Portanto, ela, a criança, se comunica com o mundo naquele momento. É importante que estejamos atentos ao fato de que a comunicação não se dá apenas pelos sentidos fonéticos e auditivos: a criança brinca e interage com seus amigos também utilizando o seu corpo como veículo de ação e alegria. É certo que ela se comunica pela fala, mas a ação efetiva do brincar está impregnada no seu corpo e nos seus sentidos mais concretos. E sabendo que a criança brinca por meio do seu corpo e da ação e que dessa combinação ela extrai alegria e divertimento, nada nos impede de tomar “carona” nesse processo e acelerar a aquisição de conhecimentos utilizando os mesmos recursos, ou seja, fazendo com que a criança aprenda por meio do seu corpo e da ação, tendo, como pano de fundo, uma atividade de cunho lúdico para criar a motivação necessária. 25 A comunicação do corpo U m a B re ve R ev is ão d o Es tu do T eó ri co 26 O Lúdico e a “Cola Neural” Quando conversamos sobre a importância do corpo na aprendizagem, falamos que a criança deve utilizar o corpo no processo de aquisição do conhecimento. Entretanto, é imprescindível que estejamos atentos ao fato de que a simples utilização do corpo pela criança não significa aprender. A utilização do corpo como ferramenta de aquisição deve estar alinhada aos desejos da criança naquele momento específico. O uso do corpo como recurso cognitivo por si só já é um elemento motivador, mas é importante que situações lúdicas estejam presentes como forma de direcionar a atenção da criança e a sua concentração. A criança e a sua atenção devem estar no mesmo foco da ação para que o aprendizado tenha êxito. Assim, coordenar o corpo para uma atividade sem estar desejando tal atividade não acarreta aprendizado. É nesse contexto que o lúdico deve existir, pois o sentimento de prazer proveniente da ação de brincar atua como uma espécie de “cola neural” que integra o objeto de interesse ao ser. Dessa forma, é fundamental que o interesse esteja envolvido no processo de aprendizado. É preciso lembrar que a criança, quando brinca, envolve todo o seu corpo no processo. É importante lembrar, também, que a simples utilização do corpo não proporciona aprendizado, da mesma forma que não é qualquer lançamento de uma bola de basquete que acerta a cesta. Para que um lançamento de uma bola de basquete tenha êxito, é fundamental que seja executado com atenção e concentração suficientes para atingir esse objetivo. Para que uma cesta de basquete seja atingida pela bola durante um lançamento livre, é necessário definição de ação, sequência controlada de movimentos, direção e força de lançamento, tudo isso coordenado pelo arremessador. No entanto, essa combinação também pode ser conseguida com a criação de uma situação lúdica em que o jogo, por exemplo, defina para as crianças o objetivo de acertar a cesta. A criança deve empreender esse e qualquer outro tipo de exercício dentro de um contexto do lúdico, ou seja, ela precisa extrair prazer da atividade para que, efetivamente, exista um processo de correção motora em tempo de treinamento. 27 Atenção para arremessar a bola de basquete U m a B re ve R ev is ão d o Es tu do T eó ri co 28 O Contexto Infantil e a Escrita A escrita para a reprodução dos símbolos alfabéticos que determinarão a codificação da escrita precisa ser revista dentro de um contexto de ação da criança e de ludicidade. Isso porque muitos dos famosos treinos motores preparatórios à escrita se baseiam na observação de que as letras se compõem de retas (horizontais, verticais, inclinadas) e de curvas (onduladas, semicirculares, circulares, espiraladas) e, portanto, na dedução falsa de que determinados traçados precisam ser treinados. No entanto, esses traçados, quando realizados dessa forma, sem contexto real, não possuem sentido para a criança. Transportando a ideia de que a atenção e o interesse da criança devam estar alinhados à sua ação para que ocorra a aquisição da escrita, podemos concluir que lacinhos e meras cópias das letras não proporcionam o sucesso esperado, pois, além de haver a falta de interesse da criança pelo objeto de conhecimento, uma vez que a atividade não está ambientada no seu contexto de vida, a tarefa em si gera um notório cansaço manual e cognitivo. Existem situações não artificiais que envolvem a criança como um todo e desencadeiam aprendizagens bem mais amplas e significativas sem deixar de desenvolver habilidades motoras específicas. Exemplo disso são as inúmeras situações da vida cotidiana das quais a criança participa e as quais executa, tais como desenhar, segurar os talheres para comer, vestir-se e despir-se, abotoar e desabotoar a própria roupa, abrir e fechar a torneira, segurar e comprimir o sabonete ao se lavar, mexer o bolo, cavar túneis na areia, brincar com água, agarrar os galhos da árvore para subir, construir brinquedos com blocos e encaixes, modelar figuras com barro e expressar-se corporalmente. Para o caso específico da alfabetização, o educador e a educadora devem observar os desenhos de seus alunos, pois o desenho ainda é o melhor caminho para que a criança desenvolva os traçados necessários para a reprodução dos símbolos alfabéticos. As linhas circulares, por exemplo, estão presentes no sol, na flor e na cabeça dos bonecos, enquanto que as semicirculares estão presentes nas pétalas das flores, no laço da boneca e nos pneus dos carros. Enfim, o educador e a educadora devem observar a arte criativa e espontânea dacriança, pois ela faz, no desenho, todas as linhas contidas nas letras sem que ninguém ensine, com a vantagem de que os traços fazem parte de um contexto significativo do seu ponto de vista cognitivo e cultural. 29 Criança realizando escrita a partir do seu contexto de vida 30 In tr od uç ão Conhecer a relação entre o corpo e o cérebro para entender a sua importância e a transição do concreto para o abstrato e observar as brincadeiras das crianças, como cavar túneis na areia, brincar com água, construir brinquedos, modelar figuras com barro, fazer pintura a dedo e entreter-se com recorte e colagem, é fundamental para criar uma pedagogia em que conteúdo, brincadeira e método se combinem diante de um objetivo único: acelerar o processo ensino-aprendizagem de forma lúdica e prazerosa. Dentro desse contexto lúdico-educativo, procuramos compor elementos que tivessem fins educativos e que, ao mesmo tempo, se juntassem à alegria das brincadeiras criadas e organizadas pelas crianças. Isso significa que nada impede, por exemplo, que uma criança pinte, nos seus dedos, as letras do alfabeto para brincar e, ao mesmo tempo, aprenda sua forma e som. É estratégico que conteúdos venham no embalo dos jogos e da brincadeira, pois, dessa forma, o conteúdo também fará parte do jogo, ou seja, a criança, ao pintar, nos dedos, as letras do alfabeto, por exemplo, estará, ao mesmo tempo, brincando e aprendendo o alfabeto. Se nós nos colocarmos sob o ponto de vista cognitivo da criança, veremos que não se trata de aprender o alfabeto, mas de pintar, nos dedos, as letras do alfabeto. Logo, conhecer as letras é essencial para brincar e, por isso, elas fazem parte do jogo. Então, vamos brincar e aprender ao mesmo tempo. Este é o espírito da “alfabetização ao alcance de suas mãos”. A tiv id ad es 31 32 U til iz aç ão d o Co rp o Registrar, no cérebro, o desenho e a forma de cada letra, palavra ou frase elaborada na atividade, bem como desenvolver os esquemas corpo- ral, sensorial e espacial do aluno. Objetivo 33 Materiais a Serem Utilizados O professor ou a professora divide os seus alunos em grupos e solicita que escolham uma letra, uma palavra ou uma frase qualquer. Pode, inclusive, elaborar uma lista de sugestões para os seus alunos. Após cada grupo ter realizado a sua escolha, os seus componentes escrevem, deitados no chão, a letra, palavra ou frase com os próprios corpos. Recomendamos a utilização de um espaço amplo para que os alunos se movimentem com mais liberdade. Recomendamos, também, a utilização de toalhas ou colchonetes quando for necessário. O mesmo procedimento pode ser conduzido pelo professor ou pela professora com os grupos em pé, ou seja, os grupos podem realizar novas escolhas e repetir toda a atividade com o corpo em pé. • Uma caixa de guache e pincéis • Mãos • Corpos 34 U til iz aç ão d o Co rp o Elaboração de palavras com a utilização do corpo deitado no chão T I A Elaboração de palavras utilizando o corpo em pé L U A 35 Em outra atividade, os grupos elaboram letras, palavras ou frases utilizando apenas os dedos das mãos. Recomendamos que os alunos escolham diversas letras, palavras ou frases para representar com os dedos das mãos, uma vez que a atividade é dinâmica e rápida, não exigindo sequer muito espaço ou materiais especiais. A atividade segue com os alunos de cada grupo pintando os dedos uns dos outros utilizando pincel e guache. Com os dedos pin- tados, cada grupo apresenta aos seus colegas dos outros grupos as letras, palavras e frases que construiu durante a atividade. 36 U til iz aç ão d o Co rp o LB L U A AO O OV 37 Lembramos que todas as letras, palavras e frases elaboradas pelos alunos devem ser registradas num caderno, numa cartolina ou no quadro. É importante que o aluno transcreva para o caderno o que cons- truiu com um instrumento concreto, seu corpo ou suas mãos, pois, para a criança, a escrita no caderno representa abstração. A ponte entre o simbolismo e a experiência é fundamental para que a criança associe a escrita simbólica e a experiência vivida. 38 U til iz aç ão d o Co rp o Resultados Partindo do pressuposto de que o corpo é o ponto de referência para o aprendizado e de que é no corpo que ficam registradas todas as experiências, as sensações e os sentimentos, crianças que ainda não conseguiram memorizar as letras do alfabeto e o seu desenho necessitam de atividades que as envolvam. Durante o desenvolvimento das atividades, podem ocorrer dúvidas quanto à posição do corpo na construção das palavras, junção de palavras ao fazer uma frase, percepção do início da leitura da palavra ou da frase e inversão de letras. As crianças que apresentarem essas dúvidas são auxiliadas pron- tamente por seus colegas porque todos querem fazer bem a atividade. Os indivíduos, atuando em grupo, querem que o grupo realize a tarefa e dependem de cada um para isso. Procurando fazer certo, as crianças corrigem a posição de um colega e, ao corrigir, o auxiliam a registrar, no seu cérebro, o processo de correção. Isso significa que a criança corrige sua construção mental. Caso algum grupo escreva uma frase com as palavras muito próxi- mas ou encostadas umas às outras, os outros colegas não conseguem ler a frase. Isso provoca perguntas do tipo “o que está escrito?” Os colegas percebem que precisam modificar a estrutura espacial para se fazerem entender, ou seja, separam as palavras. Essas dúvidas são saudáveis e úteis, pois acabam conduzindo os participantes a soluções e desenvolvendo outras habilidades além da alfabetização, como liderança positiva, pensamento lógico-matemático, atenção e concentração, psicomotricidade, percepção espacial e comunicação. 39 Outras Sugestões Essa atividade pode ser usada em qualquer disciplina para trabalhar conteúdos. Na Matemática, por exemplo, podemos traba- lhar a adição, a subtração, a divisão e a multiplicação. Em Língua Portuguesa, podemos aplicar à construção de frases e trabalhar a ortografia e a gramática. Onde está o sujeito? Onde está o artigo? As atividades que utilizam o corpo permitem a participação do professor ou da professora de Educação Física, de Artes, de Religião e de outras áreas, o que é importante para a criança manter a visão do mundo que a cerca. 40 Fa ze nd o e Co m en do Desenvolver a percepção cognitiva das letras do alfabeto e de sua combinação para a formação de palavras e frases pela utilização das mãos e dos dedos, bem como fa- cilitar o registro do desenho de cada letra, palavra e frase. Objetivo 41 Materiais a Serem Utilizados Massa de Biscoito 3 xícaras de trigo, 1 xícara de açúcar, 1 xícara de margarina (tablete), 1 ovo. Numa bacia, misturar o trigo, o açúcar, a margarina, o ovo e amassar bem; acrescentar a anilina ou gelatina em pó ou suco. Receita: • Bacias • Assadeiras para o forno • Anilina comestível ou gelatina em pó ou suco em pó com cores variadas • Forno a gás ou elétrico • Massa de biscoito • Margarina • Açúcar • Farinha de trigo • Ovo A utilização da massa com os alunos pode ser bastante variada, uma vez que o material permite muitas atividades diferentes. Apresentamos, a se- guir, uma sugestão de aula para aquisição da escrita com a utilização da massa de biscoito. 42 Fa ze nd o e Co m en do A classe é dividida em pequenos grupos (mais ou menos 5 alunos por grupo), e cada grupo escolhe a quantidade de massa que utilizará na ativida- de. Por orientação do professor ou da professora, os alunos elaboram todas as letras do sistema alfabético com a massa disponível e, posteriormente, elaboram palavras, frases ou textos. O professor ou a professora orienta, também, a construção de letras suficientes para a escrita de palavras e frases. As letras, depois de assadas em um forno, retornam às equipes para a elaboração de palavras diversas. Os grupos podem se juntar para elaborar diferentesfrases ou pequenos textos com as letras assadas. Com a massa, os alunos também podem desenhar figuras que repre- sentem as palavras escritas. Ao final, todos os alunos registram, em seus cadernos, as frases e palavras construídas por eles durante a atividade e as expostas pelos outros grupos. 43 Acrescentando o açúcar Colocando o trigo 44 Fa ze nd o e Co m en do Acrescentando o ovo Acrescentando a margarina e misturando até formar uma massa homogênea 45 Acrescentando a anilina comestível ou gelatina em pó ou suco em pó à massa Elaborando as letras com a massa de biscoito 46 Fa ze nd o e Co m en do Colocando a assadeira com as letras no forno Assadeira com uma palavra formada com as letras antes de assadas 47 Figura e letras assadas Assadeira com uma figura feita com a massa de biscoito 48 Fa ze nd o e Co m en do Queremos lembrar que a massa pode ser conseguida de diversas formas. As crianças podem trazer os ingredientes de casa (para isso, a receita deve ser fornecida com antecedência) ou até mesmo sair da escola com seus colegas e com a professora ou o professor para comprar os ingredientes necessários. Os alunos podem, também, participar da confecção da massa de biscoito observando a balança (ou outras medidas) e vivenciando todo o processo de juntar os ingredientes, amassar etc. Depois de levar as letras ao forno e retirá-las assadas, podem, por último, degustar as letras que foram utilizadas na atividade ou levar para a família ou colegas de outras salas. Tudo isso provoca prazer, alegria, diálogo e, principalmente, uma aprendizagem com significado e sentido. 49 É preciso lembrar, porém, que as crianças de- vem ser introduzidas nesse trabalho tendo a opor- tunidade de manusear, cheirar e sentir a massa antes de começar a escrita. Para isso, podem, por exemplo, moldar bonecos, ilustrar paisagens e fazer pequenas ma- quetes. A intenção dessa introdução é fazer com que a criança conheça o material e satisfaça a sua curiosidade antes de começar a trabalhar com a escrita. 50 Fa ze nd o e Co m en do Temos, ainda, uma outra sugestão gastronômica: a confecção das letras com a massa de chocolate ou a massa de pão. A sugestão é simples. Depois de concluída a atividade toda, os alunos podem degustar as palavras, letras e frases feitas pelos grupos. Massa de Chocolate Materiais a Serem Utilizados • Bacia • Leite condensado • Leite em pó • Colher • Chocolate em pó Para variar essa receita, no lugar do chocolate em pó, podemos utilizar pó de gelatina, anilina comestível ou suco em pó. Isso mudará o sabor e a cor da massa. 1 lata de leite condensado, 1/2 lata de pó de chocolate, 1/2 lata de leite em pó. Numa bacia, misturar os ingredientes e amassar bem. Receita: 51 Preparando a massa de chocolate Elaborando letras com a massa de chocolate Fa ze nd o e Co m en do 52 Letras de massa de chocolate Degustando o resultado A E sc ri ta e a s M as sa s 53 Objetivo Desenvolver, pela utilização das mãos e dos dedos, a percepção cognitiva das letras do alfabeto e de sua combinação para a formação de palavras e frases, como também facilitar o registro do desenho de cada letra, palavra e frase. A E sc ri ta e a s M as sa s 54 Materiais a Serem Utilizados Massa de Modelar Caseira 01 3 xícaras de trigo, 1 xícara de sal, ½ xícara de água, ½ xícara de vinagre. Numa bacia, juntar o trigo e o sal, misturar a água e o vinagre aos poucos e amassar bem. Receita: A seguir, descrevemos uma sugestão de aula para a aquisição da escrita utilizando a massa de modelar caseira. • Guache • Trigo • Gelatina em pó • Sal • Água • Vinagre • Bacias • Xícaras • Colheres • Suco em pó 55 Preparando a massa de modelar Inserindo o guache ou a gelatina em pó ou suco em pó na massa de modelar A E sc ri ta e a s M as sa s 56 Misturando a massa, a cor aparece Se desejarmos fazer uma surpresa para os alunos, poderemos, durante um intervalo, inserir na massa um pouco de guache ou gelatina em pó ou suco em pó. Quando os alunos retornarem para a sala de aula e reiniciarem as atividades com as suas massas, a cor escondida começará a aparecer. Os alunos ficam encantados com o efeito. Para eles, é mágico o que acontece. 57 Elaborando letras, palavras e frases com a massa de modelar Registrando as letras, as palavras e as frases no caderno A E sc ri ta e a s M as sa s 58 Ao professor ou à professora que desejar trabalhar a construção da escrita com a massa de modelar caseira 02, sugerimos misturar, numa bacia, 3 xícaras de trigo, ½ xícara de água e amassar bem. Em seguida, com a massa, fazer um tablete (10 cm de largura por 10 cm de comprimento e 3 cm de altura). Os alunos, então, com um dos dedos das mãos, podem moldar uma letra previamente escolhida. Na utilização da massa de modelar como molde de letras, o espaço do tablete pode ser preenchido com gelatina líquida. Em seguida, esses moldes podem ser colocados no congelador para o endurecimento. Materiais a Serem Utilizados • Bacias • Dedos das mãos dos alunos • Tablete da massa de modelar caseira 02 • Água • Farinha de trigo • Gelatina líquida Massa de Modelar Caseira 02 59 Preparando o molde Preparando a massa de modelar A E sc ri ta e a s M as sa s 60 Molde da letra preenchido com a gelatina líquida Preenchendo o molde com gelatina líquida 61 Levando o molde com gelatina líquida para o congelador Com as letras de gelatina endurecida dentro da massa, as crianças podem formar palavras e frases e, em seguida, degustá-las. Retirando o molde, elaborando palavras e degustando a gelatina A E sc ri ta e a s M as sa s 62 Massa de Biscuit 1 xícara de maisena, 1 xícara de cola branca (Cascorez de rótulo azul), 1 colher de sopa de vaselina líquida, 1 colher de sobremesa de suco de limão, 1 colher de chá de creme hidratante para mãos. Preparação: Em uma vasilha de vidro, colocar a maisena, a cola, a vaselina e o limão. Mexer muito bem até que essa mistura fique homogênea. Levar ao micro- ondas, na frequência alta, por 50 segundos. Tirar do forno, misturar bem a massa e levá-la novamente ao micro-ondas, por mais 50 segundos, em frequência alta. Retirar do forno e verificar: se desgrudar do fundo do refratário, é sinal de que está pronta. Do contrário, levá-la ao micro-ondas por mais 20 segundos ou até que desgrude do fundo do refratário. Untar uma superfície com o hidratante e nela despejar a massa ainda quente. Amassar como se estivesse fazendo pão, sovando sem parar. Esperar esfriar e colocar 1 cm de tinta óleo para tela sobre a massa. Amassar bem até que ela apresente uma coloração. Após, armazenar a massa em sacos plásticos hermeticamente fechados para conservar a umidade. Esperar 24 horas para começar a modelar. Materiais a Serem Utilizados • Pequenos pedaços de ímã • Placa de metal (ex.: porta de geladeira) • Esmalte incolor ou verniz • Xícara • Amido de milho (maisena) • Cola • Vaselina líquida • Creme hidratante • Bacia • Suco de limão • Colheres • Vasilha de vidro • Suco em pó ou gelatina em pó • Vinagre • Micro-ondas Receita 01: 63 Massa de biscuit (receita 01) Colocando o creme nas mãos para modelar a massa Elaborando o alfabeto móvel e colando ímã no alfabeto móvel A E sc ri ta e a s M as sa s 64 No caso de utilização da receita 01 para fazer a massa de biscuit, recomendamos que ela seja fabricada pelo professor ou professora em função da temperatura que atinge, pois a massa é produzida com o auxílio de um micro-ondas. Letras e figura grudadas em uma placa de metal 65 Massa de Biscuit - Receita 02 1 colher de sopa de vaselina líquida, 1 pacote de suco em pó ou gelatina em pó, 2 xícaras de amido de milho (maisena), 1 xícara de cola Cascorez (rótulo azul), 1 colher de sobremesa de vinagre. Preparação: Numa bacia, juntar oamido de milho, a cola, o vinagre e a vaselina. Amassar bem. Depois de pronta a massa, colocar a gelatina ou suco em pó e amassar. A massa pode ser utilizada em seguida ou ser armazenada num plástico bem fechado para conservar a umidade. Ao trabalhar com a massa de biscuit (receita 01 ou receita 02) para a construção da escrita, distribuir a massa para os alunos e organizar a atividade de modo que cada criança escolha a cor e a letra que confeccionará. Quando as letras estiverem prontas, são colocadas para secar ao natural. Após a secagem, ímãs são colados na parte de trás das letras e podem ser esmaltados com tinta incolor. Com o material pronto, os alunos podem utilizar o alfabeto móvel para escrever, em uma placa de metal (ex.: porta de geladeira), as palavras, as frases ou os textos. Podem, igualmente, com a massa de biscuit, confeccionar animais, flores, mapas etc., deixando fluir a criatividade conforme o assunto desenvolvido. Receita 02: 66 A E sc ri ta e a s M as sa s A massa é interessante para as crianças, pois possui flexibilidade, maleabilidade e se adapta às necessidades mais variadas. As crianças consideram esse tipo de material maravilhoso, pois são moles e fáceis de manusear. Com a utilização desse tipo de material, cada criança realiza o registro cerebral do desenho de cada letra e da sua configuração espacial, bem como das palavras e frases que elaborou com o seu grupo. Assim, a alfabetização na escola deixa de ser um processo individualista e solitário, tornando-se um momento prazeroso e descontraído. Cada criança, com o seu grupo e intuitivamente, pesquisa o desenho de cada letra, é auxiliada constantemente pela inter-relação com seus colegas e desenvolve, dessa forma, habilidades motora e cognitiva. Todo esse trabalho de montagem das letras, palavras e frases também auxilia o processo de socialização, coordenação ampla e fina, contagem, seriação, noção de fino e grosso, grande e pequeno, alto e baixo e em cima e embaixo. Verificamos, durante o manuseio da massa, outro resultado: crianças com dificuldades de atenção e concentração durante o desenvolvimento de outras atividades tornaram-se mais participativas, pois as suas energias e atenção estavam voltadas à realização de algo concreto e social. Crianças com problemas motores e perceptuais necessitam desse tipo de experiência, pois a flexibilidade e a maleabilidade da massa ajudam a desenvolver a coordenação motora fina. A manipulação da massa também estabelece um bom elo com a expressão verbal em crianças que ainda não falam; às crianças altamente verbais proporciona um meio de expressão que se afasta do amontoado de palavras. Resultados A rg ila e G es so 67 Se o professor ou a professora desejar trabalhar a construção da escrita com a argila, sugerimos fazer um tablete (10 cm de largura por 10 cm de comprimento e 3 cm de altura) cuja preparação consiste em pôr o gesso em uma bacia, paulatinamente acrescentar água e mexer até a massa ficar homogênea. Colocar, então, no molde com uma colher e distribuir aos alunos para que eles, com um dos dedos das mãos, moldem, uma a uma, as letras escolhidas previamente. • Argila • Gesso em pó • Guache • Copo ou bacia • Pincel • Água • Colher Materiais a Serem Utilizados 68 A rg ila e G es so É necessário esperar que o gesso endureça para que os alunos possam utilizar o guache para pintar as letras e, assim, trabalhar a noção de limite. Em seguida, as letras são retiradas com cuidado da forma, e a pintura, então, é concluída. Modelando a letra na argila 69 Colocando o gesso preparado com água no molde de argila Preparando o gesso em pó com água 70 A rg ila e G es so Pintando as letras de gesso depois de secas Retirando as letras de gesso do molde de argila 71 Completando a pintura das letras de gesso Formando palavras e frases com as letras de gesso pintadas 72 A rg ila e G es so Outras SugestõesOutras Sugestões O professor ou a professora também pode utilizar a argila para a elaboração de letras que, posteriormente, podem ser coloridas e utilizadas na elaboração de palavras e frases. Com argila, igualmente é possível moldar bonecos, ilustrar paisagens, fazer pequenas maquetes e moldes para mapas etc. 73 Elaborando letras com a argila Pintando as letras de argila depois de secas A rg ila e G es so 74 O trabalho com argila também pode ser uma atividade altamente social: as crianças mantêm conversas maravilhosas entre si e partilham pensamentos, ideias, sentimentos e experiências. Quanto mais experiência a criança possuir com a surpreendente flexibilidade e versatilidade da argila, maior a sua oportunidade de expressão. Devemos usar as seguintes ferramentas com a argila: marreta de borracha, cortador de queijo, espátula, amassador de alho, ralador ou cortador de comida, lápis para fazer furos, amassador de batatas etc. Jo go d a B ol in ha 75 Objetivo Desenvolver, por meio do lançamento de um projétil, a atenção, a concentração e a coordenação visomotora como auxílio ao registro das palavras e das frases da língua escrita. 76 O J og o da B ol in ha Materiais a Serem Utilizados • Bolinhas com ventosas que grudam em quadros O professor ou a professora solicita que os alunos selecionem palavras ou frases e as registrem no quadro da sala de aula. As crianças que encontram dificuldades podem solicitar ajuda aos seus colegas. Persistindo a dúvida, o professor ou a professora orienta e, para isso, utiliza um dicionário ou revistas e livros de histórias infantis. Quando todos os alunos tiverem registrado as palavras selecionadas no quadro, é iniciado o jogo da bolinha. É recomendável que a bolinha seja de material plástico com ventosas nas extremidades para que possa grudar no quadro. Esse tipo de produto pode ser encontrado no mercado. Caso exista algum tipo de dificuldade em encontrar o produto, pode ser utilizada massa de modelar, massa caseira, argila, papel umedecido ou qualquer outro tipo de material que grude no quadro. Para trabalhar os sentidos, a bolinha pode ser passada pelos braços e amassada com as mãos antes do desenvolvimento da atividade. 77 Primeiramente, o pro- fessor ou a professora divide a classe em dois grupos e ex- plica a atividade aos alunos. É interessante elaborar com os alunos as regras do jogo. Segue um exemplo de regras: 1. O aluno lança a bolinha de um ponto demarcado. 2. Acertando a palavra, o grupo recebe um ponto. 3. Lendo a palavra atingida, o grupo recebe outro ponto. O professor ou a professora, então, demarca o ponto de lançamento da bolinha em relação ao quadro fazendo um risco com giz, barbante ou qualquer outro material. Cada grupo de alunos recebe a bolinha para atirar nas letras, palavras ou frases que elaboraram. A bolinha é lançada por um grupo de cada vez, e os pontos são contados conforme o desempenho dos seus integrantes. 78 O J og o da B ol in ha Passando a bolinha pelos braços para trabalhar os sentidos É recomendável que a bolinha seja de material plástico 79 O professor ou a professora solicita que os alunos selecionem palavras e as registrem no quadro Amassando a bolinha com as mãos para trabalhar os sentidos 80 O J og o da B ol in ha Bolinha arremessada no quadro É importante que o professor ou a professora mantenha as palavras e frases sempre no quadro, ou seja, que não as apague em momento algum do jogo. Sempre que um aluno acertar em uma palavra ou frase, deve registrá-la em seu caderno. 81 Essa atividade pode ser utilizada com qualquer conteúdo trabalhado em sala de aula, como: contas, tabuadas, expressões numéricas de Matemática, questões de Ciências e de Estudos Sociais. O fato de criar, na criança, a impressão lúdica do jogo associa o prazer do acerto ao prazer da leitura de uma palavra. Dessa forma, a criança também associa a fonética de cada letrae de cada palavra utilizada na atividade, assim reforçando a memorização da grafia das palavras utilizadas. Essa atividade pode ser utilizada com qualquer conteúdo trabalhado em sala de aula, como: contas, tabuadas, expressões numéricas de Matemática, questões de Ciências e de Estudos Sociais. Resultados Outras Sugestões 82 Su ca ta s Objetivo Auxiliar na construção da escrita: na seleção de letras; na formação de palavras, frases e textos; e na percepção da sequência das letras e do espaçamento entre as palavras de cada frase. 83 Materiais a Serem Utilizados O professor ou a professora divide a classe em grupos, tendo o cuidado de que sejam grupos heterogêneos no conhecimento da construção das palavras. Entrega a cada grupo as tampas de refrigerantes, os copos de café, as cartilhas, os jornais, as revistas, a cola e as tesouras. O professor ou a professora solicita que cada criança da classe elabore o seu próprio alfabeto móvel, e cada uma recorta, das cartilhas, dos jornais e das revistas, as letras e as cola nas tampas de refrigerantes (parte externa) e nos copos de café (parte externa). • Caixas de ovos • Caixas de sapatos • Cartilhas (livros didáticos), revistas ou jornais • Colas e tesouras • Fita adesiva • Copos de café • Tampas de refrigerantes 84 Su ca ta s Montagem do Alfabeto Móvel 85 As crianças recebem, então, as tesou- ras e as caixas de ovos, das quais, por solicita- ção do professor ou da professora, tiram a tampa. Depois que os alfabetos móveis e as caixas estiverem prontos, o pro- fessor ou a professora prepara a continuidade da atividade com os grupos de alunos. Das caixas de ovos, os alunos utilizam os espaços profundos onde alocam as tampas de refrigerantes. O mesmo procedimento é realizado com as saliências internas da caixa de ovos, porém utilizando os copos de café. Sabendo das dificuldades que os alunos possuem no que se refere à construção da linguagem escrita, o professor ou a professora deve orientar a escolha de uma palavra com o número suficiente de letras em relação aos espaços contidos na caixa de ovos. Nesse caso, deve estar atento à quantidade de saliências internas quando utilizar o alfabeto móvel em co- pos de café e aos espaços profundos quando utilizar o alfabeto móvel em tampinhas de refrigerantes. Caso a palavra escolhida seja maior que o espaço interno disponível nas caixas, o professor ou a professora precisa usar um grampeador e pren- der uma caixa na outra para aumentar a quantidade de espaços. Quando o professor ou a professora trabalhar com elaboração de frases, deve entregar várias caixas aos alunos ou aos grupos. 86 Su ca ta s Utilização do alfabeto móvel feito com uma caixa de ovos e copos de café Utilização do alfabeto móvel feito com uma caixa de ovos e tampas de refrigerante 87 A atividade leva a criança que utiliza apenas uma letra de cada sílaba para escrever uma palavra silábica a perceber que existem mais letras para compor determinada palavra. Essa atividade leva a uma percepção cognitiva em relação à palavra que está sendo construída, desenvolve a percepção de que as palavras de uma frase não ficam aglutinadas, além de mostrar como se dá a separação das sílabas das palavras num texto. Resultados 88 Su ca ta s Bilboquê 89 O professor ou a professora pode utilizar caixas de sapatos, fita adesiva, barbante comprido, tesouras e cartolinas para que as crianças confeccionem um jogo semelhante ao bilboquê que pode ser utilizado para várias finalidades: leitura, resolução de problemas matemáticos, questões de outras matérias etc. Para tanto, cada criança pega uma caixa de sapatos, coloca divisórias de cartolinas (quantas forem necessárias) e cola, nos espaços internos, rótulos, letras, palavras, frases, contas de adição, subtração, multiplicação e divisão, expressões numéricas, problemas, conteúdos de Ciências, Estudos Sociais, entre outros. Para que o jogo fique pronto, as crianças fazem um furo na parte superior de uma das extremidades da caixa, nele amarram um pedaço de barbante com, aproximadamente, 40 cm de comprimento e prendem uma tampa de refrigerante na outra extremidade desse mesmo barbante. Após a confecção, jogam livremente. A atividade descrita também pode ser utilizada para realizar avaliação oral ou escrita com as crianças, sendo que elas mesmas elaboram as questões de cada disciplina dentro da caixa e respondem, ao jogarem o bilboquê, às questões atingidas pela tampa de refrigerante. Outras Sugestões 90 G ar ra fa s M ág ic as Objetivo Suscitar a percepção dos diferentes materiais (plástico, papel, cartolina, água) pela observação do seu movimento, refração e efeito de ampliação, como também registrar, por meio da observação, o desenho das letras do sistema alfabético e a grafia das palavras. 91 • Garrafas de refrigerante vazias, sem rótulo e transparentes • Jornais, revistas, cartilhas (livros didáticos) • Água • Rótulos de embalagens • Tesouras • Caderno para registro Materiais a Serem Utilizados Os alunos são divididos em grupos de, aproximadamente, 05 integrantes cada. Cada grupo é equipado com jornais, revistas, cartilhas, garrafas de refrigerantes, tesouras e embalagens com rótulos. O professor ou a professora solicita que cada grupo recorte letras, palavras ou frases dos jornais, cartilhas, revistas, gravuras etc. Após o término dessa atividade, os alunos colocam o que recortaram nas garrafas, as enchem de água quase até a borda, deixando um espaço de ar de 6 cm aproximadamente, e as fecham para trabalharem com o material que foi depositado dentro delas. Prontas as garrafas, o professor ou a professora solicita a cada grupo que escolha um colega e deixe rolar a garrafa até ele. O colega escolhido lê o que está dentro da garrafa e registra, em seguida, o que leu num caderno de atividades. 92 G ar ra fa s M ág ic as Recortando uma palavra de uma embalagem Colocando as palavras recortadas dentro da garrafa com água 93 Mexendo a garrafa para ler as palavras extraídas de embalagens e revistas 94 G ar ra fa s M ág ic as As crianças gostam dessa atividade, pois todo o material de aprendizagem é confeccionado por elas. Além disso, o efeito que a água produz – “aumentar” os objetos que estão dentro da garrafa – as deixa surpresas. O nome Garrafa Mágica foi sugestão de um grupo de crianças. Resultados 95 Outras Sugestões Antes de iniciar o trabalho com recorte de letras, palavras ou fra- ses, o professor ou a professora pode solicitar às crianças que encham totalmente as garrafas com água. Como a água nas garrafas produz um efeito de lente de aumento, amplia as imagens e cria, com isso, um efeito visual divertido para as crianças. O professor ou a professora pode explorar esse efeito pedindo que observem os rostos dos seus co- legas, especificamente os olhos, o nariz, a boca, as orelhas, os cabelos de cada um. Essa atividade pode ser utilizada para contar uma história que explore esses efeitos de aumento, como a história do Lobo Mau e de Chapeuzinho Vermelho em que a personagem pergunta “por que estes olhos tão grandes?” Na garrafa, as crianças também podem colocar adições, subtrações, multiplicações, divisões e tabuadas para trabalhar a Matemática; palavras para trabalhar a gramática (separar palavras quanto ao número de sílabas por garrafa); gravuras para trabalhar a sequência lógica ou a elaboração de textos; e gravuras de animais para trabalhar a classificação das espécies. Também as garrafas podem ser utilizadas para simular um jogo de boliche ou um jogo de argolas, sendo que as crianças devem dizer o que tem dentro das garrafas quando as acertam. A re ia , P ed ra s e G iz d e Ca l C ol or id o 96 Desenvolver a motricidade das mãos e dos dedos, a coordenação visomotora e a percepção da construção da linguagem oral e escrita. Objetivo 97 Materiais a Serem Utilizados - Parte 01 As criançasdesenham livremente sobre um papel pardo, uma cartolina ou no chão (cimento ou lajota) utilizando, em um primeiro momento, o giz de cal colorido seco. Após o primeiro desenho, as crianças iniciam o segundo desenho com o giz molhado em água e, em seguida, o terceiro com o giz umedecido em azeite. Concluída a atividade com o giz, as crianças podem preencher os espaços dos desenhos com areia. • Areia em saco plástico • Giz de cal colorido (usado em quadros) • Água em copo plástico • Azeite de cozinha em copo plástico • Papel pardo A re ia , P ed ra s e G iz d e Ca l C ol or id o 98 Utilizando giz seco para desenhar Utilizando giz molhado em água para desenhar 99 Utilizando giz umedecido em azeite para desenhar Preenchendo o desenho com areia A re ia , P ed ra s e G iz d e Ca l C ol or id o 100 • Pincéis e guache • Pedras • Caderno para anotações Materiais a Serem Utilizados - Parte 02 O professor ou a professora solicita que as crian- ças recolham pedras do pátio da escola ou mesmo que tragam de casa para a atividade. Primeiro, as pedras devem ser limpadas com água ou um pano úmido. Em seguida, os alunos as pintam com guache de diferentes cores. Terminada a fase de pintura, os alunos podem utilizar as pedras coloridas para elaborar desenhos livres e espontâneos. Após essa exploração, utilizam as pedras para construir letras, palavras ou frases. Os resultados devem ser registrados no caderno. 101 Pintando as pedras para formar uma figura, uma letra, uma palavra ou uma frase Letras, palavras e frase formadas com pedras pintadas A re ia , P ed ra s e G iz d e Ca l C ol or id o 102 As atividades citadas desenvolvem a pressão e a preensão sobre os instrumentos utilizados, como giz e pedras. Também promovem a iniciativa, a independência, a criatividade, a percepção das relações de causa e efeito (molhado e seco) e das semelhanças e diferenças entre materiais. Durante a realização da atividade, também são explorados aspectos como a atenção, a sociabilidade, a oportunidade de conversar sobre suas criações, a motricidade das mãos e dos dedos, a coordenação visual e motora e a percepção de cada letra que compõe uma palavra. Resultados 103 Também podemos pedir para a criança deitar no papel pardo para que um colega contorne o seu corpo com o giz seco ou molhado. Terminado o contorno do corpo de todos os alunos, podemos suge- rir que registrem, no desenho de cada parte do corpo, algo positivo e negativo que essa parte pode realizar. Caso as crianças ainda não saibam escrever, o professor ou a professora pode registrar o que for falado por elas. Outras Sugestões Re tr op ro je to r e Tr an sp ar ên ci as 104 Objetivo Desenvolver a linguagem escrita, não só como instrumento de comunicação, mas também como instrumento de compreensão, de organização e de geração de ideias. 105 105 Materiais a Serem Utilizados • Transparências • Canetas para transparência • 4 folhas de papel celofane de cores diferentes • Revistas, livros didáticos (cartilhas) • Papel pardo • Tesouras • Caderno para anotações • Assadeira de vidro transparente O professor ou a professora mostra o retroprojetor para as crianças e explica como funciona. Também permite que elas explorem esse instrumen- to com suas mãos, façam teatro com os dedos e mãos e criem imagens de bichos, de letras, entre outros. Após a exploração do aparelho, o professor ou a professora divide a turma em equipes e dá a cada uma delas duas folhas de transparência, um estojo de canetas para transparências, quatro folhas de papel celofane de cores diferentes, revistas, cartilhas, tesouras, barbantes e palitos de dente. Primeiramente, cada equipe recorta as gravuras de uma revista ou carti- lha para realizar o trabalho com as sombras no retroprojetor, nele colocando as gravuras que recortou. Os colegas das outras equipes escrevem a palavra que corresponde à sombra projetada. Após essa atividade, os alunos realizam desenhos livres no papel celofane, recortam os desenhos e os colocam sobre o retroprojetor. Os colegas identificam o que foi desenhado e, novamente, registram no caderno. Re tr op ro je to r e Tr an sp ar ên ci as 106 Com as sombras e com os desenhos feitos com o papel celofane, as equipes podem elaborar um texto coletivo e contar a história para as outras equipes. Essas histórias também devem ser registradas no caderno pelos alunos ou no papel pardo pela professora. Com as sombras das gravuras recortadas e com os desenhos feitos em papel celofane, também é possível elaborar, com a turma, mapas, paisagens, letras, palavras, frases, entre outros. A ideia desta atividade com o retroprojetor, é trabalhar uma espécie de teatro de sombras. Então, ela poderá ser desenvolvida pelo professor, caso a escola ainda possua esta ferramenta em seu acervo. Sombra de letras, palavras e frases 107 107 O professor ou a professora utiliza esses materiais confeccionados pelos alunos (gravuras das revistas e desenhos feitos em papel celofane) para elaborar frases enigmáticas sobre transparências e as expõe no retroprojetor. Em seguida, os alunos (selecio- nados pelo professor ou pela professora ou ao acaso) resolvem a carta enigmática. Para tanto, retiram a gravura da transparência e, com a caneta, escrevem a palavra que substitui a imagem. Caso a criança que está realizando essa atividade tenha dificuldades, os colegas podem ajudá-la a construir a palavra. Re tr op ro je to r e Tr an sp ar ên ci as 108 Sombra de letras e palavras Frase enigmática com sombras A ideia desta atividade com o retroprojetor, é trabalhar uma espécie de teatro de sombras. Então, ela poderá ser desenvolvida pelo professor, caso a escola ainda possua esta ferramenta em seu acervo. 109 109 A luz projetada pelo retroprojetor desperta a curiosidade e chama grande atenção das crianças. A transferência de imagens para a parede (imagens que podem ser manipuladas naquele mesmo momento) cria sensações de surpresa, de curiosidade sobre o fun- cionamento e, por que não, de encantamento. Esses aspectos todos agem como fatores motivacionais, devendo ser aproveitados para criar um ambiente de aprendizagem. Essa motivação desenvolve, na criança, novas ideias, a criatividade, a atenção e a vontade de escrever, pois tudo é diferente. O mundo está diferente. Resultados Re tr op ro je to r e Tr an sp ar ên ci as 110 Outras Sugestões Após a correção de textos produzidos pelos alunos, o professor ou a professora pode transferir os erros de grafia, pontuação e sequência lógica, por exemplo, para uma transparência e elaborar um novo texto com os erros detectados. Em sala de aula, o professor ou a professora exibe o texto com o auxílio do retroprojetor, assim iniciando um processo de reescrita e discussão com os alunos. Os alunos registram o novo texto em seus cadernos. Outra sugestão é dividir a classe em equipes e atribuir a tarefa de redigir um texto em transparência para apresentar aos colegas posteriormente. Essas equipes também podem utilizar uma forma de vidro transparente sobre o retroprojetor para trabalhar com a água. Sugerimos a utilização da assadeira para que a água não escorra pelo aparelho, pois pode danificá-lo. Com a assadeira, os alunos podem, por exemplo, utilizando um pouco de água num canto, simular uma lagoa dentro de uma fazenda; construir, com papel celofane, a casa, os animais, a vegetação, os peixes da lagoa, os patos e outros. Essa lagoa pode ser colorida apenas com anilina, e os peixes e patos podem ser confeccionados com a tampa ou o próprio recipiente de iogurte para não se danificar com a água. O professor ou a professora também pode trabalhar as cores utilizando a anilina dentro da assadeira com água. Com os palitos de dente e com o barbante sobre um retroprojetor, os alunos podem desenhar livremente, confeccionar letras, palavras, frases e números. É sempreimportante lembrar que os alunos devem transcrever para seus cadernos o resultado de suas atividades, seja texto, seja problema matemático etc. 111 111 Imagem da fazenda projetada A ideia desta atividade com o retroprojetor, é trabalhar uma espécie de teatro de sombras. Então, ela poderá ser desenvolvida pelo professor, caso a escola ainda possua esta ferramenta em seu acervo. A ni lin a Co m es tív el 112 Objetivo Desenvolver a parte fonoarticulatória e aprimorar as linguagens oral e escrita. 113 Materiais a Serem Utilizados • Caderno para anotações • 4 pacotes de anilina comestível ou gelatina em pó ou suco em pó de diferentes cores para cada grupo • Folhas de papel sulfite ou um caderno • Lápis ou caneta Os alunos são divididos em diversos grupos, e cada grupo recebe os pacotes de anilina comestível, gelatina em pó ou suco em pó e uma folha de papel sulfite ou um caderno. Em grupo, elaboram uma história e a dramati- zam utilizando os movimentos e os sons produzidos pela boca e pela língua. A ni lin a Co m es tív el 114 Anotando a história para a execução do trabalho fonoarticulatório 115 Antes da apresentação das histórias, os alunos pintam as suas línguas com a anilina comestível ou gelatina em pó ou suco em pó. Um aluno de cada grupo lê a história para os outros colegas enquanto os demais a dramatizam com mímica utilizando a língua apenas. Os sons e os movimentos podem ser produzidos de diversas formas: • tocar os dentes com a ponta da língua; • tocar o canto dos lábios com a ponta da língua; • colocar a língua para fora da boca e explorar: direita, esquerda, para cima, para baixo; • estalar a língua (imitar o trote de cavalo); • lamber picolés, pirulitos grandes e pequenos; • escovar a língua de dentro para fora, em cima; • circular a ponta da língua entre os lábios e os dentes; • dobrar a ponta da língua e passá-la no céu da boca; • tossir; • raspar a garganta; • gargarejar; • bocejar; • fazer gestos e mímica facial: expressões de alegria, tristeza, espanto. A narração de uma história da própria língua como personagem personificado possibilita a utilização de variados movimentos e sons do aparelho fonoarticulatório. A ni lin a Co m es tív el 116 Movimento fonoarticulatório da língua 117 Resultados A língua é uma parte importante do corpo. Todavia, nós, geralmente, não lhe damos a devida importância e a temos como algo qualquer. A língua é muito sensível: ela nos conta quando as coisas são doces, azedas, amargas, salgadas. É usada para mastigar, engolir e, acima de tudo, para falar. A língua não apenas discrimina se as coisas são doces e azedas, como também pode contar se algo é duro, mole, quente, frio, rugoso e áspero. Os dentes, os lábios e as bochechas estão intimamente ligados à língua. Essa atividade que envolve a língua, além de desenvolver a parte fonoarticulatória, possibilita que as crianças aprimorem as linguagens oral e escrita ao elaborarem os seus textos. A lg od ão e C an ud in ho 118 Objetivo Auxiliar no desenvolvimento da atenção, da concentração, do controle e da capacidade respiratória. 119 • Chumaços de algodão • Canudinhos finos • Canudinhos grossos • Cartolinas • Estojos de canetas hidrocor • Réguas • Folhas de papel sulfite • Colas • Tesouras • Copos de cafezinho • Fitas adesivas Num primeiro momento, os alunos recebem orientação para elaborarem, com os materiais, um campo de futebol e um campo de basquete sobre as cartolinas. Os campos devem ser desenhados de acordo com as normas de cada esporte. Os canudinhos são utilizados para a construção das traves e a sustentação da cesta de basquete. As cestas de basquete são confeccionadas com copos de cafezinho abertos embaixo. A bola, tanto a de futebol quanto a de basquete, é feita com chumaços de algodão, podendo ser colorida de acordo com as cores de um jogo real. A bola de futebol é movida assoprando pelo canudinho, enquanto que a bola de basquete é movida por sucção, também com a utilização do canudinho. Materiais a Serem Utilizados A lg od ão e C an ud in ho 120 Confecção do campo de futebol e do campo de basquetebol 121 Uma vez terminada a confecção dos campos, os alunos elegem o time e o juiz e iniciam o jogo respeitando as regras ela- boradas pela equipe. Num primeiro momento, podem jogar utilizando um canudinho fino e, em outro momento, um canudinho grosso. A lg od ão e C an ud in ho 122 Jogo de futebol Jogo de basquetebol 123 Essa atividade auxilia o controle do corpo, a percepção, a aten- ção, a concentração e a capacidade respiratória dos alunos. Os alunos também precisam saber respirar e controlar a sua respiração para conseguirem aumentar a sua capacidade respiratória. Essa atividade pedagógica, além de trabalhar aspectos pneumofonoarticulatórios, desenvolve a linguagem oral, a criatividade, noções matemáticas (figuras geométricas, retas, circunferência, medida, dobro, metade), a percepção espacial e a observação. Resultados Co nc lu sã o 124 O método de alfabetização apresentado neste livro, apesar de lúdico, possui uma abordagem neuropedagógica e abrange diversas atividades práticas com o objetivo de facilitar o aprendizado. É certo que o processo de alfabetização se dá mais facilmente quando existe um envolvimento lú- dico, mas esse aprendizado é reforçado, principalmente, quando utilizado o corpo da própria criança, pois se trata de uma referência permanente, além de que a criança subentende a sua presença no mundo por intermédio do seu próprio corpo. Contudo, é fundamental que o professor e a professora tenham visão crítica sobre cada atividade executada por seus alunos. Executar a atividade pelo simples fato de patrocinar um momento a mais não trará os benefícios desejados. Cabe ao educador e à educadora observar os resultados de cada atividade, pensar e refletir sobre cada resposta percebida e, quando neces- sário, adaptar a atividade para que se acomode, da melhor forma, em sua realidade e na de seus alunos. Assim, mais do que fazer exercícios, este livro procura chamar a aten- ção do educador e da educadora para que realizem uma mudança de postura no manejo da sua classe, assim buscando resultados voltados ao aprendizado dos seus alunos frente a uma sociedade que cobra continuamente uma me- lhor posição e um desempenho cognitivo mais efetivo. Tudo isso, porém, deve acontecer sem deixar de olhar para o aluno, sem deixar de sentir seus anseios, seus medos e suas paixões. Lembrem-se, educador e educadora, que conhecer o aluno é muito mais do que um simples olhar biológico, mais do que uma análise cultural e muito mais do que um envolvimento social. Olhar o aluno é se voltar para um ser humano que está em plena formação, e vocês, educador e educadora, têm a oportunidade única de participar diretamente desse maravilhoso pro- cesso de formação. Percebam que, por mais técnica que seja a informação, o processo de ensino-aprendizagem não se desvencilha da formação ética. Aproveitem a oportunidade, transformem a sua sala de aula e façam com que o mundo seja um lugar melhor para se viver. 125 Caro(a) educador(a): A sua opinião sobre este livro é muito importante para mim! Por isso, será muito significativo receber um e-mail seu... Meu endereço eletrônico é juliannefischer@me.com Julianne QUEM SOMOS O Instituto Agenda Positiva é uma Organização Não Governamental voltada para o desenvolvimento educacional eficaz e inclusivo. Proferimos palestras e ministramos cursos com o foco na formação continuada dos professores nas áreas de alfabetização e letramento, inclusão escolar e orientação para a superação das dificuldades da aprendizagem. Ainda, realizamos avaliação e diagnóstico das dificuldades apresentadas pelos alunos e orientamos os seus professores sobre os caminhos para que eles superem essas dificuldades de aprendizagem. 127 QUEM SOMOS A UniAmérica, primeiroCentro Universitário do Paraná sem fins lucrativos, é considerada pelo Ministério da Educação e Cultura MEC uma das instituições de ensino mais inovadoras do país. Com foco exclusivo no aprendizado real dos acadêmicos, o Centro Universitário tem o propósito de ser um ambiente de ensino e aprendizagem que permita gerar oportunidades para as pessoas serem protagonistas da própria evolução, por meio de processos educacionais inovadores e integrados à comunidade, em prol da transformação social. E d i t o r a Co nc lu sã o 128